Anime Ex 01 ano 01

aniemotion

Revista Anime EX, edição 01, ano 01,

Ano 1 - Número 1

Danmachi

Monstros, Garotas & Paqueras

A História da Animax Parte 4

Surge a Japan Fury (Parte 1)

Senko-san

Mimo para Aliviar o Stress

Yomeru Mangá – Yotsuba To

Uma Fofura de Garota!

Tokusatsu – Robô Gigante

Um clássico dos anos 1970

Duas Novas Seções

Light Novel e Off Topic

E mais: Rapidinhas, Dicas de Anime (Verão) Parte 2, Arei

no Kagami, Figure no Sekai, Casal Anime EX, Desenhos

dos Leitores, Apoiadores


ÍNDICE

Clicando nos títulos abaixo, você irá

direto para a matéria

3 Editorial

5 Rapidinhas

11 A História da Animax Parte 4

21 Danmachi

30 Dicas de Anime - Verão 2019 Parte 2

40 Off Topic – Crimes exóticos

52 Sewayaki Kitsune no Senko-san

61 Light Novel – Nihonkoku Shôkan

72 Mukashi Mukashi – Arei no Kagami

81 Tokusatsu – Robô Gigante

92 Yomeru Mangá – Yotsuba To

102 Figure no Sekai – Dollfie Dream

112 Casal Anime EX

113 Desenhos dos Leitores

114 Apoiadores

Expediente

ANIME EX – Revista mensal sucessora

legítima da Animax, começando uma nova

fase! Continue nos apoiando e indique aquele

seu amigo primordial.

Criação exclusiva do Estúdio PPA,

encabeçando e encetando!

Editor Chefe Inaugurador: Sérgio Peixoto Silva

Revisor Geral Instaurado: Denison Guizelini

Diagramador Introdutor: Nilton Simas

Colaboradores Iniciados: Pablo Gouveia,

Rodrigo Pato, Januncio Neto e Attilas Lima.

Desenhista Introito do Casal Anime EX: Pablo

Gouveia

© 2019 Estúdio PPA / Editora WarpZone

Vedada reprodução total ou parcial, por

quaisquer meios, do conteúdo e das

informações desta edição. Infratores serão

resetados, formatados e reiniciados.

Anime EX é marca registradas de Sérgio

Peixoto Silva, publicado em parceria com a

Editora WarpZone. Diretor Empeçado: Cleber

Marques - www.warpzone.me

Nosso novo e-mail para contato e envio de

colaborações:

anime.ex.magazine@gmail.com

2


EDITORIAL

PORQUE MUDOU DE NOME ?

Antes de responder, falaremos da revista: a Anime EX tem um novo formato

que exibe uma página por vez, facilitando a leitura em celulares e também

nos permite escrever matérias maiores sem mexer na quantidade de páginas!

E a Anime EX foi a revista que publicamos pela editora Trama – depois Talismã

– entre 2000 e 2003, após o cancelamento da Animax. Ela é, portanto, uma

sucessora legítima herdando inclusive algumas seções. No total, foram mais

de 60 edições publicadas, somando a edição mensal e as Anime EX Special,

Illustrations (só com ilustrações) e BIG (revista pôster) estas três bimestrais.

Mas porque a mudança de nome? Além do

formato e visual, também o projeto da revista

foi alterado, então a historia se repete de

forma caprichosa. É como se estivéssemos

cancelando a Animax e lançando a Anime

EX com uma nova proposta. Faz parte do

processo de evolução da revista, que

precisa ser condizente com os novos e

futuros desafios.

Mas uma coisa não mudou: a

dedicação e empenho de toda a

equipe em trazer mensalmente até

você uma revista de qualidade, com as

melhores informações e matérias sobre

anime, mangá, tokusatsu e cultural pop

oriental.

E mais novidades virão. Aguardem!

Atenciosamente,

Equipe Editorial da Anime EX

O desenho deste editorial é autoria de Francielio

“Lelo” Alvds de João Pessoa – PB. Uma bela fanart

da Makinami Mari que aparece nos filmes de

Evangelion. Parabéns, Lelo!

3


Rapidinhas

Rapidinhas

Esta seção não mudará: continuaremos a publicar nela notícias, curiosidades, novidades

e eventos sobre o Japão e oriente. E qualquer leitor pode colaborar enviando links e fotos

pelo e-mail anime.ex.magazine@gmail.com. Sendo algo interessante, publicaremos

com os devidos créditos ao autor.

GUNDAM E MARCA DE CAFÉ

COMEMORAM ANIVERSÁRIO JUNTOS

A Coca-Cola Bottlers Japan Inc.

em parceria com a Nippon Sunrise

realizaram uma comemoração

dupla de aniversário: os 40 anos de

estreia da primeira série para TV de

Mobile Suit Gundam e os 25 anos

do lançamento da popular marca

de café da Coca-Cola chamado

“Georgia Emerald Mountain

Blend”. Além do lançamento de

uma coleção especial de latas

deste café com imagens dos

principais personagens e robôs da

série, foram criadas duas máquinas

de venda automática decoradas

na forma do robô RX-78 Gundam,

5


incluindo a cabeça e o escudo,

com 2,4 metros de altura.

Além da aparência inusitada, elas

têm 10 frases de efeito, gravadas

pelos mesmos dubladores que

interpretam o protagonista Amuro

Ray e seu arqui-inimigo, Char

Aznable. Falas memoráveis dos dois

personagens foram adaptadas

para promover a marca de café

da Coca-cola como uma dita

por Amuro, que ficou assim: “Eu

posso colaborar com o Eme-Man

(Emerald Mountain) melhor do que

qualquer outra pessoa”.

Inicialmente instaladas em

Shibuya, bairro de Tóquio, elas

causaram tumulto em sua

inauguração durante os feriados

da Golden Week (Semana

Dourada, uma junção de quatro

feriados japoneses no final de

Clique para assistir vídeo que mostra alguém

comprando uma lata de café com a máquina

fazendo uma das falas promocionais

abril/inicio de maio) na primavera

deste ano. Muitos fãs de Gundam

vieram comprar uma ou mais

latinhas comemorativas com seu

personagem ou mecha favorito da

série, provando que esta ação de

marketing já nasceu vencedora!

Em 16 e julho de 2019, uma destas

máquinas foi instalada no parque

temático Lagunasia em Gamagori,

província de Aichi, e funcionou até

18 de agosto de 2019. A Coca-

Cola já anunciou que pretende

fazer uma turnê destas máquinas

de venda por todas as grandes

cidades do Japão até o final do

ano.

6


Clique na foto acima para assistir um vídeo de 3

minutos da Exposição

DRAGON BALL DOMINA

HONG KONG

Apesar do tenso relacionamento

político entre Japão e China por

causa da disputa pela posse das

ilhas Senkaku (chamada pelos

chineses de Diaoyu) e que você

poderá se informar melhor neste

link, e mesmo com o governo

comunista fazendo pesada

propaganda anti-nipônica, os

chineses nem se importam e

continuam sendo fãs de vários

animes.

A prova disso é que em 8 de

agosto de 2019 foi inaugurada

uma mega exposição chamada

“Dragon Ball World Adventure” nas

dependências do Shopping Times

Square Hong Kong na Causeway

Bay, distrito de Wan Chai, o espaço

mais caro do mundo para se alugar

uma loja em Hong Kong (sim, mais

caro que a Quinta Avenida em

Nova York) e está fazendo muito

sucesso!

É um evento para fã nenhum

de Dragon Ball botar defeito

com várias estátuas gigantes

dos principais personagens

reproduzindo duelos marcantes

da série espalhadas na entrada

e dentro do shopping, entre

eles: Gogeta, Broly, SSGSS Goku,

Vegeta SSGSS, Freeza e Majin

Buu; um cenário com estátuas

em tamanho natural de Goku

e Bulma que qualquer visitante

pode tirar foto ao lado deles;

uma exposição de action figures

da SHFiguarts montadas em

belos dioramas; exposição de

toda a coleção de card games

da série e três zonas interativas

7


para os visitantes se divertirem, a

saber: “Make a Wish” (Faça um

Desejo), “Kamehameha Training”

(Treinamento de Kamehameha)

e “Ride on Kintoun” (Monte na

Kintoun – a nuvem de Goku). Há

também vários brindes sendo

distribuídos aos que participarem

destas interações como botons,

estampas, adesivos e cards

exclusivos.

Mas o grande charme desta

exposição sem dúvidas é a estátua

com 13 metros de altura do

dragão Shenlong instalado no hall

principal do shopping, dando a

impressão de se estar diante dele!

Sem dúvidas, é a maior estátua

já feita deste personagem, algo

realmente impactante!

E para causar inveja a qualquer

fã que não possa ir neste evento,

há uma loja vendendo pencas

itens com a marca Dragon Ball

como camisetas, chaveiros, figures

de todos os tamanhos e preços,

além de figures exclusivas em

quantidades limitadas – e algumas

esgotaram logo no primeiro dia!

Estas, provavelmente, já devem

estar à venda na Alibaba ou E-bay

por preços bem salgados...

A exposição vai durar até 1 de

setembro, aberta durante o

funcionamento do Shopping, das

10:00 às 22:00 e exceto pelo que

está à venda na loja temática,

tudo mais é gratuito.

Clique na foto acima para assistir um vídeo de 9

minutos feito por um youtuber chinês

8


TEMPLO BUDISTA USA

GUNDAM PARA ATRAIR

JOVENS

Não há o que discutir: Gundam

é uma das marcas mais fortes e

populares no Japão, sendo usada

para vender e divulgar de tudo

como acabou de se mostrar na

notícia anterior sobre uma marca

de café. A novidade para nós

ocidentais é que desde 2017 ele

também vem sendo utilizado para

atrair jovens aos templos!

Que os fãs da série acompanham

a série Gundam com um fervor

quase religioso isso é obvio e

evidente. Mas desde 2017 no

templo budista de Zuienji em

Nagoya, eles podem orar com um

mobile suit observando-os!

O autor destas esculturas em

madeira com um metro e

oitenta de altura é o engenheiro

aposentado Toshio Hattori, de 68

anos. Ao ver seu neto montando

kits de Gundam ele decidiu “fazer

algo grande” aproveitando suas

habilidades como escultor de

madeira, que sempre foi seu

hobby, montando e pintando o

RX-78 Gundam no tamanho de

uma pessoa.

O inusitado aconteceu quando

Eshin Doi, vice-sacerdote chefe

no templo de Zuienji, pediu

emprestado o Gundam porque

esperava atrair mais jovens,

9


que mostraram menos

interesse em visitar os

templos. Esta poderia ser

uma maneira de levá-los

à porta ou, pelo menos,

tornar a visita a um

templo mais “divertida”.

A ideia foi um sucesso,

virando notícia em vários

jornais e atraindo mais

pessoas para visitar o

templo. Entusiasmado

com o sucesso, Hattori

esculpiu mais um mecha em 2018,

desta vez o MS-06F Zaku II que é

pilotado pelo “vilão” da primeira

série Gundam, Char Aznable.

Agora em 2019 ele fez uma

terceira escultura, desta vez o

Gundam em versão SD (Super

Deformed) com 90 centímetros

de altura e que começou a ser

exposto publicamente desde 12

de agosto. Esta versão menor

que as anteriores gira os olhos e é

destinado a crianças pequenas.

“Eu gostaria que as crianças

tocassem o SD Gundam livremente

e brincassem com ele”, disse

Hattori.

A exibição dos três robôs foi

realizada durante as festas Bon

(12 a 17 de agosto) para ajudar

a entreter os visitantes que vêm

prestar homenagens aos túmulos

de seus ancestrais e realizar

cerimônias memoriais. “Esperamos

garantir a sobrevivência do

templo, contando com o apoio

da população local”, disse Doi,

43, referindo-se uso das estátuas

de madeira dos mechas.

Gundam ajudando a salvar um

templo budista! Quem diria, hein?

Pesquisou e informou Sérgio

Peixoto, morto de inveja com esta

mega exposição de Dragon Ball

em Hong Kong. Quando teremos

algo assim no Brasil?

10


A História da Animax

A HISTÓRIA

DA

PARTE 4

Por Sérgio Peixoto

Japan Fury

Parte 1

(porque tem muita

coisa para contar)

E a saga continua! Mesmo com as

mudanças desta edição, não vamos parar

de contar a história que foi até chegarmos

naquela que foi a revista mais popular sobre

anime e mangá do Brasil. Mas antes dela,

fizemos uma outra revista que foi outra

aventura editorial. Senta que lá vem mais

história.

11


TUDO COMEÇOU NUM FANZINE...

Em 1993, enquanto eu e o falecido

José Roberto fazíamos bicos em

várias editoras e produzíamos

revistas que iam de misticismo a

erotismo, passando por traduções

e revisões, ainda éramos fãs de

mangá e anime. Na época

tínhamos aos domingos um ponto

de encontro sagrado: a Gibiteca

Municipal Henfil quando ainda

de sua primeira sede, próximo a

estação de metrô Vila Mariana,

para a reunião semanal da

ORCADE – ORganização Cultural

de Animação e DEsenho, clube

para fãs de anime, mangás e

quadrinhos que fundei juntamente

com José Roberto em agosto

de 1988. O Zé, sendo quem era,

deixou o cargo de vice-presidente

antes de completar um ano, mas

eu continuei como Presidente e

ao longo de 13 anos – de 1990 até

2003 – e organizei exibições de

12


animes na Gibiteca quase todos

os fins de semana. Pelas minhas

contas foram mais de 600 reuniões

com exibições de animes, mas a

história da ORCADE é uma saga

para matérias futuras. Interessanos

saber no momento que graças

a ORCADE, a Japan Fury surgiu

como fanzine em 1993.

Minha ideia era fazer um fanzine

oficial da ORCADE, tratando dos

temas que mais interessavam aos

que iam às reuniões na Gibiteca.

Apesar de ter largado seu cargo

na ORCADE, o Zé gostou da ideia

e se prontificou a ajudar, criando

um nome para o fanzine: JAPAN

FURY – o tipo de título bombástico

que só ele criaria. A outra pessoa

que ajudou foi um amigo que não

vejo há muitos anos, o Márcio

Kameoka. Sem muita experiência,

mas cheios de boa vontade,

pusemos a mão na massa.

A primeira (e única) edição foi

lançada em setembro de 1993

(exatamente um ano antes da

estreia dos Cavaleiros do Zodíaco

na Rede Manchete – olhaí o

carma!) e era bem magrinha.

Tinha apenas 14 páginas em

formato A4 e três matérias: A

Princesa e o Cavaleiro (por

José Roberto),

13


Mobile Suit Gundam (Sérgio

Peixoto) e a ultima explicava

como funciona o sistema R.P.G.,

escrita pelo Márcio Kameoka.

O único que tinha PC e uma

boa impressora em casa era o

Márcio, e foi ele quem “editou”,

formatando o texto das páginas

em colunas, criando os títulos e

imprimindo. A diagramação e

montagem das páginas foi na

base do xerox e colagem, feita

por mim usando estilete, régua e

cola de bastão Pritt. O que hoje

qualquer garoto faz em 30 minutos

com programa de edição e um PC

meia boca, eu fiz em 1993 à mão

durante horas, sujando os dedos

de cola e tomando cuidado para

não me cortar! Uma vez prontas

as matrizes, tiramos xeroxes e as

grampeamos.

No total, conseguimos vender uns

30 exemplares entre o pessoal que

ia às reuniões da ORCADE aos

domingos e num evento cultural

japonês em Santos, o único onde

eles foram vendidos para o público

em geral. É pouco, mas na

época consideramos um

sucesso de vendas. Mas não

fizemos outras edições porque

em 1994 chegaram vários

trabalhos editoriais, e depois de

setembro Cavaleiros estreou e

daí por diante quem já leu as

partes anteriores sabe como

estivemos ocupados. Sempre

deixávamos a próxima edição

da Japan Fury para depois, até

que ela acabou abandonada –

mas não esquecida.

BAIXE AQUI O FANZINE

JAPAN FURY!

Como gosto de guardar todos

os trabalhos que faço, descobri

as matrizes originais do Fanzine

Japan Fury em perfeito estado

de conservação ao revirar

velhas caixas. Então, como um

bônus para nossos fiéis leitores, a

passei inteirinha no meu scanner

e a estou deixando à disposição

para quem desejar baixar e ler. Só

tenham em mente que se trata

de um fanzine que fiz 26 anos

atrás sem nenhuma experiência,

então não comparem com

meus trabalhos mais recentes –

tanto em texto como no visual.

É apenas um registro histórico

de como fãs divulgavam o que

gostavam numa época sem

internet.

Para baixar o Fanzine Japan Fury,

basta clicar neste link.

14


JAPAN FURY VIRA

REVISTA

Devido aos nossos trabalhos para

a Editora Sampa entre 1994 e 1995

que já contei nas partes 1 a 3, eu

e o Zé ganhamos um pouco de

respeito e estávamos de olho no

sucesso de certa revistinha que

havia sido lançada no final de

1994 e estava vendendo horrores

por um único motivo: toda edição

tinha na capa Cavaleiros do

Zodíaco e matérias bem básicas,

quando não meros resumos sobre

a série, e o restante dela era

matérias de filmes, quadrinhos

e outras coisas. Ficava claro o

interesse em faturar em cima

da audiência de Cavaleiros,

sem muita preocupação com o

conteúdo ou com o futuro. Era uma

publicação imediatista. Mas nossa

intenção era fazer uma revista

“pura”, dedicada exclusivamente

a mangás e animes.

