O Cinema e Seus Outros - Manifestações Expandidas do Audiovisual

demetport

Preview das primeiras páginas do livro.
Conheça mais sobre o projeto em: http://avxlab.org

Descrição:
Composto por textos inéditos ou raros de pesquisadores, artistas e intelectuais, este livro constrói uma perspectiva sobre o audiovisual que se expande por outros meios, processos artísticos, tecnológicos, fluxos informacionais e circuitos de produção. Um olhar amplo sobre um universo muitas vezes incompreensível aos paradigmas industriais do cinema e da televisão mas que, a partir do olhar destes autores, ganha distinção justamente pela instabilidade e complexidade que caracterizam essa produção artística, de forma desafiadora, inquietante e em incessante movimento.

_ Organizadores: Lucas Bambozzi e Demétrio Portugal
_ Projeto gráfico e diagramação: Laura Daviña
_ Coordenação editorial: Gabriela Longman
_ Coautores: Andrés Denegri, Christine Mello, Claudio Bueno, Demétrio Portugal, Eduzal, Fernando Velázquez, Gabriel Menotti, Giselle Beiguelman, Henrique Roscoe, Letícia Ramos, Lucas Bambozzi, Lucia Koch, Mario Ramiro, Mirella Brandi, Patrícia Moran, Raimo Benedetti, Roberta Carvalho, Roberto Cruz, Rodrigo Gontijo, Tanya Toft Ag
_ Editora: Equador em coedição com o AVXLab
_ Gráfica: Ipsis
_ Correalização: AVXLab / Spcine / Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo


o cinema

e seus

outros

lucas bambozzi e

demétrio portugal

(org.)


trans-histórico


o cinema

e seus

outros

manifestações

expandidas

do audiovisual

Lucas Bambozzi

e Demétrio Portugal

(orgs.)


Créditos AVXLab

PROCESSO LABORATORIAL

2016-2017

PUBLICAÇÃO

O cinema e seus outros

Cocuradores

Demétrio Portugal

Lucas Bambozzi

Coordenadores

Tatiane Gonzalez

Eduardo Fernandes

Carolina Caffé

Produção

Ihon Yadoya (produção técnico)

Augusto Santos (produção)

Julia Rodrigues (assistente)

Rayane Vasconcelos (monitora)

Daniel Hilario (monitor)

Registros fotográficos

Miguel Salvatore

Registros em vídeo

Carolina Caffé

Organizadores

Lucas Bambozzi

Demétrio Portugal

Coordenação editorial

Gabriela Longman

Projeto gráfico e diagramação

Laura Daviña

Revisão

Heloísa Oliveira e Renata Brabo

Tradução

Roberta Mahfuz

Colaboração

Tatiana Gonzalez

Impressão

Ipsis Gráfica e Editora

Agradecimentos

A toda a equipe da Spcine e do Centro Cultural

São Paulo, a Marina Pinheiro e Roberta

Mahfuz (pelos primeiros passos) e a Leo

Wojdyslawski. Aos assistentes e técnicos de

produção que colaboraram com os projetos

de residência: “CONTEXST” (de Mirella Brandi

× Muep Etmo): Camille Laurent, Clara Caramel,

Marcela Katzin, Sibila Gomes dos Santos,

Fernando Miranda Azambuia, Ari Nagô. “ARA-

PUCA” (de Letícia Ramos): Guilherme Rossi e

Flavia Vieira. Ao Padô pela intervenção em

tape art no saguão do CCSP.


o cinema

e seus

outros

manifestações expandidas do audiovisual

Lucas Bambozzi

e Demétrio Portugal

(orgs.)

1 a - edição

São Paulo, 2019


índice

7 introdução

CAMADAS

INFORMACIONAIS

0. sobre espaços e camadas informacionais

13 lugares e espaços da informação

Lucas Bambozzi

1. de volta ao essencial

25 a linguagem autônoma da luz como arte performativa

Mirella Brandi

41 estático cinemático

Mario Ramiro

47 o invisível como campo cinemático

Claudio Bueno

64 ensaio visual

Lucia Koch

2. espaço informacional em dados

73 cultura visual na era do big data

Giselle Beiguelman

83 a peste da imagem

Fernando Velázquez

95 arte generativa – contracenando com a máquina

Henrique Roscoe

3. a experiência física

109 filmes e vídeos de artistas: preservando e difundindo

o que ainda não se perdeu

Roberto Cruz

119 extremidades: leituras entre arte, práticas midiáticas

e experiência contemporânea

Christine Mello


135 a efervescência da matéria

Gabriel Menotti

142 ensaio visual

Andrés Denegri

154 ensaio visual

Letícia Ramos

A CENA EXPANDIDA

DE UM AUDIOVISUAL

QUE NÃO COUBE

NO CINEMA

163 outros fluxos cinematográficos e sua produção de imagens

Demétrio Portugal

171 da temporalidade radical em arte-mídia (urbana)

Tanya Toft Ag

183 corpo em cena

Rodrigo Gontijo

191 entrevistas: do VJ ao live cinema

com Eduzal, Patrícia Moran, Raimo Benedetti e Roberta Carvalho

PROCESSOS

AVXLab

200 sobre os processos

201 registro fotográfico

montagem

obras dos residentes

obras em diálogo

seminário


217 glossário

227 biografia dos participantes


introdução

O título deste livro é uma afirmação de possibilidades. Ao apontar

que há diferentes cinemas, os diferentes outros que se desdobram

a partir do cinema, fica sugerida uma conexão com certa literatura

de feições existenciais e filosóficas (que outros são esses? Qual é um

e qual é o outro?), que busca relativizar a própria ideia de cinema

como unidade coerente, simplificada e unificada.

Presume-se que o cinema possa ser diverso e múltiplo, e não

apenas associado a conveniências de um formato que atravessou

o século XX, mais ou menos, imune a tantas outras possibilidades.

Há uma ambivalência nesse que nos interessa: ao mesmo tempo

que se indaga “há um problema com o cinema?”, como muitos já

houveram, aponta também “há um problema com seus desdobramentos”,

com seus outros, talvez por serem mais efêmeros ou por

não terem a devida visibilidade. Mas, efetivamente, não se trata

realmente de problema, e sim de questionamentos, especulações e

aferições reincidentes, legítimas, discursivas sobre as possibilidades

que podem surgir desse cinema, como um enigma.

Dividido em quatro grandes partes, “O cinema e seus outros”

procura dar conta da complexidade do audiovisual expandido em

seus diferentes matizes e em diálogo com disciplinas tão diversas

quanto a Física e a História, as Artes Visuais e a Estatística, a Semiótica

e a Ciência da Computação.

Grande parte dessas problemáticas e complexidades que

pontuam esta publicação surgiu a partir do seminário “Camadas

Informacionais”, programa integrante do AVXLab, que reuniu

em junho de 2017 no CCSP-SP um grupo de pesquisadores,

artistas, intelectuais e interessados nas reflexões sobre processos

artísticos, tecnológicos e fluxos informacionais em torno do

audiovisual expandido.

o cinema e seus outros

7


camadas

informacionais

camadas

informa-

11

camadas

informacionais


0.

sobre

espaços

e camadas

informacionais

instabilidade

camadas

informação

visões

conec-

tividade

introdução


Lucas

Bambozzi

lugares e espaços

da informação

O espaço informacional

A definição de espaço informacional migra entre campos. É a

princípio um conceito geográfico, mas que vem sendo aplicado

nas crescentes formas de fricção entre arquitetura, arte e informação.

