Jornal Paraná Fevereiro 2020

LuRecco

Sustentabilidade e solidariedade

são marcas da Santa Terezinha

Páginas 6 e 7


OPINIÃO

Moderno é não esquecer o básico

A fábrica de açúcar não é a planta industrial, mas a planta que cresce no campo

Heitor Cantarella (*)

As produtividades agrícolas

do setor decresceram

e estão estagnadas

em patamares

muito abaixo do real potencial

da cultura no País. Entre as

causas, estão fatores climáticos

(chuvas irregulares) e mudanças

tecnológicas adotadas

para acomodar as exigências

da colheita mecânica, que colocaram

desafios ao manejo da

cultura e que vão sendo vencidos.

Além de problemas econômicos

recentes e a

necessidade de reduzir custos,

com redução de investimentos.

Cortar custos, porém, precisa

ser feito seletivamente. A fábrica

de açúcar não é a planta

industrial, mas a planta que

cresce no campo. Geralmente,

o cuidado com a indústria é

maior do que o com a verdadeira

fonte de açúcar. Para o

bom funcionamento da fábrica,

o suprimento de matérias-primas

e componentes (nutrientes,

água) e o gerenciamento

do estoque (solo) precisam ser

adequadamente planejados e

monitorados. A fertilidade do

solo no seu conceito mais

amplo (químico, físico e biológico)

merece atenção. É mais

fácil diagnosticar os aspectos

químicos por meio da análise

do solo, mas, embora essencial,

não é suficiente. A degradação

física por erosão, o

tráfego descontrolado de máquinas,

o pisoteio de soqueiras

comprometem tanto a produtividade

quanto a falta de potássio.

Do mesmo modo, a baixa

atividade biológica afeta o crescimento

da raíz e facilita a proliferação

de pragas e doenças.

Um solo ácido, compactado,

com baixo estoque de nutrientes,

reduzida profundidade de

enraizamento e microbiota pobre

equivale a uma destilaria

sem eletricidade e vapor, o suprimento

de caldo é irregular e

o estoque de ácido sulfúrico se

esgotou. A cana mais cara é

de áreas com baixos rendimentos,

já que vários custos fixos

não podem ser comprimidos.

Não se deve esquecer que nutrientes

são fatores de produção,

pois são componentes

insubstituíveis das plantas. Não

há atalho possível: mais biomassa,

mais nutrientes.

A cana de três dígitos exporta

100 kg de N, 35 kg de P2O5 e

130 de K2O a cada 100 toneladas

colhidas. Se a palha for

computada, são 150 kg de N,

45 de P2O5 e 180 de K2O. São

quantidades mínimas que devem

ser repostas. É importante

não esquecer que as plantas

A cana mais cara é de áreas

com baixos rendimentos.

precisam de nutrientes secundários

e micronutrientes. O manejo

inadequado da adubação

pode levar à degradação do

solo e comprometer o potencial

produtivo e a longevidade das

soqueiras,com reformas precoces

e aumento de custos.

É comum o uso de poucas formulações

de fertilizantes para

toda a área plantada. Isso simplifica

o processo de compra e

as operações no campo, mas

não leva em conta as peculiaridades

dos diferentes tipos de

solo e da fertilidade, que pode

ser alterada de modo distinto

em diferentes solos. Muitas

empresas adotam agricultura

de precisão, mas se esquecem

de usar precisão na agricultura.

Pesquisas têm evidenciado aumentos

substanciais de produtividade

com aplicações de

micronutrientes em cana, em

especial o zinco, negligenciado

em programas de adubação

devido a pesquisas mais antigas,

quando os solos eram de

exploração recente e não esgotados.

O emprego adequado de

micronutrientes é essencial para

a cana de três dígitos. As recomendações

modernas de

adubação apregoam práticas

para evitar que o solo chegue

exaurido à época da reforma,

acelerando a queda de produtividade

a cada soqueira. Um

exemplo é a aplicação periódica

de calcário e gesso - e não

só na reforma - para contornar

o excesso de acidificação e

perda gradual de bases ao longo

do ciclo. Assim como a aplicação

de fósforo em soqueiras.

Aplicar só NK não é mais aceitável

na maior parte das situações.

