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Gestão Hospitalar N.º 18 2019

Novo ciclo político Intervir no coração do SNS: motivação dos profissionais Qualidade e segurança do doente | As pessoas fazem a mudança Resistência a antimicrobianos | Infeções associadas a cuidados de saúde e resistência aos antimicrobianos: a estratégia seguida no CHEDV Refundar os cuidados de saúde primários - um caminho na direção da cobertura universal de saúde Adelaide Belo. cuidados integrados centrados nas pessoas Otimização da gestão segura entre o Hospital Vila Franca de Xira, o ACES Estuário do Tejo e as escolas Segurança do doente - eventos adversos relacionados com o medicamento em contexto intra-hospitalar Efeitos da utilização das terapêuticas não convencionais e análise da possível integração no Serviço Nacional de Saúde Congresso EAHM 2019, Ghent APAH promove visita técnica a hospitais belgas de gestores hospitalares portugueses no âmbito do EAHM2019 Prémio Healthcare Excellence Prémio reconhece as melhores práticas de gestão em saúde Fórum do Medicamento A equidade, a efetividade e a sustentabilidade no acesso à inovação marcam a 11.a edição do Fórum do Medicamento Homenagem aos sócios de honra e mérito da APAH Cerimónia comemorativa dos 50 anos da Administração Hospitalar em Portugal

Novo ciclo político
Intervir no coração do SNS: motivação dos profissionais
Qualidade e segurança do doente | As pessoas fazem a mudança
Resistência a antimicrobianos | Infeções associadas a cuidados de saúde e resistência aos antimicrobianos: a estratégia seguida no CHEDV
Refundar os cuidados de saúde primários - um caminho na direção da cobertura universal de saúde
Adelaide Belo. cuidados integrados centrados nas pessoas
Otimização da gestão segura entre o Hospital Vila Franca de Xira, o ACES Estuário do Tejo e as escolas
Segurança do doente - eventos adversos relacionados com o medicamento em contexto intra-hospitalar
Efeitos da utilização das terapêuticas não convencionais e análise da possível integração no Serviço Nacional de Saúde
Congresso EAHM 2019, Ghent
APAH promove visita técnica a hospitais belgas de gestores hospitalares portugueses no âmbito do EAHM2019
Prémio Healthcare Excellence
Prémio reconhece as melhores práticas de gestão em saúde
Fórum do Medicamento
A equidade, a efetividade e a sustentabilidade no acesso à inovação marcam a 11.a edição do Fórum do Medicamento
Homenagem aos sócios de honra e mérito da APAH
Cerimónia comemorativa dos 50 anos da Administração Hospitalar em Portugal

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JULHO AGOSTO SETEMBRO 2019

Edição Trimestral

Nº 18

GESTÃO

HOSPITALAR

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA aSSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ADMINISTRADORES HOSPITALARES

RECURSOS HUMANOS

Motivação

dos profissionais

SAÚDE

Refundar

os cuidados primários

SAÚDE

Segurança com

medicamentos

SNS

Terapêuticas

não convencionais

COMEMORAÇÃO

50 Anos

de Administração

Hospitalar

ENTREVISTA

adelaide belo


GH OPhghgh

GH SUMÁRIO

julho agostO setEMBRO 2019

GESTÃO

HOSPITALAR

PROPRIEDADE

APAH − Associação Portuguesa

de Administradores Hospitalares

Parque de Saúde de Lisboa Edíficio, 11 - 1.º Andar

Av. do Brasil 53

1749-002 Lisboa

secretariado@apah.pt

www.apah.pt

DIRETOR

Alexandre Lourenço

DIRETORA-ADJUNTA

Bárbara Sofia de Carvalho

COORDENADORES

Catarina Baptista, Miguel Lopes

EDIÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO

Bleed - Sociedade Editorial e Organização

de Eventos, Ltda.

Av. das Forças Armadas 4 - 8B

1600 - 082 Lisboa

Tel.: 217 957 045

info@bleed.pt

www.bleed.pt

PROJETO GRÁFICO

Sara Henriques

DISTRIBUIÇÃO

Gratuita

PERIODICIDADE

Trimestral

DEPÓSITO LEGAL N.º

16288/97

ISSN N.º

0871–0767

TIRAGEM

2.000 exemplares

IMPRESSÃO

Grafisol, lda

Rua das Maçarocas

Abrunheira Business Center Nº3

2710-056 Sintra

Esta revista foi escrita segundo as novas regras

do Acordo Ortográfico

Estatuto Editorial disponível em www.apah.pt

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Editorial

Novo ciclo político

Alexandre Lourenço

Recursos humanos

Intervir no coração do SNS: motivação dos profissionais

António Dias Alves, Daniela Maia, Fátima Neves

Qualidade e segurança do doente

As pessoas fazem a mudança

Rui Cortes

Resistência a antimicrobianos

Infeções associadas a cuidados de saúde e resistência aos antimicrobianos:

a estratégia seguida no CHEDV

Luís Pedro Tavares, Miguel Paiva

Cuidados de saúde primários

Refundar os cuidados de saúde primários - um caminho na direção

da cobertura universal de saúde

Miguel Lemos

Entrevista

Adelaide Belo. cuidados integrados centrados nas pessoas

Cuidados centrados no doente

Otimização da gestão segura entre o Hospital Vila Franca de Xira,

o ACES Estuário do Tejo e as escolas

Patrícia Nascimento

Segurança do doente

Segurança do doente - eventos adversos relacionados com o medicamento

em contexto intra-hospitalar

Mavilde Vitorino, Paulo Sousa, Pedro Aguiar

Terapêuticas Não Convencionais

Efeitos da utilização das terapêuticas não convencionais e análise

da possível integração no Serviço Nacional de Saúde

Marta Bacelar

Iniciativa APAH | Congresso EAHM

APAH promove visita técnica a hospitais belgas de gestores hospitalares

portugueses no âmbito do EAHM2019

Iniciativa APAH | Prémio Healthcare Excellence

Prémio reconhece as melhores práticas de gestão em saúde

Iniciativa APAH | Fórum do Medicamento

A equidade, a efetividade e a sustentabilidade no acesso à inovação

marcam a 11 .a edição do Fórum do Medicamento

Cerimónia Comemorativa

Homenagem aos sócios de honra e mérito da APAH

50 Anos Administração Hospitalar

Cerimónia comemorativa dos 50 anos da Administração Hospitalar

em Portugal

Informação Técnica e Comercial

Monitores Médicos LG - tecnologia inteligente e design sofisticado

APAH marca a agenda

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GH editorial

Alexandre Lourenço

Presidente da APAH

Novo ciclo político

Esta Gestão Hospitalar é publicada no

início de um novo ciclo político. Nos

últimos meses a Associação Portuguesa

de Administradores Hospitalares

reuniu com os vários grupos parlamentares,

tendo apresentado propostas concretas

para o Serviço Nacional de Saúde, tendo algumas sido

incorporadas nos programas eleitorais e no programa

atual de Governo.

Num momento em que vários sinais dão conta da desmotivação

dos profissionais, exige-se que o novo Governo

crie condições para aumentar a “alegria” do setor.

António Dias Alves e colegas falam-nos deste problema

e apresentam propostas concretas. Um artigo a não

perder para iniciarmos uma discussão sobre o tema.

Aos mais vários níveis, “As pessoas fazem a mudança”.

É este o tema do artigo de Rui Cortes a propósito

da segurança e qualidade nos cuidados de saúde. No

mesmo tema, Mavilde Vitorino e colegas apresentam

estudo sobre os eventos adversos relacionados com

o medicamento (EArM) em Portugal. Neste estudo

baseado nos dados dos doentes internados em hospitais

públicos no período de 2013-2015, identificaram

que 60 521 (cerca de 2% dos doentes) sofreram pelo

menos um EArM, dos quais 28.5% (17 213) ocorreram

no contexto intra-hospitalar. De acordo com

a reflexão dos autores, facilmente se chega à conclusão

da importância dos Administradores Hospitalares

em criar uma nova cultura organizacional permitindolhe

contribuir decisivamente para a criação de ambientes

promotores de uma exigente cultura de segurança.

Efetivamente, é através de uma persistente

liderança institucional e estabilidade de equipas que

se conseguem alcançar resultados. É esta a conclusão

de Luís Pedro Tavares e Miguel Paiva com base nos

resultados alcançados no combate à infeção hospitalar

no Centro Hospitalar Entre Douro e Vouga.

Nesta GH entrevistamos uma campeã do Serviço

Nacional de Saúde. Com uma força e alegria contagiantes,

a Dra. Adelaide Belo tem abraçado vários

projetos ao longo da sua carreira profissional nos mais

variados níveis do sistema de saúde. Dadas as funções

atuais como Presidente da Associação Portuguesa de

Integração de Cuidados, a conversa foca-se no papel

desta associação no desenvolvimento de uma agenda

para a integração de cuidados.

Na linha da integração de cuidados, Patrícia Nascimento

do Hospital de Vila Franca de Xira descreve

o modelo de prestação de cuidados centrados nas

crianças e jovens com diabetes tipo I, envolvendo

os vários parceiros na comunidade e as famílias. Um

modelo a seguir.

Passados 40 anos da Declaração de Alma-Ata, e da

recente Declaração de Astana, Miguel Lemos do

ACES Arco Ribeirinho fala da necessidade de refundar

os cuidados de saúde primários de forma a garantir

um caminho na direção da cobertura universal

de saúde. Na linha da integração de cuidados, fará

sentido equacionar todo o modelo de prestação de

cuidados de saúde.

A Marta Bacelar vem apresentar outra dimensão na

prestação de cuidados de saúde: as terapêuticas não

convencionais. Num artigo que merecerá certamente

futuro contraditório, a autora vem analisar e advogar

a integração destas terapêuticas no SNS.

Nesta GH damos conta ainda da substantiva presença

da APAH no Congresso da European Association

of Hospital Managers, onde foi possível visitar 6 modernos

hospitais belgas.

Esta é a vossa GH! Ã

4


GH recursos humanos

INTERVIR NO CORAÇÃO

DO SNS: MOTIVAÇÃO

DOS PROFISSIONAIS

António Dias Alves

Administrador Hospitalar

Daniela Maia

Administradora Hospitalar

Fátima Neves

Cirurgiã Cardiotorácica

São evidentes as manifestações e os sinais

de desmotivação de profissionais de saúde

do SNS na área dos cuidados com consequências

em: insatisfação, absentismo,

greves e elevada rotação de profissionais,

menor cooperação e desempenho; preferência por carreira

em hospitais privados e pelo estrangeiro; e o mais

importante, risco de um pior serviço ao doente.

Esta desmotivação encontra fundamentação em causas

objetivas: carreiras congeladas e pouco atrativas;

insuficiência de profissionais, por não resolução completa

de saídas definitivas e temporárias; desadequação

das instalações e vetustez dos equipamentos,

fruto de uma quase ausência de investimento nos

últimos sete anos; lentidão de decisão, fruto da centralização

e perda de autonomia da gestão hospitalar.

Deve ainda referir-se o choque de realidades, face

às condições vigentes nos novos hospitais privados

(retribuição, instalações e equipamentos), e de expectativas,

relativamente à pronta e total reposição

da perda de regalias decidida no período da Troika.

A desmotivação dos profissionais de saúde gera consequências

negativas no desempenho, no clima e nos

cuidados hospitalares e, a manter-se, pode conduzir

à insustentabilidade futura do SNS ou, pelo menos,

à erosão da qualidade e do seu caráter geral e universal.

Por isso é crucial que os decisores políticos e os gestores

assegurem a motivação dos profissionais. Esta

é a razão deste texto.

Condições básicas para motivação dos profissionais

A gestão de pessoas em Unidades complexas e de

produção variável, como são os hospitais, não pode

ser centralizada, burocrática e em moldes rígidos, típicos

da função pública (FP) tradicional. Para criar um

ambiente de trabalho favorável à obtenção de melhores

resultados, consideramos como requisitos essenciais

o contrato individual de trabalho (CIT) para os

profissionais e o reconhecimento do estatuto de Entidade

Empresarial para os hospitais, com tudo o que

justificou a sua transformação em EPE, incluindo a autonomia

de gestão com responsabilização e prestação

de contas.

Na nossa opinião a gestão de pessoas será naturalmente

local e o recrutamento efetuar-se-á no respeito

pelos Princípios Gerais da Administração Pública,

de acordo com a experiência e o mérito, e de modo

a que complementem e se adequem aos já existentes

nos Serviços. A gestão de pessoas supõe atenção

personalizada, identificando-se os pontos fortes e fracos

e atuando-se sistematicamente com vista ao desenvolvimento

de cada profissional.

Assim, no âmbito hospitalar consideramos que devem,

à partida, existir três condições:

1. Reposição da autonomia e flexibilidade previstas no

estatuto dos hospitais EPE;

2. Regime de CIT sem termo, para assegurar segurança

e estabilidade aos profissionais bem como a flexibilidade

que permita adaptação do hospital à sua pro-

cura, dentro dos recursos existentes e de acordo com

as boas práticas, garantir a possibilidade de progressão

na carreira, independentemente do vínculo (CIT, FP),

remuneração base adequada e incentivos em função

dos resultados obtidos;

3. Nas condições de trabalho deverá assegurar-se: recursos

adequados ao trablho a executar - nomeadamente

instalações e equipamentos, informação, pessoas,

organização e gestão; ambiente seguro com promoção

da melhoria de processos e de resultados.

Como motivar os profissionais

Seguindo McClelland et al, são indicados seis fatores

principais que influenciam o ambiente organizacional:

liberdade para os profissionais inovarem sem constrangimento

burocrático; sentido de responsabilidade

para com a Instituição; clareza da Missão e dos Valores;

nível dos padrões fixados pelas pessoas; grau de

certeza quanto à relação entre o desempenho e as recompensas;

nível de comprometimento com finalidades

comuns.

Como o hospital é uma Organização de conhecimento,

marcada pela complexidade de produção e alta diferenciação

dos profissionais, fará sentido a aplicação

das regras do processo justo de Kim e Mauborgne

(HBR, 1997) ou seja: envolvimento dos profissionais

nas decisões que os afetam, explicação aos afetados

dos motivos e objetivos da mudança, clareza de expetativas

expondo as novas regras, padrões de desempenho

e suas consequências. O envolvimento de

profissionais deve fazer-se de acordo com a “Shared

Quality Agenda” (IHI, 2007) e “A CEO Checklist for

High-Value Health Care” (IOM, 2012).

Por outro lado, a finalidade do trabalho em meio hospitalar

- salvar vidas e melhorar a saúde das pessoas,

é motivadora em si mesma pelo que, conforme a valência

na Teoria das Expetativas (Vroom, 1964), o papel

da gestão fica facilitado.

Em síntese, para criarmos um ambiente organizacional

seguro, exigente e de responsabilidade que propicie

a dedicação dos profissionais e favoreça uma

cultura de melhoria, assente na transparência, no respeito,

na confiança e na cooperação, são necessários

os seis pontos que enumeramos de seguida: }

6 7


GH recursos humanos


É ESSENCIAL DISPOR DE UMA BASE

OBJETIVA PARA AVALIAÇÃO

DO DESEMPENHO, CONSTITUÍDA

POR SISTEMA DE MEDIÇÃO,

COM INDICADORES E PADRÕES,

E POR SISTEMA DE OBJETIVOS

E METAS A ALCANÇAR

NAS DIVERSAS DIMENSÕES.


Primeiro, aos profissionais deve ser atribuído um bom

trabalho, estimulante e com significado, de acordo

com as suas capacidades, com a necessária autonomia

e responsabilidade. Sempre que possível deve assentar-se

em equipas, nos cuidados, na gestão e nos

esforços de melhoria, pois constituirão instrumento

de desenvolvimento pessoal, tenderão a reduzir o erro

e a gerar melhores soluções.

Segundo, é essencial dispor de uma base objetiva

para avaliação do desempenho, constituída por sistema

de medição, com indicadores e padrões, e por

sistema de objetivos e metas a alcançar nas diversas

dimensões, ambos definidos com envolvimento profundo

de profissionais. De modo semelhante, deve

haver especificação que a promoção profissional requer

obtenção sistemática de resultados acima da média

e atuação de acordo com os valores e padrões de

comportamento definidos.

Terceiro, há que fazer a coisa certa do modo certo,

isto é, de modo a aumentar o desempenho global do

hospital e a motivar os profissionais:

• Procedendo a ampla difusão de informação (gestores

que informem, apoiem e encorajem), promovendo

comunicação sem riscos de erros e outros

problemas e encorajando a interação empática com

os doentes, para melhores resultados e prevenção de

re-hospitalização;

• Promovendo a formação com vista ao desenvolvimento,

para atualização e especialização técnica, maior

conhecimento em gestão e nas técnicas e metodologias

para a melhoria;

• Solicitando sugestões de melhoria e, quando concretizadas

com ganho significativo, recompensando

e reconhecendo publicamente pois a melhoria requer

o envolvimento contínuo das pessoas como produtores

de ideias e mentores da sua concretização;

• Reduzindo o absentismo através de programa avançado

de promoção da saúde e bem-estar, num ambiente

seguro, com prevenção e resposta adequada à violência

e abuso no trabalho;

• Conferindo mais responsabilidades a quem se destacar,

ao serviço dos doentes e noutros resultados,

e facilitando a adequação do horário às contingências

familiares;

• Promovendo a flexibilidade, a difusão de boas práticas

e a aprendizagem na prestação de idêntico serviço:

igual organização de espaços de trabalho e adoção

do mesmo processo, equipas que garantam idêntico

padrão de resposta face a variações temporárias da

procura e do absentismo;

• Reorganizando os cuidados em torno do doente,

evitando a inapropriação, o fracionamento, as deslocações

evitáveis e o tempo perdido pelos doentes e pelos

profissionais.

Quarto, perante um desempenho excelente é sempre

devido o reconhecimento adequado; para Serviços

será de atribuir verba a despender em formação

externa ou em instalações e equipamentos.

Quinto, para reforçar a orientação para a melhoria

de resultados do hospital, faz sentido: dar liberdade

e estimular os profissionais a procurarem novas formas

e práticas (projetos) que minimizem o desperdício,

simplifiquem os processos, reduzam a variabilidade

não esperada e melhorem a experiência dos doentes;

recompensar os profissionais que concretizem

aqueles projetos; considerar a satisfação nas métricas

de desempenho e reconhecer as melhores práticas.

Sexto, por fim, mas muito importante, é necessário

dispor de um sistema de incentivos dirigido sobretudo

ao desempenho das equipas - e a cada profissional

quando for fácil destrinçar e medir a contribuição

individual. A produção adicional fora do horário de

trabalho constitui outro fator de motivação.

A exclusividade é desejável e viável

A exclusividade - num contexto orientado para a motivação

profissional - irá permitir a focalização do profissional

numa instituição, com os ganhos de tempo

e a economia de custos correspondentes, favorecer

a realização plena das pessoas, minimizar os conflitos

de interesse e assegurar boa qualidade em todos

os hospitais, públicos e privados.

Defende-se a exclusividade como opção para os profissionais

que já estejam integrados em hospital e como

regra para recrutamentos futuros. Poderá ser de

aplicação progressiva, à medida que o orçamento

o permita e de acordo com as prioridades do SNS,

como sejam para acorrer a insuficiência grave de resposta

por falta de recursos humanos, genérica, por

exemplo em hospitais no interior, ou em determinados

serviços, ou para promover novas formas de

organização e atuação.

A retribuição da exclusividade deverá incluir remuneração

base, correspondente a horário semanal de 40

horas, prémio fixo, produção adicional e incentivos

conforme os resultados obtidos, por referência a objetivos

estabelecidos, cuja definição prévia visa assegurar

que o empenho, a produtividade e a qualidade

do exercício do profissional justificam a manutenção

do estatuto e da retribuição prevista.

A maior remuneração da exclusividade encontra sustentação

no valor acrescido que se obtém por:

• Maior dedicação permite ganhos financeiros diretos,

como sejam a redução de custos por menor rotação

de profissionais (recrutamento, formação, entre

outros), em horas extraordinárias, prestações de serviço

e subcontratação externa, e indiretos, em maior

atividade por encurtamento da curva de experiência

e melhor coordenação e ajustamento mútuo em

produção em equipa;

• Maior compreensão, adesão e focalização nos objetivos

do Serviço e da Equipa, com maior motivação para

cumprir metas de atividade, reduzir o desperdício, melhorar

a qualidade e os tempos de resposta aos doentes,

e melhor ambiente para projetos de melhoria que

geram ganhos na qualidade e na eficiência e permitem

atingir níveis superiores de desempenho; }

8 9


GH recursos humanos


A MOTIVAÇÃO DOS PROFISSIONAIS

É DECISIVA EM QUALQUER

ORGANIZAÇÃO DE SAÚDE,

DEVENDO NOS HOSPITAIS

DO SNS, SER CONSIDERADA

COMO UMA DIMENSÃO CHAVE

PARA O SUCESSOOU INSUCESSO.


