RCIA - ED. 172 - NOVEMBRO 19

tvcomercioeindustria

Denisio Casarini

e Eduardo Luzia

Na foto, os pilotos Lemãozinho (93), Baiano Faito (18) e Neca Passalaqua (89)

amor pela velocidade. Lembramos

que chegamos a cultivar o sonho de

participar em dupla das 500 Milhas

de Interlagos em 1973, com uma Ducati

250cc, que infelizmente não se

realizou, tamanho nossa pouca idade

e orçamento inexistente. Lembramos

também da sua participação no desenvolvimento

da motorização, com

Baiano Faito da minha Yamaha FS1

no ano seguinte, com a qual participei

do Campeonato Paulista.

Outro dia, via internet, acompanhei

um vídeo seu dirigindo uma motocicleta

Yamaha R-5 de 350cc, que

restaurou. Para seu acompanhante

na garupa, narrava em voz alta suas

sensações. A narração emocionada

das marchas que engatava, o giro que

o motor atingia e eu de observação,

percebi naquele instante o seu velho

traquejo na direção, experiência que

o tempo só fez melhorar. Imediatamente

entrei em contato com ele, e

de maneira saudosista lhe disse que

duas observações eu tinha

que fazer: A primeira: se era

de sua vontade fazer um

amigo perder o sono, isso ele

já tinha conseguido e a segunda,

ascendendo em mim

a chama de piloto que não

se apaga, observei detalhadamente

a maneira suave,

ágil, segura e ao mesmo tempo

de forma dura, que só as

pessoas fortes lidam com situações

difíceis com força e graça, na

condução de uma motocicleta. A mão

direita, que ao mesmo tempo com

os dedos suavemente freava a roda

dianteira, com igual maestria do punho

subia o giro do motor, mantendo-

-o ao limite alto para em seguida, em

saída de curva, acelerar ganhando

torque, magia e velocidade. A finess

que com o pé esquerdo controlava o

câmbio em perfeita simbiose com as

mãos, dorso e pescoço realizando

pêndulos e manobras, que segundo

ele, no meio de tantos comentários,

só eu tinha percebido. Talvez sua fala,

seja absoluta verdade, e que eu, tenha

enxergado mais com o coração

do que com a realidade.

De comum quando comecei a

acompanhá-lo pelas redes sociais,

percebi que nele também mora ainda

um menino sonhador, curioso

como sempre foi, caprichoso, atento

às modernidades e ao mesmo tempo

recluso nos seus sentimentos, e

que ao ouvir o som estridente de uma

motocicleta, ainda tem calafrios na

espinha e que o cheiro do óleo Castrol-R

também provoca na sua alma

um doce aroma de um tempo tão presente,

que de olhos fechados nunca

termina.

Nas oportunidades que competimos,

sempre estivemos acompanhados

de Penha, Neto (Olympio Bernardes)

Celso (Baiano Faito) Martinez,

Pinho (José Manoel do Amaral Sampaio),

Diogo Faito e Dinho Dall’Acqua,

cuja amizade perpetua.

Belos Tempos, Velhos Dias.

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