As exportações de fósforo

ao longo do ciclo, em lavouras

com alta produtividade,

não são compensadas com altas

quantidades aplicadas no

plantio. Se não houver reposição,

o estoque do solo se esgota,

e soqueiras se degradam.

Mesmo vale a todos nutrientes.

A contabilidade simples de entradas

de suprimentos (adubação

mineral, uso de subprodutos

como vinhaça, torta), de

saída de produtos (exportações

pela colheita) e de conferência

do estoque (análise de solo)

traz informações essenciais

para a tomada de decisões no

manejo nutricional da cana. Do

mesmo modo que é necessário

manter as correias transportadoras

de cana limpas e lubrificadas

na indústria, é preciso

evitar danificar a boca da planta

(raiz) com excesso de sais e

doses altas de elementos tóxicos:

a prática comum de colocar

no sulco de plantio muito

potássio, às vezes N e altas

doses de fontes solúveis de

boro, pode ser substituída pela

aplicação de parte desses elementos

em cobertura após a

brotação. O aumento do custo

da operação deve ser medido

frente ao benefício do melhor

aproveitamento dos nutrientes

e menor dano à cana.

Modernas tecnologias, como

agricultura de precisão e eletrônica

embarcada, são cada vez

mais presentes no setor. Diagnósticos

em tempo real, controle

de tráfego, mapas de

colheita, operações georreferenciadas

são ferramentas que

facilitam e permitem otimizar o

manejo nutricional. É uma área

emergente nas pesquisas em

cana e tem muito a oferecer

para o aumento da produtividade

e da redução de custos.

Porém é importante manter a

aderência aos conceitos básicos

de nutrição. Moderno e primordial

é prestar atenção aos

aspectos ambientais relacionados

ao manejo da adubação da

cana. As emissões de gases de

efeito estufa oriundas das operações

de campo e do uso de

insumos agrícolas estão na

pauta das discussões internacionais

e podem servir de barreiras

não tarifárias.

Pesquisas recentes mostram

que os fatores de emissão associados

ao uso de fertilizantes

nitrogenados - um dos maiores

responsáveis pela emissão de

GEE -, no cultivo de cana no

Brasil, são inferiores aos valores

médios usados pelo Painel

Intergovernamental de Mudanças

Climáticas. É uma boa notícia,

mas práticas comuns,

como adubação próxima à aplicação

de vinhaça e áreas com

muita palha, podem reverter os

bons resultados. Estudos estão

sendo conduzidos para obter

dados precisos, procurar soluções

para contornar o problema

e garantir que a indústria

seja cada vez mais modelo de

produção sustentável.

(*) Diretor do Centro de Solos

e Recursos Ambientais do IAC.

Publicado na Revista Opiniões.

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PERSPECTIVAS

O futuro é promissor

Para Miguel Tranin, é possível ver uma recuperação do setor com as mudanças

da política governamental quanto ao preço da gasolina e o RenovaBio

Ofuturo promete, na

avaliação do presidente

da Alcopar, Miguel

Rubens Tranin,

que acredita na superação da

crise econômica pelo setor sucroalcooleiro.

“O setor vem se

recuperando depois de um

longo e difícil período de crise

financeira provocado pelo congelamento

do preço da gasolina

por anos e pelo aumento

da produção mundial de açúcar,

com retração do mercado,

que levaram ao fechamento de

cerca de 100 indústrias sucroenergéticas

no Brasil, sendo 10

no Paraná, e que deixaram muitas

unidades em situação delicada

em todo o país”, disse.

Na sua avaliação, já é possível

vislumbrar uma recuperação

do setor com as mudanças positivas

da política governamental,

com o preço da gasolina

acompanhando as oscilações

de preços do mercado internacional

de petróleo e principalmente

com o RenovaBio. “Isso

nos permitiu ter maior competitividade

em relação à gasolina,

que resultou na produção

e comercialização recorde de

etanol em 2019. Contribuiu

para isso, também, as elevações

no preço internacional do

petróleo e a variação cambial,

com o dólar mais alto”, comentou

Tranin.

O presidente da Alcopar aposta

no futuro do biocombustível no

mercado sustentável. “Vemos

recuperação significativa. Sou

otimista. O poder de investimento

das usinas ainda é baixo

porque quando há uma crise,

todas as portas de crédito se

fecham. Mas, estamos trabalhando

com afinco para que

essas indústrias possam recuperar

sua capacidade de investimento

e de renovação dos

canaviais, para voltarmos a ser

mais produtivos e competitivos”.

