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*Abril/2020 Revista Biomais 38

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Sustentável e eficaz: Curitiba encontra alternativa para aterro da Caximba

SOB MEDIDA

SOB MEDIDA

PRODUTOS PERSONALIZADOS

POTENCIALIZAM CRESCIMENTO

NO MERCADO DE PELLETS

FORÇA INEXPLORADA

BIOMASSA CONTRIBUI

NA DEMANDA RESIDENCIAL

MATRIZ ENERGÉTICA

ÁFRICA BUSCA SOLUÇÕES


SUMÁRIO

06 | EDITORIAL

Sempre em frente

08 | CARTAS

10 | NOTAS

14 | ENTREVISTA

18 | PRINCIPAL

24| PELO MUNDO

Alternativa urgente

28| ECONOMIA

Potencial ilimitado

32| CASE

De olho no futuro

38 | SUSTENTABILIDADE

42 | ARTIGO

48 | AGENDA

50| OPINIÃO

Acelerar reformas é crucial

para o Brasil crescer

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EDITORIAL

Estampa a capa desta edição da REVISTA

BIOMAIS imagens das máquinas e

equipamentos da Costruzioni Nazzareno

SEMPRE

EM FRENTE

A

s energias renováveis viram sua capacidade de produção quadruplicar no mundo em dez

anos, embora isso também não tenha impedido o crescimento das emissões do setor energético.

E é esse setor que buscamos retratar nas páginas de cada edição da REVISTA BIOMAIS.

Nesta edição, em nossa reportagem de capa, contamos a história da Costruzioni Nazzareno,

empresa de tecnologia europeia atuante no Brasil. Além disso, falamos sobre a biomassa de bagaço de

cana-de-açúcar onde se destaca: o insumo tem condições de suprir 80% de toda demanda residencial de

eletricidade no país. Por fim, contamos a história do antigo Aterro do Caximba em Curitiba (PR), desativado

desde 2010, se transformará em uma usina de produção de energia solar e de biomassa de resíduos

vegetais das podas de árvores e limpeza de jardins. Tenha uma excelente leitura!

EXPEDIENTE

ANO VII - EDIÇÃO 38 - ABRIL 2020

Diretor Comercial

Fábio Alexandre Machado

(fabiomachado@revistabiomais.com.br)

Diretor Executivo

Pedro Bartoski Jr

(bartoski@revistabiomais.com.br)

Redação

Murilo Basso

(jornalismo@revistabiomais.com.br)

Dep. de Criação

Fabiana Tokarski - Fabiano Mendes - Supervisão

Crislaine Briatori Ferreira

(criacao@revistareferencia.com.br)

Representante Comercial

Dash7 Comunicação - Joseane Cristina Knop

Dep. Comercial

Gerson Penkal,

Tainá Carolina Brandão (comercial@revistabiomais.com.br)

Fone: +55 (41) 3333-1023

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A REVISTA BIOMAIS é uma publicação da

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Veículo filiado a:

A REVISTA BIOMAIS - é uma publicação bimestral e independente, dirigida aos

produtores e consumidores de energias limpas e alternativas, produtores de resíduos

para geração e cogeração de energia, instituições de pesquisa, estudantes universitários,

órgãos governamentais, ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/

ou indiretamente ligados ao segmento. A REVISTA BIOMAIS não se responsabiliza por

conceitos emitidos em matérias, artigos, anúncios ou colunas assinadas, por entender

serem estes materiais de responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução,

apropriação, armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos

textos, fotos e outras criações intelectuais da REVISTA BIOMAIS são terminantemente

proibídas sem autorização escrita dos titulares dos direitos autorais, exceto para fins

didáticos.

REVISTA BIOMAIS is a bimonthly and independent publication, directed at clean alternative

energy producers and consumers, producers of residues used for energy generation and

cogeneration, research institutions, university students, governmental agencies, NGO’s, class

and other entities, directly and/or indirectly linked to the Segment. REVISTA BIOMAIS does

not hold itself responsible for concepts contained in materials, articles, ads or columns signed

by others; these are the responsibility of their authors. The use, reproduction, appropriation,

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authorial rights, except for educational purposes.

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CARTAS

BRILHO

Parabenizo toda equipe da BIOMAIS pela reportagem sobre o crescimento do número de

instalações de painéis solares no Brasil. Continuem com a ótima cobertura sobre o setor!

Thales Machado – Rio de Janeiro (RJ)

Foto: divulgação

BONS VENTOS

Excelente abordagem do potencial econômico da energia eólica, cada vez mais reconhecido pelo mercado brasileiro.

Rafaela Santana – Feira de Santana (BA)

ABERTURA

Cada vez mais as fontes de energia renováveis estão deixando de ser um nicho do setor e a REVISTA BIOMAIS sabe

retratar isso como ninguém.

Tiago Macedo – Santos (SP)

CASE

Ótimo caso sobre as medidas adotadas por Papua Nova Guiné em prol da energia limpa.

Sempre é ótimo retratar os exemplos ao redor do mundo.

Matheus Valêncio – Goiânia (GO)

Foto: divulgação

REVISTA

na

mídia

informação

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energia

www.revistabiomais.com.br

www.facebook.com.br/revistabiomais

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Publicações Técnicas da JOTA EDITORA

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NOTAS

COMUNIDADES

RIBEIRINHAS

A produção de energia solar fotovoltaica vem criando

oportunidades para comunidades ribeirinhas que ainda não

possuíam acesso à energia elétrica no Brasil. Essa transição

vem permitindo o desenvolvimento socioeconômico de

regiões mais afastadas na Amazônia, por meio de projeto

do WWF (Fundo Mundial da Natureza). O objetivo é fomentar

o uso de energias renováveis no Brasil e bater as metas

brasileiras previstas no acordo do clima em Paris. Segundo a

entidade, a produção de energia renovável para micro e mini

geração é uma grande oportunidade de modificar a matriz

energética e permitir que ainda mais pessoas tenham acesso

à energia elétrica limpa e barata. O projeto desenvolvido

pelo WWF com a instalação de painéis solares na Amazônia

teve como base a quantidade de pessoas nas comunidades

ribeirinhas, levou treinamento para a população de como

usufruir da energia gerada a partir do sol e levou energia para

residências e escolas da região.

