edição de 30 de setembro de 2019

referencia

propmark.com.br

ANO 55 - Nº 2765 - 30 de setembro de 2019 R$ 15,00

Reprodução

CNN fAlA que metA é tRANsfORmAR filiAl

bRAsileiRA NA pRiNCipAl fORA dOs euA

Em fase de reforma da sede e contratação

de pessoal, canal de TV por assinatura é

comandado por Douglas Tavolaro e terá

atuação multiplataforma. Estreia está

prevista para o fim deste ano. pág. 42

gReY bRAsil mOstRA

CultuRA OpeN spACe

A CEO e presidente

Marcia Esteves (foto) e

Elise Passamani, VP de

operações, apresentam

a agência na série

Giro no mercado by

PROPMARK. pág. 36

em OpeRAçãO há umA déCAdA, R7 ApOstA

NA iNtegRAçãO de fORmAtOs COm A tV

Antonio Guerreiro, vice-presidente de

jornalismo da Record TV, fala sobre a

importância do digital para inovações

editoriais e comerciais. Plataforma de notícias

planeja maior relevância às hardnews. pág. 34

deNtsu bRAsil se

pRepARA pARA futuRO

Agência adota conceito

Moving Business by

Moving People, que sinaliza

novo momento.

“Clientes procuram algo

diferente”, diz Mario

D’Andrea. pág. 10

troca dederes reflete

mudança de modelo

A substituição constante de lideranças nas agências, veículos e anunciantes

se intensificou nos últimos anos e deixou de se configurar como uma

simples dança de cadeiras. A troca se tornou intrínseca às empresas diante

da radical transformação do mercado. Por isso, novos perfis assumem

postos de comando e quem não se adapta está fora do jogo. pág. 38

pesquisA dA kANtAR ibOpe mediA ApONtA

que O RádiO AtRAi NOVOs ANuNCiANtes

Mais de 7.300 anunciantes, distribuídos

entre mais de 8.900 marcas, investiram em

publicidade no rádio no primeiro semestre

de 2019. O meio veiculou pela primeira vez

ações de 5.207 linhas de produto. pág. 44

fields360 VeNCe O

COluNistAs bRAsíliA

Eleita Agência do Ano

na etapa regional da

competição, empresa

conquistou quatro GPs.

A COO Ruskaya Zanini

Campos é a Profissional

do Ano. pág. 22


GERALDO

LUIS

FABÍOLA

REIPERT

RENATO

LOMBARDI

R7.COM/BALANCOGERAL

FOTOS: EDU MORAES/RECORD TV

O CONTADOR DE HISTÓRIAS

VOLTOU. E BEM ACOMPANHADO.

GERALDO LUIS ESTÁ DE VOLTA AO COMANDO DO BALANÇO GERAL.

E SE JUNTA A FABÍOLA REIPERT E RENATO LOMBARDI.

DE SEGUNDA A SEXTA,

ÀS 11H50 DA MANHÃ.

PARA ANUNCIAR, CONSULTE A EQUIPE COMERCIAL DA RECORD TV.


editorial

Armando Ferrentini

aferrentini@editorareferencia.com.br

Contradição

Aparentemente, o mercado publicitário – que deve ser entendido a partir

do marketing, do qual é consequência – começa a viver um outro momento

em nosso país, principalmente nos grandes centros, onde é mais volumoso

o uso da comunicação publicitária, da qual todos muito esperam.

Queremos dizer com isso que, o que estava em compasso de espera, começa

agora a se movimentar, ainda que vagarosamente. De qualquer forma,

já é um bom sinal, respeitando o período sempre mais volumoso da publicidade,

que é o último trimestre do ano.

Por vários fatores, a propaganda passou por períodos de semiestagnação

desde o início do ano, a partir principalmente das verbas de governo, considerado

o anunciante número um do país em termos de verbas.

Governo novo, presidente da República um pouco refratário não exatamente

à publicidade, mas – segundo seus assessores mais próximos – ao

uso que dela vinha se fazendo, acarretando com isso uma longa paralisação

que agora começa a se mover, ainda que lentamente.

O chefe pena branca começa a entender a extrema necessidade do uso do

ferramental publicitário pelo governo, sempre tomando o cuidado de conter

os abusos e as malversações das verbas.

Outro fator que começa a colocar a atividade publicitária onde ela merece

estar é a recuperação dos ganhos pelas grandes corporações, podendo agora

destinar um pedaço maior à propaganda. Já se percebe isso claramente

em anunciantes de renome, aos poucos voltando ao mercado aumentando

o seu potencial, o que inclusive estimula concorrentes a fazerem o mesmo

para não perderem valiosas fatias do mercado.

A batalha entre o analógico e o digital ainda prosseguirá por um bom tempo,

com este último obtendo maior crescimento. Mas nada que venha,

pelo menos no curto prazo, a eliminar de vez seu oponente.

Mas o que verdadeiramente salva a nossa propaganda é a qualidade criativa

que nossos profissionais do setor lhe emprestam, aumentando com isso

o potencial de resultados de cada campanha que sai das agências e ganha

as ruas através dos meios, sejam tradicionais ou recém-criados. Não há

consumidor que resista a um apelo publicitário extremamente criativo, na

forma e na ideia. Esse tipo de importante fator de venda pode fazer mais

pelo produto ou serviços do que eles mesmos por si.

A contradição, do título acima, reside no comportamento ambíguo do

mercado, que, possuidor de tantas e tamanhas armas para contribuir nas

vendas, recua a cada início de ano como se acreditando que o arsenal publicitário

pode ter envelhecido. Não envelhece e jamais envelhecerá, pois

novas ideias sempre serão trazidas para todas as formas de publicidade,

seduzindo o consumidor com os seus argumentos e beleza.

A força de uma nova ideia publicitária sempre levará o consumidor ao

produto ou serviço. Sempre foi assim e assim continuará, enquanto o ser

humano prosseguir admirando a beleza de uma mensagem e o apelo inteligente

que ela contém.

Em matéria assinada pela jornalista Neusa Spaulucci, há uma observação

sobre um pensamento convergente entre profissionais tarimbados a respeito

da influência que a mudança de geração no meio, aliada às novas

mídias, contribui para uma mudança de comportamento também junto

aos profissionais, e aqui queremos nos referir aos mais jovens, que sabem

observar com rigor maior do que os da geração passada a importância do

faturamento dos seus clientes na composição e oferta dos seus salários,

bem como o crescimento da valoração dos resultados.

O que temos a dizer sobre isso é que nem poderia ser diferente. Nesse tipo

de questão, cada nova geração torna-se mais ambiciosa que a anterior,

diante principalmente da valorização em muitos sentidos, provocadas

pela boa propaganda às marcas.

Seria a nosso ver errado e até inesperado o comportamento digamos oposto,

com os novos profissionais observando a evolução das marcas e os seus

resultados de vendas e não se atribuindo parte nisso.

O domínio da qualidade publicitária é mais forte e eficaz hoje, porque a

cada geração de profissionais do setor há um visível avanço na qualidade

intrínseca de cada um, em consonância com o avanço tecnológico movido

por outros jovens profissionais dedicados a essa profusão de recursos,

que muito contribui para um produto final da mais alta qualidade e consequente

agrado no universo aberto da comunicação.

***

Amigos – e são muitos – de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni,

conforme já registramos em nossa edição de 16/9/19, estão contribuindo

com a sua mais recente obra de comunicação, que resulta em uma série

de depoimentos sobre a sua figura, em comemoração aos 85 anos de vida

desse gênio exemplar que rapidamente transformou a televisão brasileira,

tirando-a da era pré-histórica e dando-lhe formas não apenas modernas,

como futuristas.

O trabalho está em vias de ser concluído e, como tudo que se passou e

ainda passa na vida desse cidadão superior, teremos ao final, sem dúvida

nenhuma, um resultado proeminente. Tive a honra e o prazer de ser convidado

para um dos depoimentos, que me remeteu aos meus 15 anos, quando

trabalhava na infelizmente extinta Multi MP Propaganda, uma agência

subsidiária do Grupo McCann, que funcionava em uma casa estilo colonial

na Rua Albuquerque Lins, 915.

Um endereço então distante de restaurantes e das casas da maioria dos

seus funcionários, porque naquele tempo muitos ainda almoçavam em

casa nos dias úteis. Isso levou Davi Monteiro, o presidente da agência, a

convidar a mulher do zelador da agência a produzir almoços para a turma

que não saía da agência entre 12h e as 14h.

Como para tudo na vida precisa-se de sorte, a minha veio na forma singela

de sentar-me àquela mesa diariamente, entre muitos cobrões, dos

quais se destacava ele, o Boni, com os seus 27 ou 28 anos, já entendendo

de TV mais que todos naquele recinto e naquela agência, onde

ocupava o cargo de diretor de TV. Muitas conversas se travavam nessas

duas horas tão esperadas do dia, sendo o mote principal as campanhas

que estavam sendo criadas e produzidas por aquela turma para os

clientes da Multi.

Essa foi a minha primeira, única e grande escola de propaganda que cursei,

considerando-me formado depois de ouvir diariamente tantos excelentes

profissionais expondo seus pontos de vista sobre as campanhas em criação

e produção. Todos falavam um pouco, Boni um pouco menos, porque

sua genialidade dispensava muitas palavras. Na vez dele – e eram muitas,

a pedidos – facas, garfos e colheres eram deixados sobre o prato.

Não apenas eu, mas muitos amigos que àquela mesa tinham assento, confessavam

que terminavam o almoço a cada dia sabendo mais sobre a profissão

e os truques, com o crédito maior de todos a Boni, essa figura de um

valor inestimável.

Feliz 85 anos, caro amigo!

jornal propmark - 30 de setembro de 2019 3


conexões

Facebook

última Hora

Instagram

Post: McDonald’s relembra

memes de Marcio Canuto em

campanha

McDonald’s e DPZ&T, essa parceria

tá incrível.

@_pedrozantos

dorinHo

Post: YouTube terá premiação

voltada ao mercado publicitário

brasileiro

Que ótimo. Ver o mercado publicitário

pelo trabalho com que se dedicam

os criativos, agências e todos

que o cercam, merece os parabéns.

YouTube analisando corretamente

o que está em sua volta. Gostei.

Junior Schenkel

Post: Serasa faz ASMR de uma

hora rasgando boletos pagos

Cala a boca e rasga meu boleto.

Joel Antunes

Sons da natureza uma ova!

Fernanda Lopes

Twitter

Post: Nubank ensina meditação

a clientes da concorrência

Boa.

@fernandartc

LIVE ACTION

Cliente da FCB Brasil, a operadora de TV via satélite Sky

tem nova campanha agendada para começar a ser exibida

nos canais de mídia nesta terça-feira (1). O protagonista do

comercial, uma animação com live action, é o ator Fabio

Porchat, que está na foto acima com o diretor de marketing

Alex Rocco. O mote da ação é divulgar os conteúdos da

programação. O segundo filme será veiculado em novembro.

QUIZ

O Submarino fará uma

parceria especial com o

Spotify no Rock in Rio.

No estande do Submarino,

cada um poderá responder

a um quiz, em um totem

disponível no local, e receber

uma playlist personalizada

que diz muito sobre a relação

de cada um com a música.

LABORATÓRIO

A Three Little Birds, produtora

especializada em branded

content e publicidade, é

responsável pela produção,

roteiro e pesquisa de

personagens para a nova

campanha Caminhos que

nos trazem de volta, para a

marca Molico. O projeto foi

desenvolvido em parceria

com o Lacri, laboratório

criativo da Globosat.

CLIMA

A Rede Brasil do Pacto Global

e a agência AlmapBBDO

estão lançando o movimento

#AceitaEstaCaneta/

#TakeThisPen, para empresas

se comprometerem com o

programa sobre o clima da

ONU. Elas apresentaram

campanha na semana

passada em evento paralelo

à Assembleia Geral das

Nações Unidas em Nova York,

durante jantar de arrecadação

Action4Climate.

CERTIFICAÇÃO

A Sinergy Novas Mídias,

que atua na área de

OOH na região Sul, está

aproveitando o selo do

IVC para comprovar

“confiabilidade nas

entregas”, como explica

o COO Ricardo Piccoli.

COLORADO

Especializada em criação

dedeos, otimização

e dados, a VidMob, do

empresário Alex Collmer,

está chegando ao país para

atender a cerveja Colorado.

A primeira ação foi criada

pelo seu Agile Creative

Studio, para a ZX Ventures,

unidade global de inovação

da AB Inbev.

4 30 de setembro de 2019 - jornal propmark


Glicode,

Glico

ABC para

Daltônicos,

Canon do Brasil

No fundo, nenhuma.

A preocupação com a saúde e com a formação dos filhos é a mesma. Dados

comprovam isso. E dados são a matéria-prima para a Dentsu propor a seus clientes

novos benefícios em seus produtos e agregar mais valor aos seus negócios.

Algo que transcende muito o espaço da comunicação.

No Japão, por exemplo, os snacks Glico se transformaram em ferramentas para

ensinar noções básicas de programação a crianças.

Aqui no Brasil, as impressoras Canon ganharam uma nova função: uma simples

calibragem de cor se transformou num valioso instrumento de detecção de daltonismo

– uma condição visual que precisa ser detectada nas crianças o quanto antes.

Ambas ideias da Dentsu baseadas em necessidades reais dos consumidores.

Ideias que afetaram positivamente os negócios dos nossos clientes.

Esta é a nossa filosofia: Moving Business by Moving People.

Em Tóquio ou aqui, na Vila Madalena.

Moving Business by Moving People

(55 11) 3528-5397

/DentsuBrasil

www.dentsubrasil.com


Índice

capa

38

postos de

lideranças têm

novos perfis

Indústria vivencia transformação

de modelo. Mais do que dança

das cadeiras, profissionais de

anunciantes, agências e veículos têm

de se adaptar ou estão fora do jogo.

Reprodução

Divulgação/Marçal Neto

Divulgação

giro no mercado

Alê Oliveira

live markeTing

The group contrata

diretor de criação

Publicitário Óz Enéas (foto) assume cargo na

agência liderada por Fernando Guntovitch.

Ele comandará equipe multidisciplinar.

A missão de Enéas, que também vai

administrar o planejamento, é reposicionar

a entrega criativa da The Group. pág. 14

Alê Oliveira

grey Brasil adota

modelo brand table

Agência usa o conceito Propaganda que

é muito mais que propaganda na busca

por colocar a empresa como agente

transformador e conector. Marcia Esteves

e Elise Passamani (foto) mostram a

agência no Giro desta semana. pág. 36

agências

dentsu Brasil sinaliza

viver novo momento

Liderada por Mauro Rabello, Rodolpho

Aguiar, Mario D’Andrea, Filipe Cuvero,

Priscilla Ceruti, Bruno Panico e Kojiro

Tanoue (foto), empresa adota o conceito

Moving Business by Moving People para

mostrar que oferta de serviços vai além do

planejamento de campanhas. pág. 10

prêmios

colunistas Brasília

revela vencedores

Fields360 é Agência do Ano na etapa

regional da premiação. Entre outros GPs,

está o da Artplan Coração Pede Socorro

(foto), filme que também conquistou

Leões em Cannes. pág. 22

editorial ................................................................3

conexões ...............................................................4

curtas ....................................................................8

agências .............................................................10

de Frente com o presidente .............................18

cannes 2019 .......................................................20

prêmios ...............................................................22

storyteller ..........................................................24

inspiração ..........................................................25

entrevista ...........................................................26

marketing & negócios ......................................28

Beyond The line ................................................29

arena do esporte ...............................................30

Quem Fez ............................................................32

digital .................................................................34

giro no mercado .................................................36

mercado ..............................................................38

mídia ...................................................................42

We love mkT ......................................................48

supercenas .........................................................49

Última página ....................................................50

6 30 de setembro de 2019 - jornal propmark


curtas

renault mostra Duster GoPro em

13 canais simultâneos da Globo

Nova Duster GoPro teve estratégia de mídia e gravação de filme personalizadas

A veiculação de publicidade

no formato blast tem como

principal benefício o impacto

massivo de diversos perfis de

audiência para uma mesma

campanha. A lógica recebeu

um upgrade na nova comunicação

da Renault para promover

o modelo Duster GoPro.

No último dia 23, o anunciante

Divulgação

veiculou a campanha simultaneamente

em 13 canais de TV

aberta, TV fechada e digital.

A ação criada pela dPz&t teve

versão do filme de 30 segundos

para a TV Globo e em outros

nove canais da Globosat. Já nos

portais globo.com, GShow e

globoesporte.com foi veiculada

versão de 60 segundos.

renato Pereira deixa cargo de

diretor de relações com mercado

O executivo renato Pereira

foi comunicado na quarta-feira

(25) pela Rede Globo do seu

desligamento do grupo. Ele

ocupava desde 2017 a diretoria

de relações com o mercado,

que abrange os ambientes ético

e regulatório; participação no

Cenp e Conar; relações empresariais

(agências e anunciantes)

e organização de eventos

como o Profissionais do Ano.

A decisão, de acordo com Pereira,

tem a ver com a mudança

de configuração do projeto

uma Só globo, que envolve

a integração com a Globosat,

por exemplo. Pereira ingressou

na Globo em 1988, na área

comercial. Há cerca de dois

anos, com a saída de Gilberto

Leifert, passou para a posição

de diretor de relações com o

Divulgação

Após 31 anos, Renato Pereira deixa Globo

mercado. “Fui pego de surpresa.

Foram 31 anos. O melhor da

minha passagem pela Globo

foi cuidar do mercado publicitário.

Com todas as ferramentas

disponíveis e cuidado

com o espaço regulatório. Sou

orgulhoso por ter participado

da valorização da atividade

publicitária”, disse Pereira.

AnimAção buSCA ConSCiEntizAr

AS PubliCidAdE SE rEPoSiCionA

mCgArrybowEn ContrAtA

Cena de animação que busca sensibilizar a sociedade

The Bitter Bond é uma animação de

2 minutos, criada pela Engine Creative

em colaboração com a Zombie Studio e a

Blinkink, que visa aumentar a conscientização

sobre a brutal realidade dos leões

na África do Sul, onde 70% dos animais

nascem em cativeiros e são criados para

turistas abraçarem e tirarem fotos. A prática

é legal e está aumentando na África

do Sul. A ideia é convidar a população a

assinar uma petição para tentar sensibilizar

o governo sul-africano a parar com essa

prática. Animação conta a história de uma

guardiã de leões e seu filhote que termina

com uma traição.

Ângelo Corsi, que lidera a AS

Com a intenção de se tornar agência

focada em digital e performance, especializada

em criar estratégias de comunicação

e marketing para marcas e negócios, a

AS Publicidade e Propaganda, com sede

em São Paulo, dá início a uma nova fase.

O primeiro passo nesse sentido foi mudar a

logamarca. O rebranding não para na identidade

visual. Atinge também o conceito,

o que levou à reformulação do site e redes

sociais, além da implementação de novos

serviços como brand experience, inbound

e broadcast. “Mais do que uma agência,

queremos ser parceiro de negócios”,

diz o dono da agência, Ângelo Corsi.

Maíra Toledo e André Simões: reforço

A mcgarrybowen tem novidades em seu

departamento de mídia, com duas contratações.

André Simões assume como head e

maíra toledo é a nova diretora do departamento.

