Revista da Sociedade NOVEMBRO 28p - semcorte

revistaordem

REVISTA

DA SOCIEDADE

GESTÃO 2019/2020

DESDE 1967 | NOVEMBRO | 2019

ASSOCIAÇÃO DOS ENGENHEIROS, ARQUITETOS

E AGRÔNOMOS DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO

REVOLUÇÃO

5G

5ª geração da internet móvel promete

o maior avanço tecnológico da história

MOBILIDADE

Futuro do trânsito de

São José do Rio Preto

RENOVAÇÃO

Conheça a atuação

do CREA-SP Jovem

SUSTENTABILIDADE

Biocombustíveis:

O ‘pré-sal verde’


02 Revista da Sociedade


Palavra da Diretoria

ATUALIZAR-SE É

IMPRESCINDÍVEL

Conforme reportagem que a Revista

da Sociedade traz neste mês, em sua seção

de tecnologia, o mundo vive a expectativa da

chegada da 5ª geração da internet móvel. A

conexão 5G promete revolucionar o modo que

vivemos. Por meio da nova internet o processo

de evolução tecnológico dará o maior salto já

registrado na história da humanidade.

Com previsão de entrar em funcionamento

até o final deste ano em alguns países, a conexão

5G deve chegar ao Brasil somente depois de

2021, quando boa parte do mundo já estiver

desfrutando dos avanços que a tecnologia

permitirá à indústria.

Se o atraso brasileiro na chegada do sistema

5G é fato consumado e, inclusive, já anunciado

pelas principais operadoras de internet móvel

que atuam no país, cabe a nós, profissionais de

engenharia, estarmos devidamente atualizados

para que, no momento seguinte à implantação da

tecnologia, tenhamos condições de impor como

objetivo a recuperação do tempo perdido.

A atuação da Associação dos Engenheiros,

Arquitetos e Agrônomos de São José do Rio Preto

é pautada exatamente na realização de atividades

que permitam aos associados buscarem cada vez

mais informação e conhecimento, para que assim

sintam-se preparados para encarar os desafios

deste mundo novo prestes a bater à nossa porta.

Exemplo disso foi o seminário

Biocombustíveis: A nova realidade do Brasil.

Realizado no mês passado em parceria com a

Ubrabio e apoio do CREA-SP e da Revista

da Sociedade, o evento é tema da seção de

sustentabilidade desta edição.

A edição de novembro traz ainda um

giro fotográfico pela Festa do Agrônomo, que

animou as dependências da sede da associação,

além de uma entrevista com Amauri Hernandes,

secretário de Trânsito, Transportes e Segurança

de São José do Rio Preto, sobre os desafios

enfrentados em uma das cidades com maior

índice de motorização do Brasil.

Uma ótima leitura!

César Antônio Vessani, engenheiro civil,

presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos

e Agrônomos de São José do Rio Preto – SP.

Revista da Sociedade 03


ÍNDICE

03 - Palavra da Diretoria

Atualizar-se é imprescindível

06 - Tecnologia

O mundo da nova internet

09 - Engenharias

Engenharia clínica

12 - Entrevista

Mobilidade humana

18 - Sustentabilidade

Biodiesel: o pré-sal verde

21 - CREA-SP Jovem

De olho no futuro

26 -Engenharia de Custos

A Engenharia de Custos e a Análise de

Conformidade de Preços (Parte 2)

GESTÃO 2019/2020

Engenheiro Civil

Paulo Henrique da Silva

1º Vice-Presidente

Engenheiro Civil

Lucas Tamelini

1º Secretário

Engenheiro Agrônomo

Carlos Henrique Ravacci Pires

1º Tesoureiro

Arquiteto

Marco Antônio Miceli

Diretor de Sede

Arquiteto

Antônio Sérgio Agustini

Diretor Cultural

REVISTA

DA SOCIEDADE

ASSOCIAÇÃO DOS ENGENHEIROS, ARQUITETOS

E AGRÔNOMOS DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO

Composição nova diretoria biênio

janeiro 2019 - dezembro 2020

Diretoria

Engenheiro Civil

Cesar Antônio Vessani

Presidente

Engenheiro Agrônomo

Maurício Tucci Marconi

2º Vice-Presidente

Engenheiro Eletricista

Fábio Henrique dos Reis

2º Secretário

Eng. Metalurgista e de Segurança

Ricardo Scandiuzzi Neto

2º Tesoureiro

Engenheiro Civil

Rogério C. Azevedo Souza

Diretor de Esportes

Engenheiro Civil

Renato Luis Grollla

Diretor Social

Expediente

Diretor de Produção

Vergílio Dalla Pria Jr.

Diretor de Arte

Thiago Dantas

Diretor de Jornalismo

Marcelo Ferri | MTB: 39.205/SP

Colaboração

Michelle Monte Mor | MTB: 31.925/SP

Fotografia

Editora

Impressão

Gráfica São Sebastião

Distribuição

Editora

Tiragem

15.000 exemplares

Publicação mensal

Mídias Sociais

socengriopreto

sociedade.engenheiros

A Revista da Sociedade é uma publicação mensal

da RP Industria Gráfica e Editora em Parceria da

Associação do Engenheiros, Arquitetos e

Agrônomos de São José do Rio Preto.

Associação dos Engenheiros

Rua Raul Silva, 1417, Nova Redentora

CEP 15090-260

São José do Rio Preto/SP

www.sociedadedosengenheiros.com.br

Fone: (17) 3227-7000

RP Indústria Gráfica e Editora

Rua Ângelo Fabrini, 377 - Jardim Urupes

São José do Rio Preto/SP - CEP 15051-325

Fone: (17) 3215-0700

(17) 99775-3383

04 Revista da Sociedade


RESOLUÇÃO Nº 1.119, DE 27 DE SETEMBRO DE 2019

Institui o Regime de Recuperação e Equilíbrio Financeiro

(RREF) no âmbito do Sistema Confea/Crea.

O CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA

- CONFEA, no uso das atribuições que lhe confere a alínea “f”

do art. 27 da Lei nº 5.194, de 24 de dezembro 1966, e

Considerando os arts. 28 e 35 da Lei nº 5.194, de 1966, e o art.

11 da Lei nº 6.496, de 7 de dezembro de 1977, que dispõem

sobre as rendas do Confea, dos Creas e da Mútua;

Considerando a Lei Complementar n° 101, de 4 de maio de

2000, que estabelece normas de finanças públicas voltadas

para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências;

Considerando o disposto no Acórdão nº 341/2004 – Plenário,

do Tribunal de Contas da União - TCU, que determina aos conselhos

de fiscalização profissional observar as normas gerais

e princípios que norteiam a gestão pública responsável, com

destaque para o art. 1º, § 1º, da Lei Complementar nº 101, de

2000, que dispõe sobre a ação planejada e transparente que

possa prevenir riscos e corrigir desvios capazes de afetar o

equilíbrio de suas contas;

Considerando o Relatório de Fiscalização exarado pelo Tribunal

de Contas da União – TCU, nos autos do Processo TC

nº 023.357/2017-7, que trata de auditoria no Confea, com o

objetivo de verificar a regularidade das despesas e outros aspectos

da gestão, notadamente o grau de alcance da missão

finalística daquele órgão;

Considerando o disposto no Acórdão nº 1925/2019 – Plenário,

do Tribunal de Contas da União – TCU, referente à fiscalização

de orientação centralizada (FOC), realizada para avaliar

os controles, as receitas, a regularidade das despesas com

verbas indenizatórias, as transferências de recursos para terceiros

e para prover um panorama sobre as atividades finalísticas

dos conselhos de fiscalização profissional (CFP);

Considerando a necessidade de reestruturação dos programas

do Sistema Confea/Crea visando propiciar o equilíbrio

financeiro dos Creas;

RESOLVE:

Art. 1° Instituir o Regime de Recuperação e Equilíbrio Financeiro

– RREF no âmbito do Sistema Confea/Crea com o objetivo

de propiciar o equilíbrio financeiro dos Creas que atenderem

aos requisitos desta resolução.

