DialogosSuburbanos_Preview

morula

Com o mérito de conciliar reflexões sólidas, estudos sistemáticos e linguagem acessível, este livro desmonta o senso comum sobre subúrbios como lugares degradados, perigosos, tristes, à margem de uma cidade pulsante, praieira, solar, criativa e afável. O Rio de cartão-postal, havaianas no pé e biscoito Globo, não é aquele que norteia este livro.

Os subúrbios que passam por aqui são lugares que engendram sociabilidades, criam redes de proteção social, são disputados e negociados dinamicamente por seus habitantes, apresentam diversidades culturais. Por aqui se aprende que a divisão espacial histórica da cidade remonta à concessão das primeiras sesmarias, discutem-se as relações entre a casa e rua, a construção de certo imaginário sobre o Estado e os subúrbios a partir de conjuntos residenciais, as especificidades de Inhaúma e dos subúrbios da Leopoldina, o papel da imprensa suburbana, as interações e hibridismos na configuração da cidade, as resistências e reexistências cotidianas.

O que fica como mais relevante neste conjunto de artigos é a certeza absoluta de que não há gente melhor para contar as histórias e geografias dos subúrbios, discutir a elaboração da memória suburbana na fronteira entre lembrança e esquecimento, os saberes, delícias e dores da maior parte da cidade, do que os próprios suburbanos. É disso que se trata: os subúrbios têm voz.

Trecho do prefácio de Luiz Antonio Simas

Diálogos

Suburbanos

Identidades e lugares

na construção da cidade

[ orgs.]

joaquim justino dos santos

rafael mattoso

teresa guilhon (orgs.)

joaquim justino dos santos

rafael mattoso

teresa guilhon


Sempre me ressenti de ver poucas publicações

de estudos sobre o subúrbio.

Neste livro, professores, arquitetos,

geógrafos, historiadores, cientistas,

balburdiando em pesquisa, traçaram

algumas histórias do subúrbio através de

edificações planas, verticais, amorosas,

em elo com suas histórias, seus pertences,

seus gracejos, seus anseios de cultura, de

amanhã de luta, de resistência. Assim

vêm os vestígios de moradias, de histórias,

de lugares, de emoções como Irajá, Vaz

Lobo, Madureira, Inhaúma. Da imprensa

com seus seres intelectuais, esbanjando

seu conhecimento, com sua gíria suburbana,

com seus patrimônios. Salve Penha,

subúrbios da Leopoldina, Bonsucesso,

Ramos, onde foi fincada a Tamarineira do

meu Cacique. Estas histórias nos

conduzem ao cerne do que construímos e

ainda podemos construir para entendermos

nosso sentimento suburbano de

pertencimento. Tenhamos a graça, a

ginga, a fé, mas, acima de tudo, tenhamos

responsabilidade com nossa história.

E este livro nos leva nesta aventura. Uma

delícia de ler para quem é suburbano, para

quem quer entender como se constrói

castelos com todas as portas abertas, sem

saídas, só entradas para uma sociedade

mais justa.

Eu, como Suburbanista, agradeço imensamente

esse olhar ao nosso passado e

suas redondilhas.

Valeu Ana Slade, Antonio Pedral, Celeste

Ferreira, Flávia Nascimento, Flávio Lima

e Luiz Claudio, também a Joaquim Justino,

Leando Climaco, Luiz Paulo, Nilce

Aravecchia, Paula Albernaz, Rafael

Mattoso e Rodrigo Bertame.

dorina santos


patrocínio:

realização:

apoio:



joaquim justino dos santos

rafael mattoso • teresa guilhon

[ orgs. ]

Diálogos

Suburbanos

Identidades e lugares

na construção da cidade


Copyright © Diálogos Suburbanos

Todos os direitos desta edição reservados

à MV Serviços e Editora Ltda.

capa e identidade visual

Carolina Costa

revisão

Carolina Machado

cip-brasil. catalogação na publicação

sindicato nacional dos editores de livros, rj

D527

Diálogos suburbanos : identidades e lugares na construção da

cidade / organização Joaquim Justino dos Santos, Rafael Mattoso,

Teresa Guilhon. - 1. ed. - Rio de Janeiro : Mórula, 2019.

272 p. ; il. ; 23 cm.