É uma trama que une campos visíveis e invisíveis em

relações que conectam espaços urbanos, as especificidades do

lugar e do contexto, as redes telemáticas, a internet e as ondas de

rádio, televisão, telefonia e outras formas indutoras de sinais. São

sinais que podem ser minuciosamente mensurados ou apenas

presumidos, percebidos efetivamente através de seu impacto físico

ou por suposição, por formas mais científicas ou imaginadas,

fantasiosas que sejam.

Os estudos geográficos, desde o Ensino Médio, observavam

a gradativa transformação do meio em sua influência pelas atividades

humanas, classificando os meios como: natural, técnico

e técnico-científico-informacional. Essa caracterização, tal como

descrita por Milton Santos (1994, p. 24), está associada a um processo

de reconstituição da própria definição do meio, que deixa

de ser natural e técnico, mas adquire essa camada informacional,

já que no processo de globalização a ciência, a tecnologia e a

informação passam a definir o funcionamento do espaço. “A informação

tanto está presente nas coisas como é necessária à ação

realizada sobre essas coisas” (Santos, 1994, p. 24) em um processo

de requalificação dos espaços, uma geografia recriada, assistida

por métodos informacionais.

o cinema e seus outros

13


névoa

1.

de volta ao

essencial

invisibilidade

abstração

poeira

imaterialidade


Mirella

Brandi

a linguagem

autônoma da luz como

arte performativa

A alteração perceptiva através da luz e seu conteúdo narrativo

Este artigo aborda a luz como linguagem autônoma de uma arte

expandida, que se apropria de inúmeros conceitos e técnicas de

diversas áreas cênicas e visuais para a criação de narrativas subjetivas.

Explora o lado perceptivo da luz como ferramenta artística que se

estabelece através das artes visuais, do cinema expandido e da arte

performativa. O texto evidencia conceitos de diferentes ordens

reunidos de modo singular, por meio da luz. Partindo de algumas

descobertas e teorias importantes sobre a natureza incerta da luz,

avança através da fusão de linguagens e do pensamento na arte. Um

olhar é lançado para o que pode ser aprofundado e reorganizado

na criação artística em diferentes áreas. O método investigativo

transdisciplinar busca contribuir para a discussão desse tema ainda

recente na esfera da iluminação como expressão artística.

Trabalhar há tantos anos em parceria com o músico Muep

Etmo, aprofundando uma pesquisa de linguagem que parte dos

elementos de base do cinema (a luz e o som), nos fez perceber

que a comunicação e a narrativa podem partir de elementos tão

subjetivos e que isso abre um longo caminho a ser explorado.

Alterar a percepção do mundo como o conhecemos altera nossa

compreensão e amplia a capacidade de perceber diferentes

pontos de vista sobre o que já é conhecido. Nossos caminhos

de luz e som foram se misturando intensamente com o tempo.

Entender melhor os caminhos sonoros me ajudou a refletir

sobre a condução da luz e ao mesmo tempo tornou a música

mais visual. A contaminação e fusão de linguagens é algo que

o cinema e seus outros

25


Mario

Ramiro

estático cinemático

Um dos artefatos humanos mais antigos que chegaram até nossos

dias é uma estatueta esculpida em pedra, com pouco mais de 10 cm

de altura e cerca de 30 mil anos de idade, representando uma figura

feminina de contornos avantajados e sem face [fig. 1]. Essa pequena

escultura conseguiu atravessar uma camada temporal pouco comum

para outros objetos, provavelmente feitos de materiais menos duráveis

que a pedra. O significado da Vênus de Willendorf não foi

ainda totalmente desvendado, restando muitas especulações sobre

suas origens e funções. Mas, apesar de sua faceta obscura, a viagem

da Vênus pelo tempo é reveladora de uma prática escultórica em

períodos longínquos da história humana. Milênios mais tarde, a

escultura seria concebida programaticamente para resistir ao tempo e

à degradação da carne, carregando para além da morte as lembranças

daqueles personagens representados em bustos, stelas, arquiteturas

e monumentos. Juntamente com tais figuras de representação,

viajavam também pela história as narrativas contadas e cantadas

que se mantinham vivas para além da época em que foram criadas.

Dessa forma, objetos aparentemente inertes tornavam-se um

ponto de convergência dinâmico entre representação, história,

mito, cultura e narrativa. O deslocamento ao longo do tempo

poderia ser visto, assim, como uma das dimensões constitutivas do

objeto ou da imagem. Essa curiosa qualidade cinética do objeto de

arte já havia sido apontada pelo professor Vilém Flusser em seu

texto para o catálogo da exposição “Metrópolis”, de 1991. Nele, o

filósofo argumentava que, se nos dias de hoje temos a impressão

o cinema e seus outros

41


Claudio

Bueno

o invisível como

campo cinemático *

Introdução

Ao pensarmos a palavra campo, rapidamente nossa cabeça converte-a

em uma imagem, inventa uma paisagem, muitas vezes relacionada

ao limite do que os nossos olhos conseguiriam enxergar. Como se

fosse uma grande área diante de nós, aberta à nossa visão, mais ou

menos definida por alguns limites e contornos do que poderia se

formar em nosso campo visual.

Essa imaginação imediata nos sugere que campo seja uma

região, uma zona, uma área que, a todo momento, tenta ser delimitada

pelo nosso olhar ou por nosso pensamento. Afinal, identificar

limites permite-nos localizar o corpo no espaço e, ainda,

tranquilizar o espírito, que não suporta estar diante de um campo

sem margens, de contornos provisórios, atravessado por forças que

apontam em diferentes direções.

A tentativa de definir qualquer forma precisamente nos escapa

ao tratarmos do invisível como um campo, pois a perspectiva que

nos interessa, desde o campo da arte, é dinâmica, móvel. A manifestação

desses campos se dá a partir da posição de corpos, coisas e/

ou não coisas, próximos ou distantes, parados ou em deslocamento,

diante de determinados espaços e tempos, em arranjos provisórios,

* “O invisível como campo cinemático”: este texto parte da pesquisa desenvolvida para

a tese de doutorado intitulada “Campos de Invisibilidade”, defendida pelo autor em

2015, com orientação do artista e professor Gilbertto Prado, no departamento de Artes

Visuais da ECA-USP. Disponível em: . Acesso em: 7 ago. 2017.

o cinema e seus outros

47


Lucia Koch

65

“Cromoteísmo”, 2012,

impressão jato de tinta sobre

lona vinílica, painel retroiluminado

instalado no altar

da Capela do Morumbi

66-67

“New Development”, 2011,

impressão jato de tinta

sobre tela de vinil,

desenvolvido para a

11a- Bienal de Lyon

68-69

“Conversation”, 2013,

instalação desenvolvida

para a 11a- Bienal do Sharjah,

“Re: emerge”

70-71

“Night Fever”, 2010,

frame de vídeo

64

ensaio visual


tica

datavisualização

2.

espaço

informacional

em dados

estatís-

análise computacional

estética de

banco

de dados


Giselle

Beiguelman

cultura visual

na era do big data

A cultura visual contemporânea é indissociável da produção imagética

nas redes. Nunca se fotografou tanto como em nossa época.

Estima-se que a cada dois minutos sejam produzidas mais imagens

que a totalidade das fotos feitas nos últimos 150 anos (Eveleth, 2015).

