Revista Moto Escola #80

brasiliateimosa

Edição especial do Mês das Mulheres, conta a final do Concurso Instrutor Nota 10 que teve uma mulher como vencedora. Regiane fala dos desafios da profissão e também como foi a prova final no Centro de Treinamento e Educação de Transito Honda, em Indaiatuba (SP). Boa leitura

Arquivo pessoal

me tornei instrutora foi uma grande realização”,

afirma a moradora de Jundiaí (SP) que

há dez anos atua na área.

Mulheres trabalham muito

Os números do IBGE (Instituto Brasileiro de

Geografia e Estatística) mostram que muitas

as mulheres trabalham “fora”. Em 2019 havia

48 milhões de mulheres exercendo atividades

remuneradas contra 58 milhões de

homens. Apesar desse equilíbrio no cenário

nacional, a função de instrutor de trânsito é

predominantemente masculina.

“Em Jundiaí existem quase 100 instrutores

e apenas dez são mulheres”, lembra Regiane

que começou a ministrar aulas teóricas

aos 24 anos. “Muita gente me achava

novinha e duvidava da minha capacidade”.

Ela lembra que um grupo de alunos a testava

para desafiar sua autoridade e conhecimentos

“aos poucos fui me impondo”.

Dona de auto escola, Adaiane conhece os desafios da profissão

Assédio na garupa

Outras dificuldades surgiram quando ela

começou com as aulas de moto. “Eu tinha

que levar os alunos na garupa e alguns

se aproveitam, numa clara atitude de assédio”.

Aquilo a incomodava e quase desistiu.

“Hoje, se percebo uma atitude mais

ousada, olho feio e peço para o aluno ficar

mais distante”.

O preconceito também era visível entre

os colegas de profissão. “Muitos duvidavam

que eu soubesse dirigir carros, pilotar

motos enfim, ensinar”, mas, aos poucos, o

conceito foi mudando. Afirma.

Machismo feminino

A desconfiança da capacidade da mulher

ainda existe, mesmo entre as mulheres. A

empresária Adaiane Marangne Pereira da

Silva, proprietária do CFC Hortolândia, relata

casos de alunos não querem aulas com

instrutoras “algumas mulheres ainda preferem

instrutores homens”.

A presença masculina também é marcante

na diretoria das auto escolas. “Entre os 28

CFC´s de Jundiaí, apenas quatro pertencem

a mulheres”, lembra a empresária.

Na opinião do presidente do Sindautoescola.SP

(entidade que reúne os proprietários

de auto escolas e CFC´s do Estado de

São Paulo), Magnelson Carlos de Souza o

cenário está mudando. “A mulher vem se

destacando e assumindo protagonismo em

várias áreas. No setor de autoescolas não é

diferente”. Ele afirma que a participação

crescente das mulheres contribui para diversificar

e aprimorar a formação dos novos

condutores.

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