Revista Apólice #252

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Ano 25 - nº 252

Março 2020

ESPECIAL VIDA E SAÚDE

Tecnologia e novos produtos

devem guiar o crescimento

do seguro de vida

Novas formas de criar produtos, com maior

atenção à jornada do consumidor, assim como uma

distribuição mais atenta e transparente, podem

ampliar a penetração destes produtos

O desafio de

chegar até o novo

consumidor

Seguradoras investem em

produtos com coberturas

em vida

Telemedicina e APS

podem ser o caminho para

diminuir o custo da saúde



editorial

Ano 25 - nº 252

Março 2020

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Os artigos assinados são de

responsabilidade exclusiva de

seus autores, não representando,

necessariamente, a opinião desta revista.

Vida em primeiro lugar

A edição de março da Revista Apólice é sempre muito especial.

Falar sobre os produtos que cuidam da sustentabilidade financeira

das famílias é sempre muito gratificante. Apesar do seguro de vida ser

uma das carteiras mais antigas, ainda há um grande espaço para o seu

desenvolvimento.

Muitas pessoas, famílias de forma geral, não descobriram as

possibilidades de proteção que possam advir do seguro de vida. A

pergunta que fica é a seguinte: não sabem porque não podem consumir

ou não sabem porque ninguém nunca lhes falou nada a respeito? Existe

uma parcela da população com capacidade para consumir um produto

de tíquete baixo, basta o mercado buscar soluções para atendê-la.

Se por aqui as insurtechs estão ligadas às formas de resolver

problemas das seguradoras, no exterior já há soluções que buscam curar

as dores do consumidor através de produtos customizados. Já existem

diversos casos de empresas que passaram a intermediar a venda do

seguro de vida com ferramentas que enxergam o consumidor de forma

única, identificando seus problemas de saúde e seus hábitos diários.

Assim, é possível cobrar o risco pelo que ele realmente vale.

Boa leitura!

Diretora de Redação

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Revista Apólice

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3


sumário

6

|

painel

12

|

gente

especial vida e saúde

14

|

tendências

As pessoas estão vivendo mais tempo, mas o nível de renda

média da população caiu. É preciso enfrentar o desafio de

criar e distribuir seguro de vida para uma nova parcela da

população

14

18

|

produtos

Seguradoras que operam no setor buscam alternativas de

produtos para conquistar uma nova faixa de consumidores.

Coberturas para incapacidade temporária ou seguro

resgatável encontram mais espaço no mercado

22

|

distribuição

Mercado entende que a comercialização de produtos

tradicional e online podem conviver em harmonia,

trabalhando juntas para aumentar o volume de negócios

para o setor

18

28

30

|

|

telesubscrição

Samplemed desenvolve ferramentas que atendem desde as

apólices muito elevadas até as massificadas, para oferecer

uma subscrição cada vez mais personalizada para as

seguradoras

telemedicina

Mercado brasileiro assiste a evolução de health techs e

acredita em democratização do acesso ao atendimento

médico, mas telemedicina ainda esbarra em impasse

regulatório

22

34

|

artigo

O diretor presidente da Sabemi, Antonio Tulio Lima Severo,

aponta que o seguro de vida pode ser um aliado maior do

que parece, pois traz proteção tanto para o segurado quanto

para sua família

30

4



painel

n • mãos a obra

Dicas para renovar imóvel

sem muitos gastos

• nsustentabilidade

David Pereira, gerente do Porto Faz, empresa que presta

serviços avulsos para residências, divulgou uma série de

dicas importantes para quem deseja renovar sua casa sem

gastar muito.

Uma dica para mudar o ambiente sem muitos gastos é

pintar o imóvel. “Colorir a parede da sala, quartos ou cozinha

transforma o cômodo de forma rápida e com baixo custo”,

aconselha o executivo. “Para ambientes menores e utilização

de cores mais neutras, o próprio dono da casa consegue

fazer sozinho. Mas para ambientes maiores ou com uso de

cores mais escuras, recomendamos sempre um profissional

para a execução do serviço, visando que o cliente tenha a

garantia do resultado desejado”, afirma.

Outra opção para inovar o ambiente é colocar prateleiras.

“Para quem gosta de quadros, livros ou até mesmo

plantas, colocar prateleiras para decorar com esses itens

pode ser uma boa alternativa”, indica. “Além disso, colocar

cortinas também é uma opção para salas e quartos, sem

mudar muito o ambiente, podendo investir em cores e

texturas”, complementa.

Seguradora define mecanismos

para estruturar títulos

vinculados a seguros

A lavagem de sofás e poltronas também é uma alternativa

para deixar os móveis com aspecto de novos. “Estofados

revestidos em tecido devem ser lavados a cada 12 meses,

contudo, locais onde o uso é contínuo, o indicado é a cada

seis meses”, alerta. “Além de ser um procedimento recomendado

para a saúde dos moradores, a limpeza deixa o

móvel mais bonito e aumenta sua vida útil, sem que haja

necessidade de trocá-lo”, ressalta o executivo.

A Generali desenvolveu seu primeiro “Quadro de

títulos vinculados a seguros verdes” (Quadro ILS verde),

alinhado à estratégia de sustentabilidade do Grupo. A iniciativa

está intimamente relacionada ao Generali “Green

Bond Framework”, publicado em setembro de 2019.

Os títulos vinculados a seguros são mecanismos

alternativos para a transferência do risco de seguro para

investidores institucionais. O valor desses instrumentos

depende principalmente da probabilidade de ocorrência

dos eventos segurados e o retorno relacionado não está

correlacionado com o mercado financeiro.

A companhia é uma das principais patrocinadoras

europeias no mercado de títulos vinculados a seguros,

tendo patrocinado duas obrigações de risco de catástrofe

(Lion I Re, 2014 e Lion II Re, 2017) e uma obrigação de

risco de responsabilidade civil de terceiros (Horse Capital

I, 2016). O ILS verde é caracterizado pelo investimento de

garantias em ativos com impacto ambiental positivo e pela

alocação do capital de solvência transferido para iniciativas

sustentáveis, como investimentos em ativos verdes e apoio

à subscrição de políticas verdes, de acordo com critérios

predefinidos de seleção e exclusão.

6



painel

• nsaúde

Coronavírus: operadoras começam a se preparar para atender pacientes

Algumas operadoras de saúde

já estão preparando um plano de

contingência para atender seus

beneficiários infectados com o Covid-19

e tirar dúvidas dos pacientes

sobre qual a melhorar conduta a ser

tomada em caso de sintomas.

Segundo a assessoria de imprensa

da Amil, a operadora está

preparada para lidar com a chegada

do coronavírus no Brasil, alinhada

com os protocolos do Ministério

da Saúde e em constante acompanhamento

das atualizações sobre

o tema. As unidades hospitalares

que compõem o grupo estão

orientadas quanto ao fluxo de

notificação de casos suspeitos às

secretarias de saúde e suas equipes

receberam treinamento sobre

como identificar, isolar e tratar

casos suspeitos.

n • polêmica

Susep passa a divulgar índice de reclamações do setor

de seguros e CNseg contesta ação

No início de março, a Susep divulgou nota

informando que, para trazer mais transparência

à relação entre o mercado de seguros e seus consumidores,

iria divulgar pela primeira vez o índice

de reclamações das seguradoras. O levantamento

leva em consideração as ocorrências registradas na

entidade e a participação das empresas no mercado

(market share). Segundo a autarquia, com a ferramenta

o consumidor terá mais uma opção para

avaliar a relação das empresas com seus clientes.

Em sua primeira edição, o índice de reclamações

da Superintendência traz os dados consolidados

de 2018 e 2019. A avaliação abrange 114

empresas ou grupos que possuem participação

de mercado superior a 0,2%. Os resseguradores e

sociedades de capitalização não foram incluídos.

Para o diretor da entidade, Rafael Scherre, a

iniciativa está em linha com as ações que a autarquia realiza

em prol da transparência e das boas práticas de conduta.

“Nosso desejo é que o consumidor tenha o máximo possível

de informação e que a organização tenha mais um

instrumento de avaliação da conduta das empresas. Com

isto, esperamos que as seguradoras sejam impulsionadas

a buscar sempre melhorar seus serviços ”, afirma.

Após a divulgação, a Confederação Nacional das Seguradoras

(CNseg) soltou uma nota de posicionamento

sobre o ocorrido.

“A CNseg foi surpreendida com a divulgação desse índice,

pois tem sido uma boa prática dos órgãos reguladores

submeter previamente normas e divulgação de estatísticas

à consulta pública, o que não ocorreu.

Para prestar bom serviço ao consumidor é necessário

esclarecer sobre quais reclamações foram julgadas procedentes

ou não. A simples divulgação das reclamações totais

encaminhadas à Susep não separa aquelas consideradas

procedentes das improcedentes. Tome-se como exemplo

as reclamações junto à ANS nas quais grande parte se

refere à contestação de reajuste, inclusive os autorizados

pela própria Agência, que assim divulga as demandas.(...)

Em conclusão, o índice não auxilia minimamente o

consumidor a ter mais poder de escolha ou de analisar o

perfil das empresas, nem a qualidade do atendimento que

prestam em cada modalidade de seguro. Ao contrário, o

índice a ser publicado representa lamentável dano à imagem

do setor segurador.

8


• nproduto

Operadora lança plano mais acessível para ampliar sua carteira

A Omint lançou o plano Skill Max com o objetivo

de ampliar a sua penetração no segmento de

produtos corporativos com valores mais acessíveis.

A operadora quer aproveitar a sua identidade com

o mercado premium para atingir uma nova classe

de usuários.

De acordo com Cícero Barreto, diretor Comercial

da empresa, o produto é direcionado para o corretor

que busca atender o seu cliente que tem a necessidade

de reter e atrair novos colaboradores com custo

competitivo. “Se o corretor tem como cliente uma

empresa que sofre com o atendimento da operadora,

com necessidade de obter um bom custo/benefício,

o Skill Max é uma oportunidade de negócio”.

O produto será comercializado por corretores de

seguros e pode ser vendido para PME’s a partir de 2

titulares e 4 dependentes.


painel

• nautomóvel

Seguro automóvel é até 23%

mais barato para mulheres

A Minuto Seguros realizou um estudo sobre o segmento

de seguro de carro para mulheres, em que aborda

a diferença de valores em relação ao público masculino e

os aspectos que estão por trás desse fator. Entre as localidades

utilizadas como base para o estudo, elas pagam,

em média, 15% a menos do que os homens. No Distrito

Federal, a diferença no valor do seguro é de 20%. Já no

Paraná, o preço para o público feminino é 19% menor,

enquanto no Pará é de 16%, em São Paulo de 14% e na

Bahia de 10%.

