Revista Analytica ED 106

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Revista

Ano 18 - Edição 106 - Abr/Mai

EDITORIAL

Chegamos à 106ª edição da Revista Analytica, cuidadosamente elaborada trazendo a maior gama de assuntos

referentes ao setor de controle de qualidade industrial.

A situação de pandemia em que o mundo se encontra determina que o momento seja de força, resiliência e que

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Sempre junto com vocês e cumprindo a nossa função, trazemos em nossa edição 106, as melhores inovações e

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do ramo e um rico conteúdo. Agradecemos a todos que colaboraram com essa edição, e a todos os leitores.

*A Revista Analytica é viva e dinâmica, acessando-a em nosso site, você poderá clicar nos links disponibilizados

nela e melhorar a sua experiência com os materiais que lhe interessem. Sua experiência com a revista não termina aí.

Nosso site e nossas redes sociais estão sempre trazendo materiais atualizados.

Boa leitura a todos!

JOÃO GABRIEL DE ALMEIDA

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contato, teremos prazer em atendê-lo.

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Esta publicação é dirigida a laboratórios analíticos e de controle de qualidade dos setores:

FARMACÊUTICO | ALIMENTÍCIO | QUÍMICO | MINERAÇÃO | AMBIENTAL | COSMÉTICO | PETROQUÍMICO | TINTAS

Os artigos assinados sâo de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente a opinião da Editora.

EXPEDIENTE

Realização: DEN Editora

Conselho Editorial: Sylvain Kernbaum | revista@revistaanalytica.com.br

Jornalista Responsável: João Gabriel de Almeida | editoria@revistaanalytica.com.br

Publicidade e Redação: Daniela Faria | 11 98357-9843 | assinatura@revistaanalytica.com.br

Coordenação de Arte: FC DESIGN - contato@fcdesign.com.br

Impressão: VOX Gráfica | Periodicidade: Bimestral


Revista

Ano 18 - Edição 106 - Abr/Mai

ÍNDICE

01

06

08

Editorial

Publique na Analytica

Agenda

Artigo 1

10

Análise da Influência do Aquecimento

e Esfriamento na Precisão de Balões

Volumétricos de Diferentes Marcas

Autores: Renata Corrêa Yamashita, Paulo Roberto da Silva Ribeiro, Daniele de

Lacassa Leite, Giovani Boaventura Bacarin, Marcos Roberto Ruiz

Artigo 2

16

A Sustentabilidade como Ferramenta Estratégica: uma

aplicação em indústria de embalagens plásticas

2

Revista Analytica | Abr/Mai 2020

Autoras: Beatriz Stefani Godoy Pinto, Leticia Galdino de Siqueira,

Núbia Aparecida Corrêa França.

32

34

36

38

42

Análise de Minerais

Espectrometria de Massa

Metrologia

Microbiologia

Em Foco


LANÇAMENTO

MICROPIPETAS

MULTICANAL

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Revista

Ano 18 - Edição 106 - Abr/Mai

ÍNDICE REMISSIVO DE ANUNCIANTES

ordem alfabética

Anunciante pág. Anunciante pág.

Ansell 5

Arena Tecnica 33

BCQ 39

Bio Scie

2ª Capa

FCE Pharma 41

Gilson SAS 27

Greiner 9

Kasvi 3

Laborclin 15

Las do Brasil 7

Nova Analitica

4ª Capa

Prime Cargo

3ª Capa

Veolia 30-31

Esta publicação é dirigida a laboratórios analíticos e de controle de qualidade dos setores:

FARMACÊUTICO | ALIMENTÍCIO | QUÍMICO | MINERAÇÃO | AMBIENTAL | COSMÉTICO | PETROQUÍMICO | TINTAS

Os artigos assinados sâo de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente a opinião da Editora.

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Revista Analytica | Abr/Mai 2020

Conselho Editorial

Carla Utecher, Pesquisadora Científica e chefe da seção de controle Microbiológico do serviço de controle de Qualidade do I.Butantan - Chefia Gonçalvez Mothé, Prof ª Titular da Escola de Química da Escola de

Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro - Elisabeth de Oliveira, Profª. Titular IQ-USP - Fernando Mauro Lanças, Profª. Titular da Universidade de São Paulo e Fundador do Grupo de Cromatografia (CROMA)

do Instituto de Química de São Carlos - Helena Godoy, FEA / Unicamp - Marcos E berlin, Profª de Química da Unicamp, Vice-Presidente das Sociedade Brasileira de Espectrometria de Massas e Sociedade Internacional

de Especteometria de Massas - Margarete Okazaki, Pesquisadora Cientifica do Centro de Ciências e Qualidade de Alimentos do Ital - Margareth Marques, U.S Pharmacopeia - Maria Aparecida Carvalho de

Medeiros, Profª. Depto. de Saneamento Ambiental-CESET/UNICAMP - Maria Tavares, Profª do Instituto de Química da Universidade de São Paulo - Shirley Abrantes Pesquisadora titular em Saúde Pública do INCQS

da Fundação Oswaldo Cruz - Ubaldinho Dantas, Diretor Presidente de OSCIP Biotema, Ciência e Tecnologia, e Secretário Executivo da Associação Brasileira de Agribusiness.

Colaboraram nesta Edição:

Eduardo Pimenta Almeida de Melo, Luciano Nascimento, Anastasiia Melnyk, Oliveira ML, Pereira AS, Rodrigues KM, França RF, Assis IB, Arena Técnica,

Oscar Vega Bustillos, Américo Tristão, Claudio Kiyoshi Hirai.


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Revista

Ano 18 - Edição 106 - Abr/Mai

PUBLIQUE NA ANALYTICA

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A Revista Analytica, em busca constante de novidades em divulgação científica, disponibiliza abaixo as normas para publicação de artigos, aos

autores interessados. Caso precise de informações adicionais, entre em contato com a redação.

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Bimestralmente, a revista Analytica publica

editoriais, artigos originais, revisões, casos

educacionais, resumos de teses etc. Os editores

levarão em consideração para publicação toda

e qualquer contribuição que possua correlação

com as análises industriais, instrumentação e o

controle de qualidade.

Todas as contribuições serão revisadas e analisadas

pelos revisores.

Os autores deverão informar todo e qualquer

conflito de interesse existente, em particular

aqueles de natureza financeira relativo

a companhias interessadas ou envolvidas em

produtos ou processos que estejam relacionados

com a contribuição e o manuscrito

apresentado.

Acompanhando o artigo deve vir o termo

de compromisso assinado por todos os autores,

atestando a originalidade do artigo, bem

como a participação de todos os envolvidos.

Os manuscritos deverão ser escritos em português,

mas com Abstract detalhado em inglês.

O Resumo e o Abstract deverão conter as

palavras-chave e keywords, respectivamente.

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por e-mail, ordenados em título, nome

e sobrenomes completos dos autores e nome

da instituição onde o estudo foi realizado.

Além disso, o nome do autor correspondente,

com endereço completo fone/fax e e-mail

também deverão constar. Seguidos por resumo,

palavras-chave, abstract, keywords, texto

(Ex: Introdução, Materiais e Métodos, Parte

Experimental, Resultados e Discussão, Conclusão)

agradecimentos, referências bibliográficas,

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da publicação, segundo norma ABNT 10520.

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citadas no texto devem vir listadas no fim,

com o sobrenome do autor em primeiro lugar

seguido pela sigla do prenome. Ex.: sobrenome,

siglas dos prenomes. Título: subtítulo do

artigo. Título do livro/periódico, volume, fascículo,

página inicial e ano.

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de contribuições ainda não publicadas

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ou “in press”.

Observação: É importante frisar que a Analytica não informa a previsão sobre quando o artigo será publicado. Isso se deve ao fato que, tendo em

vista a revista também possuir um perfil comercial – além do técnico cientifico -, a decisão sobre a publicação dos artigos pesa nesse sentido. Além

disso, por questões estratégicas, a revista é bimestral, o que incorre a possibilidade de menos artigos serem publicados – levando em conta uma

média de três artigos por edição. Por esse motivo, não exigimos artigos inéditos – dando a liberdade para os autores disponibilizarem seu material

em outras publicações.

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Revista Analytica | Abr/Mai 2020

ENVIE SEU TRABALHO

Os trabalhos deverão ser enviados ao endereço:

A/C: João Gabriel de Almeida – redação

Av. Nove de Julho, 3.229 - Cj. 1110 - 01407-000 - São Paulo-SP

Ou por e-mail: editoria@revistaanalytica.com.br

Para outras informações acesse: www.revistaanalytica.com.br/publique/


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Agenda

agenda

Em função da pandemia do Covid-19, e Em função da

pandemia do Covid-19, e acompanhando os desdobramentos

da crise, decretos e posicionamentos dos governos, os eventos

agendados para o período Abril/Maio estão cancelados.

Comprometidos em não propagar informações equivocadas,

não haverá seção Agenda na Revista Analytica Ed 106 e

recomendamos que os interessados em participar de eventos

consultem os sites dos eventos que estariam programados para

esse período para se informar sobre possíveis novas datas e

também sobre apresentações digitais como webinars e outras

alternativas que estão sendo oferecidas pelas empresas.

Mantenha-se informado em nosso site e em nossas redes

sociais.

Agradecemos a compreensão de todos,

Equipe Analytica.

8

Revista Analytica | Abr/Mai 2020

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qualidade e pesquisa, acessem nossas redes sociais:

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Artigo 1

Autores:

Renata Corrêa Yamashita*, Paulo Roberto da Silva Ribeiro*, Daniele de Lacassa Leite*, Giovani Boaventura

Bacarin*, Marcos Roberto Ruiz*

*Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAI “Santo Paschoal Crepaldi” Presidente Prudente SP.

Email:*marcos.ruiz@sp.senai.br

Análise da Influência do Aquecimento e Esfriamento

na Precisão de Balões Volumétricos de Diferentes Marcas

Imagem Ilustrativa

Tabela 1: Limite de tolerância de erro para balões

volumétricos de Classe A conforme ISO 1042/1998.

10

Revista Analytica | Abr/Mai 2020

Resumo

As vidrarias são materiais indispensáveis

a qualquer laboratório e para uma

análise quantitativa de qualidade, faz-se

necessária a calibração das vidrarias volumétricas

para a redução de erros nas medições.

Para uma maior confiabilidade, a

ISO 1042/1998 regulamenta os limites de

tolerância de erro para balões volumétricos.

Para verificar a qualidade dos balões

volumétricos utilizados e o efeito da exposição

destes ao calor, o presente trabalho

teve como objetivo analisar a precisão de

balões volumétricos de diferentes marcas

ao serem submetidos à aquecimento

em estufa à 105°C por 2 horas e 4 horas

e após 2 dias e 5 dias de esfriamento. Os

testes demostraram que todas as vidrarias

utilizadas estavam com a capacidade

real inferior à capacidade esperada e não

conforme com as especificações de classe,

contidas nas próprias vidrarias. Na análise

das capacidades dos balões volumétricos

com a variação de temperatura, verificou-

-se que todos os balões sofreram algum

tipo de variação.

Palavras-chave: Balão volumétrico, calibração,

aquecimento, ISO 1042/1998.

Introdução

As vidrarias de laboratório devem ser

adquiridas de acordo com a finalidade

pretendida, pois cada laboratório necessita

de características específicas como

precisão, esterilização e outros.

Os balões volumétricos são classificados

de acordo com o grau de precisão

pelas Classes A e B, de acordo com a ISO

1042/1998, conforme ilustrado nas Figuras

1 e 2.

Figura 1: Balão volumétrico Classe A.

Figura 2: Balão volumétrico Classe B.

A ISO 1042/1998 é uma normativa que

regulamenta os limites de tolerância de

erro para balões volumétricos[4,5]. Os limites

são estabelecidos para cada classe

e volume da vidraria, de acordo com as

Tabelas 1 e 2[1,5]:

Tabela 2: Limite de tolerância de erro para balões

volumétricos de Classe B conforme ISO 1042/1998.

Os balões volumétricos de classe A apresentam

uma maior precisão do que os de

classe B e, consequentemente, são mais

utilizados em trabalhos que exigem elevada

precisão. Em algumas vidrarias, há

a menção da classe pertencente, assim

como, o limite aceitável de tolerância e as

normativas em que estão sujeitas, como

verificado nas Figuras 1 e 2 [1].


Imagem Ilustrativa

Para uma análise quantitativa de qualidade,

faz-se necessária a calibração das

vidrarias volumétricas para a redução de

erros nas medições. Além disso, o manuseio

correto e a adequada higienização

destes materiais são imprescindíveis para

uma boa análise[2].

O balão volumétrico é uma vidraria destinada

a conter um determinado volume e é

muito utilizado para o preparo de soluções.

Porém, para uma utilização adequada, deve-se

ter cuidado com a leitura do volume

da solução. Os olhos devem estar no mesmo

nível da superfície do líquido para observar

a correta posição do menisco.

Em relação aos vidros, é sabido que,

em altas temperaturas ocorre a dilatação

destes, fazendo com que a vidraria volumétrica

perca sua calibração de fábrica e,

consequentemente, aumente a margem

de erro das análises[3]. Portanto, as vidrarias

volumétricas não podem ser secas

em estufas ou utilizadas sob calor.

Para verificar a qualidade dos balões volumétricos

utilizados e o efeito da exposição

destes ao calor, o presente trabalho

teve como objetivo analisar a precisão de

balões volumétricos de diferentes marcas

ao serem submetidos à aquecimento em

estufa à 105°C por 2 horas e 4 horas e

após 2 dias e 5 dias de esfriamento.

Metodologia

Analisou-se balões volumétricos com

capacidade de 100 mL e 250 mL de três

marcas, sendo denominadas de forma

genérica como: A (Classe A), B (Classe A)

e C (sem definição de Classe). Utilizou-se

balões volumétricos de 100 mL e 250 mL

da marca A (Classe A) como controle do

procedimento.

Os balões volumétricos foram inicialmente

calibrados para a verificação do

volume real das vidrarias. Posteriormente,

foram submetidos a aquecimento em estufa

à 105°C por 2 horas. Após esse período,

os balões volumétricos esfriaram naturalmente

e foi realizada nova calibração.

Em um segundo momento, os balões

volumétricos foram submetidos a aquecimento

em estufa à 105°C por 4 horas.

Repetiu-se as etapas de esfriamento e calibração

das vidrarias.

Passada a etapa de aquecimento, novas

calibrações foram realizadas após 2 dias

e 5 dias para verificar se os balões volumétricos

retornariam ou não às condições

iniciais, antes do aquecimento.

Para controle do procedimento, foram

realizadas três calibrações dos balões

volumétricos controle em diferentes dias.

Estes, não foram submetidos à aquecimento.

Para as calibrações dos balões volumétricos

de 100 mL foi utilizada balança

analítica com precisão de 4 casas decimais

e para os balões volumétricos de 250 mL

foi utilizada balança analítica com precisão

de 3 casas decimais.

Calibração dos balões volumétricos

Os materiais utilizados no processo foram

previamente higienizados. Todo o

processo foi realizado utilizando proteção

(papel absorvente) para evitar possíveis

sujidades nas vidrarias.

No procedimento de calibração, mediu-se

a massa dos balões volumétricos vazios e,

em seguida, adicionou-se água Milli-Q até a

marcação indicada (menisco), com a utilização

de um funil, e novamente foram medidas

as massas. Foi aferida a temperatura da

água nos balões volumétricos para posterior

análise da densidade e cálculo do volume.