§ 1° O Regime de Recuperação e Equilíbrio Financeiro – RREF

será orientado pelos princípios da sustentabilidade econômico-

-financeira, da transparência das contas públicas, da confiança

nas demonstrações financeiras, da celeridade das decisões e

da unidade de ação entre o Confea e os Creas.

§ 2° O Regime de Recuperação e Equilíbrio Financeiro –

RREF envolve a ação planejada, coordenada e transparente

do Sistema Confea/Crea para retomar o equilíbrio das contas,

por meio da implementação das medidas emergenciais e das

reformas propostas no Plano de Recuperação, elaborado previamente

pelo Crea que desejar aderir a esse Regime.

Art. 2° O Confea fará a previsão em sua proposta orçamentária

anual de valores suficientes para o Regime de Recuperação e

Equilíbrio Financeiro – RREF, mediante estudo de impacto orçamentário-financeiro

e análise prévia da situação financeira/

orçamentária de cada Crea.

CAPÍTULO I

DO PLANO DE RECUPERAÇÃO

Art. 3° O Plano de Recuperação a ser apresentado pelo Crea

que desejar aderir ao Regime de Recuperação e Equilíbrio

Financeiro – RREF, deverá conter o diagnóstico em que se

reconhece a situação de desequilíbrio financeiro, o detalhamento

das medidas de ajuste, com os impactos esperados e

os prazos para a sua adoção.

§ 1º O diagnóstico de que trata o caput deverá conter informações

do Crea acerca de sua arrecadação, folha de pagamento

de pessoal, endividamento, restos a pagar e obrigações inadimplidas

e patrimônio.

§ 2º O detalhamento das medidas de ajuste deverá contemplar,

no mínimo, os seguintes itens:

I – cumprimento integral de seu plano de fiscalização;

II – lavratura de Termo de Cooperação Técnica com outros órgãos

públicos, voltado à fiscalização integrada;

III – redução do tempo médio de julgamento dos processos

éticos e de fiscalização profissional, pelas câmaras especializadas

e pelo Plenário;

IV – redução do número de processos éticos e de infração à

legislação profissional pendentes de julgamento;

V – implementação de cobrança de dívida ativa, através de

protesto do título e inscrição no Serasa (Centralização de Serviços

dos Bancos);

VI – implementação de cobrança das anuidades, não inscritas

em dívida ativa, a cada 3 meses, desde que o valor com as

despesas seja equivalente a no máximo 5% do valor passível

de arrecadação; e

VII – integração de dados finalísticos nos sistemas eletrônicos

disponibilizados pelo Confea.

CAPÍTULO II

DAS CONDIÇÕES PARA ADESÃO

Art. 4° Para aderir ao Regime de Recuperação e Equilíbrio Financeiro

– RREF o Crea deverá atender, cumulativamente, as

seguintes condições:

I – possuir valor projetado para as disponibilidades financeiras

inferior ao valor da dívida consolidada projetada para o período

estabelecido no Plano de Recuperação apresentado; e

II – possuir comprometimento da despesa de pessoal superior

a 50% (cinquenta por cento) da receita corrente operacional,

nos últimos 12 (doze) meses.

Parágrafo único. Para efeito desta resolução considera-se:

a) disponibilidade financeira: valores registrados ou projetados

no balanço patrimonial como Caixa e Equivalentes de Caixa;

b) receita corrente operacional: receitas correntes do Regional

excluídas as transferências correntes;

c) dívida consolidada: somatório do passivo circulante e não

circulante; e

d) despesa de pessoal: somatório dos gastos com os ativos,

os inativos e os pensionistas, relativos a cargos, funções ou

empregos, com quaisquer espécies remuneratórias, tais como

vencimentos e vantagens, fixas e variáveis, subsídios, proventos

da aposentadoria, reformas e pensões, inclusive adicionais,

gratificações, horas extras e vantagens pessoais de

qualquer natureza, bem como encargos sociais e contribuições

recolhidas pelo ente às entidades de previdência, inclusive os

valores dos contratos de terceirização de mão-de-obra que se

referem à substituição de empregados públicos, não sendo

computadas as despesas relativas a incentivos à demissão

voluntária.

Art. 5° A adesão ao Regime de Recuperação e Equilíbrio Financeiro

– RREF é permitida uma única vez a cada mandato

do presidente do Crea.

Art. 6° O Crea que tiver interesse em aderir ao Regime de Recuperação

e Equilíbrio Financeiro – RREF deverá encaminhar

requerimento, instruído com os seguintes documentos:

I – plano de recuperação conforme art. 3° desta resolução;

II – decisão plenária do Regional que aprova o plano de recuperação;

III – documentos contábeis e financeiros que comprovem o

diagnóstico em que se reconhece a situação de desequilíbrio

financeiro; e

IV – documentos comprobatórios da situação atual dos itens

no citados detalhamento das medidas de ajuste.

CAPÍTULO III

DA ANÁLISE E DECISÃO

Art. 7º Os requerimentos para adesão ao Regime de Recuperação

e Equilíbrio Financeiro – RREF serão analisados por

um grupo técnico, constituído por funcionários do Confea que

atuem nas áreas de auditoria, planejamento e concessão de

recursos, que avaliarão se:

I – o Crea atende as condições para adesão ao Regime de

Recuperação e Equilíbrio Financeiro – RREF;

II – a documentação apresentada atende às exigências desta

resolução; e

III – as ações e os prazos apresentados no plano de recuperação

são exequíveis e compatíveis com os impactos esperados.

Art. 8° A adesão ao Regime de Recuperação e Equilíbrio Financeiro

– RREF será decidida pelo Plenário do Confea após

análise técnica e jurídica e deliberação da comissão permanente

responsável pelo controle e sustentabilidade do sistema.

Art. 9° A assinatura do contrato de gestão dará início à vigência

do Regime de Recuperação.

Parágrafo único. O prazo de vigência do contrato de gestão

será de até 36 (trinta e seis) meses, podendo ser prorrogado

por mais 18 (dezoito) meses.

CAPÍTULO IV

DOS RECURSOS

Art. 10. O Confea disponibilizará ao Crea que aderir ao Regime

de Recuperação e Equilíbrio Financeiro – RREF o valor

proposto pelo grupo técnico, deliberado pela comissão permanente

responsável e aprovado pelo Plenário do Confea, observadas

a disponibilidade orçamentária e a situação financeira/

orçamentária do Crea respectivo, que deverão ser objeto do

prévio estudo de impacto orçamentário-financeiro.

§ 1° O recurso repassado pelo Confea será da modalidade não

reembolsável.

§ 2° A liberação do recurso será quadrimestral, após análise de

relatório pela área de auditoria do Confea, devendo o repasse

da primeira parcela ocorrer em até 30 (trinta) dias após a aprovação

do Programa de Recuperação e Equilíbrio Financeiro

- RREF apresentado pelo Regional.

CAPÍTULO V

DA SUPERVISÃO

Art. 11. O acompanhamento da execução do plano de recuperação

será realizado por meio de grupos de supervisão criados

especificamente para o Regime de Recuperação e Equilíbrio

Financeiro – RREF.

