Revista Apólice #254

revistaapolice

MAIO 2020 • Nº 254 • ANO 25

conectando você ao mercado de seguros

ANOS

ESPECIAL PME

A RECUPERAÇÃO ECONÔMICA

DEPENDERÁ DAS

PEQUENAS EMPRESAS

RISCOS

CIBERNÉTICOS

Home office expõe

empresas de todos os

portes ao risco

PANDEMIA

Mudanças que mexeram

com o cotidiano das

seguradoras

SAÚDE

Impacto na carteira

já é sentido pelas

operadoras



EDITORIAL

Quarentena

prolongada

As consequências da pandemia de Covid-19 para a

economia serão devastadoras. Para atravessar este

período, segundo especialistas, a presença do Estado

será fundamental, para fomentar obras de infra-estrutura,

emprego e renda. O setor de seguros, que ainda tateia neste

campo de novo normal, ainda sente os efeitos com menos

impacto, mas ciente de os próximos meses virão com desafios

gigantescos. A venda de veículos novos caiu mais de 70%. Ela

ainda não atingiu número mais altos por conta de caminhões e

máquinas agrícolas.

Os planos de saúde, que agora atravessam um período

com menos sinistros, estão se preparando para, nos próximos

meses, voltarem a ter a sinistralidade mais alta por conta de todos

os atendimentos que não estão sendo feitos agora. Além disso,

com a queda da atividade econômica, muitos setores devem

diminuir a quantidade de colaboradores, o que impactará os

seguros de benefícios corporativos.

Neste período, queremos valorizar ainda mais a

importância da comunicação para o setor. O portal de notícias

da Revista APóLICE será cada vez mais ocupado por notícias

exclusivas, um conteúdo de qualidade para contribuir com o

setor para tentarmos, juntos, mitigar o impacto e as conquências

do que vem pela frente. Aqui, em nossas páginas, você continua

lendo matérias mais completas, que ouvem especilistas de

diversas áreas para mostrar a realidade do setor.

Boa leitura!

conectando você ao mercado de seguros

MAIO 2020 • Nº 254 • ANO 25

EXPEDIENTE

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ESPECIAL PME

RISCOS CIBERNÉTICOS

A pandemia trouxe consigo

mais uma preocupação. Com

a necessidade do isolamento

e do home-office, a segurança

das informações corporativas

e pessoais ficou ainda mais

sensível

>> PÁG. 12

ÍNDICE

06 painel

11 gente

ESPECIAL PME

26 produtos

Diante do cenário de pandemia,

alguns produtos e coberturas do setor

passam a ser mais valorizados, como

as assistências residenciais e seguros

de vida. O seguro empresarial pode

ensinar como manter as instalações

com as empresas fechadas

PANDEMIA

BENEFÍCIOS

THB fala sobre como é

possível negociar com

operadoras de planos de

saúde para atualizar os

produtos com custo mais

favorável para os clientes

>> PÁG. 18

30 webinar

Seguradores falam sobre a experiência

de suas matrizes nos países de origem

e das perspectivas para o mercado

brasileiro, diante de uma situação de

pandemia, além do relacionamento

com os corretores de seguros e novos

consumidores

SAÚDE

Vendas crescem nos meses

de março e abril, com a

preocupação dos empresários

em proteger as suas famílias

e de seus colaboradores.

Operadoras e seguradoras

adiam reajustes e melhoram

condições para corretores

>> PÁG. 20

33 retomada

Líderes do setor falam de suas

expectativas para o período pós

pandemia, mostrando as experiências

de suas empresas e de como

pretendem atuar para se preparar para

o final do período de isolamento social

Os artigos assinados são de

responsabilidade exclusiva de

seus autores, não representando,

necessariamente, a opinião desta revista.

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PAINEL

produto

Seguro automóvel rapaginado

A Liberty Seguros apresentou novidades nos

produtos da Aliro Seguro, cujo foco são seguros mais

simplificados e acessíveis. Os produtos Aliro Seguro

Auto P e o Aliro Seguro Auto M ganharam melhorias.

O destaque fica com a indenização integral de

até 100% da tabela FIPE em casos de roubo e furto e

as condições de pagamento mais flexíveis, como a possibilidade

de parcelamento em até 12 vezes sem juros,

débito em conta e cartão de crédito, que passam a ser

oferecidas no Aliro Seguro Auto P.

“Com essas mudanças, queremos oferecer opções

ainda mais completas e acessíveis principalmente

para os consumidores que procuram formas de proteção

alternativas aos seguros tradicionais”, afirma Paulo

Umeki, vice presidente de Produtos da Liberty Seguros.

saúde

Reforço na telemedicina

A Amil estendeu

o atendimento

por meio da telemedicina

para os

seus beneficiários

em todo o país. Com

a ajuda da tecnologia,

a operadora

de planos de saúde

expande sua capacidade para atender 6 mil pessoas

por dia. Inicialmente, 360 enfermeiros e médicos estão

disponíveis para orientações emergenciais de saúde 24

horas por dia. A empresa segue investindo na ferramenta

para, nos próximos dias, disponibilizar consultas com

hora marcada, por vídeo, com médicos e outros profissionais

de saúde de sua rede própria e credenciada,

também disponível para 100% de seus usuários.

Para Daniel Coudry, CEO da companhia, essa

tecnologia já é uma realidade. “As evidências de nossa

própria experiência e de diversos países demonstram

claramente que a telemedicina estimula o acesso correto

aos serviços de saúde, melhorando sua organização

e eficiência e, ainda, evitando desperdícios. Tudo isso

gera benefícios aos clientes, com melhor desfecho e

satisfação. Neste momento que estamos atravessando,

tornou-se uma ferramenta fundamental.”

seguro de vida

Seguro de vida para entregadores do iFood

A cobertura do seguro de acidentes pessoais dos

parceiros de entrega já é uma realidade para os entregadores

que utilizam o iFood. Esses profissionais que fazem

parte da população que não pode ficar em casa em meio

ao isolamento social, terão a cobertura do

seguro de vida para casos confirmados

de coronavírus. Cerca de 170 mil entregadores

cadastrados na plataforma foram

contemplados com esse benefício, que

entrou em vigor no dia 15 de abril e é válido

por 90 dias, podendo ser prorrogado.

A iniciativa foi realizada em parceria com

a foodtech e a corretora de seguros MDS.

No final de 2019, a parceria entre a empresa e a

MetLife já garantia aos entregadores cadastrados na plataforma

a cobertura de acidentes pessoais durante entregas

com o app, e também no “retorno para casa”, após a última

entrega, sem qualquer custo para eles. A iniciativa vale para

todos as modalidades de entrega existentes no app e em

todo território nacional.

“Nós já tínhamos desenvolvido

um benefício para o iFood com o intuito

de proteger os entregadores por todo

o país. Desta vez, estamos ampliando a

cobertura visando o momento atual e

o quanto esses trabalhadores precisam

continuar trabalhando durante a quarentena.

Garantir a segurança financeira dos

nossos clientes e contribuir para a continuidade

dos serviços essenciais do país são nossas prioridades”,

explica o vice-presidente comercial da seguradora,

Ramon Gomez.

6


pandemia

O que os beneficiários de

planos de saúde precisam?

Desde a inclusão do exame de detecção do novo

coronavírus (Covid-19) no Rol de Procedimentos obrigatórios

para beneficiários de planos de saúde, em 13

de março de 2020, a Agência Nacional de Saúde Suplementar

(ANS), monitora diariamente dados relacionados

aos casos da doença no Brasil e demandas dos canais de

atendimento.

Para esse acompanhamento e análise de informações,

foi desenvolvida uma ferramenta com recursos

de business intelligence com interface simples e de fácil

compreensão para o usuário final (Power BI). Entre outras

consultas, é possível comparar os números de casos

confirmados no Brasil com os registros de demandas

nos canais de atendimento da ANS no mesmo período;

identificar os percentuais e os tipos de reclamações

mais frequentes; verificar a quantidade de registros nos

canais de atendimento por Unidade da Federação; e visualizar,

em mapas, a incidência de casos confirmados

e os números de reclamações registradas nos mesmos

estados.

A ferramenta permite ainda a comparação entre

as demandas relacionadas ao novo coronavírus com os

registros sobre outros assuntos feitos nos canais de atendimento

da Agência. É possível fazer filtros de acordo

com o interesse e o objetivo da pesquisa. As fontes das

informações são o Ministério da Saúde e o Sistema de

Fiscalização da entidade. Confira no site www.ans.gov.br


PAINEL

campanha

Doação: R$ 80 mil arrecadados em apenas

uma plataforma

Graças ao

engajamento de

seus funcionários,

a SulAmérica conseguiu

arrecadar

R$ 81.960 para

ações de combate

ao novo coronavírus

e, como

anunciado, fez

um matching nesta doação, adicionando ao total arrecadado

mais R$1 milhão. “A participação dos colaboradores,

apoiando a cuidar das pessoas, está diretamente

ligada à nossa missão”, afirma Patrícia Coimbra,

vice-presidente de Capital Humano, Administrativo e

Sustentabilidade da companhia.

A plataforma online, que funcionou por oito

dias, recebeu 1.171 doadores únicos. O montante arrecadado

será investido em duas frentes: pesquisas

feitas pela FioCruz sobre a Covid-19 e a compra de EPIs

para profissionais de saúde. A seguradora também realizou

doações para entregar mais de 300 novos leitos

às cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, sendo 102

para a Santa Casa de Misericórdia paulistana e mais

200 em um hospital de campanha no Rio.

pesquisa

Mercado de seguros demonstra pessimismo

durante pandemia

Uma pesquisa realizada pela Fenacor indica que,

em abril, pelo segundo mês seguido, as principais empresas

do setor de seguros permaneceram pessimistas.

Segundo o consultor Francisco Galiza, responsável pelo

estudo, esse resultado é “uma consequência direta, dentre

outros fatores, da pandemia”.

O indicador ICES é calculado desde novembro de

2012. Ou seja, há aproximadamente sete anos e meio,

com 90 registros mensais desde então. Nesse momento,

o nível de tal índice (51 pontos) é o valor mais baixo no

histórico dos números.

O estudo é um indicador mensal que mede a confiança

do setor de seguros no Brasil. Esse indicador é o

resultado de três variáveis: ICES (Índice de Confiança e

Expectativas das Seguradoras), ICER (Índice de Confiança

e Expectativas das Resseguradoras) e ICGC (Índice de

Confiança das Grandes Corretoras).

A seguir, os últimos números obtidos.