Há 17 anos na área, com passagens

por Ogilvy, JWT e WMcCann, Simões

também foi head de mídia na Natura. Ele

possui experiência em atendimento a diversos

segmentos, como beleza, educação,

auto, entretenimento, telefonia e tecnologia.

Maíra também possui grande vivência

na área, atuando há mais de 15 anos em

agências como BETC Havas, Wunderman

e JWT. Tem experiência com tecnologia,

automóveis, telefonia e bebidas.

Diretor-presidente e jor na lis ta

res pon sá vel

Ar man do Fer ren ti ni

Editora-chefe: Kelly Dores

Editores: Neu sa Spau luc ci, Paulo

Macedo e Alê Oliveira (Fotografia)

Editores-assistentes: Danúbia

Paraizo e Leonardo Araujo

Repórteres: Alisson Fernández (SP),

Felipe Turlão (SP), Jéssica Oliveira (SP),

Mariana Barbosa (SP), Marina Oliveira (SP)

Revisor: José Carlos Boanerges

Arte: Adu nias Bis po da Luz, Anilton

Rodrigues Marques e Lucas Boccatto

Departamento Comercial

Gerentes: Mel Floriano

mel@editorareferencia.com.br

Tel.: (11) 2065-0748

Monserrat Miró

monserrat@editorareferencia.com.br

Tel.: (11) 2065-0744

Diretor Executivo: Tiago A. Milani

Ferrentini

tferrentini@editorareferencia.com.br

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regina-sumaya@editorareferencia.com.br

Assinaturas/Renovação/

Atendimento a assinantes

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São Paulo (11) 2065-0738

Demais estados: 0800 704 4149

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CEP: 01524-030 Tel.: (11) 2065-0766

as ma té rias as si na das não re pre sen tam ne ces sa ria men te a

opi nião des te jor nal, po den do até mes mo ser con trá rias a ela.

IMPRESSO EM CASA

8 30 de setembro de 2019 - jornal propmark


JCDecaux é a empresa de

Mídia Exterior do Ano

Prêmio Colunistas Brasília 2019

Única plataforma nacional de mobiliário urbano;

3 maiores e mais importantes linhas do

metrô de São Paulo e CPTM;

Referência em mídia no maior aeroporto da

América do Sul, GRU Airport, Brasília e Natal.


frosino e o diretor-geral de

atendimento Bruno Panico.

D’Andrea cita projetos recentes

que surgiram a partir da nova

visão, como ABC para Daltônicos,

da Canon, em que a impressora

da marca se tornou uma

forma de promover testes de cor

através de aplicativo, para detectar

daltonismo nas crianças. Já

para Miojo, da Nissin, a agência

criou um novo produto, o Miojo

Sabor Universal, sem sachê de

tempero, a partir da constatação

que 85% dos consumidores fazem

a própria receita com o produto,

sem seguir as instruções da

embalagem.

“O novo modelo é uma soma

do que estamos vivenciando nos

últimos anos como agência e gruagências

Dentsu Brasil celebra oito anos

e adota novo posicionamento

Conceito Moving Business by Moving People representa novas entregas

da agência, que parte da ideia de ser central de inteligência de negócios

FeliPe Turlão

Dentsu Brasil adota o conceito

Moving Business by

A

Moving People, que sinaliza um

novo momento para a agência

em seus oito anos de presença

no país. Nos últimos dois anos,

a empresa tem procurado ampliar

sua oferta de serviços, indo

além de planejamento e execução

de campanhas. “Estamos

preparando a Dentsu para o médio

prazo, num período de três a

cinco anos a partir de agora. Os

clientes estão procurando algo

diferente do que o mercado vinha

oferecendo. Não podemos

mais, como indústria, nos comportar

apenas como conselheiros

de compra de mídia. É pouco

para a inteligência que existe

dentro de nosso negócio”, diz o

CEO e CCO Mario D’Andrea.

A construção do novo momento

parte da ideia de a agência ser

uma central de inteligência de negócios

para o cliente, como explica

D’Andrea, em um modelo que

ofereceria maior valor agregado.

Assim, além de campanhas,

passam a compor o cardápio da

Dentsu Brasil serviços diversos

como criação de aplicativos, produtos

e modelos de negócios e

demais soluções inovadoras com

foco em impulsionar o negócio

dos clientes. Com o suporte de

outras empresas do grupo Dentsu

Aegis Network (DAN), a ideia

da Dentsu é oferecer consultoria,

tecnologia e conhecimento para

impactar positivamente o engajamento

entre marcas e consumidores

durante toda a jornada. “O

grupo tem à disposição serviços

como tecnologia, performance,

mobile e consultoria que vejo

como um canivete suíço de especialidades

que posso oferecer

a meus clientes, quando percebo

a necessidade”, avalia D’Andrea.

O DAN atua no Brasil com 14 empresas,

incluindo Isobar, mcgarrybowen,

Cosin, iProspect e NBS,

sendo 10 delas localizadas em

um prédio na Vila Madalena, em

São Paulo.

Mauro Rabello, Rodolpho Aguiar, Mario D’Andrea, Priscilla Ceruti, Filipe Cuvero, Kojiro Tanoue e Bruno Panico: lideranças da Dentsu

“Estamos

prEparando a

dEntsu para o

médio prazo”

Alê Oliveira

A inspiração para o conceito

e o modelo de atuação da Dentsu

Brasil vem da operação global

da Dentsu. O COO Mauro Rabello

aponta o posicionamento

da agência japonesa de ser parceira

de negócios dos clientes.

“Os efeitos dessa genética da

matriz têm rendido frutos no

Brasil, nas áreas de CRM, consultoria,

performance, e-commerce,

além, claro, de publicidade

e comunicação”, diz. De

acordo com Filipe Cuvero, vice-

-presidente de criação, a forma

de trabalho tem sido colocado

em prática em projetos para

clientes como Nissin, Toyota,

SulAmérica e Canon. Priscilla

Ceruti, diretora-geral de planejamento

da agência, destaca o

projeto MamaLab, consultoria

para traduzir demandas e oportunidades

em projetos envolvendo

mães. Além deles, compõem

o alto escalão da agência

o diretor-executivo de criação

Kojiro Tanoue, o diretor-geral

de mídia Rodolpho Aguiar Eupo.

São anos em que começamos

a oferecer serviços que vão além

da comunicação, usando também

o expertise das empresas do

DAN e da matriz da Dentsu, em

Tóquio, que atua há 118 anos no

mercado. “Nesses anos de Brasil,

sempre buscamos esse DNA da

operação japonesa e, agora, acredito

que estamos arredondados e

oferecendo um posicionamento

mais claro”, avalia D’Andrea.

A operação da agência, segundo

o publicitário, tem obtido

crescimento de dois dígitos há

dois anos seguidos. Para 2019, a

projeção é fechar com alta entre

15% e 20% nas receitas, acima do

esperado inicialmente. “Participamos

de muitas concorrências

e ganhamos a maioria, em segmentos

diferentes da economia.

Acredito que conseguimos ampliar

a percepção de qualidade do

trabalho”, afirma. Duas das conquistas

recentes são Bimbo, dona

da Pullman, e SulAmérica, para

quem criou uma campanha protagonizada

por Tiago Abravanel.

10 30 de setembro de 2019 - jornal propmark


5h

6h

7h

8h

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Inovaca

A mais completa plataforma de mídia OOH do Brasil.

A Eletromidia está nas ruas, trens, metrôs, shoppings e aeroportos das principais cidades do país com

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13h

14h

15h

16h

17h

18h

LED Icônico | RIOgaleão

19h

20h

Megabanner Digital | Shopping Rio Sul

21h

22h

23h

24h

MUB Digital | MetrôRio

LED Grande Formato | Linha 5 – Lilás

1h

2h

3h

eletromidia.com.br

4h


agênciaS

W+K São Paulo apresenta primeira

campanha desenvolvida para Sprite

Fresh Hour promete levar ao público pílulas de “conteúdo refrescante”

durante a hora do rush; peças serão veiculadas em OOH, rádio e TV paga

Sprite lança nesta segunda-feira

(30) a campanha

A

Fresh Hour, que deverá invadir

diferentes tipos de mídia

durante a hora do rush das cidades

de São Paulo e Rio de Janeiro.

Pílulas de conteúdo sob

o tema Liga o Fresh pretendem

levar ao público o conceito de

refrescância de uma forma sensorial,

irreverente e com humor

nonsense.

Os drops serão veiculados

em mais de 2.500 faces de OOH

em ruas e estações de grande

fluxo. Os breaks comerciais da

MTV também terão inserções

da marca. Já nas rádios, os boletins

de trânsito serão uma hora

de exclusividade da marca.

Esta é a primeira comunicação

de Sprite desenvolvida pela

Wieden + Kennedy São Paulo,

Santiago inaugura sede e acredita

que pode melhorar a sociedade

Curitiba abriga nova agência que promete atender clientes sem fins

lucrativos de forma voluntária, além de investir em educação e estágios

recém-criada agência curitibana

Santiago defende o

A

conceito de que a publicidade

tem impacto na sociedade e

que empresas e marcas estão

cada vez mais preocupadas

com causas comunitárias.

“O nosso propósito como

agência é melhorar a sociedade

por meio da publicidade.

E, para isso, já nascemos colocando

em prática uma série de

atitudes”, afirma Felippe Motta,

diretor de criação da Santiago

e um dos sócios da agência,

ao lado de Dani Béllio, Ju Selbach,

Flávia Withers e Victor

Gatto.

Segundo Motta, a cada cliente

que fechar um contrato com

a agência, outra instituição sem

Estratégia será integrada ao projeto verão que vem sendo preparado para a marca

Ju Selbach, Felippe Motta, Dani Béllio e Victor Gatto, sócios da agência Santiago

Divulgação

Divulgação

que assumiu a conta em junho

deste ano. As peças foram produzidas

pela Joint, in-house da

agência, e têm criação de Felipe

Paiva, José Ferraz e Rafael

Melo. Também participaram do

projeto artistas multidisciplinares

de vários lugares do mundo,

como Marc Tudisco, Yeye Weller,

Felms e o estúdio londrino

Yumyum.

A campanha integrará um

grande projeto que deve ganhar

força durante o verão e levará

às ruas ativações que reconectem

Sprite aos consumidores.

“Os fresh drops são como um

gole de Sprite no seu dia. Não

vão tirar os problemas da sua

cabeça, mas vão dar uma boa

refrescada”, completa Renato

Simões, executive creative director

da W+K.

fins lucrativos será atendida

sem qualquer tipo de custo. De

acordo com a agência, 15% de

seu lucro líquido anual será revertido

para a educação.

Eles vão oferecer bolsas de

estudos integrais para estudantes

de publicidade, marketing

ou design que não tenham condições

financeiras para pagar o

curso. Motta afirma ainda que

a agência vai garantir “estágio

na própria Santiago, ou em um

de nossos clientes, desde o primeiro

até o último dia da faculdade”.

A agência tem em sua carteira

o Grupo Tacla, empresa

paranaense que administra oito

shoppings no estados de São

Paulo, Paraná e Santa Catarina.

12 30 de setembro de 2019 - jornal propmark


O UNIVERSO

DA PROPAGANDA

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de navegação para você encontrar notícias quentes do mercado,

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agências

The group investe em novo modelo

criativo e gestão de planejamento

Óz Enéas chega com a responsabilidade de conduzir as duas áreas

do negócio, que completa 25 anos em 2020, com olhar para o futuro

Diretor de arte por formação,

o publicitário Óz Enéas está

assumindo a direção de criação

e planejamento da agência de

live marketing The Group Comunicação.

Ele vai comandar, a

partir desta segunda-feira (30),

uma equipe multidisciplinar

composta por 14 profissionais.

O novo executivo da The

Group se reportará ao CEO e

fundador Fernando Guntovitch,

que o identificou através

de uma consultoria de recursos

humanos e motivação de pessoas.

A decisão foi rápida e no

primeiro encontro com Óz, nas

palavras de Guntovitch, houve

uma empatia recíproca e automática.

Óz estava atuando na divisão

GNK do grupo paranaense

G/Pac. Mas tem passagens por

soWhat é a nova integrante da rede

global nostos, de empresas indies

Parceria estratégica dará à marca brasileira acesso a tecnologias

e conhecimento de cerca de 20 negócios do setor de comunicação

agência SoWhat é a mais

A nova componente da rede

internacional de agências independentes

Nostos, que foi

lançada em outubro de 2018 e

conecta 20 empresas do setores

de comunicação, inovação e

criatividade. Ela se torna a primeira

agência da América Latina

a participar da rede.

A proposta da Nostos é

estabelecer uma comunidade

de agências de destaque em

seus mercados e áreas de atuação

e que, juntas, complementem

suas habilidades e expertises.

Todas as agências da rede

devem compartilhar valores,

infraestruturas e ética nos negócios.

“O que nos atraiu à Nostos é

Marçal Neto/Divulgação

Fernando Guntovitch, CEO da The Group, traz Óz Enéas para “transformar” a agência

Henrique Lovo, sócio da SoWhat, quer aproveitar know-how e tecnologia da Nostos

Divulgação

agências como Synapsys, onde

iniciou sua carreira, e depois

no grupo WPP (Y&R, Dez, Energy,

New Energy e VML). Sua

missão é reposicionar a entrega

criativa da The Group, que

atende marcas como Santander,

Heineken, EDP e Basf Agro,

e completa 25 anos de atividades

em 2020.

“Criatividade não se restringe

mais a uma área. Ela deve

permear todos os processos e

departamentos. Mesmo que

tenha origem individual, a criatividade

só vai fazer sentido se

tiver interferência coletiva. Sob

demanda, ter alma e sem a obviedade

das ideias de gaveta.

A criatividade é uma zona desconfortável.

Porque o mundo

hoje não admite mais acomodação”,

disse Óz.

que ela prioriza a cultura particular

de cada agência, além do

bem-estar das pessoas. Estamos

felizes com essa parceria

que nos dará acesso a know-

-how e tecnologias de empresas

parceiras, possibilitando

atuação de forma complementar

em projetos relevantes para

nossos clientes”, avalia Henrique

Lovo, sócio e diretor de estratégia

da SoWhat.

Entre as componentes da

Nostos estão as marcas Conscious

Munds, que faz conteúdo

e experiências digitais para

marcas como Nike, Airbnb e

Uber; e Straight Line Theory,

especializada em design, pesquisa

e UX, que atende Target

e Apple.

14 30 de setembro de 2019 - jornal propmark


PISOU NA LUA?

LEGAL, MAS AMANHÃ CHEGA CEDO QUE

O CLIENTE PEDIU REFAÇÃO NA CAMPANHA.”

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agências

Leo Burnett reforça time de olho em

integração de dados e estratégia

Empresa contratou cinco profissionais, promoveu dois e também

confirmou Pedro Prado, o Papito, como seu novo VP de criação

Divulgação

Pedro Prado (sentado ao centro) e Marcelo Reis (de preto à esquerda), com a equipe

Rafaela, Joana, Tiago Lara, Patricia, Thais Gregorio, Silva, Mayara Pinheiro e Catarina

Conforme adiantado pelo PROPMARK,

a Leo Burnett Tailor Made confirmou a

contratação de Pedro Prado, o Papito, para

o cargo de vice-presidente de criação. O

anúncio foi realizado após a saída de Wilson

Mateos, que permaneceu na agência

dois anos. Prado chegará à Leo Burnett em

23 de outubro para liderar uma equipe de

cerca de 80 profissionais que atuam nas

áreas de criação, conteúdo e produção. “Espero

colocar em prática um pouco do que

aprendi na F/Nazca S&S nos últimos 15 anos

e ajudar a fazer da Leo Burnett, cada vez

mais, uma parceira estratégica e criativa

dos seus clientes, uma agência pulsante e

de excelência”, diz Prado.

Para Marcelo Reis, CCO e co-CEO da Leo

Burnett Tailor Made, o foco da agência é

colocar a criatividade no centro de tudo. “É

muito legal ter o Pedro se juntando ao time

da Leo. Além do talento criativo, ele chega

com uma vontade imensa de fazer o novo”.

Outro anúncio feito pela Leo Burnett

foi a contratação de cinco profissionais e a

promoção de mais dois no time comandado

por Tiago Lara, VP de estratégia e gestão

de dados. Os profissionais atuarão nas áreas

de planejamento, data, estratégia e BI.

Esse movimento reforça a intenção da Leo

Burnett em tornar todo processo estratégico

mais eficiente. As novidades são Rafaela

Badaró, diretora de estratégia; Catarina

Melo, gerente de estratégia; Mayara Pinheiro,

assistente de estratégia; Thais Gregorio

e Rafael Silva, analistas de data strategy.

Joana Dambrós, que era gerente, foi promovida

a diretora de estratégia; e Patricia

Cioffoletti, coordenadora de data strategy,

foi promovida a supervisora.

16 30 de setembro de 2019 - jornal propmark


De freNTe com o presiDeNTe

“A criatividade

ainda é o grande

ponto de inflexão”

Divulgação

A

paixão de Fernando Musa pela publicidade

vem desde criança e está em seu DNA.

Afinal, o seu tio-avô, Augusto de Ângelo, foi

um dos líderes da JWT na América Latina.

Prestes a completar 25 anos de trajetória na Ogilvy

Brasil, sendo os últimos oito como o presidente da

agência, Musa revela que o mercado vive atualmente

um processo de construção, que criatividade é o que

faz a diferença em seu trabalho. Nesta entrevista, o

executivo fala sobre o lado empreendedor - pois é

um dos fundadores da David -, sobre a aparição de

um novo modelo de negócios, a diversidade e que

acredita na democratização de grande ideias que

virão de pessoas com backgrounds diferentes.

Alisson Fernández

DNA

Desde moleque queria ser

publicitário. Meu tio-avô (Augusto

de Ângelo), por parte da

família do meu pai, começou

como ascensorista na Thompson

na época da fundação da

agência e chegou a ser presidente

da América Latina. Ele

era padrinho do meu irmão e

sempre chegava em casa contando

a história de um comercial

ou depois de voltar de uma

viagem para o exterior mostrando

alguma coisa que nunca

tínhamos visto. Na mesma

época, na década de 1970, havia

o seriado A Feiticeira, e na

história o marido da Samantha

era publicitário, então, todo o

episódio mostrava ela fazendo

alguma mágica para resolver

algum problema da agência

dele. Essas duas coisas me fizeram

ficar ligado em publicidade

desde pequeno. Então, nunca

foi uma dúvida, cresci dizendo

que queria ser publicitário.

TrAjeTóriA

Até me assusto quando alguém

lembra que já tenho 25

anos na agência. Minha história

com a Ogilvy é impressionante.

Tomei vários tombos antes de

chegar aqui, mas não dá para

desistir. Precisa de resiliência,

pois você não vai chegar em

uma posição de imediato, existe

uma trajetória. Ao longo destes

25 anos tive diversas oportunidades

para sair da agência,

mas sempre havia um motivo

que me fazia ficar. Então, é

bacana observar que conheço

cada canto e a cultura da agência.