Para Tranin, o RenovaBio é fundamental

neste processo, assim

como a grande sacada do

momento, que são os carros

híbridos flex, utilizando etanol

para produzir a energia, e os

movidos a célula de combustível

a etanol. “Essa questão ambiental

vai ser adequada a cada

país e aqui o hibrido com base

no etanol deve predominar,

com emissões muito menores.

Temos um parque industrial baseado

em veículos de motor a

combustão. Seria necessário

um investimento significativo

para a substituição. Sem contar

que a produção etanol de canade-açúcar

e milho é uma grande

oportunidade de geração de

emprego e renda nos municípios

do interior, movimentando

a economia local”.

O etanol de milho, aliás, é um

Presidente da Alcopar: etanol de milho agrega valor

mercado que tem se aberto, na

opinião do presidente da Alcopar,

e que as usinas devem

aproveitar. “É interessante

agregar valor a produção de

etanol de milho com a produção

de DDG, fonte proteica extraída

do milho usada na alimentado

do rebanho bovino,

suíno e de frangos, assim como

aproveitar o bagaço da cana

na geração de energia de

forma sustentável e distribuída,

o que é um facilitador”. Apesar

de terminar mais uma safra

com produtividade menor, Tranin

acredita que 2020 tende a

ser um ano positivo, diante da

grande recuperação dos preços

do etanol. “A política diferenciada

da Petrobras permitiu

o aumento da competitividade

do etanol e aumento do consumo

e da produção, mesmo

moendo menos cana”, ressaltou.

Crescimento no médio prazo

“Vemos uma tendência forte de crescimento, mas

não em nível acelerado, já para a próxima safra,

mas numa perspectiva futura. Nos próximos 10

anos, nós entendemos que o setor deve dar uma

mudada muito forte na economia do estado do

Mato Grosso do Sul. Tem muito espaço para crescer,

especialmente em áreas de pastos degradados”.

A afirmação é do presidente do Conselho Deliberativo

da Biosul - Associação de Produtores de

Bioenergia de Mato Grosso do Sul, Amauri Pekelman.

Ele ressaltou que o setor passou por grandes

dificuldades e precisa de novos investimentos

para crescer ou otimizar as estruturas das usinas,

que não tem operado em plena capacidade.

“Com o RenovaBio, há expectativa de gerar mais

recursos e investimentos para ocupar a capacidade

ociosa das usinas. O Mato Grosso do Sul

produz cerca de 50 milhões de toneladas de canade-açúcar

por ano e pode chegar a 66 milhões

com novos investimentos e a otimização das

plantas atuais de produção, utilizando cana-deaçúcar

e até mesmo milho”, disse.

Para Pekelman, a aposta do setor está no RenovaBio

e no crescimento do consumo de etanol. “A

tendência é o Brasil usar cada vez mais etanol. O

processo de substituição das fontes de energia

será mais lento aqui porque temos um combustível

alternativo ambientalmente correto, o etanol,

que já conta com toda estrutura e outras vantagens

em relação ao carro elétrico. Mas acredito

que o futuro possa ser a célula de combustível”,

finalizou.

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PERSPECTIVAS

“O ânimo já começou a mudar”

Para André Rocha, há três situações que têm influenciado o cenário do setor

sucroenergético no Brasil: o RenovaBio, o etanol de milho e o investimento em eficiência

Os resultados obtidos

na safra 2019/20 de

cana-de-açúcar em

termos de produtividade

agrícola e de ATR já foram

melhores na avaliação do presidente

do Fórum Nacional Sucroenergético,

André Rocha, e

apesar dos problemas climáticos

em 2019, são boas as expectativas

para a próxima safra

2020/21, que se inicia em abril.

Rocha, que também é presidente-executivo

do Sindicato

da Indústria de Fabricação de

Etanol do Estado de Goias, do

Sindicato da Indústria de Fabricação

de Açúcar do Estado de

Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar), lembra

que as empresas continuam

alavancadas e o endividamento

do setor não diminuiu

se comparado o ano de 2018

com 2019.