Inclui bibliografia e índice

ISBN 978-85-65679-99-2

1. Urbanismo - Rio de Janeiro (RJ) - História. 2. Subúrbios - Rio

de Janeiro (RJ) - História. I. Santos, Joaquim Justino dos. II. Mattoso,

Rafael. III. Guilhon, Teresa.

19-60358 CDD: 307.14098153

CDU: 911.375.632(815.3)(09)

R. Teotônio Regadas, 26/904 — Lapa — Rio de Janeiro

www.morula.com.br | contato@morula.com.br


Sumário

7 | O subúrbio e sua arquitetura

JEFERSON SALAZAR

09 | prefácio: Vozes dos subúrbios

LUIZ ANTONIO SIMAS

11 | apresentação: Um mapa colaborativo e afetivo

TERESA GUILHON

15 | Lugares de Inhaúma e Irajá na história do lugar e na formação

do subúrbio carioca: séculos XVI ao XX

JOAQUIM JUSTINO MOURA DOS SANTOS

39 | O patrimônio e a paisagem cultural dos subúrbios cariocas

LUIZ PAULO LEAL DE OLIVEIRA

63 | Entre o sagrado e o profano: matriz de Irajá e o Cine Vaz Lobo

LUIZ CLAUDIO MOTTA LIMA • MARIA CELESTE FERREIRA

87 | Olhares para os subúrbios da Leopoldina a partir

de Bonsucesso, Ramos e Olaria

MARIA PAULA ALBERNAZ

115 | O conjunto residencial da Penha: imaginários e representações

do Estado no subúrbio carioca

NILCE ARAVECCHIA-BOTAS • FLÁVIA BRITO DO NASCIMENTO

139 | A casa e a rua: moradia, trabalho e convívio comunitário

no subúrbio carioca

ANA SLADE

163 | Histórias e vivências suburbanas: valorização das experiências

cotidianas na resistência cultural dos subúrbios cariocas

RAFAEL MATTOSO

191 | Imprensa e subúrbios: entre suplemento, noticiário

e instrumento de militância

LEANDRO CLÍMACO MENDONÇA

221 | Subúrbio e periferia: onde a cidade é híbrida

ANTÔNIO JOSÉ PEDRAL SAMPAIO LINS

241 | Subúrbios Cariocas, uma deriva contemporânea sobre o nosso chão

RODRIGO CUNHA BERTAMÉ RIBEIRO • FLAVIO LIMA

269 | sobre os autores



9

O subúrbio e sua arquitetura

A arquitetura começou a ser considerada pelo governo federal como cultura

apenas em 2010. No entanto, a arquitetura é uma das profissões mais antigas

do mundo e as origens das cidades remontam à antiguidade. Durante todo

este tempo, a humanidade se organizou em espaços, construiu relações e

interagiu com e nas cidades, aprimorou técnicas construtivas, criou diversas

formas de morar e de viver. A arquitetura, portanto, requer um resgate dos

patrimônios, materiais e imateriais, dos municípios, das cidades.

Esta é uma das razões que leva o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do

Rio de Janeiro a desenvolver, desde 2013, o programa de Patrocínio Cultural.

Por meio dele, o CAU/RJ incentiva publicações, eventos, filmes e outras

produções que valorizem a arquitetura e urbanismo, seja propondo debates

com a população, seja recuperando a história dos municípios ou a trajetória

e as contribuições de importantes profissionais.

Outro motivo está relacionado à missão do Conselho: promover arquitetura

e urbanismo para todos. Neste sentido, a escolha do projeto Diálogos

Suburbanos é mais do que pertinente. Algumas reações à divulgação das

palestras que precederam esta publicação mostram a importância do diálogo

em um mundo cada vez mais excludente e encapsulado em suas convicções.

Como arquitetos e urbanistas temos o dever de contribuir para a ampliação

do direito às cidades e à habitação e de desconstruir a equivocada noção de

que a arquitetura e urbanismo é para poucos.

Arquitetura e urbanismo é cultura, mobilidade, patrimônio, habitação

social. E os subúrbios são territórios férteis para discutir esses assuntos e

buscar novas soluções. Conhecer a história e as dinâmicas dos subúrbios

cariocas nos engrandece não apenas como profissionais, mas como cidadãos.

jeferson salazar

presidente do conselho de arquitetura e urbanismo do rio de janeiro



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prefácio

Vozes dos subúrbios

luiz antonio simas

Lima Barreto gostava de frisar que não existia um subúrbio, e sim “subúrbios”:

plurais, múltiplos, diversos, complexos em meio a semelhanças.

