Dezembro 2019

araujomota
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Edição de Dezembro 2019

L U S I T A N O

DezEMBRO 2019

ANO XXV - Nº. 259 - DIRECÇÃO: Sandra Ferreira + Armindo Alves - Publicação mensal gratuita

d e Z u r i q u e

Aos associados, leitores, patrocinadores e amigos

BOAS FESTAS!

Campeões!

Juniores D

sagraram-se

campeões de

Inverno...

Página 06


NOVEMBRO 2019

Páginas 8 e 9

2 | DEZEMBRO 2019 | LUSITANO DE ZURIQUE | www.cldz.eu

Centro Lusitano de Zurique

Birmensdorferstr, 48

8004 Zürich

www.cldz.eu - info@cldz.eu

Bufete, reserva de refeições 077 403 72 55

Cursos de alemão 076 332 08 34

Direcção

044 241 52 60 / info@cldz.eu

Futebol armindo.alves@garage-mutschellen.ch / 079 222 09 14

InCentro

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Rancho folclórico

076 344 15 40 / rancho@cldz.ch

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Vamos contar uma história 079 647 01 46

Consulado Geral de Portugal em Zurique

Zeltweg 13 - 8032 Zurique

Tel. Geral: 044 200 30 40

Serviços de ensino: 044 200 30 55

Serviços sociais: 044 261 33 32

Abertura de segunda a sexta-feira das

08:30 às 14:30 horas

Embaixada de Portugal

Weitpoststr. 20 - 3000 Bern 15

Secção consular: 031 351 17 73

Serviçoa sociais: 031 351 17 42

Serviços de ensino: 031 352 73 49

Serviços municipais de informação para

imigrantes - Zurique (Welcome Desk)

Stadthausquai 17 - Postfach 8022 Zurique

Tel.: 044 412 37 37

Polícia 117

Bombeiros 118

Ambulância 144

Intoxicações 145

Rega 1414

Edição anterior

L U S I T A N O

ANO XXV - Nº. 258 - DIRECÇÃO: Sandra Ferreira + Armindo Alves - Publicação mensal gratuita

Carminho

apresenta novo

álbum em

Zurique

d e Z u r i q u e

Eleições Legislativas no Estrangeiro

89,21%

dos eleitores

não votou

© Agência Ecclesia/Arlindo Homem

Missão Católica de Língua Portuguesa – ZH

Katholische Mission der Portugiesischsprechenden

Fellenbergstrasse 291, Postfach 217 - 8047 Zürich

Tel.: 044 242 06 40 7 044 242 06 45 - Email: mclp.zh@gmail.com

Horário de atendimento:

- segunda a sexta-feira das 8h às 13h00 e das 13h30 às 17h

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www.cldz.eu | LUSITANO DE ZURIQUE | DEZEMBRO 2019 | 3

EQUIPA REDACTORIAL

EDITORIAL

Armindo Alves

O Natal hoje em dia já não

é como era antigamente

As ruas de Zurique e em Bellvue já anunciaram a chegada do Natal, assim como

as casas e os estabelecimentos comerciais. Tudo nessa época recebe um brilho

especial.

“O Natal hoje em dia já não é como era antigamente”, dizia a minha avó! Na minha

juventude achava esta frase muito estranha, mas como passar dos anos esta frase

nesta altura marca-me, porque realmente começo a sentir o mesmo e a exprimir-

-me da mesma maneira.

O significado do Natal é bastante distinto nesta sociedade de diferentes segmentos

de trabalho onde há muitos interesses e significados para esta data. Nas áreas

comerciais o objectivo é vender, na área do turismo a intenção é lucrar com os

feriados. Sendo assim para muitos o verdadeiro sentido do Natal, de antigamente,

passa despercebido.

Será que o significado do Natal de hoje em dia é receber prendas, fazer negócio

ou fazer ferias? Será?

Para mim o significado do Natal continua a ser o nascimento de Jesus Cristo! Uma

comemoração anual que tem mais de 1600 anos. Esta data foi marcada pela Igreja

Católica no ano de 350 através do Papa Júlio I, sendo mais tarde oficializado como

feriado.

Ninguém é perfeito, assim como também não se pode agradar a todos, mas sou

da opinião que esta é a altura em que devemos praticar o respeito, o perdão, o

amor, para conseguirmos acordar todos os dias com um sorriso no rosto, para

viver melhor e ajudar o próximo.

Agora que estamos próximos do Natal, e também do final do ano, essas atitudes

tornam-se mais marcantes nos anseios do ser humano, e isso é viver o verdadeiro

sentido do Natal.

Que agradecer seja um ato mais comum do que se lamentar e procurar os defeitos

ou erros dos outros, que haja a maturidade de aprender com erros.

Na sociedade em que se vive, hoje em dia, o maior e melhor presente do Natal

é estar com quem amamos e demonstrar isso. Há familiares, assim como pais e

filhos, que não dão valor a essa preciosidade e passam o Natal afastados, seja

pela distância ou pela ausência de afecto e respeito. Mas devemos ser coerentes

e cientes que este mundo não é nosso e, de um momento para o outro, tudo muda

e a vida acaba ou toma outro rumo!

Deixo aqui a minha dica: ignore os baixos da vida, viva o dia-a-dia, seja solidário,

respeite os seus próximos, não tenha rancor nem ódio, distribua sorrisos e

carinhos pois esses sentimentos transformados em ações não tem preço. Valem

muito mais do que pode imaginar e verá que assim será muito mais feliz. Experimente,

vale a pena!

Desejo a todos os sócios, simpatizantes, leitores, anunciantes e amigos um verdadeiro

Santo Natal, que em seus lares e corações esteja a felicidade desta data

tão especial.

Feliz Natal!

Sandra Ferreira

Email:

EDIÇÃO,

COMPOSIÇÃO

E PAGINAÇÃO

Manuel Araújo

Jornalista 3000 A

araujo@manuelaraujo.org

Tel.:(+351) 912 410 333

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DIRECTOR A CC12 A

Manuel Araújo

JORNALISTA 3000 A

Ivo Margarido

Armindo Alves

SUB-DIRECTOR CC15 A

lusitanozurique@gmail.com

Natascha D´Amore Maria dos Santos

Cristina F. Alves

CC 16 A

Jorge Macieira

CC28 A

Euclides Cavaco

Daniel Bohren

JURISTA

Lúcia Sousa

Pedro Nogueira

Domingos

Pereira

Pedro Barroso

Jeremy da Costa

Zuila Messmer

IMPRESSÃO

Diário do Minho

Tiragem: 2000 exemplares

Periodicidade: Mensal

Distribuição gratuita

PROPRIEDADE & ADMINIS-

TRAÇÃO:

Centro Lusitano de Zurique

Birmensdorferstr. 48

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Pedro Nabais

Carmindo de

Carvalho

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Gomes

Nelson Lima

Apoios:

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Nuno Brandão

Aragonez

Marquez

Esta publicação não

adopta nem respeita o inútil

(des)Acordo Ortográfico

NOTA: Os artigos assinados reflectem tão-somente a opinião dos seus

autores e não vinculam necessariamente a direcção desta revista


4 | DEZEMBRO 2019 | LUSITANO DE ZURIQUE | www.cldz.eu

SAÚDE

Efeitos dos medicamentos

ZUIA MESSMER

Em geral todos os medicamentos podem

apresentar efeitos diferenciados nas pessoas,

até mesmo com alguns alimentos

isso é possível acontecer, pois depende

da sensibilidade e da predisposição fisiológica

de cada uma delas. Todavia há

reacções indesejáveis denominadas efeitos

colaterais que merecem nossa atenção,

por essa razão, vamos a algumas

considerações importantes.

Os efeitos colaterais são reacções que

surgem no organismo além do resultado

esperado, quando se toma uma medicação,

cuja dose dessas substâncias químicas

são normalmente aplicadas no tratamento

e na profilaxia de algumas doenças.

Podemos dizer, que é um resultado paralelo

ao principal.

As respostas positivas e principais dos

medicamentos, são chamados efeitos terapêuticos.

Entretanto, muitas vezes podem

ser acompanhados por essas reacções

colaterais não desejadas, as quais

podem ter uma pequena ou grande repercussão

no organismo.

Dentro dessa temática, ainda existe também

uma outra reacção mais complexa,

chamada efeito adverso, que, para uma

pessoa alheia ao assunto, ao princípio,

pode ter o mesmo significado, mas que é

algo diferente!

Esse efeito adverso, é também titulado

como Reacção Adversa à Medicação

(RAM) o qual é definido como qualquer

resposta indesejada ao remédio, mas com

uma observação importante, é perigosa e

principalmente danosa à saúde do paciente.

Portanto, a principal diferença entre

os dois está em que, no RAM as consequências

são sempre consideradas

prejudiciais, por causarem problemas

na saúde da pessoa, e assim preocupantes,

enquanto que um efeito colateral,

dependendo da situação, pode até

ser benéfico.

Para a melhor compreensão do leitor, um

exemplo: Quando alguém toma um anti-alérgico

e está sem sono, ou tem problemas

para dormir. Um dos principais

efeitos colaterais dos anti-histamínicos é a

sonolência, que, neste caso, pode ser uma

consequência benéfica para alguém com

dificuldade em dormir.

Em geral os efeitos colaterais são problemas

temporários, que desaparecem quando

se deixa de tomar o agente desencadeador.

Mas não se deve ignorá-los, pois

existem os mais graves, e que podem até

afectar o sistema circulatório. Há, inclusive,

efeitos que só são identificados por

meio de exames laboratoriais.

Recomenda-se que, quando estiver a tomar

uma medicação, ao aperceber-se de

qualquer alteração ou mudança orgânica,

a comunique ao seu médico imediatamente.

Ele poderá orientá-lo e suspender

a medicação caso ache necessário. Não

se aconselha interromper a medicação

sem que realize essa consulta prévia, visto

que, muitas vezes, os efeitos colaterais

também podem ser esperados e não são

graves, e que entram no campo dos inevitáveis.

As pesquisas mostram que, as mulheres

são mais sensíveis a sofrerem com

os efeitos colaterais do que os homens,

especialmente quando ingerem remédios

contra a insónia. A possível causa desta

diferença seria a maior variação hormonal

das mulheres.

Todos os medicamentos que se compram

vêm acompanhados da bula, onde constam

informações gerais sobre o fármaco,

com indicações, contra-indicações e possíveis

efeitos colaterais. Por isso são extensas.

As letras pequenas das bulas são

desmotivadoras, diria que não é tarefa fácil,

tanto pela dificuldade para as ler, como

pela complexidade da linguagem.

Mas a leitura dessas bulas devem ser uma

tarefa levada mais a sério pelos consumidores,

pois visam esclarecer os usuários,

especialmente aqueles que costumam

auto-medicar-se, ingerem medicamentos

sem prescrição médica, fugindo à regra

básica da boa saúde, que é buscar auxílio

de um médico.

Esteja atento aos seguintes efeitos, os

quais são os mais comuns:

- Boca, nariz e ou garganta seca

- Tonturas

- Prisão de ventre ou diarreia

- Retenção de líquidos

- Redução da sudorese ( suor)

- Dores de cabeça

- Sonolência ou insónia

- Alterações na pele (irritações, comichão,

erupções, rachaduras, vermelhidão )

- Vómito

- Palpitações

- Queda de cabelo

- Amnésia temporária (esquecimento)

Medidas que podem auxiliar na tolerância

e minimizar reacções de medicamentos

- Alteração na alimentação, dos horários

de dormir e de trabalhar

- Modificar os horário de tomar os remédios

diminuindo o desconforto.

Repare que, quanto mais o médico conhece

o paciente, menores são as possibilidades

de reacções adversas, pois ele

procura prescrever medicamentos que

sejam menos agressivos para o paciente,

consequentemente melhor tolerados pelo

seu organismo.

Cuide-se bem!


www.cldz.eu | LUSITANO DE ZURIQUE | DEZEMBRO 2019 | 5

COMUNIDADE

C.L.Z. celebrou o S. Martinho

SANDRA FERREIRA

No passado dia 16 de Novembro,

realizou-se no Centro Lusitano

de Zurique o tradicional

Magusto.

Amigos, sócios e direcção juntaram-se

numa noite animada

para celebrar, por mais um ano

consecutivo, o Magusto. Castanhas

e caldo verde não faltaram

para deliciar todos os que quiseram

participar desta festividade.

O magusto está associado à tradição

de São Martinho. Como

diz o ditado: em dia de São Martinho

faz o magusto e prova o teu

vinho!

O São Martinho é uma festa que

se celebra a 11 de Novembro

em honra de Martinho de Tours,

que foi um soldado romano que,

depois de receber o baptismo e

renunciar à milícia, fundou um

mosteiro em França, onde viveu

como monge. A sua lenda mais

conhecida conta que Martinho,

um dia, sob uma tempestade

de neve, encontrou-se com um

mendigo e deu metade do seu

manto a esse mendigo para se

resguardar do frio. Nessa mesma

noite, Martinho sonha com

Jesus vestido com a metade

da sua capa que diz: „ Foi São

Martinho catecúmeno quem me

agasalhou“.

Este dia é celebrado de várias

maneiras pelo mundo inteiro,

sendo que em Portugal a tradição

é fazer-se um grande magusto

com castanhas assadas

na fogueira e provar pela primeira

vez o vinho novo.

O C.L.Z. tem mantido esta tradição

ao longo dos anos e festeja

gosta de festejar esta data

com os seus sócios e amigos,

oferecendo castanhas assadas

e caldo verde a todos os participantes.

Eventos CLZ 2019-2020

Torne-se associado do

Centro Lusitano

de Zurique

e usufrua de inúmeras vantagens

Ligue Tel.: 079 222 09 14

Aos colaboradores,

assinantes,

amigos e patrocinadores,

desejamos

BOAS FESTAS!

Festa de Natal e

Festa das crianças

2019

7 + 8.12.2019

Início

das Janeiras

4.01.2020

Festa

dos Sócios

07.03.2020

Torneio

de Futebol

08.03.2020


6 | DEZEMBRO 2019 | LUSITANO DE ZURIQUE | www.cldz.eu

DESPORTO

Juniores D

sagram-se

campeões

JORGE MACIEIRA

A equipa dos juniores D do Centro Lusitano de Zurique foram campeões

de Inverno, com nove pontos de vantagem sobre o segundo

classificados, o FC Republika Srpska, onde a superioridade da

equipa lusitana foi notada desde o início do campeonato.

A jovem equipa, comandada por Paulo Barros e Carlos Sequeira,

fizeram o pleno de conquistas com oito vitórias em oito jogos, chegaram

aos 97 golos marcados e apenas 6 golos sofridos em todo

o campeonato.

Dados bastantes positivos dos jovens que serão o futuro do futebol

sénior deste clube histórico de trinta e cinco anos de existência.

Nesta idade de formação o mais importante é o crescimento do

atleta, educação desportiva e a aprendizagem desportiva, mas obviamente

indo formando e vencendo será o melhor lema para qualquer

futebol formação.


www.cldz.eu | LUSITANO DE ZURIQUE | DEZEMBRO 2019 | 7

Únicos concertos na Suíça!

COMUNIDADE

António

Zambujo

A nova voz

de Portugal

MARIZA

A diva do Fado:

«20 Years Jubilee Concert»

Quarta-feira 29.1.20 20.00 Kirche Neumünster Zürich

Terça-feira 7.4.20 20.00 Théâtre du Léman Genève

Quarta-feira 8.4.20 20.00 Samsung Hall Zürich

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Tel. 0900 800 800 (CHF 1.19/min.) • todos los Ticketcorner, La Poste, Manor ORGANIZADOR: AllBlues Konzert AG

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Escritório de Representação da CGD - Suíça

Rue de Lausanne 67/69, 1202 Genève

Tel: Genève - 022 9080360 I Tel: Zurique - 078 6002699 I Tel: Lausanne – 078 9152465

email: geneve@cgd.pt

A Caixa Geral de Depósitos, S.A. é autorizada pelo Banco de Portugal.

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8 | DEZEMBRO 2019 | LUSITANO DE ZURIQUE | www.cldz.eu

DIREITO

BVG – Certidão de Previdência

Profissional) / 1.ª Parte

tanto a parte obrigatória como a parte

supra-obrigatória. Uma vez que o empregador

paga geralmente metade das

contribuições à BVG, para si é de todo o

interesse se o empregador também segurar

o salário que ultrapassa Fr. 85’320,

porque paga assim a cada mês voluntariamente

na sua conta BVG contribuições

para poupança suplementares; as

deduções ao salário também são aqui

superiores. A diferença entre obrigatório

e supra-obrigatório é determinante,

porque é a Lei que determina que prestações

obtém para a parte obrigatória do

seu depósito de poupança. Em relação à

parte supra-obrigatória, é o regulamento

da Caixa de Pensões que determina as

prestações. Hoje em dia, as prestações

da parte obrigatória são essencialmente

melhores do que as da supra-obrigatória,

como ainda mostram as seguintes

exposições.

O que significa «Altersguthaben» /

«Alterskapital» / «Sparkapital» / «Austrittsleistung»

/?