“Não diminuiu porque as empresas

acabaram investindo

mais em 2019, então esse é o

lado positivo. Precisamos de

uns cinco bons anos para que

as empresas possam se adequar

e fazer os investimentos

necessários em eficiência, melhorar

sua produção e produtividade

e ao mesmo tempo,

reduzir o seu comprometimento

financeiro”, afirmou.

Apesar da redução da Taxa Selic

(taxa básica) as taxas de juros

não caíram, cita Rocha lembrando

que há empresas com

alto grau de endividamento e

muitas dificuldades, mas, por

outro lado, há empresas que já

estão bem melhores, com mais

fôlego, onde já houve percepção

de mudança, com operações de

fusões e aquisições, empresas

aumentando sua capacidade de

produção. “O animo já começou

a mudar. Com a queda do

juro, haverá crédito disponível

para as empresas buscarem o

aumento de eficiência necessário”.

Nos últimos dois anos, comentou,

aumentou a desigualdade

do setor. “Quem estava bem, já

estava buscando eficiência, tinha

feito o dever de casa e tinha

acesso a crédito, que representa

um terço das unidades industriais

do setor no Brasil, já

está bem melhor. Mas, quem

estava mal, continua praticamente

do mesmo jeito”, disse

citando, entretanto, que já visualiza

um inicio de recuperação,

com algumas empresas

saindo da recuperação judicial.

Na visão do presidente do Fórum,

há três situações que têm

influenciado o cenário do setor

sucroenergético no Brasil. A

principal é o RenovaBio, “uma

espécie de Proálcool moderno

que vai mudar uma série de paradigmas”,

que está cumprindo

seu cronograma, com várias

unidades já finalizando sua certificação.

Mas Rocha aposta também no

aumento da produção do etanol

de milho, que deve permitir a

produção de etanol o ano todo,

otimizando a estrutura e devolvendo

ao Brasil sua condição

de protagonista no segmento,

acabando com os estresses

das entressafras e mudando o

mercado nos próximos anos.

Diante das expectativas geradas

pelo RenovaBio, a terceira situação

que tem sido determinante

para o setor são os investimentos

feitos pelas usinas

no aumento de sua eficiência e

da produtividade, o que deve

alavancar a produção.

Rocha elogiou a atuação dos

Presidente do Fórum Nacional Sucroenergético: boas expectativas em reformas

ministros do Meio Ambiente e

da Agricultura e Abastecimento,

Ricardo Salles e Tereza Cristina,

“que mostram conhecer o

setor, o que tem facilitado a interlocução

com o governo”.

Falou sobre os ajustes e reformas

que vêm sendo feitos nos

estados e no governo federal e

na expectativa de que isso resulte

no reaquecimento da economia

brasileira.

“Há muitas expectativas em

torno das reformas econômicas,

de que o governo se acerte,

reduza gastos e volte a crescer.

Para melhorar ainda mais o

consumo de etanol, precisaríamos

ter um reaquecimento da

economia. O consumo de

combustíveis e de energia, que

é outra fonte de recursos do

setor, estão intimamente ligados

ao crescimento do PIB. Esperamos

que com ajustes, os

estados e o país possam crescer

e aumentar o consumo de

etanol. Apesar do consumo recorde

em 2019, pelo tamanho

da frota flex brasileira, há ainda

muito a crescer”.

Melhoras em 2020

Com as boas chuvas que vem

ocorrendo desde o final do

ano passado, Antonio Cesar

Salibe, presidente da Udop,

acredita que a safra na região

Centro-Sul do Brasil será boa.

“O clima é o grande balizador

e não os tratos culturais”, afirmou.

Quanto às perspectivas

de mercado, disse que com a

menor produção de açúcar,

principalmente no Brasil, e aumento

do déficit mundial da

commodity, a expectativa é

que os preços melhorem. Mas

a grande aposta é o etanol

com o Renovabio. “Será um

grande estímulo para que se

plante cana e produza. E nos

próximos anos, sim, teremos

uma safra maior”.