INDICA-

DOR

DEZ.19 JAN. 20 FEV. 20 MAR.20 ABR.20

ICES 127,1 128,1 120,9 74,8 51,2

ICER 120,5 117,8 114,8 51,6 46,4

ICGC 135,1 139,7 135,3 72,9 64,7

ICSS 127,1 128,2 123,3 65,5 53,6

novos negócios

29 novas corretoras parceiras

A Lojacorr encerrou abril com mais

29 corretoras de seguros em seu ecossistema

de soluções de proteção no Brasil, além

do aumento da produção. O crescimento

foi alcançado em 32 unidades da Rede,

70% das companhias de seguros parceiras,

58% das corretoras da Rede e os ramos

de destaque no período foram RC Geral

254,28%, Rural 152,53%, Saúde 142,65%,

Transportes 80,72% e Vida 56,84%.

De acordo com Geniomar Pereira,

diretor comercial da empresa, todos os brasileiros, assim

como na empresa, sabiam que ia ser economicamente

difícil. Sendo assim, a organização planejou as ações que

poderiam reverter a situação de crise financeira para todo

o seu ecossistema. “O mês de abril seria divisor

de águas durante os primeiros 30 dias do

isolamento. Abrimos o mês com 27% menos

do que o mesmo período do ano anterior nos

primeiros dias de abril. Entre as nossas estratégias,

resolvemos negociar contratos com os

parceiros e investir em treinamentos, buscando

novas oportunidades”, afirma.

Segundo o executivo, que ressalta o

fato de que não existe receita para lidar com

essa situação, a forma encontrada pela Rede,

no momento, foi de agir rápido e mensurar também na

mesma proporção qualquer distorção. “Passamos a medir

nossos resultados de hora em hora, procurando proatividade

na tomada de decisão”, acrescenta.

8


operadoras

A pandemia do novo

coronavírus terá reflexos

consideráveis em todos os

setores, sobretudo, na saúde.

Segundo informações

da Unidas (União Nacional

das Instituições de Autogestão em Saúde), com os dados

que já dispomos atualmente, é possível estimar aumento

de custo, em média, de pelo menos 6% da receita, o que

equivaleria a R$ 1,4 bilhão, considerando a receita das autogestões

de 2019. Nas carteiras mais envelhecidas, com 50%

de idosos, a despesa extra pode chegar a 10% da receita.

O levantamento é feito com base em análise de relatório

da Credit Suisse feito com operadoras de mercado,

que aponta impacto sobre a receita de 1% a 2,6% da receita,

levando em consideração o número de usuários dessas

empresas com mais de 65 anos (5%) e a probabilidade de

infecção (50% deste público) e internação (10% dos infectados)

de UTI por um período de 14 dias. A Prevent Sênior,

Impacto de R$ 1,4 bi nas despesas das autogestões

com 64,5% de sua população acima dos 65 anos, teria impacto

de 11,3%. Nas autogestões, a quantidade de idosos

presente nas carteiras de beneficiários é de quase 30%. Em

alguns planos, este percentual chega a 50%.

“A Credit não calculou os reflexos da crise nos planos

de autogestão, mas ponderando valores intermediários

entre a Prevent Sênior e as demais operadoras de

mercado, podemos aferir esse custo extra estimado. Além

disso, apesar de o futuro ainda ser incerto quanto aos impactos,

alguns fatores já permitem uma análise mais macro.

Enquanto cirurgias eletivas estão sendo postergadas, há de

imediato uma redução da despesa assistencial. Porém, ela

será fatalmente superada pelo custo do tratamento para

a Covid-19, no qual os idosos, os mais afetados pelo vírus,

consumirão mais recursos hospitalares, inclusive diárias de

UTI”, afirma o presidente da entidade, Anderson Mendes.

“Além disto, ainda sofreremos o impacto da realização dos

procedimentos represados, que serão reagendados após o

pico da epidemia”, complementa.


PAINEL

aniversário

Sindseg MG/GO/MT/DF comemora 70 anos representando seguradoras

O SindSeg MG/GO/MT/

DF (Sindicato das Empresas de

Seguros Privados, de Resseguros

e de Capitalização dos Estados

de Minas Gerais, de Goiás,

do Mato Grosso e do Distrito

Federal) comemora 70 anos de

existência. Desde 1950, a entidade

atua de forma institucional,

representando, perante as autoridades administrativas e

judiciárias, os interesses gerais do mercado de seguros e

as necessidades de suas associadas.

Além disso, o Sindicato firma contratos, acordos

ou convenções coletivas de trabalho, elege ou designa

os representantes da respectiva categoria e colabora

com o Estado, como órgão técnico e consultivo, no estudo

e solução dos problemas que se relacionam com sua

categoria econômica. A entidade também realiza eventos

com o objetivo de fortalecer a cultura do seguro na

região. Treinamentos, cursos, palestras e outras iniciativas

são oferecidos, no Brasil e no mundo.

Segundo Marco Antônio Neves, presidente do Sindicato,

“a indústria de seguros é, na sua essência, uma disseminadora

de valor e de riqueza. O resultado da receita

de seus produtos, além de empregar milhares de pessoas

direta e indiretamente, alimenta uma dinâmica cadeia

produtiva que envolve seguradoras, corretoras e uma ampla

gama de fornecedores de reparação, reposição e prestação

de serviços. Por isso é de extrema importância que

existam entidades como essa”.

patrimonial

Vistoria remota para seguro condomínio

Para ampliar a

eficiência de seus processos,

a AXA adotou

uma nova forma de

realizar a regulação de

sinistros dos seguros

Condomínio e Empresa

Flex. Através de um aplicativo, é possível utilizar a

câmera do celular do cliente para transmitir imagens ao

vivo do bem segurado para o vistoriador especializado.

Além de manter a acuidade das vistorias, toda a comunicação

entre reguladores, clientes e seguradora será

feita por meios digitais.

“A ampliação da vistoria remota está dentro do

pacote de iniciativas que estamos implementando nesse

período. Realizamos um projeto piloto com parceiros

da empresa para garantir o bom funcionamento da

ferramenta e entender, junto dos corretores, os pontos

a aprimorar. Com estas ações, vamos garantir o andamento

das nossas operações com segurança e conseguiremos

agilizar os processos, beneficiando a todos”,

explica Arthur Mitke, superintendente de Sinistros da

companhia.

Desde o início de abril, tanto o Condomínio

quanto o Empresa Flex estão com condições diferenciadas

de pagamento, com opção de parcelamento em até

6x sem juros.

webinar

Percepção do seguro de vida

Se até pouco tempo atrás o seguro de automóvel

era o mais contratado pelos brasileiros, agora, por conta

da pandemia, a tendência é que o seguro de vida passe a

ocupar essa posição. “As pessoas estão se conscientizando

de que o maior patrimônio que devem proteger não

é material, mas a própria vida”, disse o vice-presidente

do Clube Vida em Grupo de São Paulo (CVG-SP), Marcos

Kobayashi, durante o

webinar “O Covid-19 e

o Seguro de Vida: Desafios

e oportunidades

no atual panorama”,

realizado nesta quarta-

-feira, 29 de abril, com

transmissão ao vivo

pelo YouTube.

Além de Kobayashi, a live de estreia da entidade

contou com as apresentações do presidente Silas Kasahaya,

do vice-presidente Alexandre Vicente da Silva e

a mediação do jornalista colaborador Paulo Alexandre.

Os diretores comentaram a mudança de percepção dos

brasileiros em relação à importância do seguro de vida.

Na visão de Kasahaya, a pandemia tem despertado o interesse

das pessoas pelo seguro. Silva observou que se

tornou mais evidente para a população a importância da

proteção do seguro para os riscos de doenças, morte, internação

hospitalar e outros.

10


gente

NOVA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL

A AXA no Brasil anunciou

alterações em sua estrutura

organizacional. Igor Di

Beo passa a liderar as áreas

Comercial e Marketing, que

se somam à estrutura de

Subscrição e que já era de

sua responsabilidade. Assim,

o cargo do executivo passa a ser vice-presidente de

Subscrição, Comercial e Marketing.

A área de Sinistros, antes sob comando de

Igor, foi assumida por Arthur Mitke, promovido a diretor

de Sinistros e irá se reportar diretamente para

Erika Medici, CEO da empresa.

O escopo de responsabilidades de Sébastien

Guidoni e de Alexandre Campos, ambos com reporte

direto para a CEO, também foi alterado. Guidoni

continua responsável pelas áreas Financeira e de

Estratégia e passa a ocupar-se também da frente de

Parcerias. Campos, por sua vez, acumula os departamentos

Jurídico, Compliance e continua na liderança

da área de Recursos Humanos.

CEO DE CONSULTORIA

Ricardo Neves assumiu

o cargo de CEO da

operação brasileira da everis,

consultoria de negócios

e TI do grupo NTT Data,

com o desafio de dar continuidade

ao crescimento da

participação de mercado

da operação no País. Sua

missão inclui o avanço do

valor agregado do portfólio de serviços de transformação

digital prestados aos clientes da empresa no

Brasil.

“Estou muito empolgado em assumir este

novo desafio. É uma honra iniciar uma nova fase de

carreira em uma empresa jovem, ágil, inovadora, focada

nos clientes e que tem seus recursos humanos

em primeiro lugar. Nesses tempos de mudança nos

paradigmas no mundo, acredito que teremos muito

a contribuir para a transformação de nossos clientes

e da sociedade”, ressalta Neves.

MERCADO PERDE OUTRO EXPOENTE

O mercado segurador brasileiro perdeu em

abril um dos seus maiores expoentes, Mario José

Gonzaga Petrelli. Ele faleceu dia 22 de abril, aos

84 anos, no Hospital Baía Sul, em Florianópolis/SC,

onde estava internado.

Mário Petrelli, que começou

sua trajetória como

vice-diretor executivo do

Grupo Boavista de Seguros,

também teve muitos momentos

marcantes em sua

carreira a frente de outros

segmentos, até chegar à comunicação.

Ele foi diretor da

Fenaseg (hoje CNseg) e do Instituto de Resseguros

do Brasil. Foi um dos fundadores da Academia Nacional

de Seguros e Previdência e representou o

país em várias conferências internacionais.

MUDANÇAS NO CONSELHO DE

ADMINISTRAÇÃO

O IRB Brasil RE anunciou alterações na composição

de seu Conselho de Administração (CA). A

companhia recebeu a renúncia dos executivos Vinicius

José de Almeida Albernaz e Alexsandro Broedel

Lopes dos cargos de membros efetivos do CA, assim

como de seus suplentes

Ivan Luiz Gontijo

Junior e Osvaldo do

Nascimento.

Em vista das renúncias

apresentadas,

a resseguradora, com

o auxílio da especialista

em headhunting

Korn Ferry, selecionou

os seguintes candidatos

como membros

titulares: Regina

Nunes, Ivan Passos, Henrique Luz e Marcos Falcão.

As renúncias foram motivadas pela necessidade

de dedicação exclusiva dos profissionais às

suas empresas de origem diante dos impactos da

crise provocada pela pandemia do coronavírus no

mercado.

