RF21

zanattaestufas

www.zanatta.com.br

Revista da Fruta • 1


2


8 18

38

6 Notícias no Pomar

8 Capa

Micronutrientes garantem o vigor

das frutíferas e são essenciais para

o enchimento de frutos e para a

produtividade

18 Tecnologia

Telas e lonas antigranizo ganham

espaço na produção de frutas com

novos cuidados no manejo

22 Nutrição

Adubação na uva: química ou

orgânica trazem bons resultados

26 Agroindústria

Calhas D’ZainerBox para cultivo

de morango

28 Palavra da Ciência

- Primeiro sistema de maracujá

orgânico do país

- Uso de telas na produção de

maçãs na Argentina

36 Técnica

Mudas de pêssego: base do

sucesso da cultura

38 Giro no campo

Mirtilo no Cerrado

ANUNCIANTES DESTA EDIÇÃO

Agro Assai | Agrofresh | Buddy Brasil | Bio Bontrole | Conplant | Divinut | D’Zinger

| Formifita | Ginegar | Kiwi Portugal | Microquimica/Tradecorp | Multinova |

Termotecnica/DaColheita | Rigrantec | Rivulis | Sândalo | Soloeste | Têxtil Kopruch |

Tomra | Tutor 100 | WestRock

Revista da Fruta • 3


4

A importância dos micros

Que o clima está diferente e os eventos extremos estão mais frequentes é

percepção geral no campo e na cidade. São períodos mais prolongados

de seca e chuvas fortes em pouco tempo, com maior intensificação

de raios e granizos. Como enfrentar estas situações? Na fruticultura, a

presença de coberturas nas diferentes culturas (maçã, uva, caqui etc)

tem sido uma alternativa para garantir a qualidade dos frutos e a safra.

Os exemplos se sucedem no Brasil e na Argentina, como você poderá

ver na matéria Proteção Reforçada ou na seção Palavra da Ciência.

Além das coberturas que garantem qualidade da produção, o fruticultor

está sempre atento aos cuidados com a nutrição das plantas. Um dos

itens muito importantes neste quesito é o investimento em micronutrição

por meio dos micronutrientes. A relevância dos micros se faz presente

no enchimento dos frutos, no brix e na formação geral da fruta. De fácil

aplicação, eles trazem também mais cor às frutas. E contribuem com a

sanidade dos pomares, como mostra a matéria de capa desta edição.

Claro está que a nutrição é composta também dos macronutrientes

assim como de matéria orgânica. No conjunto das ações no campo,

o consumidor receberá a fruta de qualidade, que saboreia na cidade.

Estes e outros temas, como a importância de uma boa muda na produção

de pêssegos ou o primeiro sistema de produção orgânica de

maracujás, estão também nesta edição, que traz ainda a produção

de mirtilo no Cerrado. A fruta de clima frio está sendo produzida com

sucesso em clima quente, a exemplo de outras que em terras brasileiras

chegaram e se estabeleceram: caquis, figos, maçãs, azeitonas, uvas,

etc. Por falar em uvas, aguarde a edição especial que faremos sobre

esta fruta na edição de dezembro. Até lá, se Deus quiser.

Lauro Gomes e Marlene Simarelli

Expediente

A Revista da Fruta é

uma parceria entre as

empresas Jornal da Fruta

e Artcom A.C.

dirigida a produtores,

pesquisadores, associações

e cooperativas,

universidades, Ceasas

e empresas ligadas à

cadeia frutífera.

A Revista da Fruta é marca

registrada pertencente à LS

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Lauro Gomes

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Lorigraf Gráfica e Editora Ltda.

Distribuição: Nacional

Tiragem: 15 mil exemplares


Revista da Fruta • 5


NOTÍCIAS DO POMAR

6

Arquivo RF

CERRO AZUL (PR) AMPLIA PRODUÇÃO

DE TANGERINA PONCÃ

município paranaense de

O Cerro Azul produz em torno

de 50 mil toneladas de tangerinas

por ano, o equivalente a

46% do total da fruta produzida

no Paraná e 7% da produção

nacional. Segundo o Departamento

de Economia Rural (Deral),

a área plantada, em torno de

3.100 hectares, também representa

50% com o cultivo da fruta

no Paraná. Considerado o maior

produtor de tangerina poncã do

País e capital estadual da fruta,

o município ganhou o projeto

de um viveiro de mudas que

permitirá prolongar a oferta fora

da estação fria do ano, com a

introdução de novas variedades.

Tangerina poncã é a

base da economia

de Cerro Azul (PR)

O projeto foi lançado pelo Instituto

Agronômico do Paraná (Iapar)

e a Secretaria de Agricultura

paranaense e conta com diversas

parcerias. A medida pretende

garantir segurança na produção,

fundamental para a economia

da cidade, pois cerca de 70% da

população de 18 mil habitantes

depende economicamente da

cultura. O projeto tem o objetivo

de desenvolver a produção

de mudas com alta qualidade

genética e fitossanitária, além de

incentivar o desenvolvimento das

indústrias de suco e das cooperativas

na região, com a comercialização

de produtos de valor

agregado, gerando nova oportunidade

de renda às famílias.

Fonte: Agência de Notícias do Paraná

PRIMEIRO

BIOFERTILIZANTE

REGISTRADO NO

BRASIL

primeiro biofertilizante

O registrado no país é da

Microquimica, empresa do

grupo Tradecorp. O Vorax®

tem ação bioestimulante e é

produzido a partir da fermentação

biológica do melaço

de cana de açúcar. O diretor

técnico, Roberto Berwanger

Batista, afirma que o produto

é o único com garantia e

certificação com o selo de

biofertilizante. Entre os ingredientes

ativos estão o aminoácido

ácido L-glutâmico e os

efeitos do formulado no metabolismo

vegetal. “Os efeitos

são diferentes dos nutricionais

e são observados com doses

muito baixas de aplicação,

de 30 a 100 ml/ha, e ativam

três metabolismos nas plantas,

do nitrogênio, do carbono e

o oxidativo, gerando maior

crescimento e produtividade”,

conta Batista. “É seu grande

diferencial, que motivou a

busca do enquadramento

na classe adequada, que é

a de biofertilizantes, não a de

fertilizantes”.


PROGRAMA INTEGRA DIFERENTES

TECNOLOGIAS DE MANEJO NA

FRUTICULTURA

programa Pronutiva, lançado pela UPL, busca

O auxiliar o fruticultor em um manejo integrado

composto por biotecnologias. “As tecnologias de

biossoluções incluem produtos biológicos e de nutrição

inovadora, além dos fisioativadores, que estimulam as

plantas a se desenvolverem com mais vigor, produtividade

e qualidade”, explica o gerente de marketing de

HF e perenes da UPL Brasil, João Mancine. Segundo a

empresa, o programa garante, ainda, o gerenciamento

de resíduos pelos produtores rurais. “Nossa proposta é

cuidar de todo o ciclo de cultivo de forma integrada,

com soluções que contribuam para a melhor saúde

das plantas”, afirma Mancine. Para mais informações, o

fruticultor pode acessar: https://br.uplonline.com.

INSETICIDA TEM BULA

ESTENDIDA PARA FRUTÍFERAS

inseticida Sivanto® Prime, da Bayer, teve sua bula

O estendida e agora pode ser utilizado em 13 culturas,

incluindo frutíferas, como uva, melão e citros. Além de

leguminosas e folhosas, incluindo tomate, pepino, pimentão,

couve e alface. “O que muda é apenas o manejo, de

acordo com a intensidade de pressão da praga”, esclarece

Fábio Maia, gerente de Marketing de frutas, vegetais, café,

citrus e tabaco na Bayer Crop Science.