• Dedicação plena e conhecimento profundo do hospital,

dos seus líderes, dos seus valores e regras, que

facilitam a definição e o cumprimento de práticas normalizadas

(protocolos clínicos) e a redução de erros

e omissões;

• Trabalho mais esclarecido, produtivo e sinérgico

nas três áreas de atividade hospitalar (assistência, ensino,

investigação);

• Maior tempo e experiência na instituição conduzem

a investimento emocional, com melhor formação

e desenvolvimento de todos os profissionais, transferência

de conhecimentos entre gerações e grupos

profissionais (criação de escola), alinhamento e assunção

plena da cultura institucional, disponibilidade para

assumir responsabilidades, sejam atividades operacionais

comuns ao hospital (ex. SU), de gestão de Unidades

ou direção técnica.

Integração na gestão do hospital

A sustentabilidade dos serviços hospitalares não se obtém

reivindicando cada vez mais recursos, antes pela

melhoria de processos e práticas com vista a maior

qualidade, segurança e eficiência. Para isso os hospitais

do SNS requerem um programa específico para

garantir instalações e equipamentos adequados e suficientes,

uma gestão profissional, próxima e promotora

de boas decisões, e um enquadramento e ambiente

organizacional motivadores para os profissionais.

Sem excluir outras possibilidades, os novos Centros

de Responsabilidade Integrados podem constituir um

bom enquadramento para melhorar a motivação e valorização

dos profissionais, possibilitando maior participação

destes na definição e concretização da estratégia,

do plano de ação anual, do contrato programa

e do regulamento interno, enquanto instrumentos de

gestão operacional previstos na legislação respetiva.

Estes instrumentos, a maior proximidade da gestão

à atividade clínica e a possibilidade de incentivos garantem

maior prestação de contas, promovem a melhoria

de processos e do desempenho, em qualidade e segurança,

eficiência, tempo de resposta, e satisfação dos

doentes e dos profissionais, ao mesmo tempo que permitem

a redução de burocracias e a reposição de poderes

da gestão operacional.

É nossa convicção, à luz de experiências já realizadas

entre nós e noutras latitudes, que a promoção da exclusividade

e das outras medidas explicitadas neste

texto permitirão cativar os profissionais para se dedicarem

ao SNS, contribuirão para instilar uma cultura

positiva, de responsabilidade e de prestação de contas,

de respeito mútuo e de orientação para o doente

e para criar um ambiente que suscite o orgulho de

pertença, gerando:

• Organização de conhecimento, de aprendizagem e

desenvolvimento de pessoas, que congregue alta especialização

e diferenciação, assegurando cuidados integrados

com os restantes serviços de saúde num clima

de respeito, de colaboração e de apoio à decisão;

• Instituições sustentáveis, pela qualidade e economicidade

dos Serviços, atualizadas sob o ponto de vista

clínico e tecnológico, com informação adequada e comunicação

aberta e franca, que propicie boas decisões

dos líderes, dos profissionais e dos doentes;

• Qualidade e segurança, com gestão que previna

riscos, erros e desperdícios e que promova a melhoria

contínua de resultados, incluindo a responsividade

aos doentes;

• Satisfação e comprometimento dos profissionais na

simplificação de processos e na definição e padronização

das melhores práticas clínicas.

A motivação dos profissionais é decisiva em qualquer

organização de saúde, devendo nos hospitais do SNS,

ser considerada como uma dimensão chave para o sucesso

ou insucesso e ser tratada prioritariamente na

definição da política de saúde e na gestão das Organizações.

A qualidade e a sustentabilidade futuras do

SNS não lhe serão indiferentes. Ã

Better Health,

Brighter Future

Podemos sempre fazer mais para melhorar a vida das pessoas.

Impulsionados pela paixão de realizar este objetivo, a Takeda

proporciona medicamentos inovadores à sociedade desde a sua

fundação em 1781.

Hoje combatemos diversos problemas de saúde em todo o Mundo

desde a sua prevenção à cura. Mas a nossa ambição mantém-se:

encontrar novas soluções que façam a diferença e disponibilizar

melhores fármacos que ajudem o maior número de pessoas possível,

o mais rápido que conseguirmos.

Com a ampla experiência, sabedoria e perseverança da nossa equipa,

a Takeda terá sempre o compromisso de melhorar o amanhã.

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Tel: +351 21 120 1457 | Fax: +351 21 120 1456

www.takeda.pt


GH Qualidade e segurança do doente

"AS PESSOAS

FAZEM A MUDANÇA"

Rui Cortes

Consultor e fundador da Lean Health Portugal


People Make Change” foi a frase do International

Forum on Quality&Safety for

Healthcare, que decorreu em Glasgow,

na Escócia, na última semana de março

passado. Sem as pessoas não podemos

mudar a cultura dos sistemas e das organizações de

saúde, esta foi sem dúvida a mensagem e aprendizagem

principal deste evento em que todos os profissionais

têm duas responsabilidades: “Do their Job, Improve

Their Job”.

São três os pilares em que as pessoas têm de assegurar

as condições para que se possa implementar uma cultura

de mudança e melhoria contínua, e que passam pelo:

1. papel e postura das lideranças de topo, mas também

intermédias;

2. facto dos profissionais se sentirem como verdadeiros

agentes da mudança, atribuindo, assim, um maior significado

e prazer no seu trabalho; e

3. envolvimento dos utentes como agentes de mudança

e geradores de inovação nos cuidados de saúde.

No que aos gestores de topo diz respeito, e tendo tido

oportunidade de participar na sessão apenas dedicada a

“CEOs”, fica evidente que as preocupações são as mesmas

entre os vários países, onde a grande mensagem foi

a de que o líder tem de partir do pressuposto que pode

estar errado. Saber fazer as questões certas e apoiar os

diversos profissionais, num ambiente de confiança, na

procura das respostas a essas questões, é fator crítico de

sucesso sendo um papel do qual não se pode demitir.

A mudança precisa de uma clareza no propósito, apoiada

pela coragem necessária; só assim podemos assegurar

a primeira parte da “Trilogia de Juran”, acerca da

Planificação da Qualidade. Este planeamento deve ser

alinhado com os objetivos estratégicos da organização,

ou então resultar da voz dos utentes no que diz respeito

a fatores que condicionam os mesmos a terem uma

experiência, nos serviços de saúde, com qualidade.

É, no entanto, essencial, “os gestores de topo, terem o

domínio sobre a psicologia da mudança, e sobre o facto

de”, segundo Henry Timms, “estarmos a assistir ao

chamado novo poder”, o que obriga a mudanças claras

no estilo de liderança e nas estratégias usadas para assegurar

o necessário envolvimento dos profissionais de

saúde, para que se sintam como agentes de mudança.

Um dos exemplos muito falado por vários presidentes

de hospitais é a criação de um standard work em que,

no mínimo, seja definido um dia por semana, sempre

ao mesmo dia, sempre à mesma hora, em que os elementos

do conselho de administração, durante uma

ou duas horas, se dedicam exclusivamente a visitar os

diversos serviços, a fim de conhecer os problemas,

acompanhar e monitorar as melhorias, bem como desbloquear

barreiras para as mesmas.

Assim, o que se espera de um líder de topo não é quem

resolva problemas, mas sim quem apoia e incentiva a

resolução dos mesmos, que define objetivos claros,

quem vai ao “terreno”, quem define qual o método de

melhoria contínua a ser usado, quem cria uma cultura

de transparência onde o erro é a melhor oportunidade

de melhoria, seguindo a máxima de que “Confiem nas

pessoas, ataquem os processos”. Ademais, um hospital

que não identifica erros, não protege os seus doentes.

Passando aos profissionais… são eles os verdadeiros

agentes de mudança, numa cultura de transparência,

suportados por líderes que assegurem uma visão clara

e criem um ambiente seguro, levando, assim, a que os

profissionais sintam o ímpeto da mudança. Para que tal

aconteça, são essenciais os outros dois elementos da

“Triologia de Juran”: o controlo de qualidade e a melhoria

continua da qualidade.

No que diz respeito ao controlo de qualidade, implica

uma clara definição de quais os standards pretendidos

em cada processo, de forma a que se possam listar os

indicadores de processos e resultados, assentes em

ferramentas de gestão visual, permitindo os huddles

meetings diários, ou no mínimo semanais, e em que

haja uma clara identificação de quais os problemas ou

situações que têm de ser de imediato escaladas para

a gestão de topo.

Os huddles meetings, assentes na chamada “gestão diária”,

são a ferramenta mais importante para assegurar

uma verdadeira cultura de melhoria continua, em que,

pela minha experiência, por vezes é condição suficiente

para mudar resultados, mesmo sem haver qualquer

alteração nos processos. Não obstante, tem-se revelado

algo difícil implementar nos hospitais portugueses,

o que nos impele a pensar sobre o que está a falhar na

forma como está a ser apresentado, e não na culpabilização

de quem resiste à sua implementação. Os huddles

meetings são reuniões, em pé, de não mais de 15

minutos, sempre à mesma hora e/ou no mesmo dia, no

mesmo local, onde é feita uma monitoração dos quatro

ou cinco indicadores que estão a ser acompanhados,

e se definem medidas de implementação imediata ou

se identificam pontos críticos que necessitam de recursos.

São um primeiro passo para a gradual passagem

de uma qualidade retrospetiva para uma qualidade em

tempo real.

Sem prejuízo do atual estado da arte em Portugal, o que

ainda não referi no que diz respeito às pessoas fazerem

a mudança, sendo indubitavelmente o aspeto mais importante,

é que se assiste a uma gradual implementação

desta prática, devendo adotar-se um verdadeiro trabalho

de envolvimento, menos paternalista e determinista.

Importa ainda referir os utentes e suas famílias, parte

ativa e central nos processos de codesign e de cocriação,

agora centrais no processo, não só no desenho de

como deve ser construída a sua experiência no seu percurso

nos cuidados de saúde, mas também na forma como

esses desenhos são implementados e sustentados.

Esta coprodução deve ser adaptada a cada local, uma

vez que as iniquidades são muito grandes, inclusivamente

dentro da mesma cidade. Não pode haver uma solução

forçada para todos os locais, sem as devidas adaptações

através do envolvimento dos utentes. A título de

exemplo, refere-se o caso da diferença de 21 anos na

esperança média de vida entre um extremo do metro

de Londres e o outro extremo, o que deve ser tido em

conta quando procuramos forçar soluções para realidades

distintas, mesmo que pareçam estar ali ao lado.

Para que todo este paradigma se torne uma realidade,

impera (i) assegurar uma adequada e moderna capacitação

de líderes, não só na metodologia de melhoria

contínua, mas também na psicologia da mudança, (ii)

bem como capacitar e envolver utentes e famílias em

processos de cocriação e codesign.

Sem esta capacitação alinhada e complementar, correse

o risco claro de ser só uma das partes da equação

a falar uma linguagem de mudança, criando ainda mais

“silos” nas organizações em geral e no setor da saúde

em particular.

Desta forma estaremos em condições de assegurar

melhores outcomes de saúde, beneficiar as experiências

do doente e dos profissionais e aumentar o valor dos

cuidados prestados.

Juntando estes fatores, o Ministério da Saúde Escocês

criou o conceito de Medicina Realística, que é composto

por uma tomada de decisão partilhada, em detrimento

de uma decisão assente na autonomia dos

profissionais. Trata-se de uma abordagem personalizada

nos processos de cuidados, onde se assegura uma

redução do desperdício, principalmente em situações

em que o doente seja lesado, reduzindo variações desnecessárias

nos cuidados prestados e nos outcomes,

assente numa melhor gestão de risco e onde todos

possam ser “agentes de melhoria” e inovadores.

Segundo os autores de Compassionomics, estamos ou

inevitavelmente caminharemos para uma era além da

empatia (quiçá compaixão), o que se revela crucial na

saúde, onde, por exemplo, doentes terminais tendem

a valorizar mais esse fator do que aspetos associados

ao tratamento ou à sobrevida, preferindo, ao invés,

poderem estar assintomáticos e passarem mais tempo

com as suas famílias.

A abordagem assente na compaixão remete para a

questão “o que importa para si?”, evitando a decisão

pelo doente ou pelo profissional sobre o que importa

para ele, engrandecendo aspetos tão simples como

a hora das marcações (um dos “pormenores” mais valorizados).

Estas situações permitem reforçar as relações

entre profissionais, gestores, comunidade e utentes,

criando, assim, condições para um ambiente mais

propício à mudança e assente em confiança e foco no

bem-estar, quer de doentes quer dos profissionais.

Resumindo, parafraseando Gary Kaplan, CEO do Virginia

Mason Medical Centre, a qualidade nas organizações

de saúde parte de uma clara visão que se concretiza

com: “respeito pelas pessoas”, “envolvimento dos

profissionais e das equipas”, “obsessão pela qualidade

através da redução do desperdício” e uma cultura de

inovação onde haja espaço para PDSA (Plan- Do-Study-Act),

de forma a uma permanente procura de fazer

melhor.

Com efeito, fazendo bem à primeira e reduzindo desperdícios,

bem como a variação nos processos, os custos

são em si mesmo impactados no sentido decrescente.

Em jeito de conclusão, as pessoas fazem as mudanças

e os líderes têm de partir do pressuposto humilde que

podem estar errados! Ã

12 13


GH Resistência a antimicrobianos

INFEÇÕES ASSOCIADAS

A CUIDADOS DE SAÚDE

E RESISTÊNCIA AOS

ANTIMICROBIANOS

A ESTRATÉGIA SEGUIDA NO CHEDV

Figura1

Luís Pedro Tavares

Assistente Graduado Sénior de Medicina Interna

Coordenador do GCL do PPCIRA do CHEDV

Enquadramento do problema

As infeções associadas a cuidados de

saúde (IACS) e o aumento da resistência

dos microrganismos aos antimicrobianos

(RAM), vem adquirindo

uma importância crescente à escala mundial, que se

traduz num forte impacto nos utentes (aumento da

morbilidade e a mortalidade), nas unidades de saúde

(prolongamento do tempo de internamento e reinternamentos)

e na comunidade (absentismo laboral

e aumento de custos em saúde).

A Organização Mundial de Saúde estima que, em

2050, a resistência aos antimicrobianos será responsável

por 10 milhões de mortes (mais do que a soma

da Diabetes e Cancro) - figura 1 - e uma queda do Produto

Interno Bruto entre 2.8% e 3.5%.

Portugal participou em todos os Inquéritos de Prevalência

de Ponto (PPS) do European Centre for Disease

Control (ECDC). Em 2012, o nosso país registava

a maior taxa de Infeção Hospitalar (10.5%) e valores

consideravelmente superiores à média europeia, no

que respeita à Infeção do Local Cirúrgico (ILC), ao

consumo de Fluoroquinolonas na comunidade e de

Miguel Paiva

Economista

Presidente do Conselho de Administração do CHEDV

Carbapenemos nos hospitais. A resistência do Acinetobacter

baumannii aos Carbapenemos (79.2%),

do Staphylococcus aureus à Meticilina (53.8%), da

Klebsiella pneumoniae às Cefalosporinas de 3ª geração

(38.7%), da Escherichia coli às Fluoroquinolonas

(30%) e do Enterococcus faecium à Vancomicina

(23.3%), eram motivo de grande preocupação.

Em 2013, o Governo português criou o Programa

de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistências

aos Antimicrobianos (PPCIRA), os Grupos de

Coordenação Regional (GCR) e Local (GCL) - Despachos

n.º 2902 e 15423, tendo-o considerado um

dos 9 Programas Prioritários de Saúde. Neste ano,

morreram 4.606 doentes com infeções hospitalares

(a mortalidade rodoviária foi 637) e gastaram-se 45

milhões de euros em antimicrobianos.

Nos anos seguintes, diversas entidades públicas definiram

e atualizaram políticas, indicadores e metas

nesta área:

• Direção Geral de Saúde (DGS)- Normas de Orientação

Clínica (NOC) e Índice de Qualidade (IQ);

• Entidade Reguladora da Saúde (ERS) - Dimensão

Segurança do Doente;

• Administração Central dos Sistemas de Saúde (ACSS)

e Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos

de Saúde (INFARMED) - Benchmarking Hospitalar

(sepsis pós-operatória, consumo de antibióticos);

• Rede de Informação e Observação em Saúde

(RIOS) do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo

Jorge - Programas de Vigilância Epidemiológica (VE);

• Plano Nacional para a Segurança do Doente

2015/2020 (objetivo estratégico 9).

Em 2016, registaram-se resultados positivos relativamente

à adesão à Higiene das Mãos (+37.0%), às

Pneumonias associadas ao Ventilador (-36.6%), Infeções

da Corrente Sanguínea associadas a Cateter

Venoso Central (- 45.0% a -57.1%), às Infeções do

Local Cirúrgico (-13.5% para as cirurgias do colon/

reto e -52.9% na Prótese do Joelho), ao consumo de

Carbapenemos (-13.3%) e à taxa de Methicilin Resistant

Staphylococcus aureus - MRSA (-20.1%).

Em maio de 2017, a participação portuguesa no PPS

(28 países), envolveu 93 unidades hospitalares e

16.982 doentes. A percentagem de doentes internados

sob antibioterapia foi um pouco menor (39.6%),

e a taxa de Infeção Hospitalar foi significativamente

menor (7,8%), que em 2012.

Em 2018, terminaram os 3 anos do Desafio Gulbenkian

"Stop Infeção Hospitalar!", que envolveu 19 hospitais

do SNS, e um potencial investimento de 1.2 milhões

de euros. Conseguiram-se reduções de 51 a 56%

na incidência de infeções associadas a dispositivos (cateter

vesical, cateter venoso central, tubo oro-traqueal/

ventilador) e procedimentos cirúrgicos (próteses da

anca e joelho, cirurgia de vesícula e cólon/reto).

Contudo, no seu último relatório anual, o PPCIRA assume

as dificuldades no controlo do crescimento da

resistência da Klebsiella pneumoniae aos carbapenemos

(2.1% em 2014 e 9.7% em 2017), na implementação

do Programa de Apoio à Prescrição Antimicrobiana

(PAPA) e na participação na Vigilância

Epidemiológica da Infeção do Local Cirúrgico, em

cerca de 1/3 das instituições de saúde. Considerou

necessário reduzir a percentagem de profilaxia antibiótica

cirúrgica administrada após 24 horas da cirurgia

para 37,5%, e manter a taxa de consumo de

carbapenemos em meio hospitalar e de quinolonas

na comunidade, abaixo de 0,11 e 1.25 Doses Diárias

Definidas (DDD) por 1.000 habitantes, respetivamente

(médias europeias: 0.06 e 1.6). }

Observatório Português dos Sistemas de Saúde, “Relatório

Primavera 2018” (25 páginas dedicadas às IACS

e às RAM).

Direção Geral de Saúde, “A Saúde dos Portugueses

2016” (13 páginas dedicadas ao PPCIRA).

Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistências

aos Antimicrobianos, Relatórios anuais “PPCI-

RA em números” 2014 a 2017; “Infeções e Resistências

aos Antimicrobianos - Desafios e Estratégias. 2018”.

14 15


GH Resistência a antimicrobianos

Figura 2

A realidade do Centro Hospitalar de Entre Douro

e Vouga - os últimos 5 anos

O CHEDV, criado na sequência da publicação do

Decreto-Lei n.º 27/2009, agrupa o Hospital São

Sebastião (HSS, Santa Maria da Feira), o Hospital

Distrital de São João da Madeira e o Hospital São

Miguel (Oliveira de Azeméis), e é responsável pela

prestação de cuidados de saúde a uma população

que ronda os 340.000 habitantes.

Ano 2013 Ano 2018

Lotação 384 381

Episódios SU 180.252 210.426

SUMC (HSS) 147 881 142 330

Internamentos pelo SU 11.404 10.992

Dias de Internamento 116.305 120 391

Doentes saídos 21.289 18597

Serviços médicos 6.590 7.317

Serviços cirúrgicos 13.512 10.474

Demora média 5,5 6,5

Cirurgia Convencional 8.374 5.697

Cirurgia Ambulatório 8.736 11.406

Cirurgia Urgente 2.603 2.351

ICMix 0,89 0,99

O seu GCL-PPCIRA iniciou funções em 1 de março de

2014, sendo o núcleo executivo composto por um

internista (coordenador, 28 horas semanais) e duas

enfermeiras especialistas (70 horas semanais).

São seus colaboradores regulares 3 médicos (internista,

cirurgião e pediatra), uma microbiologista e

uma farmacêutica.

O Despacho n.º 15423/2013, define com clareza

as competências dos GCL, tendo constituído o suporte

para a elaboração do regulamento interno e dos

planos anuais do GCL do CHEDV. A informação que

será apresentada neste artigo foi obtida a partir de

dados extraídos do processo clínico (Medtrix EPR

Health), das soluções de gestão do Laboratório

(Appolo Confidentia ® ) e dos Serviços Farmacêuticos

(GHAF ® ), do Gabinete de Informação para a Gestão

e do Serviço de Informática.

Cumprindo uma estratégia que visa a transparência

de informação e o envolvimento dos principais

agentes que intervêm na prestação de cuidados, os

resultados são disponibilizados trimestralmente às

chefias (Direções de Serviço e Enfermeiros-Chefes),

à Direção Clínica e à Direção de Enfermagem.

