Revista DEZEMBRO 2019

as2017

Revista Nossos Passos edição dezembro 2019

NOSSOS PASSOS

1

Paróquia São Francisco de Paula - Ordem dos Mínimos

Praça Euvaldo Lodi, s/n - Barra da Tijuca - Cep.:22640.010 - Tel.: (21) 2493-8973

www.paroquiasfdepaula.org.br

Arquidiocese do Rio de Janeiro - Vicariato de Jacarepaguá - 1º Região Pastoral

Ano XV - 246

Dezembro/ 2019

O Natal Cristão

Católico


2 DEZEMBRO/ JUNHO/ 2019


NOSSOS PASSOS

3

Diretor:

Frei Evelio de Jesús Muñoz

Conselheiros:

Gilberto Rezende

Haroldo da Costa S.

Departamento de Comunicação e Marketing:

Armênio Soares

Maria Vitória Oliveira

revistanossospassos@gmail.com

Jornalista Responsável:

Maria Vitória Oliveira

ESPM: 8101/87

AIRJ: 10059-82

Diagramação e Artes:

Natan Falbo

Tiragem e Prioridade:

2.000 Exemplares

Mensal

Expediente da Secretaria:

De segunda a sexta-feira, das 9h às 18h

Telefones: Secretaria - 2493-8973 e 2486-0917

Ambulatório - 2491-8509

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA NOS PONTOS DIRI-

GIDOS. VENDA PROIBIDA.

A Revista Nossos Passos é uma publicação da Paróquia

São Francisco de Paula e respeita a liberdade de expressão.

As matérias, reportagens, artigos e anúncios

são de total responsabilidade de seus signatários.

Siga a Paróquia São Francisco de Paula nas

redes sociais:

Instagram:

@paroquiasaofranciscodepaula

Facebook:

/paroquiasaofranciscodepaulabarradatijuca

www.paroquiasfdepaula.org.br

E-mail: sfpcharitas@gmail.com

Ed. Setembro/ 2019

NOTÍCIAS

MATÉRIA DE CAPA

ARTIGO

SUMÁRIO

Igreja de São Francisco, no Chile, é alvo de profanação

p. 06

Feministas atacaram e atearam fogo em cruz histórica

p. 07

O Natal Cristão Católico

p. 08

Decisão e virtude na República

p. 10

Entre a sobremesa e o cafezinho

p. 12

Como peregrinar à Terra Santa ajuda a fortalecer a fé

dos cristãos?

p. 15

Thor, São Bonifácio e a origem da árvore de Natal

p. 17

Papa Francisco adverte que o presépio é um sinal de

nossa fé que não deve se perder

p. 19

Hoje a Igreja celebra São Nicolau, padroeiro das

crianças

p. 21

A Carta de São Judas: uma resposta à atual crise da

Igreja

p. 23

In Lumine Tuo

p.29


4 DEZEMBRO/ 2019

EDITORIAL

Menssagem de Natal

Nesse momento de paz, onde todas

as pessoas se abraçam, se entendem,

se cumprimentam e buscam por novos

sonhos, para tentar descobrir a razão de

serem feliz de verdade.

Neste momento onde Deus se faz

presente em cada oração, cada família,

em todos os lares, eu também gostaria

de expressar o meu carinho para todos

vocês.

Quero desejar que os seus passos

nunca estejam sós, estejam sempre

amparados pelos querubins e arcanjos

que têm a missão de caminhar com você

segurando firme em suas mãos, para que os

seus pés nunca venham a tropeçar no meio

do caminho, quero desejar que Cristo Jesus

habite o seio de sua família e conforte-lhes

em todos os momentos.

Que neste Natal você possa sentir

a presença de Deus, da paz, do amor e do

perdão.

Feliz Natal, na paz de Deus, que

sempre pode todas as coisas, pois para o

Senhor nada é impossível.

Desejo a todos da nossa querida Paróquia

um Feliz Natal e um próspero Ano Novo.

EXPEDIENTE

PAROQUIAL

Pároco:

Frei Evelio de Jesús Muñoz

Padres:

Frei Zezinho - Vigário (Pe. José Antônio de Lima)

Frei Dino (Pe. Costantino Mandarino)

Igreja Santa Teresinha

Praça Desembargador Araújo Jorge, s/n

Largo da Barra

Capela São Pedro - Ilha da Gigóia

R. Dr. Sebastião de Aquino, nº 90 A

HORÁRIOS DAS MÍSSAS

Paróquia São Francisco de Paula:

De Segunda a sexta-feira: 7h30m e 19h.

Sábado: 17h (crianças) e 19h.

Domingo: 7h30; 10h; 17h e 19h (jovens).

Barramares:

Quarto domingo do mês, às 17h.

Capela São Pedro (Ilha da Gigóia)

Domingo, às 9h.

Santa Teresinha:

Domingo às 19h30h

GRUPOS DE ORAÇÃO

Paróquia São Francisco de Paula

Quarta-feira, às 15h: quinta-feira, às 20h.

TERÇO DOS HOMENS

Santa Teresinha

Toda terça-feira do mês, às 20h

ADORAÇÃO AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

Paróquia São Francisco de Paula:

Quinta-feira, o dia todo.

Santa Teresinha

Primeira quinta-feira do mês, às 20h.

NA PARÓQUIA

Confissões:

De terça-feira a sexta-feira, das 9h às 11h e das 15h às 17h:

Domingo, antes das missas.

Hora Santa Vocacional

Primeira sexta-feira do mês, às 17h30m.

Inscrições para batizados:

Segunda-feira, das 18h30m às 19h30m:

Quinta-feira, das 15 às 17h

Ambulatório Médico

De seg a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13 às 17h

Assistência Jurídica

Quarta-feira, às 15h

Frei Evelio de Jesús Muñoz

Pároco

Assistência Psicológica

Quarta-feira, das 9 às 11h

Mediação Comunitária

Terças e sextas-feiras das 9h às 12h e das 14h às 20h.


NOSSOS PASSOS

5

AGRADECIMENTOS

Agradecemos aos muitos participantes de nossa

Comunidade Paroquial que, voluntariamente

comprometidos, empenham-se em fazer a sua partilha

em favor das atividades pastorais desta comunidade.

Tenham todos a perfeita consciência de que, com

seu gesto, contribuem para fazer acontecer, em nossa

Paróquia, os benfazejos efeitos da Divina Providência.

A todos os membros desta abençoada comunidade

enviamos abraços fraternos dos agentes da Pastoral

do Dízimo, acompanhados de sinceros votos de Feliz

Natal e venturoso ano novo.


6 DEZEMBRO/ 2019

NOTÍCIAS

Igreja de São Francisco, no Chile, é alvo de profanação

A Igreja de São Francisco, em Valdívia, no Chile,

foi profanada e vandalizada nesta quarta-feira,

13. A informação foi confirmada pelo Vigário

Geral da diocese, Dom Nelson R. Huaiquimil. Em

declaração, o bispo descreve a tristeza dos fiéis pelo

ato profano e pede aos chilenos que se unam em

oração pela justiça e paz no país que enfrenta sérios

problemas sociais e políticos.

“Estamos profundamente tristes com a destruição

que o Templo de São Francisco de Valdivia sofreu,

sabemos que o mais importante em todas as

situações são sempre as pessoas, e lá vivem cinco

irmãos dehonianos, pessoas consagradas ao serviço

da comunidade. Eles estão bem, mas experimentam

um estado natural de desamparo e dor. Dói-nos o

fato de terem entrado no templo e o Santíssimo

Sacramento ter sido profanado, destruído as

imagens sagradas, destruído o mobiliário e

causado danos gerais a essa parte do patrimônio,

que pertence a todos os valdivianos”

A Igreja, patrimônio histórico do país, foi

construída entre 1586 e 1628 e é o edifício mais

antigo da cidade, tendo resistido a três grandes

terremotos.

Na declaração, o vigário geral afirma compartilhar

a legítima busca por justiça e paz empreendida por

tantos chilenos em todo o país. Ele destaca as “belas

manifestações que devem nos encher de esperança;

no entanto, é chocante ver mortos e feridos e muitas

pessoas que sofreram destruição e danos por causa

da violência”.

Por fim, ele convida todos “a se unirem à oração

e à busca do bem, a todos aqueles que sofreram

violência e causam violência de diferentes tipos”,

exortando-os a se olharem “não como inimigos,

mas como aqueles que são capazes de construir

juntos a família humana que todos esperamos ”.

A crise política e social pela qual o Chile está

passando é acompanhada de manifestações

violentas que já causaram vários danos aos locais

de culto. Os Bispos do país já expressaram sua

tristeza “pelo ataque às igrejas e locais de oração

sem respeito a Deus e àqueles que acreditam nele”,

lembrando que “as igrejas e outros locais de culto

são sagrados”.

No último domingo, 10, o Santuário de Maria

Auxiliadora, em Talca, foi invadido, as imagens

sacras foram destruídas e queimadas junto com os

bancos da Igreja.Também no domingo, 10, durante

manifestação em Viña del Mar, no litoral do país,

foi invadida a Paróquia de Santa Maria dos Anjos,

em Reñaca.

Foram alvo também de vandalismo a Paróquia da

Assunção, em Santiago, a Catedral de Valparaíso e

a Paróquia de Santa Teresa dos Andes, em Punta

Arenas. Há relato de que outras igrejas foram

apedrejadas e sofreram algum tipo de ataque.

_____________________________________

Fonte:

https://www.acidigital.com/noticias/libertam-cinco-cristaos-que-ficaram-injustamente-presos-durante-11-anos-73702


NOSSOS PASSOS

7

Feministas atacaram e atearam fogo em cruz histórica

O Arcebispo de Salta (Argentina), Dom Mario

Cargnello, expressou em 4 de dezembro sua

perplexidade com o ataque cometido no dia

anterior por um grupo de feministas contra a

Cruz do Congresso Eucarístico Nacional de

1974, em cuja base atearam fogo.

