Revista Apólice #249

revistaapolice

Ano 24 - nº 249

Novembro 2019

ESPECIAL

GRANDES RISCOS

>> Após período de taxas

mais baixas, setor

espera agora recuperar

fôlego e resultados

>>

Mudanças climáticas

podem influenciar

diversas carteiras do

mercado

Seguros Unimed completa

trinta anos de atenção

ao segmento de saúde e

ramos elementares

AXA XL

O futuro é você quem faz

Seguradora está pronta para atender os riscos corporativos ligados

aos novos tempos, sempre olhando à frente para o que virá no futuro


editorial

Ano 24 - nº 249

Novembro 2019

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Revista Apólice

Novos riscos

necessitam de

novas soluções

O mundo está mudando em uma velocidade muito rápida,

principalmente para as gerações nascidas analógicas. Não falo apenas

de novas tecnologias que são incorporadas em nosso cotidiano. Os

caminhos da economia e da política também sofreram guinadas

importantes que trouxeram a reboque novidades.

Há algum tempo os subscritores de risco podiam olhar apenas

para os fatos para escolher a melhor forma de mitigar e transferir os

riscos. Hoje, ele precisa olhar não só para os dados, o que pode até ser

interpretado por uma máquina. O bom gerente de risco precisa agregar

aos dados os seus conhecimentos de outras áreas para entender a

extensão que os riscos podem tomar. Como citamos na matéria de

capa desta edição, quem seria capaz de imaginar que uma crise hídrica

poderia influenciar no funcionamento de uma seguradora?

Pois é, os riscos cibernéticos, que estão surfando nesta onda

contemporânea, podem trazer perdas que não estão diretamente

relacionadas aos dados ou à tecnologia. Eles extrapolam as barreiras

dos sistemas operacionais e podem atingir o coração de qualquer

empresa. Porém, para identificar estas demandas é preciso ter muito

conhecimento sobre os negócios dos clientes, o que os afeta e as

consequências de sua paralisação.

Será valorizado no futuro o profissional que tiver a capacidade

de interpretar dados e complementá-los com seu conhecimento. Em

qualquer área, sem distinção.

Boa leitura!

Diretora de Redação

Mande suas dúvidas, críticas e sugestões para redacao@revistaapolice.com.br

3


sumário

6

12

14

|

|

|

painel

gente

capa

AXA XL mostra que está pronta para atender ao mercado corporativo

de maneira completa, cobrindo riscos conhecidos e aqueles que

ainda virão pela frente

18

|

especial grandes riscos

panorama

Setor que se mantém estagnado há algum tempo vê agora

perspectivas de mudanças, apoiado nos sinais do Governo de

retomada de obras de infraestrutura no País

14

24

|

mudanças climáticas

Seguros paramétricos podem representar uma forma de quantificar

os riscos. Dados parametrizados contribuem para a simplificação do

pagamento de sinistros

29

|

artigo

Fator Seguradora mostra que para operar com grandes riscos é

importante mapear as principais fontes de risco e entender todos os

processos operacionais da empresa

18

30

|

tecnologia

Guep mostra que apesar das seguradoras não investirem em novas

tecnologias com grande velocidade, setor de transporte pode ser

um dos maiores beneficiados por ela

31

|

mercado

Previsul mostra que seus novos produtos das áreas de seguros

empresariais, residenciais, consórcio e odonto já trouxeram R$ 5,5

milhões em prêmios

32

|

nicho

Aumento da subvenção ao seguro rural promete estimular o

mercado, mas especialistas dizem que é preciso mudar o modelo

vigente e apoiar novos produtos

24

36

|

aniversário

Seguros Unimed completa 30 anos de atuação no mercado e

continua em busca de novos horizontes, aproveitando sua vocação

de nascimento na área médica

40

42

|

|

evento

5º Fórum da Fenasaúde, realizado em Brasília, mostrou a intenção

da entidade de trabalhar pela flexibilização de algumas regras

estabelecidas pela Lei 9656/98

comunicação

32

4


painel

• npessoas

Portfólio mais amplo

para seguro de vida

A Icatu lançou um produto

que atende às principais

necessidades de quem

busca opções de proteção

financeira.“Um dos diferenciais

deste seguro é que o

valor das parcelas é sempre

o mesmo, atualizado apenas

pela inflação, além da possibilidade

de conjugar com

coberturas temporárias para uma proteção até a conclusão

dos estudos de um filho, por exemplo. Assim, fica mais fácil

se planejar financeiramente”, destaca Gustavo Arruda, gerente

de Desenvolvimento de Produtos de Vida da seguradora.

O produto conta com duas coberturas padrões e permite

que o cliente escolha até cinco opções de adicionais, como Doenças

Graves e Invalidez por Acidente, além de proteção de até

R$ 5 milhões, com opções de contratação a partir de R$ 100.

“É importante desmistificar o seguro de vida. Hoje, você

pode estar protegido com pouco mais de R$ 3 por dia. É mais

barato do que um café, por exemplo”, diz Arruda. Além disso,

ele é flexível com relação às possibilidades de pagamento. É

possível escolher a opção que melhor se encaixa à condição

financeira, com opções de 10, 20 anos ou vitalício.

• ngrandes riscos

Incêndio ainda é uma

das maiores preocupações

das empresas

Recentes episódios que estamparam as manchetes

do mundo todo, como os incêndios na Catedral de Notre

Dame, em Paris, e do Museu Nacional no Rio de Janeiro,

são tristes exemplos de como o fogo ainda é um dos piores

inimigos das construções ao redor do planeta. As perdas

globais sofridas em decorrência de incêndios somam mais

de US$ 15 bilhões nos últimos cinco anos.

• nresultado

Setor de seguros

mostra resiliência

“A economia brasileira continua

em trajetória de recuperação,

embora de forma lenta”, diz a edição de agosto da Carta de

Conjuntura do Setor de Seguros, produzida pelo SindsegSP

e pelo Sincor-SP. Apesar do cenário, o mercado de seguros

conseguiu arrecadar R$ 10,43 bilhões no mês de agosto, um

avanço de 8% em relação ao mesmo mês do ano passado.

De acordo com o estudo, a taxa de desemprego recua

vagarosamente e as previsões de crescimento para 2019 são

de aproximadamente 1%, baixo para o potencial do País. Em

contrapartida, o cenário continua favorável para o mercado

de seguros.

Os produtos de acumulação (VGBL+Previdência) apontam

uma recuperação na receita. Apenas no mês de agosto, conseguiu

arrecadar R$ 11,75 bilhões, um crescimento de 11% na

comparação com agosto de 2018.

Na separação por ramos, o de Pessoas continua sendo

destaque, já que no acumulado dos primeiros oito meses do

ano, registrou receita de R$ 28,6 bilhões e crescimento de 16%

em relação ao mesmo período do ano passado.

Já os Ramos Elementares, que sofrem pela queda da receita

do seguro DPVAT, registraram receita de R$ 49,3 bilhões

nos primeiros oito meses do ano, na comparação com 2018,

o avanço é de 6%.

Causa principal de perdas corporativas e um dos riscos

que mais amedrontam as corporações, incêndios e explosões

são responsáveis por mais da metade do montante

de sinistros de Property e foram detalhados em uma

recente publicação da Allianz Global Corporate & Specialty

(AGCS) chamada Global Risk Dialogue. Esses dados

todos reforçam a importância da prevenção e da rápida

resposta em casos de sinistros envolvendo fogo. “Existem

três tipos de mitigação no que diz respeito a incêndios”,

explica Stephen Clark, Gerente Técnico & Consultor de

Risco Global - Property: “Medidas preventivas, métodos de

extinção do fogo e planos de contigência para assegurar

uma rápida retomada das operações”.

O impacto de um incidente com fogo vai além da

estrutura de uma empresa, podendo desencadear perdas

consequentes como Interrupção nos Negócios (BI) e

Interrupção Contigente de Negócios (CBI), aumentando

consideravelmente o valor das perdas. Também existem

exposições não cobertas no seguro tradicional, como a

“perda de mercado”, dependendo da atividade, e atuação

do segurado.

6


• nmobilidade

Soluções para conciliar os múltiplos modais

A educação como base da boa convivência em um

trânsito com múltiplos modais de locomoção e o impacto

que uma mudança de cultura na escolha do transporte

pode ter na qualidade de vida das pessoas e no modo

como aproveitam a cidade, foram temas do 1º Summit de

Mobilidade da HDI Seguros, realizado em outubro na Distri-

to Fintech, discutiu o papel de empresas, poder público e

cidadãos na transição para uma mobilidade mais humana.

O conceito se baseia em dois pilares: experimentação

de novas alternativas de transporte e foco na proteção das

pessoas que se movem por meio deles. Para Ana Luiza Dal

Pian, Gerente de Produtos da HDI Seguros, uma questão

fundamental no processo é se desapegar de conceitos

antigos. “Como quebrar a barreira de que a bicicleta, por

exemplo, pode sim ser um modal que leva as pessoas a

qualquer lugar com eficiência e conforto?”, perguntou a

executiva, que foi mediadora dos dois debates do evento.

“É preciso experimentar”, opinou Ricardo Del Claro,

CEO da Santuu. “Os novos modais levaram milhares de

pessoas para a rua, influenciando até na relação delas

com o espaço urbano”, avaliou o executivo. Já Márcio Bern,

CEO da VAH, identifica uma mudança de comportamento

como o motor dessa mudança. “As pessoas têm começado

a perceber que há formas mais econômicas e saudáveis de

mobilidade, de que é possível viver sem o carro”, frisou.


painel

• nserviço

Investimento no Centro-Oeste

A Bradesco Auto/RE aposta no mercado sul-mato-grossense

e investe em novidades na região. Entre elas, a inauguração

do primeiro centro automotivo Bradesco Auto Center

(BAC) do estado, inaugurado em outubro, e a divulgação do

produto Auto Light. “As novidades representam a expansão

da marca em mercados promissores, como é o caso do Mato

Grosso do Sul”, explica Rodrigo Herzog, superintendente de

operações na empresa.

Outra novidade é o lançamento do seguro Auto Light

– sua primeira cobertura low cost no segmento automotivo,

com valor em média até 30% mais barato que o seguro auto

tradicional. A seguradora aposta em preços competitivos para

atender às demandas dos consumidores e ampliar o acesso ao

seguro auto em todo Brasil. No Mato Grosso do Sul, apenas

1,40% da população possui automóveis segurados, enquanto

em São Paulo, por exemplo, o número sobe para 30,4% segundo

dados da Sindipeças.

Em razão da pouca penetração desse tipo de seguro na

região, a empresa entende que o estado possui um mercado

promissor. “Estamos no Mato Grosso do Sul, não somente

com a expectativa de estar mais próximo dos consumidores,

mas de oferecer atendimento rápido, completo e integrado”,

destaca Herzog.

• nagrícola

Subsídios para seguro safra

podem atingir índices recorde

Recentemente, o governo federal anunciou, durante

o lançamento do Plano Safra, a injeção de R$

1 bilhão com o objetivo de ajudar os agricultores a

pagarem o seguro rural em 2020. Esse é considerado o

maior volume de recursos já orçado para o programa.

“O objetivo do seguro é cobrir perdas e/ou danos causados

aos bens, diretamente relacionados às atividades

agrícolas. Protege o produtor contra perdas causadas

por fenômenos adversos da natureza até o limite máximo

de indenização contratado. Além da atividade

agrícola, o seguro rural abrange também a atividade

pecuária, o patrimônio do produtor rural, seus produtos,

o crédito para comercializar a produção e ainda o risco

de morte dos produtores”, esclarece Rogério Moisés,

sócio-diretor da Visafran, corretora de seguros com 40

anos de mercado.

Ou seja, as mudanças climáticas inesperadas não

devem submeter a produção e a economia como um

todo à estagnação. É uma forma de prever as adversidades

e resguardar o seu negócio através dessa ação.

Ainda assim, essa modalidade de seguro não abrange

apenas as áreas de plantio, mas também o maquinário,

recursos de valor para o trabalho no campo e que, em

muitos casos, possuem preços altos.

• ntransporte

Táxis mais seguros

De acordo com uma estimativa do Sinpetaxi (Sindicato dos

Permissionários e Motoristas Auxiliares de Táxi), o Brasil conta

atualmente com cerca de 600 mil taxistas registrados. Atenta a esse

número, a Azul Seguros passa a disponibilizar o Azul Seguro Auto

Táxi para todo o território nacional.

“O carro é a ferramenta de trabalho para esses motoristas. Por

isso, para eles é fundamental que estejam protegidos e assistidos,

evitando preocupações e prejuízos financeiros”, destaca Gilmar

Pires, diretor da seguradora.

O produto oferece cobertura para colisão; incêndio; roubo e furto;

além de RCF (Responsabilidade Civil Facultativa); app; assistência

24 horas e indenização de até 90% do valor do veículo, de acordo

com a tabela Fipe. O seguro ainda oferece coberturas opcionais,

como vidros; lucros cessantes (15 ou 30 dias); danos morais e kit gás.

8


painel

• nparceria

Corretor pode

aumentar sua

rentabilidade

Verena Fornetti, do C6, e

Fabio Basilone, da Som.us

Recentemente, o C6 Bank comunicou

a compra da Som.us, empresa

que atua no setor de seguros e resseguros

com especialização em todos os

segmentos da cadeia, da originação à

distribuição. A empresa, que presta consultoria

em gestão de riscos e seguros, é

um dos maiores canais de distribuição

de seguros e resseguros do Brasil.

Com a aquisição, os corretores de

seguros ligados à Som.us poderão se

tornar consultores empresariais do

Conexão C6, rede presencial de distribuição

de soluções para pequenas e

médias empresas. Entre os produtos

do banco que os corretores poderão

comercializar constam maquininhas

de transações com cartões, planos de

previdência privada, consórcios, entre

outros.

Para a Som.us, a grande novidade

será a inclusão de produtos financeiros

no portfólio do corretor de seguros. “O

corretor, que já tem diversos clientes, vai

ter a oportunidade de oferecer produtos

de um grande banco e, naturalmente,

será remunerado por essa venda”, diz

Fabio Basilone, CEO da Som.us e Head

de Seguros do C6. “A expectativa é que

o corretor rentabilize muito mais o seu

negócio com a mesma base de clientes”,

completa o executivo.

• ncuidado

Proteção para os

guardiões dos animais

A Argo Seguros lançou o seguro

de Responsabilidade Civil Profissional

Veterinários, que abrange clínicas, laboratórios,

veterinário como pessoa física e

petshops, enquanto pessoa jurídica.

O novo produto é voltado para proteger o profissional dessa área contra

reclamações relacionadas a alegações de falhas no exercício da atividade. Para

pessoa física, o limite de cobertura varia de R$ 30 mil a R$ 500 mil. Já para

pessoa jurídica, a apólice garante indenização entre R$ 100 mil e R$ 500 mil.