O inseticida age dentro do sistema nervoso do inseto,

informa a empresa. “Ele possui curto período de carência, o

que facilita o manejo de controle das pragas sugadoras até

próximo da colheita”, afirma Maia. Segundo ainda informações

da Bayer, o produto oferece segurança aos insetos polinizadores

por possuir perfil favorável e seletivo para maioria

dos insetos benéficos.

Revista da Fruta • 7


CAPA | NUTRIÇÃO

8

Micros e

importantes!

MICRONUTRIENTES GARANTEM O VIGOR DAS

FRUTÍFERAS, SÃO ESSENCIAIS NO ENCHIMENTO

DOS FRUTOS E PARA A PRODUTIVIDADE;

PROPORÇÕES DE ELEMENTOS NUTRICIONAIS

APLICADOS DEVEM SER EQUILIBRADAS DE

ACORDO COM A CULTURA E O TIPO DE SOLO

Jeferson Batista

Os micronutrientes exercem papel

importante na formação e no enchimento

dos frutos, no vigor das frutíferas

e dá uma coloração saudável

para as plantas, conjunto de fatores

que traz maior qualidade no produto

final que segue para o consumidor

e, consequentemente, gera maior

rentabilidade ao fruticultor. Essas substâncias

nutricionais exercem ainda

a função de auxiliar no controle de

alguns problemas fitossanitários.

Em Mogi Mirim, interior de São

Paulo, o citricultor Jorge Setoguchi é

produtor de citros de mesa, atividade

que herdou de seu pai. Ele utiliza

tratamento foliar com micronutrientes

em busca de uma produção com

mais qualidade e produtividade. De

acordo com Setoguchi, é possível

verificar no visual da planta os resul-

tados dos micronutrientes aplicados.

“As plantas ficam com mais vigor. É

possível identificar visualmente por

meio da coloração”.

Além disso, Setoguchi relata que

este tratamento nutricional ajuda ainda

no controle de alguns problemas

fitossanitários, quando aliados a um

sistema de manejo integrado, que

reúne diferentes métodos, técnicas e

produtos fitossanitários e nutricionais

no cultivo. O principal problema da

citricultura brasileira, que está fortemente

concentrada nos estados

paulista e mineiro, é o greening, doença

bacteriana que tem dizimado

pomares de citros mundo afora.

Identificada no ano de 2004 no

Brasil, o greening está presente em

19,02% das laranjeiras do cinturão

citrícola de São Paulo e Triângulo/


Conplant

Sudoeste Mineiro, o que corresponde

a aproximadamente 37,1 milhões de

árvores com sintomas da doença,

segundo levantamento divulgado

pelo Fundecitrus. É o segundo ano

consecutivo de crescimento: o índice

é 4,8% maior do que o de 2018,

estimado em 18,15%; em 2017 a

incidência era de 16,73%.

No interior de São Paulo, região de

onde saiu 78,7% dos citros produzidos

no Brasil em 2017, de acordo com o

Censo Agropecuários do IBGE, o uso

de soluções com micronutrientes

fortalece as plantas, possibilitando a

convivência com a doença. “A planta

bem nutrida consegue segurar a

evolução do greening e, consequentemente,

continua a produzir, mesmo

quando os sintomas da doença

aparecem. Como não conseguimos

isolar todas as plantas detectadas,

o tratamento nutricional tem sido

uma alternativa importante”, afirma

Setoguchi, de Mogi Mirim.

Micronutrientes

são importantes no

enchimento de frutos

A função dos

micronutrientes nos frutos

Micronutrientes são, portanto, elementos

consumidos em pequenas

quantidades pelas plantas, mas são

fundamentais no desenvolvimento

fisiológico. De acordo com o engenheiro

agrônomo Ondino Cleante

Bataglia, pesquisador e diretor da

Conplant, zinco (Zn), cobre (Cu), ferro

(Fe), manganês (Mn), molibdênio

(Mo), boro (B) são micronutrientes

essenciais, ou seja, devem estar disponíveis

para as plantas realizarem

seus processos fisiológicos.

Cada um desses elementos exerce

uma função diferente. O boro, por

exemplo, tem papel na “formação

da parede celular, germinação e

Revista da Fruta • 9


CAPA | NUTRIÇÃO

10

elongação do tubo de pólen. Participa

no metabolismo e transporte

de açúcares”, afirma Bataglia, que

acrescenta: “o cobre influencia o

metabolismo e carboidratos e tem

função importante no processo de

lignificação. O ferro é funcional da

síntese de clorofila e o zinco, na síntese

de auxinas. A fotossíntese só acontece

de forma plena graças à presença do

micronutriente manganês e o molibdênio

é um componente da nitrato-

-redutase e enzima nitrogenase.”

“Os micronutrientes no final do

ciclo têm a finalidade de elevar a

qualidade e a padronização dos

frutos. Alguns elementos utilizados

no final do ciclo das culturas têm o

objetivo de elevar a translocação

dos açúcares para os frutos e grãos,

proporcionando maior qualidade

(cor, teor de açúcar (brix), tamanho

e homogeneidade)”, explica o engenheiro

agrônomo Rodrigo Repke,

coordenador técnico da Microquímica

Tradecorp.

Particularidades do

solo e da cultura

O tipo de solo, claro, influencia

a disponibilidade de nutrientes para

as plantas. Sendo assim, antes de

iniciar o cultivo de qualquer frutífera,

é necessário analisar o terreno que

irá receber as plantas. A umidade, a

matéria orgânica e o pH, por exemplo,

têm relação com a quantidade

de micronutrientes. Portanto, depois

de conhecer o solo, o fruticultor,

acompanhado de um especialista

Pomares com tratamentos

com micronutrientes

associados aos demais

nutrientes apresentam

melhores resultados

Conplant


técnico, poderá traçar as melhores

estratégias nutricionais, considerando

sempre o tipo de cultura.

“Dependendo do tipo de cultura,

clima, região e tecnologia do

produtor, optamos por diferentes

produtos. Cada região do Brasil ou

do mundo tem suas peculiaridades

quanto ao clima e fertilidade. Dessa

forma, temos janelas de plantio

e áreas previamente destinadas

a melhores qualidades de cada

cultura”, afirma Repke.

O especialista em nutrição, Luiz

Francisco da Silva Souza Filho, professor

da Universidade Federal do

Oeste da Bahia, que fez pesquisas

sobre micronutrientes em abacaxizeiros,

aponta, em publicações,

que as carências de micronutrientes

são registradas, sobretudo, nos solos

esgotados (que sofrem redução

acentuada dos teores de matéria

orgânica e de nutrientes em formas

disponíveis ou em solos como pH alto.

Como citado, cada cultura tem

suas necessidades específicas e

absorvem menos ou mais algum tipo

de micronutriente. Na bananeira, por

exemplo, os micronutrientes boro (B)

e zinco (Zn) são os mais absorvidos,

afirma a pesquisadora Ana Lúcia Borges,

na publicação Fruteiras Tropicais

do Brasil, da Embrapa. Nos citros, Bataglia

e Setoguchi citam que o boro

e o zinco também são importantes

para a cultura.

Formas de aplicação

A aplicação destes elementos

pode ser feita no solo, pelas folhas

ou ainda via fertirrigação. Tudo vai

depender da cultura e do grau de

Conplant

Pesquisador Ondino Cleante

Bataglia, micronutrientes garantem

o vigor das frutíferas e são essenciais

para a produtividade

tecnificação do fruticultor. Os especialistas

geralmente recomendam

a aplicação destes nutrientes pelo

método foliar, já que a quantidade

de micronutrientes solicitadas pelas

plantas é baixa e se a aplicação for

realizada de forma exagerada via

solo, pode intoxicar as frutíferas.

