REVISTA NOVEMBRO 2019

as2017

Revista Nossos Passos edição novembro 2019

NOSSOS PASSOS

1

Paróquia São Francisco de Paula - Ordem dos Mínimos

Praça Euvaldo Lodi, s/n - Barra da Tijuca - Cep.:22640.010 - Tel.: (21) 2493-8973

www.paroquiasfdepaula.org.br

Arquidiocese do Rio de Janeiro - Vicariato de Jacarepaguá - 1º Região Pastoral

Ano XV - 245

Novembro / 2019

IRMÃ DULCE


2 NOVEMBRO/ JUNHO/ 2019


NOSSOS PASSOS

3

Diretor:

Frei Evelio de Jesús Muñoz

Ed. Setembro/ 2019

SUMÁRIO

Emblemática Basílica de São Marcos é inundada em Veneza

p. 06

Conselheiros:

Gilberto Rezende

Haroldo da Costa S.

Departamento de Comunicação e Marketing:

Armênio Soares

Maria Vitória Oliveira

revistanossospassos@gmail.com

Jornalista Responsável:

Maria Vitória Oliveira

ESPM: 8101/87

AIRJ: 10059-82

Diagramação e Artes:

Natan Falbo

Tiragem e Prioridade:

2.000 Exemplares

Mensal

Expediente da Secretaria:

De segunda a sexta-feira, das 9h às 18h

Telefones: Secretaria - 2493-8973 e 2486-0917

Ambulatório - 2491-8509

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA NOS PONTOS DIRI-

GIDOS. VENDA PROIBIDA.

A Revista Nossos Passos é uma publicação da Paróquia

São Francisco de Paula e respeita a liberdade de expressão.

As matérias, reportagens, artigos e anúncios

são de total responsabilidade de seus signatários.

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NOTÍCIAS

MATÉRIA DE CAPA

ARTIGO

Fiéis se unem para limpar igreja atacada e saqueada

no Chile

p. 07

HOMILIA: SANTA MISSA E CANONIZAÇÃO DA

IRMÃ DULCE

p. 08

Por que a Igreja tem um dia para celebrar todos os santos?

p. 11

Padre nega Eucaristia a pré-candidato presidencial próaborto

nos EUA

p. 14

Escotismo é o Ministério da Juventude

p. 16

O demônio não suporta que os esposos se amem, revela

exorcista

p. 19

Por que devemos ter o hábito de ficar a sós diante da

Eucaristia

p. 20

A vocação ao celibato é uma opção de amor orientada para

Cristo

p. 22

Um Sempre Alerta!

p. 26

A Restauração da Via Sacra

p.27

Fátima: Santuário celebrou dedicação da Basílica da

Santíssima Trindade

P.29


4 NOVEMBRO/ 2019

EDITORIAL

Mês das Missões

EXPEDIENTE

PAROQUIAL

Tempo de Advento

... “A vinda do Filho do homem será como

no tempo de Noé. Pois nos dias antes do diluvio,

as pessoas comiam, bebiam e se casavam, até o dia

em que Noé entrou na arca. Eles não perceberam

nada, até que veio o diluvio e levou a todos [...].

Por tanto, estejam vigilantes, porque vocês não

sabem qual é o dia em que o Senhor de vocês há

de vir” [Mt. 24, 37-44].

Inicia-se neste domingo 1 de dezembro 2019

o tempo do Advento, o tempo forte do ano litúrgico

que nos prepara ao natal. Com o advento iniciase

também o ano litúrgico. Quatro domingos de

advento no ritual romano. É um tempo que a

Santa Igreja nos propõe para acolher o Senhor

que vem nos encontrar. É também um tempo

para verificarmos o nosso desejo e necessidade de

Deus, tempo para olharmos para frente e preparar

o retorno de Cristo (Francisco).

O cristão vive “já”, a plenitude dos tempos

pois já aconteceu na encarnação de Deus na

pessoa de Jesus. Por tanto nós não esperamos

o nascimento de Jesus novamente, pois o

“Evangelho” de Jesus, a sua mensagem, está no

anuncio que Cristo faz do cumprimento dos

tempos e da vinda do Reino sobre a terra (Mc. 1,

14-15). Assim podemos dizer que com Jesus já

iniciamos a viver a vida eterna. Jesus mesmo diz

que o Reino é já presente sobre a terra e toda a

situação do homem mudou radicalmente com a

sua vinda.

A nossa espera e a nossa esperança não

são mais dirigidas a um ‘evento’ que mudará

completamente a história, como foi para o povo

de Israel a vinda de Jesus, ela vai além do tempo

e da história. Toda a nossa atenção é pelo Cristo

que há de vir a dar um sentido novo e definitivo à

justiça, à santidade e à esperança de cada homem.

Como diz São Paulo: “todas estas coisas são

apenas sombra do que haveria de vir; a realidade,

todavia, encontra-se em Cristo” (Col. 2,17)

Frei Evelio de Jesús Muñoz

Pároco

Pároco:

Frei Evelio de Jesús Muñoz

Padres:

Frei Zezinho - Vigário (Pe. José Antônio de Lima)

Frei Dino (Pe. Costantino Mandarino)

Igreja Santa Teresinha

Praça Desembargador Araújo Jorge, s/n

Largo da Barra

Capela São Pedro - Ilha da Gigóia

R. Dr. Sebastião de Aquino, nº 90 A

HORÁRIOS DAS MÍSSAS

Paróquia São Francisco de Paula:

De Segunda a sexta-feira: 7h30m e 19h.

Sábado: 17h (crianças) e 19h.

Domingo: 7h30; 10h; 17h e 19h (jovens).

Barramares:

Quarto domingo do mês, às 17h.

Capela São Pedro (Ilha da Gigóia)

Domingo, às 9h.

Santa Teresinha:

Domingo às 19h30h

GRUPOS DE ORAÇÃO

Paróquia São Francisco de Paula

Quarta-feira, às 15h: quinta-feira, às 20h.

TERÇO DOS HOMENS

Santa Teresinha

Toda terça-feira do mês, às 20h

ADORAÇÃO AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

Paróquia São Francisco de Paula:

Quinta-feira, o dia todo.

Santa Teresinha

Primeira quinta-feira do mês, às 20h.

NA PARÓQUIA

Confissões:

De terça-feira a sexta-feira, das 9h às 11h e das 15h às 17h:

Domingo, antes das missas.

Hora Santa Vocacional

Primeira sexta-feira do mês, às 17h30m.

Inscrições para batizados:

Segunda-feira, das 18h30m às 19h30m:

Quinta-feira, das 15 às 17h

Ambulatório Médico

De seg a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13 às 17h

Assistência Jurídica

Quarta-feira, às 15h

Assistência Psicológica

Quarta-feira, das 9 às 11h

Mediação Comunitária

Terças e sextas-feiras das 9h às 12h e das 14h às 20h.


NOSSOS PASSOS

5

“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece

os meus pensamentos.”

Salmos 139:23


6 NOVEMBRO/ 2019

NOTÍCIAS

Emblemática Basílica de São Marcos é inundada em Veneza

A famosa cidade italiana de Veneza sofreu a inundação

mais grave desde 1966, com um nível de água que

chegou a 1,87 metros de altura e deixou pelo menos

um falecido e afetou várias igrejas, como a emblemática

Basílica de São Marcos.

A mídia internacional relata que as escolas fecharam,

muitas casas e alguns hotéis foram afetados. Trata-se

de uma “devastação apocalíptica”, disse o presidente da

região de Veneto, Luca Zaia.

Segundo informa Associated Press (AP), o prefeito de

Veneza, Luigi Brugnaro, acredita que a inundação se

deve às mudanças climáticas. Em sua conta no Twitter,

escreveu que ocorreram “enormes danos com a água do

mar, isso não é água doce”. “Veneza está de joelhos. A

Basílica de São Marcos sofreu graves danos, assim como

toda a cidade e as ilhas”, indicou depois em uma declaração.

Em uma coletiva de imprensa, o prefeito disse que está

muito abalado porque viu as pessoas chorarem “porque

perderam tudo”. Chegou o momento de dar “uma

resposta histórica” ​para recuperar uma das cidades mais

importantes da Itália.

O governo italiano informou que a situação de Veneza

será discutida em um próximo conselho de ministros

para rever “as intervenções necessárias e urgentes para

proteger a cidade e os habitantes”. O presidente Giuseppe

Conte e alguns devem chegar hoje à cidade para

avaliar os danos.

A Basílica de São Marcos não é o único templo católico

afetado. Segundo o Patriarcado de Veneza, “a situação

também é muito complicada para Sant’Alvise, São

Girolamo, Santa Sofia, São Marcuola (Cannaregio), São

Giacomo dall’Orio e São Simeón Grande.

As igrejas que estão completamente debaixo d’água

são São Moisè, São Cassiano, a igreja dos Carmini, de

São Polo e de São Donato di Murano. Em outras igrejas

como S. Maria Mater Domini também não se pôde

entrar.

O Seminário Patriarcal e a Basílica da Saúde também

foram afetados.

“Muita amargura pelo que aconteceu. Mas meu primeiro

pensamento é para os venezianos, com muita proximidade,

pois mais de 80% da cidade está debaixo d’água

e há um grande desastre”, disse sobre a enchente o Patriarca

de Veneza, Dom Francesco Moraglia, enquanto

percorria preocupado a Basílica de São Marcos, já que a

cripta ficou cheia de água.