Foto: divulgação

TRIBOS CANADENSES

Cerca de nove tribos canadenses irão receber sistemas

de geração de energia de biomassa neste ano. O projeto é

parte de uma iniciativa do Mltc (Conselho Tribal de Meadow

Lake) e será instalado pela empresa Italiana Mitsubishi Heavy

Industries, com apoio do governo canadense. O objetivo é levar

energia limpa para as nações indígenas do Canadá. As comunidades

receberão um sistema de gerador de energia de

ciclo orgânico de 8.000 kW (kilowatts) que utilizará biomassa

lenhosa residual da serraria para gerar energia. A expectativa

é que o sistema gere em torno de 6.600 kW de eletricidade e

abasteça cerca de cinco mil residências. O projeto do sistema

de cogeração também fornecerá calor para os edifícios da

serraria, bem como um novo forno a seco de madeira de alta

eficiência, que reduzirá o consumo de gás natural e também

irá melhorar a economia da instalação.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

BIOMASSA NA ÁFRICA

O desenvolvimento de biomassa está crescendo na África do Sul.

O objetivo é capitalizar essa fonte de energia renovável nos próximos

anos. A ideia, segundo especialistas, é reduzir a emissão de carbono

através da conversão de carvão em biomassa e manter o crescimento

da fonte para garantir um estado neutro em carbono. A expectativa

é que o desenvolvimento de projetos de biomassa mantenham um

equilíbrio sustentável entre as necessidades locais e gere benefícios

ambientais, segurança energética e desenvolvimento econômico

através da geração de empregos. O Sanedi (Instituto Nacional de Desenvolvimento

Energético da África do Sul) também destaca, além das

grandes usinas, o crescimento das micro e mini redes, embora o setor

ainda enfrente entraves na falta de regulamentação.

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COOPERATIVAS E BIOGÁS

Cooperativas agropecuárias no Paraná irão implementar uma usina de

biogás com projeto de Geração Distribuída. O projeto é da marca institucional

das cooperativas agropecuárias Frísia, Castrolanda e Capal, Unium. O projeto

prevê a produção de biogás através da biodigestão de resíduos agroindustriais.

A expectativa é que a usina entre em operação no primeiro trimestre

de 2020 e passe a produzir também outros combustíveis renováveis, como o

biometano, que poderá ser utilizado para abastecer as frotas da cooperativa.

Foto: divulgação

Foto: Fabiano Mendes

NOVA

EMBALAGEM

Nova embalagem de papel desenvolvida

pela Klabin, o Eukaliner, um kraftliner

feito exclusivamente com fibra de eucalipto,

otimiza as áreas de florestas plantadas por

utilizar apenas eucalipto. A tecnologia por

trás do Eukaliner foi a vencedora da categoria

Inovação em Embalagem da 11ª edição

do PPI Awards, da Fastmarkets RISI, em

evento realizado em Lisboa. Testes do produto

mostram alta qualidade de impressão,

excelente estrutura que permite a redução

na gramatura e ótimo desempenho em

ambientes refrigerados. O Eukaliner já foi

testado por clientes na Europa, EUA (Estados

Unidos da América) e América Latina e a

produção em larga escala está prevista para

o início de 2021 na Unidade Puma II, que

está sendo construída no Paraná.

VOLVO VERDE

A fábrica de ônibus da Volvo localizada na cidade de Borås, na Suécia,

passou a utilizar apenas energia renovável para a produção dos veículos. Todo

consumo da unidade vem de fontes como geração hidroelétrica e biocombustíveis.

Segundo a companhia, nos últimos anos o consumo energético geral da

planta foi reduzido em 15%. A fábrica recebeu o selo de “Instalação de Energia

Renovável”, certificação emitida após uma série de etapas para minimizar a

pegada climática da fábrica. A fábrica da Volvo em Borås produz chassis de

ônibus para a Europa e outras regiões. A capacidade de produção é de 10 mil

unidades por ano, com 300 funcionários.

Foto: divulgação

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

11


NOTAS

QUALIDADE DE BIODIESEL

Pesquisadores da Utfpr (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) analisaram

a qualidade dos biodieseis produzidos a partir do óleo de soja e gordura

animal. O objetivo foi investigar as propriedades dos biodieseis e acompanhar

a qualidade do produto durante o processo de produção. A pesquisa destacou

o comportamento das amostras em relação ao processo de termodegradação.

Segundo os pesquisadores, a estabilidade à degradação é uma das características

mais importantes dos combustíveis, uma vez que o processo leva em

consideração a alteração das propriedades físicas e químicas do biocombustível.

