RCIA - ED. 138 - JANEIRO 2017

tvcomercioeindustria

Dia 7 de junho de 1984. Em um dos

apartamentos da Santa Casa de Misericórdia,

está estendida na porta, uma

camisa da Ferroviária. Era apenas o começo

de uma vida que ficou pela metade.

Já aos 3 anos foi para a Escolinha

Branca de Neve, depois passou para o

Colégio Progresso e Objetivo; fez inglês

no Yázigi e em 2009, após ser aprovado

em concurso estadual como agente

penitenciário, foi trabalhar em Franca,

onde aproveitou para iniciar o curso de

Direito na FDP (Faculdade de Direito de

Franca).

O pai Luiz Carlos conta que sendo

transferido para Araraquara, Rodrigo

seguiu seus estudos na Uniara e como

agente trabalhava na Penitenciária. O

jovem queria ir mais adiante: foi aprovado

em concurso para Analista de Promotoria

(2015) que exigia o curso de

Direito.

A convivência com o meio penitenciário

deu a ele experiência e segurança

para a monografia apresentada

como exigência parcial para obtenção

do título de Bacharel em Direito, sendo

seu orientador o professor doutor José

Eduardo Melhen.

Curiosamente, por ser agente penitenciário,

a monografia versou sobre

“Garantismo Penal e o Direito Penal

Atual”; no resumo do trabalho, Rodrigo

diz ainda que em contraste com o clamor

popular, o Estado deve se empenhar

para que sejam respeitados os direitos

e garantias individuais dos seres

humanos, angariados durante séculos.

Em algumas oportunidades, Rodrigo

se mostrou mais enfático dentro do

tema que abraçara: “O Estado Democrático

de Direito coíbe a opressão estatal

quanto a aplicação de seu direito

penal e processual penal, sem respeitar

direitos e garantias e o devido processo

penal seja no âmbito do formal

ou material”.

O agente penitenciário, aconselhado

pelo pai, já poderia ter abandonado

o emprego, contudo continuou insistindo

em fazer prevalecer o que aprendera

na linha do Direito: “O neoconstitucionalismo

reza que toda lei deve ter

um conteúdo material justo, ético e é

nessas linhas que o Garantismo Penal

ampara os indivíduos sujeitos às sanções

penais”.

Luiz Carlos, que já fora escrivão de

polícia, conta que as orientações dadas

ao filho para não estabelecer enfrentamentos

jurídicos, não o demoveram da

ideia de agir de forma justa nas suas téses.

Posso garantir, conclui Luiz Carlos,

que ele cumpriu seu papel com dignidade

e respeito, buscando se firmar cada

vez mais com a teoria do Garantismo

Penal em defesa dos oprimidos.

Rodrigo, além dos pais Luiz Carlos e

Edna, deixa a esposa. Desde 2012 era

casado com Patrícia, fruto de um relacionamento

nascido no ano anterior.

Rodrigo em 1998, na festa de formatura

da 8ª Série no Colégio Objetivo; quatro

anos depois mostrava sua aptidão

pelo esporte: foi atleta juvenil no

basquetebol da Uniara na época do

treinador Tom Zé, praticou natação no

Piscinão, tênis de mesa na Fundesport e

tênis de campo na Ferroviária, Melusa

e Clube Araraquarense. Paralelamente,

ele se dedicava a proteção animais,

uma adoração que trazia desde os

tempos de criança. Para isso também

contava com a ajuda da esposa Patrícia.

Quando criança em um dos seus momentos

de intensa alegria ao lado de coleguinhas

e familiares para comemorar cinco anos

de vida, mostrando em seus pensamentos,

sonhos e a fantasia de um mundo que se

tornou incompleto

67