§ 1° O grupo de supervisão, será composto por 3 (três) membros

titulares, e igual número de suplentes, com experiência

profissional e conhecimento técnico nas áreas de gestão de

financeira, administrativa, contábil, orçamentária e jurídica, escolhidos

da seguinte forma:

I – 4 (quatro) empregados indicados pela presidência do Confea,

sendo 2 (dois) para atuarem como membros titulares, sendo

um obrigatoriamente da área de auditoria do Confea, que

coordenará o grupo, e 2 (dois) para atuarem como suplentes; e

II – 2 (dois) empregados indicados pela presidência do Crea,

sendo 1 (um) para atuar como membro titular, que ficará responsável

pelo envio de documentos e informações referentes

à execução do plano de recuperação, e 1 (um) para atuar

como suplente.

§ 2° Os membros do grupo de supervisão deverão ser obrigatoriamente,

empregados públicos efetivos do Confea ou do

Crea.

§ 3° As despesas do grupo de supervisão serão custeadas

pelo Confea.

Art. 12. Caberá ao grupo de supervisão:

I - monitorar o cumprimento do Plano de Recuperação e apresentar

à área de auditoria do Confea, trimestralmente, relatório

simplificado sobre a sua execução e sobre a evolução da

situação financeira do Crea, com vistas a apontar os riscos

ou a ocorrência de desrespeito às vedações citadas nesta resolução;

II - recomendar ao Crea providências e alterações no Plano de

Recuperação, com vistas a atingir as suas metas;

III – notificar a comissão permanente responsável pelo controle

e sustentabilidade do sistema nas hipóteses de indícios de irregularidades,

violação de direito ou prejuízo aos interesses das

partes afetadas pelo Plano de Recuperação; e

IV – analisar o relatório conclusivo, apresentado pelo Crea, no

prazo de até 90 (noventa) dias, contados da data de apresentação

da documentação pelo Crea.

Art. 13. O grupo de supervisão se reunirá, em caráter ordinário,

uma vez por mês, quando:

I – consolidará os trabalhos realizados pelos seus membros;

II – atualizará as projeções financeiras;

III – verificará o cumprimento das metas do Plano de Recuperação;

e

IV – atualizará seu relatório.

Art. 14. Os relatórios de acompanhamento bem como as

demais informações consideradas relevantes pelo grupo de

supervisão serão divulgados no sítio eletrônico do Crea, em

página específica dedicada ao Regime de Recuperação e

Equilíbrio Financeiro – RREF.

Art. 15. As competências do grupo de supervisão não afastam

ou substituem as competências legais do Confea e dos órgãos

federais de controle externo.

CAPÍTULO VI

DAS VEDAÇÕES

Art. 16. Durante a vigência do Regime de Recuperação e Equilíbrio

Financeiro – RREF é vedado ao Crea:

I – a concessão de aumento ou adequação de remuneração,

bem como a criação e majoração, a qualquer título, de vantagem,

de auxílio, de bônus, de abonos, ou de benefícios de

qualquer natureza, exceto aqueles provenientes de sentença

judicial transitada em julgado ou de acordo coletivo de trabalho

existente;

II – a alteração de plano de cargos e salários que implique

aumento de despesa;

III – a admissão ou a contratação de pessoal, sem aprovação

prévia do Plenário do Confea;

IV – a reposição de pessoal que acarretem aumento de despesa;

V – a criação de despesa obrigatória de caráter continuado

ou temporário sem aprovação prévia do plenário do Confea;

VI – a concessão ou a ampliação de incentivo ou benefício de

natureza tributária da qual decorra renúncia de receita;

VII – a celebração ou renovação de convênio, acordo, termos

de fomento, contratos ou outros tipos de instrumentos que

envolvam a transferência de recursos do Crea para terceiros,

sejam elas privados ou públicos, sem aprovação prévia do plenário

do Confea;

VIII – o empenho ou a contratação de despesas com comunicação,

publicidade e propaganda, com a utilização de recursos

próprios do Regional;

IX – a celebração de convênios, da qual resulte necessidade

de aporte de contrapartida financeira pelo Crea, sem aprovação

prévia do plenário do Confea;

X – a ampliação do número de conselheiros regionais, exceto

para garantia da representação mínima prevista na Lei n°

5.194, de 24 de dezembro de 1966;

XI – o custeio de qualquer despesa com viagens para participação

em congresso, simpósio, seminário, encontro ou qualquer

evento de valorização ou aperfeiçoamento cultural; e

XII – o custeio de qualquer despesa com viagens, para participação

em reunião ou evento institucional do Sistema Confea/

Crea, de mais de um representante ou funcionário do Crea,

sendo que as viagens da presidência ou dos conselheiros,

para fora da região geopolítica do Crea, necessitam obrigatoriamente

de prévia autorização do plenário do Confea.

CAPÍTULO VII

DO ENCERRAMENTO E DA EXTINÇÃO

Art. 17. O Regime de Recuperação e Equilíbrio Financeiro –

RREF será encerrado pelo plenário do Confea quando ocorrer:

I - o cumprimento das metas estabelecidas no plano de recuperação

com o consequentemente equilíbrio de contas; ou

II - o término da vigência do contrato.

Parágrafo único. O equilíbrio das contas do Regional será

considerado atingido se, durante a vigência do Regime de Recuperação

e Equilíbrio Financeiro – RREF, o Crea conseguir

resultados capazes de estabilizar sua dívida consolidada.

Art.18. São causas para a extinção do contrato de Regime de

Recuperação e Equilíbrio Financeiro – RREF o descumprimento

pelo Regional das vedações dispostas nesta resolução.

Parágrafo único. A extinção de que trata o caput implica a

imediata devolução do valor integral recebido, devidamente

corrigido desde a data do mês dos desembolsos realizados

pelo Confea.

Art. 19. O Crea deverá apresentar relatório conclusivo do cumprimento

das medidas de ajustes, no prazo de até 60 (sessenta)

dias, contados da data do encerramento ou da extinção do

contrato de Regime de Recuperação e Equilíbrio Financeiro

– RREF.

Parágrafo único. O relatório conclusivo deverá conter:

I – descrição pormenorizada das atividades realizadas e a

comprovação do alcance das metas e dos resultados esperados,

a descrição das atividades ou projetos desenvolvidos

para o cumprimento das medidas de ajuste e o comparativo de

metas propostas com os resultados alcançados; e

II – informações acerca da execução financeira, com a descrição

das despesas e receitas efetivamente realizadas, acompanhado

com os respetivos comprovantes.

Art. 20. O relatório conclusivo apresentado pelo Crea será

analisado pelo grupo de supervisão e pela área responsável

pela auditoria do Confea, antes de ser submetido à comissão

permanente responsável pelo controle e sustentabilidade do

sistema e ao plenário do Confea.

Parágrafo único. A análise do relatório conclusivo poderá resultar

em:

I - aprovação;

II - aprovação com ressalvas; ou

III - rejeição com a determinação da imediata devolução parcial

ou integral dos valores recebidos, conforme o caso.

CAPÍTULO VIII

DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 21. Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 2 de outubro de 2019

Eng. Eletric. Edson Alves Delgado

Vice-Presidente no exercício da Presidência

Publicada no DOU de 3 de outubro de 2019, Seção 1 – página

117 e 118

Revista da Sociedade 05


Tecnologia

O MUNDO

DA NOVA

INTERNET

Conexão 5G será responsável pela maior

revolução tecnológica da história da

indústria, em especial a automotiva

06 Revista da Sociedade


Tecnologia

A

quinta geração da internet móvel (5G) está prestes

a provocar a maior revolução tecnológica da

história da humanidade. A conexão, que promete

ser mil vezes mais rápida que a 4G, vai permitir à

indústria, em especial a automobilística, o emprego de uma

série de avanços que vão tornar a mobilidade cada vez mais

inteligente, segura, confortável e divertida.