Setoguchi aplica o tratamento

nutricional via foliar. “São aplicações

mensais no período das águas

[setembro a março]”. Contudo,

Revista da Fruta • 11


CAPA | NUTRIÇÃO

12

Lea Cunha

o citricultor vê a necessidade de

aplicações no solo de fertilizantes

contendo o boro. Além da formação

das paredes celulares, “o boro é importante

no transporte de açúcares,

no metabolismo de carboidratos, na

respiração, no metabolismo do ácido

indol acético e no metabolismo

de fenol”, explica Ondino Bataglia,

da Conplant.

Em Casa Branca, também no

interior de São Paulo, o citricultor

Fabio Eltink segue nos negócios da

família, como o citricultor de Mogi

Mirim. Nos pomares de citros para

mesa, Eltink utiliza três métodos para

aplicação dos micronutrientes essenciais

para o desenvolvimento da

planta. O primeiro é a fertirrigação

por gotejamento no solo. Em outros

momentos, os micronutrientes são

colocados ainda diretamente no

solo. A aplicação pelas folhas é a

mais utilizada por ele na plantação.

Carência visível a olho nu

Fabio Eltink aplica micronutrientes

em suas plantações de citros seis

vezes entre setembro e abril. “Sempre

buscamos suprir as deficiências e

manter o equilíbrio nos pomares”, afirma

Eltink. Segundo ainda o citricultor,

é perceptível quando está faltando

nutrição nas plantas. “O principal sinal

Banana, uma das culturas que

mais exigem Boro, segundo

pesquisas da Embrapa

aparece nas folhas. Elas mudam de

coloração, geralmente ficam amareladas.

O formato também altera,

ficam deformadas. Claro, quando

não corrigido, os problemas também

aparecem nos frutos”.

Informações técnicas da Universidade

Federal de Uberlândia,

apontam que a carência de micronutrientes

pode ser explicada por

dois fatores: “pela falta real do micronutriente

no solo em quantidade

suficiente à necessidade das plantas

ou por estarem em baixa disponibilidade

para as plantas”. Portanto, a

palavra equilíbrio continua a ser a

mais importante quando o assunto

é micronutrição na fruticultura.

Fonte: https://greenblogpower.wordpress.com/2014/09/11/fertilizacao-parte-iii-micronutrientes-e-sintomas-de-deficiencia/


Revista da Fruta • 13


CAPA | NUTRIÇÃO

14

Uso de quelatos na fruticultura

Vinicius Py Camargo, Gerente de Negócios da Rigrantec

Para permitir a expressão de todo

o potencial das culturas, é necessário

que todos os nutrientes sejam

supridos de maneira equilibrada. De

acordo com a lei do mínimo, “a produção

das culturas é limitada pelo

nutriente em menor disponibilidade

no solo, mesmo que todos os outros

estejam disponíveis e em quantidade

adequada”, sendo assim além da

correção de acidez, NPK e umidade,

devemos cuidar muito do suprimento

dos micronutrientes e secundários.

Além de saber qual micronutriente

é preciso suplementar, a forma em

que estes elementos são fornecidos

fará toda a diferença. Normalmente

as formas de sais, óxidos e carbonatos

são as mais usadas, mas não são

as mais efetivas. Como uma alternativa

eficiente, prática e econômica,

temos o uso dos quelatos.

A palavra quelato é originada

da palavra grega “chele” que literalmente

significa “pinça ou garra de

caranguejo”. Esse termo foi usado

por pesquisadores da década de

1920 porque descrevia claramente

o ato “de agarrar e prender algo”, o

que essencialmente é o que ocorre

no processo de quelatização.

O agente quelante (molécula

orgânica) protege o micronutriente

de fatores que podem causar sua

imobilização e bloqueio no solo, por

exemplo: a presença de calcário, a

exposição a pH elevados, a formação

de hidróxidos insolúveis, argila,

matéria orgânica e microrganismos.

Estes agentes aumentam a solubilidade

e a mobilidade dos nutrientes

no solo, garantem o seu transporte

até a rizosfera permitindo a sua absorção

e a translocação, resultando

no aumento do rendimento e da

qualidade da colheita.

Outros benefícios são tornar as

formulações estáveis (eliminação

da reatividade dos nutrientes metálicos

em solução) e facilitar a

entrada dos nutrientes pela cutícula

e paredes através da eliminação da

carga elétrica positiva (reatividade).

Segundo Wallace (1996), as culturas

necessitam receber 5 a 10 vezes

mais Zn (zinco) quando se opta por

um sal inorgânico em lugar de um

quelato, ou seja, quelatos Zn são muito

mais disponíveis e absorvidos por

unidade aplicada do que as formas

inorgânicas.

O uso de quelatos vem se justificando

por várias razões:

• Aumenta a disponibilidade

de nutrientes;

• Previne a insolubilização de micronutrientes

por precipitação;

• Reduz a fitotoxicidade;

• Aumenta a mobilidade no interior

da planta;

• Melhora a estabilidade nas

caldas de pulverização e águas de

irrigação (pH, outros íons, etc.);

• Tem maior eficácia com menores

doses de aplicação;

• Permite o cultivo de plantas

mais saudáveis.

Então, além de mais seguros e

efetivos, os quelatos permitem que

usemos até 10 vezes menos quantidade

em relação aos sais para obter

os resultados desejados.


Revista da Fruta • 15


CAPA | NUTRIÇÃO

16

Rivulis

Fertirrigação com micronutrientes

Luiz Dimenstein, MSc.Agr e consultor

Há ainda uma forma ultrapassada

de recomendações quantitativas

em kg/ha ou em g/pl. Ambas são

adotadas na agricultura de sequeiro

e não são as mais adequadas para

cultivos irrigados. Em fertirrigação,

adotamos o conceito de concentração

em g/m3, ou seja, depois

de definir o volume de irrigação se

aplica uma dose de fertilizantes proporcionais

a cada m3 de irrigação e,

assim, teremos uma concentração

de nutrientes aplicados. Exemplo:

com uma irrigação de 40 m3 em

um hectare e aplicação de um fertilizante

escolhido em dose de 50g/m3

teremos, sim, uma quantidade de 2

kg a ser aplicado para cada hectare.

Elaboramos a chamada “Regra

de Ouro da Fertirrigação” que é na

prática uma regra de 3 simples. Sabemos

que os fertilizantes comerciais

apresentam suas garantias em % e

desejamos ter as concentrações desses

nutrientes em ppm. Ao aplicar a

tal regra que diz 100 g/m3 converte %

em ppm. Exemplo com Zn-EDTA 15%.

Se aplicar 100 g/m3 teremos 15 ppm

de Zn aplicados via fertirrigação. Essa

regra é proporcional. Nesse caso, se

duplicarmos a dose para 200 g/m3

teremos 30 ppm de Zn aplicados. Se

o volume irrigado for 40 ou 50 m3,

basta multiplicar a dose escolhida

pelo número de m3 e teremos a

quantidade a aplicar e o domínio

das concentrações que é a chave

do controle das doses ideais.

Em geral, os principais micros

como Zn, Mn e Fe desejamos intervalos

entre 10 a 30 ppm na solução do

solo. Para Cu e B os intervalos desejados

são menores entre 5 a 20 ppm.

Para Mo evidentemente menor ainda

e de mais difícil medição entre 2 a 5

ppm. A frequência de aplicações é

flexível e variável. Sugere-se entre 1 a

2 vezes por semana.

Os quelatos para os 4 micros

catiônicos (Zn, Mn, Fe e Cu) são

muito mais eficientes do que os sais

de sulfatos, cloretos e outros sais.

Isso porque esses cátions se aprisionam

facilmente nas argilas e sofrem


competição com os cátions dos

macroelementos como Ca, Mg e K.