“Sentimos a necessidade de um produto exclusivo para veterinários e

petshops. Isso veio para atender as demandas dos próprios corretores, que

desejavam que desenvolvêssemos algo para esta classe de profissionais”, afirma

Vanessa Oliveira, head Consumer Lines da companhia.

• nproduto

Seguradora volta a operar na área

de geração de energia

Alinhada com a reestruturação global em sua área de Energy, que visa

dar suporte à expansão do setor de energia mundialmente, a Zurich no Brasil

retomou a comercialização do seguro de Property para as usinas de geração

de energia elétrica. A estratégia, de acordo com a política de Climate Change

do Grupo, incentiva o desenvolvimento de energias renováveis e visa contribuir

para a redução do uso de carvão mineral e, consequentemente, com

as emissões de gases de efeito estufa no planeta. Essa política é aderente ao

Acordo de Paris, de 2015.

O produto cobre danos materiais e/ou lucros cessantes, caso ocorra algum

acidente nas dependências de usinas de geração de energia elétrica em

operação. O produto é destinado a produtores independentes, concessionárias

e usinas de propriedade estatal. Traz como principais coberturas: danos materiais,

incêndio, queda de raio, explosão, danos elétricos, quebra de máquinas,

queda de aeronaves, danos da natureza e lucros cessantes.

“O seguro garante, em caso de acidente com dano material súbito e

imprevisto, o reparo ou reposição do bem sinistrado para que a usina volte a

operar nas mesmas condições de antes da ocorrência. Em caso de cobertura

de lucros cessantes, visa mitigar a perda de receita com a interrupção da

produção de energia”, explica Fábio Tulmann, head de Property e Energy da

seguradora no Brasil.

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• nsaúde

Ameplan inova em tecnologia,

com novo site e app para celular

Buscando cada vez mais ser reconhecida no mercado pela

excelência no atendimento, a Ameplan lançou, em outubro, seu

novo site e aplicativo para celular, ambos mais modernos, de

fácil navegação e bem mais funcionais.

A operadora considera que as novas alternativas tecnológicas

que surgem a cada momento possibilitam que diversos

serviços e ferramentas sejam incorporados aos canais de

comunicação com os clientes, proporcionando novas funcionalidades,

agilidade e muito mais conforto para os beneficiários

na utilização de seu plano de saúde.

Atualmente, com os recursos tecnológicos existentes, as

pessoas conseguem realizar muitas ações sem sair de casa. É

só ter um computador ou um celular nas mãos que o mundo

se abre com uma facilidade notável. Assim é a mentalidade

da Ameplan, uma instituição focada em oferecer soluções que

facilitem e melhorem a qualidade de vida de seus beneficiários.

Muitas ferramentas já estavam disponíveis aos beneficiários,

mas, agora, tanto no novo site como no novo aplicativo

para celular, foram inseridas melhorias e funcionalidades que

serão de enorme valor agregado aos usuários.

José Silva dos Santos, superintendente Geral da operadora,

explica que, agora, ao fazer o “login”, cada beneficiário tem

• nproduto 2

Vida com

assistência

para toda a

família

A Bradesco Vida

e Previdência traz ao

mercado o Novo Top

Clube Bradesco, seguro

individual desenvolvido para oferecer assistências

para toda a família, com mensalidades atrativas

para o consumidor.

O seguro de vida prevê cobertura para morte

natural ou acidental, com assistência funeral familiar

Plus e assistência pet. Com foco em pessoas

físicas a partir de 18 anos, o capital segurado é

a partir de R$ 40 mil, podendo chegar a até R$

1 milhão. Além disso, há a previsão de sorteios

semanais no valor de R$ 10 mil.

“Este é um seguro de vida descomplicado, proporcionando

proteção e segurança à família. É muito

importante pensar nos detalhes para garantir um

futuro tranquilo para aqueles que amamos”, afirma

Jorge Nasser, diretor-presidente da companhia.

NOVO SITE E APP AMEPLAN

acesso às informações detalhadas de seu plano de saúde, com

seu histórico de uso, procedimentos e consultas realizadas

desde que aderiu ao plano. É como um Raio-X de informações

sobre sua saúde, que podem ser muito importantes ao longo do

tempo. “Além disso”, continua Silva, “outras ações importantes

podem ser realizadas dentro deste mundo cibernético, como

emissão de carteirinha virtual, consultas às redes referenciada

e credenciada do plano contratado; marcação de consultas,

podendo escolher as datas, locais e horários que lhe sejam

mais convenientes; emissão de 2ª. via de boletos e muitos

outros serviços que os usuários podem utilizar no conforto de

seus lares, qualquer dia da semana e a qualquer hora do dia”.

“É a Ameplan, 24 horas por dia na mão de seus beneficiários,”

conclui o superintendente.

• npodcast

Corretores tem programa

desenvolvido para suas demandas

A Mongeral Aegon lançou o primeiro podcast desenvolvido

exclusivamente para corretores que atuam no segmento de seguros

de vida e previdência. O PodCorretar tem periodicidade

quinzenal e está disponível

nos principais serviços de

streaming de áudio.

O primeiro episódio traz

como tema inicial dicas sobre

boas práticas nas redes

sociais, e participam Patrícia

Campos (diretora de Gente e

Gestão da Mongeral Aegon),

Vera Lorenzo (especialista em LinkedIn) e Hiury Linhares (corretor

parceiro da seguradora em Goiás).

O segundo episódio traz um bate-papo sobre as diferenças

entre PGBL e VGBL. Participam Carlos Heitor Campani, professor

de Finanças na escola de negócios da UFRJ e especialista em

previdência, e José Luiz Martins, corretor parceiro da Mongeral

Aegon de Brasília e especialista em planejamento financeiro com

foco na aposentadoria.

11


GENTE

Líderes em quatro regiões

A Mapfre anunciou quatro mudanças em seu quadro de

diretores territoriais. A alternância nas lideranças faz parte da

estratégia de mobilidade dos executivos da companhia e visa

contribuir com o crescimento profissional dos colaboradores,

promovendo trocas de experiências que

contribuam para resultados cada vez

mais sustentáveis.

Marcos Antônio da Silva Ferreira

assume a regional de Ribeirão Preto.

Anteriormente, Ferreira estava à frente

dos negócios no Rio de Janeiro.

A diretoria territorial carioca passa

a ser liderada por Waldemir Couto Fiorio Júnior, que está na

companhia desde 2001 e ocupava o mesmo cargo no estado

de São Paulo. Em seu lugar, assume

Sandro Pinto de Moraes, antes diretor

no Rio Grande do Sul.

Os gaúchos recebem Guilherme

Bini, promovido a diretor territorial.

O executivo possui 20 anos de experiência

no mercado segurador, 13 deles

dedicados à empresa, onde iniciou sua

trajetória como assessor comercial. Antes da recente promoção,

Bini era gerente da Sucursal de Curitiba (PR).

Novidades em Property

and Casualty

A Argo Seguros anunciou a contratação de dois

novos executivos para darem suporte ao crescimento da

companhia aqui no Brasil.

Larissa Cordeiro dos Santos Gonçalves é a nova

gerente de Casualty. Ela será

responsável pelo planejamento,

direcionamento e o desenvolvimento

da carteira, além de

visitar corretores, fomentar novos

relacionamentos e prospectar

novos negócios. A executiva tem

11 anos de atuação e acumula passagens por diversas

outras seguradoras.

O outro executivo que chegou

para reforçar o time foi

Gabriel Petrosevicius Cale, gerente

de Property. Com 15 anos

de atuação e passagens por várias

outras empresas do setor, incluindo

a implantação das operações

de uma seguradora startup.

Titular do marketing

Carolina Montanino

chega à Metlife com a missão

de continuar a evolução

da companhia no setor de

seguros, contribuindo com

sua formação e experiência

profissional, desempenhadas

ao longo de 20 anos em

diferentes funções na área

de Marketing e experiência do cliente.

“Estou feliz em fazer parte de uma companhia sólida

como a MetLife. O segmento de seguros está a todo vapor,

tenho certeza de que esta é uma grande oportunidade e

também um desafio valioso para a minha carreira”, afirma

a executiva.

Gerente regional para

as Américas

A corretora Brokerslink nomeou Ariel Couto para a

posição de Americas Regional Manager. Couto trabalhará em

estreita colaboração com os representantes do continente americano

da empresa para fortalecer a presença da companhia na

região. O executivo será responsável por

identificar oportunidades de colaboração

internacional e também pelo desenvolvimento

de negócios entre corretoras

independentes da organização nas

Américas do Norte e do Sul. Além disso,

ele também terá a função de facilitar a

comunicação das parcerias americanas

com a rede global.

Filial Vitória com novo gestor

A SulAmérica tem uma nova liderança na filial de Vitória

(ES). Sergio Ricardo de Souza Junior assumiu a gerência

da unidade neste mês, com a missão de

aprofundar o relacionamento e o desenvolvimento

dos corretores parceiros no

Estado. O profissional reporta à diretora

Comercial da companhia no Rio de Janeiro

e Espírito Santo, Solange Zaquem.

“Nosso desafio é seguir este crescimento

e dar capilaridade a novos negócios,

apresentando aos nossos corretores parceiros soluções

competitivas e adequadas para que eles possam garantir a

melhor experiência ao cliente”, afirma Souza.

12


capa | axa xl

Pronta para todos

OS RISCOS

Após joint venture, a AXA XL reúne várias especialidades para

atender o mercado corporativo de maneira completa, pronta para

cobrir os riscos conhecidos e aqueles que ainda estão emergindo

Kelly Lubiato

Antecipar os riscos que ainda

estão por vir será o grande

desafio das seguradoras no

futuro. Considerando-se as

alterações globais provocadas pela tecnologia,

pelas mudanças climáticas ou pela

ação política, caberá aos subscritores a tarefa

de antecipar os riscos emergentes que

podem ser desenhados pela interpretação

dos dados pelas máquinas, utilizando a

sua sensibilidade humana.

Há cerca de um ano, a AXA realizou

a sua maior aquisição (US$ 15 bilhões),

incorporando a XL Catlin para reforçar

a sua atuação no mercado de grandes

riscos. Juntando as especialidades das

duas companhias nasceu a AXA XL,

14

uma divisão global do Grupo AXA para

riscos especiais, reforçando sua atuação

em Property & Casualty e Specialties.

Hoje, la divisão AXA XL combina AXA

Corporate Solutions (ACS), Matrix Risk

Consultants, AXA ART e XL Catlin.

Com 35 bilhões de euros em prêmios,

a companhia lidera a carteira mundial de

seguros comerciais. Com isso, o Grupo

foi fortalecido como um todo, porque

conta também com os produtos de varejo.

Em um momento em que os seguros

de pessoas, por exemplo, enfrentam um

momento delicado por conta das baixas

taxas de juros e a das annuities, ter um

negócio ligado aos riscos comerciais é

muito importante.

Renato Rodrigues, presidente da

AXA XL no Brasil e líder regional na

América Latina, explica que “há uma

tendência mundial de diminuir a dependência

dos mercados de capitais e focar

em proteção. Por isso, os seguros de

Property & Casualty são grandes motores

para o aquecimento do futuro. A

carteira da Corporate Solutions era boa,

mas relativamente pequena perto do total

do Grupo AXA e precisava crescer. A

aquisição foi a melhor maneira de obter

um posicionamento global forte em riscos

comerciais”.

Neste último ano, os colaboradores

mantiveram seu foco em criar valor nessa

aquisição, juntando a marca AXA, que


é extremamente forte no mundo, com

a posição da XL. “Na estratégia global,

a AXA XL representa 20% do faturamento

do grupo no mundo e, no Brasil,

tem uma característica mais relevante,

porque a AXA Corporate Solutions havia

comprado a carteira da SulAmérica. Por

isso, já possuía uma base relevante de

prêmios”, avalia Rodrigues. A junção

da XL Seguros com a AXA Corporate

Solutions resultou em um negócio de R$

800 milhões em prêmios, no Brasil.

Como trata de grandes riscos e riscos

especiais, para AXA XL a distribuição

é mais simples, porque existe uma

concentração dos corretores de seguros

especialistas no tema. Além disso, este

setor também passa por um momento

de consolidação, como ocorreu com a

Marsh em 2018, quando ela adquiriu a

JLT. “Nossos parceiros são os grandes

corretores de seguros que se preocupam

com o gerenciamento de riscos”, avisa

Rodrigues.

Com a consolidação deste setor, atualmente

12 corretoras representam 80%

da produção da seguradora. De certa forma,

isto acaba sendo um facilitador para

atuação dos parceiros, porque é possível

prover soluções para estas corretoras. “O

corretor é nosso cliente e, com um trabalho

mais próximo, ele consegue distribuir

os produtos com governança, trabalhando

em nichos específicos e olhando para os

riscos emergentes”, explica o executivo.

Vale ressaltar que o mercado de

seguros corporativos no Brasil não é

um mercado consolidado, porque houve

muitas mudanças na composição das

seguradoras nos últimos anos, com movimentos

de joint ventures e aquisições,

como a venda da SulAmérica para a

AXA, a junção da Bradesco com a Swiss

Re, a venda da carteira do Itaú para a Ace

e os negócios entre Mapfre e Banco do

Brasil. Nestes acordos, as contas acabam

passando por movimentações, seja por

conta do cliente que pode não se sentir à

vontade com a nova empresa ou, ainda,

pela nova seguradora não se interessar

pelo perfil de negócio da carteira, em

busca de um resultado específico.

Nesta onda, a AXA conseguiu se

consolidar como player neste mercado

de 2013 a 2018. “Agora, com a Corporate

“O underwriter do futuro

será uma pessoa que

está fora do escritório,

que passa mais tempo

negociando termos

e condições com os

segurados, pensando em

coberturas inovadoras”

Renato Rodrigues, CEO

Solutions, dobramos de tamanho e de

relevância junto aos corretores e clientes”,

comemora Rodrigues. Neste último ano,

houve a integração das duas empresas, no

mundo e no Brasil. Se de um lado houve

a sobreposição de negócios, como em

aviação, onde as duas empresas tinham

experiência e um portfolio importante,

por outro, começou uma participação importante

em novas matrizes de negócios,

tornando a companhia mais relevante

para os clientes.

A AXA trouxe para a nova companhia

muitos clientes franceses e europeus.

A XL tinha uma atuação mais forte nos

continentes americanos. “Isso trouxe uma

boa complementariedade para os negócios

do Grupo. Atualmente, atendemos

mais programas mundiais de seguros,

além de poder dar mais atenção aos clientes

brasileiros com negócios no exterior”,

destaca o CEO. É um desafio grande

conseguir estruturar os negócios a partir

do Brasil para o mundo, com capacidade

para emitir apólices em vários países. É

preciso entender e respeitar as legislações

locais, sem esquecer das exigências das

casas matriz das empresas.