Pioneiro na adaptação das fábricas para a indústria

4.0, que integra dados da produção fabril com sistemas de

Tecnologia da Informação (TI), o setor automotivo investiu

pesado durante anos e encontra-se preparado para dar

início à nova era da mobilidade a partir da conexão 5G, que

tem previsão de até o final deste ano entrar em funcionamento

nos EUA, no Japão e na Coreia do Sul. Já no Brasil

a nova internet móvel deve chegar só depois de 2021, de

acordo com as principais operadoras que atuam no país.

A espanhola SEAT, por exemplo, apresentou recentemente

o carro conectado 5G, capaz de detectar ciclistas,

pedestres e objetos estáticos, informando o condutor antecipadamente.

Já a estadunidense Ford fez a primeira demonstração

de direção remota. O modelo Lincoln MKZ Hybrid com

plataforma de direção autônoma adaptada para recepção de

sinais 5G foi controlado a 3 km de distância, por meio de

sinais de vídeo e áudio enviados pelo veículo.

Veículos inteligentes

A conexão 5G vai permitir que câmeras conectadas à

internet nas vias enviem informações em tempo real para

os veículos que nelas transitem. A velocidade dessa troca

de informações é o que vai permitir que os veículos sejam

100% autônomos, dispensando a necessidade de ter um

motorista ao volante.

Através da conexão 5G os veículos terão capacidade

para mapear buracos e ajustar automaticamente a suspensão.

A Ford e a inglesa Jaguar Land Rover desenvolveram

sistemas avançados que detectam buracos em tempo real

e enviam alertas para o painel de instrumentos do veículo.

A conexão 5G vai permitir também aos veículos até

mesmo entender o estado de espírito de quem estiver ao

volante e ajustar as configurações da cabine para melhorar

seu bem-estar.

A tecnologia da Jaguar Land Rover usa uma câmera

com sensoriamento biométrico. Após avaliar o humor, a Inteligência

Artificial (IA) adapta sistemas de aquecimento,

ventilação, ar condicionado, mídia e iluminação ambiente,

de acordo com as informações coletadas.

Inclusão

O mundo da nova mobilidade também será mais inclusivo.

A Ford criou uma janela inteligente que dá a portadores

de deficiência visual a possibilidade de sentir a pai-

Revista da Sociedade 07


Tecnologia

sagem através do toque.

A tecnologia foi desenvolvida na Itália em

colaboração com a Aedo, startup especializada

em dispositivos para deficientes visuais.

Chamado Feel the View (Sinta a Visão), o

dispositivo ainda está em fase de testes. O protótipo

tira fotos que são transformadas em imagens

preto e branco de alto contraste. Depois essas

imagens são reproduzidas no vidro por meio

de LEDs especiais.

Ao tocar na imagem, os diferentes tons de

cinza vibram em uma escala de 255 intensidades,

permitindo reconstruir mentalmente os detalhes

da paisagem. Ao mesmo tempo, um assistente

vocal conectado ao sistema de áudio do carro,

com inteligência artificial online, ajuda a contextualizar

a imagem, descrevendo o que está sendo

tocado. O passageiro é quem ativa o que quer que

seja fotografado, por meio de um botão.

O Feel the View é considerado uma evolução

do método Braille por expandir seu conceito

para além das letras e dos números.

Motocicleta do futuro

A BMW Motorrad, divisão duas rodas da

fabricante de veículos alemã, apresentou a Vision

Next 100, motocicleta do futuro projetada para

não cair.

A motocicleta promete conectividade inteligente

entre condutor, motocicleta e ambiente

exterior. Com todos os sistemas atuando em

conjunto, a motocicleta é capaz de antecipar situações

de perigo e alertar o condutor sobre a

necessidade de intervir.

Mesmo parada e sem a presença do piloto

a motocicleta fica em posição vertical, graças

aos sistemas de compensação, que também trabalham

com o veículo em movimento.

Seus pneus possuem função de amortecimento

e perfis variáveis, que se ajustam de forma

ativa a todo tipo de terreno. A aparência do

propulsor muda conforme a circunstância. Em

repouso, exibe formas compactas. Já com a motocicleta

em movimento, o motor se expande,

melhorando a aerodinâmica.

A troca de informações entre piloto e motocicleta

ocorre por meio de uma viseira que,

além de providenciar proteção contra o vento,

mostra informações quando o piloto solicita ou

para alertar sobre algo. O controle do visor é feito

pelo movimento dos olhos.

Por meio do visor, a motocicleta sugere

faixas ideais de trânsito, melhores ângulos para

desvios e curvas e alerta o piloto para eventuais

perigos. O piloto pode corrigir os desvios que

aparecem e caso demore a fazer ou não faça, a

própria motocicleta fará.

Ao olhar para cima, a viseira ativa a visão

traseira. Se olhar para baixo é aberto o mapa indicando

a rota selecionada.

A Vision Next 100 também trará uma roupa

com sensores que monitoram dados como o

pulso e temperatura corporal, podendo regular

corretamente a climatização em caso de frio ou

stress. O traje oferece, a partir de elementos vibratórios

nos braços e pernas, indicações para

navegação ou mostra que o piloto atingiu o limite

de inclinação.

08 Revista da Sociedade


Engenharias

ENGENHARIA

CLÍNICA

Responsável pelos parques tecnológicos de hospitais, área

ainda é pouco conhecido até entre profissionais de saúde

Revista da Sociedade 09


Engenharias

Engenharia clínica é a área responsável

pelo planejamento, gestão e gerenciamento

de parques tecnológicos de hospitais

e clínicas médicas. O profissional

atua desde o planejamento e seleção dos equipamentos

que serão comprados até o momento

do descarte, passando pela compra, recebimento,

realização de testes e manutenções preventiva e

corretiva, entre outras ações necessárias para garantir

o uso seguro da máquina.

É um mercado de trabalho em expansão no

Brasil. A área ainda é pouco conhecida até mesmo

entre hospitais. O público em geral também

conhece muito pouco sobre a Engenharia Clínica

e sua importância, apesar de ser cada vez mais

submetido a exames realizados por máquinas.

O campo de atuação do profissional de engenharia

clínica é bem vasto. Além de gerenciar

tecnologia de hospitais, pode atuar na indústria,

no processo criativo e produtivo, na parte de assuntos

regulatórios, quando envolve registro dos

produtos junto aos órgãos sanitários, por exemplo.

Cada parte da cadeia do plano de gerenciamento

de tecnologias de saúde compreende em

uma subárea que pode ser explorada isoladamente.

A parte de planejamento e seleção do equipamento,

por exemplo, envolve análise de investimento

e retorno, planejamento da compra, que é

como comprar e de quem comprar, como avaliar

esse fornecedor.

Saber fazer um descritivo técnico, por

exemplo, é área que abre campo para trabalhar

em órgãos públicos, na função de escrever editais

de licitação.

Rotinas que envolvem manutenção, preventiva,

corretiva, calibração, ensaios meteorológicos,

suporte técnico, políticas de descarte, de

reuso de reaproveitamento. São todas subáreas

da engenharia clínica que rendem uma infinidade

de possibilidades de atuação.

Quanto à remuneração, o início da carreira,

a exemplo de outras área, é difícil. E apesar de

ser área ainda pouco explorada no país, é comum

encontrar no mercado de trabalho gerentes de

departamento de engenharia clínica que ganham

na faixa de R$ 15 mil, R$ 20 mil mensais.