A pesquisa analisou duas amostras: uma de biodiesel 100% derivado do óleo de

soja e outra derivada com 50% de soja e 50% de gordura animal. Os dois tipos

de biodieseis se mostraram eficazes ao processo de degradação.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

BIOPRODUTOS

FLORESTAIS

Projeto-piloto desenvolvido em Portugal

deverá criar bioprodutos a partir de

resíduos florestais e agrícolas, fomentando

o setor renovável do país. O objetivo é trazer

sustentabilidade, diminuir riscos de incêndios

e melhorar nutrientes do solo. Os bioprodutos

agregam valor devido ao seu processo de

fabricação como a pirólise (conversão termoquímica

assistida por micro-ondas). O projeto

conta com o apoio de associações portuguesas

e espanholas. O desenvolvimento de

testes do projeto já começou. Dentre os produtos

já desenvolvidos através dos resíduos

estão a produção de bio-herbicida, biobetão

e carvão vegetal, que terão aplicabilidade nas

propriedades agrícolas e florestais.

ANÁLISE DE MADEIRA

Estudo desenvolvido pela Universidade Estadual Paulista, em parceria

com o Instituto de Pesquisa em Bioenergia e o Labb (Laboratório Agroflorestal

de Biomassa e Bioenergia), analisou a densidade básica da madeira

da espécie Banbusa Tuldoides para produção de bioenergia. O objetivo

foi determinar a densidade básica da planta a fim de consolidá-la como

uma alternativa no cenário energético brasileiro. A pesquisa realizou

análises físicas e químicas da Bambusa Tuldoides, bem como as normas

da Abnt NBR 11941 – 2003. Os resultados apontaram uma média das

densidades básicas encontradas, as quais ultrapassaram o último estudo

realizado sobre o assunto em 1987.

Foto: divulgação

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MAIS BIOCOMBUSTÍVEL

O relatório Annual Energy Outlook 2020 da Administração

de Informações sobre Energia dos EUA

(Estados Unidos da América) anunciou que a produção

de biocombustível no país crescerá consideravelmente

até 2050. A produção será impulsionada por questões

políticas e econômicas, bem como as leis e regulamentos

atuais propostos pelo governo, segundo o relatório.

Atualmente a produção de combustível renovável no

país é 18% maior que o ano passado. O etanol combustível

e biodiesel vem tendo aumento de consumo como

substitutos dos derivados de petróleo, resultando em

um crescimento de 55% na produção até 2050, aponta o

documento. O consumo de biocombustíveis nos EUA totalizou

1,09 milhão de barris por dia e representou 7,3%

do consumo total de gasolina, destilado e combustível

de aviação.

Foto: divulgação

HIDROGEL DE BIOMASSA

Estudo desenvolvido pelo Instituto de Química da Universidade

de Brasília analisou biogel criado a partir de biomassa do

cerrado brasileiro. O produto tem vantagens ambientais e de

custo em relação ao hidrogel tradicional. O biogel é uma alternativa

ao hidrogel, polímeros capazes de absorver grandes quantidades

de água e serem aplicados em produtos de higiene e para

usos médicos como lentes de contato. A alternativa sustentável

é biocompatível, biodegradável e atóxico. O biogel criado a partir

do cerrado apresentou muitas características de um hidrogel

ideal, com alta taxa de absorção e com preço mais baixo por utilizar

matéria prima obtida de forma natural.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

DIESEL VERDE

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis)

iniciou consulta pública sobre a resolução que trata da especificação de

diesel verde, um novo biocombustível a ser comercializado no Brasil.

O diesel verde é um combustível renovável para motores a combustão

de ciclo diesel, produzido a partir de matérias-primas renováveis, como

gorduras de origem vegetal e animal, cana-de-açúcar, álcool e biomassa.

O novo combustível será adicionado ao diesel de origem fóssil. Hoje, o

diesel tradicional tem obrigatoriamente 12% de biodiesel. O resultado

da nova composição será uma mistura ternária, ou seja, um combustível

composto pelos três produtos. A proposta de regulamentação está em

linha com a RenovaBio (Política Nacional de Biocombustíveis), que visa

à expansão do uso de biocombustíveis na matriz energética brasileira,

promovendo segurança energética, previsibilidade para a participação

competitiva dos diversos biocombustíveis no mercado nacional e mitigação

das emissões dos gases geradores do efeito estufa.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

13


ENTREVISTA

Foto: divulgação

ENTREVISTA

TONY

REAMES

Formação: Engenheiro Civil e phD em

Administração Pública, Universidade

Estadual do Kansas

Cargo: Diretor do Urban Energy Justice

Lab, da Universidade de Michigan

A HORA DA

ENERGIA LIMPA

U

ma a cada três famílias norte-americanas sofrem para pagar em dia suas contas de

luz. Em um país com uma crescente desigualdade social, em que muitos deixam

de adquirir produtos essenciais para cumprir suas obrigações com aquecimento e

eletricidade, o debate sobre a ampliação do acesso às energias limpas e renováveis

se torna cada vez mais essencial. Pelo menos é o que defende a pesquisa do engenheiro civil

e phD em administração pública, Tony Reames, responsável pelo Laboratório de Justiça Energética

Urbana da Universidade de Michigan. Em entrevista, ele conta detalhes do estudo que

constatou que o custo de atualização para lâmpadas econômicas era duas vezes mais caro em

bairros de baixa renda do que em áreas mais ricas. Confira:

14 www.REVISTABIOMAIS.com.br


No ano passado, você e seus colegas publicaram

um estudo que constatou que o custo de atualização

para lâmpadas econômicas era duas vezes mais caro

em bairros de baixa renda do que em áreas mais ricas.

Como surgiu a ideia para esse estudo?

Era dono de uma casa de aluguel em Kansas City.