Isso acontece em um momento em

que as taxas mundiais de seguro passam

por um aumento, chamado pelos executivos

de readequação, principalmente por

conta do setor ter atravessado um período

de cerca de 15 anos de taxas mais baixas.

Se antes era possível melhorar o resultado

das companhias no ganho financeiro, hoje

isso já não acontece mais. As companhias

de seguros buscam de forma incansável

obter resultados técnicos, valorizando a

subscrição dos riscos.

Estratégia e Produtos

A AXA XL tem foco em grandes

riscos e riscos complexos, aqueles de

difícil colocação, principalmente quando

há a necessidade de entender e prover

uma solução diferenciada. Neste campo

há menos competição entre os players do

setor, pois muitos deles excluem a maioria

dos riscos. “Property é o grande risco

comercial e industrial. O seguro de RC

é muito importante quando falamos de

classes mais complexas, como a indústria

farmacêutica, automotiva, alimentos

e bebidas”, exemplifica Rodrigues,

acrescentando que a atuação da empresa

também é muito forte no assessoramento

a multinacionais brasileiras que exportam

produtos ou tenham algum tipo de exposição

a risco no exterior.

Com a expectativa do retorno das

grandes obras de infraestrutura ainda não

muito grande, o foco atual está nas obras

de clientes privados. “É claro que a economia

está direcionando sua atuação para

os grandes investimentos, principalmente

por conta do otimismo que acompanha as

reformas, como a da previdência. Vemos

alguns clientes privados com investimento

grande de reposicionamento de

construção e participamos disso”, conta

o CEO.

A carteira de seguro aeronáutico é

muito importante para a AXA XL. Se antes

a AXA tinha atuação direcionada para

as aeronaves menores e de uso agrícola,

15


axa xl

após a aquisição da XL, ela passou também

a fazer negócios nos segmentos de

jatos e superiores, chegando às empresas

de aviação comercial. “Juntando, conseguimos

cobrir desde drones até linhas

comerciais aéreas”, antecipa Rodrigues.

A aviação, em particular, é um segmento

no qual as taxas subiram bastante. “São

taxas internacionais que caíram ao longo

dos anos, mas que passaram a subir, até

por conta dos sinistros recentes de todos

os lados. Quem pensaria que a Boeing

sofreria com quedas consecutivas de

aviões, com uma crise global?”, questiona

o executivo, salientando que a recomposição

das taxas de aviação está acima de

30% nas renovações.

Em seguro marítimos, a AXA XL

continua olhando para o transporte de

grandes embarcadores, com um volume

considerável de transporte nacional e internacional.

Além disso, ela disponibiliza

soluções para portos e terminais e para

casco marítimo de grandes embarcações

de carga e passageiros.

A linha de produtos financeiros da

empresa, como o D&O, também está

em alta. O Brasil não passou ao largo

dos grandes sinistros mundiais nesta

carteira. Por isso, ele também participa

desta fase de recomposição de taxas para

grandes clientes, principalmente, aqueles

com atuação nos Estados Unidos.

Em seguro de RC Profissional, também

há uma grande demanda da sociedade.

Negócio de US$ 15 bilhões

A seguradora Axa anunciou

em março de 2018 que compraria a

americana XL Group por aproximadamente

US$ 15,3 bilhões. Dessa forma,

a empresa se tornou a maior do segmento

comercial voltada ao mercado

de danos e acidentes. O faturamento

combinado atingiu, aproximadamente,

US$ 36 bilhões.

O acordo garantiu que a companhia

francesa se tornasse proprietária

❙❙Thisiani Martins, COO

de 100% das contas da XL. A compra

foi concluída no segundo semestre

do ano passado.

Todo o valor investido foi pago

integralmente em dinheiro. Nos

termos da transação, os acionistas

do grupo americano receberam

US$ 57.60 por ação. Isso representa

um prêmio de 33% para o preço de

fechamento da companhia em 2 de

março de 2018.

Neste caso, a distribuição é muito importante

para chegar aos consumidores. Ter

uma rede de parcerias com corretores

de seguros é imprescindível para este

negócio, porque são eles que chegam

até as associações de classe, através de

seus especialistas.

Ainda em linhas financeiras está o

produto que é a ‘jóia da coroa’ do mercado

de seguros para os próximos anos:

os riscos cibernéticos. A seguradora já

possui o produto há quatro anos e aposta

nele como o próximo líder de vendas,

apesar de o avanço ser lento. Entretanto,

com o início da aplicação da Lei

Geral de Proteção de Dados no Brasil

em agosto de 2020, está aumentando a

conscientização das empresas em relação

à aquisição desta proteção. “Falamos

disso há muito tempo, mas agora esta

questão aponta pela responsabilidade na

proteção dos dados. Há clientes internacionais

que estão sujeitos à legislação já

em vigor na Europa, por exemplo, que

exigem a contratação desta cobertura em

seus contratos internacionais. Estamos

passando da fase de interesse para a de

efetiva contratação”, constata Rodrigues.

Esta é uma fase ainda de estudos, porque

não aconteceram sinistros de relevância.

A carteira de riscos cibernéticos

preocupa os especialistas pelo seu risco

sistêmico, pois pode provocar danos

em várias partes do mundo ao mesmo

tempo, com efeito catastrófico. “A nossa

experiência de sinistro nesta carteira vem

do relato de colegas no exterior”, afirma

Thisiani Martins, COO for Latin America

and Technical Director for Brazil. A

grande questão é que alguns produtos de

seguros não excluem explicitamente o risco

cibernético. “Os produtos tradicionais

que não excluem a cobertura podem ser

acionados em caso de sinistro, abrindo a

possibilidade de acionamento de diversas

apólices para um mesmo evento”.

A executiva explica que existem cláusulas

que foram desenvolvidas há algum

tempo, por isto elas precisam ser revistas

e atualizadas. “Observamos a problemática

destas cláusulas, que abrem brechas

de entendimento para situações novas. O

cyber risk é uma evolução do mercado e

sabemos que os clausulados não avançam

na mesma velocidade dos riscos”.

16


"Como parte do grupo AXA, a AXA XL lançou uma nova campanha que simboliza a

nova promessa da empresa para seus clientes: a de ser a parceira que os encoraja e

os ajuda a se sentirem mais confiantes para alcançarem seus objetivos e irem além"

Riscos emergentes

O pulo do gato do sucesso na indústria

do seguro é avançar de acordo

com os riscos que emergem. Hoje,

fala-se em muitas coisas que eram

desconhecidas no passado, como os

riscos cibernéticos. O mais difícil não

é pensar em suas consequências diretas,

mas naquelas que podem vir de uma

reação em cadeia.

Renato Rodrigues lembra da crise

hídrica que avançou, principalmente,

sobre os estados do Sudeste há cerca de

três anos. “Ninguém imaginou que empresas

dos mais diversos setores, inclusive

serviços, pudessem deixar de operar

por conta da falta de água. Mas como os

colaboradores poderiam passar o dia em

um escritório sem água nos banheiros?”,

questiona.

O mesmo ocorreu com a greve dos

caminhoneiros, que prejudicou vários

segmentos de atividades econômicas e

quase paralisou o País. Outro exemplo:

no Chile, os protestos paralisaram o

funcionamento do metrô e vários prédios

foram incendiados. “A preocupação

dos contratantes não dizia respeito

à ação de pessoas colocando fogo em

prédio. Para eles, o maior risco era de

terremoto e não de levantes populares”,

argumenta Rodrigues.

Para ele, a indústria está acordando

para os riscos que não são, necessariamente,

oriundos de catástrofes naturais,

mas provocados pela ação humana.

“Riscos como rompimento de barragens,

questões econômicas (como a greve dos

caminhoneiros), levantes sociais (que

ocorrem na região da América Latina)

e instabilidade política (Brexit) são riscos

muito fortes que não estão cobertos

nas apólices das empresas”, lamenta o

executivo.

O risco reputacional também irá assombrar

as empresas, porque ele permeia

várias apólices, seja de cyber ou de D&O,

por exemplo, porque em qualquer tipo de

seguro, além das perdas materiais, há a

possibilidade de manchar a credibilidade

do segurado.

Para enfrentar esta situação, Rodrigues

avalia que, para se tornar relevante,

uma seguradora deve estar à frente, olhando

para os riscos emergentes e provendo

soluções. “A forma de fazer isso não é

ter as mesmas pessoas que trabalham

nos riscos tradicionais fazendo os riscos

emergentes. Não queremos ser simples

pagadores de seguros. Queremos ser

parceiros dos clientes”, informa o CEO.

Para isso é preciso acompanhar

os riscos. A AXA XL possui grupos

encarregados de acompanhar a nova

economia, inteligência artificial, veículos

autônomos, compartilhamento e

autonomia de forma geral. “Pensamos o

seguro hoje de forma menos tradicional.

As máquinas são capazes de captar os

dados, fazer a sua interpretação e mostrar

o risco a partir de informações do que já

passou. O papel do subscritor é entender

a necessidade dos clientes, criar soluções

e negociar termos e condições”, analisa

Rodrigues.

Hoje já existem ferramentas que

lêem os relatórios dos inspetores de risco,

dos corretores ou dos clientes e comparam

com outros relatórios de empresas do

mesmo setor no mundo inteiro para dar

uma análise comparativa da qualidade

do risco e, com isso, já dar um score

sem a intervenção humana. “Isso é muito

poderoso porque tira a subjetividade do

processo”, pontua o CEO.

17


especial grandes riscos | panorama

Mãos à obra... E com

apólices de garantia

Congresso emite sinais de que mais reformas serão

aprovadas ainda este ano. Medidas suficientes o bastante

para a retomada da área de infraestrutura no país,

alavanca fundamental para evolução e aprimoramento

do segmento de grandes riscos

André Felipe

18


A

palavra “reforma” é mais

que somente um substantivo

na ortografia da língua

portuguesa. Defini-la como

mantra é o mais plausível na atualidade,

tese defendida por várias frentes do mercado

no Brasil, que há décadas anseiam

por uma profunda modernização fiscal,

trabalhista e previdenciária, condições

que poderão impulsionar a economia e,

consequentemente, colocar o país na rota

definitiva do desenvolvimento.

O antigo clamor parece estar sendo

atendido. Com as recentes aprovações

da reforma da Previdência e da MP da

Liberdade Econômica, a queda de juros

e o registro do menor risco-Brasil desde

maio de 2013, vários setores já se programam

para um ano de 2020 sob a égide da

retomada, sobretudo com a possibilidade

de mudanças na reforma tributária e na

trabalhista de 2017, como planeja o governo

a partir das análises do Gaet (Grupo de

Altos Estudos do Trabalho), bem como no

texto principal do projeto da nova Lei de

Licitações (PL 1292/95), que seguiu para

o Senado e, entre outros aspectos, exige

seguro-garantia para grandes obras, que

poderá destravar importantes projetos na

área de construção.

Esse conjunto de fatores desperta

otimismo nos setores de seguro e resseguro

dispostos a injetar ânimo nas

carteiras de grandes riscos engessadas,

de certa forma, nos últimos anos, especialmente

por conta da paralisia que

assola a área de infraestrutura, um dos

pilares para sustentação deste ramo, onde

uma importante linha de financiamento

pode estar contemplada na Medida Provisória

889/2019, ainda em discussão

no Congresso, que prevê uma profunda

reestruturação na gestão do Fundo de

Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Mas o que teria essa a MP a ver com o

setor de infraestrutura? Certamente teria

muito, mas uma das emendas da MP

889, a de nº 109, que previa a gestão do

Fundo de Investimento (FI-FGTS) pelo

Banco Nacional de Desenvolvimento

Econômico e Social (BNDES), não deverá

ser atendida, segundo informações

de fontes do Congresso ouvidas pela

reportagem da Apólice. Conforme a

emenda proposta pelo senador José Serra

❙❙Javier Duran, da Marsh Brasil

19

(PSDB-SP), o BNDES se tornaria agente

operador do FGTS, cabendo ao Comitê de

Investimento (CI), a ser constituído pelo

Conselho Curador do FGTS, estabelecer

políticas e prioridades para esses investimentos.

Quem comandaria — como frisa

a emenda 109 — a aplicação do FGTS

será o Ministério do Desenvolvimento

Regional, cabendo, portanto, aos bancos

oficiais federais, o papel de agentes

operadores. Nesse contexto, a Caixa

Econômica Federal operaria recursos

para habitação enquanto o BNDES faria

a gestão do financiamento para a área de

infraestrutura.

Como essa MP ainda está restrita

ao debate em Brasília e muito provavelmente

a emenda 109 será rechaçada, o

atenuante diante dessa abstinência de

projetos de infraestrutura é a segurança

jurídica que hoje norteia o mercado

no país. É justamente este cenário de

certezas legais que mantém o olhar dos

investidores estrangeiros, entre eles os

de seguros, voltado para os negócios por

aqui, sobretudo para o ramo de grandes

riscos, cujas carteiras foram submetidas

a vultosas negociações entre seguradoras

e resseguradoras estrangeiras e nacionais

nos últimos cinco anos. Mas tudo pode

melhorar ainda mais caso os investimentos

de 5% do PIB em obras sejam

recuperados. Hoje, como aponta estudo

do Banco Mundial, esse empenho não

passa de 1% no Brasil. Mesmo assim, a

cobertura de grandes riscos cresce ano a

ano, em média, 3%. Dados da Confederação

Nacional das Seguradoras (CNseg)


panorama

❙❙

Roberto Hernández, da Zurich

indicam que o segmento de grandes

riscos movimentou quase R$ 1,8 bilhão

em agosto de 2018, saltando para R$

2 bilhões em igual período deste ano,

apontando uma variação entre ambos

de 79,5%.

O desafio mais eloquente daqui em

diante é a oferta de garantias que reduzam

riscos para os investidores. Somente

assim, retomarão o foco em projetos

com grande risco no país, porém com

retorno financeiramente seguro e devidamente

protegido. O otimismo existe,

mas acompanhado de parcimônia, o que

é plenamente compreensível quando

avaliações como as do Banco Mundial

são apresentadas ao mercado. “A Oliver

Wyman, que integra nosso grupo, aponta

em seus estudos que o Brasil está com

um déficit de 25 anos em termos de

infraestrutura. Estes projetos precisam

sair do papel e se tornar realidade”,

assinala Javier Duran, diretor de Risk

Management da Marsh Brasil. Mas o

otimismo, mesmo com ressalvas, ainda

permeia o setor segurador e de resseguros,

avalia o executivo: “O mercado está

otimista em relação aos projetos para

2020, e temos participado de alguns

deles, mas [o ramo de grandes riscos]

realmente está muito aquém de todo o

potencial que pode oferecer, de fato, e

de que o país precisa.”

