Livreto Um Pouco de Muita Vida - edição 2019

comunicacaoccsa

Agosto/2019


agosto/2019


Um Pouco de Muita Vida

Direção do CCSA:

Maria Lussieu da Silva (Diretora)

Pamela de Medeiros Brandão (Vice-Diretora)

Equipe Qualivita:

Jefferson Arruda Damasceno

Liliane Azevedo Rodrigues

Entrevistas e Redação:

Jefferson Arruda Damasceno

Cerimonial:

Marta da Apresentação

Noeli Vitorino

Recursos Audiovisuais:

Renato Maia

Design:

Brisa Gil

Adaptação:

Morena Gil


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UM POUCO DE MUITA VIDA

A

o assumirmos o desafio de gerir o Centro de Ciências

Sociais Aplicadas da Universidade Federal do Rio

Grande do Norte (CCSA/UFRN), para o período 2019-2023,

nos comprometemos não apenas a planejar e desenvolver

uma gestão responsável, ética e transparente em

seus atos administrativos e acadêmicos. Mas, sobretudo

pensá-la e fazê-la mediante um processo de construção

coletiva e democrática, com envolvimento de todos que

fazem parte do CCSA.

Neste projeto, compreendemos que as pessoas são o

fator mais importante da instituição e, por isso, uma de

nossas prioridades é fazer com que a nossa comunidade

acadêmica (professores, estudantes, técnicos-administrativos

e terceirizados) se sinta valorizada.

Assim, estamos empenhadas em garantir a continuidade

do Programa Qualidade de Vida (Qualivita), criado

em 2012, que promove um conjunto de iniciativas de

acolhimento às pessoas desde o momento de seu ingresso

no CCSA à sua aposentadoria. Igualmente, a continuidade

do Projeto “Um pouco de muita vida”, que homenageia

os servidores aposentados que dedicaram anos de

sua vida ao projeto acadêmico do CCSA.

Ao homenagearmos os servidores aposentados, por

meio da 2ª Edição do Projeto “Um pouco de muita vida”,

reafirmamos a convicção de que cada um, em sua trajetória

individual, agregou significados e trabalho à

construção coletiva do CCSA. E, mais do que isso, reafirmamos

a crença de que o CCSA hoje é resultante da contribuição

de todos os que se dedicaram à realização de

seus objetivos acadêmicos e administrativos ao longo do

tempo. Há, pois, que permanentemente reconhecermos

esse fato!

A Direção do CCSA se empenhará em traduzir, de diferentes

modos, que não há incompatibilidades entre

buscar o alcance dos objetivos e metas institucionais e

criar uma ambiência marcada pelas dimensões do afeto,

do reconhecimento, do diálogo, do carinho e de tudo que

nos faz humanos.

O Projeto “Um pouco de muita vida” é mais do que

uma homenagem, configurando-se como um espaço-

-tempo de conexão para a construção de memórias e preservação

do passado como um guia de orientação para

enfrentar as incertezas do presente e do futuro. É também

um espaço-tempo de reflexão sobre a importância

das relações construídas e estabelecidas socialmente

consigo e com o outro.

Uma das ações desse projeto é a escuta de histórias de

vida dos nossos servidores aposentados e posterior registro

em palavras escritas nesse livreto, transformando


UM POUCO DE MUITA VIDA

lembranças e memórias pessoais, em um relato das memórias do CCSA. Esse

material reúne um conjunto de narrativas que são extremamente ricas para toda

a nossa comunidade acadêmica pela possibilidade de perceber que todos somos

seres humanos com histórias e trajetórias únicas.

São importantes, de modo especial, para professores e técnicos-administrativos

recém-chegados ao CCSA, pela revelação que elas permitem sobre o sentimento

de pertencimento com a instituição, com o dever cumprido e com os serviços

prestados à sociedade. Igualmente importante para a sociedade conhecer

“um pouco de muita vida” dedicada à construção de uma Universidade Pública,

Autônoma e Democrática.

E, por tudo isso, agradecemos a todos que participam desse projeto e àqueles

que se dispuseram a deixar um pouco de si, diante do muito que aqui contribuíram

durante a estadia no CCSA, espaço no qual se identificaram enquanto indivíduos

profissionais mas muito mais que isso construíram fraternalmente amizades.

Agradecemos a toda equipe do CCSA que abraça essa proposta de resgatar

um pouco a história daqueles que confundiram a sua própria trajetória com a

trajetória do CCSA. Em especial, à professora Maria Arlete Duarte de Araújo, que

dentre tantas iniciativas, criou o Programa Qualidade de Vida (Qualivita) e o

Projeto “Um pouco de muita vida”. À Professora Arlete nosso respeito e gratidão!

Gostaríamos por fim de registrar a nossa felicidade em viver o cotidiano do

CCSA. E agora, como diretoras, tendo o desafio de continuar avançando e inovando

em busca da excelência e dando continuidade as iniciativas exitosas.

Somos felizes em viver esse momento, um momento de aprendizados. Muito

aprendemos com aqueles que fazem o CCSA, especialmente com os aposentados.

Todos nós somos um ponto de partida para a aprendizagem histórica que contempla

não apenas as experiências e vivências individuais que são diversas e que

merecem respeito, mas também a coletividade que representa a complexidade

das relações humanas que aqui se estabelecem.

Maria Lussieu da Silva

Diretora do CCSA

Pamela de Medeiros Brandão

Vice-Diretora do CCSA

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UM POUCO DE MUITA VIDA

O

Projeto Um Pouco De Muita Vida faz parte de uma

das diretrizes do eixo Desenvolvimento de Pessoas

do Programa de Qualidade de Vida no Trabalho do Centro

de Ciências Sociais Aplicadas: Qualivita CCSA. Tal

projeto abarca três ações pontuais, direcionadas a todos

os servidores desde o momento em que adquirem o direito

de se aposentar, até o dia em que já tiverem cumprido

seu tempo laboral na Universidade Federal do Rio

Grande do Norte.

A primeira ação é o acompanhamento, com vistas à

preparação em vários âmbitos da vida, dos servidores

que adquiriram direito à aposentadoria. Podemos direcioná-los

a projetos existentes, no âmbito da UFRN, ou

realizar encontros locais CCSA para este fim.

A segunda ação é um rito festivo no mês em que o

servidor efetivou seu processo de aposentadoria no ambiente

de trabalho em que é lotado, com os colegas de

convívio mais próximo.

A terceira é um evento bienal, ou de acordo com a

demanda, cuja finalidade é homenagear os servidores já

aposentados de maneira coletiva, tenham estes usufruído

ou não, das duas ações anteriores. A cerimônia composta

pelos egressos, seus familiares e amigos, na qual

apresentaremos um pouco de sua história profissional e,

por fim, serão congratulados com um símbolo formal em

gratidão pelos serviços prestados ao CCSA UFRN.

Acreditamos que esse é um espaço de gratidão, bem

estar e admiração por aqueles que dedicaram parte de

suas vidas à prestação de serviço à nossa comunidade

acadêmica. Substituímos a ideia de esquecimento pela

de reconhecimento, a ideia de que foram mais um, pela

de que foram únicos em sua contribuição.

No processo de realização da primeira edição do Cerimonial

Um Pouco de Muita Vida, ouvimos seicentos e

poucos anos de história. Na segunda edição, idem. Isso

mesmo! Até onde fiz as contas, somando os anos de dedicação

profissional de cada um, tive a honra de ouvir um

pouco mais de um milênio e duzentos anos de história a

cada vida que entrou na sala do Qualivita e respondeu

a três ou cinco perguntas sobre sua trajetória no Centro

de Ciências Sociais Aplicadas. Nos primeiros encontros

a emoção era quase incontrolável por ver tanta vida, sonhos,

dedicação e emoções conflitantes ainda pulsando

alí. Depois fui dominando os sentimentos e me tornando

um prático em resumir, em média, trinta anos de vida

em meia lauda de uma página digital, mas nunca deixei

de me encantar pelo jeito de cada um encarar sua vida

e pelas marcas que os anos de CCSA-UFRN deixaram em

seus corpos e almas. Foi uma honrra, uma felicidade e


UM POUCO DE MUITA VIDA

um grande aprendizado.

Algumas vezes a memória das entrevistas acompanhavam silenciosamente

meus dias e me pegava pensando: Qual é a minha relação com o trabalho hoje?

Em que medida a minha atuação profissional se confunde com quem eu sou na

íntegra? Quanto sobra de mim, ou quem eu sou quando não penso em produzir

algo para alguém? Ou melhor: Eu penso mesmo em ser útil para alguém? Ou tudo

que faço, no fundo, é para me sentir melhor comigo mesmo? Bem, nem todas as

percepções se transformaram em questões existenciais. Algumas tornavam-se,

de imediato, num sentimento de prazer simplesmente por estar ali; era quando

eu pensava “trabalhar é exatamente isso: é ter o prazer de trocar algo com as outras

pessoas”; outras percepções transformavam-se num sentimento de esperança

e liberdade do tipo “Quando eu me aposentar serei assim, viverei numa busca

tranquila por Ser melhor e estar em sintonia com o mundo”; outras me deixavam

um tanto triste por perceber a dificuldade que os anos de mergulho intenso no

rotina estruturante do trabalho nos traz, acabamos perdendo a capacidade nata

de vivenciar a vida em sua completude, para além do Ser que racionaliza, questiona

e produz.

Enfim, não ousarei dizer, embora já ousei pensar, que tenho um material de

pesquisa em mãos. Embora eu talvez esteja no cume da fase produtiva em minha

vida e, portanto, muitos no meu lugar, transformariam esses conteúdos em artigo,

pesquisa e outras coisas que para mim não fazem sentido, prefiro dizer que

assisti a vários filmes e que eles me ajudaram a refletir sobre ciclos e despedidas.

Na despedida do Ser que trabalha, nos ciclos de construção e transformação do

Ego, e em todas as pequenas transformações cíclicas que vão acontecendo ao longo

de nossa vida: surgimento de pêlos, primeiro amor, caretira de motorista, pele

flácida, casamento, careca, formaturas, memória curta, primeiro trabalho, viagens,

aposentadoria. Transformações, ciclos, despedidas, assuntos com os quais

podemos estabelecer mais intimidade afim de nos harmonizarmos com a natureza

da vida que tem uma sabaedoria intrínseca e faz todos os ciclos acontecerem,

quer aceitemos, quer não. Tudo em nosso mundo é energia em renovação e cada

manifestação energética que fica para trás marca um novo ciclo a partir daquele

ponto. Aceite a nova onda de águas renovadas. As águas serão sempre novas se

você permitir.

Jefferson Arruda

Coordenador do Qualivita

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UM POUCO DE MUITA VIDA

Profeores e

Técnico-administrativos

homenageados de 2016

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um pouco de muita vida

Ana Lúcia

Aragão

A

história de Ana Lúcia Aragão, na UFRN, começa em 1978 com sua graduação

em Psicologia. A partir daí seguiram-se 34 anos de dedicação profissional.

De sua contribuição ao CCSA, destaca-se o período entre 2003 e 2011 quando seguiram-se

dois mandatos na Direção do Centro, um como Vice-Diretora de Arlete

e outro como Diretora, tendo Lussieu como Vice. Foram oito anos de uma gestão

difícil, mas igualmente satisfatória. Não se tinham as dificuldades orçamentárias

de hoje, mas foi o período da expansão universitária e do crescimento do

controle o que aumentou muito o trabalho administrativo com implicações na

formas de gerir.

Durante o projeto de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais,

o CCSA fez um debate acadêmico, estruturado em oficinas, que resultou na decisão

de adesão ao REUNI reestruturando os cursos já existentes, ampliando a

oferta de vagas e reorganizando os espaços físicos do Centro. Isso resultou em

aumento na demanda por profissionais e logo foram realizadas oficinas para

receber os novos servidores (que eram muitos), apresentando-os à dinâmica do

Centro.

Nesse ínterim, ocorreu a elaboração do Plano Diretor da UFRN com várias

implicações sobre o planejamento espacial do Centro, sendo a mais destacável

o remanejamento completo do projeto do NEPSA II que deixaria de ser um prédio

mais horizontalizado e passaria ao formato de quatro andares. Outra grande

mudança foi a desvinculação, de fato, do Departamento de Educação do CCSA,

transformando-se no Centro de Educação da UFRN, o que envolveu também a

realocação de algumas unidades administrativas suplementares como o Núcleo

de Educação Infantil e a Oficina de Tecnologia que foram redistribuídas para o

novo Centro de Educação.

Diante de tanto trabalho, Ana Lúcia alegra-se por ter saído desse processo

com dignidade e inteireza, não havendo mau sofrimento e, se porventura houve,

foi um bom sofrimento que lhe ensinou a ser melhor. As melhores lembranças

que leva são as humanas, dos contatos estreitos com os alunos por meio dos

Centros Acadêmicos e da convivialidade com os professores e técnicos.