Para saber um pouco mais sobre a profissão,

a Revista da Sociedade traz um bate-papo

com Rodolfo Fernandes More, 42 anos, empresário

consultor de engenharia clínica. Natural

de São Paulo e criado no interior, Rodolfo formou-se

em Engenharia de Produção Mecânica,

no ano 2000, na Universidade de Marília, cidade

onde cresceu, e depois especializou-se em Engenharia

Clínica na Unicamp.

Como é a atuação em uma área da engenharia

ainda desconhecida até mesmo em

hospitais?

Tem seu lado bom que é o potencial de

crescimento muito grande. Mas também tem

essa coisa do desconhecimento, principalmente

de quem contrata, que é algo que atravanca.

No entanto é uma área com grande potencial de

crescimento e que, através das ações fiscalizatórias

dos conselhos de engenharia, tem tudo para

que evolua.

Como se deu a escolha pela profissão?

Não procurei a profissão. Fui levado a ela.

Quando comecei a fazer engenharia de produção

mecânica, minha ideia inicial era trabalhar com

mercado financeiro. Os bancos estavam contra-

10 Revista da Sociedade


Engenharias

tando engenheiros. As coisas foram acontecendo

e quando percebi, estava dentro de um hospital

em meio a um projeto de pesquisa e acabei me

apaixonando pela área hospitalar da engenharia

e segui. Costumo dizer que a vida me levou à engenharia

clínica.

Trabalha onde atualmente?

Tenho uma empresa de consultoria, a

Uaná. Presto serviços em todo o Brasil. Já atuei

em projetos nacionais e internacionais, além de

dar suporte para hospitais.

O que você faz especificamente?

Atuo especificamente em toda parte de

planejamento, gestão e gerenciamento de parque

tecnológico de hospitais. desde o planejamento e

seleção dos ativos, dos equipamentos que vão ser

comprados, toda parte de recebimento, aceitação,

testes, manutenções.

Faço o acompanhamento completo dos

equipamentos. O que fazer, como usar de forma

segura. Atuo desde a decisão de compra até o

descarte.

O que é necessário para ser bem sucedido

na área?

Não é muito diferente do que é preciso para

ser bem sucedido em outras áreas. É necessário

estudar, estudar, estudar e estudar mais um pouco.

Manter-se atualizado. Participar de feiras,

congressos, pôr a mão na massa. Falo que não

basta conhecer tecnicamente. É preciso saber

como funciona, as variáveis dos processos, dos

projetos. Além de conhecimento técnico, de estudar

muito, tem de ter vivência prática muito

grande.

Qual a importância do profissional de

engenharia clínica para a sociedade?

Costumo dizer que se a profissão de engenheiro

clínico tivesse outro nome seria engenharia

de segurança do paciente. Hospitais e clínicas

com um serviço de engenharia clínica estruturado

garantem que o médico, o operador e os

pacientes tenham um equipamento seguro para

usar. Não adianta ter a melhor estrutura, os melhores

profissionais e equipamentos doentes.

As pessoas precisam ser atendidas no ambiente

hospitalar por equipamentos confiáveis,

que entreguem as respostas que foram projetados

para obter. É o engenheiro clínico quem garante

que o equipamento não cause mal ao paciente.

O engenheiro clínico é tão importante quanto os

profissionais habilitados e treinados para fazer o

diagnóstico do paciente. Afinal, são as máquinas

que dão suporte para o diagnóstico.

Hoje em dia somos submetidos a cada vez

exames de todos os tipos e temos de cobrar mais

esses lugares sobre como estão os equipamentos.

A quinta geração da internet móvel

(5G), vai impactar na engenharia clínica de

que maneira?

Certamente vai impactar na saúde. Cada

vez mais os equipamentos médicos, assim como

os demais, são dependentes da internet. Vejo um

campo aberto e cada vez maior relacionado à telemedicina.

Tratamentos e consultas à distância,

novas maneiras de praticar medicina.

Vamos poder ver simulações, por exemplo.

Coisa que até então víamos em filmes de ficção

futurista. Chamo a atenção também à cirurgia

robótica à distância. A engenharia clínica é uma

área que tem muito a evoluir com a nova internet.

Revista da Sociedade 11


Entrevista

MOBILIDADE

HUMANA

Amauri Hernandes, secretário de Trânsito,

Transporte e Segurança de São José do Rio

Preto, fala sobre os desafios de mobilidade

12 Revista da Sociedade


Entrevista

Amauri Hernandes é secretário de Trânsito, Transportes

e Segurança de São José do Rio Preto – SP.

Engenheiro civil pós graduado em Segurança do

Trabalho e especializado na área de Trânsito e

Transporte, foi titular da mesma pasta entre os anos de

2007 e 2008.

Depois foi para Olímpia, onde atuou por oito anos na

administração Geninho Zuliani, como secretário de Planejamento

e diretor de trânsito.

Voltou para São José do Rio Preto para ser diretor

de mobilidade logo no início do atual mandato do prefeito

Edinho Araújo. Em julho de 2018 foi alçado novamente ao

posto de secretária de Trânsito, Transporte e Segurança.

Conselheiro estadual de trânsito entre os anos de

2008 e 2010, Amauri foi recentemente nomeado conselheiro

federal de trânsito e transporte, após indicação do

Confea. Vai integrar a câmara temática de transportes do

Contran (Conselho Nacional de Trânsito).

As câmaras temáticas – o Contran conta com cinco

– reúnem especialistas que discutem legislação e normatização.

São as responsáveis pelas alterações do código de

trânsito.

Em entrevista à Revista da Sociedade, Amauri falou

sobre novos conceitos de mobilidade que privilegiam o pedestre

e também sobre os desafios de melhorar o trânsito de

São José do Rio Preto, uma das cidades mais motorizadas

do país.

Qual é o grande problema do trânsito em São José

do Rio Preto?

O índice de motorização local é um dos maiores do

Brasil. São 86 veículos para cada 100 habitantes. A frota é

muito grande. Isso acaba impactando no dia a dia da cidade.

A frota de São José do Rio Preto é quantos veículos?

Atualmente temos 396 mil veículos em São José do

Rio Preto, contando tudo, moto, carro, caminhão. Além

disso temos os veículos da região, das pessoas de fora que

também transitam pela cidade, seja a trabalho, para fazer

compras, ou em busca de serviços da área médica.

Soma-se à frota local quantos veículos da região?

Não temos esse número, mas vamos ter em breve.

Estamos instalando um sistema de câmeras capazes de ler

placas, que vai tornar possível detectar quantos veículos

são da cidade e quantos são de fora. O sistema é o OCR

(Optical Character Recognition). A partir dessa informação

é que vamos ter uma real dimensão. Mas sabemos que isso

tudo traz um grande problema. As vias, principalmente as

da área central, são as mesmas de décadas atrás. Não tem

como aumentar a dimensão.

Revista da Sociedade 13


14 Revista da Sociedade


Revista da Sociedade 15


Entrevista

Então não há solução para a área central?

Temos buscado analisar cada uma das vias.

Dependendo do caso, vamos tirar o estacionamento

para privilegiar a fluidez e a segurança do

sistema viário. É o caso da avenida Alberto Andaló,

por exemplo, onde o estacionamento foi tirado

para que tivéssemos três faixas de rolamento.

Como é aceitação do cidadão quanto a

essas mudanças?

Isso sempre causa algum problema, principalmente

para o comércio. A gente sabe que tem

reclamação. Mas a cidade tem de garantir a fluidez

do trânsito com segurança e cabe, dentro de

toda a análise do sistema viário, tomar algumas

medidas para garantir que a cidade flua.

Entre os motoristas também tem quem reclame.