Os cálculos foram realizados de acordo

com a fórmula da densidade:

d = m / V

Onde:

d = densidade (g/mL)

m = massa (g)

V = volume (mL)

Os valores de erros dos balões volumétricos

foram calculados pela diferença entre

os volumes desejados (expressos pelo fabricante)

e os volumes reais das vidrarias.

Tais resultados foram confrontados com os

limites de tolerância de erro de acordo com

as especificações da ISO 1042/1998.

Além disso, foram analisadas as variações

de volume dos balões volumétricos a

cada etapa (aquecimento e esfriamento).

Revista Analytica | Abr/Mai 2020

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Artigo 1

Autores:

Renata Corrêa Yamashita*, Paulo Roberto da Silva Ribeiro*, Daniele de Lacassa Leite*, Giovani Boaventura

Bacarin*, Marcos Roberto Ruiz*

Imagem Ilustrativa

*Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAI “Santo Paschoal Crepaldi” Presidente Prudente SP.

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Resultados e Discussão

De acordo com o volume expresso nas vidrarias

e o volume real, obtido com a calibração,

calculou-se a diferença entre esses valores.

Os valores obtidos dos balões volumétricos

de 100 mL estão indicados na Tabela 3, onde

observa-se que todas as marcas apresentaram

variação entre o volume real e o volume desejado

acima do limite definido pela norma ISO

1042/1998. Para as vidrarias Classe A a variação

máxima permitida é de 0,10 mL, já para

a Classe B a variação permitida é de 0,20 mL.

Tabela 3: Diferença entre os volumes desejados e os volumes

reais dos balões volumétricos de 100 mL.

A Figura 3 apresenta as variações de volume

dos diferentes balões volumétricos de 100

mL no início do experimento, após 2 horas de

aquecimento, após 4 horas de aquecimento e

após 2 dias e 5 dias de esfriamento. Os valores

de tolerância da ISO 1042/98 estão expressos

para as classes A e B.

Figura 3: Diferença entre os volumes desejados e os volumes

reais dos balões volumétricos de 100 mL.

indicaram leve aumento na variação do

volume. Nos estágios de aquecimento

por 4 horas e o esfriamento por 2 dias,

todas as marcas mostraram aumento

na variação do volume. Já no estágio de

esfriamento por 5 dias, todas as marcas

indicaram diminuição na variação do

volume.

Os dados obtidos para os balões volumétricos

de 250 mL estão indicados na

Tabela 4, onde observa-se que a variação

apresentada também ultrapassa os

limites estabelecidos pela norma ISO

1042/98. Nesse caso, a variação volumétrica

máxima é de 0,15 mL para Classe

A e 0,30 mL para a Classe B.

Tabela 4: Diferença entre os volumes desejados e os volumes

reais dos balões volumétricos de 250 mL.

A Figura 4 apresenta as variações de

volume dos diferentes balões volumétricos

de 250 mL. Os valores de tolerância

da ISO 1042/98 estão expressos para as

classes A e B.

com relação ao controle. Já nos estágios

de esfriamento por 2 e 5 dias todas as

marcas mostraram tendência de queda

na variação do volume com relação ao

controle.

Figura 4: Diferença entre os volumes desejados e os volumes

reais dos balões volumétricos de 250 mL.

Os gráficos 5 e 6 indicam a capacidade

volumétrica real dos balões de 100

mL e 250 mL, mostrando a variação de

volume em cada estágio de aquecimento

e esfriamento. Os testes realizados

demostraram que todas as vidrarias

utilizadas estavam com a capacidade

real inferior à capacidade esperada e

não conforme com as especificações de

classe, contidas nas próprias vidrarias.

Isso ocorreu tanto para os balões volumétricos

de 100 mL quanto para os de

250 mL.

Figura 5: Variação da capacidade dos balões volumétricos de

100 mL com a influência da temperatura.

12

Revista Analytica | Abr/Mai 2020

As três marcas apresentaram a mesma

tendência de variação nos diferentes estágios

de aquecimento e resfriamento.

Com exceção para o aquecimento por 2

horas, onde a marca B apresentou queda

na variação do volume com relação ao

controle, enquanto as demais marcas

No estágio de aquecimento por 2 horas,

novamente a marca B mostrou tendência

levemente diferente das demais,

diminuindo a variação do volume com

relação ao controle. No estágio de aquecimento

por 4 horas todas as marcas indicaram

aumento na variação do volume

Analisou-se as capacidades dos balões

volumétricos com a variação de

temperatura e verificou-se que as marcas

A e C apresentaram respostas pa-


Imagem Ilustrativa

recidas, tanto ao aquecimento quanto

ao esfriamento. A marca B apresentou

maior instabilidade.

As marcas A e C apresentaram diminuição

da capacidade volumétrica com

o aquecimento das vidrarias em estufa.

Ao término do aquecimento, ao permanecerem

em temperatura ambiente por

2 dias, os balões de 100 mL continuaram

com a diminuição da capacidade

volumétrica e apresentaram expansão

da capacidade após 5 dias em temperatura

ambiente. Os balões de 250 mL

apresentaram expansão já em 2 dias de

esfriamento, que continuou até o quinto

dia. Cabe ressaltar que, após esse período,

verificou-se uma capacidade acima

do verificado na calibração inicial.

Figura 6: Variação da capacidade dos balões volumétricos de

250 mL com a influência da temperatura.

Na análise da influência da temperatura

para os balões de 100 mL, verificou-

-se que todas as marcas apresentaram

algum tipo de variação, porém, as marcas

A e C não apresentaram diferenças

significativas até a etapa de 2 dias de esfriamento,

estando dentro dos padrões

estabelecimento pela ISO 1042/1998.

Com o resultado obtido após 5 dias de

esfriamento, estas marcas já não poderiam

ser classificadas como Classe A.

A marca B foi a que apresentou maior

variação com o aquecimento. No entanto,

sua resposta ao resfriamento de 2 e 5

dias foi divergente.

Figura 7: Diferença da capacidade dos balões volumétricos de

100 mL com a interferência da temperatura.

Para a análise da influência da temperatura

para os balões de 250 mL, verificou-se

que todas as marcas apresentaram

algum tipo de variação, porém,

não foi possível identificar um padrão

quanto à temperatura. Já em relação à

norma, apenas a marca B apresentou

variação significativa (após 5 dias de

esfriamento), visto que esta possui classificação

A (± 0,15 mL).

Figura 8: Diferença da capacidade dos balões volumétricos de

100 mL com a interferência da temperatura.

Conclusão

Considerando os balões volumétricos de

100 mL, observa-se que todas as marcas

apresentaram variação entre o volume real e

o volume desejado acima do limite definido

pela norma ISO 1042/1998. As três marcas

apresentaram a mesma tendência de variação

nos diferentes estágios de aquecimento

e resfriamento

Já para os balões volumétricos de 250 mL,

observa-se que a variação apresentada também

ultrapassa os limites estabelecidos pela

norma ISO 1042/98. Nesse caso, a variação

volumétrica máxima é de 0,15 mL para Classe

A e 0,30 mL para a Classe B.

Os testes realizados demostraram que todas

as vidrarias utilizadas estavam com a capacidade

real inferior à capacidade esperada

e não conforme com as especificações de

classe, contidas nas próprias vidrarias. Isso

ocorreu tanto para os balões volumétricos

de 100 mL quanto para os de 250 mL.

Na análise da influência da temperatura

para os balões de 100 mL, verificou-se que

todas as marcas apresentaram algum tipo

de variação, porém, as marcas A e C não

apresentaram diferenças significativas até

a etapa de 2 dias de esfriamento, estando

dentro dos padrões estabelecimento pela

ISO 1042/1998. Com o resultado obtido

após 5 dias de esfriamento, estas marcas já

não poderiam ser classificadas como Classe

A. Já a marca B foi a que apresentou maior

variação com o aquecimento.

Para a análise da influência da temperatura

para os balões de 250 mL, verificou-se que

todas as marcas apresentaram algum tipo

de variação, porém em relação à norma,

apenas a marca B apresentou variação significativa,

após 5 dias de esfriamento.

Revista Analytica | Abr/Mai 2020

13


Artigo 1

Referências

[1] DURAN® Volumetric Instruments DURAN GROUP.

[2] FERNANDES, D; MARTINS, E.A.J. Influência do

aquecimento na calibração de balões volumétricos. 16º

SIICUSP – Simpósio Internacional de Iniciação Científica

da Universidade de São Paulo, 2008.

[3] OLIVEIRA, M.B.S.C.; NOGUEIRA, J.M.R. Conceitos e

técnicas básicas aplicadas em laboratório. Fiocruz, 2010.

[4] MORIWAKI, C; KIMURA, E. Exatidão das vidrarias

volumétricas e impacto sobre a quantificação de metoclopramida

em solução oral. Arq. Ciênc. Saúde Unipar,

Umuarama, 9(2), mai./ago. p.117-120, 2005.

[5] ISO – INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STAN-

DARDIZATION 1042/1998 - Laboratory glassware.

Complemento Normativo - Artigo 1

Referente ao artigo 1

Disponibilizado por Analytica em parceria com Arena Técnica

Análise da Influência do Aquecimento e Esfriamento na Precisão de

Balões Volumétricos de Diferentes Marcas

ISO 1042

Laboratory glassware — One-mark volumetric flasks

Norma publicada em: 07/1998. / Status: Vigente.

Classificação 1: Medição de volume, massa, densidade, viscosidade

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: ANÁLISE DA INFLUÊNCIA DO AQUECIMENTO E ESFRIAMENTO NA PRE-

CISÃO DE BALÕES VOLUMÉTRICOS DE DIFERENTES MARCAS

Entidade: ISO.

País de procedência/Região: Suiça.

https://www.iso.org/standard/25484.html

ISO/IEC 17025

General requirements for the competence of testing and calibration

laboratories

Norma publicada em: 11/2017. / Status: Vigente.

Classificação 1: Certificação de produtos e empresas. Avaliação de conformidade

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: ANÁLISE DA INFLUÊNCIA DO AQUECIMENTO E ESFRIAMENTO NA PRE-

CISÃO DE BALÕES VOLUMÉTRICOS DE DIFERENTES MARCAS

Entidade: ISO.

País de procedência/Região: Suiça.

https://www.iso.org/standard/66912.html

ASTM E1878

General requirements for the competence of testing and calibration

laboratories

Norma publicada em: 01/1997. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: ANÁLISE DA INFLUÊNCIA DO AQUECIMENTO E ESFRIAMENTO NA

PRECISÃO DE BALÕES VOLUMÉTRICOS

DE DIFERENTES MARCAS

Entidade: ASTM.

País de procedência/Região: EUA.

https://www.astm.org/Standards/E1878.htm

14

Revista Analytica | Abr/Mai 2020

ISO 4787

Laboratory glassware - Volumetric instruments - Methods for

testing of capacity and for use

Norma publicada em: 04/2010. / Status: Vigente.

Classificação 1: Medição de volume, massa, densidade, viscosidade

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: ANÁLISE DA INFLUÊNCIA DO AQUECIMENTO E ESFRIAMENTO NA PRE-

CISÃO DE BALÕES VOLUMÉTRICOS DE DIFERENTES MARCAS

Entidade: ISO.

País de procedência/Região: Suiça.

https://www.iso.org/standard/41807.html

ASTM E288

General requirements for the competence of testing and calibration

laboratories

Norma publicada em: 01/2010. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: ANÁLISE DA INFLUÊNCIA DO AQUECIMENTO E ESFRIAMENTO NA

PRECISÃO DE BALÕES VOLUMÉTRICOS

DE DIFERENTES MARCAS

Entidade: ASTM.

País de procedência/Região: EUA.

https://www.astm.org/Standards/E288.htm

ABNT NBR 11513

Materiais granulares usados em fundição - Determinação da

massa específica pelo uso do frasco volumétrico de “Le Chatelier”

Norma publicada em: 05/2016. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: ANÁLISE DA INFLUÊNCIA DO AQUECIMENTO E ESFRIAMENTO NA

PRECISÃO DE BALÕES VOLUMÉTRICOS

DE DIFERENTES MARCAS

Entidade: ABNT.

País de procedência/Região: BRASIL.

https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=355248


uma empresa Solabia Group

Grupo Solabia reforça presença no Brasil

O Grupo Solabia, presente no Brasil há mais de 20 anos com duas industrias de produção em Maringá (PR), anuncia a

aquisição da empresa brasileira Laborclin, localizada na região de Curitiba (PR). O grupo francês de capital privado é

especializado na produção de ingredientes ativos naturais para uso nas indústrias de cosméticos, farmacêutica e

agro-alimentar. Com sete usinas de produção (quatro na França, uma em Israel e duas no Brasil), fıliais comerciais nos

Estados Unidos e Alemanha, assim como centros de P&D em vários pontos do mundo, a Solabia é um player importante na

sua área de especialidade nos mercados das Américas, Europa e Ásia.

Sob a sua marca Biokar Diagnostics, a decisão de reforçar o polo de microbiologia de diagnóstico fortalece a oferta

global da divisão de meios, sendo que o grupo já é um líder europeu em meios de cultura e reagentes. Estes produtos são

usados em laboratórios de controle, nas indústrias agro-alimentar, cosmética, farmacêutica, saúde humana e animal, assim

como para análise de amostras de água e controle ambiental.

A Biokar Diagnostics cria, fábrica e comercializa várias toneladas de meios de cultura desidratado por ano,

representando mais de 200 referências. A sua experiência de mais de 50 anos na formulação de meios é ainda mais

valorizada pelo uso de peptonas e proteínas hidrolisadas fabricadas dentro do grupo.

Os vários meios de cultura desidratados são transformados em larga escala em formatos prontos para uso, tais como

tubos, viais, bags e placas Petri, e em kits de detecção, suplementos e reagentes congelados. Essas apresentações permitem

um vasto âmbito de análises desde a detecção e a identifıcação de bactérias até a identifıcação e confırmação de patógenos

prejudiciais à saúde humana.

Os produtos Biokar Diagnostics estão presentes em milhares de laboratórios em mais de 50 países no mundo. Esta

notoriedade é devida, em grande parte, à qualidade dos seus produtos e às suas soluções inovadoras.

Com a aquisição da Laborclin, o grupo reforça não só a sua capacidade industrial necessária para produção, como

também a sua capacidade de pesquisa e desenvolvimento e inovação. Ao mesmo tempo amplia o seu portfólio de produtos

e cria novas perspectivas comerciais com a otimização e combinação de uma nova rede de distribuição, agora à disposição

das duas organizações.

Gerard Josset

CEO Solabia group

Carlos Eduardo Vianna

CEO Laborclin

Contato

institucional@laborclin.com.br

41, Rue Delizy - 93692 - Pantin Cedex - France

Rua Casemiro de Abreu, 521 - Pinhais, PR - Brasil

Kibbutz Ketura D. N Hevel Eilot 8884000 - Israel

www.laborclin.com.br


Artigo 2

Autoras:

Beatriz Stefani Godoy Pinto, Leticia Galdino de Siqueira,

Núbia Aparecida Corrêa França.

A Sustentabilidade como Ferramenta Estratégica:

uma aplicação em indústria de embalagens plásticas

16

Revista Analytica | Abr/Mai 2020

Imagem Ilustrativa

Resumo

Este trabalho descreve uma contextualização

sobre um dos assuntos contemporâneos e

desafiadores relacionados às indústrias, que

é a sustentabilidade. Abordam-se os conceitos

do Balanced Scorecard (BSC), que é um

método voltado ao gerenciamento de estratégias

da empresa, baseado em propostas de

direção de uma gestão que proporciona o alinhamento

entre a sustentabilidade e estratégia.