11


ESPECIAL PME

RISCOS CIBERNÉTICOS

Pandemia de

VAZAMENTO DE DADOS

CONSULTORES E SEGURADORAS DESCREVEM IMPACTO DA ESCALADA MUNDIAL DO CORONAVÍRUS

NA SEGURANÇA DE INFORMAÇÕES CORPORATIVAS E PESSOAIS EM MEIO AO ISOLAMENTO

SOCIAL QUE IMPÕE O TRABALHO REMOTO, AMPLIANDO RISCOS CIBERNÉTICOS QUE DEVERÃO

DESENCADEAR PREJUÍZOS DA ORDEM DE TRILHÕES DE DÓLARES

André Felipe de Lima

Após o devastador efeito na China, entre dezembro

de 2019 e fevereiro deste ano, a pandemia

do coronavírus começou a assolar a

Europa, principalmente Itália e Espanha, entre março

e abril. Hoje, sofrem drasticamente, e sobretudo, Estados

Unidos e Brasil. Diante disso, o relatório anual do

Fórum Econômico Mundial, anunciado no mês em

que a doença começava a se alastrar no Velho Continente,

certamente será revisto em vários pontos,

ou mesmo integralmente. Um destes itens a serem

revisitados é a análise que revelou sobre ataques

cibernéticos, qualificando-os como um dos principais

tópicos da lista de riscos globais à economia.

A devastadora Covid-19 não poupa vidas

e sequer poupará mercados, cujos principais

atores, os trabalhadores, estão em quarentena

em praticamente todo o planeta. Eis aí o risco

maior para a proteção de dados corporativos.

Com quase todos os países em isolamento

social, o trabalho remoto coloca em xeque

sistemas e dados de empresas e cidadãos.

O resultado disso é um catastrófico prejuízo,

que ainda não é mensurável em

números pelos analistas, mas que, inevitavelmente,

atingirá a casa de bilhões

ou mesmo trilhões de dólares quando

a pandemia der trégua e permitir uma

avaliação precisa pós-desastre.

Mesmo sem considerar a

corrosão na economia mundial

provocada pelo coronavírus, o

Fórum, que ouviu 750 especialistas

e executivos para o relatório

econômico, alerta que os riscos

cibernéticos serão responsáveis

por um impacto negativo em

vários setores de mercado, e o

percalço deverá durar 10 anos.

Com a pandemia, certamente

tudo ficará ainda pior e sem

data para que as adversidades

cessem.

12


Sócio de cyber da Deloitte, o executivo José Pela Neto destaca

que a pandemia cibernética, ou seja, a do risco cibernético, foi

desenhada há alguns anos e vem sendo pintada com tintas fortes

com o advento da Covid-19. “Já escrevi alguns artigos sobre isso,

falando desse movimento há alguns anos, que fez as empresas investirem

e até perderem dinheiro com fraudes e tudo mais. São

milhões e milhões de dólares por ano, seja analisando investimento,

seja analisando prejuízo do impacto daquele cenário”, ressalta

Pela Neto, para quem a pandemia da Covid-19 surpreendeu

bilhões de pessoas e milhões de empresas despreparadas para o

trabalho remoto. “Isso tem alguns impactos, e estamos vendo se

materializarem dia após dia”, completa.

Superintendente de Garantia e Linhas Financeiras da Tokio

Marine, Caroline Ayub cita um estudo da Apura Cybersecurity

Intelligence, especializada em cybercrimes, que verificou — somente

no mês de março — a ocorrência de pouco mais de 63 mil

eventos potencialmente fraudulentos que mencionam a palavra

“coronavírus” no Brasil. “Ainda não há estudos que mostrem

perdas financeiras causadas pelos ataques, mas o cenário causa,

efetivamente, uma grande preocupação relacionada à proteção

contra crimes cibernéticos”, sinaliza Caroline.

Com matriz em Nova Iorque, a Kroll, uma das mais influentes

consultorias internacionais de riscos, de investigações corporativas

e de riscos cibernéticos, apresentou há dois anos um estudo

em que apontava 2020 como um ano em que o prejuízo mundial

com a violação de dados poderia chegar a 2 trilhões de dólares e os

gastos com segurança tecnológica de informação a 170 bilhões de

dólares. Evidentemente, os especialistas da Kroll jamais imaginaram

que uma pandemia assolasse o planeta nos primeiros meses deste

ano, mas a coincidência da previsão técnica com a realidade atual

impressiona, e muito, especialmente a área de seguros cibernéticos,

que já vem sendo intensivamente acionada.

Diretor administrativo associado e líder da prática de riscos cibernéticos

da Kroll no Brasil, Walmir Freitas explica que o controle de

proteção de dados e de conectividade é fundamental (VPN e criptografia,

por exemplo) e que o cenário atual, este francamente desfavorável

devido ao trabalho remoto adotado em vários países, colocará à

prova alguns destes controles de segurança das empresas. A Kroll —

ressalta Freitas — analisa diversos fatores de risco, dentre os quais a

conexão com a internet do funcionário, cujo comportamento seguro

praticado no escritório agora precisa ser estendido à casa.

“Outros fatores podem gerar prejuízos ou perda de produtividade.

Um exemplo são as empresas que não possuem computadores

portáteis para seus funcionários. Nesse caso, elas podem acabar

optando por sistemas de rodízio das máquinas ou gastarem mais

para terem os equipamentos adaptados e recursos de segurança necessários.

Adicionalmente, caso empresas optem por deixar seus colaboradores

usarem seus próprios dispositivos, o risco de incidentes

de segurança pode aumentar ainda mais, já que a máquina pode não

ter os recursos de proteção adequados, além da possível ausência

de supervisão com o trabalho remoto”, avalia o especialista da Kroll.

O preço a ser pago por tudo o que vem acontecendo no mercado

será alto. Muito alto, frise-se. São inúmeras as empresas que

JOSÉ PELA NETO, da Deloitte

obrigatoriamente adotaram o sistema de

home office durante o isolamento social

e que antes ignoravam políticas de segurança

de dados. “Os dados estão expostos

mais que nunca durante a pandemia do

coronavírus”, alerta o country manager da

Eset no Brasil, Carlos Baleeiro, que completa:

“Diante desse cenário ainda novo,

não é possível ter uma ideia sobre possíveis

prejuízos. É muito possível que esse

número cresça não somente com pequenas

empresas, mas principalmente com

usuários domésticos. Ainda assim, é difícil

mensurar o tamanho desse crescimento

nesse momento.”

RISCOS AO PROTELAR IMPLANTAÇÃO

DA LGPD

Como se não bastasse a pandemia

da Covid-19 e os riscos que ela acentua

no campo dos dados corporativos, a Lei

CAROLINE AYUB, da Tokio Marine

13


ESPECIAL PME

RISCOS CIBERNÉTICOS

WALMIR FREITAS, da Kroll

Geral de Proteção de Dados Pessoais

(LGPD), que entraria em vigor em agosto

no Brasil para conferir mais confiabilidade

e segurança ao mercado, só funcionará a

partir de 3 de maio de 2021, como impõe

medida provisória (MP) editada no dia 29

de abril pelo presidente Jair Bolsonaro e

com duração de 120 dias para ser analisada

pela Câmara e pelo Senado. Caso

não seja avaliada pelas duas casas nesse

período, a MP caducará e a LGDP poderá

vigorar no final de agosto, como definido

pelo Congresso.

Muitos alertam no mercado

que a MP fere um acordo que já havia

se consolidado no Senado para que a

LGDP vigorasse ainda este ano, sobretudo

em meio às incertezas e riscos a que

estão expostos os dados de pessoas e

CARLOS BALEEIRO, da Eset

empresas durante a pandemia. Sem a lei, o país viverá uma preocupante

insegurança jurídica.

Como analisa Pela Neto, da Deloitte, além da insegurança jurídica

por conta da indefinição para implantação da LGPD, há a insegurança

tecnológica: “Tem mais um movimento acontecendo agora:

a transformação digital acelerada. A transformação digital não acelerada

trouxe para as empresas muitos riscos novos. Imagine a acelerada?

Esse movimento é muito preocupante e as empresas precisam

ficar atentas a essas mudanças bruscas, que representam um alívio

na resposta de negócios, mas podem trazer preocupações para o

momento operacional das empresas. Trocar um site de um dia para

o outro sem proteção adequada, sem testes adequados de segurança

pode fazer com que de uma forma muito rápida vazamentos de

informação comecem a acontecer. Vazamentos estes que poderiam

nunca ter acontecido se algumas etapas fossem tomadas.”

SEGUROS CIBERNÉTICOS EM NOVA ESCALADA

Para Freitas, da Kroll, o percentual de procura por apólices

para riscos cibernéticos deverá subir significativamente em decorrência

dos efeitos do isolamento social provocado pela escalada da

Covid-19, mas isso dependerá de como as empresas amadurecerão

a relação que têm com a cultura da segurança da informação. “Acreditamos

que com um eventual aumento de eventos e o advento da

LGPD, o seguro cibernético, que pode ser uma quarta camada de

segurança, tende a ser mais procurado”, reforça o especialista, afirmado,

inclusive, que já há evidências de que a procura pelo seguro

contra crimes cibernéticos durante a pandemia aumentou. “Mas ainda

estamos mensurando o impacto do coronavírus na procura por

apólices de segurança”, pondera.

Divulgado em outubro do ano passado, outro relatório da

Kroll aponta que 55% dos executivos entrevistados no Brasil afirmaram

que suas empresas sofreram pelo menos um caso de vazamento

de informações, ou seja, 16% acima da média mundial. “Já estamos

presenciando este crescimento não só no Brasil, mas globalmente.

Neste período já percebemos um aumento no número de clientes

que têm procurado a Kroll para apoiar nas respostas a incidentes ou

vazamento de dados”, confirma Freitas.

A pandemia do coronavírus obrigou quase o planeta inteiro

a ficar dentro de casa. O teletrabalho obrigatório deixou as empresas

mais vulneráveis. Uma situação inesperadamente nova. Por outro

viés, como assinala Baleeiro, da Eset, o nível de exposição com a

pandemia diminui com menos interação dos usuários, uma vez que

grande parte dos ataques cibernéticos utiliza engenharia social para

ser bem-sucedido. “Deste modo, acaba forçando os atacantes a utilizarem

outras técnicas para ataques. Mas é difícil mensurar o nível

de crescimento dos ataques por conta da pandemia propriamente

dita”, salienta o executivo da Eset.

Como, afinal, as empresas podem proteger os dados mais

expostos, sobretudo em um contexto tão adverso como o atual?

