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Abufa na Gaita - abril 2020

Abufa na Gaita - abril 2020 Versão Digital

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Edição I / 2020 ISSN 2183-5578

Abufa na Gaita

O mundo, a associação e as pessoas

O Coronavirus

e os seus efeitos

na associação

´

E ainda:

-Aniversário da B.S.C.R.T

-Presente e Futuro

-Escola de Música


EDITORIAL

<< Tempos Difíceis…Exigem medidas difíceis

e ideias inovadoras! >>

Tal como o mundo, também a BSCRT nunca experienciou uma alteração à Sua rotina

tão drástica, como aquando da chegada da pandemia causada pelo COVID-19. Sede

fechada, ensaios cancelados, festas e concertos cancelados, aulas suspensas, pessoas

afastadas… Contudo, a vida da associação não parou. O dia-a-dia da associação é

gerido através de novas tecnologias, delineando-se as novas etapas à distância.

Excelente exemplo disso, são as reuniões dos corpos

sociais por videoconferência, bem como a adaptação

da escola de música para o formato Telescola. Aqui o

desafio é gigante, pois não chega o aluno e o professor

se entenderem com som e imagem, mas também é

necessário que o som dos instrumentos seja audível,

sem delay, e com um mínimo de qualidade, para que

os parâmetros de avaliação, como afinação, timbre e dicção sejam cumpridos.

Contudo, a equipa docente e os alunos têm sido incríveis ao se empenharem para que

tudo funcione. Além da Telescola e das reuniões, um excelente exemplo de adaptação

será esta edição do Magazine Abufa na Gaita, que pela primeira vez foi pensado de

raiz para ser preferencialmente 100% digital.

Neste 25 de Abril não podemos deixar de vos apresentar, tal como é habitual, a

edição do nosso Magazine, assinalando e marcando ainda com mais ênfase o dia

de hoje. Esperamos levar até Si um pouco de “Nós”, seja para matar saudades, ou

simplesmente para melhorar o dia em que ao contrário do habitual, se vivem momentos

diferentes de Liberdade e confinamento.

Ansiamos pelo dia do regresso ao normal, e de vos reencontrar bem e com saúde.

Até breve e Boas leituras!

FICHA TÉCNICA

Nº: I | 2020

Data de publicação: 25 de abril de 2020

ISSN 2183-5578

Edição Online

João Carlos Silva

03 - 25 de Abril 04 - COVID-19

08 - Aniversário da

BSCRT

09 - Novo Visual da

BSCRT

10 - O Acordeão e

Artista do Mês


25 de Abril,

Sempre!

Nunca esta frase fez tanto sentido…

agora que o mundo foi parado por

uma pandemia e as pessoas foram

aconselhadas a ficar em casa e a

praticarem um afastamento social…

é agora, que verdadeiramente,

sentimos a falta das nossas pequenas

“felicidades adquiridas”...

Isto é, sentimos a falta dos nossos

amigos e familiares, a falta de ir dar

uma voltinha, fazer umas comprinhas,

uma atividade lúdica, ir ao cinema,

ir à feira, ir à missa, etc…

Para a Banda de S. Cristóvão de

Rio Tinto, e para os seus músicos,

também não tem sido fácil. Quando

em Março iniciamos a nossa época

musical, com as festas de S. Mamede

Infesta, ainda nada fazia prever que, a

situação que se iniciava no país com o

aparecimento das primeiras vítimas de

Covid 19, iria afetar tão profundamente

as atividades previstas para a BSCRT,

quer ao nível da Banda Sénior e

Juvenil, quer ao nível da Escola de

Música.

Assim, este 25 de Abril tem um

significado ainda mais profundo

nas nossas vidas - a Liberdade -

que esperamos, em breve, recuperar...

Nunca os nossos músicos quiseram

tanto ver o hastear da bandeira de

Portugal, enquanto tocam o hino

nacional, em frente à Junta de

Freguesia de Rio Tinto.