Para o desenvolvimento desse trabalho

foi realizado um estudo de caso em uma

empresa do ramo de embalagens plásticas

flexíveis, situada na cidade de Taubaté, região

do Vale do Paraíba, estado de São Paulo.

Foi aplicada a ferramenta BSC, a qual atravez

dos seus quatro passos foi descrita toda

estratégia que será implantada na empresa

com o objetivo de transform-la em uma

uma empresa voltada a sustentabilidade,

em um dos passos realizou-se uma análise

do Polietileno Verde (PEV) com o auxilio da

ferramenta Análise SWOT, a qual foi de suma

importância para compor a estratégia, pois

atravez dela foi possível conhecer mais intimamente

esse novo polímero, subisidiando

criação ou adaptação de estratégias para um

melhor desempenho do ambiente. Foi realizada

uma análise de viabilidade econômica,

que comprovou, por meio do indicador Valor

Presente Líquido (VPL) que o Polietileno

Verde (PEV), é viável para aplicação na empresa,

pois seu resultado ultrapassou a taxa

esperada por ela que é de 20%, chegando a

uma taxa de 56%. Também foi realizada uma

análise de lucratividade comparando o PEV

com o Polietileno Natural (PEN), representada

por meio de um gráfico o quanto o PEV

será mais lucrativo para a empresa, assim

tendo como conclusão de que uma empresa

sustentável também é mais lucrativa.

Palavras-chave: Sustentabilidade. Plástico

verde, Indústria sustentável.

Abstract

This work describes a contextualization

about on one of the contemporary and

challenging issues related to industries,

which is sustainability. The concepts of the

Balanced Scorecard (BSC), which is a method

focused on the company’s strategy

management, are based on management

direction proposals that provide the alignment

between sustainability and strategy.

For the development of this work, a case

study was conducted in a flexible plastic

packaging company, located in the city of

Taubaté, a region of Vale do Paraiba, stated

in São Paulo. It was applied the (BSC) tool,

which through its four steps was described

all strategy that will be deployed in the

company with the objective of transforming

it into a company focused on sustainability,

one of the steps was an on analysis

of green polyethylene (GreenPe) with the

aid of the Swot analysis tool, which was of

utmost importance to compose the strategy,

through it was possible to know more

intimately this new polymer, by creating or

adapting strategies for better environment

performance. An economic viability analysis

was carried out, which demonstrated,

through the “Net Present Value” (NPV) indicator,

that green Polyethylene (GreenPE)

is viable for application in the company,

as its result exceeded the expected rate of

20%, reaching a rate of 56%. A profitability

analysis was also performed comparing

the GreenPE with the Natural Polyethylene

(NaturalPE), represented by a graph of how

much the GreenPe will be more lucrative

for the company, thus concluding that a

sustainable company is also more lucrative.

Keywords: Sustainability. Green Plastic.

Sustainable Industry


Introdução

A competitividade tem conduzido constantemente

as organizações a buscar qualidade

em seus produtos ou serviços, visando a satisfação

de seus clientes. Isso é possível em virtude

de uma série de ações realizadas nessas

organizações. Dentre elas, podemos destacar

a inovação tecnológica e a sustentabilidade,

sendo, essa última, um desafio às empresas

de embalagens plásticas, em virtude de sua

logística reversa e reciclagem.

A sustentabilidade é a capacidade de o ser

humano interagir com o mundo, preservando

o meio ambiente para não comprometer os recursos

naturais das gerações futuras. O conceito

de sustentabilidade é complexo, pois atende

a um conjunto de variáveis independentes,

mas podemos dizer que deve ter a capacidade

de integrar as questões sociais, energéticas,

econômicas e ambientais (ONU, 2005).

A implementação da sustentabilidade nas

organizações tem se tornado uma necessidade

devido às questões ambientais e exigências

do mercado consumidor, que buscam cada vez

mais produtos ecologicamente corretos. Esse

fato tem levado muitas indústrias a reciclar

os seus processos produtivos, implementando

novas gestões e estratégias de produção.

Esta aceitação de modelos mais sustentáveis

demanda uma atitude não imediata, mas uma

visão de planejamento a curto, médio e longo

prazo (ALMEIDA, 2002).

A Braskem, empresa química e petroquímica,

maior produtora de resina termoplástica

das Américas, em 2010, desenvolveu um novo

polietileno, conhecido como Polietileno Verde,

a partir da cana-de-açúcar, contribuindo para

a diminuição dos gases causadores do efeito

estufa. A cana-de-açúcar, matéria prima do

novo polietileno, captura o gás carbônico da

atmosfera, necessário para o seu processo de

fotossíntese e crescimento (BRASKEM, 2019).

No entanto, a principal mudança sugerida

como estratégia para a indústria de plástico

que visa a sustentabilidade é trabalhar com

seu principal fator: a matéria-prima. A implantação

de uma nova matéria prima no setor

produtivo de uma organização impacta diretamente

o seu setor financeiro, porque é necessário

verificar quais as vantagens que essa

mudança irá trazer para a empresa, tais como

sua lucratividade e imagem (LONGUE, 2017).

O trabalho foi desenvolvido numa empresa

de embalagens de plástico flexíveis situada na

cidade de Taubaté, região do Vale do Paraíba,

estado de São Paulo. O objetivo deste trabalho

foi a implementação de mudanças no setor

produtivo da empresa, tornando-a sustentável.

Para isso, foram desenvolvidas estratégias

com auxílio do Balanced Scorecard – BSC, que

é uma ferramenta de planejamento estratégico

com a finalidade de medir o desempenho

empresarial por meio de indicadores que ajudam

a definir claramente metas e estratégias.

A viabilidade financeira utilizando o indicador

VPL, as fraquezas e oportunidades destas mudanças

foram analisadas com a análise SWOT.

Revisão da Literatura

Sustentabilidade

Em 1987, foi apresentado o termo Sustentabilidade

na Comissão Mundial sobre Meio

Ambiente e Desenvolvimento da Organização

das Nações Unidas (ONU, 2005, on-line), definido

como “[...] a capacidade de satisfazer as

necessidades do presente sem comprometer a

capacidade das gerações futuras de satisfazerem

suas próprias necessidades”.

A sustentabilidade se refere a diferentes conceitos

da ecologia. Se encontra relacionado

principalmente com que a natureza produz,

com o que é descartado e ao uso consciente

dos recursos naturais, com a preocupação

nas gerações futuras. Essa é uma das maiores

questões que têm mobilizado especialistas em

meio ambiente, pois os recursos naturais estão

acabando cada vez mais rápido por conta das

pessoas que estão utilizando tais recursos sem

conscientização, de forma desregulada e sem

dar tempo para que a natureza para que a natureza

se restabeleça.

Plásticos

O plástico surgiu em 1839, quando o americano

Charles Goodyear (1800-1860) criou

o processo de vulcanização da borracha, que

transformava o material natural em um produto

mais resistente às mudanças de temperatura.

Décadas depois, em 1870, o americano

John Wesley Hyatt (1837-1920) produziu celuloide

a partir da celulose das plantas. O material

era usado, por exemplo, para substituir o

marfim na produção de bolas de bilhar. Mas

foi em 1907 que o químico belga, naturalizado

americano, Leo Baekeland (1863-1944),

criou o primeiro plástico totalmente sintético

e comercialmente viável, o Bakelite. Foi aí que

começou a era dos plásticos modernos, feitos à

base de petróleo, carvão e gás natural. A chave

desse novo processo foi a polimerização, que

consiste em juntar, a partir de diversas reações

químicas, várias moléculas menores em uma

grande, que não se quebra facilmente e dá

ao material maior durabilidade. Desde então,

centenas de plásticos, ou polímeros, foram

criados pelas empresas petroquímicas para

as mais diferentes utilidades, como o poliéster

(1932), o PVC (1933), o náilon (1938), o poliuretano

(1939), o teflon (1941) e o silicone

(1943).

Os plásticos podem ser divididos em dois

grupos: termoplásticos e termorrígidos. Os termoplásticos

são os chamados plásticos e constituem

a maioria dos polímeros comerciais.

Sua principal característica é poder ser fundido

diversas vezes e também podem dissolver-se

em vários solventes, dependendo do

plástico. Além disso, sua reciclagem é possível,

uma característica bastante importante nos

dias de hoje (GORNI, 2003).

A sua estrutura é formada por moléculas lineares,

dispostas na forma de cordões soltos, mas

agregados como um novelo de lã. São exemplos:

Polietileno (PE), Polietileno de Baixa Densidade

(PEBD); Polietileno de Alta Densidade

(PEAD); Policloreto de Vinila (PCV); Poliestireno

(PS); Polipropileno (PP); Politereftalato de Etileno

(PET); 10 Poliamidas (náilon), policarbonato

Revista Analytica | Abr/Mai 2020

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Artigo 2

Imagem Ilustrativa

Autoras:

Beatriz Stefani Godoy Pinto, Leticia Galdino de Siqueira,

Núbia Aparecida Corrêa França.

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Revista Analytica | Abr/Mai 2020

(PC) e muitos outros. Já os termofixos podem

ser baquelite, Poliuretanos (PU) e Poliacetato de

Etileno Vinil (EVA), poliésteres, resinas fenólicas,

dentre outros (GORNI, 2003).

Já os polímeros termorrígidos são rígidos, frágeis

e muito estáveis às variações de temperatura,

isto é, não mais se fundem quando estiverem

prontos. O aquecimento do polímero pronto a

altas temperaturas promove decomposição do

material antes de sua fusão, por isso sua reciclagem

é complicada (GORNI, 2003).

São exemplos de termorrígidos: baquelite, usada

em tomadas e no embutimento de amostras

metalográficas; poliéster usadas em carrocerias,

caixas d’água, piscinas, dentre outros, na forma

de plástico reforçado (fiberglass) (GORNI, 2003).

Plástico Natural

O Plástico Natural, ou Polietileno (PE), é

considerado o polímero mais simples, tem

uma alta produção mundial e, devido a esse

fator, é um dos mais baratos. É uma resina termoplástica

parcialmente cristalina e flexível,

obtida por meio da polimerização do etileno.

Seu ponto de fusão é entre 110 e 115°C, em

temperatura abaixo de 60°C. Além disso, é

parcialmente solúvel em todos os solventes

(MAIS POLÍMEROS, 2019).

Este polímero pode ser produzido por diferentes

reações de polimerização, como por

exemplo, a polimerização por radicais livres,

polimerização aniônica, polimerização por

condensação de íons ou polimerização catiônica.

Cada um destes mecanismos de reação

produz um tipo diferente de polietileno. É um

polímero de cadeia linear não ramificada,

embora as ramificações sejam comuns nos

produtos comerciais. As cadeias de polietileno

se rompem sob a temperatura de arrefecimento

(Tg) em regiões amorfas e semicristalinas

(TORRES; TELES; OLIVEIRA, 2007).

A fabricação do polietileno convencionalmente

ocorre a partir do monômero etileno (C2H4),

que se encontra no estado gasoso. Nessa reação,

a dupla ligação em cada molécula de etileno

‘abre’ e dois dos elétrons originalmente nessa ligação

são usados para formar uma nova ligação

simples C — C com duas outras moléculas de

etileno, de forma a se poderem obter macromoléculas

de massa molecular elevada (polímero),

conforme ilustrado na figura 1. A polimerização

que ocorre pelo acoplamento de monômeros,

usando suas ligações múltiplas é chamada

polimerização por adição (TORRES; TELES; OLI-

VEIRA, 2007).

Figura 1 - Representação esquematica da polimerização por adição do

polietileno Fonte: Torres, Teles e Oliveira (2007)

Sendo assim, temos a seguinte fórmula

quimica do Polietileno: (C2H4)n.

Figura 2 - Representação química do polietileno

Fonte: Tudo sobre Plásticos (2019)

Plástico Verde

Em setembro de 2010, a Braskem inaugurou

a planta de eteno verde. Foi quando

se iniciou a produção do Polietileno Verde

I´m green (PE verde), combinação de inovação,

tecnologia e sustentabilidade. Esse

polietileno verde I´m green é um plástico

produzido a partir da cana-de-açúcar,

matéria-prima renovável, o qual durante

sua produção captura gás carbônico da atmosfera,

contribuindo para a redução da

emissão dos gases causadores do efeito

estufa.

Figura 3 - Logotipo Polietileno Verde I´m green

Fonte: Braskem (2019)

Esse novo PE verde tem as mesmas propriedades

do Plástico natural (PE), desempenho e

versatilidade. Sua única diferença é a matéria-

-prima, que é fóssil. Isso quer dizer que também

é um Polietileno reciclável. Existe uma

certa dificuldade em detectar essa diferença

visivelmente dos plásticos. Seria possível detectar

essa diferença apenas por meio de uma

análise de datação de carbono, demonstrado

a origem renovável desse polietileno, pois

apresenta átomo de carbono mais jovens na

sua composição (BRASKEM, 2019).

O PE verde é produzido no Polo Petroquímico

de Triunfo, no Rio Grande do Sul (RS), localizado

na região sul do Brasil, em uma planta

com capacidade para a produção de 200 mil

toneladas anuais. A transformação do eteno

verde nesse novo plástico é realizada nas mesmas

plantas de polimerização que produzem

o polietileno de fonte fóssil. O etanol utilizado

na produção é fornecido em grande parte por

meio de contratos firmados com os principais

produtores nacionais, cuja a relação com a

Braskem é regida pela “Compra Responsável

de Etanol” (BRASKEM, 2019).

A Braskem recebe na planta o etanol da cana-de-açúcar

de seus fornecedores por meio

de ferrovias. Assim que é recebido, o etanol

passa por um processo de desidratação, sendo

transformado em eteno verde, o monômero

que alimenta as plantas de polimerização,

onde o PE verde é produzido. A partir deste

ponto, ele segue aos clientes, chamados também

como transformadores ou convertedores,

que irão transformá-lo em produtos plásticos.


Figura 4 - Processo de Produção do Polietileno Verde I´m green

Fonte: Pinterest Odebresch S.A (2018)

O PE verde não é biodegradável e nem compostável,

assim como o PE. Ele é um material

reciclável e, por isso, não contamina os sistemas

de reciclagem atualmente existentes. Pelo fato

do PE verde não se degradar, o CO2 capturado

pelo produtor durante o seu processo de produção

(da cana-de-açúcar até a produção) permanece

fixado durante todo o ciclo de vida do

plástico (BRASKEM, 2019).

O conteúdo renovável de carbono de origem

renovável é expresso como um percentual da

massa total de um material ou produto. A validação

do percentual de conteúdo renovável

é realizada por meio do teste de datação do

isótopo de carbono C14 do produto, o mesmo

utilizado para a verificação de idade de fósseis

em arqueologia. Esta análise é normatizada

pela American Society for Testing and Materials

(ASTM) D6866 e pode ser realizada tanto

para o PE verde como para produtos finais, a

exemplo de embalagens e sacolas plásticas.

O Conteúdo renovável do PE verde também

foi certificado recentemente pelo Instituto

Vinçotte. Os polietilenos de alta densidade

(PEAD) apresentam no mínimo 94% de conteúdo

renovável, enquanto os polietilenos de

baixa densidade linear (PEBDL) apresentam

um mínimo de 84% e os polietilenos de baixa

densidade um mínimo de 95% de conteúdo

renovável (BRASKEM, 2019).

Quanto a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV)

do PE verde, em 2007, a Braskem realizou um

estudo de coeficiência em parceria com a Fundação

Espaço Eco (FEE), utilizando dados de

projeto. Este estudo deu confiança de que o PE

verde é uma alternativa mais sustentável que

o PE convencional de fonte fóssil (BRASKEM,

2019).