Inexoravelmente, no rastro da retomada

da infraestrutura e de uma

possível intensificação das Parcerias

Público-Privadas [PPP’s], as demandas

por coberturas terão como foco, além do

seguro garantia, riscos de grandes obras

20

e de engenharia e de responsabilidade

civil, especialmente o D&O. “Vemos um

futuro promissor para área de grandes

riscos no Brasil. Estamos passando por

reformas importantes, que devem atrair

mais investimentos, e isso amplia o potencial

do segmento. Além disso, temos

um plano de privatizações do governo,

que também deve ampliar o mercado

para seguros nas linhas financeiras, de

garantia, de responsabilidade civil e de

engenharia”, avalia Roberto Hernández,

diretor-executivo de Seguros Corporativos

da Zurich, que completa: “Sabemos

que é um mercado com grande potencial

e que muitos empresários ainda não têm

conhecimento dos riscos envolvidos no

seu negócio. Queremos ficar perto das

necessidades deste segmento empresarial

tão importante para a economia

do Brasil, com soluções desenhadas e

adaptadas a seus riscos.”

Para Carlos Frederico Ferreira,

CEO da Austral Seguradora, o seguro

garantia surge como uma oferta positiva

para um cenário em curto prazo na

infraestrutura, porém, de dez anos para

cá, cerca de 90% deste segmento estão

relacionados às garantias judiciais, sobretudo

tributárias. O executivo destaca

também a evolução de produtos em

D&O que, após a crise econômica e a

Operação Lava Jato, expandiram-se em

22%, entre setembro de 2018 e o mesmo

período deste ano. Mas infraestrutura

é mesmo o centro das atenções para

grandes riscos, ressalta Ferreira: “Existe

muita coisa a ser retomada. O setor de

seguros tem de estar preparado senão

vai perder a demanda. Estamos otimistas

com a agenda grande da construção, que

vai demandar seguro. Em nosso caso, a

companhia terá um ano muito positivo”,

antecipa o executivo da Austral.

Hora da retomada

É notória a sensibilidade do segmento

de grandes riscos diante de eventuais

instabilidades nos quadros econômicos

e políticos. Isso se torna ainda mais

flagrante quando nos deparamos com

momentos de crise e recessão, igualmente

aos que o Brasil encarou nos últimos

quatro anos e que afetou drasticamente o

setor de infraestrutura. Inevitavelmente,

❙❙

Carlos Ferreira, da Austral

o ramo de grandes riscos também sentiu

os efeitos do cenário adverso registrando

crescimento, tímido, reconheça-se, mas

com viés inegável de resistência, transparência

e segurança de mercado, como

analisa João Andrade, Key Account

Manager da Allianz Global Corporate

& Specialty (AGCS):

“Ainda que o ritmo do crescimento

econômico brasileiro esteja abaixo do

esperado, existe um otimismo do mercado

na retomada dos investimentos,

principalmente em infraestrutura, bem

como na aprovação de importantes leis

que ainda tramitam no Congresso. Dessa

maneira, o mercado segurador, mais

especificamente de grandes riscos, será

diretamente impactado de maneira positiva

e podemos dizer que hoje, somente

esse otimismo vem sendo suficiente

para manter esse segmento aquecido no

Brasil. Mensuramos um crescimento de

25% no montante de prêmios emitidos

nos primeiros nove meses de 2019,

comparado ao mesmo período de 2018”,

prevê Andrade.

Recentes investimentos e leilões

dos setores de energia e óleo e gás

foram decisivos para manter o fôlego

das carteiras de grandes riscos. Muitos

projetos até então paralisados, e não

somente na área petrolífera, mas também

em rodovias, ferrovias, estradas

e aeroportos, estão sendo aos poucos

retomados. Agentes financeiros e de fomento

descentralizam o foco no BNDES

e se apresentam como novas opções de

financiamento para essa retomada da

infraestrutura. Há, portanto, luz no fim


panorama

❙❙João Andrade, da AGCS

do túnel, mas até atingi-la o mercado

de seguro e resseguro precisa estar

atento a alguns fatores significativos

que desenham essa nova realidade para

financiamentos, como cita Mauricio

Masferrer, vice-presidente de Riscos e

Seguros Corporativos da Aon Brasil:

“Com relação aos possíveis investimentos

em infraestrutura, a gente está

bem animado. O ambiente de investimento

agora será totalmente diferente.

Os players que vão executar essas obras

vão se deparar com financiamentos

completamente diferentes. Acho que o

seguro vai ajudar bastante para a viabilização

de alguns projetos. No passado,

o BNDES era muito forte, mas não

preponderante no cenário, e a parte do

seguro garantia vai estar aí para apoiar

boa parte destes negócios. Fora isso,

temos todo o mercado de construção

que está deprimido. Aliás, haverá muita

capacidade no mercado de seguros para

construção, que está ociosa. Está todo

mundo nesse compasso de espera para

que isso aconteça logo. Acredito que o

BNDES vai participar. Será um player

importante, mas ele tende a não ser tão

preponderante como no passado.”

Embora o país ainda esteja se desvencilhando

de uma crise econômica e

política, a falta de cultura do seguro no

Brasil ainda é encarada como um dos

maiores entraves para a expansão do

seguro, fundamentalmente quando no

centro do debate encontram-se grandes

riscos financeiros, como os que se tornaram

latentes após as investigações da

Operação Lava Jato, que atingiram, em

cheio, os setores de óleo e gás e de infraestrutura.

Para o poder público, é preciso

perceber que o seguro desonera o governo

de ações para remediar desastres, como

os mais recentes ocorridos no país em

barragens no estado de Minas Gerais.

Esses efeitos — frise-se — ainda

são sentidos, mas o segmento de grandes

riscos segue adiante. De setembro

do ano passado a setembro deste ano

cresceu 13%. O resultado poderia ter

sido mais expressivo não fosse a retração

econômica a frear investimentos,

por exemplo, das obras do PAC (Programa

de Aceleração do Crescimento).

Cerca de 5 mil delas estão paralisadas

e correspondem a 150 bilhões de reais.

“O setor de infraestrutura ainda está na

letargia. Naquela época, o governo havia

anunciado um investimento no PAC,

mas somente 40% foram alocados”, recorda

Ferreira, da Austral Seguradora,

para quem as demandas reprimidas se

estendem às áreas de transportes e de

logística, que também podem alavancar

o segmento de grandes riscos no

próximo ano.

Em busca da apólice precisa

E quais são, atualmente, as apólices

mais utilizadas pela carteira de grandes

riscos? Para Andrade, da AGCS, isso

depende de algumas variáveis como:

linha de negócio, ramo de atividade

tamanho, faturamento e exposições

às quais o cliente está suscetível. “As

perspectivas são as melhores possíveis,

sobretudo para o resseguro. Estamos

otimistas com relação ao futuro do país

e aos investimentos que deverão aquecer

a economia e o mercado ressegurador.

O mercado para apólices de grandes

riscos está aquecendo pouco a pouco,

como destaca Hernández, da Zurich:

“Hoje em dia as empresas enfrentam

um crescimento constante dos riscos

que ameaçam tanto a sua capacidade

em curto prazo quanto as oportunidades

de se manter no mercado e prosperar

em longo prazo. Novos riscos inerentes

ao desenvolvimento da tecnologia, a

interrupção imprevista dos negócios e as

❙❙

Mauricio Masferrer, da Aon Brasil

perdas financeiras podem ser revertidos

a um certo custo. No entanto, pode gerar

um impacto negativo permanente na

confiabilidade da empresa, na reputação

da marca, na participação de mercado ou

nos seus clientes. Com uma estratégia

de gestão e mitigação de riscos feita

sob medida, consistente com o apetite

de riscos da organização, assessorada

por corretores de seguros e baseada

nas melhores práticas da indústria, a

empresa estará melhor preparada para

enfrentar eventos inesperados”, analisa

o executivo.

Para Javier Duran, da Marsh, é

fundamental que o cliente da carteira

de grandes riscos esteja ao lado de um

player de seguros que conheça o projeto

desde a fase inicial, antes mesmo da

assinatura de contratos, e que o apoie

nas análises dos contratos, orientando-o

sobre exposições a riscos durante o projeto.

“Um seguro de grandes riscos não

pode ser transacional, porque aí também

há o risco de vender um produto para o

cliente que pode ser caro e de que ele não

precisa. Acho essa a principal mensagem

quando se fala de grandes riscos é ter

esse conhecimento do risco que se quer

segurar; o que está segurando e qual o

processo de identificação do risco e da

análise para se desenvolver e desenhar

uma solução para o cliente, para que

ela depois traga os melhores impactos

financeiros ao projeto do cliente”, conclui

Duran.

22


entrevista | apisul

Negócios mais rentáveis

para clientes

O diretor de Novos Negócios da Apisul, Leandro

Rinaldi, explica a importância da especialização

para atuar em grandes riscos

Apólice: Como é a atuação da

Apisul no Brasil?

A Apisul possui mais de 35 anos

de experiência, atuamos com liderança

no segmento de seguro, risco e logística

para o setor de transportes e soluções de

altos padrões técnicos e comerciais para

Riscos Patrimoniais, Responsabilidade

Civil, Ambiental, Frotas e Linhas financeiras.

Presença nacional com produtos

exclusivos desenvolvidos em parcerias

com as melhores seguradoras e resseguradores

no Brasil e no exterior.

Como você enxerga a situação atual

do mercado de grandes riscos?

Com revolução silenciosa nos últi-

mos 2 anos, o mercado segurador passa

por um momento de fusões e aquisições,

notadamente em negócios de grandes

riscos, com as companhias internacionais

concentrando-se em áreas de maior expertise.

Esta consolidação, e a entrada de

empresas no setor (seguro e resseguro), nos

traz um sentimento de dividir ainda mais o

que já estava dividido, corroborando para

queda das taxas, mudança do segmento

de negócio-alvo e diminuição da oferta.

Quais são os produtos mais comercializados

pela Apisul?

Riscos Nomeados, Operacionais,

Responsabilidade Civil Geral e dos Administradores

(D&O), Frotas e Transportes.

Qual é o perfil dos clientes da Apisul?

Nossos clientes estão posicionados

nos mais diferentes setores, líderes em

seus segmentos, médias e grandes transportadoras,

operadores logísticos, distribuidores,

indústrias, varejo, comércio e

serviços.

Quais são os diferenciais da empresa

em relação à sua atuação no

mercado?

Leandro Rinaldi: O grupo Apisul

dedica-se a fornecer produtos de seguro

e serviços que oferecem proteção de

qualidade com preços acessíveis. Estabelecemos

uma parceria bem-sucedida com

nossos clientes, funcionários e parceiros

de seguros e resseguros, que respeitem os

interesses e objetivos de cada parte.

Somos capazes de atender nossos

clientes nos principais riscos e seguros de

suas operações, pois contamos com especialistas

em seguros complexos que podem

apresentar soluções sob medida.


especial grandes riscos | mudanças climáticas

Mudanças climáticas

impactam apólices de

diversos segmentos

Seguros já estão sendo parametrizados a partir

de observações das alterações da natureza

Thaís Ruco

24


A

ciência já comprova que a

alteração na temperatura

global tem efeito imediato

no clima e impacto direto na

vida em nosso planeta. Por isso, cada vez

mais as companhias de seguros ao redor

do mundo estão atentas às questões relacionadas

aos efeitos da mudança do clima

na sociedade e no mercado de seguros.

As Nações Unidas estimam que até

2050 mais de dois terços da população

mundial viverá nas cidades. Haverá uma

demanda crescente de moradias acessíveis,

investimentos em infraestrutura de

serviços e sistemas de transporte sustentáveis,

além de grandes investimentos

em sistemas de energia limpa. Isso tudo

já está no radar das companhias seguradoras.

As mudanças climáticas podem

impactar nas receitas e custos de operações

diretamente ligadas por variações

inesperadas no clima, como é o caso das

empresas de geração de energia elétrica

com fonte renovável e dos grandes players

do agronegócio, que são afetados pelo

regime de chuva, vento, sol e temperatura.

“O mercado de seguros global desenvolve

soluções de apólices sob medida para

garantir as empresas da previsibilidade

de suas receitas, mesmo diante de riscos

tão importantes para suas atividades e,

com isso, reduzem eventuais prejuízos

por conta desses eventos climáticos”,

comenta Sylvain Taulère, gerente Trade

Credit da Willis Towers Watson.

Nos últimos anos, os riscos relacionados

às mudanças climáticas mudaram

rapidamente e continuarão mudando. “A

exposição a danos físicos nas empresas

e nas regiões em que operam, além de

impactos na cadeia de fornecimento,

poderá ser maior”, explica Roberto Hernández,

diretor Executivo de Seguros

Corporativos da Zurich. Neste cenário,

a reavaliação dos riscos regionais, o

monitoramento proativo das cadeias

de fornecimento e o fortalecimento

da resiliência das empresas tornam-se

prioritários.

Com a alteração de frequência e

severidade dos eventos em relação ao

passado, novos desenhos de apólice (gatilhos

e limites) precisam ser analisados.

“Coberturas para eventos catastróficos,

25


mudanças climáticas

em adição aos riscos já contratados,

começam a ser procurados por corporações

ou entidades que possuem alta

exposição ao risco em regiões mais

concentradas”, aponta Gabriel Bruno

de Lemos, Head de Agro da Swiss Re

Corporate Solutions. “O setor sente os

efeitos dessas mudanças diretamente no

pagamento de indenizações e precisa

estar muito atento para todo e qualquer

movimento atípico, para corrigir eventuais

falhas de cobertura nas apólices

existentes, a fim de não prejudicar o

segurado e continuar ofertando soluções

que façam sentido para a operação do

cliente”, completa.

A questão das mudanças climáticas

traz riscos e oportunidades que precisam

ser trabalhados. “Uma vez que

existe a probabilidade de ocorrência

de um determinado risco, ele deve ser

considerado no processo de inspeção

e subscrição do seguro. Isso implica

no desenvolvimento de processos mais

sofisticados e avaliação de riscos para

algumas categorias de seguros num

futuro próximo”, afirma Adailton Dias,

diretor Executivo de Produtos, Resseguro

e Sinistros da Sompo Seguros.

O mercado de seguros vai continuar a

exercer uma função social inerente à sua

expertise, que é a de identificar os riscos

e prestar consultoria ao segurado para

minimizar a probabilidade de sinistros.

“Mais do que indenizar, as seguradoras

vão, cada vez mais, atuar como consultorias

que irão orientar os segurados

desde o momento da subscrição sobre

como minimizar a probabilidade de

ocorrência de sinistros. As mudanças

de comportamento e o desenvolvimento

de tecnologia devem contribuir com o

surgimento de janelas de oportunidades

para a criação de novas modalidades de

seguros”, afirma Dias.

Produção a partir do clima

As companhias do setor precisam

se antecipar às alterações na natureza.

Durante a subscrição deste tipo de produto,

são evidenciados os impactos das

alterações no clima de maneira mais

prática e objetiva, tais como o padrão

de chuvas (não apenas volume e sim

sua distribuição) que vem se alterando

26

❙ ❙

Sylvain Taulère,

da Willis Towers Watson

ao longo dos anos de maneira distinta

por região.