DANIEL BOHREN

A maioria dos empregados na Suíça

tem a maior parte do seu património

na Caixa de Pensões. No final do ano,

deverá obter da sua Caixa de Pensões

(Pensionskasse) a Vorsorgeausweis

(Certidão de Previdência Profissional),

que o informa detalhadamente

sobre a sua cota-parte de património.

Se não obtiver a Vorsorgeausweis, informe-se

junto do seu empregador ou

da sua Caixa de Pensões. O empregador

poder-lhe-á dar o contacto.

Partindo dos termos técnicos na sua

Certidão de Previdência Profissional,

vou explicar em três partes a sua Pensionskasse

ou o seu seguro da BVG

(Bundesgesetzt über die berufliche Vorsorge

– Lei Federal da Previdência Profissional):

O que significa «Gemeldeter Jahreslohn»

/ «versicherter Jahreslohn» /

«BVG-Jahreslohn»?

Gemeldeter Jahreslohn (salário declarado)

é o salário que realmente ganha e sobre

o qual também pagou contribuições

para o seguro de velhice, sobrevivência e

invalidez (AHV-Beiträge). O empregador

tem de informar com exatidão à AHV e

à Caixa de Pensões a cada ano, o que

ganhou durante o ano (inclusive horas

extraordinárias, subsídios, etc…).

Versicherter Jahreslohn (salário anual

segurado) trata-se, regra geral, do salário

anual feita a dedução de coordenação

(Koordinationsabzug). A dedução de

coordenação comporta no ano de 2020

Fr. 24’885. Trata-se de uma parte do salário

que já se encontra segurada junto

da AHV e que, por isso, não é segurada

uma segunda vez pela BVG. O montante

da dedução de coordenação (Koordinationsabzug)

é estipulado pelo legislador.

Importa referir que a AHV e a BVG seguram

os mesmos riscos - a saber: a idade,

a morte e a invalidez. A AHV segura os

primeiros Fr. 24’885 do salário e a Caixa

de Pensões (BVG) obrigatoriamente

o salário entre Fr. 24’885 e Fr. 85’320.

O salário entre Fr. 24’885 e Fr. 85’320

corresponde portanto ao BVG-Jahreslohn

(salário anual BVG). Os descontos

de poupança do salário BVG formam a

parte obrigatória do BVG ou obligatorischer

Teil da sua poupança. Se o seu

salário anual segurado (versicherte Lohn)

for superior a Fr. 85’320, então o seu patrão

segurou o valor excedente voluntariamente.

Neste caso, fala-se então da

parte supra-obrigatória (überobligatorischer

Teil) do depósito de poupança

(Sparguthaben). A totalidade do depósito

de poupança pertence-lhe a si, ou seja,

A Certidão de Previdência Profissional

informa sobre a sua Altersguthaben, Alterskapital,

Sparkapital ou Austrittsleistung

(capital de velhice, poupança, prestação

de saída) no fim do ano corrente

(31.12.2019). Estes termos têm o mesmo

significado. Trata-se do montante que

você já poupou e lhe pertence. A Certidão

de Previdência Profissional informa

então também que parte da sua poupança

se encontra subordinada ao Obligatorium

(obrigatório) ou ao Überobligatorium

(supra-obrigatório).

Se tiver um capital de poupança de Fr.

100’000 no total e se a parte BVG (parte

obrigatória) comportar Fr. 8’000, então

o resto fica subordinado à parte supra-

-obrigatória e não é assim abrangido pelas

regras legais, mas sim pelas regras

que o seguro estipula no seu regulamento.

O regulamento tem, aliás, de ser examinado

e autorizado pelo Estado, para

que os segurados não sejam favorecidos

desproporcionalmente.

Tem perguntas que digam respeito

ao direito?

Envie a sua pergunta com a

indicação “Lusitano” a:

Bohren Rechtsanwalt, Grossmünsterplatz

1, 8001 Zürich

ou para mail@dbohren.ch


FALSAS MEMÓRIAS E

CERTEZAS DUVIDOSAS

NELSON S. LIMA

A verdadeira recordação de tipo fotográfico

ou audiográfico não existe

a 100%. O cérebro, pela forma como

evoca memórias, altera as recordações

pelo que um mesmo conteúdo pode

assumir diferentes aspectos à medida

que o tempo decorre.

É o caso, típico, da memória de um acidente

presenciado por alguém que estivesse

no local. Essa pessoa vê, interpreta e fixa

todo um conjunto de dados que podem ser

ampliados, reforçados ou reinterpretados

devido às opiniões de outras testemunhas

com quem troque impressões.

A memória também faz interacção com

as emoções pelo que duas pessoas ouvidas

em separado podem descrever um

mesmo acontecimento usando diferentes

perspectivas e abordando-o de ângulos

igualmente não coincidentes. E a escolha

das palavras também vai influenciar o que

comuniquem.

Por isso é que os juizes ouvem as declarações

das testemunhas em busca da verdade

que resulte da filtragem de todos elementos:

factos, similaridades de relatos,

contradições, ideias, etc. E, mesmo assim,

cometem muitas injustiças.

www.cldz.eu | LUSITANO DE ZURIQUE | DEZEMBRO 2019 | 9

Candidaturas a Apoios ao Associativismo

da Diáspora –

2020

VÁRIOS

NOTA À COMUNICAÇÃO SOCIAL

cívica e política, o combate à xenofobia

Candidaturas a Apoios ao Associativismo e o diálogo da com Diáspora as micro – 2020 e pequenas

empresas dos portugueses residentes

no estrangeiro que queiram investir em

Encontra-se aberto o prazo para apresentação

Portugal.

das candidaturas a apoios

As candidaturas devem ser apresentadas

Encontra-se financeiros aberto ao Associativismo o prazo para da apresentação

Assuntos das Consulares candidaturas e das a Comunidades apoios fi-

Portuguesas no posto consular (DGACCP) ou do seção Ministério consular da

Diáspora por

até

parte

ao dia

da

31

Direção-Geral

de dezembro

dos

de 2019

nanceiros dos Negócios ao Associativismo Estrangeiros. da Diáspora embaixada territorialmente competente,

por parte da Direção-Geral dos Assuntos sendo condição prévia a credenciação

Consulares Podem e das candidatar-se Comunidades a estes Portuguesas

comunidades (DGACCP) portuguesas, do Ministério legalmente dos Ne-

constituídas há mais de um ano, sem

apoios da entidade associações junto e da federações DGACCP. das

gócios fins lucrativos Estrangeiros. ou partidários, cujo objeto Para vise o mais benefício esclarecimentos, sociocultural as das associações

pessoas podem coletivas procurar nacionais apoio junto ou dos

Podem

referidas

candidatar-se

comunidades,

a

bem

estes

como

apoios

outras

associações e federações das comunidades

estrangeiras

portuguesas,

constituídas

legalmente

há mais

constituídas

partidários, há mais que de proponham um ano, sem a fins realização lu-

de atividades que resultem em

de um respetivos ano, sem postos/seções fins lucrativos consulares ou ou

através do Portal das Comunidades Portuguesas

em:

crativos benefício ou das partidários, comunidades cujo portuguesas.

objeto vise

o benefício sociocultural das referidas http://bit.do/firxy

comunidades,

As áreas

bem

prioritárias

como outras

a

pessoas

apoiar serão os projetos que privilegiem a

http://bit.do/firxC

coletivas promoção nacionais da língua ou e estrangeiras da cultura constituídas

capacitação há mais e a de valorização um ano, sem profissional, fins lu-

a participação cívica e política, o

portuguesas, os jovens, a inclusão social, a

http://bit.do/firxN

crativos combate ou à partidários, xenofobia que e o proponham diálogo com a as Em micro 2019 e foram pequenas financiados empresas pelo dos Estado

Português investir 92 em projetos Portugal. ao abrigo dos

realização portugueses de atividades residentes que no estrangeiro resultem em que queiram

benefício das comunidades portuguesas. apoios financeiros para o Associativismo

As áreas As candidaturas prioritárias a devem apoiar serão apresentadas os

Diáspora, até ao dia num 31 de montante dezembro total de de 585

projetos 2019 no que posto privilegiem consular a promoção ou seção consular da mil da e 938 embaixada euros. territorialmente

língua competente, e da cultura sendo portuguesas, condição prévia os jo-vens, a inclusão social, a capacitação e

credenciação da entidade junto da

DGACCP.

Lisboa, 6 de novembro de 2019

a valorização profissional, a participação

Para mais esclarecimentos, as associações podem procurar apoio junto

dos respetivos postos/seções consulares ou através do Portal das Comunidades

Portuguesas em:

https://www.portaldascomunidades.mne.pt/pt/apoios/area-cultural-emovimento-associativo

https://www.portaldascomunidades.mne.pt/images/EMI/pdfs/Brochura_

informativa.pdf

https://www.portaldascomunidades.mne.pt/images/EMI/Manual_de_Boa

s_Práticas.pdf

Em 2019 foram financiados pelo Estado Português 92 projetos ao abrigo

dos apoios financeiros para o Associativismo da Diáspora, num montante total

de 585 mil e 938 euros.

Lisboa, 6 de novembro de 2019


10 | DEZEMBRO 2019 | LUSITANO DE ZURIQUE | www.cldz.eu

COMUNIDADE

II Festival do Rancho Folclórico Danças

e Cantares da Nossa Terra de Arbon

Grupo folclórico português os leões de wagen

Discurso final do presidente José Pereira do R.F.D.C.da nossa terra Arbon

Presença do rancho do centro lusitano zurique

Grupo „Vozes do Alentejo“ da Associação Portuguesa Zurique

Carlos Almeida, presidente da Comissão de Pais de Arbon;

Paula Silva responsável pela integração na cidade de Amriswil;

Gabriel Macedo presidente da cidade de Amriswil

Marco Gomes e Tatiana Cardoso

MARIA DOS SANTOS

O mais recente rancho folclórico, Danças

e Cantares da Nossa Terra de Arbon,

realizou no passado dia 16 de

Novembro o seu segundo festival em

Amriswil.

No pátio da sala “Pentorama” a receber

convidados, folcloristas e amigos do

folclore, estava o grupo de Bombos os

“Lusitanos de Liechtenstein” que, com o

seu show, antecipavam o que seria uma

grande noite de festa.

Com uma sala plena de público, os “Tugas

do Fole” animaram o jantar de quem degustava

as iguarias portuguesas. Os responsáveis

pela cozinha fizeram as honras

da casa e demonstraram que a gastronomia,

para eles, não é tabu.

O Rancho de Wetzikon subiu ao palco,

com a postura habitual de quem sabe defender

a arte do bem trajar, dançar, cantar

e tocar.

O Rancho do Centro Lusitano de Zurique,

que conta com 30 anos de actividade,

soube cativar o público. São eles os padrinhos

do rancho organizador. Representam

a região do Minho. O rancho infantil

demonstrou a arte de bordar e de jogar ao

pião, mas foi durante a actuação que arrancaram

o maior aplauso da noite.

Os cantares alentejanos souberam conquistar

o público. Este grupo, que se formou

durante as comemorações de meio

século de associativismo da Associação

Portuguesa de Zurique (APZ), mostrou

a outra parte, quiçá mais escondida, da

nossa cultura: o cante alentejano. Este

grupo misto de quinze pessoas tem como

objectivo preservar esta arte, pouco divulgada

na Suíça. Em 2014 a Organização

das Nações Unidas para a Educação

e Cultura declara o cante alentejano Património

Imaterial da Humanidade. A última

cantiga teve de ser “O passarinho”,

um momento atípico da noite com todos

os espectadores a cantarem em coro com

este extraordinário grupo.

O rancho Folclórico os Leões de Wagen,

vindo da Alemanha e com 20 anos no

seu currículo, defendeu também com as

danças e cantares a região do Minho.

Levaram deste festival uma excelente recordação,

oferecida por todos os presentes:

o apoio incondicional que dizem não

ter do outro lado da fronteira.

Por fim, o rancho organizador entra em

palco para encerrar este segundo festival:

o rancho Danças e Cantares da Nossa

Terra de Arbon. Não faltaram aplausos a

estes jovens que defendem a cultura folclórica,

já com um grande potencial que

num futuro muito próximo irão aperfeiçoar

e mostrar-nos que da união nasce a força

para defender o património cultural com

dignidade e representatividade. Estão no

bom caminho e motivados para mostrar

Portugal de Norte a Sul, bem como as

ilhas.

Continuem a sonhar, a viver, a dançar

e agradeçam pelo grupo coeso, jovem,

sorridente, afável e com garra para trajarem

em honra da cultura portuguesa.

Os Nova Onda foram os responsáveis

pelo som e animação do baile!

O Rancho Folclórico Português Danças

e Cantares da Nossa Terra Arbon deseja

a todos Feliz Natal e um Próspero Ano

Novo.


www.cldz.eu | LUSITANO DE ZURIQUE | DEZEMBRO 2019 | 11

ENTREVISTA

Sofia Azevedo é uma folclorista

MARIA DOS SANTOS

Sofia Antunes Azevedo é uma jovem

folclorista que tem a grande responsabilidade

de estar ao comando

do grupo infantil do Centro Lusitano

de Zurique.

A Sofia chegou à Suíça no ano 1994

e entrou para o rancho em Agosto

1998.

Nascida em Abril 1984 e completamente

integrada na sociedade helvética,

não descuida as suas raízes

bem portuguesas.

Sofia conhece as dificuldades em

gerir o tempo, para trabalhar em

prol da nossa cultura.

Radicada em Zurique desde 1998, a

Sofia Antunes Azevedo desenvolve

um trabalho associativo, mais propriamente

no Rancho folclórico do

Centro Lusitano de Zurique.

Convido-vos a conhecer esta mulher

que ao longo de vários anos

tem acompanhado os mais pequenos

e também o rancho adulto.

L.Z. - Sofia, como é que aconteceu esta

simbiose, com o folclore?

S.A. - Foi no grupo folclórico Lordelo do

Ouro (Porto) que aprendi a dançar, assim

como o significado do folclore, que, para

mim, é um conjunto de tradições e manifestações

populares constituídas por lendas,

mitos, provérbios, danças e costumes

que são passados de geração em geração.

L.Z.- Fazer parte desta secção do

C.L.Z. deixa-te de coração cheio. Como

consegues gerir o tempo em função da

cultura popular?

S.A. - O folclore e a cultura popular têm

uma grande importância na identidade de

um povo, de uma nação. Para não se perder

a tradição folclórica é importante que

as manifestações culturais sejam transmitidas

através das gerações. Dou o meu

melhor com todo o coração, a questão do

tempo torna-se secundária.

C.L.Z. Fazer parte de um grupo tão numeroso,

como é o vosso, nem sempre é

fácil. Dos momentos que viveste, qual te

deixou de coração mais cheio?

S.A. - Ao longo destes 21 anos de rancho

C.L.Z vivi muitos, muitos momentos bons,

assim como momentos emotivos. Para

além de tudo, confesso, foi a actuação em

Portugal, Famalicão, em Agosto 1999, a última

actuação do meu tio Zé Manel, mais

conhecido por “Quarenta”, antes de ele

falecer em Novembro 1999, que me marcou

para a vida. Foi através dele que eu

cheguei ao Rancho C.L.Z, foi ele que me

ensinou as modas do nosso rancho, e foi

também ele que deixou este tão relevante

legado ao nosso rancho; a força da união.

Também me orgulho de todos os momentos

com o nosso grupo infantil. Para além

das modas, ensinei, com a ajuda de colegas

do grupo, os meninos a bordar os lenços

de namorados, a jogar ao pião, o jogo

dos botões, saltar à corda e à macaca,

etc.. Enche-me de orgulho poder trabalhar

com os nossos meninos, poder transmitir-

-lhes o que eu aprendi quando tinha a idade

deles; o significado do folclore, a nossa

identidade e a noção de que vimos todos

de um país pequeno, mas com raízes e valor

cultural enorme.

Sempre que cantamos o nosso hino no final

de uma actuação, por vezes mesmo em

cima do palco ou no final de um ensaio,

vêm-me as lágrimas aos olhos. O que nós

sentimos é puro e sincero, a nossa vitória é

a força da união!

L.Z. - Fazes parte do grupo adulto e és

a responsável pelo grupo infantil, classificado

como o melhor rancho infantil e

que deslumbra sempre o público. Como

vives as emoções destas crianças?

S.A. - Na minha opinião é o melhor grupo

de meninos EVER! Eles vivem os seus sentimentos,

exprimem a sua simplicidade e

orgulho no que fazem e representam. Não

tenho palavras para descrever o que eles

me fazem sentir quando vêm dar-me um

“Hi-Five” ou um abraço com um sorriso

nos olhos.

L.Z.- No passado mês de Setembro,

realizaram o vosso festival, e festejaram

também o 30° aniversário. Houve

muita emoção e foi um verdadeiro espectáculo

cultural. O que guardas destes

festejos?