Na comparação que leva em conta as diferentes faixas

de preço de veículos, as mulheres também recebem

uma cotação, em média, menor do que os homens. Entre

os automóveis que custam de R$ 70 mil a R$ 100 mil, por

exemplo, elas pagam 18% a menos do que eles, a maior

diferença considerando este quesito. A menor diferença

está na faixa dos veículos de valor entre R$ 20 mil e

R$ 25 mil, com 6% que, ainda assim, mostra que o preço

para público feminino é mais baixo.

O preço mais baixo para as mulheres na cotação do

seguro está relacionado diretamente com o fato de ser

um público cujos riscos de sinistros são menores, como

explica o sócio-diretor da Minuto Seguros, Manes

Erlichman. “De forma geral, as mulheres são mais

cuidadosas ao volante, se envolvem em menos acidentes

e, normalmente, os danos causados neles são menores

do que os causados em acidentes com motoristas do

sexo masculino. Isso se reflete diretamente no preço do

seguro”, afirma Erlichman.

• neleição

Nova diretoria da Aconseg-MG

toma posse

A nova diretoria da Aconseg-MG tomou posse no dia

18 de fevereiro, na sede da entidade, em Belo Horizonte.

O empresário Robson Augusto Carneiro estará à frente da

entidade nos próximos dois anos.

O presidente informou que o plano de ações da

entidade está focado em três pilares: “Em primeiro lugar,

vamos solidificar a marca Aconseg-MG e mostrar a importância

das assessorias para o mercado segurador. A

ideia é atrair novos associados e fortalecer a instituição”,

esclareceu.

Outra meta da atual gestão, de acordo com o dirigente,

é promover atividades de formação para os corretores

parceiros. “Estaremos mais perto dos corretores,

auxiliando-os a crescer nos negócios. O objetivo é prepará-

-los para acessar os produtos das seguradoras parceiras e

ganhar mais credibilidade na hora de entregar o seguro

ao consumidor final”.

O terceiro propósito da nova diretoria diz respeito

à inserção da Aconseg-MG no universo digital. “Vamos

movimentar as mídias digitais da entidade, criando canais

de comunicação permanentes com as assessorias e

corretores, sempre pensando no crescimento do mercado

para todos”.

Robson Augusto Carneiro – Presidente

Jader Pereira de Abreu Filho – Vice-Presidente

Hélio Marcelino Loreno – Diretor Tesoureiro

Carlos Eduardo Brum – 1º Conselheiro

José Ivan Horta Fonseca - Suplente

10



GENTE

Gerência

soteropolitana

Comercial do

Centro- Oeste

Andréa Badia é a nova gerente

comercial do PASI para o Centro-Oeste.

Ela acumulará a gerência da companhia

na região com a dos estados do Rio de

Janeiro e do Espírito Santo, onde já atua.

A unidade de negócios de Salvador

do Gboex contratou Herica Dabrowska

dos Santos, profissional que atua há mais

de 10 anos no mercado de previdência e

seguros. “Assumi o desafio de conduzir a

unidade, tendo como foco principal tornar

a marca e os produtos da empresa mais conhecidos na região,

além de expandir a sua atuação como companhia especializada

em proteção de pessoas”, afirma a gerente. Para ela, o trabalho

ressaltará o compromisso com o cuidado e o atendimento

aos associados, além de reconhecer o desempenho dos seus

parceiros de negócios, “retribuindo com incentivos e suporte a

confiança depositada nos produtos e serviços da organização”.

Mudanças no ressegurador

Antonio Cassio dos Santos foi

indicado como novo presidente do Conselho

de Administração do IRB Brasil

Re. Ele assume em um momento conturbado

da resseguradora, que viu suas

ações caírem mais de 40% no início de

março, além da demissão do seu CEO

e do presidente do Conselho.

“É um desafio instigante atuar em

uma companhia atuante no setor de resseguros na América

Latina e em franca expansão de suas atividades no Brasil e no

exterior”, diz Cassio, que acrescenta: “Espero contribuir com

o desenvolvimento da visão estratégica e dos mecanismos de

aprimoramento da governança e transparência na empresa. O

objetivo é ampliar a geração de valor do Instituto para seus clientes,

acionistas, investidores, colaboradores e demais públicos”.

Werner Suffert é o novo vice-presidente Executivo,

Financeiro e de Relações com Investidores

do IRB Brasil RE. O executivo,

que ocupou o posto de CFO e diretor

de Relações com Investidores da BB

Seguridade pelos últimos seis anos,

também assume a posição de CEO

interinamente, até a nomeação de um

profissional para a função.

Líder de resseguros

A THB Brasil apresentou Paulo

Esteves Viveiro como novo presidente

de Resseguros da companhia. Ele assume

a posição com a missão de preservar

a posição da empresa e dar continuidade

à estratégia de crescimento da participação

da organização no setor.

Comissão de automóveis

Walter Pereira, executivo da

Zurich, assumiu a presidência da

comissão de Auto da FenSeg – Federação

Nacional de Seguros Gerais. “A

comissão, ao longo de sua existência,

tem contribuído de forma positiva para

crescimento do setor, disseminando

as melhores práticas e sempre atenta

às tendências mundiais com foco nas

necessidades do cliente/consumidor. Nosso objetivo é dar

continuidade aos trabalhos e atividades”.

Cuidados com os Recursos

Humanos

Isabel Azevedo é a nova VP da

área de RH da MDS Brasil. Para alcançar

os objetivos, a nova VP irá investir

inicialmente em cultura, diálogo e no

desenvolvimento da liderança. Ao exercitar

esta triangulação, a companhia

espera ter um clima organizacional

melhor e, consequentemente, gerar

reflexos positivos nos negócios.

Seguradoras de

Santa Catarina

Waldecyr Schilling é o novo

presidente do SindsegSC. A eleição

para nova diretoria do Sindseg de

Santa Catarina foi realizada no dia

14 de janeiro de 2020 e com chapa

única. Waldecyr Schilling assume a

presidência, para Gestão 2020/2022

no mandato de 15 de fevereiro de

2020 a 14 de janeiro de 2022.

12



especial vida e saúde | tendências

Mais gente com menos renda:

o grande desafio do

seguro de vida

Em todo o mundo as pessoas

estão vivendo mais. Entretanto,

o nível de renda não cresceu

no mesmo ritmo do aumento

da expectativa de vida ou do

desenvolvimento científico. O

mercado agora busca formas

de tornar o produto atrativo

para uma nova gama de

consumidores

Kelly Lubiato

O

seguro de vida, em sua essência, continua o mesmo: o

consumidor paga um valor para garantir que, em caso

de sinistro ou do final do período contratado, seus

beneficiários tenham direito a uma indenização.

O que mudou muito ao longo dos anos foi a forma de chegar até

o consumidor. Hoje, além dos corretores de seguros, as seguradoras

podem contar com a distribuição através de bancos, lojas de varejo,

concessionárias de serviços públicos, agências de turismo etc. Além

destes, o fator mais recente foi a chegada de empresas de tecnologia

para apoiar a distribuição dos produtos. Hugo Assis, líder dos

Clientes de Seguros para Accenture América Latina, lembra que as

insurtechs, em sua maioria, participam do ecossistema segurador

aprimorando lacunas pontuais que o mercado possui há anos. “Se

pensarmos no ciclo de um seguro de vida, tendo como tópicos

principais a prospecção, cotação, produto, oferta, subscrição e

sinistro, estas são agendas em que as Insurtechs têm apresentado

soluções disruptivas”.

14


Mas a aposta é que o negócio de

seguros de vida terá que reinventar a

experiência com o cliente, aumentando

o seu leque de ofertas. “Acreditamos

que o melhor caminho para aumentar a

penetração de qualquer tipo de seguro é a

conscientização sobre sua importância no

planejamento financeiro e familiar. O Brasil

é o oitavo país com o maior potencial

para o mercado segurador nos segmentos

Vida e Não-Vida no mundo, entre as 96

nações pesquisadas no Índice Global de

Seguros Potenciais (GIP), elaborado pelo

Serviço de Estudos da Mapfre”, explica

Luiz Gutierrez, CEO da Mapfre Seguros.

Esse indicador calcula o déficit global

de seguros, estabelecendo a diferença

entre a cobertura de seguro economicamente

ideal a cada sociedade e o valor

dessa cobertura realmente adquirida

pela população, levando em consideração

variáveis como penetração (prêmios/PIB)

e tamanho da própria economia.

O estudo mostra que, em 2018, o GIP

no Brasil estava em R$ 314,5 bilhões,

valor equivalente a 1,5 vezes o mercado

segurador brasileiro. Deste valor, 51,6%

correspondem ao seguro de vida (R$ 135

bilhões).

Estes dados demonstram o tamanho

do potencial de consumo do mercado

brasileiro. Excetuando-se problemas

econômicos, ainda há uma parcela da população

que possui capacidade financeira

para investir no setor mas que não o faz

por total desconhecimento. Portanto, um

dos maiores desafios do setor está ligado

à comunicação.

A penetração de seguro de vida no

Brasil ainda está longe da média de países

desenvolvidos por diversos motivos,

com destaque para a condição econômica

da população e questões sociais, como

a baixa preocupação com o futuro da

família ou ausência de planejamento

financeiro. “Em outros países, além do

inverso do Brasil em temas de renda

per capita e condição social, somam-

-se questões como catástrofes naturais, o

que eleva a preocupação com a proteção

e, naturalmente, cria uma importância

maior ao mercado de seguros de vida”,

avalia Assis.

Gutierrez ressalta que quando se avaliam

os demais países do BRIC (Brasil,

Rússia, Índia e China), os potenciais do

GIP são similares ou superiores aos do

Brasil, o que mostra que o país está mais

avançado nesse mercado.

A China lidera as duas listas, nos

segmentos de Vida e Não-Vida, enquanto

a Índia figura em segundo lugar em Não-

-Vida e terceiro em Vida. Já a Rússia se

manteve na quinta colocação em Vida e

sexto em Não-Vida.