Esses quatro micros junto com B se

tornam insolúveis em meio alcalino.

Entretanto, como quelatos, esses

cátions estão protegidos. Apenas o

Fe-EDTA se decompõe em pH > 7.

Já o mesmo quelante EDTA para os

demais cátions como Zn, Mn, e Cu

são estáveis em uma ampla faixa

de pH seja ácida ou alcalina. Assim

que específico para Fe com águas

alcalinas se sugere usar outros quelantes

como DTPA, HBED ou EDDHA.

Se a água de irrigação tiver pH < 7,

o uso de Fe-EDTA já satisfaz.

Uma novidade é o surgimento de

um novo quelante chamado de IDHA,

que é o único biodegradável do mercado

e se comporta similar ao EDTA

em relação ao pH para o elemento

Fe, devendo ser evitado com águas

alcalinas, mas serve para os demais

cátions com ampla faixa de pH.

Estão surgindo algumas inovações

em fertilizantes que são tradicionalmente

macros e são enriquecidos

com coquetéis de micros. Assim já

temos no Brasil o excelente Nitrato de

Magnésio + Micros tudo no mesmo

grão e 100% solúvel que serve para

fertirrigação e para uso foliar; idem

para o Nitrato de Cálcio + Micros.

Agora teremos fórmulas diversas de

NPK + Micros voltadas para fertirrigação

com maior facilidade, eficiência

e compatibilidade.

Vale lembrar que os micros são

muito utilizados também via foliar e

em geral misturados nos tanques de

pulverização com outros produtos,

fertilizantes e defensivos, mas são altamente

estáveis e bem mais eficientes

na forma de quelatos do que sais

porque esses últimos se tornam íons

reativos dentro do tanque e podem

causar problemas para os pesticidas

e outras interações com outros

nutrientes. Recomendo, fortemente,

usar via foliar em mesclas apenas

micros como quelatos.

Revista da Fruta • 17


TECNOLOGIA

18

Tela Chromatinet Leno

Perola FS na Produção

de Maçãs protege

frutos das intempéries

Gilberto Rostirolla Ginegar

Proteção reforçada

TELAS E LONAS

ANTIGRANIZO GANHAM

ESPAÇO NA PRODUÇÃO

DE FRUTAS DE CLIMA

TEMPERADO, MAS

EXIGEM NOVOS

CUIDADOS NO MANEJO

Jeferson Batista

A

s chuvas fortes e o granizo podem

causar grandes estragos nos pomares:

danifica os frutos e as plantas,

prejudica estruturas e equipamentos

utilizados no campo. A região Sul

do Brasil é a mais afetada por esses

fenômenos da natureza e é onde se

localiza a maior parte da produção

de frutas de clima temperado, como

maçã, pera, nectarina, além da uva,

morango e mirtilo. A tecnologia do

cultivo protegido tem sido importante

aliada dos fruticultores que enfrentam,

principalmente, o granizo em

suas propriedades.

O pesquisador Fernando José

Hawerroth, da Embrapa Uva e Vinho,

afirma que em macieira, por exemplo,

“se o fruto for atingido logo após

a floração, as frutas ficam deformadas

e perdem a qualidade”. Em frutos

maiores, o pesquisador ressalta que

os “danos por granizo resultam em

lesões que favorecem a entrada de

patógenos”. A alternativa para minimizar

ou até mesmo evitar esses danos

tem sido o uso de filmes plásticos

especiais para proteger a produção

das pedras de gelo, como as lonas

antigranizo, mais resistentes que as

convencionais e com durabilidade

média de 10 anos.

Para o engenheiro agrônomo, Altair

Antonio Zotti, diretor comercial da

Agrocultivo e Agrovivaz, as mudanças

climáticas obrigam a pesquisa, a

extensão e o produtor rural a buscar

novas tecnologias de proteção para


os cultivos. Ele destaca as “coberturas

tipo sistema Y ou parreral com plástico

dupla laminação de polietileno

e maxi túneis, para cultivo de uvas,

mirtilos, kiwis amarelos e outras frutas”.

Agrocultivo

Plástico laminado

O plástico laminado já é bastante

aplicado na produção de uvas.

De acordo com Zotti, este material

é feito a partir da “combinação de

diferentes aditivos e gramaturas que

conseguem minimizar a diferença

de temperatura entre o dia e a noite

e aumentar durante o dia”. Ainda de

acordo com ele, “o plástico laminado

representa uma vantagem clara, que

tem uma alta resistência para poder

suportar esforços mecânicos (ventos e

granizos) e está plastificado para proteger

a uva das chuvas que podem

dar lugar a doenças fúngicas”.

Telas de alta difusão solar

A Ginegar Brasil pesquisa e investe

em diferentes materiais para proteção

de pomares de maçã, vinhedos,

Estufa produzida

com material da

Agrocultivo

Revista da Fruta • 19


TECNOLOGIA

20

aplicada e, no caso de materiais

com maior qualidade, o produtor

terá o efeito benéfico por longos

períodos”, afirma.

Estufa feita a

partir de lona

da Soloete

entre outros cultivos. Entre eles, as

telas com alta difusão de radiação

solar que são importantes instrumentos

no campo. “Essas telas reduzem

o efeito de sombra, aumentam a

entrada de luz na copa das plantas

e fornecem melhor qualidade de

luz às plantas”, afirma o engenheiro

agrônomo Gilberto Rostirolla Batista

de Souza, coordenador de Pesquisa

e Desenvolvimento da Ginegar Brasil.

Com a luz solar sendo distribuída por

toda a área de cultivo, a fotossíntese

aumenta, o que, consequentemente,

afeta positivamente a produtividade.

De acordo ainda com Souza,

é preciso aliar a qualidade de luz

fornecida às plantas com a qualidade

e durabilidade dos materiais

utilizados para reduzir custos estruturais

ao fruticultor. “São mais de 10

anos recebendo os efeitos da tela

Soloeste

Lona rafiada

A lona rafiada é outra opção

interessante na proteção das frutíferas.

Segundo Olimar Eduardo

Rech, sócio da Soloeste, esta lona

é “o material mais indicado para

proteção contra granizo, chuvas

fortes e, também, para geadas fora

de época”. O plástico é resistente à

tração e aos impactos; e cria ainda

um microclima favorável para proteger

contra geadas fora de época.

“Um fator importante a considerar

é que com a proteção contra a

chuva, a aplicação de defensivos é

consideravelmente reduzida, já que

a incidência de fungos nas folhas é

mais facilmente controlada”, explica

Rech. A lona rafiada permite a difusão

da luz, iluminando as zonas escuras,

o que aumenta a fotossíntese.

Cuidados no manejo com uso de coberturas

O pesquisador Gilmar Ribeiro Nachtigall,

também da Embrapa Uva Dentre as principais implicações do

produtiva e qualidade dos frutos.

e Vinho, ressalta que apesar da importância

destes materiais especiais pode ser destacado o aumento

uso da tela antigranizo na cultura

para evitar os danos de chuvas do desenvolvimento vegetativo,

fortes e granizo, é fundamental o possíveis problemas quanto ao manejo

da carga de frutos e menor

fruticultor ficar atento às mudanças

que estes filmes podem causar nos desenvolvimento da coloração dos

processos produtivos.

frutos”, destaca Nachtigall.

Em algumas culturas, como a Diante disso, os especialistas da

macieira, esses filmes têm “impacto

significativo na fisiologia com a “necessidade de um manejo

Embrapa chamam atenção para

reflexos no crescimento/desenvolvimento

das plantas, capacidade condições de microclima,

diferenciado, uma vez que as

sombreamento,

crescimento e desenvolvimento

das plantas são diferentes

do manejo utilizado em plantas

conduzidas sob céu aberto”. Neste

processo, o acompanhamento

técnico é fundamental.