Em 2012, já com a planta em plena operação,

foi realizada uma avaliação de acordo

com as normas Organization for Standardization

(ISSO) 14040 e 14044, além de estudos

de pegada hídrica e de mudança de estoques

de carbono no solo durante o cultivo de cana-

-de- açúcar. Em 2015, este estudo de foi atualizado

para incluir otimizações de processo na

produção de eteno verde e para comtemplar

a atualização de maior base de dados de ACV

do mundo.

Os resultados confirmam que o PE verde é

uma excelente alternativa para uma economia

de baixo carbono, promovendo a captura

de 2,78 kg de CO2 para cada kg de resina

produzida, a redução de emissões de gases de

efeito estufa pela substituição de 100 toneladas

de PE fóssil por PE verde que equivalem

a um carro de passeio rodando por 880 mil

km ou 22 voltas em torno do equador da Terra

(BRASKEM, 2019).

Essa avaliação é uma técnica para analisar

os aspectos ambientais e dos potenciais

impactos associados a um produto, compreendendo

as etapas que vão desde a extração

das matérias-primas da natureza que entram

no sistema produtivo como mostra na tabela

1 de perfil ambiental do PE verde, que demonstra

a relação entre cada categoria de

impacto e o PE verde em suas unidades,

até o produto final. Ela permite que tanto o

fornecedor quanto os clientes compreendam

cada vez mais o impacto ambiental ao longo

de todas as etapas do ciclo de vida de seus

produtos.

Tabela 1 - Perfil ambiental do PE verde I’m green

Fonte: Braskem (2012)

Tabela 2 - Análise de contribuição para a categoria de impacto Mudanças

Climáticas

Fonte: Braskem (2012)

Matéria Prima Renovável

Cerca de 90% da cana-de-açúcar brasileira

utilizada na produção do etanol está concentrada

na região Centro-Sul do Brasil, principalmente

nos estados de São Paulo, Goiás,

Minas Gerais, Mato grosso do Sul, Paraná e

Mato Grosso. Os 10% restantes da cana-deaçúcar

estão concentrados principalmente

na região Nordeste do Brasil. A Região Centro-Sul

está localizada a mais de 2.500 km

de distância da região da Amazônia. A expansão

das áreas de plantio de cana-de-açúcar

é regida pelo Zoneamento Agroecológico

da Cana-de-açúcar, aprovado em setembro

de 2009, e que exclui, entre outras áreas, os

biomas Amazônia e Pantanal. É importante

ressaltar que a Braskem não possui plantação

de cana-de-açúcar e não produz etanol.

O etanol utilizado para a produção do polietileno

verde I´m green é adquirido de fornecedores

que são escolhidos de acordo com o

código de conduta para os Fornecedores de

Etanol, que leva em consideração aspectos

ligados ao cumprimento às leis brasileiras e

respeito à biodiversidade (ÚNICA, 2019).

Atualmente, o Brasil possui 330 milhões

de hectares de terras aráveis, sendo 52%

ocupadas para criação de gado, 26% sem

utilização e 22% utilizadas para agricultura.

Apenas 1,4% das terras aráveis é dedicada à

produção de etanol, sendo que o consumo

de etanol para a produção do polietileno

verde I´m green representa cerca de 1,7%, a

produção total de etanol ou 0,02% das terras

aráveis no Brasil. A existência de terras disponíveis,

combinada a uma possível intensificação

da produção de gado, faz do Brasil

Revista Analytica | Abr/Mai 2020

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Artigo 2

Imagem Ilustrativa

Autoras:

Beatriz Stefani Godoy Pinto, Leticia Galdino de Siqueira,

Núbia Aparecida Corrêa França.

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Revista Analytica | Abr/Mai 2020

um país com espaço para a expansão da

agricultura. O uso da terra para a produção

de outros produtos não alimentos, mesmo

num cenário bastante otimista para o crescimento

da produção de químicos de fontes

renováveis, deve continuar representando

um percentual pequeno do total de terras

disponíveis. Especificamente em relação ao

manejo da terra para a produção de cana-

-de- açúcar, no estado de São Paulo, onde

é plantada cerca de 60% da cana-de-açúcar

do país, existe a prática de se plantar leguminosas

para a nitrogenação do solo durante

a rotação da cultura. Assim, de 15% a 20%

das áreas produtoras de cana-de-açúcar são

dedicadas ao cultivo de soja, feijão e amendoim,

apoiando o abastecimento do mercado

de alimentos (ÚNICA, 2019).

O cultivo da cana-de-açúcar se dá em conformidade

com a legislação brasileira e com as

normas da Organização Internacional do Trabalho,

bem como com todos os aspectos das

condições de trabalho, e deve ser seguida pelos

empregadores, que estão sujeitos a inspeções

frequentes do governo. A Braskem possui

o código e conduta para os fornecedores de

etanol que integra o Programa “Compromisso

Nacional de Assistência Social” e garante novos

direitos e uma melhor qualidade de vida

dos trabalhadores.

O consumo total de etanol para a produção

do polietileno verde I´m green é de 460 milhões

de litros de etanol para 200.000 toneladas

anuais de polietileno, correspondente a

aproximadamente 1,7% da produção brasileira

de etanol.

Política Nacional de Resíduos Sólidos

(PNRS)

A Política Nacional dos Resíduos Sólidos

(PNRS), lei nº 12.305/10, defende o descarte

correto de resíduos, prevendo a redução e

prevenção dos mesmos. Os resíduos sólidos

com alguma possibilidade de reaproveitamento

e/ou reciclagem deverão ter destino

ambientalmente correto, socialmente justo

e economicamente viável (SILVA; MOITA,

2016). Essa Lei é um conjunto de atribuições

necessárias que ajudam o país a enfrentar

problemas ambientais e ajudar na solução

para o descarte de resíduos sólidos. Tem

como propósito a prevenção e a redução

dos resíduos, dando orientação a respeito do

descarte correto, reutilização dos resíduos, do

aumento da taxa de reciclagem e a destinação

correta dos rejeitos, além de criar algumas

metas de contribuição para eliminação

de lixões e elaboração de planos gerenciais

de resíduos sólidos. Isso faz com que o país

procure a inovação, entrando num patamar

de desenvolvimento por meio da geração de

oportunidades de emprego e mais inclusão

das pessoas que já trabalham diretamente

na coleta seletiva.

Isso faz com que o Brasil se encaixe em

planos de melhoria do solo e clima e aumente

o nível de reciclagem e reaproveitamento

de resíduos. Por fim, a falta de

planejamento de metas locais atrasa os

planos de melhoria contínua da Política

Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

Nesse sentido, os municípios deveriam

criar planos de espalhar a conscientização

e formas de diminuir os resíduos,

contribuindo com o meio ambiente.

Ferramenta e Indicadores

Para se desenvolver um projeto de sucesso,

precisa-se de ferramentas para auxiliar,

trazer resultados e mostrar se vale a pena

seguir com a estratégia ou arquivá-la. Assim,

nesse trabalho para a criação da estratégia,

utilizou-se o BSC, que é uma ferramenta

de gestão estratégica que auxilia na

criação da mesma. Utilizou-se também a

ferramenta de análise SWOT, que foi implementada

dentro da ferramenta BSC no tópico

perspectiva dos processos internos, com

o intuito de mostrar as forças, fraquezas,

oportunidades e ameaças. Ela é essencial,

pois faz a empresa ter uma visão direta de

quais são suas fraquezas e quais são suas

forças, oportunidades e ameaças no ambiente

externo. Dessa forma, a equipe gerencial

consegue elaborar estratégias para

obter vantagens competitivas e melhorar o

desempenho organizacional.

Após, realizou-se uma análise da viabilidade

econômico-financeira, que tem

como finalidade medir ou analisar se um

investimento é viável ou não, podendo-

-se mostrar, por meio de cálculo do indicador

valor presente liquido (VPL).

Balanced Scorecard (BSC)

O BSC é uma ferramenta que ajuda os

gestores e a equipe a trabalharem pensando

no futuro da organização, atuando para

concretizar projetos que garantam um crescimento

as empresa. Com essa ferramenta, é

possível avaliar até que ponto uma unidade

de negócio gera valor para os clientes atuais

e futuros.

Hoje em dia, muitos lugares utilizam

o BSC como ferramenta de medição de

desempenho. O método permite que os

gerentes observem a empresa sob quatro

perspectivas importantes: como os clientes

veem a empresa; em que a empresa deve

ser melhor; como continuar aprimorando

e agregando valor; e como os acionistas

veem a empresa (perspectiva financeira).

Além de oferecer aos gestores ampla visão

no âmbito dessas quatro perspectivas, o

sistema minimiza a sobrecarga de informação,

limitando a quantidade de medições

utilizadas (KAPLAN; NORTON, 1997).


Figura 5 - Perspectivas do Balanced Scorecard

Fonte: Adaptado Kaplan e Norton (1997)

• Perspectiva financeira: Nessa condição

tratamos assunto como a lucratividade e o

retorno financeiro. Nessa etapa se definem

os objetivos estratégicos, tais como o alcance

de retorno sobre o capital investido,

aumento das fontes, estabilizar o fluxo de

caixa, dentre outros.

• Perspectiva clientes: De nada adianta

mudar os hábitos, competências das equipes

e melhorar os processos internos se o

problema que aflige o cliente não é resolvido.

Essa etapa força a empresa a olhar para

fora, a olhar para o cliente. Aumentar os resultados

dos clientes, ter melhor aceitação

do produto e aumentar a satisfação fazem

parte dos objetivos estratégicos desta área.

• Perspectiva de processos internos: Nesta

etapa precisamos estabelecer formas de fazer

com que os processos críticos, aqueles

que têm contato direto com o cliente, se

tornem cada vez melhores. Também é vital,

nessa perspectiva, trabalhar para tornar os

processos cada vez mais focados nas necessidades

dos clientes.

• Perspectiva de aprendizado e crescimento:

Tem por objetivo trabalhar no conhecimento

da empresa, definindo objetivos estratégicos

que visem tornar a empresa mais

capaz e competente ao realizar suas ações.

O Balanced Scorecard é uma ótima ferramenta

de comunicação interna no que se diz

respeito a comunicação da estratégia, sua

efetiva implantação de controle.

Análise de Swot

A matriz de SWOT é uma das ferramentas

mais utilizadas na área de gestão estratégica.

Ela serve para verificar a posição e situação estratégica

na qual se encontra a empresa na área

em que atua. Hoje em dia, a utilização de ferramentas

de estratégia é um fator importante no

crescimento e desenvolvimento organizacional.

A utilização da matriz de SWOT tem como

objetivo relacionar as oportunidades e ameaças

presentes no ambiente externo com as

forças e fraquezas mapeadas no ambiente

interno da organização. As quatro etapas

servem como indicadores da situação da

organização.

Figura 6 - Matriz SWOT

Fonte: 5seleto (2019)

A SWOT é uma ferramenta usada para a realização

de análise de ambiente e serve de base

para planejamentos estratégicos e de gestão

de uma organização. Além disso, se destina a

posicionar ou verificar a situação e a posição

estratégica da empresa no ambiente em que

atua (MCCREADIE, 2008).

A utilização desta matriz e indispensável,

pois por meio dela conseguimos entender se

a ideia inovadora, antes de colocá-la em prática

e sujar a reputação da empresa, não passa

de uma simples e normal escolha. Com essa

ferramenta, conseguimos confiança para lidar

com os imprevistos e situações que podem

ocorrer.

• Força: Para Martins (2007), são os aspectos

mais positivos da empresa em relação ao

seu produto, serviço ou unidade de negócios.

Devem ser fatores que podem ser controlados

pela própria empresa e relevantes para o planejamento

estratégico. São considerados os

fatores internos no qual a empresa tem total

controle, e devem ser explorados ao máximo

para que a empresa tenha um bom posicionamento

de mercado e diminua suas fraquezas.

• Fraquezas: As fraquezas são consideradas

deficiências que inibem a capacidade de desempenho

da organização e devem ser superadas

para evitar falência da organização. As

fraquezas devem ser fatores analisados pela

própria empresa para que se tenha um planejamento

estratégico correto. Apontar seus

pontos fracos e fortes faz com que os objetivos

a serem alcançados sejam concluídos

com êxito.

• Oportunidades: As oportunidades para a

organização são as variáveis externas e não

controladas, que podem criar as condições

favoráveis para a organização, desde que

a mesma tenha condições ou interesse de

utilizá-las. As oportunidades refletem tanto

no ambiente interno como externo de uma

empresa e devem ser acompanhadas, pois

influenciam em diversos aspectos positivos

em relação a lucratividades, por meio da

identificação de novos mercados e cliente.

• Ameaças: Para Morais (2008), as ameaças

são as forças externas que podem

impactar no sucesso da empresa, tal como

a competição, a capacidade operacional e

o custo de aumentos dos bens. Elas impactam

diretamente na empresa e podem

prejudicar no desenvolvimento e acarretar

prejuízos. Portanto, devem ser analisadas

no planejamento estratégico da empresa.

Análise de Viabilidade Econômico-Financeira

A análise de viabilidade econômico-financeira

é um estudo que tem como objetivo

medir e analisar se um investimento é

viável ou não. Ela faz uma comparação com

os retornos que poderão ser obtidos com os

investimentos aplicados, sendo possível saber

com antecedência se vale a pena ou não

investir, evitando prejuízos para o negócio

(MAX, 2018).

Revista Analytica | Abr/Mai 2020

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Artigo 2

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Autoras:

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Núbia Aparecida Corrêa França.

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Revista Analytica | Abr/Mai 2020

Essa análise mede se um investimento terá

retorno ou não para quem está investindo.

Dessa forma, é possível eliminar projetos que

não compensam e direcionar todo o investimento

e esforços para outros projetos. É fundamental

principalmente quando se há dois

ou mais projetos e o capital para se investir é

suficiente apenas para um (MAX, 2018).

Para fazer essa análise, é preciso seguir

algumas etapas, tais como a projeção de receitas

que o projeto terá, projeção de custos,

despesas e investimentos necessários. Essa

análise levará em conta alguns indicadores

que serão calculados em cima dos dados

projetados.

Valor Presente Liquido (VPL)

Uma das formas mais interessantes de se

realizar a análise de viabilidade é por meio

do Valor Presente Líquido (VPL), onde o investidor

pode ter mais certeza e segurança

para se tomar uma decisão quanto em relação

a suas aplicações financeiras.

O VPL tem como intenção, por meio de

cálculos, mostrar o valor presente dos seguimentos

futuros, chegando a conclusão

com uma taxa de custo de capital. Para isso,

deve- se sempre ser considerado o valor

do dinheiro no tempo. “Pode-se dizer que

o VPL consiste em trazer para o presente

todos os fluxos de caixa de um projeto de

investimento, somando-o ao montante inicial”

(BONA, 2019).

Uma das grandes vantagens de se utilizar

o VPL é que pode descobrir se o projeto

aumentará o lucro da empresa. Outra

vantagem é que ele possibilita a empresa

observar o tempo que o dinheiro sai do caixa

da empresa até que ele retorne para ela.

Assim, o VPL pode nos mostrar em quanto

tempo este projeto produzirá lucro e qual o

valor deste ele trará.

Em suma, pode-se afirmar que o VPL evidencia

que um investimento viável não é

aquele que possui um retorno financeiro

numericamente maior, mas aquele que apresenta

um retorno financeiro maior do que se

você tivesse investido todo o montante em

um investimento seguro. Assim, o risco de

um investimento desse porte deve valer a

pena (BONA, 2019, p. 33).