Com essa mesma tranquilidade aposentou-se. Ela enxerga a aposentadoria

como uma fase natural, parte inevitável da vida, assim como nascer ou entrar

no mercado de trabalho. Não aceitar isso seria como ficar brigando contra a

morte por não querer morrer. “Podemos até lutar, mas vamos morrer.” Ela acha

que, em muitos casos, a identificação do trabalho como razão da vida ou do viver,

transfere ao trabalho as responsabilidades de escolhas e opções do próprio

viver. Nesse sentido, aposentar-se ou desvincular-se, traz de volta para si a responsabilidade

das escolhas e do bem viver. Esse processo não é fácil, mas pode

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um pouco de muita vida

ser sem sofrimento e dor. E, por ser inevitável, o melhor é se preparar para receber

essa nova fase, cultivando a graça e celebrando a chegada desse momento

com novos planos, novos caminhos.

Finaliza dizendo que, no seu caso, aposentadoria em si não lhe trouxe coisa

nenhuma, ela que foi atrás de todas. O direito legal de aposentar-se apenas lhe

trouxe o merecido suporte financeiro e a disponibilidade de tempo. Merecido

porque trabalhou muito para conquistar essa liberdade de poder fazer as escolhas

dentro de uma nova lógica temporal e organizacional. E o que faz hoje é

seguir o caminho do autoconhecimento.

Antônio Sales

Mascarenhas

Antônio Sales Mascarenhas foi um realizador. Foram 37 anos dedicados à

UFRN, sendo os doze últimos mais expressivos do ponto de vista da gestão

ondede dar sua maior contribuição.

Assumiu a Chefia do Departamento de Ciências Contábeis na época em que

se iniciava o projeto de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais.

Algumas de suas realizações podem ser enumeradas: O Curso de Ciências Contábeis

abriu 45 novas vagas, foram contratados seis novos professores, o Curso foi

concentrado no Setor de Aulas V, foram equipadas todas as salas com projetor

de slides, construído novo laboratório com 50 computadores, comprados notebook

para os professores, equipado um miniauditório para o Departamento e

incentivado fortemente a capacitação de muitos docentes. Lembra que houve

uma época na qual os doutores eram menos de 20% do corpo docente e comemora

o fato de que esse percentual será de 56% em 2017.

De modo que a melhor lembrança que Mascarenhas leva é o sentimento de

realização e a sensação de dever cumprido. Os objetivos de melhorar a qualidade

do curso e equipar o Departamento foram alcançados.

Aposentou-se pelas incertezas que rondavam o tema diante das instabilidades

governamentais e por estar com 70 anos, mas gostava muito do que fazia.

De certa forma, a vida ficou mais vazia, embora concorde que tenha chegado a

hora. Ficou a saudade.

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um pouco de muita vida

Djalma Freire

Borges

Djalma se percebe como um intelectual e o modo como ele enxerga a vida de

alguém que se dedica ao exercício da reflexão crítica e da produção do conhecimento,

moldou sua trajetória profissional desde sua contribuição ao longo

da vida ativa até à escolha de novos projetos para a fase da aposentadoria.

Sua mais expressiva contribuição se deu no âmbito da pós-graduação. Junto

com o professor Carlos Rios, entre 1977/78, fundou o Programa de PósGraduação

em Administração (PPGA) que foi possível a partir do projeto de criação do Curso

de Mestrado em Administração, de sua autoria. Aprovado pela CAPES em 1978,

o Mestrado em Administração, junto com o Mestrado em Educação, ambos pertencentes

ao CCSA, foram os primeiros cursos de pós-graduação “stricto-sensu” a

existir na UFRN, dando início ao espetacular desenvolvimento da pós, na UFRN,

nos dias de hoje. Alguns anos depois, enquanto Coordenador do Programa de

Pós-Graduação em Administração, Djalma escreveu o projeto de criação do Curso

de Doutorado em Administração, apresentado à CAPES em fins dos anos 1990.

Dessa forma, ele enxerga que contribuiu na formação de muitos mestres e doutores

na área da Administração, alguns deles já hoje docentes em universidades

públicas e privadas do Rio Grande do Norte e de outros estados do país.

As melhores lembranças que Djalma leva de sua vida no CCSA, para além

do relacionamento com colegas, dos debates acadêmicos e das lutas políticas

travadas dentro e fora do Centro, foram os momentos em que ele pôde perceber

o crescimento intelectual e o despertar do interesse pela ciência por parte dos

jovens. Sempre que ele percebia o brilho dos olhos dos alunos, quando um tema

abordado os tocava mais profundamente e os motivava para novos estudos e

pesquisas, era como um nascimento ou uma revelação.

Djalma aposentou-se por limite constitucional de idade para servidores públicos.

Sua primeira descoberta, nesta fase, foi perceber o tempo livre e decidir

o que fazer com ele. Foi um momento de choque que o convidou a construir um

novo projeto de vida para não cair no vazio tedioso. Entretanto, na sua visão,

para um verdadeiro intelectual torna-se fácil o enfrentamento do tempo livre,

pois ele pode elaborar um projeto de estudos, pode eleger algo que ele sempre

teve interesse de conhecer e não teve tempo para executar. Foi o que Djalma

fez. Hoje ele estuda o Marxismo, História do Brasil e construção e evolução da

economia e sociedade brasileiras.

Por outro lado, aposentadoria é um tema complexo e Djalma percebe que,

no âmbito pessoal, ele é muito paradoxal uma vez que se liga a uma fase final

da existência humana, o que não é fácil de encarar. O que ele pode dizer é que,

até esse momento, sua experiência tem sido satisfatória devido à formulação do

projeto de estudo e da utilização dele para transmitir conhecimento e experiên-

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um pouco de muita vida

cias a outras pessoas, através de publicação de crônicas, artigos e participação

em disciplinas novas e abertas em cursos na universidade.

Elizabete Silva

de Castro

Elizabete Silva de Castro dedicou-se, durante 30 anos, às suas funções enquanto

assistente administrativa do Mestrado em Administração com zelo e assertividade.

As melhores lembranças que leva da UFRN são as amizades que aqui

fez e o senso de família no ambiente de trabalho.

A aposentadoria lhe trouxe a possibilidade de dedicar-se mais a si e a sua família,

além de adotar uma prática regular de atividade física em sua vida. Enfim,

lhe proporcionou mais tempo livre para viver a vida.

Hiran Francisco

O. Lopes da Silva

Hiran viveu um sonho na UFRN e diz que seu maior legado foi educar. Ele

tinha uma carreira nacional consolidada como consultor industrial do SE-

BRAE quando resolveu começar a se preparar para a realização do objetivo de

ser professor. Foram anos de extrema dedicação e de difíceis escolhas, porque

algumas coisas ficaram para trás para que o sonho tivesse lugar.

Dos seus anos de serviço dedicados ao Departamento de Economia do CCSA,

a melhor lembrança que Hiran leva é ter sido professor, título do qual tem muito

orgulho. Aliás, um dos motivos que o levou a solicitar sua aposentadoria foi

quando começou a perceber que o professor não era mais uma entidade respeitada

pelos alunos. Ele lembra com lástima do Natal em que recebeu uma intimação

da justiça federal questionando a colocação de faltas em um aluno. Por esse

motivo, passou o réveillon sofrendo pelo ocorrido. Isso o fez considerar se valia

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um pouco de muita vida

vida profissional do professor João Rodrigues foi delineada pela coragem

A de arriscar-se diante das oportunidades profissionais que lhe apareceram e

pela realização da meta de vivenciar, ao máximo, as possibilidades da carreira

de professor universitário. Com relação a esse ponto, destaca-se sua dedicação

à publicação de artigos e capítulos de livros em sua área de pesquisa: Economia

do petróleo, do gás natural e dos biocombustíveis.

Podem-se pontuar alguns momentos de sua carreira: Especialização no Instituto

de Estudos para o Desenvolvimento Económico na Itália; Mestrado na Universidade

Federal de Campina Grande na Paraíba e Doutorado na Universidade

Estadual de Campinas em São Paulo. No CCSA contribuiu lecionando diversas

disciplinas da graduação e, administrativamente, tendo sido Chefe de Departamento

por quatro mandatos, membro do Conselho de Administração - CON-

SAD e do Conselho Universitário - CONSUNI. Publicou trabalhos em nove países

(Brasil, Argentina, Áustria, Canadá, Chile, Espanha, México, Paraguai e Uruguai)

e foi o primeiro Professor Titular do Departamento de Economia e o único com

Pós-Doutorado (realizado no México, em 2014) até os dias atuais.

João Rodrigues sente muita afinidade e facilidade em trabalhar com sua linha

de pesquisa e considera-se privilegiado por essa temática ser relevante no

contexto mundial. Sem dúvida, isso ajudou sua carreira a ter fluidez e reconhecimento.

Todo esse contexto, aliado ao modo como caminhou profissionalmente,

em alguns momento, serviu de estímulo para que os colegas fizessem o mesmo.

Das lembranças que leva da vida no CCSA destaca a boa convivência com toa

pena continuar, uma vez que ele já tinha o direito adquirido de aposentar-se.

Entretanto, acrescenta que se a pessoa está propensa a tomar uma decisão

pensada tudo fica mais fácil. Ele já estava pensando sobre o assunto e planejando-se

há pelo menos três anos e sabia que estava saindo no momento certo de

garantia de direitos.

A aposentadoria tem ensinado para Hiran que é possível viver sem ser professor,

mas ele sente que esse é um sentimento que não o larga nunca, porque

é uma emoção muito intrínseca a ele. Ensinou também que podemos ser substituíveis

e finaliza dizendo que o processo de aposentadoria foi a oportunidade

que teve para se conscientizar de que já tinha cumprido seu papel e de que é

preciso ter respeito por si mesmo e enxergar seus limites para sair na hora exata.

“Assim como o sábio Pelé, é bom sair deixando saudades”.

João Rodrigues

Neto

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um pouco de muita vida

dos os colegas (professores, técnicos e bolsistas) e o respeito que tinham pelo seu

trabalho. Ele diz que se aposentou, apenas de direito, porque chegou ao limite

legal de idade. Ainda não se sente aposentado porque continua publicando (o

que vem fazendo nesses dois últimos anos), participando de congressos no exterior

e de bancas para Professor Titular, em outras universidades brasileiras,

atividades que ainda consomem muito o seu tempo.

Talvez a aposentadoria tenha lhe trazido, até este momento, somente a liberdade

de escolher como gerir seu tempo e, futuramente, lhe traga a oportunidade

de ficar um pouco mais de tempo conhecendo e vivendo nos países pelos

quais passou correndo enquanto estava na ativa.

Jomária Mata de

Lima Alloufa

J

omária Alloufa vem escrevemdo uma história de 41 anos na UFRN. Desde os

19 anos, sua vida se confunde com a própria história desta universidade. Participou

das discussões para aprovação e implantação de uma gama de projetos

hoje consolidados, tais como: alguns Programas de Pós-Graduação; criação de

um fundo orçamentário para pesquisa numa época em que a universidade focava

apenas em ensino; realização das primeiras edições da Semana de Ciência,

Tecnologia e Cultura - CIENTEC, quando nem tinha esse nome; criação do

Laboratório de Informática das Ciências Sociais Aplicadas - LIACS, dos Núcleos

de Pesquisa em Ciências Sociais Aplicadas - NEPSA I e II, e capacitação de tantos

professores pelo Projeto CAPES/COFECUB. Aliás, esse último merece um destaque

em sua história.

Em 1979, o governo brasileiro estabeleceu um acordo com o governo francês

para capacitar professores da Região Nordeste. O projeto chamado CAPES/COFE-

CUB oferecia doutoramento em todas as áreas. Então, Jomária fez seu doutorado

e, quando voltou, ajudou a consolidar intercâmbio para diversas missões de

qualificação e doutoramento. Daí nasceram algumas das bases de pesquisa do

CCSA, inclusive a que coordenou até sua aposentadoria: Representação Social e

Educação. Surgiram também pesquisas interdisciplinares com a França fazendo

com que o Programa de Pós-Graduação em Educação entrasse no circuito dos

melhores do Brasil. Após esse ciclo, cujos impactos foram avaliados pela CAPES,

Jomária atuou como consultora do projeto CAPES/COFECUB da Região Norte.

De tanta história vivida, Jomária leva as boas lembranças dos dias em que,

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um pouco de muita vida

juntamente com Arlete, ficaram “plantadas” no CCSA criando os projetos que

geraram o NEPSA I, o Seminário do Centro e o LIACS, laboratório que simbolizou

a chegada de novas tecnologias no CCSA. Também lembra, com muito gosto, das

participações nos Conselhos Superiores onde lutou pela criação e consolidação

de um futuro melhor para a UFRN.

Jomária se aposentou aos 47 anos, durante o Governo de Fernando Henrique

Cardoso, na época do sucateamento das universidades. Foram criados novos

critérios de aposentadoria bastante desfavoráveis e ela estava vivendo um

momento difícil de sua vida pessoal. Esses dois fatores aliados levaram-na a essa

escolha. Mas sua vontade de voltar a trabalhar era tão grande que aposentou-se

de direito mas nunca de fato. Em 2016 completaram-se 20 anos como professora

voluntária no Departamento de Ciências Administrativas.