“Monitoramento, comportamento e agilidade. Manter o monitoramento

de redes e ativos é serviço essencial de segurança, além de

reforçar a importância do comportamento seguro dos profissionais

— eles precisam estar atentos e vigilantes. Fora isso, é mandatória

14



ESPECIAL PME

RISCOS CIBERNÉTICOS

MARTA SCHUH, da Marsh Brasil

agilidade dos times de TI e cybersecurity,

para manter o ambiente atualizado,

seguro e para responder rapidamente a

qualquer evento suspeito”, recomenda

Freitas, da Kroll.

SEGURADORAS ATENTAS AOS

ATAQUES VIRTUAIS DURANTE

PANDEMIA

Superintendente de cyber da

Marsh Brasil, Marta Schuh explica que

ainda não é possível dimensionar financeiramente

o impacto da pandemia

do coronavírus, mas recomenda que as

empresas adotem medidas preventivas

diante do risco iminente de ataques cibernéticos:

“Estarem mais vigilantes

a possíveis tentativas de e-mails de

phishing (fraudes de roubos de dados

pessoais e financeiros das vítimas); prática

de boa higiene cibernética; instruir

funcionários para verificarem seus dispositivos,

incluindo o roteador da Internet;

estando sempre atualizados com a proteção

antivírus, atualizações de patches;

uso de VPN e de ferramentas de autenticação

de acesso; lembrar funcionários

que usem o mesmo cuidado ou mais

com informações confidenciais como

usariam se estivessem no escritório. O

e-mail pessoal não deve ser usado para

assuntos corporativos”, lista Marta.

A Tokio Marine vem fazendo o dever,

literalmente, de casa. A seguradora

alerta com frequência seus funcionários

sobre os cuidados redobrados que todos

precisam ter para evitar ameaças virtuais

durante o trabalho remoto e recomenda atenção redobrada das

empresas com seus dados corporativos durante a quarentena.

“Especificamente sobre o seguro Tokio Marine Riscos Digitais,

desenvolvemos um produto que garante cobertura para a responsabilidade

que pode ser imputada à empresa por conta de danos

causados por ataques virtuais como custo de reconstrução da rede,

extorsão cibernética com pagamento ou remediação sem pagamento,

perda ou suspeita de perda de informações não-públicas,

violação de privacidade ou transmissão de códigos maliciosos através

dos sistemas do segurado. O seguro também inclui cobertura

para os danos sofridos pelo próprio cliente, como custo de defesa,

indenização e acordo”, diz Caroline Ayub, da Tokio Marine.

A executiva também antecipa que houve aumento na demanda

de apólices do Tokio Marine Riscos Digitais. Apenas no primeiro

trimestre, a seguradora superou o volume de prêmios emitidos do

produto em 2019. “Neste cenário de pandemia, no qual existe uma

necessidade de manter os negócios de forma remota para preservar

a saúde das pessoas, o seguro é fundamental, especialmente para as

pequenas e médias empresas”, destaca Caroline.

Com a Marsh não é diferente, explica Marta Schuh: “Apesar do

cenário econômico adverso, temos sentindo que as empresas continuam

buscando o seguro cyber. Se antes o movimento estava por

conta da entrada da LGPD, que deve ser postergada para o próximo

ano, cada vez mais empresas entendem que os impactos vão muito

além de uma nova questão regulatória e que os prejuízos podem ser

tão severos quanto de um incidente operacional (incêndio, quebra

de maquinas etc,). Em algumas indústrias, inclusive, o risco cibernético

pode ter até maiores consequências que um incêndio e, assim,

estão buscando através do seguro cyber uma ferramenta de transferência

de prejuízos, uma vez que no último mês houve incidentes

que se tornaram públicos no Brasil, com grande repercussão.”

PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS REALMENTE PREPARADAS?

As pequenas e médias empresas passaram a procurar a cobertura

do seguro para garantir seus dados remotos. Isso se deve

ao fato de o Brasil ser um dos países mais expostos a esse tipo de

crime, como mostram estudos especializados, e a disseminação de

conhecimento sobre os benefícios da contratação do seguro são fatores

que já estão contribuindo para o aculturamento dos pequenos

e médios empresários sobre esse tema, como salienta Caroline, da

Tokio Marine.

“Temos feito um trabalho intenso de conscientização dos

corretores a respeito da importância da oferta desta proteção

para as PME’s, que sem dúvida estão mais expostas aos riscos digitais,

muitas vezes por falta de conhecimento ou por não possuírem

uma estrutura dedicada de tecnologia”, frisa Caroline.

Marta, da Marsh, afirma que as PME’s — antes mesmo de a

Covid-19 espalhar-se pelo mundo — já buscavam a cobertura do

seguro de riscos cibernéticos por conta da entrada da LGPD, já que

a lei possui responsabilização solidária e empresas contratantes de

serviços prestados por elas. “É valido ressaltar que as apólices, em

sua maioria, amparam incidentes que se originam em trabalho remoto”,

conclui a executiva.

16



ESPECIAL PME

BENEFÍCIOS

Consultores especializados agregam valor

do plano de saúde para pequenas e médias

SANDRO VALLE, DIRETOR DE

BENEFÍCIOS PME DA THB, FALA SOBRE

COMO É POSSÍVEL NEGOCIAR COM

AS OPERADORAS E ATUALIZAR OS

PRODUTOS PARA TER UM CUSTO MAIS

FAVORÁVEL PARA O EMPRESÁRIO

APóLICE: Como uma consultoria especiacializada

pode contribuir para a melhoria

do resultado operacional das empresas?

O mercado de seguro saúde para

Pequenas e Médias Empresas está muito

dinâmico e desafiador e o que se percebe

é que, a partir de um trabalho bem

desenvolvido de consultoria, é possível

traçarmos algumas estratégias que impactem

diretamente em reduções significativas

na mensalidade do plano de

saúde. Obedecendo algumas prerrogativas

como Padrão de Acomodação,

Rede Credenciada e Valor de Reembolso,

conseguimos reduzir a mensalidade

em até 40%.

APóLICE: Qual é a sua classificação de

PME’s?

Empresas de 2 até 99 funcionários.

Para algumas Seguradoras o produto

PME alcança até 199 vidas.

APóLICE: Quais os diferenciais da THB

para atender os tipos de serviços que estas

empresas demandam, por seu menor

porte?

A THB conta com uma equipe de profissionais, altamente

capacitados, especializada no segmento PME, associando a sua

força comercial com um estrutura operacional que foca no modelo

de atendimento personalizado – “soluções exclusivas”. Assumimos

toda a gestão do benefício, além de sempre buscarmos alternativas

no mercado com os nossos consultores especialistas no produto. O

nosso grande diferencial é a retenção de clientes. Para nós, quando

fechamos um negócio, a venda não termina, pelo contrário, é aí

que ela começa! Focar no pós-venda, satisfazendo as necessidades

de nossos clientes PME faz com que eles nos indiquem cada vez

mais, tornando-se um vendedor de forma espontânea..

APóLICE: O que a empresa fez para manter os serviços para seus

clientes durante a pandemia?

Temos mantido uma comunicação constante, não só com

a nossa equipe de atendimento, mas também com os clientes,

18


nas negociações

empresas

através de algumas ferramentas online (Teams) para assegurarmos

o controle na entrega das demandas operacionais. Além disso, a

nossa área de Relacionamento neste atual cenário econômico,

mais do que nunca, desenvolve algumas estratégias inovadoras na

busca de economia durante as renovações dos contratos.

APóLICE: Qual cenário vocês identificam para o setor de saúde neste

ano, considerando a situação atual de pandemia?

Todo o sistema de saúde passará por um momento muito

complexo e inovador, desde o aumento na sinistralidade devido às

internações resultantes do coronavirus até o aumento da inadimplência

no pagamento das mensalidades. Por outro lado, temos

uma suspensão nos procedimentos eletivos e uma mudança cultural

nos segurados para a utilização da telemedicina, o que impulsionará

a prevenção e evitará a má utilização do benefício, impactando

diretamente na redução da sinistralidade.

APóLICE: A empresa está buscando novos

clientes ou está atuando mais com

as renovações?

Felizmente, a THB hoje é uma referência

no setor de Benefícios, não só

no segmento Corporate como também

no PME. Isso gera uma demanda constante

de novos clientes nos contatando

para buscar soluções que atendam às

suas necessidades. Além disso, temos

uma carteira expressiva de clientes no

segmento PME, exigindo um trabalho

de nossa equipe de Relacionamento

muito intenso e consultivo para as negociações

de reajuste e as estratégias

do mercado, sempre com o objetivo de

evitar que o nosso cliente tenha o seu

plano de saúde reajustado.

APóLICE: Qual será o maior desafio

para as PME’s, no setor de seguros, neste

ano?

Neste cenário desafiador com

inúmeras mudanças, nuances e variáveis

no modelo tradicional de contratação

de seguros, as empresas precisam

contar, não só com a figura de um

intermediário, mas com consultorias

especializadas no mercado de seguro

saúde que monitorem mensalmente

os índices de inflação médica e,

principalmente, apresentem estudos

de mercado visando uma eventual

migração do benefício, sem comprometer

a qualidade. É fato que no segmento

de PME as negociações envolvendo

planos de saúde em boa parte

são conduzidas diretamente com

o dono da empresa que precisa ter

acesso aos comparativos de mercado

com alternativas de “downgrade”, incremento

de coparticipação e opções

equivalentes de produtos e operadoras,

a fim de obter informações claras

e objetivas para a tomada de decisão

antes de absorver o reajuste proposto.

Para ter uma ideia do nível de impacto

positivo que uma consultoria técnica

pode gerar, algumas seguradoras

desenvolveram uma área de retenção

justamente para conter o grande número

de cancelamentos gerados por

seus clientes.

19


ESPECIAL PME

SAÚDE

da pandemia nos

produtos de Benefícios

20


IMPORTÂNCIA

DA PROTEÇÃO É

RESSALTADA, CRESCEM

AS VENDAS E OS

ESFORÇOS DO SETOR

PARA VENCER O PERÍODO

DE DESAFIOS

Thaís Ruco

Acompanhando o avanço do

contágio pelo coronavírus, cresce

também a procura por planos

de saúde privados. De acordo com o

Instituto de Estudos de Saúde Suplementar

(IESS), em março, pela primeira vez no

ano, os planos de saúde médico-hospitalares

voltaram a superar a marca de 47

milhões de beneficiários em todo o País,

saldo de mais de 233 mil vínculos no período

entre março de 2019 e o mesmo mês

deste ano, o que representa aumento de

0,5% no acumulado.

A alta na contratação parte principalmente

das PMEs, considerando que

são responsáveis por 75% dos empregos

gerados na economia (dados de setembro/2019

da Agência Brasil). “O fator mais

importante para as pequenas empresas é

a própria manutenção de seus planos de

saúde. Assim, nenhuma oferta será tão

importante quanto um preço que se acomode

no sofrido bolso deste empresário,

nos próximos meses”, afirma Laureci

Zeviani, diretor Comercial da Ameplan

Saúde, destacando que a empresa já privilegia

as contratações de micro e pequenas

empresas há alguns anos. “É possível

encontrar diferenciais em produtos, mas

nenhum valor agregado será tão importante

nos próximos meses como a atratividade

de preços”.