“Eu já pedi à Cáritas para que se ative de todas as formas

possíveis para que coloquem os fundos de emergência

para a caridade à disposição, especialmente para

as pessoas mais frágeis. Penso nos que dormem nas ruas

ou não têm lugar para ficar”, continuou o Arcebispo.

“Espero, estou convencido, que também nossas paróquias

se façam disponíveis nestas horas para o que seja

necessário e façam tudo o que seja possível para ajudar e

acolher”, expressou o Patriarca.

O Arcebispo disse que já conversou com as autoridades

locais para ver as formas de ajudar os afetados. “O sentimento

de amargura, muita amargura, também está ligado

a esse fato: o silêncio das autoridades centrais diante

de Veneza que foi provada recentemente”, indicou.

“Em 29 de outubro do ano passado tivemos um fenômeno,

não dessa magnitude, mas certamente semelhante

e que alarmou aqueles que pedimos várias coisas às autoridades.

Nós sempre os acolhemos bem quando vêm

inaugurar a Bienal (de Veneza), as exposições e muitas

outras belas manifestações e festas venezianas, mas

gostaríamos que estejam presentes também numa mesa

para falar juntos sobre a nossa segurança, porque não se

fala da segurança da nossa cidade”, explicou o Patriarca.

Em sua opinião, explica o Arcebispo no site do Patriarcado

de Veneza, “seria oportuno saber o que nós venezianos

podemos esperar depois de tantas promessas e

esperanças”.

Este, ressaltou Dom Moraglia, “é o sentimento que

temos, além de que possam visitar em breve os lugares

e as pessoas mais afetadas por essa enchente, que com o

passar das horas se torna uma situação cada vez maior”.

Durante a noite, “dormi muito pouco e rezei muito pelo

meu povo”, disse. Depois, o Patriarca dialogou com

algumas pessoas afetadas no entorno da Basílica de São

Marcos.

Diante da emergência, a Cáritas diocesana já iniciou

as ações de ajuda instalando alguns locais para acolher

pessoas e famílias em dificuldade.

Também disponibilizaram o refeitório de San Martino

na zona de Tana, para que permaneça aberto durante

as 24h, pelo menos dois dias, para acolher as pessoas

necessitadas.

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Fonte:

https://www.acidigital.com/noticias/emblematica-basilicade-sao-marcos-e-inundada-em-veneza-74855


NOSSOS PASSOS

7

Fiéis se unem para limpar igreja atacada e saqueada no Chile

Dezenas de fiéis chegaram na manhã de sábado,

9 de novembro, à paróquia da Assunção, em

Santiago, Chile, para limpar e ordenar a igreja

que foi atacada por manifestantes no dia

anterior.

Na sexta-feira, enquanto ocorria uma nova

manifestação em Santiago, um grupo de

encapuzados forçou a entrada na Paróquia

da Assunção para roubar os bancos,

confessionários e imagens religiosas para

armar barricadas com estes objetos.

No interior da igreja, os vândalos picharam

as paredes, pilares e o altar com fortes frases e

insultos à igreja. Depois, foram para queimar a

Universidade Pedro de Valdivia, que ficava na

frente da calçada.

Os jovens e adultos que foram ao templo no

dia seguinte limparam e juntaram os pedaços

das imagens destruídas, recolheram os vidros

quebrados, entre outras ações.

O pároco, Pe. Pedro Narbona, agradeceu o

apoio daqueles que se preocuparam durante os

ataques e também pela solidariedade gerada.

“Despertou-se uma corrente de vida solidária,

de preocupação, de oração, de vir hoje, de

trazer materiais e deixar horas de suas coisas

pessoais para nos ajudar a limpar toda a

sujeira”, assinalou.

Além de expressar sua dor pelo que aconteceu,

Pe. Narbona expressou que a Igreja “é

construída com pedras vivas, que são aqueles

que vieram ajudar. Ainda que fique somente

um cristão católico apostólico romano que

viva coerentemente a sua fé e seu amor a Jesus

Cristo, vai existir a Igreja Católica, porque a

Igreja é mais que as tábuas”.

Hortencia Cereceda, vizinha da paróquia há

20 anos e uma das voluntárias que ajudaram

a limpar, manifestou que presenciaram o que

aconteceu com “muita dor. Tentamos dialogar

com as pessoas que vieram para saquear, mas

foi impossível”.

“Agora, queremos ser uma contribuição para

limpar e que esta paróquia volte a ser um local

de encontro. A igreja não são as paredes, somos

todas as pessoas que queremos uma mudança.

Temos que voltar a nos encontrar, temos

que entender que a violência não é a forma

para solucionar. Eu estou por reconstruir um

conceito de país unido e em paz”, expressou à

comunicação da Arquidiocese de Santiago.

No domingo, 10 de novembro, Pe. Narbona, o

vigário da Zona Centro, Pe. Francisco Llanca,

o Bispo Auxiliar de Santiago, Dom Cristián

Roncagliolo, e dezenas de fiéis se reuniram no

templo para realizar uma liturgia de reparação.

Além de rezar e pedir perdão a Deus, os fiéis

beijaram a imagem de um Cristo crucificado

que foi salvo do ataque e rezaram o Mês de

Maria, que começou em 8 de novembro no

país.

Outras igrejas atacadas durante esses dias de

manifestações foram a Catedral de Valparaíso

e a paróquia de Santa Teresa dos Andes, em

Punta Arenas. Enquanto isso, outros templos

foram apedrejados e tiveram os seus muros

arranhados.

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Fonte:

https://www.acidigital.com/noticias/fieis-se-unem-paralimpar-igreja-atacada-e-saqueada-no-chile-40391


HOMILIA

8 NOVEMBRO/ 2019

SANTA MISSA E CANONIZAÇÃO DA IRMÃ

DULCE

Por Papa Francisco

De 13 de Outubro de 2019

A

tua fé te salvou» (Lc 17, 19). É o ponto de chegada

do Evangelho de hoje, que nos mostra

o caminho da fé. Neste percurso de fé, vemos três

etapas, vincadas pelos leprosos curados, que invocam,

caminham e agradecem.

Primeiro, invocar. Os leprosos encontravam-

-se numa condição terrível não só pela doença em

si, ainda hoje difusa e devendo ser combatida com

todos os esforços possíveis, mas pela exclusão social.

No tempo de Jesus, eram considerados impuros

e, como tais, deviam estar isolados, separados

(cf. Lv 13, 46). De facto, quando vão ter com Jesus,

vemos que «se mantêm à distância» (Lc 17, 12).

Embora a sua condição os coloque de lado, todavia

diz o Evangelho que invocam Jesus «gritando»

(17, 13) em voz alta. Não se deixam paralisar pelas

exclusões dos homens e gritam a Deus, que não

exclui ninguém. Assim se reduzem as distâncias, e

a pessoa sai da solidão: não se fechando em auto

lamentações, nem olhando aos juízos dos outros,

mas invocando o Senhor, porque o Senhor ouve o

grito de quem está abandonado.

Também nós – todos nós – necessitamos de

cura, como aqueles leprosos. Precisamos de ser

curados da pouca confiança em nós mesmos, na

vida, no futuro; curados de muitos medos; dos vícios

de que somos escravos; de tantos fechamentos,

dependências e apegos: ao jogo, ao dinheiro,

à televisão, ao telemóvel, à opinião dos outros. O

Senhor liberta e cura o coração, se O invocarmos,

se lhe dissermos: «Senhor, eu creio que me podeis

curar; curai-me dos meus fechamentos, livrai-me

do mal e do medo, Jesus». No Evangelho de Lucas,

os primeiros a invocar o nome de Jesus são os


NOSSOS PASSOS

leprosos. Depois fá-lo-ão também um cego e um

dos ladrões na cruz: pessoas carentes invocam o

nome de Jesus, que significa Deus salva. De modo

direto e espontâneo chamam Deus pelo seu nome.

Chamar pelo nome é sinal de confidência, e o Senhor

gosta disso. A fé cresce assim, com a invocação

confiante, levando a Jesus aquilo que somos,

com franqueza, sem esconder as nossas misérias.

Invoquemos diariamente, com confiança, o nome

de Jesus: Deus salva. Repitamo-lo: é oração. Dizer

«Jesus» é rezar. A oração é a porta da fé, a oração é

o remédio do coração.

A segunda palavra é caminhar. É a segunda

etapa. Neste breve Evangelho de hoje, aparece

uma dezena de verbos de movimento. Mas o mais

impressionante é sobretudo o facto de os leprosos

serem curados, não quando estão diante de

Jesus, mas depois enquanto caminham, como diz

o Evangelho: «Enquanto iam a caminho, ficaram

purificados» (17, 14). São curados enquanto vão

para Jerusalém, isto é, palmilhando uma estrada a

subir. É no caminho da vida que a pessoa é purificada,

um caminho frequentemente a subir, porque

leva para o alto. A fé requer um caminho, uma saída;

faz milagres, se sairmos das nossas cómodas

certezas, se deixarmos os nossos portos serenos, os

nossos ninhos confortáveis. A fé aumenta com o

dom, e cresce com o risco. A fé atua, quando avançamos

equipados com a confiança em Deus. A fé

abre caminho através de passos humildes e concretos,

como humildes e concretos foram o caminho

dos leprosos e o banho de Naaman no rio Jordão

(cf. 2 Re 5, 14-17). O mesmo se passa connosco:

avançamos na fé com o amor humilde e concreto,

com a paciência diária, invocando Jesus e prosseguindo

para diante.