“Temos como clientes empresas de

energia hídrica, eólica e solar. Ao construir

um empreendimento desses, os investidores

estudam as chuvas nos últimos

50 anos naquela região, sabem a média,

ou mínimo, para ser conservador, fazem

todas as projeções a partir dessa receita

mínima. Mas imagine que venha uma

❙ ❙

Gabriel Bruno de Lemos,

da Swiss Re Corporate Solutions

seca gigante, inesperada, por conta das

mudanças climáticas, e que rompe esse

mínimo calculado? Para isso o mercado

está desenvolvendo novas apólices de

seguros”, conta Edmur de Almeida, da

Alfa Real Corretora de Seguros. Surgem

assim os chamados seguros paramétricos,

ou parametrizados, para as mudanças

climáticas.

Existem vários seguros parametrizados

para variações climáticas que

protegem contra temperatura, chuva, sol,

ventos e outros eventos do ambiente que

possam trazer prejuízos em nível catastrófico.

“Se a receita ficar fora dos parâmetros

estudados, a seguradora repõe a

diferença e a empresa continua com o

mínimo projetado. É um seguro que garante

o fluxo de caixa do empreendedor”,

completa Almeida.

Como forma de apoiar seus clientes

na prática a enfrentarem os desafios

associados à mudança climática, as seguradoras

que estão mais adiantadas neste

segmento oferecem uma série de soluções

para análise e mitigação de riscos aos seus

segurados. “Nossas soluções desenvolvidas

globalmente são totalmente adaptadas

e ajustadas à realidade brasileira, com

seus riscos relacionados a enchentes,

vendavais, deslizamento de terra, queda

de raio, entre outros”, comenta Roberto

Hernández. Como exemplo, a companhia

desenvolveu o Zurich Risk Advisor, aplicativo

para auxiliar clientes e corretores

na avaliação de riscos, que possibilita

uma análise por meio de vídeo streaming,

permitindo mais flexibilidade para o

especialista em riscos analisar e ajudar a

prevenir perdas, além de outras ferramentas

que possibilita um monitoramento em

tempo real da saúde de toda a cadeia de

suprimentos, alertando sobre problemas

que possam interromper os negócios.

Um dos principais setores em que

os seguros paramétricos apresentam

mais oportunidades é o Agronegócio.

“Os produtos indenizam o produtor

rural contra perdas nas plantações de

diferentes culturas em decorrência de

fenômenos climáticos. Já está em estudo

o desenvolvimento de novas soluções de

seguros paramétricos para o segmento

do agronegócio num futuro próximo”,

diz Adailton Dias.


Mudanças na gestão do risco

As seguradoras têm que estar preparadas,

já que as mudanças climáticas

podem distorcer os modelos tradicionais

de subscrição de risco. “Os eventos da

natureza acontecem e ferramentas de

prevenção e mitigação ganham espaço

relevante nos processos de avaliação

do risco”, declara Roberto Hernández.

Segundo ele, os perfis dos profissionais

das seguradoras também vêm evoluindo

para entender melhor como as empresas

usam ferramentas de sustentabilidade

consistentes. “O Brasil é um grande

exemplo, com empresas que investem em

modelos de sustentabilidade”.

A tendência é de que as seguradoras,

cada vez mais, contribuiam com sua expertise

para minimizar a probabilidade

de sinistros com a sugestão de, em alguns

casos, medidas possam ser simples, no

momento da avaliação do risco. Além

disso, as companhias também vão passar

a atuar mais próximo dos clientes,

sugerindo planos de gerenciamento de

riscos que vão contemplar as questões

climáticas.

“Os planos de contingência na gestão

de riscos têm que ser melhorados frente

aos novos parâmetros. Não é possível

evitar que ocorram, mas conseguimos

minimizar os prejuízos, oferecendo bons

seguros e bons planos de contingência”,

diz o corretor de seguros Edmur de

Almeida. “Como este seguro é feito sob

medida, todo o estudo está voltado em

minimizar ao máximo o risco de perda

financeira em caso de uma variação climática

e, portanto, realizar uma apólice

gerenciando de melhor forma possível o

risco de uma possível perda”, completa

Sylvain Taulère, da corretora Willis.

A imprevisibilidade dos eventos traz

para a mesa de análise maior complexidade

na tomada de decisão, tanto para

quem está contratando uma cobertura de

seguros quanto para quem está ofertando

a transferência do risco (seguradoras). “A

vida de um gestor de riscos ou subscritor

atualmente é bem mais complexa do que

20 ou 30 anos atrás. Hoje, possuímos

mais dados, informações e volatilidade.

É bem verdade que a capacidade de processamento

destas informações também

aumentou significativamente. Quem não

❙❙Adailton Dias, da Sompo

utiliza tecnologia para gestão do risco

provavelmente está perdendo oportunidades

de bons negócios”, argumenta Gabriel

Bruno de Lemos, da Swiss Re.

Crescimento das energias

renováveis e seus seguros

Por seu tamanho e condições climáticas

favoráveis, o Brasil tem enorme

potencial de crescimento em energias

renováveis. Praticamente todos os países

do mundo investiram na transformação

de suas matrizes energéticas, com o

desenvolvimento de fontes de energias

“limpas”. Em 2018, o Brasil foi o 5º país

que mais instalou plantas eólicas e manteve

sua colocação no Ranking Mundial

de capacidade instalada, segundo dados

da ABEEólica – Associação Brasileira

de Energia Eólica.

“Os investimentos fizeram o Brasil

saltar da 15ª posição no ranking mundial

do setor em 2012 para a 8ª posição em termos

de capacidade instalada de energia

eólica. É hoje a terceira fonte da matriz

elétrica, com cerca de 9% de participação

e deverá fechar o ano de 2019 como a

segunda fonte de energia do País. Esses

dados mostram o quanto as energias

renováveis estão se desenvolvendo e são

um campo fértil para novas soluções de

seguros”, apresenta Adailton Dias.

O potencial é grande não apenas

em decorrência da mudança climática,

mas pela necessidade de se produzir

energia limpa. “Por fatores econômicos

ou de pressão da sociedade em relação à

preservação do meio ambiente, a matriz

energética está mudando, migrando dos

carvões e óleos para energias renováveis”,

lembra Sidney Cezarino, diretor de

Property, Riscos de Engenharia, Energy

e Riscos Diversos da Tokio Marine.

“Tudo é muito recente e com campo para

expansão. Fizemos seguros específicos

para esses segmentos, e percebemos que

a gestão deste risco é diferente de um

“Os planos de

contingência na gestão

de riscos têm que ser

melhorados frente

aos novos parâmetros.

Não é possível evitar

que ocorram, mas

conseguimos minimizar

os prejuízos, oferecendo

bons seguros e bons

planos de contingência”

Edmur de Almeida, da Alfa Real

27


mudanças climáticas

risco tradicional. Estamos estudando

como gerenciar, pois as máquinas nos

parques eólicos são recentes”, conta,

enfatizando que a seguradora contrata

especialistas para analisar esta gama de

riscos relativamente novos.

“Por enquanto, aqui no Brasil continua

forte o investimento em energia

hidrelétrica porque há uma natureza favorável,

mas esperamos crescimento muito

grande de empresas de energia eólica e

solar, principalmente no Nordeste e no

Sul. Já temos percentual considerável de

usinas solares, chegando a 2,2 gigawatts,

e está previsto duplicar ou quase triplicar

esta capacidade. Estão previstos muitos

investimentos em energia eólica e nós

temos que ofertar seguros para esses

nichos”, indica Cezarino.

De acordo com a análise sobre financiamento

no setor de energia da Bloomberg,

só em 2017, o capital destinado à

energia limpa, cerca de 300 milhões de

dólares, superou em mais do dobro o capital

investido em energias não renováveis.

“Devido às alterações climáticas que se

verificam atualmente, a ocorrência de

anomalias meteorológicas aumentou

consideravelmente e, portanto, a busca

por proteção é crescente”, diz Sylvain

Taulère.

Negócios para essas

demandas

A Zurich no Brasil, por exemplo,

retomou a comercialização do seguro

de Property para as usinas de geração

de Energia Elétrica. A estratégia,

de acordo com a política de Climate

Change do Grupo Zurich, incentiva o

desenvolvimento de energias renováveis

e visa contribuir para a redução do uso

de carvão mineral e, consequentemente,

com as emissões de gases de efeito estufa

no planeta. Essa política é aderente ao

Acordo de Paris, de 2015. “O seguro cobre

danos materiais e/ou lucros cessantes,

em casos de acidentes nas dependências

de usinas de geração de energia elétrica

em operação. É destinado a produtores

independentes, concessionárias e usinas

de propriedade estatal”, pontua Roberto

Hernández.

A Sompo Seguros também tem

avançado bastante em projetos de energia

28

❙❙Sidney Cezarino, da Tokio Marine

renovável. No ano passado, estruturou

uma solução para atender ao setor de

energia que dinamizou nossa atuação e

resultou em contratos relevantes. “Por

meio dessa solução, atendemos ao cliente

Tomador (que fornece o bem ou presta o

serviço) que pretende comprar energia

no mercado spot (também chamado de

mercado disponível ou de curto prazo,

que tem a finalidade, na maior parte dos

casos, de suprir uma demanda imprevista

de energia). No caso, a solução da Sompo

é uma apólice que garante o fiel cumprimento

dos pagamentos pela entrega de

energia adquirida para utilização própria

nas atividades do consumidor”, indica

Adailton Dias.

Sidney Cezarino defende que a Tokio

Marine atua em todas as linhas de negócios

de energias renováveis. “Quando uma

empresa de energia começa a construir

seus parques, contrata seguro de garantia,

riscos de engenharia, responsabilidade

civil das obras. Quando começa a funcionar,

adquire o seguro operacional. Lançamos

no início do ano um produto bastante

específico para o segmento de energia

renovável, o qual chamamos de solução

integrada, pois engloba todo o processo,

desde a construção até o primeiro ano

de operação. É uma apólice bastante

completa, que não deixa nenhuma falha

de cobertura. Via de regra, a operação

no primeiro ano é mais assistida, depois

inicia-se o seguro tradicional”.

Na visão de Sylvain Taulère, da corretora

Willis, existe a possibilidade de

um crescimento bastante importante na

busca de proteção financeira em virtude

de variações climáticas inesperadas, mas

como o produto ainda é de pouco conhecimento,

ele hoje é observado como

custo elevado. “Nosso desafio é aumentar

a aderência dos clientes para tornar mais

fácil a contratação e o custo amenizado”,

pondera. Edmur de Almeida aposta que

esta será uma linha importante em sua

corretora. “Um seguro novo, mas que já

começa a ter uma demanda interessante.

Tenho certeza que trará boas receitas para

o mercado, principalmente para corretoras

como a nossa, com especialidade em

seguros para infraestrutura”.

Os corretores de seguros são peça

fundamental para ajudar as empresas

que têm seus investimentos financeiros

e resultados expostos a qualquer variação

climática. “São os corretores que

levam para os seguradores preocupações

em relação à proteção dos seus clientes,

no caso, derivadas das mudanças climáticas.

O seguro paramétrico certamente

nasceu porque algum corretor trouxe a

demanda, por isso é indispensável essa

atuação consultiva”, avalia Almeida.

“Precisamos estar próximos de nossos

clientes e alertar para o risco que pode

não ser perceptível ou menosprezado, e

apresentar as melhores soluções”, reforça

o gerente da Willis.

Algumas companhias têm se especializado

e elaborado estudos importantes

sobre as mudanças no clima.

No começo desse ano, foi divulgado o

GRR – Global Risks Report, relatório

que foi realizado pelo World Economic

Forum (WEF) em conjunto com a Zurich,

que mostrou que os riscos ambientais

continuam a dominar as preocupações

de executivos no curto prazo, tanto em

impacto quanto em probabilidade.

A Swiss Re também conta com especialistas

que efetuam o acompanhamento

do mercado e estudam tendências. Esses

estudos são estratégicos e cruciais para

as decisões relacionadas às políticas de

atuação, bem como na modelagem e

desenvolvimento de produtos.


artigo | fator

É importante procurar

seguradora especialista

em grandes riscos

por Richard Mendes Leone*

Seguros de grandes riscos possuem

uma complexidade elevada,

portanto é preciso muita

expertise nessas carteiras para

garantir todas as obrigações contratuais,

fazendo grande diferença na aceitação do

risco junto aos segurados.

Para operar com esse tipo de produto,

é muito importante realizar uma

análise detalhada de cada local segurado,

mapeando as principais fontes de risco

e entendendo todos os processos operacionais

da empresa. Somente desta forma

é possível identificar a melhor opção de

enquadramento e gerenciamento do risco.

Quando estas apólices são contratadas,

são definidos os bens, as responsabilidades,

as garantias e as importâncias

pretendidas para cada cobertura, sendo

que, daí em diante, praticamente todos

os riscos previstos pelo segurado estarão

abarcados pelo seguro e terão tratamento

e precificação de acordo com a sua

natureza.

Muitas vezes, a existência de uma

franquia, a coparticipação elevada ou até

mesmo a não contratação de coberturas

específicas imprescindíveis no caso da

utilização do seguro poderão causar

um desequilíbrio financeiro à empresa.

Dependendo da

gravidade do sinistro,

a existência ou

não de um seguro,

juntamente com o

fato de este estar ou

não bem contratado,

poderá ser fator decisivo que contribuirá

para o prejuízo financeiro do acionista

ou até mesmo para a continuação das

atividades empresariais.

Por se tratar de empresas de grande

porte, em que nem sempre será possível

a identificação dos riscos ali presentes,

o segurado poderá optar pela contratação

do Seguro de Riscos Operacionais

ou ‘All Risks’, que abrange todos os

riscos, pois são estipuladas as cláusulas

excludentes de cobertura, fazendo com

que todo o resto esteja assegurado pelo

contrato.

Além dos riscos operacionais, a

Fator Seguradora opera com outros

seguros estruturados considerados

“grandes riscos”, como os de Risco de

Engenharia, Riscos Diversos, Riscos

Nucleares, Riscos Paramétricos, Seguro

Garantia, Responsabilidade Civil Geral

e Responsabilidade Civil de Administradores

(D&O).

*Richard Mendes Leone é diretor de

Property & Casualty da Fator Seguradora

29


especial grandes riscos | tecnologia

A hora e a vez das seguradoras

digitais no segmento de transporte

Embora transporte seja

naturalmente associado

a movimento, as

empresas do segmento

parecem paradas no

tempo. Isso pode

mudar, graças às novas

tecnologias que estão

chegando ao mercado

É

chegada a hora das seguradoras

digitais? Em muitos segmentos,

como no seguro de celulares ou

de automóveis, há plataformas

segmentadas com toda uma ordem de

coberturas que podem ser selecionadas

via aplicativos, além de recursos e customização

ao gosto e perfil do usuário.