A cruz do Congresso Eucarístico Nacional

foi erguida em setembro de 1974, ao pé da

colina de São Bernardo, em Paseo Güemes,

na esquina da passagem Del Milagro, no

centro da cidade.

Um grupo de mulheres, que em 3 de dezembro

afirmaram que se manifestavam contra a

violência de gênero, tentou incendiar a cruz

histórica que mede 16 metros de altura e 9

metros de largura.

Elas replicaram a performance “El violador

eres tú” (O abusador é você), uma música

criada pelas feministas chilenas denominadas

“Las Tesis” no contexto das manifestações

sociais do país. O ataque à cruz foi rechaçado

nas redes sociais.

“Não é fácil refletir sobre um acontecimento

que é absurdo e nos deixa perplexos. O que

significa? Que mensagem nos transmite? O

que se pretende?”, questionou Dom Cargnello.

“Essa Cruz foi plantada como um chamado

à unidade de todos os argentinos. Levantado

no alto sobre a terra, o Senhor Jesus nos atrai

para Ele. Ele nos reconcilia com Deus em um

só corpo por meio da Cruz. Por isso, a Cruz

se tornou um sinal da aspiração profunda

do Povo de Salta de ser um povo fraterno,

justo, acolhedor, pacífico e pacificador”,

acrescentou.

“Encomendamos ao Senhor, que nos exorta

da Cruz proclamando a força vivificante do

amor, as pessoas que tentaram queimar esse

sinal abençoado. Que Ele, pela ação de Seu

Espírito, permita-lhes que abram suas mentes

e corações à Sua Verdade amorosa, que nos

liberta e nos torna capazes de fraternidade”.

Da mesma forma, o Arcebispo de Salta pediu

àqueles que “alimentam atitudes hostis, que

às vezes se tornam muito perigosas, que

reflitam e creiam na força do amor que vence

o ódio, da unidade que nos ajuda a ser mais

humanos”, finalizou o comunicado.

_____________________________________

Fonte:

https://www.acidigital.com/noticias/feministas-atacaram-e-

-atearam-fogo-em-cruz-historica-25561


8 DEZEMBRO/ 2019

O Natal Cristão

Católico

O

enunciado deste artigo, por si só, já diz muito.

Para os que querem ser cristão “este muito” é o

óbvio: o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Além de um fato histórico para a humanidade é O

acontecimento da realidade cristã, o fato que renova a

criação do homem, que realiza as promessas de Deus

feitas aos patriarcas, que traz a Salvação para o homem

e que chegará à sua plenitude na Paixão, Morte e Ressurreição

de Jesus Cristo. Como diz São Leão Magno,

papa, Sermões Séc. V: “Hoje, amados filhos, nasceu o

nosso Salvador. Alegremo-nos. Não pode haver tristeza

no dia em que nasce a vida; uma vida que, dissipando

o temor da morte, enche-nos de alegria com a

promessa da eternidade” 1 .

Serão abordados aqui, dois pontos em relação a

nossa vida atual de cristão, a saber:

Primeiro, a entrega total de amor do Verbo de

Deus para a salvação do homem. O nascimento de

Jesus Cristo nos chama a atentarmos ao nascimento

e renovação de Cristo em nós mesmos, nos chama à

conversão, ao agir de boa vontade por amor a Cristo

e à salvação do próximo. Um agir de coração puro

que aqui podemos entender, também, como a pureza

de escolher Cristo e negar o mundo e em tudo fazer

apenas com os olhos voltados para Ele, não nos deixemos

misturar com as coisas do mundo e, sim, sempre

preferir as coisas do alto, as coisas de Deus. Quando

Cristo nasce em nosso coração, nosso olhar muda,

nossa natureza corrompida pelo pecado ganha o toque

da graça divina. Coisa mais poderosa e amorosa foi o

Verbo de Deus se tornar carne (homem) na pessoa de

Jesus Cristo, foi uma inteira entrega de amor assumir

a vida humana e todos os nossos pecados para a nossa

salvação. Podemos concluir que o Natal Cristão traz

alegria e vida que deve ser vivida em comunidade (a

Igreja) e na esperança de alcançar a vida eterna, a intimidade

com Cristo que devemos procurar viver desde

esta vida na terra, a isto São João Paulo II:

Ao recordar que o “Verbo Se fez carne”, isto é,

que o Filho de Deus Se fez homem, devemos

tomar consciência do grande que se torna

todo o homem através deste mistério; isto

é, através da Encarnação do Filho de Deus!

Cristo, efetivamente, foi concebido no seio de

Maria e fez-Se homem para revelar o amor

eterno do Criador e Pai, assim como para

manifestar a dignidade de cada um de nós 2 .

O segundo ponto é a resposta de amor do

homem para se apropriar da salvação recebida. Ao

olhar para o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo


NOSSOS PASSOS

notamos a obra de redenção que foi o Verbo de Deus

se tornar um homem e nos toca sensivelmente esta

realidade divina visível. Deus é visível e real, é um

exemplo de como devemos agir como homens criados

à imagem e semelhança de Deus. Devemos tomar a

atitude de amar Deus, de amar Jesus Cristo. Desejar

uma vida de intimidade com Deus que renova todas

as coisas. Depois de decidirmos amar Jesus Cristo

como colocaremos isto em prática? Vivendo como

Ele mesmo nos ensinou, seguir seus mandamentos,

viver verdadeiramente os sacramentos, sobretudo a

Eucaristia e a Penitência, e a vida de oração íntima e

pessoal (conf. Mt 6, 6) 3 , a isto diz Raniero Cantalamessa:

Neste itinerário exemplar de fé há um

ponto que devemos sublinhar com força

e tornar nosso neste dia: a decisão de ir a

Belém – Vamos até Belém, disseram uns

aos outros pastores. E nós, também, neste

Natal, digamos uns aos outros: Voltemos a

Belém! Voltemos à simplicidade e à pureza

das origens; descubramos o berço em que

nascemos. Afastamo-nos demais de Belém;

nossa fé se sobrecarregou de raciocínios

complicados e por vezes obscuros que destoam

daquele “menino do presépio”; nossa Igreja se

tornou pesada como uma matrona curvada

pelos anos e pelos objetos que carrega 4 .

Em síntese, o nascimento de Nosso Senhor

Jesus Cristo nos dá o amor e espera uma resposta

livre e verdadeira a esse chamado de amor. Um ato de

conversão, uma resposta ao toque de Deus em nós,

que nos renova, assim como o Verbo de Deus renovou

todas as coisas ao tocar a terra na pessoa de Jesus

Cristo. Entendamos aqui o sentido desta renovação

não como uma modernização, como quem é do

mundo sempre entendeu. Entendamos o sentido desta

renovação com a pureza de espírito que a graça divina

nos dá, como uma restauração que tira o desgaste de

uma obra prima que ficou exposta às intempéries. Nós,

cristãos, somos essa obra prima de Deus exposta às

intempéries da vida, mas renovados em Jesus Cristo.

Decidamos ser de Cristo e não do mundo (conf. 1Jo 2,

15-17) 5 . Quando nos aproximamos de Jesus Cristo, Ele

se aproxima ainda mais de nós.

Por fim, desejemos conseguir fazer da nossa

vida uma oblação a Deus, unidos intimamente a Jesus

Cristo, assim como diz S. Nicolau de Flue na seguinte

oração:

Meu Senhor e meu Deus, tirai-me tudo o que me

afasta de vós.

Meu Senhor e meu Deus, dai-me tudo o que me

aproxima de vós.

Meu Senhor e meu Deus, desprendei-me de

mim mesmo para doar-me por inteiro a vós 6 .

Referências:

[1] Liturgia da Horas. Natal e Advento. São Paulo: Editora

Paulus. Vol. I, p. 362.

[2] São João Paulo II, Alocução na recitação do Angelus,

Santuário de Jasna Góra, 5-VI-1979.

[3] Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora

ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê no lugar oculto, te

recompensará.

[4] Cantalamessa, Raniero. O Verbo ser faz carne / Raniero

Cantalamessa; tradução de [Cornélio Dall’Alba]. – São Paulo:

Editora Ave Maria, 2012. 896 p. 246

[5] Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém

ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que

há no mundo – a concupiscência da carne, a concupiscência

dos olhos e a soberba da vida – não procede do Pai, mas do

mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, mas

quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente.

[6] Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Edições Loyola.

N. 226.

9


10 DEZEMBRO/ 2019

Decisão e virtude na

República.

Dr. Roberto Wanderley Nogueira

Juiz Federal

Professor de Direito da UFPE

Há decisões judiciárias que assumem o

mesmo perfil das falácias: militância política

disfarçada de ativismo judicial. A virtude

intrínseca de um ato judicial, todavia, reside

no seu caráter jurídico, a dizer, estar de acordo

com a Ordem Jurídica, com a Constituição.

Caso contrário, não passará de uma nulidade.

Com efeito, muito pior do que tudo o que

se tem observado no Congresso Nacional sobre

matérias que interessam de perto à magistratura,

mas que em grande medida já se encontra

disciplinada na LOMAN (Lei Orgânica da

Magistratura Nacional), salvo alguma ou outra

variável de menor monta, nada obstante o vício

de sua origem, são as teratologias perpetradas

pelos eleitos da classe política, a exemplo do que

se passou na violação direta da Constituição

Federal, consistente na declaração de que não

há crime na prática de certos tipos de aborto.

No Brasil toda forma artificial de interrupção

da gravidez é ilícita, muito embora em duas

hipóteses não se puna a conduta, devido ao

enorme drama pessoal pelo qual as gestantes

têm de passar. Nada obstante, não há licença

para matar nascituro no Brasil.