Nós já tínhamos feito um

protótipo dela: o fanzine Japan

Fury – portanto, era natural que

aproveitássemos o nome quando

apresentamos o projeto para a

Nova Sampa.

Interessada em faturar ao máximo

com tudo que pudesse publicar

sobre Cavaleiros, a editora topou

nossa proposta e assim a Japan

Fury se transformaria em revista nas

15


ancas de todo o Brasil. Mas já no

primeiro número quase sofremos

um cancelamento!

AS INTRIGAS DA CORTE

Como parte de nosso trabalho

jornalístico para fazer matérias

sobre anime lançados no Brasil,

na época que tivemos o aval

da Nova Sampa para fazer as

primeiras edições da Japan Fury,

fizemos contato com a Flashstar

Home Vídeo, que na época

estava lançando pencas de

animes em fitas VHS. Além de

conseguirmos muitas imagens

oficiais e informações exclusivas,

acertamos uma permuta muito

legal: a cada edição da Japan

Fury, sortearíamos fitas de anime

recém-lançados para nossos

leitores, e em troca a Flashstar

teria uma página de propaganda.

Acordo feito, tocamos a revista e

informei ao Franco que tínhamos

feito a permuta. Não deu nem

uma hora que o avisei, ele me

telefonou de volta muito bravo

ao telefone, dizendo que o dono

da Sampa estava fulo

da vida por termos

feito essa permuta

sem falar com ele,

e havia cancelado

a Japan Fury! Quase

em estado de choque

liguei para o Zé, e ele

disse “deixa comigo

que vou falar com o

homem”. Foram umas

duas horas de agonia

16


até ele me ligar de novo e avisar

que havia resolvido tudo com o

nosso cliente.

Hoje eu entendo onde erramos: por

mais que fossemos responsáveis

por todo o conteúdo da Japan

Fury, não éramos os donos dela.

Para negociar uma permuta de

propaganda, deveríamos primeiro

ter falado com a Nova Sampa e

conseguido

uma autorização formal.

Nós quebramos a “cadeia de

comando” e isso é uma falta

profissional grave, mesmo sendo

feita com a melhor das intenções

e sem ter ganhado nada mais do

que uma fita VHS de cada anime

feito pela Flashtar na época. Foi

um deslize por falta de experiência

que quase nos custou a Japan

17


Fury, mas ao invés de uma atitude

tão radical o dono da Nova

Sampa poderia ter perguntado

por que passamos por cima de sua

autoridade, e não vindo metendo

o pé na porta cancelando o

projeto do nada! Eu nunca soube

o que o Zé disse para acalmar a

fera e nos permitir tocar o projeto,

mas o mérito de ter salvado a

Japan Fury é dele.

PRIMEIRA REVISTA E

VENDAS

Superada a primeira crise,

começamos a trabalhar de

imediato e mal parando para

pensar num detalhe importante:

nunca tínhamos feito uma revista

deste tipo! O jeito foi aprender

a “montar a carroça com ela

andando”, como diz um velho

ditado. Simplesmente sentei ao

lado do diagramador da editora

e fui pegando as dicas com

ele e com o Franco de Rosa:

quantidade de toques por matéria,

qual o tamanho e qualidade das

imagens a ser usadas, medidas das

páginas – enfim, mil detalhes que

nunca havíamos prestado muita

atenção. Em todos os trabalhos

anteriores apenas entregávamos

o texto e a imagem, e alguém

editava e diagramava.

Foi bem trabalhoso e um grande

aprendizado para mim. Porque

salvo a revisão, pouca coisa da

diagramação foi definida pelo

Franco de Rosa. Na prática, foi a

primeira revista onde trabalhei com

as responsabilidades de um editor

– à exceção do cargo. Quem olhar

o expediente de todas as Japan

Fury, verá que o Franco está como

Editor, enquanto eu era o “Diretor”

18


do Estúdio PPA e o José Roberto

era o “Chefe de Redação”. As

matérias em cada edição eram

sempre dividas meio-a-meio entre

eu e o Zé – que também fazia o

trabalho de revisor de todo o

texto enquanto eu selecionava a

maioria das imagens. Por iniciativa

e insistência do Zé, adotamos um

estilo de escrita mais agressivo

e proativo, que seria a nossa

marca registrada em todas as

publicações que fizemos juntos até

1997 e ainda hoje é lembrada por

quem leu.

Ao longo da produção do

primeiro número, tivemos alguns

percalços como umas rusgas com

o diagramador por ele só aceitar

ordens do Franco até o próprio

explicar que eu poderia sim mudar

o que ele estava diagramando,

e o Seiya ter entrado na capa da

primeira edição por exigência

da Nova Sampa – pois nem eu

ou o Zé queríamos o Seiya em

destaque na capa, justamente

porque a outra revista fazia isso

em toda a edição – mas tivemos

que nos curvar à realidade dos

fatos: Cavaleiros na capa vendia

mais. Além disso, quem paga o

nosso serviço sempre tem razão...

Com altos, baixos, rusgas, sustos

e um quase cancelamento, a

primeira edição ficou pronta e

chegou às bancas entre abril e

maio de 1995. Ao contrário dos

outros serviços que fizemos para

a Nova Sampa, desta vez nos

informaram que foram impressos

incríveis 70 mil exemplares –

nunca um trabalho nosso tivera

uma tiragem tão alta! Passamos

19


o mês seguinte na agonia: e

se não vender, vão querer nos

culpar? Como não havia nada

que pudéssemos fazer a respeito,

começamos a preparar a edição

2 com o coração na mão.

Apenas ao entregarmos a Japan

Fury 2 soubemos do resultado

prévio, informando uma venda

de 60% - ou 42 mil exemplares

– numero que se confirmou

no fechamento final quando

entregamos a terceira edição.

Explicando: naquela época,

qualquer publicação ficava nas

bancas por 30 dias. Findo este

prazo, se fazia o recolhimento e

a contagem das vendas, com

a editora recebendo sua parte

(55% do preço de capa) 45 dias

após o recolhimento. Como as

revista vendidas em São Paulo

eram as primeiras recolhidas,

uma contagem parcial já estava

disponível assim que a revista

saía da banca, mas os números

20

definitivos

e pagamento só eram feitos

quando a contagem de todo o

país fosse feita – daí a espera de

45 dias após recolhimento.

E esta venda era boa? Não.

Era EXCELENTE! Eu e o Zé

comemoramos certos de que daí

por diante a Japan Fury seria nossa

fonte de renda por muitos anos – e

até estávamos pensado em tornala

quinzenal, já que estávamos

entregando cada edição mais

rápido que a anterior.

Mas nosso sucesso sofreu violentos

contratempos até a revista ser

cancelada antes do natal de 1995.

E isso, explicaremos na próxima

edição.

Sérgio Peixoto relembrou e

escreveu soltando suspiros

saudosistas. Foram bons, divertidos

e conturbados tempos...


Anime e Mangá

DANMACHI

Aqui se Mata os Monstros

e Paquera as Minas!

Por Pablo Gouveia

Não é de hoje que os autores decidiram dar

títulos tão compridos quanto suas contas

bancárias para suas criações – e a cada

dia surgem mais. Mas apesar da aparente

disputa para ver quem é mais criativo, no fim

o que vale é o conteúdo e a qualidade. E

isso Danmachi tem de sobra! Vamos conferir

este anime que mais parece um programa

de flerte da TV aberta, só que com monstros

assassinos e deuses muito loucos!

21


O QUE TÁ

PEGANDO AQUI?

Houve um tempo em que

os deuses cansados do

tédio da Eternidade,

desejando para si

a experiência e as

emoções do dia

a dia que os reles

mortais desfrutavam,

decidiram descer

ao mundo para

conviver entre eles

e assim o fizeram.

Dos mais variados

Panteões, eles abriram

mão da maior parte de

seus poderes divinos e

espalhados pelo mundo,

agora sentem na própria

pele os mais simplórios

problemas mundanos. Mas é

dos deuses que estamos falando,

então é de se esperar que não

tenham abandonado tudo que

mais gostavam – sobretudo

terem adoradores que não os

façam cair no esquecimento lhes

atribuindo crença e poder. Então

os primeiros deuses tiveram a ideia

de compartilhar com humanos

corajosos a sua graça divina para

torná-los famosos e heróis.

Guildas de aventureiros foram

estabelecidas em cada cidade e

nelas é possível encontrar todos os

tipos de missões que normalmente

envolvem Dungeons, labirintos

subterrâneos com vários andares

onde perigosos monstros se

escondem. A cada monstro

derrotado, um cristal chamado Iris

e outros tesouros são deixados para

trás, podendo ser trocados por

dinheiro nas Guildas ou utilizados

por ferreiros para a criação de

diversos itens e armas. Além

disso, os aventureiros ganham

22


experiência que é convertida

em habilidades pelos deuses

através de tatuagens mágicas

em suas costas com seu símbolo

característico. Cada grupo de

aventureiros com um deus é

chamado “Família” e os seus

integrantes são considerados

filhos pela divindade que os

adotou.

A história se desenrola na

cidade de Orario, tendo como

personagem principal o jovem

Bell Cranel, recém-chegado com

o sonho de se tornar um herói

e conhecer muitas garotas,

sugestão dada a ele por seu

avô antes de morrer (esse avô,

hein…?). Ele acaba conhecendo

a deusa Héstia que procurava

integrantes para sua Família e

não pensou duas vezes antes de

convocá-lo e tornando o rapaz

alvo de sua sufocante afeição.

Com a ajuda de Héstia, pouco

a pouco Bell consegue trilhar seu

caminho surpreendendo quem

duvidava de suas habilidades

e superando seus medos. E as

namoradinhas? Bem, digamos que

o rapaz parece tomar banho de

mel, já que ele chama a atenção

de várias garotas a ponto de sua

deusa ter ataques apopléticos de

ciúmes diariamente.

23


PERSONAGENS

O CUPIDO DA

QUESTÃO

Dungeon ni Deai wo Motomeru

no wa Machigatteiru Darou

ka? (eita nomezinho…) ou

“É Errado Tentar Paquerar

Garotas em uma Masmorra?”

em nosso idioma e mais

conhecido como Danmachi

como foi apelidado, é uma

Light Novel escrita por Fujino

Omori (aparentemente seu

primeiro e único trabalho até

agora) e ilustrado por Suzuhito

Yasuda (Yozakura Quartet,

Durarara!!). Segundo sites,

Omori tem como inspirações

Evangelion, Dragon Quest e

Sword Art Online. A Light Novel

teve até o momento onze

volumes publicados desde

Janeiro de 2013 sob o selo

BELL CRANEL

Personagem

principal, capitão

e único membro

da Família Héstia.

Foi para Orario se

tornar aventureiro

após seu avô

morrer, mas foi

rejeitado por várias Famílias até ser

acolhido por Héstia. Muito fraco e

covarde no início, recebeu a alcunha

de Rabbit Foot (Pé de Coelho) mas

entre os aventureiros é apelidado

de Ox Slayer (Matador de Touros)

após conseguir matar um Minotauro.

Apaixonou-se por Ais Wallenstein para

desespero de Héstia. Sua voz é feita

por Yoshitsugu Matsuoka (Kirito/Sword

Art Online, Yukihira Soma/ Shokugeki

no Soma).

HÉSTIA

Mais conhecida

como a “Deusa Loli

Peituda”, é uma

das Três Deusas

Donzelas que

desceu à terra.

Por causa de seu

jeito de ser, foi recusada por cinquenta

aventureiros antes de conhecer Bell e

é totalmente apaixonada por ele. Faz

diversos bicos para pagar uma dívida

com Hephaestus por forjar uma faca

especial para Bell. É preguiçosa e mora

numa igreja abandonada. Sua voz é

feita por Inori Minase (Rem/Re Zero,

Chino Kafuu/Gochuumon wa Usagi

Desu ka?).

24


GA Bunko. Danmachi gerou outros

trabalhos como:

- Duas adaptações em mangá,

uma pela Young Gangan Magazine

desenhado por Kunieda com o selo

da Square Enix lançado em agosto

de 2013 e com 11 volumes até o

momento, e outra com o subtítulo

“Kamisama no Nichijou” (Dia a Dia

da Deusa) publicada na Gangan

Online no formato “yonkoma”

(aquelas tirinhas de humor com 4

quadrinhos na vertical) escrita por

Masaya Takamura, também com

selo da Square Enix e publicada

desde 14 de Agosto de 2014 com

2 volumes até agora;

LILIRUCA ARDE

Antes de entrar

para a Família

de Héstia, lutava

para pagar

uma enorme

dívida e obter

sua liberdade

da Família Soma onde era judiada

pelos aventureiros após a morte de

seus pais. Da raça Pallum, é capaz

de mudar de forma adotando a

aparência de outras raças desde que

com tamanho semelhante ao dela,

inclusive monstros. Se apaixonou por

Bell por conta da insistência dele

em confiar nela mesmo após tê-lo

enganado várias vezes. Sua voz é

feita por Maaya Uchida (Rea Sanka/

Sankarea, Melty/Tate no Yuusha no

Nariagari).

WELF CROZZO

Fazia parte

da Família

Hephaestus

antes de se

juntar à Família

Héstia como

Ferreiro pessoal

de Bell. Tem

orgulho de seus trabalhos gostando

de dar nomes estranhos para as

armas que fabrica e tem aversão ao

seu sobrenome e espadas mágicas,

evitando fabricá-las alegando que

elas apodrecem o usuário. Sua voz é

feita por Hosoya Yoshimasa (Caster/

Eureka Seven, Fumikage Tokoyami/

My Hero Academia).

25


- Uma série de TV com 13 episódios

produzidos pelo estúdio J.C. Staff

(Kare Kano, Shoujo Kakumei Utena)

exibida entre 4 de Abril até 27 de

Junho de 2015;

- Um OVA lançado em 7 de

Dezembro de 2016;

- Light Novel Spin-off “Dungeon

ni Deai wo Motomeru no wa

Machigatteiru Darou ka? Sword

Oratoria” também escrita por

Fujino Ômori e ilustrada por

Kiyotaka Haimura. Começou a ser

publicada em janeiro de 2014 com

12 volumes até o momento via selo

GA Bunko. A história é centrada

na Família Loki, em especial as

personagens Ais Wallenstein e

Lefiya Viridis;

AIS WALLENSTEIN

Aventureira de

primeira classe

da Família Loki

e considerada

como uma das

mais fortes. É

também o amor

platônico de Bell, após tê-lo salvo de

um Minotauro. Ais é tímida, do tipo que

não consegue se expressar através

de palavras, o que dá a ela um ar

misterioso. Mas na verdade

gosta ajudar os aventureiros mais

fracos como fez com Bell. Sua comida

predileta é o Jagamarukun, um

salgado feito de batata e vendido

pela Família Takemikazuchi. Sua voz é

feita por Saori Oonishi (Non Toyoguchi/

Keijo!, Vignette/Gabriel Dropout).

LEFIYA VIRIDIS

Conhecida

pela alcunha

“Thousand Elf”

por ser capaz

de aprender

qualquer magia

de sua raça

élfica, ela vem ganhando bastante

destaque entre os membros de

segunda classe da Família Loki, sendo

apontada para suceder Riveria Ajos

Alf. Em Sword Oratoria é narrada sua

luta para firmar posição dentro da

Família, e seu relacionamento com

Ais que fica entre a admiração e o

amor platônico, a fazendo ter crises

de ciúmes sempre que Ais se aproxima

de Bell Cranel. Sua voz é feita por Juri

Kimura (Yuzuha Kohashi/Wakaba Girls,

Nana Rin/Granbelm).

26


Maio de 2014 com 13 volumes até

agora;

- Filme da série principal com o

subtítulo “Orion no Ya” (A Flecha

de Órion) lançado em 15 de

fevereiro deste ano com direção

de Katsushi Sakurabi (que dirigiu

Utena e Love Hina) e produção –

claro – do estúdio J.C. Staff;

- A Light Novel Spin-off Sword

Oratoria ganhou uma série de TV

própria, também produzida pelo

estúdio J.C. Staff, sendo exibida

entre 14 de Abril e 30 de Junho de

2017 com 12 episódios;

- Mangá baseado em Sword

Oratoria publicado na revista

Gangan Joker e desenhada por

Takashi Yagi, lançada em 22 de

- A tão esperada segunda

temporada da série principal,

produção do J.C. Staff que estreou

em 13 de Julho de 2019;

- Jogo para Smartphones

“Dungeon ni Deai wo Motomeru

no wa Machigatteiru Darou

ka? Memoria Freese”. Abrange

a história de todas as séries

animadas já lançadas e com a

nova temporada receberá um

27


A VERDADEIRA DEUSA HÉSTIA

incluída em todos os sacrifícios.

Era representada como uma

mulher jovem, com uma

larga túnica e um véu sobre a

cabeça e ombros.