Estou sempre de olho se

temos a equipe certa, um ambiente

bom para trabalhar e se o

trabalho que estamos colocando

na rua é relevante. Se conseguir

isso, esquece o resto. Não

podemos perder a única coisa

que nos diferencia nisso tudo,

que é a criatividade, a ideia.

empreeNDeDor

Conquistamos muita coisa

desde o primeiro ano em que

fundamos a David. É um tremendo

case de sucesso. Temos

uma relação maravilhosa

com alguns clientes, como, por

exemplo, o Burger King, que

está conosco há seis ou sete

anos. As pessoas que estão na

David Brasil já trabalharam

comigo ou na Ogilvy. Então, a

David também veio para dar

espaço para alguns profissionais

dentro do grupo que precisavam

alçar voos diferentes

e tinham a chance de seguir no

grupo. Não é arrogância quando

falo que esperava toda essa

repercussão. Não temos de ter

Fernando Musa: “Não temos de ter vergonha de sonhar grande e alto”

“Temos de

conTinuar

surpreendendo e

Tendo boas ideias”

vergonha de sonhar grande e

alto. Precisamos buscar e correr

atrás.

Novo moDelo De AgêNciA

Vivemos hoje um processo

constante e, não é nem de

transformação, mas sim de

construção. Temos de saber

que é nessa dinâmica de construção

e desconstrução que

vamos trabalhar. Se acertar, segue.

Dá mais escala para isso.

Não andou, diminui. Fora isso,

ainda podemos falar de inteligência

artificial e outras coisas

que vão afetar, e já estão

afetando, ideias e o dia a dia.

Temos de continuar surpreendendo

e tendo boas ideias. Essa

é a nossa diferença em relação

a empresas que só possuem o

ferramental e coisas mais estruturada.

A criatividade ainda

é o grande ponto de inflexão do

nosso mercado.

DiversiDADe

Há três anos temos o Somos,

um comitê interno formado por

colaboradores da agência, que

vem nos ajudando em parceria

com o RH a construir uma agência

diferente. Ao longo do ano

fazemos rodadas de pesquisas

com os nossos funcionários,

até globais, e hoje a Ogilvy Brasil

é a número um reconhecida

pelos próprios funcionários na

questão da diversidade. Ainda

tem muito o que ser feito, mas

já é uma baita conquista.

TeNDêNciA

Acho difícil falar de tendência

no sentido mais puro

da palavra. Acredito na democratização

de grandes ideias e

que elas virão de pessoas com

backgrounds diferentes. Acho

que, mais que uma tendência,

isso já é uma realidade. Processos

onde você possui pessoas

envolvidas com referências diferentes

serão cruciais para o

nosso mercado.

18 30 de setembro de 2019 - jornal propmark


wave,

ccsp,

El Ojo,

CCRJ,

Colunistas,

ABMN,

Cannes,

Clio,

London,

NY,

ABP,

Archive,

Lisbon,

Indie,

O ANÚNCIO "NÃO COMPRE", PARA A CERVEJA RIO

CARIOCA, QUE JÁ TINHA SIDO PRATA NO WAVE FESTIVAL,

ENTROU NO 44º ANUÁRIO DO CLUBE DE CRIAÇÃO,

EM SÃO PAULO. NO 42º FOI O FILME "BEBA COM

MODERAÇÃO", TAMBÉM PARA A RIO CARIOCA.

A SIMPLICIDADE CRIATIVA AINDA VAI DOMINAR

O MUNDO (DESCULPE, FICAMOS EMPOLGADOS).

Lusófonos.


Cannes 2019

Relatório Global de Criatividade

destaca agências e cases brasileiros

Report anual revelado pela organização do Festival de Cannes apresenta

país como o terceiro mais premiado no ano, atrás dos EUA e Reino Unido

Mariana BarBosa

Na última semana, a organização do

Cannes Lions publicou a versão 2019 de

seu relatório anual de criatividade global.

Além dos cases que obtiveram destaque

durante a premiação, neste ano o material

foi expandido com contribuições em parceria

com a Warc – que analisa tendências

de marketing e mídia ao redor do mundo.

O Global Creativity Report 2019 também

elegeu as principais agências, marcas e profissionais

em diferentes categorias. Os critérios

utilizados para ranquear as agências

levam em conta as quantidades e tipos de

premiações conquistadas, incluindo Leões

e shortlists.

A Omnicom é a holding do ano, e o

McCann Worldgroup é a rede do ano. A

Wieden+Kennedy Portland foi selecionada,

ao mesmo tempo, como a Agência do Ano

e a Agência Independente do Ano. Nas 20

melhores do ano, a única brasileira contemplada

foi a AKQA, na 18ª posição. Já a

Wieden+Kennedy São Paulo, a Tech and

Soul e a Artplan aparecem em 6º, 8º e 18º

lugares no top 20 global das Agências Independentes.

No recorte América Latina, Ogilvy foi

eleita a rede do ano por seus “sucessos

combinados entre David São Paulo, David

Buenos Aires e Ogilvy São Paulo”. “Suas

campanhas vencedoras incluem Burn that

Ad, para Burger King; Pet Commerce, para

Pet; e The All-In Promo, para Noblex”, cita

o relatório. O próprio Burger King, por sua

vez, foi escolhido como a “marca criativa”

do ano - durante o festival, o anunciante

ganhou cerca de 40 prêmios entre Leões de

bronze, prata, ouro, Grand Prix e Titanium

em diversas categorias.

O Brasil foi o terceiro país mais premiado

no último Festival, atrás apenas de Estados

Unidos (na 1ª posição) e Reino Unido (em

2º lugar). Após um ano longe da listagem

global das agências de Healthcare, o país

voltou à categoria com a atuação da Mc-

Cann Health e da FCB Health Brasil, que

aparecem na quarta e na oitava colocação,

respectivamente. João Consorte, CEO da

McCann Health Brazil, destaca que a equipe

da agência é composta por profissionais

multidisciplinares que atuam de forma integrada,

utilizando “ciência, tecnologia e

criatividade na entrega de soluções”. “Com

isso esperarmos contribuir para um mercado

de comunicação de health cada vez mais

forte, com as melhores performances, em

Em 2019, o Brasil conquistou 85 Leões no Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions

Após um Ano longe dA

listAgem globAl dAs

AgênciAs de HeAltHcAre,

o pAís voltou A

ApArecer nA cAtegoriA

RankinG BRasil

1ª AKQA

2ª Grey

3ª Africa

4ª David

5ª VMLY&R

6ª Wieden+Kennedy

7ª AlmapBBDO

8ª J. Walter Thompson

9ª Ogilvy

10ª Tech and Soul

Alê Oliveira

linha com os principais players do mercado

e com o reconhecimento que ele merece”,

comenta.

A AKQA foi a agência do ano da América

Latina e do Brasil. O ranking nacional completo

pode ser conferido na tabela ao lado.

Christiano Vellutini, também da AKQA, foi

o único brasileiro citado nos reports por

profissionais; ele conquistou a oitava colocação

na lista de Diretores de Arte do Ano.

Para Simon Cook, managing director do

Cannes Lions, o relatório é um benchmark

global para a indústria da comunicação. “A

criatividade vem se tornando cada vez mais

importante para os negócios, e entender os

parâmetros do mercado nunca foi tão importante.

Esse material é uma ferramenta

para todos que buscam desbloquear seu

potencial criativo.

“De ideias inovadoras do comércio eletrônico

à publicidade revolucionária, de

ativismo de marcas ao brilhantismo tecnológico,

os vencedores do Cannes Lions

representam excelência criativa em marketing

e comunicação. Estamos empolgados

em ter participado do Global Creativity

Report identificando tendências e temas

dentro desse universo”, completou David

Tiltman, VP de Conteúdo da Warc.

A versão completa do Global Creativity

Report 2019 do Cannes Lions está disponível

no site do Cannes Lions.

20 30 de setembro de 2019 - jornal propmark


Prêmios

Fields360 ganha o GP de Agência

do Ano no Colunistas Brasília

A Artplan conquistou 19 troféus, dos quais dois Grandes Pêmios, com

Coração Pede Socorro, que chama a atenção à violência contra a mulher

Com a pontuação máxima

que recebeu dos jurados da

edição de Brasília do Prêmio

Colunistas de 2019, a Fields360

foi reconhecida com o Grand

Prix de Agência do Ano dessa

etapa regional da competição

da Abracomp (Associação

Brasileira dos Colunistas de

Marketing e Publicidade), presidida

por Armando Ferrentini,

publisher do PROPMARK.

Foram 67 prêmios no total

para a Fields360, dos quais

quatro Grandes Prêmios: RP,

com o filme A música que todos

deveriam saber, para o

CNMP (Conselho Nacional do

Ministério Público); Mídia Impressa,

com Combate ao Trabalho

Infantil, também para

o CNMP; Promo e Live, com a

ação Sífilis – A Matéria que Salva

Vidas, para Funpec (Fundação

de Pesquisas Científicas);

e Rádio, com Sífilis – Sem Vacilação,

igualmente para o seu

cliente Funpec.

Em seguida, aparece a Artplan,

que conquistou 19 prêmios:

dois GPs, nas categorias

Mídias Integradas e Filme,

com Coração Pede Socorro,

para o Ministério dos Direitos

Humanos e autorizada pela

Secom (Secretaria de Comunicação

da Presidência da República).

Esse filme ganhou

Leão de ouro e um de bronze,

nas categorias Entertainment

For Music e Film Craft Cannes

Lions 2019, respectivamente.

O GP de Anunciante do Ano

foi concedido para o Ministério

da Saúde. Os GPs de Veículos

foram entregues para

o Correio Braziliense, como

Veículo Impresso do Ano; TV

Globo, como Veículo Eletrônico

do Ano; e JCDecaux, como

Veículo de Mídia Exterior.

A executiva Ruskaya Zanini

Campos, diretora de operações

da Fields360, foi eleita

pelos jurados como a Profissional

do Ano. Ela entrou na

agência em 2011 como estagiária

e hoje é uma das líderes da

Coração Pede Socorro, criação da Artplan para o Ministério dos Direitos Humanos, que ganhou dois GPs no Colunistas Brasília

agência. E Gustavo Mouco, da

agência Calia, foi distinguido

com o prêmio de Publicitário

do Ano.

“Em 2019, a Fields360 completa

20 anos e buscamos

sempre fazer uma imersão no

cliente e trazer um olhar diferenciado

para comunicação

pública, entendendo todos

os desafios e diretrizes para,

a partir disso, propor formas

inovadoras de impactar e engajar

o público. Prezamos por

uma comunicação integrada.

O discurso e nossos resultados

têm nos confirmado isso.

Acredito que esse prêmio é reflexo

e resultado de uma visão

sistêmica focada na gestão. É

um privilégio estar à frente de

uma empresa que se permite

ser inovadora desde o modelo

de negócio até a forma de se

comunicar. Isso proporciona

à nossa equipe flexibilidade

e autonomia para desenvolver

seus trabalhos. Além de

contribuir para o crescimento

de todos e, consequentemen-

Diretora de operações da Fields360, Ruskaya Zanini Campos é a Profissional do Ano

Fotos: Divulgação

te, da Fields360”, explicou

Ruskaya.

A Gruv ganhou o prêmio de

Empresa de Design do Ano.

A Vapt Filmes foi escolhida

como a Produtora do Ano,

devido aos pontos obtidos na

competição. E também conquistou

o GP de Técnica com

o filme Insônia, criado pela

agência WF/Motta para a EMS.

Em Promo e Live Marketing,

a Terruá foi a grande vencedora,

com 53 pontos, que

lhe garantiram o GP de Agência

do Ano dessas disciplinas

da comunicação de marketing.

Martha Letícia ficou com

o GP de Empresária de Promo

e Live Marketing do Ano; a coordenadora

de criação Thandy

Yung, da Terruá ficou com

o GP de Profissional do Ano; e

o Conselho Federal de Química,

que integra o portfólio de

negócios da Terruá, foi distinguido

com o GP de Cliente de

Promo e Live do Ano.

“É sempre um momento

especial quando o esforço, na

maioria das vezes árduo, se

traduz em reconhecimento”,

comemora Martha Letícia, sócia-diretora

da Terruá, que foi

finalista em outras duas categorias

da competição: Participação

em Feira ou Exposição e

Ação para Produto ou Serviço

Busines-to-Business.

22 30 de setembro de 2019 - jornal propmark


HomENAGEm

Os jurados também resolveram

conceder o prêmio Homenagem

Especial a dois profissionais

que fizeram história

na publicidade de Brasília: o

fotógrafo Kazuo Okubo, que

atua para as agências locais;

e Joana Bicalho, ex-Publicitá

Esquire & Alliance, Confederação

Nacional dos Transportes

e MPM, atualmente na área

acadêmica, como professora.

“Esses são nomes icônicos

e inspiradores no Distrito Federal

e muito respeitados pela

história e suas atividades. Em

uma época de crise na publicidade

da capital, é importante

resgatar a importância de

pessoas que construíram um

cenário positivo e profissional.

Sabemos que o que está acontecendo

é passageiro, mas afeta

uma categoria lutadora”, explicou

Fernando Vasconcelos, da

Meio & Mídia Comunicação,

organizadora do Colunistas

de Brasília, que presidiu o júri

formado por Toninho Rossini,

Marcio Ehrlich, Carla Maestralli

(publicitária), Renata Sanchez

Trabalho infantil foi o tema da campanha criada pela Fields360 para o CNMP

Campanha da Fields360 faz alerta sobre os riscos do HPV e importância do preventivo

(publicitária), Roberto Tuta

Santos (diretor de fotografia),

André Zotich (Dream Fractory)

e Wesley Santos (publicitário).

Os jurados analisaram cerca

de 400 trabalhos de 32 agências,

das quais 25 premiadas,

no dia 21 de setembro, no Salão

Enrico Bianco do Hotel Athos

Bulcão. A festa de entrega dos

diplomas será em novembro,

em data a ser definida, na Pérgola

do Iate Clube de Brasília.

“O júri foi normal, mas com

muita qualidade. Tudo foi

muito debatido e amplamente

discutido. Os publicitários da

cidade têm conhecimento de

causa e do mercado local. E

foram fundamentais na orientação

dos jurados que vieram

de fora. O resultado reflete a

propagada criativa de Brasília

e também a importância

da criatividade local junto às

mensagens do governo federal,

aliás, já com ações do governo

de Jair Bolsonaro, como

a campanha contra a violência

feminina com a cantora Naiara

Azevedo, da Artplan para a Secom”,

finalizou Vasconcelos.

jornal propmark - 30 de setembro de 2019 23


STORYTELLER

Stock Photography/Unsplash

Zé, lembrei docê

Quem é do ramo pula por cima de

baboseiras e se esquece de repetir

o já consagrado e vai em frente

LuLa Vieira

Há muitos anos, o grande Zé Rodrix e eu

fomos convidados para fazer uma entrevista

na TV Cultura para contar histórias

da propaganda e lembrar alguns jingles.

Conversadores compulsivos, o programa

já estava no ar e nós ficamos no fundo do

palco esperando ser chamados, contando

casos de nossas vidas, até levarmos um esporro

da coordenadora de estúdio para não

atrapalhar o jornal, que estava indo ao ar ao

vivo.

Naquele dia, quem assistiu ao noticiário

da hora do almoço não deve ter entendido

nada. Por trás das vozes do casal de âncoras,

ouviam-se gargalhadas completamente

fora de hora. Éramos nós.

Entre as histórias que rolaram e ajudaram

a transformar o noticioso numa zona,

a mais mimosa foi a do presidente da Nestlé

e do Tico, sócio do Zé. Quer que eu conte?

Segura aí. Acontece que entrou num cliente

(não vou dizer o nome), um jovem trainee

vindo de um MBA qualquer.

Daqueles, que acham que conheceram

Jesus, viram a luz, foram abençoados pela

verdade e a verdade os salvou. Não no sentido

real, mas no figurado, simplesmente a

ignorância acrescida de meia dúzia de receitas

de bolo.

Um monte de teorias amalgamados com

a insegurança resulta nisso. Um sujeitinho

metido a besta, falando uma algaravia misto

de português e inglês, cuspindo clichês a

toda hora e achando que veio salvar a porra

do marketing no Brasil.

Pois bem, o tal trainee em uma semana

já tinha virado uma lenda. Reprovava tudo

que lhe caía nas mãos, fazendo aquelas observações

irrespondíveis sobre psicologia

do target, objetivos estratégicos, distorções

cognitivas e metalinguagem do nervo

anal. E, é claro, o novo, surpreendente e revolucionário

mundo digital. Naquela época

ainda mais suscetível a invenções e teorias

do que hoje.

Normalmente quem é do ramo pula por

cima de baboseiras e se esquece de repetir

o já consagrado e vai em frente. Mas, o rapaz

surpreendeu alguns desavisados e infernizou

a vida de muita gente.

Até que chegou o dia da apresentação

de um jingle criado pelo Tico. E era na produtora

(ninguém teria coragem de propor

uma conference call para isso). Sabedor da

encrenca, Tico pediu que no meio da reunião

alguém ligasse dizendo-se fulano de

tal (esqueci o nome), presidente da Nestlé.

E assim foi feito.

Após a apresentação do jingle, entra a secretária

e avisa: “Senhor Tico, ao telefone o

doutor fulano de tal, presidente da Nestlé”.

Tico pega o telefone, saúda o tal presidente

com a maior secura, ouve por alguns instantes

e grita:

- O queeeeeeê? Não gostou do jingle? E

quem é você para gostar ou não gostar? Só

porque é um presidentinho de multinacional

acha que vai se meter no meu trabalho?

Você toca alguma merda, além de punheta?

Não vou fazer mais porra nenhuma para

você. Tenho mais o que fazer. Enfia a Nestlé

no cu! Insensível! Calma o caralho, porque

não é o seu trabalho! É o meu talento,

viadinho! E não me encha mais o saco!” E

desligou violentamente.

Após a gritaria para o telefone mudo

(mas, para todos os efeitos com o presidente

da Nestlé no outro lado da linha),

voltou-se para o trainee e perguntou candidamente:

- E aí, o que você achou de nosso jingle?

Não é preciso dizer que teve tudo aprovado.

Se o doido tratava assim o presidente

da Nestlé (aliás, ídolo do tal trainee), imagina

o que não faria com o próprio se este

tivesse a coragem de fazer qualquer observação?

Lula Vieira é publicitário, diretor do Grupo Mesa

e da Approach Comunicação, radialista, escritor,

editor e professor

lulavieira.luvi@gmail.com

24 30 de setembro de 2019 - jornal propmark


inspiração

História de marcas

Fotos: Arquivo Pessoal

“Trabalhar para um evento que tem como objetivo providenciar

experiências inesquecíveis é extremamente recompensador”

Luiz TeLLes

especial para o PROPMARK

Domingo, 24 de setembro de 2017. Estou

emocionado.

Ainda sinto os efeitos de uma onda de

adrenalina que circulou por todo o meu

corpo.

Escuto, a algumas dezenas de metros dos

fundos do palco mundo, uma legião de pessoas

gritando desesperadamente ao som de

Red Hot Chili Peppers.

O último show do festival.

Alguns minutos antes eu falava com voz

embargada, para um grupo de umas 40 pessoas,

que aquele trabalho que havíamos feito

juntos foi das experiências mais incríveis

que eu já tinha vivido na minha história

profissional.

Muita gente chorou. Inclusive eu. Várias

pessoas vieram confirmar a intensa sensação

de satisfação que aqueles dez dias tinham

causado.

Agradecimentos, comentários, reconhecimento,

pedidos para que eu não me esquecesse

deles para o próximo.