Outro aspeto interessante no caminho dos

leprosos é que se movem juntos. Refere o Evangelho,

sempre no plural, que «iam a caminho» e

«ficaram purificados» (Lc 17, 14): a fé é também

caminhar juntos, jamais sozinhos. Mas, uma vez

curados, nove continuam pela sua estrada e apenas

um regressa para agradecer. E Jesus desabafa

a sua mágoa assim: «Onde estão os outros?» (17,

17). Quase parece perguntar pelos outros nove, ao

único que voltou. É verdade! Constitui tarefa nossa

– de nós que estamos aqui a «fazer Eucaristia»,

isto é, a agradecer –, constitui nossa tarefa ocuparmo-nos

de quem deixou de caminhar, de quem se

extraviou: todos nós somos guardiões dos irmãos

distantes. Somos intercessores por eles, somos responsáveis

por eles, isto é, chamados a responder

por eles, a tê-los a peito. Queres crescer na fé? Tu

que estás aqui hoje, queres crescer na fé? Ocupa-te

dum irmão distante, duma irmã distante.

Invocar, caminhar e… agradecer: esta é a última

etapa. Só àquele que agradece é que Jesus diz:

«A tua fé te salvou» (17, 19). Não se encontra apenas

curado; também está salvo. Isto diz-nos que

o ponto de chegada não é a saúde, não é o estar

bem, mas o encontro com Jesus. A salvação não é

beber um copo de água para estar em forma; mas

é ir à fonte, que é Jesus. Só Ele livra do mal e cura

o coração; só o encontro com Ele é que salva, torna

plena e bela a vida. Quando se encontra Jesus,

brota espontaneamente o «obrigado», porque se

descobre a coisa mais importante da vida: não o

receber uma graça nem o resolver um problema,

mas abraçar o Senhor da vida. E isto é a coisa mais

importante da vida: abraçar o Senhor da vida.

É encantador ver como aquele homem curado,

que era um samaritano, manifesta a alegria

9


10 NOVEMBRO/ 2019

com todo o seu ser: louva a Deus em voz alta, prostra-se,

agradece (cf. 17, 15-16). O ponto culminante

do caminho de fé é viver dando graças. Podemos

perguntar-nos: Nós, que temos fé, vivemos os

dias como um peso a suportar ou como um louvor

a oferecer? Ficamos centrados em nós mesmos à

espera de pedir a próxima graça, ou encontramos

a nossa alegria em dar graças? Quando agradecemos,

o Pai deixa-Se comover e derrama sobre nós

o Espírito Santo. Agradecer não é questão de cortesia,

de etiqueta, mas questão de fé. Um coração

que agradece, permanece jovem. Dizer «obrigado,

Senhor», ao acordar, durante o dia, antes de deitar,

é antídoto ao envelhecimento do coração, porque

o coração envelhece e cria maus hábitos. E o mesmo

se diga em família, entre os esposos: lembrem-

-se de dizer obrigado. Obrigado é a palavra mais

simples e benfazeja.

Invocar, caminhar, agradecer. Hoje, agradecemos

ao Senhor pelos novos Santos, que caminharam

na fé e agora invocamos como intercessores.

Três deles são freiras e mostram-nos que a

vida religiosa é um caminho de amor nas periferias

existenciais do mundo. Ao passo que Santa

Margarida Bays era uma costureira e revela-nos

quão poderosa é a oração simples, a suportação

com paciência, a doação silenciosa: através destas

coisas, o Senhor fez reviver nela, na sua humildade,

o esplendor da Páscoa. Da santidade do dia a

dia, fala o Santo Cardeal Newman quando diz: «O

cristão possui uma paz profunda, silenciosa, oculta,

que o mundo não vê. (...) O cristão é alegre, calmo,

bom, amável, educado, simples, modesto; não

tem pretensões, (...) o seu comportamento está tão

longe da ostentação e do requinte que facilmente

se pode, à primeira vista, tomá-lo por uma pessoa

comum» (Parochial and Plain Sermons, V, 5). Peçamos

para ser, assim, «luzes gentis» no meio das

trevas do mundo. Jesus, «ficai connosco e começaremos

a brilhar como brilhais Vós, a brilhar de tal

modo que sejamos uma luz para os outros» (Meditations

on Christian Doctrine, VII, 3). Amen.

_____________________________________

Referência:

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2019/documents/papa-francesco_20191013_omelia-canonizzazione.

html


NOSSOS PASSOS

11

Por que a Igreja tem um dia

para celebrar todos os santos?

A

Igreja reserva um dia a cada ano para

honrar todos os santos. Mas que razões

têm os católicos para venerar “meros” homens?

Não será o culto aos santos um resquício

do paganismo romano? Você já parou para

se perguntar por que Igreja reserva uma data

específica para celebrar “todos os santos”?

A primeira razão deve ser encontrada, de

acordo com a Legenda Áurea do beato Tiago

de Varazze, em uma tentativa de cristianizar

o “Panteão”, um templo que existe até hoje

em Roma e que fora erguido, a princípio, para

abrigar todos os deuses romanos. Daí o termo

“Panteão”, que quer dizer, literalmente: “todos”

(pan) os “deuses” (theos). O monumento foi

construído por volta de 25 a.C. e só passou à

Igreja Católica no ano 609, quando Roma já

se tinha cristianizado e o imperador bizantino

Focas doou o templo ao Papa Bonifácio IV.

A Igreja não deixaria, é claro, que um templo

construído a “todos os deuses” simplesmente

continuasse a servir ao paganismo politeísta.

Fazê-lo constituiria uma verdadeira traição à fé

católica, que professa sua fé em um só Deus,

o único ao qual é devido o culto de adoração.

Por isso, não demorou muito para que a

estrutura do Panteão fosse transformada. O

templo foi dedicado a Santa Maria dos Mártires

no dia 13 de maio, e transferiram-se para o

lugar numerosíssimas relíquias dos primeiros

mártires da Igreja.

E não poderia haver associação mais

apropriada do que essa. Deixando de cultuar o

panteão da Antiguidade, os romanos passaram

a venerar, desde então, a memória dos mártires.

Não faltará quem se escandalize com

esse acontecimento, vendo nele um sinal

da “corrupção” que, já naquela época, havia

tomado conta da Igreja “Romana” — expressão

que os inimigos da fé católica usam em tom

curiosamente pejorativo. Para estes, o culto e

a intercessão dos santos teria surgido entre os

cristãos como uma influência do politeísmo

pagão. Ora, como a religião cristã proibia

a adoração de falsos deuses, os católicos

romanos teriam arrumado um jeito de


12 NOVEMBRO/ 2019

contornar a proibição inventando… os santos!,

que funcionariam como uma espécie de

“divindades”. (Daí a acusação constante vinda

dos protestantes de que os católicos somos

idólatras.)

Tal argumento é infundado, em

primeiríssimo lugar, porque a veneração e

intercessão dos santos foi uma constante na

história da Igreja, desde as suas origens mais

remotas. Os testemunhos colhidos diretamente

dos Santos Padres são tão abundantes que

dispensam comentários. Não é possível que

eles tenham sido unânimes em uma matéria

tão séria (muito antes do século IV!) sem

que tivessem recebido esse ensinamento dos

primeiros discípulos de Jesus.

Em segundo lugar, só alguém com

muita má vontade seria capaz de enxergar

um “sincretismo maligno” na completa

transformação do Pantheon romano em uma

igreja cristã. Antes de tudo, porque, à época

da dedicação de Santa Maria dos Mártires,

Roma já era cristã, de modo que, quando o

Papa realizou a mudança, incentivado pelo

próprio imperador bizantino, o que ele fez foi

simplesmente ratificar uma conversão que já

havia acontecido nos corações do povo romano.

Além disso, a comparação entre os deuses

romanos e os santos cristãos é meramente

“numérica”: tanto os primeiros quanto os

segundos eram muitos, e essa é, no fundo, a

única coisa que há de comparável entre eles.

As histórias de suas vidas são totalmente

discrepantes, a natureza do culto prestado a um

e a outro é substancialmente diferente, a religião

dos primeiros se afasta da dos segundos como a

lei de talião se afasta da lei de Cristo, e daí por

diante.

Por isso, que um templo dedicado às

primeiras personagens fosse repensado

para o culto dos mártires da Igreja, não era

propriamente uma opção do Papa Bonifácio

IV, mas quase que uma obrigação, como já

dissemos. Tratava-se da simples superação do

paganismo antigo, que procurava Deus como

que “às apalpadelas”, pela revelação perfeitíssima

e definitiva de Nosso Senhor Jesus Cristo, que

veio mostrar a face de Deus a todos aqueles que

viviam nas trevas da ignorância. Ele veio, afinal,

para renovar todas as coisas (cf. Ap 21, 5), não

destruí-las — como seria o caso, por exemplo,

se o Panteão fosse apenas demolido.

Voltando, porém, aos fatos históricos,

o que aconteceu foi que, “como uma imensa

multidão sempre se dirigia para essa festa”, no

dia 13 de maio, em honra aos mártires, “e a

falta de víveres não permitia celebrá-la, o Papa

Gregório IV decidiu transferi-la para o dia 1.º

de novembro, quando a colheita e a vindima

estão terminadas e há alimentos em quantidade

para celebrar em toda parte uma festa solene

em honra de todos os santos”. O que fora, no

início, uma mudança circunstancial para a

cidade de Roma permanece assim, até os dias

de hoje, como norma para a Igreja inteira.