Importa agora descrever de forma mais detalhada as

estratégias adotadas aos vários níveis de intervenção.

• Contextualização da Antibioterapia

Uma das primeiras constatações que se fizeram

prendeu-se com a variabilidade de critérios clínicos

quanto às decisões de prescrição de antimicrobianos

de uso sistémico.

A atualização do Medtrix EPR-Health de setembro

de 2014 contemplou uma alteração significativa relativamente

aos antimicrobianos de uso sistémico. Todas

as prescrições, passaram a necessitar de contextualização

e a renovação de prescrição é necessária

a cada 7 dias.

• Programa de Apoio à Prescrição de Antimicrobianos

(PAPA)

O PAPA foi implementado em junho de 2014 (modelo

back-end). São monitorizadas as prescrições de

carbapenemos e quinolonas (com fundamentação

no processo clínico), até às 96 horas. As auditorias e

reports trimestrais são disponibilizados aos prescritores

e chefias - no 1º trimestre de 2019, a validação

na 1º hora ocorreu em 20.2% das prescrições e, até

às 4 horas, em 43.5% (figura 3).

• Apoio à implementação e atualização de protocolos

de antibioterapia dos diversos Serviços

Em 2014, foram revistos todos os protocolos de profilaxia

antibiótica cirúrgica dos Serviços de Oftalmologia,

ORL, Urologia, Cirurgia, Ortopedia, Ginecologia e

Obstetrícia, de acordo com as orientações da NOC

31/2013. Desde então, foram atualizados 27 protocolos

de antibioterapia terapêutica nos Serviços de

Cirurgia, Ortopedia, Ginecologia/Obstetrícia e Medi-

Figura 3

Figura 4

doentes CHEDV (DI) Prescrições (AB) doentes com AB (DAb) Ab/DI Dab/DI Ab/DAb

T1 427 245 194 0,57 0,45 1,26

médias

S1 398 227 178 0,57 0,45 1,27

cina Interna, tendo em consideração as atualizações

das recomendações das sociedades científicas e a

realidade da instituição, no que respeita a isolamentos

microbiológicos e padrões locais de resistência.

• Monitorização semanal da prescrição de antimicrobianos

Desde julho de 2015 que é elaborado um report semanal.

Em 2019, 45% dos doentes internados têm

prescrição de antibióticos e a profilaxia antibiótica

em cirurgia é responsável por ¼ destas prescrições.

Estes valores são sobreponíveis aos de período homólogo

de anos prévios (figura 4).

• Avaliação de risco na admissão de doentes, rastreios,

alertas, precauções de isolamento e fluxo

de informação entre serviços e instituições

Os riscos de IACS aumentam consideravelmente

com o grande movimento de doentes no hospital e

a insuficiência de unidades de isolamento. O CHEDV

dispõe de 31 unidades de isolamento (quarto individual

com casa de banho), e 13 enfermarias de 2 camas

(com casa de banho partilhada).

A priorização de risco é efetuada na admissão - doente

com risco acrescido para microrganismos epidemiologicamente

sensíveis (MoES), presença de alertas

e de doenças de declaração obrigatória (Despacho

5681-A/2014) - e tem em conta as recomendações

que constam da NOC 029/2012 e o Procedimento

Interno “Prevenção da Transmissão da Infeção - Precauções

Básicas e de acordo com a Via de Transmissão

e Isolamento Protetor”.

Figura 5

O fluxo de informação entre serviços e instituições

tem sido feito de forma sistemática desde 2014, utilizando

instrumentos convencionais (passagem de turno,

contacto telefónico, registo no processo) e através

do envio de mails para os GCL das instituições

de destino.

• Monitorização semanal de MoES

Desde agosto de 2018 que é elaborado um report

semanal. Os alertas permanecem ativos por 6 meses,

exceto no caso das Enterobactérias produtoras de

Carbapenemases (12 meses). No último report de

maio de 2019, dos 430 doentes com alertas ativos,

estavam internados 7 em serviços cirúrgicos, 1 no

Serviço de Medicina Intensiva Polivalente e 25 em

enfermarias médicas de adultos. Existe grande variabilidade

semanal relativamente a alguns MoES * (em

particular, MRSA, ESBL e EPC), o que dificulta a alocução

dos doentes e a operacionalização de áreas de

coorte/precauções de isolamento de acordo com a

via de transmissão (figura 5). }

*MRSA, Enterobactérias produtoras de Carbapenemases ou Betalactamases

de Espectro Alargado (EPC ou ESBL), Pseudomonas aeruginosa multirresistente,

Acinetobacter baumannii, Clostridium difficile , Mycobacterium tuberculosis.

16 17


GH Resistência a antimicrobianos

• Monitorização trimestral dos resultados microbiológicos

e das RAM

Desde abril 2015 que os resultados são disponibilizados

trimestralmente às chefias (Direções de Serviço

e Enfermeiros-Chefes) e aos prescritores, de modo

a que possam ir ajustando as suas práticas. Tem sido

realçada a importância de manter a tendência dos últimos

trimestres para a diminuição das taxas de MRSA e

de Klebsiella pneumoniae produtora de ESBL (figura 6).

• Monitorização trimestral das infeções

A contextualização da antibioterapia permite conhecer

a tipologia das infeções (da comunidade e IACS

hospitalares ou não), os órgãos/sistemas envolvidos

e os serviços onde são tratadas, promover ações

corretivas e sedimentar bons resultados.

Tal como no primeiro trimestre de 2018, as infeções

respiratórias representam mais de metade de todas

as infeções e as urinárias quase ¼. Em 2019, registou-se

um aumento de infeções urinárias associadas

a cuidados de saúde (hospitalares ou não) e uma

diminuição significativa das infeções do local cirúrgico

no Serviço de Cirurgia (figura 7).

Figura 7

Figura 6

Figura 8

• Cartas microbiológicas

Desde 2006 que o Serviço de Patologia Clínica disponibiliza

anualmente uma “carta microbiológica”,

mas só a partir de 2014, se fez a sua discussão sistemática

nos diversos serviços. Nos últimos anos, tem-

-se registado um aumento significativo dos agentes

mais frequentemente responsáveis por infeções urinárias

(Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae) e uma

franca diminuição da resistência nas bactérias Gram+

(Staphylococcus aureus/Meticilina e Enterococcus faecium/Vancomicina)

e nos Gram- não fermentadores

(Pseudomonas aeruginosa/multirresistência e Acinetobacter

baumannii/Carbapenemos) - figura 8.

• Auditorias Internas

A realização de auditorias internas periódicas e a divulgação

dos seus resultados, é fundamental para se

encontrarem oportunidades de melhoria. Para além

das abaixo referidas, têm sido feitas outras auditorias

periódicas, de acordo com as Normas de Orientação

Clínica - NOCs - (p.e., profilaxia antibiótica em

cirurgia) e Procedimentos Internos (p.e., higiene ambiental

e consumo de solução antissética de base alcoólica).

Em 2018 realizaram-se as seguintes:

Precauções Básicas de controlo de Infeção (NOC 029/

2012): adequação de 92.3% (Processo) e 87.7% (Estrutura)

- em 2014, 87.2% e 81.1%, respetivamente;

Adesão à Higiene das Mãos (1º momento): cumprimento

de 75.6% (em 2014, 80.6%);

Qualidade de Limpeza Terminal (serviços de internamento):

adequação de 86% (em 2014, 32%).

• Programas de Vigilância Epidemiológica e Estudos

de Prevalência (PPS)

O CHEDV está integrado nos programas/plataformas

de VE (HELICS - Hospitals in Europe Link for Infection

Control through Surveillance) desde a fundação

no caso das Infeções Nosocomiais da Corrente

Sanguínea (2002) e das que ocorrem em Unidades

de Cuidados Intensivos de adultos (2004) e de Recém-Nascidos

(2007). Em 2013, aderiu ao programa

de VE de MoES (NOC 04/2013) e, em 2015, ao da

Infeção do Local Cirúrgico (plataforma europeia).

O CHEDV participou nos PPS do ECDC em 2012 e

2017 (taxas de infeção hospitalar de 7.4% e 7.0%, respetivamente)

e, em 2018, no Global Point Prevalence

Survey on Antimicrobial Consumption and Resistance,

projeto ambicioso que monitoriza a nível mundial

as taxas de prescrição de antimicrobianos em doentes

hospitalizados (http://www.global-pps.com).

• Formação

A formação dos profissionais é considerada uma

atividade nuclear do GCL, tendo sido intensificada

a partir de 2016. Para lá da apresentação dos resultados

e estratégias da instituição, são divulgadas

as Orientações e NOCs da DGS relacionadas com

Infeção e Uso de Antimicrobianos (30), os Feixes de

Intervenção de Prevenção de Infeções associadas a

cirurgias e dispositivos (4) e os documentos internos,

relativos a Procedimentos (20), Planos e Política (7).

Profissionais abrangidos em 2016: 700 (35%); em

2017: 913 (45%); e, em 2018: 622 (29%).

Horas de formação em 2016: 1.466; em 2017: 1.798,5;

e, em 2018: 1.395,5.

• Indicadores de Qualidade

Em 2019, o GCL propôs ao conselho de Administração

a contratualização anual de Indicadores de

Qualidade na área da infeção e antibioterapia (IQ

de estrutura, de processos e de resultados), em cada

serviço/unidade, tendo em consideração o seu histórico,

objetivos e metas nacionais.

• Eventos

Desde 2015 que existe uma parceria entre o CHEDV

e a Escola Superior de Enfermagem da Cruz Vermelha

Portuguesa de Oliveira de Azeméis para a realização

de Jornadas sobre IACS. Em 2017, em colaboração

com a Associação Nacional de Controlo de Infeção,

organizaram o 1º Congresso Internacional no âmbito

das IACS (https://iacs.pt/), que contou com 550 inscritos,

30 oradores, 8 nacionalidades e 5 grupos profissionais.

Em 2018, o GCL-PPCIRA voltou a participar

nas Comissões Organizadora e Científica deste evento,

que teve cerca de 6 centenas de participantes.

• Relatórios e Planos anuais

Anualmente, são elaborados relatórios para a Comissão

de Qualidade e Segurança, e entregues relatórios

e planos ao Conselho de Administração, tendo

por base análises SWOT.

Resultados Alcançados

O trabalho realizado ao longo destes anos, assente

numa estratégia claramente definida e institucionalmente

assumida, bem como na estabilidade da equipa

de trabalho que a tem implementado tem permitido

que a instituição registe uma evolução positiva

no combate a este problema.

Em 2018, no que respeita a resultados, os pontos

fortes mais significativos foram:

• MoES (fig. 9): MRSA, Enterococcus faecium resistente à

Vancomicina (EVR), Pseudomonas aeruginosa multirresistente

e Acinetobacter baumannii resistente ao Imipenemo.

• Sepsis pós-operatória: A realização de auditorias

e revisão de procedimentos, em consequência dos

resultados preocupantes de 2017, teve forte reper- }

18 19


GH Resistência a antimicrobianos

Figura 10

Figura 9

http://benchmarking.acss.min-saude.pt/BH_SegurancaDashboard

Figura 11

http://www.infarmed.pt/web/infarmed/entidades/farmacia-hospitalar/antibióticos

1 DDD (Dose Diária definida) corresponde a um dia de tratamento de uma infeção moderada, com a posologia padrão.

cussão nos de 2018, no qual a instituição alcançou o 2º melhor

resultado de entre as unidades hospitalares do Grupo

C, de acordo com os dados oficiais da ACSS (http://benchmarking.acss.min-saude.pt/BH_SegurancaDashboard).

• Consumo de antibióticos: Em 2018, relativamente a

2014, o CHEDV teve mais 4.292 dias de internamento

e o consumo de antibióticos diminuiu 10% (5.919

DDD), o de carbapenemos 30.6% (1.914 DDD) e

o de quinolonas 49.0% (2.451 DDD) - fig. 10 e 11.

Considerações finais

Estes esperançosos resultados são a prova de que

o combate à infecção hospitalar, nas diversas formas

como ela se manifesta, não só deve ser assumida

como um desígnio estratégico para todas as instituições

hospitalares, como é possível e, se devidamente

levada a cabo, produz resultados positivos, que

se traduzem em ganhos em saúde para os doentes

e poupança de recursos. Trata-se, contudo, de um

trabalho que exige persistência, não só porque o

sucesso implica o permanente alinhamento dos profissionais,

mas também porque a própria natureza

das ameaças dos agentes infeciosos assume permanentemente

novas formas. Ã

Figura 12

Fontes de Informação no CHEDV

20 21


GH Cuidados de saúde primários

REFUNDAR OS CUIDADOS

DE SAÚDE PRIMÁRIOS:

UM CAMINHO NA DIREÇÃO

DA COBERTURA UNIVERSAL

DE SAÚDE

Miguel Lemos

Diretor Executivo do ACES Arco Ribeirinho

O

que foi feito: Alma-Ata

Quando há 40 anos, mais propriamente

em 1978, na Conferência Internacional

sobre Cuidados de Saúde

Primários, organizada pela Organização

Mundial de Saúde (OMS) e Fundo das Nações

Unidas para a Infância (UNICEF), numa cidade da

antiga União Soviética, se materializou o documento

que ficou conhecido com a Declaração de Alma-Ata

(DAA), assistiu-se ao início formal do grande movimento

dos cuidados de saúde primários (CSP) em toda a

comunidade que integra a OMS.

Nesse momento tinha ficado inscrito internacionalmente,

que a saúde era o grande objetivo social a ser

conquistado em todas as sociedades, exigindo a participação

e o envolvimento de todos os setores da sociedade,

num esforço comum para reduzir desigualdades

sociais que estavam na base dos diferentes níveis de

acesso, prestação e desenvolvimento tecnológico dos

cuidados de saúde.

Aí se evidenciou com clareza o impacto que as determinantes

sociais tinham e, que continuariam a ter, na

saúde das populações e dos indivíduos. Firmaram-se

declarações, onde a perspetiva holística da saúde passou

a assumir-se como um grande referencial para a

construção de sistemas de saúde integrados, assente

em visões comunitário-cêntricas e salutogénicas, onde

a educação, a prevenção e a promoção da saúde se

constituiriam como alicerces fundamentais das estratégias

do desenvolvimento de políticas, programas e

ações orientadas para a resposta a necessidades contínuas

de saúde, tratava-se, portanto, de gerir e investir

em saúde e nas pessoas. A este propósito, poder-se-á

mesmo referir que a saúde pública (SP), enquanto área

de especialidade da medicina, dedicada à “arte de prevenir

a doença, prolongar a vida e promover a saúde

por meio de esforços organizados da sociedade”, tal

com definido por Sir Donald Acheson, em 1988, foi

parte indissociável e central deste movimento fundacional

dos CSP.

Curiosamente, e no que diz respeito a Portugal, em

1977, o Prof. Arnaldo Sampaio, ilustre médico de saúde

pública que, à data, integrava o Comité Executivo da

OMS teve a oportunidade de participar na organização

preparatória da Conferência de Alma-Ata, que viria a

realizar-se no ano seguinte, dando, deste modo, o seu

contributo para aquele que viria a ser o momento de

viragem nos CSP.

O reforço da continuidade: A Carta de Ottawa

Posteriormente, as sociedades foram assistindo ao desenvolvimento

dos CSP, onde a matriz conceptual forjada

na DAA, era mantida e reforçada, tal como veio a

acontecer na 1ª Conferência Internacional sobre Promoção

de Saúde, realizada na cidade de Ottawa, no

Canadá, em 1986.

Os 11 anos que mediaram a DAA e aquela que vi-

ria a ser conhecida como a Carta de Ottawa para a

Promoção da Saúde, ou simplesmente como a Carta

e Ottawa (CO), foram determinantes no processo de

consolidação do movimento dos CSP e da própria SP,

que viu o conceito de promoção de saúde assumir-

-se como o principal motor do seu desenvolvimento

a nível mundial.

Este momento foi crucial para disseminar e incorporar

na sociedade o conceito de promoção de saúde,

enquanto processo de capacitação que os indivíduos

e as comunidades têm de possuir para controlarem

de forma positiva a sua própria saúde. É um conceito

que remete para a tomada de consciência social de

que a saúde não é propriedade nem responsabilidade

única das politicas de saúde e prestadores de cuidados,

mas sim de cada um de nós em particular e da

sociedade em geral.

A CO veio introduzir uma conceção positiva da saúde,

enquanto um recurso indispensável para a vida, que

depende de outros recursos fundamentais, tais como

a paz, a segurança, educação, habitação, alimentação,

economia, ambiente, justiça e equidade, remetendo,

deste modo, para o compromisso de que a sociedade

tem de estabelecer, de forma a garantir a existência

destas condições de recursos, indispensáveis para a saúde

dos indivíduos.

Este compromisso para a promoção da saúde veio reforçar

o movimento em torno da SP e dos CSP, ao

mesmo tempo que definiu as orientações para atingir

a Saúde para Todos no ano 2000.

Onde estamos 40 anos depois:

A Declaração de Astana

Passadas quatro décadas da DAA, apesar do desenvolvimento

dos CSP, o desígnio da Saúde para Todos no

ano 2000, está longe de estar cumprido. Se, por um

lado, no inicio se assistiu a um movimento que estava

fundado numa visão salutogénica e promotora de

saúde, por outro, o desenvolvimento nestes últimos

40 anos, foi preenchido com visões mais patogénicas

e promotoras de doença que se foram instalando paulatinamente

na consciência dos decisores e que foram

influenciando políticas, programas e ações, que passaram

a estar focalizadas na organização de sistemas prestadores

de cuidados à doença, ao invés de cuidados

à saúde, de saúde e para a saúde!

Esta tendência de sobreposição do conceito de doença

sobre a saúde, tem sido um fator de desaceleração

na aplicação dos princípios fundacionais dos CSP e da

SP, aos sistemas de saúde em geral. Tem sido também

responsável pelo excesso de hospitalocêntrismo, que

muito tem influenciado a politica, o financiamento e a


ESTE COMPROMISSO

PARA A PROMOÇÃO

DA SAÚDE VEIO REFORÇAR

O MOVIMENTO EM TORNO

DA SP E DOS CSP.


prestação de cuidados, centrando a perceção das populações

no “admirável mundo novo” das tecnologias

de diagnóstico e tratamento da doença, em detrimento

da prevenção da doença e promoção da saúde.

Este facto tem condicionado fortemente as atitudes

sobre a saúde e a doença dos indivíduos, levando-os a

práticas de consumo de cuidados mais secundários do

que primários.

A evidência de que os CSP precisavam de ser energizados

e projetados para o futuro, foi consubstanciado

na Declaração de Astana (DA) que emergiu da Conferência

Global sobre CSP realizada na cidade de Astana,

no Cazaquistão, em 25 e 26 de outubro de 2018, promovida

mais uma vez pela OMS e UNICEF. Esta reunião

internacional teve como principal objetivo analisar

o percurso civilizacional dos CSP nos últimos 40 anos,

identificando o que é necessário pôr em movimento,

para que os mesmos se assumam como uma verdadeira

força de desenvolvimento e transformação social, de

forma a alcançar a cobertura universal de saúde.

Nesta Conferência, foi divulgado pela revista Lancet o

relatório “Alma-Ata 40 years: reflections from the Lancet

Commission on Investing in Health”, que retrata o

percurso dos CSP desde a DAA até aos nossos dias,

identificando as razões, analisando factos epidemiológicos

e sociais que atravessaram os CSP durante os

últimos 40 anos.

Este documento, veio evidenciar que o caminho para se

atingir uma Cobertura Universal de Saúde, deve obrigatoriamente

passar pela refundação/reforço/revitalização

dos CSP a nível mundial. Esta ideia é suportada pela

referência ao facto de que 80 a 90% das necessidades

de saúde ao longo do ciclo de vida, podem ser satisfeitas

pelos CSP, desde os cuidados de saúde mater- }

22 23


GH Cuidados de saúde primários


ASSUMINDO COMO UM GRANDE

REFERENCIAL A DECLARAÇÃO

DE ASTANA, NÃO SERÃO PRECISOS

OUTROS 40 ANOS PARA PODERMOS

PERCEBER QUE O CAMINHO

A FAZER, PASSA POR OLHAR PARA

A SOCIEDADE SOB UMA PERSPETIVA

MAIS SALUTOGÉNIA E POSITIVA.


noinfantis, prevenção de doenças através da vacinação,

passando pela gestão da doença crónica e terminando

nos cuidados paliativos.

No entanto, e dado não terem sido cumpridos na

integra os princípios da DAA, assiste-se atualmente a

assimetrias sociais no acesso e na oferta de cuidados

de saúde, que variam de forma abissal entre países de

baixo e médio rendimento, que continuam a lutar contra

doenças infecciosas e transmissíveis e os países de

alto rendimento, onde a transição epidemiológica para

as doenças crónicas é já há muito uma realidade. Esta

discrepância existente ao nível da riqueza e pobreza

entre países, tem naturalmente um impacto direto nos

modelos de organização e funcionamento dos sistemas

de saúde e desenvolvimento social das populações.