Essa é uma estimativa relativamente modesta, considerando-se

que há 1 bilhão de dispositivos com câmera (entre os 5 bilhões de

celulares ativos) e que cada um deles captura cerca de três fotos

por dia (ou mil por ano). 1

A relevância desse fenômeno não é sua pujança quantitativa,

são as transformações culturais e, portanto, qualitativas para a qual

aponta. À popularização das câmeras corresponde uma inequívoca

multiplicação de sujeitos que passam a enquadrar e ser enquadrados

nas telas. O que se coloca em jogo aqui é um processo de

apropriação da imagem por novos perfis sociais sem precedentes.

Não é possível isolar essas manifestações dos impactos da

digitalização da cultura e da ubiquidade das redes. Alteraram-se

os processos de distribuição de imagem, as formas de ver, cada vez

mais mediadas por diferentes dispositivos simultâneos, e consolidaram-se

novos modos de criar, de olhar e também de ser visto.

Ambivalente, essa nova cultura visual (Beiguelman, 2016) oscila

entre possibilidades de democratização do acesso ao audiovisual,

novos regimes estéticos, superexposição, vigilância e rastreamento.

1 Pela mesma lógica da divisão do número de câmeras pela população, calcula-se que

do século XIX até hoje tenham sido capturadas 2,5 trilhões de fotos analógicas em filme.

o cinema e seus outros

73


Fernando

Velázquez

a peste da imagem

Vemos com os olhos, mas também vemos com o

cérebro, e ver com o cérebro é o que comumente

chamamos de imaginação. Estamos familiarizados

com as paisagens da nossa imaginação,

nossos inscapes, vivemos com eles por toda a vida.

(Oliver Sacks 1 ).

Para poder viver diretamente as imagens, é ainda

necessário que a imaginação seja suficientemente

humilde para se dignar encher de imagens

(Gilbert Durand 2 ).

22 de dezembro de 2017, 17:03.

A imagem é contagiosa como peste. Chegou devagar, sorrateira,

mascarada, sedutora, técnica, sintética, violenta, tomou conta das

coisas do mundo, quer dizer, tomou conta de mim, tomou conta

de nós, tomou conta.

Peste: fenômeno de propagação orgânica e emergente, com

causas e efeitos que podem ser desconhecidos e/ou conhecidos, a

priori descontrolados. Imagem: um fenômeno à deriva que nem

peste, que nos afeta, nos transforma, nos domina.

À deriva? À deriva no vácuo que se instaura quando não conseguimos

a distância focal necessária para enxergar o futuro. Entre

posts, selfies, eleições suspeitas, fusões corporativas e pós-verdades,

quando a vertigem pautada na velocidade das coisas dá uma trégua

e o borrão começa a clarear, o vislumbre fugazmente desaparece

com a ligeireza de um varrido de frequência na tela.

1 Disponível em: .

Acesso em: 10 dez. 2017.

2 DURAND, Gilbert. As estruturas antropológicas do imaginário. São Paulo: Martins

Fontes, 2002.

o cinema e seus outros

83


Henrique

Roscoe

arte generativa –

contracenando com

a máquina

Arte generativa pode ser definida como “qualquer

prática artística na qual o artista cria um processo,

como um conjunto de regras ou linguagem, um

programa de computador, uma máquina ou outro

mecanismo que então é colocado em movimento

com algum grau de autonomia, contribuindo ou

resultando em um trabalho de arte completo” 1

(Galanter, 2003, p. 4).

Arte generativa, arte viva

O procedimento generativo se caracteriza pelo uso de sistemas

compostos por pelo menos uma parte autônoma com a finalidade

de produzir ou alterar trabalhos artísticos que se desenvolvem

ao longo do tempo. Nesses trabalhos, o artista propõe narrativa,

limites e possibilidades que serão concretizados em tempo real

pela máquina, durante uma performance, instalação ou mesmo

em uma aplicação estática, congelada em frames. O interesse do

artista é, em parte, perder – parcial ou totalmente – o controle

sobre o resultado final, inserindo elementos aleatórios que podem

alterar substancialmente o processo, tanto para o bem quanto para

o mal, levando a resultados inesperados. Variáveis, que podem ser

vinculadas a qualquer parâmetro dos elementos em cena, ampliam

as possibilidades narrativas, com a capacidade de influenciar o

performer pela variação das ações propostas pela máquina.

Mas por que não ter o controle seria uma vantagem? Talvez

o objetivo de quem trabalha com esse tipo de abordagem seja

1 Definição usada por Galanter em suas aulas, citada na publicação, conforme bibliografia.

Tradução livre do autor.

o cinema e seus outros

95


interação

internet

das

coisas

materialidade

objeto

3.

a experiência

física


Roberto

Cruz

A preservação de obras de arte produzidas em time-based media

(como o filme, o vídeo, a arte cibernética) é uma das grandes

questões que as instituições culturais estão enfrentando. Em função

do desenvolvimento muito acelerado da tecnologia, essas obras se

tornam tecnicamente obsoletas muito rápido. Uma das preocupações

centrais é com a integridade da obra e sua durabilidade, uma

vez que ela foi produzida em um formato que em pouquíssimo

tempo se torna algo raro e inexistente no mercado.

Um exemplo é o super-8, uma bitola difundida pela indústria

para consumo não profissional nos anos 1960-1970, muito

utilizada pelos artistas e que hoje não se encontra com facilidade.

Esse formato tem um agravante, pois a revelação da película é

o próprio positivo dessas imagens, não havendo, portanto, uma

matriz em internegativo da qual se extraem novas cópias. Assim,

um dos desafios por parte desses departamentos de conservação

é criar metodologias de trabalho que considerem a preservação e

a integridade da obra, mas que ao mesmo tempo a torne passível

de ser exibida. Qual é o sentido de uma obra ficar exclusivamente

guardada, conservada em uma sala refrigerada, sem poder ser

vista? Elas são patrimônios culturais e precisam ser conhecidas,

pesquisadas, admiradas.

No Brasil, não existe um protocolo definido pelos museus e

instituições voltado para a conservação de obras de arte produzifilmes

e vídeos de

artistas: preservando e

difundindo o que ainda

não se perdeu

o cinema e seus outros

109


Christine

Mello

extremidades: leituras

entre arte, práticas

midiáticas e experiência

contemporânea *

Estabelecida na passagem para os anos 2000, a investigação “Extremidades

do vídeo” 1 teve como princípio cartografar e analisar

a produção experimental com o vídeo no Brasil 2 . Seu principal

objetivo foi colaborar com uma abordagem histórica e estética

das inter-relações promovidas com o vídeo no campo da arte contemporânea.

Nela, foi desenvolvida uma metodologia de análise

denominada “Leitura das Extremidades”.

Esse termo se refere a uma abordagem crítica para a arte e

para as práticas midiáticas a partir da noção de extremidades.

De modo mais específico, nela são articulados os procedimentos de

desconstrução, contaminação e compartilhamento como vetores

de leitura. Trata-se de constituir metodologia de análise para trabalhos

que transitam entre arte, práticas midiáticas e experiência

contemporânea, interconectados entre múltiplas plataformas,

comunidades e linguagens.

Hoje, busco redimensionar a pesquisa nos campos da arte e

da comunicação, procurando ampliar sua ação na área crítica.

* Texto originalmente apresentado em Diálogos transdisciplinares: arte e pesquisa.