S.A. - Atingimos os nossos objectivos

neste grande festejo “30 anos a celebrar

Portugal”. Já trabalhávamos para o nosso

festival há meses. Juntámos todos os amigos

e fãs desta tradição.

O que eu guardo deste nosso evento são

os momentos que nós, elementos, partilhámos

uns com os outros. São estes

momentos de esforço, cansaço, trabalho

em equipe e dedicação, em que cada um

contribui à sua maneira, que nos fazem ser

o grupo que somos. Os 30 anos sempre no

activo não são por acaso.

L.Z.- Qual é o segredo, se o queres partilhar,

para se ter um grupo infantil tão

coeso e motivado?

S.A. - Não há segredo. É como tudo na

vida, o que se faz de corpo e alma e do fundo

do coração, só pode ter êxito. Nunca foi

o meu objectivo concorrer com ninguém,

nem levar os “meus” meninos à perfeição.

Eles são perfeitos como são. As brincadeiras

têm sempre o seu lugar, assim como o

respeito perante cada um e todos.

L.Z.- Está nos vossos planos, a curto

prazo, modificar as coreografias e trajes?

S.A. - O nosso Rancho representa a Região

do Minho numa grande variedade de

danças e cantares. Os trajes identificam a

forma de vestir das gerações passadas e

espelham a sociedade e cultura típica minhota.

Desenvolvendo a nossa actividade

vamos crescendo e aprendendo coisas

novas, as quais iremos partilhar com todos

os simpatizantes e amigos do folclore.

C.L.Z. Sofia, fazer parte desta Associação

de Zurique, significa para ti uma

união directa com Portugal, ou apenas

uma representatividade da nossa cultura?

S.A. - Longe do nosso país Natal, mantenho

e ajudo a manter ou a dar a conhecer

aos mais pequeninos do nosso grupo o valor

da nossa alma portuguesa viva e alegre;

o quão ricos nós somos em tradições e

costumes. Ao som das concertinas de um

povo tão alegre apagam-se as tristezas,

dança-se e canta-se com um entusiasmo

contagiante.

L.Z.- Que moda ou etnografia, gostarias

de ver no rancho do Centro Lusitano

Zurique?

S.A. - Isto é um jogo sem fronteiras. Dumas

ideias surgem outras. Sempre que falo

com a minha avó e ela me canta músicas

antigas e me conta histórias de quando ela

ia trabalhar para os campos, para as vindimas,

nas festas e romarias... Para quem

quiser saber mais, é só acompanhar-nos

e partilhar momentos bons com o nosso

Rancho C.L.Z.

L.Z- Sofia, depois de tantos anos de

dedicação ao folclore, que mensagem

deixas ao grupo, aos sócios e amigos

do C.L.Z?

S.A. - Ao nosso Rancho C.L.Z, a todos os

elementos do mais pequenino ao maior:

De braço dado e na mesma direcção,

para quem trabalha em equipe a vitòria é a

união! Obrigada pelo vosso apoio à minha

pessoa, na minha função, e pela vossa dedicação

a este grupo magnífico.

Ao meus meninos em especial: 1 2 3 4 5 6

7, com o nosso Rancho ninguém se mete!

7 6 5 4 3 2 1, como o nosso Rancho não há

nenhum! Yeah!!!!!!!

Para os nossos familiares, aos pais dos

nossos meninos do grupo infantil (a nossa

claque como costumo chamar), um grande

obrigado do fundo do coração por todo o

apoio, pela vossa força e disponibilidade.

Nunca se cansem de apoiar os vossos filhos

e mostrar o quanto é bom manter vivas

as nossas tradições, as nossas raízes.

Aos sócios e amigos do C.L.Z. deixo um

forte abraço. É sempre bom sentir o vosso

apoio e calor. É graças a todos vós que

uma associação como a nossa consegue

trabalhar para a nossa comunidade.


12 | DEZEMBRO 2019 | LUSITANO DE ZURIQUE | www.cldz.eu

CRÓNICA Do nosso cantinho para o vosso cantão

O NATAL E O CIRCO DO PIRÃO

ARAGONEZ MARQUES

Temos o Natal e o Ano Novo à porta e

com ele chegam sempre as memórias.

Um circo, desta vez sem animais, privando

os meninos do interior de alguma

vez verem, sem ser pela televisão,

um leão, um tigre, um elefante ou até

mesmo um cão que dança, chegou

hoje à minha terra. Circo e Natal sempre

andaram juntos, mesmo agora,

nestes tempos em que o circo das

compras invade a cidade. Aqui vos

deixo memórias de infância, nesta

crónica de Dezembro.

O circo faz parte da minha geração,

como os ciganos de Macondo de

Gabriel García Marquez, que se não

nos mostravam o gelo ou a lupa por

vez primeira, nos traziam um mistério,

a novidade e o aguçar da curiosidade,

porque em toda aquela gente de

fora, havia algo de Melquíades e em

todos nós, fervilhavam Josés Arcádios

Buendías, nesta cidade de solidão

com muito mais de cem anos.

Acompanhei-os sempre, desde os

tempos em que eram instalados na

Fontedeira, aguentando a passagem

para o Campo de Futebol novo, e um

pouco menos quando deixou a bola e

foi para o sítio dos “karts”. Sim, eu sei

que também há um campo de futebol

aí, onde por acaso nunca entrei, mas

saiu do coração que late para ir para

uma perna da cidade, o que nos obrigou

a deslocar a nós portalegrenses,

a quem tanto nos custa dar um passo.

Circo e espaço. Campos de futebol

e espaço. Campos de futebol e

feiras. Feiras e espaços. Feiras e circo.

A arte funciona pior sem liberdade

e esta sem espaço, e porque feiras

necessitam de espaço e artistas de

vender parte das suas criações, ou

todas… que o tempo nunca foi favorável

à cultura enquanto vivos os

seus artífices, feiras e circos sempre

foram locais irmanados, e em muitas

localidades, muitos circos e feiras

eram montados com a inclusão do

hectare com duas balizas, sem rede.

Os grandes, com nome e luzes, nas

cidades e coliseus, onde há gente

suficiente para pagar as lentejoulas

e os burros atados junto das jaulas

das feras. Nas terras mais pequenas,

como na Roca de la Sierra, o povo de

Amelia, não montam a tenda, colocam

as cadeiras brancas de plástico

em meia-lua, as estrelas como pano

e o palhaço e o equilibrista é o mesmo

que vende os “perritos calientes”

no intervalo, e a menina que faz o

pino no monociclo, a mesma ou gémea

da que mostra a cobra, gorda

como a mulher barbuda. Gosto deste

circo da rua a um euro por cadeira,

que junta nas noites de Verão os mil

e duzentos habitantes da aldeia mais

quase outros tantos emigrantes que

regressam a “su Pueblo” nas férias.

Também na zona da Rua do Pirão,

do outro lado do Guadiana,

nos tempos em que as pessoas

faziam filhos, nesse

enorme jardim de infância

que envolvia a

Moraria, a Maceira, a

Rua da Figueira, de São

Martinho, do Castelo, o

Bairro Alto, a Rua do Forno,

do Feijão, a Fonte da Boneca

e tinha por recreio nocturno

o Largo dos Correios, o local

do circo era a garagem do meu pai.

O portão tanto servia de “coito” nos

jogos de “coxe” e da correia, do Lá

vai Alho e outros hoje definitivamente

afastados de qualquer escola pelo

pedagogicamente desaconselhável,

pelos mestres de academias cinzentas,

como o das portas como balizas,

de bolas trapeiras que se compravam

nas duas mercearias (ao lado

do “Costiano” e por cima do Bolinhas)

penduradas das suas portas

como cachos de uvas. Muitas

vezes no portão, parava um grupo

de fantoches, e eu descia à rua,

pois da varanda da sala, mesmo

por cima, não tinha piada nenhuma.

Mas era depois das visitas

dos circos, aquecidos pelas idas e

vindas, muitas, ao local para ver os

ursos, os tigres e os macacos de

fora, que o frenesim actuava e os

portões da garagem eram abertos

ao público, meio tostão por assistente,

para serem depois divididos pelos

artistas que ensaiavam de portão fechado

durante a semana, em segredo

de polichinelo, cigarros avulso

pagos pela última actuação, no meio

dos sacos de farinha marca Falcão,

para porcos e galinhas, que o meu

pai vendia, “Terralac” para bezerros,

creolina e “Tibenzol” para ovelhas,

cabras e outros chocalhantes domésticos.

Os dias do espectáculo,

coincidentes com a falta de tabaco,

eram abertos à catraiada da cidade,

a todos, mesmo os que eram vítimas

das cavalgadas medievais afonsinas,

feitas durante o ano a outros bairros,

Cooperativa, Vila Nova, Atalaião e

Prédios Novos, safando-se destas investidas

o Bairro da Lata e o de São

Bartolomeu onde as ditas cavalgadas

davam sempre para o torto, e donde

voltávamos derrotados, humilhados e

normalmente sem dentes e sem cabeças

intactas, pois dizer partidas,

ainda hoje me soa a bem pouco para

tais desastres. Mas o circo inebriava

tudo e todos e as artes, dos que vinham

e iam sem ficar, eram períodos

de excitação e boca aberta,

perante um Carlos

Avelino que passeava

num

arame

sobre as torres da Sé, de bicicleta

sem pneus junto ao Plátano a dez metros

do chão, pequenino lá encima,

ou o hipnotizador que conduzia de

olhos vendados pelas ruas da cidade

durante o dia, e pela noite, no show,

punha os portalegrenses a fazer de

ursos, tigres ou macacos de dentro,

provocando durante meses as risadas

nas barbearias. Não sei se o Matela,

o Alberto, o Rui Miguéis, o Cebola,

o Parentinho, o Morujo, o Ovinhos,

o Bento, o Chico Calrão, o Benvindo,

alguns dos Fragalha ou dos Pirolitos

(com carinho), talvez o Júlio e o Car-


www.cldz.eu | LUSITANO DE ZURIQUE | DEZEMBRO 2019 | 13

CRÓNICA

los, e tantos outros, faziam parte dos

artistas. Se não faziam, eram público.

Os Baratas da Rua da Figueira

não estavam de certeza, pois se

perdoávamos as vítimas das nossas

cavalgadas afonsinas e até mesmo

aquelas em que saíamos com o rabo

entre as pernas, não perdoávamos as

mesmas cavalgadas feitas contra a

nossa rua. Causa Nostra. Uma das

vezes, tal a força do circo, tivemos

o Tonho Bruto sentado e a pagar

um cigarro, pois estava teso e sem

trocos, mas tabaco tinha, de todas

as marcas, rapinados das distrações

dos fumadores, nas esplanadas, que

por esse tempo ainda

existiam. Lembro-me,

no entanto, do Realinho,

filho do fotógrafo,

que vestíamos de

mulher com

as rou- pas

das minhas irmãs e é se queria participar,

do Manuel Carlos que fazia uns

truques com cartas que acabavam

sempre, ou quase, espalhadas no

chão, de mim próprio com uma magia

de fazer desaparecer o lenço com que

me assoava, aliás, ainda hoje repetido

até a exaustão pelas filhas e mesmo

por mim, em família ou entre amigos.

A cadela malhada, a Jobinha, a quem

puxava o rabo e rodava que nem uma

louca tentando agarrá-lo. Ainda tentei

com ela um número novo, toureando-a

com uma capa. Não funcionou,

pois agarrava a capa enfurecidamente

com os caninos de fora e não investia,

pelo menos como eu queria,

armado em Manuel dos Santos, a figura

tauromática da época, bem antes

do José Júlio e do cavaleiro Mestre

Baptista. Agora a estrela do Circo

do Pirão, que se façam ribombar os

tambores com o som de perigo, se

acenda a luz da ribalta e se escute o

silêncio num roer de unhas, era o Domingos

Bucho, com capa tipo Super-

-Homem ao pescoço, quando entrava

em cena, e atirava ao ar e para trás

em gesto Mandrake, antes de começar

a exibição, numa vassoura segura

ao ombro por mim e pelo Edmundo,

como barra, e onde dava cambalhotas

e se pendurava tipo morcego pelas

pernas, braços abertos como um

Cristo de cabeça para baixo a partir

dos joelhos. O fim do seu número foi

o fim do Circo do Pirão, no dia em que

o cabo da vassoura, cansado

de tantos treinos se partiu em

dois e espetou a cara do Domingos

no chão de cimento,

pintado de vermelho, do reverso

do Chapitô. Com lascas

de madeira cravadas na perna, entre

lágrimas e raiva, lançou impropérios

contra mim e o Edmundo e com meia

vassoura nas mãos, hesitávamos entre

rir e fugir. Esse ensaio, matou definitivamente

o Circo do Pirão, sendo

rapidamente a garagem transformada

em ringue de hóquei em patins,

pois Portugal ganhava sempre e a

televisão da Sociedade Alentejo,

com bancos corridos todo o dia,

em fila, como no cinema, esperando

as sete da noite em que começavam

as emissões, aquecia-nos

pelas noites com as soberbas vitórias

fáceis contra todos os países,

e mais difíceis e saborosas,

pelo cheiro de Aljubarrota, contra

os Espanhóis marchar, marchar (razão

por que o Júlio e o Carlos não

gostavam desse desporto) e todos

nós, nos chamávamos Livramento.

A televisão começava a afastar-nos

da rua.

Talvez porque o circo para nós fosse

quase sempre visto de fora, entrar

era uma pipa de massa, e tal como

aqueles pais que compram aos filhos

comboios eléctricos e pistas de automóveis,

que sempre desejaram e não

tiveram, e que os filhos aborrecem em

pouco tempo porque o pai só quer

brincar com o brinquedo e não com

os filhos através do brinquedo, também

eu, forcei sempre as minhas filhas,

desde muito pequeninas a irem

ao circo, comigo. Não o fiz com a

pista de automóveis nem com o comboio

eléctrico, que, aliás, foi a prenda

que me deram há dois anos pelo Natal

e ainda hoje, está sempre montado

numa mesa grande onde, com os

livros, fiz túneis fazendo-o aparecer e

desaparecer, com a sua luz (sim, porque

tem luz) acendida, mas fi-lo, isso

sim, com o circo, talvez o motivo porque

não seja coisa do seu agrado. A

Maria era a mais pequenina na altura,

quando apresentei morando em Peniche,

a expectativa de irmos ao circo

no sábado, à matiné, frente ao Forte

de onde tinha fugido o Cunhal:

- Logo, às cinco da tarde, cavalos,

leões, palhaços… - Gritava o carro

pelas ruas.

- Estás a ouvir, filhota? O papá já tem

bilhetes – e mostrava-os, como quem

mostra um tesouro, muito mais importante

do que as descobertas tímidas

dos destroços do São Pedro de

Alcântara, cujas escavações tinham

sido finalmente autorizadas depois

de séculos sobre o naufrágio, de que

toda a gente falava nas filas das visitas

à cova onde estavam expostos

dois cadáveres desenterrados pelos

arqueólogos.

– Filhota, isto sim é um tesouro – e

carregava na tecla – vais ver como

vais adorar o circo.

Às quatro e meia, já estávamos na fila

e porque era a primeira vez da menina,

ficámos nas cadeiras da frente, a

uma braçada da pista. Vimos tudo e a

pequerrucha teve um dia onde tudo fiz

para que não esquecesse. Excelente

tarde. Comeu pipocas, teve medo do

palhaço rico, mas riu-se com o palhaço

pobre e no intervalo quis uma

bandeirinha com o nome do circo,

que uma moçoila, com botas de montar

brancas e fato de general, vendia,

com maços de tabaco (podia-se fumar

na altura), cerveja, pastilhas, sumos,

balões e fotografias assinadas

pelo trapezista. Comprei-lha, como

lhe compraria o mundo naquele dia

se mo pedisse e eu tivesse trocos. Ao

chegar a casa a Maria ia feliz e a tia

perguntou-lhe:

- Gostaste?

- Siiimmmm!! – e eu ajudei àquela felicidade

que me honrava como pai com

objectivo cumprido:

- De que gostaste mais? Dos leões,

dos palhaços, dos trapezistas?

A Maria abanou a bandeirinha feliz,

muito feliz e respondeu, com sotaque

alentejano dos avós paternos:

- Da “bandera”.

Boas memórias! Um bom Natal e um

excelente Ano Novo.


14 | DEZEMBRO 2019 | LUSITANO DE ZURIQUE | www.cldz.eu

AGENDA CULTURAL

DOMINGO 8.12.

EXPOSIÇÃO

A exposição “Problem gelöst? Geschichte(n)

eines Virus” questiona a situação atual do HIV/

AIDS. A exposição conecta conhecimentos artísticos

com informações históricas e atuais,

bem como material de arquivo documentário.

Entrada grátis, contribuição espontânea.

Shedhalle. Seestr. 395.

Bus 161/165 bis “Rote Fabrik“.

http://www.shedhalle.ch

SEGUNDA-FEIRA 9.12.

DANÇAR NA SEGUNDA-FEIRA

Toda segunda-feira acontece o “Boschbar”.

Aqui, toda semana, os DJs tocam diferentes

músicas de todo estilo. Hoje é o DJ “Leon”.