A China é um caso à parte. Ela é o

país que mais rapidamente viu o mercado

de seguros se desenvolver, com taxas

superiores a 20% até bem pouco tempo

atrás. Ela já ocupa o segundo lugar

mundial, com cerca de 500 bilhões de

❙❙Hugo Assis, da Accenture

15


>>> tendências

600

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0

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0

2008

2008

BRECHA DE PROTEÇÃO DO SEGURO E MERCADO

POTENCIAL, 2008-2018

2009

2009

2010

2010

BPS Não Vida

2011

2011

euros em prêmios de vida e patrimonial.

A liderança ainda está com os EUA,

com 1.200 bilhões de euros. Nas duas

últimas décadas, o mercado de seguros

do gigante asiático cresceu cerca de 20%

ao ano. “Mesmo que o crescimento esteja

em desaceleração, para cerca de 10% ao

ano, o mercado da China ainda crescerá

quatro vezes mais rápido que o mercado

dos EUA. O resultado: por volta de 2030,

será o maior do mundo (em termos de

receita de prêmios)”, avalia Ludovic

Subran, economista chefe da Allianz

SE. Hoje, em termos de seguro de vida a

(bilhões de reais)

2012

Mercado real

2012

2013

2013

2014

2014

BPS Vida

2015

BPS

2015

2016

2016

2017

2017

2018

2018

Fonte: Serviço de Estudos da MAPFRE

China representa metade dos que são os

EUA, porém já ultrapassou o tradicional

mercado do Japão.

Subran, um dos responsáveis pela

pesquisa da Allianz cujo título é “A China

está vencendo a corrida das insurtechs?”,

publicado em dezembro de 2019, avalia

que o potencial de consumo de seguro

de vida na China é enorme. “Apesar de

ser uma sociedade que envelhece rapidamente,

ela ainda não dispõe de uma

seguridade social muito desenvolvida.

Além disso, normas e comportamentos

sociais também estão mudando rapidamente.

Em outros países emergentes, um

sistema de segurança social embrionário

é frequentemente complementado por

redes familiares. Por conta da política do

“Filho Único”, as pessoas têm que fazer

provisões para a sua velhice sozinhas”.

No Brasil, o potencial de consumo

também é grande. Mais de 150 milhões

de pessoas não possuem seguro de vida

por aqui. O seguro é feito para proteger

a família ou dependentes financeiros do

segurado, isto é, em teoria toda pessoa na

condição de gerador de renda deveria se

proteger. “Obviamente, a proteção pode

ser feita para seus dependentes financeiros

por um período maior ou menor,

a depender da condição econômica que

o segurado possa assumir para pagar a

apólice. Porém, o que não se recomenda do

ponto de vista de planejamento familiar é

a ausência do seguro. Outro ponto importante

é a periodicidade de revisão dos

valores de cobertura, pois as necessidades

da família ou dependentes financeiros do

segurado mudam, então é recomendável a

cada cinco anos reavaliar”, pondera Assis.

Qual é o papel da tecnologia?

Apesar o assunto transformação

digital estar em alta há muito tempo,

muitas empresas ainda não conseguiram

incorporar seus conceitos. Seguradoras

tradicionalmente são lentas

para promover mudanças significativas.

Entretanto, há momentos em que isso

acontece de forma diferente. Um bom

exemplo é a seguradora norta-americana

John Hancock, que decidiu investir

na qualidade de vida de seus clientes

para melhorar os resultados.

Em 2015, John Hancock estabeleceu

uma parceria com o Vitality, um programa

de bem-estar com tecnologia, que

fornece educação, suporte, incentivos e

recompensas aos clientes pelas coisas

cotidianas que eles fazem para serem

saudáveis ​- do exercício à compra de

mantimentos saudáveis. Três anos depois,

em setembro de 2018, a empresa deu um

grande passo ao anunciar que todas as

apólices de seguro de vida de John da

seguradora viriam com o aplicativo Vitality.

Uma versão básica do programa é

fornecida gratuitamente e completamente

opcional para os segurados.

16


❙ ❙Luiz Desde o início, a empresa sabia que

a chave do sucesso seria encontrar uma

maneira de os segurados compartilharem

suas atividades saudáveis ​de maneira

rápida, fácil e segura. É por isso que o

Vitality usa uma combinação de dispositivos

portáteis para vincular os clientes

diretamente ao programa, incluindo a

oferta de um Fitbit gratuito e a oportunidade

de adquirir um Apple Watch por

US$ 25, juntamente com um aplicativo

móvel personalizado e site amigável para

ajudar os consumidores a se apropriarem

do seu bem-estar.

Estas ações corroboram a opinião do

especialista da Accenture, Hugo Assis,

que declara que o negócio de seguros

de vida, obrigatoriamente, além de reinventar

a experiência com o cliente, será

orientado a dados. Estes temas já estão

endereçados nas agendas que as Insurtechs

têm apresentando ao mercado. Com

raras exceções, não existem insurtechs

substituindo o modelo atual do negócio

de seguros, mas elas estão modernizando

os pontos de dor da indústria.

Estes pontos são muitos. As seguradoras,

atualmente, possuem dois caminhos

a seguir para chegar mais perto

dos clientes: aquelas multilinhas operam

com vários produtos complementares e

personalizados de acordo com a conveniência

do cliente; do outro lado está a

seguradora especializada, que tenta agora

alavancar sua atividade com operações

digitais de baixo custo para trabalhar

novas oportunidades ou necessidades não

atendidas anteriormente, principalmente

porque elas eram insustentáveis por conta

dos altos custos.

O executivo da Accenture explica

que os clientes, agora, estão dispostos a

compartilhar dados para que as empresas

possam montar modelos complementares

às regras atuais, e que sejam mais

customizados e benéficos. “As novas

tecnologias também vão contribuir.

Por exemplo, o reconhecimento de íris

humana está muito evoluído e já possui

aplicação direta em soluções que estarão

nos celulares dos clientes. Se o estilo de

vida saudável de um cliente pode ser

comprovado na entrada e monitorado,

esse mesmo cliente deveria ser recompensado

ao longo da jornada da relação

com a seguradora”, avalia Assis.

As mudanças demográficas que o

País atravessa também afetam a sua capacidade

de consumo de produtos de seguro

de vida. Assis cita os EUA, por exemplo,

onde a geração Millenium (nascidos entre

1980 e 1994) já compreende a maior parte

da força de trabalho, e está na idade em

que ocorre tradicionalmente a compra do

Seguro de Vida. “Porém, essa geração

carrega fatos novos importantes como

empreendedorismo, mudanças frequentes

de emprego e aumento de necessidade em

priorizar o equilíbrio entre vida profissional

e trabalho. Com isso, as seguradoras

precisam desenvolver capacidades para

entender melhor esses novos motivadores

e comportamentos dessa geração, e focar

na experiência”.

Subran, da Allianz, ressalta que os

produtos de vida tradicionais são desafiados

por duas tendências: baixos rendimentos

e mudanças de estilos de vida.

“A resposta: mudar os investimentos, de

instrumentos de dívida para ativos reais,

como ações e infraestrutura, menos garantias

e mais flexibilidade em termos de

pagamentos: as políticas da vida moderna

precisam “respirar” com os altos e baixos

da vida de seus clientes”.

“Temos no Brasil um movimento

muito positivo, temos desenvolvido programas

de transformação em seguradoras

que estão genuinamente dispostas a criarem

as capacidades necessárias para esse

novo momento de mercado”, informa Assis.

Para ele, esses programas de transfor-

❙❙

Ludovic Subran, da Allianz

mação englobam várias frentes e incluem

profundas reestruturações na arquitetura

tecnológica das empresas, modelo ágil de

entrega, criação de capacidades para uso

de dados, entre outros atributos necessários

para criação de novas experiências

aos clientes. “Além disso, vemos empresas

orientadas a reinventar seu portifólio de

produtos, agregando customização e flexibilidade,

aliado a um redesenho da jornada

do cliente nos mais diversos canais

de distribuição, que vão desde o corretor,

o banco, agregadores, até marketplaces

digitais”, acrescenta.

A tecnologia é uma aliada para facilitar

e ampliar o acesso à informação,

um dos maiores entraves enfrentados

pelo mercado. No caso do consumidor,

a transparência permite a ele encontrar

melhores condições de negócios, além

da possibilidade de conhecer melhor a

empresa com a qual está conversando.

“Sob o ponto-de-vista das seguradoras, é

uma aliada na gestão de riscos e processamento

de dados. Mas o fator humano

ainda é fundamental. Por exemplo: o

consumidor, mesmo com livre acesso a

ferramentas de pesquisa, muitas vezes

necessita de uma ajuda adequada para

entender as melhores condições e coberturas

aderentes ao seu estilo de vida. É

aí que entra o que chamamos de papel

consultivo do corretor de seguros. Esse

profissional segue sendo o mais indicado

para aliar toda a tecnologia disponível

às soluções adequadas a cada situação”,

avalia Gutierrez, CEO da Mapfre.

Gutierrez, da Mapfre

17


especial vida e saúde | produtos

Seguro se reinventa

como seguro para vida

e conquista mercado

As seguradoras que operam no setor buscam novas alternativas de

produtos para atingir uma nova faixa de consumidores. Coberturas

para incapacidade temporária ou seguro resgatável encontram mais

espaço no mercado

Solange Guimarães

O

mercado de seguro de pessoas

começou a ter uma

trajetória ascendente a partir

de 2018 e atualmente é a primeira

carteira em faturamento do mercado.

Com 38% de representatividade deste

segmento, o seguro de vida é a vedete

do momento. Considerando que menos

de 5% da população têm seguro de vida

individual, o espaço para crescimento é

enorme. Para conquistar este cliente, as

companhias usaram a criatividade para

desenvolver produtos mais atraentes e

investiram bastante em comunicação e

tecnologia.

“O que está revolucionando mesmo

o mercado é a inovação e criação de

18

novas coberturas. As seguradoras estão

preocupadas em segmentar mais os públicos,

com produtos direcionados, por

exemplo, para a alta renda, a classe média

e, ainda, para a classe mais baixa. A

tendência é um esforço maior das seguradoras

para atingir públicos específicos e

também para melhorar a comunicação, o

que eu considero um desafio. No entanto,

a tecnologia e o avanço da mobilidade

digital são excelentes instrumentos para

que se consiga, de fato, segmentar melhor

os públicos e levar ofertas de produtos

mais adequadas”, acredita Silas Kasahaya,

presidente do CVG-SP.