“Muitas empresas que não investiam

no plano de saúde como um benefício

para os seus colaboradores, visando

uma melhor qualidade de vida, agora,

neste momento crítico, estão buscando,

com medo de precisar da assistência”,

analisa Roberto Ranieri, vice-presidente

da Plena Saúde. “Nossas vendas aumentaram

consideravelmente para este público

de PMEs. Notamos um aumento na

procura, principalmente devido ao risco

de não ter um local para ser atendido

para quem depende do sistema público”.

Sócrates de Freitas, diretor da

Viacorp Corretora de Planos de Saúde,

aponta que as pequenas empresas estão

contando com algumas condições

interessantes, pois as operadoras criaram

tabelas financeiramente mais atrativas.

21


ESPECIAL PME

SAÚDE

LAURECI ZEVIANI, da Ameplan

“Para empresas com poucos colaboradores

isso é muito bom, uma vez que o motivo

pelo qual mais somos procurados é

para redução de custo”. Ele comenta que

na situação em que se encontra o Brasil

e o mundo, com todas as dificuldades

financeiras, muitas pequenas empresas

estão preocupadas com plano de saúde.

“O perfil dessas consultas é basicamente

para redução do custo do benefício. Uma

característica que temos observado é

que, por ainda estarmos em um momento

de incerteza, as empresas estão pesquisando

valores e rede de atendimento,

mas deixando para fechar contrato após

o fim da pandemia ou quando tiver uma

perspectiva de melhora do quadro”.

ROBERTO RANIERI, da Plena

Atualmente é possível adquirir um plano de saúde empresarial

para empresas com apenas duas vidas, o que é um grande facilitador

para as micro empresas. “Cada dia aumenta a procura por

planos empresariais e isso se deve aos problemas com a capacidade

instalada do sistema público de saúde no Brasil e a necessidade de

maior segurança aos funcionários e familiares. Neste momento, muitos

empresários buscam oferecer planos para garantia de cobertura

em tempos tão desafiadores”, analisa Luciana Soares, sócia-proprietária

da Top1000 Corretora. “No entanto, pelo momento de incertezas

econômicas, muitos empresários buscam modelos que alinhem

a relação custo x benefício, como os planos com coparticipação,

franquia e planos regionais”, afirma.

Cada vez mais as companhias estão focando nas empresas menores.

Desde abril, a Porto Seguro passou a compreender três vidas seguradas,

com o mínimo de um titular. “Essa mudança não só permite

que corretores tenham uma ampliação de oportunidades e argumentação,

mas também é importante para que novos empreendedores,

com quadro mais enxuto de colaboradores, possam ter à disposição

o acesso a um plano de saúde de qualidade e com diversas opções de

serviços e atendimentos especiais no portfólio”, conta Marcelo Zorzo,

diretor-executivo de Saúde, Odonto e Ocupacional da Porto Seguro.

Entre os serviços citados que estão sendo oferecidos por boa

parte das empresas de saúde no momento há, por exemplo, plataforma

de orientação médica por telefone ou de videochamada, que

contribui para diminuir os riscos de exposição a um pronto socorro

ou ambiente hospitalar dos beneficiários em um momento delicado

como o atual, buscando a primeira consulta de forma online e atendimento

psicológico de qualidade também a distância.

Até mesmo as vendas de produtos por adesão e individual

apresentam aumento. “Muitos clientes, inclusive os que perderam

emprego e o plano empresarial, procuram fazer seu plano de saúde

individual ou por entidade de classe, o que chamamos de coletivo por

adesão. Essa procura aumentou, apesar da pouca oferta de planos individuais,

preço e condições para adesão”, afirma a corretora Luciana.

Para o corretor Sócrates, este aumento se dá por conta de não

existir a obrigatoriedade mínima de tempo de permanência no plano.

“Isso é bastante atrativo, especialmente no cenário econômico

em que estamos”. No entanto, ele alerta para um risco na manutenção

do atendimento, por conta da possibilidade de inadimplência,

que deve aumentar nos próximos meses.

Segundo Roberto Ranieri, a Plena está com uma campanha

agressiva de redução de carência em sua rede própria para novos

clientes, fora o desconto de 30% na primeira fatura, que estendeu

desde a semana do consumidor, no início de março. “Estamos ajudando

quem mais precisa neste momento”, justifica.

“Os índices indicam que a procura por planos de saúde aumentou

durante a pandemia, e esses novos usuários não podem

sofrer qualquer tipo de abusividade por parte das operadoras e precisam

usufruir de todos os benefícios contratados”, afirma Juliane

Tedeski Monteiro, advogada especializada em Direito Médico e da

Saúde. Segundo ela, o momento de pandemia não pode ser usado

como justificativa para condutas abusivas e negativas por parte dos

planos, devendo ser respeitado o que foi contratado.

22


MEDIDAS PARA EQUILIBRAR O CENÁRIO

Com o propósito de viabilizar o equilíbrio do setor de planos

de saúde de forma a que todos os atores permaneçam no sistema

durante a crise causada pelo coronavírus, a Agência Nacional

de Saúde Suplementar (ANS) propôs um acordo às operadoras de

planos de saúde: elas poderiam movimentar recursos provisionados

e reservas no valor de R$ 15 bilhões para viabilizar medidas necessárias

para o enfrentamento à pandemia.

Em contrapartida, as operadoras deveriam se comprometer

a: pagar em dia os profissionais e estabelecimentos de saúde de suas

redes de atendimento; renegociar contratos com beneficiários que

estivessem com dificuldades para manter o pagamento do plano; e

a manter os beneficiários no plano até 30 de junho de 2020. No dia

24 de abril terminou o prazo para envio dos termos de compromisso

assinados para a ANS, mas apenas nove operadoras encaminharam

o documento à reguladora. A Fenasaúde, que representa 16 grupos

de operadoras de seguros e planos de assistência à saúde privados,

não aderiu ao termo de compromisso, alegando que as contrapartidas

apresentadas pela ANS para o acesso aos recursos destas reservas

e provisões acabaram por tornar inviável a sua utilização, nos

moldes propostos.

Marcelo Zorzo explica que, conforme exposto pela FenaSaúde,

a Porto Seguro reconhece a dedicação e o empenho da ANS na

busca por alternativas para conciliar a adequada manutenção da

solvência das operadoras que atuam no setor com as demandas

que a pandemia causada pelo coronavírus exige mas, “assim como

as demais operadoras associadas, avaliamos a proposta e nossas capacidades

e ações para este momento de pandemia, e optamos por

manter as atuais práticas”.

Roberto Ranieri diz que a Plena não aderiu ao termo, pois a

empresa não viu vantagem na liberação pontual dos recursos. “Seria

uma concessão, mas que deveríamos reconstituir o fundo logo após

a pandemia”.

“A ANS divulgou o Termo de Compromisso que dispõe sobre

as contrapartidas que as operadoras de planos de saúde terão

de assumir para terem direito a movimentar os recursos das

reservas técnicas para uso em ações de combate à Covid-19. O

documento foi aprovado em caráter voluntário, porém poucas

operadoras aderiram, por considerarem inviáveis as condições

propostas”, declara a corretora Luciana Soares, enfatizando que o

setor de saúde suplementar é norteado por regras básicas, como

mutualismo, sinistralidade, cumprimento de contratos firmados

entre outras regras.

Para a corretora, diante do cenário atual, é necessária uma

análise mais criteriosa das consequências destas decisões para o

sistema. “A ANS não apresentou soluções de grande impacto e aplicabilidade

para o enfrentamento dessa crise, porém destaco como

válidas as deliberações de telessaúde, cobertura de exames para a

Covid-19, alterações dos prazos de atendimento com ênfase nos casos

de Covid-19”, diz.

“Devido à crise causada pela pandemia da Covid-19, a ANS

aumentou os prazos máximos de atendimento por parte dos planos

de saúde. Porém, os prazos para atendimento de urgência e

SÓCRATES DE FREITAS, da Viacorp

emergência continuam sendo de 24 horas.

Inclusive, há decisões judiciais em alguns

estados, no sentido de que pacientes

com suspeita de Coronavírus devem

ser tratados como caso de emergência e

não precisam cumprir prazo de carência

maior do que 24 horas para receber atendimento

e tratamento adequado”, ressalta

Juliane Monteiro.

“Temos excelentes operadoras e

seguradoras no mercado, algumas são

grandes corporações mas, no momento

atual, elas estão mais criteriosas, principalmente

nos contratos coletivos por

adesão, por conta da Lei 9656/98 que

estabelece nos casos de urgência e emergência

o prazo máximo de 24 horas de

carência”, completa Luciana. “Essa é a carência

máxima para um beneficiário suspeito

ou portador da Covid-19 ter cobertura

hospitalar, o que pode elevar o custo

médico da operadora, inviabilizando o

sistema”, analisa.

Roberto Ranieri defende que a Plena

Saúde tem centros médicos, prontos

socorros e hospitais para suportar um aumento

da carteira de até 100%. “Estamos

muito tranquilos quanto a esse incremento

de demanda”.

À nossa reportagem, a Agência

respondeu em caráter institucional: “A

ANS está alinhada com as autoridades

de saúde do país para colaborar da forma

mais efetiva possível no combate ao coronavírus.

Todas as medidas implementadas

23


ESPECIAL PME

SAÚDE

dos profissionais, clínicas, laboratórios e hospitais que integram a

rede credenciada. Essas ações contribuem para que o setor possa

enfrentar a tendência de diminuição da solvência e da liquidez das

operadoras, reflexo do cenário de retração econômica deflagrado

pela pandemia, evitando que a assistência à saúde dos beneficiários

seja colocada em risco”.

LUCIANA SOARES, da Top1000

nesse sentido têm como objetivo promover

a defesa do interesse público na assistência

suplementar à saúde e viabilizar o

equilíbrio do setor de planos de saúde de

forma a que todos os atores permaneçam

no sistema durante a crise.

A medida que permite a movimentação

dos recursos das reservas técnicas

para uso em ações de combate à

Covid-19, além de dar liquidez para as

operadoras, tem o objetivo de proteger

beneficiários e prestadores de serviços,

exigindo: compromisso para manutenção

de usuários de planos individuais,

coletivos por adesão e coletivos empresariais

até 29 vidas no plano até 30 de

junho de 2020; e o pagamento regular

MARCELO ZORZO, da Porto Seguro

ATENDIMENTO AOS INADIMPLENTES

Com a pandemia, fica a polêmica quanto à negativa de cobertura

para quem estiver inadimplente. Essa é uma questão importante

e que deve ser tratada com o máximo de atenção e cuidado.