O que caracteriza esta seguradora

digital? Uma escolha voluntária por um

atendimento dinâmico, uma operação

rápida, enxuta, que se vale de inteligência

de dados para fornecer uma experiência

“tailor made” e em linha com a demanda

e “timing” dos clientes e corretores.

Entretanto, essa descrição não se

aplica à totalidade no mercado, como

no seguro do transporte, onde a adoção

da tecnologia se resume, muitas vezes,

ao uso de sistemas de monitoramento.

A boa notícia é que há uma mudança

em curso, vinda principalmente de

startups e empresas de tecnologia que

estão trazendo inovações para o mercado

logístico.

Entre elas, empresas que promovem

conceitos como o de ecossistemas

digitais que vão englobar segurados,

corretores, seguradoras, resseguradores

e prestadores de serviço, propiciando

transparência e automação dos processos

de cotação, subscrição, emissão e

regulação de sinistros, gerando ganho

operacional direto com a redução de

custos em toda a cadeia.

Central de Sinistro: nova tecnologia usa Big Data, Inteligência Artificial

e Geolocalização para agilizar atendimento

Além disso, a consolidação das informações

em nuvem possibilita acesso

rápido às informações. “Hoje temos

troca de e-mails e planilhas entre os elos

da cadeia. Gastamos muito e mal com

gente especializada apenas inserindo

dados em planilhas e sistemas que não

conversam entre si. Faz sentido perdermos

tempo e dinheiro quando há hoje

tecnologia para automatizar e facilitar

estes processos?”, questiona João Zen,

João Zen, diretor comercial da GUEP

diretor comercial da GUEP. A empresa,

desenvolvedora de tecnologia para

os segmentos de transporte e seguros,

está se posicionando como fornecedora

de soluções que vêm preencher estas

lacunas.

Como, por exemplo, uma plataforma

de localização dos reguladores de sinistro

por geolocalização e atendimento de

sinistro via app, que pode trazer enorme

agilidade, precisão e transparência. Um

dos segredos da empresa está em adotar

tecnologias de ponta como Blockchain,

Big Data e Inteligência Artificial para

criar soluções que viabilizam as seguradoras

digitais no transporte.

“Até então, não existiam empresas

se posicionando com estes recursos no

segmento, com ferramentas que realmente

podem agregar valor e trazer um

diferencial para corretoras e prestadores

de serviço e, claro, na relação com as

seguradoras”, comenta Zen.

O que falta agora, portanto, é uma mudança

de comportamento no mercado, que

pode e deve ousar mais, deixando para trás

o conservadorismo dos modos tradicionais

de atuação. Afinal, estando prestes a entrar

na 3ª década do século XXI, chegou a hora

das seguradoras digitais.

30


mercado | previsul

Novos produtos chegam ao mercado no segundo semestre

Previsul se destaca com novidades nas áreas de seguros empresariais, residenciais, consórcio e odonto

Com uma história consolidada no

ramo de seguro de pessoas, a

Previsul Seguradora comemora

os resultados da repercussão

do lançamento de novos produtos em

seu portfólio. Poucas semanas após o

lançamento, os produtos Empresarial +,

Residencial +, Consórcio + (administrado

pela Caixa Consórcios S.A) e Odonto

+ (garantido pela Odonto Empresas) já

somam R$ 5,5 milhões em prêmio de

novas cotações.

Segundo Andréia Araújo, diretora de

Negócios e Marketing da Previsul, esse

cenário reflete o momento da companhia.

“Na Previsul, estamos sempre buscando

formas de oferecer as melhores soluções

aos nossos parceiros, os corretores de

seguros. Esse cenário tão positivo de

cotação de novos produtos é a resposta do

corretor, que reconhece nosso histórico

– através da venda de produtos vida – de

atendimento ágil e ferramentas digitais

fáceis de utilizar”, analisa a executiva.

As novidades não param na Previsul:

“para atender de forma ainda mais eficiente

os clientes de vendas massificadas,

estamos com uma nova área de Affinity.

A criação dessa área acompanha o crescimento

da Previsul e visa oferecer um

atendimento especializado para esse tipo

de negócio, tão importante para a Previsul”,

explica Andréia. A área é liderada

pelos profissionais Rodrigo Pecoraro,

Clarissa Conrado e Thiago Schmidt, todos

com ampla experiência no mercado

de seguros.

O corretor de seguros segue como

foco da Previsul. Por isso, a seguradora

lançou recentemente a Previsul

Soluciona, uma central de atendimento

exclusiva para o corretor tirar dúvidas

operacionais. Segundo Andréia, a novidade

tem o objetivo de trazer ainda

mais eficiência para o atendimento

aos parceiros. “Temos uma equipe comercial

dedicada ao relacionamento e

fomento de novos negócios. As dúvidas

e necessidades operacionais do corretor

precisam ser tratadas com agilidade.

Por isso, estamos implementando uma

central para atendimento exclusivo,

visando facilitar o dia a dia do corretor.

Assim, nossa equipe comercial pode se

dedicar integralmente a oferecer as melhores

soluções de negócios aos nossos

parceiros.”

Com a ampliação do portfólio de produtos,

uso da tecnologia e inovação em

processos, a Previsul torna-se cada vez

mais atrativa para corretores e segurados,

reforçando seu posicionamento de ser a

seguradora digital do corretor.


nicho | seguro rural

Expectativa de

mudanças nos seguros

para o agronegócio

32


Aumento da subvenção ao seguro rural, que deve

chegar a R$ 1 bilhão em 2020, promete estimular

o mercado, mas especialistas apontam que é

preciso ainda mudar o modelo vigente e apostar

em novos produtos que vão além da proteção

contra intempéries climáticas

Com participação de 22% no PIB

total e responsável por 32% dos

empregos existentes atualmente

no País, os números do agronegócio

brasileiro são significativos. No

ano passado, os excedentes exportados,

depois de abastecido o mercado interno,

corresponderam a 44% do valor total

das exportações brasileiras, com saldo

comercial de 81,8 bilhões de dólares,

enquanto os demais setores da economia

tiveram um déficit de 14,8 bilhões

de dólares. É um mercado que promete

continuar crescendo nas próximas décadas:

somente a safra brasileira de grãos

2029/2030 deverá ser 33% maior que a

safra 2016/2017. Por sua vez, a produção

Jamille Niero

de carnes de frango, bovina e suína deve

crescer 41,1%, 26,3% e 37,4%, respectivamente,

considerando o mesmo período

projetado. Todos os dados constam no

documento “O Futuro é Agro - 2018 a

2030”, elaborado pela Confederação da

Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)

e pelo Conselho do Agro (integrado por

15 entidades do setor) e entregue aos

presidenciáveis no fim do ano passado,

com soluções possíveis em questões

vitais para a agropecuária. O documento

inclui propostas para o seguro rural, que

contará em 2020 com um orçamento

recorde de R$ 1 bilhão para o Programa

de Subvenção ao Prêmio do Seguro

Rural (PSR), constante no Plano Safra

❙❙

Antônio da Luz, da Farsul

2019/2020 do governo federal. A cifra vai

possibilitar que a subvenção atinja mais

de 200 mil apólices.

Entre as propostas do documento,

há a priorização do seguro rural como

política de garantia de renda ao produtor.

Ou seja, a ideia é concentrar mais

recursos na subvenção ao seguro rural

e menos ao crédito. De acordo com

dados do Plano Safra 2019/2020, serão

destinados R$ 169,33 bilhões para o

crédito rural (custeio, comercialização

e industrialização).

Foto: Tiago Francisco

AGROPECUÁRIA BRASILEIRA EM NÚMEROS

VALOR BRUTO DA PRODUÇÃO (VBP) - JANEIRO/2019

(Corresponde ao faturamentobruto dentro da propriedade rural)

Ranking Estados (10 maiores VBP) 2019

1º Mato Grosso 82.847.699.768

Safra

2018

Safra

2019

2º São Paulo 70.206,704.309

3º Paraná 69.888.311.524

R$ 570,31 bilhões R$ 564,32 bilhões

4º Minas Gerais 55.204.541.069

5º Rio Grande do Sul 53.424.894.157

AGRICULTURA

PECUÁRIA

6º Goiás 45.144.440.031

7º Mato Grosso do Sul 31.025.995.032

8º Bahia 25.333.619.140

R$ 383,97 (Safra 2018) R$ 186,35 (Safra 2018)

R$ 372,07 (Safra 2019) R$ 192,24 (Safra 2019)

9º Santa Catarina 19.110.398.772

10º Pará 12.848.132.144

Fonte: CGEA/DCEE/SPA/Mapa

33


seguro rural

❙❙Jorge Eduardo de Souza, da ANSP

Segundo Antônio da Luz, economista

chefe da Federação da Agricultura do

Estado do Rio Grande do Sul (Farsul),

que integra a CNA, o produtor segurado

vai conseguir acessar o crédito para financiar

a produção quando seu risco for

baixo. É uma forma de ampliar o acesso

- Em 2018, os produtores rurais receberam

R$ 925 milhões em indenizações

de seguro rural, contratado com o auxílio

do Programa de Subvenção ao Prêmio

do Seguro Rural (PSR).

- O principal evento que ocasionou

as perdas nas lavouras foi a seca, com o

pagamento de cerca de R$ 660 milhões

para indenizar os produtores, seguida

pela ocorrência de granizo, que causou

perdas na produção com indenizações

de R$ 201 milhões aos produtores.

- O cálculo dessas indenizações

abrange as contratações de apólices

do PSR, equivalente a 45% de todas as

operações de seguro rural contratadas

em 2018 nas modalidades passíveis de

subvenção.

- Do total de recursos pagos pelas

seguradoras, 36% foram para os produtores

do Paraná, 21% do Rio Grande do

Sul, 11% de Goiás, 11% de Mato Grosso do

Sul, 8% de São Paulo e o restante para os

produtores dos demais estados.

- Em 2019, o orçamento para o seguro

rural é de R$ 370 milhões. Em 30 de

ao seguro e ao crédito, que será facilitado

como consequência, já que a renda será

garantida em caso de perda da produção –

reduzindo ainda o endividamento. “Hoje

o seguro é um ‘penduricalho’ do crédito e

queremos que seja o contrário: o crédito

como ‘penduricalho’ do seguro. Com a

receita garantida, o produtor conseguirá

dizer ao mercado de crédito exatamente

qual é o seu risco”, detalha.

Contudo, não basta apenas aumentar

a oferta. É preciso uma mudança cultural.

O economista explica que o governo criou

uma cultura de anunciar, prometer e não

cumprir. Ou seja, o produtor fazia o seguro

na expectativa de receber subvenção e

não recebia, resultando em desmotivação

e desestimulando-o a voltar a fazer o

seguro, porque descredita o processo.

Outro entrave apontado pelo economista

é o “impasse do ovo ou da galinha

do seguro”: faltam produtos mais

Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural

outubro, o governo liberou o aumento

do orçamento destinado ao PSR e a distribuição

dos recursos, medida possível

em função do descontingenciamento

de R$ 50 milhões em recursos da pasta,

permitindo apoiar a contratação de 12

mil novas apólices.

- Do total desbloqueado, cerca de

R$ 30 milhões serão destinados para os

grãos (soja, milho 1ª safra, feijão, arroz),

R$ 10 milhões para as frutas, R$ 300

mil para a pecuária e o restante para as

demais culturas.

- Já para 2020, R$ 1 bilhão serão

disponibilizados para subvencionar a

contratação de apólices do seguro rural

em todo o país.

- Esse é o maior montante que o PSR

já recebeu desde sua criação em 2004.

- Com esse valor, cerca de 150,5 mil

produtores rurais poderão ter a safra

segurada.

- Devem ser contratadas 212,1 mil

apólices, com a cobertura de 15,6 milhões

de hectares e valor segurado de

R$ 42 bilhões.

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

❙❙

Hailton Costa, do Sincor-GO

diversificados, mas para desenvolvê-los

é preciso mais dinheiro, que por sua vez

é obtido por meio de mais “usuários”

que gerem mais receita. “Quem vai dar

o primeiro passo? Quem pode ajudar é

o próprio governo, tirando a subvenção

ao crédito e direcionando ao seguro”,

reforça Luz.

O coordenador da Cátedra do Agronegócio

da Academia Nacional de

Seguros e Previdência (ANSP), Jorge

Eduardo de Souza, concorda que o

produtor segurado tem mais facilidade

na hora de buscar crédito para financiar

sua produção – uma vez que ele precisa

primeiro plantar a lavoura para, somente

meses depois, quando colher e vender o

que foi produzido, ter a receita.

“O mercado de [seguro] agro hoje é

muito polarizado e pequeno, com cerca

de 5 milhões de propriedade agrícolas espalhadas

pelo País, e somente uma parte

muito pequena tem seguro. Mas apostamos

que o cenário vai mudar”, diz. De

fato, em 2018 a área segurada pelo PSR

representou aproximadamente 5,9% da

área plantada com as principais culturas

agrícolas, de acordo com o Levantamento

Sistemático da Produção Agrícola do

IBGE. Em valor, a importância segurada

pelo PSR representou apenas 2,3% do

faturamento da agropecuária nacional,

estimado pelo Ministério da Agricultura,

Pecuária e Abastecimento em cerca de

R$ 570 bilhões.

Propostas

A aposta na mudança da atual situação

é baseada, entre outros pontos, na

criação de um seguro referencial, uma

34


Outras

oportunidades

Entre os novos caminhos para gerar

recursos para a área, Jorge Eduardo

de Souza, da ANSP, aponta que uma

vez que houver ampliação do acesso

ao seguro e à melhora dos riscos, os

produtores terão mais facilidade para

se capitalizarem pelos títulos creditórios

do agronegócio: Letra de Crédito

do Agronegócio (LCA), Certificado

de Recebíveis do Agronegócio (CRA),

Cédula de Produto Rural (CPR) etc.

“O pulo do gato está nos produtores

grandes, que geralmente têm gestão

boa de risco e histórico de produção.

Os produtores com boa reputação vão

ser disputados”.

Antônio da Luz, da Farsul, concorda,

e observa que as seguradoras estão

muito fechadas à ideia de seguro rural

baseado em safra e em clima, olhando

pouco para as oportunidades voltadas

para o crédito. Ele cita as eventuais

oportunidades geradas pelo fortalecimento

de recebíveis do agronegócio,

entre outras mudanças, como a MP do

Agro (medida provisória 897/2019, do

início de outubro). “Tem um grande

mercado para seguros que reforcem os

títulos do agronegócio a ser explorado,

tanto rural quanto os outros, só que

não olha pra clima, olha para crédito,

pra lastrear recebíveis”.

melhor administração da subvenção

(incluindo modernização, ampliação de

valores e da política de acesso), e alteração

de canal e formato de distribuição.