No Império Romano, era

chamada Vesta e tinha

uma ordem de Sacerdotisas

chamadas Vestais, que faziam

votos de castidade para servir

a Deusa por 30 anos.

É filha de Cronos e Reia,

sendo a terceira em ordem

de nascimento nas doze

divindades olímpicas. Não

aparecia com frequência

nas histórias mitológicas, mas

era admirada por todos os

deuses. Foi a personificação

da moradia estável, sendo

adorada como protetora das

cidades, das famílias e das

colônias.

Cortejada por Poseidon e

Apolo (e isso é retratado na

segunda temporada da série),

jurou virgindade perante Zeus,

e dele recebeu a honra de ser

venerada em todos os lares e

28


capítulo extra direto da animação

semanalmente. O jogo inclusive já

fez parceria com as franquias Kino

no Tabi, Shingeki no Kyojin e Date

a Live . Também criaram um jogo

online para PC (Orario Rhapsodia,

já encerrado), Danmachi Infinite

Combate para Ps Vita e Danmachi

Cross Istoria, para celulares e PC

baseado em batalhas de cartas.

-Tem produtos de Danmachi? Sim,

e aos montes! Chaveiros, figures,

Dakimakuras beeem safadinhos…

tem bastante coisa, é só jogar o

nome nos sites de buscas e voilá!

FINAL FELIZ

Para concluir, tenho de dizer que

Danmachi é um anime que vale

a pena assistir de uma tacada só,

pois é garantia de boa diversão.

Muito cativante ver a evolução

de Bell como aventureiro, como

supera de seus problemas e atrai

tanta garota bonita. As tiradas de

humor são bem feitas, extraindo

o melhor de cada personagem.

Há também lutas muito bem

coreografadas, e momentos

muito tocantes – difícil não se

emocionar! Nossa recomendação

final é: assista! Vale cada minuto

investido, se fores fã dos animes

de fantasia.

Pablo Gouveia escreveu e está

em busca de uma deusa que

o adote. Sérgio Peixoto revisou

enquanto relaxava nas almofadas

de Démeter.

29


Dicas de Anime

Dicas de Anime

Temporada

Primavera de 2019 – Parte 2

Por Sérgio Peixoto

Nós aqui no sul do Brasil batendo os

dentes de frio e no Japão é pleno verão

e época de tufões. Cada país com seus

problemas... E como vocês sempre pedem

nas enquetes, aqui vai mais uma leva de

indicações da Temporada de Verão 2019.

Desta vez, vamos indicar quatro de cada

nas categorias séries de TV, Filmes para

cinema e ONAs (Original Net Animation –

animação feita para exibição na internet

– em geral no Youtube).

30


NÃO SE ESQUEÇA

DE VER OS TRAILERS!

É sempre bom lembrar que a

revista é interativa, e se você clicar

nas imagens que tem a setinha

de “play” será levado ao Youtube

onde poderás ver os trailers oficiais

(mas é preciso estar conectado

à internet para funcionar). Na

medida do possível, tentamos

colocar trailers legendados em

inglês e quando informado, o

número de episódios - e todos

foram lançados em 2019.

Então, para não desperdiçar

espaço, vamos às nossas

indicações:

Yôkai Ningen BEM (Monstro

Humanoide BEM)

Estreou em 14 de julho – 4 episódios

Remake da série de mesmo

nome exibida em 1968/69 que já

teve outros reamkes e até série e

filme live-action. Nem humanos,

nem monstros – eles são apenas

chamados de “humanoides”: Bem,

com aparência de gângster; Belo,

que parece um menino e Bela,

uma bruxa. Traídos e abusados

pelos humanos, eles ainda tem

um desejo: se tornarem humanos

um dia.

Produção da LandQ Studios,

inaugurado em 2009 e que já

fez muitas animações em CG

para animes como Kuroko no

Basket, Golden Kamui TV 2 e Girls

und Panzer (toda animação dos

tanques é deles). BEM, é um dos

primeiros que anima integralmente,

e também é o primeiro trabalho

como diretor pleno de Yoshinori

Odaka, que já dirigiu episódios

em várias séries como Kuroko no

Basket (ep. 61), Naruto (3 episódios)

e Saber Marionette J (ep. 17). Pelos

trailers e qualidade da animação,

parece interessante de ver.

31


Kochoki: Wakaki Nobunaga (Linda

Borboleta: Jovem Nobunaga)

Estreou em: 8 de julho – 12 episódios

Isso mesmo, mais uma série

contando de maneira

romanceada a vida de Oda

Nobunaga, que teria se tornado

o Shogun – líder militar supremo –

se não fosse traído por um general

de confiança. Seus feitos como

líder militar, suas excentricidades

e violência o tornaram um dos

personagens históricos mais

conhecidos e controversos,

visto como herói por uns e vilão

por outros. Nessa série mostra

um Nobunaga ainda criança,

seguindo rumo a seu destino. A

produção é do Studio Deen com 35

anos de estrada e animou muitas

séries: Urusei Yatsura, Ranma ½,

Rurouni Kenshin (episódio 67 até

95) e mais recentemente, Ongaku

Shôjo. A direção está na mão de

Noriyuki Abe, que dirigiu entre

muitas coisas o movie de Yuyu

Hakushô (1993) e seu OVA mais

recente, o Two Shots (2018). Então

note que é um diretor com 26 anos

de estrada.

Business Fish

Estreou em 7 de julho

Inicialmente uma webcomic de

humor criada por Yuichiro Ohno

estilo “slice of life”, sua fama

mundial veio quando se tornou

um dos memes mais populares no

aplicativo LINE. Seus emoticons

foram baixados mais 250 milhões

de vezes ao redor do mundo e

também está disponível para o

Facebook. É o primeiro emoticon

32


a virar anime! A animação é feita

pela IANDA Company, que de

animação só participou da série

Yamishibai. E o diretor é Takashi

Sumida, que só dirigiu a igualmente

obscura série Sengoku Chôjû Giga

em 2016.

Arifureta Shokugyou de Sekai

Saikyou (O Mais Poderoso do

Mundo)

por um de seus colegas e cai no

fundo da masmorra. Ele sobrevive

à queda e cria armas para

escapar da masmorra e se tornar

mais forte, reunindo um grupo

de garotas-monstro. Animação

feita pelo Estúdio White Fox, o

mesmo de Goblin Slayer e Steins

Gate. Direção de Kinji Yoshimoto

(Machine Doll wa Kizutsukanai e a

série Queens Blade)

Estreou em 8 de julho

Esta temporada veio cheia de

isekais! Hajime Nagumo é o típico

otaku que sofre bullying na escola.

Quando ele e toda a sua classe

são convocados a outro mundo

para salvá-lo da destruição, cada

um é avaliado para descobrir qual

poder possui. O azar de Hajime

não o abandona, pois ele só tem

a habilidade de transmutação,

usada por ferreiros deste mundo.

Novamente desprezado e zoado,

durante uma exploração é traído

33


FILMES

Kono Subarashii Sekai ni Shukufuku

wo!: Kurenai Densetsu (Abençoe

Este Mundo Maravilho!: A Lenda

Carmesin)

Estreou em 30 de agosto

Finalmente chega o filme de

Konosuba (o apelido desta série)

que os fãs tanto esperavam!

Nela Kazuma e Cia. viajam até

Brimma no Sato, a cidade natal

de Megumin, a Bruxa Carmesin

que só tem uma única magia

ultra destrutiva: EXPLOSION! A

produção continua sendo do

estúdio J.C.Staff (tudo das séries

Danmachi, Index e Hi Score Girl),

e o diretor é o mesmo das séries

de TV: Takaomi Kanasaki (Seitokai

Yakuindomo, Tokyo Ravens e

Macademi Wasshoi!)

Tenki no Ko (A Criança do Tempo)

Estreou em 18 de julho – 114

minutos

No verão de seu primeiro ano do

ensino médio, Hodaka Morishima

foge de sua remota ilha para

Tóquio, e passa por muitos apertos

até finalmente encontrar trabalho

como assistente numa misteriosa

revista ocultista. Então, um dia,

Hodaka encontra Hina em uma

34


esquina movimentada. Esta

menina cheia de força de vontade

possui uma capacidade estranha

e maravilhosa: o poder de parar

a chuva e limpar o céu...

Mais uma vez Makoto Shinkai, o

melhor diretor da nova geração,

traz uma história misturando

humor, romance e magia – tudo

com aquele toque de emoção

que só ele sabe fazer!

a alquimia nas suas armas para

conquistar o continente. Liderados

por Envylia, as seis nações se

aliaram e venceram. Mas 20 anos

depois, a alquimia mais uma vez

ameaça o continente...

Dare ga Tame no Alchemist (Para

Quem o Alquimista Existe)

Estreou em 13 de junho – 118

minutos

No continente de Babel, a Torre

de Babel paira sobre sete nações.

Depois que a alquimia foi usada

para guerra e quase extinguiu a

humanidade, as nações fizeram

um pacto proibindo-a por séculos.

No ano continental 911, a nação

de Lustrice rompeu o pacto, e usou

35


Baseado no videogame para

Android do mesmo nome, a

Direção Geral é de ninguém menos

que Shoji Kawamori o lendário

“Mechanical Designer” de séries

como Macross e Gundam 0083,

“pai” de Escaflowne e projetista

dos mechas da série de games

Armored Core. A produção é do

Estúdio Satelight (Macross Zero e

Delta, Hellsing Ultimate episódios

1 a 4).

Ningen Shikkaku (Desqualificação

Humana ou Human Lost em inglês)

Estreou em 5 de julho durante a

Anime Expo 2019 (Los Angeles –

EUA)

O ano é 2036. A morte foi

vencida graças à criação de

nanomáquinas e o “Sistema

Shell”, mas apenas os mais ricos

podem bancar o preço. Yozo

Oba não é rico, e incomodado

por sonhos estranhos, a convite de

seu amigo ele se une à gangue de

motociclistas numa infeliz incursão

a “The Inside”, onde a elite da

sociedade vive. Isso instiga em

Yozo uma jornada de descoberta

aterrorizante que mudará sua vida

para sempre.

Apesar de ser um filme de ação e

FC, ele é baseado em parte no livro

de mesmo nome escrito em 1948

por Osamu Daizai, considerado um

dos principais escritores japoneses

do século vinte.

A produção é da Polygon Pictures

(Ajin, Knight of Sidonia, Ronja e

Sôten no Ken), com direção do

competente Fuminori Kizaki (Afro

Samurai, Basilisk e Bayonetta:

Bloody Fate)

ONAs

7 Seeds (Sete Sementes)

Estreou em 28 de junho – 12

episódios - Netflix

Mangá publicado entre 2001 e

2017 na revista mensal Flowers

(gênero “Josei” – jovens mulheres)

36


da editora Shogakukan, rendendo

35 volumes.

Um meteorito gigante atingiu a

terra eliminando praticamente

todos os seres vivos. Mas antes

que isso acontecesse, vários

jovens foram cuidadosamente

selecionados e separados em

cinco grupos de sete membros

cada (Primavera, Verão A,

Verão B, Outono e Inverno) e

colocados em sono criogênico

na esperança de preservar a

existência da humanidade. Mas

quando eles acordaram, o mundo

mudou radicalmente, e agora

estes grupos tentam sobreviver a

qualquer custo.

A produção é do estúdio Gonzo

(Last Exile, Samurai 7, Strike Witches

e Rosario + Vampire, entre muitos

outros. O estúdio quase faliu em

2009, mas se recuperou em 2012).

A direção é de Yukio Takahashi,

que dirigiu episódios avulsos em

várias séries.

Cannon Busters (Caçadores de

Canhão)

Estreou na Netflix em 15 de agosto

– 12 episódios

Baseado na série de comics

norte-americana lançada em

2005 criada e desenhada por

LeSean Thomas. Depois de um

Crowdfundig de sucesso em

2014/15 onde arrecadou 156 mil

dólares para produzir um episódio

piloto animado, em agosto de

2017 a Netflix financiou a produção

da série, com a produção

numa parceria entre os estúdios

37


japoneses Satelight

e Yumeta Company (Sengoku

Musou e Yuru Yuri). O próprio

LeSean está dirigindo.

S.A.M., uma robô de alta classe

e meio desregulada, um droid

de reparos ultrapassado e Philly

the Kid, um criminoso procurado.

Juntos, eles embarcam numa

viagem em busca do melhor

amigo da S.A.M, herdeiro de um

reino poderoso.

Ling Long: Incarnation (Gaiola de

Ling: Encarnação)

Estreou em 28 de junho de 2019 –

12 episódios

Quando a colonização do espaço

começou, o alinhamento da lua

causou terremotos em massa

que duraram várias décadas. O

mundo finalmente se estabilizou,

mas surgiram criaturas estranhas

e mortais que devoram humanos.

Enquanto uma grande nave está

para partir rumo às estrelas, grupos

antagônicos se enfrentam.

Este donghua – anime chinês –

é produção do Estúdio TBD, que

fez uma animação em CG bem

competente para uma série de

ONA, cheia de ação. Vale para

ver como os chineses estão

procurando criar suas próprias

formas de animação.

Quanzhi Gaoshou (Mestre em

Tempo Integral ou The Kings Avatar

em inglês)

Um dos donghua mais populares

no ocidente que arrebatou uma

legião de fãs em 2017, está de

volta com tudo em três formatos

diferentes lançados praticamente

juntos para maximizar o efeito

sobre os fãs. Nunca uma série

chinesa teve tantos lançamentos

38


ao mesmo tempo! Para quem

deseja saber a história e seu

sucesso como livros, fizemos uma

matéria bem extensa na edição

52 da Animax.

- Série Live-action (Drama) com 40

episódios lançado em 24 de julho

de 2019. É um prequel que conta

as disputas do time Jiashi (Excellent

Era em inglês) quando Ye Qiu era o

capitão, seu relacionamento com

os membros de sua equipe e com

jogadores de outros times.

Qiu disputando pela primeira vez

o campeonato mundial do jogo

Gloria.

- Série com 12 episódios formato

ONA que estreou em 16 de agosto

e continua exatamente onde

parou a primeira temporada.

- The King’s

Avatar Movie:

For the Glory

que estreou nos

cinemas em

15 de agosto.

História prequel

mostrando

o time Jiashi

liderado pelo

“deus da

batalha” Ye

E por hora ficamos aqui. Na

próxima edição, mais indicações.

Até lá!

Sérgio Peixoto pesquisou e

recomenda se questionando: onde

arranjar tempo para ver tudo isso?

A vida continua sendo tão curta...

39


Off-Topic

CRIMES

EXÓTICOS

Por Sérgio Peixoto

O incêndio criminoso na Kyoto Animation – ou apenas KyoAni – foi

o ápice de uma série de ataques e ameaças que o mundo do

entretenimento desenhado sofreu nas últimas décadas. Nesta

matéria, selecionamos alguns dos casos mais conhecidos que,

felizmente, não terminaram de maneira tão trágica – mas possuem

motivos tão patéticos quanto...

40


AINDA NÃO

ACABOU!

Precisamos aceitar:

infelizmente o ataque à

KyoAni não foi o primeiro do

gênero, nem será o último. Na

média de um ou dois por ano,

japoneses desequilibrados

mentalmente ou com

tendências violentas surtam

e escolhem como alvo da

sua frustração e ódio algum

mangáká, escritor de light

novel, dubladora ou idol. Num

país onde existem dezenas

de milhões de fãs ativos e

apaixonados, é inevitável

termos algumas pessoas

que não sabem diferenciar

a fantasia e diversão da

41


ealidade. É uma conta bem

simples: quanto mais fãs algo tem,

seja filme, anime, videogames

ou qualquer outra coisa popular,

maior a chance de algum destes

fãs ter problemas mentais e usar

este algo como catalisador para

um ato insano. Citando apenas

um caso não japonês, temos o

assassinato de John Lennon em

dezembro de 1980: o atirador

havia pedido – e recebido – um

autógrafo do cantor seis horas

antes de atirar nas costas dele

quatro vezes...

Por mais que a polícia

japonesa realize atos

preventivos e esteja alerta,

sempre haverá alguém

que conseguirá

passar pela rede

de segurança e

atingirá seu alvo. Mas

felizmente os que

passam são muito

poucos, e não

terminam em morte

há décadas,

como veremos

nos casos a seguir.

Vocês irão notar

que os motivos

para as agressões

e ameaças são tão

bobos, infantis e

patéticos quanto o

da KyoAni, deixando

claro que são

de fato feitos por

pessoas com algum

grau de desequilíbrio

mental.

AMEAÇAS A ESCRITOR

DE LIGHT NOVEL

Em abril de 2012 um fã obcecado

pela personagem Kirino Kosaka foi

preso por fazer ameaças de morte

contra o criador e escritor da série

de Light Novels “Ore no Imouto

ga Konna ni Kawaii Wake ga Nai”

(Não Tem como minha Irmã ser Tão

Bonitinha Assim),

42


chamada pelos fãs “Oreimo”. O

motivo de sua perseguição era

porque ele estava irritado com

o tratamento favorável que a

personagem Kuroneko estava

recebendo numa certa fase da

história. Kuroneko (Gata Preta) é o

apelido da personagem Ruri Goko,

amiga de Kirino, mas que sempre

estão discutindo por gostarem de

séries diferentes.