Voltar a viver sem medos, voltar

a viver sem máscaras, luvas,

desinfetantes e afins…

Mas nem tudo é mau. É tempo de

crescermos e de nos adaptarmos…

É tempo de inventar soluções…

É tempo de perceber que podemos

encontrar nesta “crise” uma janela

de oportunidades e que os meios

digitais são, sem dúvida, uma

grande ajuda!

A família BSCRT vai ultrapassar

todas as barreiras, e com a ajuda

de todos, fortalecer ainda mais esta

união.

Saudações musicais!

Manuela Gonçalves

Presidente da B.S.C.R.T

11 - JARMS Brass e

Trio de Saxofones

12 - Artigo de

Opinião

13 - Flash Musical

14 - Escola de

12 - Artigo de Opinião

Música da BSCRT

15 - Presente e

Futuro da BSCRT


IMPACTO DO COVID-19

na nossa associação

O “Coronavirus Disease 2019”, vulgarmente chamado de COVID19, é o assunto

do momento. Este vírus mortal apareceu em Wuhan, na China, nos finais de

2019, e, apesar das medidas de contenção que foram aplicadas, propagou-se

vertiginosamente pelo mundo inteiro, ceifando milhares de vidas. O receio que ele

provoca na humanidade fez com que se instaurasse o Estado de Emergência em

vários países, determinando o fecho de grande parte do tecido produtivo e provocando

a não renovação de contratos ou o Layoff, instalando uma perspetiva de dificuldades

económicas nas empresas e nas famílias atingidas. De tal forma que, segundo a ONU,

dar-se-á uma contração recessiva da economia mundial, e segundo o FMI, mais 90

países já solicitaram apoio financeiro devido a esta crise sanitária. O impacto deste

vírus na economia é de tal ordem que, a Comissão Europeia suspendeu a disciplina

orçamental, permitindo que os países possam ter um défice acima dos 3% do PIB e

disponibilizou 100 mil milhões de euros para ajudar a reconstruir a economia europeia.

Mas em que é que o COVID19 afeta a nossa Associação, Banda de São Cristóvão de

Rio Tinto (BSCRT)? Desde logo, no imediato, não nos permite cultivar o nosso amor

à música, seja através dos ensaios regulares, que nos permitiam preparar repertório

novo e consolidar o restante, bem como, através da suspensão da nossa participação

em atividades de cariz popular e religioso, como é o caso das cerimónias pascais.

Para muitos de nós, impossibilitou mesmo a prática musical em casa, devido aos

constrangimentos provocados pela convivência com vizinhos menos predispostos

às artes musicais. Para além destas consequências mais imediatas, suspeito que,

no tempo pós-pandemia, irão surgir outras relacionadas com o aspeto económico

da organização e realização de cerimónias religiosas e civis, que, na sua maioria

dependem da boa vontade dos populares, beneméritos e das entidades autárquicas.

Outra valência da nossa associação que poderá enfrentar várias dificuldades é a escola

de música da BSCRT, nomeadamente com a descontinuidade das aulas presenciais,

podendo mesmo vir a afastar da aprendizagem musical jovens e/ou progenitores,

seja por fatores económicos, seja por estarem ainda pouco sensibilizados para a

importância da sua aprendizagem.

O povo tem um ditado popular: “Sem dinheiro não há vícios”. Mas a música será

um vício? Não creio que seja, pois não provoca nenhum tipo de disrupção social ou

configura um comportamento errôneo. A música é, como parte integrante de uma

cultura, um produto da interação coletiva de um povo, que o une à sua história,

às suas crenças e valores comuns. Na Grécia antiga, a música era uma disciplina

obrigatória na aprendizagem dos jovens, tida como sendo capaz de influenciar o seu

humor e de moldar o seu carácter, algo determinante para os futuros cidadãos. Na

atualidade, vários foram os estudos científicos que já demonstraram a relação entre a

aprendizagem da música e o desenvolvimento cognitivo ou o aumento da destreza da

motricidade fina. Assim, apesar da pandemia que nos assola, cabe a todos fazer com

que esta associação continue a resistir, contra todas as dificuldades, e a prosperar,

fazendo dela um baluarte da nossa cultura e da nossa identidade comum.