Esse sentimento de realização não aconteceu

somente por conta do trabalho impecável

que fizemos, mas também porque

está inserido num contexto de prazer. Trabalhar

para um evento que tem como objetivo

providenciar experiências inesquecíveis

é extremamente recompensador. Traz

uma energia que vem direto da plateia pra

dentro do nosso coração.

Isso me inspira.

Estar ligado a uma atividade de comunicação

que tem como matéria-prima algo

que é absolutamente essencial para a alma

humana. Entretenimento.

Várias narrativas que descrevem o Rock

in Rio falam de um espaço onde há respeito,

paz, harmonia.

O objetivo maior das pessoas reunidas

naquele lugar é viverem juntas uma coisa

que só é possível ali.

Poder fazer parte dos bastidores dessa

empreitada foi, de verdade, transformador.

Porque o entretenimento transforma.

Uma das sessões mais comentadas no

SxSW 2019 foi justamente aquela em que

Diane Quinn e Beau Lotto apresentaram

os resultados de uma pesquisa mostrando

que, depois de verem os espetáculos do Cirque

du Soleil, as pessoas saem como seres

humanos melhores.

Mediram o que todos sabíamos, principalmente

aqueles de nós que tiveram o

privilégio de assistir a um espetáculo do

Cirque.

Estamos com todos os nossos canais sensoriais

abertos quando nos divertimos.

Por isso essa disciplina é tão poderosa, e

foi isso que a comunicação de marcas entendeu.

Não preciso repetir que não há mais espaço

para a interrupção.

Que conteúdo passa a ser estratégico na

medida em que precisamos contar histórias

que sejam minimamente interessantes para

as pessoas. Histórias de marcas.

E quando conseguimos organizar narrativas

em que esses três elementos estão

harmonicamente presentes, temos o que

de mais poderoso pode acontecer na comunicação.

Tão poderosa quanto a forma como algumas

manifestações artísticas nos alcançam.

Tão poderosa quanto Almodóvar, Dolor y

Gloria: com seu movimento de câmera, leve,

sutil, revelando uma mudança de luz, de cor.

Abre como que mostrando uma cena,

milimetricamente composta, cuidadosamente

construída.

O que se vê na tela do cinema é pintura.

Pintura em movimento.

Feita com luzes, texturas, tecidos, peles.

Luiz Telles é diretor nacional de conteúdo,

engajamento e BI da Artplan

jornal propmark - 30 de setembro de 2019 25


entrevista

Kamila Fonseca

gerente de marketing da Salon Line

empoderamento

Feminino Faz

parte de nossa

cultura

Nascida na década de 1990, a Salon Line

tornou-se reconhecida nos últimos anos

graças a uma constante presença nas redes

sociais. Especializada em cosméticos

capilares, por muitos anos o foco da empresa foi a

atuação junto às mulheres crespas e cacheadas. Por

conta disso, há anos a marca trabalha ativamente

pilares como inclusão, representatividade e

empoderamento feminino. Nesta entrevista,

a gerente de marketing Kamila Fonseca revela

detalhes sobre estratégias de comunicação e de

construção de relacionamento com o público.

MARIANA BARBOSA

A Salon Line tem mais de 20 anos,

mas só recentemente passou a ser

reconhecida por maior parte do

público. O que mudou nos últimos

anos?

A empresa começou em 1995,

com produtos depilatórios. Nessa

época, ela ainda não se chamava

Salon Line. Os produtos para

cabelo entraram para o portfólio

efetivamente apenas no ano seguinte.

No início, importávamos

produtos de alisamento e transformação

para cabelo afro, e foi

dando muito certo. Tanto que

se tornou o foco da empresa e a

marca de depilação, a DepiRoll

(que existe e é muito forte ainda

hoje) foi vendida. Depois acabamos

por montar fábrica e produzir

produtos no Brasil – uma das

principais inovações nessa época

foi a marca Light Color, uma

coloração tonalizante que pode

ser aplicada logo após processos

de química. Em 2014, quando a

nossa consumidora começou a

falar sobre cabelos naturais e a

cuidar dos cachos, entramos com

um novo posicionamento de comunicação

e de produtos – com

portfólio focado em tratamento.

Foi aí que começamos a aparecer

mais.

E como vem sendo construída a marca

Salon Line de lá para cá?

Essa mudança que começamos

em 2014 foi uma questão de

sobrevivência. Sempre tivemos

uma comunicação muito próxima

a nossa consumidora, principalmente

nas redes sociais, então

vimos esse movimento da transição

capilar e começamos a desenvolver

marcas e produtos de

acordo com a nova necessidade;

nossa primeira marca nesse posicionamento

foi a SOS Cachos.

Mas nós éramos uma marca que

por muitos anos alisou o cabelo

desse público e, de repente, queríamos

falar que ela poderia ser

crespa também com a gente. Então

apostamos em uma estratégia

expressiva com influenciadores.

Ninguém melhor do que as blogueiras

e nomes da internet ensinando

ao nosso público como

cuidar do cabelo nesse novo momento.

A partir daí tivemos todo

um processo de reposiciona-

mento institucional, sentimos a

necessidade de entender quem a

gente era, como estávamos sendo

vistos. Fizemos um grande trabalho

de branding e a partir de então

pudemos focar em lançamentos

de forma mais organizada, com

foco na cliente e comunicação

muito frequente, quase diária,

por meio de nossas plataformas

sociais – inclusive convidando essas

mulheres para conversar com

a gente e participar dos processos.

E essa consumidora sempre

participa e vai participar de tudo

o que fazemos por aqui.

A presença da Salon Line nas redes

é realmente massiva. De que forma

isso impacta, de fato, o negócio de

vocês?

Ao longo dos anos fomos desenvolvendo

um relacionamento,

viramos uma love brand.

Por causa de nossa interação, a

conexão com a consumidora se

transformou em amor: somos

uma amiga que é acessível, que a

ajuda porque nosso produto funciona.

Isso com certeza impacta

nossas vendas, vemos isso com

nosso crescimento ao longo dos

últimos anos. Para conseguirmos

continuar a dar suporte e manter

o mesmo atendimento, nossa

estrutura interna também vem

crescendo muito.

Qual a relevância da parceria com as

celebridades na estratégia atual de

vocês?

Até 2016 trabalhávamos com

influenciadores de forma pontual,

mas foi só nesse ano que formamos

o primeiro time com contrato

anual. Mas o grande marco

para a Salon Line foi a contratação

da Ludmilla, em 2017. Foi aí

que percebemos o quanto já havíamos

crescido e adquirido tamanho

suficiente para contratar alguém

desse porte. Ela estava em

transição capilar, fizemos uma

supercampanha, e realmente a

empresa era uma antes e é outra

depois dessas ações. Há dois anos

trouxemos para o nosso time a

Preta Gil. Até então, a gente só tinha

produtos para cachos e crespos,

e foi então que ampliamos

nossa atuação para cabelos lisos.

Vemos na Preta uma personificação

da nossa marca: ela é in-

clusiva, acessível, compreensiva,

gente como a gente. Todas essas

características são usadas também

pelas consumidoras Salon

Line quando elas descrevem a

nossa marca.

A Salon Line também vem sendo

bastante reconhecida pelos consumidores

quando o tema é empoderamento.

De que forma isso é trabalhado

internamente?

Empoderamento feminino faz

parte de nossa cultura, e tentamos

fazer com que isso seja refletido

em todas as áreas dentro da

empresa – e em nossa comunicação

externa. O trabalho de empoderamento

e da autoestima que

fazemos se relaciona com a nossa

defesa de que a mulher pode ser

o que ela quiser, sem ceder a padrões

e condições da sociedade

sobre seu corpo, orientação sexual,

cabelo, cor... trabalhamos isso

muito fortemente em nossos pilares

de comunicação, e é por isso

que a consumidora hoje enxerga

a Salon Line dessa forma, como

uma aliada nessas questões. Somos

uma marca que vai aceitá-la

como ela quiser ser: com química

ou progressiva no cabelo ou com

o cabelo natural. A nossa assinatura

é Transforme-se em Você,

que nada mais é do que nossa

missão de ajudar as pessoas a se

transformarem nas melhores versões

de si mesmas.

Vocês têm alguma ajuda na curadoria

desse tipo de comunicação?

Realizamos trabalhos em parceria

com o Mooc, coletivo de

produção da Conspiração Filmes

formado por profissionais ne-

“a mulher

pode ser

o que ela

quiser, sem

ceder a

padrões e

condições da

sociedade

26 30 de setembro de 2019 - jornal propmark


gros. A primeira campanha que

fizemos com eles foi Se eu quiser

eu posso, estrelada pela Iza e pela

Preta. Nela, colocamos mulheres

com todos os tipos de corpo,

cabelos, grisalhas, síndrome de

Down. Em nossa última campanha,

Celebrando Rainhas Crespas

e Cacheadas, as modelos do

casting ficaram surpresas com a

quantidade de pessoas negras em

um mesmo set, que normalmente

é formado por mais pessoas

brancas. Inclusão e representatividade

importam, sim. O coletivo

também já deu workshops para

nossa equipe e nos ajuda a falar

de forma correta com nosso público

– até para entendermos se

algo que achamos legal é positivo

mesmo ou se estamos sendo preconceituosos

sem querer.

Em um ambiente sociopolítico tão

polarizado, vocês são criticados por

promover o empoderamento dessas

minorias?

A gente recebe críticas quando

não se posiciona. Em nossas

redes, a gente responde absolutamente

a todos comentários, nem

que seja com um coraçãozinho,

e o pessoal sabe disso. Por isso,

quando acontece alguma coisa,

as pessoas esperam para saber o

que vamos falar. Já tivemos casos

de campanhas de outras marcas

com temas que os consumidores

acreditaram que era de nossa

propriedade, e pediram por nosso

posicionamento. Temos muitos

aliados nesse sentido.

Além do trabalho com o Mooc, da

Conspiração Filmes, quais são as

agências ou parcerias estratégicas

de comunicação que vocês têm?

A Take4 Content é a produtora

responsável por todo o conteúdo

de nosso YouTube. Já tivemos

agências no passado, mas, como

trabalhamos de uma forma superágil

e com processos rápidos,

acabamos por internalizar todo o

trabalho. Temos equipes de criação,

conteúdo, tudo é feito aqui

dentro. Quando é necessário,

contratamos produtoras ou parceiros

específicos. Temos inclusive

dois estúdios próprios e a Casa

Salon Line, que é uma casa estúdio

no Rio de Janeiro que usamos

para produzir conteúdo e ainda

realizar ações de encantamento

com as consumidoras – levamos

elas para acompanhar gravações

e conhecer de perto nossas embaixadoras

de marca, como Erika

Januza e Kéfera.

Divulgação/Dio Bastoge

Falando em encantamento, recentemente

vocês sortearam uma consumidora

para integrar o time de embaixadoras

de vocês. Qual o retorno

disso para a marca?

A promoção Quero ser Embaixadora

foi muito melhor do que

a gente imaginava. Fomos desestimulados

pelas empresas que

fazem esse tipo de interface com

os órgãos regulatórios. Eles falavam

que a burocracia seria muito

grande em relação ao retorno.

Mas seguimos em frente e tivemos

mais de 55 mil inscritos, cada

um participando com uma média

de 3 cupons. Com certeza vamos

repetir essa ação no próximo ano

porque já tivemos essa demanda

do nosso público. A Mayarah Batista,

vencedora da ação, já participou

de nossa última campanha

e vamos fazer coisas muito legais

junto a ela.

Como costuma ser a estratégia de

mídia de vocês?

Basicamente em todas as campanhas

fazemos OOH de acordo

com a localização do público e o

tipo de produto; fazemos também

muito rádio. Já trabalhamos

com outras mídias no offline, mas

acreditamos muito no investimento

online, nosso grande foco de

atuação é no digital.

Quais públicos vocês pretendem atingir

dessa forma?

A gente trabalha com o público

CD, que não tem dinheiro pra jogar

fora. Se eu fizer um produto

que não é bom, que não funciona,

ele vai comprar uma vez e não vai

querer saber de novo. Então eu

preciso entregar um produto com

um preço acessível e que valha

cada real. Existe muito preconceito

em relação ao preço, as pessoas

acham que não vai funcionar porque

é barato; mas aí se surpreendem

quando compram e acabam

gostando realmente. Até 2017,

nossa estratégia para se conectar

com esse público era lançar um

produto novo toda semana. Foi

“existe muito

preconceito

em relação

ao preço”

insano. Mas antes havia um gap

de mercado para preencher, e

desde o ano passado entendemos

que já tínhamos uma quantidade

suficiente de produto para trabalhar

de forma mais lenta. Então

começamos a ter janelas de lançamento

e apresentamos as novidades

a cada dois, no máximo 3

meses em média.

jornal propmark - 30 de setembro de 2019 27


markeTing & negócios

Joshua Hanson/Unsplash

Todo mundo de

olho na TV - 2

Movimentos recentes de translação do

mercado em torno do meio são decorrentes

da sua força, segundo a Thinkbox

Rafael Sampaio

entidade que desde 2005 cuida do

A marketing da TV no Reino Unido divulgou

recentemente um estudo sobre os resultados

do uso desse meio pelas pequenas

e médias empresas. A Thinkbox tem feito

um excelente trabalho sobre o efeito da

publicidade na TV para as grandes marcas

e agora constata que os retornos são ainda

melhores para os anunciantes menores.

O estudo foi feito em duas etapas, com 17

entrevistas qualitativas em profundidade,

primeiro, e uma pesquisa econométrica,

depois, envolvendo mais de 300 marcas de

78 anunciantes - e pode ser acessado em

https://bit.ly/2m5HXO2. Suas principais

conclusões reforçam o que se sabia sobre o

efeitos da TV, tanto na geração de negócios

como na construção de marcas, e podem

ser resumidos em 6 pontos.

Existem quatro gatilhos principais que

sinalizam que um anunciante está pronto

para entrar na TV: no momento em que as

campanhas existentes não conseguem os

mesmos efeitos para o mesmo investimento;

a necessidade de expandir os negócios

e criar um novo polo de demanda; a ambição

de construir e gerar reconhecimento da

marca; e a crença na publicidade audiovisual

para impulsionar o alcance e estabelecer

conexões com os clientes. A escala é

o maior fator de eficácia. As pequenas empresas

devem priorizar o crescimento em

detrimento do lucro, pois é o crescimento

que gera o lucro.

A publicidade tem um efeito de curto

prazo e sustentável de vendas. A publicidade

afeta imediatamente as vendas, mas

também funcionará muito depois que a

campanha terminar, gerando negócios repetidos

e ressoando junto aos clientes que

não a viram inicialmente. O momento de

retornos decrescentes precisa ser identificado.

Os anunciantes devem investir

em canais que estimulem a nova demanda,

não naqueles que captam o interesse

existente. A TV impulsiona o crescimento

quando outros canais de mídia atingem o

ponto de saturação.

Estratégias que aproveitam os benefícios

da TV, mas a um custo menor, podem

funcionar bem como ponto de partida. Isso

pode incluir publicidade em épocas ou períodos

mais baratos ou o emprego de mensagens

mais curtas. Os anunciantes devem

iniciar na TV com uma abordagem mais

rápida e de alto impacto, em vez de uma estrutura

menor de gotejamento contínuo. A

repercussão é crucial para o crescimento e

sua ausência torna os esforços de ativação

mais difíceis.

Entre pontos específicos analisados e

revelados pelo estudo está o fato de que

“existe vida além de performance”, ou seja,

pode terminar em um beco sem saída insistir

sempre na maior eficiência (ROI) para

os investimentos, que pode esgotar um determinado

segmento de clientes e deixar a

marca com pouco futuro. Três atitudes positivas

dos pequenos e médios anunciantes

bem-sucedidos - que crescem - são destacadas:

buscar o ganho de escala, manter a

ambição da marca e acreditar nas mensagens

dedeo.

Um ponto de particular relevância para

esse gênero de anunciante de menor porte,

logo com menos estoque de capital, é a demanda

por gerar resultados mais rápidos,

mas sem comprometer seu crescimento e a

intensidade e velocidade de retorno.

Com base em dados reais, obtidos pela

média dos resultados mensurados, foi calculado

que uma campanha com investimentos

de 1,25 milhão de libras, feita em

4 semanas, gera de imediato aumento de

vendas médio de 25% por semana. Nas 5

a 6 semanas seguintes, fora do ar, as vendas

continuam mais elevadas que antes do

esforço, mas seu efeito continua inclusive

além do pay-back da verba aplicada, que

ocorre em cerca de 4 meses - sem considerar

os efeitos de longo prazo sobre o aumento

da força da marca.

Rafael Sampaio é consultor em propaganda

rafaelsampaio103@gmail.com

28 30 de setembro de 2019 - jornal propmark


eyond the line

Andrew Itaga/Unspash

Pela inclusão

étnico-racial

Movimento representa mais um avanço

na direção de um ambiente mais inclusivo

Alexis Thuller PAgliArini

No último dia 23, em São Paulo, na Cinemateca

Brasileira, durante o Festival do

Clube de Criação, foi realizada a cerimônia

de assinatura do Pacto de Inclusão Social de

Jovens Negras e Negros no Mercado de Trabalho.

O foco era o mercado de trabalho das

agências de propaganda porque, como disse

Valdirene Silva de Assis, procuradora do

trabalho e coordenadora regional/SP de Promoção

de Igualdade de Oportunidades e Eliminação

de Discriminação no Trabalho (Coordigualdade),

engajar as agências de propaganda

é um dos caminhos mais eficazes de

disseminação de ideias.

Mas o motivo menos nobre de envolver as

agências é também o fato de haver poucos

profissionais negros nas agências de propaganda.

Estive na cerimônia para, ao lado dos

colegas Humberto Mendes e Vilma de Oliveira,

representar a Fenapro, que é signatária do

pacto. Nosso decano Humberto Mendes nos

representou na assinatura do documento.

Esse movimento representa mais um

avanço na direção de um ambiente mais

inclusivo e menos preconceituoso, também

no ecossistema da propaganda. Não à toa,

o Cannes Lions deste ano foi tão pródigo na

premiação de cases voltados à inclusão e

às iniciativas de combate ao racismo. Nada

menos de três Grand Prix adotaram explicitamente

a temática de combate ao racismo,

um deles brasileiro: da AKQA para Baco Exu

do Blues – lançamento do álbum Bluesman

– ganhador na categoria Entertainment for

Music.

Nesta mesma categoria, houve outro ganhador

de Grand Prix, coincidentemente

adotando temática idêntica. Foi a campanha

de This is America, do cantor Childish Gambino,

desenvolvida pela Doomsday Entertainment,

de Los Angeles, EUA. Ambas fizeram

do lançamento de álbuns verdadeiros

manifestos contra o racismo.

O terceiro case ganhador de Grand Prix

com abordagem contra o preconceito racial

foi o da FCB, em parceria com a Six, de Toronto,

Canadá.

Trata-se do impactante Go Back to Africa,

desenvolvido para a Black & Abroad, visando

ao estímulo do turismo de negros para seus

países de origem (ou de origem dos seus ancestrais).

Eles conseguiram transformar a

expressão odiosa “Volte pra África!”, usada

por racistas e supremacistas radicais americanos,

em algo positivo.