O primeiro desafio foi mudar o

mindset do brasileiro que, por várias

gerações, associou o produto à morte.

“As pessoas começaram a entender

que a maioria das coberturas oferecidas

pelo produto é destinada para uso

durante a vida. Embora, muitas vezes,

seja associado à morte, o seguro de

vida proporciona tranquilidade para

viver o hoje, apoia o cliente em caso de

contratempos e evita perdas financeiras

em situações inesperadas, como um

acidente ou uma doença, por exemplo”,

comenta Fernanda Pasquarelli, diretora

de Vida e Previdência da Porto Seguro.

A conjuntura econômica do País e

a reforma da previdência também contribuíram

para impulsionar as vendas.

“O brasileiro, sem dúvidas, está mais


consciente sobre a importância de contar

com um sólido planejamento financeiro.

Com a aprovação, em 2019, da reforma

da previdência, a população passou a entender

melhor que é fundamental assumir

as rédeas do próprio futuro e que a previdência

social não é apenas aposentadoria,

englobando, também, o risco de morte e

invalidez”, afirma Helder Molina, CEO

da MAG Seguros.

Os números oficiais comprovam.

“Em 2019, o segmento de pessoas movimentou

R$ 43,2 bilhões em prêmios e

cresceu 13,9% em relação ao ano anterior,

afirma Jorge Nasser, presidente da Fena-

Previ (Federação Nacional de Previdência

Privada). “O balanço da FenaPrevi

mostra que as indenizações pagas aos

segurados totalizaram R$ 10,1 bilhões,

valor 10,9% superior aos R$ 9,1 bilhões

registrados no período anterior. Estes

números mostram que os brasileiros estão

mais preocupados em garantir proteção

para a família e para riscos individuais.”

“Algumas seguradoras passaram a

oferecer produtos que antes não existiam,

como seguro de vida resgatável, que nada

mais é que uma proteção para toda vida e

que, ao longo do tempo, vira uma reserva

financeira corrigida por uma taxa de juros

e atualizada pelo IPCA, dando opção de

resgate ao segurado”, lembra Lucio Marques,

secretário do conselho do CVG-RJ.

Os novos modelos sociais de família

e de relações de trabalho também foram

considerados pelas companhias na formatação

de seus produtos. “Estamos ano

a ano lançando cada vez mais soluções

aderentes aos contextos e às demandas,

sempre ouvindo sociedade e corretores

parceiros com o objetivo de oferecer

produtos que sejam abrangentes sob o

aspecto de cobertura, mas específico e

personalizado em termos de proteção”,

informa Molina.

No início do ano, a MAG anunciou

dois lançamentos. O novo Doenças

Graves, que pode ser contratado em três

módulos: o Doenças Graves Essencial,

que cobre o câncer em todas suas fases

(leve, moderada e grave); o Doenças Graves

Plus oferece cobertura para doenças

como Alzheimer, AVC, infarto, Parkinson,

paralisia de membros e câncer; e o

módulo Doenças Graves Premium cobre

❙ ❙Fernanda Pasquarelli, da Porto Seguro

um total de 28 diagnósticos. O produto

não exige do segurado um período de

sobrevivência ao diagnóstico, permite

fazer a contratação avulsa e há manutenção

de cobertura de algumas doenças

até os 80 anos.

O outro lançamento foi o seguro

Cirurgias, que oferece o pagamento de

um benefício para mais de 900 procedimentos

cirúrgicos e atende uma demanda

latente em razão de uma lacuna

deixada pela baixa oferta e alto custo

dos planos de saúde. O segurado conta

com uma indenização de até 100% do

capital segurado contratado em caso de

realização de procedimento cirúrgico coberto

decorrente de doença ou acidente,

independentemente do hospital, do país

ou do segurado ter plano de saúde.

Os novos produtos lançados pelas

seguradoras de vida atendem, inclusive,

a uma questão importante na atualidade:

❙ ❙Helder o aumento da longevidade. “Estamos

vivendo mais em função dos avanços da

medicina, mas isso não quer dizer que

chegaremos saudáveis à terceira idade.

Estar saudável depende também de

equilíbrio financeiro, e o seguro de vida

faz parte do planejamento que as pessoas

precisam fazer para ter proteção financeira

num momento em que a expectativa de

vida só aumenta, no Brasil e no mundo”,

avalia Fernanda, da Porto Seguro, companhia

que ampliou as coberturas e a idade

limite para contratação, já em sintonia

com o aumento da longevidade.

O Porto Seguro Vida Individual

passou a aceitar clientes com até 70 anos

e a fornecer um pacote mais amplo de

coberturas para doenças graves e procedimentos

médicos. Agora são 17 doenças

e procedimentos amparados pelo seguro,

como por exemplo: câncer, paralisia de

membros, esclerose múltipla, Alzheimer,

Parkinson, dentre outros, e mais 11 tipos

de transplantes.

Os clientes também têm acesso a

uma proteção completa, em vida, com

pagamento de diárias que mantêm seus

rendimentos caso um acidente ou doença

o afaste do trabalho; pagamento do valor

contratado em caso de doença grave ou

invalidez por acidente; reembolso de

despesas médicas e hospitalares; antecipação

do pagamento em caso de doença

terminal, dentre outras coberturas. Conta,

ainda, com proteções para a família, com

pagamento do valor contratado e assistência

funeral, em caso de falecimento.

Recentemente, a Porto Seguro acrescentou

39 novas profissões na cobertura

de DIT (Diárias por Incapacidade Temporária).

Agora são 250 profissões aceitas

no total, incluído MEI – Microempreendedor

Individual. Os valores das diárias

podem chegar a R$ 1.300, até o limite

de R$ 39 mil por mês. A quantidade de

diárias para casos de afastamento em

consequência de doenças por esforço

repetitivo como Lesão por Esforço Repetitivo

(LER), Distúrbios Osteomoleculares

Relacionados ao Trabalho (DORT),

aumentou de 60 para 90 dias.

A Icatu Seguros lançou um novo

produto de vida individual, o Essencial.

Ele chega para consolidar três produtos já

Molina, da MAG existentes - Unique Vida, Essencial Vida e

19


>>> produtos

❙ ❙Jorge Nasser, da FenaPrevi

Profissional Liberal, reunindo as melhores

soluções de cada um deles em um único

pacote ainda mais flexível e completo.

Ele reúne características de três

produtos antigos da companhia – Unique

Vida, Essencial Vida e Profissional Liberal

– em um pacote ainda mais flexível,

que permite diversas combinações de

coberturas com valores de indenização

independentes à escolha do cliente, como

Morte, Morte Acidental, Doenças Graves,

Invalidez por Doença e Diária por Incapacidade

Temporária, na qual é possível,

optar por proteção em casos de LER,

DORT e Lesão por Trauma Continuado

(LTC). Outra novidade é que em caso de

indenização referente à cobertura de Invalidez

por Doença, a apólice permanece

ativa com as demais coberturas.

O produto inclui ainda três benefícios:

Seguro Viagem, Assistência

Domiciliar e Sorteio Mensal de R$ 100

mil e as contratações a partir de R$ 30.

“Toda a experiência de venda pode ser

feita online, com assinatura eletrônica da

proposta e pagamento online via cartão

de crédito, o que garante praticidade para

o cliente e é mais uma ferramenta para o

dia a dia do corretor, que poderá enviar

o link de pagamento por e-mail para que

o próprio segurado preencha seus dados

quando e como preferir”, explica Gustavo

Arruda, gerente de Desenvolvimento de

Produtos de Vida da Icatu Seguros, destacando

que “a ferramenta de contratação

está muito mais intuitiva e amigável para

que as vendas ocorram de forma mais

rápida e segura”.

20

O executivo adianta que este é o

primeiro passo de uma grande reformulação

que a Icatu fará em sua grade de

produtos para corretores com o intuito

de aumentar o faturamento. Vale lembrar

que a empresa foi a primeira a lançar no

Brasil um seguro de vida inspirado no

Universal Life. Chamado de Equilíbrio,

o produto tem prêmio nivelado, contribuição

flexível e reserva financeira com

rentabilidade garantida, além de flexibilidade

para o cliente escolher a vigência

do seguro e a forma de contribuição. É

possível, por exemplo, pagar mensalmente,

realizar aportes e trazer recursos

de outros planos via portabilidade. Essas

contribuições compõem a reserva do

cliente. Parte desta reserva é utilizada

para cobrir a proteção por morte, o que

permite que o cliente possa ficar sem

contribuir por um tempo, sem perder

a proteção. O valor das contribuições

não aumenta com a idade, é atualizado

apenas pela inflação.

Outro produto que não aumenta com

a idade é o seguro de vida Horizonte, cujo

diferencial é a opção de contratação a

partir de R$ 100. Arruda afirma que não

se trata de um microsseguro, mas tem a

função social de levar proteção a outras

camadas da população.

Para o presidente do CVG-RJ, Octávio

Perissé, a próxima etapa do mercado

será operar com microsseguro. “Eu

acredito que este segmento pode despertar

mais o consumidor brasileiro para o

ramo de seguros com coberturas e preços

bastante acessíveis”, explica.

❙ ❙Gustavo Arruda, da Icatu

❙❙

Octavio Perissé, do CVG-RJ

Parte fundamental neste processo, o

corretor de seguros vem sendo preparado

pelas companhias para atuar em venda

consultiva, pois o consumidor está cada

vez mais questionador, mais curioso para

conhecer os detalhes do que está comprando

e os benefícios que terá.

“O corretor é de extrema relevância

para o fomento do mercado de seguro de

vida e previdência. Eu aconselho a ele

investir em capacitação. O consumidor

está cada vez mais aberto e mais atento

sobre produtos que possam compor o seu

planejamento financeiro. Desta forma, o

corretor deve atuar como um consultor e

o conhecimento é fundamental”, ressalta

Helder Molina, da MAG. “Também

recomendo que ele esteja aberto ao

mundo digital. Este tipo de ferramenta

vem para ajudar o corretor no seu dia a

dia. Na MAG Seguros, por exemplo, o

Venda Digital permite que o corretor comercialize

todo portfólio da companhia

de forma rápida e segura, facilitando a

implantação da proposta e o pagamento

das comissões.”