Deixe-se surpreender e descubra novas músicas.

Entrada grátis.

Provitreff. Sihlquai 240.

Tram 4/13/17 bis „Quellenstrasse“.

http://www.provitreff.ch

QUARTA-FEIRA 11.12.

HISTÓRIAS PARA CRIANÇAS

“Family Literacy” é um programa de incentivo à

língua e à leitura para famílias com fundo cultural

multilinguista que é oferecido em diferentes

bibliotecas da PBZs. As crianças de 2-5 anos

escutam e leem histórias em suas línguas maternas.

Hoje acontece o evento em espanhol.

Outras línguas oferecidas: albanês, chinês,

inglês, francês, português, espanhol, tâmil e

turco. 15:30. Mais informações: www.pbz.ch/

familyliteracy. Participação gratuita.

PBZ Sihlcity. Kalanderplatz 5.

Tram 5/13/17 oder Bus 72 bis “Sihlcity Nord“.

http://www.pbz.ch/familyliteracy

Suíça. Acenda uma vela e desfrute de uma atmosfera

impressionante. Há uma programação

para toda a família. A partir de 16:30. Participação

gratuita.

Josefwiese.

Tram 4/13/17 bis “Dammweg” oder Bus 33/72

oder S-Bahn bis “Bahnhof Hardbrücke“.

http://www.josefwiese.ch/kulturagenda

DOMINGO 15.12.

CORTE (VOCÊ MESMO) PINHEIROS DE

NATAL

Você está procurando uma árvore de Natal?

Busque um pinheiro no bosque urbano de Zurique.

Se você quiser, você poderá cortar você

mesmo as árvores. O preço depende do tamanho

e do tipo da árvore. Até o dia 23.12. Seg-sáb

08:00-17:00. No dia 24.12. 08:00-12:00.

Forstgarten Albisgüetli. Uetlibergstr. 355.

Tram 10/13/17 bis „Albisgütli”.

http://www.stadt-zuerich.ch/ted/de/index/gsz/

aktuell/gruenagenda/2019/september-dezem-

ber/frischbaum-der-weihnachtsbaum-aus-

-dem-zuercher-stadtwald-albisguetli.html?calentry=1

SEGUNDA-FEIRA 16.12.

FAZER VELAS (01.12.-23.12.)

Na época antes do Natal, na Bürkliplatz, adultos

e crianças podem produzir as suas próprias

velas. Venha com tempo e desfrute da atmosfera

contemplativa. Diariamente 10:00-20:00. O

custo depende do peso, CHF 4.50/100g.

Bürkliplatz, Musikpavillon.

Tram 2/5/8/9/11 oder Bus 161/165 bis „Bürkliplatz”.

http://www.zuercherkerzenziehen.ch

AGEN

CULTU

d

Zuri

QUINTA-FEIRA 12.12.

CAFÉ E FALAR

Você deseja melhorar seu nível de alemão e

aprender novas palavras? Então você achou o

lugar certo em nosso agradável “Sprachen-Café”.

Conheça pessoas interessantes e treine

sua comunicação em alemão. Toda qui (exceto

nas férias escolares) 10:00-11:00. Participação

gratuita.

GZ Heuried, Standort Manesse. Staffelstr. 5.

Tram 5/13/17 oder Bus 72 bis “Sihlcity Nord“.

http://www.gz-zh.ch/gz-heuried/programm/

SEXTA-FEIRA 13.12.

DESPORTO NA NEVE GRATUITO PARA

CRIANÇAS E ADOLESCENTES

A organização “Snow4free” possibilita diversão

gratuita na neve para crianças e adolescentes

de 9-13 anos. A tarde inteira é grátis, incluindo

o transporte, a assistência, a entrada na pista

de esqui, o lanche e o equipamento. Datas:

08./15./22./29.01.20. Inscrições obrigatórias na

página: www.snow4free.ch.

http://www.snow4free.ch

SÁBADO 14.12.

SOLIDARIEDADE NO JOSEFWIESE

Hoje mil velas reluzem em mais de cem lugares

na Suíça. É assim também no “Josefwiese”. A

exposição “Eine Million Sterne” é um símbolo

de solidariedade com as famílias carentes na

QUARTA-FEIRA 18.12.

CONCERTO

Estudantes da “PreCollege Musik” da ZHdK

(Zürcher Hochschule der Künste) interpretam

hoje clássicos do jazz, baladas rock e canções

pop. Assista a este impressionante e cativante

concerto apresentado por jovens talentos da

Escola Superior. 20:00. Entrada gratuita.

Mehrspur, Musikklub Toni-Areal. Förrlibuckstr.

109.

Tram 4 bis “Toni-Areal” oder Tram 8/17 bis „Fischerweg”.

http://www.zhdk.ch/veranstaltung/39612

SEXTA-FEIRA 20.12.

A ÁRVORE DE NATAL CANTANTE (01.12.-

23.12.)

Na Werdmühleplatz quase todos os dias coros

cantam canções de Natal. Seg-qui 17:30

e 18:30. Sex 17:30, 18:30 e 19:30. Sáb/dom

14:30, 15:30, 17:30 e 18:30. Por fim, aproveite a

atmosfera pré-natalícia num passeio pelo mercado

de Natal. Entrada livre.

Werdmühleplatz.

Tram 6/7/11/13/17 bis „Bahnhofstrasse/HB”.

http://www.singingchristmastree.ch

SÁBADO 21.12.

JANTAR DE NATAL

A associação “Colors sans frontières” empenha-se

para que Zurique seja uma cidade

O que acon

Zuriq

(tempos livres


DA

RAL

e

que

www.cldz.eu | LUSITANO DE ZURIQUE | DEZEMBRO 2019 | 15

multifacetada e aberta ao mundo. Hoje pode

apreciar um delicioso jantar em ambiente pré-

-natalício na Quartierhaus Kreis 6. 18:00. Participação

gratuita, contribuição espontânea

Quartierhaus Kreis 6. Langmauerstr. 7.

Tram 7/11/15 bis „Röslistrasse”.

http://www.colorssansfrontieres.ch/anlaesse

DOMINGO 22.12.

SALA DE JOGOS PARA CRIANÇAS

Este lugar é ideal quando lá fora está chuva e

frio. As crianças podem construir, escorregar,

escalar e jogar. Apareça com os seus filhos (até

aos 5 anos), beba um café e troque ideias com

outros pais. Seg/ter/qui/dom 13:00-17:00. Participação

gratuita.

GZ Wollishofen. Bachstr. 7.

Tram 7 bis “Post Wollishofen” oder Bus 161/165

bis “Rote Fabrik“.

http://www.gz-zh.ch/gz-wollishofen

SEGUNDA-FEIRA 23.12.

DESPORTO PARA ADULTOS

Na associação “Sportegration” encontra cursos

de desporto para adultos refugiados, migrantes

e locais. Por exemplo, hoje decorrem

os seguintes cursos: curso de dança (apenas

senhoras) 17:00, curso de dança (misto) 18:30,

yoga (apenas senhoras) 18:45 e fitboxen (misto)

19:30. Participação gratuita com documento

N/F (em vez de CHF 10.- por sessão de treino).

Programa detalhado em www.sportegration.

ch.

Sportegration, Silo Löwenbräu. Limmatstr. 254.

Tram 4/13/17 bis „Dammweg”.

http://www.sportegration.ch

AGENDA CULTURAL

um café e um bolinho, se encontrar com outros

pais e de estabelecer novos contactos. À qui

10:00-11:30. Entrada CHF 5.-, gratuito com KulturLegi.

PBZ Affoltern. Bodenacker 25.

Bus 62 bis „Unteraffoltern”.

http://www.pbz.ch/angebot/events/baby-cafe14

SEXTA-FEIRA 27.12.

KULTURLEGI

O KulturLegi é um cartão para pessoas com

baixos rendimentos, que assim podem beneficiar

de preços reduzidos em vestuário, alimentação,

concertos, cursos de alemão, etc. Por

exemplo, com o KulturLegi a entrada para a

Kunsthaus ou o Nordamerika Native Museum é

gratuita. Informações na Caritas através do 044

366 68 48 ou zuerich@kulturlegi.ch. Também

pode solicitar o cartão KulturLegi directamente

no local. Seg-sex 09:00-13:00, 14:00-17:00.

Caritas Zürich, KulturLegi. Reitergasse 1.

Tram 3/14 oder Bus 31 bis „Sihlpost”.

http://www.kulturlegi.ch

SÁBADO 28.12.

RÁDIO LORA

Há mais de 30 anos que a rádio LoRa emite

reportagens nas áreas da política, cultura e

sociedade. É um espaço para dar voz a quem

de outra forma não conseguiria fazer-se ouvir.

Esta rádio alternativa transmite diariamente

programas em mais de 20 línguas. Programa

detalhado: www.lora.ch ou então sintonize a

frequência 97.5 MHz.

http://www.lora.ch

tece em

ue

e cultura)

© annca

TERÇA-FEIRA 24.12.

FESTA COMUNITÁRIA

Estão todos cordialmente convidados para a

festa “Offene Nacht” na “Kulturhaus Helferei”.

Delicie-se com uma saborosa refeição, música

e muito mais pela noite dentro. A partir das

18:00. Participação possível em qualquer momento.

Beber vinho quente às 23:00. Participação

gratuita.

Kulturhaus Helferei. Kirchgasse 13.

Tram 4/15 bis ″Helmhaus″.

http://www.kulturhaus-helferei.ch

QUARTA-FEIRA 25.12.

GRUPO DE CORRIDA

À quarta-feira entusiastas do desporto encontram-se

junto do relógio florido (relógio grande

feito com flores) na Bürkliplatz para um treino

de corrida. Esta actividade dirige-se especialmente

a principiantes e corredores lentos.

09:00-10:00. Participação gratuita.

Bürkliplatz.

Tram 2/5/8/9/11 oder Bus 161/165 bis „Bürkliplatz”.

http://www.zueriraennt.ch/laufgruppen

QUINTA-FEIRA 26.12.

BABY-CAFÉ

O Baby-Café é um ponto de encontro para pais

de bebés e de crianças pequenas e para grávidas.

Oferecemos-lhe a possibilidade de, entre

SEGUNDA-FEIRA 30.12.

PASSEIO PELAS ESTUFAS TROPICAIS

Quando lá fora chove e está frio, apetece ainda

mais fazer uma visita às quentes estufas

tropicais do Jardim Botânico da Universidade

de Zurique. Coloridas plantas, flores e aromas

exóticos ajudam a esquecer o Inverno. Diariamente

09:30-16:45. Entrada livre.

Botanischer Garten. Zollikerstr. 107.

Bus 33/77 bis “Botanischer Garten” oder Tram

11/Bus 31 bis “Hegibachplatz” oder Tram 2/4

bis „Höschgasse”.

http://www.bg.uzh.ch

TERÇA-FEIRA 31.12.

FESTEJOS DE ANO NOVO JUNTO DO

LAGO

A maior festa de passagem de ano da Suíça

inclui vários stands de comida e concertos.

O fogo-de-artifício sobre o lago promete uma

entrada festiva no novo ano. Festa a partir das

20:00, fogo-de-artifício às 00:20-00:35. Participação

gratuita. Eléctricos e autocarros circulam

até às 04:00 (sobretaxa nocturna a partir

da 01:00).

Beim Bellevue am See.

Tram 2/4/5/8/9/11/15 bis „Bellevue”.

http://www.silvesterzauber.ch

Fonte: www.maps-agenda.ch/


16 | DEZEMBRO 2019 | LUSITANO DE ZURIQUE | www.cldz.eu

PUBLIREPORTAGEM

Almeida Wein:

Os vinhos portugueses no mercado além-fronteiras

Estivemos presentes na degustação

de vinhos portugueses da empresa

Almeida Wein.

Um espaço bastante acolhedor e um

ambiente bastante agradável, onde

se mistura a prova dos vinhos com

a pintura e algumas antiguidades

numa simbiose perfeita. Esta degustação

contou também com a presença

do Cônsul Geral de Portugal

em Zurique, Paulo Maia e Silva, que

fez questão de participar e apoiar os

empresários da diáspora, como é o

caso de Filipe Almeida, o qual tivemos

a possibilidade de entrevistar,

dando a conhecer melhor esta nova

casa em Zurique.

PEDRO NOGUEIRA

Lusitano Zurique – Filipe, há quanto

tempo surgiu a ideia de criar uma empresa

relacionada com a importação de

vinhos portugueses de qualidade?

Filipe Almeida - Tive a ideia no final de

2013. Conversei com meu pai sobre Vinhos

Portugueses e ele dizia-me que Portugal

tem uma enorme tradição Vinícola. Disse-me

também, que temos uma variedade

interessante de castas, algumas delas

premiadas internacionalmente. No final

de 2015, decidi dar andamento à Almeida

Weine GmbH, com o objetivo de apresentar

vinhos portugueses de qualidade que

ainda não fossem conhecidos na Suíça e

mostrar que Portugal tem muitos mais vinhos

de qualidade para além dos excelentes

vinhos do Porto.

L.Z.- Não é muito habitual ver um jovem

ligado ao mercado dos vinhos. Quando

nasceu essa paixão?

F.A. – Pois não, mas, como disse anteriormente,

ganhei paixão aos vinhos por influência

do meu pai.

L.Z.- A Almeida Wein importa vinhos de

uma região específica de Portugal ou

abrange diversas regiões?

F.A. - Importamos vinhos de diferentes regiões,

como Vinho Verde, Douro, Bairrada,

Tejo e Alentejo.

L.Z.- Os vossos clientes na maioria são

portugueses ou suíços?

F.A. – Os nossos clientes são principalmente

suíços, não quer dizer que não

tenhamos clientes portugueses. No segmento

português temos vindo a aumentar

as encomendas, mas a maioria ainda são

suíços.

L.Z.- O facto de terem mais clientes suíços

do que portugueses, isso deve-se

ao quê em concreto?

F.A. – Talvez tenha sido por termos apostado

primeiro no mercado Suíço em detrimento

do português, mas penso que chegou

o momento de nos voltarmos também

para o mercado português.

L.Z.- Quantas marcas de vinhos importam?

F.A. – Actualmente trabalhamos com 6

produtores, dos quais, no seu conjunto, resultam

45 marcas.

L.Z.- Confesso que não entendo nada

de vinhos, mas se eu quisesse comprar

um bom vinho na vossa loja, em que a

relação preço qualidade fosse atrativa

para o consumidor, qual deles me aconselhava?

F.A. – Numa perspetiva de Marketing

aconselharia todos, mas respondendo em

concreto recomendaria dois vinhos de excelência:

Alvarinho da Quinta de Santiago

e um tinto da região do Douro, Quinta Vale

d’Aldeia Grande Reserva.

L.Z.- Alguns destes vinhos foram premiados?

F.A. – Sim: 9 tintos e 6 vinhos brancos.

L.Z.- Qual dos vinhos tem mais venda?

F.A. – Na Gastronomia os Vinhos mais

vendidos são o Xaino selection, Alvarinho

Quinta de Santiago, Monte da Raposinha

Tinto e Branco, Athayde Grande Escolha,

Quinta do Ortigão Reserva, Feitosa e Selores.

Nos clientes particulares, os de Top

Gama como, a Marquesa de Alorna, Furtiva

Lagrima, 4/Dezasseis, Quinta Vale d’Aldeia

Grande Reserva e Athayde Grande

Escolha.

L.Z.- Os vossos vinhos já são comercializados

nos restaurantes suíços?

F.A. – Sim, estamos nos Restaurantes Suíços,

Italianos e Portugueses

L.Z.- Filipe, para quando está marcada

a próxima degustação?

F.A. – A próxima degustação é já no próximo

dia 15.12.2019 (DOMINGO) das 14.00

às 18.00h.

O espaço da loja O senhor Cônsul Paulo Maia numa acesa cavaqueira sobre o vinho Paulo Almeida com o senhor Cônsul Paulo Maia e o Empresario

Filipe Almeida.


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www.cldz.eu | LUSITANO DE ZURIQUE | DEZEMBRO 2019 | 17

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Escritório de Representação de Genebra

Rue de Genève 134, C.P. 156 | 1226 Thônex - Genève | Tel. 022 348 47 64

Escritório de Representação de Zurique

Badenerstrasse 382, Postfach 687 | 8040 Zürich | Tel. 043 243 81 21

Baslerstrasse, 117 - 8048

A Nossa loja está localizada na

Seestrasse 160, 8002 Zürich

Horário de funcionamento

Quarta-feira 13:30 - 18:00 / Quinta-feira 13:30 - 18:00

Sexta-feira 13:30 - 18:00 / Sábado 10:00 - 16:00

Tel. + 41 43 244 88 84

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18 | DEZEMBRO 2019 | LUSITANO DE ZURIQUE | www.cldz.eu

BREVES

PORTUGAL

NO

CORAÇÃO

- 2019

SIMPLICIDADE...

IVO MARGARIDO (*)

Lembra-te de como apareceu o último

arco-íris, como pariu aquela ovelha no

curral, como chorava o teu irmão mais

pequeno ...