Muitas das minhas ideias de justiça energética vieram de

ter aquela casa por vários anos e entender os problemas

de energia de meus inquilinos. Essa ideia em particular

surgiu porque uma inquilina ligou e perguntou se

poderia comprar algumas lâmpadas para a casa, porque

ela tinha ido à loja local e só tinham, segundo ela, "as

lâmpadas rabiscadas" (lâmpadas fluorescentes compactas)

e eram muito caras. Esse choque de preço para um

inquilino de baixa renda a levou a me perguntar se poderia

encontrá-los a um preço mais baixo. Mantive essa

ideia comigo por alguns anos. Estava lendo os estudos

de justiça alimentar, analisando o custo de frutas frescas

em bairros pobres e urbanos e bairros de minorias. Então

ouvi uma história sobre farmácias cobrando mais por

medicamentos em áreas mais pobres e principalmente

comunidades não brancas. Reunindo todas essas

ideias, queria tentar analisar esta questão do acesso e da

acessibilidade das tecnologias com eficiência energética.

Quando falamos sobre maneiras simples de melhorar a

eficiência energética nas casas das pessoas, se algo tão

simples quanto uma lâmpada custar duas vezes mais,

então temos outros desafios que precisamos enfrentar.

Acredita que os formuladores de políticas e o

setor de energia estão cientes dessas disparidades?

Uma das coisas interessantes que me levou a essa

área é que temos esses dois grandes programas federais

de assistência energética: o Programa de Assistência

Energética Domiciliar de Baixa Renda, conhecido como

Liheap (sigla em inglês), e o Programa de Assistência à

Climatização, conhecido como WAP (sigla em inglês).

Fazemos isso desde os anos 70 e 80. Na época da crise do

petróleo dos anos 70, reconhecemos essa disparidade de

acessibilidade entre famílias pobres e não pobres. A ação

do governo naquela época foi criar esses programas de

longa duração. Mas acho que há uma falta de reconhecimento

de que precisamos ser um pouco mais inovadores

e que não podem existir apenas esses programas

federais.

As pesquisas mostraram que minorias e comunidades

de baixa renda são frequentemente os grupos

de pessoas mais preocupadas com os impactos das

mudanças climáticas, mas também enfrentam obstáculos

significativos se querem tornar-se mais verdes.

Quais são os maiores desafios?

Um dos primeiros estudos que fiz para minha dissertação

foi analisar as barreiras que continuam a existir

no funcionamento do Programa Federal de Assistência

à Climatização de baixa renda. As pessoas costumam

dizer que a primeira barreira para tornar a sua casa mais

O termo: justiça energética; ainda é relativamente

novo. Como exatamente define esse conceito?

A justiça energética começou com uma ideia ampla

de nação “desenvolvida” versus “em desenvolvimento”,

pensando na responsabilidade das nações desenvolvidas

em garantir o acesso à moderna tecnologia energética

nos países em desenvolvimento. Mas vimos que, mesmo

em países desenvolvidos como os EUA (Estados Unidos

da América), existem disparidades que devem ser

abordadas e compreendidas da perspectiva da justiça.

Quando penso nisso, penso em acesso justo e equitativo

à tecnologia de energia, participação justa e equitativa

na tomada de decisões sobre energia e também a ideia

de energia como um direito básico, porque é muito importante

para tudo o que fazemos na vida. Isso significa

que a energia precisa ser acessível e também limpa e

eficiente.

Quando falamos sobre

maneiras simples de

melhorar a eficiência

energética nas casas

das pessoas, se algo tão

simples quanto uma

lâmpada custar duas

vezes mais, então temos

outros desafios que

precisamos enfrentar

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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PRINCIPAL

QUALIDADE

EUROPEIA

EMPRESA EUROPEIA INVESTE CADA VEZ

MAIS NO BRASIL E CONQUISTA ESPAÇO NO

SEGMENTO DE PELLETS DE MADEIRA

FOTOS DIVULGAÇÃO

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A

Costruzioni Nazzareno sempre priorizou

a qualidade de seus produtos e o atendimento

aos clientes. Com esses pilares muito

bem definidos desde o começo de suas

atividades, em 1988, na região do Vêneto, na Itália, a

companhia se transformou em referência no mercado

de biomassa na Europa. Com a inevitável expansão de

suas atividades, chegou ao Brasil em 2012 construindo

a primeira unidade produtiva de pellets no município

de Farroupilha (RS), e, desde então, se tornou líder no

fornecimento de equipamentos para a fabricação de

pellets de madeiras.

Mas apesar do conhecimento técnico adquirido

ao longo das décadas de atuação, diversas foram as

dificuldades encontradas na chegada ao mercado

brasileiro. O país ainda engatinhava no setor da biomassa

e o pouco conhecimento fez com que algumas

confusões tomassem o setor. Nem mesmo o conceito

de pellet havia sido disseminado aos consumidores.

“O maior desafio – e que depois de anos ainda

existe –, é a certa confusão entre pellet e pallet. Na

maioria dos casos parece simples a fabricação desse

material. Mas ele deve ter determinadas características,

deve estar dentro da normativa existente, vinda

da Europa”, revela o diretor comercial da Nazzareno,

Francesco Stella.

Para entrar no mercado da União Europeia, os

pellets de madeira provenientes do Brasil precisam

ser aprovados no sistema de certificação europeu EN-

-plus; a maioria das empresas que exporta busca essa

certificação para aumentar o valor agregado do seu

produto e certificar a qualidade da sua produção.

PRESENTE E FUTURO

Após quase 8 anos no Brasil, o diretor vê grande

potencial de crescimento. “Estamos neste ramo há

mais de 30 anos e esse é um grande momento dos

nossos produtos em todo o mundo”, acredita o empresário.

“Cientes disso, atualmente temos investido muito

nos países emergentes, como os do Leste Europeu e

aqui, no Brasil, claro, não seria diferente”, explica.

Por isso, a Costruzioni Nazzareno também irá

ampliar em breve suas operações em terras brasileiras,

com o objetivo de oferecer cada vez mais soluções.