Salibe ressaltou, entretanto,

para as usinas que não estão

Quanto ao açúcar, o presidente

do Fórum disse que a commodity

ainda apresenta preços

baixos em relação ao etanol, o

que fez com que muitas usinas

migrassem sua produção

para o etanol, num esforço

para reduzir a produção de

açúcar. “O mercado tem se

adequado. Com dois anos de

redução na produção brasileira,

vemos os estoques mundiais

em maior equilíbrio,

devendo haver uma recuperação

dos preços de açúcar nos

próximos anos”.

bem financeiramente, não é

qualquer preço que remunera

a produção. “Essas usinas

vão precisar de parceiros para

ajudar neste processo de recuperação.

A solução seria a

injeção de dinheiro de fora,

através de parcerias e de fusão.

Mas para as unidades industriais

que estão bem, as

perspectivas são boas. Com

os bons preços pagos

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pelo etanol e, provavelmente,

também pelo açúcar, a

tendência é que as condições

financeiras das empresas melhorem

já a partir de 2020”,

avaliou.

Para Arnaldo Luiz Corrêa, diretor

da Archer Consulting - Assessoria

em Mercados de

Futuros, Opções e Derivativos

Ltda - não há como não ficar

otimista em relação ao Brasil

para 2020. “Todos os indicadores

econômicos estão mais

positivos do que se esperava”.

Ele citou que o ambiente de

negócios passou a conviver

com uma taxa de juros no nível

mais baixo da história recente

e que existe uma concreta

possibilidade de reformas estruturais

serem aprovadas no

primeiro trimestre do ano legislativo.

Corrêa ressaltou que no setor

sucroalcooleiro, o sentimento

não é diferente. Ele citou, por

exemplo, a agência de classificação

de risco e crédito

Moody’s que mudou sua perspectiva

para o setor sucroalcooleiro

de negativa para estável

por conta de uma melhora do

EBITDA que reflete os bons

preços do etanol obtidos durante

a safra 2019/ 20. Também

disse que a perspectiva

de consumo do etanol é muito

boa, com viés de alta.

Na opinião do especialista de

mercado, apesar de o consumo

total de combustíveis, no

acumulado de doze meses, ter

atingido o recorde em volume,

com 60,3 bilhões de litros em

setembro último, existe uma

demanda reprimida que deve

mudar com a melhora do poder

aquisitivo da classe média.

Em publicação recente, Celso

Ming, também escreveu que

parecem sólidos os indicadores

que apontam para a melhora

econômica do Brasil.

Pelos cálculos da Conab, as

safras agrícolas que começam

em fevereiro são de novos recordes

de produção de grãos,

para mais de 246 milhões de

toneladas, aumento físico de

1,6%. É desempenho que deverá

ter efeitos multiplicadores

sobre a renda do interior. E

mesmo uma das fontes mais

citadas de incerteza global

com impacto sobre o Brasil, as

escaramuças comerciais entre

Estados Unidos e China, parecem

estar entrando em um

acordo, complementou Ming.

Salibe: RenovaBio

será um grande

estímulo para se

produzir cana

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SUSTENTABILIDADE

Santa Terezinha é certificada

por redução de CO 2

Foram 341,50 toneladas de

Dióxido de Carbono a menos

por meio da utilização de

energia de fontes renováveis

Em 2019, a Usina Santa

Terezinha recebeu o

Certificado Sinerconsult

de Energia Renovável,

concedido pela Comerc

Energia à empresa pela redução

do equivalente a 341,50

toneladas de Dióxido de Carbono

por meio da utilização de

energia de fontes renováveis

durante o ano de 2018.

Este certificado reconhece as

empresas que consomem energia

de fontes renováveis, colaborando

para reduzir as emissões

de gases poluentes na atmosfera.

O procedimento empregado

no processo é baseado

no GHG Protocol Corporate

Standard, por meio da metodologia

de cálculo WRI (World Resources

Institute) - aceito e adotado

mundialmente por organizações

privadas e/ou organizações

públicas e/ou organizações

não-governamentais.

As unidades da Usina Santa Terezinha

analisadas e, consequentemente,

certificadas estão

localizadas no Paraná: Cidade

Gaúcha, Rondon, Ivaté e Maringá.

No ano de 2018, as quatro

unidades ingressaram no

Mercado Livre de Energia, isto

é, a energia consumida veio de

fontes alternativas.

Já em 2019, mais quatro unidades

produtivas (Paranacity,

Tapejara, Terra Rica e Moreira

Sales) foram ingressas neste

Mercado Livre de Energia, totalizando

oito unidades da empresa

contribuindo com a

redução de CO 2 .