De acordo com técnicos e pesquisadores,

o investimento por

hectare para implantação de um

sistema antigranizo varia de R$35

mil a R$55 mil. Diante das enormes

perdas que o granizo pode causar

nos pomares, este investimento é

considerado essencial.


Revista da Fruta • 21


NUTRIÇÃO

22

Lucas Sinigalia Embrapa Uva e Vinho

Adubação na uva

FUNDAMENTAL NA VITICULTURA,

ADUBAÇÃO TEM QUE SER REALIDADE

EM DIFERENTES MOMENTOS DO

PROCESSO PRODUTIVO

Aadubação é elemento fundamental

em qualquer cultivo. Na viticultura,

não seria diferente. Videiras bem

nutridas garantem a produtividade

e, também, a qualidade dos frutos.

É necessário, porém, realizar adubações

em diferentes fases do cultivo

para não faltar nenhum elemento

nutricional importante. Para isso, o

viticultor, acompanhado de uma

assistência técnica, precisa planejar

o calendário nutricional. Além da

adubação convencional, realizada

a partir de produtos químicos, a nutrição

orgânica é uma alternativa que

tem se mostrado viável na cultura.

No Paraná, em Marialva, município

conhecido como a “capital da uva

fina”, o viticultor Celso Takashi Ynoue

sempre está atento as necessidades

nutricionais de suas videiras. “Fazemos

a primeira adubação na pré-poda.

Depois, entramos com a segunda no

início da brotação e a terceira vem

no final da florada. Dependendo da

situação, pode ser preciso uma outra

adubação no início da maturação”,

afirma o produtor das cultivares Itália,

Rubi e Benitaka, uvas de

boa produtividade. Entre

os elementos nutricionais

presentes na propriedade de

Ynoue estão o cálcio, boro, sulfato

de magnésio e aminoácidos.

Conhecendo o solo

Para o pesquisador George

Wellington Bastos de Melo, da Embrapa

Uva e Vinho, tudo começa antes

da implantação dos vinhedos. Por

meio de análises, é possível identificar

as carências do solo e corrigi-las. “Na

região Sul, de um modo geral, falta

fósforo e os solos são ácidos. Depois,

até a produção, é recomendado

fazer a adubação de crescimento,

com nitrogênio. E, quando a planta

está produzindo, faz a adubação de

manutenção”, explica o cientista especialista

em viticultura, que acrescenta:

“é fundamental observar a planta, ficar

atento ao seu histórico antes de iniciar

a adubação, observar suas folhas, seu

comportamento geral”.

Para Ynoue, a nutrição é parte

fundamental do processo produtivo.

Além da adubação química, o viticultor

paranaense afirma que diversos

produtores rurais da sua região aplicam

ainda uma cobertura de solo,

geralmente de palha de café. “Uma

boa adubação sob orientação de

agrônomo, resulta num produto de

melhor qualidade e longevidade da

parreira”, garante.

Variedade

Rubi, cultivada

pelo produtor

de Marialva


Revista da Fruta • 23


NUTRIÇÃO

24

Videiras do Roni Paulo

Castoldi, de Caxias do Sul, RS,

sob adubação orgânica já

podadas para a próxima safra

Mais vida no solo

No processo nutricional, a saúde do

solo tem que ser o foco. Na unidade

da Embrapa, em Bento Gonçalves,

o pesquisador George Wellington

MATERIAL ORGÂNICO RECOMPÕE A VIDA

DO SOLO, MANTÉM A MICROFAUNA E A

MICROFLORA, E VIDEIRAS FICAM MAIS

VERDES E COM MAIS VIGOR

Bastos de Melo, da Embrapa Uva e

Vinho, estudou o uso e efeitos de

uma nutrição orgânica no cultivo

de uvas. Com isso, o pesquisador

tem trabalhado com um adubo

sustentável, geralmente produzido

a partir de matéria orgânica, como

folhas, cascas, galhos de podas e,

em alguns casos, com a utilização de

esterco viário (galinha). Tudo começa

com a análise dos materiais orgânicos.

Depois de analisado, os resíduos

são misturados e o composto que

se forma pode ser aplicado desde

a implantação dos vinhedos até a

produção, a depender das necessidades

nutricionais das parreiras.

Com este composto orgânico, as

plantas cresceram 34% a mais em

comparação com as plantas que

receberam uma adubação química,

de acordo com as pesquisas da Embrapa.

Além disso, as pesquisas apontaram

ainda que as videiras cresceram

de forma mais homogênea, em

comparação a adubação química.

Outras vantagens na formação

de um solo saudável através de uma

adubação orgânica são a presença

da microflora e da microfauna, com

pequenos organismos vivos colaboradores;

o aumento da capacidade de

retenção de água, o que ajuda a diminuir

os riscos de erosão e estabilidade

de temperatura, com menor diferença

de temperatura do solo durante dia e

noite. Porém, vale ressaltar, que estes

benefícios são obtidos em um período

de médio/longo prazo, depois de várias

aplicações realizadas.

O viticultor Roni Paulo Castoldi,

de Bento Gonçalves, no Rio Grande

do Sul, utiliza, há quase três anos,

adubos orgânicos em sua produção

de uvas de mesa. Segundo o

produtor rural, ainda é cedo para

falar em aumento de produtividade.

Contudo, ele garante que houve

importantes mudanças na sua área

de produção. “A adubação orgânica

está funcionando muito bem. Este

material recompõe a vida do solo,

ele cuida e mantém a microfauna e

a microflora. Com isso, percebemos

as plantas mais verdes e com mais

vigor”, relata.

A adubação orgânica em sua

propriedade começou a ser realizada

a partir de um vinhedo novo,

instalado em 2016, com apoio da

Emater/RS e da Embrapa Uva e Vinho.

Ele está aliando a adubação com a

cobertura vegetal do solo, com nabo

forrageiro e azevém.

O primeiro passo foi retirar o

vinhedo antigo, onde eram aplicados

adubos químicos. “Colocamos

esterco nas covas e inserimos as

mudas. Quinze dias após o plantio,

entramos com um adubo biológico

e realizamos esta adubação durante

todo o período vegetativo a cada

30 dias. No total, foram seis meses.

Em seguida, com o vinhedo consolidado,

começamos a aplicar duas

adubações por ano, sendo uma na

brotação e outra no pós-colheita”,

explica o agricultor que não utiliza

mais adubação química no cultivo

das variedades Isabel e Niagara.


Revista da Fruta • 25


AGROINDÚSTRIA | PUBLIEDITORIAL

26

Calhas D’ZainerBox para cultivo de morango

PRODUTO FOI DESENVOLVIDO PARA

PROPORCIONAR DURABILIDADE

E PRATICIDADE NOS CULTIVOS

HIDROPÔNICOS EM SUBSTRATO

A

calha para plantio D’ZainerBox

foi desenvolvida para proporcionar

durabilidade e praticidade

nos cultivos hidropônicos em

substrato. Além da facilidade da sua

montagem e do sistema de conexão

mais prático e seguro, o processo de

irrigação passa a ser executado de

forma ágil e extremamente rápido,

tanto na instalação quanto na manutenção.

Após diversas visitas aos produtores

que aplicaram esse processo

em suas lavouras, foi constatado que

a calha também mantém o substrato

mais solto (poroso) e leve, se comparado

com os sistemas de slab, pó de

brita ou outras matérias que acabam

se compactando, ocorrendo assim a

possibilidade de melhor enraizamento

da planta.