Realmente, nada pode ser mais estranho

e esotérico, menos alopoiético que decisões

que tais, tiradas à margem da Ordem Jurídica.

Consubstanciais ao escárnio da vida, importam

em clara violência contra a Constituição Federal

que todos têm de cumprir e as autoridades têm

de fazer observar.

Isso teria de ser submetido, aí sim, ao

crivo das responsabilizações que o Congresso

Nacional, em não se tratando de cláusula

pétrea (imutável, sequer por meio de

revisão constitucional), agora cogita para a

magistratura e para o ministério público, sem

dúvida alguma. A Suprema Corte de um país

não pode ser fonte de proselitismo ideológico

ou de experimentalismo algum. Trata-se apenas

da última cidadela interna para a consecução

dos direitos individuais e coletivos, sobretudo

quando fundamentais.

A vida humana, objeto incondicional de

proteção constitucional entre nós, é o primeiro

desses direitos fundamentais que se tem

relativizado mundo afora - e por aqui não parece


NOSSOS PASSOS

diferente, ainda que sem correspondência legal

- por alguma razão que ninguém sabe ao certo

precisar no contexto de certos modismos de

ocasião inteiramente descolados da natureza

mesma das coisas. Trata-se de um cenário de

absurdos que denunciam uma certa decadência

do sistema do poder político privado de

racionalidade, mas prenhe de manigâncias e de

jogos de poder.

Outrossim, uma Suprema Corte é sempre

órgão constituído, produto de uma criação

convencional (normativa), e não encarna,

por isso mesmo, o poder Constituinte de um

Estado soberano, fonte criadora do Direito

Positivo como ferramenta de garantia da paz

social.

O manejo em foco que, no Brasil, já

vem repercutindo negativamente na Câmara

dos Deputados e na consciência humana

das pessoas com espírito elevado, traduz um

exercício que revela falta de consciência dos

próprios limites. Esse risco, naturalmente,

é proporcional ao formato de como são

compostos os quadros da Suprema Corte

em nosso país, que deve ser urgentemente

reorientado sem prejuízo de outras implicações

para os que forem encontrados em falta

funcional ou crime de responsabilidade por

atentarem frontalmente contra a Constituição

da República, nada obstante a imunidade

judiciária, que não pode servir de pretexto

às impunidades tampouco. A República

brasileira vive um teste de resistência no

momento, sobre saber se as suas instituições

de fato funcionam ou se atuam apenas como

mera fachada.

Com efeito, no sistema republicano

não pode haver exercício de autoridade sem

11

a contrapartida da responsabilização pelos

excessos ou desvios perpetrados, porque os

agentes políticos não substituem o Estado.

Representam-no.

Ao fim, pode-se dizer que se as virtudes da

firmeza e da fortaleza, que são virtudes éticas

da República, acolhem, todavia, bandeiras de

luta mentecapta, primitiva ou fisiológica, de

nada adiantam, porque não seriam aplicadas

como ferramentas edificantes da sociedade,

senão como argumento de manutenção de

privilégios que mais não se reconhecem como

válidos na contemporaneidade, à vista do que

se passa nos humores dos intérpretes da norma.

É preciso saber onde se pretende aplicar tanta

firmeza e tanta fortaleza para se avaliar se vale

a pena fazê-lo.

Como dito, firmeza e fortaleza,

isoladamente, não dizem coisa alguma

aos representados. São virtudes neutras e

neutralidade alguma impulsiona os ideais dos

grupamentos humanos. É preciso arte para

falar muito e não dizer nada.

Portanto, de acordo com a Teoria Política,

as virtudes republicanas só se prestam às

finalidades para as quais são concebidas se forem

consubstanciais aos valores da sociedade para a

qual deve estar a serviço. Caso o fenômeno não

se materialize a contento, a solução é alternar

o exercício do poder em todas as instâncias e

esferas nas quais o funcionamento republicano

claudique ou deixe de realizar as suas finalidades

públicas.

_____________________________________

Referências:

https://blogdosilvinhosilva.blogspot.com/2019/12/decisao-e-virtude-na-republica.html


12 DEZEMBRO/ 2019

Entre a

sobremesa e o

cafezinho

Renata Quiroga

Psicanalista

Coordenadora do Serviço Social em Psicologia, em Psicopedagogia,

em Psicanálise da Paróquia São Francisco de Paula.

família constitui-se em um sistema de alta complexidade

organizacional. Crenças e valores pró-

A

prios articulam-se com o objetivo de manter a sobrevivência

de seus membros e de sua própria instituição.

A condição intrínseca à própria história do homem

revela-se por ser a unidade social mais primária da

qual pertence a espécie humana.

Sob a perspectiva histórica, o homem sedentário

já organizava-se em grupos pelo matrimônio ou a

partir de um ancestral. Unidos por laços sanguíneos

e vivendo à sombra do patriarca, os clãs sustentavam

a identidade cultural e patrimonial de seus

agrupamentos sociais.

Desde sempre, a família ofereceu ao sujeito

espaço para socialização, exercício de cidadania e

desenvolvimento individual determinados por suas

características e dinâmicas. Das primeiras formações

até a atualidade, houve diversas transformações

no semblante da instituição família. As mudanças

foram multi determinadas por questões pertinentes

aos próprios membros ou alterações nos contextos

políticos e sociais.

Cada período de transição sócio-política e do

próprio ciclo vital, consegue exercer no grupo familiar

pressão capaz de convocá-lo à adaptação. Este ajuste

faz-se necessário à garantia do desenvolvimento

psicossocial dos indivíduos pertencentes ao

agrupamento.

Dessa forma, a estrutura familiar é definida,

intrinsecamente, na relação com o momento

histórico no qual está mergulhada a sociedade que lhe

organiza. Mudanças externas impactam importante

efeito nos grupos familiares. Aliado a isso, a família é

peça fundamental para formação e determinação do

funcionamento psíquico e comportamento de seus

membros.

O percurso da família através dos tempos é a

base da construção do indivíduo sob a perspectiva do

desenvolvimento humano. A família pré-moderna

ou extensa, refere-se ao formato familiar existente

entre os séculos XVI e XVIII. Neste, co-habitavam

no espaço físico, não somente o casal parental, mas

também pais, filhos, netos e agregados.

O predomínio do comando era patriarcal.

O pai possuía poder quase absoluto e autoridade

indubitável, homens e mulheres viviam em ampla

desigualdade. No contexto deste período, pela


NOSSOS PASSOS

perspectiva religiosa, Deus era soberano; no espaço

político a soberania era do Rei e; no universo

familiar o pai era supremo. Dessa forma Deus/pai/

rei constituía-se em uma tríade de poder contínuo

na qual cada figura apoiava-se no poderio da outra.

A figura feminina era restrita à procriação e

ao trabalho doméstico, tendo na ordem social uma

imagem totalmente desvalorizada e submissa ao

poder masculino vertical.

As crianças eram consideradas mini-adultos,

recebiam educação através de atividades domésticas,

em função de não frequentarem as escolas.

O espaço familiar fornecia extrema importância

aos idosos, considerados os guardiões da sabedoria e

da memória. Estes tinham a função de transmitir, de

forma viva, os saberes e valores da historia familiar.

A família moderna passou a questionar a

problemática do patriarcado, fazendo com que a

figura soberana do pai desse lugar à uma paternidade

ética. Torna-se uma família mais restrita, sem a

participação de avós e outros membros no convívio

em um mesmo ambiente.

13

Como herança da Revolução Francesa e da

Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão

(1789), a família nuclear experiência o fim da relação

hierárquica entre homens e mulheres. Contudo, em

uma tentativa de recuperação do poder, o patriarcado

enfatiza a competição entre os sexos: O exercício da

maternidade e cuidados com o lar como funções

principais da mulher versus a posição clássica

masculina de comando familiar, fundamentam uma

nova questão ético-política.

A idealização da riqueza saiu da expansão

territorial do passado à procura de qualidade de vida.

A busca de excelentes condições de saúde e educação

formam o novo paradigma de prosperidade dos povos.

Nesse cenário os novos arranjos e papéis

são desenhados: pelo idoso como símbolo de

improdutividade, destinando-se a ele um lugar

marginalizado pela associação à morte social; pela

criança como representante do futuro e, portanto alvo


14 DEZEMBRO/ 2019

de grande investimento médico e pedagógico; pelo

homem ainda como detentor do domínio do mercado

de trabalho e gestão do espaço público e; pela mulher

como a responsável pelo investimento doméstico de

zelar pelas crianças.

Nos tempos modernos, esse novo formato

familiar viveu a chegada, de outras figuras femininas:

a infanticida em seu estado puerperal que abandona

ou mata seus filhos; a ninfomaníaca e sua inesgotável

volúpia e; a prostituta.

A psicanálise freudiana via nesse panorama o

imaginário daquelas mulheres que não passavam suas

fantasias às experiências e moviam-se em direção

à produção de neuroses. A Histeria e a melancolia

ganharam força e montaram as peças desse quebracabeças

do ideário feminino no início do século XX.

O movimento feminista que retirou as

mulheres de um lugar circunscrito à maternidade

e as lançou em outras conquistas, produziu grandes

transformações sociais para o mundo contemporâneo.

O casamento dissociou-se da ideia de eterno e não é

mais a base da família; novas conjugações das figuras

parentais trouxe aos filhos um outro olhar sobre

as representatividades da autoridade; surgiram as

famílias mono parentais, nas quais os filhos ficam

sob os cuidados de somente um dos pais; e as família

handicapé definidas pela incompletude funcional e

entrega da educação dos filhos para as instituições de

ensino.

O idoso resgata certa parte de sua colocação

na sociedade que vê na terceira idade alvo de ações

sociais e políticas públicas ligadas ao lazer e ao esporte.