A Polícia entrou em ação e

após uma rápida investigação

prendeu o autor das ameaças:

Ai Noboru, 32 anos de idade,

desempregado, de Tokushima

– pelo envio de 10 e-mails para

Tsukasa Fushimi, 31 anos, autor de

Oreimo. Suas ameaças incluíram

mensagens como “Morra, seu

vigarista!”, “Eu vou fazer você se

arrepender”, “Quero te espancar

com o cadáver da Kuroneko” e

“Vou descobrir onde você mora.”

Ele também enviou mais de 500

e-mails com uma montagem em

Photoshop mostrando Fushimi

sendo decapitado. Quando

detido e interrogado pela

Polícia, ele admitiu as ameaças,

explicando que “estava irritado

com o jeito desleixado que minha

personagem favorita estava sendo

tratada nas novelas.”

Procurei notícias sobre se Noboru

foi julgado por suas ameaças,

mas não achei nada. E Tsukasa

comentou esse incidente em tom

de humor no volume seguinte após

a prisão de Noboru.

43


MANGÁ AMEAÇADO

POR TERRORISTA!

Este caso de terrorismo

doméstico assustou, intimidou

e manteve a polícia do Japão

ocupada durante mais de um

ano gerando medo, insegurança

e prejuízos para os fãs e empresas

envolvidas com a série Kuroko

no Basket (ou apenas Kurobas,

como foi apelidada)! Em 12 de

outubro de 2012 uma carta foi

deixada na quadra de esportes

da Faculdade onde Tadatoshi

Fujimaki, criador e mangaká da

série Kuroko no Basket, havia

estudado, exigindo que ele

encerrasse a série. Anexado à

carta estava uma amostra do

sulfureto de hidrogênio líquido e

um isqueiro. A Editora Shueisha,

que publicou o mangá de Kuroko

no Basket, também recebeu uma

carta semelhante pelo correio

com os mesmos itens. Nas cartas, o

aviso: “se você (Fujimaki) não parar

seu mangá paródia, o sulfureto

de hidrogênio vai ferver” – uma

alusão ao fato deste composto

químico ser altamente tóxico em

forma gasosa.

Ao longo de um ano e dois meses,

esse terrorista enviou mais de 500

cartas com ameaças. Nas lojas ele

exigia a retirada de figures e até

doces, chegando a envenenar

com nicotina alguns deles, mas

felizmente foram percebidos antes

que alguém pudesse ingeri-los.

44


Nas grandes livrarias ele exigia a

retirada dos mangás da série, e o

Animate Café Tennoji em Osaka

cancelou seu evento temático de

Kuroko que seria inaugurado em

novembro de 2012.

Em uma mensagem postada no

2chan, uma das comunidades

online mais populares do Japão,

durante as ameaças ao Café

Tennoji, o terrorista disse:

“Há apenas uma razão para

eu fazer isso: eu odeio Fujimaki

Tadatoshi, graduado pela Sophia

University e agora um popular

artista de mangá. Fujimaki levou

tudo de mim. Eu queria me vingar

diretamente de Fujimaki, mas

infelizmente não sei onde ele

está. Eu não tive escolha a não ser

atacar o mangá dele. Se você está

com raiva, então odeie Fujimaki!

Eu não vou correr ou me esconder.

Se você perguntar a Fujimaki, ele

provavelmente sabe exatamente

quem eu sou. Se ele fingir que

não sabe, você pode facilmente

descobrir perguntando aos

colegas de escola e universidade

de Fujimaki. É melhor tomar

cuidado, Shueisha, Toyama High,

e você, fujoshi enlouquecida pelos

kurobas! O Reaper in Mourning (O

Ceifador de Luto) vai massacrar a

franquia Kuroko!”

Vários eventos temáticos, docerias

e lojas tiveram que cancelar

ou retirar produtos da série e o

estrago mais grave foi causado

no Comic Market 83 realizado em

dezembro de 2012, que também

recebeu cartas avisando que se

houvessem dôjinshi (fanzines) de

Kurobas sendo vendidos na feira,

haveria um ataque. Por pressão

da polícia japonesa, a direção do

Comiket proibiu a participação de

900 Círculos (como são chamados

os grupos de fanzineiros japoneses)

dedicados a Kurobas.

45


Esse clima de terror só acabou

em 15 de dezembro de 2013,

quando o terrorista foi identificado

e preso em flagrante, quando se

preparava para enviar mais uma

vintena de cartas. No momento

da prisão, ele apenas disse:

“Gomenasai, makemashita” (Sinto

muito, fui derrotado!). Seu nome

é Watanabe Hirofumi, 36 anos,

de Osaka. Em março de 2014

quando foi julgado, Watanabe

fez um longo discurso sobre a

inveja que sente pelo sucesso de

Fujimaki que o fazia se sentir um

fracassado, como sofreu abuso

em casa e bullying na escola

quando adolescente, que era

gay e nunca havia namorado

ou feito sexo na vida. Ele pediu

a pena mais severa possível,

assumiu a responsabilidade por

suas ações, mas não se desculpou

ou demonstrou remorso pelo que

fez, afirmando que se enforcaria

quando fosse solto. Sua vontade foi

satisfeita: em agosto de 2014 ele foi

condenado a quatro anos e meio

de prisão, a pena máxima para os

delitos que praticou. Eu pesquisei

em vários sites japoneses de

notícias para saber se Watanabe

cumpriu a promessa de se enforcar

quando saísse da prisão em fins de

2018. Não achei nada.

Mas a última matéria publicada

no jornal Asahi Shimbum sobre este

caso, chamada “Notoriedade

Criminal por Causa da Fama”

que pode ser lida na integra em

inglês neste link foi profética nas

últimas linhas: “Ele (Watanabe)

agora tem algo para viver - fama

- mesmo que seja por causa de

algo repulsivo. Se o suicídio é

a expressão mais extrema dos

impulsos passivo-agressivos, então

o crimine de Watanabe é um meio

de aumentar sua autoestima, e

você pode apostar que haverá

mais como ele.”

46


EVENTO CANCELADO POR

AMEAÇA TERRORISTA

Menos de quinze dias depois do

Comiket 83, outro evento que

aconteceria em 24 de fevereiro

de 2013 foi cancelado. O

Touhou Kamuisai 7, um pequeno

encontro regional com média

de 1.200 visitantes, é dedicado

exclusivamente a tudo relacionado

a série de videogames Touhou

Project, muito popular entre os

japoneses.

Em 27 de dezembro de 2012, uma

carta exigindo o cancelamento do

evento foi recebida pela empresa

proprietária do Sapporo Teisen Hall,

em Sapporo. Em reunião com a

polícia e a empresa que cuida do

local, a organização foi obrigada

a cancelar o evento. E as edições

47


planejadas para 16 de junho e 1

de setembro de 2013 também

foram canceladas.

Obviamente, isso foi feito por

algum imitador de Watanabe,

mas depois de sua prisão e

julgamento não ocorreram mais

ameaças e o Touhou Kamuisai

voltou com força total e segue

firme até hoje, como você pode

ver em seu site oficial neste link.

DUBLADORA JAPONESA

QUASE AGREDIDA

Este foi um dos casos mais radicais

antes do horror da KyoAni e

envolveu Rie Tanaka, dubladora.

Na ativa desde 1997, ela deu voz

a mais de 100 personagens de

animes e videogames, entre elas:

Yomi de Azumanga Daoih, Chii

e Freya em Chobits, Lacus Clyne

em Gundam Seed, Suigintou

em Rozen Maiden,

e Akira Yamamoto

em Yamato 2199. É

também cantora,

tendo gravado vários

albuns, singles, e mais

de vinte canções dos

animes onde atuou.

Ainda é considerada

uma das dubladoras

mais bonitas do

Japão, com vários

álbuns de ensaios

fotográficos

48


publicados, onde esbanja

sensualidade usando cosplays das

personagens que dubla.

Em 17 de junho de 2012 ela se

casou com o dublador Yamadera

Kouichi, 52 anos, que dublou Ryouji

Kaji em Evangelion, Spike Spiegel

em Cowboy Bebop e Heathcliff

/ Akihiko Kayaba em Sword Art

Online, entre centenas de outros.

Com o casamento de Rie e o fim

abrupto de seu fã clube, muitos

otakus ficaram de coração partido

– e pelo menos um ficou bem

furioso!

Em 22 de junho de 2013 foi realizado

um evento para promover o

lançamento do anime baseado

no videogame Hyperdimension

Neptunia, onde Rie dubla desde

o lançamento do jogo em 2010 a

personagem principal, Neptunia.

Durante a palestra das dubladoras,

um homem armado com enorme

pé de cabra subiu ao palco,

gritando “há uma criminosa entre

vocês!”, exigindo aos gritos que

49

Rie fosse trazida diante dele para

enfrentar a “retribuição” pelo

“crime de casamento”.

Embora reafirmando às demais

dubladoras apavoradas de

que ele só queria “a criminosa”,

todas abandonaram o palco,

escapando sem ferimentos - entre

Yamadera Kouichi


elas, a própria Rie. A equipe de

apoio conseguiu levá-lo para o

lado de fora, e ele mesmo exigiu

que “chamassem a polícia!”

O evento foi cancelado e o

homem, preso em flagrante.

Fontes o identificaram como

um fã extremista de Rie Tanaka,

furioso e inconformado por ela

ter se casado. Várias mensagens

histéricas contra o casamento de

Rie, e a possibilidade dela estar

grávida, podem muito bem ter sido

escrita por esta mesma pessoa.

Após este incidente, a segurança

para dubladoras em eventos foi

reforçada.

Há muitos outros casos mais

recentes, e todos envolvem

motivos banais. A matéria do Asahi

Shimbun está certa: haverão mais

como eles, resta então tomar os

devidos cuidados para que a

tragédia da KyoAni não se repita.

Pesquisou e escreveu Sérgio

Peixoto que lembra: fãs de

verdade sabem separar a fantasia

da realidade.

50


Site - https://dreamanime.com.br/

atendimento do site - 11 2506-7199

Segunda a Sexta das 10h ás 17h

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whatsapp - (11) 98782-6578

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Anime e Mangá

SEWAYAKI KITSUNE

NO SENKO-SAN

Fofura que Toca a Alma

Por Pablo Gouveia

52

Se existe algo tão certo na vida de

uma pessoa como a Morte e que a

amedronta tanto quanto, se chama

Trabalho. Acordar cedo e chegar a

tempo de não levar aquela chamada

do chefe, concluir suas tarefas no

prazo e principalmente, se manter

empregado são coisas comuns na

vida de todos. E após um dia estafante,

que tal uma comidinha quente, um

banho e quem sabe um cafuné

para te energizar e seguir em frente?

Gostou? Então chame a Senko-San!


UM ENREDO

RELAXANTE

Kuroto Nakano é um jovem

Salaryman que faz o estereótipo do

funcionário dos sonhos de qualquer

patrão sanguessuga. Tem hora

para chegar, mas não para sair,

carrega o piano sozinho, aguenta

na medida do impossível todas as

pauladas sem dar um pio e só tira

folga quando a providência divina

permite. Mas saibam que por trás

dessa máscara de guerreiro se

esconde um homem esgotado e

sem forças que pode cair morto

em algum canto e só notarão no

dia em que o cartão de ponto

não for batido. E é nessa condição

miserável em que ele vive quando

encontra um pequeno raio de sol

ao abrir a porta de casa. A visão

de uma pequena garota com

53

orelhas

e cauda

de raposa

vestida como

miko (sacerdotisa

de templo xintoísta), cozinhando

e lhe olhando sorridente não é

algo que se encontra todo dia

e… espere um pouco. Como


assim? Não sei, só sei que foi assim.

E é desta forma que Senko, uma

semi-deusa raposa com cara de

12 anos mas com 800 deles muito

bem vividos (já podem desligar as

sirenes) entra na vida de Kuroto.

A missão dela é aliviar o stress

causado pelo trabalho e mimá-lo

até não poder mais. E com Senko

não tem miséria: ela cozinha, lava,

passa, faz massagem e vai além!

O que mais um cara sortudo como

o Kuroto poderia querer? Bem, ela

tem uma cauda super fofa e ele

não consegue resistir à tentação de

enfiar a cara nela para desespero

e embaraço da raposinha. E

assim os dias vão passando com

a luta de Senko para evitar que

Kuroto seja absorvido de vez pela

negatividade que o cerca.

O DEUS DA FOFURA E

SEUS ARAUTOS MACIOS

Sewayaki Kitsune no Senko-

San (algo como “Senko-san, a

Raposa Carinhosa) é um mangá

criado por Rimukoro (seu primeiro

trabalho publicado, aliás). Não

se tem muitas informações sobre

ele, mas ao que parece gosta

de fazer doujinshi e fanarts de

outros personagens em seu traço,

tendo uma conta no Pixiv neste

link. Seu mangá de comédia

começou a ser publicado

54


digitalmente no site da Kadokawa

Shoten’s Comic Newtype em

Outubro de 2017, rendendo 4

volumes físicos até o momento e

ganhou um anime de 12 episódios

que estreou em 10 de Abril deste

ano chegando ao seu final em 26

de Junho. O estúdio responsável

pela adaptação foi o Doga

Kobo (Yuru Yuri, Gekkan Shoujo

Nozaki-Kun, Gabriel DropOut),

dirigido por Tomoaki Koshida

(primeiro trabalho dele como

diretor geral, antes dirigia apenas

episódios e fazia storyboards para

vários animes) e roteiro escrito

por Yoshiko Nakamura (Kabukibu,

Shounen Maid). O anime foi

exibido nos canais AT-X, Tokyo MX,

TVA, KBS, SUN e BS11. Os temas

de abertura (Koyoi Mofumofu!!)

e encerramento (Mofu Mofu de

Yoinoja yo) são cantados por

Azumi Waki com Maaya Uchida

fazendo dupla na abertura. A

empresa americana Funimation

detém os direitos de exibição fora

do Japão.

55


UMA FORTE CRÍTICA

AO SISTEMA DE

TRABALHO JAPONÊS

Fofura e gracinhas à parte,

o enredo em si é um meio

de criticar a dura vida do

trabalhador japonês. No

Japão se paga por hora e

segundo a lei trabalhista

japonesa, a carga horária

deveria ser de 8 horas diárias

ou 40 horas semanais por

mês como na maioria dos

países, mas os funcionários

podem escolher fazer até 45

horas extras por mês onde

recebem 25 a 50% mais que

o salário por hora padrão,

o que acabou fazendo os

japoneses adquirirem o vício

de trabalhar. O que acaba

desencadeando isso é o alto

custo de vida japonês onde

a grande maioria das pessoas

mora em casas alugadas

por ser muito caro ter casa

própria, e muitos empregos

PERSONAGENS

Senko

Semideusa raposa com orelhas e cauda

laranja que vem do mundo dos espíritos

para ajudar Kuroto a se livrar do stress.

Como já mencionado antes, ela possui

800 anos de idade (já falei para desligar

as sirenes, pô!), o que a leva a falar de

maneira antiquada como uma senhora

idosa, a despeito de sua aparência jovem.

Ela fica muito triste quando Kuroto prefere

pensar no trabalho ao invés de sua saúde

e para seu desespero, ele tem uma forte

fixação pela sua cauda macia, o que a

leva a usar isso como forma de suborno

para que ele aceite relaxar mais. Ela usa

o traje tradicional das sacerdotisas de

templos xintoístas, vermelho e branco com

sandálias de madeira e avental bege.

Ela denomina a si mesma como mãe e

esposa, reforçando

sua tendência de

mimar e cuidar

de Kuroto em

sua casa. Sua

voz é feita

por Azumi

Waki (Galko-

Oshiete,

Galko-Chan,

Special Week-

Uma Musume

Pretty Derby).

56


Kuroto Nakano

Típico Salaryman (apelido dado ao funcionário

de qualquer tipo de escritório japonês) que vivia

uma vida bem desregrada por conta do trabalho,

até que conheceu Senko. A saúde dele melhorou

bastante graças a ela, mas ainda precisa de

cuidados constantes por conta do miasma negro

que o cerca. Raramente tem boas folgas do

serviço, o que lhe rende olheiras bem escuras

devido à exaustão. Parece que ele possui uma

ligação com Senko maior e mais antiga do que

imagina. Sua voz é feita por Junichi Suwabe

(Undertaker-Kuroshitsuji, Archer-Fate/Stay Night).

forçam os trabalhadores a

se mudarem constantemente

com suas famílias. Outros

motivos são o forte orgulho

japonês e regras de “etiqueta”

em locais de trabalho.

Por exemplo, diz-se que o

funcionário nunca pode ir

embora antes do chefe,

mesmo que seu trabalho

tenha sido concluído. Por

causa de dinheiro, muitos

trabalhadores assinam um

termo aceitando fazer até

100 horas extras mensais, o

que fez com que o governo

tentasse eliminar esse vício

limitando a hora extra e

tirando as remunerações,

mas sem grande sucesso.

Shiro

Semideusa raposa de cor branca enviada para

ajudar Kuroto por conta da dificuldade de Senko

em aliviar o stress que o consome, mas ela só

aparece para comer a comida de Senko e jogar

videogames. Ela vê Kuroto como um servo, pois

acredita que os humanos deveriam reverenciar

as raposas enviadas para ajudá-los. Mas com

o tempo abandona sua arrogância, porém

mantém seu jeito imprevisível e cheio de energia.