4 | BSCRT | Abufa na Gaita | abril 2020

Miguel Bovião


COVID-19

Importância da proteção

Atualmente estamos a atravessar mais uma pandemia, desta vez, o COVID-19

provocada pelo novo coronavírus SARS-COV 2, causador de infeções respiratórias

graves como a pneumonia. Outros acontecimentos semelhantes já assolaram o

planeta – a gripe espanhola em 1918 e a gripe asiática em 1957 onde milhões de

pessoas sucumbiram ao terrível inimigo invisível: o vírus. Em todas elas há um

denominador em comum: a higienização das mãos como forma de diminuir o risco

de transmissão do vírus que se aloja no muco ou nas gotículas (tosse ou espirro).

É através das mãos que uma grande quantidade de microrganismos é facilmente

transportada para o nosso corpo. Porquê? Pense na frequência com que leva as

mãos à sua cara (nariz, olhos e boca) por dia após tocar noutras pessoas e/ou

superfícies contaminadas.

Uma das formas de interromper ou reduzir a via de transmissão de várias doenças

é através do simples ato de lavar as mãos adequadamente (não esquecer

de retirar anéis, relógios, etc…), com água limpa e sabão comum. Todo este

processo todo deve durar pelo menos 30 a 40 segundos, tendo especial atenção

aos punhos, unhas e dedos. Quando impossível, recomenda-se uma solução

alcoólica a 70% (gel ou líquido) pois possui emolientes que são ideais para a

ação bactericida (o uso de álcool comum nas mãos não é recomendado pois pode

causar microfissuras, facilitando a entrada de vírus e bactérias). Estes produtos são

fáceis de transportar, com tempo de atuação rápido(~20s), mas requerem o custo

de aquisição. Várias são as situações que devemos sempre lavar as mãos: após

regressar a casa de qualquer sítio, logo que assoe o nariz, tussa ou espirre, antes

da preparação de refeições, e sempre que se encontrem visivelmente sujas. Por

outro lado, a secagem das mãos é também importante pois evita o espalhamento

dos microrganismos (que acontece mais frequentemente na pele húmida do que na

seca)

Para além dos procedimentos que

devemos adotar neste período de

incerteza, nunca é demais reforçar

uma lavagem correta das mãos.

Este simples hábito económico é

considerado uma atitude preventiva

contra infeções virais, bacterianas e

parasitárias e pode inclusivé salvar

vidas. Já viu como um simples gesto

pode fazer todaa diferença?

Fátima Gouveia _

BSCRT | Abufa na Gaita | abril 2020 |

5


A LINHA DA FRENTE

A visão de profissionais face ao Covid-19

Duas profissionais, uma auxiliar da unidade do Norte e uma repositora do grupo

SONAE falam do impacto do coronavírus nos serviços e na sua rotina pessoal.

Nos dias que correm, Ana Gonçalves conta diariamente o impacto que o vírus está

a causar no país. É assistente operacional e está a exercer funções no hospital-dia

do Centro Hospitalar do Porto. Luta constantemente contra uma doença invisível na

região mais afetada de Portugal, o Norte.

Num único suspiro, Ana

questiona-se emocionalmente

“quando é que este pesadelo

termina?”. Tem 49 anos e 23

de experiência como assistente

operacional. Num serviço em

que todos os dias lutam contra

o cancro, ela garante que

apesar do árduo trabalho, tanto

emocional como físico, nunca

viveu nada assim.

Há 15 dias recebeu a notícia que a sua rotina iria mudar. Mudaram o horário, o

trabalho é agora feito por equipas fixas (doze horas dia sim, dia não) e adiaram – se

as férias. Ana faz questão de realçar que nada foi imposto, apenas tudo conversado

para que tudo se torne seguro.

Nesta fase a falta de material é uma das principais preocupações, mas “para não

correr riscos significa ter de usar máscara, por viseira, usar farda descartável e dois

pares de luvas durante doze horas por dia”.

É nos momentos de pausa que Ana expressa um sentimento de culpa por poder

transmitir o vírus ao chegar a casa e pelo facto de não poder fazer mais para ajudar

a sua equipa.