“A ANS propôs acordo às operadoras de planos de saúde a

fim de evitar o cancelamento de contratos de usuários inadimplentes

durante a pandemia de coronavírus, porém, tal acordo não foi

aderido pela maioria. Diante disso, o usuário que tiver suas mensalidades

atrasadas por mais de 60 dias poderá ter seu contrato rescindido,

desde que cumpridas as regras por parte das operadoras”,

aponta Juliane.

Segundo nota da ANS à reportagem, as operadoras que assinaram

o Termo de Compromisso proposto pela ANS se comprometem

a manter os beneficiários de planos individuais ou familiares,

coletivos por adesão e coletivos empresariais com até 29 vidas nos

contratos até 30 de junho, preservando a assistência durante esse

período. As operadoras também se comprometem a renegociar com

os seus beneficiários o pagamento das mensalidades nos casos de

dificuldade.

“É importante ressaltar que a legislação do setor garante aos

beneficiários a permanência no plano de saúde em caso de inadimplência

por um período de até 60 dias, consecutivos ou não, nos últimos

doze meses de vigência do contrato. A regra vale para contratos

individuais ou familiares e, antes de rescindir o contrato, a operadora

deve notificar o consumidor até o 50º dia de inadimplência. É proibida

a rescisão ou suspensão unilateral do contrato por iniciativa da

operadora, qualquer que seja o motivo, durante a internação de titular

ou de dependente”.

Em planos coletivos, as condições para exclusão do beneficiário

em função de inadimplência junto à pessoa jurídica contratante

devem estar previstas em contrato. Antes da rescisão, o beneficiário

tem direito a todos os procedimentos contratados, não podendo

ter nenhum atendimento negado ou mesmo ser constrangido por

estar inadimplente com a mensalidade do plano.

O corretor Socrátes de Freitas afirma que esta discussão ainda

não foi finalizada. “Existe uma negociação com relação ao tema da

inadimplência, devemos ter novidades em breve”.

Para a corretora Luciana, “a operadora ou seguradora pode

sim negar atendimento, porém, conforme a Lei 9656/98, o contrato

somente poderá ser rescindido com 60 dias de inadimplência e com

notificação ao beneficiário”, argumenta.

“Nós estamos seguindo a mesma linha de regulação de sempre.

Seguimos as regras de carência e cancelamento contratual estabelecidos

pela ANS”, afirma Roberto Ranieri, da Plena.

Marcelo Zorzo completa que a Porto Seguro, como forma de

apoiar o pequeno empreendedor nesse momento, não irá aplicar

24


Os índices indicam que a procura

por planos de saúde aumentou

durante a pandemia. Esses

novos usuários não podem sofrer

qualquer tipo de abusividade por

parte das operadoras e precisam

usufruir de todos os benefícios

contratados”

JULIANE TEDESKI MONTEIRO, Advogada

reajustes nos contratos até 29 vidas nos meses de maio, junho e

julho, com cobrança retroativa apenas a partir de outubro. “Essa é

uma medida importante, pois ampara os empreendedores que são

mais atingidos na questão financeira pelo atual momento. Para as

empresas acima de 29 vidas, continuamos com as regras vigentes

quanto ao reajuste, mas sempre atentos aos diversos fatores que

cercam esse momento tão delicado”.

“Diante de todo o contexto vivido atualmente, acredito fortemente

em um aumento nos processos judiciais contra as operadoras

de planos de saúde”, avalia Juliane Monteiro. “As abusividades por

parte das operadoras continuam e tem se intensificado no período

da pandemia. Negativas de atendimento e tratamento adequado,

prazo máximo de atendimento extrapolado, tudo isso, infelizmente,

é muito comum por parte das operadoras”, lamenta.

Em todos os setores a judicialização é um tema complexo,

especialmente na área da saúde. “É uma questão que fez com que

as operadoras/seguradoras se adaptassem a muitas situações e processos”,

diz o corretor Sócrates de Freitas.

“A judicialização na saúde já acontecia antes da pandemia da

Covid-19. Este é um grande problema na saúde suplementar. Não

se cumpre o que está firmado em contrato, infelizmente não existe

um juizado especial para tratar os assuntos referentes à saúde suplementar.

Muitos juízes decidem questões de saúde sem embasamento

contratual, técnico ou científico”, pondera a corretora Luciana.

Para evoluir, a Lei 9656/98 precisa de atualização. “Isso teria

um impacto relevante, pois existe um excesso de ações judiciais,

conflitos baseados nas exigências, sendo estas muitas vezes fora da

realidade, que tem gerado graves consequências para o mercado”.

“Nós entendemos que esse é um momento difícil e esse tema

permeia diversos setores. Estamos confiantes e seguros de que nossas

iniciativas para apoiar os segurados estão aderentes ao momento

crítico e vamos seguir atentos às necessidades de nossos milhares

de segurados”, garante o diretor da Porto Seguro.

Roberto Ranieri diz que, neste momento de pandemia, a Plena

está mais preocupada com a sustentabilidade financeira das pequenas

empresas, que muitas vezes são compostas por autônomos

que cresceram e estão impossibilitados de trabalhar e gerar renda

nesse momento. “Esperamos que possam voltar a trabalhar em breve

para que a economia e a saúde voltem à sua normalidade”.

O papel do corretor é fundamental para dar segurança para

os clientes em momentos de crise como este. “Com mais vendas

ou menos vendas é nessas horas que mostramos o quanto o nosso

setor é incrível e cheio de oportunidades”, diz Sócrates de Freitas.

“Acredito que em breve sairemos juntos dessa situação e retomaremos

com um aprendizado muito grande e uma nova forma de se

relacionar com todos os players. Ficou provado que ser digital não

é mais uma questão de inovação, é uma questão de sobrevivência”.

Luciana Soares concorda: “a pandemia da Covid-19 veio

inesperadamente e mudou toda a forma de consumo e comercialização

de planos de saúde no geral, com isso, os corretores devem

estar preparados para essa nova realidade. Chegamos mais

cedo na era digital. Mesmo sem tanto contato pessoal e físico os

corretores devem trabalhar com consultoria, focando as necessidades

especiais de cada cliente, cada

empresa de uma forma individual e personalizada”.

Para ela, haverá um grande

crescimento na aquisição de planos de

saúde em suas várias modalidades, pois

os clientes buscam segurança frente

ao crescente avanço do coronavírus no

país. Porém, diante de uma crise econômica

eminente, muitos empresários irão

buscar a melhor forma de alinhar custo x

benefício. “Vamos nos preparar, o futuro

chegou mais cedo”.

Sem dúvidas, a pandemia deixa

clara a importância da saúde, que ela é

universal, e que, por isso, precisa abranger

ricos e pobres para se consolidar

como uma proteção efetiva.

25


ESPECIAL PME

PRODUTOS

Pandemia potencializa venda

de produtos de seguros

26


DIVERSAS COBERTURAS E SERVIÇOS GANHARAM

DESTAQUE NO CENÁRIO DE CRISE E HÁ ESPAÇO PARA

CRESCIMENTO EM ALGUNS SEGMENTOS. TECNOLOGIA E

EMPATIA COM O CLIENTE SÃO DIFERENCIAIS VALORIZADOS

Entre as reflexões provocadas pela

pandemia de coronavírus, uma

das mais importantes trata da fragilidade

da vida e quanto o ser humano

está, de fato, preparado para os imprevistos

desta caminhada. São milhões de

pessoas infectadas, milhares de mortos

em todo o mundo, negócios interrompidos

e uma imensa incerteza sobre o futuro.

Em um cenário como este, aumenta o

interesse pela proteção oferecida pelo seguro

e algumas modalidades ganharam

destaque nos últimos meses. Os seguros

de vida e prestamista, por exemplo, ficaram

em evidência principalmente quando

as principais seguradoras optaram por

pagar as indenizações de seus segurados

mesmo havendo cláusula no contrato

que exclui os riscos cobertos em decorrência

de epidemia ou pandemia.

Geralmente, pandemias, guerras e

catástrofes naturais são excluídas das linhas

de coberturas porque a precificação

da apólice é feita com base na previsibilidade

do risco, o que não é possível nesses

casos. Porém, em relação ao coronavírus,

as companhias vêm demostrando mais

flexibilidade e empatia.

A Sompo Seguros determinou que

será dada plena cobertura no caso de

morte relacionada a casos da Covid-19,

ADAILTON DIAS, da Sompo

27


ESPECIAL PME

PRODUTOS

MARCELO GOLDMAN,

da Tokio Marine

LUIZ LONGOBARDI,

da Rede Lojacorr

PEDRO FARIA, da Cedro

para apólices de seguro de vida individual ou coletivo, prestamista,

bem como no seguro de vida incluso no seguro de condomínio

e habitacional. “São seguros que, na modalidade PME, podem fazer

toda a diferença, porque trazem uma série de garantias de que empreendedores

e colaboradores estarão assistidos no caso de uma

eventualidade”, informa o diretor executivo de Produtos e Resseguro

da Sompo Seguros, Adailton Dias. “É o tipo de tranquilidade que

ajuda os executivos para que eles possam se dedicar às estratégias

de manutenção de negócios, já que as pessoas estão resguardadas.”

As apólices de seguro de vida da Zurich e da Liberty também

cobrem Covid-19, assim como a Tokio Marine, cuja indenização dos

sinistros decorrentes da contaminação ocorre nas coberturas contratadas

de morte, funeral e diárias de internação hospitalar, dos

seguros de vida nos ramos de vida em grupo, vida individual, prestamista,

educacional e condomínio, para contratos vigentes em 3 de

abril. “Essa decisão tem como objetivo principal cumprir a função

social que temos como seguradora: proteger pessoas e empresas,

proporcionando tranquilidade aos segurados exatamente quando

eles mais precisam”, comenta o diretor executivo de Produtos Massificados,

Marcelo Goldman. “Também fomos a primeira seguradora a

disponibilizar o serviço de telemedicina do Hospital Israelita Albert

Einstein aos contratantes do seguro Tokio Marine Vida Individual.”

“Percebemos que o seguro de vida, no que tange a inclusão

da pandemia, como risco de morte, foi potencializado pelas companhias

parcerias da Rede Lojacorr. Assim como cresceu o interesse

pelo seguro saúde como ferramenta de proteção”, afirma o diretor

de Mercado e Operações, Luiz Longobardi.

Pedro Faria, gestor da Cedro Corretora de Seguros, de Minas

Gerais, aponta um dos motivos para o aumento de demanda. “Empresários

donos de pequenas empresas, que não tinham seguro de

vida, estão procurando seguro de vida em grupo; seguro de renda

por incapacidade temporária e seguro empresarial.”