Costuma usar um longo vestido branco com o

emblema de uma lua crescente com luvas e

meias pretas compridas e assim como Senko,

tem a aparência bem jovem (mais sirenes...)

para sua idade real sendo mais alta que ela.

Acaba fazendo amizade com Yasuko, a vizinha

de Kuroto, e passa a maior parte do tempo com

ela. Sua voz é feita por Maaya Uchida (Lesa

Anrobe-Dog Days, Hiyori Iki-Noragami).

57


Outro fator é o individual,

já que cada trabalho tem

seu chefe e superiores, e

o funcionário tem de se

submeter às suas vontades se

quiser se manter empregado,

muitas vezes participando

mesmo cansado das “Happy

Hour” com seus chefes e

colegas de escritório depois

do trabalho, inclusive tendo

de beber mesmo que não

goste, por conta da “pressão

social”, tendo suas poucas

folgas canceladas ou

remanejadas para cumprir

metas de serviço. Ao que

parece esse vício em trabalho

faz muitos odiarem até

mesmo os feriados longos (a

Yasuko Koenji

Vizinha de Kuroto. Está cursando a faculdade

e é desenhista de mangá, passando a maior

parte do tempo desenhando em seu quarto.

Ela é preguiçosa, raramente limpando a casa

e comendo apenas refeições de micro-ondas e

acaba virando fã da comida de Senko e de suas

habilidades como dona de casa. Ela não sabe

da verdadeira identidade de Senko, achando

se tratar de uma cosplayer e fica espantada

quando ela alega ser esposa de Kuroto a

despeito de sua aparência. Yasuko e Shiro se

tornam amigas e colegas de quarto já que ela

possui muitas coisas que agradam a raposinha,

como mangás e animes. Sua voz é feita por

Ayane Sakura (Anzu Kiriyama-Kokoro Connect,

Cocoa Hoto-Gochuumon wa Usagi Desu Ka?).

58

Yozora

Semideusa raposa com orelhas e caudas roxas.

É a chefe de Senko e Shiro que já viveu mais de

1000 anos (outra “loli”, mais sirenes, eu desisto) a

ponto de possuir quatro caudas ao invés de uma,

o que demonstra seu nível de poder em relação

às duas. Foi ela quem as enviou para cuidar

de Kuroto e adora seduzi-lo com seus enormes

seios (Senko se desespera nessa hora), mas fica

ameaçadora quando ele demonstra interesse

pelas caudas dela. Utiliza um sensual Kimono

vermelho com borboletas douradas nas bordas

das mangas. Sua voz é feita por Rie Kugimiya,

dubladora veterana com 20 anos de carreira.

Dublou Alphonse Elric em Full Metal Alchemist

(todas as séries e filmes), Nemu Kurotsuchi em

Bleach, Shana em Shakugan no Shana, Louise

em Zero no Tsukaima e Happy em Fairy Tail,

dentre muitos outros (essa mulher é um monstro

da dublagem!).


Golden Week, por exemplo)

e datas festivas, já que cada dia

a menos de trabalho é menos

dinheiro no final do mês.

Todos esses fatores podem

acarretar o que é conhecido

como Karoshi – Morte por Excesso

de Trabalho. O Japão é um dos

poucos países no mundo que tem

um nome para este tipo específico

de falecimento e que relatam

este tipo de caso nas estatísticas.

As principais causas das mortes

costumam ser ataque do coração

e derrame devido ao estresse e

privação do sono. Esses tipos de

caso começaram a aparecer no

final dos anos 60, mas foi no final

da década de 80 durante a Bolha

Econômica que a mídia começou

a prestar atenção nesse assustador

fenômeno e foi imediatamente

visto como uma séria ameaça

às forças de trabalho, com o

Ministério da Saúde e Bem-Estar

do Japão publicando estatísticas

sobre o Karoshi.

Recentemente até mesmo

funcionários dos estúdios de

animação vêm sofrendo deste

mal e diversos autores de mangás

tiram longas pausas com medo

dessa ameaça.

59


É um caso a se pensar, se vale

a pena arriscar a vida por uns

trocados a mais. E olha que nem

abordei os suicídios chamados

de “Karojisatsu” levados pela

frustração de não ser capaz de

alcançar as metas da companhia,

o papo já está pesado demais.

Essa ameaça de Karoshi é

representada no anime como

um miasma negro assombrando

Kuroto e Senko se esforçando ao

máximo para afastá-lo dele com

sua dedicação e carinho, sendo

uma luta difícil.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para mim, Senko-San é um dos

melhores animes do ano, sua

atmosfera relaxante é como

um bálsamo para minha alma,

chegando a ponto de ficar ansioso

para ver cada capítulo e sua crítica

ao excesso de trabalho é um caso

em que todos nós devemos pensar

com bastante reflexão, afinal não

são e nunca serão problemas

relacionados somente ao Japão.

No mais, recomendo o anime e

tenho certeza de que vão gostar.

Até a próxima!

Pablo Gouveia escreveu e

quer uma Senko-San para fazer

Mofumofu. Sérgio Peixoto revisou

enquanto virava o centésimo gole

de café.

60


Light Novel

NIHONKOKU SHÔKAN

QUANDO O JAPÃO INTEIRO VAI A OUTRO MUNDO

Por Sérgio Peixoto

Para estrear esta nova seção que

indicará light novels aos nossos

leitores, escolhemos uma história

que apesar de ser do batido

gênero Isekai (outro mundo),

abordou o tema de uma maneira

inusitada – e com uma narrativa

diferente da habitual.

61


MAIS UMA SEÇÃO?

Isso mesmo, ela surge atendendo

ao pedido de alguns leitores, que

nos perguntaram se poderíamos

fazer matérias sobre light novels,

já que muitos animes famosos

são baseados nelas. Mas como

já explicamos na Animax, se

fossemos colocar todas as seções

de uma vez na mesma edição,

não teríamos mais espaço para

matérias sobre animes. Então

decidimos fazer um rodízio entre

elas, mas algumas seções podem

aparecer com mais ou menos

frequência, dependendo do

interesse de vocês. Aqui vamos

indicar, avaliar e comentar apenas

light novels – principalmente as

menos conhecidas no ocidente

por não terem versões em anime.

E se algum leitor desejar colaborar

indicando ou escrevendo matéria

sobre sua light novel favorita,

aceitamos de bom grado.

O AMOR PELA LEITURA

Japoneses adoram ler, isso

fica óbvio pela quantidade

monstruosa de livros e revistas

que são publicados anualmente

no Japão. É quase como se

fosse um vício – saudável vício,

aliás. Não é exagero dizer que

os japoneses gostam tanto de ler

quanto os brasileiros gostam de

assistir novelas – com a diferença

que leitura exercita a mente...

Mas tanto quanto ler, os japoneses

62


gostam também de

escrever, como prova a

contagem atual do site

“Shôsetsuka ni Narô” (Vamos

nos Tornar Novelistas) que

pode ser visitado neste link e

hospeda atualmente quase

680 mil novelas ou histórias

curtas e quase 1.650 milhão

de leitores registrados, com

dois bilhões de views mensal.

Várias séries de sucesso como

Tate no Yuusha, Mahouka,

RE: Zero, Overlord e Kenja

no Mago entre um cento de

outras começaram neste site e

se tornaram sucesso de vendas

ganhando versões em mangá,

anime e live-action.

E uma boa parte destas novelas

no Shôsetsuka – cerca de um

quinto – são do gênero “Isekai”

(literalmente, outro mundo), que

já fizemos uma longa matéria e

lista de indicações nas edições 54,

55 e 57 da Animax. Simplesmente

espanta o quanto um gênero

que tem literalmente centenas

de milhares de histórias continua

em plena produção – e mais

espantoso ainda que milhões de

japoneses não se importem com

essa saturação e continuem a

consumi-las! Mas com tantas

histórias, mesmo que apenas uma

em mil delas seja excelente, ainda

estamos falando de pelo menos

cem ou duzentas séries isekai que

vale a pena ler.

E foi uma das boas que separamos

para lhes indicar, mas não se

trata de um otaku ou salarayman

padrão que morre de alguma

63

forma desastrosa e reencarna/

renasce em outro mundo com

megapoderes e junta um harém

de garotas: nesta novela, o Japão

inteiro – de Okinawa até Hokkaido

– é transportado repentinamente

e sem aviso para outro mundo!


SÉRIES PARECIDAS,

QUEM FEZ E O QUE TEM

Existem várias novelas e mangás

isekai onde o protagonista tem

acesso de alguma forma a

tecnologia atual e a usa num

mundo medieval. A série Gate

Jietai Kano Chi nite, Kaku Tatakaeri

(e Então, a Força de Autodefesa

do Japão Lutou), light novel de

Takumi Yanai com 20 volumes

publicados de 2010 a 2015 com

série de TV entre 2015 a 2016 é a

Zipang

Gate Jietai Kano Chi nite,

Kaku Tatakaeri

64

mais conhecida, quando surge

um portal no bairro de Ginza em

Tóquio ligando o Japão a um

mundo com magia, dragões e

tecnologia equivalente ao Império

Romano. Outro exemplo é Zipang

– mangá de Kaiji Kawaguchi com

43 volumes publicados entre 2000

a 2009 e série de TV entre 2004 e

2005, onde o moderno destróier

japonês Mirai (futuro) viaja no

tempo de 2002 até 1942, às

vésperas da batalha de Midway.


E mais antigo até que o

gênero isekai é o livro

Sengoku Jieitai de 1975

escrito por Ryô Hanmura

(1933-2002) que teve

duas adaptações para o

cinema em 1979 e 2005,

onde um grupo de 24

soldados japoneses viaja

no tempo até 1549, na

época das guerras civis

(nota: para os japoneses,

viajem no tempo é um

tipo de história isekai).

Mas uma série aonde

o Japão inteiro vai para outro

mundo é algo realmente inédito!

A novela “Nihonkoku Shôkan”

(literalmente, Convocação

do Japão) começou a ser

publicada no Shôsetsuka ni

Narô em outubro de 2013 escrita

por alguém que assina com

o pseudônimo de “Minorô”.

Sua história fez sucesso quase

Sengoku Jieitai

imediato, vencendo em 2014 o

Quarto Prêmio de Internet Novel,

e isso chamou a atenção da

editora Kadokawa que fechou

um contrato para publicar a série

em formato light novel a partir de

2017, com 5 volumes lançados até

o momento.

Uma versão mangá começou

a ser publicada digitalmente no

site Comic Walker da Kadokawa

desde junho de 2018 com 11

capítulos até o momento e dois

65


volumes já publicados.

O desenhista é um

novato chamado

Chiharu Takano

que cá entre nós, é

um tanto fraquinho

para desenhar

personagens... Ou a

Kadokawa não tinha

nenhum desenhista

veterano disponível

ou não botaram

tanta fé no retorno do

mangá, vai saber...

Existe também uma

série de novelas side story chamada

Nihonkoku Shôkan Gaiden Shin

Sekai (Convocação do Japão –

Contos do Novo Mundo) escrita por

Ryoji Takamatsu com ilustrações

de toi8 (pseudônio) e Chiharu

Takano, com um volume até o

momento intitulado “Advento do

Rei Demônio”. Até o momento,

não houve nenhuma confirmação

de se fazer uma versão anime.

Mas como é a história?

66

JAPÃO VAI PASSAR FOME!

Um belo dia, enquanto

patrulhavam os céus do

Principado de Qua Toyne no

pequeno continente de Rodenius

montado em seus Wiverns, um

esquadrão de patrulha avista

um estranho dragão: é branco,

faz um barulho ensurdecedor e

não bate as asas para voar! Ele

se aproxima da costa, sobrevoa

a cidade-porto de Maihark fora

do alcance dos arqueiros e vai

embora alcançando uma altitude

que nenhum wivern pode subir

para interceptá-lo com suas bolas

de fogo. O mais estranho é o rumo

que essa criatura tomou tanto

para ir quanto voltar: nordeste,

onde não há nada além de mar

por milhares de quilômetros!

Dias depois a segunda frota naval

faz contato com um imenso barco

totalmente feito de metal. Seus

tripulantes fazem sinais amistosos

para que subam a bordo, e o


Cenas do mangá

almirante aceita o convite. Ele se

espanta com o imenso convés

plano capaz de acomodar um

esquadrão de cavalaria, e no

topo do navio há uma bandeira

estranha, toda branca com

um círculo vermelho no centro.

Alguns homens usando roupas

estranhas se aproximam e para

alívio de todos, conseguem se

comunicar aparentemente

na mesma língua. Um rapaz

usando aros estranhos com vidro

diante dos olhos se apresenta

como membro do “Ministério das

Relações Exteriores do Japão”,

um país que está mil quilômetros

a noroeste de Qua Toyne.

Quando o almirante diz que nunca

houve nada nesta direção, o

jovem explica que eles são de

outro mundo e, de alguma forma

que nem mesmo eles sabem, foram

transportados alguns dias atrás.

Eles solicitam uma conferência

entre as duas nações para pedir

oficialmente desculpas pela

violação de espaço aéreo feito

pelo seu avião de reconhecimento.

Como resultado desta primeira

conferência, uma delegação de

Qua Toyne viaja até o Japão e

fica de queixo caído com todo o

avanço tecnológico e conforto

que o país possui.

Mas os japoneses deixam claro que

não é uma nação perfeita: antes

de ser transportado a este mundo,

o país importava uma média de 55

milhões de toneladas de alimento

por ano, e agora seus 127 milhões

de habitantes estão em vias de

passar fome caso não consigam

outra fonte de abastecimento

urgentemente. Para a felicidade

e sorte de Qua Toyne, eles se

gabam de ser um país abençoado

pela Deusa da Terra, então eles

garantem que podem prover

67


inteiramente as necessidades

alimentares do Japão em troca

do que puder ser fornecido da

maravilhosa tecnologia que viram.

E assim uma aliança nasce em

tempo recorde, com o Japão

recebendo um fluxo ininterrupto de

alimentos e Qua Toyne ganhando

estradas pavimentadas, portos

modernos, trens, remédios e vários

outros produtos que nunca haviam

sonhado. Ao sul de Qua Toyne está

o reino de Quira, dominado por

montanhas e terras desertas, mas

que possui no seu subsolo outro

produto que o Japão também

necessitava urgentemente:

petróleo. Desta forma, os dois

países saltam em poucos meses

do feudalismo medieval para a

fronteira da era industrial, mas com

limitações. O governo japonês

criou a “Lei Mundial de Prevenção

ao Escoamento de Tecnologia”,

que impede a exportação,

ensino ou venda de uma longa

lista de tecnologias consideradas

“sensíveis” como armas, motor

a jato, energia nuclear e outros.

Como diz um trecho do segundo

capítulo:

“As tecnologias que o

Japão compartilhava eram

principalmente conveniências

que elevavam fundamentalmente

a qualidade de vida nos dois

países. Acesso abundante à

água potável..., a capacidade

de iluminar a noite com o brilho

do meio-dia e outras aplicações

da energia elétrica, tanques

de gás propano operados à

mão para produzir fogo e água

aquecida... a vida comum havia

melhorado incrivelmente. Ainda

não haviam se passado dois

meses, então essas tecnologias

não eram onipresentes, mas foi

dito que o chefe de comércio

(de Qua Toyne) quando viu as

amostras (destas tecnologias)

68


praticamente surtou. Ele disse:

Os produtos deste país chamado

Japão são maravilhosos…! Eles

estão claramente acima das três

principais civilizações!” E além do

comércio, houve também uma

forte troca cultural de costumes

e conhecimento, pois o Japão

não possui magia, coisa que os

elfos e magos de Qua Toyne usam

rotineiramente.

E assim, a sobrevivência básica do

Japão estava garantida e os dois

países de Rodenius prosperavam

além do que sonharam algum dia,

mas nada é perfeito.

ONDE LER NIHONKOKU

SHÔKAN

Se o seu inglês estiver em forma

(mas o Google Tradutor muito

ajuda), clique neste link para

ler 45 capítulos da light novel.

Já a versão mangá,

recomendamos este link ,

também em inglês.

Caso não tenha percebido,

basta clicar nas palavras em

negrito para acessar os links,

mas precisa estar conectado

à internet.

GENOCÍDIO

O terceiro país do continente, o

reino de Rowlia composto apenas

por humanos, completou suas

preparações para invadir Qua

Toyne com uma guerra total. Mas

além de conquistar, eles desejam

exterminar seus habitantes, pois

desprezam totalmente os elfos,

anões e outras raças consideradas

sub-humanas. Por ser uma nação

menor, Qua Toyne e Quira não

terão nenhuma chance contra

a força avassaladora de Rowlia

com um exército de meio milhão

de soldados e uma frota naval de

440 navios.

Com sua fonte de suprimentos

ameaçada, como o Japão

reagirá? Afinal, a sua constituição

impede que o país declare guerra.

Mas sua sobrevivência e a de seus

aliados estão em risco. O que

fazer?