Como não teve a oportunidade de vivenciar o fato de estar aposentada, Jomária

ainda não sofreu nenhum sintoma ou mudança visível em sua vida. O

que a aposentadoria significou foi o fim de um ciclo profissional e o início de

outro: uma nova carreira na Área de Administração. Jomária encerra dizendo “o

que é perene em mim é o amor por ser professora e pesquisadora e, enquanto

trabalho, me sinto viva”.

José Arimatés

de Oliveira

José Arimatés percebe-se como um professor sério e exigente consigo mesmo e

com seus alunos. Desejando que eles caminhem com os próprios pés, ministra

aulas incentivando o pensar reflexivo sobre tudo, sempre semeando ideias ao

invés de técnicas.

Ele acredita que sua maior contribuição, enquanto professor no CCSA, foi a

prática do humanismo na relação com os seus semelhantes e os relatos positivos

de ex-alunos o fazem pensar que seguiu o caminho certo. Arimatés adotou uma

postura de consideração, a priori, que todos os seus alunos eram bons até que

lhe provassem o contrário e jamais se decepcionou.

Entre tantos momentos agradáveis da vida acadêmica, ele lembra especialmente

da defesa de sua tese de doutorado, quando o carteiro entrou várias vezes

na sala entregando algo ao professor orientador. Ao terminar, o professor

anunciou que havia recebido mais de uma dezena de telegramas de colegas do

departamento, felicitando Arimatés pela defesa. O carinho e atenção dos colegas

de trabalho o tocaram e foi uma emoção incrível que contribuiu com sua quali-

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um pouco de muita vida

dade de vida no ambiente de trabalho.

Arimatés aposentou-se, prematuramente, aos 56 anos de idade, porque desejava

fazer algo mais além da universidade. Não se tratava de insatisfação, cansaço

ou tristeza. Ao contrário, aposentou-se em um ótimo momento de sua carreira,

quando coordenava um grupo de pesquisa, estava publicando, orientando

teses e dissertações e coordenando um projeto que amava muito na graduação

em Administração. Mas desejava alçar outros vôos e a aposentadoria lhe deu a

possibilidade de realizar algumas atividades externas que a dedicação exclusiva

à Universidade não permitia.

Sentindo-se jovem, poderia ter uma carreira docente em outra universidade,

em Natal ou fora, mas preferiu dedicar-se a atividades solidárias e voluntárias,

algumas relacionadas à sua relação com Deus. Em termos acadêmicos continua

com algumas atividades na educação a distância que, em sua opinião, representa

novas possibilidades de colaboração com a sociedade.

Então, aposentadoria para Artimatés é sinônimo de aprendizagem, de liberdade

para fazer algo fora da rotina estruturante, de atuar de outras maneiras no

mundo. Isto significa satisfação, alegria e felicidade. Inclusive ele gosta de dizer

que não está “aposentado”, mas “jubilado”, que é uma expressão em língua espanhola

que diz mais sobre sua atual situação na vida.

Maria da Penha

M. de Medeiros

Maria da Penha acredita que, ao longo de sua passagem pela UFRN como

professora, contribuiu com a aprendizagem de conteúdos e exemplos atitudinais

corretos para os alunos, enxergando-os como pessoas e futuros profissionais.

Construiu, gradual e coletivamente, as ações de administração, pesquisa

e extensão dentro do que lhe coube atuar, tendo sido os esforços pessoais invisíveis

e imensuráveis.

Algumas etapas podem ser pontuadas, embora a dinâmica da vida seja bem

mais difícil de descrever. Começou como estudante de Graduação em Administração

(76 a 78), depois foi aluna da Pós-Graduação em Administração (79-83)

até, finalmente, tornar-se professora do Curso de Administração onde esteve na

ativa entre 84 e 2012 e como voluntária entre 2013 e 2014. Somando um total de

38 anos ininterruptos, sendo 30 como professora, lecionou disciplinas da área de

Gestão de Pessoas e Metodologias na Graduação, no Mestrado e na Especialização.

A maior parte do tempo dedicou-se à área de Gestão de Pessoas, lecionando

e orientando trabalhos na graduação e pós-graduação. Como a maioria dos pro-

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um pouco de muita vida

fessores, vivenciou experiências de extensão, de atuação administrativa como

Coordenadora do Curso e participação em Comissões.

Muitas lembranças boas foram colecionadas porque sempre teve prazer em

exercer suas funções. Cada batalha vencida era uma alegria sem preço e os momentos

difíceis foram esquecidos, restando somente gratidão pelas oportunidades

vivenciadas.

Maria da Penha aposentou-se por necessidades pessoais e familiares. Esse foi

um processo doloroso e de saudosismo das atividades docentes, tanto que atuou

como professora voluntária até que as emoções se acomodassem melhor em seu

íntimo. Isso tudo lhe trouxe a percepção de que a vida tem suas etapas e cada

uma deve ser vivida por inteiro, no presente, sem lamentações ou saudosismos

estéreis, mantendo a saudade positiva que auxilia a ir em frente e lutar pela

qualidade da vida e pelo momento que estamos vivendo, construindo sempre.

A aposentadoria lhe trouxe possibilidades de vivenciar experiências que,

até então, vinham sendo adiadas por falta de tempo, definir novas prioridades,

abrir novos horizontes como por exemplo, a busca por conhecimentos mais

humanistas que valorizam outras esferas além da intelectual, novas práticas e

aprendizagens, novas contribuições, tempo para fazer o que gosta e maior convivência

com a família, dentre outras coisas que ampliam a vida.

Maria de Fátima

Dias de Souza

Maria de Fátima Dias de Souza, carinhosamente conhecida pelos seus colegas

como Mirica, começou sua carreira como Assistente em Administração no

Campus Avançado de Caicó, onde passou dois anos como Secretária. Em 1977

chegou ao Departamento de Direito Público do CCSA onde permaneceu por 37

anos. Foi uma profissional dedicada e atenta à necessidade de capacitação continuada,

o que a fez participar da maior parte dos cursos de atualização administrativa

oferecidos pelo então Departamento de Desenvolvimento de Recursos

Humanos, além de anualmente participar dos congressos de secretárias. Nos últimos

anos no CCSA, trabalhou na Secretaria do Mestrado em Direito e, por fim,

dedicou-se às demandas dos Cursos de Especializações.

A melhor lembrança que leva de sua vida na UFRN são as amizades e o bom

relacionamento que tinha com todos os colegas de trabalho. Acredita que se aposentou

na hora certa, que contribuiu com a universidade e, agora, vê a oportunidade

de dedicar-se mais à sua família.

18


um pouco de muita vida

Maria do Socorro

de Azevedo Borba

Socorro Borba, professora desde 1979, assumiu algumas funções administrativas

ao longo de sua carreira, dentre elas a de Diretora do CCSA. Em sua gestão,

foram criados os Cursos de Turismo e Biblioteconomia, construído o anexo

do prédio administrativo, criada a logomarca do Centro, defendida a primeira

tese de doutorado da UFRN no Programa de Pós-Graduação em Educação, bem

como viabilizada a capacitação do quadro docente do Curso de Direito.

Até meados da década de 80, Socorro Borba e mais 14 bibliotecários eram

lotados na Biblioteca Central, contratados como professores colaboradores. Em

1988, porque o Ministério da Educação e Cultura passou a exigir que todos os

professores fossem lotados em Departamentos, foi criado o antigo Departamento

de Biblioteconomia - DEBIB (1992), que funcionou por cinco anos ministrando

disciplinas em vários cursos de graduação e pós graduação da UFRN até que, em

1996, criou-se o Curso de Biblioteconomia.

Socorro lembra de um período em que os esforços do então reitor, Ivonildo

Rêgo, voltaram-se para avaliação e melhoria do conceito dos cursos, iniciando

pelo Curso de Direito. Hoje, a avaliação se chama Exame Nacional de Desempenho

dos Estudantes – ENADE. Na ocasião, os estudantes se rebelaram, não responderam

ao exame, ficando com nota zero. Então uma comissão do Ministério

da Educação veio até o CCSA entender o que estava acontecendo e acabaram por

identificar uma série de inadequações e deficiências do curso, o que resultou em

um conjunto de recomendações que, com apoio da reitoria, foram seguidas. A

partir daí criou-se um Mestrado Interinstitucional em parceria com a Universidade

Federal do Pernambuco (UFPE) e foram capacitados aproximadamente 15

professores, introduzidas melhoria nos laboratórios e, mais adiante, viabilizada

a criação do Mestrado em Direito.

Ainda na sua gestão, o curso de Biblioteconomia foi avaliado, por cinco anos

consecutivos, com a nota máxima pelo MEC. A melhor lembrança que Socorro

leva de sua vida profissional foi o dia em que foi criada a Graduação em Biblioteconomia,

pois o sentimento que pairava era o de que o Departamento não

vingaria se não tivesse algum curso atrelado a ele. Logo, a criação foi como

um renascimento. Ela e toda equipe carregam um sentimento de gratidão pela

acolhida por parte do então diretor do CCSA, professor Aluísio Alberto Dantas,

durante o processo da criação do Departamento e, igualmente, são gratas pelo

apoio relevante de Célia Ribeiro, então diretora, e de todos os departamentos

vinculados ao Centro durante a concretização desse processo em 1992.

Socorro enxerga a aposentadoria como o coroamento do dever cumprido,

foram 35 anos de trabalho intenso! Ela lembra que Zila Mamede, sua chefe no

início da carreira, era uma pessoa muito íntegra, ética e cumpridora de deveres.

19


um pouco de muita vida

Em sua época, todos os postos de trabalho eram ocupados oito horas por dia fielmente,

portanto não existia flexibilidade de horários para docentes.

Por fim, a aposentadoria lhe apareceu como oportunidade de ir para o mundo,

de conhecer outras nações atendendo a um chamado do seu marido. Percebe,

com alegria, que o mundo deles dois se uniu muito mais depois dessa decisão

e que, com a aposentadoria, a qualidade de vida dela e da família melhorou, pois

não há mais stress como horários preestabelecidos!

Outro fator que a fez ficar confortável com a ideia de aposentar-se foi o jeito

contemporâneo do aluno “desejar aprender” que é muito diferente do que

está habituada. Nos últimos tempos ela via o excesso de virtualidade como um

feedback indiferente que a deixava um tanto desestimulada. Enfim a aposentadoria

chega em excelente hora lhe trazendo mais qualidade de vida e a possibilidade

de flexibilizar a rotina e exercer a liberdade de viver no mundo.

Maria do Socorro

Gondim Teixeira

Socorro Gondim dedicou-se ao CCSA por 24 anos. Começou lecionando disciplinas

de graduação e logo se engajou em funções administrativas. Participou

da Comissão Permanente de Pessoal Docente - CPPD, foi membro da Sociedade

Brasileira para o Progresso da Ciência - SBPC, foi coordenadora do Curso de

Graduação em Economia por dois mandatos e da Pós-Graduação por três, sendo

um como Vice. Contribuiu para a formação dos Cursos de Pós-Graduação em

Economia, Serviço Social e Engenharia da Produção. Sua colaboração enquanto

produtora de conhecimento se deu nas áreas de Economia e Desenvolvimento

Regional e Competitividade Sistêmica.

Destaca-se o esforço de Socorro Gondim para dar visibilidade ao Curso de

Economia da UFRN, ampliando a rede de contatos com profissionais de todo o

Brasil. Ela ajudou a trazer para Natal, em 2007, uma edição do Congresso da Associação

Nacional de Cursos de Graduação em Ciências Econômicas - ANGE. Na

época do Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais

e das mudanças das Diretrizes Curriculares no Brasil. Desde então faz parte da

Diretoria da ANGE.

Em 2011, com sua ajuda, foi sediado em Natal, o Encontro Nacional da Associação

Brasileira de Estudos Regionais e Urbanos - ENABER. Na época, o encontro

bateu recorde de trabalhos inscritos. Isso deu visibilidade à UFRN e aos Cursos

de Graduação e de Pós-Graduação em Economia. Os graduandos que, nessa

20


um pouco de muita vida

época, apresentaram trabalhos tiveram a oportunidade de fazer mestrado e

doutorado com essa equipe de profissionais com a qual estabeleceram contato.

Socorro lembra do dia em que abriu o SIGRH e visualizou uma mensagem

que estava completando 10.000 dias de UFRN. Hoje já se vão 11.000 dias no CCSA,

o que a faz lembrar da mudança e do crescimento do Centro ao longo dos anos,

dos quase 2.800 alunos que passaram por ela e das amizades que ficaram para o

resto da vida, além do grande sentimento de pertencimento ao CCSA.

Socorro decidiu se aposentar pela conjuntura do país e porque já possuía

direitos garantidos, mas como ama lecionar, espera seguir os caminhos da educação

de outro modo.

Nessa nova fase, seu ritmo de vida já mudou. O tempo agora é outro, podendo

andar mais lentamente, sentir mais as coisas do mundo, dedicar-se a fazer

tudo que gosta: karatê, francês e fotografia. E o melhor é que tudo isso ainda é

vivenciado no lugar que, de certo modo, a construiu: a UFRN.