Usina publica seu Relatório de Sustentabilidade

Pelo 2° ano consecutivo, o Relatório

de Sustentabilidade/Comunicação

de Progresso da

Usina Santa Terezinha foi validado

pela empresa de auditoria

PwC (PricewaterhouseCoopers).

No processo de verificação

externa, o conteúdo foi

constatado de acordo com os

critérios do GRI (Global Reporting

Initiative), opção Essencial

da versão Standards. Essa norma

é a mais atual disponível e

principal referência para esse

tipo de publicação em todo o

mundo, presente em 60 países.

Além da norma GRI, a auditoria

externa seguiu controles próprios

determinantes e necessários

para permitir a propagação

desse material: livre de

distorção causada por fraude

ou erro.

Desde 2010, a Usina Santa Terezinha

divulga este documento

composto de informações sobre

o desempenho econômico, social

e ambiental de suas operações.

O relato é anual, está em

sua 9° edição e demonstra o engajamento

da empresa com o

desenvolvimento sustentável,

priorizando a ética, confiabilidade

e transparência.

No decorrer da leitura são

apresentados dados referentes

ao perfil da empresa, sua governança

e engajamento com

os públicos de relacionamento.

Além dos tópicos considerados

materiais, a partir da elaboração

da matriz da materialidade.

O conteúdo é aliado aos quatro

temas do Pacto Global das Nações

Unidas (direitos humanos,

trabalho, meio ambiente e combate

à corrupção) tornando este

documento, há seis anos, uma

COP (Comunicação de Progresso),

que possui o status nível

avançado e é publicada no banco

de dados do Pacto Global. O

documento ainda segue as premissas

dos ODS (Objetivos de

Desenvolvimento Sustentável),

estipulados pela ONU (Organização

das Nações Unidas).

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Jornal Paraná


SOLIDARIEDADE

“Sonhos de Natal em Dobro” beneficia

crianças, adolescentes e idosos

Ao todo, 955 pessoas do Paraná e Mato Grosso do Sul foram beneficiadas

com o projeto desenvolvido pela Santa Terezinha

Asexta edição do Natal

Solidário da Usina

Santa Terezinha foi

concluída com sucesso.

Por meio da mobilização

do time “Agentes de Mudança”

da empresa, o projeto

teve como objetivo engajar os

funcionários e comunidades

vizinhas na disseminação do

espírito natalino em instituições

socioassistenciais durante

o mês de dezembro.

No total, 955 crianças, adolescentes

e idosos dividiram seus

“Sonhos de Natal” em cartas

e, desta forma, os funcionários

participaram da ação adotando

uma cartinha. Para cada

Sonho de Natal de uma criança

adotada, a empresa dobrou o

presente com uma cesta natalina.

Já para o Sonho de Natal

de cada idoso adotado, foi

acrescentada uma quantidade

de fraldas geriátricas.

O Natal Solidário foi desenvolvido

pelo Programa de Sustentabilidade:

Agentes de Mudança,

o qual colaboradores colocam

em prática as ações

socioambientais da empresa

em conjunto com a comunidade.

A Usina Santa Terezinha é

composta pelo corporativo e o

terminal logístico - em Maringá,

o terminal rodoferroviário

em Paranaguá, e as onzes

unidades produtivas em Iguatemi,

Paranacity, Tapejara,

Ivaté, Terra Rica, São Tomé, Cidade

Gaúcha, Rondon, Umuarama

e Moreira Sales - no

Paraná, e Usina Rio Paraná -

no Mato Grosso do Sul. A empresa

conta com mais de 14

mil colaboradores nos setores

agrícola, industrial e administrativo.

Com o trenó a todo vapor, o

Papai Noel e os Agentes de

Mudança deram conta do recado

e entregaram os 955 presentes,

782 cestas natalinas e

6.933 fraldas geriátricas em 21

instituições socioassistenciais

de 14 municípios do Paraná e

Mato Grosso do Sul. O público

beneficiado corresponde a

29% de idosos, 24% de pessoas

com deficiência, 24% de

crianças e adolescentes em situação

de acolhimento, 14%

de crianças e 9% de crianças

e adolescentes indígenas.