“Nunca vivi numa guerra, mas hoje, sinto-me em guerra! Em guerra com o pior dos

inimigos, e com todos os meus companheiros em luta, muitas vezes a precisarem

de substituição e nada... as lágrimas secam e o turno acaba”.

Ana conta pelos dedos as horas que faltam para domingo à noite , com o intuito de

saber se a 2ª equipa irá assegurar o começo da semana. Será que vai?

6 | BSCRT | Abufa na Gaita | abril 2020


A realidade chegou e só agora está a cair a ficha

A escassos quilómetros Susana Cunha, relata a repercussão que o coronavírus

teve na sua vida profissional e pessoal. É repositora no grupo SONAE. Trabalha

diariamente na linha da frente para um bem geral.

Tem 46 anos e 25 de experiência como operadora de supermercado na área dos

fluxos alimentares e garante nunca ter passado por algo deste género. “O que está

a acontecer no nosso país é um pânico total”.

Susana trabalha numa área onde houve um aumento exponencial de trabalho face

ao vírus e por isso há sensivelmente 30 dias recebeu a proposta de alterar o seu

quotidiano e passar a fazer sempre noites (com entrada à meia noite), mas sempre

sem saber quando irá sair.

Durante o turno “a máscara é o pior”. São horas por dia sem a poder tirar e a

respirar o que expele. Só tem uma máscara por dia, guarda-a “como se fosse a

coisa mais preciosa que existe”.

Ela garante que sente um enorme peso na consciência por haver a possibilidade

de poder transmitir à sua família , principalmente por ter doentes risco em sua casa.

Para segurança de todos “tiro sempre a roupa antes de entrar em casa e desinfeto

tudo aquilo que trago”. Se se for tendo em conta pequenos pormenores pode-se

fazer uma grande diferença.

“Um pequeno passo contra o Covid-19 é um grande passo para a humanidade!”

exclama Susana num tom de brincadeira, porque afinal de contas nem tudo tem de

ser mau.

Carina Gonçalves

BSCRT | Abufa na Gaita | abril 2020 |

7


83 ANOS DE HISTÓRIA

Parabéns à BSCRT pelos seus 83 anos de vida Associativa e Musical!

No passado dia 25 de Janeiro, decorreu no centro Social e Paroquial de Rio Tinto o

concerto comemorativo dos 83 anos da BSCRT. Muito haveria para escrever acerca

de todo o percurso associativo e musical da instituição, das dificuldades aos feitos

concretizados, mas sem dúvida que tudo isto se resume a duas palavras: MÚSICA e

PESSOAS. Sem elas a instituição não poderia estar a comemorar mais um aniversário.

O evento foi dividido em duas partes. Na primeira decorreu a apresentação do

novo formato da Banda Juvenil (BJ), sob a direção do Fernando Araújo (novo

coordenador da Escola de Música). Recentemente remodelada, a BJ mostrou a

atual composição da classe de conjunto da nossa escola de música, em que esta

reconfiguração permite à escola inserir os seus alunos mais cedo num contexto

de grupo filarmónico-académico, preparando e motivando-os para o que irá ser o

futuro da BSCRT. Desta vez, apresentaram um repertório mais académico, dada a

faixa etária de alunos muito baixa, mas que com o trabalho de apenas dois meses

mostrou-se bem preparada e de excelente qualidade.

Na segunda parte decorreu o concerto da BSCRT, em que o maestro selecionou

algum do novo repertório que irá apresentar ao longo desta época, e que desde

o primeiro minuto captou o público por demonstrar e enaltecer o espírito jovem e

dinâmico do grupo.

Ainda antes da Banda se despedir com os “Parabéns” e a abertura do bolo de

aniversário, teve lugar um breve momento protocolar, onde se pôde estrear a nova

direção, encabeçada por Manuela Gonçalves. Também os novos corpos sociais

mereceram rasgados elogios, por mostrar uma capacidade de organização e trabalho

muito pouco vistas, até mesmo de registar no panorama associativo Gondomarense.