Recorda e abre o teu coração, encontra

a tua espontânea e natural simplicidade

para que os teus pensamentos, emoções

e actos não sejam complicados

nem retorcidos.

Devolve à tua vida a confiança e esta

começará a ter sentido. O sorriso chegará

mais fundo no teu coração e as

tuas ideias serão também mais bonitas,

como o brotar de uma flor ou o voo de

uma borboleta.

Embora pareça uma contradição, é difícil

falar de Simplicidade e também

não é fácil expressar com palavras um

amanhecer ou um pôr do Sol, ou tentar

descrever o crescimento de uma erva ...

O Ser Humano esqueceu muito depressa

a naturalidade e a espontaneidade

que de pequeno o fez expressar livre

e sem preconceitos tudo aquilo de que

precisava. A naturalidade foi substituída

pela dúvida, pelo preconceito, pelo

medo e pela insegurança; convertendo-

-se o que era natural em algo complicado,

retorcido e sem sentido.

Ao leres esta mensagem procura recordar

a tua inocência, a tua espontânea

naturalidade de criança e faz um esforço

para recuperá-la. Deixa o medo e a

vergonha para outra ocasião e começa

a expressar-te tal como és, sem te

preocupares se está correto ou ou se irá

surpreender os outros.

Ao comportares-te com simplicidade

na tua vida diária, esta também se

transformará, tornando-se agradável e

suave.

Aprende a não ser complicado(a),

aprende a estudar o teu coração e a

deixá-lo em liberdade. Deixa que os

teus pensamentos se expressem livres

e com criatividade. Limpa tudo aquilo

que te paralisa ou te impede.

O coração não engana e a mente está

cheia de defesas automáticas em relação

ao medo, à dor, à tristeza ... Defende-se

e aconselha-te seguindo esquemas

que já não são válidos.

Aprende a ser simples e a tua vida também

será simples.

Sempre que os teus medos e temores

aparecerem como um turbilhão, deixa

que a energia os queime e deixa-te conduzir

por um caminho alegre e rápido,

mas se os teus tabus não te deixarem

avançar, deixa-os para trás, ninguém te

vê, não importa o que faças. A espontaneidade

surge em ti quando o consegues

e acompanha-te com inocência.

Se a insegurança aparecer em ti fazendo-te

resistir, deixa para trás as dúvidas

e ansiedades, deixando que a paciência

te acalme. Esta removerá calmamente

com a sua pacífica quietude todos os

teus rancores. A ira assalta-te e sufoca-te

até que a deixes em liberdade, e

como presente entrega-te o Amor para

que continues a viagem.

De repente, sem contares, esperam-te

a tua rigidez e as tuas críticas. Deixa-as

manifestarem-se um pouco, depois não

permitas que entrem mais em ti.

Quando te sentires confuso(a) e cansado(a),

deixa de te questionar e a Luz

aproximar-se-á de ti enchendo-te de fé.

Simplesmente, agradece a vida :-)

(*) (Por Marta Cabeza Villanueva - Adaptado por

Ivo Margarido)

A Secretária de Estado das Comunidades

Portuguesas, Berta Nunes,

recebeu e saudou, a 12 de novembro,

14 emigrantes portugueses

seniores, que há 30, 40 ou, em alguns

casos, 50 anos não visitaram

o país.

“É com grande satisfação que vos

recebemos e que constatamos que

ao fim de tantos anos estão agora a

ter a oportunidade de visitar o vosso

país. Muitos de vós emigraram

com as vossas famílias em busca

de uma vida melhor e das condições

que não conseguiam ter em

Portugal. Mas continuaram sempre

a acalentar o sonho de voltar

a visitar o vosso país e a viver as

memórias e a ligação a Portugal

com grande afetividade. Em suma,

trouxeram sempre Portugal no Coração”,

notou.

A receção aos participantes teve

lugar no Ministério dos Negócios

Estrangeiros e contou com a presença

da Secretária de Estado da

Ação Social, Rita da Cunha Mendes,

do Diretor-Geral dos Assuntos

Consulares e das Comunidades

Portuguesas, Júlio Vilela, e do presidente

da Fundação Inatel, Francisco

Madelino.

O programa “Portugal no Coração”

é promovido pelo Ministério dos

Negócios Estrangeiros (Gabinete

da Secretária de Estado das Comunidades

Portuguesas), pelo Ministério

do Trabalho, Solidariedade

e Segurança Social (Fundação Inatel)

e pela TAP Air Portugal. Esta

iniciativa proporciona uma visita a

Portugal a cidadãos nacionais com

mais de 65 anos, residentes no estrangeiro

e que não visitam o país

há mais de 20 anos devido a várias

circunstâncias.

Na edição deste ano participam

cidadãos portugueses residentes

na África do Sul, Argentina, Brasil

e Venezuela. A edição 2019 decorre

entre 9 e 21 de novembro e inclui

visitas turísticas e culturais nos distritos

de Lisboa, Leiria, Guarda e

Porto.


www.cldz.eu | LUSITANO DE ZURIQUE | DEZEMBRO 2019 | 19

ACTUALIDADE

Os efeitos duradouros da violência

doméstica

À família, por muitos considerada a célula

da sociedade, compete - em primeira

instância - proteger os mais vulneráveis

(crianças, idosos, mulheres, doentes, portadores

de deficiência…). A legislação é

clara e defende os cidadãos de agressões

que possam sofrer dentro de portas, às

mãos de maridos, mulheres, parceiros, filhos

ou outros próximos. Mas a violência

doméstica continua a fazer correr tinta e

sangue.

Durante décadas, provérbios como “Cresce

o ovo bem batido, como a mulher com

bom marido” ou “Entre marido e mulher,

nunca metas a colher”, ilustravam a mentalidade

reinante nos lares dos portugueses:

o homem falava, a mulher calava, e era totalmente

dependente.

Paulatinamente, como é apanágio da educação,

as novas gerações não aceitam esta

desigualdade de direitos e deveres, sendo

que tal se encontra plasmado na legislação

atual. De resto, toda a sociedade é nela implicada,

pois quando somos testemunhas

de insultos ou agressões físicas, é preciso

meter a colher entre marido e mulher. Se

um vizinho ou um transeunte for testemunha

de um tabefe ou de um ataque ainda

mais agressivo, pode (e deve!) denunciá-lo.

Na sequência da queixa, é aberto um processo.

Mas se o prevaricador for apanhado

em flagrante, é detido.

UMA AGRESSÃO FAMILIAR É HOJE

CONSIDERADA CRIME PÚBLICO. POR

ISSO, QUALQUER PESSOA PODE DE-

NUNCIÁ-LA

Os dados mais recentes registados em

Portugal traçam um retrato preocupante

em termos absolutos, embora reflitam

igualmente o aumento da visibilidade -

provavelmente, no passado, os casos reais

eram mais numerosos do que os vindos a

público.

131 Ocorrências foram registadas

no sistema de queixa eletrónica

em 2017

22% Das situações de violência,

em 2017, foram consideradas de

risco elevado

25 498 Contra mulheres

22 599 Contra cônjuge ou análogo

6793 Contra homens

1648 Por pais ou padrastos

937 Abuso sexual de crianças,

adolescentes e menores dependentes

430 Contra menores

363 Maus-tratos ou sobrecarga

de menores

Fonte: Relatório Anual de Segurança Interna 2017

Como é notório, a violência doméstica

atinge inúmeras vezes as crianças, seres

vulneráveis que deviam ser protegidos

por quem direta ou indiretamente os agride.

Além dos abusos sexuais, exploração

infantil, agressões físicas e tantas formas

maltratantes, muitas crianças assistem à

violência infligida a vítimas que lhes são

queridas, deixando marcas profundas.

Acompanhando ao longo de duas décadas

crianças em risco que foram acolhidas em

Instituições, assisti a relatos terríveis que

em alguns casos moldaram as características

de personalidade, por servirem de modelo

parental, por traumas associados às

vivências ocorridas na infância, etc.

Como todos sabemos, “O que se passa na

infância não fica na infância”, daí ser necessário

um cuidado redobrado com os

atos que são praticados e podem ter repercussões

nas nossas crianças.

Como o Mundo pula e avança e para que

seja realmente como uma bola colorida

entre as mãos de uma criança, apostemos

na Educação, pois é a arma mais poderosa

para mudar o Mundo.

João Pedro Gaspar – Investigador Universidade

de Coimbra

Presidente da Plataforma PAJE – Apoio a

Jovens (Ex)acolhidos

(No âmbito de futuras jornadas de sensibilização

e prevenção da Violência Doméstica na comunidade

portuguesa na Suíça, com o apoio da

Embaixada de Portugal em Berna e da Coordenação

Nacional da Pastoral das Migrações de

Língua Portuguesa.)


20 | DEZEMBRO 2019 | LUSITANO DE ZURIQUE | www.cldz.eu

MODA LANHOSO

e ARMINDO ALVES

A DAVIDE GONÇALVES

No passado dia 23 de Novembro realizou-se

a primeira edição ModaLanhoso

na Suíça, na cidade de Zurique,

junto da comunidade Portuguesa, na

maioria Povoenses, sendo mesmo

possível constatar que a passerelle em

Zurique foi palco de uma verdadeira

festa Povoense.

Um evento organizado pela Comissão

de Festas de S. Paio de Brunhais em

colaboração com o Município da Póvoa

de Lanhoso onde o Presidente da

Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso,

Avelino Silva, também esteve junto

dos emigrantes Povoenses. Este evento

teve duas vertentes: por um lado a

moda, numa iniciativa que visa e assenta

na promoção do comércio local

junto desta importante comunidade

povoense no estrangeiro, por outro

lado a finalidade era angariar fundos

monetários para a Festa de S. Paio de

Brunhais 2020.

O Lusitano de Zurique esteve presente

no evento e questionou Sadra Alves

uma das responsáveis da Organização

ModaLanhoso em Zurique, assim

como o Presidente da Câmara Municipal

da Povoa de Lanhoso, Avelino Silva.

L.Z. - De onde surgiu a ideia da Moda

Lanhoso em Zurique?

Organização - Como sabem Zurique é

a Póvoa de Lanhoso em miniatura. Uma

grande parte da emigração está concentrada

em Zurique e arredores. Como a

data deste evento na Povoa de Lanhoso

é a meados de Agosto, uma grande parte

da emigração não pode participar ou

marcar presença porque já estão de volta

a Zurique, derivado ao início do ano lectivo.

Como eu já tive presente várias vezes

e adorei a ideia, e numa conversa com um

responsável da comissão de Festas de S.

Paio, dei a ideia de fazer este evento aqui

em Zurique.

L.Z.- Este evento é um evento de grande

responsabilidade, e necessitou de

uma grande organização! Quem foram

os motores deste Evento?

Organização - Sim desde o Inicio estávamos

cientes que não seria um evento

muito fácil de realizar porque tínhamos

um Município a defender. Depois quanto

aos motores deste evento, devo dizer que

este evento teve a colaboração de três

motores, se é assim que lhe quer chamar:

a Câmara Municipal da Povoa de Lanhoso,

a Comissão de Festas de S.Paio e o

grupo de trabalho criado para este evento,

que por sua parte era o elo de ligação

entre a comissão de Festas e a Câmara.

L.Z.- Tenho conhecimento de um Casting,

foi difícil recrutar modelos?

Organização - Os modelos não foi difícil

de arranjar, o que deu mais trabalho

foi a parte da logística. Conseguimos

92 modelos de varias idades e já agora

aproveito para os felicitar, estão todos de

parabéns porque uma grande parte deles

nunca tinha pisado uma passerelle e com

apenas dois ensaios foram uns verdadeiros

profissionais. Não é fácil desfilar com

uma plateia de cerca de 1400 pessoas.

LZ: Quantas lojas participaram?

Organização: Cerca de duas dezenas de

lojas e criadores: Amor Perfeito Kids, Estrelinhas

da Avenida, Kaprichos, Multiópticas,

Óptica 1, Óptica Queirós – Opticália,

Ycone Perfumaria, Ourivesaria Alquimia,

Ourivesaria Confiança, Ourivesaria Inês

Barbosa, AIM, Âncora, Baruc, Casa Forte,

For ALL, Tess, LRFashion, Marilene

Noivos, Orange StoreL & S Fashion, Cris-

Shoes e Ars Mara.

LZ: Antes de fazer uma última questão

tenho uma curiosidade: o grupo de trabalho

moda Lanhoso é composto por

4 mulheres e nenhuma é da Póvoa de

Lanhoso, porquê?

Organização - O “Grupo de trabalho que

formamos, para fazer o Elo de ligação entre

as duas entidades, foi para tirar trabalho

à comissão de Festas, é composto

por 4 mulheres e 1 homem que esse é de

Brunhais. As mulheres, por coincidência,

realmente não são naturais da Póvoa de

Lanhoso, mas sendo que a ideia de trazer

a moda Lanhoso a Zurique partiu da Sandra

Alves, a comissão de festas achou

por bem ser a própria a responsável na

organização do evento. Para além dela,

que é natural de Ponte de Lima, estava a

Ana Matos que é de Braga-Cabreiros, a

Ilidia Miranda que é da Póvoa do Varzim,

a Carina Gonçalves que é de Guimarães-

Ronfe, e o Jorge Soares que é natural de

Brunhais.

ModaLanhoso

L.Z.- Este evento vai-se repetir?

Organização- Uma pergunta difícil de

responder porque não depende só da organização,

tem uma comissão de Festas

e uma Câmara que são os grandes responsáveis.

Mas estou confiante que se irá

repetir.

À conversa com... Avelino Silva

Conversamos um pouco com o Presidente

da Câmara da Póvoa de Lanhoso,

Avelino Silva, e perguntámos-lhe

porque é que aceitou este desafio proposto

pela Comissão de Festas de S.

Paio de Brunhais!

“Se é aqui que temos a maior comunidade

de Povoenses emigrados, temos

de manter uma relação de proximidade

com eles. Os Povoenses, estejam onde

estiverem, merecem a nossa consideração

e, por isso, entendo muito positivo

aprofundar parcerias com as associações

que os representam pela europa e pelo

mundo fora. Tão importante como mostrar

as nossas lojas comerciais, o que foi

um sucesso, motiva-nos muito esta ligação

efectiva às famílias e, em especial,

aos mais novos. Queremos que estes

Povoenses regressem um dia e, nesse

sentido, também viemos mostrar que o

seu concelho está a desenvolver-se todos

os dias”.

“Divulgar a oferta de produtos e serviços

do comércio local povoense, nas áreas

têxtil, calçado e acessórios, com especial

relevo para os artigos em filigrana, técnica

que encontra na Póvoa de Lanhoso

registos ancestrais; valorizar e promover

a área da moda no Concelho da Povoa

de Lanhoso além-fronteiras; captar talentos

e incutir o gosto pela moda; e estreitar

laços e fomentar as sinergias com a

comunidade povoense emigrante foram

os objectivos desta iniciativa.” salienta o

Presidente da Câmara Municipal, Avelino

Silva.

Podemos classificar este evento como

um evento Fashion onde a animação

também esteve presente. No decorrer da

ModaLanhoso Zurique foram ainda exibidos

filmes promocionais da Póvoa de

Lanhoso e da Filigrana de Portugal. As

cerca de 1400 pessoas que assistiram a

este espectáculo foram ainda brindadas

com uma performance a respeito da Maria

da Fonte. Em termos musicais, destaque

para a actuação do Coro Feminino de

Zurique (Zurick Youth Choir) assim como

para o DJ Diego FM. A dança também

marcou presença, com Dany.


www.cldz.eu | LUSITANO DE ZURIQUE | DEZEMBRO 2019 | 21

MODA LANHOSO

em Zurique


22 | DEZEMBRO 2019 | LUSITANO DE ZURIQUE | www.cldz.eu

RECANTOS HELVÉTICOS

MARIA DOS SANTOS

Dezembro fecha o ano de 2019. Vou dedicar este “Recantos

Helvéticos” a uma reflexão de fim de ano.

As minhas caminhadas por vales e montanhas continuaram.

Preciso de ar puro e exercício físico para fabricar

boas energias e nunca abdicarei deste lema de vida.

Analisando 2019, considero que, uma vez mais, a natureza pagou

a factura mais elevada. Sem ela, a nossa qualidade de

vida vai piorando! As catástrofes sucedem-se e nada fazemos

para evitá-las. Continuamos passivos e a contribuir para

um desfecho caótico. Pergunto-me todos os dias o que não

nos leva a não suavizar a natureza e inverter cada vez mais

numa sociedade desbordada pelos interesses pessoais e capitalismo

já descontrolado.

A comunidade portuguesa continua a passar ao lado de tudo o

que gera a sociedade, nomeadamente a política. São os outros

que têm de fazer por nós e nós nada precisamos de fazer por

eles. Errado! Dou apenas este exemplo: o Consulado de Portugal

em Zurique tem uma plataforma onde podemos obter toda

a informação sobre os apoios disponíveis e os respectivos formulários,

podendo as associações e grupos culturais candidatar-se

a receber verbas que serão uma importante ajuda ao

investir na nossa cultura, tão apreciada por todos. Tudo está

à distância de um clique: basta imprimir, preencher e entregar.