A resposta à pergunta inicial de nossa

reflexão, no entanto, não pode resumir-se a

uma explanação histórica. Afinal de contas,


NOSSOS PASSOS

tudo o que a Igreja estabelece em sua liturgia

tem uma razão de ser, e uma razão profunda.

No caso da solenidade em honra a “todos

os santos e santas de Deus”, o motivo primordial

dessa escolha da Igreja está relacionado à fé.

Como lex orandi, lex credendi, isto é, “a lei da

oração constitui”, para nós católicos, “a lei da fé”,

devemos procurar as causas dessa instituição

naquilo em que acreditamos a respeito dos

santos. Assim, ainda a partir da Legenda

Áurea citada acima, existem seis razões para

celebrarmos essa comemoração:

• “A primeira é honrar a divina majestade,

pois ao honrar os santos honramos a Deus, já

que honrando os santos honramos em especial

aquele que os santificou.

• A segunda razão é minorar nossa

fraqueza, já que não podemos por nós mesmos

obter a salvação e temos necessidade da

intervenção dos santos, sendo então justo que

os honremos se quisermos obter seu auxílio.

Lê-se em 1Rs 1 que Betsabé, nome que significa

‘poço de abundância’, isto é, a Igreja triunfante,

obteve por suas preces o reino para seu filho, ou

seja, para a Igreja militante.

• A terceira razão é aumentar nossa

segurança e nossa esperança, pela consideração

da glória dos santos, que nos é relembrada

na festa que ora celebramos, pois se homens

mortais como nós puderam por seus méritos

ser elevados a tal glória, nós também podemos,

pois a mão do Senhor não diminuiu.

• A quarta razão é oferecer exemplos que

imitemos, desprezando, como eles, as coisas da

Terra e desejando os bens do Céu.

13

festa para nós, os anjos de Deus e as almas dos

santos comemoram com alegria cada penitência

feita por um pecador. Portanto, é justo que os

recompensemos, e como eles fazem por nós

uma festa nos Céus, nós fazemos por eles uma

festa na Terra.

• A sexta razão é adquirir honra, pois

honrando os santos trabalhamos para nossa

própria honra: a festividade deles é nossa

dignidade. De fato, quando honramos nossos

irmãos honramos a nós mesmos, e a caridade

faz com que todos os bens, celestes, terrestres e

eternos sejam comuns.”

Não há dúvida, portanto, de que é

perfeitamente consoante à fé cristã invocar

os santos e pedir a sua intercessão. Se Deus,

em sua infinita bondade, quis reunir junto

de si uma falange inumerável de santos — os

Apóstolos e tantos Papas, os gloriosos mártires

e confessores, as virgens e os Doutores — e,

como Pai amoroso, quis oferecer a seus filhos

aqui na terra o auxílio dos irmãos que já estão

no céu, que desculpa daremos para não recorrer

ao auxílio desses heróis da caridade?

Que neste dia 1º de novembro o Senhor

acrescente em nós a devoção aos santos e nos

conceda a graça de termos um dia o privilégio

de associar-nos a esta amorosíssima corte de

homens e mulheres plenamente configurados

a Cristo.

_____________________________________

Referências:

Jacopo de Varazze. Legenda áurea: vidas de santos. Trad. de

Hilário Franco Jr. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, pp.

901-911.

http://centrodombosco.org/2019/11/01/por-que-igreja-tem-diacelebrar-todos-santos/

• A quinta razão é pagar o débito que

temos com eles, pois os santos fazem no Céu


14

NOVEMBRO/ 2019

Padre nega Eucaristia a pré-candidato

presidencial pró-aborto nos EUA

Um sacerdote católico da Carolina do Sul, nos

Estados Unidos, negou a Eucaristia ao pré-

-candidato presidencial Joe Biden, devido à sua

postura a favor do aborto legal.

Biden foi vice-presidente dos Estados Unidos

durante os dois mandatos de Barack Obama e,

atualmente, é um dos pré-candidatos favoritos do

Partido Democrata para enfrentar Donald Trump.

Foi o Pe. Robert Morey, pároco de St. Anthony

Catholic Church, na Diocese de Charleston

(Carolina do Sul), que negou a comunhão no

domingo, 27 de outubro, a Biden, segundo

informou Florence Morning News, na segundafeira.

“Lamentavelmente, no domingo passado,

tive que recusar a Sagrada Comunhão ao ex-vicepresidente

Joe Biden”, disse Pe. Morey em um

comunicado enviado à CNA – agência em inglês

do Grupo ACI Digital – na segunda-feira, 28 de

outubro.

“A Sagrada Comunhão significa que somos

um com Deus, entre nós e com a Igreja. Nossas

ações deveriam refletir isso. Qualquer figura

pública que defenda o aborto é colocada fora do

ensinamento da Igreja”, acrescentou o sacerdote.

Segundo Florence Morning News, Pe. Morey

foi advogado durante 14 anos antes de se tornar

sacerdote, praticou a advocacia na Carolina do

Norte e trabalhou por sete anos na Agência de

Proteção Ambiental e no Departamento de Energia

dos Estados Unidos.

Biden, também ex-senador de Delaware,

estava em campanha na Carolina do Sul no fim de

semana, informou Associated Press.

O cânon 915 do Código de Direito Canônico

declara que: “Não sejam admitidos à sagrada

comunhão os excomungados e os interditos,

depois da aplicação ou declaração da pena, e outros

que obstinadamente perseverem em pecado grave

manifesto”.

O então Cardeal Joseph Ratzinger escreveu

um memorando aos bispos dos Estados Unidos em

2004 para explicar a aplicação da lei canônica 915 à

recepção da Sagrada Comunhão.

O memorando declara que “o ministro

da Sagrada Comunhão pode se encontrar na

situação em que deve recusar distribuir a Sagrada

Comunhão a alguém, como nos casos de uma

excomunhão declarada, uma interdição declarada

ou uma persistência obstinada em pecado grave

manifesto”.


NOSSOS PASSOS

O caso de um “político católico” que faz

“campanha e vota sistematicamente por leis

permissivas de aborto e eutanásia” seria culpado

“quando a cooperação formal” é “manifesta”.

Em tais casos, “seu pároco deveria se reunir

com ele, instrui-lo sobre os ensinamentos da

Igreja, informando-o que não deve se apresentar à

Sagrada Comunhão até que leve ao fim a situação

objetiva de pecado, e advertindo-o que de outra

maneiro lhe será negada a Eucaristia”, escreveu o

Cardeal Ratzinger, hoje Bento XVI.

Indicou que que, quando o indivíduo

persevera em um pecado grave e ainda se apresenta

à Sagrada Comunhão, “o ministro da Sagrada

Comunhão deve recusar a distribui-la”.

“Como sacerdote, é minha responsabilidade

ministrar às almas encomendadas ao meu cuidado,

e devo fazê-lo inclusive nas situações mais difíceis”,

disse Pe. Morey.

15

pré-candidatos presidenciais, a plataforma de

campanha de Biden buscaria “codificar” a decisão

Roe vs. Wade, ou seja, converter o suposto direito

das mulheres ao aborto em uma lei federal.

Em um evento de Planned Parenthood

neste verão, Biden prometeu “eliminar todas as

mudanças que este presidente (Donald Trump)

fez” aos programas de planejamento familiar, e

disse que aumentaria o financiamento de Planned

Parenthood, a maior provedora de aborto do país.

“Manterei o Sr. Biden em minhas orações”,

concluiu a declaração de Pe. Morey.

_____________________________________

Referencias:

Via ACI Digital.

centrodombosco.org/2019/10/30/padre-nega-eucaristiacandidato-presidencial-aborto-eua/

Embora não apoie o financiamento do

aborto através de impostos, tanto como outros


16

NOVEMBRO/ 2019

Escotismo é o Ministério da

Juventude

O

complexo mundo do século XX (e

agora no século XXI), com ênfase em

respostas instantâneas e alta tecnologia,

teve um efeito devastador sobre nossos

jovens. Mães que trabalham, famílias monoparentais

e as dificuldades de manter

a vida familiar aumentam o problema. A

taxa de suicídio entre os adolescentes é a

mais alta de qualquer faixa etária, e você

encontrará drogas e álcool predominantes

mesmo entre os pré-adolescentes. Não é

de admirar que os jovens perambulem em

busca de algo em que se agarrar, alguém em

quem confiar e em quem confiar. Eles têm

dificuldade em encontrar Deus, porque não

há ninguém que lhes mostre o caminho.

Quão significativo é, portanto, que as

revisões mais recentes do Manual dos Escoteiros

tenham restaurado a ênfase no dever

para com Deus em suas páginas. Pois,

embora a Carta dos Escoteiros da América

sempre tivesse um princípio religioso, nem

sempre era óbvio para os jovens da unidade.

Nos últimos anos, à medida que a Igreja

Católica desenvolvia seu apostolado para

a juventude mais plenamente, tornou-se

conhecida como ministério da juventude.

O escotismo é uma parte significativa deste

ministério.

Há um aspecto particular do escotismo

que merece atenção especial hoje, ou seja, o

escotismo tem um tremendo potencial para

o desenvolvimento da liderança cristã.