Fernanda Pasquarelli, da Porto

Seguro, concorda. “O caminho para

que o produto continue em ascensão é a

especialização por parte dos corretores.

A mudança de percepção do consumidor

acontece graças aos esforços deste

profissional, que além de levantar as

necessidades específicas do cliente e

oferecer soluções personalizadas de

acordo com seu perfil, tem reforçado

constantemente a importância do produto

para uso em vida.”



especial vida | distribuição

22


Novas

formas

de fazer

seguro

de vida

A comercialização

tradicional e online

caminham juntas,

tornando o momento

propício para a

elaboração de novos

produtos. Isso contribui

para a disseminação

da cultura do seguro

de vida

Thaís Ruco

Mesmo o Brasil sendo um

dos países mais populosos

do mundo, ainda não há

tradição em consumir seguros

de vida. A despeito dos problemas

econômicos, muitos que teriam condições

de contratar não o fazem por mero desconhecimento.

Segundo levantamento

realizado pelo Ibope, apenas 15% dos

brasileiros possuem essa modalidade,

seja por meio de planos coletivos ou

individuais.

Porém, alguns fatores como o aumento

da longevidade da população, as

novas tecnologias, os avanços na medicina,

os novos hábitos e a conscientização

pela qualidade de vida influenciam a contratação

dos seguros de vida. Em 2019, o

ramo cresceu 13,4% em prêmios emitidos

nos produtos de Pessoas Coletivo e 70,3%

na categoria Pessoas Individual, superando

até outras carteiras.

A tendência de produtos está nos

seguros para utilização em vida, para a

proteção de patrimônio, gestão financeira

e nos seguros com cobertura de incapacidade

temporária. Estes produtos passam

por um momento de transformação e o

mercado, junto ao corretor, também. A

abordagem para a venda de seguro de

vida agora é ressaltar a vida e não mais

destacar a morte.

“Estamos falando de vida e não de

morte. De proteção financeira e gestão

de recursos das famílias. Este é o propósito

para contratação do seguro de vida,

preservar a vida e o patrimônio, assegurando

um futuro mais seguro e saudável

às pessoas”, aponta Flávio Sá, gerente

Comercial Vida na Seguros Unimed.

O fato de o Brasil ser um mercado

pouco maduro no ramo de seguros abre

muitas oportunidades, apesar de ainda

não ter uma cultura mais sólida voltada

para o planejamento financeiro. A população

está envelhecendo, o programa

de previdência social foi reformulado, a

cultura do seguro vem sendo disseminada

e a tecnologia aponta para uma tendência

de aumento da conscientização quanto à

importância desse tipo de proteção.

“Temos observado um aumento da

conscientização dos brasileiros quanto

à relevância da educação financeira em

geral, principalmente a partir dos debates

❙❙Flávio Sá, da Seguros Unimed

motivados pela reforma da Previdência

Social”, diz Bernardo Castello, diretor

na Bradesco Vida e Previdência.

Embora as pessoas estejam mais

conscientes quanto à necessidade de proteção,

a penetração do segmento ainda é

baixa, seja por desconhecimento ou pela

percepção de que ainda é caro contratar

algum tipo de seguro. O Seguro de

Pessoas equivale a apenas 0,6% do PIB

brasileiro. Porém, longe de ser negativo,

esse cenário mostra o imenso potencial de

crescimento do segmento no país.

O desafio é tornar o produto cada

vez mais tangível e presente no cotidiano

das pessoas, sem descuidar, claro, da

proteção principal e futura. “Precisamos

fortalecer a cultura do seguro no País.

Este trabalho é feito em um esforço

conjunto de seguradoras e corretores

para identificar e mostrar aos clientes as

❙❙Bernardo Castello, da Bradesco

23


>>> distribuição

❙❙Marcos Kobayashi, da Tokio Marine

inúmeras opções de proteção existentes

no mercado e como cada uma delas atende

à sua necessidade. É dessa forma que

levamos ao conhecimento do consumidor

os benefícios do seguro de vida para o

planejamento financeiro das famílias,

ou seu caráter de proteção do capital

humano para as empresas, além de sua

contribuição para a tranquilidade no dia

a dia”, afirma Marcos Kobayashi, diretor

Comercial Vida na Tokio Marine.

“Para atingir novos consumidores,

é necessário um maior investimento na

educação financeira, principalmente do

público jovem. E o momento é muito

propício, afinal, com a Reforma da Previdência,

os jovens não poderão depender

única e exclusivamente do Estado para

sua aposentadoria e proteção financeira

pessoal e familiar”, analisa Marcelo Blay,

CEO da Minuto Seguros.

As pessoas têm muita dificuldade

de entendimento não só de coberturas,

mas também de capitais mais adequados

para a manutenção do padrão de vida dos

beneficiários, no evento morte, ou do

próprio segurado, em caso de invalidez.

“Isso muda com uma distribuição ainda

mais qualificada, por meio dos corretores

de seguros, junto aos consumidores, facilitada

pela digitalização das ferramentas

de contratação disponibilizadas pelas

seguradoras”, acredita Renato Pedroso,

presidente da Previsul.

Para André Gregori, CEO da Thinkseg,

o número de consumidores vai aumentar

mediante o lançamento de novos

produtos de vida e propagação de informações

sobre eles. “Essa educação financeira

24

tem de ser do interesse de bancos, seguradoras

e de entidades reguladoras, como a

Comissão de Valores Mobiliários (CVM),

Susep, como também de associações e

agentes de autorregulação, com o objetivo

conjunto de esclarecimento das vantagens

do seguro de vida aos clientes”, completa.

Rodrigo Ventura, CEO da 88 Insurtech,

defende que a melhor forma de

chegar aos novos consumidores é através

do canal digital. “Conseguimos chegar no

cliente por meio de seu telefone celular,

que é a ferramenta que todos utilizam o

dia todo. Com o digital nos fazemos comunicar,

entender, podemos criar a cultura

dos seguros com tutoriais, vídeos, uma

série de formas intuitivas que fazem com

que o cliente tome consciência do seguro

e consuma os vários tipos de proteção,

que hoje sequer tem conhecimento”.

Vendas tradicional e online

caminhando juntas

O mercado independente, o bancassurance

e os canais digitais possuem

diferentes características de distribuição.

“Os produtos de oferta, como o segmento

de vida, têm tendência de maior representatividade

pela distribuição via corretor.

Com o aumento da conscientização do

próprio profissional, o mercado independente

demonstra grande potencial

de distribuição desse ramo. No mesmo

sentido, a inovação e a comodidade proporcionadas

pelos canais digitais tendem

a torná-los cada vez mais relevantes, especialmente

para as novas gerações”, analisa

diz Bernardo Castello, da Bradesco.

❙❙Renato Pedroso, da Previsul

❙❙Marcelo Blay,, da Minuto

Para Flávio Sá, da Seguros Unimed,

as vendas dos seguros de vida pelo canal

online ainda não têm expressão, pois o

mercado está em construção de tecnologias

e aplicativos. Além disso, trata-se

de um seguro que precisa de uma certa

consultoria, geralmente não é uma venda

por impulso, feita com rapidez. “Talvez

através dos chats, algum consultor ou

corretor possa se comunicar com o cliente

de forma mais ágil, tornando a venda

online efetiva. Os bancos ainda detêm a

maioria do prêmio anual dos seguros de

vida, porém, as vendas também ocorrem

por intermédio de um corretor”, analisa.

Em sua visão, pensando em médio ou

longo prazo, as vendas online devem

ultrapassar o tradicional. “Certamente,

as vendas online farão parte da nossa

rotina basicamente para tudo. Produtos

mais simples no ramo de Vida, como seguros

de Acidentes Pessoais, já dão sinais

positivos em vendas no formato digital”.

“Poucos corretores no Brasil exploram

essa ferramenta incrível que é a

internet, que seria um grande canal de

distribuição. Precisamos nos reinventar

e passar a utilizar a tecnologia a nosso

favor”, aconselha Nalélia de Almeida, da

Atual Corretora de Seguros.

Rodrigo Ventura, da 88 Insurtech,

explica que são nichos de negócios distintos.

“Quando se trata da venda de um

seguro de vida com alto valor agregado,

certamente está nas mãos dos corretores,

que fazem a venda consultiva, avaliando

patrimônio e necessidades do cliente. No

canal banco estão seguros de pequeno

valor, que são embutidos durante uma



>>> distribuição

❙❙

Rodrigo Ventura, da 88 Insurtech

negociação ou tomada de empréstimo.

As vendas online têm potencial de crescimento

enorme na geração população

Milenium, que é nativa digital, demanda

experiência online, não quer saber da

venda no papel, burocrática, quer uma

venda intuitiva, digital. Assim, o poder

do canal digital vem crescendo com a

nova população”.

“A distribuição online atinge um

perfil de consumidor e a consultoria

do corretor especializado atinge outro

perfil”, concorda Sonia Marra, da Marra

Corretora de Seguros. “Desta forma, considero

que a distribuição online, apesar de

crescente e ameaçadora, não vai eliminar

a consultoria especializada do corretor

de seguros. Cada uma atuando focada

em seu público-alvo e promovendo o

máximo de informação e facilidades de

contratação”.

O presidente da Previsul, Renato

Pedroso, pondera que sempre existirá

a necessidade do consumidor interagir

com um profissional qualificado, que

ofereça uma consultoria não somente de

coberturas, mas também de capitais na

contratação de seguros de vida, por exemplo.

“A exemplo do mercado financeiro,

que conta com profissionais voltados para

área de investimentos, onde existem produtos

financeiros complexos, o mercado

de seguros necessita dos corretores de

seguros para uma distribuição adequada

para além do produto automóvel”.

A distribuição online não vai substituir

a venda consultiva nos seguros de

vida. “A captação do cliente pode ocorrer

26

no online, mas na maior parte dos casos é

necessário o papel do corretor de seguros

orientando o consumidor a respeito de

quais coberturas devem ser contratadas,

considerando o perfil e momento de vida

do cliente”, garante Marcelo Blay, da

Minuto Seguros.

Patrícia Jacobucci, presidente do

CSP-Bahia (Clube de Seguros de Pessoas

e Benefícios do Estado da Bahia) e diretora

da Platal Corretora de Seguros, acredita

que, por estamos vivendo um momento de

mudanças cada vez mais rápidas, as vendas

online podem predominar. Contudo,

ressalta que não é a melhor maneira de

contratar. “A consultoria nesse segmento

é fundamental, uma vez que a compra mal

feita só é percebida quando não há mais

possibilidade de reparar”, alerta.