As diárias por incapacidade temporária podem ser solicitadas

desde que haja comprovação por meio de relatório médico com o

diagnóstico da doença e o período de afastamento. O isolamento

por si só não caracteriza o direito à indenização, já que o conceito da

cobertura é para afastamento decorrente de acidente ou doença, e

não apenas a paralisação da atividade remunerada. Para ter direito à

indenização, é importante que o segurado verifique se a seguradora

está concedendo cobertura a este risco no período de pandemia.

Segundo o corretor Pedro Faria, também aumentou a procura

de seguro de vida por profissionais da área médica.

E o protagonismo dos serviços delivery mostra um amplo

mercado para o seguro de transporte, cuja expansão deve continuar

em todos os segmentos econômicos nos próximos anos, principalmente,

entre os pequenos e médios operadores logísticos. Cada vez

mais as operações vão contar com processos digitalizados. “ É a oportunidade

de aprimorar nossos produtos para as novas necessidades

dos segurados. Por exemplo, a questão de aumento do delivery (e,

portanto, mais mercadorias em trânsito) e uso de equipamentos da

empresa em home-office que demandou a criação/extensão de algumas

coberturas”, ressalta o diretor executivo de Produtos Pessoa

Jurídica da Tokio Marine, Felipe Smith.

28


Perante a pandemia, torna-se ainda mais importante a

difusão de informação e, com isso em mente, lançamos

uma campanha sobre segurança cibernética, divulgada em

uma série de artigos, orientando as empresas a se tornarem

mais resilientes, perante a necessidade de trabalho remoto”

PETER REBRIN, da Zurich

“A busca pela eficiência e destinação de recursos para ferramentas

que gerem resultados vai mostrar cada vez mais ao pequeno

operador o quanto o seguro é um recurso essencial para o

negócio e pode trazer uma série benefícios, muito além da simples

indenização pela perda patrimonial. O trabalho do acompanhamento

de um serviço de inteligência, realizado por uma equipe de

gerenciamento de riscos pode contribuir significativamente para

que as operações logísticas sejam mais seguras, eficientes, eficazes

e lucrativas, comenta Adailton Dias, da Sompo.

ORIENTAÇÃO E SERVIÇO

A nova rotina imposta pelo isolamento social fez com que

muitas pessoas trabalhassem em home office, empresas ficaram vazias,

condomínios passaram a ter mais movimento – apesar das restrições

de uso das áreas comuns –, e atividades de logística/entregas

de tornaram essenciais. Não apenas o seguro, mas os serviços

agregados a ele e a expertise das seguradoras em gestão de riscos

passaram a ser mais requisitados pelos clientes.

“Perante a pandemia, torna-se ainda mais importante a difusão

de informação e, com isso em mente, lançamos uma campanha

sobre segurança cibernética, divulgada em uma série de

artigos, orientando as empresas a se tornarem mais resilientes,

perante a necessidade de trabalho remoto. Tudo em torno da prevenção

e mitigação de um dos riscos que se tornaram mais relevantes

neste período: ataques cibernéticos”, diz o diretor executivo

de Bancassurance da Zurich, Peter Rebrin. “Nosso objetivo é

evitar a paralisação dos negócios e oferecer suporte à rotina dos

corretores e clientes em momentos como o que estamos atravessando”,

completa.

Já a Sompo disponibilizou uma cartilha com orientações de

segurança para mitigar riscos de acidentes e perdas nas instalações

seguradas, durante este período de paralisação de atividades

e também para a posterior retomada.

A HORA E A VEZ DA TECNOLOGIA

A pandemia e o isolamento social foram a prova de fogo para

algumas iniciativas que o setor segurador vinha implementando

nos últimos anos. Telemedicina, autovistoria, homeoffice, entre outros,

estão sendo exaustivamente usados para que o atendimento

seja seguro, rápido e eficiente, tanto na

venda como no sinistro.

“Já tínhamos uma estrutura preparada

e incentivávamos os parceiros e

clientes a utilizarem ainda mais os canais

digitais e outras plataformas, para manter

ativas as suas operações e o relacionamento

com os segurados, mas fomos

além, desenvolvemos os serviços e facilidades

disponíveis aos nossos corretores

e clientes individuais pela pandemia”, explica

Peter Rebrin, destacando o o Zurich

Help Desk - serviço gratuito de suporte

de TI, a flexibilização do pagamento do

seguro automóvel sem juros e a disponibilização

de vistorias via celular.

Adailton Dias, da Sompo, concorda.

“Nesse momento, é importante o

corretor se valer dos recursos disponíveis

para prestar a consultoria à distância, utilizando

e-mail, WhatsApp, aplicativos de

teleconferência, entre outros. A Sompo

Seguros está com todos nossos canais de

atendimento viabilizados online. Temos

o Portal do Corretor, a Sayuri, nossa atendente

virtual, e os executivos comerciais

atendendo remotamente para prestar

suporte aos nossos parceiros corretores”.

Dias conta que a empresa realizou mais

de 13 mil visitas virtuais aos corretores e

clientes de todo o Brasil desde a segunda

semana de março e o atendimento de

sinistros também foi facilitado. “A companhia

disponibilizou ferramentas de vistorias

digitais por meio do atendimento via

WhatsApp e Vistoria na Palma da Mão, o

que reduziu ao mínimo o contato direto e

manteve a qualidade na entrega dos nossos

serviços”.

29


PANDEMIA

WEBINAR

O mercado de seguros não estava preparado,

mas respondeu à pandemia

LÍDERES DE TRÊS SEGURADORAS BRASILEIRAS DISCUTEM O

PANORAMA POSTERIOR AO ISOLAMENTO SOCIAL NO MUNDO,

APONTANDO TENDÊNCIAS PARA O QUE PODERÁ

SER CONSIDERADO O NOVO “NORMAL”

Kelly Lubiato

Ninguém sabia o que poderia vir

pela frente ou estava preparado

para um golpe sanitário, econômico

e social como o que abateu o mundo.

A pandemia de Covid-19 é a maior crise

vivida pela sociedade desde a Segunda

Guerra Mundial. Discutir a pandemia da

Covid-19 é fundamental para ajudar a entender

qual caminho devemos seguir.

A Confederação Nacional de Seguros

Privados, CNseg, reuniu presidentes

de três seguradoras para mostrar o panorama

externo e como pode ser o futuro

do mercado brasileiro. O evento foi

comandado por Marcio Coriolano, presidente

da entidade, que logo na abertura

ressaltou que a indústria global de seguros é a principal fonte estabilizadora

do mundo atualmente. “O nosso setor segurador será duramente

afetado por esta crise epidemiológica e econômica. Assim

como os mercados de seguros do mundo todo. O ponto de partida

é exatamente mostrar que os seguros não são uma ‘jabuticaba’ brasileira.

Ao contrário, os fundamentos são os mesmos, globalmente.

E todos os países estão sendo afetados da mesma maneira, defendendo

os mesmos conceitos e buscando soluções semelhantes. O

que varia é a estrutura e funcionamento e o grau de maturidade dos

seguros em cada país”, pontuou Coriolano.

Na Europa, a Global Federation of Insurance Associations

(GFIA), uma organização mundial que reúne as seguradoras,

foi citada pelo presidente da CNseg pela publicação de uma declaração

na qual afirma que a indústria de seguros global é a principal

força estabilizadora que o mundo tem hoje, ao repor financeiramente

perdas seguradas. O órgão multinacional também reforçou que

30


em face à pandemia, todos os seguradores implementaram planos

de continuidade de negócios, que incluem cuidar dos funcionários,

colocando todos em teletrabalho; garantir atendimento aos clientes

e flexibilizar indenizações nos seguros de vida, mesmo com exclusão

de pandemias; até disponibilizar um elevado volume financeiro

para doações dedicadas a ajudar a conter a Covid-19.

“Ninguém estava pronto para uma situação de pandemia,

em todos os países e em qualquer setor da economia”, sentenciou

Luis Gutierrez, CEO da Mapfre. Ele lembrou que apesar do seguro de

vida ser o maior tema no cenário de pandemia, por conta da exclusão

da cobertura, a maior parte das empresas optou por realizar a

indenização por morte por qualquer causa. “Um problema interessante

são as coberturas por lucros cessantes, que dependem de um

evento que sirva de gatilho para a cobertura, como um incêndio.

No caso de clientes que não podem mais consumir produtos, não

há cobertura”, lamentou o executivo, ressaltando que não se está

falando de exclusão, mas de falta de cobertura.

O setor de seguros conseguiu manter a continuidade da sua

operação mesmo na fase de transição para o home-office, colocando

a segurança de seus colaboradores e suas famílias em primeiro

lugar. Os serviços foram mantidos, tanto para segurados quanto

para corretores e prestadores de serviços.

José Adalberto Ferrara, CEO da Tokio Marine, usou como

exemplo o sistema de home-office adotado na Ásia, em países que

estão retomando suas atividades e onde a companhia opera. “Na

Ásia, praticamente todos os países estão em home-office, com exceção

da China (com proteção do grupo de risco e horários flexíveis,

para garantir o distanciamento social); em Hong Kong, eles chamam

de 80-20 (80% no escritório e 20% em casa, com alternância de dias

por pessoa); no Japão, 50% dos funcionários estão em home-office,

mas somente em 7 de abril decretaram um estado de emergência e

70% do colaboradores passaram a trabalhar em casa e 30% no escritório,

em dias alternados”, explicou.

O QUE A PANDEMIA ENSINA

A primeira lição da Covid-19 é que não se pode ser negacionista

ou minimizar o problema. Esta é a opinião do CEO da Zurich,

Edson Franco. Esta é a maior crise desde a segunda grande guerra,

com agravante do nível de interdependência global. “A consequência

é a recessão e o desemprego recorde para todos da nossa geração,

com crise arrastada para 2021”.

Franco disse que é possível perceber que as medidas a serem

adotadas não são muito diferentes em qualquer lugar. “A resposta

para uma crise desta magnitude são ações de governo com pacotes

emergenciais para proteção de emprego, renda e capital de giro,

com estímulo ao crédito com linhas incentivadas para pequenas e

médias empresas e medidas de redistribuição de renda via programas

assistenciais”. Porém, ele chamou atenção para o fato de que a

crise não pode ser uma desculpa para distorcer relações privadas

com excesso de intervencionismo estatal. As medidas tem que ter

caraterística emergencial e transitória, com começo, meio e fim”.

A digitalização de todos os processos é uma realidade agora,

que deverá ser um legado para o período pós-pandemia. “Se

MARCIO CORIOLANO, da CNseg

estas mudanças serão permanentes, não

sabemos, porém há uma quebra de paradigmas

relacionados à virtualização

dos processos”, pontuou Franco.

Outra lembrança importante dos líderes

é que as empresas aprenderam que

agora não precisam mais de espaço fisico,

pois o trabalho remoto se mostrou viável.