69


SEM

PROTAGONISTA

Este resumo que apresentamos

é só o começo do primeiro arco

onde os dragões alados wiverns

de Rowlia enfrentam caças F-15

com mísseis guiados a radar

e destróieres armados com o

canhão antiaéreo Phalanx CIWS

de 20mm. E sua poderosa marinha

movida a vela e trirremes enfrenta

UM destróier japonês, e formações

compactas de infantaria medieval

são atingidas por artilharia de

canhões e foguetes. Sim, é um

massacre bem previsível, mas a

sobrevivência do Japão estava

em jogo.

Além de Rowlia, que é um mero

aquecimento, outras ameaças

surgirão ao longo da história

como a ressurreição do temido Rei

Demônio, o arrogante Império de

Papardia no continente de Philades

a oeste do Japão, com tecnologia

um pouco mais avançada. Ao

lançar satélites em órbita os

japoneses descobrem que este

mundo tem o dobro do tamanho

da Terra, mas com o mesmo fluxo

de tempo (dia de 24 horas). E

curiosamente, quanto mais para

o oeste se vai, mais avançadas

são as nações! Neste mundo sem

algo similar a ONU, cada país

tenta lutar por sua sobrevivência

como pode, e a prática da

“Diplomacia das Canhoneiras”

é padrão (habito de mostrar

ostensivamente seu poderio militar

em negociações diplomáticas). E

que os deuses ajudem as nações

menores ou muito atrasadas

tecnologicamente!

Mas a grande pergunta continua

sem resposta: quem ou o quê trouxe

o Japão para este mundo, onde

existe a lenda de uma poderosa

e cruel nação que tinha “bolas de

fogo” capazes de destruir cidades

inteiras (bombas atômicas?). Ela

desapareceu misteriosamente,

70


deixando apenas o alerta que

voltaria um dia para fazer todos

se ajoelharem diante dela. E o

que um caça Zero da Segunda

Guerra está fazendo no interior

da floresta sagrada dos elfos de

Qua Toyne, com a lenda de que

há muito tempo atrás um exército

com pássaros de metal vindos de

outro mundo salvaram Rodenius

do Rei Demônio? Haveria então

um propósito para a convocação

do Japão?

Mas vocês já devem ter notado

que a história não possui um

protagonista. Nada de herói

roubado que salva o dia usando

tecnologias ou magias fodásticas.

Na verdade nem há o que

podemos chamar de personagem

principal, pois a narrativa é feita

através de quem está envolvido

no evento do momento como

o jovem diplomata japonês, o

almirante da marinha de Rowlia,

o comandante da Frota de

Autodefesa do Japão, o oficial

comandando um esquadrão de

tanques, um simples mendigo e

tantos outros. Se você quer insistir

na palavra “protagonista”, então

o Japão merece esse título, pois

se trata da luta desta nação para

sobreviver num mundo alienígena,

hostil e cheio de guerras. Talvez

seja por isso que Nihonkoku Shôkan

tenha tantos leitores, pois mostra

pessoas comuns trabalhando em

conjunto para vencer – e isso é

bem a cara do que os japoneses

são: um povo unido, trabalhador,

dedicado e que tem orgulho de

ser... japonês!

Independente da obvia

mensagem nacionalista, a série é

muito boa e merece ser lida com

atenção. E fiquemos na torcida

para que futuramente tenhamos

um anime com ela.

Leu, pesquisou e escreveu Sérgio

Peixoto, que adoraria montar num

Wivern porque... é legal pacas,

ôxavida!

71


Mukashi Mukashi

Mukashi

Mukashi

AREI NO KAGAMI

A MENSAGEM DE MATSUMOTO LEIJI

Por Sergio Peixoto

Este filme de curta metragem é

uma raridade por vários motivos,

além de ser uma das obras menos

conhecidas de Matsumoto Leiji.

Mas é evidente que ele quis fazer

uma história caprichada apesar

das limitações. Acompanhenos

nas próximas páginas para

entender porque é assim.

72


Matsumoto Leiji em 1985

O MESTRE DA

SPACE ÓPERA

Todos conhecem Matsumoto

Leiji por suas séries de FC que

primeiro foram mangá para, em

seguida, se tornaram animes.

As mais populares são Capitão

Harlock, Galaxy Express 999,

Queen Millenia, Queen Emeraldas,

The Cockpit e a criação dos

personagens, história e design

das naves na épica série Uchyuu

Senkan Yamato (Encouraçado

Espacial Yamato), um trabalho

encomendado pelo produtor

Yoshinobu Nishizaki, o dono da

série e já falecido. Nos anos 1990,

os dois tiveram uma briga feia nos

tribunais pelos direitos da série, pois

por ter criado tudo que há nela,

Matsumoto reivindicava o direito

autoral. Depois de muito vai e vem

nos tribunais, Nishizaki venceu, mas

Matsumoto manteve o direito de

ter seu nome registrado como

criador, apesar de não ter os

direitos autorais.

73


Em todas as obras de Matsumoto

existe um ponto comum que é

sua marca registrada: ele adapta

coisas antigas para viajarem

no espaço. Seja um trem (999),

um dirigível com um galeão

pendurado (Emeraldas), uma

nave espacial com a traseira que

lembra um galeão (Harlock) ou um

encouraçado da Segunda Guerra

(Yamato), ele consegue tornar

ideias e visuais aparentemente

absurdos a primeira vista em

séries épicas e espetaculares.

Ninguém mais além de Matsumoto

conseguiu aplicar tão ao pé da

letra o termo “Space Opera” aos

mangás e animes. Suas séries

são únicas e inconfundíveis,

cheias de personagens incríveis

e que se tornaram legendários,

ganhando de tempos em tempos

novas versões animadas. E mais

de quarenta anos antes dos

movimentos feministas dominarem

a internet, ele criou mulheres

imponderadas, corajosas, belas

e elegantes que não perdiam

Matsumoto Leiji hoje em dia

74


Clique na foto acima para assistir um documentário

de uma hora sobre a Expo 85, da construção até o

encerramento

sua delicadeza feminina como

Emeraldas, Maeter e Mori Yuki.

Na metade dos anos 1980 sua

fama, reconhecimento e respeito

como um dos melhores autores

de mangás de ficção científica já

estava firmemente estabelecida, E

quando começou o planejamento

da Expo ‘85, chamada oficialmente

“The International Exposition”, uma

feira mundial que aconteceu

em Tsukuba, Japão, entre 17

de março e 16 de setembro de

1985 com o tema “Habitação

e seus arredores - ciência e

tecnologia para o homem em

casa”, Matsumoto foi convidado

a criar o roteiro e conceito visual

de um filme de curta-metragem

a ser exibido durante a feira. Ele

aceitou o desafio, a assim surgiu

uma de suas obras mais inusitadas

e desconhecidas, a despeito da

qualidade.

75


BORDA DO UNIVERSO

Arei no Kagami (アレイ の 鏡 ~ Way

to the Virgin Space – ou traduzindo:

O Espelho de Arei ~ Caminho para

o Espaço Virgem) foi uma das

poucas histórias de Matsumoto

lançada direto em anime, sem

existir uma versão mangá antes.

Foi também a primeira vez em que

um trabalho seu usou animação

computadorizada – e isso há 34

anos, quando computadores

e videogames em casa eram

novidades tecnológicas de ponta!

O filme tem 26 minutos e meio

de duração, e foi criado para

ser exibido exclusivamente na

Expo ‘85, um caso raro de anime

produzido com fins educativos

e sem visar lucro com bilheteria.

O custo foi patrocinado pela

NHK, a TV estatal japonesa, com

produção da Toei e direção de

Kozo Morishita, que dirigiu séries

dos anos 1970 e 1980 como

76

“Starzinger” (1978), “Video Senshi

Lezarion” (1984), a série de TV dos

Cavaleiros do Zodíaco capítulos 1

ao 73 e o primeiro movie da série

(Jashin Eris – o Santo Guerreiro em

Português, 1987). Ou seja, milhões

de brasileiros já assistiram muita

coisa dirigida por Morishita. Ele foi

também o Produtor Executivo do

filme em CG dos Cavaleiros “A

Lenda do Santuário” e o Diretor

de Supervisão da Animação em

“Transformers The Movie” (1986).

As duas únicas músicas cantadas

do filme tem a voz de Satoko

Shimonari, que também cantou

o tema da primeira série de TV

dos Transformers (1985), e músicas


secundárias em Zillion, Cat´s Eye e

Gaogaigar entre outros. Um disco

compacto de vinil com as duas

músicas foi lançado e vendido

durante a feira.

Por esta lista de pessoas talentosas

trabalhando neste filme além do

Matsumoto, dá para entender

que os japoneses não queriam

fazer feio numa feira mundial

que acontecia em seu país. O

objetivo dos organizadores era

ter um filme animado educativo

com informações sobre a Terra

e o Espaço Exterior, direcionado

às crianças. Mas quem assiste

percebe que não foi exatamente

isso que Matsumoto entregou –

ele aproveitou para passar uma

mensagem bem mais profunda.

SOMOS DIGNOS?

A história mostra a aventura do

jovem explorador Daichi Meguru

e sua parceira e piloto Mayu, que

estão viajando pelo espaço bem

longe da Terra – uns dois bilhões

de anos-luz de distância – numa

nave construída pelo pai de Mayu.

Apesar de terem viajado tanto,

ainda existem planetas habitados

pelos humanos, que se espalharam

por quase todo o universo.

Ao partirem de um planeta colônia

que teve uma usina de energia

sabotada num ataque terrorista

androide, descobrem que estão

levando um “carona” indesejado:

o androide fugitivo chamado Zero,

responsável pelo ataque terrorista.

77


Inicialmente sequestrados pelo

renegado androide, o trio une

forças quando percebem que

todos estão procurando a mesma

coisa: o lendário planeta Arei,

que permitiria vislumbrar além da

fronteira de nosso universo através

do “Espelho de Arei”, o portal para

outro universo. Mayu e Daichi o

procuram porque não restam

mais mistérios a serem explorados

neste universo, enquanto Zero

quer encontrar o fim do universo

e explorar um novo (talvez, para

que os androides rebeldes mudem

para lá? Isso não fica bem claro

na história).

Ao longo da viagem, os três vão

se relacionando pacificamente

enquanto exploram o espaço, que

é mostrado em várias sequências

com belas cenas como só um

anime do Matsumoto possui,

até que encontram Arei. Eles

são recepcionados por Rinne,

habitante de Arei e que se

torna a guia até pousarem no

planeta. Quem os recepciona

quando pousam é Soi, uma

entidade feminina de aparência

transparente que é a junção

coletiva da mente dos habitantes

de Arei. Ela os questiona se seus

povos são dignos de adentrar no

outro universo. Afinal, a história da

raça humana é cheia de guerra,

destruição e ódio - mas também

de benevolência, criação e amor.

Entre os dois extremos de nossa

espécie, Maya, Daichi e Zero

devem provar se valemos a pena

e se poderemos conviver com

outras raças alienígenas.

Com este curta animado

78


Matsumoto deixa uma indagação:

somos merecedores e seremos

capazes de, um dia, nos

espalharmos pelo universo? A ver

todo o anime, especialmente o

final, fica a sensação que ele se

inspirou um pouco no filme “2001

– Uma Odisseia no Espaço” de

Stanley Kubrick, pela temática

da humanidade estar sendo

observada e julgada por uma

raça antiga que, dependendo

de nossos atos, decidirão se

poderemos nos tornar seus pares.

Matsumoto tentou passar uma

mensagem de união e reflexão

a quem assistisse – algo que

com certeza não é plenamente

entendido pelas crianças...

Mas caso você esteja interessado

em assistir, clique neste link para

baixar legendado em português

esta pequena pérola criada por

Matsumoto Leiji. A cópia não é

perfeita em nitidez, mas é melhor

que nada, pois não existe versão

em DVD ou Blu-ray deste anime.

Ele só foi lançado em VHS após

a feira, e nunca mais ninguém se

interessou em relançá-lo. E como já

expliquei, não existe versão mangá

e a única coisa impressa existente

é um “Film Book” (montagem em

quadrinhos do anime, como as

antigas fotonovelas) lançado em

maio de 1985 com 152 páginas,

e atualmente difícil de achar.

Havia alguns exemplares a venda

em livrarias da Liberdade, onde

adquiri um exemplar no final dos

anos 1980 sem saber o que estava

comprando – eu o adquiri porque

só de bater o olho soube no ato

que era algo de Matsumoto, mas

demorei mais de 20 anos para

descobrir a verdadeira história da

79


origem deste anime e, finalmente,

conseguir assistir.

Apesar de ter sido feito 34 anos

atrás, Arei no Kagami é um

anime que envelheceu bem e

continua bom para assistir, pois

foi produzido com capricho.

E sua mensagem positiva de

que precisamos melhorar como

pessoas, antes de alcançarmos

as estrelas, continua válida

nestes tempos tão conturbados

e ainda cheios de guerra e ódio.

Matsumoto será com lembrado

principalmente por suas grandes

séries de ficção científica e heróis

épicos de cicatrizes no rosto, mas

Arei no Kagami também precisa

ser lembrado, pois foi nele que

deixou uma mensagem de fé e

esperança na humanidade.

Sérgio Peixoto assistiu, pesquisou,

escreveu e gostaria de chegar a

borda do universo, só para saber

o que tem lá.

80


Tokusatsu

TOKUSATSU

NA TV – ANOS 1970

Por Rodrigo Pato

81

Dando continuidade aos tokusatsu

exibidos no Brasil nos anos 1970, é a

hora e a vez de falarmos de Giant

Robot (Robô Gigante, para os íntimos),

que fez muito sucesso no Japão e em

vários outros países – o nosso incluso.


O “PAI” DOS MECHAS

E DAS... GAROTAS

MÁGICAS!

Antes precisamos falar do criador

do Robô Gigante, o genial e

lendário Mitsuteru Yokoyama. Ele

decidiu se tornar um mangáka

após ler “Metropolis” (1949) de

Osamu Tezuka, que lhe causou

uma profunda impressão.

Desenhando mangás desde o

colegial, ao se formar conseguiu

emprego no departamento de

publicidade de uma empresa

de cinema em Kobe, onde pode

se dedicar a sua carreira como

mangáka nas horas de folga.

Em 1954 publica seu primeiro

mangá, “Otonashi no Ken”

(Espada Sem

Som, 1955).

Seu estilo e

rapidez no

traço chamou

a atenção

de Osamu

Tezuka, que

o convidou

para alguns

mangás em

conjunto

82


Otonashi no Ken

como Ogon Toshi (Cidade

Dourada – Desenhos de Yokoyama

e história de Tezuka), numa

parceria que apesar de breve, se

tornou histórica.

Em 1956, Yokoyama lançou o

mangá Tetsujin 28-go na revista

semanal Shonen Sunday da

editora Shogakukan. Foi o primeiro

robô gigante dos mangás e

também dos animes, quando

Ogon Toshi

ganhou uma série de TV exibida

entre 1963 e 1966 com 97 episódios

e sendo foi exportado para os EUA

com o nome de Gigantor. Por aqui,

a série foi exibida no começo

dos anos 1970 na extinta TV Tupi

com o nome “Homem de Aço”.

Essa obra teve tanto sucesso e

popularidade quanto Astro Boy,

e permitiu que Yokoyama largasse

o emprego, mudasse para Tóquio

Tetsujin 28-go

83


e se dedicasse integralmente a

criar e desenhar mangás. Além de

Gundam, o Tetsujin 28 é o único

robô dos animes e mangás que

tem uma estátua em tamanho

natural que já mostramos nas

Rapidinhas da Animax 61.

Em maio de 1967 publica uma

nova série: “Giant Robo”, também

na Shonen Sunday. E o nome da

série não está com a grafia errada

como alguns pensam por causa

da palavra em inglês “Robot”. Foi

outro sucesso introduzindo de vez

o conceito de robôs gigantes no

imaginário japonês e se tornando

uma série de Tokusatsu, que

falaremos adiante. Por serem

os primeiros robôs gigantes dos

mangás e animes, Tesujin 28-

go e Giant Robo se tornaram

as primeiras séries com robôs

gigantes e faz de Yokoyama o pai

do gênero “mecha”. Se tivemos

séries como Gundam, Macross,

Patalabor e outras, foi graças a

sua criatividade e pioneirismo.

84


Himitsu no Akko-chan

Mas ele também é o pai do gênero

“garota mágica” com seu mangá

“Mahoutsukai Sally” (A Bruxa Sally)

lançado em 1966 na revista Shôjo

Ribon (que o próprio Yokoyama

admite, foi inspirado na série de TV

norte-americana “Bewitched” ou

“A Feiticeira” como foi chamada

no Brasil). Porém, o primeiro

mangá com uma garota mágica

é “Himitsu no Akko-chan” (Os

Segredos da Akko-chan) lançado

em 1962 também na Ribon e

autoria de Fujio Akatsuka. Mas

Sally ganhou sua série animada

em dezembro de 1966 e fez

enorme sucesso, tornando-se o

primeiro anime com uma garota

mágica, enquanto Akko-chan só

estreou como anime em janeiro

de 1969. Por conta disso, as duas

séries dividem o título de serem

as primeiras do gênero “garota

mágica” de onde surgiram Sailor

Moon, Pretty Cure, Nanoha e Card

Captor Sakura, entre outras.

