edição de 2 de dezembro de 2019

referencia

editorial

Armando Ferrentini

aferrentini@editorareferencia.com.br

a morte acidental de Gugu

País escasso de ídolos vivos, apesar da sua grandiosa população em

torno de 210 milhões de pessoas, o Brasil prefere reverenciar seus

“heróis” populares, transformando em comoção nacional a morte de

um deles, principalmente no caso de Gugu Liberato, que por uma fatalidade

do destino acidentou-se em sua casa nos Estados Unidos, onde

morava com a família.

Um tipo de acidente até comum em nosso país, mas sem provocar o pior

resultado, que no caso de Gugu (e nos Estados Unidos) foi a sua morte.

Impressionou a todos que passaram pelas cercanias da Assembleia Legislativa

de São Paulo, na região do Ibirapuera, a quantidade de admiradores

que fizeram questão de lhe dar o último adeus, enfrentando fila

quilométrica para chegar até seu caixão.

Há poucos segmentos, e isso lamentamos, que produzem notoriedades

como Gugu Liberato, emocionando a população quando morrem e mais

ainda por morte acidental, como a dele.

O fascínio ainda gerado pelas apresentações populares na TV aberta, produzindo

e destacando grandes líderes de audiência, em um país onde a

maioria da sua população nos fins de semana fica diante da tevê por não

dispor de maiores recursos para outros entretenimentos, acaba gerando

um elo profundamente sentimental dos astros e estrelas com o seu público.

São apenas meios, que não podem prevalecer sobre o principal da

comunicação publicitária, que são as suas campanhas e mesmo as

suas peças isoladas, desde que pertinentes e extremamente criativas,

atraindo o consumidor como sempre ocorreu na já longa história da

atividade publicitária em todo o planeta.

Uma boa campanha supera até mesmo o produto que anuncia e curiosamente

muitos deles já nem existem mais, mas uma boa parte dos

que foram seus consumidores recorda-se desta ou daquela campanha,

ou até mesmo desta ou daquela peça de um produto ou serviço que já

desapareceu do mercado.

***

O PROPMARK, pela primeira vez, procederá um reconhecimento ao

mercado, com a eleição dos melhores do ano na área da comunicação,

em dez categorias: agências de propaganda, agências de live

marketing, produtoras, anunciantes, empresas de OOH, plataforma

digital, meios de comunicação, criativos, profissionais de marketing

e campanhas.

Mais de uma centena de profissionais do setor, ouvidos pela nossa Redação,

votaram espontaneamente. Os resultados dessa pesquisa serão

publicados em nossa próxima edição impressa (data de capa 9/12/19).

Quando ocorre a morte de um deles, e de forma trágica como ocorreu

com Gugu – e ainda por cima fora do país –, essa população mais sofrida e

sem recursos sente o fato como se tivesse ocorrido com um ente querido

e de laços consanguíneos.

O vazio emocional daí resultante provoca esse sentimento coletivo de

tristeza, do qual o Brasil é um dos campeões mundiais. Basta nos lembrarmos

dos mais recentes, para melhor entender uma história que amiúde

se repete, abatendo-nos a todos.

***

Enquanto sentimos – e aqui quase todos os brasileiros incluídos – essa

perda irreparável, começamos a vislumbrar a possibilidade de um país

melhor para todos. Deixando de lado as preferências políticas que quase

todos temos, há uma esperança de melhoria na economia do país e por

consequência podendo beneficiar, ainda que de forma insuficiente pelo

grau de dificuldade que a grande maioria da população brasileira passa,

desde os menos afortunados como os que têm condições de vida um

pouco melhores que aqueles.

Não incluímos propositalmente aqui as diversas faixas da população de

alta renda, protegidas das agruras que têm vitimado nos últimos anos

mais de oitenta por cento dos brasileiros.

Aqui entra o valor incomensurável da publicidade, razão maior de ser da

existência deste PROPMARK. Quaisquer que sejam os meios, o aumento

da publicidade em decorrência da melhoria econômica do país produzirá

resultados ainda melhores para a população, quaisquer que sejam as

fatias das suas classes sociais.

Os países mais adiantados sabem o quanto dessa posição que privilegiadamente

ocupam no ranking econômico mundial se deve à utilização

constante do ferramental publicitário, pouco importando aqui a distinção

dos meios ou o reconhecimento à evolução sempre constante do digital.

***

Em época de premiações publicitárias e afins, revelamos aos nossos

leitores os vencedores do Prêmio Veículos 2019, com a votação sendo

feita pelos membros da Academia Brasileira de Marketing, fundada e

presidida pelo consultor e autor Francisco Madia de Souza.

Muitos dos meios premiados, como a Jovem Pan AM, se repetem, o que

é bom para o mercado, pois conseguir manter uma liderança, qualquer

que seja o meio, por anos a fio, é sinal incontroverso de que a fórmula

do sucesso não só se mantém, como é constantemente aperfeiçoada.

***

Imperdível nesta edição a história dos dez anos do Android (sistema

operacional do Google) no Brasil. Mesmo em passagem rápida, a matéria

revela e justifica o sucesso do sistema nesta sua primeira década

entre nós.

***

Está emocionante a campanha de fim de ano da Rede Globo, atraindo

a atenção do público para os seus formatos, com a garantia de quem

sempre tem percorrido o bom caminho da comunicação.

Em momento até de troca de alguns profissionais, a emissora demonstra

que o caminho da boa qualidade é imbatível.

***

Fernando Vasconcelos, responsável desde a sua criação pela Abracomp

da regional de Brasília do Prêmio Colunistas, conta que na entrega da

35ª versão do mesmo na capital federal reuniram-se para receber suas

láureas, no Unique Palace, cerca de 700 profissionais presentes à maior

festa do mercado publicitário local.

jornal propmark - 2 de dezembro de 2019 3

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