“Estamos muito atentos ao mercado brasileiro, tanto

que vamos ampliar nossas operações, com uma nova

unidade de depósito no país, para trazer peças de

reposição a pronta entrega aos nossos clientes”, almeja

Francesco Stella.

QUALIDADE EUROPEIA

A Nazzareno é referência na fabricação de briquete,

nos sistemas de pellets, nos secadores de esteira

e de tambor, assim como trituradores, moinhos de

martelos, filtros, sistemas de cogeração de biomassa,

agropellet, misturadores horizontais e sistemas de

alimentação, armazenagem e transporte.

Além deste vasto mix de produtos, a companhia

é empenhada no desenvolvimento, aperfeiçoamento

e construção de fábricas exclusivas de pellets de

madeira. “Investimos muito em pesquisa e tecnologia,

focados exclusivamente em fábricas de pellets de madeira.

Nosso foco de mercado é exclusivo em pellets

de madeira. Não trabalhamos com outros mercados",

explica o diretor Francesco, que se orgulha do diferencial

da Nazzareno.

PÓS-VENDA

Como não possui filiais fora da Europa, a empresa

procurou ter uma grande expertise no pós-venda e na

construção de fábricas e maquinários, se adequando

às demandas de cada cliente em particular.

Como não possui

filiais fora da

Europa, a empresa

procurou ter uma

grande expertise

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na construção

de fábricas e

maquinários

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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PELO MUNDO

ALTERNATIVA

URGENTE

FOTOS DIVULGAÇÃO

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ÁFRICA BUSCA SOLUÇÕES

PARA CRISE ENERGÉTICA

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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PELO MUNDO

A

s taxas de acesso à energia e a confiabilidade

na África são as mais baixas do mundo e os

custos de eletricidade estão entre os mais altos.

Um novo parque eólico em Djibuti levará

energia renovável para o país do norte da África que tem

mais de 110 mil famílias sem acesso a energia elétrica. A

usina de 60 MW (megawatts) será construída na área de

Ghoubet, perto do Lago Assal, em Djibuti.

O projeto é parte de um consórcio que aprovou o

financiamento para a construção e operação do parque

eólico. O consórcio é constituído pela AFC (Africa Finance

Corporation), CFM (Climate Fund Managers), FMO,

o banco holandês de desenvolvimento empresarial e

Great Horn Investment Holdings e tem como objetivo

apoiar o Djibuti com suas crescentes necessidades de

energia. “Este projeto reduzirá significativamente as

emissões de gás do efeito estufa no setor de eletricidade

do Djibuti”, disse Jaap Reinking, diretor de Private Equity

do FMO.

O projeto possui um contrato de compra e venda

de energia de 25 anos com a concessionária doméstica

Electricite de Djibouti e deve entrar em operação no próximo

ano. Segundo a AFC, a abordagem inovadora de

financiamento permitiu que a construção iniciasse dois

anos após o lançamento do seu desenvolvimento, contra

um ciclo de desenvolvimento típico de três a cinco anos.

O desenvolvimento do projeto eólico foi iniciado em

2017 pela AFC, CFM, gerenciado pela CIO (Construction

Equity Fund do Climate Investor One), FMO (junto ao

consórcio) e a desenvolvedora local Ghih (Great Horn

Investment Holdings). O projeto pertence e é operado

pela Red Sea Power Limited SAS, uma empresa de responsabilidade

limitada sediada em Djibuti.

“A parceria e a inovação resultaram em muitas

inovações, incluindo a primeira IPP em escala de rede no

país e um financiamento ponte para acelerar o desenvolvimento

do país”, comemora Oliver Andrews, diretor de

investimentos da AFC.

A expectativa é que o projeto inicie suas operações

comerciais em 2022. Segundo a AFC, este será o primeiro

projeto de energia renovável em Djibuti, cujo objetivo

é tornar-se 100% renovável até 2030. "Temos o prazer

de ver essa transição pioneira do parque eólico para a

construção, tendo desenvolvido o projeto desde 2017",

orgulha-se Tarun Brahma, diretor e chefe de investimentos

do CFM.

“Este projeto ajudará a facilitar a transição de energia

limpa no Djibuti, fornecendo energia sustentável e

reduzindo a dependência da produção de energia

térmica doméstica e das importações de energia. O

projeto, graças aos nossos parceiros do consórcio, está

agora posicionado para ajudar o Governo do Djibuti a

cumprir suas ambiciosas metas de redução de emissões”,

acrescenta.

Localizado no chifre da África, com mais de 23 mil

km2 (quilômetros quadrados), o Djibuti depende da

produção de energia térmica doméstica e das importações

da Etiópia para o consumo de eletricidade e precisa

da adição de capacidade de energia renovável doméstica.

Por isso, o projeto será um marco que promoverá

a industrialização do país, reduzindo a dependência de

outras fontes instáveis de alto custo e apoiará a ênfase

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ECONOMIA

POTENCIAL

ILIMITADO

FOTOS DIVULGAÇÃO

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BIOMASSA TEM CONDIÇÕES

DE SUPRIR 80% DE TODA

DEMANDA RESIDENCIAL DE

ELETRICIDADE NO PAÍS

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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ECONOMIA

O

setor de energia renovável passa por um

período de consolidar seu potencial no

Brasil. Neste cenário, a biomassa de bagaço

de cana-de-açúcar se destaca: o insumo

tem condições de suprir 80% de toda demanda

residencial de eletricidade no país, segundo informações

do Projeto Sucre, iniciativa do Lnbr (Laboratório

Nacional de Biorrenováveis), gerida em parceria com o

Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

A energia de bagaço de cana pode suprir demanda

de 100 TWh (terawatts-hora), em conjunto com

50% de recolhimento da palha da cana-de-açúcar. O

documento também destaca que a bioeletricidade

possui papel prioritário na redução de emissões de

gases de efeito estufa. “Considerando a bioeletricidade

da cana em substituição parcial da potência instalada

prevista para o gás natural, essa geração mitigaria

11,4% das emissões de gases de efeito estufa do setor

energético”, relata o Projeto Sucre.