Maria Ivaneide

da Rocha

Maria Ivaneide da Rocha diz que a UFRN é imensa e que somente deixou

pequenas marcas no resumido universo de trabalho onde esteve lotada, o

Departamento de Ciências Contábeis. Embora a lista de atividades fosse demasiada,

ela acha que o exemplo diário e a dedicação ao trabalho deixam marcas.

Nesse momento, remete-se a Cora Coralina que diz: “A vida é boa. Saber viver

é a grande sabedoria. Saber viver é dar maior dignidade ao trabalho. Fazer bem

feito tudo que houver de ser feito. Seja bordar um painel em fios de seda ou lavar

uma panela coscorenta. Todo trabalho é digno de ser bem feito”.

As melhores lembranças que leva do CCSA são relativas aos encontros, aos

abraços diários, à ajuda de colegas de trabalho, às lembranças das gargalhadas

pelos corredores, da solidariedade nas situações difíceis. “Enfim, um quadro

pintado e nele todos os amigos, em conversas nos jardins do CCSA.”

Maria Ivaneide fala que sempre amou seu trabalho, o seu fazer, seus chefes

e colegas, mas que um dia começou a perceber que a idade trazia algumas limitações

e chega uma hora em que já não se consegue “assoviar e chupar cana ao

mesmo tempo, pulando num pé só”. Portanto, aposentar-se foi um projeto escrito

e amadurecido em sua mente enquanto o momento se aproximava. Ela sabia

exatamente o que iria fazer porque ao longo dos anos de trabalho foi deixando

a vida pessoal num cantinho e a aposentadoria foi vislumbrada como a possibilidade

de realização de vários projetos que foram sendo abandonados na tra-

21


um pouco de muita vida

jetória. Então, a aposentadoria lhe chegou como a oportunidade de colocar em

prática alguns deles. Acabou por descobrir que a vida de aposentada também é

corrida e que o tempo é curto para realizar tudo que se deseja.

Encerra dizendo que “aposentar-se é necessário, pois o tempo é inexorável e

a ocupação da vaga que antes era sua, por alguém que está iniciando no universo

de trabalho, trará outras contribuições e um novo jeito de fazer. É a vida que

segue o seu curso normal”.

Maria Lúcia M.

de Farias

Lúcia Maranhão, dedicou-se à UFRN por 35 anos e sua principal contribuição

foi a socialização da informação. Essa foi a base de sua formação profissional,

desde a época em que estudou estatística até sua especialização em Análise

de Sistemas, finalizando sua vida acadêmica com o mestrado em Ciências da

Informação.

Lúcia trabalhou na Biblioteca Central Zila Mamede (BCZM) por 18 anos.

Quando começou-se a falar em informatização de bibliotecas ela era chefe do

Setor de Automação e Estatística da BCZM (Internamente chamado de Central de

Processamento de Dados - CPD). Muito trabalhou-se, em sintonia com os envolvidos,

para viabilizar o projeto de colocar em rede todo o sistema de bibliotecas

da UFRN e, sob a sua coordenação, foram elaboradas algumas de nossas bibliotecas

digitais, como a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações que foi a primeira

implantada no Brasil, tendo recebido elogio publicado na página principal do

IBICT- Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia.

Em 2009 chega ao CCSA para trabalhar no acervo do Núcleo Temático da

Seca, onde implantou o sistema de automação do acervo bibliográfico, disponibilizou

o catálogo para consultas online, reorganizou todo o acervo, implementou

a visualização das estantes e criou a Fanpage do Facebook.

As melhores lembranças que Lúcia tem são das equipes de trabalho pelas

quais passou, onde fez vários amigos. Sente um enorme prazer de ver que o

trabalho planejado vem sendo executado e dando retorno à comunidade. A

exemplo disso, ela diz que é uma satisfação constatar, na atualidade, a operação

de todo o sistema de bibliotecas da UFRN em rede e saber que ela contribuiu

semeando essa ideia na década de 90, junto com as diretoras Rejane Lordão e

22


um pouco de muita vida

Rildeci Medeiros e com o apoio da Empresa Financiadora de Estudos e Projetos

do Governo Federal - FINEP.

Portanto, aposentadoria para Lúcia é sinônimo de realização profissional.

Ela agora visita a UFRN com a alegria de voltar a uma casa em que foi muito

feliz. Foram anos de muito trabalho e já sentia vontade de viver mais a vida em

família. Percebia que sua saída da instituição além de abrir vaga para que uma

nova vida pudesse vir contribuir com a UFRN, lhe traria a possibilidade de usar

sua vitalidade para descobrir novas coisas. Mesmo tendo se aposentado a apenas

dois meses, já tem a perspectiva de realizar vários hobbies como fotografia,

culinária, edição de imagem e vídeo, além da liberdade de poder viajar pelo

mundo.

Maria Soares

de Brito

Maria Soares de Brito, a famosa Dona Maria da Supervisão do Setor de Aulas

I, serviu com alegria à UFRN durante 37 anos de sua vida. Ela diz que sua

história na UFRN foi boa demais porque aprendeu muita coisa que não sabia

antes e expressa ter gostado muito de seu trabalho que, em suas palavras, “era

uma benção!”

Seu marido trabalhava aqui e, em determinado momento, foi solicitado a

trazer alguém para ocupar um cargo de limpeza. Foi assim que Dona Maria entrou

na UFRN como auxiliar de serviço gerais e, um ano depois, foi promovida

a “Assistente de alunos” quando lhe foi dada a responsabilidade pela sala da supervisão.

Esse momento, somado ao dia em que conseguiu isonomia de cargos,

são as melhores lembranças que ela leva.

Dona Maria lembra que quando chegou na UFRN, o Setor de Aulas I era bem

novinho e todos tinham o maior cuidado com a limpeza. O piso das salas, naquela

época já de granilite, eram areados com bombril toda semana. Os pisos

dos corredores, de uma cerâmica retangular vermelha, eram encerados todos os

sábados. Também lembra de ter acompanhado a mudança dos equipamentos ao

longo desses anos: giz, retroprojetor, data show de mesa, data show pendurado

no teto. Ela diz que hoje está tudo cada vez mais simples porque quase nada é

manual e não dá trabalho nenhum.

Dona Maria finaliza dizendo que o que aprendeu aqui leva para a vida, que

se sente honrada por ter conhecido tanta gente e ter sido respeitada por todos.

Sentiu-se muito feliz, mesmo depois de aposentada, por ter sido lembrada por

nós e ter sido convidada para participar de um café festivo das formandas em

Serviço Social. Ela diz que se aposentou porque já estava no limite de idade, mas

23


um pouco de muita vida

que não queria. Fala que, no começo, sentia muita falta do trabalho quando

dava a hora de sair de casa e que, alguma vezes, chegou a tomar banho e logo

depois lembrou que estava aposentada. Fala com tranquilidade que essa fase

passou sem a necessidade de ter acompanhamento psicológico e que hoje está

tudo tranquilo.

Nilton Bezerra

Pires

professor Nilton considera que seu maior legado foi cumprir eticamente seu

O papel como servidor público federal. Em sua opinião, assiduidade e seriedade

ao executar as tarefas são o mínimo que qualquer servidor deveria desenvolver

e foi isso que fez.

O CCSA foi o lugar onde fez amigos, irmãos e parceiros de vida. Foi sua melhor

casa, o lugar onde se sentiu bem e gozou de paz e tranquilidade, apesar

dos pontuais dissabores da vida, em especial no enfrentamento com raríssimos

alunos.

Seu processo de aposentadoria se deu de forma natural, pois atingiu, concomitantemente,

os requisitos de tempo de serviço e idade. Após aposentar-se,

chegou a ser convidado para continuar como professor voluntário, mas sentiu

que já havia cumprido seu papel ao longo dos 26 anos de docência no Departamento

de Direito Público do CCSA, além da UNP, Escola Técnica de Comércio

Alberto Maranhão e na Campanha Nacional de Escolas da Comunidade, sempre

atuando como professor.

A aposentadoria não o deixou em casa, lendo jornal, de pijama... Ao contrário,

lhe impôs a responsabilidade de continuar a vida normalmente,tendo

apenas deixado de ministrar aulas, atividade para a qual dedicava 80% do seu

tempo e energia. Nilton Bezerra continua no exercício da advocacia e continua

sendo bom apreciador da música popular brasileira.

24


um pouco de muita vida

Odair Lopes

Garcia

Entre 1977 e 2004, além de ministrar aulas em diversas disciplinas, Odair Lopes

Garcia foi coordenador de uma base de pesquisa da qual bolsistas tornaram-se

professores de UF´s ou foram concursados em ministérios em Brasília.

Com a colaboração dos colegas professores, elaborou e encaminhou o projeto do

Curso de Mestrado em Economia, do qual foi coordenador antes da aprovação

do Programa pela Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior.

Solicitou sua aposentadoria quando já havia transcorrido mais de três anos

de direito adquirido, motivado pelo excesso de burocracia, incertezas quanto

à manutenção dos direitos dos aposentados e alguns aborrecimentos momentâneos.

Entretanto, após aposentado, nada mudou. Continuou trabalhando por 3

ou 4 anos como professor voluntário porque faltavam professores no Departamento.

Um fato curioso é que, assim como ele, outros professores na mesma

situação, não gostavam do nome “professor voluntário” e propuseram alterar

o nome para “professor associado”. Como professor associado passou a ser um

novo degrau na carreira docente, voltaram a ser chamados de “voluntários”.

Quando, finalmente, Odair se afastou do Departamento percebeu que os conhecimentos

adquiridos nas atividades de pesquisa abriam espaços para que

pudesse trabalhar como assessor ou consultor em outras áreas da administração

pública do Estado.

Ele acredita que quem trabalha com o que gosta não quer se afastar nunca

de seu trabalho. Afinal, professores pesquisadores passam a maior parte de sua

vida investindo muito esforço na construção de seu próprio desenvolvimento.

Em sua opinião, a não consideração desse aspecto leva a uma visão equivocada

sobre o processo dedeixar de trabalhar” e acrescenta que deveríamos refletir

sobre aposentadoria de maneira diferente, para cada tipo de trabalho, propiciando

condições para aqueles que desejassem permanecer.

Odair considera que as pequenas conquistas do cotidiano formam um conjunto

memorável que o levam a acreditar que valeu a pena servir à UFRN e

guardar um sentimento de que foi muito divertido.

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um pouco de muita vida

Paulo Ney da

Silva Bulhões

Paulo Ney sonhava com a possibilidade de um dia ser professor, pois essa foi

uma atividade que sempre gostou de fazer. Graduou-se em Ciências Econômicas

em 1971 na UFRN e, logo em seguida, foi ser oficial da marinha, deixando

o sonho de lecionar engavetado por 6 anos. Um dia a oportunidade apareceu

com a criação da figura do professor colaborador na UFRN e, no dia primeiro de

fevereiro de 1978, começou sua história acadêmica que durou 35 anos.

Paulo Ney saiu para fazer mestrado na Universidade Federal de Santa Catarina

na época do reitor Domingos Gomes de Lima quando se vivenciava a febre

da pós graduação no Brasil. Voltando ao CCSA, em 1981, assumiu vários cargos

administrativos, sem jamais deixar a sala de aula, dentre eles: Coordenador de

Modernização Administrativa da Pró-Reitoria de Planejamento, Presidente do

Conselho de Curadores, Chefe de Departamento e Coordenador do Programa de

Pós-Graduação em Administração.

Como pesquisador, contribuiu com a base de pesquisa sobre trabalho informal

e apresentou vários trabalhos pela Associação Nacional de Pós-Graduação e

Pesquisa em Administração e pela Associação Nacional dos Cursos de Graduação

em Administração.

Paulo Ney vivenciou o processo de aposentadoria de uma forma muito natural

e tranquila, pois já tinha 35 anos de serviço na UFRN e 6 anos na Marinha

do Brasil. Sentia que já era o tempo e, dentre outros fatores, pela dificuldade de

leitura acarretada pela diabetes adquirida. Um dos métodos utilizados na sua

disciplina de “Organização e Processos” era o estudo dirigido que lhe demandava

muitas horas de leitura atenta, atividade que começava a demandar mais

energia do que dispunha.

Paulo diz que tinha muito prazer em dar aula, mesmo com turmas trabalhosas

como foram as dos últimos anos. A melhor lembrança que leva daqui é,

em suas palavras, “a sala de aula e o relacionamento com os colegas do departamento.”

A aposentadoria lhe trouxe mais tempo para se dedicar às atividades religiosas,

para viajar e para continuar atuando na área de ensino, só que agora na

escola dominical.

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um pouco de muita vida

Renata Passos F.

de Carvalho

Renata Carvalho serviu à UFRN por 37 anos, grande parte do tempo dedicados

ao atual Departamento de Ciências da Informação - DECIN. Além de

professora, foi chefe de Departamento e Coordenadora do Curso por duas vezes

em cada uma das funções. Também ocupou os cargos de Vice-chefe do Deparatamento

e Vice-coordenadora do Curso de Graduação. Foi Diretora do Núcleo

Temático da Seca (NUTSECA) e do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do

Norte por quatro anos, quando esteve afastada da UFRN.