As vezes a pessoa fez aquele trajeto por

anos e quando não pode mais, a primeira reação

geralmente é criticar a mudança. Mas o trânsito

é dinâmico e alterações devem ser feitas sempre

que se mostrarem necessárias.

É característica da maioria das cidades

do Brasil privilegiar o carro. Como mudar

isso?

Hoje o mundo está voltado a incentivar o

transporte coletivo. O Brasil também está fazendo

um trabalho nesse sentido. É que ao longo de

décadas foi incentivado a compra do carro. O governo

federal fez campanha para que todo mundo

tivesse carro. Ótimo que todo mundo tenha, mas

não necessariamente que o utilize no dia-a-dia,

principalmente para ir trabalhar.

Hoje tem empresa multinacional, a WRI

Brasil, que promove cursos e palestras propondo

uma mudança no paradigma das cidades. A

proposta é privilegiar o transporte público. Além

disso, aumentar a largura das calçadas e diminuir

a largura das vias. Assim é possível privilegiar o

ciclista, o pedestre e o transporte coletivo.

Em Paris já não é possível chegar de carro

ao centro da cidade. É esse o caminho?

É uma tendência. São Paulo já andou fazendo

testes de, na última sexta-feira do mês, proibir

veículos na área central.

Todo mundo tem estudado isso, pois as

grandes cidades tem um problema que extrapola

o trânsito, que é a poluição. Se todos os veículos

do mundo saírem ao mesmo tempo, não tem lugar

nas vias.

Não há espaço físico para isso. Para melhorar

isso tudo temos de fazer com que as pessoas

passam a andar mais a pé, de bicicleta, passem a

utilizar mais o transporte coletivo.

Uma cidade com vias mais arborizadas

pode colaborar para que as pessoas andem

mais a pé e de bicicleta?

Sim. A administração já plantou uma quantidade

enorme de árvores e continua fazendo esse

trabalho. As avenidas receberam plantio, vários

outros locais vão receber. Para toda obra é destinada

uma área de plantio de árvores. Inauguramos

um complexo de viadutos nas avenidas

Domingos Falavina, Mirassolândia e Capitão

Faustino (Zona Norte) que recebeu uma quantidade

de mudas enorme. O entorno foi todo reflorestado.

O compromisso é de melhorar a qualidade

de vida e a gente sabe que árvores colaboram

muito com isso, inclusive melhoram a temperatura.

Políticas ambientais, de trânsito e transporte,

de saúde e as demais devem estar inter-relacionadas

em busca de uma cidade melhor, mais

humanizada. O conceito de mobilidade urbana

está sendo renovado e muito tem se falado em

mobilidade humana.

O que esse conceito traz de renovação?

É sobre as pessoas terem uma cidade para

elas mesmas. As cidades, de uma certa forma, foram

pensadas lá atrás para o carro. As ruas foram

projetadas para o carro. Em várias cidades

a largura da calçada é muito pequena. A tendência

é aumentar a largura das calçadas para que as

pessoas tenham o direito de ir e vir caminhando.

Outra tendência é aumentar a extensão das ciclovias.

É buscar atender melhor esse lado do ser

humano. Não só pensar no modal motorizado. É

pensar quais são os outros meios de locomoção

que existem.

Podemos esperar essa renovação de conceito

em São José do Rio Preto?

Sim. Todas as ciclovias e ciclo faixas que

estamos fazendo é um exemplo. O próprio terminal

que será inaugurado no fim deste mês, por

exemplo, tem um bicicletário.

A ideia é incentivar o cidadão a ir de bicicleta

até o terminal, guardá-la, pegar o ônibus para

chegar no destino final e depois fazer o caminho

inverso. Ter um local para deixar a bicicleta com

segurança é um estimulo ao uso.

Para que mais gente utilize o transporte

público, o que precisa acontecer?

Melhorar para estimular o uso. É justamente

o que fizemos aqui. Hoje os ônibus todos

contam com wi fi. Neste ano 36 ônibus novos entraram

em operação, todos com ar condicionado.

Também estamos em fase de licitação para

16 Revista da Sociedade


Entrevista

a construção de três miniterminais de ônibus

na zona norte, maior região da cidade. Com isso

vamos mudar a lógica do transporte público em

São José do Rio Preto. Hoje o sistema é radial. Os

ônibus saem do terminal, vão ao bairro e voltam

ao terminal. Com os miniterminais será possível

criar linhas interligando bairros e outras interligando

os miniterminais ao centro. Assim vamos

diminuir a quantidade de ônibus que precisam

chegar ao centro e melhorar o trânsito.

Hoje todos os ônibus tem GPS. Tudo é

georeferenciado e assim temos informação de

quantos usuários tem em cada rodada de todos os

itinerários. A bilhetagem eletrônica também ajuda

a termos todos os dados necessários. Temos

tecnologia para obter as informações necessárias

para melhorar o dia-a-dia do cidadão.

Apenas a zona norte vai ganhar miniterminais?

Além dos três na zona norte, teremos também

dois na avenida Faria Lima, um deles na região

do Hospital de Base HB. Existe projeto para

fazer outro nas imediações da avenida Potirendaba

e ainda em outros pontos que vamos indicar

com base nos dados coletados.

O que esperar do futuro do trânsito rio-

-pretense?

Um dado estatístico é que o jovem não

tem mais tanto interesse em dirigir. A emissão

de novas CNHs tem diminuído. Essa e uma nova

realidade. O jovem parece estar entendendo que

consegue sobreviver sem ter carro. Esse jovem

tem usado transporte público, táxi, veículo de

aplicativo, bicicleta ou tem caminhado. Por mais

incrível que pareça, 32% dos deslocamentos são

feitos a pé.

Aqui em São José do Rio Preto?

Não. No mundo. Diferente do que as pessoas

pensam, muita gente anda a pé.

O Brasil segue essa média mundial de

32%?

Não. Algumas cidades chegam perto. Mas o

grande problema é que ao longo dos anos as pessoas

ficaram com receio de caminhar e andar de

bicicleta. A conotação era de que a pessoa não tinha

condição financeira. Não é assim. Quem anda

de bicicleta se exercita, contribui com o trânsito,

contribui com a não poluição. Temos de derrubar

esse paradigma, mostrar que caminhar e andar de

bicicleta é sinônimo consciência.

Essa tendência das cidades de aumentar

o calçamento e diminuir as vias, privilegiar o

Amauri Hernandes, secretário de Trânsito,

Transporte e Segurança de São José do Rio Preto

pedestre em vez do carro. Podemos esperar

isso em São José do Rio Preto?

Sim. Inclusive fizemos na rua Jorge Tibiriçá,

entre a Voluntários de São Paulo e a Quinze

de Novembro. Aumentamos a calçada e tiramos

um lado do estacionamento. A pretensão é fazer o

mesmo em outros locais.

O que também é alvo de estudo é o aumento

das calçadas nos cruzamentos. Deixar só as

duas faixas de rolamento e aumentar as calçadas.

Assim o pedestre faz travessia em menos tempo e

com maior segurança.

Como são feitas essas análises?

Instalamos uns equipamentos de medição.

Durante um período é verificado quantos veículos

e quantos pedestres passaram. Assim temos

um perfil da via. Com essa análise fazemos alterações

e adequações para melhorar o sistema daquele

local e do entorno.

Qualquer tipo de alteração é feita em cima

de dados estatísticos. Essa é a nova realidade do

trânsito e transporte. Hoje todo mundo trabalha

com dados, com estatística para que nada seja feito

de forma empírica.

As obras viárias prestes a serem inauguradas

são garantia de melhoria para o trânsito?