Neste contexto, a DA constitui um ponto de viragem

nas abordagens e compromissos que as nações têm de

assumir, de forma a poderem alcançar uma Cobertura

Universal de Saúde, que inevitavelmente passam pela

existência de um verdadeiro sistema de saúde assente

nos CSP, sem os quais as sociedades terão grande dificuldade

em concretizar as metas anteriormente preconizadas

na Saúde para Todos, em 2000, e os que

constam dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

(ODS), definidos pela Organização das Nações

Unidas (ONU) a atingir até 2030.

A DA reúne, por isso, um conjunto de orientações e

compromissos assentes em princípios universais de que

todo o ser humano tem direito à cobertura universal

de cuidados; de que o reforço dos CSP é a forma mais

inclusiva, efetiva e eficiente de garantir um bom estado

de saúde mental, físico e social, de forma a poderem ser

alcançados os ODS; que apesar de todos os esforços

ainda há necessidades de saúde por satisfazer e que,

devido às iniquidades em saúde, às desigualdades sociais

e à pobreza, continuam a morrer prematuramente pessoas

e que a única forma de contrariar esta tendência

é de colocar a saúde na agenda de todas os setores

da sociedade e de reforçar os CSP, priorizando a sua

intervenção nos sistemas de saúde.

Trata-se, por isso, de recentralizar os CSP, posicionando-os

na primeira linha de atuação e intervenção em

saúde pública, tornando-os sustentáveis e dotados de

estrutura, condições e recursos que viabilizem uma

ação integrativa, de capacitação das comunidades e

seus indivíduos nas áreas da saúde e literacia e que esteja

devidamente alinhada com as politicas, estratégias

e planos de saúde de cada sociedade.

De forma sucinta, a DA identifica que o sucesso dos

CSP passa pela:

• Capacidade de gerar conhecimento, produzir investigação

e ciência;

• Existência de recursos humanos formados, capacitados,

motivados, e devidamente reconhecidos e

remunerados;

• Utilização de tecnologia ao nível do tratamento, dispositivos

de apoio e monitorização da saúde das populações,

de informação, de educação, promotoras de

acesso aos cuidados de saúde que sejam seguras, fiáveis,

de qualidade e efetivas;

• Garantia de um financiamento adequado aos contextos

sociais da intervenção e proporcional ao retorno

dos ganhos em saúde, que assegure a melhor alocação

dos recursos em contextos onde a redução das ineficiências

e iniquidades são evidentes.

O que falta fazer: em direção ao futuro

Assumindo como um grande referencial a Declaração

de Astana, julgo que não serão precisos outros 40 anos

para podermos perceber que o caminho a fazer, passa

por olhar para a sociedade sob uma perspetiva mais

salutogénia e positiva, centrando a atenção nas pessoas

e suas necessidades e decidindo em função disto mesmo.

É assumido que as dificuldades são muitas e difíceis,

mas nunca devem constituir um obstáculo ou justificação

para a inação, mas sim uma via para o desenvolvimento

criativo de soluções que, mesmo não sendo

realizadas no momento, possam fazer parte de

uma mobilização de ações/vontades que no futuro

possam ser concretizadas.

A par da Declaração de Astana, a OMS, em 2019, continua

a reforçar a ideia da Cobertura Universal de Saúde

iniciada no ano anterior, mas com um enfoque especial

nos Cuidados de Saúde Primários, devendo, por isso,

ser o mote para devolver à sociedade e aos decisores

políticos a importância crucial de possuirmos cuidados

de saúde primários acessíveis, equitativos e de qualidade.

Neste sentido, e crendo que o caminho a seguir é este,

devemos então refletir sobre o que queremos para o

nosso sistema de saúde, partindo da proposta de análise

de três pressupostos que condicionam e determinam

a existência de uma verdadeira Cobertura Universal

de Saúde:

• As determinantes sociais da saúde:

Em relação a este pressuposto, a atenção que deve ser

dedicada pela sociedade em perceber que os fatores

biológicos, estilos de vida, as condições socioeconómicas,

culturais e ambientais dos indivíduos são determinantes

para saúde e bem-estar das populações. Atuar

sobre estas determinantes implica o envolvimento corajoso

e persistente de todos os setores da sociedade

e uma mudança na forma de integrar a saúde como

elemento central em todas as políticas de uma nação.

• A organização do modelo de prestação de cuidados

de saúde primários:

Neste item, e tendo como objetivo o reforço dos CSP,

a proposta passa pelo reforço continuo das politicas de

saúde de proximidade e literacia em curso, que devem

ser acompanhadas de uma profunda alteração das estruturas/condições

físicas, onde os cuidados de saúde

primários são prestados.

Em simultâneo, devemos assistir ao reforço e valorização

dos recursos humanos através da implementação

de ações concretas de desenvolvimento organizacional,

que não se deve consubstanciar unicamente na perspetiva

imediata e motivacional de se constituir uma

Unidade de Saúde Familiar (USF), mas também pela

capacidade de oferecer percursos profissionais aliciantes,

formação adequada que resulte de diagnósticos

internos e de necessidades identificadas pelos profissionais

e utentes, incentivos ao desenvolvimento de estudos

e investigação, à criação e utilização de tecnologia

adaptada aos CSP (p.e. dispositivos de monitorização

à distância de parâmetros vitais), ferramentas de gestão

de informação de apoio à decisão disponíveis ontime

e a implementação de modelos de avaliação e reconhecimento

profissional baseados em desempenhos

de qualidade.

Também a reflexão sobre o modelo de gestão que se

pretende para os CSP, deve fazer parte deste percurso

de mudança. A perspetiva de um modelo de gestão

que aponta para uma autonomia administrativa e financeira,

permite antever maior flexibilidade na operação

e gestão de processos que, no terreno dos CSP, obrigam

muitas vezes a uma resposta célere. Esta possibilidade

de alteração estatutária e de personalidade jurídica

dos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES),

pode ser concretizada à imagem do que já acontece

com o modelo de organização dos hospitais EPE.

• A opção equilibrada do financiamento:

Por último, não queria deixar de afirmar que a mudança

nos CSP, resultará também, e sobretudo, do seu

próprio modelo de financiamento. Não é despiciente

reconhecer que, se queremos CSP mais robustos que

sejam a base para a existência de uma Cobertura Universal

de Saúde, então não podemos ter um sistema

de saúde que investe somente cerca de 1% do total do

seu orçamento para às áreas da prevenção da doença

e promoção da saúde.

Aqui, a opção passa essencialmente por escolher se

queremos manter um sistema que tradicionalmente

teima em financiar a doença (talvez de forma desproporcionada),

o seu diagnóstico e tratamento ou, se por

outro lado, queremos um sistema mais equilibrado que,

não esquecendo a doença, financie de forma mais ativa

e robusta a saúde, a prevenção, a promoção a literacia

e a saúde pública em geral.

É assumido que as dificuldades são muitas e difíceis,

mas nunca devem constituir um obstáculo ou justificação

para a inação, mas sim uma via para o desenvolvimento

criativo de soluções que, mesmo que não

sejam atingíveis de imediato, possam fazer parte da

mobilização de ações e vontades que no futuro possam

vir a ser concretizadas.

Não é fácil reduzir desigualdades sociais, harmonizar

sociedades capacitando os indivíduos de forma a permitir-lhes

a possibilidade de escolhas livres e opções de

vida saudáveis. Sabemos que muitas são as determinantes

sociais de saúde que condicionam este desígnio,

no entanto devemos analisar em conjunto o caminho

trilhado, avaliar os impactos das politicas e intervenções

no sistema de saúde e tentar perceber se estamos no

caminho que desejamos que seja o melhor de todos! Ã

WHO “Report of the International Conference on Primary Health Care,

Alma-Ata - URSS, 6-12 September 1978”.

WHO “Otawwa Chart For Health Promotion - First International Conference

on Health Promotion, Ottawa, Canada, 17-21 November 1986”.

Durham University and WHO Europe “Strengthening Public Health Capacity

and Services in Europe - A Concept Paper - 2011”.

WHO “Declaration of ASTANA - Global Conference on Primary Health

Care, Astana-Kazakhstan, 25-26 October 2018”.

Watkins, A David et al - The Lancet Commission - Alma-Ata at 40 years: reflections

from the Lancet Commission on Investing in Health, Lancet 2018,

Vol 392: 1434-1457.

24 25


GH entrevista

ADELAIDE BELO

COORDENADORA DA EQUIPA DE PROJETO "GESTÃO DE CASO" DA UNIDADE

LOCAL DE SAÚDE LITORAL ALENTEJANO E PRESIDENTE DA PAFIC "PORTUGUESE

ASSOCIATION FOR INTEGRATED CARE "

CUIDADOS INTEGRADOS

CENTRADOS NAS PESSOAS

Adelaide Belo é médica e tem uma vasta experiência na gestão de unidades hospitalares.

Considerando que falta concretizar em Portugal um Plano Nacional de Integração

de Cuidados, a responsável destaca que têm sido tomadas algumas medidas e que a APAH

tem tido um papel muito importante na disseminação do conceito de Integração

de Cuidados, enquadrando-o nos seus eventos e publicações.

A

expressão “integração de cuidados”

tem sido sobejamente utilizada

por vários setores atuantes

na saúde, desde a academia, a gestão,

o poder político, os reguladores

e os próprios profissionais de saúde em todo

o seu espectro de atuação. Afinal de que falamos

quando referimos “integração de cuidados”? É gestão

de doença, é transposição e comunicação entre

níveis de cuidados, ou é efetivamente colocar

o doente no centro do sistema?

De facto, são multiplas as definições de “Integração

de Cuidados”, dependendo de quem analisa, nomeadamente

aqueles que referiram. No entanto, todas

essas definições têm um denominador comum que

é o de ultrapassar a atual fragmentação da prestação

de cuidados, com uma nova abordagem que permita

uma coordenação entre o continuum de cuidados ao

longo da vida - da promoção da saude à prevenção da

doença, passando pelo diagnóstico, tratamento, gestão

da doença, reabilitação, cuidados continuados e cuidados

paliativos. De início os conceitos estavam muito

focados no doente e nos serviços de saúde e sociais.

Mas tem havido uma evolução ao longo dos tempos,

numa perspetiva cada vez mais abrangente e integradora.

O documento da “WHO - global strategy on integrated

people-centered health services - 2016/2026”

vem reforçar a integração entre a prestação de cuidados

informais (doente e cuidadores) e a prestação

de cuidados formais (profissionais de saúde), alavancando

o papel da família e da comunidade em geral,

como cruciais na elaboração de políticas e serviços

de saúde. Assim a definição da WHO de “cuidados

integrados centrados nas pessoas” caracteriza-se por

uma abordagem à reorganização da prestação de cuidados

que incorpore as perspetivas do individuo, dos

cuidadores informais, da família e da comunidade que

os envolve, enquanto participantes e beneficiários de

sistemas de saúde confiáveis, que são organizados

de acordo com as verdadeiras necessidades das pessoas

(e não para a doença em particular) e respeitam

as suas preferências.

Em 2016 a Organização Mundial da Saúde preconizou

o European Framework for Action on Integrated

Health Services Delivery (EFFA IHSD). No seu entender,

como se posiciona Portugal no seio europeu

face a estas orientações?

Daquilo que temos conhecimento, a OMS pretende

replicar por todo o espaço europeu as experiências }

26

27


GH entrevista

de Integração de Cuidados que são casos de sucesso

nalguns países. Nesta iniciativa, Portugal integrou o

projeto dos “Internamentos Evitáveis”.

Este trabalho decorreu com a coordenação da Escola

Nacional de Saúde Pública e com a colaboração de

um grupo de trabalho multidisciplinar de profissionais

da área hospitalar e dos CSP , do qual resultou a elaboração

de um conjunto de Recomendações para

as “Ambulatory Care Sensitive Conditions”, posteriormente

publicados para a área da Integração de

Cuidados de Saúde.

A este proposito, deixe-me salientar o alinhamento

entre as iniciativas que entretanto foram implementadas

e estão a decorrer no terreno, nomeadamente

de “case management” e as orientações publicadas

nesse documento e subscritas sob a égide da OMS.

Nos EUA, prestadores como a Kaizer Permanente,

a Veterans Health Administration e a Bend Memorial

Clinic foram pioneiros na criação de programas de

integração de cuidados. Considera algum exemplo

internacional de integração de cuidados como um

modelo? Consegue vê-lo a ser adotado em Portugal?

A Kaiser Permanente é uma referência “permanente”

para quem trabalhar em Integração de Cuidados.

Pessoalmente, tenho uma grande admiração pela

transformação conseguida pela Veterans Health Administration.

Alguns de nós se recordarão que este

sistema de saúde (idêntico ao nosso ADM) esteve em

rutura financeira e para ser privatizado. Foi durante

a administração Obama que sofreu uma mudança de

estratégia na prestação de cuidados que permitiu que

hoje seja um caso de sucesso, assumindo-se como

“the largest integrated health care system in the United

States”. A grande mudança assentou em: integração

de cuidados (com cuidados de proximidade),

“case management”, telesaúde (incluindo a telemonitorização)

e sistemas de informação robustos.

Certamente que o nosso sistema de Assistência na

Doença aos Militares já estudou este caso de sucesso.

Mas como modelo para nós basta olhar para o lado.

Qualquer região de Espanha tem o seu Programa de

Integração de Cuidados. Os mais conhecidos e citados

internacionalmente são os da Catalunha e País

Basco, mas Valência integrou um projeto europeu do

ICARE4U, a Galiza teve novos desenvolvimentos, etc.

Qualquer destes programas são adaptáveis para a nossa

realidade, visto que a organização de base do sistema

de saúde espanhol é muito idêntica à nossa.

Que vantagens imediatas considera que esse modelo

de integração de cuidados traria efetivamente

para o doente e para o SNS? E quais são as principais

barreiras para uma adoção desse modelo?

O SNS (e todos os sistemas de saúde) tem enfrentado

um aumento da procura, relacionado com a evolução

da medicina, as expetativas dos utentes e o envelhecimento

da população, com consequente aumento

progressivo dos custos, pondo em causa a sua

sustentabilidade. Os modelos de integração de cuidados

centrados nas pessoas, devem ser entendidos como

um meio e não um fim em si, para a gestão destes

problemas. A literatura internacional, nomeadamente

a WHO classifica os benefícios dos modelos

de cuidados integrados em 3 grandes grupos:

• Melhoria dos resultados em saúde: a coordenação

holística da prestação de cuidados já provou ser mais

efetiva, por exemplo na gestão das doenças crónicas,

porque melhora a qualidade de vida dos doentes e famílias,

assegura a melhoria no acesso aos cuidados,

reduz hospitalizações e reinternamentos desnecessários

e melhora a aderência aos tratamentos.

• Melhoria na equidade: na medida em que promove

o uso dos vários tipos de serviços, baseados nas verdadeiras

necessidades dos utentes ao longo do seu

percurso de vida. Desta forma contribuem para uma

melhor distribuição dos resultados em saúde, com impactos

a nível individual, mas também sociais e económicos

em geral.

• Custo-efetividade que resulta de uma melhor coordenação

dos recursos. Esta coordenação leva à redução

da duplicação de procedimentos e da sobre

utilização dos serviços à diminuição dos tempos de

espera e do desconforto dos doentes e famílias.

Quanto às barreiras para a integração de cuidados

centrados nas pessoas, sugiro a leitura de um artigo, de

2018, publicado no IJIC 1 , que faz uma revisão da literatura

e identifica vinte barreiras, arrumadas em seis

grupos: 1) as barreiras administrativas e de regulação

e neste contexto, o que acontece frequentemente

é regulação a mais, que impede a existência da flexibilidade

necessária para se implementarem soluções locais;

2) as barreiras relacionadas com o financiamento -

e todos sabemos que, por vezes, o financiamento dos

CSP, dos cuidados hospitalares e da Segurança Social

nem sempre estão alinhados. A criação das ULS

tentou ultrapassar este problema, com o financiamento

per capita, mas não deu o devido ênfase a outros

pontos críticos de sucesso como toda a reorganização

do trabalho e governação clínica. Mais recentemente

o Departamento de Contratualização da

ACSS lançou linhas de financiamento específicas - Os

Programas de Incentivos à Integração de Cuidados

(PIIC) - e integrou nos Contrato Programa indicadores

de incentivo a essa prática, essencialmente na área

das doenças crónicas, nomeadamente nos internamentos

evitáveis e Utilizadores Frequentes do SU.

Vamos acreditar que podem contribuir para derrubar

barreiras para a reorganização dos serviços.

Continuando a enumerar as barreiras para a integração

de cuidados, destacamos ainda: 3) as resultantes

da falta de coordenação quer intra, quer 4) inter

instituições, diretamente relacionadas com a cultura

organizacional tradicionalmente organizada em silos

e 5) as barreiras relacionadas com o modo como

prestamos os serviços e 6) a nossa prática clínica que

continuam ambos muito virados para uma resposta

reativa e episódica, focada na doença e sem incentivos

ao trabalho em equipa e à partilha de informação.

Não podemos esquecer ainda 7) a barreira dos Sistemas

de Informação. Estes refletem a forma atual de organização

dos serviços e portanto não facilitam a partilha

de informação e sem isso fica muito difícil a integração

de cuidados. Das experiências já publicadas

noutros países é fator critico de sucesso a existência

do Processo Clínico Eletrónico (único) do doente.


O SNS TEM ENFRENTADO

UM AUMENTO DA PROCURA,

RELACIONADO COM

A EVOLUÇÃO DA MEDICINA,

AS EXPETATIVAS DOS UTENTES

E O ENVELHECIMENTO

DA POPULAÇÃO.

E a nível nacional, que bons exemplos considera que

respondem a este desafio de prestação de cuidados?

No I Encontro Nacional de Integração de Cuidados

que realizámos em maio, recebemos 18 posters sobre

projetos em curso de norte a sul do país, na área

da integração de cuidados. Isto revela que, no terreno,

se sente a necessidade de promover a inte-


gração de cuidados. A ACSS também promoveu a

implementação de projetos nesta área, estando alguns

a funcionar. Mas para ser mais concreta destaco

a Unidade Local de Saúde de Matosinhos, a Unidade

Local de Saúde do Litoral Alentejano e o Centro

Hospitalar Lisboa Ocidental, em conjunto com

o ACES Lisboa Ocidental e Oeiras que, embora com

respostas diferentes de Gestão de Caso (case management),

têm no terreno programas de apoio ao

doente crónico complexo.

A Gestão de Caso consiste num processo colaborativo

de trabalho que permite a integração entre vários

níveis da prestação cuidados em torno das necessidades

do doente crónico, com multiborbilidades. É focado

no indivíduo e na família, baseado na comunidade

e pro-ativo. As componentes base destes programas

são: identificação proativa do caso, avaliação clínica, familiar,

social e cultural do doente, a avaliação do cuidador,

a elaboração de um Plano Individual de Cuidados

partilhado e negociado. Aposta muito na capacitação

do doente e cuidador e no ensino dos sinais de alerta

de modo a reduzir as descompensações próprias do

percurso das doenças crónicas. Outro ponto fulcral é

a coordenação entre os vários níveis de cuidados que

é feita por um elemento, o gestor de caso (case manager),

que nos projetos referidos é um enfermeiro

ou do hospital ou dos CSP e que é o pivot entre o

doente/cuidador e os serviços que necessita: de saúde

ou sociais, etc. ajudando-o a navegar no sistema.

Os resultados já publicados destes três programas, que }

28 29


GH entrevista

comparam o percurso dos doentes envolvidos um ano

antes e um ano depois da entrada no programa, são

muito semelhantes entre si e alinhados com a literatura

internacional. Apontam para uma redução da ordem

dos 50/60% de idas ao Serviço de Urgência, de uma

redução de cerca de 50% dos internamentos hospitalares,

de uma redução da demora média dos que têm

de ser internados, bem como de uma melhor adesão

à terapêutica e de satisfação expressa do doente e família.

A Unidade Local de Saude do Alto Minho tem

um programa de integração de cuidados na área dos

doentes com demências, que vale a pena seguir para

ver os resultados. Isto vem confirmar que, mantendo

os princípios base, e independentemente do modelo

de integração de cuidados que se adote, as soluções

têm de ser sempre encontradas localmente, tendo

em conta o público-alvo, os recursos e as lideranças

disponíveis e as parcerias que se conseguem fazer na

comunidade. Todas têm em comum uma mudança de

paradigma da resposta habitual dos serviços.

Considera que há uma área de integração de cuidados

que seja de urgente aplicação em Portugal?

Consideramos que a área prioritaria é a do Doente

Crónico Complexo, tendo em conta as alterações

demográficas existentes, cuja tendência é de agravamento,

e o peso que esse segmento da população

tem na (in)capacidade de resposta dos serviços,

desde a Saúde Pública, Cuidados de Saúde Primários,

Cuidados Hospitalares, Cuidados Continuados

e Cuidados Paliativos e naturalmente os custos que

acarretam para o SNS. Além disso, é uma área em

que a integração de cuidados já deu provas de que é

uma mais-valia, quer para os doentes e famílias, quer

para as instituições. Não podemos deixar de lamentar

a inexistência de ferramentas de Estratificação do

Risco populacional implementadas em Portugal. Só

será possível elaborar políticas quando se souber a

dimensão do problema. Mais uma vez, todas as regiões

espanholas que são referência internacional,

têm a sua população estratificada e é a partir desse

conhecimento que são elaborados os Planos de

Integração de Cuidados. Os projetos existentes em

Portugal tentaram ultrapassar esse problema, utilizando

um indicador: os utilizadores frequentes do SU

e nestes focaram-se nos doentes crónicos complexos.