No dia seguinte, e no seguimento da agenda de aniversário, foi celebrada pelas

11H00, na Cripta da Igreja de Rio Tinto, a eucaristia em homenagem a Todos os

intervenientes da BSCRT já falecidos, eucaristia esta celebrada por Sua Excelência

Reverendíssimo o Bispo Auxiliar do Porto, D. Vitorino Soares, que muito nos

Honrou com as suas palavras. Seguiu-se a romagem ao cemitério de Rio Tinto,

onde foi simbolicamente depositada uma coroa de flores na Cruz do Senhor, em

Homenagem a Todos aqueles que já partiram e que de algum modo ajudaram

a fazer da BSCRT o que ela é hoje. Para término da agenda, os associados e

músicos puderam conviver num almoço-convívio organizado pela direção.

Esperam-se novas ideias, revitalidade e garra da equipa artística. Novos objetivos

e desafios para a equipa diretiva. Para que juntos, Pessoas e Música, continuem a

escrever a história, traduzida e espelhada na longevidade da instituição.

8 | BSCRT | Abufa na Gaita | abril 2020

Sofia Carvalho


NOVO VISUAL?

A nova cor da camisa e gravata

A apresentação da BSCRT não se pauta só pela postura de

músicos e maestro, pelo repertório bem tocado, mas também pela

sua apresentação ao nível do fardamento.

Ao longo dos anos, a BSCRT foi alterando o seu fardamento, quer

a nível de cores, quer a nível de tecidos. E no seu 83.º aniversário,

devido ao desgaste, principalmente das camisas, apresentou-se

com um novo visual muito mais leve e mais vistoso. A camisa

cinza deu agora lugar a uma camisa branca e, a gravata bordeaux,

foi trocada por uma gravata azul ciano. O fato cinza escuro e o

chapéu mantiveram-se inalterados.

Verdade seja dita, a camisa branca fica sempre bem, seja

com casaco ou simplesmente sozinha. Para lhe dar um toque

moderno, a cor da gravata foi escolhida para saír um pouco fora

das habituais cores usadas, reforçando a juvealidade do grupo.

Também a cor do fato ajuda bastante, conferindo um contraste de

cores muito interessantes. Os músicos apresentam-se agora mais

frescos, e acima de tudo mais elegantes.

Este novo fardamento veio acrescentar mais uns pontos na no

caráter moderno e irreverência, tal como já tinha sido pensado na

última alteração do fardamento.

Goreti Gomes

BSCRT | Abufa na Gaita | abril 2020 |

9


O ACORDEÃO...

Miguel Teixeira

... é um aerofone de teclas que

tem uma história bastante antiga.

Descende do instrumento chinês

Sheng que funcionava com o mesmo

princípio: forçar a passagem do

ar por um conjunto de palhetas. O

primeiro acordeão, contruído como

o reconhecemos nos dias de hoje,

apareceu em 1822. Contudo, a patente

só foi criada em 1829.

Este instrumento é caracterizado por ter

três tipos diferentes de teclas: do lado

direito, o teclado cromático (igual ao do

piano), do lado esquerdo os baixos, e

acima do teclado cromático, os registos.

O teclado cromático não é muito

extenso, o que podia ser, um pouco

limitativo, no entanto, a existência de

registos permite ao músico explorar

várias oitavas. Os baixos ajudam

maioritariamente na harmonização

e acompanhamento da melodia

produzida no teclado. Os botões podem

ser uma nota pedal, um acorde maior,

um acorde menor, um acorde de sétima

da dominante ou um acorde diminuto.

Na maior parte das vezes, este

instrumento está associado à música

popular uma vez que a sua presença

é quase imprescindível, por exemplo,

num Rancho Folclórico. Ainda assim,

existem vários géneros musicais onde

também se insere na perfeição, como

o Jazz. É definitivamente um

instrumento desaproveitado,

apesar de ser tão completo

e tão versátil.

XEQUE-MATE

Uma banda Portuguesa

Trago, uma banda que conheci nas

Festas da Maia em 2017, os Xeque-

Mate. Pioneiros do heavy metal em

Portugal, foram apelidados como “os

pais do heavy metal português”.

Após a sua formação, a banda grava

em Lisboa alguns temas. Seguemse

anos de negociações com várias

editoras que lhes fecham sempre as

portas.