Esses três pontos serão debatidos em uma

reunião da cátedra da ANSP no final de

novembro, que pretende levar propostas

mais detalhadas aos órgãos competentes.

O primeiro ponto contempla adotar

um seguro agrícola referencial, que

seja conhecido pelo mercado e todos

os envolvidos na cadeia de produção.

Ou seja, similar ao que acontece com a

saúde suplementar: a legislação define

uma cobertura obrigatória em função da

assistência prestada, gerando segmentos

específicos, e o consumidor pode contratar

um ou mais segmentos (inclusive

combinados entre si), de acordo com o

que for mais conveniente, e oferecer melhores

vantagens. “A partir desse referencial,

a sugestão é que o governo destine

mais dinheiro da subvenção para quem

contratar acima. Tem que ter uma política

que estimule a amplitude de cobertura”,

diz o coordenador da cátedra da ANSP.

A segunda proposta vai na linha

da anunciada pela CNA, que envolve

uma revisão da política de subvenção,

direcionando mais verba para o seguro e

reduzindo para o crédito, além de rever os

critérios, permitindo o acesso aos grandes

produtores também. Dessa forma, haveria

maior equilíbrio entre riscos ruins e bons,

uma vez que a melhor performance de

risco está nos maiores. “Se focar somente

nos pequenos, está focando em risco

ruim, com muitas perdas, chegando a

taxas muito altas de seguro. Se não atrair

os grandes, não vai conseguir melhorar o

risco”, ressalta Souza.

O terceiro ponto é qualificar os

canais de distribuição, o que inclui melhorar

a orientação dada ao produtor, por

exemplo, independentemente se a venda

for feita no banco, junto com o financiamento,

ou por corretores independentes.

“Em 2018, um terço das indenizações

não foi pago porque o produtor plantou

fora da época estipulada nas regras para

cada cultura em cada região. Se plantou

depois, não devia nem ter feito o seguro”,

exemplifica.

A qualificação necessária para atuar

neste ramo é um dos entraves apontados

por Hailton Costa, corretor e diretor de

Comunicação do Sincor-GO, para elevar

o interesse dos corretores. “É um ramo

muito delicado, precisa de muito estudo,

demanda muito tempo e envolve viajar

muito, além de esbarrar na falta de cultura

dos produtores em buscar este tipo de

seguro. Na nossa região eles contratam

para os veículos, para a casa, mas não

para a lavoura”, elenca. Contudo, diante

da perspectiva de crescimento do agronegócio

e da sinalização do governo em

valorizar o mercado, com o aumento da

subvenção para o seguro rural, ele conta

que o Sindicato tem feito um trabalho

direcionado para reduzir a resistência da

categoria. Isso porque um profissional em

❙❙

Leandro

início de carreira, que ainda está formando

sua carteira de clientes, geralmente

acaba focando nas vendas de seguro auto

porque é o que propicia o retorno mais

rápido – afinal, o segmento só perdeu para

o ramo de Pessoas em 2018 entre os que

registraram maior volume de prêmios

diretos, segundo a Susep (32% e 33%, respectivamente).

Por isso, o esforço do Sincor

tem sido em mostrar as mudanças do

mercado, as possibilidades tecnológicas

e de rentabilidade propiciados pela área.

Falando em rentabilidade, uma seguradora

que tem obtido êxito no ramo do

agronegócio é a Sancor. Tradicional no

ramo há décadas no seu país de origem,

a Argentina, em 2018 se consolidou como

a 2ª seguradora em vendas de seguro de

lavouras agrícolas do Brasil. Mesmo com

o elevado volume de sinistros registrado

no período (foram pagos R$ 223,8

milhões considerando todos os ramos

trabalhados), reflexo dos eventos de seca

da cultura de milho no sul do Brasil, a

companhia cresceu, tendo alta de 23%

nos prêmios totais emitidos. “Os prêmios

de seguro cresceram nos últimos 4 anos

sempre em dois dígitos, um crescimento

que segue alinhado com o subsídio do

governo”, comenta o diretor geral, Leandro

Poretti. Segundo ele, a ampliação da

subvenção recentemente anunciada abre

uma perspectiva de negócios muito boa os

próximos anos. Além disso, a seguradora

está desenvolvendo um novo produto para

o produtor, previsto para estar no mercado

no final de 2020, que não só proteja os

principais cultivos contra as intempéries

climáticas, mas também contra a volatilidade

dos preços de commodities.

Poreti, da Sancor 35


aniversário | seguros unimed

30 anos dedicados

ao cooperativismo

Adelson Severino Chagas; Tajumar Custódio Martins, Helton Freitas, Luiz Paulo Tostes Coimbra e Agenor Ferreira da Silva Filho

Seguradora busca novos horizontes,

aproveitando a sua vocação de nascimento

na área médica, para oferecer seus produtos

para 18 milhões de clientes

Quando nasceu, em 1989, alguns

visionários do Sistema

Unimed perceberam a necessidade

de estender a proteção

da saúde a outro nível, oferecendo também

a cobertura do seguro para os seus

cooperados. Assim, a Seguros Unimed

Kelly Lubiato

– seguradora cooperativista do Sistema

Unimed - passou a ofertar produtos

de vida e evoluiu para outros segmentos,

como Previdência Privada, Saúde,

Odontologia e Ramos Elementares,

com ênfase nos produtos de Responsabilidade

Civil Profissional. Em 2018, a

seguradora teve um faturamento de R$

3,26 bilhões, com crescimento de 11,5%,

comparado ao mesmo período de 2017.

30 anos é uma idade que reúne a experiência

de vida com o arrojo da juventude

e a procura por novas experiências.

“A Seguros Unimed se renovou ao longo

do tempo e vislumbra onde pode crescer

ainda mais”, completa o presidente da

seguradora, Helton Freitas. O aniversário

da empresa é comemorado pelos seus 1,2

mil colaboradores, distribuídos em 22

escritórios regionais, além da Matriz e da

Central de Relacionamento. A companhia

possui cerca de 6 milhões de clientes,

nasceu focada no Sistema Unimed, mas

36


também se tornou especialista em soluções

em seguros para os setores cooperativista

e da saúde. “É uma seguradora

especialista em mercados específicos e

nós queremos ser reconhecidos como

a ‘seguradora’ destes segmentos”, avisa

Helton Freitas.

O Sistema Unimed, hoje, conta com

345 cooperativas espalhadas pelo País,

de vários portes diferentes. “A seguradora

difere do modelo de negócios

cooperativista, mas mantém a essência

do cooperativismo em seu DNA e na

forma de fazer negócios. Hoje a empresa

está bem estabelecida, com uma holding

controladora, em formato de sociedade

anônima”, explica Freitas. A seguradora

possui cinco linhas de negócios: vida e

previdência, saúde, ramos elementares,

odontologia e a Investcoop - empresa

de gestão de ativos, recém-criada (veja

box ao lado).

Esta é uma trajetória de crescimento

robusto, de evolução conceitual importante

que a Seguros Unimed teve até

agora, mas que, daqui em diante, tem

um potencial muito maior, superando

os paradigmas por estar no sistema

cooperativo. Independente da retomada

econômica brasileira, Freitas acredita

que haja um longo caminho a ser percorrido

no setor de seguros, que ainda

tem uma penetração muito aquém do seu

potencial. “A indústria do seguro tem um

papel fundamental numa economia em

desenvolvimento e evolução. É natural e

inerente ao processo de desenvolvimento

econômico que a gente aumente a participação

do mercado de seguros no PIB

nacional”, afirma o presidente.

Ele conta com a estimativa de especialistas

que mostram que o setor de

seguros ocupa apenas 50% do espaço

esperado para o tamanho da economia

brasileira. “Portanto, é um setor que

vai crescer independente das condições

econômicas”, antecipa, apostando na

reforma da previdência e na reforma

tributária como gatilhos capazes de

disparar o investimento privado no País,

o que diminui as taxas de desemprego e,

consequentemente, aumenta o consumo.

Por isso, a seguradora está investindo

fortemente em sua expansão, tanto em

termos de áreas de atuação quanto de

produtos. Desde que assumiu, Freitas

estipulou três focos de negócios para

sustentar a estratégia de crescimento da

seguradora: cooperativas Unimed (que

é bastante natural); setor cooperativista,

principalmente os balcões do cooperativismo

de crédito; e um terceiro segmento,

o da saúde. “Por sermos egressos da

saúde, este segmento dialoga fortemente

com nosso negócio”, explica Freitas.

Seguros Unimed lança sua

gestora de recursos própria

Em agosto, entrou em funcionamento

a InvestCoop Asset Management,

nascida com o objetivo de

atender as cooperativas do Sistema

Unimed, oferecendo soluções de investimento

mais adequadas às características

das operadoras de planos de saúde.

Estima- se que todo o Sistema Unimed

possua cerca de R$ 15,9 bilhões em reservas

técnicas (reguladas pela ANS) e

livres. A gestora já iniciou as operações

com um patrimônio de cerca de R$ 1,7

bilhão da própria seguradora, por meio

de uma carteira administrada.

Fábio Gomes de Oliveira, diretor

de Investimentos da InvestCoop, disse

que a intenção é trazer mais profissionalização

e governança na gestão dos

recursos do Grupo Seguros Unimed

(Unimed Seguradora, Unimed Seguro

Saúde, Unimed Patrimoniais e Unimed

Odonto). Estas empresas, que fazem

parte do sistema auxiliar do sistema

cooperativo Unimed, possuem seus

próprios investimentos da ordem de R$

4 bilhões, sendo R$ 2 bilhões em reservas

técnicas e outros R$ 2 bilhões em

planos de previdência. “Nós optamos

pela constituição de uma empresa de

asset management porque havia esta

opção ou colocar uma área de investimento

nas empresas”.

A criação da InvestCoop veio com

o objetivo de oferecer novas possibilidades

de investimento para todo o

Sistema. A vantagem de ter uma asset

management própria é contar com

uma equipe especializada na gestão

de fundos de investimentos. “Esta empresa

permite que formemos fundos

de investimento idealizados para os

nossos clientes que, neste primeiro

plano, são as operadoras de saúde do

sistema cooperativista médico da Unimed

e outras cooperativas”, anuncia o

diretor de investimentos.

Adicionalmente, a empresa deve

possuir produtos competitivos em

um mercado que já conta com outras

590 assets, para que a cooperativa

cliente entenda que a rentabilidade

será melhor. Desde agosto de 2019,

a InvestCoop passou a ser a gestora

dos investimentos do Grupo Seguros

Unimed, seguindo toda a política de

investimento da seguradora. “O próximo

passo, que já está disponível no

mercado, é o produto Unimed InvestCoop

ANS III, um produto dedicado

ao sistema de saúde suplementar, destinado

a reservas técnicas, e já temos

clientes em fase de abertura de contas”,

comemora Oliveira.

37


seguros unimed

A partir de agora a Seguros Unimed

pretende focar na especialização

em relação aos produtos. “Temos que

ser especialistas para estes segmentos.

Não posso ser mais uma seguradora de

saúde ou mais uma seguradora para as

Unimeds”, antecipa o presidente.

Além disso, pela questão da marca e

pela forma de como o sistema de saúde

suplementar está se organizando no país,

não há como desvincular o seguro saúde

da Seguros Unimed. “A marca Unimed é

muito ligada à saúde e a seguradora tem

uma operação muito reconhecida, sob o

ponto de vista da qualidade operacional,

de atendimento e de custo, porque temos

uma gestão pautada pela eficiência”,

explica Freitas.

Cuidado no ambiente digital

Como parte da sua estratégia

de transformação digital, a seguradora

lançou recentemente a sua

plataforma cooperativa de bem-

-estar e serviços. A novidade foi

desenvolvida pela Stormia, célula

de inovação digital da companhia.

Construída em tecnologia aberta,

a ferramenta pode ser utilizada por

todo o Sistema Unimed e já nasce

integrada à nova Corretora Digital,

criada em parceria com a Unimed

Participações.

Mais do que um aplicativo, a

plataforma pretende ser um espaço

de interação entre a Unimed e seus

cooperados e clientes, fortalecendo

o relacionamento e gerando potencial

para novos negócios. O modelo

que sustenta a plataforma permite

que as vendas geradas junto aos

clientes se transformem em ganhos

adicionais para as Unimeds, fomentando

a cooperação.

A plataforma está estruturada

em três frentes. A primeira delas é a

“Minha Unimed”, totalmente personalizável

com a marca da cooperativa,

contendo serviços e informações

aos seus clientes sobre os produtos

contratados. A segunda se volta propriamente

ao conceito de bem-estar

e saúde, com conteúdos interativos e

“gamificados” para estimular hábitos

saudáveis e adequados ao perfil de

cada usuário. Finalmente, um market

place oferece serviços diversificados

e alinhados aos objetivos do desenvolvimento

sustentável.

“O objetivo é ter um canal de

produtos digitais que também torne

acessível uma série de informações,

atualmente fragmentadas e dispersas

no ambiente on-line, como

o cartão digital do seguro-saúde,

acesso georreferenciado à rede de

atendimento, extrato de utilização,

boletos, além de orientações gerais

para promoção da saúde”, detalha o

superintendente de Informação, Inovação

e Novos Negócios da Seguros

Unimed, Fábio Leite Gastal.

A plataforma Stormia também

contempla a Corretora Digital Unimed,

que já disponibiliza a venda

de planos odontológicos e seguro

residencial. Em breve, o usuário

também poderá adquirir produtos

da Seguros Unimed nos ramos de

Vida e Previdência Privada.

“Se eu sou especialista

em médicos, tenho

que pensar no que este

profissional consome:

vida, previdência, saúde,

responsabilidade civil

etc. Temos que compor

este combo de maneira

competente, para ofertar

uma solução de fato, com

uma construção mais

integralizada”

Produtos

Helton Freitas

Mesmo com a ligação direta aos

produtos de saúde, a Seguros Unimed

está atenta para outras carteiras. Em

seguro de vida, além dos produtos coletivos

e daqueles voltados para clientes e

colaboradores das Unimeds, cooperadas

e participantes de processos licitatórios,

há também uma nova fatia de consumidores.

“Vemos um grande potencial no

seguro de vida individual com prêmio

alto, daquelas pessoas que buscarão uma

alternativa após a reforma da previdência”,

avisa Freitas.

Para ele, as pessoas precisam se

proteger, basicamente, de dois riscos: de

morrer cedo ou de viver muito. Para a

38


morte, a proteção ideal é um bom seguro

de vida. Já para o risco da longevidade, é

preciso pensar em planos de previdência

complementar. “Estamos discutindo a

formatação de um produto no qual as

duas coberturas interajam, um modelo de

Universal Life capaz de cobrir a cadeia

completa”, adianta o presidente da Seguros

Unimed, de olho no público formado

pelos cooperados das Unimeds.