Muitos de nossos jovens hoje estão lutando

com uma crise de identidade e com

problemas que crescem atualmente nesses

tempos. Os meninos envolvidos na experiência

do escotismo têm uma vantagem real

em conhecer a si mesmos e em adquirir habilidades

que direcionarão suas vidas.

Treinar, desafiar e apoiar os rapazes no

desenvolvimento de responsabilidade, maturidade

e liderança são elementos constantes

da BSA.

A Igreja Católica tem a sorte de ter no

movimento escoteiro um veículo adequado

para o desenvolvimento cristão. O escotismo

é vital no mundo de hoje como uma

oportunidade única para os jovens crescerem

em fé, vida e liderança.

Os Escoteiros da América enfatizaram

consistentemente a necessidade de vida espiritual

para a juventude e a importância da

dependência de Deus.

Embora os programas tenham surgido

e desaparecido quando os escoteiros da


NOSSOS PASSOS

América reagiram aos tempos de mudança,

o reconhecimento desse princípio espiritual

permaneceu constante.

Em 10 de outubro de 1985, o Conselho

Executivo Nacional dos Escoteiros da América

aprovou uma resolução reafirmando o

Juramento dos Escoteiros e a Lei dos Escoteiros

como preceitos importantes do Escotismo.

A resolução é consistente com os

princípios originais da B Boy Scouts of America

(BSA) quando foi fundada em 1910. O

Comitê de Relações Religiosas, cujos membros

representam todas as principais religiões

afiliadas à BSA, endossou a resolução.

A BSA aprovou esta resolução para reafirmar

seu compromisso com o “Dever para

com Deus”.

O décimo segundo ponto da lei escoteira

diz: “Um escoteiro é reverente”.

Mais de meio século atrás, os escoteiros

da América e a Igreja Católica elaboraram

um plano de cooperação, que ainda está

funcionando bem. A Igreja reconheceu o

Escotismo como um programa que fornece

experiências educacionais ricas e enriquecimento

essencial de caráter. Ao mesmo tempo,

os escoteiros da América perceberam

que sua visão exigia forte apoio espiritual, e

a Igreja é a provedora desse apoio.

Hoje, o ministério da juventude exige

um compromisso total com a juventude,

um compromisso que deve ser totalmente

liderado por Cristo. O escotismo, com seus

muitos programas e atividades, pode levar o

escoteiro a um maior conhecimento de Deus

através da natureza e da camaradagem.

Com a adição de uma ênfase espiritual

como a fornecida pelo Comitê Católico de

Escotismo em nível local, diocesano e nacional,

a unidade local de Escotismo pode ter

um programa que levará os jovens a Cristo.

17

O escotismo é basicamente um programa

educacional e, portanto, é tão importante

treinar líderes para trabalhar com jovens

quanto para treinar jovens. O escotismo sob

os auspícios católicos deve treinar os jovens

para serem bons cidadãos e bons católicos

(ou membros de qualquer fé à qual nossos

escoteiros pertençam). Os líderes adultos

devem ser treinados para fazer bem o trabalho.

Para atender a essa necessidade, o Comitê

Nacional Católico de Escotismo desenvolveu

o programa de desenvolvimento do

Escoteiro há vários anos para ajudar nossos

líderes adultos a relatar seu cristianismo ao

Escotismo. Para realizar o trabalho com eficiência,

nossos líderes devem saber o que se

espera deles, e assim o desenvolvimento do

Scouter os treina na filosofia básica do ministério

da juventude, com atenção especial

aos aspectos religiosos, vocacionais e educacionais.

Ao mesmo tempo, a espiritualidade

dos participantes no programa de desenvolvimento

do Scouter tem a oportunidade de

crescer e se desenvolver.

Por meio do programa de Emblemas

Religiosos do Comitê Católico de Escotismo,

um garoto pode aprender a colocar

sua fé e seu Escotismo em uma experiência

de aprendizado integrada. Ao trabalhar no

emblema religioso de sua idade, um garoto

reforça o que aprende no programa de educação

religiosa da paróquia. Isso pode levar

à seleção de uma vocação religiosa.

Finalmente, mas não menos importante,

os princípios do Juramento e da Lei devem

ser explicados tanto do ponto de vista

do Escotismo quanto do ponto de vista religioso.

Se um garoto não faz jus a um desses

pontos, é dever do líder apontar as falhas religiosas

e as deficiências do escotismo.


18 NOVEMBRO/ 2019

A expressão prática do cristianismo é

vista no slogan dos escoteiros, “Faça uma

boa volta diariamente”. Isso deve ser enfatizado

com frequência, para que os meninos

não percam a perspectiva do que estão fazendo.

O apostolado do escotismo é realmente

um aspecto mais importante do ministério

de jovens em nossa Igreja.

O Juramento e Lei dos Escoteiros ensina

a um menino respeito pela autoridade,

desenvolve uma atitude de serviço e incentiva

o modo de vida cristão.

É recomendável que:

1. Na cerimônia de posse de Tenderfoot

de um menino, ele recebe uma cópia dessa

interpretação do Juramento e Lei dos Escoteiros.

2. Em algum momento durante seus

primeiros 6 meses no Escotismo, ele discute

com seus pais o significado e as obrigações

do Juramento e Lei dos Escoteiros.

3. Durante o cumprimento dos Escoteiros,

são tomadas providências para que

todos os membros da unidade se dediquem

aos preceitos do Juramento e Lei dos Escoteiros.

4. Pelo menos uma vez por ano, cada líder

de unidade ou capelão escoteiro discute

com sua unidade o significado e as obrigações

do Juramento e Lei dos Escoteiros.

5. Durante os retiros de escoteiros e os

dias de recolhimento, cada membro da unidade

tem a oportunidade de “verificar.

PAPA BENTO XVI SOBRE ESCOTISMO

O papa disse o seguinte em uma carta

dirigida ao cardeal Jean-Pierre Ricard, arcebispo

de Bordeaux e presidente da conferência

dos bispos franceses.

1º de agosto marca o centenário do primeiro

acampamento escoteiro, realizado na

ilha de Brownsea, na Inglaterra, e organizado

por Sir Baden-Powell (1857-1941), fundador

do Movimento Escoteiro Mundial.

“Durante um século, através da brincadeira,

ação, aventura, contato com a natureza,

a vida em equipe e a serviço de outras

pessoas, vocês oferecem uma formação integral

a quem se une aos escoteiros”, disse o

Santo Padre em sua carta escrita em francês.

Ele continuou: “Inspirado pelos evangelhos,

o escotismo não é apenas um lugar

para o crescimento humano autêntico, mas

também um lugar de fortes valores cristãos

e verdadeiro crescimento moral e espiritual,

como em qualquer caminho autêntico de

santidade.

“O senso de responsabilidade que permeia

a educação escoteira leva a uma vida

de caridade e ao desejo de servir o próximo,

à imagem de Cristo servo, baseado na graça

oferecida por Cristo, de maneira especial

através dos sacramentos da Eucaristia e perdão.”

O pontífice encorajou a irmandade

dos escoteiros “, que faz parte de seu ideal

original e compõe, sobretudo para as gerações

jovens - um testemunho daquilo que é

o corpo de Cristo, dentro do qual, segundo

a imagem de São Paulo, todos são chamados

a cumprir uma missão onde quer que

estejam, para se alegrar com o progresso de

outros e apoiar seus irmãos em tempos de

dificuldade. “

“Agradeço ao Senhor por todos os frutos

que, ao longo dos últimos 100 anos, os

escoteiros ofereceram”, disse ele.

Ele encorajou os escoteiros católicos a

seguir em frente, oferecendo “aos meninos e

meninas de hoje uma educação que os forma

com uma personalidade forte, baseada

em Cristo e disposta a viver pelos altos ideais

de fé e solidariedade humana”.

A mensagem de Bento XVI termina

com o conselho de Baden-Powell: “Seja fiel

à sua promessa de escoteiro, mesmo quando

você não for mais jovem, e que Deus o ajude

a fazê-lo!

“Quando o homem procura ser fiel às

suas promessas, o próprio Senhor fortalece

seus passos.”

_____________________________________

Referência

Traduzido por Natan Falbo

http://www.catholicscoutingstl.org/scouting-is-youth-ministry


NOSSOS PASSOS

19

O demônio não suporta que os

esposos se amem, revela exorcista

MEXICO D.F., 06 Ago. 14 / 02:48 pm (ACI/EWTN

Noticias).- “Não suporto que se amem!”, foi a

resposta imediata e clara que o demônio deu ao exorcista

italiano Pe. Sante Babolin durante um dos “combates”,

quando o sacerdote lhe questionou por que

estava causando problemas à esposa de um amigo.

“Por que este ódio?” Em declarações

ao Semanário da Fé, o sacerdote explicou

que Satanás detesta o Matrimônio porque

é o sacramento mais próximo à Eucaristia.

“Explico-me: na Eucaristia, nós oferecemos o

pão e o vinho ao Senhor, que pela ação do Espírito

Santo, convertem-se no Corpo e Sangue de Jesus. No

Sacramento do Matrimônio ocorre algo parecido:

pela graça do Espírito Santo, o amor humano

se converte no amor divino, assim, de maneira

real e particular, os esposos, consagrados pelo

Sacramento do Matrimônio, realizam o que diz a

Sagrada Escritura: ‘Deus é amor: quem conserva

o amor permanece em Deus e Deus com ele”.

