NO Revista Janeiro 2019

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Guia do Património Cultural Subaquático dos Açores

transportou escravos, mas

também participou na guerra

dos 10 anos da independência

de Cuba, ou seja, são várias

histórias. Foi uma embarcação

muito importante na Segunda

Guerra Mundial”, sublinhou.

O cemitério de âncoras, na

Baía de Angra, formou-se,

“porque ali passavam muitas

embarcações, estava num

ponto de paragem obrigatório”.

Naquela zona, o vento, que

sopra de Sul e Sueste, ficou

conhecido localmente por

"vento carpinteiro", “porque

trazia as madeiras dos barcos

para a costa, um fenómeno

histórico daquela baía”.

O Mazzini era um cargueiro a

vapor italiano, de 128 metros,

que naufragou ao largo da ilha

Graciosa, em 1925, “e muitas

pessoas foram buscar os objetos

que hoje em dia têm em casa”.

O moderador, Diogo Teixeira

Dias, referiu, quanto a isso, que

“muitas vezes as pessoas não

fazem por mal, mas têm que

ver a realidade, porque estão

a pegar em património que é

de todos”, situação para a qual

Sandra Bairos apela no seu

livro: “a personagem do avô

Doraço já dizia que aqueles

objetos são para ficar ali, e

esta é uma forma de lutar pela

preservação e pela salvaguarda

do património”.

O Her Majesty Ship Pallas

naufragou em 1783, na Calheta,

ilha de São Jorge. “Era um

batedor, era aquele que ia à

frente nos comboios de guerra,

e fez parte da Guerra dos 7 anos

e da Guerra da Independência

Americana”.

O Caroline era um veleiro

Francês que naufragou junto

à ilha do Pico, em 1901, foi

“muito importante porque

transportava uma substância

que era o nitrato do chile, que

servia para fertilizante dos solos

europeus, mas também como

um componente de explosivos”.

O Slavónia naufragou, em

1909, no Lajedo na ilha

das Flores. Transportava

emigrantes, vinha de Nova

Iorque para Liverpool, “e os

passageiros enviaram bilhetes

ao comandante com interesse

em observar as ilhas dos

Açores, durante essa alteração

de rota embateu na ilha das

Flores e naufragou”. Antes de

se chamar Slavónia chamavase

Yamuna e pertencia ao

transporte de correspondências

do Post Office, únicas

embarcações autorizadas a

transportar correspondência

britânica na época vitoriana.

A autora decidiu optar pelas

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