A hidroponia em substrato permite

que matérias inertes (que não

fornecem nutrientes, como os casos

do pó de brita, lã de rocha e areia

e outros) ofereçam sustentação

à planta. Esse processo resulta no

desenvolvimento de sistemas radi-

culares maiores, já que também

ajuda na irrigação, transferindo os

nutrientes da solução aquosa para

a planta. É uma forma de cultivo

que permite o incremento da produtividade

em relação aos sistemas

tradicionais. Tomates, pimentões,

morangos e outras frutas pequenas,

bem como alfaces, são alguns dos

exemplos de culturas de hortifrutis

que costumam ser produzidos nesse

moderno sistema.

Essa é mais uma solução oferecida

pela D’Zainer. Uma empresa

que se mantém em movimento

na busca permanente de soluções

que apoiem o produtor. Na linha de

produtos da empresa, você encontra

caixas plásticas para colheita e transporte

de hortifrutigranjeiros, além de

modelos variados para aplicações

diversas na agricultura, indústria em

geral, comércio e residências. A

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Revista da Fruta • 27


PALAVRA DA CIÊNCIA

28

Raul Castro

País ganha primeiro sistema

orgânico de maracujá

O EXPERIMENTO FOI CONDUZIDO

NA BAHIA, MAIOR PRODUTOR DA

FRUTA, COM 31% DA PRODUÇÃO

NACIONAL, COM RESULTADOS DUAS

VEZES SUPERIORES AO CULTIVO

CONVENCIONAL. PROJETO PODE

SER ESTENDIDO A OUTRAS REGIÕES

Alessandra Vale, Embrapa Mandioca e Fruticultura

Cientistas da Embrapa desenvolveram

o primeiro sistema orgânico do Brasil

para a produção do maracujazeiro.

Experimentos realizados no município

de Lençóis, na Chapada Diamantina,

no Estado da Bahia, mostraram níveis

de produtividade muito superiores aos

registrados no sistema convencional

no estado: 28 toneladas por hectare

(t/ha) contra 10,5 t/ha, em média. O

resultado também supera em mais

de duas vezes a produtividade média

nacional, de 13,5 t/ha. Por enquanto,

o pacote tecnológico está restrito a


essa região, mas a ideia é estendê-lo

a outros polos produtores no país. A

iniciativa é um dos frutos do projeto

“Desenvolvimento de sistemas orgânicos

de produção para fruteiras

de clima tropical”, conduzido em

parceria pela Embrapa e a empresa

Bioenergia Orgânicos desde 2011.

Vale destacar que o aumento de

produtividade foi alcançado mesmo

com a exposição da cultura a viroses

do maracujazeiro. Para se ter uma

ideia do potencial de dano dessas

doenças, no primeiro ciclo do sistema

orgânico, antes da contaminação da

lavoura, a produção chegou a atingir

uma média de 37 t/ha.

O controle das viroses e o desenvolvimento

de variedades de plantas

de maracujá resistentes ainda são

desafios para a pesquisa. C o m

mais de 16 mil hectares plantados,

a Bahia é o maior produtor de maracujá

no País – 170.910 toneladas,

o que representa 31% da produção

nacional, segundo dados de 2017

do Instituto Brasileiro de Geografia e

Estatística (IBGE). Apesar de não haver

informações oficiais disponíveis

para o sistema orgânico, acredita-

-se que 0,5% da área cultivada no

estado esteja nesse sistema, e a

demanda é crescente. Para ser

considerado orgânico, o produtor

deve usar técnicas ambientalmente

sustentáveis e não pode utilizar

agrotóxicos nem adubos químicos

solúveis, como pontua a pesquisadora

da Embrapa Mandioca e Fruticultura

(BA) Ana Lúcia Borges, que

representa a empresa na Comissão

de Produção Orgânica da Bahia,

fórum composto por membros de

entidades governamentais e não

governamentais. Ela é a editora

técnica da publicação sobre o

tema junto com o pesquisador da

Embrapa Agrobiologia (RJ) Raul

Castro (mais de 14 autores assinam

o documento).

Preparo do solo

é a base do sucesso

As primeiras recomendações

descritas no sistema referem-se ao

preparo do solo, pois a melhoria dos

seus atributos químicos, físicos e biológicos

é a base para o sucesso da

produção. “O cultivo do solo sob enfoque

conservacionista deve buscar

o menor impacto possível. Para isso,

é importante evitar a degradação

provocada tanto pelo manejo inadequado

como pela erosão, o que

se consegue adotando a redução

da movimentação do solo e a manutenção

da sua superfície coberta

o maior tempo possível, seja por culturas

vivas ou mortas”, explica Borges.

No caso dos experimentos em

Lençóis, antes de começar o plantio,

houve um tra-balho longo de

correção do solo, extremamente

pobre em nutrientes para o cultivo.

Se-gundo a pesquisadora, o Latossolo

Vermelho Amarelo distrófico é o

solo predominante na região onde

está sendo cultivado o maracujá

orgânico. Ele apresenta limitações

como acidez (baixo pH e alto teor

de alumínio), além de baixos teores

de nutrientes, principalmente cálcio,

magnésio e potássio. “Inicialmente

foi feita aplicação de calcário e

SOLUÇÃO PARA

FORMIGAS CORTADEIRAS

• A formifita é uma barreira física contra formigas cortadeiras, com alto tratamento anti-UV, o que permite durabilidade

superior a dois anos.

Não promove cintamento ou qualquer outro prejuízo as plantas.

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Disponível nas cores: branco, preto, cinza, azul e laranja.

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nogueiras-pecã comercializadas pela Divinut.

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Revista da Fruta • 29


PALAVRA DA CIÊNCIA

30

Alessandra Vale

gesso para elevar o pH do solo e os

teores de cálcio e magnésio. Após 12

meses, observou-se, por exemplo, aumento

de seis vezes no teor de cálcio.

E o teor de alumínio reduziu a mais

da metade,” relata a cientista. Outra

etapa importante de preparo do solo

no sistema orgânico é o pré-cultivo da

área utilizando plantas melhoradoras.

“Essa prática beneficia as condições

físicas, químicas e biológicas do solo

por meio do cultivo de leguminosas

e não leguminosas (gramíneas e

oleaginosas), a exemplo de sorgo

forrageiro, milheto e feijão-de-porco.

Além disso, possibilita o aumento

dos níveis de matéria orgânica. Em

Lençóis, a prática foi iniciada 30

Pesquisador Raul

Castro avaliando frutos

Tullio Pádua

Apoio técnico-científico contribui

para superar desafios da

produção orgânica no controle

de pragas e doenças

dias após a correção da acidez do

solo. O aumento do teor de matéria

orgânica foi mais evidente após

quatro anos, quando quase dobrou,

passando de 26,8 para 50,0 g/kg”,

acrescenta a pesquisadora.

Pragas e doenças:

o maior desafio

O principal desafio em qualquer

cultivo orgânico é o controle de

pragas e doenças. O sistema orgânico

do maracujazeiro traz informações

sobre as principais espécies

de insetos-praga que atacam a

cultura e suas formas de controle.

Entre elas estão a lagarta-desfolhadora,

a broca-do-maracujazeiro, o

percevejo, a mosca-das-frutas, o

besouro-da-flor-do-maracujazeiro,

a formiga-cortadeira e os ácaros.

Há também os métodos de manejo

integrado das principais doenças.

O maracujazeiro pode ser atacado

por fungos, bactérias e vírus, com

intensidade de danos que depende

das condições climáticas e dos

aspectos culturais.


“No caso das pesquisas em Lençóis,

tivemos problemas com lagarta,

besouro, vírus e formigas. Os piores

foram os vírus, pois não há controle e

nem variedades de plantas resistentes

aos seus ataques”, afirma o entomologista

Antonio Nascimento, pesquisador

da Em-brapa. Nos experimentos

da empresa Bioenergia, o problema

não chegou a ser tão grave porque

atingiu somente a planta. Quando

chega ao fruto, causa deformação,

baixo rendimento do suco e endurecimento

da casca, tornando-o inviável

para a comercialização.

