Jornal Cocamar Setembro 2019

LuRecco

les, como da maioria das famílias

de origem japonesa,

era sem gordura, com shoyu

(molho de soja), muito gengibre,

pepino, cebolinha japonesa

e verduras, além de pratos

tradicionais da cozinha

oriental, como peixes, yakisoba,

sashimi, sushi, onishimi

e outros.

ADAPTANDO-SE - No seu dia

a dia, as mulheres levantavam

mais cedo para cozinhar,

organizar a casa e deixar tudo

pronto para o momento de

seguirem para a roça, com os

homens. Por fim, nos dias

chuvosos, quando não era

possível trabalhar na lavoura,

elas aproveitavam o tempo

para costurar. Alguns dos

momentos de descontração

ficavam por conta das alegres

e movimentadas gincanas

do Undokai, no início de

maio. Muitas décadas após a

chegada dos precursores,

grande parte desses hábitos

não resistiu. Com o tempo, as

famílias se adaptaram à vida

ocidental e brasileira.

VALORES - Akiko, filha de

Shoiti e Kimie, casou-se há

28 anos com Yoshio Bento

Kumassaka e eles têm três

filhos: Júnior, Fabrício (em

memória) e Igor. A família

produz grãos e, honrando a

história de pais, Akiko é uma

ativa participante em sua comunidade.

Segundo ela, os

tempos são outros, mas continuam

preservados os valores

e princípios fundamentais,

como a disciplina em

casa e nos negócios, o respeito

ao próximo, a união familiar

tão cultivada pelos

mais velhos, a dedicação ao

trabalho e, principalmente, o

costume diário de agradecer

a Deus, antes das refeições,

reconhecimento que, muito

comum entre os japoneses,

se estende também aos pais

e aos antepassados.

A família também não deixou

se perder a tradição culinária.

Ainda bem. Embora incorporando

alguns dos principais

itens mais comuns do cardápio

brasileiro, prepara iguarias

que agradam a todos os

paladares, como a carne

suína ao modo agridoce. Veja,

abaixo, como fazer.

Por último, vale registrar que

os sogros de Akiko chegaram

a São Jorge do Ivaí em 1951,

para derrubar o mato e plantar

café. Ainda hoje, aos 88

anos, seu Tadao Kumassaka

continua dirigindo e faz questão

de levar marmitas com as

refeições aos seus familiares,

na propriedade rural, que fica

perto da cidade.

Akiko com o esposo Yoshio e um dos filhos: iguarias que agrada a todos

COSTELINHAS DE PORCO

AGRIDOCE

INGREDIENTES

• 1,5kg de costelinha de

porco sem gordura e com

bastante carne;

• 1/3 abacaxi picado em

quadradinhos (sem o miolo

da fruta);

• 100g de gengibre fresco

picado em tiras;

• shoyu a gosto, mas cuidado

para não escurecer muito

a carne;

• 1 envelope de rondashi;

• óleo vegetal ou banha

de porco;

• 1 pitada de adoçante;

• 3 dentes de alho;

• sal a gosto (mas pouco,

para prevalecer o sabor do

gengibre e do abacaxi);

• pimenta calabresa em pó,

a gosto;

• se quiser, use Ajinomoto

para realçar ainda mai

o sabor;

• cebolinha.

MODO DE FAZER

Refogar o alho em óleo ou

banha de porco. Acrescentar

as costelinhas e refogá-las

com alho e incluir os demais

ingredientes, inclusive o adoçante.

Segundo Akiko, o cozimento

demora 1 hora ou um pouco

mais, em fogo médio. Importante:

quando estiver na metade

do cozimento, provar

para está de sal. Se precisar,

utilize shoyu (em quantidade

pequena, para não escurecer

a carne) ou sal. Com o cozimento

concluído, regue com

cebolinha. Coloque a carne

numa travessa, sobre folhas

de alface e abacaxi cortado

em pedaços, como na foto. O

abacaxi deve receber um leve

cozimento.

O prato pode ser acompanhado

de arroz branco, feijão

com bacon e chimichurri, torresminho

crocante e salada

de folhas. A família Kumassaka

também costuma ter à

mesa o batatonese, uma versão

de maionese que leva

limão, leite, óleo e batata cozida.

Se quiser, acrescente

beterraba, cenoura, cebola e

cheiro verde.

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