Tomo o escritor carioca como referência porque foi dele que me lembrei ao

ler os ensaios que compõem estes Diálogos Suburbanos — um conjunto de

reflexões interdisciplinares escritas por autores que são, em sua maioria,

moradores dos subúrbios, professores dos ensinos médio e universitário,

geógrafos, historiadores, arquitetos e urbanistas.

Com o mérito de conciliar reflexões sólidas, estudos sistemáticos e linguagem

acessível, o que se lê aqui desmonta o senso comum sobre subúrbios como

lugares degradados, perigosos, tristes, à margem de uma cidade pulsante,

praieira, solar, criativa e afável. O Rio de cartão-postal, havaianas no pé e

biscoito Globo, não é aquele que norteia este livro.

Os subúrbios que passam por aqui são lugares que engendram sociabilidades,

criam redes de proteção social, são disputados e negociados

dinamicamente por seus habitantes, apresentam diversidades culturais.

Por aqui se aprende que a divisão espacial histórica da cidade remonta à

concessão das primeiras sesmarias, discutem-se as relações entre a casa e

rua, a construção de certo imaginário sobre o Estado e os subúrbios a partir

de conjuntos residenciais, as especificidades de Inhaúma e dos subúrbios da

Leopoldina, o papel da imprensa suburbana, as interações e hibridismos na

configuração da cidade, as resistências e reexistências cotidianas.

No meu trabalho como historiador e professor dedicado aos estudos

sobre a cidade, reparo que há um certo reducionismo — que se expressa na

mídia e até mesmo em estudos acadêmicos — que enxerga a cidade a partir


12

Diálogos Suburbanos

da dicotomia entre morro e asfalto. É como se as nuances e complexidades

urbanas que deram origem ao processo de formação dos subúrbios, acelerado

na transição entre a Monarquia e a República e concomitante às reformas

higienistas do início do século XX, fossem apenas um apêndice no processo

mais amplo de configuração de uma cidade partida.

Ignora-se que os subúrbios são antíteses da ideia de cidade partida: eles

operam na lógica do cerzimento da cidade, a partir de encontros, afetos,

contradições, violências, batuques, rezas, cheiros, corpos contidos em altares

e corpos funkeados em bailes. Sem romantizar o precário, mas reconhecendo

que a precariedade gera soluções de mundo no decorrer do processo

histórico, este Diálogos Suburbanos desde já se impõe como referência para

entender o Rio de Janeiro.

O que fica como mais relevante neste conjunto de artigos, porém, é a

certeza absoluta de que não há gente melhor para contar as histórias e

geografias dos subúrbios, discutir a elaboração da memória suburbana na

fronteira entre lembrança e esquecimento, os saberes, delícias e dores da

maior parte da cidade, do que os próprios suburbanos. É disso que se trata:

os subúrbios têm voz.


13

apresentação

Um mapa colaborativo e afetivo

teresa guilhon

mestre em bens culturais e projetos sociais

presidente d'o instituto

Encontrar o lugar da cidadania no Rio de Janeiro de hoje é um desafio. A

cidade, marcada há muito como espaço de afirmação das diferenças, parece

não parar de produzir enormes desigualdades e, ao mesmo tempo, quase

como uma força oposta, tem potencial para gerar permanentemente uma

série de soluções e visões alternativas. Para juntá-las, precisamos cada vez

mais de espaços de escuta e diálogo, aqueles onde podemos reunir pessoas

de origens, visões e perspectivas diversas para trocar, produzir e amplificar

conhecimentos e saberes, estimulando a criação de formas de atuação

colaborativas inovadoras.

O Instituto Contemporâneo de Projetos e Pesquisa – O INSTITUTO –

se lançou, em 2009, em busca dos rumos possíveis para a construção de

uma cidade mais democrática, mais harmônica e mais humana, através

da criação e gestão de espaços de encontro, presenciais e virtuais, como

o fórum que reuniu não só as ideias dos 13 autores que compõem esta

publicação, como outros novos olhares sobre os subúrbios cariocas.

Não por acaso, o coletivo Diálogos Suburbanos deu o título de Olhares

contemporâneos: múltiplas dimensões da suburbanidade ao evento

que encerrou um ciclo de sete debates abertos, realizados no bairro de

Oswaldo Cruz durante o ano de 2019, em encontros mensais* que tive o

prazer de coordenar e produzir.