Estes projetos deviam ter o apoio da Tutela para

escalarem, como aliás é a recomendação da Comissão

Europeia no documento Call for Action “United

towards Integrated Care”: ponto 3) “recognise the

meaningful impact of regional and local integrated

care iniciatives” e ponto 5) “invest in scaling-up successful

integrated care projects and methodologies

and support experience sharing on that matter”.

É atualmente Presidente da PAFIC (Portuguese Association

For Integrated Care), que organizou este ano

o I Encontro Nacional de Integração de Cuidados.

Pode partilhar com os leitores da RGH a missão

e os objetivos desta entidade?

A Portuguese Association for Integrated Care é uma

associação nacional sem fins lucrativos, constituída

por um conjunto multidisciplinar de investigadores,

administradores hospitalares, médicos, enfermeiros,

assistentes sociais, farmacêuticos e outros profissionais,

unidos pela convicção que a Integração de Cuidados

de Saúde é uma condição fundamental para

a melhoria da qualidade dos cuidados prestados, bem

como para a sustentabilidade do Sistema de Saúde.

Tem por missão contribuir para a promoção, divulgação,

implementação e desenvolvimento da Integração

de Cuidados em Portugal. Pretende posicionar-

-se como uma referência para as instituições de saúde,

valorizando o conhecimento e experiência dos seus

associados, sendo um elo de ligação com parceiros

nacionais e internacionais. Foi criada em 2014, mas a

atual direção só assumiu funções em Novembro de

2018, constituida por mim, pela Vera Almeida e Cátia

Gaspar. Vamos ter que substituir a Vera Almeida, por

entretanto ter assumido um cargo de dirigente na função

pública. Desafiámos o Carlos Russo, asssistente de

MGF do ACES Lisboa Ocidental-Oeiras que aceitou,

e temos a certeza que vai acrescentar valor à equipa.

Considera que existe neste momento vontade política

para a promoção e implementação de um “Programa

Nacional de Integração de Cuidados”?

Consideramos que as várias tutelas, ao longo do

tempo têm intervido na área da integração de cuidados.

Vejamos alguns exemplos: a criação das ULS, da

RNCCI, a afetação de Fundos Comunitários a Programas

de Integração de Cuidados, a inclusão nos Contrato

Programa de linhas de financiamento e de indicadores

de incentivo à integração de cuidados, o Sistema

Integrado de Gestão do Acesso (SIGA), o SNS+

Proximidade, a Hospitalização Domiciliária, etc. Portanto,

não podemos dizer que as várias tutelas não

pensaram na integração de cuidados. O que pessoalmente

acho (e esta é mesmo uma opinião pessoal),

é que se fizeram várias medidas pouco enquadradas.

São como peças de um puzzle, mas falta a esquadria

para as peças encaixarem, falta mesmo um Plano Nacional

de Integração de Cuidados.

A Direção da PAFIC teve contactos com os dois Secretários

de Estado. O Secretáriode Estado Adjunto

e da Saúde deu-nos a honra de encerrar o nosso I Encontro

Nacional, e a Secretária de Estado teve a gentileza

de nos receber. A perceção com que ficámos

é que ambos estão cientes da importância da Integração

de Cuidados como resposta aos desafios que

o país enfrenta. Concomitantemente também temos

a perceção que no terreno, quer as instituições quer

as sociedades científicas, estão a ficar cada vez mais

recetivas a uma mudança na organização da prestação

de cuidados, pois convidam-nos para reuniões

e procuram os profissionais que têm projetos a decorrer.

Portanto, consideramos que há condições

para que a Tutela avançe para um Plano Nacional de

Integração de Cuidados.

Como pode a PAFIC ajudar na definição desta

agenda política? No seu entender, estamos a falar

apenas do envolvimento do Ministério da Saúde, ou

considera fundamental o envolvimento de outros

atores e domínios políticos?

A PAFIC pretende ser um espaço agregador de vários

atores e domínios e fez questão que isso ficasse

bem expresso no I Encontro Nacional que se realizou

no passado mês de maio na Figueira da Foz. Tivemos

o Alto Patrocínio da Presidência da República, contámos

com a presença de Deputados de três partidos

politicos (PS, PSD e CDU) e de representantes da

ACSS e do Ministério da Saúde. Tivemos cerca de

180 participantes, naturalmente que a maioria foram

profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, técnicos

de diagnóstico, farmacêuticos, administradores hospitalares,

etc, de norte a sul do país, bem como de representantes

de sociedades científicas e da academia.

Mas também esteve a sociedade civil com a presença

de utentes do SNS, de associações sem fins lucrativos

de apoio a doentes e cuidadores e de representantes

das autarquias, a quem foi dado espaço para exprimirem

as suas posições. A PAFIC tem parcerias com

a Escola Nacional de Saúde Pública, com a Associação

Portuguesa de Administradores Hospitalares e com

o Fórum Saúde XXI. Pretende assim posicionar-se

como um elo entre os vários setores intervenientes

numa resposta coordenada à Integração de Cuidados

centrados nas pessoas.

Por último, como considera que os administradores

hospitalares podem contribuir para que a integração

de cuidados se torne uma realidade nas

unidades de saúde portuguesas?

Os administradores hospitalares enquanto gestores

e elementos das equipas de saúde, são fundamentais

para a conceção, implementação e monitorização de

Programas de Integração de Cuidados. O papel que

atualmente assumem nas instituições de saúde, quer na

gestão intermédia, quer na gestão de topo, coloca-os

numa posição priveligiada para poderem ser agentes

de mudança. Podem e devem ser facilitadores, apoiando

as equipas que queiram começar novos projetos,

quer do ponto de vista teórico, quer do ponto de vista

prático, encontrando soluções no terreno que alavanquem

e consolidem projetos que integrem os diferentes

niveis de cuidados. E têm ainda o papel de catalisadores,

fomentando a integração de cuidados, mesmo

em ambientes mais adversos. Por último, a APAH tem

tido um papel muito importante na disseminação do

conceito de Integração de Cuidados, enquadrando-o

nos seus eventos e publicações. Ã

1. Auschra, C., Barriers to the Integration of Care in Inter-Organisational

Settings: a Literature Review. International Journal of Integrated Care,

2018;18(1):5.1-14.

30 31


GH Cuidados centrados no doente

OTIMIZAÇÃO DA GESTÃO

Hospital Vila Franca de Xira

SEGURA ENTRE O HOSPITAL

VILA FRANCA DE XIRA,

O ACES ESTUÁRIO DO TEJO

E AS ESCOLAS

Contacto

telefónico escola

Sim

Episódio inaugural

ACES

1º contacto mail

ACES

define

enfermeiro

responsável

Médico

de família?

Não

Follow up dia

seguinte.

Enf. consulta/

internamento

Na alta

hospitalar

Agudização

Nota alta

enviada

por mail

para o ACES

Consulta

Enviar informação ACES:

• Falta de comparência

• Hemoglobina glicada

• Autonomia da família

• Ajuste terapêutico

• Outros

Patrícia Nascimento

Enfermeira Chefe de Pediatria

do Hospital Vila Franca de Xira

A

Diabetes tipo 1 é uma das doenças

crónicas mais frequentes em crianças

e jovens em idade escolar. A capacitação

da família/cuidador é um

fator preponderante no sucesso do

controlo metabólico, sendo por isso necessário formar

e capacitar equipas multiprofissionais e intensificar programas

de educação na gestão do regime terapêutico.

O Programa Nacional de Controlo da Diabetes é um

dos mais antigos programas nacionais de saúde pública.

A Diabetes tipo 1 nas crianças e nos jovens em Portugal

(Registo DOCE) atingia, em 2015, 3.327 indivíduos

com idades entre 0-19 anos, o que corresponde a

0,16% da população portuguesa neste escalão etário.

A sua incidência tem aumentado cerca de 3% por ano

(Orientação da DGS n.º 003/2012 de 18/01/2012).

Sendo uma das doenças crónicas com maior prevalência

em idade escolar, a coordenação entre os diferentes

níveis de cuidados de saúde configura-se essencial

para a melhoria de todos os processos de assistência

e acompanhamento. A educação para a saúde e para a

autogestão da doença, providenciada por uma equipa

multidisciplinar, altamente diferenciada, permite elevados

padrões de qualidade nos cuidados, melhoria dos

indicadores clínicos e laboratoriais, bem como diminuição

da morbimortalidade.

A criança é um indivíduo vulnerável e dependente de

cuidados prestados por terceiros. Numa transição de

saúde-doença, ou no âmbito da continuidade de cuidados,

esta faixa etária necessita de cuidados de enfermagem

articulados entre si, de modo a conferir à criança

e família cuidados de qualidade. Este projeto surge da

necessidade de melhoria da articulação entre o ACES

Estuário do Tejo (ACES ET) e o Hospital Vila Franca

de Xira (HVFX), auxiliando as famílias e cuidadores de

crianças e jovens com DM inaugural na gestão das suas

dúvidas e preocupações, bem como assegurando uma

continuidade de cuidados. Permite ainda assegurar uma

maior vigilância e mais fácil notificação de situações de

risco e vulnerabilidade infantojuvenil, que careçam de

intervenção imediata.

Em 2016, integrado num projeto transversal ao hospital

sobre transição segura hospital/comunidade, decidiu

a equipa responsável pela saúde infantil e juvenil,

desenvolver o projeto no âmbito da diabetes infantil.

A consulta de diabetes infantil, com cerca de dois anos

de existência, assumia grande potencialidade de desenvolvimento,

contando já com uma equipa multidisciplinar

dedicada (pediatra, enfermeira, assistente social,

psicóloga e dietista). Desta forma, seria possível colocar

em prática as orientações do Programa Nacional para

a Diabetes: participar em projetos/programas de prevenção

da doença e promoção da saúde; promover as

boas práticas no tratamento da Diabetes Mellitus; reduzir

a mortalidade prematura por diabetes ≤ 70 anos;

reduzir as hospitalizações por complicações da diabetes

Enf.

Unidade

Contacto Enf.

Unidade Cuidados

Comunidade

Figura1: Fluxograma de referenciação.

Enf. Chefe atribui

gestor de caso

Contacto pais

durante

internamento

e diminuir o número de amputações major por pé diabético

(DGS, 2017).

A Escola Superior de Enfermagem de Lisboa, em parceria

com o HVFX e ACES ET, formou os profissionais

sobre transição segura e metodologia de projeto, garantindo

assim o apoio na elaboração dos fluxogramas

de referenciação e elaboração de indicadores de processo

e resultados.

Sempre que uma criança/jovem é admitida no Hospital

Vila Franca de Xira, com um episódio inaugural de Diabetes

tipo I, é efetuada uma avaliação das necessidades

individuais da criança/família. A enfermeira da consulta

externa de pediatria, que passa a ser o profissional de

referência neste processo, efetua a referenciação para o

Centro de Saúde onde a criança está inscrita e o ACES

Estuário do Tejo, na ausência de um enfermeiro de família,

define um gestor de caso. É também efetuado o

contacto com o diretor de turma/instituição escolar,

para que a escola se possa preparar para o regresso da

criança à comunidade.

Durante o internamento é dada continuidade à capacitação

da criança/cuidador com formação contínua e

Informação de retorno

do acompanhamento em

Cuidados de Saúde Primários

treino, visando a auto capacitação das famílias e jovens.

Nesta altura, é realizada a reavaliação das necessidades

de formação, através de um questionário específico de

auto perceção e disponibilizada informação escrita.

Ainda durante o internamento, o ACES ET efetua o primeiro

contacto com a família e prepara o contexto escolar

para o regresso da criança à comunidade.

No momento da alta hospitalar, é efetuada a reavaliação

das necessidades formativas e encaminhamento

para o centro de saúde, através da carta de alta médica,

de enfermagem e impresso de educação terapêutica.

Foi elaborada uma lista de enfermeiros de referência

do ACES ET, por unidade de saúde, de forma a garantir

a eficácia da comunicação. A enfermeira de referência

(da consulta externa) realiza o follow up telefónico no

dia seguinte à alta hospitalar.

Em cada consulta de vigilância de saúde, o plano terapêutico

e os conhecimentos e dúvidas da criança/família

são revistos pelo pediatra e nutricionista, sendo referenciado

para áreas de especialidade quando necessário,

nomeadamente para psicologia ou oftalmologia.

Sempre que a criança/jovem vem à consulta é feita a }

32 33


GH Cuidados centrados no doente

Nº de crianças com diagnóstico de diabetes 15

mellitus tipo I

Nº de crianças referenciadas aos Cuidados 15

de Saúde Primários

Tempo médio de resposta da equipa 48h

dos Cuidados de Saúde Primários

após referenciação

Nº de crianças com plano de saúde 15

individual elaborado

Nº de reinternamentos por agudização 5

Hiperglicemia/HbA1c elevada

Nº de reinternamentos por agudização 1

Hipoglicémia

Nº de crianças referenciadas ao HVFX 1

por descontrolo metabólico

Nº de crianças com hemoglobina Glicada 7

entre 6,5 e 7,5

Taxa de adesão à consulta hospitalar 92,8%

Nº de crianças com parentalidade

9

comprometida

Nº de formações para a equipa de saúde 5

(ACES + HVFX)

Nº de documentos divulgados 10

Nº de crianças com diabetes com adesão 14

ao regime terapêutico eficaz

Nº de cuidadores com ganhos

15

de conhecimento

Nº de crianças/jovens com ganhos

15

de conhecimento

Tabela 1: Resultados dos indicadores de avaliação.

revisão dos conhecimentos da criança/família, do plano

terapêutico individualizado pela pediatra e nutricionista

e elaborado o encaminhamento para as áreas da especialidade

(psicologia, oftalmologia).

O canal de comunicação torna-se, assim, permanente

entre a enfermeira responsável pela consulta, as crianças/jovens/famílias

e os enfermeiros gestores de caso.

Estão inseridas no projeto todas as crianças seguidas na

consulta de diabetes infantil do Hospital Vila Franca de

Xira. São referenciadas para os cuidados de saúde primários,

todas as crianças admitidas no serviço de urgência

por diabetes inaugural, mesmo que venham a ser seguidas

noutras instituições hospitalares ou associações.

Com a implementação deste fluxograma pretende-se:

• A melhoria significativa da relação e canais de comunicação

entre Hospital Vila Franca de Xira/ACES ET/

/agrupamentos escolares;

• A capacitação dos familiares cuidadores e profissionais

da rede escolar;

• O aumento da adesão ao regime terapêutico;

• A diminuição de reinternamentos por descompensação

metabólica;

• Melhor controlo metabólico com consequente redução

das complicações tardias;

• A formação contínua dos profissionais envolvidos no

projeto.

São realizadas formações anuais conjuntas de forma a

manter as equipas atualizadas, a uniformizar procedimentos

e linguagem.

O grupo de trabalho reúne semestralmente para avaliar

as atividades desenvolvidas e implementar medidas de

melhoria contínua.

Em 2017, por proposta da UCFD, foi lançado um concurso

para a elaboração da mascote da consulta de diabetes

aos grupos escolares da área de influência do hospital

e assim nasceu o “Herói Diabete”. Foram também

efetuadas campanhas de sensibilização para hábitos de

vida saudáveis junto da comunidade, no Dia Mundial da

Saúde e também no Dia da Criança, em parceria com

a autarquia local. Ainda neste ano, o projeto venceu o

prémio Missão Sorriso do Continente, o que permitiu

adquirir e distribuir às crianças envolvidas sensores de

avaliação contínua da glicemia numa altura em que estes

ainda não eram comparticipados.

No primeiro semestre de 2018, foi aplicado um questionário

de satisfação aos cuidadores, de onde emergiu

a necessidade de melhorar o acompanhamento nas

consultas de psicologia e a articulação com as escolas.

Foram bastante valorizadas as dimensões sobre o apoio

prestado no internamento e na consulta.

De forma a dar resposta a estas necessidades, foi criado

um grupo terapêutico multidisciplinar, com sessões quinzenais

para oito adolescentes entre os 12 e os 16 anos.

Pretende-se ainda otimizar o projeto, desenvolvendo as

seguintes atividades:

• Elaborar a revisão dos protocolos clínicos e compilar

um manual de boas práticas;

• Elaborar um projeto de transição para a consulta

de adultos, com consultas médicas e de enfermagem

conjuntas, uma vez que este ano temos o 1º jovem a

completar 18 anos;

• Reforçar a referenciação existente para a UCC com o

preenchimento do anexo 5 do Programa Nacional de

Saúde Escolar, aquando do episódio inaugural;

• Intensificar o contacto precoce com a escola/família/criança;

• Garantir que 100% das crianças/jovens dos 0 aos

17 anos sejam acompanhadas no âmbito da Saúde

Escolar UCC;

• Garantir que 100% das crianças/jovens dos 0 aos 17

anos tenham PSI elaborado;

• Implementar monitorização semestral através dos sistemas

de informação, articulada com novos episódios.

O desenvolvimento deste projeto permitiu, conforme

estratégia definida para o SNS, colocar o doente

e o cuidador no centro dos cuidados de saúde, desenvolveu

a articulação entre o Hospital Vila Franca

de Xira e o ACES ET, facilitando o acesso aos cuidados

de saúde prestados por ambas as partes. Exigiu a

reorganização dos serviços, com clarificação das responsabilidades,

otimizando os circuitos e criando um

processo mais eficiente e ajustado às necessidades

individuais de cada família.

O projeto permite, na sua totalidade, a replicabilidade

noutras unidades de saúde, uma vez que exige baixos

custos de investimento e que os recursos necessários

à sua implementação são fundamentalmente recursos

humanos já existentes nas instituições. Ã

Diabetes: Factos e Números - O Ano de 2014 - Relatório Anual do Observatório

Nacional da Diabetes 11/2015.

Direção-Geral da Saúde. Programa Nacional de Controlo da Diabetes.

https://www.dgs.pt/programa-nacional-para-a-diabetes.aspx

Direção-Geral da Saúde. Orientação Conjunta Nº006/2016, de 23/11/2016.

Orientação Conjunta da DGS e da Direção-Geral da Educação sobre crianças

e jovens com Diabetes Mellitus Tipo 1 na Escola .

http://www.dgs.pt/programa-nacional-para-a-diabetes/circulares

Direção-Geral da Saúde. Programa Nacional para a Diabetes 2017.

34


GH Segurança do doente

SEGURANÇA DO DOENTE:

EVENTOS ADVERSOS

RELACIONADOS COM O

MEDICAMENTO EM CONTEXTO

INTRA HOSPITALAR

Mavilde Vitorino

Centro Hospitalar

de Lisboa Ocidental

Paulo Sousa

Escola Nacional de Saúde Pública,

Universidade Nova de Lisboa

Pedro Aguiar

Centro de Investigação

em Saúde Publica

A

segurança do doente é um enorme

problema de saúde pública global.

Anualmente estima-se que o risco

de morrer devido a um acidente

clínico evitável, ao receber cuidados

de saúde, seja muito superior que morrer devido

a um acidente de avião (1 em 300 vs 1 em 3 milhões).

No entanto, as indústrias que identificam alto risco de

morte, como a aviação, apresentam sistemas de segurança

mais efetivos que as instituições de saúde 1 .

Para sensibilizar para esta problemática a Organização

Mundial de Saúde (OMS) em 2019 definiu o dia 17

de Setembro como o dia internacional da segurança

do doente e publicou o documento Patient safety fact

file em que alerta para as dez principais causas responsáveis

pela morte e incapacidade de milhões de

doentes na prestação de cuidados de saúde.

A OMS neste documento continua a identificar unsafe

medication practices and errors (dosagens ou perfusões

incorretas, indicações pouco claras, uso de abreviaturas

e prescrições incorretas) como uma das principais

causas de danos evitáveis nos sistemas de saúde ao ní-

vel mundial. Os eventos adversos relacionados com

o medicamento (EArMs) podem surgir devido a falha

no sistema de medicação e/ou fatores humanos como

cansaço, condições de trabalho inadequadas ou

escassez de pessoal que afetam as práticas no circuito

do medicamento (prescrição, armazenamento, preparação,

dispensa, administração e monitorização) 1 .

O EArM é uma lesão nociva e involuntária resultante

da utilização de um medicamento e que ocorre em

doses usadas no doente para profilaxia, diagnóstico,

terapia ou modificação de funções fisiológicas 2 . Nesta

definição está incluída a reação adversa ao medicamento

(RAM) e a intoxicação acidental por medicamentos

(IAM), desde que resultem em lesão.

A ocorrência destes eventos, para além de terem um

impacto significativo na mortalidade e morbilidade, estão

também associados a um aumento dos custos em

saúde 3,4 . Ao nível mundial os custos anuais foram estimados

em 42 biliões de dólares 5 . Em resposta a este

grave problema de saúde pública a OMS em 2017

definiu Medication Without Harm como o terceiro desafio

global na segurança do doente, com o objetivo

de reduzir em 50% os danos evitáveis relacionados

com a medicação até 2022 6 .