Nesse sentido, o exorcista abordou o aumento

no número de separações, cuja maioria se deve

à degradação do amor entre homem e mulher.

“O Papa Bento XVI o assinalou em sua

encíclica Deus caritas est: ‘O modo de exaltar o

corpo, a que assistimos hoje, é enganador. O eros

degradado a puro sexo torna-se mercadoria, tornase

simplesmente uma coisa que se pode comprar e

vender; antes, o próprio homem torna-se mercadoria’.

‘E qualquer loja precisa renovar as mercadorias para

vendê-la. Assim é do matrimônio fundamentado

no sexo sem verdadeiro eros’”, expressou.

“O Diabo prova os esposos cristãos para

levá-los à infidelidade, exatamente porque

ele, sendo ódio, não tolera o amor”, assinalou.

Diante desta situação, recomendou

que o casal reze o terço junto para afastarse

da tentação da infidelidade, além de

praticar atividades que fortaleçam sua união.

Sobre o perdão, o Pe. Babolin afirmou que

tem “um papel decisivo”, pois “renova a graça do

Sacramento do Matrimônio. Mas o verdadeiro perdão

tem que ser um acontecimento excepcional, pois viver

o Matrimônio em uma constante busca de perdão,

significa viver o amor em uma sala de reanimação”.

“O ideal seria descobrir, com a ajuda de

pessoas competentes na vida de fé e na dinâmica

psicológica relacional, as armadilhas do Inimigo do

Amor. O Sacramento do Matrimônio oferece a força

do Espírito Santo para que os esposos atuem uma

espécie de personalidade corporativa, que realiza um

caminho de santidade compartilhada”, assegurou.

_____________________________________

Referência

https://www.acidigital.com/noticias/o-demonio-naosuporta-que-os-esposos-se-amem-revela-exorcista-78198

O sacerdote recordou que “o amor humano e

divino, oferecido pelo Sacramento do Matrimônio,

não é um amor instintivo, como não é instintiva a fé em

Cristo; por isso necessita cultivo, vigilância e paciência”.

Por isso, alertou que “à infidelidade se chega com

pequenas infidelidades; por isso cada esposo deve ter

presente sempre, na sua cabeça e no seu coração, o outro;

o diálogo e a confiança devem sempre permanecer”.


20 20

NOVEMBRO/ 2019

Por que devemos ter o hábito de

ficar a sós diante da Eucaristia

A oração pessoal durante uma hora diante do Santíssimo

Sacramento, estando ou não exposto, consiste basicamente

nisto.

Por Pe. Henry Vargas Holguín

Uma das frases mais fortes de Jesus no Evangelho

é a pergunta que Ele faz aos apóstolos

em Getsêmani, quando os vê dormindo: “Não

conseguem velar uma hora comigo?”. Em outras

palavras, Jesus quis que eles dedicassem uma

hora de reparação para combater a hora do mal.

A oração pessoal durante uma hora diante

do Santíssimo Sacramento, estando ou não

exposto, consiste basicamente nisso: acompanhar

o Senhor em seus últimos momentos com o

coração, buscando assimilar o seu amor.

É uma hora para aprender de Jesus,

agradecer seu sacrifício e corresponder ao seu

amor. Neste sentido, a adoração ao Santíssimo

Sacramento é uma prolongação da missa.

Estar na presença do Santíssimo é como sair

para tomar sol; assim como o sol é fonte natural

da energia que dá vida, da mesma maneira Jesus

sacramentado é a fonte sobrenatural de todo

amor e graça.

Estar na presença do Senhor gera uma

amizade íntima com Ele que nos entusiasma

na vida – algo que não se alcança com estudos

teológicos, por exemplo. É preciso conhecer

mais Jesus Cristo, saber mais sobre Ele; e para

isso, o trato pessoal com Jesus é fundamental.

Recordemos que o verbo “conhecer”, na

linguagem bíblica, significa amar.

Na adoração, Jesus nos convida a nos

aproximarmos dele, conversar com Ele, pedir-lhe

as coisas de que necessitamos e experimentar a

bênção da sua amizade.

Essa hora de adoração pode ser oferecida

por várias intenções, especialmente pela

conversão dos pecadores.

Não existe um roteiro estabelecido pela

Igreja para fazer adoração; cada um pode seguir

o seu coração nesse momento. No entanto, vale a

pena recordar a necessidade do silêncio interior e

do recolhimento para estar na presença de Deus,

bem como a importância de fazer um ato de fé e

tomar consciência da presença de Deus no início

da adoração.


NOSSOS PASSOS

Durante a adoração, há algumas devoções

especialmente válidas, como ler o Evangelho

e meditar sobre o que se leu; rezar a Via Sacra;

recitar os mistérios dolorosos do terço; ler e orar

sobre algum texto de espiritualidade, rezar com

os salmos etc.

Também é de grande proveito espiritual

simplesmente estar na presença do Senhor,

fazer-lhe companhia, identificar-se com Jesus,

oferecer-lhe a dor pessoal para permitir que seu

consolo toque o coração e o encha de paz interior,

receber sua inspiração divina para encontrar luz

nas dificuldades.

Há três recomendações importantes ao

fazer a adoração eucarística:

1. Estar atentos. Não dar espaços para as

distrações. Desligar o celular, por exemplo.

2. Recordar: não é uma hora de leitura.

3. Estar alerta. Alternar posições: sentarse,

ajoelhar-se, ficar em pé com respeito. O

importante é não ficar em uma situação tão

cômoda, a ponto de dormir.

meio de uma oração pessoal ou já existente).

7. Contemplação do Santíssimo.

8. Louvores de desagravo e reparação.

9. Oração final (pessoal ou já existente).

10. Sinal da cruz.

21

Na oração pessoal (ponto 5), que é o

momento central, mais do que falar com o Senhor,

é importante criar um momento de silêncio, pois

o silêncio é capaz de abrir um espaço interior no

mais íntimo de nós que permite a ação de Deus,

que faz que sua Palavra permaneça em nós, para

que o amor a Ele crie raízes em nossa mente, em

nosso coração e seja motivação da nossa vida.

Na adoração eucarística, o mais importante

é deixar-se amar e abraçar pelo Senhor em cada

momento, isto é, entrar em sua intimidade.

_____________________________________

Referência

https://pt.aleteia.org/2019/11/05/por-que-devemos-ter-o-habitode-ficar-a-sos-diante-da-eucaristia

Como já foi dito, não existe um “ritual” a ser

seguido na hora da adoração. No entanto, o fiel

pode levar em consideração a seguinte sugestão

de roteiro, que eu particularmente prático e

quero compartilhar:

1. Fazer o sinal da cruz.

2. Oração de preparação (espontânea ou já

existente).

3. Leitura espiritual (de livre escolha) e

meditação. Lectio divina.

4. O santo terço e/ou Via Sacra e/ou liturgia

das horas.

5. Oração pessoal. Privilegiar este momento.

6. Comunhão eucarística espiritual (por


22

NOVEMBRO/ 2019

A vocação ao celibato é uma

opção de amor orientada

para Cristo

Por Padre Jorge Manuel Faria Guarda

O

sexto mandamento da Lei de Deus determina

guardar a castidade nas palavras

e obras. O seu âmbito inclui também

a descoberta do significado e do valor do

celibato consagrado, e implica a sua vivência

por aqueles que receberam um tal dom

divino. Muita gente, hoje, não entende o

celibato dos sacerdotes e não acredita que

eles o vivam fielmente. Isso acontece, certamente,

por alguns o quebrarem ou o colocarem

em dúvida; e outros nem sempre

sabem testemunhar com a sua vida feliz.

Ao mesmo tempo, parece não ser contestada

a virgindade das religiosas e de outras

mulheres consagradas a Deus. Não sei se

esse estado de vida é realmente admirado

por uma fatia significativa da sociedade.

Pode acontecer que o grande valor dessa

opção de vida não seja passado para as

pessoas nem as interpelem.

Há, entretanto, um outro fenômeno,

na nossa sociedade, que contribui para

dificultar o reconhecimento do valor do

celibato consagrado: o alastrar do número

de pessoas, homens e mulheres, que vivem

solteiros por motivos de independência

pessoal ou dedicação a uma causa da

qual se apaixonam e absorvem. O desinteresse

pelo casamento pode também ser

motivado pela falta de atração pelo outro

sexo, por não acreditar no casamento, por

alguma imaturidade ou pelo medo de assumir

compromissos definitivos. Nessas

motivações, vem a dificuldade crescente

de estabelecer relações afetivas maduras e

estáveis por parte de muitas pessoas.

O celibato e o matrimônio são duas

vocações diferentes, mas não contrapostas

Que diferença há entre a vida cristã

no celibato e essas situações humanas, escolhidas

ou involuntárias? A forma exterior

de vida pode ser semelhante, mas são

bem diferentes a motivação, o espírito e a

finalidade.

Podemos distinguir três formas de viver

o celibato por parte dos fiéis cristãos:

Quando o fiel cristão descobre, na sua

situação de solteiro, um apelo de Deus e

o aceita de livre vontade, a sua vida celibatária

pode tornar-se vocação assumida

e valorizada. A pessoa pode, então, como

diz o Catecismo da Igreja Católica (CIC),

passar a viver “a sua situação no espírito

das bem-aventuranças, servindo a Deus e

ao próximo de modo exemplar” (nº 1658).