AVENTURAS DO

EGÍPCIO DE LATA

Tudo começa quando um

OVNI chega a Terra trazendo

o feioso Imperador Guillotine e

seus asseclas, que se unem ao

exército de malévolos soldados

e cientistas do Bando Big Fire

(Bando BF). Como as duas

forças desejam dominar o

mundo, uma aliança entre

elas se torna natural. Juntos,

eles criam monstros de

Mahoutsukai Sally

85


diversos tipos para semear o

terror e devastar as cidades do

nosso planeta. Para enfrentá-los,

surge uma força militar mundial

chamada Unicorn.

Certo dia, o monstro marinho

Dacolar afunda um navio japonês

no Pacífico Norte com agentes da

Unicorn. Nesse ataque, somente o

garoto Daisako Kusama e o agente

Jyuro Minami se salvam e chegam

a certa ilha onde está uma base

secreta da Big Fire. Nela, está

sendo construída uma arma muito

poderosa feita especialmente

para atacar as forças da Unicorn.

Se infiltrando na base, Daisako e

Jyuro descobrem que a tal arma

é um robô gigante com a face

na forma da esfinge egípcia, e

está praticamente terminado. Eles

também encontram o cientista

que foi forçado a projetá-lo e

construí-lo. Ao falarem com o

cientista, ele diz que planeja

sabotar o robô antes da ativação,

e mostra o relógio comunicador

que será usado para controlá-lo.

Num impulso de criança, Daisako

fala no dispositivo, fazendo o robô

gravar em sua memória a voz do

garoto, se tornando desta forma

seu mestre.

O cientista morre na explosão que

ele mesmo causou, mas Jyuro e

Daisaku escapam e percebem

o Robô voando para longe.

O garoto descobre que pode

controlar o robô depois que seu

cérebro eletrônico foi ativado com

a explosão, visto que a sua voz

estava gravada no comunicador

e em seus circuitos.

Imperador Guillotine

Daisako Kusama

Após escaparem com a mais

nova arma da Big Fire, Daisaku

é recrutado como agentemirim

secreto da Unicorn e seu

codinome é U7, auxiliando Jyuro

nos combates contra a Big Fire.

E eles ganham o reforço da

86


pequena, mas inteligente Mari

Hanamura. A esfinge gigante

tem um variado arsenal de armas

como mísseis disparados de seus

dedos, lasers projetados dos olhos

e lança-chamas. Ao longo da série

ele trava batalhas contra monstros,

outros robôs e até mesmo tanques

de guerra normais, sempre

vencendo com seu poderoso

“Soco de Um Megaton”.

ENCOMENDADA ÀS

PRESSAS E CRÉDITOS

TROCADOS

De olho no sucesso das séries Ultra

Q e Ultraman da Tsuburaya na

TBS (Tokyo Broadcasting System)

lançados em julho de 1966, a Net

TV encomendou a Toei algo que

tivesse os mesmos ingredientes

de Ultraman como monstros

gigantes destruindo cidades e

um herói igualmente gigante para

combatê-los. Com o sucesso de

Giant Robo nos mangás, a Toei

entrou em contato com Mitsuteru

Yokoyama para negociar o

licenciamento de sua obra para

uma versão tokusatsu. Mais flexível

que outros artistas de mangá da

época, relutantes em ver suas

séries se tornarem animes ou liveactions,

Yokoyama aceitou a

oferta de bom grado.

Em 11 de Outubro de 1967 (note,

apenas cinco meses depois da

estreia do mangá) Giant Robo

87


estreava nas TVs japonesas,

durando até 01 de Abril de 1968,

totalizando 26 episódios semanais.

Mas além de seu sucesso nacional,

o robô com cara de esfinge

atravessou oceanos e conquistou

o mundo.

Nos EUA, ele ganhou o título

bombástico de “Johnny Sokko

and his Flying Robot” (Johnny

Sokko e seu Robô Voador).

A versão dublada em inglês

foi desenvolvida por Reuben

Guberman e produzida pela

American International Television

(AIP – TV), sendo transmitida pela

primeira vez nas terras ianques em

1969 pela própria AIP – TV, que

também a distribuiu mundialmente

a partir de 1971 até 1980. Alguns

países que

receberam a

série foram:

Coréia do

Sul, China,

Índia, México,

Peru, Austrália,

França, Itália,

Cingapura e

Brasil, sempre

rendendo boa

audiência.

Em 1970 a

AIP-TV lança um compacto de

100 minutos usando trechos dos

episódios 1, 2, 10, 17 e 26, que se

tornou o “filme” da série batizado

como “Giant Robo - Voyage into

Space” (Robô Gigante – Viagem

ao Espaço). Mas curiosamente,

toda a história no filme se passa

na Terra, mas não seria a única

malandragem feita pela AIP-

TV: ela substituiu os créditos dos

japoneses por nomes americanos.

Por exemplo, o tradutor virou

“roteirista”, o adaptador de

roteiro virou “diretor” e o dono da

distribuidora foi o “produtor”. O

resultado desta “falsificação dos

créditos” é que não só nos EUA,

mas em vários outros países onde

a série foi exibida, se acreditou

por anos que Giant Robo foi

totalmente produzido nos EUA!

Esta desinformação causada por

puro oportunismo interesseiro só

foi superado no começo dos anos

2000, graças a internet. E a AIP,

que se fundiu com outra produtora

em 1980, nunca explicou porque

alterou os créditos do Giant Robo.

Imagens de bastidores 88


ANIMES

Além da série live action, Giant

Robo teve duas adaptações para

anime.

A primeira foi lançada entre 1992 e

1998 no formato OVA (Animação

Original para Vídeo) com sete

episódios de 40 a 60 minutos cada,

com uma animação primorosa e

a história totalmente reformulada,

restando poucas características

do mangá original e introduzindo

novos personagens, como a

famosa e estonteante Gin-Rei –

mas mantendo um traço retrô que

lembra muito o estilo de Yokoyama.

O nome completo desta nova

adaptação é “Giant Robo - Chikyû

ga Seishi Suru Hi” (O Dia em que a

Terra Parou), também chamada

“Giant Robo the Animation” sendo

considerada um dos melhores

animes dos anos 1990.

Esta série foi dirigida

por Yasuhiro

Imagawa e

produzida

pelo Estúdio

Mu.

89


FICHA TÉCNICA

Título original: Giant Robo

Estréia no Japão: 11 de outubro de

1967 (Net - atual TV Asahi)

Número de episódios: 26

Criação: Mitsuteru Yokoyama

Roteiro: Masaru Igami, Hisashi Abe

e outros

Trilha sonora: Takeo Yamashita

Direção: Hiroichi Takemoto e outros

Produção: Toei Company

Emissoras no Brasil: TV Globo, Tupi

e Record

Em janeiro de 2007 foi lançada

uma nova adaptação como

série de TV chamada GR: Giant

Robo para comemorar os 40 anos

da estreia do mangá. Devido

a uma mudança na equipe

da SoftGarage, o estúdio que

produziu a série, ao invés de uma

adaptação fiel da história original,

fizeram uma versão “atualizada”

com os Giant Robos sendo

máquinas milenares construídas

para combater seres monstruosos

conhecidos apenas como “Os

Antigos”. A série foi um fiasco de

audiência, e dos 39 episódios

planejados apenas 13 foram feitos.

As duas versões animadas tiveram

Elenco:

Mitsunobu Kaneko: Daisaku Kusama/

U7

Akio Itoh: Jyuro Minami/ U3

Yumiko Katayama: Mitsuko Nishino/

U5

Tomomi Kuwabara: Mari Hanamura/

U6

Shozaburou Date: Chefe Azuma/ U1

Matasaburo Tanba: Aranha

Toshiyuki Shiyama: Imperador

Guillotine

também suas respectivas versões

em mangá.

E AQUI NO BRASIL?

A série estreou em terras tupiniquins

pela Rede Globo (quem diria,

hein?) em 1970, e no final desta

década era exibido no Clube do

Capitão Aza, da TV Tupi. Sua última

exibição foi entre 1982 e 1985 na

TV Record, sempre às 19:00. A

série empolgou e mexeu com o

imaginário das crianças brasileiras,

90


e há testemunhos que crianças

faziam os gestos com a mão direita

dos agentes da Unicorn, ou os

movimentos de braços que o Robô

Gigante fazia antes de disparar os

mísseis dos dedos.

Apesar de muitos artefatos de

última tecnologia, como jato nas

costas e de comunicadores em

forma de caneta, os agentes da

Unicorn tinham armas automáticas

e metralhadoras. Isso fazia com que

as crianças brasileiras imitassem os

heróis com objetos de casa ou suas

armas de brinquedos (havia um

arsenal à disposição da garotada

nos anos 1970 – bons tempos...).

Houve um relato de censura (não

confirmado) de que autoridades

brasileiras não apoiavam o fato

dos personagens mirins (Daisako e

Mari) usarem armas “de verdade”

para abater os adversários da Big

Fire. Mesmo com esse percalço, a

série foi exibida sem interrupções,

mas hoje em dia, seria inviável

uma série na TV apresentar esse

“estímulo à violência”. Nem no

Japão e nem aqui.

Em meados da década passada,

a Cult Classic lançou os DVDs com

os 26 episódios em 3 discos, mas

dublado em inglês com legendas

em português. Em 2018, a World

Classic lançou os DVDs da série

com os 26 capítulos em 3 discos. A

diferença é que o áudio é original

em japonês com legendas em

português.

Dizem que devido a um incêndio

na Record nos anos 1980, todos os

filmes originais com a dublagem

clássica se perderam. Mas a

Record só teve um incêndio

em 1981 onde ficava sua torre

de transmissão e outro em 1992

de menores proporções – mas

nenhum deles chegou perto de

onde os filmes eram estocados.

Portanto, o sumiço dos filmes

dublados fica um tanto nebuloso...

Rodrigo Pato escreveu e quer

encontrar uma esfinge de lata no

Egito. Attilas Lima revisou e sabe o

enigma da esfinge. Sérgio Peixoto

revisou, acrescentou e quer marcar

um encontro com a Gin-rei.

91


Yomeru Mangá

YOTSUBA TO

COMO É BOM SER CRIANÇA!

Por Denison Guizelini

Existem vários mangás que

não viraram animes, mas são

mundialmente famosos. Este

é o caso de Yotsuba to, que

mostra as aventuras diárias de

uma menininha descobrindo o

mundo a sua volta.

92


HOJE É SEMPRE O DIA

MAIS AGRADÁVEL

Yotsuba é uma garotinha adotada

que tem cinco anos de idade e

mora com o pai adotivo Yousuke

Koiwai. A história começa quando

eles vão morar numa casa nova

no subúrbio. Logo que chega, ela

já resolve desaparecer e explorar

o local sem avisar ninguém. E já

vamos descobrindo um pouco

da personalidade de Yotsuba:

apesar de seus cinco anos e ter

uma mega curiosidade infantil

como é de se esperar, na verdade

ela é muito mais inocente do

que se espera para sua idade

e tem pouco conhecimento do

mundo comum, e até mesmo a

descoberta de como funciona

um balanço de parquinho é uma

coisa fantástica para ela. Logo que

descobre pra que serve já quer

dar um jeito de se balançar como

louca, quase dando uma volta a

cada balançada! E daí pra frente

é o começo de uma interminável

série de novos descobrimentos e

maluquices.

93


Yotsuba e seu pai conhecem a

família vizinha, os Ayase, onde

três moças moram com os pais:

Ena que é um pouco mais velha

que Yotsuba; Fuuka, que está no

colegial e Asagi, a universitária. De

tanto visitar os vizinhos, eles meio

que “adotam” Yotsuba como

membro da família, que sempre

a visita para ir brincar e por isso

acaba participando de muito das

atividades da casa. Isso a ajuda

muito, pois rapidamente ela tem

novos amigos e pode socializar,

já que ainda não vai à escola e

não tem mais outras crianças para

brincar. Surge também Miura, uma

amiga de Ena e com a mesma

idade; Torako, amiga da Asagi

e Hiwatari, colega de escola

da Fuuka, todas elas acabam

embarcando nas brincadeiras e

doideiras da Yotsuba.

Em sua própria casa, seu pai,

Yousuke, faz de tudo para deixar

Yotsuba a vontade, sempre

participando de suas brincadeiras

e fantasias, e como pai solteiro é

muito esforçado para criar a filha

o melhor possível, tolerando muitas

das suas maluquices mas sempre

com muito bom humor e bom

senso, educando-a com sabedoria

quando ela faz traquinagem ou

faz algo realmente de errado. Um

verdadeiro pai coruja. E dentro

de casa Yotsuba ainda convive

com as visitas dos amigos do pai:

Jumbo, um gigante de mais de

dois metros com quem Yotsuba

adora brincar e Yanda, que

94


95

Yotsuba nutre profunda irritação

a maior parte do tempo desde o

primeiro encontro.

São as vivências cotidianas destas

duas famílias tão diferentes que

abrem o horizonte de experiências

que Yotsuba vai descobrindo

e experimentando. O autor

consegue tornar os eventos

mais mundanos em adoráveis

experiências para Yotsuba e

também para os leitores. Ver como

essa garotinha estranha, cheia

de vida e inocência age é um

verdadeiro sopro de paz e reflexão

divertida. Seja aprendendo

algo sobre a família Ayase, ou

experimentando algo novo em

casa, como descobrir que pizzas

poderiam ser compradas se ela

pedisse, saindo para conhecer

uma fazenda, passear na praia,

numa loja de departamento, num

restaurante, ir a eventos sociais da

comunidade como quermesses

em feriados ou eventos da escola

secundária do bairro... Literalmente

é tudo de bom! E você sente isso

logo no primeiro capítulo!! Outro

detalhe que reforça o cuidado

com o roteiro é a parte visual,

mesmo para um mangá de traços

simples, os cenários e objetos são

lindamente detalhados.

É sempre uma surpresa

ver como são retratadas

as já famosas paz e

segurança das ruas

japonesas.


SUCESSO MUNDIAL

Não precisa ir muito fundo na

internet para reconhecer

imagens e ilustrações icônicas

da obra que viraram memes,

assim como fotos de diversos

cosplayers com personagens

da série. Com certeza a

influência mais referenciada da

obra é o personagem DANBÔ,

uma fantasia de robô feita com

caixas de papelão da loja Amazon

(em japonês caixa de papelão

é “danbôru”, daí o nome), que

apareceu apenas duas vezes no

mangá. Isso aconteceu quando

de brincadeira, Miura se veste de

Danbô e Yotsuba simplesmente

acredita que ele é um robô de

verdade! Essas passagens ficaram

tão icônicas que é muito comum

achar pelo menos uma pessoa

fazendo cosplay de Danbô

em quase qualquer evento de

anime e quadrinhos no mundo!!

Fora, é claro, aparece de vez em

quando uma ou outra menininha

cosplayer de Yotsuba. A própria

Amazon japonesa adorou a ideia

e negociou licenciamento da

série para vender bonequinhos

do Danbô. Atualmente uma nova

série de bonequinhos Nendoroid

está saindo para Yotsuba e Danbô.

No Brasil, a série permanece

conhecida apenas por uns poucos

fãs, mas há boatos que pode ser

lançada aqui, apesar de ainda

nada concreto. Porém, ela é

facilmente encontrada em sites de

mangás traduzidos

por fãs.

96


Infelizmente, o autor se recusa

a deixar que Yotsuba to seja

adaptado para anime, por achar

que sua história não se enquadraria

como série de TV. A única coisa

da obra que foi animada é

um Spinoff em animação 3D

chamado “Nyanbô!” com 26

episódios exibido entre setembro

de 2016 e março de 2017, onde os

personagens foram inspirados no

Danbô: pequenos robozinhos de

papelão vindo do espaço com

cara de gatinhos andam pela

cidade procurando as partes de

sua nave que se despedaçou em

um acidente. Yotsuba apenas

aparece de relance nas cenas de

encerramento. A série Nyanbô

está disponível pelo Crunchyroll.

CRIADOR E ORIGENS

Yotsuba to (Yotsuba&! - よつばと! –

Explicação no final da matéria) é

uma criação de Kiyohiko Azuma,

autor da série de grande sucesso

Azumanga Daioh. Estreou em 21

de março de 2003 nas páginas

da revista mensal Dengeki Daioh

da ASCII Media Works e já conta

com quatorze volumes. Os

personagens já haviam aparecido

no web manga one-shot “Try! Try!

Try!”, que é praticamente uma

“versão beta” de Yotsuba to. É

publicado nos EUA pela Yen Press,

e pode ser encomendado pela

Amazon Brasil em encadernados

ou para formato digital Kindle.

Nyanbô!

97

Azumangá Daioh


DANBÔ EM

PAPERCRAFT

Monte seu próprio Danbô de paper

craft, totalmente articulado! Baixe

os arquivos neste link e imprima em

papel de boa gramatura.

Existem rumores de a série ter sido

adquirida no Brasil pela JBC, mas

nada confirmado. O mangá já foi

lançado em toda Europa, Coreia,

Finlândia e Tailândia, Rússia, China

e Taiwan.