Um dos sócios da Bioenergia

Orgânicos, Osvaldo Araújo, reforça

a dificuldade em controlar pragas e

doenças nesse tipo de cultivo. “Agora,

cada situação foi superada com

o apoio técnico-científico da Embrapa,

com quem mantemos uma

cooperação técnica há mais de sete

anos. Hoje nós temos domínio dos

processos de produção, com prática

de manejo adequada e técnicas

de formulação das biocaldas específicas

para cada ataque”, conta.

O controle de formigas cortadeiras,

por exemplo, um dos principais problemas

na região, foi equacionado

com o uso de uma isca orgânica,

à base de Tephosia cândida, com

registro no Ministério da Agricultura,

Pecuária e Abastecimento (Mapa)

para agricultura orgânica.

MODELO PARA OUTRAS REGIÕES

A ideia é que o sistema orgânico

desenvolvido especificamente para a

Chapada Diamantina sirva de norteador

para outras regiões. “Estive recentemente,

por exemplo, com técnicos

da empresa de extensão do Paraná

interessados em implantar o cultivo

orgânico naquele estado. Ou seja, o

sistema desenvolvido especificamente

para a Chapada é o primeiro do

Brasil e vem chamando a atenção de

outros interessados nessa tecnologia.

Com as adaptações, pode ser implementado

em todo o país”, ressalta

Raul Castro, um dos editores técnicos

do documento.

Revista da Fruta • 31


PALAVRA DA CIÊNCIA

32

Cultivo das maçãs

Cripp`s Pink com telas

antigranizo em Rio

Negro, Argentina

Uso de telas antigranizo

na produção de maçãs

na Argentina

O USO DE TELAS ANTIGRANIZO É O ÚNICO

MÉTODO EFICAZ PARA O CONTROLE DE

DANOS CAUSADOS PELO GRANIZO E

MELHORAR A QUALIDADE DAS MAÇÃS

NAS CONDIÇÕES CLIMÁTICAS DO ALTO

VALE DO RIO NEGRO E DO NEUQUÉN, NA

ARGENTINA

Raffo Benegas M. Dolores. INTA, EEA Alto Valle, raffo.dolores@inta.gob.ar

Os vales de Rio Negro e Neuquén possuem

19.496 hectares implantados

com maçãs, sendo 64% com a

variedade Red Delicious, 13% com

Galas, 13% com Granny Smith e

6,2% com Cripp`s Pink e Rosy Glow

(Senasa, 2017). A fim de visualizar as

tendências na frequência de queda

de granizo e identificar as áreas mais

afetadas, associadas aos processos

de variabilidade e mudanças climáticas,

o INTA Alto Valle realizou uma

análise do clima sobre a queda de

granizo em 24 localidades dessa re-

Raffo Benegas M. Dolores


gião durante um período de 37 anos

de registro (Rodríguez y Muñoz, 2017).

A partir da comparação do comportamento

dos eventos de granizo

nos últimos sete anos com relação

aos dados históricos, observou-se

que sua ocorrência aumentou em

14 das 24 localidades em estudo.

As mudanças na frequência de

tempestades de granizo levaram a

uma crescente implementação de

malhas nas pereiras e macieiras. Em

2017, cobriam aproximadamente

690 hectares e atualmente excedem

1.100 hectares, com uma tendência

crescente ao longo do tempo.

Os altos níveis de radiação na

região do Alto Valle e as altas temperaturas

do verão causam em

árvores frutíferas um distúrbio fisiológico

chamado dano do sol, que

afeta significativamente a qualidade

da produção regional. Sua incidência

e severidade dependem das

condições de cada estação, da

variedade, orientação da plantação,

sistema de condução, manejo

da irrigação e nutrição e do estado

geral do cultivo. As porcentagens

de frutas que são descartadas pelos

danos causados pelo sol podem,

no pior dos casos, chegar a 40% da

produção total.

Devido ao custo de instalação

de telas antigranizo e a característica

que elas têm em termos de seu efeito

na redução da radiação incidente

na árvore frutífera, seu efeito sobre

o controle de danos causados pelo

sol foi avaliado em nossa área para

incluir seu desempenho na análise de

custos e poder determinar em quais

situações o investimento para o produtor

se justifica economicamente.

Efeito das malhas na

qualidade da fruta

As telas antigranizo provaram ser

uma tecnologia eficiente para reduzir

danos causados pelo sol e danos

mecânicos, como vento e granizo

em maçãs.

A porcentagem de sol observada

sob as malhas está relacionada ao

Revista da Fruta • 33


PALAVRA DA CIÊNCIA

34

Porcentagem de danos com granizo na cv

Royal Gala com e sem malha, em 2016

Porcentagem de frutos com danos causados pelo sol em

maçãs Cripp’s Pink sem e com rede antigranizo, em 2017

grau de sombreamento de cada

malha e não à sua cor. Uma redução

no dano solar entre 40%-65% em

comparação com um controle sem

malha, e uma diminuição no dano

grave (queimado) entre 60%-100%

foi medida na área.

A cor é um dos atributos mais importantes

da qualidade em maçãs e

é o resultado da coexistência de vários

pigmentos nas primeiras camadas de

células da epiderme: clorofila (cor verde),

carotenóides (responsáveis pela

cor verde / amarela) e antocianinas

(responsáveis pela cor vermelha). O

desenvolvimento da cor nos frutos é

um processo complexo que depende

de fatores internos (relacionados à

genética das variedades) e de fatores

externos (ambientais, práticas culturais

e condução das árvores), todos

intimamente ligados entre si. Sabe-se

que a síntese de antocianinas depende

principalmente da intensidade e

qualidade da luz e da temperatura;

portanto, as malhas escuras, que

reduzem os níveis de radiação em

excesso em variedades com uma

genética que limita sua formação

de cor, afetam esse parâmetro de

maneira negativa. Por outro lado, as

malhas de cor clara (cristal, pérola,

branca), que aumentam a radiação

difusa na árvore frutífera, favorecem o

desenvolvimento da coloração.

Quanto aos outros índices de

maturidade da fruta, eles são mais

dependentes das condições de

cada estação do que do efeito das

malhas. Em geral, tem sido observado

em algumas estações, que

as malhas podem retardar a degradação

do amido, diminuir o teor de

sólidos solúveis e a firmeza.

Considerações finais

O uso de telas antigranizo em

maçãs, além de protegê-las contra

o granizo, melhora a qualidade dos

frutos, desde que sejam utilizadas

cores adequadas de acordo com

cada variedade.

A colocação de telas antigranizo

é um investimento rentável, particularmente

em áreas com maior

incidência do granizo. E o preço das

variedades no qual vai ser instalado

deve absorver um aumento nos custos

de produção como resultado da

instalação da malha.

Como o uso de telas antigranizo

afeta o microclima da macieira (menor

radiação e temperatura e maior

umidade relativa), novas situações

devem ser consideradas no manejo

do vigor das plantas, irrigação,

adubação, desbaste e manejo da

carga de frutos, controle de pragas,

polinização entre outros.


Revista da Fruta • 35


TÉCNICA NO CAMPO

36

Paulo Lanzetta

Somente com

mudas de

qualidade é

possível formar

pomares

produtivos e

longevos

N

Mudas de pêssego: base

e sucesso da produção

o mercado da fruticultura ainda são

poucas as opções de cultivares de

porta-enxertos para pessegueiros,

“o que contribui para o uso de

misturas varietais de caroços de

diversas cultivares-copa (resíduo da

industrialização do pêssego) para a

produção dos porta-enxertos”, afirma

o engenheiro agrônomo Newton Alex

Mayer, pesquisador da Embrapa

Clima Temperado. Esta realidade,

continua o especialista, “pode gerar

diversos problemas nos pomares,

como diferentes reações a fatores

bióticos e abióticos, mortalidade de

plantas e redução da longevidade

dos pomares”.