NOSSOS PASSOS

Essa forma de vida pode não ser definitiva,

e a pessoa ser chamada ao matrimônio em

qualquer idade.

Assumem, de forma definitiva, o celibato

pelo Reino dos Céus os que consagram

totalmente a sua vida a Deus e, por

isso, renunciam ao casamento. A sua opção

resulta da percepção do amor de Cristo

e do seu chamamento, correspondidos

positivamente numa relação crescente de

amor para com Ele. Nesse caso, a motivação

para o celibato é teológica e carismática,

é uma graça divina que a pessoa

acolheu e a qual correspondeu livremente

com a entrega total de si mesma a Deus.

Outra forma é o celibato sacerdotal.

Esse, em certo sentido, une as duas formas

anteriores: por um lado, resulta da

circunstância de a pessoa sentir a vocação

para o ministério sagrado; por outro,

corresponde a uma entrega de si mesma

para o serviço do Reino de Deus. A motivação

é acentuadamente apostólica, mas

fundamentada em razões teológicas e carismáticas.

Diz o Catecismo: os ministros

sagrados “chamados a consagrarem-se totalmente

ao Senhor e às suas coisas dão-se

por inteiro a Deus e aos homens. O celibato

é um sinal dessa vida nova, para cujo

serviço o ministro da Igreja é consagrado;

aceito de coração alegre, anuncia de modo

radioso o Reino de Deus” (nº. 1579; cf.

1599).

23

Vocação ao amor e à comunhão

Como o matrimônio, também a vida

celibatária é a concretização da vocação ao

amor e à comunhão a que todos são chamados.

Respondendo a tal vocação inscrita

no seu próprio ser, a pessoa humana

realiza a sua condição e dignidade de imagem

e semelhança de Deus, que “é amor e

vive em si mesmo um mistério de comunhão

pessoal de amor” (CIC, 2331). Não

pode haver opção celibatária que não seja

motivada pelo amor a Deus e ao próximo.

Mesmo na primeira forma acima apontada,

se a pessoa assume a sua condição

como vontade de Deus, não pode deixar

de orientar a sua vida pelo amor, abrindo-

-se a uma relação sempre mais profunda

de comunhão e serviço.

Sendo resposta à vocação ao amor, a

vida celibatária não significa menosprezo

nem visão negativa da sexualidade. Esta,

como afirma o Catecismo, “afeta todos os

aspectos da pessoa humana, na unidade

do seu corpo e da sua alma. Diz respeito,

particularmente, à afetividade, à capacidade

de amar e procriar, e, de um modo

mais geral, à aptidão para criar laços de

comunhão com outrem” (CIC, 2332). Escolhendo

o celibato, a pessoa renuncia a

uma forma de viver a sexualidade, para

se entregar a Deus “com um coração indiviso”

(CIC, 2349). Sublima o impulso e a

energia sexual, dando-lhe outro significa-


24 NOVEMBRO/ 2019

do e finalidade, para uma fecundidade espiritual.

Como Cristo, também “o Celibatário”

entrega o seu corpo, e todo o seu ser,

por amor a Deus e em favor dos homens.

Nesta doação total, por um amor oblativo,

vive a castidade própria da sua condição.

Opção de amor

O celibato, como o matrimônio, implica

uma vida de relação com os outros e

não de solidão, é caminho para a maturidade

e não privação. É expressão de uma

doação de si mesmo livremente decidida

e não resultado de qualquer frustração

ou desengano na relação afetiva. Também

implica uma certa vivência da sexualidade:

não na união física, nem na autossatisfação

narcisista ou na procura do prazer

recíproco e na expressão de afeto mútuo,

mas na sua sublimação espiritual mediante

o domínio de si mesmo. Essa liberdade

pessoal é condição para fazer de si uma

doação total e definitiva a Deus, suscitada

pela graça que d’Ele recebeu. O celibatário

renuncia: “à intimidade física em ordem

a uma mais perfeita disponibilidade”; “ao

calor humano de uma família, para se tornar

pai ou mãe da humanidade”; “à continuação

da vida nos próprios filhos para

uma vida que não tem fim, a vida de Deus

nas pessoas” (E. Pepe).

A vida no celibato é uma opção de

amor

A vida no celibato é, portanto, também

uma opção de amor, mas orientada

para Cristo. A pessoa doa-se a si mesma,

não a uma pessoa de outro sexo com a qual

estabeleceu vínculos de afeto, mas a Cristo

no qual crê e pelo qual acredita ser amado.

A sua entrega significa o assumir de uma

vida que é renovada por Cristo e penetrada

pela força do Espírito. A pessoa doa-se

em todo o seu ser, também na dimensão

física, mas o faz de forma diferente da que

é vivida no matrimônio.

Há um texto muito sugestivo de Chiara

Lubich que fala da castidade como o

“dilatar o coração segundo a medida do

coração de Jesus”. Fazendo assim, a pessoa

empenha-se em amar cada irmão ‘como

Jesus o ama’. A isso a autora chama a “castidade

de Deus”. Escolhendo o celibato

por ter sentido o grande amor de Cristo

por ele, o fiel cristão esforça-se por viver

o amor à maneira e segundo a medida de

Cristo. Para ele, o amor a Cristo e aos irmãos

constituem um mesmo e único amor.

E trata-se sempre de amar por Jesus, por

uma graça que vem d’Ele. É um amor a todos,

universal, mas vivido na doação um a

um, isto é, àquele que encontro, que passa

pela minha vida. Está aqui a originalidade

do amor na pessoa celibatária, que é diferente,

portanto, do amor conjugal. Esse

passa sempre pelas expressões humanas da

sexualidade e da ternura.

Leia mais:

::Como os pais podem ajudar os filhos

a descobrirem sua vocação?

::Jovem médica confirma vocação

profissional na Canção Nova

::Deus chama todo homem à santidade

::O que fazer para ser membro da Comunidade

Canção Nova?

Gerar a vida na dimensão espiritual

A doação livre de si mesma ao outro,

fielmente, como Jesus ama, é o que torna o

amor puro e casto, tanto na pessoa casada

como na celibatária. Na primeira, as expressões

físicas do amor não o degradam;

na segunda, não precisa tolher o coração

nem reprimir o amor, pois encontrará

sempre expressões belas para amar o seu

próximo, de forma concreta e sensível. No

primeiro caso, o amor une sempre mais

quem o vive e estreita os vínculos entre as

pessoas. É vivido na doação e acolhimento

mútuos. No celibatário, o amor não prende,

mas liberta, é vivido na generosidade e

no desapego, torna a pessoa dom para os

outros sem esperar a compensação.

O amor do celibatário há de ser também

fecundo, gerar vida não no sentido físico,

mas na dimensão espiritual. Mediante

o amor, o celibato gera a vida de Jesus nas

almas que encontra, cria vínculos espirituais

com as pessoas e pode mesmo exercer


NOSSOS PASSOS

uma paternidade espiritual, fazendo com

que tais pessoas se sintam regeneradas, recebendo

uma nova vida: a de Deus. Desse

modo, enriquece também a humanidade,

contribui para o seu crescimento qualitativo

e espiritual.

Quem é chamado ao celibato, consagrando

a sua vida a Deus, faz a renúncia

à vida de casado. Cumpre, quase à letra,

a palavra de Jesus: “Qualquer de vós que

não renunciar a tudo o que possui, não

pode ser meu discípulo” (Lc 14,33). Renuncia

à sexualidade genital, à relação de

afeto com outra pessoa, à paternidade ou

maternidade biológica, a constituir a sua

família, desapega-se de tudo e de qualquer

pessoa, para seguir Cristo mais de perto

e viver uma comunhão especial com Ele.

Mas dessa relação, no Espírito Santo, pelo

amor, há de surgir uma nova família, a fraternidade

cristã, que pode adquirir múltiplas

formas e que se traduz na vida da

comunidade cristã, na sua variedade. Se

não gerar a comunidade dos filhos e filhas

de Deus, o celibato fica infecundo. Sem a

paternidade ou maternidade espiritual, o

celibatário corre o risco de ficar estéril e

viver a sensação de perda, de frustração,

de estar incompleto, de não atingir a plenitude.

Liberdade pessoal

“Bem-aventurados os puros de coração,

porque verão a Deus” (Mt 5,8). O

celibatário, que assume a sua vocação livremente

e a vive fielmente numa doação

incondicional a Deus, no amor e no

serviço generoso aos irmãos, experimenta

realmente a felicidade e “vê”, verdadeiramente,

Deus na sua vida. Deixou tudo

pelo Senhor e nada lhe falta. Renunciou a

25

constituir uma família e vive rodeado de

irmãos e irmãos, de filhos e filhas, numa

grande família espiritual reunida no amor

de Cristo.

A sua vida é muito diferente da de

muitos solteiros de moda, centrados em

si mesmos e nos seus prazeres, gerando e

gerindo a solidão, que produz um vazio de

alma e tédio. Viver em celibato, conservando

a castidade do coração, exige esforço

para corresponder à graça da própria

vocação. É preciso, antes de mais, cuidado

em manter e consolidar a liberdade pessoal,

para amar sempre mais, mantendo

a vigilância sobre todas as situações que a

podem pôr em causa. E, face aos limites e

falhas, o celibatário há de abraçar a cruz

e recomeçar no empenho pela fidelidade

no amor. A relação com Deus, sempre

mais profunda, cultivada na oração, e uma

sadia comunhão fraterna ajudam muito a

manter-se fiel na própria entrega de amor.