A venda online é uma realidade, mas

por trás dela deve existir a consultoria. “É

importante neste trabalho de consultoria

deixar claro que nem sempre o mais

barato é o melhor. Que escolher uma

seguradora especialista, que tem know

how na liquidação de sinistro, por exemplo,

faz toda a diferença. A venda online

é uma realidade, os corretores precisam

se adaptar, escolher boas plataformas de

distribuição desse produto, sem abrir mão

da venda consultiva, ainda que a captação

desse cliente tenha ocorrido pelos canais

digitais”, frisa Patrícia.

O corretor de seguros deverá se

adequar às tendências de mercado. A

tecnologia continuará atuando como facilitadora,

permitindo maior autonomia e

agilidade, além de diminuição do trabalho

operacional, incremento nas vendas,

❙❙Nalélia de Almeida, da Atual

❙❙

André Gregori, da Thinkseg

precisão e rapidez de todo o processo de

contratação de distribuição. “Por meio do

investimento em capacitação, o corretor

poderá adquirir um melhor entendimento

das soluções e produtos que se adequem

ao perfil de seus clientes, a fim de ampliar

as oportunidades de negócios e trabalhar

na diversificação do mix da carteira. Os

canais digitais são, sem dúvida, uma

forma indispensável para divulgar uma

corretora de seguros, conquistar novos

clientes e controlar mais facilmente as

operações”, ressalta Marcos Kobayashi.

O trabalho do corretor, somado às

novas tecnologias, deverá ganhar maior

agilidade no acompanhamento do cliente

em todos os seus estágios de vida. “Os

dois meios de comercialização, trabalhando

juntos, criarão mais oportunidades

e melhorias na prestação de serviços

do setor. Um exemplo dessa parceria de

sucesso entre o corretor e o mundo digital

é a gigante chinesa Ping An, considerada

a seguradora mais digital do mundo, mas

que mantém 70% da distribuição por

meio do agente tradicional”, revela Bernardo

Castello.

Novos produtos impulsionam

O lançamento de novos seguros

de vida, com benefícios em diferentes

idades, contratação online e por comportamento

é uma tendência mundial.

Uma forma de inovar o produto que, no

passado, ficava atrelado à indenização

de morte.

Os novos modelos de seguros de

vida podem ajudar na disseminação


❙ ❙Sonia Marra, da Marra

do produto. Seguros de vida em que o

segurado consegue usar os benefícios

atraem o público, pois as coberturas são o

grande atrativo. “Seguros como Doenças

Graves, SERIT – Seguro de Renda por

Incapacidade Temporária, Remissão e

Proteção Financeira estão em alta, com

crescimento acima dos dois dígitos.

Produtos para serem usados em vida

estão alavancando as vendas e mudando

o mercado de seguros de pessoas”, conta

o diretor da Seguros Unimed.

“O Universal Life é o produto de

seguro de vida mais disseminado no

mundo, pois combina a cobertura de risco

com acumulação. Após a regulamentação

da Susep, em pouco tempo esse produto

será líder no Brasil, ajudando a disseminar

a cultura do seguro de vida”, avalia

o presidente da Previsul.

O Universal Life atende boa parte

das necessidades atuais, principalmente

do ponto de vista da flexibilidade na

contratação ou no decorrer da vigência

da apólice, em relação aos capitais e prêmios

segurados, sendo o plano de seguro,

uma combinação de valores de risco e

acumulação. “É importante ressaltarmos

que há uma inúmera oferta de produtos,

independente do lançamento desta nova

modalidade e, precisamos aumentar os

índices de adesão, levando mais informação

aos clientes, conscientizando e

aculturando o nosso mercado, através de

capacitação e mentoria constante”, diz o

diretor da Tokio Marine.

“O Universal Life oferece prêmio nivelado,

ou seja, o mesmo valor ao longo de

todo o período de vigência da apólice, com

acumulação e resgates em vida, garantia de

rentabilidade, aportes e portabilidade, com

vigência flexível proporcionando ao cliente

um novo olhar para um seguro de vida”,

aponta a corretora Sonia Marra.

Para a corretora Nalélia de Almeida,

essa modalidade traz um leque maior

de produtos e, consequentemente, mais

argumentos para a comercialização.

“Podemos atingir um público maior,

inclusive os que pensam que seguro de

vida é seguro somente para morte”, diz.

Essas novas modalidades impulsionaram

as vendas de seguros de pessoas

em outros países, portanto é esperado que

ocorra a mesma situação no Brasil. “No

entanto, haverá a necessidade de maior

especialização dos corretores de seguros

para a correta distribuição de produtos

mais complexos”, ressalta Marcelo Blay.

Em mercados de países desenvolvidos,

a população tem maior conhecimento

e conscientização da importância da

educação financeira. “Reconhecem nos

seguros de vida uma importantíssima

alternativa para a proteção financeira

pessoal e de suas famílias. Nestes países

o seguro é visto como uma poupança

de longo prazo. No Japão, por exemplo,

existem mais apólices de seguro de vida

do que habitantes, tamanha a consciência

da necessidade de prevenção e proteção

❙❙

Patrícia Jacobucci, do CSP-Bahia

contra os infortúnios da vida”, revela.

“A Europa e a Ásia já possuem seguros

de vida há muitos anos. Está na cultura,

no estilo de vida e na preocupação por

gerenciamento de riscos. Segundo dados

do Japan Institute of Life Insurance, quase

90% das famílias do Japão possuem

um seguro de vida. Já o mercado brasileiro

é um dos mais emergentes para esta

modalidade, visto que grande parte das

seguradoras internacionais oferecerem

seguros de vida no Brasil. O modelo de

distribuição tem algumas características

iguais, como o corretor de seguros, outros

já estão mais adiantados, com o modelo

tecnológico”, completa Flávio Sá.

Um dos fatores de sucesso do seguro

de vida no EUA e grande parte dos países

da Europa é o alto imposto cobrado

sobre herança: como não há cobrança de

impostos do seguro de vida, este se torna

viável. “No Brasil, este imposto é baixo e

gira em torno de 4%, mas para fazer com

que este seguro se espalhe entre as famílias

brasileiras é necessário que se crie um

direcionamento de público-alvo”, afirma a

corretora Nalélia de Almeida.


especial vida e saúde | telesubscrição

A análise de risco

certa para cada

perfil de consumidor

Grupo Samplemed desenvolveu

ferramentas que atendem desde

as apólices muito elevadas até

aquelas massificadas para oferecer

uma subscrição cada vez mais

personalizada para as seguradoras

Há muito tempo, o conceito

de subscrição de risco para

a aquisição de seguro deixou

de acontecer apenas no

papel. Com a chegada da tecnologia e de

novas possibilidades de contato com os

clientes, cada vez mais ela passa a utilizar

a análise preditiva dos dados armazenados

pela Samplemed e pelas seguradoras.

Se antes apenas os contratos com

importância segurada mais alta recebiam

a atenção especial, cada vez mais essa

régua vai descendo, principalmente para

combater uma das maiores dores das seguradoras:

as fraudes. Fundada há mais

de 30 anos atrás pelo Dr. Jairo Waitman,

a Samplemed atua como prestadora de

serviços e provedora de soluções integradas

que tornam mais eficientes a análise

e a gestão de riscos associados à saúde.

O Grupo oferece um ecossistema de

soluções para subscrição de riscos que

garante velocidade, transparência com

informações qualificadas para análise de

riscos, assertividade na seleção de proponentes

e na composição de carteiras, sem

esquecer da gestão de fraudes.

“Diria que a empresa está erguida

sobre três grandes pilares: subscrição,

28

Dr. Jairo Waitman, CEO

inovação e transparência dos processos

para o cliente final e para a comunidade”,

destaca Waitman.

Também faz parte do Grupo a SynergyIT,

braço de tecnologia que desenvolve

as ferramentas necessárias para garantir

a integração de todo o sistema de subscrição.

Para isso, ela utiliza recursos de

machine learning, inteligência artificial

e data science.

Além do Brasil, a empresa Samplemed

já expandiu suas operações para a

Europa. Seus produtos já são distribuídos

em inglês, frânces, espanhol e italiano

(em breve). “A empresa tem se destacado

no cenário internacional, com perspectivas

de iniciar uma operação global. Para

isto, montou uma operação europeia com

o objetivo de atender os clientes dentro

das mais estritas leis de proteção de dados”,

revela o CEO da Samplemed.

A grande aposta da Samplemed para

2020 é unificar as suas ferramentas de

subscrição aos modelos preditivos que estão

sendo criados pelo seu time, visando

uma subscrição automática e ágil e sem

grandes custos para as seguradoras.

Entre os serviços que a Samplemed

oferece aos seus clientes está a subscrição

automática, subscrição online, chat/

SMSBot, VoiceBot, video subscrição,

tele subscrição, exames médicos e laboratoriais,

parecer médico e treinamento

de subscrição.

Waitman fala com muito orgulho

de sua equipe, formada por médicos,

subscritores, cientistas de dados, atuários

além dos engenheiros de produtos como

de analistas de programação muito especializados.


Silas Kasahaya, vice-presidente da Samplemed,

explica um pouco mais sobre o impacto da

tecnologia nos negócios de saúde

Apólice: Qual pode ser o impacto

da DPS (Declaração Pessoal de

Saúde) digital para as seguradoras?

Silas Kasahaya: A Declaração de

Saúde Digital é realizada com ferramentas

que aplicam Inteligência

Artifical e análise preditiva ao banco

de dados da Samplemed e/ou da

seguradora. Ela pode ser vinculada

à plataforma digital da seguradora

através da utilização de API’s. Conforme

o cliente vai respondendo às

perguntas, o sistema vai solicitando

novas informções.

Apólice: Isso agiliza a subscrição

do risco em quanto tempo?

Por legislação, a seguradora não

pode demorar mais do que 15 dias

para aceitar um risco. Entretanto,

era prática comum no mercado,

para a aceitação de contratos com

importância segurada mais alta (+/-

R$ 2 milhões), tratar a prosposta

como uma simples consulta, porque

algumas respostas podiam demorar

até 60 dias. Hoje, este processo não

dura mais do que 90 horas.