Na equação a seguir, é mostrada a fórmula

(1) para o cálculo do valor presente para

o valor da parcela, e na fórmula (2) é valor

presente para o valor futuro do VPL. (DICIO-

NÁRIO FINANCEIRO, 2019):

Onde:

PMT = Valor da parcela

PV= Valor Presente

n= período da aplicação

i= Taxa de juros

FV = Valor Futuro

PV= Valor Presente

n= período da aplicação

i= Taxa de juros

Metodologia

O método utilizado para o desenvolvimento

desse trabalho é uma pesquisa exploratória,

que visa aproximar a realidade ao assunto estudado,

com base em um estudo de caso que

se caracteriza como uma forma profunda de

um estudo no qual tem como objetivo ampliar

os conhecimentos em determinado assunto.

Também pode ser considerada como uma investigação

bem detalhada na qual se coleta e

analisa dados.

Para Yin (2005, p. 32) “o estudo de caso é

uma investigação empírica que investiga um

fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto

da vida real”

O estudo de caso se baseia em coleta de

dados, utilizando fontes secundárias tais

como artigos científicos, livros, revistas e

sites. A partir desse estudo, percebeu-se

a necessidade da aplicação de uma ferramenta

que ajudasse na criação de estratégia,

e após um branstorming com a equipe,

concluímos que a melhor ferramenta para

se utilizar é o BSC. Esse, como modelo de

alinhamento estratégico, vem sendo muito

utilizado pelas indústrias. É um sistema de

gestão baseado em um conjunto de indicadores

de desempenho que proporcionam

aos gerentes uma visão rápida e abrangente

de toda a empresa. Contemplam indicadores

que permitem a visualização do resultado

das ações passadas e os indicadores

operacionais, ligados com a satisfação dos

clientes, com os processos e o aprendizado

e crescimento (KAPLAN; NORTON, 1997).

Para aplicação da ferramenta BSC em

nosso estudo de caso, primeiramente definimos

a empresa a ser implantada a estratégia,

que é uma empresa do ramo de

embalagens plásticas flexíveis, situada na

cidade de Taubaté, região do Vale do Paraíba,

estado de São Paulo. Após a definição

da empresa, foram definidas outras duas

ferramentas que serão utilizadas para auxiliar

na criação da estratégia. São elas: análise

da viabilidade econômico-financeira e

a análise SWOT.


Aplicação do BSC

Aplicação da Ferramenta estratégica BSC

tem como seu principal objetivo a criação de

uma estratégia para a substituição do plástico

normal para o plástico verde I´m Green dentro

da Indústria em estudo, com o intuito de

transformá-la em uma Indústria sustentável.

Econômico-Financeira

A principal preocupação da indústria na sua

transformação está relacionada com a questão

financeira, pois para introduzir as estratégias

sustentaveis deve-se investir um valor considerável.

Isso altera o valor do produto final,

ou seja os clientes pagariam mais caro para se

obter o novo produto sustentável.

Uma estratégia para obtenção do lucro considerando

o principal objetivo é a análise de

viabilidade econômica dos dois plásticos em

questão, que são o Plástico Natural (PEN) e o

Plástico Verde (PEV).

Uma indústria que está ligada a sustentabilidade

tem um diferencial no mercado em

que atua, pois hoje a questão da preservação

do meio ambiente vem como uma forte estratégia

para os empreendedores. Sendo assim,

uma indústria sustentável tende atrair mais

clientes, pois a maioria se preocupam com a

questão da sustentabilidade, pois essa estratégia

vem com a intenção de reduzir os impactos

negativos de suas ações.

Como contraponto da preocupação financeira,

de acordo com Enio Pinto, diretor nacional

de Tecnologia e Inovação do Sebrae, “uma pequena

empresa que passa a ter esse tipo de

preocupação pode ampliar seu lucro, diminuir

custos e se tornar mais competitiva no mercado”

(PENSAMENTO VERDE, 2013).

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro

de Opinião Pública e Estatística (Ibope)

revelou que 70% dos brasileiros pagariam

mais caro para adquirir produtos que não causem

grandes impactos na natureza. Também

de acordo com a pesquisa, 61% das pessoas

mudariam seu estilo de vida para beneficiar o

meio ambiente (REVISTA EXAME, 2018).

Perspectiva Clientes

A transformação da indústria se dá com o

objetivo de atingir mais clientes, aumentar

a parceria, mostrar ao cliente a visão da sustentabilidade

e encorajá-lo a seguir o mesmo

caminho, mostrando que isso, além de ajudar

o meio ambiente, pode trazer ainda mais lucratividade

para sua empresa.

A intenção da nova estratégia é mostrar aos

clientes que podem continuar utilizando seu

produto com a mesma qualidade, mas contribuindo

com a sustentabilidade. Esse novo produto

trará ao cliente o interesse em melhorar

o meio ambiente. Sabe-se que esse produto

demora anos para se decompor e mostrar ao

cliente que pode utilizá-lo sem preocupação é

a nova missão da empresa.

O custo é mais elevado que o PE, pois é uma

matéria-prima nova e tem muitos beneficíos.

O principal é sua rápida decomposição, e como

é produzido com a cana-de-açúcar ao invés do

petróleo, não é prejudicial ao meio ambiente.

Sempre quando se trata de custos elevados,

aparentemente surge uma percepção de que

isso será prejudicial aos clientes, mas as vantagens

de se obter esse novo material compensa

o investimento do cliente, e é isso que será demosntrado

na quadro de vantagens e desvantagens

do PE Verde, ajudando a convencer e

mostrar ao cliente um investimento vantajoso.

Quadro 1 - Vantagens e Desvantagens do

Polietileno verde I´m Green

Outro requisito muito importante é a qualidade

do material. O cliente está acostumado

com uma qualidade e sua expectativa com

novo material é que ele seja realmente um

material de alta qualidade.

A indústria em questão é certificada

pela ISO 9001:2015. Por isso preza muito

pela qualidade dos materiais que são

comprados dos fornecedores. O PE verde

se destaca pela sua alta performance e

qualidade por manter as características

essenciais do PE convencional. Também

tem vários certificados que foram elaborados

por conceituados laboratórios

e organizações internacionais, que são:

Beta Analitic (Teve sua origem 100% renovável

reconhecida), Vinçotte (Avaliou

o conteudo renovável) e o ISCC/Bonsucro

(Permite práticas sustentáveis e liberação

da exportação de derivados de cana para

países da União Europeia e da Ásia), que

podem ser consultados no site da Braskem

(BRASKEM, 2009).

Sobre o tempo de recebimento do produto,

que é algo que tem alta importância

para o cliente, pois muitas vezes precisam

de urgência nas entregas, existem algumas

variações. O plástico natural demora cerca

de sete dias para entrega desde o pedido e

o plástico verde, conforme consultado com

um distribuidor oficial da Braskem, tem um

lead time médio de dez dias, pois a matéria-prima

utilizada é a cana-de-açúcar e o

processo de produção é diferente. No entanto,

o que mais impacta nesse tempo é a

demanda. Ainda não há um consumo como

o PE convencional, por isso nem sempre os

distribuidores têm a pronta entrega, devendo

ser encomendado.

O Plástico Verde está cada vez mais sendo

utilizado e reconhecido no Brasil e no

mundo todo. Algumas empresas de alto

padrão já adquiriram essa nova matéria-

-prima nos seus produtos. Empresas reconhecidas

como a Johnson & Johnson usam

na fabricação dos seus frascos cuidados

pessoais. Sundown e Tramontin utilizam

para a fabricação de embalagens rígidas

para aplicações para jardim SweetGarden,

entre outras empresas do mundo inteiro.

Adiante, seguem imagens de embalagens

que foram fabricadas com a matéria- prima

PE verde. Com várias empresas utilizando e

se adaptando a uma maneira sustentável

de se produzir faz com que outros clientes

se sintam mais confiante para investir nessa

nova matéria-prima.

Revista Analytica | Abr/Mai 2020

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Artigo 2

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Autoras:

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Quadro 2 - Análise SWOT do Polietileno verde I´m Green

Figura 7 - Embalagem fabricada com

a matéria-prima PE Verde.

Fonte: Braskem (2019)

Figura 8 - Embalagem da Johnson & Johnson fabricada com a

matéria-prima PE Verde.

Fonte: Exame Abril (2019)

Figura 9 - Embalagem da Activia fabricada

com a matéria-prima PE Verde.

Fonte: EM – Embalagem Marca (2011)

A análise mostrou, nos fatores internos, que

as forças são maiores que as fraquezas. Já nos

fatores externos, as ameaças são maiores que

as oportunidades. O fator reputação em forças

pode ajudar a potencializar os clientes em

oportunidades, pois há muitos clientes que

se preocupam com o meio ambiente, e uma

indústria que é conhecida como ambientalmente

correta pode atraí-los, oportunizando

mais benéficos.

A matéria-prima é o principal alvo nessa

matriz. Ao mesmo tempo que é ótima e necessária,

é uma grande ameaça na questão

da escassez, pois estamos falando de uma

matéria-prima que vem da terra, sendo preciso

cultivá-la, regá-la e colhê-la. Além disso,

temos que pensar em vários fatores que

podem ocorrer. Por ser o principal componente

desse plástico a indústria que fabrica,

precisa ter contratos firmados com empresas

que cultivam a cana-de-açúcar, mas que tenham

uma grande colheita e sejam sustentavelmente

responsáveis.

Essa foi a análise da matriz Swot, mostrando

quais pontos a Indústria deve se preocupar,

qual deve investir, qual deve dar mais atenção

e qual deve procurar novas alternativas.

Quanto aos processos internos, são os mesmos

do PE natural. Porém, como é um produto

novo, deve-se acontecer uma adaptação

dos funcionários a nova matéria-prima,

para saber como funciona, como ela reage

a cada aditivo colocado na extrusão e em

outros setores. Para não ocorrer dúvidas, será

realizado um novo cronograma de processos

conforme mostra a figura 5. Nela, o colaborador

pode verificar que o processo para a

produção é o mesmo e que só será alterado

no Planejamento e Controle de Produção

(PCP), que terá que comprar a matéria-prima

do fornecedor para a produção.

Figura 11 - Fluxograma do Processo de produção com a

implementaçã do PE verde

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Revista Analytica | Abr/Mai 2020

Figura 10 - Embalagem da Nutrella fabricada com a

matéria-prima PE Verde.

Fonte: Clube da Embalagem (2018)

Perspectiva de Processos Internos

Seguindo com o planejamento, a perspectiva

dos processos internos é avaliar como será feito

se essa nova matéria-prima for instalada. Para

isso, utilizou-se a análise SWOT, pois é uma ferramenta

que permite realizar um diagnóstico

estratégico da empresa e definir os objetivos.

Analisou-se o PE verde, sendo levantados nos

fatores internos, forças e fraquezas, e nos fatores

externo, as oportunidades e ameaças.

O Marketing pode potencializar a questão

econômica, pois quanto mais mostramos que

o produto é bom, mais clientes são atraídos,

ajudando na questão econômica.

Outro fator interno nas fraquezas é o

produto novo, que pode causar medo nos

clientes. Por ser um produto pouco utilizado,

os clientes precisam ter confiança para

comprar e trocar sua linha. Porém, a questão

de ser sustentável motiva o cliente a

pelo menos testar.


Antes de colocar pedidos e vender um produto

com essa matéria-prima, a indústria fará

teste em cada setor para saber a reação da

mesma a cada aditivo e soldas, para confirmar

se realmente as máquinas conseguirão produzir.

Já se sabe que o produto é parecido com

o convencional, mas, como qualquer outro

investimento, esse também precisa de testes.

Na indústria em estudo, existem 5 processos:

extrusão, impressão, laminação, rebobinadeira

e corte/solda. Em todos esses

processos será realizado o teste da matéria-

-prima. Para se compreender melhor o que

cada processo faz, segue descrição abaixo:

Os processos da produção de embalagens

plásticas flexíveis da Indústria em estudo são:

• Extrusão: A empresa possui seis diferentes

máquinas extrusoras, que são capazes

de produzir plásticos em diferentes

medidas e espessuras. O processo de extrusão

nada mais é que o derretimento e

moldagem da matéria-prima, que é inserida

no tubo de injeção e depois transformada

em filme. Deste processo, o plástico

sai apenas em bobinas.

• Impressão: A empresa possui quatro

impressoras flexográficas para a impressão

das embalagens plásticas. Cada máquina

possui sua configuração. Em cada

uma delas variam os tipos de clichês,

quantidades de cores nas embalagens

e cilindros. Este processo de impressão

inicia-se com a colagem de clichês, que

podem ser feitos diretamente na máquina

ou com os cilindros fora da máquina.

Logo após, devem ser preparadas as tintas

e colocadas na máquina para realizar impressão.

• Laminação: O processo de laminação possui

apenas uma máquina, que tem como variável

apenas os tamanhos das camisas, que são

rolos de borracha que servem para misturar

as substâncias e transferir para o filme. Nesse

processo, realiza-se a colagem de dois filmes,

podendo ser de materias diferentes ou iguais.

• Rebobinadeira: Neste processo, a empresa

possui três diferentes tipos de máquinas. Duas

são para tirar rebarbas do filme e também deixá-lo

alinhado e com o tamanho e peso especificados

pelo cliente, a outra máquina serve

para fazer microfuros no filme.

• Corte e Solda: A empresa possui dez máquinas

para este processo. As mesmas variam

de acordo com o tamanho dos saquinhos e

tipos de materiais. Este processo serve para dar

acabamento e deixar os saquinhos nos tamanhos

especificados pelo cliente, sendo possível

também acrescentar alguns acessórios nos saquinhos,

tais como: ilhós de diversos tamanhos,

fazer sanfonas laterais e no fundo e, por fim,

diversos tipos de furos.

O produto, com a nova matéria-prima, será

produzido. Após a realização dos testes e a

comprovação da qualidade, deverão ser produzidos

vários tipos de embalagens, podendo

ser idênticas às que já eram produzidas, mas

agora embalagens flexíveis e sustentáveis.

Um aspecto importante dos processos internos

é ter um feedback do cliente em relação

ao novo produto, a adaptação do mesmo

em suas máquinas, equipamentos e manuseio.

Saber se o cliente está satisfeito com o

produto é essencial. Se o mesmo tem críticas

ou sugestões de melhorias, também é importante

para o negócio, pois uma das politicas

da indústria é a satisfação dos clientes.

Por isso, é necessário se realizar o pós-venda,

que pode ser feito pelo telefone ou questionário

como anexo A, que pode ser enviado

por e-mail, o qual o cliente irá responder e

nos devolver e depois analisar.

Perspectiva de Aprendizado, Crescimento

e Inovação

Para se aplicar essa nova matéria-prima,

uma das primeiras coisas a se pensar é se

a indústria tem condições de mudar, se sua

estrutura suporta, se seu maquinário será o

mesmo e se será necessário treinamento de

funcionários.

Atualmente, a indústria produz cerca de

120.000 kgs de produto acabado. Esse é o

máximo que ela pode produzir, pois mais

que isso eu precisaria de mais mão-de-obra

em todos os setores, tornando-se um custo a

mais, que não está no orçamento.

Para que essa nova matéria-prima seja implantada,

deve-se projetar um valor em kg

para que não ultrapasse o limite total. Isso

deve ser conversado e implementado junto

ao Engenheiro responsável pela produção.

Quanto aos funcionários, como a Indústria

está se tornando sustentável, o ideal é fazer

palestras para apresentar a conscientização

a todos, mostrando que é importante

se preocupar com o meio ambiente. Isso

será bom para a imagem tanto da indústria

quanto da pessoa em si, sendo ela um

exemplo para todos.