Continuamos a ouvir dizer, repetidas vezes, que não existem

ajudas por parte de Portugal. Não é verdade. Elas existem.

O ano de 2020 está à porta - um número que soa bem e agrada

ao olho. É altura de dar aos Portugueses e a quem abraça

as nossas festas, umas gotas a mais de qualidade. É hora de

deixarmos de puxar carroças e empurrar projectos já desgastados

pelo tempo.

Para 2020 desejo paz para todos, mesmo que continuemos

a viver na confusão. Amor é uma palavra linda, plena de magia

e nem todos o conseguem alcançar. É profundo e vem do

coração.

Fé todos os dias, quando me levanto, acredito e peço que nunca

me falte para iluminar o caminho a trilhar.

União… é a mais difícil, pelo egoísmo e ciúme que mora na

nossa alma e que por birra do ego, não a queremos abandonar

no lugar de tentar conjugar pelo bom sentido.

Pelo que, para todos sem excepção, desejo bons pensamentos,

boas companhias, boas palavras, bom ambiente, boa música,

boas coisas diante dos olhos, sem que nunca esqueçam

o valor da gratidão. Sem ela, não conseguimos transformar o

limão em limonada, daquelas bem agradáveis de beber em

dias de calor intenso.

O calor humano é a água que precisamos de ingerir a cada dia,

cada hora e cada minuto.

Agradeço ainda a todos os que estiveram ao meu lado e que

acreditaram em mim. Ao Centro Lusitano de Zurique um bem-

-haja, por mais um ano de cultura, desporto e revista.

Feliz Natal a todos e que 2020 seja um ano de projectos férteis

e muita saúde.


www.cldz.eu | LUSITANO DE ZURIQUE | DEZEMBRO 2019 | 23

CRÓNICA

O grande problema da

Humanidade dos dias de hoje

DIETER DELLINGER

Vivemos cada vez mais numa desigualdade

de pensamento e até

de comportamento.

Estamos no Século XXI após uma grande

revolução científica e tecnológica e nitidamente

a já noutra revolução que nos vai

levar muito mais longe e não é apenas

da raça branca ocidental, mas do mundo

asiático, sul-americano e, em breve., também

africano.

Ao mesmo tempo, o pensamento de uma

parte importante da Humanidade, mesmo

nos países mais desenvolvidos, é dominada

por lendas arcaicas de milhares de

anos atrás.

Esta combinação de alta tecnologia e ciência

com crenças infantis de cariz religioso

pode ter consequência perigosíssimas

para a nossa espécie. Até que algumas

mentes religiosas e retrógradas possuem

ou estão a adquirir a arma nuclear.

Há pensamento que não se abriu ainda à

inteligência da Renascença, ficou aquém,

quase na Idade Média a acreditar em fantasias

absurdas.

Por isso, é fundamental desenvolver uma

espécie de engenharia do pensamento

para se adequar à modernidade, ensinando

na escola a pensar não apenas até ao

fim de alguns estudos, mas sim até ao fim

da vida. Na morte, o pensamento é a última

coisa a morrer, pois o coração pode

ter parado, mas os neurónios ainda funcionam

durante pouco mais ou menos que

meia hora, o que não é isso que está em

causa, pois quero só exemplificar que o

pensamento é algo ligeiramente mais válido

que o funcionamento de alguns órgão

vitais.

Temos pois que ter um discurso claro,

mesmo sobre matérias de entendimento

difícil como as da física moderna e sobre

uma sociologia adaptada à modernidade

em que não é aceitável que haja um proletariado

explorado por alguns que acumulam

mais do que necessitam.

Desenvolver o pensamento em função de

uma nova ética e conquistar novas metas

para o pensamento no sentido de as

sociedades serem melhores e saberem

aproveitar algo do imenso saber actual e

chegar a um humanismo evolutivo, progressista

e secular.

Alimentar raivas a outros povos e odiar os

estrangeiros só porque não são culturalmente

iguais a nós é inadmissível como

acreditar num Deus dos ricos e poderosos

que compram a sua boa consciência com

algumas esmolas.

Acabar com a cegueira relativamente ao

viver diário das sociedades modernas só

porque se acredita em textos milenários

que em nada ajudam o pensamento actual.

Enfim, ateísmo ou religião progressista

e moderna, nada de ficar parado a olhar

para o dia de ontem.

© skeeze


24 | DEZEMBRO 2019 | LUSITANO DE ZURIQUE | www.cldz.eu

CRÓNICA

Assim se faz história... e romances...

CARLOS VALE FERRAZ (*)

No seguimento dos

textos retirados do

romance “Que fazer

contigo, pá”, aqui vai

mais um sobre o que

autor ficcionou sobre

a importância da situação

internacional

nos acontecimentos

de 25 de Novembro de

1975. Uma versão da

batalha de Alcântara.

Há uns analistas de

baixo bordo que apresentam

a coisa como

uma disputa paroquial

entre anjos e demónios

caseiros. É uma

análise à medida do

seu discernimento,

ou da sua intenção

de manipular. No 25

de Novembro, Portugal

deu o tabuleiro e

peões. Os jogadores

estavam a outro nível

e a importância do

25 de Novembro reflectia-se

muito longe

daqui, em Angola,

por exemplo e aqui ao

lado, em Espanha...

Gente pequena.

Aqui vai o texto, com uma ilustração

por rédeas contrárias:

antes de abrir as pernas – que

se joda Rosario! - e agradecia

o prazer, no final – gracias,

Jesús! - Dirigiam-se de manhã,

depois de boas noites na cama

de colchão mole e edredon de

penas, ao edifício da Biblioteca,

em frente, na outra margem

do Sena. Simão, com Maria del

Rosario, entrou nas técnicas de

acesso aos arquivos e fundos

documentais, que constituem

um percurso do combatente

num labirinto. Ele e Maria

del Rosario sentavam-se lado

a lado na mesa de trabalho a

consultar documentos pedidos

e escolhidos por ela dos catálogos.

A primeira conclusão a

que chegou foi a de, para sua

surpresa, Rúben não ter passado

de uma pequena peça, de

uma carta insignificante num

jogo disputado por profissionais

de alto coturno no bluff e

na batota global. Simão lia os

textos que Maria del Rosario

desenvolvia:

Os três países párias, que os

franceses designavam por

‘Etats-voyous’ , das margens

do Mediterrâneo não mudaram

de regime por si mesmo, nem

até pelo peso das suas contradições,

mas porque os seus

regimes tinham deixado de servir

os interesses dos estados

centrais após a modernização

da Europa nos anos 60. Chegara

a ocasião de permitir a

entrada dos ‘salauds’ no clube

dos cavalheiros democráticos,

mas com cuidado. Deviam ser

expurgados da ditadura, sem

trazer o comunismo e a obediência

a Moscovo. Na Grécia,

em agosto de 1973, o primeiro-ministro

Georges Papadopoulos

levantou o estado de

excepção, proclamou uma amnistia,

anunciou eleições e uma

constituição para «uma nova

república», os estudantes responderam

com a exigência de

«uma nova democracia», e os

coronéis promoveram um novo

golpe de Estado. Não conseguiram

enfrentar a contestação

internacional e chamaram

Constantin Caramanlis para

formar governo. Assinaram a

sentença de morte do seu regime.

Caramanlis apresentou

uma constituição democrática

e republicana que foi aprovada

por 70% dos gregos e pediu a

adesão da Grécia à Comunidade

Europeia.

Em Lisboa, os capitães tomaram

o poder em Abril de 1974,

para acabarem com as guerras

coloniais e derrubar a ditadura.

O que se seguiu não foi apenas

um golpe de Estado, mas

uma quase revolução. Toda a

Europa política participou no

nascimento do novo regime e

interveio na sua formação. A

União Soviética procurou ganhar

vantagens nas antigas

colónias, os Estados Unidos

mantiveram o controlo de Portugal

como membro da NATO e

tentaram perder o menos possível

em África. Durante dezoito

meses travaram-se em Portugal

três guerras, uma social,

uma ideológica e uma internacional

Este-Oeste, cruzando

os seus acontecimentos e os

seus peões no espaço restrito

do mais pobre e mais exaurido

país de toda a Europa, mas

também o mais antigo do continente.

Em Espanha, Franco morreu no

inverno de 1975 e o seu regime

não lhe sobreviveu. O rei Juan

Carlos de Bourbon ascendeu

ao poder e introduziu a Espanha

na família das monarquias

constitucionais. Todos os partidos

aceitaram esta solução,

incluindo o comunista.

A propósito da transição política

da ditadura para a democracia

do seu país Maria del Rosario

concluiu:

Em 1978, quando Madrid pediu

a entrada no Mercado Comum,

a geração dos jovens espanhóis

de 1970 que ocuparam

o poder em quase todos os

países europeus tinha cortado

os cabelos compridos e vestia

marcas chiques, Armani, Gucci,

Hermès. Amavam o liberalismo

económico com o ferver de

recém-convertidos.”

Quem acreditar em histórias

de deuses e demónios a jogar

na sua rua, que acredite na tal

história das ditaduras de sinais

contrários... de salvadores da

democracia...

O texto é uma ficção, claro. As

grandes famílias e as grandes

fortunas fugiram do comunismo

e regressaram para lutarem

pela democracia, como

sempre haviam feito desde o

28 de Maio de 1926. De Champalimaud

a Espírito Santo foi

assim. Entre offshores para o

povo e a especulação democrática.

O diabo do 25 de Abril de 1974

foi finalmente derrotado ao fim

de 18 tenebrosos meses.

Assim se faz história... e romances...

(*) Carlos Matos Gomes

“Rúben, o antigo revolucionário

exilado em Paris, mudou-se

para o pequeno apartamento

que a Maria del Rosario alugara

perto do parque de Bercy,

uma adaptação modernizada

de um típico chambre de bonne

na mansarda de um prédio

de estilo Hausmann. Maria del

Rosario, longe das vistas e das

censuras da família católica e

dos colegas da Opus Dei, cortara

os medos dos pecados e

das más-línguas, benzia-se


www.cldz.eu | LUSITANO DE ZURIQUE | DEZEMBRO 2019 | 25

PETIÇÃO

PORTUGUÊS PARA TODOS

Com esta petição, pretendemos defender o ensino de português junto

das crianças e jovens portugueses e lusodescendentes residentes

no estrangeiro. Consideramos que as decisões políticas que foram e

estão a ser tomadas têm progressivamente levado à extinção do ensino

de português como língua materna para os filhos e descendentes de emigrantes,

decisões que transgridem os seus direitos constitucionais e com

as quais não nos revemos e desejamos reverter.

A aprendizagem formal da língua portuguesa para os acima citados foi

e continua a ser fundamental para que se possa manter e desenvolver

uma forte e essencial ligação linguística, social, cultural e identitária

com Portugal. Todavia, esta ligação que Portugal tem com os filhos e

filhas de várias gerações residentes no estrangeiro está hoje seriamente

ameaçada, devido às políticas de língua e ensino dirigidas às Comunidades

Portuguesas na última década. Desde então, tem-se observado

uma desvalorização e um desinvestimento contínuo do ensino de português

como língua materna (PLM), dirigido a alunos portugueses e

lusodescendentes. Por outro lado, torna-se cada vez mais notório o investimento

deliberado no ensino de português como língua estrangeira

(PLE), tendo como principal público-alvo alunos de outras nacionalidades,

o mesmo sucedendo na vertente do português como língua de herança

(PLH) enquanto sinónimo de língua segunda ou língua estrangeira.

Tal investimento, embora seja louvável, não deveria ser privilegiado em

detrimento do ensino de PLM, como atualmente se verifica.

como língua materna, que valorizamos particularmente;

• A mudança da tutela do Ensino de Português no Estrangeiro,

vertente de língua materna, do Ministério dos Negócios

Estrangeiros para o Ministério da Educação;

• A revogação da propina (taxa de inscrição) para todos

os jovens portugueses e lusodescendentes

que frequentem ou venham a frequentar o EPE;

• A expansão da Rede do EPE, vertente de língua materna, para

jovens portugueses e lusodescendentes, dentro e fora da Europa.

Para mais informação consulte o sítio:

http://portuguesparatodos.org/apresentacao-da-peticao/

Para apoiar esta causa assine a petição em;

https://peticaopublica.com/psign.aspx?pi=portuguesparatodos

Esta mudança de paradigma nos ensinos básico e secundário no âmbito

do Ensino de Português no estrangeiro (EPE) concretizou-se com as

várias alterações efetuadas a partir de 2010 no Decreto-Lei 165/2006 (Estabelece

o regime jurídico do ensino português no estrangeiro), nomeadamente

a implementação do Quadro de referência para o ensino de português

no estrangeiro (QuaREPE) e a transferência de tutela do Ministério

da Educação para o Ministério dos Negócios Estrangeiros. Mais tarde,

outras medidas vieram deteriorar ainda mais a situação, nomeadamente

a introdução da taxa de inscrição (propina), obrigatória para os cursos

frequentados exclusivamente por alunos portugueses, seguida pela adoção

de programas de português como língua estrangeira, o uso obrigatório

de materiais didáticos dessa vertente e a adoção de descritores de

avaliação de PLE utilizados nas provas para a Certificação.

Se em 2008, havia 60.000 alunos portugueses a frequentar a Rede oficial

do EPE, eram 45.000 após a introdução da propina em 2012, número que

continuou a diminuir ano após ano até à data de hoje. Assim, assistimos

paulatina mas seguramente à extinção do ensino de português como

língua materna.

Por estes motivos, os abaixo-assinados solicitam à Assembleia da República

as alterações seguintes:

• A adoção de políticas para o ensino de português no estrangeiro

nos ensinos básico e secundário que saibam distinguir as políticas

de língua e educação num contexto da internacionalização,

nomeadamente o ensino de português como língua estrangeira,

das políticas de língua e educação destinadas às Comunidades

Portuguesas, mais precisamente, o ensino de português

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26 | DEZEMBRO 2019 | LUSITANO DE ZURIQUE | www.cldz.eu

DESPORTO

Quase metade

dos portugueses

é do Benfica

Quarenta e seis por cento dos portugueses

são do Benfica. Reúne quase

tantos adeptos como os restantes

clubes todos juntos

Uma sondagem da Intercampus para

o o Correio da Manhã coloca o FC

Porto e o Sporting a lutarem pelo

segundo lugar. Os chamados “três

grandes” do futebol representam

94,5% das preferências dos portugueses,

sendo que o Benfica é líder

destacado no número de adeptos.

O Benfica reúne quase tantos adeptos

como os restantes clubes todos

juntos, reunindo 46% das preferências

dos que têm 18 ou mais anos.

Tendo em conta que a população

portuguesa residente, dentro da

faixa etária considerada, o número

de adeptos encarnados situar-se-á na

casa dos 4,5 milhões.

No segundo posto está o FC Porto, com

24,7% do total de adeptos, seguido do

Sporting com 23,8%. Em quarto lugar

do ranking está o Sp. Braga com 1,5%

dos portugueses que são adeptos do

SC Braga. É o quarto clube no país com

mais simpatizantes e a fechar o top cinco

está o V. Guimarães com 0,8%.

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www.cldz.eu | LUSITANO DE ZURIQUE | DEZEMBRO 2019 | 27

NEUROCIÊNCIA

NELSON S. LIMA

A demência é a perda do funcionamento

cognitivo - pensamento,

memória e raciocínio - e

habilidades comportamentais

a ponto de interferir na vida e

nas actividades diárias de uma

pessoa.

Essas funções incluem habilidades

de linguagem, percepção

visual, resolução de

problemas, auto-gestão e a

capacidade de se concentrar e

prestar atenção. Algumas pessoas

com demência não conseguem

controlar as suas emoções

e as suas personalidades

podem mudar.

A doença de Alzheimer é um

tipo de demência. A doença de

Alzheimer é a causa mais comum

de demência entre os idosos.

Outros tipos de demência

incluem “distúrbios frontotemporais”

e “demência do corpo

de Lewy (DCL)” .

Sinais e sintomas de demência

surgem quando neurónios (células

nervosas) que antes eram

saudáveis no cérebro param de

funcionar, perdem conexões

com outras células cerebrais e

morrem.

Enquanto todos nós perdemos

alguns neurónios à medida que

envelhecemos, as pessoas

com demência sofrem perdas

muito maiores.

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28 | DEZEMBRO 2019 | LUSITANO DE ZURIQUE | www.cldz.eu

OPINIÃO

Morreu José

Mário Branco

ANTONIO MANUEL RIBEIRO

F.M.I. – Foste (és) Muito Importante

Já aqui escrevi que no corredor da vida há portas que se

fecham; hoje pela manhã encontrei outra encerrada. Não

vejo a morte física, pelo que estudei e aprendi, como um

fim, não somos embalagens utilizáveis enquanto dura

– poucas crenças religiosas falam com acerto sobre a

‘partida’ e algumas ideologias promovem essa utilidade

como razão única: vida; morte – ponto final.