A mensagem central foi Go Back to Africa,

mas adotada de forma positiva, convidando

negros a voltarem para a África, mas para

curtir as belezas dos 54 países do continente

africano. Esses três cases foram expressões

importantes de um movimento de inclusão,

já presente há anos no Cannes Lions, mas

não foram as únicas.

A discussão extrapolou a premiação e permeou

o conteúdo do evento também. Os publicitários

são estimulados a incluir nas suas

campanhas representantes de etnias fora do

estereótipo do tipo caucasiano. Mas o movimento

não para por aí: a inclusão deve se dar

também para dentro das agências e anunciantes.

É preciso pensar na diversidade de forma

holística, incluindo negros à equipe que vai

desenvolver ideias e campanhas publicitárias.

Ou seja, devemos vê-los representados

não só nas imagens das peças publicitárias,

mas, também, entre aqueles que criam e planejam

essas campanhas. Esse é o pacto que

foi assinado por importantes agências de publicidade

e por instituições como Fenapro,

Abap e Sinapros.

É, sim, uma inciativa de resgate à igualdade

racial, mas também de justiça ao tamanho

do mercado.

Os negros são maioria no Brasil, representando

56% da população. Por que, então, não

estão representados em mesma proporção no

mercado de trabalho e nas imagens das campanhas

publicitárias brasileiras?

Alguns devem pensar em praticá-la (a

inclusão social) como um ato de justiça social,

outros, mais pragmáticos, devem fazê-

-lo pensando na conquista de um mercado

maior para seus produtos.

Afinal, os negros são maioria neste país!

Não importa o motivo. É hora de nos mobilizarmos

por um mundo mais inclusivo, mais

justo e mais diverso!

Alexis Thuller Pagliarini é superintendente

da Fenapro (Federação Nacional das Agências

de Propaganda)

alexis@fenapro.org.br

jornal propmark - 30 de setembro de 2019 29


aReNa do espoRte

Danúbia Paraizo danubia@propmark.com.br

Fotos: Divulgação

Respeito

A Rainha está se reposicionando no mercado esportivo e de lifestyle, assimilando um

discurso mais forte ligado a empoderamento, autenticidade e respeito. Pensando nisso,

apresentou na semana passada nova campanha institucional que aborda esses novos

atributos e também apresenta a nova linha de calçados da marca. Com resgate ao passado,

a companhia traz de volta modelos que se destacaram nos anos 1980 e 1990, como os

icônicos VL2500 e o Rainha System.

Respeito 2

A campanha Sua trajetória merece respeito traz ainda um videomanifesto que está sendo

veiculado nas redes sociais da marca e em programas de TV. Segundo Victor Lange, gerente-geral

da Rainha, a fabricante quer se conectar com o público jovem, trazendo reflexões

sobre o que é ser autêntico nos dias de hoje.

sem motoR

Na semana que marcou o Dia Mundial Sem Carro (22), a Volvo promoveu uma troca a seus

consumidores. Em favor da mobilidade urbana, a fabricante de automóveis substituiu

a figura de seus carros nas peças publicitárias por tênis da Adidas. Na ação conjunta, os

clientes foram “surpreendidos” pela campanha no digital, que redirecionou os clientes

para ofertas de tênis de corrida com descontos. “A ideia é interessante porque a campanha

convida os motoristas a desfrutar de um domingo diferente. Por que não pendurar a chave

do carro e calçar um produto de nossa parceira e sair para caminhar nesse dia?”, sugere

Camila Mateus, head de marketing da Volvo Car Brasil. A parceria entre a fabricante de

automóveis e a Adidas é uma ação criada pela Grey Brasil, agência da Volvo.

Visibilidade

O Campeonato Carioca tem novo patrocinador oficial. A plataforma de compra e vendas

de automóveis Mobiauto fechou acordo com a Federação Esportiva do Rio de Janeiro, e

com os canais do grupo Globo - TV Globo, SporTV e Premiere - para trabalhar ativações e

exposição da marca. O torneio ocorre entre janeiro e abril de 2020, com entregas de mídia

em painéis de LED em 15 jogos da TV aberta, painel estático em pelo menos 50 jogos da TV

fechada, além da presença de marca em backdrops, pódios, eventos oficiais da competição

e galhardetes instalados nos principais bairros da cidade, entre outros.

Nostalgia

A Puma está trazendo de volta um

clássico repaginado. O modelo Roma

ganhou uma versão comemorativa em

homenagem aos títulos nacionais do

Palmeiras. Fornecedora esportiva do

clube, a marca lançou um tênis que traz

detalhes na região do calcanhar com as

14 taças nacionais conquistadas pelo

clube alviverde. O tênis, que em sua

primeira versão homenageou a seleção

italiana, vencedora do campeonato europeu

de 1968, agora celebra os títulos

do time paulista: 10 taças do Campeonato

Brasileiro, três da Copa do Brasil e

uma Copa dos Campeões de 2000.

elas

O time de futebol feminino do

Atlético-MG tem novo patrocinador. Por

meio do projeto Minas Esportivo - Lei

Estadual de Incentivo ao Esporte –, o clube

fechou um acordo de patrocínio com o

Guaraná Antarctica. Dando continuidade

ao posicionamento É Coisa Nossa, que

valoriza a cultura brasileira, a marca de

refrigerantes da Ambev será a principal

parceira das atletas nas próximas competições.

Este é o primeiro clube de futebol a

receber apoio da marca.

Rumo a tóquio

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) celebra

a contagem regressiva de 300 dias para os

Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 com uma

exposição do personagem Ginga. O mascote

do Time Brasil é protagonista de uma

mostra temática no Parque Madureira, no

Rio de Janeiro. Para promover as novas

modalidades na competição, foram desenvolvidas

estátuas do Ginga praticando

beisebol/softbol, escalada, karatê, skate e

surfe. As peças ficarão no Parque Madureira

até o fim de outubro, para que o público

possa visitar, tirar fotos e interagir com as

esculturas. Em seguida, as peças rodarão o

país em ações e eventos promovidos pelo

COB. A inauguração da exposição ocorreu

na semana passada, com a presença dos

medalhistas olímpicos Jackie Silva (vôlei

de praia), Giovane Gávio (vôlei) e Robson

Caetano (atletismo).

30 30 de setembro de 2019 - jornal propmark


quem fez

Danúbia Paraizo danubia@propmark.com.br

exagerado

O jornalista Marcio Canuto, também conhecido

como o Caps Lock Humano, inspirou a nova

campanha do McDonald’s. Para divulgar a

chegada do Giga Tasty, a rede de fast-food resgatou

os principais memes do personagem:

Tenha Calma, QueQueAchô e Canuto Caiu. A

ideia é trazer de forma bem-humorada todo o

exagero de sabor do sanduíche.

DPZ&T

McDonalD’s

Fotos: Divulgação

Título: Canutasty; produto: Giga Tasty; criação:

Marcelo Carvalho, Bernardo Silveira e Tiago Zanatta;

produtora de filme: Prodigo Films; direção: Laga

Villanova; produtora de som: Lucha Libre Audio;

aprovação do cliente: João Branco, Marcelo Ferronato

e Lariane Duarte.

simplicidade

O bom humor é a linha criativa da nova

campanha da ConectCar. Com o conceito

Por Onde Você For, a comunicação traz situações

inusitadas que reforçam os benefícios

e atributos do serviço, como descontos

no combustível. A ideia é mostrar que os

benefícios vão além da simples abertura de

cancelas em pedágios e outros locais.

EnErgy bbDO

conectcar

Título: Vale a Pena; produto: institucional; criação:

Romero Cavalcanti e Guilherme Nóbrega;

produtora de filme: Delicatessen Filmes; direção:

Nobre; produtora de som: Antfood; aprovação

do cliente: Maria Carolina Santos, Carolina

Sorrentino e Marília Giraudon.

reforço

A Pampers escolheu o bom humor para dar o tom

da divulgação de seus lançamentos: Pants Ajuste

Total e Premium Care Pants. No filme, Ivete Sangalo

prova o seu talento na missão de trocar fraldas.

Mostrando que a partir dos seis meses os bebês

tendem a ficar mais agitados, a comunicação

destaca a importância de ter produtos reforçados.

Publicis

P&G

Título: Trocar virou uma bagunça; produto: Pampers

Pants; criação: Daniel Bensusan, Giovani Baggio e Rodrigo

Panachão; produtora de filme: Trator Filmes; direção:

Gabi Brites; produtora de som: A9; aprovação do

cliente: Laura Vicentini, Gabriel Vultaggio, Julia Asakawa,

Thais Garcia, Antonio Rosciano, Leticia Figueiredo,

Gabrielle Silva e Cinthia Oliveira.

32 30 de setembro de 2019 - jornal propmark


legado

A Amanco está se reposicionando. E para anunciar as mudanças,

a marca traz filme estrelado pelo ex-jogador Túlio

Maravilha. Agora rebatizada de Amanco Wavin, a fabricante

de tubos e conexões divulga como propósito a geração

de impacto positivo nas comunidades e no mundo.

Na campanha, a marca reforça o conceito Parceria Além da

Obra. Voltada para clientes finais, profissionais de instalação

hidráulica e elétrica, profissionais do varejo, engenheiros,

arquitetos e projetistas, a comunicação traz um

toque de irreverência para destacar a importância da recomendação

de um profissional na instalação dos produtos.

Além de filmes para TV e digital, a marca produziu uma

coleção de memes para redes sociais.

ArTPlAn

aManco Wavin

Título: Parceria Além da Obra 2019; produto: institucional; criação:

Rodrigo Niemeyer, José Pedro Bortolini, Rafael Pascarella e

Ary Nogueira; produtora de filme: O2 Filmes; direção: Rodrigo

Pesavento; produtora de som: Play It Again; aprovação do cliente:

Fábia Guerra, Flávia Souto, Julio Rodrigues, Guilherme Duarte e

Isabela Almeida.

labuta

A campanha que estreia o novo posicionamento

da Cielo mostra a luta diária dos

empreendedores. Sem ser estrelado por celebridades,

o filme é embalado pelo hit E vamos

à luta, de Gonzaguinha. A comunicação

estreia ainda o conceito Cielo. Com você, na

luta de todos os dias, que reforça o trabalho

àrduo de quem tem o próprio negócio.

AlmAPbbDO

cielo

Título: A Luta; produto: Nova Cielo; criação: Ricardo

Chester e Bruno Prosperi; produtora de filme:

Killers; direção: Rog Souza; produtora de som:

Satelite Audio; aprovação do cliente: Simone Cesena,

Thalita Martorelli, Natalia Garruti, Gi Soo

Kim, Eric Ferreira, Natalia Teixeira, João Pedro Oliveira

e Catarina Xidieh.

autocuidado

Para marcar seu reposicionamento, a Molico

estreia a série Caminhos que nos trazem de

volta. O conteúdo reforça o posicionamento

do leite como o restaurador nutricional para

adultos que têm uma vida agitada. A campanha

conta a história real de pessoas com rotinas

diferentes, que viveram uma mudança

interna ou externa e valorizam as suas conquistas.

Publicis

nestlé

Título: Você de volta; produto: Molico; produtora

do filme: Three Little Birds; direção: Lívia Miglioli

e Daniel Alfaya; projetos especiais: LACRI (Laboratório

Criativo): Gabriela Mortati, Maria Lidia Boseggia

e Daniela Medeiros; aprovação do cliente:

Nathaly Glashan.

jornal propmark - 30 de setembro de 2019 33


digital

R7 completa 10 anos ampliando

ofertas de conteúdo transmídia

Com quase 150 milhões de seguidores nas redes sociais, portal aposta

na integração com a Record TV para formatos editoriais e comerciais

Danúbia Paraizo

dia 27 de setembro de 2009

O foi marcado pela chegada

de um novo player no concorrido

mercado de mídia digital.

Surgia o R7.com.br, plataforma

de notícias do grupo Record. À

época, portais como G1, UOL

e Terra já estavam bem estabelecidos

para a cobertura do

noticiário local e internacional,

mas o cenário era efervecente

para o desenvolvimento de um

novo veículo, sobretudo, para

um projeto antenado a novos

formatos de entrega de informação

e entretenimento. É o

que explica Antonio Guerreiro,

vice-presidente de jornalismo

da Record TV. “Nosso mindset

já nasceu transformador. A

gente chegou em um momento

em que as redes sociais ainda

não tinham estourado, nem

alcançavam a audiência que

elas têm hoje. A gente não teve

vergonha de dizer que cresceríamos

junto com o interesse das

pessoas pela internet. Procuramos

ser o portal do entrante o

tempo inteiro”.

Segundo o executivo, em

meio a um cenário digital com

atualizações constantes, o R7

encontrou seu espaço ao investir

na complementariedade

dos meios que compõem o grupo

Record, trazendo conteúdo

transmídia relevante para sua

audiência ao mesmo tempo

que serve como laboratório de

experimentação para o grupo

como um todo. Hoje são mais

de 60 milhões de visitantes

únicos, com crescimento importante

no ambiente mobile:

53 milhões de seus visitantes

únicos utilizam dispositivos

móveis para acessar o portal

e mais de 69% das page views

são via mobile. “O R7 sempre

foi nosso farol de inovação, ele

ajuda o grupo a enxergar o que

está vindo de tendência de formatos

e conteúdo. Quando teve

a explosão das redes sociais,

por exemplo, criamos a uni-

Divulgação/ grupo Record

Antonio Guerreiro, vice-presidente da Record TV, reforça o papel de inovação do R7 e como ele funciona como laboratório para o grupo

dade Engage Go para criar, impulsionar

e comercializar perfis

dos nossos talentos em redes

sociais. Depois disso, criamos

uma unidade de licenciamentos,

entre outras inovações até

chegarmos ao Play Plus, parceria

com a Record TV para o

serviço de streaming”, destaca.

Passados 10 anos, o R7 tem se

consolidado também nas transmissões

ao vivo, como nos Jogos

Pan-Americanos deste ano,

com conteúdos específicos para

cada rede social. Ao todo o site

soma quase 150 milhões de seguidores

no Instagram, Facebook,

Twitter e YouTube.

“A receitA

de digitAl é

importAnte

porque elA vem

ligAdA à inovAção”

ciais da emissora, além de um

quinto boletim exclusivo para a

internet. O conteúdo é apresentado

pelo Bradesco. “Há uma

migração natural de receitas de

mídia offline para o digital. É

claro que a força da TV aberta

continua incontestável, e sempre

será. A receita de digital é

muito importante porque ela

sempre vem ligada à inovação,

a uma ideia nova, com um jeito

próprio de o editorial entrar na

conversa. É muito positivo ter o

R7 não apenas pela receita que

ele traz, que já é relevante, mas

principalmente pelo viés de

inovação que ele obrigatoriamente

traz”, diz Guerreiro.

Para marcar seus 10 anos,

o R7 segue o modelo que tem

orientado seu crescimento na

negócios

A evolução comercial tem

sido um dos pilares para o

crescimento do R7. A máxima

é oferecer mais do que a mídia

display tradicional na internet.

Desde o começo de setembro,

por exemplo, o R7 promove o

JR24h, projeto de jornalismo

que ganhou quatro boletins de

notícias ao vivo ao longo do dia

na Record TV e nas redes soúltima

década, ampliando seu

DNA transmídia. Com base em

pesquisas sobre a jornada do

consumidor junto a consultorias

como Realtime Big Data,

Web Estratégica e Google, o portal

inaugurou na semana passada

novo layout e formatações

de conteúdo, além de entregas

comerciais ainda mais flexíveis.

“O R7 foi o caçula dos portais e

esse fator nos cabe bem quando

pensamos em propaganda.

A gente está aberto a inovação,

brincadeiras com a marca, troca

de cores etc. Preserva mos

nossos valores e credibilidade,

mas o DNA da mudança é nosso”,

reforça o executivo.

Por fim, as notícias ganharão

mais relevância não apenas no

site, mas também no mobile.

“Podemos esperar muito mais

curadoria, hardnews e opinião.

A gente faz entretenimento

muito bem, mas o hardnews

ganhará força porque, nessa

época de confusão entre o que

é fato e fake, queremos nos posicionar

para levar a melhor informação”,

finaliza Guerreiro.

34 30 de setembro de 2019 - jornal propmark


digiTal

YouTube terá premiação voltada

ao mercado publicitário brasileiro

Plataforma estreia

série de conteúdos

originais em parceria

com seis canais

YouTube Brandcast 2019 foi marcado

O por três anúncios sobre a plataforma.

A partir de outubro, serão lançados os seis

primeiros YouTube Originals brasileiros,

entre eles, Whindersson – Próxima Parada,

com patrocínio da Motorola.

Também foram apresentados os resultados

da nova pesquisa Video Viewers,

mostrando que o brasileiro já consome

mais vídeo online que conteúdo da TV

aberta. Outro tema discutido no evento

foi a chegada ao país do YouTube Works

Awards, prêmio que celebra criatividade e

a eficiência publicitária na plataforma.

Os seis primeiros YouTube Originals

produzidos no país serão em parceria com

os criadores Whindersson Nunes, Porta

dos Fundos, Desimpedidos, Nathalia Arcuri,

Manual do Mundo e a produtora Los

Bragas. Com esse projeto, a plataforma

investe em elementos de criação, desde a

produção até o suporte de marketing e promoção

do conteúdo.

O YouTube apresentou ainda o estudo

Video Viewers, que demonstrou a preferência

do brasileiro por conteúdo online.

O consumo dedeo na web cresceu 165%

no Brasil nos últimos cinco anos, enquanto

o de programação da TV teve acréscimo de

24% no mesmo período. Além disso, a pesquisa

mostrou que 9% dos brasileiros não

acompanham a programação da TV.

O estudo apontou também que quando

se fala sobre interesses de usuários e das

marcas na plataforma, 60% dos entrevistados

afirmam ter considerado comprar

um produto depois de assistir a um vídeo

no YouTube. A plataforma reuniu alguns

de seus principais cases com marcas como

Ambev, Carrefour, Estácio e Natura.

Outra novidade foi a chegada do You-

Tube Works Awards, prêmio que celebra

marcas e agências por trás das campanhas

publicitárias mais eficientes veiculadas na

plataforma. A premiação é realizada em colaboração

com a Kantar e já acontece em diversos

países. No Brasil, serão selecionados

os melhores trabalhos publicitários em sete

categorias diferentes.

O resultado sai em janeiro de 2020 e o

júri é composto por profissionais com experiência

na área, para trazer perspectivas

diversas sobre criatividade, marketing e

mídia.

Whindersson Nunes celebra estreia de Próxima Parada, conteúdo do YouTube Originals com patrocínio da Motorola

Divulgação

jornal propmark - 30 de setembro de 2019 35


Giro no mercado by propmark

Fotos: Alê Oliveira

Marcia Esteves, CEO e presidente da agência, e Elise Passamani, VP de operações, apresentam um pouco do dia a dia da Grey Brasil e do foco nas pessoas dentro e fora de casa

Grey Brasil tem cultura open space

e trabalha no modelo brand table

Com cerca de 200 pessoas, agência tem unidades especializadas, uma

série de iniciativas para os times e coloca o cliente no centro de tudo

JÉSSICA OLIVEIRA

Logo no começo, o tour pela

Grey Brasil tem um momento

decisivo: a chegada ao fim

da área social e começo da área

de staff, o coração da agência.