Estudos internacionais evidenciam que entre 21.3%

a 0.7% dos doentes hospitalizados apresentam EAr-

Ms 7-10 . Em Portugal a evidência existente também

aponta para uma elevada taxa de EArMs em hospitais.

No estudo elaborado em 2018 por Sousa et al. em

nove centros hospitalares públicos de cuidados agudos,

utilizando a metodologia de revisão do processo

clínico, identificaram uma incidência de 12.5% de

eventos adversos, dos quais 9.8% associados a erros

de medicamentos 11 . De acordo com outros estudos

realizados nos hospitais públicos portugueses, utilizando

informação de tipo administrativo, 1.46% e 1.88%

dos doentes internados apresentaram pelo menos um

EArM 12,13 .

Face aos estudos mencionados anteriormente constatamos

que apresentaram uma elevada frequência

de EArMs mas com significativa heterogeneidade. Esta

diferença de resultados pode estar associada com

a heterogeneidade da população em estudo, definição

de EArM utilizada e metodologia de avaliação 9 .

A metodologia de avaliação da frequência de EArMs

tem sido apurada com o recurso a uma diversidade

de fontes de dados incluindo a revisão de processos

clínicos, a observação direta, os sistemas de notificação

de incidentes, os sistemas baseados em dados administrativos,

entre outros 15 . Estudos realizados com

recurso aos dados administrativos apresentaram taxas

mais elevadas de EArMs comparativamente aos sistemas

notificação espontânea de incidentes e mais baixas

relativamente à revisão do processo clínico 9,13,15,16 .

A utilização de dados administrativos com base na

International Classification of Diseases (ICD) como

suporte para monitorizar os eventos adversos que

ocorrem durante o internamento hospitalar (intra-

-hospitalares), tem vindo a ganhar relevância na última

década pelo facto de requererem menos recursos

- económicos, humanos, entre outros - e estarem

prontamente disponíveis 17 .

No entanto, a análise dos eventos adversos, através

dos dados administrativos, pode detetar eventos que

ocorreram antes da admissão hospitalar. A aplicação

da codificação com “presente na admissão” (PNA) }

36 37


GH Segurança do doente

possibilitou uma análise mais fidedigna dos eventos

adversos ocorridos na fase intra-hospitalar, na medida

em nos permite diferenciar os eventos presentes na

data de admissão hospitalar com dos que foram adquiridos

durante o internamento hospitalar.

Os estudos realizados em Portugal, de âmbito nacional,

com base em dados administrativos ainda não

contemplavam o indicador PNA. Face a esta realidade,

optamos por realizar um estudo com base em

dados administrativos, com o objetivo de analisar os

EArM que ocorreram no contexto intra-hospitalar

Português, a sua associação com a mortalidade e a duração

de internamento, no triénio 2013-2015, com a

aplicação do indicador PNA.

Eventos adversos relacionados com o medicamento

em contexto intra-hospitalar português. Uma análise

com base em dados administrativos

Realizamos um estudo observacional retrospetivo recorrendo

à base de dados de morbilidade hospitalar

(BDMH). Esta base de dados agrega informação de

todos os episódios de internamento e de ambulatório

realizados nos hospitais do SNS, codificados de

acordo com International Classification of Diseases, 9 th

Revision, Clinical Modification (ICD-9-CM). A população

foi constituída por todos os episódios de internamento

em hospitais do SNS de Portugal continental

no período de 01/01/2013 a 31/12/2015. A razão pela

seleção deste período prendeu-se com o facto de o

indicador PNA apenas ter sido introduzido em 2013

na codificação clínica da BDMH e na data de realização

deste estudo ainda existirem dados definitivos

disponíveis posteriores a 2015.

Os códigos que selecionamos para identificar os

EArM intra-hospitalares foram:

Categorias

EArM

Intoxicação acidental

do medicamento (IAM)

Reação adversa

do medicamento (RAM)

Códigos

ICD-9-CM

E850-

858.9

E930-

949.9

Nº de

códigos

50

171

Aplicamos a variável codificada PNA para diferenciar

os EArMs que já estavam presentes no momento da

admissão hospitalar dos que foram adquiridos durante

o internamento hospitalar.

A análise estatística foi efetuada em duas fases. Numa

primeira fase, com a população total em estudo, identificamos

os episódios com pelo menos um EArM

intra-hospitalar (EArM-I). Posteriormente, calculamos

a frequência de EArMs-I associados à IAM e à RAM

e identificamos as classes de medicamentos mais

frequentemente associadas a estes eventos. Numa

segunda fase, comparamos os episódios com EArMs-

-I e uma amostra randomizada de igual número de

episódios sem esse registo de eventos, relativamente

às caraterísticas da população, mortalidade (regressão

logística) e dias de internamento (regressão linear).

Inicialmente foi feita uma análise bivariada com as variáveis

idade, género, tipo de admissão (urgente vs

programada), tipo de tratamento (cirúrgico vs médico),

seis diagnósticos principais mais frequentes nos

episódios com EArM-I, número de diagnósticos secundários

e número de dias de internamento. As variáveis

estatisticamente significativas (p


GH Segurança do doente


OS ADMINISTRADORES

HOSPITALARES DESEMPENHAM

UM PAPEL FULCRAL

NA INTRODUÇÃO

DE UMA NOVA CULTURA

ORGANIZACIONAL DADO

QUE DEVEM SER DETENTORES

DE UMA ELEVADA LITERACIA

EM SEGURANÇA DO DOENTE.


estudos realizados identificaram uma elevada frequência

de EArMs com um impacto significativo na

morbilidade, mortalidade e custos em saúde.

Em resposta a este desiderato têm sido emanadas ao

longo das últimas décadas diferentes estratégias para

reduzir os EArMs, desenvolvidas por instituições de

âmbito internacional e nacional: por exemplo, sabemos

da publicação de nova legislação, do lançamento

de novos desafios junto dos diferentes intervenientes

do setor da saúde, o desenvolvimento de novos

projetos e programas que englobam o uso de novas

tecnologias, da formação específica e da utilização de

novas práticas profissionais. Apesar das múltiplas estratégias

implementadas nas últimas décadas verificamos

que, globalmente, não se tem obtido o sucesso

pretendido, continuando os EArMs a ser considerados

um problema de saúde pública pelas suas repercussões

avassaladoras quer ao nível dos doentes

quer ao nível dos sistemas de saúde 1 . Termos bem

presente a noção de que nem todos os eventos identificados

podem ser evitados mas sabemos que a sua

frequência pode ser reduzida. Por exemplo, segundo

a OMS existem intervenções específicas destinadas

a corrigir potenciais fontes de erro. Destas salientamos

a melhoria dos processos organizacionais internos,

o uso das diferentes tecnologias e a construção/

reforço de uma cultura organizacional mais segura,

transparente e justa 1,6 .

Apesar da cultura de segurança ser considerada um

dos fatores chave para reduzir os eventos adversos

(medicamentoso ou outro), verificamos que esta

ainda não está enraizada nos diferentes e complexos

desempenhos da atividade clínica. Para corroborar

esta afirmação referimos os resultados da avaliação

realizada pela DGS 18 , desenvolvida em 55 unidades

hospitalares em Portugal no ano de 2014. Decorrente

da sua leitura reforçamos a nossa convicção de que

os profissionais de saúde e as instituições ainda não

consideram a cultura de segurança do doente uma

prioridade e a cultura de notificação e aprendizagem

dos hospitais é fraca. Ainda sobre este ponto Faria 19

refere que a “construção de uma verdadeira cultura

de segurança não depende apenas da existência de

um quadro legal adequado, mas de um esforço de

natureza multidisciplinar e da criação de um ambiente

de não-culpabilização dos profissionais de saúde, pois

o risco é inerente ao sector de cuidados de saúde,

subsistindo mesmo perante um pleno cumprimento

das leges artis e das normas de segurança”.

Para a prossecução desta cultura organizacional de

segurança requerem-se mudanças estruturais no seio

das organizações de saúde. Para que possam existir

ruturas com o status quo instalado nas organizações

de saúde entendemos que, antes de se definir a visão

e as novas estratégias da organização, se devem selecionar

em primeiro lugar as pessoas certas para os

lugares certos, ou seja, que estas reúnam as competências

certas - aptidões, conhecimentos e talento 21 .

Isto significa que não dão só respostas ao como fazer

mas, além destas, reúnem também competências individuais

inatas como, por exemplo, o empenho ou

motivação, o raciocínio crítico e a capacidade de relacionamento

que, integradas com as anteriores, permitem

levar à concretização dos objetivos traçados

pela organização 20 .

Segue-se posteriormente a definição da estratégia

a adotar, através do uso dos instrumentos de gestão

onde, de forma eficiente e eficaz, se pretende alocar

os recursos adequados, definir a cultura organizacional

pretendida, desenvolver os processos internos

e externos à organização e introduzir racionalmente

a tecnologia que responda aos objetivos inicialmente

traçados. Sem a assunção efetiva destes pressupostos

todos os outros processos de decisão são potencialmente

redundantes.

Sobre esta matéria sabemos que nas últimas décadas

a evidência nos tem demonstrado que os habituais

modelos utilizados suportados em ações gestionárias

fragmentadas não têm sido de todo eficazes para

redução dos EArMs intra-hospitalares e, consequentemente,

não têm permitido aumentar a segurança

do doente. Dado que as causas subjacentes às ocorrências

dos EArMs intra-hospitalares são de natureza

multifactorial, de uma forma geral, qualquer evento

adverso que atinge o doente não decorre apenas de

uma ação inapropriada de uma única pessoa, mas

sim de uma combinação de fatores que resultam da

falha do sistema. Uma vez mais a evidência apontanos

para a necessidade de se implementar processos

e procedimentos suportados num modelo holístico

olhando para o todo organizacional. Existe por isso

a convicção de que, ao introduzirmos uma cultura organizacional

sistémica, o número de profissionais adequado,

a cultura organizacional, os processos e a tecnologia

devem assumir o mesmo grau de importância,

devendo ser contemplados em simultâneo 6 .

Razões suficientes para se refletirmos sobre a premência

de se implementar uma nova abordagem holística

na redução dos EArMs intra-hospitalares. Dado

que existe a necessidade de se gerirem recursos de

forma eficiente e eficaz, quase sempre muito escassos,

depreendemos que este modelo integrado poderá

ser implementado, de uma forma faseada, através da

introdução de projetos/programas piloto. Uma estratégia

possível seria a de começar por selecionar os serviços

que apresentam um maior número de doentes

com caraterísticas de risco para a ocorrência de EAr-

Ms intra-hospitalares e de prescrições de classes de

medicamentos mais associadas a estes eventos.

De acordo com esta reflexão facilmente depreendemos

que os Administradores Hospitalares desempenham

um papel fulcral na introdução de uma nova

cultura organizacional dado que devem ser detentores

de uma elevada literacia em segurança do doente

permitindo-lhe contribuir decisivamente para a criação

de ambientes promotores de uma exigente cultura

de segurança. Atores fundamentais no sistema

de saúde os Administradores Hospitalares devem ter

uma forte e efetiva participação através da utilização

dos instrumentos poderosos de liderança onde a conjugação

e articulação entre os interesses da organização

interna e externa se apresentam como um desígnio

fundamental. Suportados nestes princípios de

liderança deverão implementar uma gestão integrada

competente que permita desenvolver e fortalecer

uma comunicação interna e externa eficaz, implementando

medidas que sejam entendidas pela maioria

como justas e equitativas, fomentando o trabalho }

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40

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GH Segurança do doente


O ESTUDO QUE REALIZÁMOS

APRESENTOU RESULTADOS

MUITO CONSISTENTES COM

AS DEZENAS DE TRABALHOS

PUBLICADOS NAS ÚLTIMAS

DÉCADAS. AS ESTRATÉGIAS

FORMULADAS PARA A REDUÇÃO

DOS EARMS PARECEM SER

CONSENSUAIS JUNTO

DOS PERITOS.


em equipa, implementando as boas práticas baseadas

na evidência, proporcionando formação profissional

integrada de todos os profissionais de saúde, o respetivo

reporting e todas as práticas que centralizem os

cuidados de saúde no doente.

Finalmente importa referir que o estudo que realizámos

sobre esta temática apresentou resultados muito

consistentes com as dezenas de trabalhos publicados

nas últimas décadas. Curiosamente as estratégias

formuladas para a redução dos EArMs parecem ser

consensuais junto dos peritos. Assim sendo o que falta

para fazermos diferente? O que falta fazer para se

justificar a adotação de boas práticas gestionárias que

venham possibilitar a implementação de uma política

eficaz de segurança dos doentes contribuindo dessa

forma para a redução de um número relevante de

EArMs intra-hospitalares? Como refere Fragata “Não

deixa de ser curioso o facto de as medidas tomadas

para reduzir os erros nos sistemas de saúde, como

o uso de diretrizes clínicas (guidelines) terapêuticas e

tantas outras iniciativas, aparentemente boas, não terem

conseguido ainda fazer da prestação de cuidados

de saúde uma atividade segura, eficiente, uniformemente

geradora de valor e satisfação” 21 . Ã

1. WHO. (2019). “Patient Safety Fact File”. Patient Safety and Risk Management

Service Delivery and Safety. Geneva: WHO.

2. WHO. (2009). “Conceptual framework for the international classification

for patient safety: version 1.1: final technical report”. Geneva: WHO.

3. Poudel et al. (2017). “Burden of hospitalizations related to adverse drug

events in the USA: a retrospective analysis from large inpatient database”.

Pharmacoepidemiol Drug Saf. Jun;26(6):635-41.

4. Weiss, AJ. ; Elixhauser, A. (2006). “Characteristics of adverse drug events

originating during the hospital stay, 2011: statistical brief #164”. In: Healthcare

Cost and Utilization Project (HCUP) Statistical Briefs. Rockville: Agency

for Healthcare Research and Quality.

5. WHO. (2016). “Planning for the global Patient Safety Challenge on Medication

Safety”. Geneva: WHO.

6. WHO. (2017). “Medication without harm: global patient safety challenge”.

Geneva: WHO.

7. Laatikainen et al. (2017). “The prevalence of medication-related adverse

events in inpatients: a systematic review and meta-analysis”. Eur J Clin Pharmacol.

Dec 5;73(12):1539-49.

8. Amelung et al. (2017). “Association of preventable adverse drug events

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9. Martins; A.; Giordani, F.; Rozenfeld, S. (2014). “Adverse drug events

among adult inpatients: a meta-analysis of observational studies”. J Clin

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42


GH TERAPÊUTICAS NÃO CONVENCIONAIS

EFEITOS DA UTILIZAÇÃO

DAS TERAPÊUTICAS NÃO

CONVENCIONAIS E ANÁLISE

DA POSSÍVEL INTEGRAÇÃO

NO SERVIÇO NACIONAL

DE SAÚDE

Marta Bacelar

Administradora Hospitalar

A

escassez de recursos (Barros,

2017), o aumento da prevalência

das doenças crónicas (Direção

Geral da Saúde, 2015), o envelhecimento

da população (o índice de

envelhecimento em 1961 era de 27,5% e em 2015

era de 143,9% (Pordata, 2016)) e o consequente incremento

das despesas em saúde (a despesa total

per capita em 1961 foi de 34,2€ e em 2015 foi de

923,8€ (Pordata, 2017)), afiguram-se como fatores

de pressão à sustentabilidade do Serviço Nacional de

Saúde (SNS) Português.

Os hospitais, como parte do sistema de saúde, devem

concentrar-se em melhorar os resultados de

saúde e, simultaneamente, responder às expectativas

dos cidadãos (European Observatory on Health

Care Systems, 2002). Impõe-se, assim, a necessidade

da sua constante adaptação e a definição de novas

estratégias para ultrapassar estes e outros desafios.

É neste contexto, e na perspetiva de mudança do

paradigma atual do SNS, que surgiu o estudo: “Efeitos

da utilização das Terapêuticas Não Convencionais

(TNC) e análise da possível integração no Serviço

Nacional de Saúde”.

Em Portugal, as TNC estão definidas como “Terapêuticas

que partem de uma base filosófica diferente

da medicina convencional e aplicam processos específicos

de diagnóstico e terapêuticas próprias”. Em

2003, foram inicialmente reconhecidas seis TNC:

a Acupuntura, Fitoterapia, Homeopatia, Naturopatia,

Osteopatia e Quiropráxia (Lei n.o 45/2003), tendo

sido, em 2013, acrescida a Medicina Tradicional Chinesa

(Lei n.o 71/2013).

As TNC podem assumir um papel preponderante

na prevenção e na consequente redução dos custos

com o tratamento (Sierpina e Dalen, 2013). A introdução

das TNC no SNS Português poderá ser um

caminho para diminuir os custos de utilização de serviços

de saúde e proporcionar formas complementares

de tratamento. Efetivamente, existem TNC que

têm demonstrado um potencial para reduzir a intensidade

dos sintomas do cancro, melhorando o bem-

-estar do doente, em que a grande maioria utiliza

uma abordagem não farmacológica e que tem potencial

de implementação, sendo ainda necessária, no

entanto, mais investigação (Witt e Cardoso, 2016).

Nas últimas décadas, a utilização das TNC a nível europeu

tem vindo a aumentar, registando-se que mais

de 70% dos cidadãos utilizam-nas ou já as utilizaram

(Nissen et al., 2012). De facto, os cidadãos europeus

utilizam as TNC para o tratamento de doenças

crónicas (osteoarticulares, alérgicas, tratamento da dor,

etc.), mas também para a promoção e manutenção

da saúde, uma vez que tem aumentado a literacia em

saúde, e consequentemente aumentado o self-empowerment,

autocuidado e prevenção de doenças

(Fischer et al., 2014).

Enquadramento

A OMS defende no documento “Estratégia para

a Medicina Tradicional 2014-2023” (World Health

Organization, 2013) como estratégico apoiar os estados

membros a:

1. Aproveitar o contributo potencial das TNC para

a saúde, bem-estar e prestação dos cuidados de saúde

centrados na pessoa e cobertura universal;

2. Promover uma utilização segura e eficaz das TNC

através da regulamentação, investigação e integração

de produtos, práticas e profissionais de TNC no sistema

de saúde.

Muitos países já reconhecem a necessidade de desenvolver

uma abordagem coesa e integradora de

cuidados de saúde que permita aos governos, profissionais

de saúde e a todos os que utilizam os serviços

de saúde terem acesso às TNC de forma segura,

respeitosa, custo-eficiente e eficaz.

As doenças crónicas e os custos em saúde continuam

a aumentar a nível mundial. O aumento previsto

da carga global das doenças crónicas é uma das

razões para o desenvolvimento e intensificação da }

44 45


GH TERAPÊUTICAS NÃO CONVENCIONAIS


O PRESENTE ESTUDO,

QUE ANALISOU A UTILIZAÇÃO

DAS TNC E A SUA POSSÍVEL

INTEGRAÇÃO NO SNS,

POSICIONA-SE COMO

UM NOVO TEMA NO ATUAL

PANORAMA DA GESTÃO

EM SAÚDE E DA ADMINISTRAÇÃO

HOSPITALAR.


utilização partilhada das TNC e da medicina convencional

(World Health Organization, 2014). De facto,

as TNC são utilizadas não só para tratar doenças,

especialmente doenças crónicas, mas também contribuem

para a prevenção, promoção e manutenção

da saúde, tendo já alguns governos comprovado que

são rentáveis (World Health Organization, 2013).

Também Stahl e al. defendem que as terapêuticas

do corpo e da mente têm potencial para reduzir,

substancialmente, a utilização dos cuidados de saúde

a custos relativamente baixos e podem ser utilizadas

como componentes chave no sistema de prestação

de cuidados de saúde (Stahl et al., 2015).

Esta evidência foi descrita numa revisão bibliográfica

que analisou 338 avaliações económicas sobre

as TNC, incluindo 114 avaliações completas, publicadas

entre 2001 e 2010, cujas fontes de dados foram

a PubMed, CINAHL, AMED, PsychInfo, Web of

Science and EMBASE. As análises de custo-utilidade

encontradas sobre as TNC foram de qualidade semelhante

ou superior às publicadas sobre medicina

convencional. Os estudos de maior qualidade indicam

um potencial de custo-efetividade e até mesmo

redução de custos em diversas TNC e populações

(Barnes et al., 2012).

Os EUA criaram, em 1988, o National Center for

Complementary and Integrative Health (NCCIH),

que é um dos National Institutes of Health (NIH),

pertencente ao US Departament of Health and Human

Services, cujo objetivo é “definir, através da investigação

científica rigorosa, a utilidade e segurança

das intervenções de saúde complementar e integrativa

e o seu papel na melhoria da prestação dos

cuidados.” Este Centro dispõe de um orçamento

de 124,1 milhões de dólares e tem 74 profissionais.

O NCCIH tem como objetivo estratégico determinar

o que é promissor, o que ajuda e porquê, o que

não funciona e o que é seguro (U.S. Department

of Health & Human Services. National Institutes of

Health. National Center for Complementary and Integrative

Health, 2015).