* Para ver os detalhes da programação que o ciclo Diálogos Suburbanos desenvolveu em 2019,

acesse a página do Diálogos Suburbanos no Facebook .


14

Diálogos Suburbanos

O livro que agora temos nas mãos, o qual esperamos que contribua para

dirimir a carência de publicações multidisciplinares sobre a história e a

dinâmica dos territórios suburbanos, é, ele mesmo, fruto de um processo

colaborativo. A partir da ideia inicial, proposta pelo professor Rafael Mattoso,

vimos nascer um projeto que envolveu rodas de conversa com muita troca

entre pontos de vista diversos e diferentes áreas do conhecimento, sempre

pensando na valorização dos espaços suburbanos e nos questionamentos,

novos e velhos, sobre o papel que representam na metrópole carioca.

O que apresentamos aqui é um mapa dos caminhos traçados entre passado

e presente, na construção das identidades suburbanas, bem como, de certa

forma, a celebração de sua resistência.

O artigo que inicia o desenho desse percurso é “Lugares de Inhaúma e

Irajá na história do lugar e na formação do subúrbio carioca: séculos XVI

ao XX” e vem para realmente nos abrir os caminhos. A metodologia da

“história do lugar”, criada pelo autor para auxiliar o ensino em escolas, é um

instrumento de recuperação da memória e das identidades locais, bem como

de aproximação entre escola e comunidade, estimulando nos alunos maior

interesse pelo estudo da realidade em que estão inseridos. Através da sua

leitura ficamos a par de como funcionavam esses dois centros propulsores

da dinâmica econômica e social da colônia, como eram as suas divisões

político-administrativas (sesmarias, freguesias, engenhos) e como afetavam

a população da cidade em desenvolvimento. Seguimos o caminho pelo artigo

“O patrimônio e a paisagem cultural dos subúrbios cariocas", que nos leva a

olhar para questões que envolvem os subúrbios no contexto do sítio declarado

patrimônio mundial, na categoria paisagem cultural urbana. Ainda aqui,

desfrutamos da análise do autor sobre que marcas são deixadas no ambiente

natural pelas transformações urbanas e as escolhas que as tornam visíveis

ou invisíveis ao longo do tempo. Desse ponto em que nos encontramos, mais

precisamente do alto da Serra dos Pretos Forros, propõe-se um mergulho

mais fundo. Em direção ao legado cultural de duas construções de diferentes

épocas, diferentes espíritos de uma herança material construída por mãos

humanas, cuja história está em “Entre o sagrado e o profano: Matriz de Irajá

e o Cine Vaz Lobo”. De que forma esse patrimônio permanece enraizado na

alma suburbana?

“Olhares para os subúrbios da Leopoldina a partir de Bonsucesso, Ramos e

Olaria” inaugura, no livro, quase uma nova seção, pois começa aí uma estrada


que leva a outras vias de abordagem, dentre os pesquisadores do Diálogos

Suburbanos. Escrito a várias mãos, trata-se um inventário das singularidades

espaciais, econômicas e sociais, que marcaram e ainda hoje impactam os

bairros da chamada região da Leopoldina. Ainda na Grande Leopoldina, a

presença das políticas públicas é o mote para o próximo texto, “O conjunto

residencial da Penha: imaginários e representações do estado no subúrbio

carioca". É através da análise de um projeto de habitação popular no Estado

Novo que as autoras nos revelam os aspectos históricos e sociais relevantes

para entender as dinâmicas do crescimento em direção aos subúrbios, assim

como os atores nelas envolvidos.

Este tema será reforçado no artigo seguinte, que entra nas ruas, becos,

vielas e casas suburbanas para analisar “Moradia, trabalho e convívio comunitário

no subúrbio carioca”. Aqui nos interessam os improvisos, as soluções,

as relações entre o público e o privado intervindo no desenho da arquitetura,

que resulta como característica do subúrbio no Rio de Janeiro e que marca

a paisagem dessa região da cidade.