O uso da DPS digital possui

algumas travas. Primeiro o segurado

informa seus dados pessoais. A

partir dali ele recebe um token para

continuar preenchendo a DPS. Caso

o sistema identifique a necessidade,

pode ser pedido a ele que responda

algumas perguntas de um questionário

mais completo, com o acompanhamento

de enfermeiros. Se for

o caso, ele será direcionado para a

telesubscrição. Mais uma vez, quando

identificada a necessidade, ele

será convidado para realizar exames

laboratoriais.

Apólice: O Grupo Samplemed

está presente em toda esta cadeia de

serviços:

Sim. Nós prestamos todo o serviço

de subscrição, telesubscrição e

exames clínicos. Temos uma grande

rede de prestadores de serviços. No

serviço de telesubscrição, por exemplo,

fazemos o agendamento com o

cliente, porque se trata de uma conversa

que pode se alongar. Ele responde

as perguntas com o acompanhamento

de enfermeiros. A cada resposta “sim”

dele para alguma doença, uso de medicamento

etc, abre-se uma nova tela

com alternativas.

Apólice: Estas questões já foram

previamento escolhidas?

Tudo está parametrizado. Temos

também uma área de qualidade

para validar a entrevista e depois os

pareceres são formatados por nossa

equipe médica, para serem enviados

à seguradora. Esta inteligência é o

grande core da empresa.

Apólice: Estas ferramentas podem

ser aplicadas em outras áreas?

Claro. Com elas nós podemos

oferecer consultoria e treinamento

para as seguradoras na formatação

de novos produtos. Outro serviço

interessante é a interpretação dos

manuais de subscrição das resseguradoras,

que contém mais de 1500

patologias diferentes. Somos capazes

de criar protocolos para aceitação ou

não destes contratos.

Apólice: Quais são as tendências

mundiais em termos de subscrição?

Silas Kasahaya, vice-presidente

As ferramentas que disponibilizamos

ao mercado hoje atuam de

forma complementar, como um workflow.

A tendência para as companhias

é oferecer isso em sua plataforma

digital, utilizando Data Science.

Lançaremos em breve a subscrição

preditiva, sem que o cliente precise

preencher sequer a DPS. Através de

seus dados pessoais, utilizamos um

Big Data, seja da seguradora ou de

informações públicas, sempre respeitando

os princípios da LGPD, para

fazer a subscrição de riscos menores.

Com dados como CPF, idade, estado

civil, região de residência já é possível

saber, por exemplo, se há mais ou

menos propensão a doenças cardíacas,

por exemplo.

Apólice: A Samplemed está alinhada

com o que acontece no resto

do mundo?

O mundo caminha para a subscrição

preditiva. Nossa equipe comandada

pelo diretor de produtos,

Albert da Costa, é uma das que mais

estuda essa nova tendência. A DPS

digital já está pronta para o mercado

segurador, capacitando-o para fazer

a melhor aceitação de risco possível.

A tendência no futuro será fazer todo

o trabalho de subscrição de risco em

tempo real.

29


especial vida e saúde | telemedicina

O salto que o Brasil

espera da saúde

Mercado brasileiro

presencia evolução de

health techs e acredita

em democratização

do acesso ao

atendimento médico,

mas telemedicina ainda

esbarra em impasse

regulatório

André Felipe de Lima

Em um quarto de um hospital de

Nova Iorque, um sonho: o de ser

pai. O ano era 2012. Mario Schlosser

e sua esposa estavam ansiosos

pela chegada da criança, mas acabaram

tragados por um mar de jargões de seguros

e uma dificuldade para identificar qual o

melhor obstetra para atendê-los. A primeira

experiência mais complexa de Schlosser

com o sistema de saúde americano não

foi das mais amenas. Josh Kushner, amigo

de Mario, também havia sofrido uma desilusão

tremenda com o sistema de saúde

após um simples exame de rotina de uma

lesão. Os dois concluíram que havia um

problema muito maior com o modelo de

saúde americano que deixava os cidadãos

completamente impotentes. Naquele mesmo

ano, decidiram criar a Oscar Health, uma

operadora da área de saúde integralmente

digital que, de lá para cá, está avaliada no

mercado em alguns bilhões de dólares.

Com ampla prática médica realizada à

distância com o uso de tecnologia da informação,

ou seja, a telemedicina, e com tão

pouco tempo de atividades, a startup nova-

-iorquina mexeu nas bases das companhias

tradicionais do setor de saúde americano.

Esse crescimento absurdamente veloz tem

resposta em um ambicioso planejamento de

30


marketing que atingiu em cheio um público-

-alvo específico: os millenials ou a geração

Y. É aquela turma que nasceu a partir da

década de 1980 e está, naturalmente, bastante

familiarizada com as novas tecnologias, sobretudo

as de comunicação, a base estrutural

da telemedicina.

De todos estes meios de informação, o

celular é a chave-mestra da oferta da Oscar

Health. Hoje, o telefone móvel constitui-se em

um meio eficaz para redução da sinistralidade,

ou seja, o aplicativo orienta o usuário para

que, antes de ir ao consultório, pergunte, em

um chat com outros médicos e enfermeiros,

se realmente será necessário o atendimento

pessoal. A economia com a digitalização do

atendimento médico é inegável, como atestam

fontes do mercado de telemedicina no Brasil.

A reportagem entrou em contato com a

assessoria de Mario Schlosser, CEO e fundador

da Oscar Health, mas ele não respondeu à

pergunta básica que fizemos: “Quando a Oscar

ingressará no mercado brasileiro?”. O fato de

não querer atender à reportagem da Apólice

talvez se deva ao fato de que no Brasil a telemedicina,

mesmo que ostentando resultados

expressivos, ainda esbarra na regulamentação,

ou melhor, na falta dela.

Embora tenhamos por aqui algumas health

techs que já atuam (e de forma bastante satisfatória)

em telemedicina, o impasse regulatório

transformou-se em uma barreira para um

crescimento ainda mais significativo deste

novo segmento da saúde e, consequentemente,

o que ele pode resultar em economia (além

da redução da sinistralidade em saúde). A

inflação médica, tão temida pelas operadoras

brasileiras, poderá, enfim, ser controlada com

a digitalização do atendimento? Será que a

telemedicina é esta panaceia, com todo o arcabouço

tecnológico que a cerca? Respostas a

estas perguntas seriam ainda prematuras, mas

o debate sobre a importância da telemedicina

para o mercado de saúde no país é louvável e

premente. Para muitos, a telemedicina promoverá

uma profunda transformação na relação

de todos com a saúde. Não seremos mais os

mesmos, portanto. Só não se sabe ao certo

se essa transformação será a curto, médio ou

longo prazo.

“Eu acho que é uma das revoluções mais

espetaculares da medicina dos últimos 100

anos. Por quê? Sempre que você procurou

fazer uma matéria sobre o avanço da tecnologia,

ela vinha acompanhada de aumento de

31


>>> telemedicina

❙❙Roberto Botelho, da ITMS

custo. Você lança uma nova ressonância,

aumenta o custo; você lança um novo

remédio, aumenta o custo; você lança

um novo procedimento, aumenta o custo.

Com a telemedicina, você baixa o custo

e melhora os indicadores. Baixar o custo

e aumentar indicador é o sonho de qualquer

gestor. Com isso, vamos conseguir

superar o grande desafio de todas as

economias globais, que é a inflação de

saúde”, prevê o cardiologista Roberto

Botelho, presidente da International

Telemedical Systems (ITMS), uma das

pioneiras em telemedicina no Brasil e

com atuação em outros centros latinoamericanos.

Hoje, explica Botelho, há países que

consomem mais do que 11% ou 15%

do seu Produto Interno Bruto (PIB) em

saúde, e esse consumo não é revertido em

melhorias dos serviços médicos à população.

Como exemplo dessa distorção,

e para mostrar que não se trata de uma

incômoda peculiaridade de países em desenvolvimento,

o especialista cita os Estados

Unidos, que embora sejam os maiores

investidores do mercado de saúde, não

estão entre os 10 melhores em serviços

de saúde do mundo: “A telemedicina vai

harmonizar isso, quer dizer, nós teremos

indicadores, processos semelhantes em

diferentes países. Um paciente que mora

num país em desenvolvimento pode ter

acesso à medicina de país desenvolvido”,

garante Botelho.

Uso consciente do

plano de saúde

Antecipando-se ao que a telemedicina

pode proporcionar para reduzir a

inflação médica, algumas operadoras e

32

seguradoras desenvolvem estratégias para

estimular o uso consciente dos planos

de saúde.

A Bradesco Saúde, por exemplo, desenvolveu

uma campanha educativa para

incentivar seus beneficiários a utilizar o

plano de saúde de forma adequada. O

objetivo da campanha foi mostrar como

comportamentos indevidos podem,

em médio e longo prazos, impactar o

valor das mensalidades, o que, por fim,

prejudica o próprio consumidor. Para

essa ação, foi elaborada uma série de

comunicados, como e-mail marketing

e vídeos educativos, para beneficiários,

corretores e funcionários da seguradora.

Nos informativos, a mensagem ressalta a

importância do uso consciente do plano

para a própria segurança, evitando desperdícios

e gastos desnecessários.

“O comunicado ressalta, por exemplo,

que o reembolso é pago exclusivamente

ao segurado, e não ao prestador

de serviço, e que a divisão de recibos é

uma prática ilegal. Vale lembrar que o uso

consciente do plano de saúde beneficia

a todos”, diz o diretor de Operações da

Bradesco Saúde, Sylvio Vilardi.

Telemedicina já é realidade

“extraoficial” no Brasil

CEO da plataforma de telemedicina

Conexa Saúde e fundador da plataforma

de ensino à distância Jaleko, o também

cardiologista Guilherme Weigert destaca

que “extraoficialmente” a telemedicina

já é uma realidade na vida da maioria

dos pacientes e dos médicos. “Em uma

pesquisa realizada com médicos, mais

de 70% admitiram se comunicar com

pacientes através de WhatsApp, o que

promove uma grande insegurança, já

que o registro das informações é frágil

e os dispositivos para atendimento são

inapropriados para uma boa prática de

telemedicina, apesar de nós, médicos,

sabermos que já resolvemos muitos casos

de fato por esse meio de comunicação”,

assinala Weigert.