Em Portugal, um longo caminho tem sido percorrido

desde 2003, com o objetivo de garantir a utilização,

qualidade e segurança da utilização das TNC,

como preconizado pela OMS (World Health Organization,

2013).

Assiste-se, no entanto, à iniquidade no acesso às TNC

pelos cidadãos portugueses, pois, embora haja legislação

e de terem sido emitidas, pela ACSS, cédulas

profissionais aos terapeutas para poderem exercer as

TNC, ainda não é possível que todos os cidadãos tenham

acesso às TNC no SNS. Quem tem recursos financeiros

pode adquirir estes serviços no setor privado.

No entanto, quem tem somente acesso ao SNS,

vê-se confrontado com a disponibilização de apenas

algumas das sete TNC e em alguns hospitais, com a

agravante dos tempos de espera nos hospitais onde

existem estas valências (Jornal do Centro, 2016) e

(Diário de Notícias, 2015). Nos casos de tratamento

oncológico, que outras alternativas disponibilizam

atualmente os hospitais além da quimioterapia, radioterapia

e tratamentos farmacológicos? A possibilidade

de usufruírem de outras terapêuticas que não as convencionais

está praticamente negada aos utentes do

SNS, e nos casos em que é possível a sua disponibilização,

apenas é possível pelos profissionais médicos.

Objetivos

O presente estudo, que analisou a utilização das

TNC e a sua possível integração no SNS, posiciona-se

como um novo tema no atual panorama da

gestão em saúde e da Administração Hospitalar,

pretendendo ser uma mais-valia para esta área, em

particular, e para o SNS, em geral.

Metodologia

O presente estudo incidiu sobre uma amostra de utilizadores

dos dois espaços físicos da Associação Mama

Help: o Mama Help localizado no Porto e o Mama

Help/Saúde Estrutural localizado em Lisboa,

tendo sido distribuídos 100 questionários no total.

O Mama Help/Saúde Estrutural em Lisboa recebe

doentes em tratamento da Fundação Champalimaud,

de outras instituições privadas e alguns (raramente)

do setor público. O Mama Help no Porto recebe

também maioritariamente doentes de unidades

privadas de saúde, proporcionando tratamentos individualizados

e profissionalizados, centrados na pessoa,

e disponibilizando diversas TNC concentradas

num único espaço (Mama Help, 2015).

Foram distribuídos dois questionários (um criado para

o estudo e o SF12v2 ® ) aos utilizadores da Associação

Mama Help, 24 no Porto e 76 em Lisboa. O QualityMetric

Incorporated (EUA) foi contactado e disponibilizou

o questionário SF12v2 ® e a aplicação informática,

Scoring Software 5.0 , para o tratamento

dos dados a recolher. Foi assinado um protocolo de

utilização por ambas as partes. A análise estatística

dos dados foi realizada através do software SPSS ®

(Statistical Pachage for the Social Sciences), versão

24.0, Microsoft Office Excel ® 2016 e Scoring Software

5.0 .

Resultados

Constatou-se que 41% dos inquiridos tinha idade

compreendida entre os 18 e os 49 anos, 70% tinha

nível de habilitações literárias superiores e 74% era

do sexo feminino, o que corrobora a literatura analisada,

que carateriza os utilizadores das TNC como

sendo mais jovens, mais educados, de nível socioeconómico

mais elevado e mulheres.

As TNC mais utilizadas são a Osteopatia e a Acupuntura,

com 72% e 52% utilizadores, respetivamente,

sendo a razão mais frequente para essa escolha

o aumento da qualidade de vida, seguindo-se razões

do foro psicológico, designadamente, a redução da

ansiedade, stress e sintomas depressivos.

Verificou-se que 22% dos inquiridos assumiram a decisão

de utilizar as TNC, sem qualquer recomendação

de outrem e 67% decidiram utilizar as TNC sem

qualquer indicação de um profissional de saúde da

medicina convencional ou das TNC, indiciando uma

preponderância de self-empowerment e autocuidado

(Fischer et al., 2014), igualmente preconizado no relatório

“Um Futuro para a Saúde - todos temos um }

46


GH TERAPÊUTICAS NÃO CONVENCIONAIS


PRECONIZA-SE QUE SEJAM

TOMADAS TODAS

AS DILIGÊNCIAS NECESSÁRIAS

PARA QUE, A BREVE TRECHO,

AS TNC PASSEM A INTEGRAR,

EM PLENO, O SNS, DANDO

CONTINUIDADE AO

CAMINHO JÁ PERCORRIDO.


papel a desempenhar” (Crisp et al., 2014).

Na avaliação da utilização das TNC e o seu impacto no

bem-estar dos utilizadores, verificou-se que 96% dos

inquiridos se sente melhor e muito melhor e que nenhum

inquirido respondeu pior ou muito pior, o que

reflete uma inequívoca melhoria do bem-estar decorrente

da utilização das TNC e que consideram

que estas devem ser integradas no SNS.

Recomendações

1. Criação do Instituto Nacional das TNC

Dos dados recolhidos e analisados, verificou-se que

67% dos inquiridos escolheram utilizar as TNC por

sua própria vontade ou por recomendação de amigos

e familiares. No entanto, nem sempre é fácil ter acesso

a informação adequada, atualizada e com qualidade,

pois mesmo que exista a possibilidade de pesquisa livre,

é necessária uma orientação, sem a qual o problema

de saúde pode ser agravado, ao invés de mitigado.

Entende-se pertinente propor a criação de um Instituto

em Portugal específico para as TNC, à semelhança

do NCCIH nos E.U.A., sob a égide da Direção

Geral da Saúde, cuja missão seja a promoção da investigação

das TNC e o acompanhamento da sua utilização,

para garantir o máximo de segurança aos cidadãos,

evolução e inovação destas terapêuticas.

2. Inclusão de questões sobre as TNC no Inquérito

Nacional de Saúde

À semelhança dos E.U.A. que utilizam o National

Health Interview Survey (NHIS) e do Reino Unido

que utiliza o inquérito nacional Omnibus para estimarem

os níveis de utilização das TNC e a sua correlação

com dados socio-económicos, considera-se

que devem passar a ser integradas questões sobre

as TNC no “Inquérito Nacional de Saúde Português”,

cumprindo a “Estratégia para a Medicina Tradicional

2014-2023” da OMS que defende a criação do perfil

nacional das TNC em cada país.

Estes dados permitirão explorar a relação da utilização

das TNC com várias dimensões, como por exemplo

com os comportamentos de saúde, género, as diferenças

entre a medicina convencional em complementaridade

com as TNC e aqueles que utilizam apenas

as medicinas convencionais.

3. Reconhecimento das despesas com a utilização

das TNC como despesas de saúde

Atualmente, as despesas com a utilização das TNC

não são consideradas despesas de saúde e não podem

ser deduzidas em sede de IRS. Já o Parlamento

Europeu, na sua proposta de resolução de 1997, defendia

que não há liberdade de acesso ao tratamento

da escolha dos cidadãos se houver uma discriminação

ao nível do reembolso das despesas de TNC.

Conclusão

Considera-se que devem ser desenvolvidos mais estudos

sobre as TNC no SNS, que permitam não só

analisar outras dimensões, como a redução do consumo

de medicamentos, do recurso aos Meios Complementares

de Diagnóstico e Terapêutica (MCDT),

da realização de intervenções cirúrgicas e outros cuidados

de saúde. Estes devem ser assumidos por um

Instituto em Portugal específico para as TNC a criar,

à semelhança do que verifica em 73 países da OMS,

cuja missão seja a promoção da investigação das TNC

e o acompanhamento da sua utilização, salvaguardando

a segurança dos cidadãos, bem como a evolução

e inovação destas terapêuticas

Atento o exposto, preconiza-se que sejam tomadas

todas as diligências necessárias para que, a breve trecho,

as TNC passem a integrar, em pleno, o SNS,

dando continuidade ao caminho já percorrido. Considerando

a evidência comprovada dos benefícios,

seja em melhorias terapêuticas, seja na redução de

custos, e dada a garantia verificada na qualidade e segurança

dos utentes, este estudo confirma que as TNC

constituem um fator preponderante num sistema de

saúde. A expetativa para esta integração visa, sobretudo,

uma melhoria significativa nos resultados obtidos

no tratamento dos utentes, na redução dos custos

em saúde e um incremento relevante na saúde,

bem-estar e satisfação da população. Ã

Barros, Pedro Pita - Economia da saúde. 3a ed. Lisboa : [s.n.]. ISBN

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48


GH Iniciativa APAH | Congresso eahm

APAH PROMOVE VISITA TÉCNICA

A HOSPITAIS BELGAS DE GESTORES

HOSPITALARES PORTUGUESES

NO ÂMBITO DO EAHM2019

Com o objetivo de promover a aquisição

e ganho de competências assim

como a disseminação de conhecimentos

e o desenvolvimento de parcerias

de colaboração, a Associação Portuguesa

de Administradores Hospitalares (APAH) promoveu

a participação de uma delegação de gestores

hospitalares portugueses ao 28.º Congresso da European

Association of Hospital Managers (EAHM).

A 28.ª edição do EAHM (EAHM2019) foi este ano

dedicada ao tema “Innovative Healthcare Strategies”

tendo a organização desde ano ficado a cargo da

Belgian Association of Hospital Managers (BVZD/

ABDH). A APAH é um membro efetivo da EAHM,

associação que reúne 28 associações de gestores

hospitalares em 25 países europeus representando

mais de 16.000 profissionais de gestão em hospitais

públicos e privados na Europa. A APAH está igualmente

representada no Board, no Executive Committe

e na Sub-Comissão de Assuntos Europeus da EAHM.

No ano passado a APAH organizou em Cascais, de

26 a 28 de setembro, o 27.º Congresso da EAHM

(EAHM2018) sob o tema "Redefining the Role of

Hospitals - Innovating in Population Health". A iniciativa

contou com a participação de mais de1100 delegados

oriundos de 45 países do mundo e na qual

participaram mais de 150 oradores convidados distribuídos

por mais de 50 sessões científicas e formativas.

Portugal sempre teve uma tradição de grande de presença

na EAHM tendo já recebido por três vezes esta

iniciativa: Espinho em 1984, Lisboa em 1999 e Cascais

em 2018.

A estrutura da edição 2019 do Congresso (EAHM

2019) foi diferente da anterior e na base do evento estiveram

visitas técnicas a seis novos hospitais belgas com

o objetivo de partilharem a sua experiência e resultados

nas seguintes áreas: big data e saúde digital; finanças

e economia da saúde; edifícios inteligentes e logística:

gestão, governação e ética em saúde; inovação

e tecnologia e arquitetura curativa.

As visitas técnicas incluíram os seguintes hospitais belgas:

AZ Groeninge, AZ Delta Chirec, AZ Delta Roeselare,

AZ Maria Middelares, AZ Zeno e o Antwerp

University Hospital. São 6 hospitais modernos que

trazem novidades na área da arquitetura hospitalar, da

transformação digital, das condições de trabalho dos

profissionais, da ética, da sustentabilidade e gestão financeira

e da melhoria da eficiência e da organização

com fluxos centrados no doente e suas famílias.

O EAHM2019 contou com a presença de cerca de

três dezenas de administradores e gestores portugueses,

de entre um total de quatro centenas de participantes,

que se distribuíram pelas visitas aos 6 hospitais

belgas. No decurso destas visitas a delegação portuguesa

teve a oportunidade de contactar com a realidade

do Sistema de Saúde Belga e dos modelos

de gestão das suas instituições hospitalares. Dos vários

momentos do Congresso destacam-se ainda

os “EAHM Innovation Awards 2019”, uma iniciativa

que foi presidida por Alexandre Lourenço, Presidente

da APAH, e que tem como objetivo promover a inovação

nos hospitais e disseminar as melhores práticas.

A delegação portuguesa ao EAHM2019 contou com

o apoio da SPMS, Roche, ViforPharma, Generis, Sanofi

e Pfizer. Em 2020 o 29.º Congresso da EAHM será

realizado de 30 de setembro a 2 de outubro, em Budapeste,

e terá como temas principais em análise: 1) Tecnologias

do futuro; 2) Hospitais “Go Green” e 3) “Doctor

Who” Novos papéis nos cuidados de saúde. Ã

50


GH Iniciativa APAH | PRÉMIO Healthcare Excellence

PRÉMIO RECONHECE AS MELHORES

PRÁTICAS DE GESTÃO EM SAÚDE

A

Associação Portuguesa de Administradores

Hospitalares (APAH),

com o apoio da biofarmacêutica

AbbVie, promove no próximo dia

18 de outubro, em Braga, a 6.ª edição

do Prémio Healthcare Excellence que irá premiar

as melhores iniciativas de gestão de serviços de

saúde implementadas durante o ano de 2018.

Os projetos candidatos ao Prémio Healthcare Excellence

são a prova da qualidade das nossas Instituições

de Saúde, são projetos inovadores que, com grande

criatividade, procuram superar limites e revelam ser

verdadeiros casos de sucesso.

São, muitas vezes, ideias aparentemente simples para

a resolução de problemas muitas vezes comuns às várias

Instituições de Saúde, fáceis de adaptar, que exigem

pouco ou nenhum investimento financeiro, mas

que permitem simultaneamente contribuir para a sustentabilidade

da Saúde em Portugal e assegurar ganhos

com grande impacto e valor para a qualidade de

vida dos doentes e das suas famílias.

Este é o objetivo do Prémio Healthcare Excellence:

premiar e distinguir a excelência, reconhecendo

as boas práticas no domínio da melhoria do serviço

aos utentes, promovendo a sua partilha como

ponto de partida para a criação de um verdadeiro

network colaborativo entre as várias Instituições de

Saúde e incentivar a sua implementação pelo Sistema

de Saúde Português.

Na reunião final do Prémio serão apresentados os

projetos finalistas e será distinguido o Vencedor da

edição 2019. Para além da qualidade da apresentação

final dos projetos candidatos, a inovação e a replicabilidade

em outras instituições de saúde são também

critérios de avaliação. A decisão ficará a cargo do júri

constituído por Margarida França, Presidente do Júri e

Presidente do Conselho de Administração do Centro

Hospitalar Baixo Vouga; Dulce Salzedas, Jornalista da

SIC; Maria José Costeira, Médica neonatologista do

Hospital da Senhora da Oliveira de Guimarães e Ricardo

Mestre, Vogal Executivo da Administração Central

do Sistema de Saúde.

Ao longo destes anos a adesão ao Prémio Healthcare

Excellence tem sido crescente, com um número

de projetos candidatos que evidenciam claramente a

dinâmica e a qualidade do trabalho que todos os dias

é desenvolvido nas Unidades de Saúde em Portugal.

Em 2019, foram recebidas 12 candidaturas, das quais

6 serão apresentadas na reunião final. Entre os finalistas

estão projetos do Centro Hospitalar e Universitário

de Coimbra, Centro Hospitalar e Universitário

de Lisboa Norte (Hospital Santa Maria), Hospital de

Vila Franca de Xira, Centro Hospitalar e Universitário

de Lisboa Central (Hospital Dona Estefânia) e da Associação

de solidariedade social - Aldeias Humanitar.

À semelhança da edição anterior a 6.ª Edição do Prémio

Healthcare Excellence será emitida em livestream

no Canal APAH “Gestão em Saúde” no You-

Tube permitindo assim a participação de todos os interessados.

Marque já na sua agenda. Ã

Prémio Healthcare Excellence

5 Edições | 5 Vencedores

2014 - Centro Hospitalar de São João

Inteligência Clínica

2015 - Centro Hospitalar do Porto

Implementação da metodologia Kaizen Diário, com

as equipas naturais envolvidas na atividade do Bloco

Operatório no Hospital de Santo António

2016 - Hospital Vila Franca de Xira

Capacitar para Melhor Cuidar - O cuidador no Projeto

Vida Ativa

2017 - Unidade Local de Saúde de Matosinhos

Portal do Utente de Matosinhos

2018 - Instituto Nacional de Emergência Médica

Via Verde Reanimação

52


GH Iniciativa APAH | fórum do medicamento

A EQUIDADE, A EFETIVIDADE

E A SUSTENTABILIDADE NO ACESSO

À INOVAÇÃO MARCAM A 11. A EDIÇÃO

DO FÓRUM DO MEDICAMENTO

HOMENAGEM AOS SÓCIOS

DE HONRA E MÉRITO DA APAH

GH cerimónia comemorativa

A

pressão para o aumento do investimento

na área da saúde, agravada

pelo progressivo envelhecimento

da população e pela evolução tecnológica,

nomeadamente o desenvolvimento

de novos medicamentos e de meios de

diagnóstico mais eficazes, a par com as expectativas

mais exigentes da população, marcam profundamente

as sociedades e os Sistemas de Saúde.

Contudo, e face às restrições orçamentais, os Sistemas

de Saúde dos países mais desenvolvidos têm experimentado

uma grande variedade de reformas nos seus

modelos de acesso e de financiamento, com o objetivo

de reduzir a incerteza causada pela introdução, por

exemplo, de novos medicamentos e o seu impacto na

sustentabilidade económica e financeira privilegiando

uma aposta em modelos baseados na partilha de risco,

na medição do valor e na efetividade dos resultados.

É sob o lema “Equidade, Efetividade e Sustentabilidade

no acesso à inovação” que a Associação Portuguesa

de Administradores Hospitalares (APAH) realiza na

manhã do próximo dia 15 de novembro de 2019 no

Centro Cultural de Belém, sala Sophia de Mello Breyner,

a 11.ª edição do Fórum do Medicamento.

O Fórum do Medicamento é uma iniciativa anual da

APAH, que conta com o apoio da AstraZeneca, e

que visa contribuir para o conhecimento e para a par-

tilha de boas práticas na área da gestão da tecnologia

do medicamento.

Na edição deste ano do Fórum do Medicamento faremos

uma análise da equidade e efetividade no acesso

aos medicamentos inovadores nos hospitais do

Serviço Nacional de Saúde (SNS), contando para essa

avaliação e discussão com a apresentação pública dos

resultados do “Índex nacional do acesso ao medicamento

hospitalar“. Esta é uma iniciativa da APAH e da

Ordem dos Farmacêuticos que conta com o apoio

científico da Faculdade de Farmácia da Universidade

de Lisboa e que tem como objetivos estudar:

1. O nível de acesso ao medicamento hospitalar e analisar

os correspondentes modelos de gestão, mecanismos

de criação de evidência e os sistemas de informação

que lhe estão associados;

2. Identificar as barreiras e problemas existentes associados

à gestão do medicamento nas Unidades Hospitalares

do SNS.

Também em análise na edição deste ano do Fórum

do Medicamento estão os desafios do financiamento

de tecnologias inovadoras e a necessidade de

serem encontradas novas respostas face aos novos

desafios que se colocam aos sistemas de saúde. Uma

vez mais esta iniciativa trará até nós o estado da arte

nacional e na Europa sobre estas temáticas e para

perspetivar quer as implicações quer as alternativas

para Portugal contaremos com as palestras de António

Araújo, Presidente do Conselho Regional do

Norte da Ordem dos Médicos, que nos apresentará

os “Contributos para a construção de uma Via

Verde do Pulmão” e com Wouter van Leeuwen,

partner e Diretor da Boston Consulting Group, que

nos falará do exemplo holandês para “A standartização,

o benchmarking e o trabalho colaborativo como

promotores da melhoria contínua”.

À semelhança das edições anteriores o Fórum do Medicamento

2019 será também emitido em livestream

no Canal APAH “Gestão em Saúde” no YouTube permitindo

assim a participação de todos os interessados.

Marque já na sua agenda. Ã

Por ocasião da Comemoração dos 50 Anos da Administração

Hospitalar em Portugal, a APAH presta homenagem às

seguintes personalidade distinguindo-as como:

S Ó C I O S d e H O N R A

A n t ó n i o C o r r e i a d e C a m p o s

A u g u s t o M a n t a s

C o r i o l a n o F e r r e i r a

D o n H o l l o w a y

E d u a r d o C a e t a n o

J o s é C a l d e i r a d a S i l v a

SÓCIOS DE MÉRITO SÓCIOS DE HONRA

António Correia de Campos

Don C. Holloway Jr.

António Menezes Duarte

João Urbano

Jorge Simões

S Ó C I O S d e M É R I T O

Margarida Bentes

A n t ó n i o M e n e z e s D u a r t e

E d u a r d o S á F e r r e i r a

F á t i m a N o g u e i r a

F e r n a n d a D i a s

J o ã o U r b a n o

J o ã o S a n t o s C a r d o s o

J o r g e S i m õ e s

J o r g e V a r a n d a José Nogueira da Rocha

J o s é C a r l o s L o p e s M a r t i n s

J o s é M e n e s e s C o r r e i a

J o s é N o g u e i r a d a R o c h a

J ú l i o R e i s

M a n u e l D e l g a d o

M a r g a r i d a B e n t e s

R a u l M o r e n o

V a s c o R e i s

José Meneses Correia

Augusto Mantas

Eduardo Caetano

Eduardo Sá Ferreira 1

Maria de Fátima Nogueira

Coriolano Ferreira

José Caldeira da Silva

Fernanda Dias

João Santos Cardoso 2

Jorge Varanda 3 José Carlos Lopes Martins 4

Júlio Pereira dos Reis

Manuel Delgado 5

Raúl Moreno Rodrigues

Vasco Reis

1

Presidente da APAH

(1981-1984),

2

Presidente da APAH

(1984-1987),

3

Presidente da APAH

(1988-1992),

4

Presidente da APAH

(1986-1989),

5

Presidente da APAH

(1992-2008).

www.apah.pt

54

55


GH 50 anos Administração Hospitalar

CERIMÓNIA COMEMORATIVA

DOS 50 ANOS DA

ADMINISTRAÇÃO HOSPITALAR

EM PORTUGAL

Foto de família.