Desse momento em diante, pela

confidencialidade de dados

e intensidade de trabalho, somente

colaboradores e pessoas

acompanhadas podem entrar.

O posicionamento Propaganda

que é muito mais que propaganda,

que coloca a agência

mais como agente transformador

e conector, pode ser visto

em todo o trajeto, seja em materiais

gráficos ou na organização

de espaço e pessoas. “Nosso

mantra, nossa cultura, tudo é

feito a centenas de mãos. Falamos

com todo mundo, fazemos

com todo mundo. Nossa cul-

tura evoluiu, mas é uma florzinha

que tem de regar todos

os dias. Tudo é feito por eles e

para eles”, explica Marcia Esteves,

CEO e presidente da agência,

que tem atualmente cerca

Agência tem cultura open space com os times no mesmo lugar e poucas salas

de 200 pessoas.

Ao lado dela, Elise Passamani,

VP de operações, apresenta

o espaço em que fica a maior

parte dos colaboradores. Com

poucas salas fechadas, a agência

tem o padrão de open space.

As salas das lideranças ficam

lado a lado entre elas, bem próximas

do RH, do financeiro e

das equipes. “Está todo mundo

sempre vendo o que está acontecendo.

É um espaço muito

mais colaborativo, acabam sendo

salas de reunião, estamos

perto”, explica Elise. “E RH e

financeiro estão grudados em

nós, não são áreas de backoffice,

mas de front e estratégicos.

Não é ponta, é início. Não é só

para fazer entrevista, mas para

acompanhar todo o processo de

cultura”, acrescenta Marcia.

cliente no centro

Os times trabalham no modelo

brand table, com as especialidades

por marca ou grupo

de marcas atendidas, como

Gillette, Pantene, Devassa e XP,

36 30 de setembro de 2019 - jornal propmark


sentando juntas: negócios, planejamento,

business inteligence,

mídia e, mais recentemente,

criação. “Muita gente tentou

fazer esse modelo, mas a criação

ficou apartada porque esse

é o mindset do mercado. Há um

ano a gente conseguiu quebrar

esse modelo. Eles precisam

pensar no negócio e não apenas

na criatividade”.

Outro ponto é que a agência

não fala mais de áreas, mas de

marcas, criatividade, ideias e

ir além dos 30 segundos, sempre

tendo o cliente no centro de

tudo. “Não é só o atendimento

o responsável por trazer a informação

do cliente. Não tem problema

se for a criação ou a mídia.

A gente ganha a agilidade e

integração, tira a burocracia, o

cliente conhece todo mundo. É

um time pensando nele, com as

áreas necessárias para ele, não

cada um cuidando de um pedaço.

Levamos dois anos para colocar

isso de pé”, conta Marcia.

No cuidado com as pessoas,

a agência tem alguns locais

e iniciativas, como um espaço

de descompressão. O local

fica ao lado das brand tables, e

oferece tranquilidade para deitar,

ler, descansar ou ficar em

meio ao silêncio. Para garantir

o momento off, a sala não tem

paredes transparentes. O uso é

livre para os times a qualquer

momento do trabalho.

pluralidade e diversidade

Dentro do projeto de inclusão,

colaboração e igualdade,

feito com parcerias como com

a Faculdade Zumbi dos Palmares,

a agência também tem um

programa de mentores com lideranças.

“A ideia é que eles se

sintam acolhidos e não ‘apenas’

incluídos. São coisas diferentes.

Foram seis pessoas, depois

mais duas, e fechamos recentemente

uma parceria com o

Instituto Proa e temos nosso

primeiro estagiário Proa”, conraio

X

Espaço mais aberto recebe workshops, palestras e happy hour com karaokê e DJ; também há pequenas salas abertas

“Cultura não é top

down. Se não tiver

o envolvimento

de todo mundo

não funCiona”

ta Elise. Para oferecer desenvolvimento

e vivência do negócio

da agência, elas foram inseridas

em áreas como atendimento,

mídia e planejamento. A Grey

estuda os próximos passos para

expandir a inclusão, passando

por pontos como autismo, surdez

e sêniors, por exemplo.

Outra ação que tem crescido

é buscar profissionais fora

do eixo Rio-São Paulo, como

as regiões Sul, Centro-Oeste,

Nordeste, Norte e interior. O

objetivo é conhecer mais sobre

o país e ter a mistura plural e

multicultural na agência. A partir

desse conjunto de ações e

outras que estão sendo aprimoradas

e desenvolvidas, as executivas

reforçam a importância

da cultura para a Grey. “Cultura

não é top down. Se não tiver o

envolvimento de todo mundo,

não funciona. As pessoas precisam

estar engajadas e envolvidas,

e acreditar no propósito

e na visão para acontecer”, diz

Elise. “O processo de cultura

agência: Grey

ano de fundação: 1973

lideranças: Marcia Esteves (CEO e presidente), Adriano Matos

(CCO), Elise Passamani (VP de operações), Fabio Tachibana (VP

de mídia), Marcela Borges (CFO), Maria Piraja (VP de negócios),

Raquel Messias (VP de estratégia), Erica Nakamura (head de

B.I. e conteúdo), Rodrigo Tortima (diretor-executivo de criação)

principais clientes: P&G: Pantene, Gillette, Gillette Venus e

Downy; XP Investimentos; GSK: Eno, Sonrisal, Corega,

Sensodyne e Cataflam Pro; Devassa; Volvo; RecargaPay;

Itambé; Record; Reclame Aqui; TNZ; Grecin e ABA

Grey trabalha no modelo brand table, com as especialidades sentando juntas por cliente

Times também costumam usar área ao ar livre, que tem mesas e bancos

é muito profundo para nós”,

completa Marcia.

olhar mais especializado

A agência também tem unidades

de negócios com especialidades

como a Grey Human,

com foco em healthcare,

mas que por enquanto está na

zona oeste de São Paulo.

Já no mesmo endereço da

sede da agência fica a Townhouse,

que visa agilidade e

eficiência de produção de conteúdo

para atender às necessidades

de suas marcas. Com

uma equipe especializada e

estúdio próprio, a Townhouse

tem possibilidade de definir

formatos e fazer entregas ágeis

para os clientes.

Outra unidade é dedicada

a atender demandas que precisam

ir além de dados demográficos,

que já não são mais

suficientes para a identificação

de clusters. A novidade reflete

o crescimento dos mercados regionais,

do lançamento e/ou direcionamento

de produtos para

mercados específicos. Para ter

pesquisas com olhar mais local,

que absorva cultura e comportamento,

nasceu a Grey Consulting,

que já beneficiou clientes

como Devassa, que tem forte

penetração nas regiões Norte e

Nordeste. “Temos de aprender

como é em cada lugar. Buscamos

entender comportamento

para ter uma comunicação ainda

mais assertiva”, diz Marcia.

jornal propmark - 30 de setembro de 2019 37


MercAdo

Mudanças alteram perspectiva de

deres no marketing das empresas

Transformações no alto escalão da comunicação se multiplicam e

profissionais se esforçam para se adaptar e sobreviver nesse ambiente

Fotos: Divulgação

Augusto Cruz: “Evidências impossíveis de questionar”

“Todas esTas nuances

esTão moldando

a formação de um

novo profissional de

markeTing, com perfil

mulTidisciplinar”

Roberta Machado: conexão com realidade é diferencial

Felipe Turlão

troca constante de lideranças não é

A uma novidade no setor de marketing

e comunicação. Mas existe um senso entre

os entrevistados para a reportagem de

que, de dois ou três anos para cá, esse movimento

em agências, veículos, anunciantes

e demais players não apenas se intensificou,

como deixou de se configurar apenas

como uma simples dança de cadeiras.

Não se trata mais de executivos saindo

do cargo para ocupar outro, antes exercido

por alguém que também já se realocou. A

troca, quando necessária, se tornou intrínseca

às empresas diante de uma indústria

que vivencia uma plena transformação de

seu modelo, que é impactada por um contexto

de mudanças sociais. Assim, novos

perfis profissionais assumem postos de

liderança e os que não se adaptam ficam

fora do jogo.

“Este é um bom momento para conduzir

o marketing, pois são estes profissionais que

têm a chance de liderar grandes mudanças

e impactar de forma positiva os negócios e,

por consequência, a sociedade. O especialista

em marketing, hoje, está no centro de

qualquer discussão estratégica e é coautor

de uma verdadeira revolução na maneira de

pensar, agir e consumir”, avalia Sandra Martinelli,

presidente-executiva da Associação

Brasileira de Anunciantes (ABA).

Na visão da executiva, uma das características

fundamentais ao novo líder é

compreender o papel central exercido

pela tecnologia. “As mídias passaram por

mudanças radicais e, agora, informação e

conteúdo chegam de forma mais rápida,

abrangente e plural a todas as classes sociais

e faixas etárias”, resume. “Todas estas

nuances estão moldando a formação de

um novo profissional de marketing, com

perfil multidisciplinar, algo que ainda está

sendo absorvido tanto pelos profissionais

como pelas empresas, agências, veículos e

entidades”, aponta.

Os reflexos das transformações do setor

e seu impacto nos perfis dos líderes encontram

eco em números. O estudo Age and

Tenure in the C-Suite, de 2017, da consultoria

Korn Ferry, apontou que o CMO dura

apenas 4,1 anos no cargo, o menor tempo

no chamado “C-level”, o que indica as novas

exigências para a função. Em paralelo,

a pesquisa Rethink The Role Of The CMO,

da Accenture, feita em 2018, mostrou que

88% das empresas concordam que o cargo

de CMO mudou nos últimos dois anos

e se alterará continuamente nos próximos

períodos.

A mudança de perfil de liderança nos setores

de marketing e comunicação é percebida

há pelo menos dois anos por Roberta

Machado, CEO da In Press Porter Novelli,

empresa com mais de 130 clientes que

experimenta centenas de interfaces com

CMOs. “É errado creditar essas mudanças

a uma questão geracional, pois há muitos

profissionais experientes se atualizando.

Considerando isso, há duas grandes transformações

que precisam ser compreendidas

no setor. Primeiro, que a tecnologia

muda o negócio e a velocidade com que

as coisas são realizadas. E, depois, a criticidade,

que traz um cenário em que qualquer

campanha pode virar uma crise. Negócios

e indústrias que nunca estiveram

no alvo de críticas estão sendo atacados

agora. Isso exige do líder características

como resiliência, tranquilidade e frieza

para fazer julgamentos e tomar decisões

rápidas”, afirma.

Outra característica necessária ao novo

der é estar não apenas conectado, mas

à frente de novas tendências da cultura.

“Hoje em dia, é difícil sair da bolha e entender

que há outros estratos da sociedade,

outras culturas. São diferenças de pensamento

que tornam tudo mais complexo

e crítico. O profissional e a marca conectados

com a realidade têm um grande diferencial”,

aponta Roberta Machado.

AtuAção

Diversos executivos do setor estão repensando

a forma de atuar e se adaptando

a um novo mercado. Um dos exemplos é

Augusto Cruz, diretor de marketing da Cimed,

que no passado fundou e foi CEO da

Mood, agência comprada pela rede TBWA

em 2014. Para ele, se o perfil e as atitudes

de quem está na posição de liderança hoje

não se alterarem, eles sairão de cena. “Muitos

não acreditaram ou foram resistentes

às transformações e, por isso, acabaram

pagando um preço muito alto. O mundo

digital, as novas gerações, os hábitos de

consumo e comportamento, o celular que

não sai da mão, as redes sociais e o modo

como nos comunicamos, entre outras tantas,

são evidências impossíveis de questionar”,

afirma Cruz.

A quem está no mercado, ele recomenda

evitar a resistência às mudanças. “Não se

fechar para o novo, não ser vaidoso, não ser

38 30 de setembro de 2019 - jornal propmark


Fotos: Divulgação

“os cmos Têm sido

desafiados a

desenvolverem suas

esTraTégias com Todas

as meTas claras”

Sandra Martinelli: “Este é um bom momento”

teimoso, e aprender com os mais jovens o

tempo inteiro, além de consumir, nem que

seja experimentalmente, os modos comportamentais

das novas gerações”, afirma.

Para se preparar profissionalmente, ele

fala que adota rotinas simples como acordar

cedo e ler e ouvir bastante. “É preciso

mente aberta e pensamento de longo prazo.

Particularmente, o mercado publicitário

é mais polêmico que outros e mais resistente,

e isso faz com que as transformações

sejam mais traumáticas. O que a primeira e

segunda geração do mercado viveu e conviveu

não são e não serão nosso futuro,

isso está mais do que claro”, resume.

As lidanças estão desafiadas a exercer

um papel mais abrangente do que antes,

como aponta Ariel Grunkraut, diretor de

vendas e marketing do Burger King. “O

papel do marketing evoluiu. Antes, era

focado em garantir a reputação da marca

mas, hoje, é muito mais do que isso. É voltado

também para o business, geração de

impacto e construção de experiência para

o consumidor. Acredito que é necessário

um perfil mais inovador e criativo, capaz

German Carmona: “Sensibilidade de olhar dados”

de transitar com facilidade entre as diversas

áreas e promover mudanças na empresa

para gerar uma experiência cada vez

melhor para o cliente”, afirma.

Para ele, o novo líder precisa entender

que o mercado está mais focado no consumidor

e sua jornada, e que é preciso ter

entendimento para descobrir quem são os

seus clientes, como eles se comportam, e

colocá-los no centro de todas as suas estratégias.

Ele precisa ter um mindset voltado

para o crescimento da empresa baseado

em dados, ser rápido e, acima de tudo,

promotor de inovação e criatividade. Isso

significa arriscar mais e não ter medo de

errar de vez em quando”, avalia.

Para se atualizar, Ariel afirma que gosta

de ficar antenado a todas as tendências e se

conectar com profissionais do mercado a

quem admira. “Acho importante estar próximo

do nosso consumidor, seja realizando

pesquisas, analisando dados, observando

o seu comportamento nas redes sociais ou

até mesmo conversando diretamente com

alguns deles quando possível”, avalia.

Muito mais do que contribuir com

ideias, os líderes do setor precisam atuar

como agentes de transformação, sempre se

apoiando em análise de dados, conforme

analisa Cláudio Rawicz, diretor de marketing

e comunicação da Audi do Brasil. “Nas

empresas, a grande transformação tem se

dado no papel das áreas de marketing.

Hoje, somente uma boa ideia e uma grande

campanha estão muito longe de serem

suficientes. Os CMOs têm sido desafiados

a desenvolverem suas estratégias com todas

as metas claras e retorno de investimento

projetado para cada centavo investido.

Profissionais que não se adequam a

este novo cenário acabam buscando novos

caminhos em suas carreiras”, diz.

Para ele, um bom líder precisa manter a

sua força criativa, mas também conhecer

profundamente de mídias digitais e sociais,

CRM, análise de dados, performance

de mídia e PR. “Não é uma questão de

idade, e sim de atitude”, fala o executivo

da Audi, de 43 anos, que diz se atualizar

em estudos, congressos e reuniões com

empresas transformadoras, e utilizar tudo

Ariel Grunkraut: mercado mais focado no consumidor

isso nas campanhas. “É somente com essa

constante inquietude que poderemos

nos tornar líderes contemporâneos e atualizados,

com tomadas de decisões mais

robustas”.

Segundo German Carmona, gerente de

marketing da GOL, é fundamental a compreensão

de que dados são o braço direito

do executivo de marketing nessa nova era,

mas ao lado do aspecto humano. “Nos últimos

anos, construímos a infraestrutura

necessária para colocar inteligência de

análise de dados a serviço das marcas, para

agora termos a capacidade de desenhar as

estratégias. Mas a recomendação que dou

é que temos de incorporar e saber que o

ferramental está à disposição, mas não

podemos perder o olhar no cliente. O lado

humano e a sensibilidade de olhar dados

como suporte para algo maior, que une o

propósito da empresa, da marca e o pessoal

de cada um”, avalia. “Nas grandes histórias

de marca que estão sendo contadas, fica

clara a verdade humana por trás”, resume.

Veja também opiniões dederes

de agências nas páginas 40 e 41.

Cláudio Rawicz: “Questão de atitude

jornal propmark - 30 de setembro de 2019 39


Mercado

Movimento no comando das

agências indica transformação

Muitos profissionais afirmam que há uma clara

mudança de geração e que as novas mídias aceleraram

o processo; faturamento, salários e resultados

também são levados em conta

“A gente se

divertiA mAis.

AgorA você tem

essA metA e o

ebitdA é cruel”

da, regada, cuidada, por gente

que sabe o que está fazendo.

Simples assim. Não respeito a

maioria das agências que estão

aí. Pois são agenciadoras. Só

sobreviveram as criativas, pois

nosso negócio foi construído

em cima de ideias para os negócios

dos nossos clientes. Tem

agência enganando e não engajando”.

Para ele, há uma fórmula

ideal que passa pela sucessão

orgânica, pelo compromisso

com a criatividade e cultura

ambiciosa. E fala que renovar

não significa inovar. “Mas inovar

é preciso”.

Neusa spaulucci

movimentação dederes

A nas agências não para. A

cada semana, uma mudança,

que surpreende e desperta a

curiosidade nos observadores

de plantão. Afinal, o que está

acontecendo? Será que chegou

a hora de renovação? Alguns

dizem que há uma clara mudança

de geração. Já para outros

é uma transição natural,

sem drama. No entanto, depois

da saída de Fabio Fernandes,

da F/Nazca S&S, um dos ícones

da propaganda brasileira, escancarou

algo que parece não

ter fim. O PROPMARK saiu perguntando

aos principais “comandantes”

do mercado o que

pensam a respeito.

A questão central foi: será

que os dirigentes ou criativos

não se adaptaram ou não se

adaptam aos novos tempos e

não conseguem entregar o que

os anunciantes querem? E o

faturamento? E os salários? A

maioria acredita nisso tudo junto

e misturado.

Um dos profissionais, que

prefere não se identificar, afirma

que há uma visão, às vezes,

míope dos grupos de comunicação,

aos quais as agências

estão ligadas, que não enxergam

a singularidade do mercado

brasileiro. “Os grupos estão

sendo muito pressionados por

resultados. Mas resultado vem

antes de trabalho no dicionário.

Para ter resultado é preciso um

grande trabalho, feito por grandes

profissionais”.

A mesma fonte diz ainda que

os anunciantes buscam e precisam

de grandes ideias. Ideias

que engajem. “Todos tentaram

encontrar outra solução

que fosse mais in house. Eles

quiseram ter o controle. Não

rolou. Não deu certo. O grande

trabalho vem com grandes profissionais.

É assim em qualquer

indústria criativa. Profissionais

mais ou menos fazem um tra-

balho mais ou menos”, critica.

É claro que ele acha que as

mudanças são sempre bem-

-vindas, e não poderia ser diferente,

ainda mais em se tratando

de um mercado criativo, que

precisa de frescor. Ele lembra,

por exemplo, da DM9, que, segundo

ele, acabou por não ter

um “cozinheiro”, um chef, um

mestre. “Não porque o mercado

está mudando. Nunca a

criatividade foi tão necessária.

Ela engaja, conecta, converte.

Muda os ponteiros e os porquês.

Já vi muita marca fechar

por criatividade ruim. Nunca o

contrário. Criativo é chef de cozinha.

Quer médico bom, vá ao

Kalil. Quer médico mais ou menos,

sem ofensas, vá à esquina.

