Libido PT

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COLEÇÃO 2018



A diferença sexual ficou evidente na

cultura Ocidental no fim de XVIII,

a partir das contradições sociais

produzidas pela Revolução Francesa.

Os aspectos fisiológicos e anatômicos

dos seres humanos funcionaram como

divisores para diferenciar o homem

da mulher; que por sua vez, passa a

querer ser vista como um ser sexual

que tem prazeres. Com isso, o pênis

foi classificado como objeto parcial.

Essa foi uma escolha de mudança

de destino moral onde o erotismo

passa a ser assumido como dimensão

efetiva da existência feminina. Em

oposição a essa abertura sexual ao

gênero feminino, em alguns lugares,

criou-se uma prática médica de

extração do clitóris para coibir o

erotismo feminino.


No inicio do século XX, Freud apresenta classificações para

as pulsões. O dividindo em 2 conjuntos: “pulsões da Libido”

e “pulsões do Ego”. Para este, Freud afirma em ensaio

‘Pulsões e suas Vicissitudes’ em1915 que o Autoerotismo

é o estado inicial da libido. Ele também descreve a palavra

“Pulsão”, como sendo um conceito situado na fronteira

entre o físico e o somático. Seria o representante psíquico

dos estímulos que se originam de dentro do organismo e

chegam à mente. Em seus ensaios, a pulsão também aparece

nos escritos no lugar de “excitações”. Com esse discurso

Freud rompeu com a teoria da histeria e das perturbações do

espírito introduzindo novamente a sexualidade na etiologia

da sociedade. O discurso freudiano tentou articular tudo isso

com a concepção moderna da diferença sexual, que passou

a ser vista como de natureza libidinal entre as figuras do

homem e da mulher. Neste momento ele introduz a defesa

do gozo vaginal. Isso muda a posição da mulher para a de

“desejante”, diferentemente do gozo clitoridiano. Assim se

define a posição da teoria de Freud referente a diferença

sexual e fundamenta a Teoria da Libido.



Com o discurso feminino aberto à

sexualidade, o erotismo passou a ser visto

como fenômeno ativo identificado ao próprio

desejo e fundamentado na figura do falo.

Porém depois a feminilidade veio contrapor o

falo apresentando a essência do ser humano

na ausência do referencial fálico.

Nos dias atuais, a pulsão é classificada

como um estímulo aplicado à mente, nunca

trabalham com impacto momentâneo e

sim com um impacto constante. Foram

Identificados 2 tipos de Pulsões: as

Pulsões Fisiológicas que são estímulos

aplicados a um tecido nervoso e as Pulsões

Instintuais, que vêm de dentro para fora

(dentro do próprio organismo) gerando

assim a “NECESSIDADE”. O que elimina a

necessidade é a satisfação.



Nós trazemos na coleção “LIBIDO”,

suas pulsões, tanto fisiológicos quanto

as Instintuais para nossos objetos.

Defendemos que quaisquer tipos de

pulsões são gerados a partir dos nossos

5 sentidos com um único objetivo: a

busca pela satisfação. Os 5 sentidos

são usados como ferramentas para

alcançar o sentido que está dentro

de nós. Por se tratar de um sentido

empírico, só o alcançamos a partir dos

outros sentidos; esse seria nosso 6º

sentido, denominado de “Libido”. A

nossa busca foi pela essência da libido,

a partir da abstração e simplificação

das formas e dos atos e fugindo do

erótico que é um caminho fácil e já

percorrido. Com isso tentamos mostrar

a essência da libido, a sua magia e

simplicidade.




Começamos por apresentar os Cinco Sentidos a

partir dos Objetos denominados de Caixas dos

Sentidos. Eles geram nossos estímulos instintuais

fazendo nosso sistema nervoso renunciar a ideia

de afastar os estímulos; mantendo um fluxo

incessante de estimulação buscando os outros

sentidos no nosso imaginário. Criamos uma caixa

para cada sentido. Na Caixa Tato colocamos 4

gavetas onde introduz-se a mão. Nelas, recebemos

estímulos a partir das texturas apresentadas. Já na

Caixa Visão buscamos transmitir a libido a partir da

curiosidade do olho mágico. Apresentamos cenas

sensuais atrás de que remetem aos momentos

eróticos já vistos ou vivenciados. A Caixa Audição

apresenta formas distintas de uso da pulsão

libidinal, permitindo a imersão do participante

em uma estória com sons libidinosos gravados no

sistema binaural. Com a Caixa Olfato estudamos

os aromas que são propositadamente inseridos no

nosso dia buscando intervir nas suas referências

cerebrais em busca da pulsão sexual.


A Caixa Paladar merece uma reflexão. Existem fisiologicamente formas de se atingir a libido

através dos alimentos, porém, o que buscamos com esse projeto são as referências do paladar

para atingir a essência libidinal que está no nosso consciente. Percebemos que os alimentos

libidinais são simplesmente alimentos que aparentam visualmente órgãos genitais, ou os que

comemos em momentos libidinosos da nossa vida. Tendo em vista a importância das referências

psicossomáticas, decidimos por apresentar a primeira referência do paladar libidinal, o fruto

proibido. Assim buscamos uma referência religiosa para apresentar a maça, o fruto do pecado.



Fazendo referência a afirmação de Paul Nacke onde, o Narcisismo é a atitude de uma pessoa

que trata seu próprio corpo da mesma forma pela qual o corpo de um objeto sexual é tratado,

contemplando, afagando, acariciando até obter satisfação completa através dessas atividades,

criamos os Objetos Libidinosos, objetos decorativos que trazem referências do masculino,

feminino e da natureza, e os Sextiles, azulejos com relevos de corpos femininos, buscando a

excitação através dos estímulos táteis e visuais exacerbando seus aspectos libidinosos.



Buscando referências na Mitologia Grega, onde nossas pulsões libidinais não eram proibidas,

usamos nomes de três deusas como referencia para algumas das nossas peças, Afrodite (deusa

da beleza), Vênus (deusa do sexo) e Hedonê (deusa do prazer).

Afrodite, é representada a partir de um sofá visualmente libidinoso onde fazemos referencia à

silhueta feminina e o que ela representa

nos padrões libidinosos da sociedade.



A qualidade das pulsões é definida por suas excitações, existindo

muitas fontes orgânicas com a finalidade do prazer do órgão. A Vênus,

aparentemente é uma poltrona normal, porém, depois de alterada a posição

das suas peças, transforma-se em um utilitário que dá suporte às posições

que estimulam o prazer de ambos os sexos.



Desde Columbus no Renascimento,

acreditava-se, que o clitóris era o órgão pelo

qual as mulheres gozavam. Essa afirmação

foi comprovada por razões anatômicas

e fisiológicas descobertas onde o clitóris

seria a região não apenas mais rica em

terminações nervosas como também mais

vascularizadas e, portanto, a mais sensível

da genitália do corpo feminino. Com os

estímulos externos realizados a partir dos

movimentos musculares, o aparelho nervoso

livra-se desses estímulos dando a sensação

de prazer. Por conta da opressão sexual

feminina trazida para a sociedade no século

XIX, com a intenção de coibir o movimento

feminista, quisemos homenagear a mulher

com criação de da Hedonê, uma poltrona

que busca a satisfação do prazer feminino a

partir dos seus 2 principais pontos libidinais:

o clitóris e o ponto G através da estimulação

externa de ambos.



Afirmamos que a Libido está consistentemente ligada à criatividade, à longevidade da

vida e à felicidade química do corpo. A libido é o que move as pessoas na vida; é uma

das emoções mais consistentes acessíveis a todos de alguma forma.



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