Abertura da Cerimónia: Alexandre Lourenço (Presidente da APAH), Marta Temido (Ministra da Saúde), João Pereira (Diretor da ENSP).

Em Portugal, a Profissão de Administrador

Hospitalar, então chamada de

“provedor”, já vem expressa no “Regimento

do Hospital de Todos os Santos”

de 1504. Mas é com a revista

“Hospitais Portugueses”, editada em 1948 por Coriolano

Ferreira, que a criação da profissão é relançada.

Nos anos subsequentes, a administração hospitalar

vai alastrando pelos hospitais portugueses num

contexto de controvérsia em que se discutia, com

vários pretextos, a quem devia ser entregue o poder

nos hospitais: médicos, e de entre estes, docentes

universitários de Medicina, ou figuras de emanação

política. Ao mesmo tempo, reforçando a argumentação

favorável à profissionalização da administração

hospitalar, e seguindo à distância o percurso dos Estados

Unidos onde esta opção surgira no final da década

de 20 do século passado, defendia-se a criação

de uma formação específica.

Em 1968, o Decreto-lei n.º 48.357 e o Decreto-lei n.º

48.358, ambos de 27 de abril, para além de estabelecerem

que “os estabelecimentos e serviços hospitalares

devem organizar-se e ser administrados em termos

de gestão empresarial” (artigo 35.º do Decreto-Lei n.º

48.357) criam e regulamentam a carreira de Administração

Hospitalar.

Decorrido meio século de história, a APAH realizou no

passado dia 24 de abril, pelas 14h30, no Salão Nobre da

Escola Nacional de Saúde Pública, a Cerimónia Comemorativa

dos "50 anos da Administração Hospitalar em

Portugal", cuja Sessão de Abertura contou com a participação

da Ministra da Saúde, Prof.ª Doutora Marta

Temido, acompanhada pelo Prof. Doutor João Pereira,

Diretor da Escola Nacional de Saúde Pública e por Alexandre

Lourenço, Presidente da APAH.

No decurso desta Cerimónia, foram vários os momentos

de homenagem ao contributo dos Administradores

Hospitalares para a construção do Serviço Nacional de

Saúde, começando pela exibição do vídeo de tributo

à vida e obra do Professor Coriolano Ferreira, seguida

de uma intervenção do Professor Nogueira da Rocha.

Foi igualmente atribuído o Prémio Professor Coriolano

Ferreira, que visa distinguir anualmente o melhor aluno

do Curso de Especialização em Administração Hospitalar

(CEAH) da Escola Nacional de Saúde Pública, e que

nesta edição foi entregue à aluna Mavilde Vitorino.

Respeitando o mote dado pelo Presidente da APAH,

Alexandre Lourenço, no seu discurso inicial: “Foram várias

as gerações de homens e de mulheres que ao longo

do tempo contribuíram para a construção de melhores

e mais eficientes serviços de saúde. Esta Cerimónia é

sobre estas pessoas”, a Cerimónia prosseguiu com a homenagem

e distinção entregue aos Sócios de Honra e

Sócios de Mérito da APAH.

A APAH distinguiu António Correia de Campos, Augusto

Mantas, Coriolano Ferreira, Don Holloway, Eduardo

Caetano e José Caldeira da Silva como Sócios de

Honra; e distinguiu António Menezes Duarte, Eduardo

Sá Ferreira, Fernanda Dias, João Urbano, João Santos

Cardoso, Jorge Simões, Jorge Varanda, José Carlos Lopes

Martins, José Meneses Correia, José Nogueira da

Rocha, Júlio Reis, Maria de Fátima Nogueira, Manuel

Delgado, Margarida Bentes, Raúl Moreno e Vasco Reis,

como Sócios de Mérito.

A Cerimónia terminou com a sessão de lançamento do

livro “50 anos em 20 olhares. O percurso da Administração

Hospitalar em Portugal”, que pretende ser uma

reconstrução histórica dos principais marcos que diferenciaram

esta carreira profissional, contada na primeira

pessoa, através de um conjunto de entrevistas a

grandes nomes da Administração Hospitalar cujo legado

muito contribuiu para a desenvolvimento das

Instituições de Saúde e do SNS, nas últimas cinco décadas.

A apresentação contou com os comentários de

anteriores Ministros da Saúde, Maria de Belém Roseira

e Paulo Macedo. Ã

56 57


GH 50 anos Administração Hospitalar

Lançamento Livro “50 anos em 20 Olhares”, Alexandre Lourenço, Paulo Macedo (ex. Ministro da Saúde), Maria de Belém Roseira (ex Ministra da Saúde), Carla Pedro

(autora do livro). Na foto ao lado, Mavilde Vitorino, vencedora do Prémio Coriolano Ferreira 2019, ladeada por Sílvia Lopes (ENSP) e Filomena Santos (IQVIA).

Cerimónia de distinção aos Sócios de Honra da APAH.

Cerimonia de distinção aos Sócios de Mérito da APAH.

58 59


GH Iniciativas APAH

60

61


GH Informação técnica e comercial

MONITORES MÉDICOS LG TECNOLOGIA

INTELIGENTE E DESIGN SOFISTICADO

Com uma vasta oferta de tecnologias e

soluções para o mercado empresarial,

a LG está rapidamente a tornar-se líder

no mercado B2B. Os produtos da Empresa

de Soluções Comerciais da LG

incluem gamas de monitores LCD, ecrãs comerciais

versáteis, infotainment auto e soluções telemáticas, sistemas

avançados de som e sistemas de segurança melhorados

digitalmente. A LG continuará a investir nestas

áreas de produtos e soluções comerciais, estabelecendo

novos padrões em tecnologia.

A empresa salienta que a sua área comercial de monitores

está a crescer mais rapidamente do que a média

do mercado devido à mistura perfeita de tecnologia

inteligente e design sofisticado. A LG dedicou muitos

esforços à criação de monitores LCD amigos do

ambiente com diminuição dos consumos energéticos

e eliminando materiais prejudiciais, como o mercúrio.

Na oferta para o segmento dos monitores, a marca

destaca os monitores IPS que proporcionam imagens

nítidas com alterações suaves nas cores, independentemente

do ângulo de visualização. A qualidade de

imagem do monitor cirúrgico da LG cumpre aos requisitos

das salas de operações. Com o seu ecrã IPS

com 8MP e 27", o monitor cirúrgico melhora a eficiência

de trabalho, não só ao permitir uma observação

mais detalhada, como também ao exibir múltiplas

aplicações de imagiologia.

É relevante destacar o facto de que, no campo da medicina,

os monitores devem disponibilizar imagens

precisas e de uma forma consistente, especialmente

para as escalas de cinzas que podem até variar entre

dois monitores do mesmo modelo. Para assegurar o

sombreado mais consistente e preciso que é possível

para imagens médicas, a LG mede e estabelece todas

as escalas de cinza na linha de produção para produzir

um monitor que cumpra com o DICOM Part 14.

Um outro exemplo da fiabilidade das soluções da

empresa expressa-se na certificação pelo Infarmed

do Monitor de Revisão Clínica de 1,3 MP, que apresenta

enorme fidelidade na reprodução de imagem

e é adaptado às necessidades e requisitos dos equipamentos

de diagnóstico médico.

Este monitor médico cumpre com a Norma ISO22

196 (medida anti-microbiana incorporada para inibir

o crescimento de bactérias que possam afetar o in-

vólucro deste produto). Tem tecnologia Flicker Safe,

que reduz a cintilação no ecrã, minimizando o cansaço

visual e a fadiga ocular. Ao combinar o Flicker Safe

com a qualidade de imagem provada da tecnologia

IPS, os utilizadores podem trabalhar confortavelmente

ao longo do dia.

A LG assegura também a sua alta durabilidade e o fato

de ser anti riscos para proteger o ecrã durante um

procedimento cirúrgico. O ecrã frontal do monitor cirúrgico

da LG tem um nível de proteção IP35 e na parte

de trás tem um nível IP32, protegendo-o contra

água ou fluídos com os quais possa entrar em contacto

durante uma operação. Além das proteções de

impermeabilização, a sua superfície lisa permite a limpeza

fácil do painel 8MP e dos botões de controlo.

A destacar ainda o vidro de ligação ótico que reduz

consideravelmente s reflexão interna entre o vidro

exterior e o LCD para melhorar a precisão. Esta capacidade

anti reflexiva melhorada permite um ecrã

mais brilhante e acentuado para a mais alta qualidade

de imagem. Ã

A LG destaca as seguintes soluções

diferenciadas para o universo hospitalar:

Monitor de Revisão Clínica de 1,3 MP

Estrutura de plástico com propriedades anti-bacterianas

330 cd/m2 e NTSC de 72%

Rápido tempo de resposta

Estabilização de brilho

Two-Way Pivot

Monitor de Revisão Clínica de 8MP 4K

Estrutura de plástico com propriedades anti-bacterianas

350 cd/m2 e sRGB a99%

Rápido tempo de resposta

Estabilização de brilho

Monitor de Diagnóstico IPS 3MP de 21,3"

Ecrã IPS 3MP de 21.3”

Sensor automático de luminosidade

Calibração Automática e Remota

Design Ergonómico

Monitor Cirúrgico 27" IPS 8MP Premium

UHD

Ecrã IPS 8MP Premium UHD

sRGB superior a 99%, sRGB a 115%

Video Anti-Reflexo

Dynamic Sync Mode e Tempo de Resposta Rápido

IP35 & IP32 Resistente a Poeiras e Água

62


MARCA A AGENDA

A Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) promoveu e apoiou as seguintes iniciativas (julho - setembro 2019):

“3F - Financiamento, Fórmula para o Futuro” | Apresentação

pública na Assembleia da República

2 de julho de 2019, Assembleia da República - Lisboa

Apresentação pública das recomendações do projeto “3F - Financiamento,

Fórmula para o Futuro” e do desenvolvimento dos

Projetos Piloto FAROL e POLARIS a decorrer no IPO Porto e

Centro Hospitalar Trás-os-Montes e Alto Douro. Todos os conteúdos

apresentados no âmbito desta apresentação pública estão

disponíveis para visualização no “Canal APAH - Gestão em Saúde”

no Youtube. Mais informações em https://apah.pt/portfolio/3f/

“AVC e Doenças Cardiovasculares” | Momentos Expresso

3 de julho, Montes Claros - Lisboa

A iniciativa contou com a participação de Delfim Rodrigues, Vice-Presidente

da APAH, no painel de debate “Mudar a primeira

causa de morte em Portugal - uma missão de todos” incluído no

evento ‘AVC e Doenças Cardiovasculares’.

Uma organização do Expresso com o apoio da Bayer Portugal que

incluiu a apresentação das primeiras conclusões do estudo “Impacto

económico da aterosclerose em Portugal” realizado pelo

Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência.

7.º Webinar do Ciclo Luso-Brasileiro “Gestão em

Saúde” | “O papel do Líder na implantação de projetos

de gestão da experiência do paciente”

30 de julho de 2019, Webconferência

O Ciclo Luso-Brasileiro de “Webinars de Gestão de Serviços de

Saúde” é uma iniciativa, da APAH e do Colégio Brasileiro de Executivos

da Saúde (CBEXs), com o objetivo de estreitar relações e

promover a excelência na gestão da saúde através da discussão de

temas relevantes para os gestores de saúde que exercem funções

no Brasil e em Portugal. Esta edição foi dedica ao “O papel do líder

na implantação de projetos de gestão da experiência do paciente”

e teve como oradora Andréa Drumond, Presidente do Chapter de

ACADEMIA

Controlo de Gestão Hospitalar | Seminário PADIS

1 e 2 de julho de 2019 - AESE Business School

Esta formação inserida na Academia APAH foi assegurada pela

AESE e teve como objetivo fortalecer a formação contínua dos

profissionais de saúde que desempenham funções de gestão e

Santa Catarina do CBEXs. Todos os conteúdos apresentados no

âmbito deste webinar estão disponíveis para visualização no “Canal

APAH - Gestão em Saúde” no Youtube.

EAHM 2019 | Innovative Healthcare Strategies

12 e 13 de setembro de 2019, Ghent - Bélgica

A edição 28.º do Congresso da European Association of Hospital

Managers (EAHM) foi este ano dedicado ao tema “Innovative

Healthcare Strategies” tendo a organização ficado a cargo da Belgian

Association of Hospital Managers (BVZD/ABDH). A iniciativa

na qual participou uma delegação portuguesa, composta por

35 gestores em saúde, contou igualmente com a moderação de

Alexandre Lourenço, Presidente da APAH, na sessão “Innovation

Awards 2019”. Veja a reportagem nesta edição. Mais informações

em: http://eahm2019.eu/venue/ghent-belgium

ECCO 2019 | Cimeira Europeia do Cancro

13 de setembro de 2019, Bruxelas - Bélgica

O Presidente da APAH, Alexandre Lourenço, participou como

moderador da sessão “How does access to innovative cancer medicines

fit in high quality cancer care and well-functioning health

system as a whole?”.

Mais informações em: https://www.eccosummit.eu

19.º Caminho dos Hospitais | Instituto Português de

Oncologia de Lisboa

27 de setembro de 2019, IPO Lisboa

IPO Lisboa acolheu mais uma edição da iniciativa promovendo a

conferência/debate “Medicina personalizada - O que mudou na

prática clínica e na economia”. Todos os conteúdos apresentados

no âmbito desta iniciativa estão disponíveis para visualização no

“Canal APAH - Gestão em Saúde” no Youtube.

Para mais informações consulte https://apah.pt/portfolio/caminhodos-hospitais/

A Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) promoveu no âmbito da Academia APAH as seguintes iniciativas formativas (julho - setembro 2019):

EVENTOS +

Deixamos aqui algumas sugestões de eventos futuros em 2019:

ORGANIZAÇÃO APAH

Prémio Healthcare Excellence | Reunião Final

de eleição do Vencedor 2019

Data: 18 de outubro de 2019

Local: Hotel Vila Galé Collection Braga

Mais informações: ver artigo na presente edição e em https://

apah.pt/portfolio/premio-healthcare-excellence/

7.ª Conferência de VALOR APAH | Modelos

de gestão centrados no cidadão e na comunidade

Data: 18 e 19 de outubro de 2019

que desejam aprofundar as suas competências na área de Controlo

de custos hospitalares. A iniciativa contou com o apoio

da ViforPharma. Conheça em detalhe o Programa do curso em

https://apah.pt/noticia/academia-apah-seminario-padis-controlode-gestao-hospitalar/

Local: Hotel Vila Galé Collection, Braga

Mais informações em: http://www.apah.pt

Novos Modelos de Contratação Pública

| Que Futuro para a Gestão Hospitalar?

Data: 5 de novembro de 2019

Local: AESE Business School, Lisboa

Mais informações em: https://apah.pt/pec-events/novos-modelos-de-contratacao-publica-que-futuro-para-a-gestao-hospitalar/

XI Fórum do Medicamento | Equidade, Efetividade

e Sustentabilidade no Acesso à Inovação

Data: 15 de novembro de 2019

Local: C. Cultural de Belém (Sala Sophia de Mello Breyner), Lisboa

Mais informações em: https://apah.pt/iniciativas-projetos/forum

-do-medicamento/

CO-ORGANIZAÇÃO APAH

Caminho dos Hospitais

- Conferência/debate

Organização: APAH em parceria com Hospitais do SNS e Serviços

Regionais de Saúde

Data: Periodicidade trimestral

Mais informações em: https://apah.pt/iniciativas-projetos/caminho-dos-hospitais/

Webinars Luso-Brasileiro “Gestão em Saúde”

Organização: Parceria APAH + CBEXs

Data: Periodicidade trimestral

Local: Webconferência

Mais informações em: www.apah.pt

Webinars “Saúde Digital”

Organização: Parceria APAH + SPMS

Data: Periodicidade mensal

Local: Webconferência

Mais informações em: www.apah.pt

Medicina e Administração de Sistemas de Saúde

- Ciclo Conferências 2019

Organização: Parceria APAH e Secção Regional Norte da Ordem

dos Médicos (SRNOM)

Mais informações em: https://apah.pt/iniciativas-projetos/medicina-e-administracao-de-servicos-de-saude/

APAH RECOMENDA em 2019

Investir em saúde - Financiar anos de vida

Organização: Janssen - Johnson & Johnson e Jornal de Negócios

Data: 2 de outubro de 2019

Local: Pavilhão do Conhecimento, Lisboa

Mais informações em: https://cofinaeventos.com/conferenciainvestiremsaude/

22 th European Health Forum

Organização: European Health Forum Gastein (EHFG)

Data: 2 e 4 de outubro de 2019

Local: Bad Hofgastein, Áustria

SNS - O Futuro começa HOJE

Organização: Fundação para a Saúde - SNS

Data: 15 de outubro de 2019

Local: Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

Prémio Pedro Pita Barros

| Cerimónia de entrega do Prémio

Organização: Associação Portuguesa de Economia da Saúde

(APES)

Data: 16 de outubro de 2019

Local: Hotel Olissipo Oriente, Lisboa

Mais informações em: http://apes.pt/atividades/premioppb-2

16ª Conferência Nacional de Economia

da Saúde (CNES)

Organização: Associação Portuguesa de Economia da Saúde

(APES)

Data: 16 a 18 outubro de 2019

Local: Hotel Olissipo Oriente, Lisboa

Mais informações em: https://16cnes.apes.pt

IHF Webinar | “Implementando um plano

de longo prazo no NHS”

Organização: International Hospital Federation (IHF)

Data: 16 de outubro de 2019 (13h00)

Local: Webconferência

Mais informações e inscrições em: https://zoom.us/webinar/

register/2815695841614/WN_EwKjgOa8R_CmjBUOrqaaiw?-

fbclid=IwAR2OT0ZvqpW-iQ-KAhRJKBMHGsmXh8In82_

Fu4MFmgU0HuxqL9nlRjYr4HU

Conferência AUA Hospitalização Domiciliária

| Cerimónia de entrega de Prémios :: Hospital 2.0

Organização: Angelini University Awards (AUA)

Data: 17 de outubro de 2019

Local: Local: Pavilhão do Conhecimento, Lisboa

Mais informações e inscrições em https://aua.pt/pt/home-pt/

C-Health Congress 2019 | Singularidade na Saúde

Organização: IFE

Data: 22 de outubro de 2019

Local: Centro Cultural de Belém, Lisboa

Mais informações e inscrições em: https://www.c-healthcongress.pt/

43 rd World Hospital Congress | “People at the

heart of health services in peace and crisis”

Organização: International Hospital Federation (IHF)

Data: 7 a 9 de novembro de 2019

Local: Muscat, Oman

Mais informações em: https://worldhospitalcongress.org/

INOFARMA: digital + healthcare

Organização: INOFARMA

Data: 14 de novembro de 2019

Local: NOVA SBE - Carcavelos

Mais informações em: https://www.inofarma.org/

13ª Edição do Prémio de Boas Práticas

em Saúde® (PBPS)

Organização: Associação Portuguesa para o Desenvolvimento

Hospitalar (APDH)

Data: 21 de novembro de 2019

Local: Edifício-sede da Polícia Judiciária, Lisboa

Mais informações em http://www.apdh.pt/evento/2

Conferência SNS no Feminino

Organização: Associação Portuguesa para o Desenvolvimento

Hospitalar (APDH) e PWN Lisbon

Data: 22 de novembro de 2019

Local: Edifício-sede da Polícia Judiciária, Lisboa

Mais informações em http://www.apdh.pt/evento/3

Health Care Summit 2019

| Bridging the inequality gap through innovation

Organização: POLITICO

Data: 21-22 de Novembro de 2019

Local: Amsterdão, Holanda

Mais informações em: https://diievents.dii.eu/annual-health-care-summit/

EHMA Executive Workshop

| “Reconfiguring and leading the value-based

hospital”

Organização: European Health Management Association

Data: 11-12 de dezembro de 2019

Local: Bruxelas - Bélgica

Mais informações em: https://ehma.org/executive-workshop/

64 65


2 PESSOAS

POR SEGUNDO

120 PESSOAS

POR MINUTO

172.800 PESSOAS

POR DIA

Este é o número

de vidas que

são melhoradas

através das nossas

tecnologias médicas

e terapêuticas.

Através da nossa

missão de aliviar a dor,

restabelecer a saúde

e prolongar a vida,

ajudamos todos os

anos a melhorar a vida

de milhões de pessoas

em todo o mundo.

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