O potencial do bagaço de cana já demonstra

crescimento: a produção de eletricidade a partir de

biomassa de cana cresceu 4% em 2019 em comparação

com o ano anterior. Durante 2019 foram

produzidos e ofertados para a rede de distribuição

22.407 GWh (gigawatts-hora) gerados por bagaço e

palha, segundo dados da Unica (União da Indústria

de Cana-de-Açúcar), elaborados a partir de dados da

Ccee (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).

Essa produção é capaz de abastecer a 12 milhões de

residências ao longo do ano.

Essa forma de energia se destaca pelo potencial

de redução de emissões. Os 22.407 GWh gerados em

2019 evitaram a emissão de 7,6 milhões de toneladas

de CO2 (gás carbônico). “Essa marca só é conseguida

com o cultivo de 53 milhões de árvores nativas ao

longo de 20 anos”, aponta Zilmar Souza, gerente de

bioeletricidade da Unica.

Segundo dados da Aneel (Agência Nacional de

Energia Elétrica), a energia térmica, que inclui a biomassa

de bagaço, representa 27% da matriz elétrica

brasileira. As usinas que geram energia a partir da

biomassa representam 34% desse total.

A biomassa de bagaço é originária da sobra do

processamento da cana-de-açúcar pelas usinas para

a produção de etanol e açúcar. Esta fonte de energia

é considerada orgânica e renovável. O resíduo é

transformado em insumo para fabricação de bioeletri-

cidade, que é produzida a partir da queima do bagaço

em caldeiras. O processo gera calor, que passa por

uma turbina e é transformado em energia mecânica,

depois vai para o gerador e vira energia elétrica. A eletricidade

gerada alimenta os motores das usinas, que

são autossuficientes, e o excedente é disponibilizado

pelas plantas ao Sin.

A participação do bagaço é mais representativa

em determinadas regiões do Brasil. No Mato Grosso

do Sul, o bagaço de cana já gera quase 40% da energia

elétrica consumida no Estado. Entre janeiro e outubro

de 2019, 13 usinas do Estado disponibilizaram ao Sistema

Interligado Nacional 2.262 GWh, segundo o BDE

(Banco de Dados do Estado).

O Mato Grosso do Sul tem 19 usinas sucroenergéticas

e todas produzem energia de bagaço de cana.

O Estado é o terceiro maior produtor de energia de

biomassa do Brasil, atrás apenas de São Paulo e Minas

Gerais.

O crescimento da biomassa de cana reflete o

cenário positivo da geração de energia de biomassa

no Brasil. As usinas de biomassa do Brasil produziram

3.108,6 MW médios em 2019, o que representa um

crescimento 3% ao ano em 2019. Já a capacidade

instalada de energia de biomassa era de 13,09 GW no

final de 2019, um aumento de cerca de 2% em relação

ao mesmo período do ano anterior, de acordo com

dados da Ccee.

O aumento do número de projetos implementados

e colocados em operação no país é apontado

como o principal fator por trás do crescimento da

O crescimento da biomassa

de cana reflete o cenário

positivo da geração de

energia de biomassa no Brasil

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CASE

DE OLHO

NO FUTURO

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CHINA TENTA REDUZIR AS

EMISSÕES DE CARBONO

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

33


CASE

C

om mais de 1,3 bilhões de pessoas, a

China exige enorme quantidade de

energia e combustível. Essa demanda

levou o país a se tornar um dos maiores

poluidores do mundo, mas também um país

extremamente sensível a esse problema. O foco em

energia renovável deve ter consequências positivas

para o resto do mundo.

A China prometeu aumentar seu consumo de

energia renovável para 15% do seu consumo total

de energia até 2020 e 20% até 2030. Ao tentar atingir

esses objetivos, a China deve aumentar a eficiência

de suas energias renováveis. A meta de 2020 é reduzir

a perda, chamada de redução.

Na medida em que a China reduzir as emissões

de carbono, os impactos das mudanças climáticas

globais serão reduzidos, com benefícios que

incluem a criação de mais empregos no setor de

energia renovável, desenvolvimento de novas tecnologias

e criação de novas políticas para acomodar

essas mudanças.

Na medida em que

a China reduzir as

emissões de carbono, os

impactos das mudanças

climáticas globais serão

reduzidos

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SUSTENTABILIDADE

SOLUÇÃO

ECOLÓGICA

CURITIBA (PR) ENCONTRA ALTERNATIVA

PARA ATERRO DO CAXIMBA

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O

antigo Aterro do Caximba em Curitiba

(PR), desativado desde 2010, se transformará

em uma usina de produção de

energia solar e de biomassa de resíduos

vegetais das podas de árvores e limpeza de jardins. A

obra é uma parceria da Copel e da Prefeitura de Curitiba

e terá capacidade de 5 MW (megawatt). A Copel

arcará com 49% do investimento de R$ 31,5 milhões,

enquanto a Prefeitura de Curitiba responderá pelos

outros 51%.

A produção anual de energia deve gerar em torno

de 18,6 mil MW/h (megawatts/hora) que poderão ser

utilizados para compensação de consumo de energia.

A produção corresponderá a 43% do que é consumido

hoje pelos prédios públicos de Curitiba ou até 7,5 mil

residências.

