RCIA - ED. 98 - SETEMBRO 2013

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homenagem

ÊNNIO RODRIGUES

SEM ELE O RÁDIO ESPORTIVO

PERDE UM POUCO DA SUA GRAÇA

Creio que trata-se de uma

história bem pessoal é verdade,

envolvendo um profissional

dos mais respeitados do rádio

brasileiro e alguém que sonhava

ser repórter de campo nos

anos 60.

Ivan Roberto Peroni

Era 14 de abril de 1960. Apenas 10 anos

após ser fundada por Pereira Lima. Eu tinha

11 anos de idade e ouvia no rádio, uma voz

que vinha do outro lado do mundo: Portugal.

“Beni solta a bola para Bazzani, quase

na entrada da área, setor esquerdo; Beni recebe

de volta, já no bico da pequena área,

solta a bomba de pé esquerdo e goolll. O

goleiro do Nacional, Cândido, nada pode

fazer... São passados dois minutos do primeiro

tempo e a Ferroviária marca o seu

primeiro gol internacional, diante do Clube

Desportivo Nacional, na Ilha da Madeira,

em Funchal.”

O gol narrado por Ênnio Rodrigues Caraça,

tenho guardado até hoje nas minhas

lembranças. Algum tempo atrás alguém

dissera que ele fora escolhido pela Rádio A

Voz da Araraquarense (sua emissora) e Rádio

Cultura, para acompanhar a Ferroviária

que partia para uma excursão de dois meses

pela Europa e África. Era uma epopeia

trazer a emoção dos jogos. Ênnio levou um

gravador Akay na bagagem; gravava os jogos

e mandava as fitas para o Brasil, com o

apoio da Varig e da TAP. Três dias depois, as

duas emissoras, em rede, passavam os jogos

como se eles estivessem acontecendo em

tempo real. Eu vivia um mundo de fantasia,

criado pelo poder do rádio. Queria ser então

um profissional do rádio.

1965. Peço ao meu pai, “seo Domingos”,

para colocar uma carta no correio.

Destino: Rádio Bandeirantes, onde agora

o Ênnio Rodrigues está, fazendo parte do

“Scratch do Rádio”. Queria ter uma tabela

do Campeonato Paulista e quando ela chegou,

nela estava a foto do Ênnio ao lado dos

mais famosos locutores, comentaristas e

repórteres do rádio esportivo brasileiro. Só

que era um ano de tristeza para todos nós.

A Ferroviária fora rebaixada. Assim mesmo

fui em frente com o meu sonho.

1968. Nem acredito. Eu que começara

como repórter de campo na Voz da Araraquarense

em 66, graças ao incentivo de

Adilson João Telarolli, Rubens Santos e Denizar

Alves, dois anos depois já estou na Rádio

Cultura ao lado de Antônio Carlos Araújo,

Marcondes Machado, Rubens Brunetti,

Carminho Tucci e tantos outros brilhantes

profissionais. É neste ano que o RIA - Rádio

Imprensa de Araraquara que sucederia temporariamente

a ACEA (Associação dos Cronistas

Esportivos de Araraquara), enfrenta

o “Scratch do Rádio da Bandeirantes”, no

Estádio da Fonte e pela primeira vez tenho

contato com Ênnio Rodrigues. Uma amizade

que nos uniu pela profissão que escolhemos

por mais de 40 anos... É porisso que os

jovens não devem desistir jamais...

Ênnio Rodrigues e eu, na homenagem que

lhe prestamos em 1985 no Hotel Eldorado

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