A contemporaneidade assiste a busca da mãe

por alocar-se existencialmente diferente de outras

épocas. Ocorre uma afetação na subjetividade infantil

como desinvestimentos narcísicos e aumento da

tirania infanto-juvenil, a exemplo do bullying.

A família diminuiu sua robustez no viés

da autoridade, surgiram patologias psicológicas

como síndromes do pânico, melancolia, transtornos

compulsivos de abuso álcool e drogas e outras

relacionadas a transtornos alimentares.

maravilha tecnológica, as relações interpessoais

sofreram seus danos com a intermediação midiática

da empatia. A paisagem do espaço de convivência

é bastante semelhante em diversos lugares: todos

refletidos sobre a tela do celular e outros dispositivos

eletrônicos.

Não há retrocesso possível para o mundo na

palma das mãos. Seria, inclusive, uma grande perda

para a humanidade caso voltássemos aos processos

arcaicos de comunicação e desenvolvimento

tecnocientífico.

Contudo, nos sítios de convivência, a

interlocução é, na maioria das vezes, intervencionada

por representações gráficas cuja função é comunicar

uma ideia, emoção ou sentimento. Não só os

conhecidos emojis funcionam como doublé do

corpo emocional do sujeito. Curtidas, seguidores e

outros jargões das redes sociais cumprem o papel

de transmitir a fruição relacional dos indivíduos da

contemporaneidade.

A grande questão que esta forma de relação

convoca para questionamento fala sobre a distância

e pouca nitidez entre as pessoas. Enquanto, se está

em um show no qual a grande parte filma o que está

acontecendo ao vivo, corremos o risco de sermos

o hard disk(HD) externo de nosso próprio celular.

Nossa memória não vai registrar o amalgamento

dos fatos e suas respectivas emoções; vai sequer,

rever o que se viveu, ao vivo e a cores, em seu post

social.

A tecnologia e sua genialidade aproximaram os

universos e distanciaram os diálogos. O Iluminismo

nos trouxe o gigantismo da mecanização que hoje

tão bem é representado pelas redes sociais… a vida

alheia que nos alheia à vida.

Qualquer que seja a forma familiar vigente, a

representatividade simbólica da mesa do jantar deve

ser reinventada sob o entendimento de se resgatar a

dialética entre seus membros. Iluminar as relações

pela via da palavra pode ser uma boa ideia para

acontecer entre a sobremesa e o cafezinho.

Além da soma de tantas transformações,

a atualidade é bastante definida pela presença da

tecnologia da comunicação. A despeito de toda

A conversa une, esclarece, aproxima e acolhe a

todos, com o objetivo de fazermos a caminhada das

mãos dadas sobre o trilho da solidariedade.


NOSSOS PASSOS

15

Como peregrinar à Terra

Santa ajuda a fortalecer a

fé dos cristãos?

Por David Ramos

Pe. Juan Solana, diretor do Pontifício Instituto Notre

Dame, em Jerusalém, e do Centro Magdala,

na terra de Maria Madalena, destacou que, quando

um cristão peregrina “à Terra Santa, dimensiona e

contextualiza a pessoa, a vida e os ensinamentos de

Jesus”.

Em diálogo com ACI Prensa – agência em

espanhol do Grupo ACI – o sacerdote mexicano disse

que “a fé dos cristãos se baseia em ensinamentos: o que

minha mãe me ensinou, o que aprendi no catecismo, o

que aprendi na escola ou na paróquia”.

Para muitas pessoas, disse, esses ensinamentos

podem ser confundidos com “contos bonitos e

inspiradores”. “E muitas vezes, perde-se a dimensão

da realidade”, acrescentou.

O sacerdote recordou que, anos atrás, “vieram

dois peregrinos italianos, fundamentalmente católicos

de origem. Entraram aqui (no Instituto) Notre Dame

depois de terem feito a Via Dolorosa, e os dois me

disseram, com lágrimas nos olhos: Padre è vero, Padre

é verdade. O que aprendemos como contos bonitos,

edificantes, é verdade, é uma história verdadeira e

Jesus Cristo é uma pessoa verdadeira”.

“Posso levá-lo ao Monte Arbel, que é um

monte que amo muito, fica ao lado de Magdala

e, a partir daí, mostrar quase todos os elementos

que Jesus Cristo menciona em seus ensinamentos

do Evangelho. Fala sobre os pássaros, as flores, o

semeador, o campo de trigo, o joio, o pescador,

os barcos. Tudo o que Jesus Cristo menciona no

Evangelho, eu posso lhe mostrar daquele lugar”.

“Passar dessa dimensão do ensinamento bonito

de uma criança de Primeira Comunhão para o

realismo de uma história verdadeira é muito

importante para a nossa fé”, destacou.

O sacerdote, membro dos Legionários de Cristo,

lembrou que São João Paulo II, perto do final de seu

pontificado, encomendou à congregação mexicana o

Pontifício Instituto Notre Dame em Jerusalém, “que é

uma casa de peregrinos em Jerusalém”.

“Assim que chegamos, pouco tempo depois,

percebemos que Jerusalém e seus arredores eram

apenas uma parte da peregrinação, na Judeia. A

outra parte fica ao norte, na Galileia, onde fica

Nazaré, o mar da Galileia, o monte Tabor, Caná,

Cafarnaum”.

“Já estávamos em Jerusalém, em Notre Dame,

faltava o complemento, a outra perna para poder

caminhar e essa outra perna foi pensar em uma casa

de peregrinos na Galileia”, disse, explicando assim

como decidiram começar os trabalhos para o que

é hoje o Centro Magdala, na cidade de Santa Maria

Madalena.

“No começo, não sabíamos onde seria feito.

Com o tempo, soube que um terreno em Magdala

estava à venda; era um hotel antigo e abandonado,

chamado Hawaii Beach. Quando me disseram

que estava à venda, fui visitá-lo, adorei o local e

pudemos realizar a compra e planejar a casa dos

peregrinos em Magdala”, afirmou.


16 DEZEMBRO/ 2019

O Centro Magdala foi inaugurado em 24 de

novembro e contou com a presença de convidados

importantes. Entre eles, estava o Administrador

Apostólico do Patriarcado Latino de Jerusalém, Dom

Pierbattista Pizzaballa.

Dom Pizzaballa disse à ACI Prensa, que a terra

de Maria Madalena “nos recorda, antes de tudo, a

misericórdia de Deus através de Jesus, e também

a importância de nos tornarmos testemunhas do

Ressuscitado”.

“A vida cristã é uma vida de anunciar que Cristo

é o Senhor, e Magdala é um dos lugares para anunciar

isso”, assinalou.

O Administrador Apostólico do Patriarcado

Latino de Jerusalém indicou que as obras arqueológicas

realizadas pela Universidade Anáhuac do México neste

centro de peregrinos, localizado em uma região onde

foram encontradas uma sinagoga e uma cidade do século

I, “é muito importante porque testemunha que o que

acreditamos é uma história que podemos tocar, não é

apenas uma narrativa que alguém inventou, é algo real”.

“E as pedras são as primeiras testemunhas,

através delas podemos realmente acreditar que Jesus

esteve aqui e o que está escrito nos Evangelhos é

verdade”, disse.

Pe. Solana enfatizou que a Terra Santa

“é como um laboratório de muitas coisas,

um laboratório religioso, ecumênico, social,

político, tecnológico. A Terra Santa está em

uma encruzilhada, inclusive de continentes,

geográfica, muito importante. Sempre teve essa

importância”.

“Aqui se encontram pessoas de muitas

religiões, de muitos grupos. Haverá pelo menos

12 ou 15 grupos cristãos diferentes, o judaísmo

que também está dividido em muitos grupos,

nem todos são iguais, nem todos pensam o

mesmo. O Islã é a mesma coisa, existem os dois

grandes grupos do Islã ”, disse.

Embora na Terra Santa exista “um diálogo

religioso um pouco mais formal, entre líderes,

entre pensadores, uma discussão ecumênica

e inter-religiosa”, Pe. Solana destacou que na

região “existe uma dimensão ecumênica e interreligiosa

do dia a dia. As pessoas se conhecem,

são vizinhos, trabalham juntos, têm amigos, é

normal, com muita espontaneidade”.

_____________________________________

Referência

https://www.acidigital.com/noticias/como-peregrinar-a-terrasanta-ajuda-a-fortalecer-a-fe-dos-cristaos-25428


NOSSOS PASSOS

17

Thor, São Bonifácio e

a origem da árvore de

Natal

Quando pensamos em um santo, talvez em um

primeiro momento não consideramos que

essa pessoa seja ousada, empunhe um machado, um

martelo ou que derrube árvores como os carvalhos.

Entretanto, existe um santo assim, conhecido como

São Bonifácio.

Este santo nasceu na Inglaterra por volta

do ano 680. Bonifácio ingressou em um mosteiro

beneditino antes de ser enviado pelo Papa

para evangelizar os territórios que pertencem

a atual a Alemanha. Primeiro foi como um

sacerdote e depois eventualmente como bispo.

Sob a proteção do grande Charles Martel

(conhecido como Carlos Magno), Bonifácio viajou

por toda a Alemanha fortalecendo as regiões que

já tinham abraçado o cristianismo e levou a luz

de Cristo àqueles que ainda não o conheciam.

A respeito deste santo, o Papa Bento XVI disse no

ano 2009 que “seu incansável trabalho, seu dom para

a organização e seu caráter flexível, amigável e forte”

foram fundamentais para o sucesso das suas viagens.