“Curitiba tem a luz em seu nome de batismo e a

nossa devoção é à luz. E a rapidez com que o Governo

do Estado, por meio da nossa Copel, acolheu a proposta

do município nos permitirá fazer história”, disse o

prefeito Rafael Greca.

“Com uma área que já representou um passivo

ambiental, vamos trazer luz e energia para Curitiba.

São iniciativas urgentes e de que o planeta precisa”,

acrescentou a secretária municipal do Meio Ambiente,

Marilza Oliveira Dias.

Segundo o projeto da usina apresentado em março

de 2019, a usina solar terá a função de abastecer o

futuro Bairro Novo da Caximba, que a Prefeitura está

projetando para tirar cerca de 1.147 unidades habitacionais

irregulares instaladas à beira dos rios da região.

“Nós temos o sonho de fazer que esta usina seja

um símbolo para o Brasil do novo mundo. O projeto

do Bairro Novo da Caximba já foi aprovado pela AFD

(Agência Francesa de Desenvolvimento)”, orgulha-se

o prefeito.

A usina contará com uma Unidade Geradora

Fotovoltaica, com potência de 3,5 MW, com painéis

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ARTIGO

BIOMASSA DE ESPÉCIES FLORESTAIS

PARA PRODUÇÃO DE

CARVÃO VEGETAL

FOTOS DIVULGAÇÃO

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AMANDA PINHEIRO FORTALEZA

Engenheira Florestal, Mestranda em Ciências Florestais,

Universidade Federal Rural da Amazônia

DENES DE SOUZA BARROS

Engenheiro Florestal, MSc., Professor da Universidade Federal Rural

da Amazônia

JOSÉ JAIME PESSOA DO NASCIMENTO FILHO

Engenheiro Florestal, Secretaria Municipal de Meio Ambiente

RAFAELA PATRÍCIA DA SILVA CERETTA

Engenheira Florestal, Mestranda em Ciências Florestais,

Universidade Federal Rural da Amazônia

SIMONNE SAMPAIO DA SILVA

Engenheira Florestal, MSc., Doutora em Ciência e Tecnologia da

Madeira

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43


ARTIGO

RESUMO

D

evido à alta demanda das empresas por geração

de energia oriunda de fontes renováveis,

o objetivo deste estudo foi analisar as propriedades

da madeira e do carvão proveniente

de três espécies florestais: Ceiba pentandra (L.) Gaertn.

(Sumaúma), Guatteria sp. (Envirão) e Brosimum sp. (Mumuré).

O material foi coletado na Empresa Rosa Madeireira

Ltda. De cada espécie foram coletadas 10 amostras para a

análise das propriedades da madeira e do carvão e, destas,

5 amostras foram utilizadas para a análise química. As

propriedades avaliadas foram: densidade básica e teor de

umidade da madeira, rendimento gravimétrico, densidade

aparente e teor de umidade do carvão e, composição

química. Os dados foram submetidos à Análise de Variância

e médias comparadas pelo teste Tukey a 5% de probabilidade,

assim como os efeitos da densidade básica sobre

o rendimento gravimétrico e sobre a densidade aparente

foram testados pela correlação de Pearson. As análises

indicaram que o fator espécies apresentou efeito significativo

em todos os parâmetros, exceto quanto ao teor de

umidade do carvão. Sobre densidade básica da madeira,

a Sumaúma apresentou o menor valor médio (0,4302 ±

0,0157 g/cm3 [gramas por centímetro cúbico]) e Mumuré,

o maior (0,5276 ± 0,0251 g/cm3). Entretanto, com relação

ao teor de umidade, Sumaúma foi a espécie que apresentou

o maior teor (47,46% ± 2,88). Os valores de rendimento

em carvão variaram entre 30,03% ± 1,95 (Envirão) e 32,35%

± 1,46 (Sumaúma). Houve correlação entre a densidade da

madeira e o rendimento gravimétrico para a espécie Mumuré

(P = -0,553), no entanto, considerada negativa. Entretanto,

correlação positiva foi encontrada para Sumaúma (P

= 0,058) e Envirão (P = 0,955). Nos testes de densidade do

carvão, o Mumuré apresentou o maior valor médio (0,3173

± 0,0116 g/cm3) e Envirão o menor (0,2654 ± 0,0407 g/

cm3). Uma relação direta e positiva entre a densidade básica

da madeira e a densidade relativa aparente do carvão

foi encontrada. Tratando-se da composição química, o

fator espécies não apresentou efeito significativo.

INTRODUÇÃO

A cobertura florestal do território brasileiro associada

às condições edafoclimáticas favoráveis para a silvicultura,

confere ao país grandes vantagens para a atividade

florestal quando se compara ao restante do mundo. Como

consequência, a participação no contexto da geração de

energia oriunda de fontes renováveis se destaca com a

mesma magnitude. O uso da madeira no Brasil, visando à

geração de energia, tem sido historicamente relacionado à

produção de carvão vegetal, e essa, se destaca em decorrência

da demanda existente pelo produto junto ao setor

siderúrgico (Santos et al., 2011).

O Brasil é o maior produtor mundial de carvão vegetal.

Em 2010, foram produzidos 11,6 milhões de metros cúbicos

de carvão vegetal a partir de florestas plantadas, dos

quais 66,2% foram consumidos pelos setores de ferro-gusa,

aço e ferro-liga, sendo o único país no mundo no qual

o carvão vegetal tem uma aplicação industrial em grande

escala, como destino principal, a produção de ferro-gusa

e aço e ainda ferro-liga e silício metálico. É nesse contexto

que o carvão vegetal se tornou um dos combustíveis e

redutores mais importantes na indústria siderúrgica, pois é

renovável, e além de ter baixo teor de cinzas, é praticamente

isento de enxofre e fósforo, tendo sua tecnologia para

fabricação já amplamente consolidada no Brasil (Associação

Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas, 2011).