Vale lembrar que as mudas têm

papel fundamental nos pomares.

Se forem de baixa qualidade, os

problemas fitossanitários vão ser

maiores e a produtividade e qualidade

menores. “É preciso estar claro

que uma boa muda é o início da

“construção” do seu pomar e que

somente com mudas de qualidade

é possível formar pomares produtivos

e longevos”, diz Mayer.

Propagação por estaquia

Uma alternativa é o uso de estaquia.

“A produção de mudas de

pessegueiro através da estaquia

vem sendo utilizada comercialmente

em alguns países, tendo como

principais vantagens a facilidade de

realização, o baixo custo e a rapidez

na produção da muda”, afirma, em

artigo, a pesquisadora e professora

aposentada Márcia Wulff Schuch,

da Universidade Federal de Pelotas.

A principal vantagem desta técnica

“é a garantia da preservação das

características genéticas da planta

matriz, o que é altamente desejável

na formação de pomares comerciais”,

afirma Mayer, da Embrapa.

Ele diz ainda que, como a estaquia

é um método de propagação vegetativa

em que é possível formar

raízes adventícias em um segmento

destacado da planta (ramos que

dão origem às estacas, no caso

do pessegueiro), é possível clonar e

padronizar geneticamente o sistema

radicular das plantas, seja de um

porta-enxerto ou de uma muda.

Como é realizada a técnica

Tudo começa com a seleção das

estacas, que são classificadas em

herbáceas, semilenhosas e lenhosas,

sendo que, segundo pesquisas, os

melhores resultados são as estacas

herbáceas e semilenhosas. Mayer resume

o passo a passo do processo: o

primeiro passo é verificar a disponibilidade

de plantas matrizes com, pelo

menos, três anos de idade. Depois

é realizada uma poda drástica nas

plantas matrizes, no final do inverno,

com a coleta de ramos herbáceos

(haste verde) ou semilenhosos (haste

amarela ou passando a marrom)

sadios e com folhas íntegras.


Newton Alex Mayer

A partir destes ramos, é feito o

preparo de estacas contendo, pelo

menos, três nós com folhas inteiras

ou cortadas ao meio. O tratamento

com fungicidas é altamente desejável.

Em seguida, se realiza uma

imersão da base das estacas em

solução hidroalcoólica de ácido

indolbutírico, com dose entre 2.000

e 4.000 mg.L-1, por cinco segundos.

É feito ainda o uso de vermiculita ou

vermiculita + perlita (1:1, em volume)

como substrato, disposta em

bancadas ou caixas plásticas com

adequada drenagem, sob sistema

de nebulização intermitente.

O processo continua com a

regulagem adequada do sistema

Estacas enraizadas

de porta-enxertos de

pessegueiro, após 60

dias sob câmara de

nebulização intermitente

Resultado da aplicação

Seguindo-se essas etapas e

com constante acompanhamento,

Porta-enxertos clonais de

pessegueiro acondicionados

em citropotes com

fertiirrigação localizada, em

fase de pré-enxertia

Newton Alex Mayer

de nebulização quanto aos perío-

é possível obter percentuais de en-

dos ligado e desligado, mantendo

raizamento superiores a 80% em,

as folhas constantemente umede-

praticamente, todas as cultivares

cidas. Após 70 dias, o sistema de

(copa ou porta-enxerto) de espécies

nebulização é desligado por cinco

frutíferas de caroço, cultivadas no

a sete dias, processo conhecido

Brasil”, garante o pesquisador.

como “endurecimento das raízes” ou

A exemplo da produção de mu-

“rustificação”. Depois deste período,

das de outras frutíferas, “ a adoção de

remove-se a vermiculita e se realiza

novas tecnologias na produção de

uma classificação visual e o trans-

mudas de pessegueiros em alguns

plantio das estacas enraizadas aptas

para recipientes contendo substrato

de produção de mudas, em ambiente

parcialmente sombreado.

viveiros, mais tecnificados e/ou especializados

em frutíferas de caroço,

tem contribuído para a melhoria do

padrão morfológico e fitossanitário

das mudas comercializadas, distanciando-os

cada vez mais daqueles

viveiros não especializados e/ou de

má gestão”.

Revista da Fruta • 37


GIRO NO POMAR

38

Mirtilo no Cerrado

Pesquisador

utiliza ciência e

tecnologia para

produzir a fruta em

região tropical

Peru, Estados Unidos, China e Japão

foram alguns países que o professor

e pesquisador de Agronomia da Universidade

de Brasília, Osvaldo Kiyoshi

Yamanish,i percorreu em busca de

informações e conhecimentos a

respeito do mirtilo, fruta típica do

clima temperado. Há três anos, o

professor decidiu se tornar fruticultor.

Em uma pequena área no Distrito Federal

instalou sua produção da fruta.

Contudo, o pomar Yamanishi está no

Cerrado, com clima tropical, bem

diferente das áreas convencionais

para cultivo de mirtilo. Então, a partir

desta particularidade, o pesquisador

desenvolveu um projeto pioneiro que

tem sido referência no Brasil.

No Cerrado, ele tem cultivado o fruto

em um sistema que dispensa as horas

de frio tradicionalmente exigidas pela

cultura, como acontece nos sistemas

produtivos de frutíferas temperadas.

Sendo assim, sua principal vantagem é

oferecer ao mercado a fruta em período

de entressafras nas principais regiões

produtoras, como Canadá, Chile e Rio

Grande do Sul, no Brasil.

“Trabalho com a variedade biloxi,

que já estava registrada no Brasil há

20 anos. Com este material, produzimos

com zero horas de frio. Enquanto

outras variedades necessitam de 300,

500 ou até 1 mil horas abaixo de 7ºC,

esta cultivar [desenvolvida nos Estados

Unidos] se comporta muito bem e produz

com mínimas de 15ºC”, explica.

Yamanishi detalha que no sistema

desenvolvido por ele, as mudas são

colocadas em bolsas com substrato

de casca de arroz, o que elimina a

proliferação de doenças de solo.

Para evitar a queda das folhas, como

acontece nos períodos de frio nas

frutíferas temperadas, ele utiliza irriga-

ção por gotejo durante todo o ano.

“Minha produção é pequena, mas

a ideia é mostrar que o mirtilo é um

cultura viável para quem tem pouco

espaço”, isso porque, segundo ainda

o professor de Agronomia da UnB,

neste sistema com bolsas, é possível

trabalhar com uma alta densidade

de plantas. “Dá para colocar 10 mil

plantas por hectare. Além disso, o

retorno é rápido, em até um ano, a

planta está produzindo. No sistema

convencional, a produção começa,

em média, após três anos”.

Hoje, o professor, pesquisador e

fruticultor percorre o Brasil para falar

sobre sua experiência e colaborar em

projetos para implantação de pomares

de mirtilo. Ele conta que fruticultores

do Nordeste estão interessados na

cultura. “Estamos trabalhando com

um projeto na Bahia para levar a fruta

em uma região onde a temperatura

mínima fica acima de 20ºC”.

O investimento inicial é alto. O

produtor que quiser implantar um

pomar de mirtilo irrigado em substrato

terá que desembolsar por volta de R$

400 mil por hectare. Se preferir cultivar

diretamente no solo, o valor fica na

casa dos R$120 mil reais.


Revista da Fruta • 39


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