O mangá é vencedor de

numerosos prêmios como o

Prêmio de Excelência em Mangá

em 2006 no Japan Media Arts

Festival, o Grande Prêmio no 20º

Osamu Tezuka Culture Award

que compartilhou a vitória com

outra obra: Hanagami Sharaku,

grande indicado ao 12º Osamu

Tezuka Culture Awards e para

o Eisner Award na categoria de

Melhor Publicação para Crianças,

98


e diversos prêmios como melhor

obra de história em quadrinho

e história para crianças nos EUA

entre 2005 e 2008.

Existem dois CDs de músicas

instrumentais chamados de

Yotsuba Image Album concebidos

para criar o clima dos eventos

do mangá, compostos por

Masaki Kurihara e performados

pela Kuricorder Orquestra Pop,

responsáveis pela trilha sonora de

Azumanga Daioh, o primeiro em

2005 e em 2006 Yotsuba Image

Album 2 – Winter com temas de

inverno, natal e fim de ano.

Yotsuba to significa Yotsuba “e”…

sendo que este “e” é alguma coisa

relacionada ao que acontece

nos capítulos do mangá, como

se apresentando a coisa nova

que Yotsuba vai interagir. Como:

“Yotsuba e Pizza”, “Yotsuba e a

Caçada as Cigarras”...

Yotsuba também é o nome

japonês para trevo de quatro

folhas, mas note que ela possui 4

marias-chiquinhas que lembram

as quatro folhas do trevo e nas

ilustrações coloridas seu cabelo

é verde.

99


100

YOTSUBA E

RECOMENDAÇÕES

Sendo uma mangá sobre a vida

cotidiana, quase um shôjo mangá

(para moças) por causa de suas

temáticas, Yotsuba costuma ser

uma daquelas obras que a gente

guarda no coração. Se você já

havia se apaixonado por Card

Captor Sakura e sempre desejou

ter os personagens da série como

vizinhos de infância, você vai

ter novamente este sentimento

com Yotsuba e companhia!

Recomendada para qualquer

idade, esta obra é uma ótima porta

de entrada para apresentar bons

mangás a quem não conhece

ou tem aquela má impressão

por causa dos “esquisitos olhos

grandes”. Há uma grande chance

de mudarem de ideia, após

lerem algumas páginas com essa

garotinha inocente e fofa.

Pesquisou e escreveu, Denison

Guizelini, que fica sempre com um

quentinho no coração depois de ler

cada novo capítulo de Youtsuba.

Revisou Sérgio Peixoto, que ficou

interessado em ler Yotsuba após

esta matéria.


Figure no Sekai

DOLLFIE DREAM

Tá podendo?

Por Pablo Gouveia

Há décadas, o sonho de consumo de

praticamente todas as meninas do

ocidente é ter uma boneca Barbie.

Lançada pela Mattel, ela completou

60 anos de idade em março de

2019 e continua vendendo bem

mundialmente. Além das inúmeras

versões com cabelos e cor de pele,

pode-se trocar a roupa, maquiar e

arrumar o cabelo da Barbie como

desejar. Mas no Japão ela tem sua

rival mais classuda: uma boneca

que pode ser totalmente montada,

maquiada e vestida ao gosto de

sua dona, com algumas chegando

a custar pequenas fortunas! Vamos

conhecer as Dollfie Dream!

102


O QUE SÃO AS DOLLFIE?

Antes de falar das Dollfie Dream,

começemos pela sua antecessora.

Dollfie (junção das palavras

doll e figure) é uma marca de

bonecas de vinil criada pela

empresa japonesa Volks em 1997.

Trata-se de uma boneca que

possui articulações em grande

quantidade semelhantes às Action

Figures, sendo capaz de fazer várias

poses. Seu tamanho é semelhante

ao da Barbie em escala 1/6, com

variações que medem entre 23 e 29

centímetros. Geralmente ela vem

sem nenhuma pintura para que a

sua dona possa customizá-la como

desejar e até incluir maquiagem

dependendo da criatividade. Esse

modelo de boneca foi feito pela

Volks pensando nas pessoas com

alguma prática em customizações,

então para aqueles que não têm

grandes habilidades foram criadas

versões parcialmente acabadas

com cabelos aplicados e adesivos

para os olhos. Mais tarde passaram

a vender versões totalmente

prontas. Atualmente existem

vários tipos de corpos masculinos

e femininos com várias formas, tons

de pele e até mesmo uma linha

em tamanho de criança.

Com o tempo passaram a fabricar

e vender ferramentas e materiais

para customizá-las e fazer sua

manutenção. Dollfie Dream é

uma linha de bonecas com cerca

de 60 centímetros e essa marca

apesar de ser feita de personagens

criados pela própria Volks, grande

103


parte delas atualmente são

baseadas em personagens de

animes femininas, mas em 2016

a empresa lançou os primeiros

Dolfie Dreams masculinos: Len

Kagamine de Vocaloid e Kirito

de Sword Art Online.

SUPER DOLLFIE

Normalmente com a abreviatura

SD, é uma variação especial feita

para ser fácil de customizar e

direcionada para colecionadores

adultos. A primeira Super Dollfie

foi criada em 1999 pelo escultor

Akihiro Enku, que a fez baseada

em sua própria esposa e 57

centímetros de altura, que acabou

se tornando o tamanho padrão da

marca. Sua fabricação usa resina

de poliuretano, que lhes confere

mais resistência, durabilidade e

aparência de porcelana. Apesar

da maioria delas ser inspiradas em

alguma personagem de anime,

são feitas com aparência o mais

realista possível com proporções

anatomicamente corretas. Suas

articulações são bem firmes com

o uso de um tipo de elástico bem

espesso, o cabelo é uma peruca

que pode ser trocada facilmente,

seus olhos são removíveis para

trocar conforme o gosto da dona

e a cabeça pode ser repintada

ou trocada. Mãos e pés opcionais

104


também estão á venda e as partes em

resina podem ser lixadas e esculpidas

para mudar suas formas. As Super

Dollfie são produzidas em pequena

escala e novos modelos só podem ser

comprados em eventos da própria

empresa, em vendas online ou nas

lojas chamadas “Tenshi no Sumika”

(Ninho dos Anjos) localizadas no

Japão, Coréia do Sul e uma única em

Los Angeles, Califórnia, inaugurada

em Março de 2014.

QUANTO CUSTAM?

As Super Dollfie são colecionáveis

direcionados para adultos, então

não ache que aquelas moedinhas

no porquinho serão o suficiente

para uma delas, pois seus preços

variam de 36.000 ienes (uns 400

dólares ou mais) nas modelos mais

simples e tamanho menor para

customizar, até 150.000 ienes (mais

de dois mil dólares!!!) nas modelos

exclusivas já montadas com roupas

e acessórios. Não chore ainda,

tem mais. Em sites de leilões, Super

Dollfies customizadas por pessoas

habilidosas alcançam preços

ainda maiores que as originais, e

mesmo as de segunda mão não

são nem um pouco baratas! Você

pode até tentar a sorte, mas ainda

vai sentir a pontada no coração.

Agora sim pode chorar. Novos

modelos costumam ser lançados

nas Doll Party (ou

Dolpa), eventos

organizados pela

Volks várias vezes

no ano onde se

pode comprar e

vender modelos

limitados e

customizados,

acessórios e

roupas. Esse

tipo de evento

aumentou com o

passar dos anos e

as Doll Party feitas

no Tokyo Big Sight

costumam atrair

mais de 15 mil

105


pessoas. Numa Dolpa além das

vendas e exposições, acontecem

workshops específicos para roupas

(com costureiros profissionais),

maquiagem e customização. E

quando falamos de vendas, temos

que deixar claro que todo tipo de

acessório é vendido por pequenos

artesãos: sapatos, perucas, armas

de fogo e brancas, bicicletas,

motos, móveis... tudo na escala

das Dollfies! Notem que um simples

hobby de customizar bonecas de

luxo se tornou um amplo mercado,

gerando milhares de empregos!

Em Kyoto existe o Tenshi no Sato

(Lar dos Anjos), museu de Super

Dollfie onde modelos exclusivos

são vendidos e tem até mesmo

serviços de reparos e aulas de

customização. O Tenshi no Sato

possui até mesmo um jardim

tradicional japonês onde os

visitantes podem levar suas dolls

para fotografar, mas o problema

é que para poder usar, os visitantes

precisam fazer uma reserva com

antecipação. Não é pra qualquer

um mesmo…

A CULTURA SUPER

DOLLFIE

A marca possui uma grande

comunidade dedicada ao

colecionismo, assim como

outras de estilo semelhante. Os

donos customizam e trocam

fotos em fóruns online e seus

donos costumam colocar

nomes e atribuir características e

clique na foto para assistir um vídeo da

Tokyo Dolls Party 2017 106


personalidades nelas, tornando-as

quase suas filhas! As Super Dollfie

são associadas com a subcultura

Lolita assim como o Cosplay, com

algumas vestidas de personagens

famosos. A Volks tem uma história

de colaboração com designers do

estilo Lolita desde 2002, quando

lançaram uma edição limitada

com roupas desenhadas pelas

Baby, The Stars Shine Bright, Black

Peace e Atelier Pierrot. Dentre

os anime que já ganharam uma

versão Dollfie estão Sailor Moon,

Rozen Maiden, Hatsune Miku,

Chobits, Maria-Sama ga Miteiru e

muitos outros.

alguma franquia de anime e a

semelhança com o personagem é

sempre espantosa. Miku Hatsune,

Re Zero, basta gastar uma boa

grana e poderá adquirir uma

delas;

VARIAÇÕES E

TAMANHOS PARA

TODOS OS GOSTOS

A criatividade da Volks é bem

grande, e com o sucesso da

marca vários modelos de Dollfie

surgiram para agradar ao mais

exigente comprador. Todos

podem ser customizados e

vestidos como você quiser

e imaginar. A seguir, uma

lista dos modelos para

conhecer tudo o que a

marca pode oferecer.

-Colaboration

Model

Como o próprio

nome já diz, são

as Dollfie feita em

colaboração com

107

-Standard Models

Modelos básicos

criados pela

empresa que você

pode customizar

sem dó e fazer

roupas para elas,

vindo apenas

com camisola

e roupa de baixo

para lhe instigar a criar

seu próprio guardaroupa.

Cada modelo

possui um nome

e características

diferentes;


-D’Coord

São Dollfies cujas roupas são

desenhadas por estilistas e

vendidas em Showrooms de

Akihabara e Yokohama, boa parte

deles no Estilo Lolita e vertentes;

-Super Mini

Dollfie Dream

Estas são um

pouco menores

(42 centímetros)

e em sua maioria

reproduzem

personagens

de animes com

aparência mais

infantil. Foram

criadas em

Setembro de

2001

-Dollfie Dream

Pretty

No momento só possui dois

modelos de personagens de The

Idolmaster como personagens

conhecidos, mas tem modelos

criados pela marca que são bem

fofinhas;

108


-Dolfie Dream Sister

Personagens que integram um

grupo ou família;

-Dear Super Dollfies

-Dolfie Dream

Dynamite

Modelos que

digamos, são

assim… bem

encorpadas.

Abrange

personagens

de animes

(inclusive

Hentais) e

de Games

conhecidas

por serem

“gostosas”,

como dizem

vulgarmente;

É o modelo mais recente, lançado

em 2015, comemorando o 16°

aniversário das Super Dollfie.

São similares em tamanho com

as Super Mini Dollfie Dream (43

centímetros), entretanto, as

proporções delas são mais infantis

e assexuadas para que possam ser

customizadas como menino ou

menina. Geralmente são modelos

limitados;

109


-Super Dollfie 13

São mais maduras e levemente

maiores que as Super Dollfie em

geral, sendo 60 centímetros para

rapazes e 57 centímetros para

garotas. Quando foram lançados

em Dezembro de 2001, tiveram

melhoramentos em relação ao

corpo Super Dollfie original, com

as juntas menos chamativas;

-Yo Super Dollfie

Somente vendidos em edições

limitadas, sendo relançados várias

vezes. Com aparência ainda mais

jovem que os Mini Super Dollfie,

tem 26,5 centímetros e foram

lançados em 2004.

-Acessórios

Uma enorme

gama de

acessórios

foi produzida

para auxiliar os

colecionadores interessados em

customizações. Corpos inteiros,

partes do corpo, perucas, roupas,

olhos, calçados, armas e tudo

que um colecionador de Dollfies

necessita para criar, se quiser,

uma casa inteira para seus “filhos”.

110


Até mesmo bijuterias e joias

verdadeiras de ouro e prata são

produzidas! Mas fiquem atentos: os

acessórios assim como as próprias

Dollfie não são baratos, então caso

se tenha habilidade com costura

e artesanato, vale a pena bancar

o estilista e deixar sua imaginação

fluir. A criatividade cria maravilhas

e o bolso agradece!

FINALIZANDO

Eu adoraria ter uma Dollfie, acho

muito bonitas e ficariam muito

bem na coleção (caso tenha uma

alma caridosa e rica por aí…). Elas

fariam bastante sucesso se viessem

para essas bandas com preços

mais acessíveis, ia fazer muita

gente por aí jogar aquela Barbie

pelada e riscada de hidrocor no

lixo (sim, conheço uma pessoa que

fez isso). No mais é sempre aquele

negócio, compra quem pode e

para quem não pode só lhe resta

sonhar. Até a próxima!

Pablo Gouveia escreveu pensando

se um dia irá ter uma dessas

belezinhas em sua coleção. Sérgio

Peixoto revisou e também quer ter

uma Dollfie (apenas para fins de

pesquisa e jornalísticos, é claro...).

clique na foto para assistir um vídeo da

Volks USA Dolls Party 2017

111


Casal Anime EX

Casal Anime EX

É a primeira vez que temos um casal formado por duas garotas! Afinal, a regra é clara:

vencem os dois personagens mais votados.

Como seria se Rei Ayanami de Evangelion e Nezuko Kamado de Kimetsu no Yaiba trocassem

de série? Essa foi a proposta que o Pablo Gouveia apresentou nesta divertida “troca de

roupas” entre as duas personagens, baseada em ilustrações oficiais já existentes. Obrigado

pela ilustração Pablo!

112


Desenhos dos Leitores

Desenhos dos Leitores

Todo leitor assinante de R$ 20,00 pode publicar um desenho por edição na

Anime EX sem passar por qualquer seleção – é só enviar que publicamos.

Só não podem ser cópias de desenhos já existentes.

ATENÇÃO! NOVO E-MAIL PARA ENVIO DOS DESENHOS:

anime.ex.magazine@gmail.com

E como sempre marcando

presença nesta seção, o Mateus

Domingos de Belo Horizonte

– MG enviou desta vez uma

interpretação livre em estilo anime

do rosto de um amigo, o Henrique

Lopes. Novamente, obrigado pela

participação!

Nesta edição temos uma

“convidada especial”: é a

Camilla Trigona Barros, filha do

nosso querido Eduardo Miranda,

o ex-Diretor de Programação da

Rede Manchete e que aprovou a

exibição de Cavaleiros do Zodíaco

na emissora há 25 anos atrás. Sua

Sailor Moon ficou bem chorona!

Parabéns e continue praticando,

Camilla! E ela pede para divulgar

seu Instagram: @_d4rkmilla_

113


Apoiadores

APOIADORES DA ANIME EX

Aqui estamos novamente para agradecer a todos vocês que apoiaram a Animax

até agora, e estão conosco nesta nova e importante fase, onde as mudanças

ainda estão acontecendo.

E como sempre lembramos, não se esqueça de indicar a Anime EX para aquele

amigo(a) que curte mangás e animes. Quanto mais apoiadores, mais poderemos

melhorar.

Atenciosamente,

Equipe Editorial da Animax

Adriano de Avance Moreno

Alexandre F Soares

Alisson Sousa

Azzis Hanna Netto

Blenda Furtado

Bruno Jacinto

Bruno Soares Pinto Costa

Carlos Alberto Sousa Lustosa

Filho

Carolina Bortolini Mello

Cassiano Fonsaca

David Denis Lobão

Daniel Hideki Kato

Elton Gomes

Fabiano Forte

Fabio Caetano de Souza

Fabio Catena

Gustavo Amâncio Costa

Gustavo Tadeu Halasi

Jonas Bittencourt Binicheski

Lene Chaves

Leonardo dos Santos Feitoza

Leonardo Scussiatto

Lincoln Ribeiro

Lucas Frade de Campos

Luis Claudio Silva Teixeira

Luiz Fernando Cardoso

Marcelo Juliano

Marcelo Moreira Quintarelli

114


Mariana Petrovana Ferreira da

Silva

Mario Augusto de Andrade

WarpZone Editora - Cleber

Marques

William Hidenare Arakawa

Mateus Domingos

Natália Akemi Hiraide Fortunato

Paulo França

Paulo Victor de Santana Raposo

Pedro Arthur

Podcast Nerdebate – Luiz Felipe

Santos

Rafael Guarnieri

Rafael Sposito

Ricardo Dionisio Adão

Rod Tsumura

Sara Cristina Pinto Rodrigues

Sergio Augusto Vladisauskis

Tadeu Assis Guerra

Talita Rodrigues Pereira

Thales Rodrigues Jardim Barreto

Valdo Alves

Vivi Zyck

Wallace Goulart Gaudie Ley

115

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