Mesmo que o consumo de carvão vegetal tenha atingido

seu ponto máximo em 2005, quando foram produzidos

e consumidos mais de 38 milhões de metros cúbicos, as

plantações florestais homogêneas ainda não são capazes

de suprir toda a demanda das empresas, de forma que,

por ano, há um déficit anual médio de quase 50% (o que

equivale no mínimo a 100 mil hectares plantados) que é

suprido com o abastecimento de madeira e resíduos advindos

do manejo de florestas naturais (Associação Mineira de

Silvicultura, 2009).

Como esta alta demanda das empresas por fontes de

energia ainda não foi suprida exclusivamente por florestas

energéticas, uma parte dos resíduos de madeira gerados

na indústria madeireira tem sido destinada à produção de

produtos de maior valor agregado como carvão, cabos,

O uso da madeira no Brasil,

visando à geração de energia,

tem sido historicamente

relacionado à produção de

carvão vegetal

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AGENDA

AGOSTO 2020

FENASUCRO

Data: 18 a 21

Local: Sertãozinho (SP)

Informações: www.fenasucro.com.br/pt-br.html

DESTAQUE

OUTUBRO 2020

BWEXPO

Data: 6 a 8

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.bwexpo.com.br

BRAZIL WIND POWER

Data: 28 a 30

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.brazilwindpower.com.br/pt/

home.html

NOVEMBRO 2020

FIEE SMART FUTURE

Data: 20 a 23 de julho de 2021

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.fiee.com.br/pt-br.html

Imagem: divulgação

FÓRUM FLORESTAL MINEIRO

Data: 5 a 6

Local: Belo Horizonte (MG)

Informações: https://malinovski.com.br/

agenda-2020/

INTERSOLAR

Data: 16 a 18

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.intersolar.net.br/pt/inicio

A Fiee (Feira Internacional da Industria de Elétrica,

Eletrônica, Energia, Automação e Conectividade)

é um evento segmentado, focado na evolução dos

setores elétrico e eletrônico, apresentando Tecnologias

e Soluções para Eficiência e Produtividade,

de Geração de Energia à Conectividade. Em sua 31ª

edição, a Fiee Energy é um palco dedicado a toda

infraestrutura do setor elétrico, onde o mercado de

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OPINIÃO

Foto: divulgação

ACELERAR

REFORMAS É

CRUCIAL PARA O

BRASIL CRESCER

O

mundo enfrenta a mais severa crise da

história recente. Os efeitos da pandemia de

coronavírus são devastadores. Governos, autoridades

sanitárias e profissionais da área de

saúde têm atuado com eficiência para controlar a propagação

da doença, tratar os infectados e preservar o bem mais

importante, que é a vida.

Muitos países, inclusive o Brasil, também estão adotando

medidas emergenciais para minimizar os incalculáveis

prejuízos econômicos da Covid-19. Tais ações são

imprescindíveis, pois o isolamento da população reduziu o

consumo e atingiu as cadeias de produção de tal maneira

que já se espera um período de recessão global.

A crise, no entanto, não pode nos paralisar. O momento

exige ação e um esforço coordenado do Poder Executivo,

do Congresso Nacional e da sociedade para reduzir

os impactos sobre as empresas e o emprego no Brasil.

Em paralelo às ações emergenciais, é necessário acelerar

as reformas estruturais e atuar sobre os problemas que

aumentam os custos de produção e diminuem a capacidade

da indústria brasileira de competir com os principais

parceiros comerciais.

A principal prioridade dessa agenda é a reforma tributária.

O sistema atual é complexo, burocrático e repleto

de distorções. Por causa da incidência de tributos nas

diversas etapas da produção, da taxação dos investimentos

e das exportações, o setor é o que suporta a maior carga

tributária. Com uma participação de 21,2% na economia

brasileira, a indústria é responsável por 34,2% da arrecadação

de impostos federais e por 30% das contribuições à

Previdência.

Por isso, defendemos uma reforma que simplifique

o sistema, reduza o número de encargos e obrigações

indiretas e desonere os investimentos e as exportações. As

duas propostas em tramitação no Congresso, que serão

unificadas pela Comissão Mista da Reforma Tributária,

caminham nessa direção, pois reúnem diversos impostos

sobre o consumo em um só tributo nos moldes do IVA (Imposto

sobre Valor Agregado), reduzem a cumulatividade,

desestimulam a guerra fiscal e desoneram os investimentos,

aproximando o sistema brasileiro do padrão adotado

nos países desenvolvidos.

Uma reforma tributária ampla ajudará o país a diminuir

o Custo Brasil que, conforme estudo recente do governo,

atinge R$ 1,5 trilhão ao ano, o equivalente a 22% do PIB

(Produto Interno Bruto). Além de atacar os atuais entraves

tributários, a redução do Custo Brasil que penaliza as empresas

e a população requer a modernização e a ampliação

da infraestrutura, o corte dos custos dos financiamentos, o

combate à burocracia, o aumento da segurança jurídica e a

qualificação profissional dos trabalhadores.

Os desafios são muitos, mas tenho a convicção de que,

com diálogo e o empenho de toda a sociedade, o Brasil

avançará na agenda de reformas e fortalecerá as bases

da economia para, superada essa crise mundial, retomar

o caminho do crescimento sustentado e da criação de

empregos.

Por Robson Braga de Andrade

Presidente da CNI.

Artigo originalmente publicado na Agência CNI - https://bit.ly/3bTM2sX

Foto: divulgação

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