O celibato e o matrimônio são duas

vocações diferentes, mas não contrapostas.

Celibatários e casados, felizes na sua

vocação, deverão constituir estímulo e ajuda

uns aos outros, partilhando o próprio

dom, reconhecendo e estimando o dos

outros, numa comunhão eclesial operada

pelo Espírito Santo.

_____________________________________

Referencias:

https://formacao.cancaonova.com/vocacao/vida-religiosa/vocacao-ao-celibato-e-uma-opcao-de-amor-orientada-para-cristo/


26

NOVEMBRO/ 2019

Um Sempre Alerta!

Por Ludam Utrabo

O

Escotismo enquanto Movimento Educacional

propõem o desenvolvimento de jovens

de 7 a 21 anos de idade, em áreas do ser a saber:

Espiritual, Afetiva, Intelectual, Física, Social e do

Caráter, baseando-se em um conjunto de princípios

somados a um método que hoje é considerado

o de maior sucesso no campo da educação

não formal.

De fato a Paróquia São Francisco de Paula

deu um grande salto quando integrou a sua gama

de movimentos a União dos Escoteiros do Brasil,

tanto os jovens quanto os adultos se beneficiarão

como já vem se beneficiando das atividades que

são focadas na vivência ao ar livre e ao trabalho

prestado a igreja, quer seja através da criação

de um ambiente mais ligado a natureza como

no serviço prestado pelos escoteiros durante as

missas solenes.

A nossa Unidade Escoteira vem se

articulando e se organizando para promover

um crescimento no metiê de ramos oferecidos

a juventude, quando iniciamos tínhamos a

autorização para praticarmos o escotismo apenas

com os Lobinhos, hoje estamos a um passo de

ampliar esta oferta ao Ramo Escoteiro e ao Ramo

Sênior que são respectivamente a jovens de 11 -

15 e 15 -18 anos.

Além da parte voltada a administração da

Unidade, a Chefia que lida diretamente com as

crianças vem se aprimorando a cada semana e

atualmente os adultos estão em uma busca

constante em se aperfeiçoar afim de aplicar um

escotismo católico de qualidade, promovendo

assim o despertar das crianças para um mundo

mais justo.

Nossa Unidade e seus membros tem uma

agenda cheia até o final do ano. Participaremos

de Cursos de formação, Seminários e

Acampamentos. Dentre estes eventos vale

ressaltar o acampamento na chácara dos Paulanos

no dia 09 e 10 de novembro e o encontro com o

Capelão Mundial dos Escoteiros, Padre Jaqcues,

durante o 2° Seminário Nacional de Escotismo

Católico onde teremos boas perspectivas da

óptica papal a respeito do papel dos escoteiros

católicos no mundo contemporâneo.

Assim vemos que temos um futuro brilhante

pela frente e que se continuarmos no caminho,

nossos jovens sorverão do ar pura das colinas

eternas sobre as quais nosso Mestre Divino tanto

gostava de estar para nos ensinar como sermos

bem-aventurados.


NOSSOS PASSOS

27

A Restauração da Via

Sacra

Por Ludam Utrabo

A

Arte Sacra no passado possuía uma admiração

plena nos quatro ventos do céu. O sopro

das flautas, a lira, as harpas, as pinturas, as esculturas

e a filosofia, eram um espetáculo sem paralelo

frente aos outros circuitos da cultura. Não havia

outro lugar mais belo se não o templo que era revestido

do pensamento através da técnica e produzia

a representação no mundo do reino celeste.

Mas como podemos nos dias atuais

concorrer com os estúdios hollywoodianos, a

Disney ou a Mídia Global que tomam da atenção

de todos nós com outras verdades, outros

preceitos e conhecimentos? Até certo ponto vemos

que Moisés não quebrou as primeiras tábuas da

lei sem motivo, afinal os Israelitas, ao invés de

adorar o Senhor, preferiram o Bezerro Dourado.

Contudo ainda há esperança, versa-nos a

palavra, que nos anima que Ele voltará sobre as

nuvens do céu para sua igreja, como um noivo

que recebe a noiva sobre o belíssimo altar todo

adornado com o ouro da sabedoria, com a prata

dos inventos e com o bronze de nossa condição

telúrica e pequena. A sua arca, o seu Graal, a sua lei e

as asas dos querubins, para tudo proteger deverão

ser para o templo o que é o candeeiro para as

damas de honra que aguardam o nubente chegar.

A tradição da Arte Litúrgica atribui

vários elementos decorativos que devem

revestir o contexto estético de um templo,

assim o vemos quando apreciamos a mesa

do altar, o sacrário, o crucifixo e a via sacra,

está última que expressa em suas 15 estações a

Paixão de Cristo que nos conduziu ao perdão.

Nossa igreja possuí em seu acervo de

obras de arte um belíssimo exemplar com

quadros grandes e antigos, pintados todos


28 NOVEMBRO/ 2019

sobre uma grossa tela com tinta a óleo e uma

álgida progressão de cores que a cada cálido

tom progridem do julgamento a ressurreição.

Por terem sido pintadas em 1976 pelos

traços do pintor Cândido Breachet, hoje estas

obras estão passando por um rigoroso processo

de restauração, o tempo e os cupins por muito

pouco não levaram as obras a um estado sem

retorno o que aconteceu com as molduras que

lamentavelmente ficaram ocas. Assim como o

tratamento contra os cupins as obras terão suas

molduras substituídas por outras mais belas e

douradas, suas pinturas serão sutilmente retocadas

afim de que o tempo não apague de nossas

lembranças o Amor de Deus por nós na sua Dor.


NOSSOS PASSOS

29

Fátima: Santuário celebrou

dedicação da Basílica da

Santíssima Trindade

Por ocasião dos 90 anos das aparições de

Nossa Senhora em Fátima, o enviado especial

do Papa Bento XVI a Portugal, cardeal

Tarcisio Bertone, então Secretário de Estado

do Vaticano, presidiu em 12 de outubro

de 2007 a dedicação da Igreja da Santíssima

Trindade, que, em 2012, recebeu da Congregação

para o Culto Divino e para a Disciplina

dos Sacramentos o título de basílica.

Neste mês, a solenidade da dedicação da

Basílica da Santíssima Trindade foi destacada

pelo Santuário de Fátima com uma Santa

Missa presidida pelo vice-reitor, o padre

Vítor Coutinho, cuja homilia convidou

a refletir sobre a consciência eclesial a

partir da igreja edificada, apresentando

a Cova da Iria como uma expressão da

Igreja “orante, celebrante e peregrina”.

“O que hoje celebramos não é o

feito arquitetônico de uma construção ou

o aniversário deste edifício. Celebramos a

dedicação desta Igreja porque ela é expressão

da verdadeira Igreja, que somos nós; porque

este espaço nos dá a possibilidade de nos

construirmos como Igreja, de nos sentirmos

como irmãos e irmãs na fé, vindos de

lugares diferentes, e porque ele nos permite

experimentar a presença de Jesus no meio de nós.

Fátima é expressão de uma Igreja

que se reúne para louvar o Senhor,

sobretudo no acolhimento do Seu perdão

e na celebração da entrega eucarística do

Senhor. Em Fátima, sabemo-nos acolhidos

na individualidade do nosso percurso.

Este espaço aberto que é o Santuário é

Imagem do Coração de Deus, que abre as

portas para todos, sem condições prévias”.

_____________________________________

Referência

https://pt.aleteia.org/2019/11/14/fatima-santuario-celebroudedicacao-da-basilica-da-santissima-trindade/


NOSSOS PASSOS

30 NOVEMBRO/ OUTUBRO/ 2019

1 Claudina Caetana de Araújo

3 Jorge da França Santos

4 Marcelo Vieira da Fonseca de Souza Mendes

4 Salvador Ielo Filho

5 Carlos Roberto Cavalcanti de Albuquerque

5 Luiz Ignacio Moncorvo do Rio Verde

5 Maria Thereza Dionysio

6 Marcelo Vieira Barreto

6 Silvia Daniele dos Santos Ferreira

8 Fatima Bahia

8 Godofredo Verdan Ferreira

9 Sonia Pereira Secca

11 Maria Albina Ladeira Queiroga Domingues

12 Ilídio Augusto Alves

13 Armanda de Fátima Alves

13 Elizeuda da Silva Cruz

14 Sonia Maria de Souza Sarmento

15 Anibal de Almeida Cabral

15 João Julio Leal Chaves

15 Sérgio Ricardo Prata Brasil

16 Ana Lucia do Couto Gonçalves

19 Andreia Alves de Lara

22 Jésus Vieira de Moura

24 Juarez Salvador

24 Lucas Pereira Ferraz

24 Márcia Siqueira de Albuquerque Costa

26 Elizabete Cristina Pereira da Silva

26 José de Luna Silva Sobrinho

26 José Langone

27 Elizabeth Generosa Thibes

28 Maria Aparecida da Costa Silva

Oração do Dizimista

Recebei, Senhor, a minha oferta.

Ela representa a minha gratidão e

o meu reconhecimento, pois, o que

tenho eu o recebi de Vós.

Amém!


NOSSOS PASSOS

31


32 NOVEMBRO/ 2019

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