Meu querido

Marcelinho...

MÁRIO GONÇALVES

Cada vez fico mais incrédulo com as barbaridades que o meu

caro, como Presidente da República, vem a público defender.

Como é que pode largar disparates dessa boca para fora, afirmando

que o salário mínimo de 635€ é razoável no contexto

português?

Logo o meu caro Presidente da República, que é o político português

que tem o salário mais elevado, cerca de 6.700 euros brutos

mensais, ao que acresce 25% em despesas de representação.

Mas estamos a brincar com isto?

Ainda hoje na imprensa só se fala do salário pago a Fernando Mendes,

20 Mil Euros mensais, na RTP. Salário esse que é pago por

todos nós contribuintes, e depois temos a maioria dos Portugueses

a receber uma miséria para alimentar pessoas como o senhor

Presidente, e apresentadores de estação pública, com ordenados

milionários, sim porque somos nós que pagamos.

É uma vergonha senhor Presidente. Reformados que não têm dinheiro

para medicamentos e ainda têm que esticar a miséria de reforma

de 200 e tal euros, para sustentar filhos e netos desempregados neste

triste País.

De um artista guardamos a obra, a extensão desta sua

passagem por este episódio a que chamamos tempo.

Falo do José Mário Branco e da primeira notícia que

hoje me chegou. Conheci-o mal, estivemos no ano passado

em Grândola num debate sobre a canção de protesto

– no final viu-nos tocar canções do José Afonso.

Ouvi-o contar a história da gravação dos passos sobre

gravilha que abrem e fecham “Grândola, Vila Morena”.

Depois, saiu como chegou, sem alarido.

Aqui há uns tempos o Nuno Pacheco, jornalista do Público,

perguntava-me qual era o músico/autor daquele

tempo antes do 25/04 que mais me marcara. Respondi-lhe

que fora o Zé Mário, e quando quis saber porquê

invoquei a genialidade e o rigor que encontrei no LP

“Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades” (1971).

Fez a diferença.“Cantigas do Maio”, do José Afonso, e

“Os Sobreviventes”, do Sérgio Godinho, ambos de 1971,

respiram o rasgo maior do produtor/inovador José Mário

Branco.Quando ouvi e depois comprei o maxi-single

“FMI” (1982), acentuava-se a sua máxima: a cantiga é

uma arma.

Agora vem dizer que é razoável 635€?

Sabe o que me apetece fazer? Uma manifestação popular, uma revolução

à porta da sua residência oficial, da sua, do senhor primeiro-ministro,

e restantes membros do governo, que são uma afronta

para este País, com ordenados chorudos, onde a maioria dos Portugueses,

têm que pagar para que vossas excelências vivam bem.

Deviam sobreviver com os tais 635€ mensais, sim sobreviver, porque

de facto é uma VERGONHA e isto não pode continuar assim!

Este Presidente está cada vez pior, aliás, para mim não passa de

mais um, para mim não é Presidente de nada, é sim um dos maiores

populistas da história do nosso Portugal, porque de resto, anda de

mão dada com quem nos tenta fazer a folha todos os dias lá para os

lados de São Bento!

Vergonhoso!


www.cldz.eu | LUSITANO DE ZURIQUE | DEZEMBRO 2019 | 29

CRÓNICA

POSTAL DO DIA

O Cardeal que nos disse o que éramos

(a merda que sou)

LUÍS OSÓRIO

1.

O Cardeal catalão, arcebispo de Barcelona,

Juan José Omella, passou por Lisboa

e, desassombrado, disse isto: “Quando os

bispos são ordenados, uma das perguntas

que fazem é ‘queres ser pai dos pobres?’

Na catedral todos dizem que sim, mas na

rua, quando encontram um pobre, dizem

‘deixa-me’. O pobre incomoda. A terra é de

todos e é uma injustiça que se passe fome.

É uma injustiça que se passe fome quando

tantos fazem curas de emagrecimento”.

2.

O Cardeal Omella foi nomeado pelo Papa

Francisco e segue-o sem reservas. É verdade

o que diz. E é corajoso o que diz. Não há

palavras para a pobreza. E as palavras do

padre ferem porque também falam de nós.

3.

Na semana passada estava numa esplanada

a comer uma torrada e apareceu-me

uma mulher de mão estendida, cheirava

mal. Dei um salto e a moeda. No meu íntimo

queria que saísse dali para fora. E quando

saiu senti-me uma merda. Sem a certeza de

conseguir fazer diferente quando alguém

como ela voltar a aparecer.

4.

Quem de nós quer ver indigentes a morar no

mesmo prédio? Ou a privar com os nossos

filhos na mesma escola? Indignamo-nos

como as promessas dos bispos de que fala

Omella, viramos-lhes as costas e rezamos

uns pai-nossos e uns terços para suavizar.

5.

Há muito tempo, tinha 17 anos, tive de sair

de casa da minha mãe porque ela já não

sabia como fazer para que tivéssemos o

mínimo. Percebi que alguma coisa mudara

quando, no dia anterior, abriu a porta da rua

com as lágrimas nos olhos. Humilhara-se

num pedido que fizera a uma vizinha (uns

ovos para que eu e a minha irmã pudéssemos

comer alguma coisa), senti-me também

humilhado.

6.

Mas eu sou um privilegiado. Tinha à minha

espera uma outra casa com comida, roupa

lavada e uma cama com lençóis de rico.

7.

Agora imaginem em permanência. Uma

miséria em permanência. Um cheiro que já

não sabemos a que cheira. Uma fome que

já não sabemos que é fome. Uma humanidade

que não sabemos se ainda é humana.

8.

Omolla tem razão, os pobres incomodam.

Agradeço-lhe muito por nos ter dito assim.

E vem-me à cabeça o trabalho de tantos

no terreno. Gente da igreja. Gente que não

acredita em Deus. Gente que faz o que é

preciso pelo outro. Gente grande. Gente

que vale a pena e que é admirável. Gente

anónima que é tão maior do que eu mais as

minhas torradas em esplanadas onde não

quero que me chateiem.

BOAS FESTAS!


30 | DEZEMBRO 2019 | LUSITANO DE ZURIQUE | www.cldz.eu

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www.cldz.eu | LUSITANO DE ZURIQUE | DEZEMBRO 2019 | 31

CULINÁRIA

Arroz de Polvo à Moda dos Araújo ś

Ingredientes:

• 1 kg de polvo

• 100 gr de chouriço de carne

• 1 dl de azeite

• 2 cebolas

• 2 dentes de alho

• 1 ramo de salsa

• 1 folha de louro

• 1 dl de vinho branco

• 400 gr de arroz

• Azeitonas pretas

• Sal e pimenta q.b.

Confecção:

Limpe o polvo retirando-lhe toda a viscosidade e bata-o com

um maço de madeira para o amaciar. Lave-o bem em água

corrente e deite-o numa panela com água já a ferver, juntando

uma cebola, para que coza. Depois de cozido (verifique se

ficou macio), corte-o em pedaços pequenos e reserve a água

da cozedura (devidamente coada). Num tacho faça um refogado

com o azeite, o alho e a cebola, picados. Quando a cebola

começar a alourar deite o louro (sem a haste do meio) e a salsa.

Junte então o vinho e 3,5 partes de água por cada parte de

arroz. Quando começar a ferver junte o arroz, tempere de sal e

pimenta a gosto, junte as rodelas de chouriço e mexa tudo bem

deixando cozer em lume brando durante 15 minutos até abrir.

Quando retirar do lume conserve tapado alguns minutos, retirelhe

a salsa e o louro. Junte então o polvo já cortado, misture bem

e sirva, em recipiente aquecido, decorado com uns pés de salsa

e as azeitonas. Acompanhe com um bom Verde Branco.

Bacalhau à Moda das Termas de Caldelas

Ingredientes:

• 600 gr de bacalhau alto

• 2 dl de azeite

• 1 folha de louro

• 2 Pimentões verdes

• 400 gr de batatas

• 10 dentes de alho

• Pimenta.

Confecção:

Demolha-se o bacalhau e deita-se numa assadeira com os

pimentões cortados em tiras. Polvilha-se com a pimenta e juntase

o azeite, a folha de louro e os dentes de alho cortados. Levase

a assar no forno. Serve-se acompanhado de batatas cozidas

cortadas aos quartos.

Rabanadas à Moda do Minho

Ingredientes:

• 2 pães de “cacete” com 0,5 Kg cada

• 0,5 l de leite *

• 4 ovos inteiros

• Óleo para fritar

• Açúcar areado e canela para polvilhar na proporção de 4

partes de açúcar para 1 parte de canela em pó

Confecção:

Arranjam-se pão com dois dias de antecedência. Cortam-se as

fatias obliquamente, para as tornar mais compridas, e com a

espessura de um dedo. Colocam-se num tabuleiro e regam-se

com leite frio, de modo a ficarem bem demolhadas. Em seguida,

batem-se os ovos. Pega-se nas fatias de pão, que se espremem

um pouco entre as palmas das duas mãos, passando-as bem

pelo ovo batido e fritando-as de seguida em óleo bem quente,

virando-as para ficarem bem lourinhas de ambos os lados.

Depois de fritas, escorrem-se e polvilham-se bem com a mistura

de açúcar e canela. Acompanham-se com molho que a seguir

se indica:

Molho de rabanadas

• 0,5 Kg de açúcar

• 3 dl de água

• Uma casca de laranja

• Meio cálice de vinho do Porto doce

Mistura-se o açúcar com a água e a casaca de laranja, leva-se ao

lume e deixa-se ferver durante três minutos. Junta-se o vinho do

Porto, deixa-se levantar fervura e retira-se do lume. Serve-se frio.

(*) Pode usar-se chá preto forte em substituição do leite


32 | DEZEMBRO 2019 | LUSITANO DE ZURIQUE | www.cldz.eu

HUMOR

Confissão

No confessionário, chega o pequeno

Joãozinho que confessa:

– Senhor Padre, eu pequei. Fui seduzido

por uma mulher casada que se diz séria.

– És tu, Joãozinho?

– Sou, Sr. Padre, sou eu.

– E com quem estiveste tu?

– Padre, eu já disse o meu pecado… Ela

que confesse o dela.

– Olha, mais cedo ou mais tarde eu vou

saber, assim é melhor que me digas agora…!Foi

a Isabel da farmácia?

– Os meus lábios estão selados – disse

Joãozinho.

– Então, foi a Maria do quiosque?

– Por mim, jamais o saberá…

– Ah! Ou não terá sido a Maria José florista?–

Não direi nunca!!!

– Já sei, só pode ter sido a Manuela da

tabacaria!

– Senhor Padre, não insista!!!

– Vamos lá acabar com isto! Foi a Catarina

da pastelaria, não foi?

– Senhor Padre, isto não faz sentido.

O Padre rói as unhas desesperado e diz-

-lhe então:

– És um cabeça dura, Joãozinho, mas no

fundo do coração admiro a tua reserva.Vai

então rezar vinte Pais-Nossos e dez Avé-

-Marias…. Vai com Deus, meu filho…

Joãozinho sai do confessionário e vai para

os bancos da igreja.

O seu amigo Manecas desliza para junto

dele e sussurra-lhe:

– E então? Conseguiste a Lista?

– Consegui. Já aqui temos o nome das

mulheres casadas que facilitam”!!

Moral da História:

O planeamento estratégico começa com

a análise do mercado…

Carta do Joãozinho ao

Pai Natal!

- Oh Barrigudo do caraças!

Todos os anos escrevo a pedir-te

um Camião dos Bombeiros

e tu só me ofereces

meias e cuecas? Estou zangado!

Vou partir-te o trenó à pedrada,

quando passares à minha

porta com esses bichos feios

com cornos tortos.

E o Pai Natal responde-lhe

de imediato:

Meu querido menino, neste

Natal vou compensar-te. Irei

incendiar a vossa casa, meu

grande boi! Não te vão faltar

Camiões dos Bombeiros à

porta... Feliz Natal morcão!

Surpresa

Mãe, amanhã é a festa do

meu namorado, aconselha-

-me uma surpresa...

- Experimenta dizer-lhe a tua

verdadeira idade.

Dentista

Um casal interrompeu as férias

para ir ao dentista.

-Quero que arranque um

dente e não quero anestesia,

porque estou com muita

pressa.

Tire só o dente o mais depressa

possível para irmos

embora - disse a Mulher

O dentista estava bastante

impressionado.

- A senhora é muito corajosa

- disse ele.

- Qual é o dente?

A mulher virou-se para o marido

e disse - Mostra-lhe o

dente, querido.

Tribunal

- Admite que é culpado ?

- pergunta o juiz?

- Não Sr. Dr. Juiz.

- Tem um álibi ?

- O que é um álibi?

- Bem, alguém que o viu cometer

o acto ?

- Ninguém, graças a Deus.

Político

Um politico se aproximar de

uma igreja, o padre intercepta-o:

- Quer confessar os seus pecados,

Sr. ministro?

E responde o politico:

- Querer até quero, mas só

falo na presença do meu advogado.

Advogado

Dois advogados, pai e filho,

conversam:

- Pai! Estou desesperado.

Não sei o que fazer. Perdi

aquela causa!

Explica o pai:

- Meu filho, não se preocupe.

Advogado não perde causa…

Quem perde é o cliente!

Especialista em Direito

Um alentejano foi ao médico

de família com o testículo esquerdo

inchado e dormente.

O médico, depois de analisar,

disse que era uma inflamação

testicular e que não

devia ser nada grave mas

que era melhor procurar um

especialista. Então sugeriu-

-lhe um colega urologista

mas, no momento de lhe dar

o número de telefone, enganou-se

e deu o número do

advogado.

O tipo lá marcou hora no especialista

e ao chegar diz-lhe

o advogado:

- Em que posso ajudar?

O homem, achando que estava

a falar com um médico,

baixou as calças e mostrou o

testículo:

- Como o senhor está vendo

doutor, estou com uma inflamação

no testículo esquerdo.

O advogado surpreso, ficou

olhando a cena sem entender

absolutamente nada.

Pensou… pensou… pensou

e disse:

- Meu amigo, de facto parece

inchado mas, a minha especialidade

é o Direito…

E o sujeito:

- Porra… mas que modernice.

Agora até há especialistas

para os tomates da esquerda

e da direita?!!

DATAS COMEMORATIVAS - DEZEMBRO

Feriados e Datas Comemorativas de Dezembro de 2019

01 DOM Restauração da Independência

01 DOM Dia Mundial de Luta Contra a Sida

01 DOM Início do Advento

01 DOM Dia da Filatelia

02 SEG Dia Internacional para a Abolição da Escravatura

02 SEG Cyber Monday

02 SEG Dia de Santa Bibiana

03 TER Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

03 TER Dia Int. dos Portadores de Alergia Crónica

03 TER Dia de São Francisco Xavier

04 QUA Dia Nacional da Pessoa com Esclerose Múltipla

04 QUA Dia da Bolacha

04 QUA Dia de Santa Bárbara

04 QUA Dia Mundial da Conservação da Vida Selvagem

05 QUI Dia Internacional do Voluntariado

05 QUI Dia da Banheira

07 SÁB Dia de Timor-Leste

07 SÁB Dia Internacional da Aviação Civil

08 DOM Dia da Imaculada Conceição

08 DOM Dia Int. da Criança na Rádio e Televisão

09 SEG Dia Internacional Contra a Corrupção

09 SEG Dia Int. das Vítimas do Crime de Genocídio

09 SEG Dia Nacional da Pessoa com Deficiência

10 TER Dia Internacional dos Direitos Humanos

11 QUA Dia Internacional da Montanha

11 QUA Dia Internacional do Tango

11 QUA Dia Internacional da UNICEF

12 QUI Dia da Poinsétia

13 SEX Dia de Santa Luzia

13 SEX Dia do Violino

13 SEX Dia de Santa Odília

14 SÁB Dia Mundial do Macaco

14 SÁB Dia Internacional do Shareware

15 DOM Dia Internacional do Chá

15 DOM Dia de Zamenhof

16 SEG Dia de Santa Adelaide

17 TER Dia de São Lázaro

17 TER Dia Int. Contra a Violência Sobre Trabalhadores do Sexo

18 QUA Dia Internacional das Migrações

18 QUA Dia de Nossa Senhora do Ó

18 QUA Dia da Língua Árabe

19 QUI Dia de São Nemésio

20 SEX Dia Internacional da Solidariedade Humana

21 SÁB Dia das Palavras Cruzadas

22 DOM Solstício de Inverno

22 DOM Início do Inverno

22 DOM Dia de Santa Francisca Xavier Cabrini

22 DOM Signo Capricórnio

23 SEG Dia de São Sérvulo

24 TER Dia de São Charbel

25 QUA Natal

31 TER Réveillon

31 TER Véspera de Ano Novo

31 TER Dia de São Silvestre


www.cldz.eu | LUSITANO DE ZURIQUE | DEZEMBRO 2019 | 33

ESPECTÁCULO

Parlamento congratula-se pela

atribuição de Grammy a José Cid

O Grammy de Excelência Musical é atribuído "a artistas

que fizeram contribuições de significado artístico

excepcional para a música latina".

