RCIA - ED. OUTUBRO 2019

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EDITORIAL

por: Ivan Roberto Peroni

A venda do milionário DAAE estaria de fato na

pauta com os chineses? Se ele é lucrativo...

Bastou o prefeito Edinho Silva ser recebido em setembro na Embaixada da República Popular da

China, em Brasília, pelo ministro conselheiro Qu Yuhui, boatos e especulações sobre a venda do

DAAE – Departamento Autônomo de Água e Esgoto aos chineses, foram imediatamente reacesos nas

redes sociais. Só que ele, Edinho, em inúmeras oportunidades disse que a venda do DAAE jamais

acontecerá. Isso contudo ocorreu em meio à saída de dois superintendentes em menos de dois anos,

com explicações que não tiveram tanto convencimento.

É verdade que uma visita à China,

atualmente presidida por Xi Jinping que

tem trabalhado para a construção de

um país socialista moderno, foi o ponto

de partida para o estabelecimento dessa

proximidade. Em 2017, Edinho integrou

uma comitiva de lideranças brasileiras

que visitaram a China. Desde então,

a relação entre os dois lados tem se

fortalecido. Ele tem falado ainda que

manter uma boa relação com a China

hoje, é um fator diferencial.

De fato, resguardadas as proporções,

ambos apresentam ideologias bem

semelhantes: em outubro do ano

passado, Xi Jinping foi eleito secretáriogeral

do Comitê Central do Partido

Comunista da China (PCC) e Edinho já

foi presidente estadual do Partido dos

Trabalhadores e também sua maior

referência em Araraquara. Nunca é

demais lembrar que o PT sempre se

apresentou como um partido socialista,

mas se apressava a explicar que seu

socialismo era sui generis. Era um

socialismo em aberto, “em construção”.

Ainda que exista essa semelhança

ideológica entre ambos, isso não quer

dizer que o DAAE poderá ser vendido

aos chineses. O que tem nos preocupado é o modo com que o DAAE tem

usado seus recursos, em uma dessas ações, adquirir o campo de futebol

do Estrela enquanto inúmeras prioridades se enfileiram para atendimento

das necessidades da população que paga alto custo para garantir água e

esgoto. Problemas com o abastecimento de água têm sido constantes por

causa de equipamentos sucateados, sem contar a lamentável situação da

Estação de Tratamento de Esgoto.

Deixar de revitalizar serviços de abastecimento em detrimento da

aquisição de espaços desnecessários quer nos parecer um erro. Ora, a

transação – prefeitura precisando de dinheiro, vende ao DAAE o Estrela –

mostra uma servidão sem precedentes e se a tabelinha Simioni e Edinho se

repetir, não vamos ficar surpresos se o prédio da CTA também não acabar

nas mãos do DAAE sob o alarde da preservação da história da cidade.

Acreditamos que isso jamais ocorrerá, pois tanto um quanto o outro, são

políticos e administradores de bom senso, dispostos a fazer o melhor para

a cidade. Neste caso, água de qualidade, nenhum corte de abastecimento

provocado por bombas quebradas e uma estação de tratamento de

esgoto que não precise da interferência do Ministério Público, é o que

mais desejamos.

Mas, se o DAAE aplicar incorretamente o dinheiro que entra, não haverá

como cumprir seu papel de autarquia bem sucedida. Aí nem fornecimento

de água, nem tratamento de esgoto. Estaremos vivendo o caos. Neste

ponto há grandes chances de a operação do setor recair sobre empresas

estrangeiras, principalmente chinesas, que têm demonstrado interesse em

adquirir ativos do setor de infraestrutura do Brasil, sobretudo nos setores

de saneamento e energia elétrica. Endividadas e sem capacidade de

investir, essas empresas têm adotado uma nova fórmula para amenizar as

pressões da sociedade pela ampliação do abastecimento: a venda.

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