Publicidade é igual. Não existe

espaço para mais ou menos”,

dispara.

O executivo de uma grande

agência paulista continua firme

nas críticas que fazem todo sentido.

Ele afirma que ideia não é

mato, que nasce em qualquer

lugar. “Ideia precisa ser planta-

gestão

Outro famoso publicitário,

que também prefere o anonimato,

acredita que as mudanças

nos comandos das agências

é uma simples troca de geração.

E compara a situação da venda

de uma agência à venda de um

imóvel: “Você procura vender

uma casa enquanto ela está inteiraça,

quando ainda tem valor.

A maioria dos publicitários que

deixaram a agência, com exceção

do Fabio Fernandes, quis

sair do negócio. É uma questão

de gestão, muitas das quais foram

vendidas pelos principais

deres e estão indo muito bem,

como a AlmapBBDO e a Africa.

Não dá para colocar todo mundo

no mesmo saco. Porém, tem

a ver também com a mudança

quase ‘dramática’ do mercado.

Mas, quando a transição é feita

de forma harmoniosa e consciente,

o negócio se encaminha

para o sucesso”.

Já Marcelo Reis, CCO e co-

-CEO da Leo Burnett Tailor

Made, diz acreditar que não

existe alteração no perfil dos

40 30 de setembro de 2019 - jornal propmark


Reprodução

profissionais na liderança das

agências. Para ele, a única mudança

é geracional. “O resto

continua exatamente como

sempre foi: excelentes líderes

criativos como donos, sócios ou

presidentes das empresas mais

inovadoras do Brasil”. Segundo

ele, as agências continuam entregando

o que os anunciantes

precisam, independentemente

dos novos formatos de mídia.

“Mas cabe a cada agência precificar

a qualidade do que entrega.

Cada uma com a sua autovalorização.

Eu acredito que

nunca estivemos tão criativos

e inovadores. Somos, sim, parceiros

vitais e estratégicos das

nossas marcas”, pontua Reis.

Mas Rodolfo Sampaio, sócio

e CCO da Moma, atribui, sim, às

novas mídias e formatos as mudanças

no mercado. Ele fala que

esse foi um dos ‘grandes fatores

de mudança’. “E todas as suas

consequências”. Para Sampaio,

de uma forma mais ampla, o

mundo mudou, exigindo adaptação

de muitos setores. “Dos

táxis aos bancos”. “Com nosso

mercado não foi diferente.

E acho que os líderes criativos

se adaptaram, sim, e rápido.

Uns mais, uns menos”. Em relação

aos anseios dos clientes,

Sampaio afirma que sempre foi

assim: “querem, como sempre

quiseram, resultado”. “E entregar

resultado requer disciplinas

que não existiam nas agências.

Mas as ferramentas estão aí,

à disposição. Hoje, toda ideia

tem de terminar em uma visão

de performance”.

coNeXão

Aurélio Lopes, chairman Brasil

e Latin America da FCB, fala

com toda propriedade de quem

promoveu uma grande e recen-

“não dá pArA

colocAr todo

mundo no mesmo

sAco. porém, tem

A ver tAmbém

com A mudAnçA

quAse ‘drAmáticA’

do mercAdo”

te mudança em sua agência. Ele

fala que consegue fazer uma

avaliação mais específica da

FCB que pode, ou não, refletir o

que acontece no mercado como

um todo. “Por aqui estávamos

em busca de uma liderança que

fosse inspiradora, motivadora e

moderna para me substituir na

presidência da agência”, relata,

acrescentando: “Poderia trazer

um executivo e um criativo,

mas como a criação é a matéria-

-prima do nosso negócio, optei

por um criativo que também é

um líder inspirador. Além disso,

Ricardo John é divertido,

carismático, atualizado e integrador”,

descreve.

Segundo ele, no passado,

todas as atividades de comunicação

aconteciam internamente,

dentro das agências. Hoje

é diferente. “No mundo de hoje

plugamos dezenas de parceiros

para as mais diversas áreas:

mídia, planejamento, tecnologia,

produção, BI, social... Mas

o principal core do negócio,

o DNA da agência, é a criatividade.

E essa não pode ser terceirizada”,

conclui. Para ele,

cada vez mais as agências vão

precisar de diferencial criativo

e líder inspirador. “Achamos

uma figura que deixa claro o

papel da criação no nosso negócio”.

Para um diretor-geral de uma

das grandes agências do mercado

carioca, as novas mídias e

formatos são os principais fatores

que levam às mudanças

no mercado. Ele prefere falar

em off e dispara que não tem a

menor dúvida disso. Diz ser redator

de formação e relembra o

lado romântico e artístico de fazer

“um filme memorável, um

anúncio inesquecível”. “E isso

mudou para entregas cada vez

mais digitais, mais segmentadas

com menos espaço para a

criação e muito mais para a performance

e conversão”. E alerta

que não quer dizer que atualmente

não possa ser criativos

com as novas mídias. Mas acredita

que o mercado “perdeu

muito o glamour e a paixão”.

“Tínhamos muito mais prazer

em criar”.

Ele fala que conheceu alguns

publicitários que não conseguiram

se adaptar aos novos tempos.

“Tive muitos colegas que

ficaram pelo caminho. Foi uma

guinada de 180 graus em muito

pouco tempo. Praticamente

uma nova profissão. Muita gente

não conseguiu se adaptar ou

simplesmente não concordou

com essa nova forma de criar e

deixou o mercado”, analisa.

Além disso, conforme opinião

do executivo, os anunciantes

hoje querem velocidade,

expertises muito diferentes,

trabalhos cada vez mais segmentados

e direcionados. “Resumindo:

o mundo digital, para

muita gente, significa menos

criatividade, muito mais trabalho

braçal e estratégico e mais

gente para fazer o trabalho com

menos rentabilidade”. Os custos

também colaboram com as

mudanças. Ele afirma que costuma

falar que o melhor da profissão

é trabalhar por prazer e

dinheiro. “Com os dois sempre

é perfeito. E essa era a nossa realidade

antes das novas mídias.

Hoje, tentamos trabalhar por

um dos dois: prazer ou dinheiro.

Mas cada vez mais é menos

os dois”, lamenta.

adequação

Já Roberto Amarante, presidente

do Conselho Global

de Diretores da 3AW, acredita

que as novas mídias e formatos

têm parte da “culpa” pelas

profundas alterações. Porém,

segundo ele, não se pode atribuir

as mudanças no mercado

somente aos novos formatos,

mas eles têm contribuído para

a transformação. “Não acredito

no fim das mídias tradicionais

apenas pelo avanço das mídias

digitais, mas, sim, uma adequação

combinada. A minha leitura

é de que as agências mudaram,

assim como os profissionais”.

Para ele, as agências estão se

adaptando. “Acho que elas precisam

entender essa dinâmica”.

Amarante busca respostas

e arrisca dizer que talvez exista

o receio por parte de alguns

profissionais em tomar uma

posição, fazer escolhas e alguns

criativos podem ficar sem sua

área de domínio. “É preciso entender

que o tripé atendimento,

criação e mídia mudaram, inclusive

em suas nomenclaturas

e funcionalidades, exigindo outros

perfis de profissionais. “É

preciso entender que faz parte

da profissão estar preparado

para se adaptar a esse mercado

tão dinâmico”.

Os custos, para Amarante,

são outro ponto nervoso. Ele

lembra que a mídia digital, por

exemplo, é relativamente mais

barata e mensurável, com taxa

de conversão, indicadores, cliques,

leads, visitas no site etc.

“A mídia tradicional tem outra

métrica, mais voltada para o

público em geral, guardando

toda a técnica e estratégia para

operar essas demandas, é outra

adequação e, portanto, mais

cara aos olhos dos clientes. A

questão do custo é sempre um

fator fundamental na escolha

da estratégia de comunicação

e seleção de mídias e veículos”,

esclarece.

Roberto Duailibi, o “D” da

lendária DPZ, hoje DPZ&T, também

fala sobre as mudanças

recentes no mercado, como a

saída de Fabio Fernandes da

F/Nazca S&S. Ele fala que a influência

dos grandes grupos é

inevitável. “O caso do Fabio é a

soberania do Ebitda, coisa que

nós não tínhamos. Nós trabalhávamos

para ter lucro, mas

não tínhamos noção de percentagem

ou de quanto ia render

aquele investimento que nós

fizemos, dar satisfação para um

conselho... O que aconteceu

com o Fabio já tinha acontecido

antes com o Martin Sorrell, com

o Steve Jobs”, explica. “Alguém

me falou: com essas empresas

você tem de render exatamente

aquilo que está planejado, porque

se render menos, acende

uma luz vermelha piscando,

e se render mais, acende uma

outra luz vermelha piscando.

É uma situação diferente da

nossa. A gente se divertia mais.

Agora você tem essa meta e o

Ebitda é cruel”, lamenta, mencionando

o termo que na sigla

em inglês significa Earnings

before interest, taxes, depreciation

and amortization. Em bom

português, seria “Lucros antes

de juros, impostos, depreciação

e amortização”.

jornal propmark - 30 de setembro de 2019 41


mídia

CNN Brasil agita o mercado com

projeto multiplataforma arrojado

A estreia na TV por assinatura está prevista até o fim do ano, mas ainda

depende de validações técnicas; intenção é contratar até 700 pessoas

Fotos: Divulgação

Anthony Doyle, VP de distribuição: “Os melhores dias da TV por assinatura estão por vir”

Marcus Vinícius Chisco, VP comercial: “A receptividade não poderia ser melhor”

KELLY DORES

Com um projeto grandioso como há muito

tempo não se via na mídia, a CNN

Brasil está movimentando o mercado. A

intenção da empresa é contratar cerca de

700 profissionais, sendo 400 jornalistas.

É um número bastante considerável para

um país que vê vários grandes veículos de

comunicação encolhendo ou mesmo fechando

as portas. Como disse Marcus Vinícius

Chisco, vice-presidente comercial,

a chegada da CNN Brasil é o fato mais importante

dos últimos tempos na indústria

da comunicação. “O mercado publicitário

estava ávido por novidades. A receptividade

do nosso projeto não poderia ser melhor.

Grandes players estarão conosco em

cotas fundadoras, sendo protagonistas e

cocriadores”.

A estreia da CNN Brasil na TV por assinatura

está prevista para o fim deste ano, mas

a decisão final depende de validações técnicas.

Haverá escritórios em São Paulo (antigo

prédio do Banco Real, na Avenida Paulista,

com 4.000 metros quadrados, sendo

800 metros para três estúdios de onde serão

ancorados os telejornais da emissora),

Rio de Janeiro e Brasília.

Américo Martins, VP de conteúdo, explica

que serão 24 horas de jornalismo,

sendo 16 horas com programação ao vivo.

“A emissora terá documentários, séries

originais e plataformas temáticas de conteúdo,

como CNN Business, CNN Luxo, CNN

Turismo e CNN Esportes. Também haverá

programas que mesclam jornalismo e

entretenimento, como o que será apresentado

aos domingos por Evaristo Costa,

direto dos estúdios da CNN em Londres”,

contou ele.

Martins também ressalta a atuação multiplataforma

da marca e promete um sistema

de checagem rigoroso de informações

para combater as fake news. “Já vamos

nascer produzindo conteúdo para várias

plataformas. A CNN Brasil vai ter muito

cuidado com a informação. Vamos checar

uma, duas, três ou mais vezes todas as informações

antes de colocá-las no ar. Queremos

chegar primeiro à notícia, mas não temos

a necessidade de veiculá-la primeiro.

Em tempos de fake news, abrimos mão de

sermos os primeiros, se a informação não

estiver confirmada. Nosso objetivo é um

só: estarmos certos”. O executivo afirma

“Ter relevância

mulTiplaTaforma

é o objeTivo cenTral

da marca”

que o projeto é audacioso e tem como meta

transformar a filial brasileira na principal

CNN fora dos Estados Unidos. “Um time

da alta cúpula da CNN Internacional esteve

em São Paulo no fim de julho e se encantou

com o nível de profissionalismo encontrado.

Foi a última de seguidas viagens já realizadas

no processo de consultoria técnica

para colocar a CNN Brasil de pé”, contou

Martins.

Segundo Anthony Doyle, VP de distribuição,

o conteúdo da CNN Brasil nasce multiplataforma,

adequando-se para TV paga,

TV Everywhere e também OTT. “Ter relevância

multiplataforma é o objetivo central

da marca. Criamos contas em quatro redes

42 30 de setembro de 2019 - jornal propmark


sociais com perfis oficiais no Facebook,

Instagram, LinkedIn e Twitter. Temos uma

equipe única, integrada e orientada a tratar

a TV por assinatura e as mídias digitais

com o mesmo nível de importância e com a

mesma dedicação. Teremos a qualidade e

a credibilidade de nossos produtos em formatos

que respeitarão a linguagem de cada

plataforma. Também estamos trabalhando

no desenvolvimento de canal no YouTube.

Pelo ambiente dedeos mantido pelo

Google, a marca contará com materiais inéditos

— além dos conteúdos a serem replicados

(e adaptados) da televisão”.

Martins salienta que o modelo de televisão

implantado é inédito no país. “O

canal tem a vantagem de nascer do zero,

utilizando o que há de mais avançado em

tecnologia em seu sistema de operações

de TV, otimizando e poupando gastos em

departamentos não ligados à sua atividade

principal, que é o jornalismo”.

Segundo ele, com isso, a empresa conseguiu

reduzir custos em serviços de engenharia,

desenvolvimento e gestão digital,

transmissão e exibição de sinal e em outras

atividades como captação de imagens,

produção de conteúdo, chamadas e vinhetas.

“As emissoras internacionais, como a

própria CNN, já trabalham assim há vários

anos. O modelo de otimização se espalha

por outros setores da empresa. Nosso quadro

de funcionários está sendo montado

aproveitando ao máximo os benefícios da

lei de terceirização e da reforma trabalhista”,

reforçou Martins.

Na opinião de Doyle, os melhores dias

do setor estão por vir. “Para nós, o copo

não está metade vazio. Está metade cheio.

Vamos lançar o canal num momento muito

importante para o Brasil e para o nosso setor.

Os melhores dias da TV por assinatura

estão por vir, da mesma forma que ofertas

comerciais com novas plataformas e tecnologias

estão chegando. O conteúdo ainda é

o que cativa as audiências. Content is still

king. Mas a conveniência é queen!”.

Sobre a forma como enxerga o futuro

da mídia, Doyle afirma: “as decisões que

tomamos agora vão influenciar o nosso futuro.

O futuro de pequenas e grandes empresas.

O futuro de centenas de milhares

de trabalhadores brasileiros e de milhões

de assinantes e usuários. O mercado ganha

mais quando está em sintonia, quando

focamos nossa atenção para os assinantes

e fãs”.

Porém, ele ressalta que é preciso ser ágil,

pois a pirataria continua canibalizando o

negócio. “O que prova que TV por assinatura

ainda é objeto de desejo. A Lei 12.485,

de 2011, levou anos para ser aprovada e

apenas em 2018 conseguimos um compromisso

maior da Ancine para ajudar no combate

à pirataria. Quando falo de sintonia, é

união que valorizo. Unir nossos esforços

para o bem de todos e, principalmente,

dos nossos assinantes atuais e dos futuros.

Fico honrado de ter uma oportunidade de

trabalhar com uma equipe experiente, motivada,

com uma missão bem clara e sob a

liderança do Douglas Tavolaro. E o melhor

é que continuo aprendendo todo dia, mesmo

com tanto tempo de indústria”, finalizou

Doyle.

Leandro Cipoloni, VP de jornalismo; Américo Martins; Jercineide Castro, CFO; e Virgilio Abranches, VP de programação

jornal propmark - 30 de setembro de 2019 43


MídIa

Estudo Kantar Ibope Media mostra

que rádio tem novos anunciantes

No primeiro semestre de 2019 emissoras atraíram para suas grades

comerciais 5.207 marcas que ainda não tinham utilizado o canal

Paulo Macedo

No primeiro semestre de

2019, o meio rádio contabilizou

a presença de 7.348 anunciantes

que exibiram spots,

jingles, testemunhais e outros

formatos de 8.928 marcas nas

suas grades comerciais. Em

comparação com o mesmo período

de 2018, houve elevação

de 3.541 novos anunciantes e

5.207 marcas. A estatística faz

parte do estudo Inside Rádio,

divulgado na semana passada

pela Kantar Ibope Media durante

o evento Rádio, mercado

em sintonia, promovido pela

Abert (Associação Brasileira de

Rádio e Televisão) para celebrar

os 96 anos do lançamento

da primeira rádio no Brasil.

Melissa Vogel, CEO do instituto,

detalhou que os canais

radiofônicos possibilitam a amplificação

das campanhas publicitárias.

Nas suas palavras,

as emissoras alcançam quase

toda a população brasileira. “É

natural que as marcas busquem

essa grande abrangência para se

comunicar”, sintetiza a pesquisa,

que também elenca o share

dos segmentos de negócios

presentes no rádio: serviços ao

consumidor (26,1%); comércio

(25,7%); cultura, lazer, esporte

e turismo (12,2%); financeiro e

securitário (7%); automotivo

(4,7%); construção e acabamento

(3,7%); farmacêutico (3,1%);

imobiliário (2,7%); telecomunicações

(2,6%); e bebidas (2,1%).

São mais de quatro mil emissoras

comerciais em atividade

no país e mais de 500 com

propósito educativo. São ouvidas

por 83% da população em

13 regiões metropolitanas da

amostra da Kantar Ibope Media.

Ou seja, de três a cinco pessoas

ouvem rádio diariamente, uma

média de quatro horas e 33 minutos.

A região Sul, com 85%,

concentra o maior volume de

ouvintes; seguida do Nordeste

e Sudeste, com 83% cada. A cidade

que tem a média mais alta

Melissa Vogel, da Kantar Ibope Media, apresentou o Inside Rádio em evento da Abert

de ouvintes é Belo Horizonte,

com 92%. Na grande Goiânia,

porém, a população dedica cinco

horas e três minutos diários

para a audição das rádios da região,

a maior do país.

O rádio não tem um horário

de pico. Em todas as horas o alcance

é elevado. “O meio alcança

as pessoas em todos os momentos,

seu prime time é o dia

todo”, concluiu o Inside Rádio

2019. E, apesar de toda a evolução

tecnológica, o modo clássico

de ouvir rádio ainda é por

meio de aparelhos clássicos com

média de 84%. 20% da audiência

opta pela audição através de

celulares; 4% por outros devices

acessíveis; e apenas 3% por intermédio

de computadores.

A pesquisa mostra que o local

onde o rádio é mais acessado

é a casa, com índice de 70%;

depois, com 23%, o automóvel;

13% o ambiente de trabalho; 8%

em trajetos; e 2% em locais não

definidos.

Divulgação

“Há picos entre 9

Horas e 11 Horas

da manHã, mas o

prime time

do rádio é o

dia inteiro”

PROGRaMaÇÃO

Música, esporte e notícia é o

tripé de conteúdo do meio. “O

poder do rádio de se conectar

com seus ouvintes é amplificado

pela diversidade de conteúdos

e programação que ele

oferece. Através dele, é possível

ouvir notícias, entrevistas,

transmissões esportivas - ao

vivo e programas comentados-,

humorísticos e, principalmente,

musicais. Da amostra da

Kantar Ibope Media, 93% ouviram

músicas no rádio em um

período de 30 dias. E para 62%

a música “constitui a parte mais

importante das suas vidas. O

sertanejo é o ritmo preferido e

42% dos aficionados estão entre

25 e 44 anos. Em seguida

vem o pop internacional; pop

nacional; pagode; e gospel.