Os funcionários devem ser orientados sobre

a nova matéria-prima implantada. Por meio

das palestras, pode-se mostrar de onde ela

vem e como é produzida até chegar à indústria.

Isso facilita na hora da produção da

embalagens ao produto final.

Toda a hierarquia da indústria, dos funcionários

à gestão, deve estar unida nesse

mesmo objetivo, com intuito de colocar em

prática a estratégia e com o objetivo de ser

tornar uma indústria sustentável.

Resultados

Cálculo de VPL

Para realizar os cálculos de VPL, foram levantadas

informações necessárias para que

os cálculos sejam reais. Para isso, a indústria

em estudo disponibilizou acesso ao sistema

e também dados (Anexo B e C) por meio do

gerente comercial. Esses são utilizados para

formular orçamentos de clientes. Com esses

dados, conseguimos verificar o custo mensal,

vida útil, receita mensal, gastos mensais de

perdas e fluxo de caixa do PE natural (Anexo

B) e do PE verde (Anexo C), sendo possível

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Artigo 2

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calcular o VPL e saber se a implementação do

PE verde será viável ou não para a Indústria.

Após o levantamento de todos os dados,

foi preenchida uma tabela para melhor verificação

e realização dos cálculos, conforme

abaixo:

Tabela 3 - Dados para cálculo de VPL

Para o cálculo, precisamos também da

Taxa minima de atratividade (TMA). Essa

taxa leva em conta três quisitos: o custo de

oportunidade, liquidez do negócio e risco do

negócio. Ela analisa esses três fatores e tem

como finalidade demostrar quanto o investidor

precisa de retorno do projeto. A referida

taxa é o minimo que ele precisa, se não para

ele o projeto é inviável. Levando em conta

esses fatores, a taxa definida é de 20%. Iniciando

os cálculos temos:

PE Natural

Figura 12- Linha do tempo VPL PE natural

VPL: − 8.589,8520 − 3.562,4580 + 17.270,7964 = R$ 5.118,4864

PE Verde

Figura 13 - Linha do tempo VPL PE verde

Após os cálculos de VPL, pode-se perceber

que o PE verde trará mais lucro para a indústria.

A substituição da matéria-prima será

uma boa estratégia e isso mostra que essa

estratégia pode encorajar a indústria a se tornar

mais sustentável. Atualmente, a sustentabilidade

e a lucratividade estão andando

juntas. Os clientes estão mais preocupados

com o meio ambiente e estão dispostos a

pagar mais caro para se obter um material

que ajudará o meio ambiente e não contribuirá

para o aqueciemento global.

Segundo Sr. Claudio Czarnobai, analista

de mercado da Nielsen, empresa global de

informação, a preocupação social tem sido

muito valorizada pelos consumidores da

atualidade. Sejam eles mais, sejam menos

engajados, os consumidores de hoje procuram

mais produtos e serviços de empresas

socialmente responsáveis (NIELSEN, 2012).

Uma pesquisa realizada pela Union +

Webster, diz que uma indústria sustentável,

além de ser ambientalmente correta, tem

como ponto positivo a competitividade da

instituição. Esse beneficio é comprovado

por meio do resultados dessas pesquisas,

que traz como feedback um percentual de

que 87% da população brasileira preferem

comprar produtos e serviços de empresas

sustentáveis e 70% dos entrevistados também

afirmaram que não se importam em

pagar um pouco mais por isso (AGÊNCIA

SISTEMA FIEP).

Análise de Lucratividade

Para demonstrar e analisar visivelmente o

quanto de lucro a indústria terá com esse investimento,

vamos analisar, em um ano, quanto ela

lucrará e demonstrar gráficamente.

PE Natural:

Lote de 300 kg/mês durante 1 ano, teremos

um valor total de (R$ 6,45 × 300) =

R$ 1.935,00 × 12 = R$ 23.220,00.

PE Verde:

Lote de 300 kg/mês durante 1 ano, teremos

um valor total de (R$ 9,80 × 300) =

R$ 2.940,00 × 12 = R$ 35.280,00.

Figura 14 - Gráfico da Comparação de Lucratividade

entre os Polímeros

Percebemos que o PE Verde trará para a indústria

um lucro de 52% em relação ao lucro

que o PE Natural traz a ela. Esse investimento

é viável, pois não será necessário troca de maquinário,

uma vez que o material é bem parecido

com o já utilizado. Além disso, o lucro é

visivelmente mais alto, pois o preço pago pela

matéria-prima é compensador.

Discussão

Após os cálculos de VPL, pode-se perceber

que o PE verde trará mais lucro para a indústria,

o PE Natural resultou em um VPL de R$

5.118,4864 e o PE verde de R$ 8.010,8915,

ambos superam a expectativa da empresa de

uma taxa no percentual de 20%, porém percebemos

nitidamente que o PE verde trará ainda

mais lucro para a empresa, com um percentu-


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Artigo 2

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al de 56% em realação do PE Natural, esse resultado

confirma nossa hipotese que ela seria

mais lucrativa pois o valor da matéria-prima

é mais alta.

A substituição da matéria-prima será uma

boa estratégia, apesar de no inicio o fato de ser

uma matéria-prima mais cara e assim consequentemente

um produto final mais caro trazer

preocupação para nós, fizemos pesquisas

que nos provam que pagar mais caro por um

produto que ajuda o meio ambiente é compensador.

As pesquisas mostram também que

essa estratégia pode encorajar a indústria a ser

mais sustentável, atualmente, a sustentabilidade

e a lucratividade estão andando juntas,

os clientes estão mais preocupados com o

meio ambiente e estão dispostos a pagar mais

caro para se obter um material que ajudará o

meio ambiente e não contribuirá para o aquecimento

global.

Segundo Sr Claudio Czarnobai, analista de

mercado da Nielsen, empresa global de informação,

os consumidores estão se preocupando

mais com questões sociais da atualidade.

Eles estão a procura de produtos e serviços

que venham de empresas que são socialmente

responsáveis.

Uma pesquisa realizada pela Union + Webster,

diz que uma indústria sustentável, além de

ser ambientalmente correta, tem como ponto

positivo a competitividade da instituição. Esse

beneficio é comprovado por meio do resultados

dessas pesquisas, que traz como feedback

um percentual de que 87% da população brasileira

preferem comprar produtos e solicitar

serviços de empresas sustentáveis e 70% dos

entrevistados também afirmaram que não se

importam em pagar um pouco mais por isso.

Através da análise de lucratividade percebemos

que o PE Verde trará para a indústria um

lucro de 52% em relação ao lucro que o PE

Natural traz a ela. Esse investimento é viável,

pois não será necessário troca de maquinário,

uma vez que o material é bem parecido com o

já utilizado. Além disso, o lucro é visivelmente

mais alto, pois o preço pago pela matéria-prima

é compensador.

Conclusão

O desenvolvimento desse trabalho foi muito

importante para os autores ampliarem o conhecimento

sobre o tema e trouxe também

muito orgulho, pois trata-se de uma tema

um tanto desafiador e que ao mesmo tempo

consegue passar uma imagem de confiabilidade

e de preocupações com gerações futuras.

Discutir aspectos relacionados ao ambiente

traz uma responsabilidade e exige argumentos

que provem que é necessário pensar no

futuro do ambiente e que sermos sustentáveis

hoje em dia é a melhor opção, tanto na vida

pessoal quanto na profissional, envolvendo

principalmente Industrias que costumam ser

os maiores poluentes e contribuidores para o

aquecimento global.

Investir em sustentabilidade deve ser uma

das prioridades em todas empresas, esse é

o futuro, a maioria dos clientes já buscam

por empresas que se enquadrem dentro

desses critérios da sustentabilidade, para

muitas será desafiador essa transformação,

pois como qualquer outro investimento

existe riscos de negócio e por isso deve ser

feito uma estratégia como essa desenvolvida

nesse trabalho. Isso nos reforça a importância

que foi apresentado nesse trabalho

de se transformar uma empresa comum em

sustentável.

Partindo do objetivo que foi criar uma estratégia

para transformar uma Industria de embalagens

plásticas em uma Industria sustentável,

verificou-se que a sustentabilidade e a

lucratividade andam juntas e que transformar

uma empresa em sustentável exige investimento

e que ele é viável pelo fato que trará

uma maior lucratividade.

Por fim, ser uma empresa sustentável, é

conceber, se ajustar e ser gerenciada para que

seja perene e para que sempre seja uma colaboradora

com o desenvolvimento da sociedade

em que está implantada e para que deixe sua

contribuição positiva no progresso da humanidade.

Essa estratégia sugerida nesse trabalho é

um grande passo para a transformação da empresa,

porém ainda existe um longo caminho

para ser totalmente sustentável, a sustentabilidade

empresarial é um conjunto de ações que

a empresa toma, junto com seus colaboradores

também, como sugestão de trabalhos futuros,

afim de dar continuidade a exploração desse

tema, é o conjunto de ações para a sustentabilidade

empresarial que podem ser: Diminuir

o consumo de descartáveis na empresa,

como copos de água, cafezinho, entre outros;

Infraestrutura da empresa, manter em dia as

manutenções para evitar vazamento de água;

O uso do ar condicionado apenas quando for

necessário e sempre manter janelas e portas

fechadas; lâmpadas de LED com sensores de

presença; Reduzir o consumo de água, torneiras

temporizadas pode ser uma ótima opção;

Incentivar o uso de transportes alternativos;

enfim, conscientizar clientes, fornecedores e

funcionários para trabalharem sempre juntos

em busca de um futuro melhor, para que os

problemas ambientais não afetem nossa qualidade

de vida, e assim as nossas gerações futuras

possam usufruir do que temos hoje.


Referências

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2019 (On-line). Disponível em: https://www.tudosobreplasticos.

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Única. Alimento e energia sustentável para o Brasil e para o

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Acesso em: 17 set. 2019.

Yin RK. Estudo de caso: planejamento e métodos. 3 ed., Porto

Alegre: Bookman, 2005. p.32.

Complemento Normativo - Artigo 2

Referente ao artigo 2

Disponibilizado por Analytica em parceria com Arena Técnica

A Sustentabilidade como Ferramenta Estratégica: uma aplicação

em indústria de embalagens plásticas

ISO 20887

Sustainability in buildings and civil engineering works — Design for

disassembly and adaptability - Principles, requirements and guidance

Norma publicada em: 01/2020. / Status: Vigente.

Classificação 1: Edifícios em geral.

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: A SUSTENTABILIDADE COMO FERRAMENTA ESTRATÉGICA: uma aplicação

em indústria de embalagens plásticas

Entidade: ISO.

País de procedência/Região: Suiça.

https://www.iso.org/standard/69370.html

SAE J2965

Glossary of Terms in Use in Green Innovation and Sustainable

Practices in the Automotive Industry

Norma publicada em: 06/2013. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: A SUSTENTABILIDADE COMO FERRAMENTA ESTRATÉGICA: uma aplicação

em indústria de embalagens plásticas

Entidade: SAE.

País de procedência/Região: EUA.

https://www.sae.org/standards/content/j2965_201306/

ABNT NBR ISO 26000

Diretrizes sobre responsabilidade social

Norma publicada em: 11/2010. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: A SUSTENTABILIDADE COMO FERRAMENTA ESTRATÉGICA: uma aplicação

em indústria de embalagens plásticas

Entidade: ABNT.

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https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=80778

ISO 14001

Environmental management systems - Requirements with

guidance for use

Norma publicada em: 09/2015. / Status: Vigente.

Classificação 1:Gestão ambiental.

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: A SUSTENTABILIDADE COMO FERRAMENTA ESTRATÉGICA: uma aplicação

em indústria de embalagens plásticas

Entidade: ISO.

País de procedência/Região: Suiça.

https://www.iso.org/standard/60857.html

ABNT NBR ISO 14004

Sistemas de gestão ambiental - Diretrizes gerais para a implementação

Norma publicada em: 02/2018. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: A SUSTENTABILIDADE COMO FERRAMENTA ESTRATÉGICA: uma aplicação

em indústria de embalagens plásticas

Entidade: ABNT.

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https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=91542

ABNT NBR ISO 20400

Compras sustentáveis — Diretrizes

Norma publicada em: 11/2017. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: A SUSTENTABILIDADE COMO FERRAMENTA ESTRATÉGICA: uma aplicação

em indústria de embalagens plásticas

Entidade: ABNT.

País de procedência/Região: BRASIL.

https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=382915

Revista Analytica | Abr/Mai 2020

29


Análise de Minerais

Laboratório

LEAN Manufacturing

Nos laboratórios de análises de minerais em todo o

mundo, uma boa parte das atividades pré-analíticas

é dedicada ao que se convencionou denominar preparação

de amostras. Em geral, os laboratórios possuem

uma infinidade de equipamentos dedicados a

cominuir a amostra, homogeneizá-la e dividi-la em

partes; após estas etapas, uma destas partes é submetida

a nova redução granulométrica. Este processo

segue ciclicamente, até que se tenha uma quantidade

representativa da amostra inicial com granulometria

extremamente fina para que possa ser destinada a

análise química.

Como as operações de minérios, em especial, o

minério de ferro, possuem volumes significativos de

produção e, por conseguinte, várias operações unitárias

produtivas, então, uma série de amostras é coletada

ao longo do processo produtivo e direcionada

aos laboratórios de análises minerais. Nestes laboratórios,

uma série de atividades cíclicas, como acima

mencionado é executada demandando um alto volume

de recursos, sejam eles humanos, materiais e de

equipamentos e seus sobressalentes.

Em geral, com o objetivo de garantir maior velocidade

e precisão nos processos de preparação

de amostras, os gestores deste fluxo produtivo,

buscam identificar gargalos operacionais e novos

equipamentos e tecnologias que permitam entregar

melhores indicadores produtivos do sistema sob sua

responsabilidade.

Acompanhando detalhadamente a rotina operacional

de um laboratório de preparação de amostras,

este tipo de laboratório possui um fluxo extremamente

bem definido que diverge, em determinados

casos, apenas pela granulometria inicial do minério

a ser analisado. Isto instiga a pensar neste processo

efetivamente como uma linha de produção de automóveis,

onde etapas sequenciais repetitivas são

executadas e busca-se sobremaneira o ganho de produtividade

para permitir que sem adições recursos se

consiga o aumento de produção esperada.

Ao se pensar em linhas de produções de veículos,

automaticamente, vêm à cabeça a TOYOTA. A montadora

japonesa é uma das referências mundiais em

termos de produtividade e lucratividade, além de ter

desenvolvido ao longo de muitos anos, metodologias

de processo e qualidade que se tornaram referência.

Uma das mais famosas é o LEAN Manufacturing que

vem sendo utilizada cada vez mais longe dos ambientes

automobilísticos.

“Lean manufacturing, traduzível como manufatura

enxuta ou manufatura esbelta, e também chamado

de Sistema Toyota de Produção é uma filosofia de gestão

focada na redução dos sete tipos de desperdícios

(super-produção, tempo de espera, transporte, excesso

de processamento, inventário, movimento e defeitos).

Eliminando esses desperdícios, a qualidade melhora

e o tempo e custo de produção diminuem. As ferramentas

“lean” incluem processos contínuos de análise

(kaizen), produção “pull” (no sentido de kanban) e

elementos/processos à prova de falhas (Poka-Yoke).

Os pontos-chave do lean manufacturing são:

Qualidade total imediata - ir em busca do “zero defeito”,

e detecção e solução dos problemas em sua origem.

Minimização do desperdício - eliminação de todas

as atividades que não têm valor agregado e redes de

segurança, otimização do uso dos recursos escassos

(capital, pessoas e espaço).