A Assembleia da República congratulou-se com a atribuição

do Grammy latino por excelência musical a José

Cid, entregue ao cantor em Novembro em Los Angeles,

nos Estados Unidos.

O Grammy de Excelência Musical é atribuído "a artistas

que fizeram contribuições de significado artístico

excepcional para a música latina", de acordo com informação

disponível no 'site' da Academia Latina de

Gravação.

Nova Iorque", "Ontem, Hoje e Amanhã", "A Rosa Que Te Dei" são

alguns dos êxitos do cantor.

José Cid representou Portugal nos festivais da OTI, em 1979 e no da

Eurovisão, em 1980, depois de ter vencido o da RTP, ao qual concorreu

várias vezes. Com a canção "Ontem, hoje e amanhã" foi um

dos premiados no Festival Yamaha, em Tóquio, em 1975.

Além de José Cid, também Eva Ayllón, Joan Baez, Lupita D'Alessio,

Hugo Fattoruso, Pimpinela, Omara Portuondo e José Luis Rodríguez

"El Puma" receberam nessa ocasião o mesmo galardão.

"A Assembleia da República congratula-se e felicita José

Cid pela conquista do Grammy de Excelência Musical que

lhe foi atribuído pela Academia Latina de Gravação, reconhecendo

a importância de José Cid no panorama da

música nacional e internacional, ao longo de uma brilhante

carreira", destacam os sociais-democratas.

Nascido a 4 de fevereiro de 1942, José Cid iniciou o seu

percurso na música aos 14 anos quando integrou o agrupamento

musical "Os Babies".

Aos 17 anos compôs a sua primeira canção, "Andorinha".

O primeiro álbum a solo é lançado em maio de 1971. "20

Anos", um dos seus maiores êxitos, surge em 1973. "Um

Grande. Grande Amor", "A Pouco e Pouco", "Como Macaco

Gosta de Bananas", "A Cabana Junto à Praia", "Cai Neve em


34 | DEZEMBRO 2019 | LUSITANO DE ZURIQUE | www.cldz.eu

HORÓSCOPO

Boas Festas!

RV - JOANA ARAÚJO (*)

CARNEIRO

Marte fica retrógrado no dia 1, dando início

a um período que se prolonga até 10

de Dezembro em que assuntos antigos

vão requerer a sua atenção. É importante

saber que esta não é uma boa altura para

novas iniciativas, pois não darão muitos

frutos. Será contudo uma boa altura para

se confrontar com assuntos que ficaram

por resolver e que precisam de ser trabalhados.

Não espere que as coisas sejam

fáceis.

TOURO

O início do mês é uma boa altura relações.

Não tem estado numa posição

muito confortável nas últimas semanas e

agora sente que tem que resolver sentimentos

de dor, frustração e de pena. Os

parceiros também podem sentir que estão

num terreno pantanoso, tornando-os

negativos ou evasivos. Por isso talvez o

seu estado de espírito esteja mais parecido

com a sua cara-metade do que aquilo

que imagina.

GÉMEOS

A primeira semana do mês será óptima

para si e algo dramática para as pessoas

que conhece. Muitas dos seus sonhos e

esperanças serão satisfeitos nesta altura

e dá início a um novo período. Estará

no auge da sua persuasão e diplomacia

e nessa data irá conseguir esclarecer desentendimentos.

Tal abrirá caminho para

acordos duradouros relativos a projectos

criativos que também poderão ser muito

divertidos.

Haverão muitos avanços na sua vida no

início do mês. Se tiver crianças, as notícias

poderão ser muito boas; se estiver

à procura de um romance não é preciso

ir muito longe... Se tiver algum projecto

criativo esta é boa altura para se dedicar

e se quiser casar-se não perca tempo!

CARANGUEJO

Na área relacionada com a casa,

as raízes e família, prevê-se mui- tos

acontecimentos Esteja atenta. Antes de

tudo, parece que vão haver boas notícias,

provavelmente no domínio das finanças,

podendo inclusive haver bons investimentos

ou possibilidades de negócio.

LEÃO

Este vai ser um mês de grande significado

para si. As maiores mudanças vêem

do plano dos relacionamentos com bebés,

vizinhos ou amigos. Há fortes indicações

de que as mudanças nestas áreas

estão relacionadas com viagens e educação.

É uma excelente altura para alargar

horizontes, encontrar pessoas que lhe

ensinem coisas novas e para aprender,

ligando-se a novos projectos.

VIRGEM

Dezembro é um mês em que pode realizar

os seus sonhos e esperanças e também

expandir dos seus talentos e influência,

especialmente no domínio económico

como os astros têm vindo a prever desde

há um ano para cá. Na primeira semana

no mês poderá esperar por boas notícias.

Faz-se justiça.

BALANÇA

Dezembro vai ser um mês significativo

para si. Esta é uma altura em que expande

o núcleo de amigos e as suas influências,

sendo provável que as pessoas

o procurem por causa do seu talento e

qualidades. Esta influência faz-se sentir

durante 2005 mas é este mês em que se

evidencia mais e em várias vertentes.

ESCORPIÃO

Já terá reparado que a vida ficou mais

complexa e cheia de desafios de há dois

meses para cá. Li- dou com desafios –

especialmente no domínio das relações

– da melhor maneira que conseguiu, mas

os tempos foram de confusão e a pressão

foi considerável.

SAGITÁRIO

Este é um mês de transições significativas

para si. Muitas das actividades a que

se tem vindo a dedicar nos últimos anos

atingem agora o seu auge e verá que

agora poderá obter resultados muito favoráveis.

Se estiver liga- do a projectos

sociais ou políticos, a primeira semana

do mês é a altura para juntar as “cabeças”

necessárias para levar tudo para

frente. Tudo será resolvido com espírito

de amizade e de diplomacia. Conseguirá

gerar consenso e haverão celebrações.

CAPRICÓRNIO

Este será um mês pleno de significado

para si com novos começos tanto domésticos

como profissionais. É altura de

novos princípios e até parece que tem

uma comissão de honra para celebrar a

nova etapa. As pessoas com poder ajudam-no

o que lhe permite não só consolidar

a sua posição como também assumir

mais responsabilidades. A pro- moção

será óbvia.

AQUÁRIO

Horizontes com viagens e mais planos

educativos e para alguns nativos deste

signo com assuntos de justiça. É um período

afortunado nestas áreas, uma vez

que pessoas com capacidade, prontas a

ajudar e com dons intelectuais irão juntar-

-se a si para obter os resultados desejados.

Espere por notícias boas.

PEIXES

O seu conhecimento dos mistérios atinge

o seu auge este mês. Ganhou tantos conhecimentos

espirituais e psicológicos no

último ano que tudo resulta numa espécie

de iniciação em assuntos que a maioria

das pessoas nem sequer suspeita.

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www.cldz.eu | LUSITANO DE ZURIQUE | DEZEMBRO 2019 | 35

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36 | DEZEMBRO 2019 | LUSITANO DE ZURIQUE | www.cldz.eu

LETRAS

Sono eterno

CARMINDO DE CARVALHO

Lá ao longe a rodela doirada

Do sol que pinta

A linha do horizonte

Já quase beija

A água e diz-me:

“Adeus até amanhã!”

Em pouco tempo

A linha do horizonte

Vai tornar-se escura

Compacta na escuridão

Que tudo esconde.

Lá no menos longe

Um barco

Que chega

Certamente carregado

De sonhos e ilusões

De peixe fresco

E ratos de porões.

Na lonjura do tempo

Do muito tempo que já foi tempo

Também eu fui mundo

Fora de peito aberto

Saboreando o sopro

Do vento.

O vento passou! Foi-se

Na ânsia de chegar longe.

Mas eu voltei

E por aqui fiquei

Estacionado na clausura

Dos curtos passos da caminhada

Da minha vida.

Vida que em cada dia

Um pouco mais se desfia

Da roca

E fugindo às cócegas

Do fuselar do fuso

Se acomoda

No novelo e se resigna

À sua natural sina.

Até que um dia que há-de chegar

Outro vento

Ou talvez simplesmente

Apenas suave

Brisa vai levar-me

E encerrar-me

No casulo

Do leito eterno.

Depois ali ficarei sossegado

A dormir o sono eterno

O sono que tudo aceita

Afaga e aconchega.

Novembro, 2019

VCARMINDO

DE CARVALHO

Ghttps://www.facebook.

com/carmindo.carvalho

Mosaico

de Natal

EUCLIDES CAVACO

Num mosaico colorido

Das terras de Portugal

Desse jardim tão florido

P’ra todos Feliz Natal.

Verde Minho e Trás-Os-Montes

Saúdam todo o País

Desejando aos portugueses

Um Natal muito feliz.

O Lindo Douro e as Beiras

Numa leve cortesia

Formulam que o Natal

Traga a todos harmonia.

Ribatejo e a Estremadura

Desejam salientar

Felicíssimo Natal

De união e paz no lar.

Do Alentejo e Algarve

Votos dum Natal divino

Com a bondade encontrada

No berço do Deus Menino.

A Madeira e os Açores

Mosaicos da Natureza

Abraçam neste Natal

Toda a Gente Portuguesa.

Fica o Natal da amizade

Doutras paragens diferentes

Num mosaico de saudade

Dos portugueses ausentes.

VEUCLIDES

CAVACO

Ghttps://www.facebook.

com/euclides.cavaco


Palavras

de Inverno

www.cldz.eu | LUSITANO DE ZURIQUE | DEZEMBRO 2019 | 37

LITERATURA

ALICE VIEIRA

Quem me conhece sabe que

sem cafés não vivo. Sobretudo

em dias de chuva.

Nos dias de chuva a vida complica-se,

os transportes chegam

atrasados e a abarrotar, as

pessoas tornam-se (mais) impacientes

e zangadas, e há sempre

um automobilista que passa

rente ao passeio e nos encharca

da cabeça aos pés.

Então a mesa de um café é um

oásis de paz, que nos ajuda a

acreditar que vai haver sol no

dia seguinte.

Um lugar onde nos sentimos

abrigados não só da chuva mas

de todos os males do mundo.

Eu sei que nem tem chovido o

necessário este ano. Mas que a

chuva me dá volta à cabeça, dá.

Por isso, aos primeiros pingos

enfiei por um café onde nunca

me lembrava de ter estado.

Quer dizer : onde não conhecia

ninguém.

Quando entrei, a mulher já estava

sentada a uma mesa com

a criança ao lado, o chapéu de

chuva a pingar aos seus pés,

uma data de sacos de plástico

em volta (como vai ser difícil as

pessoas largarem os sacos de

plástico…)– e o telemóvel colado

à orelha.

A criança bebia leite com chocolate.

Muito devagar.

“Despacha-te!, olha que chegas

atrasada”

Mais um número teclado no telemóvel

mas logo desligou, encolheu

os ombros, e voltou a

ligar , esperou alguns segundos

mas, pelos vistos, do lado de lá

ninguém atendia.

“Claro…Nem se lembra … E eu

que me fartei de lhe dizer que

não se esquecesse…”

Falava alto, sem destinatário

certo, a criança nem a ouvia,

bebia o leite e passeava o olhar

pelas prateleiras dos chocolates.

E ela a falar,a falar, e sempre

muito alto, e olhando em volta,

como se esperasse apoio ou

cumplicidade de alguém.

“Claro, eu é que tenho sempre

de andar para a frente, e de arranjar

tempo para tudo…”

Olhou para o relógio e abanou

a cabeça.

Voltou a teclar um número, voltou

a desligar, voltou a abanar a

cabeça, voltou a olhar em volta,

voltou a repetir:

“Esqueceu-se, tá visto…”

“Mãe…Quem é que…”

Ela nem ouviu a criança .

Pousou por momentos o telemóvel

sobre a mesa, olhou a

chuva que não abrandava.

“Há dias em que tudo corre mal,

palavra de honra…Até a chuva

tinha de aparecer para complicar

tudo…”

De repente, como se tivesse encontrado

a única saída, pegou

de novo no telemóvel, teclou

muito rapidamente um número

e, daquela vez, teve sorte.

Nem “olá”, nem “estás onde?”

–que é agora a maneira de começar

qualquer conversa ao telemóvel…

Despachadamente disse apenas:

“Desculpa lá, mas tens de ir

buscar a miúda às seis horas.

Depois explico-te onde é, agora

não posso, estou cheia de pressa!”

Atirou com o telemóvel para

dentro de um bolso da grande

carteira que pôs ao ombro, pagou

a conta, fez prodígios de

equilíbrio para ter dedos que

chegassem para toda a sacaria,

e ainda o chapéu de chuva.

“Era o pai?”—perguntou então a

criança, o resto do leite abandonado

no copo.

A mulher riu. Como riem as pessoas

que não têm vontade nenhuma

de rir.

“ O teu pai… Sei lá por onde

anda o teu pai…Esqueceu-se

de ti, mais uma vez… Já devias

estar habituada… E tanto que

eu lhe pedi… “

“Então quem é que me vai buscar

à música?”

“Vai o Fernando”

A criança olhou para ela, espantada

e murmurou:

“O Fernando?”

A mulher encolheu os ombros,

com ar aborrecido.

“O Fernando, sim, que é que

tem?”

A criança deixou cair os olhos,

pesadamente, no chão.

“Queria o pai…”

A mulher abriu o chapéu e resolveu-se

a sair para o meio do

inverno.

“Ora…o teu pai ou o Fernando…que

diferença é que isso te

faz…” A criança seguiu-a sem

dizer nada, levando rapidamente

as mãos aos olhos, e decerto

guardando para sempre aquelas

palavras de inverno dentro

do seu coração.

VIVAM!

JOÃO LUÍS DIAS

Vivam os que sabem ler e os analfabetos. Mas estes estão

ainda a tempo de aprender, se os ensinarem.

Vivam os heterossexuais, os homossexuais e vivam também

os que não são “carne nem peixe”.

Vivam as mulheres e os homens, as crianças e os idosos.

E, já agora, vivam também os “filhos da mãe”. Mas estes

que vivam menos.Vivam os dentistas, os trapezistas, os

músicos, os agricultores. Mas estes que se deixem de procurar

mulher para casar em programas de televisão, que

se sujeitam a levar para casa uns tamancos, convencidos

que ganharam os sapatos novos de estilo requintado.

Vivam os gratos, os gatos, os cavalos de puro sangue e

os outros também. Mas os ingratos que vivam longe, pois

nem os animais os querem por perto.

Vivam as vendedoras de flores, os condutores de tractores,

os gigantes e os anões, mas vivam muito pouquinho

os aldrabões.Vivam os criadores, os sonhadores, os pintores

e os comedores. Mas estes que vivam afastados, para

deixarem os outros comeram também.

Vivam os palhaços, os poetas, os honestos e os trapaceiros.

Mas estes que vão viver para o “caralho”. Sim, para

esse lugar, bem lá no alto do mastro do navio, para levarem

com o vento nas trombas.

Viva eu, que também mereço. E viva o meu vizinho, que é

boa pessoa. Vivam todos! Uns mais perto de mim, do que

outros.


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AUMENTO SALARIAL

Salários devem aumentar na Suíça pela primeira vez em três anos

Essas são as conclusões do portal de pesquisa Lohntendenzen.ch

segundo o jornal NZZ am Sonntag. Os resultados

apontam para as empresas que permitem que os empregados

participarem dos lucros. As 20 maiores empresas da

Suíça distribuíram dividendos recorde de CHF40 bilhões ($40

bilhões) este ano, segundo o jornal.

Mas os aumentos salariais esperados não estão uniformemente

distribuídos pelos setores. Os vencedores serão os

empregados de tecnologia da informação (+1,3% de aumento

real), os ramos farmacêutico e químico (+1,1%), seguidos pelos

trabalhadores de bancos e seguradoras (+1%).

As pessoas que trabalham na indústria hoteleira terão de se

contentar com um aumento médio do salário real de +0,4%,

enquanto os professores só podem esperar receber +0,3%.

Será que o aumento vai dar para estourar o champagne?

(Keystone / Martin Ruetschi)

SWISSINFO

De acordo com uma pesquisa realizada em empresas, os empregados

na Suíça devem receber aumentos salariais acima

da inflação pela primeira vez desde 2016. Em média, prevê-se

que os trabalhadores levem para casa um aumento salarial

de 1,1% - um aumento de 0,9% se considerarmos a inflação.

Segundo o Lohntendenzen.ch, os empregados têm mais motivos

para comemorar, já que se beneficiam de horários de

trabalho mais flexíveis e férias mais longas do que nunca.

No entanto, a imagem da Suíça como terra de abundância

tem sido questionada por alguns. No início deste ano, a administração

fiscal admitiu que a riqueza não está sendo distribuída

uniformemente e que a desigualdade está aumentando.

Uma pesquisa realizada no verão também revelou que um em

cada dez empregos suíços pode ser classificado como “mal

pago”. Além disso, ainda existe a preocupação de que as mulheres

ganhem menos do que os homens para fazer o mesmo

trabalho.

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