O escritor Henry Van Dyke o descreveu assim,

em 1897, em seu livro The First Christmas Tree, (A

primeira árvore de natal): “Que pessoa tão boa! Que

boa pessoa! Era branco e magro, mas reto como uma

lança e forte como um cajado de carvalho. Seu rosto

ainda era jovem; sua pele suave estava bronzeada

pelo sol e pelo o vento. Seus olhos cinzas, limpos e

amáveis, brilhavam como o fogo quando falava das

suas aventuras e das más ações dos falsos sacerdotes

aos quais enfrentou”.

Aproximadamente no ano 723, Bonifácio viajou

com um pequeno grupo de pessoas na região da Baixa

Saxônia. Ele conhecia uma comunidade de pagãos

perto de Geismar que, no meio do inverno, realizavam

um sacrifício humano (onde a vítima normalmente

era uma criança) a Thor, o deus do trovão, na base

de um carvalho o qual consideravam sagrado e

que era conhecido como “O Carvalho do Trovão”.

Bonifácio, acatando o conselho de um irmão

bispo, quis destruir o Carvalho do Trovão não

somente a fim de salvar a vítima, mas também

para mostrar àqueles pagãos que ele não seria


18 DEZEMBRO/ 2019

derrubado por um raio lançado por Thor.

O Santo e seus companheiros chegaram à aldeia

na véspera de Natal, bem a tempo para interromper

o sacrifício. Com seu báculo de bispo na mão,

Bonifácio se aproximou dos pagãos que estavam

reunidos na base do Carvalho do Trovão e lhes disse:

“Aqui está o Carvalho do Trovão e aqui a cruz de

Cristo que romperá o martelo do Thor, o deus falso”.

O verdugo levantou um martelo para matar

o pequeno menino que tinha sido entregue para o

sacrifício. Mas, o Bispo estendeu seu báculo para

impedir o golpe e milagrosamente quebrou o grande

martelo de pedra e salvou a vida deste menino.

Logo, dizem que Bonifácio disse ao povo:

“Escutai filhos do bosque! O sangue não fluirá esta

noite, a não ser que piedade se derrame do peito de

uma mãe. Porque esta é a noite em que nasceu Cristo,

o Filho do Altíssimo, o Salvador da humanidade. Ele

é mais justo que Baldur, maior que Odim, o Sábio,

mais gentil do que Freya, o Bom. Desde sua vinda,

o sacrifício terminou. A escuridão, Thor, a quem

chamaram em vão, é a morte. No profundo das

sombras de Niffelheim ele se perdeu para sempre.

Desta forma, a partir de agora vocês começarão a

viver. Esta árvore sangrenta nunca mais escurecerá

sua terra. Em nome de Deus, vou destruí-la”.

a árvore, inclusive as suas raízes. A árvore

caiu no chão, quebrou-se em quatro pedaços.

Depois deste acontecimento, o Santo construiu

uma capela com a madeira do carvalho, mas esta história

foi muito além das destruições da poderosa árvore.

O “Apóstolo da Alemanha” continuou pregando

ao povo alemão que estava assombrado e não podia

acreditar que o assassino do Carvalho de Thor não

tivesse sido ferido por seu deus. Bonifácio olhou mais

à frente onde jazia o carvalho e assinalou um pequeno

abeto e disse: “Esta pequena árvore, este pequeno

filho do bosque, será sua árvore santa esta noite. Esta

é a madeira da paz…É o sinal de uma vida sem fim,

porque suas folhas são sempre verdes. Olhem como

as pontas estão dirigidas para o céu. Terá que chamálo

a árvore do Menino Jesus; reúnam-se em torno

dela, não no bosque selvagem, mas em seus lares;

ali haverá refúgio e não haverá ações sangrentas,

mas presentes amorosos e gestos de bondade”.

Desta forma, os alemães começaram uma

nova tradição nessa noite, a qual foi estendida

até os nossos dias. Ao trazer um abeto a seus

lares, decorando-o com velas e ornamentos e ao

celebrar o nascimento do Salvador, o Apóstolo

da Alemanha e seu rebanho nos mostraram o

que hoje conhecemos como a árvore de Natal.

Então, Bonifácio pegou um machado que

estava perto dele e, segundo a tradição, quando o

brandiu poderosamente ao carvalho, uma grande

rajada de vento atingiu o bosque e derrubou

_____________________________________

Referência

https://www.acidigital.com/noticias/thor-sao-bonifacio-e-aorigem-da-arvore-de-natal-74529


NOSSOS PASSOS

Papa Francisco adverte

19

que o presépio é um

sinal de nossa fé que

não deve se perder

Papa Francisco disse que o presépio de Natal é “um

O sinal simples e admirável da nossa fé e que não

deve ser perdido”, porque é “uma maneira genuína de

comunicar o Evangelho, num mundo que às vezes parece

ter medo de recordar o que é realmente o Natal”.

Assim indicou o Santo Padre, quando recebeu em

audiência, em 5 de dezembro, as delegações das regiões

italianas de Trento e Veneto, que, neste ano, doaram a

árvore de Natal e os presépios da Praça de São Pedro e

da Sala Paulo VI do Vaticano

Em seu discurso, o Pontífice recordou que em 1º

de dezembro visitou a cidade de Greccio para visitar o

local onde São Francisco fez o primeiro presépio e onde

publicou a Carta Apostólica Admirabile signum.

Sobre o presépio, o Santo Padre enfatizou que “é

sinal simples e admirável da nossa fé e que não deve ser

perdido, pelo contrário, é bonito que seja transmitido

de pais para filhos, de avós para netos”.

“É uma maneira genuína de comunicar o

Evangelho, num mundo que às vezes parece ter medo

de recordar o que é realmente o Natal, e cancela os sinais

cristãos para manter somente os de um imaginário

banal e comercial”, advertiu o Papa.

Além disso, o Papa Francisco expressou seu

afeto pelos povos das províncias de Trento, Vicenza e

Treviso, em particular de algumas localidades situadas

nos territórios das dioceses de Trento, Pádua e Vittorio

Veneto e recordou que essas áreas da Itália sofreram

uma forte tempestade no outono passado “que devastou

muitas áreas das três províncias do Veneto”.

“O encontro de hoje me dá a oportunidade

de renovar meu incentivo para as suas populações,

que no ano passado sofreram uma catástrofe natural

Por Mercedes de la Torre

devastadora, que destruiu florestas inteiras. Trata-se de

eventos que assustam, são sinais de alarme que a criação

envia, e que nos pedem para tomar imediatamente

decisões eficazes para preservar a nossa casa comum”,

afirmou.

Além disso, o Pontífice destacou que nesta noite

se acenderão as luzes que enfeitam a árvore de Natal

na Praça de São Pedro que permanecerá junto com o

presépio até o final das festas natalinas e “ambos serão

admirados por numerosos peregrinos de todo o mundo”,

por isso agradeceu “por estes presentes e também pelas

árvores menores destinadas a outros locais do Vaticano”.

“Gostei muito de saber que, para substituir as

plantas removidas, serão plantados 40 abetos que

reintegrarão as florestas severamente danificadas pela

tempestade de 2018”, afirmou.

Sobre o abeto vermelho doado, o Papa explicou

que “representa um sinal de esperança especialmente

para as vossas florestas, de modo que possam ser

depuradas e dar início, assim, à obra de reflorestamento”.

Por outro lado, sobre o presépio, o Pontífice

enfatizou que está feito “quase inteiramente de madeira

e composto por elementos arquitetônicos característicos

da tradição de Trento que ajudarão os visitantes a

saborearem a riqueza espiritual do Natal do Senhor” e

acrescentou que “os troncos de madeira, provenientes

das regiões atingidas pelas tempestades, que servem de

pano de fundo à paisagem, ressaltam a precariedade da

Sagrada Família naquela noite em Belém”.

Ao concluir seu discurso pronunciado na Sala

Paulo VI do Vaticano, o Santo Padre contemplou

brevemente “o presépio artístico de Conegliano, que


20 DEZEMBRO/ 2019

também ajudará a contemplar a humilde gruta onde o

Salvador nasceu” e desejou-lhes de coração “a todos os

habitantes dessas regiões, que passem o Natal do Senhor

com serenidade e fraternidade”.

vítimas do temporal de outubro e novembro de 2018 que

devastou várias áreas de Triveneto. Como recordação

desse desastre, serão incluídos alguns pedaços de

madeira provenientes das áreas afetadas pela inundação.

“Que a Virgem Maria, que acolheu o Filho de

Deus na debilidade da natureza humana, ajude-nos a

contemplá-lo no rosto dos que sofrem e que nos sustente

em nosso compromisso de ser solidários com as pessoas

mais frágeis”.

SOBRE O PRESÉPIO E A ÁRVORE DE NATAL

DESTE ANO

O presépio provém da localidade de Scurelle, na

província italiana de Trento, enquanto a árvore, um

abeto vermelho de 26 metros de altura e 70 centímetros

de diâmetro, provém do Planalto de Asiago.

A inauguração da iluminação do presépio e

da árvore aconteceu hoje, 5 de dezembro, com uma

cerimônia presidida pelo Cardeal Giuseppe Bertello,

presidente da Governatorato do Estado da Cidade

do Vaticano, e pelo Bispo Fernando Vérgez Alzaga,

secretário-geral.

O presépio colocado na Praça de São Pedro é feito

quase inteiramente de madeira. É composto por dois

elementos arquitetônicos característicos da tradição

trentina.

É composto por cerca de 20 figuras de tamanho

natural (cerca de 1 metro e 80 centímetros) de madeira

policromada. A Sagrada Família ficará embaixo da

estrutura maior.

Ao redor da cena central, haverá um espaço para

os demais personagens: os Reis Magos, os pastores, os

animais, os objetos e as plantas.

Além disso, haverá uma memória especial para as

O abeto vermelho, que será usado como árvore de

Natal, provém de florestas do território dos municípios

italianos de Rotzo, Pedescala e San Pietro. A superfície

florestal se estende por uma área de mais de 1.880

hectares, na qual se encontra a maior parte das espécies

de abeto vermelho, abeto branco e outros exemplares

autóctones.