Renata participou ativamente de todo o processo de criação da Graduação

em Biblioteconomia e da Especialização em Gestão Estratégica de Sistemas da

Informação que, posteriormente deu origem ao Mestrado Profissional em Ciência

da Informação.

A melhor lembrança que leva da sua história no CCSA foi a vitória de uma

equipe solidária de sete professoras para a criação do DEBIB e do Curso de Biblioteconomia,

além do esforço cotidiano que todas fizeram para consolidar essas

conquistas. Essas professoras foram: Rilda Chacon, Socorro Borba, Renata

Carvalho, Goretti Maux, Francisca de Souza, Teresinha Anibas, Rildeci Medeiros

e Antônia de Freitas.

Renata diz que foi muito feliz enquanto atuou como profissional da biblioteconomia

e professora. Que não queria ter se aposentado, por exemplo, 10 anos

antes, mas que agora entendeu que chegara sua hora e que já tivera contribuído

com o CCSA.

Com a aposentadoria, descobriu a liberdade de viver, de fazer tudo o que

se quer sem rotinas fechadas e relata estar muito satisfeita com a melhoria na

qualidade de vida.

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um pouco de muita vida

Ruth Elizabeth

Duarte Milfont

Ruth Milfont serviu por 34 anos ao Departamento de Ciências Administrativas

- DEPAD. Sua mais marcante contribuição foi, sem dúvida, a ordem em

todos os sentidos. Desde os mobiliários, até a mais minuciosa organização de

documentos, tudo era deixado sob sua responsabilidade e ela abraçava de bom

grado uma vez que esse é um traço de personalidade que ela cultiva em sua vida

como um todo.

Em sua opinião, sempre teve chefes muito bons e competentes e leva excelentes

lembranças dos laços de amizade construídos. Aqui ela encontrou pessoas

com quem podia conversar sobre qualquer assunto, trocar experiências de vida

e, até mesmo, confidências. Hoje sente-se muito feliz e saudosa por ter tido a

oportunidade de trabalhar num lugar onde as pessoas só lhe passaram coisas

boas, alegrias e aprendizados.

A decisão sobre aposenta-se veio com a reflexão de que a permanência no

cargo não traria mais progressão alguma em sua carreira e, também, era preciso

aproveitar mais a vida social, pessoal e familiar com vitalidade. Ela pressentia

uma grande mudança em sua vida, mas isso não a deixou tão impressionada,

mesmo diante das incertezas. No fim, o que pesou mais foi um sentimento de

libertação que modificou sua vida para melhor, diminuindo responsabilidades,

preocupações, possibilitando mais viagens e aumentado sua presença no lar e

na família, além de ter lhe dado o poder de desfrutar de seu tempo como bem

quer.

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um pouco de muita vida

Teresinha

Saldanha

Teresinha Saldanha foi professora do Departamento de Ciências Contábeis

por 34 anos. Em paralelo à docência na UFRN exerceu o cargo de auditora do

Ministério da Fazenda. Sua maior contribuição para a UFRN foi colaborar, como

gestora, na construção e implementação do Sistema Integrado de Patrimônio,

Administração e Contratos (SIPAC), importante ferramenta de modernização do

Departamento de Materiais e Patrimônio (DMP), local onde esteve lotada por 13

anos.

Do CCSA leva boas lembranças desde o tempo de estudante e encerrou seu

ciclo trabalhista com as sensação de dever cumprido, totalmente de bem com

a vida. Continua buscando conhecimentos e fazendo novas descobertas a cada

dia, inclusive de um novo estilo de vida com um convívio maior com a família

e de construção de novas amizades.

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um pouco de muita vida

Menções

Honrosas

Gostaríamos de deixar registrado o nome de outros servidores, igualmente

contemplados pela nossa homenagem, mas que por motivos diversos, suas

entrevistas tornaram-se inviáveis durante os meses de preparação do evento

Um Pouco de Muita Vida”.

Aluíso Fontes de Queiroz, técnico-administrativo - Administração do CCSA

Ariovaldo Miranda, técnico-administrativo - DESSO

Cássio de Freitas Barreto, professor - DETUR

Cícero Alves Nascimento, reprografista - Administração do CCSA

Damiana Andrade da Silva, técnico-administrativa - DETUR

Francisco de Assis Alves, técnico-administrativo - DCC

Giusep da Costa, professor - DPR

Guaraci Soares de Maria, professor - DCC

Hérbat Spancer Batista Meira - DPR

Ivan Bastos Xavier, técnico-administrativo - Administração do CCSA

José Dantas de Lira, professor - DPR

José Vital Peres, jardineiro - Administração do CCSA

Juliano Homem Siqueira, professor - DPU

Maria da Salete Guimarães Menezes, professora - DPR

Mário Sérgio dos Santos, professor - DEPAD

Marise Edila Pinheiro, bibliotecária - Adminsitração do CCSA

Pedro Alberto Brito Lopes, técnico-administrativo - Administração do CCSA

Severina Garcia de Araújo, professora - DESSO

Vera Lúcia de Araújo Medeiros, técnico-administrativa - DPU

Wilza Alves Lessa, assistente social - DESSO

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UM POUCO DE MUITA VIDA

Profeores e

Técnico-administrativos

homenageados de 2019

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UM POUCO DE MUITA VIDA

Aneide Oliveira

de Araújo

Aneide Oliveira de Araújo foi professora, pesquisadora e extensionista do Departamento

de Ciências Contábeis por 25 anos. Ela revela que, ao longo desse

tempo de dedicação, recebeu mais que doou de si. O cotidiano laboral e o contato

com toda a comunidade acadêmica lhe transformou em alguém mais flexível,

contente e realizada.

Essa satisfação, em grande parte, nasce da percepção de ter formado várias

gerações de profissionais. Um exemplo pontual disso é que o atual chefe do departamento,

um doutor bem qualificado, foi seu aluno de graduação. Ela se percebe

parte desse processo de semeadura de boas sementes em terrenos férteis e

acrescenta que a maior parte dos alunos puderam amadurecer não só no conhecimento

cotidiano da sala de aula, mas também se tornaram bons pesquisadores,

extensionistas e professores; o que a deixa muito feliz por perceber que parte

disso começou em seus projetos de extensão, monitoria e iniciação científica.

Embora reconheça sua considerável produtividade ligada aos orgãos de avaliação

CAPES/CNPQ, Aneide valoriza ainda mais a avaliação que se mede pela

transformação na vida das pessoas. Se alegra ao perceber que o jovem que outrora

usava roupas despojadas e cabelos longos, é hoje um homem bem formado,

profissional capaz, pai de família e que ela pôde acompanhar boa parte desse

processo de transformação pela educação pública e gratuita. Esse é um exemplo

de legado acadêmico que qualquer professor dedicado pode deixar.

Aneide entrou na UFRN em 1994, diz que naquela época a paisagem era muito

árida, quase não tinha verde, era um areial, um poeirão, as salas eram quentes,

os ventiladores barulhentos; hoje o cenário geral é muito mais limpo, bonito

e confortável. Ela viveu essa fase questionando algumas coisas e destaca que

a construção coletiva também vem daí: perceber e reivindicar melhorias pra o

nosso ambiente de trabalho. De modo que nunca ficou calada quando achou que

poderia ser melhor, o que lhe faz olhar pra trás e se dar conta de que algumas

coisas mudaram ao longo de sua passagem por aqui.

Ela brinca dizendo que foi dormir economista e acordou professora. Uma decisão

que nasceu da simples oportunidade de trabalho e de fazer a diferença.

No começo não foi fácil, mas aos poucos foi conseguindo se realizar com as conquistas

cotidianas do simples processo de ensino aprendizagem: quando um aluno

aparece e diz que “conseguiu me identificar numa prova de concurso” ou “o

concurso foi a sua cara”, ou ainda quando encontra alunos na rua com filhinho e

escuta “olha, filho, essa foi minha professora!”. Querer apresentar ao filho uma

pessoa que ele encontrava quatro horas por semana numa sala de aula, isso é

muito legal e faz parte da alegria genuína do processo global de viver a academia.

Em suas palavras

“Eu me sinto muito contente quando chego aqui, quando vejo programa de

atenção às pessoas, quando sinto a receptividade. Existem muitas coisas boas pra

lembrar. Tive oportunidades de lazer, de educação física, tudo aqui dentro da

32


UM POUCO DE MUITA VIDA

universidade que acho um espaço bem completo. Lembro das festinhas e comemorações

das datas festivas. Encontrar as pessoas. São momentos muito interessantes

e gratificantes.”

Aneide se aposenta por tempo de serviço, mas também por perceber que, com

o tempo, começou a se distanciar não só do papel já que a vista começa a ficar

mais fraca, mas também de uma geração de alunos. Ela se sentiu distante da comunidade

de jovens, apesar de ter se reinventado algumas vezes como professora.

Mas sentiu que entrar numa sala de graduação obedecendo a todas as normas

institucionais e ter aluno entrando 30 minutos depois da aula, ter aluno saindo 30

minutos antes a fez se questionar demais: O que está acontecendo? Como posso

entender essa geração? Não encontrou respostas. Viu alunos que estavam reprovados

por falta questionando sua lisura.

Procurar ser um professor flexível, entender a necessidade do aluno, isso é

subjetivo. Então Aneide, que já havia se reinventado tantas vezes, se questionava

até que ponto estaria sendo eficaz nesse conjunto. Refletiu e achou melhor liberar

a vaga pra jovens professores que desejam entrar na universidade, permitindo

assim a renovação do quadro de professores.

Ela fez uma reflexão do que não estava fazendo por si, pelo seu bem-estar, pela

sua família, e chegou à conclusão de que precisava ir reajustando prioridades,

mesmo enquanto estava na ativa. Até que chegou um momento em que ficou

muito cansada e percebeu um conflito: encontrou o que fazer por si, mas tinha

inúmeras obrigações. Então teve que fazer a escolha, e esse fator também contou

para acolher a aposentadoria. Hoje pode fazer muitas coisas: atividades lúdicas,

físicas, viajar, ter flexibilidade pra marcar um médico, a rotina já não é tão estressante.

Tem mais tempo pra viver, de modo que aposentadoria lhe representa

ter de volta a sua vida pessoal.

Aneide continua como professora colaboradora voluntária do Programa de

Pós Graduação em Ciências Contábeis se interessando cada vez mais pela áreas

de avaliação de aprendizagem.

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UM POUCO DE MUITA VIDA

Antônia

de Freitas Neta

A

professora Antônia de Freitas Neta entrou na UFRN em 1979 como bibliotecária

da Biblioteca Central Zila Mamedi, em 1996, juntamente com um grupo

de cinco bibliotecárias, percebendo que havia uma carência muito grande de bibliotecários

a nível estadual, fundaram o Departamento de biblioteconomia e um

ano depois o curso de graduação.

Logo, ela considera que ter participado da criação do curso de biblioteconomia

da UFRN e sido a primeira coordenadora foi um marco importante tanto na

sua carreira individual quanto para a comunidade acadêmica do CCSA.

Outra contribuição na qual vem trabalhando há um tempo é a coordenação

periódica da semana de biblioteconomia que enfoca a lei 12.244/2010 que trata

da obrigatoriedade do bibliotecário em bibliotecas escolares. Em 2019 participará

da quinta edição desse evento que é muito importante porque tem relação

com o mercado de trabalho para nossos egressos. Antônia e colegas vem lutando

pra que essa lei seja implantada no RN. Também é membro do conselho do Plano

Municipal do Livro, da Leitura, da Literatura e das Bibliotecas no Município de

Natal (PMLLLB).

Também existem aquelas contribuições que passam “invisíveis” no currículo

mas que fazem grande diferença na vida de alguns e marcam a trajetória de

alguém que escolheu ser educador. Nesse sentido Antônia lembra de ter pego alguns

alunos prestes a serem jubilados e os colocado, como uma tutora particular,

pra estudar todos os dias num processo, algumas vezes, doloroso de disciplina e,

finalmente, seus TCC´s saíram e hoje são excelentes profissionais inseridos no

mercado.

Ame suas palavras “Só tive alegrias aqui no Centro, mas se tiver que escolher

uma das tantas boas lembranças, escolho essa da criação do Curso de Biblioteconomia.

Tenho muito orgulho da profissão que escolhi e do curso que ajudei a

fundar.”

Antônia se encontra num cotidiano trabalho de conscientização para enxergar

a aposentadoria como um prêmio que está recebendo, mas confessa que é muito

difícil porque estar no CCSA é muito bom. Sente que cada dia que passa fica mais

difícil se desprender. Algumas turmas ficam pedindo pra ela estar como madrinha

na formatura. Mas esse ano decidiu, como parte desse processo, não aceitar

orientação nenhuma para não ter a desculpa que não se aposentar por causa de

algum aluno.

Sobre o que pensa em fazer após a aposentadoria, a primeira coisa é viajar.

Também em organizar uma biblioteca para as crianças que estão internadas no

Hospital Infantil Varela Santiago ou na casa de apoio. Pensa em fazer algum trabalho

voluntário ligado à sua profissão. Mas sem a responsabilidade de ficar permanente

em alguma instituição.