PRADO, Gilbertto; TAVARES, Monica; ARANTES, Priscila (orgs.). In: Extremidades:

leituras entre arte, comunicação e experiência contemporânea. São Paulo: ECA/USP, 2016;

sendo, na presente versão, revisto e ampliado.

1 Desenvolvida inicialmente sob a forma de tese de doutorado, entre 1999 e 2004,

na PUC-SP, com orientação de Arlindo Machado, foi publicada em 2008 pela Editora

Senac – São Paulo.

2 O período de abrangência da produção analisada, em grande parte, vai até o ano

de 2004.

o cinema e seus outros

119


Gabriel

Menotti

a efervescência

da matéria

Quanto mais circula, mais a imagem se dissolve nas trocas de

informação subjacentes. Ao intensificar esse processo, a representação

computacional coloca em xeque abordagens essencialistas,

que determinam a imagem como sendo isto ou aquilo. Não

obstante, a condição da imagem nunca foi outra que não a de

insuficiência. O trabalho cinematográfico sempre existiu em uma

oscilação constante entre dispersão e contenção. Na película de

celuloide, a imagem se dá não como uma entidade singular, mas

sim como um efeito do agrupamento de tomadas individuais.

Por meio da manipulação desse material, pedaços de realidade

pró-fílmica previamente desconexos podem ser combinados em

um todo coerente.

Algumas das primeiras teorias sobre o cinema reconhecem

nessa constituição heterogênea a fonte do potencial estético do

meio. Nos anos 1920, os diretores associados às vanguardas soviéticas

propuseram princípios de montagem que sistematizam

a produção de sentido com base na combinação de elementos.

Sergei Eisenstein teceu uma famosa comparação entre a poética

do corte e a forma ideogramática da escrita chinesa (Eisenstein,

2002). Segundo sua analogia, as brechas entre um quadro e outro

seriam tão relevantes para a constituição do filme quanto os próprios

quadros. A descontinuidade abriria espaço na obra para o

investimento cognitivo do espectador, elevando os rastros visuais

a uma espécie de modalidade discursiva. A capacidade do filme

o cinema e seus outros

135


Andrés

Denegri

143

“Éramos Esperados (16 mm) ”, 2013,

instalação fílmica com dois

projetores 16 mm, estruturas

metálicas com telas translúcidas

e dois andaimes. (vista parcial)

144

“Éramos Esperados

(Chumbo e Pau) ”, 2013,

instalação fílmica com projetor

16 mm, estrutura metálica,

sistema motorizado e andaime

(vista parcial)

145 acima

“Éramos Esperados

(Chumbo e Pau) ”, 2013,

instalação fílmica com projetor

16 mm, estrutura metálica,

sistema motorizado e andaime

(vista parcial)

145 abaixo

“Éramos Esperados

(Ferro e Terra) ”, 2013,

dispositivo fílmico com três

projetores Super 8, duas mesas de

madeira, sistema de suporte para

tela translúcida e sistema para

passagem de película

146-147

“Clamor ”, 2015,

instalação fílmica com dois

projetores 35 mm, dois projetores

16 mm, dois projetores Super 8,

mesa de madeira, quatro

andaimes, estrutura metálica com

telas translúcidas e sistema para

passagem de película

148-149

“Mecanismo do

Esquecimento”, 2017,

instalação fílmica com projetor

16 mm “intervencionado

(à esquerda)

“Memória em Chamas”, 2017,

instalação fílmica com dois

projetores 16 mm com película

em loop (à direita)

150-151

“Aula Magna”, 2013,

filme experimental em Super 8

de 420 seg.

152

“Aeropuertos”, 2016,

filme experimental em Super 8

de 160 seg.

153

“Corumbé”, 2016,

filme experimental em Super 8

de 160 seg.

142

ensaio visual


Leticia

Ramos

155, 160

“Meteorito”, 2014,

fotografia a partir

de microfilme,

100 × 85 cm (cada)

156-159

“Paisagem”, 2014,

Fine art print a partir

de microfilme,

100 × 211 cm (cada)

154

ensaio visual


a

pdaqcc


a cena ex -

pandida

de um

audiovisual

que não

coube no

cinema

a cena

expandida

de um audiovisual

que

não coube

no cinema

a cena e

pandida

161


Demétrio

Portugal

outros fluxos

cinematográficos e sua

produção de imagens

A produção que se estereotipou como “cinema” ao longo das últimas

décadas contempla apenas uma pequena porção das linguagens

cinematográficas conhecidas, porém sua importância para a construção

imagética do mundo ocidental pós-guerra é inegável e está

diretamente ligada à potência de mercado que ela possui atualmente.

Isso é consequência da articulação de toda uma cadeia de

produção e distribuição que envolve, além do “cinema”, a “música”,

a “televisão”, o “teatro” e, mais recentemente, aponta-se também

o “game” (jogos) como pilares da Indústria do Entretenimento.

Além dessa indústria, atualmente é possível distinguir ao menos

outros dois fluxos potentes de linguagem audiovisual pela análise

dos seus meios de produção e distribuição. Um, totalmente novo,

caracterizado pela dinâmica narrativa das redes sociais e pelo uso

do “neopanóptico” como ponto de vista dominante – que trato aqui

como “segunda câmera”; o outro se caracteriza por uma produção

autoral que emprega tanto o ambiente quanto os recursos técnicos

em função do conteúdo criado, possui natureza híbrida e se utiliza

da experiência do espectador como linguagem; esse fluxo é o que

se refere às expressões expandidas do audiovisual.

Dentro da complexidade do seu sistema, imagino a confluência

do fluxo de mercado com o fluxo de conteúdo audiovisual se

comportando como as infinitas correntes de um oceano. Carregando

suas ideologias e dinâmicas de poder e trabalho, os “fluxos

o cinema e seus outros

163


Tanya

Toft Ag

da temporalidade

radical em arte-mídia

(urbana)

Por algum tempo, e em minha prática curatorial, interessei-me pelas

emergências artísticas no domínio da arte-mídia. Em continuidade

a uma concepção expandida do cinema e seus outros – videoarte,

performance, audiovisual e manifestações recentes de mídia-arte

–, estou interessada em como artistas incorporam estéticas e linguagens

“contemporâneas” em um campo mais amplo das artes,

que inclui, por exemplo, ciência da imagem, games, VJs e outras

práticas performativas; e também em como a inovação tecnológica

– como as que ocorrem em mídias móveis, telas, equipamentos

de projeção e tecnologias ópticas (realidade virtual, aumentada

e mista) – informa expresses artísticos e agenciamentos artísticos.

Minha investigação, em particular, refere-se a como a mídia-arte

que se expressa e se situa no contexto urbano – à qual

me refiro em termos gerais como “arte-mídia urbana” – pode ser

compreendida como arte contemporânea; especialmente no sentido

de um engajamento direto com as dimensões temporais de nossa

contemporaneidade, como um material artístico que emerge de,

responde a e coexiste com o tempo e as experiências temporais

que nos são oferecidas em materiais, infraestruturas e interfaces

de nossos ambientes reais e híbridos. Estou particularmente interessada

na contingência da arte com tendências estéticas de

mídia e experiências perceptivas que caracterizam nossa existência

comunicativa contemporânea.