Melhoria contínua - redução de custos, melhoria da

qualidade, aumento da produtividade e compartilhamento

da informação

Processos “pull” - os produtos são retirados pelo

cliente final, e não empurrados para o fim da cadeia

de produção.

Flexibilidade - produzir rapidamente diferentes

lotes de grande variedade de produtos, sem comprometer

a eficiência devido a volumes menores de

produção.

Construção e manutenção de uma relação a longo

prazo com os fornecedores tomando acordos para

compartilhar o risco, os custos e a informação.” 1

Ao analisarmos a proposta do LEAN Manufacturing,

a sua aplicabilidade e os resultados obtidos nas

operações de empresas ao redor de todo o mundo.

Por tudo isto, vale, especialmente, no caso dos laboratórios

de preparação de amostras para a análise mineral,

um aprofundamento nesta filosofia de gestão

como uma grande oportunidade de aprendizado e

crescimento organizacional.

Laboratórios buscam a priorização do tempo para

a entrega dos resultados analíticos aos seus clientes

e, por muitas vezes, tomam medidas que atuam em

um problema específico mas que pode levar a efeitos

colaterais perversos, como sobrecarga de esforços por

parte do operador, deslocamentos longuíssimos, excesso

de insumos na área de trabalho, entre uma série

de outros que são muito comuns e conhecidos pelos

gestores e operadores do processo produtivo.

A filosofia LEAN Manufacturing pode trazer ganhos

inimagináveis apenas pelo uso de ferramentas

simples que a compõe como, por exemplo, o uso do

kanban e Poka-Yoke (elementos/processos à prova de

falhas). Aplicações já realizadas em laboratórios de

preparação de amostras em diversas empresas demonstram

significativos ganhos a partir da implantação;

porém, de tudo, a abertura ao novo modelo e

o engajamento de gestores e empregados é mais do

que essencial para o sucesso da filosofia.

Ou seja, o envolvimento de todos é a chave para

aceitação e mudança dos modelos atuais utilizados

para um modelo que possui eficácia e resultados

comprovados em uma série de outras indústrias; e,

possui resultados em locais e atividades específicas

em laboratórios de análise mineral.

Inovar vai além de construir o novo! Inovar é estar

aberto a possibilidades de reconstruir o que já está

pronto, inclusive, a partir da mudança da filosofia

de gestão implantada. O tradicional laboratório “à

moda antiga” está cada vez mais distante e operações

laboratoriais automatizadas com análises

de dados, inteligência artificial, aprendizado de

máquina estão cada vez mais próximas. Inovar é ser

capaz de se diferenciar, mas não apenas com máquinas.

Novos modelos operacionais sempre trarão

resultados e neste aspecto o LEAN Manufacturing já

foi testado e aprovado.

A cada dia entregar mais rápido, com qualidade e

com o mínimo de recursos é o mantra que é seguido

por todas as empresas. Em laboratórios, então, nem

se fala. Investimentos em equipamentos estão se

tornando escassos.

Por que não fazer uso de uma filosofia ou de algumas

ferramentas dela para catapultar o seu laboratório

rumo a excelência? A escolha é sempre sua!

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lean_manufacturing, acessado

em 18.05.2020, às 09:59.

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Revista Analytica | Abr/Mai 2020

Eduardo Pimenta de Almeida Melo

Eduardo Pimenta de Almeida Melo é Engenheiro Químico, Gerente de Laboratórios da CSN Mineração, MBA em Gestão Empresarial, Pós–Graduado

em Gestão de Laboratórios e Especializado em Data Science. Coordenador da Comissão de Estudos para Amostragem e Preparação de

Amostras em Minério de Ferro para a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

LinkedIn: https://br.linkedin.com/in/eduardo-melo-16b22722

Telefone: 31 3749 1516 - E-mail: eduardo.melo@csn.com.br


Espectrometria de Massa

A cromatografia líquida acoplada à

espectrometria de massas em Tandem

HPLC-MS/MS

Por Oscar Vega Bustillos*

A cromatografia líquida acoplada à espectrometria

de massas é, atualmente, a técnica que

possibilita a análises de diversas substâncias com

ampla caracterização de polaridade e massa molecular.

Na cromatografia é feita a separação dos

componentes de uma mistura entre duas fases:

uma fixa e de grande área superficial denominada

fase estacionária, e um fluido que interage com a

fase fixa, chamado fase móvel. As partes principais

de um cromatógrafo são bomba, o injetor, a

coluna e o detector (Figura 1).

A espectrometria de massas é uma técnica para

análise à nível traços, especialmente os compostos

orgânicos. Entretanto, os analitos devem ser

base de íons na fase gasosa. O acoplamento era

mais complexo pela necessidade de eliminar o

solvente líquido da eluição da coluna cromatográfica,

além da LC funcionar a pressões positivas e

a MS num sistema de vácuo. Muitas adaptações

tecnológicas tiveram que ser desenvolvidas.

No desenvolvimento da Cromatografia Líquida

de Alta Eficiência CLAE em português e “High

Performance Liquid Chromatography HPLC” em

inglês, foram projetadas bombas de maior pressão

da fase móvel, de 50 a 350 bar, além da utilização

de menores colunas cromatográficas, com diâmetros

internos de 2 a 5 mm e comprimentos de 30

a 250 mm, dimensões diferentes comparadas à

uma fase móvel aquosa são adsorvidos preferencialmente

em um material orgânico estacionário,

revestida num suporte sólido. Os compostos

são, então, eluídos sucessivamente, usando uma

transição progressiva denominado gradiente, na

composição da fase móvel, a partir da água ao

orgânico, por exemplo, da água ao acetonitrilo. A

ordem de eluição dos componentes da amostra é

uma função das mudanças de solvente durante o

gradiente. Os compostos eluem em ordem de polaridade,

onde os compostos mais hidrofílicos são

os primeiros. A fase estacionária é não polar em

contraste com a fase polar usada na cromatografia

tradicional. É por isso que o método é conhecido

como de fase reversa.

34

Revista Analytica | Abr/Mai 2020

previamente ionizados. Portanto, este analisador

possui, basicamente, uma fonte de ionização,

analisador, detector e sistema de dados. Quando

possuem dois analisadores, com uma célula de

colisão entre eles, são chamados de Tandem, onde

o primeiro analisador identifica o íon precursor e

no segundo analisador, os íons produtos (Figura

2).

O acoplamento da cromatografia líquida LC à espectrometria

de massas MS foi um processo muito

complexo porque, a LC é utilizada para compostos

não voláteis, sendo a fase móvel um líquido e

neste estado da matéria era impossível introduzir

os compostos num analisador MS que funciona à

cromatografia líquida tradicional. Estas modificações

foram necessárias para separar pequenas

quantidades de amostras.

A técnica HPLC-MS abre novos caminhos

para elucidar a estrutura da matéria biológica. A

maior parte dos sistemas biológicos são aquoso

e formados por composta não voláteis, polar e

frequentemente de alta massa molecular, onde

essas características impedem sua análise via GC/

MS. Já a análise de tais compostos é possível via

HPLC-MS. A polaridade dos compostos biológicos

foi um desafio que levou ao desenvolvimento de

HPLC de fase reversa. A premissa deste tipo de

separação é de que os compostos orgânicos em

Outro desenvolvimento foi a criação de uma

interfase entre o HPLC e MS, cuja função é converter

o eluente da coluna, que possui os analitos,

de líquido para íons na fase gasosa à pressão

atmosférica, além de eliminar o solvente. Este

desenvolvimento concedeu o Prêmio Nobel para

John Fenn que descobriu a fonte de íons “Elestrospray

Ionization ESI” (ver ANALYTICA 98). As

outras interfases mais utilizadas no HPLC-MS são

a Ionização Química a Pressão Atmosférica ou “Atmospheric

Pressure Chemical Ionization – APCI”

(ver ANALYTICA 97) e Foto Ionização a Pressão

Atmosferica ou “Atmospheric Pressure Photo Ionization

– APPI”. As três interfases, ESI, APCI e APPI


Espectrometria de Massa

do HPLC-MS conseguem transferir os analitos da

coluna cromatográfica liquida para o interior do

MS na forma de íons gasosos. Isto foi um salto

enorme no desenvolvimento analítico. Na Figura 3

apresenta a capacidade analítica destas interfases

em função da polaridade dos analitos e da massa

molecular em Da, analisadas. Nesta figura é comparada

também a capacidade analítica do GC/MS

que é versátil para analitos apolares e massas menores

que 1.000 Da.

No sistema HPLC-MS/MS, a amostra é introduzida

pelo injetor na fase móvel e segue para a

coluna contendo a fase estacionária. Na coluna,

estes compostos são separados e eluídos com determinados

tempos de retenção (TR) dependendo

da interação entre coluna e fase móvel. Após

a eluição, estes compostos são introduzidos no

espectrômetro de massas na fonte de ionização,

ocorrendo a ionização e evaporação do solvente.

Formados os íons, estes seguem para o primeiro

analisador quadrupolo, em que os íons precursores,

[M+H]+ ou [M-H]-, são determinados

segundo a razão massa / carga (m/z). Após a

determinação m/z dos íons precursores, estes são

encaminhados para uma célula de colisão, segundo

quadrupolo, colidindo com o gás nitrogênio,

formando fragmentos que são determinados no

segundo analisador, terceiro quadrupolo. Este

processo é chamado de “Multiple Reaction Monitoring

MRM”, que permite o monitoramento entre

os íons precursores e íons produtos selecionados,

aumentando a sensibilidade nas análises.

As vantagens analíticas do desenvolvimento

do HPLC-MS/MS são as seguintes:

• Aumento da gama de analitos a serem estudados

desde medicamentos e metabólicos de

massas em torno de 1.000 Da até biopolímeros

de alta massa molecular, maiores que 100.000 Da

(Figura 4).

• O MS em Tandem é o melhor detector do HPLC

que permite determinar a massa molecular, além

de informar a estrutura molecular, fornecendo a

identificação inequívoca do analito em estudo.

• A alta seletividade do MS permite o uso de

analitos marcados isotopicamente como padrões

que juntamente com a alta sensibilidade, permite

uma precisão e exatidão quantitativa do analito.

• O HPLC-MS/MS tornou-se uma das técnicas

analíticas mais amplamente utilizadas nas ciências

da vida. Análises de diferentes classes de biomoléculas:

peptídeos, proteínas, ácidos nucleicos,

oligossacarídeos e lipídios, estão sendo estudadas.

Fonte: Malviya, R. et al.

Figura 1: Esquema de um HPLC. a) Reservatório de fase

móvel; b) Desgaseificador; c) Bomba; d) Injetor de amostra;

e) Compartimento de coluna; f) Coluna; g) Detector; h) Processador

de dados.

Fonte: Hoffmann, E., et al.

Figura 2: Esquema de um espectrômetro

de massas em tandem.

Fonte: Ardrey, R.E.

Figura 3: Alternativas de ionização do HPLC-MS utilizando as

interfases ESI e APCI em função da polaridade do analito e da

massa molecular (Da). Comparação com o analisador GC/MS.

Fonte: Ardrey, R.E

Figura 4: Espectro de massas da mioglobina do coração do

cavalo via HPLC-MS/MS com fonte Electrospray.

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*Oscar Vega Bustillos

Pesquisador do Centro de Química e Meio Ambiente CQMA do Instituto de Pesquisas

Energéticas e Nucleares IPEN/CNEN-SP.

Tel.: 55 11 3133-9343 E-mail: ovega@ipen.br - Site: www.vegascience.blogspot.com.br

Revista Analytica | Abr/Mai 2020

35


Metrologia

Desenvolvimento de Artefatos de

Comparação Laboratorial em Temperatura

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Revista Analytica | Abr/Mai 2020

A EIT atualmente em vigor é a Escala Internacional

de Temperatura de 1990 (EIT-90) [1],

definida por 17 pontos fixos de substâncias

quimicamente puras, podendo ser pontos de

solidificação, pontos triplos ou de fusão. Basicamente

engloba uma faixa de temperatura

que vai desde as temperaturas criogênicas,

próximas ao zero absoluto, até a temperatura

de solidificação do cobre (1084,62 °C).

Recentemente, o BIPM colocou em vigor o

novo SI [2], onde as grandezas de base do

sistema são definidas por constantes universais

e não mais ficam referenciadas a artefatos

físicos. No caso da temperatura, a unidade

de temperatura termodinâmica Kelvin

fica definida em termos da constante de radiação

de Boltzmann e não mais como sendo

1/273,16 da temperatura do ponto triplo da

água. Essa mudança é mais filosófica do que

prática, uma vez que não haverá diferença

entre a definição anterior e a atual. Inclusive

essa foi uma condição para a sua aprovação,

visto que qualquer modificação implicaria

em altos custos para todos que necessitam

medir temperatura em todas as aplicações.

Para temperatura, o novo SI também não

impõe que sejam implementados os experimentos

para reproduzir os valores de definição

do Kelvin. Assim sendo, não é necessário

realizar algum dos experimentos para medir

a constante de Boltzmann e assim definir a

unidade de temperatura. A realização do

ponto triplo da água tal qual é feita hoje é

plenamente compatível com a nova definição

do Kelvin.

Apesar de poderem ser medidas temperaturas

acima do ponto do cobre, os erros

eventualmente cometidos ficam inaceitavelmente

grandes à medida que nos

afastamos dessa referência. Esse era um

problema que já aparecia antes e continua

a existir, devido à falta de pontos de referência

para temperaturas acima de 1084,62

°C. A rastreabilidade dessas temperaturas

se apóia em quaisquer um dos três pontos

de referência da EIT-90, os pontos de solidificação

da prata, ouro ou cobre, e a linearidade

de um termômetro de radiação.

Na natureza até são encontradas substâncias

com ponto de fusão (e solidificação) acima

da temperatura de solidificação do cobre, o

problema é manter a pureza dessas substâncias

durante a sua utilização. Como o material

que contém essas substâncias nas células

de pontos fixos geralmente é o grafite (estado

alotrópico do carbono), sob a forma de

cadinhos, em altas temperaturas esses átomos

de carbono migram para a matriz metálica,

causando modificações na temperatura

de realização. Esse é um processo contínuo,

praticamente inviabilizando a utilização

dessas substâncias. Também foram tentadas

outras substâncias para fabricação dos cadinhos,

como as cerâmicas à base de alumina

(Al2O3) de alta pureza. Além do problema

de contaminação também não ser evitado,

sua fragilidade e susceptibilidade a choques

térmicos não permitiram a sua utilização.

Entre o final do século 20 e a primeira década

do atual, um pesquisador do instituto

nacional japonês de metrologia (NMIJ),

Yoshiro Yamada, propôs a utilização de ligas

eutéticas metal-carbono como referência de

temperatura acima do ponto fixo do cobre.

Basicamente |o Dr. Yamada descobriu que ao

longo da curva de fusão de uma liga eutética

metal carbono, havia um ponto de temperatura

que apresentava um repetibilidade

adequada para ser utilizado como referência

de temperatura. Ao contrário das substâncias

puras, que durante a mudança de fase apresentam

temperaturas estáveis, no caso das

ligas eutéticas isso não é possível. Não obstante,

foi observado que o ponto de inflexão

da curva de fusão dessas ligas eutéticas era

altamente reprodutível.

Assim sendo, inúmeras substâncias foram

então estudadas, primeiramente as de temperaturas

mais baixas como o Fe-C (1153

°C) ou o Ni-C (1329 °C), até temperaturas

extremamente elevadas como o Ru-C (1953

°C) ou o Ir-C (2292 °C) e outras substâncias,

conforme tabela 1. Algumas dificuldades foram

encontradas no desenvolvimento dessas

células de pontos fixos de ligas eutéticas,

como por exemplo técnicas de enchimento

dos cadinhos, ou compatibilizar a expansão

térmica da liga eutética com a do grafite utilizado.

