Revista Dr Plinio 261

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Dezembro de 2019

Hagiografia

florões colaterais; quão

vastos, imensos, ricos,

não há palavra humana

que saiba dizer, mas

meramente colaterais.

Nesse conhecimento

dos homens São João

Evangelista conheceu

Nossa Senhora, e podemos

imaginar com

que encantos, enlevos,

venerações ele passou

por esse verdadeiro

universo de belezas

espirituais que é Maria

Santíssima.

Suprassumo

da Sabedoria

Francisco Barros

Qual é a aplicação

de tudo isto para nós?

Devemos compreender

bem o que é a verdadeira

Sabedoria. Existe

tanta gente por aí

que, quando se fala que

as criaturas refletem a

Deus, pensa na florzinha,

na graminha ou

então na montanha, na

águia, mas não cogita

no homem. É bom pensar

nessas coisas porque

também espelham

a Deus. Mas o por onde

mais conhecemos o

Criador através de suas criaturas é no

homem, que sendo racional e tendo

alma é feito à imagem e semelhança

de Deus.

Conhecer o homem é conhecer

não esta ou aquela alma individual,

mas a contextura geral das relações

entre as almas. Assim como quando

Deus criou o universo e depois

repousou, o Gênesis diz que Ele

considerou que cada coisa era boa,

mas o conjunto era ótimo, também

quando olhamos os homens podemos

nos extasiar diante da beleza

de uma alma, mas o conjunto delas

Nossa Senhora com São João aos pés da Cruz

Notre-Dame-de-Bon-Secours, Montreal, Canadá

é mais bonito. Um santo é um sol de

beleza, mas a Igreja Católica Apostólica

Romana, que é o conjunto de

todos os santos, é mais bela do que

a pura soma aritmética de todos os

seus santos.

O conjunto das almas humanas,

os seus movimentos, as suas inter-relações,

a sociedade de almas, as leis

da História que nestas se verificam,

cuja perfeição é decorrência das próprias

perfeições de Deus, enquanto

servindo para julgar os homens, tudo

isto é o suprassumo da Sabedoria e,

portanto, do conhecimento de Deus.

Lírio que floresce

na noite, do lodo e

sob a tempestade

Percebemos assim

quanto fundamento

há em insistir em que

a vida espiritual se faça

com esta riqueza,

quando se procura utilizar,

por exemplo, a

temática “Revolução

e Contra-Revolução”

como um alimento para

a vida espiritual.

As nossas reuniões

são a aplicação de

princípios da História,

com um fundamento

metafísico e teológico,

aos acontecimentos

presentes para nos situarmos

numa espécie

de mirante, de onde

vemos esses acontecimentos

e a nossa própria

vida individual.

Mirante altíssimo onde

percebemos todos

os séculos de civilizações

anteriores que

ruem numa espécie de

catástrofe majestosa e

grandiosa, e se espatifam

em pedaços imundos

de imoralidade e

revolta. Castigo espetacular

de um mundo grandioso

que cai de tão alto e de um modo

tão trágico porque abandonou a

Deus. Vemos a grandeza desse castigo

de nações inteiras que se liquefazem,

se fundem e perdem seu espírito,

que vivem dentro das ruínas

de seu próprio passado, sem compreendê-lo.

Nessa liquefação de toda a humanidade

para formar uma só massa

animalizada e tendente para a barbárie,

vemos algo de muito mais alto:

a realização de um superior desígnio

de Deus. Nas imensidades do

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