Vou exemplificar essa concepção de arte-mídia urbana por

meio de um projeto expositivo em São Paulo no qual trabalhei

o cinema e seus outros

171


Rodrigo

Gontijo

corpo em cena

reflexões sobre o cinema

em circuito fechado

As performances audiovisuais, em que a imagem é editada e manipulada

no instante da apresentação e em ato performático, são

conhecidas também como live cinema. Podemos considerar essa

prática artística como o desdobramento de uma série de experimentos

audiovisuais que reinventaram o dispositivo cinematográfico

por meio de fluxos narrativos mais livres, subversivos, múltiplos

e híbridos, que não se preocuparam em contar histórias. No live

cinema, vemos o artista editar e manipular imagens em movimento

diante da plateia, sendo muitas vezes acompanhado por músicos

que executam a trilha sonora ao vivo.

Com quase duas décadas de existência, o cinema ao vivo se

desenvolveu a partir de diferentes modos e procedimentos de

produção de imagens, impulsionados pelo aparecimento de novos

softwares e aparatos tecnológicos, pelo resgate de propostas

desenvolvidas ao longo da história do cinema experimental e

expandido, e sobretudo com a incorporação dos repertórios dos

artistas envolvidos, que chegaram de diferentes áreas de atuação.

Os artistas que migraram do cinema e do vídeo costumam

carregar uma experiência muito maior em edição de imagens

do que programação, produzindo sequências visuais a partir de

cenas previamente organizadas e armazenadas no computador,

ao contrário daqueles que executam performances audiovisuais

generativas. Estes possuem geralmente formação em áreas pertencentes

às ciências exatas, com interesse e facilidade na programação

de softwares. Existem também trabalhos em que o

o cinema e seus outros

183


do VJ ao

live cinema

entrevistas

um breve recorte do audiovisual

expandido no Brasil

VJ, live cinema, videomapping e performances

audiovisuais ao vivo. A partir de

quatro entrevistas com artistas e pesquisadores,

traçamos aqui um breve panorama

da cena do audiovisual brasileiro, que

começa no final dos anos 1990, no âmbito

do entretenimento, consolida-se no início

do século XXI, em que parte dela se torna

atrativa ao mercado, enquanto outra

ganha espaço e legitimidade em festivais

e galerias. Trata-se de um percurso longo,

cheio de atravessamentos, com uma

cena muito forte no eixo Rio-São Paulo,

porém com festivais e focos de pesquisa

e resistência em diversas cidades do

Brasil. Organizado em três eixos principais,

este texto funciona como uma espécie

de introdução para aqueles que se

aproximam desse campo e um espaço de

memórias de um território já estabelecido

com sua própria história.

A convite do grupo AVXLab, organizadores

doCinema e seus Outros”,

detectamos alguns pesquisadores e

artistas que representam expoentes

1 Nota dos Organizadores: caberia citar

coletivos que surgiram no início dos anos 2000,

mesmo período em que o Bijari iniciava suas

apresentações ao vivo, como o Embolex (SP),

Media Sana (Recife), o Feito a Mãos, que viria a

se apresentar com o nome FAQ (Belo Horizonte),

ou o MM Não é Confete (SP), entre outros.

específicos na cena do audiovisual

expandido. Assim surgiu uma conversa

com Raimo Benedetti, Eduzal, Roberta

Carvalho e Patrícia Moran, que comentam

sobre campos de atuação que se

complementam, cada qual com sua linguagem

e inserção em circuitos distintos.

Os coletivos foram fundamentais

para o fortalecimento da cena do VJ no

Brasil. Eduzal, ex-integrante do Bijari,

desenvolveu trabalhos comerciais tão

intensos quanto suas obras autorais,

sempre com a mesma desenvoltura. Já o

artista Raimo Benedetti, por meio de suas

oficinas de vídeo experimental, realiza

performances audiovisuais estruturadas

a partir de uma baixa tecnologia, muitas

vezes conectadas a procedimentos

do pré-cinema e do primeiro cinema.

Fugindo do eixo Rio-SP, temos a Roberta

Carvalho, artista paraense, idealizadora

e curadora do Amazônia Mapping, um

festival que se preocupa com a formação

de público na região Norte. E para

amarrar tudo isso, trazemos um olhar

acadêmico da pesquisadora Patrícia

Moran, uma das primeiras pessoas a

escrever sobre a cena do VJ no Brasil,

legitimando uma prática artística que

já foi vista com muita desconfiança.

Rodrigo Gontijo

191


ONDE TUDO COMEÇOU

Patricia Moran Eu acho que as

humanidades são muito mal trabalhadas

no Brasil e aí, em função disso,

poucos cursos te dão a noção de que

a arte é um lugar possível de existência.

Eu fiz dois vestibulares, o primeiro

foi Fisioterapia, o segundo, História,

e em História eu achei o audiovisual.

O cinema, na época, era o cinema de

película, antes do vídeo, e aí, como

você não vai filmar, é difícil, você

começa fazendo mostra. E eu sempre

tive esse interesse, entendeu? Na

verdade, né, eu, como pessoa que é de

Belo Horizonte, na faculdade em que

eu estudei, na FAFICH, Faculdade de

Filosofia e Ciências Humanas, tinha um

grupo muito grande de pessoas que

lidavam com artes. Todo mundo fazia

tudo, então, assim, eu fiz backing-

-vocal, fanzine, escrevia sobre rock’n

roll, assistia filme, sabe? A cidade era

pequena o suficiente pra você ver tudo

e não perder nada. De repente, uma

amiga comprou uma câmera de vídeo

VHS, aliás, é até engraçado, a primeira

vez que ela comprou, o pai comprou

na Europa, então era PAL e aí era

aquela confusão... conclusão... aí, cê

sabe? Começa... E o [Instituto] Goethe

tinha uma câmera VHS... aos poucos

você vai mexendo...

Raimo Benedetti Em 95, mais ou

menos, eu comecei a trabalhar no

grupo de circo Nau de Ícaros como

videomaker, fazendo os registros dos

espetáculos, fazendo teaser, esse tipo

de coisa, e fui incorporado no grupo.

Passei a fazer um espetáculo chamado

“Quase Uma”, e pra esse espetáculo foi

criada a Trakitana, que o Alex Marinho,

que era um dos sócios, mentores do

grupo e engenheiro, desenhou pra

mim, e fez um dispositivo que tinha

uma câmera ao vivo e que eu poderia

fazer uma manipulação de imagens em

tempo real. E ali a gente bolou vários

esquemas e acabou constituindo a

Trakitana do jeito que ela é mesmo, no

formato de um table top.

Eu achei aquela experiência interessante

e comecei a desenvolver esse

trabalho com a Trakitana, que até

hoje eu desenvolvo. Envolve o vídeo

analógico, a manipulação de hardware.

E aí, quando eu fui um pouco cristalizar,

transformar aquilo num trabalho

pessoal, coincidiu com o convite do

MAM em 1999 pra dar aula de um curso

chamado “Videoclip experimental”,

que acabou virando o “Vídeo experimental”,

que é o curso no qual eu pude

levar essa experiência da Trakitana

pra dentro da sala de aula, dividir com

o grupo. Como que a gente poderia

constituir uma linguagem? Eu encontrei

um campo fértil pra criação, pra

ação coletiva, estudantes que têm uma

disponibilidade. Pra mim se criou uma

condição ideal, até hoje me mantenho

satisfeito, ativamente produzindo dentro

desse contexto. Ao longo desses

anos eu tive o privilégio de ter pessoas

incríveis e de muitas áreas; acho que

são mais de mil aluno.