“Estamos diante de um ponto de inflexão,

em que poderemos privilegiar o trabalho

em home office, questionando o espaço

que ocupamos. Em termos de produtos,

acredito que os corretores e seguradores

precisam enxergar que tipo de produtos

podemos desenvolver para atender a indústria

de seguros”, apontou Ferrara.

FUTURO E CORRETORES DE SEGUROS

Luis Gutierrez, declarou que ainda

não se sabe como será o mercado

de seguros no futuro, nem como será

a evolução da economia. “O brasileiro

LUIS GUTIERREZ, da Mapfre

31


PANDEMIA

WEBINAR

negócios, nas mãos de milhares de pessoas que trabalham no setor

segurador.

Ainda não é possível prever como será o consumidor do futuro,

porque a sociedade tende a manter um viés de normalidade após

a crise. Não dá para saber qual será o novo normal. “O que sabemos

é que o corretor deverá fazer um assessoramento de risco para os

clientes e não apenas vender produtos. A ferramenta tecnológica é

fundamental, vinda de corretores ou dos seguradoras. Não acredito

na desintermediação”, sentenciou Franco.

JOSÉ ADALBERTO FERRARA,

da Tokio Marine

e o mercado estarão mais dispostos a

escutar sobre produtos de seguro, mas

outra coisa é procurar a conversa. Estar

junto ao cliente para fazer oferta e o assessoramento

para descobrir o que ele

necessita será o foco dos corretores de

seguros”, garantiu.

O CEO da Mapfre destacou que é

necessário perceber que o mundo está

mudando e a tecnologia tem que servir

para ajudar no contato com o cliente. “O

cliente precisa da venda consultiva, mas

temos que chegar até ele”. Para ele, a sociedade

está mais aberta mas ela guarda

sua memória, portanto, é difícil dizer

quais serão as suas necessidades.

Os corretores de seguros e todos

os prestadores estão demonstrando que

o setor é capaz de fazer muito mais coisas

do que sabia. Temos que ter capacidade

de nos reinventar e realizar novos

EDSON FRANCO, da Zurich

CRESCIMENTO DO MERCADO

Eis a pergunta mais frequente no webinar: como será o crescimento

do mercado? José Ferrara espera uma queda entre 5% e 10%

nas vendas da companhia em 2020, com retomada significativa já

em 2021. “Em automóvel há uma queda natural por conta das vendas

de carros novos, com recuo de 70% segundo dados da indústria

automobilística. O que se vende neste ano são caminhões, tratores

e equipamentos agrícolas. Mas todos sabem que o mercado de veículos

leves tem tudo para se recuperar. Com certeza, o Brasil vai ser

a bola da vez, e sair de 6% para 12% na penetração de seguros no

PIB”, afirmou.

Luis Gutiérrez afirmou ser muito difícil saber. “Vai depender

do impacto do confinamento. Qual vai ser a evolução do seguro

do jeito que conhecemos? Quais as oportunidades de um mercado

emergente, levando-se em consideração que há um grande núcleo

da população que não tem acesso. O brasileiro está mais disposto a

escutar sobre seguro. Mas tem de ter uma oferta ativa. Venda consultiva,

que analise as necessidades do cliente e não oferte o produto

que tem pronto. É preciso questionar: o consumidor precisa disso?

Escutemos os clientes para saber quais são as suas demandas. Temos

de pensar que o mundo está mudando. E precisamos mudar junto

para crescer”.

Edson Franco também afirmou ser muito difícil saber qual

será o percentual de queda nas vendas em 2020. “Não sabemos a extensão,

a duração da quarentena, ou se teremos agravamento de lockdown.

Naturalmente, hoje todos nós estamos fazendo as nossas

projeções e dependendo do mix de cada seguradora o impacto será

diferente. O efeito em resultado acaba sendo amortecido, mas tende

a durar mais tempo. Nos cabe ser realistas no planeamento e otimistas

na execução. Vamos nos planejar para diferentes cenários”.

Marcio Coriolano lembrou que no ano passado o setor avançou

12,2% em termos nominais, o que significa 8,7% em termos

reais. “A maioria dos setores econômicos não conseguiu isso”, ressaltou.

Em fevereiro deste ano, na análise de doze meses, o setor

cresceu 12,7%. “É certo que a partir do segundo semestre veremos

uma outra tendência. Mas o setor vai ter o benefício do carregamento

de contratos feitos no ano passado, o que vai nos ajudar a ter um

bom desempenho no primeiro semestre. Mas o segundo semestre é

a grande incógnita, pois ainda não sabemos o tamanho da queda da

produção, emprego e renda, que são os combustíveis dos seguros,

nem quanto tempo vai durar o distanciamento”, comentou.

*com informações da CNseg

32


PANDEMIA

RETOMADA

Os caminhos que podem levar

à recuperação

EXECUTIVOS DE EMPRESAS QUE ATUAM NO SETOR FALAM DAS SUAS EXPERIÊNCIAS PARA TRAZER

UM POUCO DE ESPERANÇA PARA SEUS COLABORADORES, PARCEIROS E PARA A SOCIEDADE

Cuidando de pessoas dentro e fora da organização

JORGE BAU

Jorge Bau, CEO da Europ Assistance Brasil

Quando traçamos planos para 2020, não imaginávamos que

três meses depois deixaríamos alguns deles em “modo de

espera” e que o planeta todo teria uma só meta: combater a

Covid-19.Na Europ Assistance Brasil (EABR), atingir essa meta envolve

cuidar e proteger nossos colaboradores, sem deixar de atender

parceiros e os beneficiários que precisam de nossas assistências.

O home-office se tornou imprescindível, mas colocar nesse

modo de trabalho atendentes de call center não foi tarefa fácil.

Mais do que disponibilizar máquinas em casa, a EABR precisou garantir

a qualidade de conexão de cada

trabalhador, disponibilizar ambientes

de rede seguros e garantir a proteção

dos dados dos nossos clientes. Foram

dias de trabalho incessante, mas conseguimos

prover a todos os nossos 1.300

colaboradores condições adequadas de

home-office.

É cedo para fazermos qualquer

previsão de mudanças profundas, mas

esse processo está trazendo aprendizados

para nós. Quando passarmos essa

pandemia, nós e todas as companhias

que cuidaram das pessoas, dentro e

fora de suas organizações, teremos valiosas

lições de negócios para seguir

em frente.

A necessidade é a mãe da criatividade

LEANDRO DE

CARVALHO

NUNES

diretor Executivo

Comercial da

Sabemi

A

retomada é agora. Crise não significa paralisia, e sim desafio.

Por isso, preparamos nossos representantes e corretores

para fazerem negócios não depois, e sim durante

um contexto de distanciamento, para nós apenas presencial. Para

isso, investimos recursos, tecnologia e treinamento constante, que

compartilham novas habilidades e oportunidades.

A crise ensina que somos capazes de descobrir formas diferentes

de produzir, satisfazer os clientes e gerar resultados positivos.

É nesse contexto, por exemplo, que aceleramos investimentos

na venda remota de seguro. A necessidade é a mãe da criatividade.

Essa lição é reforçada em um momento em que o senso de coletividade

também se expressa nas relações de negócio.

É hora de solidificar as parcerias, de oferecer novos recursos

a nossos representantes e corretores e de mostrar como a tecnologia,

que sairá ainda mais relevante do

cenário de pandemia, é uma aliada, e

não uma concorrente. Abrimos os braços

e estamos preparando nossos parceiros

para este novo mundo.

33


PANDEMIA

RETOMADA

O novo normal, sempre existiu

Muito tem se falado que o mundo

não voltará a ser o que era

antes. Quando a pandemia

passar nós não seremos mais os mesmos.

Nossos hábitos e a forma como

consumimos terão mudado e a nossa

relação com a tecnologia tende a ser

muito mais intensa. Também milhões

de pessoas pelo mundo descobriram

que não precisam necessariamente estar

num escritório para trabalhar e serem

produtivas. Muitas das inúmeras

viagens de trabalho talvez não sejam

mais tão necessárias.

Ainda tivemos a oportunidade

de vivenciar o que sempre se falou,

mas agora experimentamos intensamente:

nossa forte interdependência

uns com os outros. Para que pudéssemos

manter a nossa saúde e o nosso

bem estar, ficou clara a importância de

DIOGO ARNDT SILVA

Sócio fundador e presidente

da Rede Lojacorr

olharmos e agirmos uns pelos outros. Eu só posso estar bem se

quem está a minha volta também está. Eu preciso me manter

bem para que quem estiver a minha volta também esteja.

Essa grande rede social e econômica que vivemos é toda

integrada e interdependente. A necessidade de agirmos individualmente

para que coletivamente possamos nos manter saudáveis.

Nossos atos já impactavam a vida dos outros, sempre foi assim,

porém a velocidade e a dinâmica da vida talvez tenham ofuscado

o que agora se tornou óbvio. Nós precisamos uns dos outros, nós

precisamos proteger nosso ecossistema, nós vivemos numa grande

comunidade.

O novo normal será apenas uma questão de consciência

que potencialmente foi ampliada. Não é tão Novo assim é apenas

uma mudança de perspectiva. Sendo assim, isso tudo que estamos

vivendo vai nos transformar. O lado bom é que seremos melhores,

melhores uns pelos outros.

Todo momento de crise vem seguido de oportunidades

MARCIO

BENEVIDES

diretor Executivo

de Distribuição da

Zurich

Neste momento de crise, o mercado

segurador está reafirmando o

seu importante papel de prover

proteção social, por meio de produtos

e serviços para os clientes, e mantendo

fortalecido os seus laços com os

parceiros de negócios. Para auxiliar o

dia a dia destes parceiros e dos empreendimentos

em geral, as empresas estão

tendo muitas oportunidades.

As empresas devem aproveitar para desenvolver projetos

internos de melhoria e eficiência. As lideranças precisam buscar

criatividade, expandir seu conhecimento e ter clareza nos objetivos

e metas. Além disto, devem estimular os colaboradores para que

estejam envolvidos com os objetivos da empresa e possam elevar

o nível de participação, comprometimento e desempenho para alcançar

os melhores resultados mesmo em meio às adversidades.

A motivação é fundamental sob dois aspectos, primeiro,

a organização tem que conseguir manter os níveis de resultado

anterior ao período crítico. Em segundo, agora é o momento de

aproveitar para desenvolver projetos internos de melhoria de eficiência.

Assim, na retomada terá vantagem competitiva.

Achar um equilíbrio em meio a uma pandemia é muito difícil,

mas não é impossível quando o nível de relacionamento e atendimento

aos clientes pelos corretores está preservado, afinal, é este

profissional que melhor conhece o dia a dia dos consumidores e as

necessidades de proteção das suas famílias. É responsabilidade do

mercado de seguros ajudar os parceiros nesta travessia, pois juntos

somos mais fortes e capazes de superar qualquer adversidade.

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