34


Carlos Alberto

Meireles

UM POUCO DE MUITA VIDA

C

arlos Alberto Meireles iniciou sua vida funcional no Campus universitário de

Santa Cruz, concomitante com sua implantação. Fui o primeiro secretário e

exerceu essa função por mais de dez anos contribuindo na implantação de algumas

secretarias e coordenações de curso. Nos últimos dois anos ficou na administração

da biblioteca até que sua esposa passou num concurso pra Natal e ele

veio acompanhá-la.

Então Carlos chegou ao CCSA em 1993, na gestão da professora Célia Araújo e

contribuiu na secretaria do Centro por um ano e, logo depois, como administrador

do prédio por mais quatro anos. Entre 1999 e 2010 trabalhou no juizado de

pequenas causas do Campus e a partir de 2010 foi lotado no Núcleo Temático as

Seca (NUTSECA) onde ele diz ter sido o melhor espaço que pôde estar ao longo

dos seus 37 anos de carreira. Sua satisfação se deve, dentro outros motivos, ao

fato de ter lhe sido dada a oportunidade avançar na formação acadêmica e se

capacitar ainda mais para suas funções. Fez o curso de gestão pública e mais uma

especialização (em que?)

Carlos sente muita gratidão por ter vivido no ambiente universitário, onde

pode aprender, contribuir e ter a base estrutural para constituir uma família.

Após 37 anos de contribuição já tinha tempo pra se aposentar, mas se sentia

em débito porque os colegas que lhe ajudaram na especialização, então achava

justo ficar mais tempo dando suporte pra que eles pudessem também se capacitar.

Entretanto o receio a respeito reforma da previdência proposta por Temer, o

fez dar entrada no pedido de aposentadoria.

Carlos penou que a aposentadoria fosse lhe trazer monotonia na rotina. Mas

resolveu dividir as responsabilidades domésticas com a esposa, assumindo a

cozinha, e percebeu que todo dia tem muito trabalho a fazer. Além disso, está

conseguindo ler e pesquisar mais, além de curtir a casa e toda a flexibilidade de

horário que a aposentadoria tem lhe trazido.

35


UM POUCO DE MUITA VIDA

Carlos Humberto

Porto

C

arlos Humberto Porto dedicou-se ao nosso Centro por 38 anos. Começou a carreira

no início da década de 80 como professor do departamento de ciências

administrativas. Numa das vezes em que foi Coordenador do Curso de Administração

ele lembra que o curso de turismo ainda era ligado ao DEPAD. Na sua

visão, isso prejudicava o desenvolvimento do curso porque as prioridades acabavam

sendo direcionadas para o curso de Administração. Percebendo isso, com a

ajuda do professor Cássio Barreto, reuniram dez professores e resolveram criar

outro Departamento, dotando a graduação em Turismo de independência. Tudo

fluiu bem, os anos se passaram e uma das importantes conquistas dessa equipe

foi a criação do primeiro doutorado em turismo numa universidade federal.

Algumas contribuições foram muito positivas para os estudantes, como por

exemplo: criação de um laboratório de informática para os discentes do curso e

convênio com a secretaria de turismo na vigência do Flávio Bezerril, época em

que a a secretaria de turismo recebeu muitos estudantes nossos como estagiários.

Carlos Porto também participou como representante da UFRN, junto à secretaria

de turismo, na equipe de viabilização do projeto para a implantação da

primeira marina da cidade do Natal. Seria um marco importante para o turismo

náutico na cidade. A equipe trouxe pra UFRN uma palestra de um dos maiores

consultores de projetos de marinas do Brasil: José Raimundo Zacarias. A expertise

de grupos de pesquisa nacionais e de investidores internacionais estava envolvida

na elaboração desse projeto que não chegou a se concretizar.

De tudo que viveu, a melhor lembrança que leva daqui é o convívio com os

alunos porque, seja enquanto Coordenador ou simplesmente professor, Carlos

Porto se vê como muito participativo na vida dos alunos a ponto de tê-los como

amigos na maioria das vezes. Outra boa lembrança que levará foi a oportunidade

de sua saída para o Doutorado em Economia Aplicada na Universidade de Burgos

- Espanha, onde fui muito bem recebido. Para ele, além de uma grande experiência

de vida que lhe ensinou sobre o valor do professor e sua importante contribuição

à sociedade, o doutorado também foi uma lugar pra cultivar amigos.

A experiência internacional o fez perceber que o professor aposentado no

Brasil não é tão valorizado. Ele cai no esquecimento e, alguns, se deprimem. Apesar

de já sabermos que a educação é a chave para o desenvolvimento, aqui no

Brasil o professor, esteja aposentado ou não, não é tão importante quanto é em

outras culturas. A universidade precisa abrir mais as portas e fazer o professor

ser reconhecido pela comunidade externa com projetos que agreguem valor à

sociedade.

Carlos percebe que após 38 anos de contribuição, a missão foi cumprida. Chega

uma hora que a gente sente que o ciclo terminou e que precisamos ir em busca

de outras coisas. Neste momento, segue sentindo os primeiros anos de relaxamento

sendo um “administrador” da sua própria casa. Procura sempre estar dia-

36


UM POUCO DE MUITA VIDA

logando com colegas da área, compartilhando o que há de bom e torcendo para

que o RN saia dessa fase estagnada. Segundo ele, nossos estados vizinhos estão

com grandes projetos na área de turismo e nós estamos quase parados.

Damiana André da

Silva

D

amiana André da Silva começou a vida profissional em 1969, na antiga Faculdade

de Ciências Econômicas, Contábeis e Atuariais de Natal, que em 1971,

foi incorporada à UFRN. Dois anos depois, começou a trabalhar no Departamento

de Administração Escolar - DAE. Naquela época, todo o controle acadêmico era

feito manualmente, os históricos escolares eram grandes fichas datilografadas e

arquivadas em fichários. Em 1981, foi removida para o Departamento de Educação,

onde permaneceu como secretária, até julho de 2009. Nesse período, ela

teve oportunidade de vivenciar muitas mudanças nos processos de trabalho, por

exemplo, a passagem da simples máquina de datilografia para a elétrica, depois

eletrônica e, finalmente, o computador. Essa evolução também se deu no sistema

de controle e registro acadêmico. Primeiramente surgiu o SAU-5, que era apenas

um banco de dados iniciais tratados, em última instância, pelo Núcleo de Processamento

de Dados- NPD; em seguida foi desenvolvido o PONTOA, mais avançado,

pois a matrícula dos alunos era processada na própria coordenação do curso e

os departamentos cadastravam a programação acadêmica, entretanto os alunos

não tinham acesso e, por isso, era afixada em murais informativos. Finalmente

surgiu a plataforma SIGAA, na qual o aluno tem acesso à toda sua vida acadêmica,

onde ele estiver, e pode interagir com professores, coordenadores de curso,

secretarias e colegas de classe.

Entre um período de usufruto de licença prêmio e o de fundação do Centro

de Educação, algumas mudanças ocorreram e Damiana preferiu permanecer no

CCSA. Na oportunidade foi bem acolhida pelo professor Cássio de Freitas Barreto,

então chefe do departamento de Turismo, que logo a designou para secretariar

o Departamento. Habituada a grandes demandas, o DETUR, para ela, foi simples

porque tinha apenas dez professores em seu quadro e oferecia disciplinas

somente para um curso de Graduação. Nos quatro anos que passou no DETUR,

acompanhou o aumento do número de professores, a criação do Laboratório do

curso e a implantação do Doutorado em Turismo.

Em toda essa trajetória, Damiana assumiu várias atividades, além das funções

de secretária. Em virtude do seu perfeccionismo, sentia dificuldade de delegar,

o que lhe gerou um pouco de centralização, confessa. Depois de 46 anos de trabalho,

e seis anos se preparando para o momento, ela sentiu ter chegado a hora

de se aposentar e assim fez. No início sentiu falta de todo ritual que envolve uma

37


UM POUCO DE MUITA VIDA

rotina de trabalho, mas logo se adaptou à vida mais tranquila, com mais tempo

para se dedicar a atividades físicas, viagens, leitura e a uma alimentação mais

equilibrada. Hoje, ela vê a própria aposentadoria como um presente que recebeu

depois de tanto tempo dedicado a uma instituição que a fez crescer como pessoa,

e como profissional e a melhor lembrança que leva daqui é o convívio com os colegas

de trabalho, professores e alunos, esse contato cotidiano que a fez aprender

tanto.

Dinah dos Santos

Tinoco

A

professora Dinah dos Santos Tinôco, contribuiu para o Departamento de Ciências

Admistrativas do CCSA por mais de três décadas. Sua história por aqui

começou em meados da década de 80 quando ganhou uma bolsa recém-doutor

para atuar como professora e pesquisadora do Programa de Pós Graduação em

Administração. Naquela época o programa precisava se estruturar a partir da

contribuição de doutores e sua participação foi fundamental.

Em 1990 houve um concurso para a disciplina de Planejamento Governamental.

Dinah trabalhava nessa área há, pelo menos, 12 anos como técnica do Instituto

de Desenvolvimento e Meio Ambiente do estado. Foi aprovada e, desde então,

atuou nessa área de políticas públicas e planejamento estadual.

Outra contribuição importante foi sua atuação na comissão que elaborou o

regimento da reitoria. Foi um ano de trabalho, com reuniões semanais, presidida

pela professora Ângela Paiva, onde Dinah pôde contribuir com pesquisas bibliográficas

e documentais sobre modelos de estruturação de reitorias de outras

universidades no país.

Também teve a oportunidade de atuar como professora visitante na University

of New England, Biddefort, Maine-USA e de contribuir com o crescimento da

nossa graduação e pós com pesquisas, extensão e orientação nas áreas de Política

Pública de Educação Superior e Gestão Pública, Políticas de inovação, Parcerias

Público Privada e Gestão Social.

Em suas palavras, as melhores lembranças que leva daqui vem do convívio

com colegas e alunos e da própria experiência de pesquisa e ensino, porque

aprendeu muito ensinado.

Dinah decidiu se aposentar porque passou por uma grave enfermidade que a

fez tirar algumas licenças. Como gosta muito do trabalho acadêmico e encontrou

dificuldades para lidar com as exigências profissionais face às questões de saúde,

percebeu que o momento tinha chegado. O que não considero um problema porque,

para ela, aposentadoria representa a continuação de uma realização pessoal

visto que quem gosta de estudar e pesquisar nunca se sentirá solto na vida. Há

38


UM POUCO DE MUITA VIDA

sempre interesses que possibilitam a continuidade da realização pessoal.

Em suas palavras “aposentadoria também significa ter liberdade e tempo para

me dedicar às coisas que gosto de fazer. O que eu sentia mais dificuldade aqui

é que chegou um momento onde a intensidade do trabalho era tão grande que

eu não conseguia ter uma vida própria, ou dita “normal”. Não tinha tempo para

fazer uma atividade física, nem mesmo cuidar da saúde. A gente prioriza a vida

acadêmica, mas a saúde sente muito, porque, com o passar do tempo, o trabalho

se intensifica tanto (graduação, especialização, mestrado profissional, mestrado e

doutorado stricto senso com aulas e orientação nos três níveis – fazer pesquisas,

participar de comissões, de bancas, preparar aula e escrever artigos para revistas

internacionais, de preferência em inglês) que você não tem tempo para mais

nada. Como dar conta de tudo isso? Eu tive muita dificuldade, confesso. Por isso

a aposentadoria me abriu possibilidades: estudar línguas estrangeiras, ler a literatura

universal que é super importante para nossa formação pessoal e profissional.

Finalmente, a aposentadoria me trouxe uma liberdade de escolha maior”.

Edimilson

Monteiro Batista

A

carreira do professor Edimilson foi dedicada ao ensino de graduação e guiada

pela paixão nutrida por esse processo renovador de entrar em contato

com ideias e sonhos dos jovens estudantes ano após ano. Começou em 1984, em

Fortaleza, logo depois de graduar-se. Nessa época enfrentava, com estímulo, a

maratona dos quadros de giz enchendo-os de casos práticos da contabilidade, o

que muito agradava os alunos. Na década de 90 passou em um concurso para o

Tribunal de Contas da União e isso o fez residir entre Maceió e Curitiba pelos próximos

16 anos. Independentemente de onde estivesse, após a jornada de trabalho

no TCU, procurava uma universidade para ensinar porque, em suas palavras, a

sala de aula lhe curou de muitas doenças, bastava estar lá para sair melhor e

dispensar todos os outros medicamentos da vida.

Ele chegou ao CCSA no ano de 2006 como um professor especialista na área de

contabilidade pública e aqui contribuiu com esses conhecimentos específicos por

onze anos. Ao longo dos anos de jornada tripla de trabalho, Edimilson confessa

que nunca olhou com atenção para as possibilidades de capacitação que existiam

na carreira docente, tanto que ele passou a maior parte da vida funcional sem

progressão salarial, até que um dia, um colega de trabalho o alertou para isso.