O estudo também aponta

a música como elemento

emocional: 77% quer contiuar

aprendendo; 76% dá valor à

ética empresarial; e 46% afirma

ter espírito aventureiro.

Se as rádios musicais têm

aderência sintomática no público,

a notícia é item básico.

Para 93%, o noticiário local está

na agenda diária; 62% se informam

sobre o trânsito; e 82%

ficam atentos ao noticiário nacional.

Esses dados podem ser

usados nos planos de mídia:

73% dos ouvintes de notícias

procuram ofertas e descontos;

e 63% acreditam que estão propensos

a pagar mais caro por

produtos de qualidade.

Com o fone plugado, os ouvintes

não deixam de ficar concentrados

nas suas atividades.

A pesquisa comprova que 80%

entre todos os ouvintes das atrações

espoetivas fazem acompanhamento

em tempo real - ao

vivo. “Hoje o rádio é conteúdo

que se conecta com as pessoas.

E isso ocorre em todas as faixas

etárias. A média de consumo

entre os mais jovens é maior. Há

picos entre nove e 11 da manhã,

mas o prime time do rádio é o

dia inteiro”, finaliza Melissa.

44 30 de setembro de 2019 - jornal propmark


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mídia

Segunda temporada de Canta

Comigo reforça estratégia para web

Atração da grade da RecordTV é apresentada por Gugu Liberato com

playlist especial, quiz e ações de marketing durante exibição na TV

Record estreou a segunda

A temporada do Canta Comigo,

apresentado por Gugu Liberato.

Artistas em performances

individuais ou em grupo precisam

empolgar 100 jurados e

fazer com que se levantem para

cantar. Quanto mais jurados

em pé, mais pontos para o competidor.

O vencedor recebe R$

300 mil. O programa é exibido

às quartas-feiras, após A Fazenda.

“Não é só o talento. Quanto

mais envolvente for o candidato,

quanto mais gente ele empolgar,

melhor”, diz Gugu.

Os ritmos apresentados podem

ser os mais variados: rock,

sertanejo e lírico. A estratégia

para plataformas como Facebook

e YouTube tem a playlist

Canta Comigo, acompanhado

da #CantaComigo. O site da

Band, Endemol Shine Brasil e

Nathalia arcuri criam reality show

Me Poupe, Dívidas Nunca Mais! tem patrocínio da 99, Mercado Pago e TIM,

merchandising do Banco24Horas e Enel, e top de 5 segundos da Camil

Band estreia nesta segunda-feira

(30) o reality Me

A

Poupe, Dívidas Nunca Mais!. O

formato teve mais de seis milhões

de visualizações no canal

de Nathalia Arcuri. O programa

semanal tem patrocínio da 99,

Mercado Pago e TIM, cotas de

merchandising do Banco24Horas

e Enel, e top de 5 segundos

da marca Camil.

Segundo a youtuber e especialista

em finanças pessoais, a ideia

não é ser um reality assistencialista.

“O propósito é reorganizar a

vida financeira dos participantes,

para que possam realizar um sonho”,

explica. A atração, dirigida

por Ricardo Perez, tem quadros

fixos, 12 episódios e um novo personagem

a cada edição.

Divulgação/Antonio Chahestian

Gugu Liberato apresenta a segunda temporada do reality show Canta Comigo

Juliana Algañaraz, CEO da

Endemol Shine Brasil, conta

que assim que conheceu o projeto

quis levá-lo para a TV aberta.

“Esse é um formato diferente

do tradicional – fazendo o

percurso inverso e migrando do

digital para a TV aberta”, diz.

Antonio Zimmerle, diretor

nacional de programação da

Band, destaca a importância

da atração e explica que, por

trás dos números sobre endividamento,

existem pessoas

que erram financeiramente por

falta de informação. “Nathalia,

com seu jeito divertido, vai

ajudar as pessoas e muitas outras

em casa. Estamos trazendo

produto de entretenimento

original”.

atração no portal R7 traz o perfil

dos 100 jurados, momentos das

apresentações, fotos e vídeos

sobre os aprovados nas etapas.

Nas redes também há um

quiz, clipes com momentos e

apresentações emocionantes,

além de um ranking no R7 com

a pontuação dos semifinalistas

e finalistas da atração. Durante

a exibição na TV, ações de interatividade

incluem ranking dos

twitteiros, comentários e espaço

para o público postar fotos

com a #TôNoCantaComigo.

O Canta Comigo é uma versão

de All Together Now, formato

original da Endemol Shine

Group, com direção de Marcelo

Amiky e direção de núcleo de

realities de Rodrigo Carelli. A

temporada brasileira é produzida

pela Endemol Shine Brasil.

Nathalia Artcuri apresenta o reality show Me Poupe, Dívidas Nunca Mais!

Divulgação/Ricardo Carvalheiro

46 30 de setembro de 2019 - jornal propmark


Mídia

Reality Mestre do Sabor estreia com

cinco patrocinadores na Rede Globo

Seara, Cacau Show, Nissan, Santander e Uber Eats são as marcas que

estão na nova atração que nasce multiplataforma e vai ao ar em outubro

Alisson Fernández

No mês de outubro, a Rede

Globo estreia o seu primeiro

reality show de gastronomia,

o Mestre do Sabor. A atração,

que deve substituir o The

Voice Brasil, será comandada

pelo chef Claude Troisgros e

seu braço-direito, Batista.

A dupla ficou famosa por

estrelar diversos programas

no canal GNT, que pertence à

Globosat. “Estamos muito felizes.

E esse é o principal sentimento

durante esse tempo em

que gravamos Mestre do Sabor.

Batista e eu estamos na TV há

quase 15 anos e fazer um programa

da Globo deixou a gente

um pouco tensos. Mas, desde

o início, quando vimos que tínhamos

uma equipe tão fantástica

em torno de nós, ficamos

tranquilos. Mestre do Sabor é

um reality show, uma competição,

mas possui um clima acolhedor.

Vamos ter comida boa,

pressão, obviamente, mas muito

acolhimento também”, diz

Claude Troisgros.

Com formato original, desenvolvido

pelo diretor Boninho, o

programa também conta com a

participação de três chefs-mestres:

o português José Avillez, a

carioca Kátia Barbosa e o mineiro

Leo Paixão.

O time se reveza nas funções

de auxiliar e avaliar as habilidades

de 24 candidatos – todos

chefs profissionais brasileiros

– ao longo de seis fases de desafios

gastronômicos que levam

ao primeiro lugar da competição

e ao valor de R$ 250 mil.

“Dividimos com nosso público

essas duas paixões: pelos

realities e pela gastronomia.

Com o Mestre do Sabor, queremos

ir além da competição,

nosso desejo é ter um programa

que divirta, mas também

contribua para a cultura gastronômica

do país, que é tão rica”,

diz LP Simonetti, diretor artístico

da atração.

Já Aida Silva, diretora-geral

O chef Claude Troisgros e seu braço-direito Batista vão comandar o primeiro reality show de gastronomia dos Estúdios Globo

do programa, celebrou o time

formado por Claude, Batista,

Leo, Avillez e Kátia. “Formamos

uma equipe incrível, com

muita química. Nossos chefs

são leves, divertidos e se complementam

em vários aspectos,

inclusive culinários”, reforça.

A atração, que estreia no dia

10 de outubro, já conta com

cinco patrocinadores. As marcas

Seara, Cacau Show, Nissan,

Santander e Uber Eats já confirmaram

presença no novo reality

show e aparecem nas chamadas

da emissora.

“É a primeira vez que o Uber

Eats patrocina e investe nesse

tipo de mídia no Brasil, e estamos

muito felizes em ter a Globo

como aliada nesse processo.

Essa parceria é muito simbólica

para o Eats, que tem como propósito

fazer com que as pessoas

se encantem pelas milhares de

culinárias existentes no mundo”,

comenta Thaís Azevedo,

“nosso desejo é

ter um programa

que divirta, mas

também contribua

para a cultura

gastronômica”

Divulgação

diretora de marketing do Uber

Eats no Brasil.

De olho no novo perfil de

consumidores, o projeto nasce

integrado com a TV aberta, TV

fechada e internet. O episódio

inédito vai ao ar na Globo às

quintas-feiras e, no dia seguinte,

uma versão repaginada e

com extensão de conteúdo será

veiculada no canal GNT.

Já no hub gastronômico do

GShow a atração ganha novas

informações, experiências e

serviços exclusivos.

“Mestre do Sabor é um programa

multiplataforma. São

mais de 20 anos produzindo

e dirigindo realities, e sei que

sempre se aprende algo novo.

Cada reality é único, em suas

características e seus diferenciais.

Pensamos em conteúdos

adequados para cada janela.

Queríamos um formato novo,

e estamos muito felizes com

o resultado final”, destaca Simonetti.

jornal propmark - 30 de setembro de 2019 47


we

mkt

Thought Catalog/Unsplash

Bitcoinscrimes...

“O dinheiro dos tolos é o

patrimônio dos espertos”.

François Diderot

Francisco alberto Madia de souza

As tentativas de golpes, exigindo pagamentos

em bitcoins multiplicam-se.

Todas as vezes que existe vazamento e

roubo de milhares ou milhões de informações

dos grandes bancos de dados – como,

por exemplo, tem acontecido com frequência

alarmante com o “Feice” – e se seus

dados foram juntos, na semana seguinte

você será extorquido pelos bandidos. Vão

exigir, para não acessarem suas contas e

roubarem seu dinheiro, um pagamento em

bitcoins, numa determinada conta. E para

demonstrar que têm seus dados, enviarão

alguns deles para apavorá-lo e intimidá-lo.

Infelizmente, algumas pessoas entram no

golpe e passam a ser extorquidas de forma

recorrente.

Já fui vítima dessa tentativa de extorsão

algumas vezes. Mas, dentre os golpes

envolvendo bitcoins, o maior de todos, no

tocante à complexidade e ao mistério, é

o que passo a comentar. Se o mundo é líquido,

e é, hoje temos um grande tesouro

repousando nas profundezas das águas

do digital. Gerald Cotten deu entrada no

hospital indiano Fortis Escorts no dia 8 de

dezembro de 2018, por volta das 14 horas.

Morreu de parada cardíaca no dia seguinte.

Sua morte está devidamente comprovada

e atestada por um certificado emitido pela

Funerária J.A.Snow, e por um atestado de

óbito do governo do Rajastão, o maior estado

da Índia em área territorial, cuja capital

é Jaipur e onde se fala o hindi e o rajastani.

Gerald sofria da doença de Chron. Em seu

comunicado oficial, o Hospital onde Gerald

se internou é definitivo:

“No dia 9 de dezembro de 2018 o paciente

sofreu uma parada cardíaca, mas foi revivido

com massagem diretamente no coração.

No entanto, a situação cardíaca do paciente

foi se deteriorando até ter uma segunda

parada, às 16 horas. Apesar dos esforços

de nossa equipe médica, o paciente não foi

revivido e declarado morto por volta das

17h26...”. Gerald Cotten, canadense, fundou

uma das primeiras corretoras de Bitcoins, a

Quadriga CX. Por questões de segurança,

natureza e personalidade, só ele conhecia a

senha de seu cofre virtual onde se encontrava

depositado o equivalente a R$ 700 milhões,

em bitcoins, de seus clientes/empresa.

Seu maior medo era ser roubado.

E assim recorreu à ferramenta do Cold

Storage (uma espécie de depósito câmara

fria) que preserva os bitcoins desconectados,

dormentes, mediante uma sucessão

de pen drives, ou salvos num notebook

criptografado. A Quadriga CX tinha 115 mil

clientes. Por determinação da Justiça foi

contratado aquele que supostamente é o

maior dos craques em descriptografia. Não

conseguiu. Os credores e os tribunais decidiram

recorrer à viúva, Jenniffer Robertson.

Jeniffer movimentou a cabeça negativamente

alegando desconhecer a senha.

Fim. No dia do suposto funeral de Cotten,

no Canadá, investidores ensandecidos ligaram

várias vezes para a funerária. Para uns,

confirmou-se que um tal de Gerald Cotten

estava sendo velado. Outros disseram não

ter nenhum Gerald, muito menos Cotten,

sendo velado...

Dias depois e em nota a Bloomberg informava

seus assinantes que Cotten fez e

registrou seu testamento apenas 12 dias

antes de sua morte. O parceiro de Cotten

nos negócios, Freddie Heartline, declarou

ao Chronicle Herald, do Canadá: “Ele

sempre prevê problemas... tornou-se CEO

de um negócio milionário e não seria idiota

o suficiente para acreditar poder safar-

-se com quase 200 milhões de dólares...”.

E aí alguém perguntou: “E a senha”... E

Freddie respondeu e aconselhou: “não se

pode confiar em qualquer um para deixar

suas senhas... Nem mesmo a mulher...”.

Para sempre, ou, por enquanto, a primeira

grande história de mistério ou de naufrágio

irrecuperável da era das criptomoedas.

Gerald Cotten morreu, de verdade? O corpo

é seu? Jennifer não sabia ou apenas está

dando um tempo para reencontrar-se com

seu amado numa ilha perdida nos confins

do mundo... Um navio carregado de criptomoedas

permanece no fundo do Admirável

Mundo Novo, Plano, Líquido e Colaborativo,

vagando pela Digisfera...

Francisco Alberto Madia de Souza

é consultor de marketing

famadia@madiamm.com.br

48 30 de setembro de 2019 - jornal propmark


supercenas

Paulo Macedo paulo@propmark.com.br

Divulgação/Mauricio Fidalgo

Os atores Xande Valois, Antonio Fagundes e João Gabriel D’Alelula, que integram o elenco da minissérie Se Eu Fechar os Olhos Agora, que disputa o Emmy Internacional 2019

EMMY

Trama com tom enigmático e psicológico, atração da grade da

Rede Globo no primeiro semestre com 11 episódios, Se Eu Fechar

os Olhos Agora disputa troféu na edição 2019 do Emmy, principal

premiação de televisão dos Estados Unidos, na área Minissérie. O

trabalho teve roteiro de Ricardo Linhares, com base no livro homônimo

do jornalista e diretor Edney Silvestre. O ator Antonio

Fagundes é um dos protagonistas do trabalho. Estar na disputa

por prêmio no Emmy é demonstração de que o investimento em

conteúdo-proprietário é crucial para o meio TV. A emissora, que

acumula 17 prêmios na competição, também concorre na categoria

de Melhor a Atriz, com Marjorie Estiano, pela atuação na segunda

temporada de Sob pressão. Os vencedores serão conhecidos no dia

25 de novembro.

NEGÓCIO

Após três meses do seu lançamento, a VIV Experience, marca

de live marketing do Grupo REF, anuncia seu primeiro cliente: a

Praia da Grama. O projeto, que integra o condomínio Fazenda da

Grama, em São Paulo, está com a primeira campanha no ar.

Divulgação

Os sócios Ricardo Calfat e Eduardo Barros, da REF, e Gustavo Sampaio, diretor da VIV

Julinho Mazzei e Ana Adams, que comandam a Rádio Sabiá diretamente de Miami

PRESERVAÇÃO

Rádio transmitida de Miami (EUA) pela internet, a Sabiá tem a

coordenação de Ana Adams e Julinho Mazzei, referência de uma

geração de DJs brasileiros. A programação é eclética e acaba de

agregar Jardim Secreto, com apresentação da menina Gabriela Oliveira,

de nove anos. São dois boletins diários do conteúdo. “A ideia

é mostrar como é importante proporcionar às crianças e aos adultos

a liberdade de brincar ao ar livre, desligando um pouco das telas

de celulares enquanto aproveita para aprender sobre cuidados

e preservação da natureza.”, explica Ana. Gabriela já apresenta o

programa Alerta Sabiá, que explora a temática de animais em risco

de extinção.

jornal propmark - 30 de setembro de 2019 49


última página

Julia Joppien/Unsplash

Culpa

da mídia

Neusa spaulucci

Mais uma vez a imprensa é atacada. E,

agora, não só a nacional, mas a internacional

também. Tanto a esquerda quanto

a direita atacam a imprensa. E ambos os

lados esquecem que um país democrático

tem imprensa livre. Mas, o que mais deveria

intrigar a sociedade é dizer que a imprensa

mente, com tantos dados que provam

o contrário.

Afinal, ver a mata pegando fogo em vários

pontos do país não chega a ser algo

que se possa inventar e, pior,

convencer a maioria que os fatos

não são reais. Triste ouvir

ainda que o mercado brasileiro

tem parte da mídia golpista ou

vendida.

A liberdade de expressão, desde

que seja verdade, doa a quem

doer, deve ser uma luta constante,

ainda mais em um país que

já viveu sob uma ditadura, cujo

livre pensamento foi proibido e

muitos morreram por isso.

Muitos presidentes da República ganhariam

simpatia se reconhecessem, lutassem

e defendessem também a liberdade de

expressão, pois até agora não inventaram

nada melhor do que isso. Toda semana alguém

fala disso. No entanto, alguns parecem

cegos, surdos e mudos. Tocam a vida

como se não houvesse ninguém acima,

abaixo ou nos lados.

É incrível que ainda nos dias de hoje alguém

possa querer tolher a liberdade do

outro. Impedir que ele, no caso ela, fale ou

mostre a verdade dos fatos.

A culpa é da mídia. Ouvimos isso constantemente

e nem nos damos conta de que

“é

assustador o

silêncio das

entidades que

representam

importantes

segmentos”

a mídia retrata os fatos, reporta o que acontece.

Às vezes, exagera, sim, mas a grande

maioria não. Conta o que vê, o que ouve. E,

quando se excede ou erra, existe uma lei à

disposição de qualquer cidadão que se sinta

ofendido.

Em plena semana - passada - em que fez

30 anos da estreia da coluna do primeiro

ombudsman, da Folha de S.Paulo, que tem

a função de criticar reportagens, inclusive

do próprio veículo, não se pode negar que a

imprensa tenta melhorar, tenta refazer seu

caminho. Sem fake news!

Ninguém quer ser alarmista,

porém é assustador como caminha

a humanidade, a sociedade,

que elege seus governantes democraticamente

e, depois, quer

ignorar a democracia. Não faz

sentido.

Também é assustador o silêncio,

especialmente das principais

entidades que representam

importantes segmentos da

sociedade economicamente ativa. Semana

passada, por exemplo, não vimos - ao menos

até o fechamento desta coluna - nenhuma

nota de desagravo.

Nas últimas semanas não sai da minha

cabeça um trecho do poema No caminho,

com Maiakóvski, de Eduardo Alves da Costa,

que diz:

“Na primeira noite eles se aproximam

e roubam uma flor do nosso jardim. E não

dizemos nada. Na segunda noite, já não se

escondem: pisam as flores, matam nosso

cão, e não dizemos nada. Até que um dia,

o mais frágil deles entra sozinho em nossa

casa, rouba-nos a luz e, conhecendo nosso

medo, arranca-nos a voz da garganta. E já

não podemos dizer nada”.

50 30 de setembro de 2019 - jornal propmark


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