Com o anel viário vamos interligar todas

as regiões da cidade. São 35 quilômetros de via e

temos planos de implantar ciclovias na extensão

toda. É o grande projeto de mobilidade. Também

tem a grande rotatória na chegada da rodovia Assis

Chateaubriand. Vai melhorar muito o trânsito

por lá. E temos outras obras de melhoria, como

os 200 km de recape.

Isso tudo vai trazer qualidade para o sistema

viário e a todos os usuários, sejam pedestres,

ciclistas ou motoristas.

FOTO: JOHNNY TORRES/ARQUIVO

Revista da Sociedade 17


Sustentabilidade

BIODIESEL:

O PRÉ-SAL VERDE

Seminário sobre biocombustíveis reuniu especialistas e

profissionais de engenharia em São José do Rio Preto

Presidente da Associação dos Engenheiros,

César Vessani, fala durante a abertura do seminário

18 Revista da Sociedade


Sustentabilidade

O

futuro do biodiesel no país foi tema central do

seminário Biocombustíveis: A nova realidade do

Brasil, realizado no mês passado na Câmara Municipal

de São José do Rio Preto – SP.

Promovido pela Associação dos Engenheiros, Arquitetos

e Agrônomos de São José do Rio Preto em parceria

com a Ubrabio, patrocínio do CREA-SP e apoio da Revista

da Sociedade, o evento reuniu, durante um dia inteiro, especialistas

em biocombustíveis, profissionais de engenharia

e demais interessados em palestras e mesas de debates.

“A sociedade precisa criar um processo crítico para

discutir os produtos que utiliza. Roupa, alimentação. O

combustível também é um produto pelo qual fazemos opção

de uso e o Brasil ainda utiliza muito mal”, diz Donizete

José Tokarski, diretor CEO da Ubrabio.

O dirigente reforça seu argumento lembrando que o

Brasil é importador de diesel fóssil e que no ano passado

o governo federal subsidiou o diesel fóssil. “Enquanto que

o biodiesel é um produto nacional, produzido com matéria-prima

da nossa região. Com a tecnologia já disponível

produzimos combustível de excelência comparado ao que

é feito na Europa, nos EUA e outros países” lamenta Donizete.

A Ubrabio considera incompreensível que uma máquina

agrícola que produza etanol ou soja use combustível

fóssil importado, um produto que causa problemas à saúde

pública, poluindo o meio ambiente com a emissão de gases

de efeito estufa.

“Precisamos dialogar mais sobre a relação entre produção

e consumo de biodiesel com o desenvolvimento econômico

sustentável. É isso que viemos fazer em São José

do Rio Preto. É poder proporcionar aos agentes públicos,

pesquisadores, alunos e futuros profissionais esse ambiente

de debate para que possamos exigir mais de nós mesmos.

O governo somos nós que elegemos, então é preciso que

passemos por esse processo de desenvolvimento de consciência

crítica, de compreender, debater, discutir e propor”,

afirma o dirigente.

Biodiesel brasileiro

Cerca de 70% do biodiesel produzido no Brasil vem

do óleo de soja.

O óleo de soja é um produto quase que residual. Vinte

anos atrás usávamos uma quantidade de óleo de fritura

muito maior. Hoje, cada vez mais a população usa menos

óleo de soja.

Revista da Sociedade 19


Sustentabilidade

Evento reuniu bom público no plenário da Câmara Municipal

No entanto, o grande produto da soja é o

farelo, utilizado na alimentação humana e animal.

O subproduto óleo tinha de ter algum destino

e o biodiesel é considerado por especialistas o

destino apropriado para isso.

“O óleo residual de cozinha, assim como

as gorduras animais, que eram antes jogadas nas

beiras de rios, de estradas e em lixões hoje são

usados na produção de biodiesel”, explica Dozinete,

para quem o biodiesel é o pré-sal verde.

“Temos o pré-sal fóssil que deve ser utilizado,

mas em um processo invertido. O ideal seria

exportarmos o combustível fóssil para outras

nações e investirmos na produção do biodiesel

de excelente qualidade que já temos aqui. É um

produto sustentável, energia limpa que gera emprego

e renda”, diz.

Produção paulista

O estado de São Paulo foi responsável por

22% dos 56 milhões de metros cúbicos de biodiesel

consumido em todo o país em 2018. No entanto,

a produção paulista do produto no mesmo

período foi de apenas 4,4%.

Para suprir a demanda, São Paulo conta

com o biodiesel produzido no Mato Grosso,

Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, Rio Grande

do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

“O cenário de São Paulo é uma excelente

oportunidade para que todos os setores relacionados

com a questão, produtores de biodiesel,

produtores de matérias primas, setor de tecnologia

ligado às instalações e equipamentos, enfim,

toda a cadeia, se agrupe em torno da ideia

de criar estímulos que eliminem os gargalos que

atualmente determinam essa situação”, diz Juan

Diego Ferrés, presidente da Ubrabio.

César Antônio Vessani, presidente da Associação

dos Engenheiros, considerou positiva a

iniciativa de reunir especialistas e profissionais

de engenharia em torno do tema biocombustível.

“O principal motivo de promover eventos

como este é proporcionar oportunidades de

atualização do nosso profissional de engenharia.

Aproxima-lo das novas tecnologias é algo que

associação vem trabalhando para fazer”, diz.

20 Revista da Sociedade


CREA-SP Jovem

DE OLHO NO

FUTURO

CREA-SP Jovem atua na integração

de estudantes e recém-formados ao

universo profissional da engenharia

Presidente do CREA-SP, Vinicius Marchese Marinelli,

faz selfie durante encontro do CREA-SP Jovem

Revista da Sociedade 21

Revista da Sociedade 21


CREA-SP Jovem

O

CREA Jovem foi criado no ano 2000 com o objetivo

de aproximar os estudantes da realidade

vivida na prática profissional. A iniciativa teve

origem no estado de Minas Gerais e espalhou-se

pelo Brasil rapidamente, integrando e envolvendo alunos

de engenharia e profissionais récem-formados ao Sistema

Confea/CREA.

Por meio de encontros regionais e nacionais frequentes,

o CREA Jovem destaca a importância das profissões do

setor tecnológico e da inserção profissional na defesa e no

desenvolvimento da sociedade.

O último evento, o 10º Encontro Estadual do CREA-

-SP Jovem, foi realizado no dia 5 de outubro, na Sede Angélica

do CREA-SP, na capital paulista. O tema em discussão

foi “Engenharia 4.0: Os profissionais do futuro”. Na ocasião

foram ministradas palestras sobre empreendedorismo, pesquisa

e inovação, uso de drones na engenharia, impressora

3D, movimento AgTech, agricultura digital e indústria 4.0.

Já neste mês de novembro, representantes da comissão

do CREA-SP Jovem vão participar de dois eventos, um

em Brasília – DF, o Encontro das Engenharias do Brasil

(ENDEB), e outro regional, em Guarulhos – SP, uma maratona

Hackathon.

Também neste mês o CREA-SP Jovem promove o

Café com o Presidente, evento em que 15 participantes do

10º encontro estadual foram convidados a passar uma manhã

descontraída com o presidente do CREA-SP, o engenheiro

de telecomunicações Vinicius Marchese Marinelli.

CREA-SP Jovem

Podem participar do CREA-SP Jovem estudantes e

jovens profissionais do setor tecnológico. Para fazer parte,

é necessário preencher o formulário de inscrição, disponível

na página do Crea-SP Jovem na internet.

Karla Borelli Rocha, 28 anos, natural de Garça – SP,

é engenheira florestal, professora-mestra na Faculdade de

Ensino Superior e Formação Integral (FAEF) e instrutora

no Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR),

além disso é conselheira da Câmara Especializada de Agronomia

(CEA) e coordenadora titular do CREA-SP Jovem.