Eduzal A gente era amigo da faculdade

e falava de fazer uns trampos junto,

de fazer uma cenografia. Começamos a

fazer cenografia antes de ter o Bijari. Aí

o negócio foi tomando um volume, foi

crescendo, foi uma coisa orgânica,

192 entrevistas


processos

AVXLab

processo

AVXLab

199

processos

AVXLab


sobre os

processos

A existência do AVXLab é uma deriva

de diversos esforços, ideias e experiências

realizadas ao menos desde 2013 1

no sentido de fomentar o desenvolvimento

do audiovisual expandido

brasileiro, e reflete também toda uma

trajetória dos seus organizadores e

participantes para o desenvolvimento

dessa cena cultural e artística.

Como em toda a primeira edição,

esse projeto trouxe uma grande dose

de experimentação na formatação de

sua metodologia. Seu resultado

ilustrado pelas fotos que seguem este

texto – apresenta um embrião, com

bastante personalidade, de um projeto

que representa a amplitude das expressões

audiovisuais que buscamos

congregar e fortalecer.

Nesse processo, os cinco artistas

residentes convidados realizaram três

obras: “Arapuca”, “CONTEXST - Context

Shapes Content” e “Protocolo”, cada

um abordando um universo particular

do audiovisual expandido. Tais universos

contextualizaram e representaram

o viés de cada tema abordado durante

os três dias de seminário. Esses temas

estão respectivamente aprofundados

nas três sessões da primeira parte deste

livro: “A experiência Física”, “De volta

ao essencial” e “O espaço informacional

em dados”.

A qualidade do resultado atingido

vem confirmar a existência dessa

identidade estética, técnica e teórica

que congrega os distintos ramos do audiovisual

expandido; ao mesmo tempo,

tornou evidente o quão trabalhoso é

promover um espaço laboratorial verdadeiro

em que o evento ou resultado final

de uma obra acontece em função do

processo criativo, em que o experimento

dê oportunidade ao erro, possibilitando

arriscar-se para além das fórmulas

conhecidas “do que dá certo” e que tão

usualmente regram aquelas “novidades”

criadas para atender às demandas de

última hora dos eventos da indústria do

espetáculo e do entretenimento.

Para adiante, parece evidente que

o AVXLab deve incorporar a postura

laboratorial e assumir a natureza de

algo em contínua experimentação. Essa

qualidade implica uma posição propositiva,

de disputa e de mediação – principalmente

a nível estrutural – junto aos

espaços e instituições consolidados.

A maioria dos colaboradores desta

publicação participaram também da

edição do AVXLab de junho de 2017 no

CCSP e figuram no registro fotográfico

do projeto a seguir neste capítulo e no

site http://avxlab.org.

Demétrio Portugal

1 Ano em que aconteceram os primeiros encontros

de articulação do ALTav - Rede do Audiovisual

Expandido (http://altav.org).

Fotos: Miguel Salvatore.

200 processos AVXLab


montagem

Acima, recepção do seminário e do

espaço expositivo do AVXLab no

CCSP. Abaixo e ao lado, processo

de criação da obra “Contexst” com

Mirella Brandi e Muep Etmo, e assistência

de Camille Laurent.

201


Montagem da obra

“Protocolo”. À direita,

Julia Rodrigues e Rayane

Vasconcelos; abaixo,

Augusto Santos e

Henrique Roscoe.

À esquerda,

montagem da obra

“Bony Ayax”, com

Lucas Bambozzi,

Andrés Denegri e

Ihon Yadoya.

202 processos AVXLab


glossário

Novas expansões semânticas

O glossário que acompanha esta

publicação foi compilado e redigido

por Marcus Bastos para o Festival

Visualismo que ocorreu no Rio de

Janeiro em 2015.

No contexto do AVXLab, esse

conjunto de termos técnicos, alguns

deles ressignificados em função de

novas tecnologias e práticas, se mostra

pertinente como marco temporal de um

vocabulário que retrata a confluência

entre meios e indica novas expansões

semânticas, em novas abordagens, novas

sínteses e novas (des)construções.

“A arte contemporânea e os processos

tecnológicos, muitas vezes

implicados em suas obras, movem-se

numa velocidade que nem sempre é

fácil acompanhar. Mesmo quem segue

bibliografias especializadas fica

em dúvida sobre certos conceitos, ou

depara com palavras desconhecidas.

O pequeno glossário elaborado

a seguir tenta cobrir algumas lacunas,

num ímpeto que tem algo de

didático, outro tanto de quixotesco

e alguma possível clareza de que

uma tarefa desse tipo tem grandes

chances de deixar novas lacunas

ou estabelecer recortes meramente

provisórios. [...]

Entre tantos detalhamentos que poderiam,

cada um, gerar artigos ou livros

inteiros, a opção por verbetes aposta

em estabelecer um território comum, a

partir do qual podem ser debatidos, ampliados,

questionados, complementados,

contrapostos etc. – talvez ao longo das

próprias atividades do Visualismo.

Se é preciso começar de alguma

forma, que seja supondo que novos

verbetes, novas abordagens, novas

sínteses e novas desconstruções são

sempre mais importantes que os pontos

de fixação provisórios que às vezes as

riquezas de um campo demandam.”

Marcus Bastos, 2015

217


Ao Vivo / Tempo Real: Ao vivo ou em

tempo real são termos que se tornaram

moeda corrente nos últimos tempos,

como consequência do uso frequente de

tecnologias que produzem um efeito

de instantaneidade: alguém publica na

internet, e rapidamente várias pessoas

compartilham e/ou comentam; alguém

segue uma rota sugerida por um aplicativo

que o ajuda a se deslocar pela cidade,

e no meio do caminho uma informação

sobre o trânsito acompanha uma sugestão

de desvio; uma tragédia acontece em

um lugar distante, e minutos depois todos

já ouviram falar. Nesse contexto, surgiram

muitos trabalhos de arte que, como parte

do seu repertório estético, exploram as

possibilidades de montagem ao vivo ou o

uso de dados em tempo real.

Artemídia / Media Art: Termos como

artemídia ou media art resultaram do

crescente engajamento dos artistas

com novas tecnologias. Especialmente a

partir dos anos 1960, quando o número

de tecnologias disponíveis aumentou de

forma mais rápida, as experiências de

arte baseadas em tipos específicos de

aparelhos multiplicaram-se, dando origem

a obras de arte que exploram suportes

tecnológicos como os CD-ROMs,

os ambientes 3-D e a computação

gráfica, entre outros. Diante da rapidez

com que surgem novas tecnologias, às

vezes foi usado o termo new media art

para descrever desdobramentos dessas

vertentes, além de outros mais específicos,

como net art.

Blueprint (ou Guia de Mapeamento):

Foto feita com uma câmera no mesmo

ângulo de foco do projetor (ao lado

ou em cima) que será usado em uma

projeção em um edifício. O objetivo é

ter uma imagem que serve de guia na

criação de máscaras, recortes e demais

decisões tomadas para articular o vídeo

projetado com os elementos arquitetônicos

que servem de superfície para

a imagem. Para que o blueprint não

contenha distorções, é necessário que a

lente ou objetiva da câmera fotográfica

seja equivalente à lente do projetor que

será usado para enviar o sinal de vídeo.

Cinema Experimental: A palavra experimental

tornou-se parte do vocabulário

artístico como resultado dos diversos

diálogos entre arte e ciência que ocorreram

em diferentes momentos. A expressão

cinema experimental é decorrente

dessa longa história de criadores

que divergem das normas vigentes em

seu tempo. Ele é usado para falar de

uma série de filmes que não adotam os

mesmos padrões de filmagem, narrativa,

montagem, luz ou desenho de som

usuais na indústria cinematográfica.