Num outro momento, movido pelo desejo de estimular seu filho, que também é

contador, sentiu-se estimulado a fazer seleção pra mestrado; ambos foram aprovados,

vindo dali a sua titulação de mestre.

Essas novas descobertas só agregaram mais ao alegre cotidiano de ensino

39


UM POUCO DE MUITA VIDA

aprendizagem. Edimilson tinha planos longos e duradouros para uma carreira

na UFRN após sua aposentadoria no TCU, entretanto foi surpreendido por uma

questão de saúde ocular e, diante disso, não teve dúvidas: atendeu ao chamado

da saúde e se aposentou.

Portanto a vida agora lhe coloca um novo impulso para preenchimento do cotidiano.

Em suas metas de curto prazo está o cuidado com a família, filhos, netos

e pais a quem deseja retribuir o cuidado recebido ao longo dos anos.

Nas suas reflexões sobre a sua vida profissional, Edimilson ressalta que a docência

traz retribuições incomparáveis com as obtidas nas demais atividades de

trabalho, seja pelo largo reconhecimento pessoal dos discentes que o encontram

nos diversos espaços da cidade e que mencionam a importância dos valores e

conteúdos aprendidos na convivência acadêmica, seja no prenome de “professor”

que é automaticamente agregado ao nome de quem exerce o majestoso encargo

do ensino.

A respeito das lembranças que levará daqui, Edmilson relata que existe um

sentimento muito renovador na vida de quem trabalha com a atividade de ensino

porque a cada período a pessoa se depara com novos sonhos e ideais. Parece

que o ano vivido não passou e que cada ano é novo e, ao mesmo tempo, traz

uma noção de presente inesgotável. Então de sua vida como docente levará a

lembrança da capacidade de não envelhecer e de ter sempre o novo à sua frente.

Francisca Nicolau

dos Santos

F

rancisca Nicolau dos Santos iniciou sua vida profissional na UFRN em 1983

no Campus Santa Cruz como auxiliar de enfermagem, também passou pelo

Campus Caicó onde, pelo processo de isonomia de cargos, passou a ser auxiliar

administrativa. Nessa época ele teve, oficialmente, seu primeiro reconhecimento

profissional pelos serviços prestados. Em 1998 chega a UFRN, depois de 10 anos

de amadurecimento profissional e pessoal no Centro de Tecnologia e na Biblioteca

Zila Mamedi, chega ao Departamento do Direito Público do CCSA em 2008.

Feito destacável foi a organização de um arquivo cuja papelada datava de quase

30 anos sem a devida ordem. Foram quatro meses de dedicação e o trabalho final

foi reconhecido pela chefia imediata através de um boletim de serviço. Em 2010

conseguiu fazer com que a movimentação de processos por meio eletrônico fosse

adotada no departamento que ainda estava, costumeiramente, usando o meio

manual.

Francisca se lembra de vários momentos na sua história profissional em que

encontrou dificuldades e resistência por causa de sua personalidade forte e desejosa

por mudanças e realizações. Mas, ao mesmo tempo, foi isso que a fez con-

40


UM POUCO DE MUITA VIDA

cluir sua vida profissional por aqui com uma sensação de dever cumprido. Inclusive

ela destaca o esforço feito para ser uma boa auxiliar administrativa porque

embora o trabalho na área da saúde, onde Francisca começou sua carreira, seja

visto como estressante por muitas pessoas, para ela era muito gratificante.

A melhor lembrança que Francisca leva do CCSA foi a compreensão e o reconhecimento

do professor Orlando que foi chefe de Departamento por algum

tempo. Em suas palavras, ele é uma pessoa extremamente humana e que sabe dá

o devido valor a cada servidor.

Francisca aposentou-se para usufruir, com saúde, do tanto que contribuiu

com sua vida para a UFRN. Chegou a hora em que percebeu que a paz e o sossego

são mais importantes que abono de permanência ou oportunidades de trabalhos

extras. Essa consciência foi construída aos poucos e lentamente. Ela fala que foi

se preparando inclusive emocionalmente para a falta de reconhecimento e o esquecimento

das pessoas que ficaram no setor. No mais, já é hora de abraçar a

tão sonhada aposentadoria, aquele momento de estabilidade, de segurança, de

garantia de uma vida mais tranquila na velhice.

Daqui pra frente Francisca espera ter uma vida mais tranquila, ajudar mais as

pessoas, se dedicar ao trabalho social. Mas, antes de tudo, organizar sua casa e

baixar um pouco o ritmo dos compromissos.

Francisco

Bernardo da Silva

F

rancisco Bernardo da Silva, o famoso Chicão, chegou à UFRN em 1979 e, inicialmente

foi lotado na Superintendência de Infraestrutura, onde trabalhou

por 24 anos no canteiro de obras tendo passado pelas funções de servente e pedreiro.

Em 2003 foi removido para a antiga Diretoria de Recursos Humanos porque

adquiriu hérnia de disco vertebral e ficou impossibilitado de continuar no

antigo trabalho. Então Chicão foi muito bem acolhido por todos e fez ótimas relações

enquanto executava sua função de porteiro ao longo de oito anos. Mas um

dia apareceu uma vaga de trabalho na Supervisão do Setor 1 do CCSA e Chicão

ficou atento a ela e fez de tudo para ser removido para cá até que conseguiu e

aqui concluiu uma história de 38 anos de serviços prestados à UFRN.

A melhor lembrança que Chicão leva da UFRN, primeiro foram os excelentes

ambientes de trabalho por onde passou, em especial a DDRH e o CCSA. Em sua

opinião, quando você procura ser um bom servidor, todo lugar que você chegar

se sentirá bem. E assim foi. Ele tem orgulho de ter cumprido seus horários com

dignidade e o rigor que lhe foi ensinado pelos pais e familiares, do primeiro ao

último dia de trabalho, e de ter passado esse senso de responsabilidade aos seus

filhos que já estão todos formados aqui pela UFRN e trabalhando em suas respec-

41


UM POUCO DE MUITA VIDA

tivas áreas de conhecimento.

Depois, ele lembra com gratidão que quando chegou aqui, em 1979, só sabia

assinar seu nome ,mas um projeto chamado educação integrada que acontecia

aqui, todos os dias às 17h, mudou essa realidade porque lhe trouxe a oportunidade

de fazer o primeiro grau, depois o segundo grau, aqui mesmo na UFRN através

dos cursos de capacitação do DDRH e, por fim, em 2015 o Curso Superior de Educação

a Distância em Gestão Pública. A UFRN trouxe esse tipo de oportunidade

a muita gente e ele lembra com alegria a noite da formatura dos 438 concluintes

desse curso.

Chicão aposenta-se porque, desde o dia em que começou a trabalhar, sabia

que um dia esse tempo chegaria ao fim e que ele não teria intenção de prolongar.

Portanto ele chegou e, nesse momento, ele encara isso com muita naturalidade

e está, até certo ponto, ansioso para que o dia da aposentadoria chegue embora

não tenha a mínima ideia do que virá depois. Para o futuro ele só tem vontades,

uma delas é de voltar para o seu interior, Lagoa do Mato, perto de Macaíba, onde

vive seu pai, e criar alguns animais como um modo de manter-se produtivo e

aproveitar melhor o tempo extra que terá.

Francisco Neves

Oliveira

F

rancisco Neves Oliveira entrou no ensino superior como aluno em 1968. Três

anos depois a faculdade tounou-se parte integrante do que hoje chamamos

de UFRN. Sua turma foi a primeira a ser diplomada na recém inaugurada praça

cívica do Campus, numa construção em meio ao barro e cercas que delimitavam

as propriedades ainda privadas.

Logo empregou-se no sistema TELEBRAS. Em 1985 participou de uma seleção

com outros dezesseis contadores da cidade para ocupar o quadro do Departamento

de Ciências Contábeis da UFRN. Teve a alegria de ser aprovado em primeiro

lugar. Quatortze anos depois aposenta-se do sistema TELEBRAS e na busca

de ocupar a vacância de tempo, entrou de cabeça nos meandros da carreira acadêmica

e começou a abrir novos caminhos no exercício da dedicação exclusiva.

Entre 1987-1989 estudou na Fundação Getúlio Vargas/RJ e tornou-se o primeiro

professor do Rio Grande do Norte com mestrado da área de Ciências Contábeis.

Também foi o primeiro a participar do Congresso Internacional de Professores

Universitários de Custos expondo trabalhos.

O exercício da representatividade de classe profissional foi uma tônica na carreira

do professor Neves. Foi membro fundador e presidente da Academia Norteriograndense

de Ciências Contábeis, membro fundador e presidente do Instituto

dos Auditores Internos do Brasil, membro do Conselho Regional de Contabilidade

42


UM POUCO DE MUITA VIDA

por 10 anos e escolhido pelos colegas do Departamento para representar-lhes

durante as comemorações dos 50 anos da UFRN.

Dos cinquenta e três anos de serviço, trinta e três foram ensinando na UFRN e,

embora pelo critério de idade, pudesse permanecer mais um pouco, Neves escolheu

encerrar esse ciclo também por uma questão motivacional pois, intimamente,

percebia certo desinteresse e pouca vontade de aprender nos alunos.

Nos primeiros dias sentiu falta da rotina de trabalho que levou com rigor e

satisfação por tantos anos, mas agora começa a vivenciar o que é “estar aposentado”.

Pensa em dedicar-se algum projeto na área de música porque, nesse

momento, prefere alimentar um hobbie e continuar com as atividades físicas pra

poder manter o corpo em bom estado.

Quando pensa na UFRN enxerga mais de trinta anos de lembranças. Boas memórias

dos quase dois mil alunos que passaram por ele e a alegria de ver muitos

deles com o sucesso profissional.

“A maioria dos professores do DCC foram meus alunos. Encontro ex-alunos na

Secretaria de Tributação, na Receita Federal, no Banco do Brasil, no Ministério do

Trabalho, no Banco Central do Brasil. Aqui mesmo na UFRN, os auditores, pró-reitores,

diretores. Isso é muito gratificante.”

E como não existem só o lado bom da vida, “também lembro dos alunos que só

querem criar problema, falar mal, caluniar. Esse tipo de comportamento magoou

muito. Hoje em dia, alunos prestes a concluir o curso, ficam colando pelo celular.

Estou formando uma pessoa pra ser um bom profissional, para galgar melhores

lugares na vida, e alguns deles escolhem uma postura leviana... São as lembranças

amargas que tentamos esquecer. Mas as boas lembranças são a maioria e

alimentam mais.

Francisco Olinto

da Silva

F

rancisco Olinto da Silva ingressou na UFRN em 1975 como assistente em administração;

em 1980, como já era também aluno da graduação de ciências

contábeis, foi convidado a trabalhar no Departamento de Contabilidade e Finanças

DCF onde teve a oportunidade de praticar os conhecimentos de sua formação

acadêmica. Concluída a graduação, pouco tempo depois a universidade viveu um

processo de enquadramento funcional onde pessoas com conhecimento formal

e habilidade comprovada poderia mudar de cargo, na oportunidade Olinto passou

a ser Contador. Ele chegou ao CCSA em meados da década de 80, por opção,

porque como o regime de trabalho na Coordenação de Administração era matutino

e noturno ele poderia aproveitar a tarde para estagiar voluntariamente em

alguma empresa e praticar a contabilidade privada. Ideia que acabou por não se

43


UM POUCO DE MUITA VIDA

concretizar. Nesse ínterim, Célia Ribeiro, que era ligada ao Departamento de Administração

e chefe de Olinto, passou a ser Diretora de Centro e o convidou para

trabalhar no Almoxarifado onde passou alguns anos, conheceu, convidou e treinou

Erivaldo para a função que ocupa até hoje, e em seguida foi transferido para

o Setor de Execução Orçamentária. O SEO lhe trouxe novas oportunidades como,

por exemplo, trabalhar temporariamente na Comissão Permanente de Licitação

e nos processos de auditoria interna da UFRN.

Para Olinto, trabalhar no SEO foi uma satisfação, ele fala inclusive que não

pensou em se aposentar ao longo dos dez anos de direito adquirido porque gostava

muito de executar suas tarefas e o fato de ter sido chefiado tantos anos por

Arlete lhe estimulou ainda mais. Em suas palavras, Arlete é uma chefe que cobra

muito, mas, na mesma medida, está atenta a tudo, confia no servidor, apoia suas

iniciativas e tem um senso de responsabilidade admirável. Isso o fez executar

suas tarefas ainda melhor. Essa é a lembrança que vai levar daqui: um ambiente

e anos de trabalho que, quase em sua totalidade, foram muito prazerosos.

Aos 68 anos de idade, depois de 45 anos de serviços prestados ao Brasil, sendo

42 deles aqui na UFRN, Olinto sente-se preparado para despedi-se porque a ideia

está muito amadurecida agora. Ele percebe que a finitude da vida se aproxima e

que é preciso aproveitar a saúde existente pra realizar outros projetos fora dos

muros da UFRN. Com certeza não vai ficar parado porque trabalhar faz parte de

sua vida. Começou aos 10 anos de idade numa sapataria em frente à sua casa e

nunca mais parou, nem pretende parar. Nesse momento já faz planos de reformar

uma casa e construir em suas propriedades. Talvez o que mude um pouco

seja o acréscimo de um pouco mais de tempo para cuidar de sua saúde.

