Negócios Fevereiro 2020

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6 | JORNAL DE NEGÓCIOS

Mercado pet também

Setor de animais de estimação movimenta mais de R$ 36

Aline Lefol e os sócios da Lilu,

Philippo Chies e Paulo Cesar: banho

e tosa inspirados no modelo Uber

Gisele Tamamar

Eles moram em nossas casas e

são considerados membros da

família. Nada mais natural, então,

que sejam muito bem tratados.

No Brasil, cerca de 140 milhões de

animais de estimação movimentam

um mercado de R$ 36,2 bilhões, segundo

estimativa do Instituto Pet

Brasil. Em constante crescimento, o

setor se revela promissor para inovação

e desperta o interesse de quem

tem planos de criar uma startup.

É o caso da empreendedora Aline

Lefol. Com um currículo extenso na

área de negócios e doutora em química,

ela até chegou a fazer as contas

de quanto precisava investir para

abrir uma pet shop. Mas, na época

do auge do aplicativo de transporte

Uber, a ideia foi “uberizar” os serviços

que seriam oferecidos em um local

fixo. O resultado foi a criação do

aplicativo Lilu, para agendamento

do banho e tosa em casa. A startup

faz parcerias com os profissionais,

realiza o treinamento e a intermediação

com os donos dos pets.

“Eu morei em várias cidades e

sempre tive cachorro. Manter o banho

dos pets em dia era uma dificuldade

por falta de tempo ou por

outros compromissos. Ficava pensando

em uma maneira mais prática

de fazer isso”, conta Aline.

O preço do serviço varia de

R$ 40 a R$ 85, de acordo com o

porte e a pelagem do animal. “Nossas

parceiras passam por um rígido

processo de seleção e avaliação

documental. Elas são treinadas e

equipadas para fazer o serviço no

ambiente doméstico e deixar o local

do jeito que encontrou, sem deixar a

casa suja”, ressalta. Cachorros com

dificuldade de locomoção e animais

que ficam estressados em ambientes

externos também fazem parte

do público-alvo da Lilu.

O piloto do projeto começou em

Salvador, na Bahia, até que Aline

resolveu mudar para São Paulo.

“Abri mão da minha estabilidade

para apostar no projeto”, conta a

empreendedora, que investiu inicialmente

R$ 40 mil no aplicativo.

A startup foi a vencedora na cidade

do São Paulo do programa Startup

SP do Sebrae-SP e tem como sócios

Philippo Chies e Paulo Cesar. Para

2020, a empreendedora busca investimento

para “dominar o mercado

de São Paulo e iniciar o atendimento

nas demais capitais”.

Soluções de serviços, como a

Lilu, e de produtos para o mercado

pet devem se desenvolver nos próximos

anos, na avaliação do consultor

de empreendedorismo e inovação

do Sebrae-SP Marcus Leite. “O

mercado de soluções pet não tem

encontrado crise. Cada vez mais as

pessoas estão gastando com os seus

pets, seja com brinquedos, comida,

roupa, passeios ou mesmo serviços

inusitados, como spa para pets. A

relação com os pets está se aproximando

da relação com filhos: hoje

já é possível até ter guarda compartilhada

de pets em caso de relacionamentos

desfeitos”, afirma.

COMODIDADE

O nicho encontrado pelo casal

Agnes Cristina e Diogo Petri para

investir no setor pet foi o de gatos,

população que cresceu 8,1% no país

entre 2013 e 2018, contra 3,8% do

crescimento do número de cães.

Eles se conheceram em um grupo

de resgate de animais abandonados

em uma rede social e não foi difí-

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