O cenário que a telemedicina propõe

é sedutor, mas o recurso tecnológico que

a molda ainda aguarda uma normatização

no Brasil. Em fevereiro do ano passado,

o Conselho Federal de Medicina (CFM)

publicou uma norma, mas em seguida

❙❙Guilherme Weigert, da Conexa Saúde

revogou-a após pressão de parte da comunidade

médica. Após um ano, a discussão

sobre como normatizar a telemedicina no

país continua.

Weigert reconhece ter sido abrupta a

forma com que a regulação foi anunciada

no ano passado e, fundamentalmente, sem

o cuidado necessário com a receptividade

da comunidade médica. “A medicina

atual é baseada em evidências científicas

e debates acerca das grandes evidências

de benefício e segurança da telemedicina.

Elas deveriam ter sido discutidas e divulgadas

antes da liberação da regulação.

Depois de um ano, ainda carecemos de

muita discussão técnica sobre o assunto,

apesar de grandes sociedades médicas,

como a Sociedade Brasileira de Cardiologia

(SBC), terem publicado diretrizes

de telemedicina em sua área de atuação,

o que mostra um avanço importante para

a área no Brasil”, ressalta Weigert, esperançoso

de que as regras sejam anunciadas

ainda neste semestre. “A última regulação

válida tem quase 20 anos e, sem dúvida,

não acompanha o avanço da tecnologia no

mundo”, completa o CEO da Conexa Saúde,

uma empresa que surgiu da experiência

desenvolvida em 2017 com uma clínica de

atenção primária no Rio de Janeiro, onde

o médico generalista atendia os pacientes

e, quando precisava das opiniões de um

especialista, recorria à teleinterconsulta

online. “A partir desse momento, entendemos

que deveríamos focar 100% no digital

e oferecer a telemedicina para diversas

empresas e hospitais, melhorando a eficiência

do atendimento e reduzindo custos.”

Para Botelho, da ITMS, houve realmente

uma pressão, porém sem fundamentação

em dados. “Por isso, as pessoas


que cuidam de dados no CFM estão

reforçando-os para que se apresentem

de maneira incontestável e que venham

à tona para melhorar a prática médica,

porque a solução não vai substituir médico.

Eu repito sempre: ela vai substituir a

ineficiência. O médico que for substituído

merece, porque está numa prática ineficiente.

Todos os setores do conhecimento

humano estão passando por esta transformação

digital e com a saúde não vai ser

diferente”, diz o especialista.

Considerando que a telemedicina é

uma atividade médica regulamentada

mundialmente pelo órgão americano

American Telemedicine Association

(ATA), por que, então, a demora para

definir regras para a telemedicina no

Brasil, haja vista que quase 70% da população,

como apontam dados do Instituto

Brasileiro de Geografia e Estatística

(IBGE), estão conectados ao ambiente

online? Weigert, da Conexa Saúde, assinala

que muitos fatores estimularam o

atraso para a definição de novas regras

da telemedicina no Brasil. “A medicina,

tradicionalmente, tem origem mais

conservadora e claramente pode ter um

impacto imensurável na vida das pessoas,

já que estamos falando de desfechos

duros como morte, doença incapacitante

e que movimentam um alto custo. Além

disso, alguns mitos de que a tecnologia

substituirá o homem contribuem ainda

mais para esse retardo no avanço da

telemedicina. Por fim, existe um desconhecimento

muito grande da classe

médica sobre as evidências e benefícios

comprovados pela literatura mundial

acerca do tema”, pondera o médico.

Superintendente executivo do Instituto

de Estudos de Saúde Suplementar

(IESS), José Cechin explica que a estrutura

tecnológica ainda é um desafio

para um país de dimensões continentais

como o Brasil. Mas pondera que estamos

caminhando nesse sentido, com novos

dispositivos sendo lançados e outros

ganhando atualizações. “Além disso, a

prática e o ensino da medicina também

podem ser empecilhos, com profissionais

de gerações anteriores tendo outros hábitos

e técnicas. Nesse sentido, a atuação de

entidades de classe e de outros órgãos é

fundamental. Para se ter ideia, em 2019,

❙ ❙José entrou em vigor um novo Código de Ética

Médica que, pela primeira vez, trouxe

citação à telemedicina. É importante ter

em mente que a telemedicina não desumaniza

a prática médica, assim como

o atendimento presencial não significa

humanização. Isso está diretamente relacionado

com a postura do profissional

e sua formação. Fora isso, a legislação

brasileira não assume automaticamente

regras internacionais como prática aceitável

no país. É uma questão infralegal, que

também pode ser vista em outros países

e que não é, necessariamente, negativa”,

analisa Cechin.

Atenção primária à saúde

Mas o mercado está realmente atento

à proporção da influência da telemedicina

na Atenção Primária à Saúde e aos reflexos

no atendimento ao usuário? No caso

da Bradesco Saúde, a empresa integra o

atendimento primário à saúde nos três

pilares estratégicos do grupo.

Vilardi, da Bradesco Saúde, explica

que os demais direcionadores são “incentivos

à eficiência e qualidade assistencial”,

com foco em novos modelos de

remuneração, e “gestão do beneficiário”,

com promoção de saúde e prevenção

de doenças, análise populacional e engajamento

do paciente. “Esse conjunto

de iniciativas tem se traduzido em mais

valor para nossos beneficiários, com

a criação de produtos com qualidade,

custo adequado e voltado para diferentes

segmentos da população. Nesse sentido,

o uso do prontuário eletrônico permite

uma gestão mais efetiva das informações

e histórico médico, evitando desperdícios

e uniformizando as condutas. Em adição,

observamos uma maior racionalização

dos custos no que se refere à realização

de exames e frequências de atendimentos

de pronto-socorro, além da melhoria dos

índices de satisfação e fidelização do

cliente”, descreve Vilardi.

Democratização do

acesso à saúde

Todas as fontes ouvidas pela Apólice

são unânimes ao afirmar que a telemedicina

poderá representar um salto de

democracia do acesso à saúde no Brasil.

Para o cardiologista Roberto Botelho, não

há dúvida alguma de que isso ocorrerá,

porque a telemedicina traz três elementos

essenciais: a universalização do acesso,

a descentralização da complexidade e a

equidade num ambiente de baixo custo.

“Ela (telemedicina) democratiza sim.

Lideramos um projeto chamado Latin

America Telemedicine Infarct Network.

Nós criamos esse programa através de

nuvem para ajudar postos de saúde a

fazerem diagnóstico e criarem redes de

infarto. Esse programa rodou no Brasil,

Colômbia e México; atendemos 800 mil

pacientes; diagnosticamos mais de 8 mil

infartos, foi mais de 1%; tratamos 4 mil e

reduzimos globalmente a mortalidade de

25%, que era a média, para 7%. Essa redução

de quase 20% em termos absolutos

da mortalidade não tem um precedente

histórico. Esse é um elemento incontestável.

Além disso, estudos de economia

mostraram que essa abordagem de criar

processos para o atendimento do infarto

reduziu em 50% o custo”, descreve

Botelho.

Cechin, do IESS, segue a mesma linha

de Botelho: “Além disso, representará

uma mudança na estrutura do modelo

assistencial brasileiro. Acreditamos que,

se aplicada de forma correta e estruturada,

essa tecnologia pode trazer grandes benefícios

para o sistema de saúde nacional,

tanto público quanto privado. Um dos

pontos centrais é a diminuição dos espaços,

ou seja, a redução do tempo de deslocamento

e das dificuldades enfrentadas

para conseguir uma consulta. Especialmente

para os brasileiros que moram mais

afastados dos grandes centros, em regiões

rurais, por exemplo. Existe potencial para

redução de custos”, conclui.

Cechin, da IESS

33


artigo | sabemi

Seguro, um aliado maior

do que parece

Quando jovens, costumamos

olhar para o seguro de vida

ou de acidentes pessoais com

certo desdém, na verdade um

rechaço que oculta o medo de encarar um

temor comum a todos. Quem alcança a

sabedoria de entender melhor esse tipo

de produto, porém, tem uma chance de

experimentar justamente o oposto: usufruir

mais da vida.

Mesmo sem ser caracterizado como

um ativo financeiro nos moldes de uma

carteira de ações ou um título do Tesouro,

o seguro é um investimento, sim. E,

indo além, o seguro é o investimento

mais barato que existe. Por isso, quem

tiver mais zelo com seu patrimônio e sua

tranquilidade precisa decifrá-lo. É o que

impõem as vertiginosas transformações

na economia, com seu impacto cada vez

mais imediato no cotidiano das famílias.

País em desenvolvimento, mas

com históricas deficiências no ensino

e pouco afeito a planejamentos a longo

prazo, o Brasil está diante do desafio de

compreender a cultura do seguro, e tirar

proveito dela. A sociedade brasileira, em

suas contas recorrentes, inseriu o seguro

34

Antonio Tulio Lima Severo*

para objetos, o de veículos, por exemplo.

Precisa também se voltar para a proteção

pessoal. Assim, verá que essa mudança de

foco também repercutirá no bolso, visto

que produtos de seguro, dependendo da

modalidade, oferecem benefícios adicionais

que aliviam permanentemente

as despesas rotineiras, e principalmente

imprevistos que na verdade poderiam ser

previstos por serem inevitáveis. Para citar

alguns exemplos: auxílio para gastos com

animais de estimação (conforme o IBGE,

hoje há mais cães e gatos nas residências

do que crianças, portanto não é nada

desprezível esse apoio), descontos em farmácia

(e, lembre-se, a população é cada

vez mais idosa e, portanto, dependente de

medicamentos) e reparos e instalação de

eletrodomésticos, entre outros.

Vantagens como essas são propiciadas

por uma lógica inteligente de negócio:

quando a base de segurados é grande,

o custo da contratação de serviços,

produtos, descontos adicionais se dilui.

A cultura do seguro é boa para todos.

A seguradora ganha, as empresas a ela

conectadas ganham e, principalmente,

ganha o cliente, ao ter, além da proteção

contratada, benefícios adicionais que

vão aliviar o seu orçamento doméstico

e ajudar a manter as suas finanças sob

controle.

Com as mudanças estruturais em

curso, como a da Reforma da Previdência,

as pessoas têm de se convencer de que

o seguro, com toda a sua variedade de

opções e peculiaridades de benefícios,

é um aliado mais útil e necessário do

que parece.

*Antonio Tulio Lima Severo é fundador e

diretor-presidente da Sabemi Seguradora



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