Depois desse quase flanar pelos bairros suburbanos e suas trajetórias

na evolução urbana da metrópole, dá vontade de conhecer aqueles que ali

fincaram suas raízes e fazem desse espaço sua identidade. Mais uma vez a

“história do lugar” se faz presente em “Histórias e vivências suburbanas:

valorização das experiências cotidianas na resistência cultural dos subúrbios

cariocas”. Perguntas como “existe uma cultura suburbana?”, ou “de que forma

ela se articula e cria sistemas de resistência na cidade?”, servem de ponto de

partida para o artigo, que se delineia quase como uma etnografia dos microespaços,

fazendo, ao longo do texto, uma ponte entre passado e presente. A

realidade que passamos a enxergar, gravitando em torno de vivências do dia

a dia nesses espaços, ganha corpo com a pesquisa minuciosa apresentada

em “Imprensa e subúrbios: entre suplemento, noticiário e instrumento de

militância”, onde se levantam outras vozes – a dos intelectuais, letrados e

comerciantes abastados que atuaram na criação de diversos periódicos,

contexto que iria influenciar um certo “imaginário de subúrbio” no início

do século XX, com implicações em várias áreas da dinâmica social local.

Os dois últimos artigos do livro fecham de forma muito oportuna o

exercício proposto aqui, que se poderia chamar de “diálogo de todos com

todos”. Em “Subúrbio e periferia: onde a cidade é híbrida”, nosso olhar é

puxado novamente para uma perspectiva macro, para o desenho da cidade

15


16

entre o rural e o urbano e os processos que causam a diluição e quase desaparecimento

de fronteiras, estimulando muitas vezes um acirramento da

afirmação das múltiplas identidades culturais. O olhar da arquitetura e do

urbanismo, presentes de forma determinante neste livro, é certamente uma

contribuição de grande relevância para a discussão da origem das relações

de segregação e fragmentação presentes na cidade. O artigo nos convida,

em suma, a um passeio pela complexidade do conceito de território na

vida urbana contemporânea. E com mais alguns passos neste caminho

chegamos a um vasto universo de conceitos multifacetados, um espaço

fluido que permite as mais diversas interpretações, em “Subúrbios Cariocas,

uma deriva contemporânea sobre o nosso chão”. As interpretações aqui são

experimentadas pelos autores, a partir de diversas bases e pontos de vista:

da filosofia, da arquitetura, da cultura, da literatura, da música, da religião.

O que são e o que podem ser, afinal, os subúrbios cariocas?

Um diálogo que não termina...


271

Sobre os autores

ana slade é arquiteta e urbanista, professora da Faculdade de Arquitetura

e Urbanismo da UFRJ, mestra em Artes Visuais pela UFRJ e doutoranda em

Urbanismo no PROURB/FAU-UFRJ.

antonio josé pedral sampaio lins é arquiteto, urbanista e paisagista pela

FAU-UFRJ. Mestre e doutor em urbanismo pelo PROURB/FAU-UFRJ, com projetos

executados no Rio de Janeiro, em Arembepe – BA, Bananal – SP e Vitória – ES.

Trabalhou por 35 anos nas empresas RFFSA, CBTU, Flumitrens, Secretaria Estadual

de Transportes do Estado do Rio, no Ministério Público do Rio de Janeiro, e foi

Subsecretário de Urbanismo de São Gonçalo. É conselheiro do IAB-RJ.

flávia brito do nascimento é historiadora pela UFF, arquiteta e

urbanista pela UFRJ, professora da FAU-USP, e autora de Entre a estética

e o hábito: o Departamento de Habitação Popular (1946-1960) (Biblioteca

Carioca, 2005) e Blocos de memórias: habitação social, arquitetura moderna

e patrimônio cultural (Edusp, 2016).

flávio lima é geógrafo e professor, além de compositor e diretor cultural

da CASARTI - Casa do Artista Independente. Fundador do projeto M.A.I.S

(Movimento dos Artistas Independentes do Subúrbio).

joaquim justino moura dos santos é doutor em História Social pela

USP, professor e pesquisador do Departamento de História da Universidade

Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Autor de História do lugar: um

método de ensino e pesquisa para as escolas de nível médio e fundamental.

leandro climaco mendonça é doutor em História pela UFF, professor

de História do Ensino Básico e da Especialização em Ensino de História do

Colégio Pedro II. Em 2018, sua tese, intitulada Jornalismo como missão:

militância e imprensa nos subúrbios cariocas, 1900-1920, foi agraciada com

o 1º lugar no Prêmio Eulália Maria Lobo, concedido pela Anpuh-Rio.