Em 1985, conseguem finalmente

gravar um LP, “Em Nome do Pai, do

Filho e do Rock ‘n’ Roll”. As vendas

ficam aquém das expectativas, a

editora não se empenha o suficiente

na promoção do trabalho.

“Às do Volante” é tema obrigatório de

todos os programas radiofónicos de

música pesada.

Reeditaram o disco gravado em

1985, considerado o hino da banda,

“Filhos do metal”, agora com a

participação do Ensemble Vocal

Notas Soltas.

A paragem da banda durante largos

anos pode tê-la afastado dos mais

jovens, algo que começa agora a

mudar afirma Xico Soares, vocalista

da banda. O novo álbum, de 2016,

trouxe um dos temas mais conhecidos

da banda “Vampiro da Uva”

Vitor Saraiva

10 | BSCRT | Abufa na Gaita | abril 2020


QUINTETO JARMS BRASS

& Grupo Coral de Baguim

Como já tem sido tradição no início de cada ano, e 2020 não foi exceção, o

arranque deste ano trouxe o convite por parte do Grupo Coral de Baguim ao

Quinteto JARMS Brass para estar presente no seu Concerto de Natal, realizado

no dia 5 de Janeiro, na Igreja Paroquial de Baguim. Numa composição diferente

do habitual, fruto das metamorfoses profissionais dos seus elementos, o Quinteto

assume e apresenta pela primeira vez a sua nova formação: Rodolfo Silva

(Trompete), Miguel Teixeira (Trompete), João Silva (Trombone), Margarida Nunes

(trompa), David Coelho (Trombone Baixo). Voltando ao Concerto propriamente dito,

coube ao quinteto a abertura do mesmo, executando um repertório ainda dentro

do espírito natalício. De seguida, com acompanhamento do Quinteto em algumas

peças, atuou o Grupo Coral, dirigido pelo Maestro Adélio Silva. A fechar o concerto,

brindou-nos com a sua atuação o Coro Paroquial do Corim (Maia).

Rodolfo Silva

TRIO DE SAXOFONES

A convite do Grupo Coral de Baguim - 10 de Fevereiro 2020

A BSCRT fez-se representar, através do seu Grupo de Saxofones, constituído por

Leonardo Sousa, André Lopo e João André Silva, numa iniciativa levada a cabo

pelo Grupo Coral de Baguim que se intitula “À segunda, na Escola!”, onde se pode

assistir a três momentos distintos: literatura, música e palestra com convidado. O

tema desta edição foi “Fevereiro, tempo de namorar”.

A apresentação do grupo de Saxofones passou pela execução de algum repertório,

a apresentação dos instrumentos (Família dos Saxofones) e ainda uma breve

apresentação dos músicos, incluindo o seu percurso enquanto alunos e professor

na BSCRT.

É recorrente a participação de músicos ou grupos da

BSCRT nesta iniciativa, onde a nossa associação já

é vista como entidade parceira, o que configura uma

boa oportunidade de mostrar os nossos talentos,

bem como publicitar a Banda e a Sua escola com o

que de melhor se produz…Excelentes Músicos!

Parabéns ao grupo de Saxofones! Esperamos que

esta experiência tenha sido o mote para o surgimento

de um novo Projeto que merece Todo o Nosso apoio.

João Carlos Silva _

BSCRT | Abufa na Gaita | abril 2020 |

11


A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA

Artigo de opinião

Muitas vezes estamos a ouvir música apenas para apagar o silêncio à nossa

volta enquanto fazemos outra coisa qualquer. Creio que acabamos por nem nos

aperceber do quão importante a música é na nossa vida.

A música deveria, a meu ver, ser também,

alvo de uma análise muito mais profunda do

que normalmente é. O que pretendo dizer

com isto é que a música devia ser algo para

ouvirmos, apreciarmos e sentirmos sem

qualquer outro intuito, como o de cobrir o

silêncio. Se fizéssemos isso certamente as

músicas que ouvimos passariam a ter muito

mais significado e transmitiriam muito mais

sentimento quando as ouvíssemos. Não

é por acaso que, quando muitas vezes ouvimos uma música específica, esta nos

transporta para um momento, um local ou uma situação em concreto.