Enquanto esta procura repetir fórmulas

de sucesso para garantir grandes

bilheterias, o cinema experimental

supostamente estaria mais interessado

em renovar padrões de linguagem.

Cinema Expandido: No livro “Expanded

Cinema”, Gene Youngblood afirma que

os homens são condicionados por seu

ambiente e que o “ambiente do homem

contemporâneo” é o que ele chama de

rede intermídia — adivinhando, já nos

anos 1970, que o consumo de música, filmes

e textos através de dispositivos (na

época, walkmans, TVs e terminais de videotexto)

viriam a se tornar rotina (hoje com

218 glossário


iografia dos

participantes

desta publicação,

seminário, mostra e

processo laboratorial

227


Andrés Denegri É artista visual e trabalha

predominantemente com cinema, vídeoinstalações

e fotografia. Professor da Universidade Nacional

de Três de Fevereiro, codiretor da Bienal

da Imagem em Movimento – BIM e curador de

cinema e vídeo do Museu de Arte Moderna

de Buenos Aires. [p. 09, 142-153, 202, 213, 216]

Caio Fazolin Artista audiovisual, programador

e VJ (Micra). Bancos de dados, linhas

de códigos e sistemas computacionais são

a fonte para a pesquisa que se desdobra

em performances audiovisuais generativas,

instalações imersivas e interativas, e grandes

projeções urbanas. [p. 205, 211, 215]

Christine Mello Pesquisadora, crítica e

curadora no campo de arte e tecnologia.

Possui pós-doutorado em Artes Plásticas

pela ECA-USP e doutorado em Comunicação

e Semiótica pela PUC-SP. É professora

do mestrado em Artes Visuais da Fundação

Armando Alvares Penteado e da Faculdade

Santa Marcelina, onde coordena o grupo de

pesquisa arte&meios tecnológicos. Em 2002,

foi curadora de net art da representação

brasileira para a 25ª Bienal de São Paulo.

[p. 09, 119-134, 225]

Claudio Bueno Artista visual, pesquisador

e curador, doutor em Artes Visuais pela

ECA-USP com a tese intitulada “Campos de

Invisibilidade”. Suas práticas se desdobram

a partir da experiência do corpo e seus

atravessamentos pelos espaços, relações

e tecnologias. [p. 08,47–63, 215]

Demétrio Portugal Pesquisador e gestor cultural.

Seu trabalho busca a criação de plataformas

e projetos que potencializem o desenvolvimento

de expressões e cenas artísticas

contemporâneas, como a cena do audiovisual

expandido no Brasil. É um dos iniciadores da

MatilhaCultural (2008-2013) e da rede ALTav,

e cocurador do AVXLab.

[p. 09, 163-170, 200, 216]

Didiana Prata Designer gráfica, mestre pela

FAU-USP. Pesquisa o design e a poética das

narrativas visuais das redes a partir de estratégias

de apropriação de banco de dados. É

membro do grupo Estéticas da Memória no

séc. XXI (FAU-USP) e sócia da Prata Design.

[p. 215]

Eduardo Fernandes (Eduzal) Foi fundador

do Coletivo Bijari e atua junto ao Colaboratório

e ALTav. Tem extensa carreira como VJ,

em que atuou em festivais mainstream (Skol

Beats, Nokia Trends, Motomix, Heineken Green

Session, SWU) e alternativos (on-off, Satyrianas,

DF_Depois das Fronteiras, instante, entre

outros). [p. 10, 191-198, 216]

Fabio Malini Professor na Universidade

Federal do Espírito Santo, onde coordena o

Labic (Laboratório de Estudos sobre Imagem e

Cibercultura), e é pesquisador de ciências de

dados, redes sociais e comunicação política.

Especializou-se na produção de visualizações

de grafos a partir de megadados (big data)

sobre relações políticas estabelecidas em

redes sociais. [p. 215]

Fernanda Pessoa Cineasta e artista visual

com mestrado em Cinema e Audiovisual

pela Université Sorbonne Nouvelle, trabalha

principalmente com instalações fílmicas a

partir do uso de foundfootage e películas

cinematográficas, além de cinema documental

e experimental. [p. 216]

Fernando Velázquez Artista multimídia, é

mestre em Moda, Arte e Cultura. Suas obras

estão em coleções públicas e privadas do

Brasil e do exterior. Participou de exposições

como “The Matter of Photography in the Americas”

(Stanford University, 2018) e a Bienal do

Mercosul (2009). Obteve o Prêmio Sergio Motta

de Arte e Tecnologia (Brasil, 2009), 2008 Culturas

(Espanha), entre outros. [p. 08, 83-93, 212]

Gabriel Menotti Crítico e curador independente.

Professor no Departamento de Comunicação

da UFES. É doutor por Goldsmiths,

University of London, e pela PUC-SP. Escreveu

“Através da Sala Escura: Espaços de Exibição

Cinematográfica e Vjing” (Intermeios, 2012) e

“Movie Circuits: Curatorial Approaches to Cinema

Technology” (AUP, no prelo). Em 2017-18,

foi fulbright visiting scholar na Universidade de

Wisconsin-Milwaukee. [p. 09, 135-141]

Giselle Beiguelman Pesquisa a preservação

de arte digital, arte e ativismo na cidade em

rede e as estéticas da memória no século XXI.

Desenvolve projetos de intervenções artísticas

no espaço público e com mídias digitais. Professora

da FAUUSP desde 2011 (onde coordenou

228

biografia dos participantes


o curso de Design). É autora de várias publicações

sobre o nomadismo contemporâneo e as

práticas da cultura digital. [p. 08, 73-81, 121]

Henrique Roscoe Artista digital, músico e

curador. Trabalha na área audiovisual desde

2004, explorando caminhos da arte generativa

e visual music, investigando as relações

entre som, imagem e narrativas abstratas

simbólicas. [p. 08, 95-107, 202, 205, 211, 215]

Javier Cruz San Martín Desenvolvedor de

visualizações de dados e diretor de projetos

na Reddrummer em São Paulo, formado como

designer industrial da Universidad de Chile,

mestre em Educação e Comunicação de Museus

pela Universidade de Zaragoza, Espanha,

músico e programador autodidata. [p. 215]

Letícia Ramos Artista visual com o foco de

investigação em criação de aparatos fotográficos

para a captação e reconstrução de movimento.

Suas obras já foram expostas em espaços

artísticos como Tate Modern, Parque Lage,

Museu Coleção Berardo, Instituto Tomie Ohtake

e CAPC – d’Art Contemporain (Bordeaux), entre

outros. [p. 09, 154-160, 203, 207, 216]

Lucas Bambozzi Artista e curador independente,

professor no curso de Artes Visuais na

FAAP e doutorando na FAU-USP, com pesquisa

envolvendo campos informacionais em espaço

públicos. Seus trabalhos já foram mostrados

em mais de 40 países. É um dos iniciadores do

Festival arte.mov (2006-2012), do Labmovel

(2012-2016), do ALTav, e cocurador do AVXLab.

[p. 07-10, 13-23, 121, 172, 178, 197, 202, 215, 216]

Lucia Koch É artista multimídia, com obras

que exploram as relações entre arte e arquitetura,

produzindo alterações na luz ambiente

de espaços institucionais ou domésticos. É

mestre em artes visuais pela UFRGS e doutora

em Poéticas Visuais pela ECA-USP.