272

luiz claudio motta lima é morador, professor e geógrafo suburbano,

mestre em Geografia pelo Departamento de Geografia da UERJ (2006) e um

dos organizadores do cineclube Subúrbio em transe. Desde 2002 ministra

oficinas de audiovisual para alunos da rede municipal de ensino do Rio de

Janeiro. É um dos diretores e orientador do Documentário Alma Suburbana.

Também participa de realizações audiovisuais independentes suburbanas.

luiz paulo leal de oliveira é arquiteto e urbanista, mestre em

Urbanismo pelo PROURB-UFRJ e arquiteto do Instituto Rio Patrimônio da

Humanidade. Doutorando do Programa de Pós-Graduação da Escola de

Arquitetura e Urbanismo da UFF (PPGAU-UFF), recebeu em 2017 o Prêmio

Mauricio Abreu de melhor dissertação concedido pelo Instituto Pereira Passos.

maria celeste ferreira é mestranda em História pela UERJ. Possui

Lato Sensu em História, Patrimônio e Cidade pela UNICAM/Iuperj (2015),

e é professora nas redes municipal e estadual do Rio de Janeiro. Participa

do coletivo IHGBI — Instituto Histórico e Geográfico da Baixada de Irajá.

maria paula albernaz é arquiteta, doutora em Geografia pelo Programa

de Pós-Graduação em Geografia da UFRJ (PPGG-UFRJ), professora da Faculdade

de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ (FAU-UFRJ) e docente permanente do

Programa de Pós-Graduação em Urbanismo da UFRJ (PROURB-UFRJ).

nilce aravecchia-botas é arquiteta e urbanista, professora da FAU-USP

e autora do livro Estado, arquitetura e desenvolvimento: a ação habitacional

do IAPI (Ed. Fap-UNIFESP, 2016).

rafael mattoso é morador e pesquisador suburbano, doutorando em

História da Cidade pelo PROURB-UFRJ, mestre em História Comparada pelo

PPGHC-UFRJ e professor das redes pública e privada do Rio de Janeiro. Um

dos idealizadores do projeto Diálogos Suburbanos.

rodrigo cunha bertamé ribeiro é mestre em Urbanismo pela UFRJ

e arquiteto em Biomanguinhos — Fiocruz. Participa do coletivo Suburbagem,

além de ser membro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de

Janeiro (CAU-RJ). Assumiu a presidência do sindicato dos arquitetos no

período 2018-2021.



1ª edição outubro 2019

impressão meta

papel miolo pólen soft 80g/m 2

papel capa cartão supremo 300g/m 2

tipografia tisa


A década de 2010 foi quando, principalmente

através das mídias sociais, se deu

o clímax da exposição de um território

cuja história sempre foi deixada em

outros planos, longe até dos primeiros

lugares no pódio. Falar dos subúrbios

cariocas é ter a coragem de virar as costas

para a orla de Copacabana e entender o

porquê de o Cristo Redentor não nos

encarar. É seguir os rastros, vestígios e

colar os cacos de pequenas histórias

locais, espalhadas sobre o chão como

uma louça que acabou de se quebrar. Para

estar ciente deste fato, é preciso enxergar

que as potencialidades aqui estão desconexas

por projetos políticos que nos

levaram a comprar uma identidade que

não é a nossa; a Cidade Maravilhosa, de

Passos a Paes, não incluiu suburbanos e

suburbanas, nossos bairros e quarteirões.

Dos “bota à baixo” aos megaeventos

sabemos muito. Mas e sobre os cafezais e

laranjais de Campo Grande, as romarias

da Penha, as areias de Sepetiba, os

antigos engenhos e fazendas de

Jacarepaguá, a paróquia de Irajá? Ouço

daqui os gritos ecoando no silêncio dos

documentos históricos, prontos para

serem revelados. E quem se atreveu os

ouvir antes? A ousadia aqui presente

aponta o dedo para uma história dominante,

assistencialista, e mostra que os

subúrbios e seus habitantes têm história:

a alma do carioca.

vitor almeida


ISBN 978856567999-2

9 788565 679992

O mais relevante neste conjunto de artigos é a certeza

absoluta de que não há gente melhor para contar as

histórias e geografias dos subúrbios, discutir a

elaboração da memória suburbana na fronteira entre

lembrança e esquecimento, os saberes, delícias e dores

da maior parte da cidade, do que os próprios

suburbanos. É disso que se trata: os subúrbios têm voz.

luiz antonio simas

patrocínio:

realização:

apoio:

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