O que disse anteriormente não se refere apenas ao ouvir música, mas também

ao executá-la. Os músicos têm de colocar o seu sentimento no que estão a tocar

para que esse possa ser transmitido ao público. Quando, por exemplo, a nossa

banda, Banda S. Cristóvão de Rio Tinto, toca em procissões que tem um intuito

comemorativo religioso, pretende-se que os músicos consigam transmitir o que está

na partitura para o público.

Como a música facilmente nos transmite emoções, esta é utilizada em tudo; nos

filmes, nas publicidades, etc. Quando vemos filmes nem sempre pensamos no quão

a música do fundo está a ser importante para que nós apreciemos o filme. A música

muda completamente a maneira como percecionamos o que vemos sem que nós

nos apercebamos.

Na minha vida a música é importante

para me inspirar nos meus trabalhos

artísticos, para conviver e para me

divertir, para expressar o que sinto...

Tanto a ouvir música como a tocar, eu

sinto-me bem. Não sei como seria se

não a tivesse na minha vida.

Emília Lopo

12 | BSCRT | Abufa na Gaita | abril 2020


FLASH MUSICAL

Rodolfo Silva

COVID-19 – O trompetista do Dragão

António Lourenço, trompetista das Antas e do Dragão, aos 82

anos, combate a angústia coletiva que se vive por estes dias,

saindo à varanda de casa, em Ermesinde, onde toca trompete

para os vizinhos. Bem conhecido e antigo executante da Banda

de Rio Tinto, este músico não deixa que o confinamento a que

se vê obrigado lhe tire o prazer de tocar trompete. A bancada

agora é que é outra. Deixou a bancada do Dragão (Estádio) para

a bancada da sua varanda. E a vantagem do público é que nem

precisa de comprar bilhete. Duas vezes por dia, António Lourenço

sai à varanda para dar música e animar os vizinhos. “Toco todos

os dias para manter a forma”, garante o trompetista do F. C. Porto.

COVID-19 – O vírus em música

É assim calma e até alegre, se bem que, no meio dessa

suavidade, também nos transmite alguma apreensão pelos

tempos imprevisíveis em que vivemos, a aparência do COVID-19

é agora uma música. Ou melhor, a sua estrutura é agora uma

música. O som tem quase duas horas de duração e foi criado por

investigadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (mais

conhecido por MIT) com a ajuda de algoritmos.

A transformação da estrutura invisível de uma proteína viral como

a do Covid-19 numa música pode ajudar os cientistas a encontrar

partes nessa proteína onde os anticorpos e os medicamentos

se possam ligar; os investigadores dizem que é mais rápido e

intuitivo que os métodos convencionais usados para estudar

proteínas, como a modelagem molecular.

Banda da Armada cria música “contra o vírus”

“Lave as mãos, fique em casa. Não permita aglomerações,

pois este é o vírus que arrasa quem permite confusões.” É

assim que começa a música original que a Banda da Armada

criou “propositadamente para o tempo que vivemos”. A obra

foi partilhada com os portugueses na manhã desta terça-feira

através do Facebook da Marinha Portuguesa e avisamos

já que... fica no ouvido. A intenção é que também interprete

o tema. Este chama a atenção para recomendações que

devemos seguir em tempos de pandemia e a Marinha canta

ainda “louvores como forma de agradecer” à saúde e outros

setores da linha da frente neste combate. Com cada membro

da Banda em sua casa, como mandam as atuais regras, o

resultado final mostra os ‘artistas’ lado a lado a cantarem e a

tocarem, cada um com um ‘pano de fundo’ diferente.

BSCRT | Abufa na Gaita | abril 2020 |

13


ESCOLA DE MÚSICA

O que há de novo?

A Escola de Música da BSCRT dispõe de uma oferta educativa diversificada na

área da música. Com uma equipa de professores jovem e competente, que abdica

dos seus tempos livres para transmitir aos seus alunos as mais recentes teorias e

práticas, a BSCRT encontra-se neste momento a disponibilizar o ensino dos mais

diversos instrumentos (flauta, clarinete, saxofone, trompete, trombone, bombardino/

tuba, percussão, piano, violino) alicerçados na Formação Musical básica e

avançada e na classe de conjunto (Banda Juvenil).