Para ela, a integração de estudantes de engenharia

e recém-formados ao CREA Jovem é importante, inclusive,

para aumentar as chances de ingressar no mercado de

trabalho. “A participação aumenta a representatividade no

CREA-SP, o jovem tem a oportunidade de conhecer a entidade,

de entrar em contato direto com a profissão”.

O CREA Jovem é composto por uma comissão formada

por um representante de cada Câmara Especializada

do CREA-SP. Conselheiros que tem interesse em partici

22 Revista da Sociedade


CREA-SP Jovem

Lenita Secco Brandão, especialista em

Acessibilidade, e Mamede Abou Dehn Júnior,

presidente da SEARVO e do CDER durante encontro

par da comissão passam por uma eleição e os escolhidos,

titular e suplente, são então nomeados

pelo presidente da entidade.

Aplicativo e outros planos

Com objetivo de aproximar ainda mais o

estudante de engenharia e o recém-formado da

realidade vivida na profissão, o CREA-SP Jovem

anunciou o lançamento de um aplicativo. A plataforma

deve estar disponível para download ainda

neste ano e trará além de notícias, oportunidades

de estágio e de emprego.

Além do aplicativo, Karla revela que um

dos objetivos do próximo ano é estreitar ainda

mais a relação do CREA-SP Jovem com os jovens

profissionais e estudantes. “A ideia é promover a

integração não somente ao CREA, mas também

às associações de profissionais. Também temos

planos de ampliar a participação de jovens ao

conselho, fóruns e outros eventos realizados pela

CREA-SP e continuar auxiliando na inserção ao

mercado de trabalho”, diz.

O CREA-SP é a maior autarquia da América

Latina e exerce papel de defesa da sociedade

contra o mau profissional, por meio da fiscalização

do exercício dos engenheiros e tecnólogos

em terras paulistas.

Para exercer as atividades, o profissional

precisa ser habilitado junto ao CREA-SP e a comissão

do CREA-SP Jovem possibilita o contato

inicial dos jovens estudantes e profissionais recém-formados

ao Sistema Confea/CREA.

“Acreditamos que a comissão do CREA-SP

Jovem exerça papel fundamental na integração

do jovem engenheiro ao sistema e à vida profissional.

Além disso, a comissão organiza eventos

com temáticas atuais com a finalidade de contribuir

com a qualificação e a atualização profissional.

Esses eventos são completamente gratuitos,

mas desde o ano passado fazemos arrecadação de

alimentos e posterior doação a entidades assistenciais”,

afirma Karla.

Revista da Sociedade 23


24 Revista da Sociedade


A ASSOCIAÇÃO DOS ENGENHEIROS,

ARQUITETOS E AGRÔNOMOS

DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO e a

DIVISÃO TÉCNICA DE AGRONOMIA

agradecem todo o apoio recebido dos

parceiros e do público, que fizeram do

evento um sucesso.

Revista da Sociedade 25


Engenharia de Custos

A ENGENHARIA DE CUSTOS E A ANÁLISE DE

CONFORMIDADE DE PREÇOS (PARTE 2)

Paulo Roberto Vilela Dias

Dando sequência ao tema da edição anterior,

segue a descrição item a item para obtenção do

preço de venda. Lembrando que, Preço de Venda

= Mão de Obra + Materiais + Equipamentos +

Administração local + Benefício e Despesas indiretas

(BDI).

Mão de Obra

Quanto à Mão de Obra, que é um item de

elevado custo e de importância estratégica, temos

que considerar além da remuneração do profissional,

as demais exigências da legislação, entre outros

itens, citamos os seguintes:

• Encargos Sociais;

• Encargos Complementares (Transporte, alimentação,

Normas de Procedimento - NP - do Ministério

do Trabalho, seguro de vida e de mercado)

e;

• Alojamento, adicional de transferência, treinamento

e participação nos resultados.

Atualmente estes custos para operários da

construção civil atingem até 300% sobre a remuneração

base do profissional.

Materiais

Quanto aos Materiais, o desafio do prestador

de serviço é maior tendo em vista o elevado risco

envolvido, em razão da fixação do valor do insumo

na proposta e na natural oscilação do mercado até

a sua efetiva aquisição.

Ao se cotar determinado material, no momento

da elaboração do orçamento, as propostas

apresentadas envolvem riscos econômicos que não

são reduzidos pelo tamanho da amostra, porém,

exigem um tratamento cuidadoso para expurgar

as distorções e adotar o preço mais adequado. Reduzindo

desta maneira as eventuais necessidades

da aplicação de pleitos para recondução do contrato

ao seu equilíbrio econômico-financeiro, tendo

em vista o prazo para sua aquisição.

Equipamentos

Quanto aos Equipamentos, temos que analisar

se os mesmos são próprios ou de terceiros.

Se de terceiros, devemos admitir a mesma

situação comentada para os materiais. Quando

próprios caberá à empresa avaliar o enorme investimento

necessário e a necessidade de contratação

de serviços continuamente onde esses sejam adequadamente

aplicados. Em construção civil o custo

dos equipamentos não costuma ser uma parcela

expressiva.

Administração local

O custo da Administração Local do contrato

é bastante significativo principalmente pelo fator

mão de obra e tudo que foi anteriormente citado.

Evidentemente elevando o preço de venda. Deverá

constar da planilha de quantidades. Envolve, entre

outros itens, engenheiros, mestre de obra, pessoal

de escritório, almoxarife e segurança patrimonial.

Sem esquecer veículos de apoio, bens patrimoniais,

as contas de água, luz e telefone e materiais de consumo.

BDI

Enquanto o BDI - Benefício e Despesas Indiretas,

quando aplicado à Construção Civil, tem

metodologia de cálculo que envolve a margem de

lucro das empresas, os tributos sobre a receita e

variáveis definidas em percentuais, tais como, a

Administração Central, os Seguros, a Garantia

Contratual e o Custo Financeiro. O contratante

deve, ainda, considerar a Margem de Risco ou de

Erro.

Custos Indiretos = Administração Central

+ Custo Financeiro + Seguros + Garantia Contratual

+ Margem de Erro

A Administração Central sempre com tendência

de alta em função da necessidade de investir

em novas tecnologias, técnicas e prospectar negócios

inovadores.

BDI = Lucro + Custos Indiretos

Sabendo que o BDI é inversamente proporcional

ao valor do contrato e tem menor relação

com o tipo de obra, das suas condições específicas,

o prazo da obra, bem como diversos fatores intrínsecos

de cada obra, não tem sentido definir um

BDI médio, nem mesmo setorizado e sim, calcular

o BDI contrato por contrato, no caso do prestador

de serviços.

O contratante calculará o BDI de Referência

(ou médio para as empresas que habitualmente

participam de suas licitações) para cada faixa de

valor de contrato.

A Administração Central, no caso do Contratante,

deverá ser adotada após a elaboração de

pesquisa junto às empresas executoras.

A Conformidade de Preços de um serviço é

garantir para as partes envolvidas a aplicação da

legislação brasileira pertinente, inclusive tributária,

da boa técnica da Engenharia de Custos e o

efetivo cumprimento do escopo do projeto.

Paulo Roberto Vilela Dias é presidente do Instituto

Brasileiro de Engenharia de Custos (IBEC),

presidente da Associação Fluminense de Engenheiros e

Arquitetos (AFEA), Diretor do International Cost Engineering

Council (ICEC)

26 Revista da Sociedade


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Revista da Sociedade 27


28 Revista da Sociedade

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