Como de costume, para cada árvore extraída

para ser usada como árvore de Natal, serão plantados

40 abetos, uma medida que visa contribuir para a

restauração ecológica dessas florestas seriamente

danificadas pela tempestade de 2018.

O segundo presépio colocado dentro da Sala Paulo

VI é um conjunto de esculturas procedente da localidade

italiana de Conegliano, na província de Treviso.

A estrutura recordará as construções geométricas

de inspiração gótica, com arcos ogivais que se cruzam em

uma disposição radial. Junto ao presépio estará presente

um capitel que representa a célebre obra “Madona com

Bambino”, do pintor renascentista Cima da Conegliano.

As figuras que serão introduzidas no presépio têm

um tamanho de 125 centímetros e estarão vestidas com

trajes típicos da tradição Veneto.

A árvore e o presépio estarão expostos na Praça

de São Pedro, no Vaticano, até a conclusão do Natal, que

coincide com a festa do Batismo do Senhor, no domingo,

12 de janeiro de 2020.

_____________________________________

Referência:

https://www.acidigital.com/noticias/papa-francisco-adverte-

-que-o-presepio-e-um-sinal-de-nossa-fe-que-nao-deve-se-

-perder-48356


NOSSOS PASSOS

21

Hoje a Igreja celebra São

Nicolau, padroeiro das

crianças

Seria um pecado não repartir muito, sendo que

Deus nos dá tanto, costumava dizer São Nicolau,

padroeiro das crianças, das moças solteiras, dos

marinheiros, dos viajantes e da Rússia, Grécia e Turquia.

Um azeite milagroso brota de seus restos, que

serviu para a cura dos doentes. Sua festa se celebra

neste dia 6 de dezembro.

Por se tratar de um santo dos primeiros séculos,

pouco se sabe com exatidão a respeito dele, salvo que

nasceu na Licia (atual a Turquia), em uma família muito

rica. Tinha um tio Bispo que o ordenou sacerdote.

Seus pais morreram ajudando os doentes de

uma epidemia e deixaram uma fortuna para Nicolau.

Entretanto, o jovem decidiu reparti-la entre os pobres

e tornar-se monge. Mais tarde, peregrinou ao Egito e à

Palestina, onde conheceu a Terra Santa.

Ao retornar, chegou à cidade de Mira, na Turquia,

onde os bispos e sacerdotes discutiam no templo

sobre quem devia ser eleito novo Bispo da cidade. Ao

final, decidiram que seria o próximo sacerdote que

ingressasse no recinto. Nesse momento, São Nicolau

entrou e foi eleito Prelado por aclamação de todos.

Mas, teve início uma perseguição promovida

pelo imperador Diocleciano contra os cristãos e ele

foi preso, sendo libertado apenas quando o imperador

Constantino subiu ao trono.

“Graças aos ensinamentos de Nicolau, a

metrópole de Mira foi a única que não se contaminou

com a heresia ariana, a qual rechaçou firmemente,

como se fosse um veneno mortal”, dizia São Metódio.

O arianismo negava a divindade de Jesus Cristo. Dessa

forma, São Nicolau combateu incansavelmente o

paganismo.

Defensor da justiça, salvou três jovens de ser

executados, vítimas de um suborno do governador

Eustácio, que logo se arrependeu ao ser repreendido

por São Nicolau.

Três oficiais foram testemunhas destes fatos e,

posteriormente, quando estavam em perigo de morte,

rezaram a São Nicolau. O santo apareceu em sonhos

a Constantino e lhe ordenou que os libertasse porque

eram inocentes.

Após os soldados dizerem ao imperador que

tinham invocado São Nicolau, ele os libertou, com

uma carta ao Bispo, em que lhe pedia que rezasse pela

paz no mundo.

O santo é patrono dos marinheiros porque,

em meio a uma tempestade, alguns marinheiros

começaram a clamar: “Oh Deus, pelas orações de nosso

bom Bispo Nicolau, nos salve”. Nesse momento, contase,

apareceu São Nicolau sobre o navio, abençoou o mar

e este se acalmou. Em seguida, o Bispo desapareceu.


22 DEZEMBRO/ 2019

Segundo o costume do Oriente, os marinheiros

do mar Egeu e do Jônico têm uma “estrela de São

Nicolau” e desejam boa viagem dizendo: “Que São

Nicolau leve seu leme”.

Narra-se também que três meninos foram

assassinados e jogados em um barril de sal. Mas, pela

oração de São Nicolau, os infantes voltaram para a

vida. Por isso, é padroeiro das crianças e costuma ser

representado com três pequenos ao seu lado.

Outra lenda narra que na Diocese de Mira havia

um vizinho em extrema pobreza que decidiu expor

suas três filhas virgens à prostituição para que todos

eles pudessem sobreviver.

São Nicolau, procurando evitar que isto

acontecesse e na escuridão da noite, jogou pela

chaminé da casa daquele homem uma bolsa com

moedas de ouro. Com o dinheiro, a filha mais velha

se casou.

Quis o santo fazer o mesmo em benefício das

outras duas, mas na segunda ocasião, depois de atirar

a bolsa sobre a parede do pátio da casa, acabou sendo

descoberto pelo pai das jovens, que lhe agradeceu por

sua caridade.

São Nicolau partiu para a Casa do Pai em 6 de

dezembro, mas não sabe com exatidão se foi no ano

345 ou 352. Mais tarde, sua devoção aumentou e

foram reportados inúmeros milagres.

No século VI, o imperador Justiniano construiu

uma Igreja em Constantinopla (hoje Istambul) em sua

honra e o santo se tornou popular em todo o mundo.

São Nicolau é patrono da Rússia, Grécia e

Turquia. Além disso, é honrado em cidades da Itália,

Holanda, Suíça, Alemanha, Áustria e Bélgica.

Em 1087 seus ossos foram resgatados de Mira,

que já estava sob domínio dos muçulmanos, e levados

para Bari, na costa da Itália. Por isso, é chamado São

Nicolau de Mira ou São Nicolau de Bari. Suas relíquias

repousam na Igreja de “San Nicola de Bari”, na Itália.

De seus restos mortais brota um azeite conhecido

como o “Manna di S. Nicola”. Em Mira, dizia-se que “o

venerável corpo do bispo, embalsamado no azeite da

virtude, suava uma suave mirra que lhe preservava da

corrupção e curava os doentes, para glória daquele que

tinha glorificado Jesus Cristo, nosso verdadeiro Deus”.

Sua figura bondosa e caridosa passou a ser

associada em muitos lugares a figura do Papai Noel

nos países latinos, que traz presentes para as crianças

na Noite de Natal. Na Alemanha, é Nikolaus, e nos

países anglo-saxões, Santa Claus. Neste período, este

simbolismo deve remeter a São Nicolau e, assim,

recordar a todos do amor e caridade para com as

crianças e os mais pobres, além da alegria de servir a

Deus.

_____________________________________

Referência:

https://www.acidigital.com/noticias/hoje-a-igreja-celebra-sao-

-nicolau-padroeiro-das-criancas-11585


NOSSOS PASSOS

23

A Carta de São Judas: uma

resposta à atual crise da Igreja

Por Eric Sammons

Tradução: Equipe FratresInUnum.

Nos dias atuais, muitos católicos estão

desesperados para ouvir palavras de encorajamento

e orientação por parte dos bispos, sucessores dos

Apóstolos. Mas, e se eu lhe disser que essas palavras

já nos foram dirigidas por um dos doze Apóstolos?

A Carta de São Judas é escrita pelo mais

desconhecido dos autores do Novo Testamento. A

carta em si também é pouco conhecida, escondida

no Novo Testamento entre as três cartas do apóstolo

João e seu livro do Apocalipse. Ela nunca é incluída

nas leituras de domingo nos calendários da Forma

Ordinária ou da Extraordinária, e é incluída apenas

uma vez a cada dois anos nas leituras dos dias da

semana na Forma Ordinária (mais precisamente, no

sábado da 8.a Semana do Tempo Comum, no ano

par). Portanto, você está perdoado se não estiver

familiarizado com essa epístola.

Apesar disso, a breve Carta de São Judas parece

ter sido escrita hoje por um bispo preocupado,

abordando a crise atual da Igreja. E, em certo sentido,

podemos dizer que é sim, pois toda a Escritura é

atemporal, e o Espírito Santo a inspira de tal maneira

que é sempre aplicável aos nossos tempos. Podemos

ver que esse mistério é abundantemente claro no

caso da Carta de São Judas.

Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de

Tiago, aos eleitos bem-amados em Deus Pai

e reservados para Jesus Cristo. Que a

misericórdia, a paz e o amor se realizem em

vós copiosamente. Caríssimos, estando eu

muito preocupado em vos escrever a respeito

da nossa comum salvação, senti a

necessidade de dirigir-vos esta carta para

exortar-vos a lutar pela fé, confiada de uma

vez para sempre aos santos. Pois certos

homens ímpios se introduziram

furtivamente entre nós, os quais desde

muito tempo estão destinados para este

julgamento; eles transformam a graça de

nosso Deus em libertinagem e negam Jesus

Cristo, nosso único Mestre e Senhor (1,

1-4).

Nessa breve carta, São Judas não perde tempo,

vai logo ao que interessa. Parece que ele originalmente

queria escrever uma carta mais teológica, porém, em

vez disso, as circunstâncias exigiam que ele exortasse

seu público a “lutar pela fé” contra os “homens

ímpios”. Essa fé não é fruto de uma invenção; antes, foi

“confiada” à Igreja. Em outras palavras, não podemos

mudar ou moldar a fé à nossa própria imagem, mas

devemos lutar para proteger o depósito revelado da

fé.