No que respeita à Banda Juvenil, foi traçado um caminho mais voltado para a

participação dos alunos da Escola de Música, através da introdução de um reportório

mais “académico”. Esta alteração permite um acompanhamento mais eficaz da

evolução dos alunos mais novos e a abordagem de conceitos de forma faseada e

progressiva. Continua a ser fulcral a presença de alguns elementos “mais seniores”

para complementar algumas lacunas em termos de instrumentação e conferir mais

estabilidade rítmica e harmónica , baseada na sua experiência. A classe de conjunto da

escola de música integra todos os alunos da escola de música que são indicados como

aptos pelos professores das classes de sopros e percussão, dada a sua importância

para a formação de músicos que futuramente integrarão a nossa “banda sénior”.

Este ano letivo, a Banda Juvenil já se apresentou num ensaio aberto comemorativo

do seu aniversário no dia 7 de dezembro de 2019 e nas comemorações do

aniversário da BSCRT no dia 25 de janeiro.

Atualmente a Escola de Música encontra-se em reestruturação devido ao

confinamento associado ao COVID-19, estando a disponibilizar aulas instrumentais

e de formação musical online.

Fernando Araújo

14 | BSCRT | Abufa na Gaita | abril 2020


PRESENTE E FUTURO

Na nossa associação

<< A vida é uma lição que nos ensina que não existem dados adquiridos…>>

´

Quando aceitei o desafio de presidir à direção da BSCRT, ao nível de organização

de trabalhos, tudo parecia simples: era só “copiar” as atividades do ano anterior e

com uns pequenos ajustes, tudo estaria perfeito…e foi mais ou menos assim, com

exceção da Escola de Música.

Mas, os imprevistos acontecem e alteram radicalmente as nossas vidas… quando

em meados de Março 2020, foi implementado o estado de emergência no nosso país.

Quando já tínhamos a época de festas quase completamente fechada, quando já

tínhamos alinhavadas várias atividades da Banda Sénior (Comemorações do 25

de Abril e Encontro de Bandas), da Banda Juvenil (concerto do Dia da Mãe e Festa

dos Capuchinos) e da Escola de Música (audições de final de períodos), tivemos de

cancelar tudo.

Foi necessário nos adaptarmos e nos reinventarmos... Assim:

Porque queremos continuar próximos dos nossos alunos, músicos, sócios,

simpatizantes e outros leitores, lançamos, pela primeira vez, a edição da magazine

“Abufa na Gaita” em formato digital.

Porque queremos que a música esteja presente, no dia a dia dos nossos alunos,

e porque queremos acompanhar as estratégias de ensino implementadas pelas

escolas de ensino regular, tivemos de nos reorganizar, no sentido de possibilitar o

ensino à distância, através do recurso a meios digitais.

Num futuro próximo, queremos:

- Retomar todas as atividades da BSCRT;

- Continuar a fomentar o gosto e pela música;

- Continuar a apostar no ensino da música através da nossa Escola de Música para

que os seus alunos possam crescer musicalmente e integrar a BSCRT;

- Continuar a dar o nosso contributo na divulgação e promoção de atividades das

Bandas Filarmónicas;

- Dar continuidade à implementação de novas práticas na BSCRT, nomeadamente,

a edição digital do magazine “Abufa na Gaita” e a promoção de aulas on-line para

alunos deslocados, mas com interesse e gosto em aprender música.

Esperamos poder continuar a contar com a ajuda de todos: Maestros, músicos,

alunos, pais, sócios e simpatizantes… a vossa ajuda e a vossa presença são

fundamentais para a nossa/vossa Associação.

Contamos com todos vocês.

Manuela Gonçalves

BSCRT | Abufa na Gaita | abril 2020 |

15


Até à Próxima Edição!

´

Banda S. Cristóvão de Rio Tinto

Rua de Stª Luzia, Nº 52 | 4435-426 Rio Tinto, Portugal

224 891 420

banda.s.cristovao@gmail.com

www.bandaderiotinto.com

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