[p. 08, 64-71, 215]

Mario Ramiro Artista multimídia e professor

do departamento de Artes Visuais da ECA-

-USP, ex-integrante do grupo de intervenções

urbanas 3NÓS3. Sua produção reúne intervenções

urbanas, redes telecomunicativas, esculturas,

instalações, fotografia e arte sonora.

[p. 08, 41–45, 215]

Mirella Brandi Artista multimídia e designer

de luz. Italiana, sediada entre São Paulo e

Berlim, pesquisa a luz como linguagem autônoma

na condução de narrativas. Interage

com as áreas de dança, música, ópera, teatro,

artes visuais, entre outras. Parte do duo de

luz e som “Mirella Brandi × Muep Etmo” desde

2006, realizando pesquisas continuadas com

parceiros no Brasil e na Europa. [p. 08, 23, 25-

40, 201, 204, 209 , 215]

Mirella Brandi × Muep Etmo (Duo) Juntos, exploram

através da imagem e do som sua capacidade

narrativa e de transformação perceptiva em instalações

e performances imersivas, desde 2006.

Mirella Brandi é artista multimídia e designer de

luz e Muepetmo é músico, compositor e engenheiro

de som. [p. 23, 35, 38, 201, 204, 209, 215]

Muepetmo É artista multimídia, músico e engenheiro

de som formado pela SAE (Institute

Audio Engineer) e músico residente do CVA

(Conservatorium Van Amsterdam). Há treze

anos desenvolve um trabalho continuado com

a artista Mirella Brandi, sobre narrativas de

imersão a partir da luz e do som. [p. 23, 25-27,

31, 35, 38, 201, 204, 209, 215]

Patricia Moran Historiadora, mestre e doutora

em Comunicação e Semiótica. É professora

do programa de pós-graduação em Meios

e Processos Audiovisuais da USP. Pesquisadora

de performances audiovisuais em tempo real,

tema sobre o qual tem diversas publicações

e experiência artística, com destaque para

temas como vídeo, documentário, cinema,

tecnologia digital e produção. [p. 10, 191-198]

Raimo Benedetti Videoartista, atua como

professor, produtor e montador de filmes cinematográficos.

Seu curso de vídeo experimental

tem passagem por várias instituições renomadas

do Brasil, como MAM-SP e MIS, e também

na Espanha, como Fundació La Caixa, entre

outras. Como artista, participou de festivais

como RedBull Live Image, ON-OFF e FILE, entre

outros. [p. 10, 191-198]

Roberta Carvalho Artista visual nascida em

Belém do Pará. Formada artista pela UFPA.

Desenvolve trabalhos na área de imagem,

intervenção urbana e videoarte. Já participou

de várias exposições, coletivas e individuais,

no Brasil, França, Espanha e Martinica.

[p. 10, 191-198]

229


Roberto Cruz Pós-doutorando pelo Programa

Interunidades em Estética e História da

Arte da USP. É curador da Coleção Itaú Cultural

de Filmes e Vídeos de Artistas, consultor

da Enciclopédia de Cinema do Itaú Cultural e

diretor executivo da SAC – Sociedade Amigos

da Cinemateca. [p. 09, 109-118, 216]

Rodrigo Gontijo É artista, pesquisador e

professor no Centro Universitário SENAC.

Desenvolve projetos de cinema ao vivo, instalações

e documentários. Seus trabalhos, coletivos

e individuais, já foram apresentados em

diversos países e premiados pela Associação

Paulista dos Críticos de Arte (APCA – 2005

e 2008) e Festival de Gramado (2005).

[p. 09, 10, 183-190, 191-198]

Tanya Toft Ag Curadora dinamarquesa,

pesquisadora doutorada, teórica urbana,

palestrante e precursora da observação

artísticas de arte-mídia no ambiente urbano,

especialmente em relação às condições de

mudança e inovação estética da mídia – em

arte, arquitetura, tecnologias, interfaces,

cultura digital, ciência e ambientes reais e

artificiais. [p. 9, 171-182]

Tatiane Gonzalez Mestre em Sociologia

pela UNICAMP e pesquisadora independente

de arte, tecnologia e política. Coordenada

os trabalhos de pesquisa de conteúdo para

projetos audiovisuais da Indague e atua como

gestora de projetos culturais. [p. 216]

230

biografia dos participantes


© Lucas Bambozzi

© Demétrio Portugal

Grafia segundo o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa em vigor desde 2009.

Agradecemos a todos aqueles que gentilmente cederam os direitos sobre as

obras aqui publicadas.

Todos os esforços foram realizados para encontrar, identificar e creditar os

detentores dos direitos autorais e patrimoniais contidos neste livro. Caso tenha

havido alguma omissão involuntária de dados e informações relativos à autoria

e à titularidade, por favor, contate a editora que se compromete a inclui-los em

edições futuras.

O conteúdo deste material deve ser interpretado de acordo com o contexto

social, cultural e histórico da época em que foi veiculado, respeitando a

legislação então vigente no período.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

O Cinema e seus outros : manisfestações expandidas

do audiovisual / organização Lucas Bambozzi e

Demétrio Portugal ; [coordenação Gabriela

Longman]. — 1. ed. — São Paulo : Equador :

AVXLab - Laboratório de Audiovisual Expandido, 2019

Vários autores.

ISBN: 978-85-68212-06-6

1. Cinema 2. Linguagem audiovisual

I. Bambozzi, Lucas. II. Portugal, Demétrio.

III. Longman, Gabriela.

18-17249 CDD-302.234

Índices para catálogo sistemático:

1. Cinema : Linguagem audiovisual : Meios de

comunicação : Sociologia 302.234

Iolanda Rodrigues Biode - Bibliotecária - CRB-8/10014

Todos os direitos desta edição reservados à Giro Edições e Projetos Culturais Eireli

São Paulo, SP – Brasil

www.editoraequador.com.br

1 a - edição

1 a - impressão


Sobre o projeto AVXLab: O AVXLab é um laboratório de metodologias e experimentação de

linguagens expandidas do audiovisual brasileiro, uma iniciativa que nasceu de integrantes do ALTav

(Rede Audiovisual Expandido) para atuar na produção de projetos voltados à experimentação e

à geração de conhecimento, que valorizam não apenas as apresentações finais, mas colocam o

processo e a pesquisa de criação como parte fundamental de uma obra.

http://AVXLab.org

Este livro foi publicado pela Editora Equador em coedição com o AVXLab por ocasião do seminário,

mostra e residência artística, apresentados no Centro Cultural São Paulo de 9 a 11 de junho de 2017

graças ao investimento e correalização da Spcine / Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

O AVXLab é um projeto organizado por participantes do ALTav - Rede Audiovisual Expandido.

Saiba mais sobre

este livro e o

AVXLab.

http://avxlab.org

Esta publicação foi composta em Lemur e Sabon

Next, sobre os papéis offset e couchê 90 g/m².

Impressa pela Gráfica Ipsis em agosto de 2019

para a Editora Equador.

participante:

correalização:


O cinema e seus outros traz uma

perspectiva sobre o audiovisual

que se expande para além dos

paradigmas industriais do cinema

e da televisão, constituindo novos

meios, formatos, processos, fluxos

e circuitos criativos.

9 788568 212066

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