Jornal Paraná 7


ETANOL DE MILHO

Embarque de DDG em

Paranaguá anima Cooperval

Foi a primeira operação do País de DDGS, um coproduto da produção do

etanol de milho. Tendência é que exportações aumentem nos próximos anos

OPorto de Paranaguá

embarcou a primeira

carga de “farelo” produzido

pelo processamento

do milho para o

etanol, conhecido no mercado

como DDG (que em inglês usa

a sigla para Grãos Secos de

Destilaria com Solúveis/Dried

Distillers Grains With Solubles

S. Foram 27,5 mil toneladas

levadas ao Reino Unido, Inglaterra,

e produzido em Sinop,

no Mato Grosso, pela Inpasa

Agroindustrial S.A. No país, a

empresa chega a processar 3,6

mil toneladas de milho por dia,

produzindo 1,5 milhão de litros

de etanol e mil toneladas de

DDGS diariamente.

Segundo o presidente da empresa

pública Portos do Paraná,

Luiz Fernando Garcia, é uma

oportunidade de ampliação de

negócios não apenas para o

porto e operadores, mas, também,

para a indústria do Estado.

A expectativa é de que cresça a

produção do Brasil e a demanda

pelo produto, que tem despertado

interesse de vários países,

pois o DDGS já vai processado

e pronto para o consumo.

O embarque animou a Cooperval

Cooperativa Agroindustrial

Vale do Ivaí, de Jandaia do Sul,

a única usina que produz etanol

a partir do grão no Paraná.

Segundo o gerente comercial

da Cooperval, Claudinei José

Vesco, o fato de haver condições

de exportar o DDGS pelo

Estado é um avanço. “É uma

grande novidade e muito positiva

para o setor. Não tenho dúvidas

que será ótimo para

ampliarmos o processo e a

produção”, afirma.

Como conta Vesco, a usina começou

a produção em 2018.

No primeiro ano foram 17 mil

toneladas de milho processadas

para produzir cerca de 7

mil m³ de etanol. “Em 2019, tivemos

um salto muito grande.

Fechamos com aproximadamente

90 mil toneladas de milho

processado e uma produção

de mais de 36 mil metros

cúbicos de etanol”, comemora.

Para 2020, a expectativa da

usina é processar cerca de

150 mil toneladas de milho,

aumentando ainda mais a produção

do etanol e as oportunidades

de comercializar subprodutos

como o DDGS. “Ano

após ano, vimos melhorando o

processo e abrindo novos

mercados. Por enquanto, ainda

somos os primeiros e os únicos

a produzir etanol de milho

do Estado, mas sabemos que

esta é uma tendência, que

deve gerar novas plantas”,

completa.

Como explica ainda o representante

da Cooperval, para a produção

do etanol, o milho precisa

ser moído, transformando-se

numa espécie de farinha. “Esta

vai para um processo como um

cozimento até virar o etanol. O

que sobra é um produto como

um fubá um pouco mais grosso.

Esse passa por um novo

processo, de secagem, e chegamos

ao DDGS”, conta.

O produto, segundo ele, tem

mais de 30% de proteína, excelente

para alimentação animal.

“Já produzimos este produto

para o mercado interno, de pequenos

consumidores, mas temos

condições totais de atender

uma demanda maior, inclusive

do mercado externo”, conclui

o gerente comercial.

Segundo a Companhia Nacional

de Abastecimento (Conab), a

produção total de etanol à base

de milho no Brasil deverá atingir,

na safra 2019/20, 1,35 bilhão

de litros, representando acréscimo

de 70,3% em relação ao

exercício anterior.

Apesar de ter apenas uma

Usina, o Paraná é o terceiro Estado

produtor do biocombustível,

atrás do Mato Grosso e de

Goiás. Segundo a Companhia

nacional, da safra 2018/2019

para a 2019/2020, a produção

no Estado aumentou 467,3%,

passando de 9.569 litros para

54.288.

“O menor custo de produção

do etanol à base de milho, a

crescente produção do milho

segunda safra e a forte demanda

dos segmentos produtores

de proteína animal foram

alguns dos motivos pelos

quais as indústrias aderiram ao

novo modelo de negócio”, traz

a Conab em boletim. Uma tonelada

de milho é capaz de

produzir 420 litros de etanol e

300 quilos de DDGS.

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Jornal Paraná

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