24 DEZEMBRO/ 2019

Essa também é a luta de hoje. Certas forças

estão oprimindo a Igreja, exigindo a rejeição dos

ensinamentos que nos foram revelados, e somos

chamados a lutar pela fé contra elas.

É importante ressaltar que o perigo contra

o qual São Judas está advertindo não vem de fora

da Igreja, mas de seu interior. São os membros da

Igreja que obtiveram a admissão “furtivamente”

(mas que estão “destinados para… julgamento”)

que representam o evidente perigo dos dias atuais.

Como eles se tornaram perigosos? Transformando

“a graça de nosso Deus em libertinagem”. Em outras

palavras, eles ostentam a misericórdia de Deus a fim

de justificar todas as formas de imoralidade (isso lhe

soa familiar?). Ao fazer isso, eles “negam Jesus Cristo,

nosso único Mestre e Senhor”.

Quisera trazer-vos à memória, embora

saibais todas estas coisas: o Senhor, depois

de ter salvo o povo da terra do Egito, fez

em seguida perecer os incrédulos. Os anjos

que não tinham guardado a digni dade de

sua classe, mas abandonado os seus tronos,

Ele os guardou com laços eternos nas

trevas para o julgamento do Grande Dia.

Da mesma forma, Sodoma, Gomor ra e as

cidades circunvizinhas, que praticaram as

mesmas impurezas e se entregaram a vícios

contra a natureza, jazem lá como exemplo,

sofrendo a pena do fogo eterno (Jd 1, 5-7).

Como nos diz o Eclesiastes, “não há nada de

novo sob o sol” (Ecl 1, 9). Ao longo da história da

salvação, até que o Senhor volte, haverá aqueles

que o negam e procuram enfraquecer o seu povo.

No entanto, o que São Judas quer deixar claro aos

seus leitores é que Deus irá intervir. E a intervenção

divina será contundente: aqueles que se opõem a Ele

enfrentarão a “pena do fogo eterno”.

Embora, em nossos dias, muitas pessoas recuem

diante dessa linguagem, deve ser um conforto, para

aqueles que são fiéis a Deus, saber que a justiça

chegará, no devido tempo, àqueles que o rejeitaram.

Assim também estes homens, em seu

louco desvario, contaminam igualmente

a carne, rejeitam a autoridade divina e

maldizem os que estão na glória (Jd 1, 8).

Os homens ímpios que se infiltraram na Igreja

“contaminam a carne”. Essa é uma referência clara

à imoralidade sexual, que está sempre em voga,

embora haja momentos — como o de São Judas e o

nosso — em que ela está difundida na cultura. Hoje,

tal imoralidade se manifesta na homossexualidade

generalizada entre o clero, incluindo crimes horríveis

de abuso cometidos por muitos padres e até bispos.

Da mesma forma, os ímpios “rejeitam a

autoridade”. Outra tradução pode ser “escarnecer” ou

“desprezar” a autoridade. Ou seja, eles não respeitam

a autoridade de Deus ou de seus ministros. E nos casos

em que são os próprios ministros, eles desprezam a

autoridade que lhes foi confiada por Deus e abusam

de seus desígnios — assim como também abusam da

autoridade divina. Os bispos atuais que falham em

seu dever de defender e promover a fé estão rejeitando

a própria autoridade, e serão cobrados por isso.

Esses homens ímpios também “maldizem

os que estão na glória”. Não se contentam apenas

em apoiar a imoralidade; mas também zombam e

insultam aqueles que são fiéis a Deus. Talvez eles os

chamem de “rígidos” por aderir aos mandamentos

de Deus?

Ora, quando o arcanjo Miguel discutia

com o demônio e lhe disputava o corpo de

Moisés, não ousou fulminar contra ele uma

sentença de execração, mas disse somente:

“Que o próprio Senhor te repreenda” (Jd 1, 9).

Como podemos resistir a esses ímpios?

Voltando-se para o Senhor. São Miguel Arcanjo, que

lutou contra o diabo, não confiou em seu próprio


NOSSOS PASSOS

poder — por mais considerável que fosse — para

derrotar Satanás, mas primeiro pediu ao Senhor que

o repreendesse. Da mesma forma, ao enfrentar os

homens ímpios na Igreja, nosso primeiro passo não

deve ser recorrer às redes sociais para discutir com

eles, mas apelar à oração e à mortificação, pedindo o

auxílio do Senhor. Porém, lembre-se de que, no final,

São Miguel lutou contra Satanás; então, a oração e a

mortificação não são o último passo, mas o primeiro,

na luta contra nossos inimigos.

Estes, porém, falam mal do que ignoram.

Encontram eles a sua perdição naquilo

que não conhecem, senão de um modo

natural, à maneira dos animais destituídos

de razão. Ai deles, porque andaram pelo

caminho de Caim, e por amor do lucro

caíram no erro de Balaão e pereceram

na revolta de Coré (Jd 1, 10-11).

Os ímpios “falam mal do que ignoram”. Eles

desconhecem a beleza de mortificar a carne; e não

entendem a liberdade que resulta da submissão à

autoridade espiritual legítima; por isso, criticam.

Hoje, vemos isso nos constantes insultos e

condenações contra práticas e devoções mantidas

pelos católicos há séculos, como se essas coisas que

antes eram enaltecidas pela Igreja agora pudessem

ser rejeitadas por eles.

Qual é o erro de Balaão referido por São Judas?

No Apocalipse, São João nos diz que Balaão instigou

os filhos de Israel a “comer alimentos sacrificados

a ídolos e praticar a imoralidade” (Ap 2, 14). Tais

ações continuam a ser feitas hoje, com a tolerância

e, talvez, até com a participação de membros da

alta hierarquia da Igreja, como, por exemplo, na

idolatria pagã realizada no Sínodo da Amazônia e

na imoralidade sexual desenfreada entre os clérigos.

Tais erros não se limitaram a Balaão. São Judas diz

ainda que os ímpios serão como Coré, que se rebelou

contra Moisés e foi consumido pelo fogo divino (Cf.

Nm 16, 1–40).

Esses fazem escândalos nos vossos ágapes.

Banqueteiam-se convosco despudoradamente

e se saciam a si mesmos. São nuvens

sem água, que os ventos levam! Árvores

de fim de outono, sem fruto, duas vezes

mortas, desarrai gadas! (Jd 1, 12-13).

Quando esta carta foi escrita, o “ágape” era

25

uma refeição comunitária entre os cristãos, que

provavelmente ocorria ao final da celebração da

Eucaristia. São Judas está justamente condenando

aqueles que eram altamente despudorados durante

os Mistérios Sagrados. Infelizmente, o despudor

é comum na liturgia de hoje, com o sacrifício da

Missa tornando-se um momento em que se contam

piadas, tratando as rubricas com desinteresse e até

hostilidade, ou seja, um desrespeito geral pelos

mistérios celebrados.

Também Henoc, que foi o oitavo

patriarca depois de Adão, profetizou a

respeito deles, dizendo: Eis que veio o

Senhor entre milhares de seus santos,

para julgar a todos e confundir a todos os

ímpios por causa das obras de impiedade

que praticaram, e por causa de todas

as palavras injuriosas que eles, ímpios,

têm proferido contra Deus. Estes são

murmuradores descontentes, homens que

vivem segundo as suas paixões, cuja boca

profere palavras soberbas e que admiram

os demais por interesse (Jd 1, 14-16).

Embora possa não parecer, o Senhor irá

“julgar” todos os que se opõem a Ele. Nenhum ato

de impiedade será esquecido, e todos receberão

sua justa recompensa. Quando vemos corrupção e

imoralidade em todos os níveis da Igreja, tenhamos

presente que Deus não está cego para isso.

A descrição de São Judas sobre os vícios nos

quais estão afundados os inimigos de seu tempo

parece-nos bastante familiar:

“murmuradores descontentes”: aqueles

que se queixam dos ensinamentos

“difíceis” da Igreja, querendo relativizar

os mandamentos divinos a fim

de satisfazer os prazeres terrenos.

“homens que vivem segundo as suas

paixões”: basta olharmos para a

homossexualidade predominante no clero.

“cuja boca profere palavras soberbas”:

embora rejeitem a lei natural e a revelação

divina, eles falam em linguagem teológica

de forma fluente e sem escrúpulos.

“admiram os demais por interesse”:


26 DEZEMBRO/ 2019

são favoráveis aos poderosos deste

mundo, ansiosos para serem aceitos por

eles. Em quantos coquetéis um bispo

comum atende a políticos pró-aborto

sem dizer uma palavra de repreensão?

Mas vós, caríssimos, lembrai-vos das

palavras que vos foram preditas pelos

apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo,

os quais vos diziam: “No fim dos tempos

virão impostores, que viverão segundo

as suas ímpias paixões (Jd 1, 17-18);

Em tempos de crise, pode parecer que o Senhor

esqueceu-se de seu povo. No entanto, Jesus Cristo

advertiu que esses tempos de provação chegariam.

Quando vemos clérigos e prelados zombando do

catolicismo tradicional e abraçando os costumes

mundanos, podemos saber que este não é um caso de

Deus nos abandonando, mas um tempo de provações

e tribulações.

[…] homens que semeiam a

discórdia, homens sensuais que

não têm o Espírito (Jd 1, 19).

Se há uma coisa verdadeira sobre a situação

atual da Igreja, é que ela está dividida. Ao zombar

das verdades de fé e práticas tradicionais, os inimigos

de Deus estabelecem divisões na “unidade” da

Igreja. Eles tratam aqueles que são fiéis ao depósito

da fé como marginais, indignos de serem ouvidos,

dividindo, pois, profundamente a Igreja.

Mas vós, caríssimos, edificai-vos mutuamente

sobre o fundamento da vossa

santíssima fé. Orai no Espírito Santo.