A Seguros Unimed também é instituidora

de um fundo fechado multipatrocinado,

o Multicoop. Freitas explica

que este produto tem também um grande

potencial para desenvolvimento, podendo

envolver tanto os cooperados quanto

seus colaboradores.

Os produtos PGBL e VGBL já estão

disponíveis na prateleira da seguradora.

Sua comercialização também pode ser

feita nos balcões do Sistema Unimed e

das cooperativas, com grande potencial

de crescimento, principalmente entre os

clientes do sistema. Freitas acrescenta

que, por sua característica de estar próxima

aos médicos, a Seguros Unimed tem

oportunidades de oferecer mais produtos

a estes profissionais.

Deixando de lado o seguro de automóvel,

que não faz parte do core business

da companhia, a seguradora quer reforçar

a comercialização de seguro residencial

e empresarial para seus clientes. “Se eu

sou especialista em médicos, tenho que

pensar no que este profissional consome:

vida, previdência, saúde, responsabilidade

civil etc. Temos que compor este combo

de maneira competente, para ofertar

uma solução de fato, com uma construção

mais integralizada”, constata Freitas.

Entretanto, vale observar que há uma

mudança de padrão de comportamento

do consumidor em relação à questão

da desintermediação. “Neste momento,

atingimos com muita força os médicos

cooperados do Sistema Unimed e temos

oportunidades para ampliar a presença

na ponta do sistema, que é o beneficiário.

São 18 milhões de pessoas no total”,

antecipa o executivo.

“O setor da saúde passa por um

processo disruptivo muito forte, com as

healthtechs e outras tecnologias, como

inteligência artificial, wearables, internet

das coisas. Há também as fintechs e

Inovação e tecnologia para

evoluir em odonto

Com foco na melhoria contínua de

seus serviços, a Unimed Odonto vem

investindo consistentemente em inovações

como o Guia Unimed Odonto,

um aplicativo para o beneficiário que

facilita sobremaneira a forma como

este se relaciona com o plano.

Fabio Nogi, gerente de Estratégia

Comercial e de Provimento Odonto,

explica que a empresa se pauta na inovação

e na tecnologia para alavancar o

seu crescimento.Em agosto, a empresa

registrou crescimento de 29% em relação

ao ano anterior, atingindo a marca

de 452 mil vidas.

Para sustentar este aumento, as

aplicações tecnológicas são fundamentais.

Nogi conta que ao acessar

o app para procurar um profissional,

o usuário recebe informações baseadas

nos melhores indicadores assistenciais.

“Depois do atendimento, o

consumidor pode fazer a sua avaliação

do profissional, alimentando a inteligência

artificial do app”. Por outro

lado, o gerente verifica a importância

de manter um contato muito próximo

com os prestadores de serviço, uma

característica do Sistema Unimed.

Para agilizar o atendimento, todas

as aprovações de serviços são realizadas

totalmente online. 95% dos procedimentos

são aprovados automaticamente,

baseados em informações

pré-analisadas pelo sistema. “Os casos

de ortodontia e próteses são os mais

demorados e podem levar até 48h

para serem aprovados”, avalia Nogi.

Também há o programa Odonto360,

que oferece uma série de

as insurtechs que formam três grandes

drivers de inovação, por isso queremos

nos inserir neles”, revela Freitas. Pensar

em inovação, em posicionamento, em

desenvolvimento, em estruturação de

plataformas é algo estratégico para o

sistema neste momento.

Freitas acredita que o maior desafio

benefícios e descontos para materiais

de consumo, aquisição de seguros da

Seguros Unimed, previdência privada,

seguro de vida e outros serviços,

porque a empresa se preocupa efetivamente

com a fidelização da rede

credenciada.

Como resultado da recente parceria

estabelecida com a cooperativa

odontológica Dental Uni, Nogi destaca

a relevante ampliação da capacidade

de atendimento e destaca a convergência

de valores que trará vantagens

significativas para os clientes e prestadores.

“Ao final deste ano toda a nossa

rede deve estar integrada e seremos

uma das operadoras odontológicas

com maior capilaridade de rede,

mantendo a proposição de relacionamento

próximo e diferenciado com o

prestador”, classifica Nogi.

será o da transição. “Temos uma grande

seguradora, mas há um movimento em

curso. O êxito fundamental é que a gente

consiga fazer a transição de forma competente

e eficaz. Se fizermos, saíremos

ainda maiores lá na frente. Temos que sair

de um modelo tradicional para sermos

ainda mais modernos”, completa.

39


evento | saúde

Fenasaúde quer mudanças

na legislação para flexibilizar

contratação de produtos individuais

Entidade organizou o 5º Fórum da Fenasaúde

em Brasília, com o objetivo de se aproximar dos

legisladores. Ministro da Saúde afirma que leis

precisam ser revistas

O

Ministro da Saúde, Luiz

Henrique Mandetta, afirmou

que a legislação de saúde

precisa de mudanças para

que se acerte a assimetria do atendimento.

Para ele, a lei 9656/98 foi pensada tendo

em vista os estados da região Sudeste.

“Saímos de uma situação em que não

havia nenhuma ordem para a regulação

extrema. A Agência Nacional de Saúde

Suplementar já fez o trabalho de depurar

e deixar apenas as empresas que têm condições

de competir. Agora, elas precisam

de condições para a concorrência”.

Mandetta foi um dos palestrantes

do 5º Fórum da Fenasaúde, evento que

Kelly Lubiato, de Brasília

reuniu cerca de 300 pessoas em Brasília,

para discutir os rumos da Saúde Suplementar

e as formas de manter o negócio

sustentável. Mandetta ressaltou que o

papel do Governo é mediar as normas e

regras que guiam o sistema suplementar,

evitando os conflitos entre consumidores,

empregadores, prestadores de serviços e

os stakeholders do sistema. “Na busca

deste ponto de equilíbrio, o Governo quer

manter o seu papel número 1, de respeito

ao cumprimento dos contratos firmados”,

declarou Mandetta. Ele reconheceu a

importância da Agência Nacional de

Saúde Suplementar no zelo ao equilíbrio

financeiro das operadoras. “Entretanto,

estas regras vão imobilizando o capital

das operadoras, com contingenciamento

para reservas, multas etc”.

O Ministro afirmou que o Governo

estuda a nova formulação do Consu

- Conselho de Saúde Suplementar - órgão

colegiado deliberativo, de natureza

permanente, criado pela Lei n.º 9656 de

03 de junho de 1998, que tem por finalidade

atuar na definição, regulamentação

e controle das ações relacionadas

com a prestação de serviços de saúde

suplementar nos seus aspectos médico,

sanitário e epidemiológico. O Consu,

originalmente, era formado pelo Ministro

da Saúde, da Fazenda, da Justiça,

pelo superintendente da Susep e pelos

secretários de Assistência à Saúde e de

Políticas de Saúde.

“Como muitos destes postos estão

envolvidos em poucas repartições, ainda

discutimos como formá-lo com efetividade

com diferentes olhares de partícipes do

Governo. Enquanto isso, estamos abertos

a todos os setores, a todos aqueles que

40


fazem parte e tem o dever de observar e

olhar para dar suas sugestões, mostrando

o que é parte da Lei e o que é material

infralegal, para adequar o setor à nova

realidade”, disse Mandetta.

Na parte infralegal, há pontos que

podem ser alterados para dar leveza,

agilidade e concorrência, para beneficiar

o consumidor com extensão de serviços

e rede. O Ministro disse que a lei 9656

é engessante, em um país com tantas

assimetrias que precisam ter um olhar diferenciado,

porque somos um país muito

diferente e o que serve para um pode não

ser o melhor para todos.

As declarações do Ministro dão

sinais do que vem pela frente, com a provável

flexibilização de algumas normas

para estimular a criação e distribuição

de planos de saúde individuais, um dos

maiores desafios do mercado de saúde. O

evento contou também com a participação

do secretário especial de Previdência

e Trabalho, Rogério Marinho, e de vários

deputados ligados ao setor de saúde.

Mais saúde

A Fenasaúde apresentou, a agenda

Mais Saúde, com uma série de medidas

com o objetivo de trazer novos usuários

para a saúde suplementar. João Alceu

Amoroso Lima, presidente da entidade,

disse que não haverá segmentação

dos novos planos de saúde por doença,

mas por terapias. Vera Valente, diretora

executiva da Fenasaúde, reafirmou que

a proposta da entidade é ter o foco na

prevenção. “O projeto foca na Atenção

João Alceu Amoroso Lima e Vera Valente

Luiz Henrique Mandetta,

Ministro da Saúde

Primária à Saúde, com melhor acesso

com mais qualidade para o usuário. O

equilíbrio econômico-financeiro pode

acontecer com a volta dos planos individuais,

com reajustes definidos a partir da

variação dos custos assistenciais e a volta

do escalonamento de aumentos por mais

faixas etárias, com reajustes acima das

faixas de 60 anos”, explicou.

Lima acrescentou que estes reajustes

seriam escalonados a partir dos 59 anos,

que nesta faixa podem chegar a 60%.

“Não seria melhor ter um aumento de

15% aos 59 anos, 15% aos 65 anos, 15%

aos 75 anos e 15% aos 80 anos?, questionou.

Para ele, esta seria uma forma de

diminuir a saída de pessoas idosas dos

planos nesta virada dos 59 anos. Entretanto,

isso depende de legislação específica.

Vera, em sua apresentação, disse que

a modulação das coberturas, com maior

rigor regulatório para coibir e punir

abusos; racionalização da assistência,

para evitar excesso de exames, com

conscientização do uso por prestadores

e consumidores, são sugestões do Mais

Saúde. A agenda também sugere que os

novos modelos de remuneração retirem

o Fee for Service, migrando para a medicina

baseada em valor, com melhores

desfechos para o paciente.

“Por último, a incorporação de novas

tecnologias, com mais critérios de custo-

-efetividade, com os mesmos critérios

utilizados no SUS, seria uma forma de

conter os custos, o que traz mais competitividade

para o setor”, acrescentou Vera.

Lima lamentou que nas últimas semanas

criou-se um "mundo imaginário"

na mídia com a notícia de que havia um

documento secreto entregue aos parlamentares.

“Não existe nenhum documento

ou negociação paralela escondida,

com fim dos direitos dos consumidores,

eliminação do atendimento a doentes

crônicos etc. Isso não vale nada.”

O último documento foi entregue em

2015, com muitos pontos que já foram

colocados em pauta. “Temos falado de

modulação/ segmentação, que tem sido

entendida de maneira errada. Não existe

projeto para barrar enfermidades dos

planos. Há subsegmentações nos modelos

existentes, ambulatorial, hospitalar e com

ou sem obstetrícia. Há distorções que

ainda tiram o conforto do consumidor.

Sugerimos dividir estes módulos para

que as pessoas possam comprar planos

que cubram apenas exames ou consultas

etc”, afirmou Lima.

Lima ressaltou que o setor não tem

a ambição de resolver os problemas do

SUS, mas quer trazer iniciativas que

possam desafogá-lo, integrando-se a

ele. Ele acredita que com as coberturas

modulares precisará ser discutido como

será o ingresso dos beneficiários no SUS

após ter o diagnóstico no setor privado.

“Este é o maior desafio”, alertou Lima,

acrescentando que “a segmentação por terapia,

que causou grande movimentação

na mídia, é para que as pessoas modulem

seus produtos de acordo com a necessidade,

por exemplo, pela classificação de

terapias. Não haverá segmentação por

doenças”.

41


comunicação e expressão

por J. B. Oliveira*

Entendeu? ...

ou quer que eu desenhe?

Basta que a pessoa faça cara de “como é que é

mesmo? ” para que a outra sapeque essa perguntinha

marota!

É fato que uma explicação com ilustração fica

bem mais fácil de ser assimilada. Como dizem os

orientais, “uma figura vale mais do que mil palavras”.

É também indiscutível que se tivermos três opções diferentes

de um mesmo livro, uma só com texto, outra

com texto e gráficos e uma terceira com ilustrações,

preferiremos a última.

Tenho dito, em cursos e palestras de Oratória

Moderna, que a ilustração – gráfica ou de palavras,

como historietas, parábolas, fábulas etc. – funciona

como janelas em um edifício. Um cômodo sem elas

é sombrio, pesado. As janelas, por sua vez, dão-lhe

iluminação e ventilação, tornando-o leve e agradável.

Nos dias atuais, sempre que nos deslocamos

para lugares desconhecidos ou pouco conhecidos,

usamos o Waze para ir apontando-nos o caminho,

com indicações para seguir em frente, virar à direita

ou à esquerda, dando ainda, por cores, orientações

quanto às condições do tráfego: mais congestionado,

menos intenso etc.

Embora, em princípio, todas as pessoas apreciem

informações com ilustração, umas gostam mais do

que outras, e isso está diretamente ligado ao seu canal

neurolinguístico de comunicação predominante.

A PNL – Programação Neurolinguística – nos

diz que temos, todos, três canais neurolinguísticos

distintos: sinestésico, auditivo e visual, com os quais

nos conectamos com o mundo. Normalmente um

deles prevalece sobre os demais, sobrepondo-se a

eles sem, contudo, neutralizá-los. A característica do

visual é a facilidade de assimilar e reter o que vê. Ao

entrar em uma sala, num relance, grava detalhes como

localização de portas e janelas, tipo de equipamentos

e objetos nela contidos, sua disposição, quantidade

etc. Basta olhar um cartão de visitas e já identifica

logotipo, cores, número do telefone e por aí afora. Usa

palavras como “veja bem”; “é claro”; “é evidente” e

outras tantas ligadas direta ou indiretamente à visão.

Para os visuais, uma ilustração é uma bênção!

O auditivo marca-se pela preferência por comunicações

faladas. Se lhe derem uma instrução escrita,

ele a lê e, em seguida pergunta: “o que é para eu fazer?”

“Ora”, vai ser a resposta, “Isso que você acaba

de ler!”. Quando estuda um ponto ou matéria, lê em

voz alta, para ouvir – e assim gravar na mente – o

objeto da leitura.

Já para o sinestésico, a emoção, o sentimento e

os sentidos dão a tônica, especialmente o olfato, o

paladar e o tato. Ao chegar em casa, no fim do dia,

vai direto à cozinha, destampar as panelas e sentir o

cheirinho do que está sendo feito. A par disso, gosta do

calor humano, da proximidade física e da sensação de

conforto. Não liga a mínima para a estética – é capaz

de um conjunto de roupas com as cores mais díspares

e conflitantes entre si, desde que sejam confortáveis –

pois valoriza o bem-estar e o conforto físico.

Pelo pouco aqui descrito, deu para concluir que

a mulher, é, em princípio, muito mais visual do que

o homem! Num piscar d’olhos, ela vê, grava e retém

e entende TUDO.

E ele? Entendeu? ... ou é preciso que desenhe?

* J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.

É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras

www.jboliveira.com.br – jboliveira@jbo.com.br

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