Gilberto Pereira

de Melo

G

ilberto entrou na UFRN em 1982 e chegou ao CCSA 30 anos depois, passando

pouco mais de cinco anos conosco. Nos anos anteriores viveu uma trajetória

diversificada na área de saúde, começando na limpeza, passando por maqueiro

e trabalhando na farmácia universitária até que descobriu a contabilidade e passou

grande tempo trabalhando com finanças.

Um dia acabou sendo solicitado a trabalhar como secretário, no Departamento

de Oceanografia. Não era sua função, mas acabou se adaptando muito bem e

seguir trabalhando por mais de uma década assim.

Interessante que sua vinda pro CCSA foi resultado de uma escolha por mais

qualidade de vida. Gilberto sempre gostou de morar próximo ao trabalho e foi

dessa forma que encontrou mais um bom lugar para trabalhar e viver bem em

sua lógica espaço-temporal. Seguimos com um pouco de suas próprias palavras a

44


UM POUCO DE MUITA VIDA

respeito de sua contribuição ao nosso Centro:

Eu sempre gostei de agilidade, que as coisas funcionem rápido e que as

pessoas que nos procurem nunca saiam com a impressão de que perderam

seu tempo em vir nos procurar. Então sempre trabalhei no sentido de prestar

um bom serviço, aprimorando cada dia mais e, costumo dizer, quando

alguém demonstra sua satisfação, “você está pagando pra isso. Você paga

impostos pra ter um bom serviço, nós apenas retribuimos com um atendimento

de qualidade.” Gosto que as pessoas sintam que estão numa repartição

pública de qualidade. Inclusive porque quando deixo de ser funcionário

passo a ser cidadão.

Mas a vida é feita de ciclos e o meu aqui já acabou. Também tenho a noção

da rotatividade de cargos. Nós precisamos dar oportunidade pra outras

pessoas virem. O sistema precisa girar. Existem pessoas lá fora querendo

entrar.

Então, Gilberto se aposenta com a sensação de dever cumprido, cheios de planos

para o futuro e levando daqui ótimas lembranças.

Em todos os lugares que passei na UFRN cultivei muitas amizades. Até hoje

cultivo amizades que fiz quando entrei aqui, já são como irmãos, frequentam

minha casa, frequento as deles. Vi nascer seus filhos. Me chamam de tio.

Só vou levar lembranças agradáveis daqui.

Para ele, a aposentadoria representa um novo ciclo, com novas possibilidades:

esportes de aventura, trilhas, escaladas, rapel, danças etc. E ainda associar

alguma formação ou estudo livre que agregue a esses desejos. Talvez um curso

de guia de turismo.

Maria de Fátima B.

F. do Nascimento

M

aria de Fátima Barbosa Fernandes do Nascimento iniciou sua carreira profissional

em 1984 trabalhando no Museu Câmara Cascudo que, na época,

era dirigido pelo professor Veríssimo de Melo, advogado, escritor, jornalista e

folclorista de renome internacional. Nessa época, Fátima cursava graduação em

administração e seu trabalho final de curso foi sobre administração pública, por

isso, estagiou no Departamento Pessoal da UFRN. Ao final do estágio foi convidada

pela diretora pra permanecer por lá. Aceitou o convite e trabalhou em vários

setores até que, um dia, a pedido do professor de Matemática e então diretor do

Centro de Ciências Exatas e da Terra, Benedito, foi removida para lá, onde passou

12 anos entre Secretaria de Centro, Coordenação e Departamento do curso de

Matemática. Ocorre que Fátima tinha muita vontade de fazer uma especialização

em sua área e a direção do CCET não liberava. Então, decidiu pedir remoção para

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UM POUCO DE MUITA VIDA

o CCSA, onde conseguiu fazer sua Especialização em Gestão de Pessoas. Por aqui,

Fátima contribuiu 10 anos no curso de Ciências da Informação e, por fim, conclui

sua vida profissional na supervisão do setor 01, um lugar onde ela pôde usar seus

conhecimentos de gestão de pessoas porque teve que lidar com muitas pessoas

diferentes em suas formações e interesses.

Fátima começou a frequentar a universidade quando ainda era criança e aqui

viveu a maior parte dos seus anos. Seu pai e seu irmão também foram servidores

da UFRN, de modo que sua vida está muito ligada aqui, o que a faz sentir que

não quer deixar de frequentar esse lugar, só não quero mais ter o compromisso

diário, pois percebe que já fez sua parte e que agora é hora de retornar à família e

cuidar melhor de si, fazer coisas que tinha muita vontade, mas não tempo. Acompanhar

de perto a adolescência da filha, viajar e se aproximar um pouco mais dos

amigos. A melhor lembrança que leva do CCSA são as ações de saúde integral e

relações interpessoais promovidas pelo Qualivita e as festas de Natal.

Maria de Fátima

de Carvalho

M

aria de Fátima de Carvalho começou sua história na UFRN em abril de 1981

no Campus de Santa Cruz, chegando ao CCSA em 1998. Por 19 anos colaborou

conosco no Departamento de Biblioteconomia, no Juizado Especial da UFRN

e no Núcleo Temático da Seca.

Fátima diz que deixou um legado de comprometimento, assiduidade e pontualidade.

Executou suas atividades com eficiência, presteza, esmero e amor em

prol da UFRN. Tudo isso contanto com a colaboração dos colegas de trabalho com

quem sempre manteve uma agradável relação de respeito.

A melhor lembrança que leva de sua vida profissional ocorreu durante a comemoração

dos 30 anos do CCSA, onde foi homenageada [pelo que? Como foi o

título que recebeu?]. Para ela, esse foi um gratificante ato de reconhecimento que

lhe trouxe ainda mais orgulho em ser servidor deste Centro.

Sobre a aposentadoria, já tinha direito adquirido há seis anos e a ideia foi

amadurecendo aos poucos. Fátima começou a perceber jovens querendo entrar

no mercado de trabalho e não ser possível por causa das mudanças governamentais

que só liberam novas vagas mediante a vacância surgida pelas aposentadorias.

Fora esse desejo altruísta, também via a possibilidade de viajar, de ter mais

tempo para cuidar da saúde, dar mais atenção à sua família e fazer um trabalho

voluntário.

Por enquanto ela ainda se sente no gozo de férias, talvez o tempo lhe traga

novas percepções sobre estar aposentada. No momento só sente o merecimento

por ter feito seu trabalho com ética profissional, veemência e imensurável amor.

46


UM POUCO DE MUITA VIDA

Também sente muita gratidão pela UFRN e espera viver a nova etapa da vida com

saúde, felicidade, fé e sabedoria.

Miracy Pinheiro

de Lima Melo

Miracy chegou à UFRN em 1979, tendo trabalhado inicialmente como copeira.

Em seguida, na Administração da Profª Socorro Borba passa a desenvolver

suas funções na Secretaria do Centro. Relata que inicialmente não queria ir, mas

que a convite da gestão, aceitou e gostou muito de desempenhar seu trabalho

nesse setor, auxiliando na distribuição de correspondência para os demais setores

por meio de malote, dentre outras atividades. Após 20 anos, é convidada para

trabalhar na supervisão do Setor V, onde passou seus últimos anos antes de se

aposentar. Fala que a Universidade foi uma oportunidade para prosseguir nos

estudos, onde construiu bons relacionamentos com os colegas e que só se aposentou

devido a questões particulares, pois agora necessita prestar um cuidado

a alguns familiares.

Rivanilda

Ramalho de

R

iva chegou ao CCSA em 1976 como bolsista e em 1978 passou a ser servidora.

Diz que sempre enxergou a universidade como um bem público e, nesse

sentido, exerceu com responsabilidade e lisura suas atribuições. Dos 45 anos de

Centro, Riva participou como aluna e servidora por 41, de modo que o CCSA contribuiu

demais com a sua vida. Aqui construiu laços de amizade com os quais

compartilhou todas as facetas de sua vida.

Entre 1978 e 1990 Riva contribuiu na Coordenação de Ciências Contábeis. Saiu

dessa função na época da implantação do sistema que antecedeu o Sigaa: o Ponto

A. Depois, passou seis anos no Departamento de Educação colaborando com a

revista “Educação em questão”. Em 1996 recebeu o convite para compor a equipe

47


UM POUCO DE MUITA VIDA

de trabalho que criaria a graduação em Turismo. Ela revela o quanto foi desafiador

montar e desenvolver o curso porque existiam muitas tensões internas e

externas para que as coisas pudessem acontecer. Ciente disso, continuou firme

no propósito e o curso de Turismo cresceu. Continuou lá por sete anos até que

em 2004 foi pra Coordenação de Administração, permanecendo ligada de algum

modo a Turismo porque lá passou a funcionar só com o apoio de bolsistas e ela

ficou orientando a distância até que um novo servidor assumisse. Na Coordenação

de Admisnistração, Riva passou 14 anos, onde concluiu o seus 40 anos de

serviço ao CCSA.

A melhor lembrança que leva daqui são as amizades e a percepção de que teve

a influência na vida de pessoas que se tornaram profissionais exemplares, como

Michel Vieira, Pâmela Brandão, Max Leandro, Marcos Medeiros e muitos outros

que hoje estão aqui desenvolvendo o CCSA.

Riva diz que um momento crucial na sua vida foi a implantação do Qualivita

porque ela estava vivendo momentos difíceis em sua vida profissional e o trabalho

desenvolvido pelo Qualivita, de algum modo, resgatou seu ânimo e saúde. Ela

cita os trabalhos desenvolvidos pelos bolsistas de Práticas Integrativas e Complementares

em Saúde como bálsamos no cotidiano laboral.

Riva considera que se aposentou no momento preciso para sair com dignidade

e senso de contribuição e acrescenta que precisamos saber qual é o nosso

momento de partida. Poder voltar a circular pelo centro e ainda ser reconhecida;

receber sorrisos e abraços; poder interagir com pessoas que sequer teve a oportunidade

de trabalhar; tudo isso Riva enxerga como um presente. “Aprendi com a

primavera a deixar-me cortar e voltar sempre inteira” Cecília Meireles.

A aposentadoria lhe trouxe essa tranquilidade e leveza de ir e vir sem obrigações

nem horários, só estabelecendo laços de amizade. Também passou a enxergar

quanta vida existe fora da vida funcional, quanta coisa nova pra descobrir:

vivências de Dançaterapia, novas amizades, viajar livremente pra ver as filhas

que moram em outros estados do Brasil, fazer bordados etc.

A palavra aposentadoria não tem peso algum pra Riva. Ao contrário, ela se

sente gratificada pelo trabalho que fez. Aposentar-se não significa peso nem alívio,

é apenas uma consequência.

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UM POUCO DE MUITA VIDA

Vicente

Moro

O

Professor Vicente Moro contribuiu para o crescimento do CCSA entre os anos

de 1978 e 2018. Foram 40 anos de dedicação cotidiana. Fez parte da comissão

de implantação do Programa de Pós Graduação em Administração, onde trabalhou

mais de uma década como Diretor acadêmico, Coordenador e Vice-coordenador.

Nesse período também era professor de Metodologia Científica no mestrado,

mas a CAPES passou a exigir doutorado e ele, já não tendo mais interesse nessa

“escalada”, ficou lecionando as seguintes disciplinas apenas na Graduação: Teoria

do Planejamento, Metodologia Científica e Estágio 2 que atualmente se chama

Projetos 2.

Quando questionado a respeito de não ter feito um doutorado, ele lembra a

curva natural de motivação do ser humano ao longo da vida para determinadas

atividades. Reforça o argumento dizendo que ficou satisfeito por ter contribuído

na formação de vários doutores enquando ele ficou “carregando o piano”.

Atualmente o professor Vicente continua como consultor acadêmico da UNI-

-RN mas, aos poucos, começa a sentir os benefícios da aposentadoria: dormir até

às 8h da manhã, passar mais tempo no sítio em São Miguel do Gostoso e descansar.

Com um senso de humor que lhe é caratarístico, diz que se aposenta porque

a “bananeira já deu cacho” e que levará daqui a sensação de contribuição além

das boas lembranças do coleguismo cotidiano com aqueles com quem conviveu.

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UM POUCO DE MUITA VIDA

Menções

Honrosas

Cientes de que cada trajetória é singular e que as experiências vividas permanecerão

na memória independentemente de sua representação em palavras,

gostaríamos de homenagear ainda alguns servidores que, por outros motivos,

não tiveram sua história registrada nessas páginas, mas que certamente deixaram

um legado na história do CCSA.

Dagmar da Mata - Assistente de Alunos

Direção do CCSA

Dulceney Vilela da Silva Moreno - Técnico em Assuntos Educacionais

Direção do CCSA

José Cyreneu Gomes Junior - Analista de Tecnologia da Informação

Direção do CCSA

José Silva de Lima - Motorista

Garagem

José Tiago de França Melo - Técnico-administrativo

DEPAD

Rosemeire Sousa da Cunha - Técnico-administrativa

Direção do CCSA

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