Conservai-vos no amor de Deus,

aguardando a misericórdia de nosso Senhor

Jesus Cristo, para a vida eterna (Jd 1, 20-21).

Novamente, São Judas volta a tratar sobre o que

podemos fazer diante da heresia e da corrupção na

Igreja: “edificai-vos mutua mente sobre o fundamento

da vossa santíssima fé” através da oração e do amor de

Deus. A situação pode parecer desesperadora, porém,

com Deus ao nosso lado, sempre há esperança.

Para com uns exercei a vossa misericórdia,

repreendendo-os, e salvai-os, arrebatandoos

do fogo. Dos demais tende compaixão,

repassada de temor, detestando até a

túnica manchada pela carne (Jd 1, 22-23).

Embora existam os “homens ímpios” que

rejeitam os ensinamentos da Igreja, há também

muitas pessoas que são influenciadas por eles e

acabam questionando a própria fé. Junto a essas

pobres pessoas, precisamos agir para amenizar

suas dúvidas a fim de que possam ser salvas. Os

católicos comuns não são os “homens ímpios”

sobre os quais São Judas está advertindo — mas

são aqueles que precisamos salvar da miséria

causada pelos ímpios.

Àquele que é poderoso para nos preservar

de toda queda e nos apresentar diante

de sua glória, imaculados e cheios de

alegria, ao Deus único, Salvador nosso,

por Jesus Cristo, Senhor nosso, sejam

dadas glória, magni ficência, império e

poder desde antes de todos os tempos,

agora e para sempre. Amém. (Jd 1, 24-25).

Por fim, em todas as coisas — incluindo as

provações — devemos dar glória a Deus. Na crise

atual da Igreja, Deus permitiu, com sua vontade

condescendente, que a corrupção e a heresia

ocorressem de forma desenfreada. Mas devemos

lembrar-nos de duas coisas: i) essa não é uma situação

nova, pois os fiéis sempre estiveram em prontidão

contra os lobos que estão dentro do rebanho; ii)

mesmo nessa situação, Deus deve ser glorificado,

por termos a oportunidade de amadurecer a nossa

fé através de provações e tribulações.

Nos tempos difíceis de hoje, podemos

encontrar, na Carta de São Judas, conselhos que nos

guiarão enquanto lutamos pela fé contra os homens

ímpios, regozijando-nos porque, através dessas

provações e pela graça de Deus, podemos crescer

em santidade.

São Judas, rogai por nós!

_____________________________________

Referência

https://fratresinunum.com/2019/12/04/a-carta-de-sao-judas-uma-resposta-a-atual-crise-da-igreja/


NOSSOS PASSOS

27 26


28 29 DEZEMBRO/ 2019

In Lumine Tuo

Por Orlando Fedeli

In lumine tuo, videbimus lumen (Sl 36,10). Na tua

luz, veremos a luz. Estas palavras que a Santa Igreja

aplica propriamente a Jesus Cristo, Senhor Nosso,

podem ser também analogicamente referidas à Idade

Média. Porque, à luz dessa época, que marcou o

apogeu da Cristandade, pode-se contemplar a luz da

verdade católica, o “lumen Christi”.

“Idade Média, idade das trevas”. É o que

dizem os pseudo-eruditos dos subúrbios da cultura,

julgando-a uma era de ignorância e de fanatismo.

Entretanto, foi a pretensa idade das trevas e da

ignorância que fundou as universidades. Sorbonne,

Colônia, Oxford, Bolonha, eis alguns dos grandes

centros culturais que iluminaram a história.

A Idade Média, “idade das trevas”, era

apaixonada pela luz. E foi essa paixão que construiu

as catedrais góticas. Que é o estilo gótico senão uma

sede insaciável de luz do Sol e da luz do céu? Que é

ele senão a potência da luz unida à posia da pedra?


NOSSOS PASSOS

Georges Duby, em seu livro Le temps des

cathédrales, afirma que o gótico nasceu da teologia

da luz. Suger, abade de Saint Denis, quis fazer de sua

abadia uma obra arquitetônica que exprimisse na

pedra a teologia da luz, conforme está exposta na

obra do pseudo-Dionísio.

Segundo este autor, Deus é luz e cada criatura é

um reflexo da luz divina. O universo seria como uma

cascata de luzes hierarquicamente ordenadas.

A inteligência pode ascender essa escala de

reflexos até chegar à luz inefável da Divindade, pois

o criado conduz ao incriado. Deus, Luz absoluta, é

mais ou menos velado e revelado por cada criatura.

Essa é a chave para compreender o gótico, arte

de luminosidade e de irradiação progressiva. Os

mesmos princípios com que a teologia escolástica

reconhece no universo a luz de Deus, são aplicados

na arquitetura gótica. E assim, a catedral gótica é a

luz da teologia escolástica encarnada na poesia da

pedra, diz Duby.

Do estilo clássico ao românico, do românico

para o gótico, há um movimento contínuo da noite

enluarada para a aurora, e da aurora para a luz.

Todos os especialistas concordam com isto.

“A catedral é ordenada para captar a luz e guardála

como algo transformado, de imaterial, como se

pensava que ela fosse, nesta matéria muito rara e sutil

que é um vitral sob uma abóboda muito alta” (F.Cali

e S.Moulinier, L’Ordre Ogval).

Os vitrais, essa maravilha que a Idade Média

criou para “enobrecer a luz de Deus, para conferir-lhe

as irisações da ametista ou do rubi, para emprestarlhe

as cores das virtudes celestes” na feliz expressão

de Georges Duby, revelavam a insatisfação medieval

com o mundo atual, tornado menos brilhante pelo

pecado de Adão.

É a “saudade” da luz do paraíso original que

fez a Idade Média abrir as grandes janelas ogivais de

suas catedrais para que a luz do sol penetrasse, aos

borbotões e colorida, até o tabernáculo, onde está,

humílimo na sagrada hóstia, o Sol dos anjos.

A Idade Média não foi na História apenas um

vitral luminoso, ela foi também uma página dourada

de iluminura.

29

No silêncio das abadias, pela mão paciente dos

monges, ela copiava com letras de ouro os livros do

passado, adornando as páginas de sabedoria e ciência

com a luz da beleza. Sim, foi a idade das trevas que

criou os livros de iluminuras, cheios de luz, de graça,

de vida e de alegria.

Luz e alegria vêm sempre unidas. E a Idade

Média, enamorada pela luz, fez da tristeza o oitavo

vício capital. É de espantar que ela tenha esculpido

nos portais de Reims os anjos do sorriso?

Era essa paixão pela luz que fazia os poetas

medievais cantarem o brilho, o sol, a claridade,

deliciando-se com o colorido do universo.

Dante, supremo poeta da Idade Média,

relacionou a glória celestial com a luz, e o inferno

com o tenebroso.

“Per letiziar là su folgor s’aequista,

si come riso qui; ma giù s’abbuia

l’ombra di fuor come la mente

à trista” (Par.IX,70-72)

(Ali pelo fulgor vê-se a alegria

Tal pelo riso aqui, e tal, no inferno

pela sombra a tristeza que crucia”. (A

Divina Comédia, trad. Cristiano Martins)

E a Idade Média ilumina toda a História com

uma tríplice luz: a luz da verdade, a da justiça e a da

beleza.

Luz da Verdade, que ela produziu pela

Escolástica. Foi o tempo das universidades.

Luz da justiça que brilha em seus santos

inumeráveis como as estrelas do firmamento. Foi o

tempo das abadias.

Luz da beleza de sua arte incomparável. Foi o

tempo das catedrais.

E porque vivia inebriada de luz, a “idade das

trevas” é o esplendor da História e dela se pode dizer:

“In lumine tuo, videbimus lumen”.

_____________________________________

“In Lumine Tuo”

MONTFORT Associação Cultural, Online, 08/12/2019

http://www.montfort.org.br/bra/veritas/arte/inlumine/


NOSSOS PASSOS

30 DEZEMBRO/ OUTUBRO/ 2019

2 Luisa Mannarino Mantuano

3 Cláudia Regina Teixeira Rodrigues

3 Josefa da Guia Felix da Costa

4 Giselda Atem Ribeiro

4 Vera Joana Gabriel Gussen

5 Gislaine Secco Mathias

6 Laura Sportitsch Moura

7 Josias de Almeida Guimarães

7 Paulo Antonio de Souza Cruz

7 Teresinha Ferreira

9 Edmundo Pereira Teles

9 Rubinaldo Evaristo de Souza

10 Maria Letícia Pompeu Sá

11 Gabriella Pellizzi Tostes

11 Sidney Fernandes Eiras

13 Antonio Eleilson de Sousa Carvalho

13 Jarbas Borges Alves

13 Regina Maria de Sousa Cunha

15 Paulo Eduardo da Silva

16 Abigail Cardoso de Sá

17 Manuel Antonio Gonçalves Filho

17 Pompéa Dutra Brazil

18 Ladjane E. P. Costa

19 Ana Lucia Garcia Schatsbarg

19 Fortunato Esperato Feijóo

22 Maria Teresa M. Alexandre

23 João Batista Martins

23 Mauri Simões de Almeida

24 Mônica Duffles Andrade Donato

25 Maria Pereira dos Santos de Lima

27 Abdalla Akil Filho

27 Maria Janete Portela

28 Carlos Alberto Santanna

28 Maria do Carmo Abreu de Souza

29 Maria de Lourdes Leal Mattos

30 Francisco Wanderley Baptista

31 Natália Sampaio Santos Dias

Oração do Dizimista

Recebei, Senhor, a minha oferta.

Ela representa a minha gratidão e

o meu reconhecimento, pois, o que

tenho eu o recebi de Vós.

Amém!


NOSSOS PASSOS

31


32 DEZEMBRO/ 2019

More magazines by this user
Similar magazines