Atualmente praticamente todos esses problemas

foram resolvidos, graças à contribuição

de vários pesquisadores dos Institutos

Nacionais de Metrologia mais desenvolvidos

do mundo.


Metrologia

Tabela 1: Temperaturas das ligas eutéticas usadas

em termometria.

De forma a manter harmônica a realização da

escala internacional de temperatura ao redor

do mundo, são realizadas comparações laboratoriais

envolvendo as diferentes regiões e sub-

-regiões metrológicas do mundo. Tais comparações

envolvem diferentes tipos de sensores, de

acordo com a faixa de temperatura pretendida,

e são organizadas pelo Comitê Consultivo de

Temperatura (CCT) do Bureau International des

Poids et Mesures (BIPM), entidade que congrega

especialistas na área, da maioria dos países

signatários da convenção do metro.

As primeiras experiências de comparações

laboratoriais utilizando células eutéticas revelaram

um inconveniente, uma vez que as

temperaturas de transição dessas ligas já eram

conhecidas de todos, isso não garantia uma

determinação de temperatura isenta pelos

laboratórios participantes.

De forma a contornar esse problema, foi proposta

a dopagem dessas ligas eutéticas com outras

substâncias, de forma a alterar propositalmente

e controladamente sua temperatura de transição

[3]. Essa pesquisa foi inclusive tema de tese

de doutorado deste autor, na PUC-Rio, em 2013

[4]. Nesse trabalho, foram dopadas células eutéticas

de Ni-C com duas substâncias em duas

concentrações diferentes. Basicamente, foi utilizado

estanho como dopante para duas células,

nas concentrações de 392 ppm e 828 ppm e

cobre em outras duas células, nas concentrações

de 4168 ppm e 7686 ppm. O efeito da dopagem

pode ser observado na tabela 2. O projeto,

enchimento e medição das células foi realizado

no Inmetro, bem como toda a parte de caracterização

e calibração do termômetro de radiação

utilizado, KE-LP3.

Tabela 2: Temperaturas das células.

Extensivos estudos revelaram que a temperatura

foi modificada sutilmente e de forma

diversa com as duas substâncias, mas o suficiente

para ser utilizada como artefato de

comparação laboratorial.

Figura 1: Célula eutética para termometria de radiação.

Todas as medições foram realizadas no Laboratório

de Pirometria da então Divisão de Metrologia

Térmica do Inmetro, sendo inclusive

realizada comparação laboratorial [5] com o

Laboratório de Termometria de Radiação do

National Physical Laboratory (NPL) da Inglaterra,

o qual recebeu duas células dopadas

para medir sem que soubesse a priori a sua

temperatura de realização. Além de demonstrar

a viabilidade da sua utilização, essa comparação

revelou que naquela ocasião (2012-

2013), a escala de temperatura praticada no

Laboratório de Pirometria estava plenamente

compatível com a do NPL, como pode ser observado

na tabela 3.

Tabela 3: Resultado da Comparação Laboratorial do Inmetro com

o NPL (UK)

Trabalhos adicionais de estabilidade de longo prazo,

[6] foram conduzidos e apresentaram excelente

desempenho, de forma que na atual comparação

- chave do BIPM (CCT-K10) [7] uma célula

dopada, originalmente fornecida pelo Inmetro,

fez parte dos artefatos envolvidos nessa comparação.

A fase de medições dessa comparação já foi

concluída e o primeiro relatório está em fase final

de análise pelos participantes.

Pelas informações atualmente disponíveis no

relatório preliminar, as células eutéticas dopadas

são uma excelente opção para artefato de comparações

interlaboratoriais em altas temperaturas,

permitindo que se avalie a real capacidade

de medição dos laboratórios participantes.

Referências Bibliográficas

[1] https://www.bipm.org/utils/common/pdf/ITS-90/ITS-90.pdf

[2] https://www.bipm.org/utils/common/pdf/si-brochure/

SI-Brochure-9-EN.pdf

[3] Teixeira, R., Machin, G. & Orlando, A. Development of High-

-Temperature Fixed Points of Unknown Temperature Suitable for

Key Comparisons. Int J Thermophys 35, 467–474 (2014). https://

doi.org/10.1007/s10765-014-1571-y

[4] Teixeira, Renato Nunes; Orlando, Alcir de Faro; Machin, Graham.

Development of high temperature comparison artefacts for radiation

thermometry. Rio de Janeiro, 2013. 120 p. Tese de Doutorado -

Departamento de Engenharia Mecânica, Pontifícia Universidade

Católica do Rio de Janeiro.

[5] Machin, G., Teixeira, R., Lu, X. et al. Bilateral Comparison Between

NPL and INMETRO Using a High-Temperature Fixed Point of Unknown

Temperature. Int J Thermophys 36, 327–335 (2015). https://doi.

org/10.1007/s10765-014-1749-3

[6] Teixeira, R.N., Machin, G. Long-Term Stability Evaluation of a Sn-Doped

Ni–C Eutectic Cell Suitable for Radiation Thermometry. Int J Thermophys

38, 80 (2017). https://doi.org/10.1007/s10765-017-2205-y

[7] https://www.bipm.org/kcdb/comparison/doc/download/903/cct-k10_technical_protocol.pdf

Renato Nunes Teixeira

Possui graduação em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal Fluminense (1988), mestrado em Engenharia Mecânica pela Pontifícia Universidade Católica

do Rio de Janeiro (1992) e doutorado em Engenharia Mecânica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2013). É servidor do Inmetro desde

1998, tendo atuado na implantação dos laboratórios de pirometria e de higrometria da Divisão de Metrologia Térmica (Diter) da Diretoria de Metrologia Científica

e Tecnologia (Dimci). Participou ativamente de diversos projetos junto ao CNPq, tendo chefiado a Diter de 2008 a 2015. Possui vasta experiência em metrologia

térmica, higrometria e calorimetria, tendo publicado diversos trabalhos técnicos em renomadas publicações internacionais, além de ter apresentado diversos trabalhos

em congressos internacionais da área. Desde 2016 se dedica à Diretoria de Metrologia Legal, chefiando a Divisão de Gestão Técnica (Dgtec) de 2017 a 2020.

Revista Analytica | Abr/Mai 2020

37


Microbiologia

Antimicrobianos e COVID-19:

Estratégias para o tratamento de uma pandemia American Society of Microbiology

38

Revista Analytica | Abr/Mai 2020

Em março de 2020, o Presidente Donald Trump

apresentou a cloroquina, um medicamento

na Lista Modelo de Medicamentos Essenciais

da OMS, e a hidroxicloroquina, seu derivado,

como possíveis opções de tratamento para o

novo coronavírus, SARS-CoV-2. Os resultados

positivos de estudos preliminares indicam que a

hidroxicloroquina, um medicamento antimalárico,

tem o potencial de melhorar os resultados da

doença e possivelmente retardar a progressão do

COVID-19. No entanto, as autoridades afirmaram

que são necessários dados adicionais antes que

o medicamento possa ser aprovado como um

tratamento eficaz para a doença.

Desde a época deste anúncio, os holofotes

foram lançados sobre a hidroxicloroquina.

O que há de tão especial neste medicamento?

Como isso afeta o SARS-CoV-2? E que outros

medicamentos são candidatos ao tratamento

desse novo vírus?

Para responder a essas perguntas, precisamos

começar com um entendimento básico de

como os vírus funcionam. Os vírus são agentes

microscópicos que consistem em material

genético (DNA ou RNA), um revestimento

protéico chamado capsídeo e, às vezes, um

envelope lipídico. Eles só podem se replicar

dentro de células hospedeiras vivas, o que

significa que eles devem seqüestrar máquinas de

células hospedeiras para replicar e se espalhar.

O que é necessário para um vírus

seqüestrar células e causar infecção

1. Encontre e conecte-se a uma célula

hospedeira.

2. Penetração. Injete material genético nessa

célula.

3. Síntese de componentes virais. Copie o

DNA ou RNA viral e crie proteínas virais usando

materiais de células hospedeiras.

4. Montagem. Construa partículas virais

adicionais a partir de partes virais recémsintetizadas.

5. Lançamento. Fuja da célula hospedeira e

procure novas células para infectar.

O que sabemos sobre o COVID-19

SARS-CoV-2 é um novo vírus. Não tínhamos

conhecimento, experiência ou imunidade a esse

patógeno quando ele apareceu pela primeira

vez no final de 2019. O fato de o SARS-CoV-2

se espalhar tão rapidamente aumentou os já

formidáveis desafios associados ao combate a um

novo vírus. Surpreendentemente, pesquisadores e

profissionais de saúde fizeram grandes progressos

para entender melhor o COVID-19 nos últimos

meses. Por causa de seus esforços, aprendemos

muito em pouco tempo.

SARS-CoV-2 faz parte da família Coronaviridae

. Como o MERS-CoV e o SARS-CoV, é um

Betacoronavírus. Provavelmente se originou em

morcegos e pode causar doenças respiratórias

graves em humanos.

O genoma do SARS-CoV-2 tem aproximadamente

30kb de tamanho. É um vírus de RNA de fita simples,

de sentido positivo, envolto.

O receptor humano para SARS-CoV-2 é a

enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2).

Esta enzima está envolvida na regulação da

pressão arterial e é expressa por células do

coração, pulmões, rins e intestinos.

SARS-CoV-2 liga-se a ACE2 através de

proteínas de superfície em forma de cogumelo

chamadas proteínas de pico. Essas proteínas

spike são o que dão ao vírus a aparência de uma

coroa e são de onde vem o nome ‘coronavírus’.

Muitos sintomas associados ao COVID-19 são

causados pelo sistema imunológico do paciente,

não pelo próprio vírus.

Cloroquina e hidroxicloroquina

Uma estratégia possível para o tratamento de

SARS-CoV-2 é controlar o sistema imunológico

do hospedeiro. Evidências mostram que altos

níveis de inflamação acompanham os casos

mais graves de COVID-19. Respostas imunes

hiperativas (não controladas) podem levar à

Síndrome da Tempestade de Citocinas, Síndrome

do Desconforto Respiratório Agudo e eventual

falência de órgãos. Diminuir a inflamação ajuda a

manter os pulmões e outros órgãos funcionando

corretamente durante a infecção viral.

O mecanismo: supressão imunológica

A cloroquina e a hidroxicloroquina reduzem a

autofagia (destruição auto-regulada das células

hospedeiras), interferem na sinalização do

receptor tipo Toll (TLR) e diminuem a produção

de citocinas. Como resultado, a inflamação é

controlada e as respostas imunes são menos

graves.

As evidências sugerem que a cloroquina e a

hidroxicloroquina também podem interferir na

glicosilação dos receptores celulares SARS-CoV-2

e impedir a fusão vírus / célula, aumentando o

pH endossômico.

Atualmente, esses dois medicamentos

são aprovados pela FDA para o tratamento

da malária, artrite reumatóide e lúpus e

demonstraram atividade in vitro contra SARS-

CoV e SARS-CoV-2.

Os dados

Um estudo preliminar envolvendo 36

pacientes com COVID-19 na França mostrou

resultados encorajadores. 6 pacientes no estudo

eram assintomáticos, 22 apresentaram sintomas

de infecções do trato respiratório superior e 8

apresentaram sintomas de infecções do trato

respiratório inferior. 20 foram tratados com

hidroxicloroquina (600 mg por dia, em ambiente

hospitalar). Dentro de 6 dias, o vírus não era

mais detectável em 70% das amostras colhidas

em pacientes que receberam tratamento. Por

outro lado, apenas 12,5% dos pacientes que não

receberam o tratamento com hidroxicloroquina

haviam eliminado o vírus.

Outro estudo envolvendo 100 pacientes na China

relatou que a cloroquina foi eficaz na diminuição

da pneumonia e na duração da doença.


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Microbiologia

Ensaios controlados maiores para determinar

a eficácia desses medicamentos à medida que

falamos sobre o tratamento com COVID-19.

Remdesivir

Outra estratégia possível para o tratamento de

SARS-CoV-2 é impedir a replicação do vírus. Se o

genoma viral não for copiado, o vírus não poderá

se reproduzir e a infecção será eliminada. Notese

que essa não é uma abordagem única para

todos. Nem todos os medicamentos antivirais

funcionam com todos os vírus. Os micróbios têm

propriedades únicas e muitas vezes distintas

que devem ser levadas em consideração ao

desenvolver planos de tratamento.

O Mecanismo: Inibição de Máquinas de

Replicação

O remdesivir é um medicamento antiviral

de amplo espectro que inibe a RNA polimerase

dependente de RNA, a enzima codificada por

vírus responsável pela cópia do código genético

da SARS-CoV-2. O bloqueio de uma enzima

necessária para a replicação do RNA impede o

vírus de fazer cópias de si mesmo e permite ao

corpo montar uma resposta eficaz para eliminá-lo.

O remdesivir demonstrou atividade profilática

e terapêutica contra MERS-CoV em primatas não

humanos, bem como atividade in vitro contra

SARS-CoV-2.

Os dados

O Centro Médico Davis da Universidade da

Califórnia, em Sacramento, CA, relatou um

tratamento bem-sucedido de uma paciente do

sexo feminino com COVID-19 usando remdesivir.

Esse paciente teve uma das primeiras infecções

por COVID-19 disseminadas pela comunidade

nos Estados Unidos. Os médicos confirmaram

que a condição da paciente era crítica antes do

tratamento, mas ela começou a mostrar sinais

de melhora no dia seguinte à administração

do remdesivir. Amostras do sangue do paciente

foram congeladas e mantidas para teste quando

os suprimentos se tornaram suficientemente

disponíveis.

Enquanto isso, vários ensaios clínicos para

avaliar a eficácia do remdesivir como tratamento

para o COVID-19 estão em andamento nos EUA

e na China. Os resultados desses estudos são

esperados em abril de 2020.

Anticorpos monoclonais

Outra estratégia para o tratamento do SARS-

CoV-2 é atacar o vírus diretamente. O bloqueio

da capacidade de um vírus de reconhecer,

anexar ou penetrar nas células hospedeiras

impedirá a infecção por completo. Em muitos

casos, nossos corpos fazem isso naturalmente

através da produção de anticorpos. Anticorpos

são proteínas que reconhecem e se ligam a

partículas estranhas, chamadas antígenos,

nos patógenos. Quando um anticorpo se liga a

um antígeno, ele pode neutralizar o micróbio

diretamente, impedindo a infecção por células

hospedeiras ou sinalizá-lo para destruição

pelo sistema imunológico. Os anticorpos são

produzidos naturalmente através da exposição e

recuperação de infecções.

O mecanismo:

Aprimorar o reconhecimento imunológico

SARS-CoV-2 é um novo vírus. Isso significa

que as pessoas que não foram infectadas

com ele não têm anticorpos para esse vírus

em seus bancos de memória imune. Mas as

pessoas que se recuperaram das infecções

por COVID-19 o fazem, e se cópias funcionais

(chamadas anticorpos monoclonais) podem

ser projetadas e reproduzidas em laboratório,

elas podem servir como anticorpos substitutos

para melhorar ou imitar o ataque do sistema

imunológico à SARS-CoV- 2)

Uma empresa chamada Regeneron está se

preparando para a fabricação em larga escala de

anticorpos monoclonais direcionados à proteína

spike SARS-CoV-2. Se tiverem sucesso, o

bloqueio das proteínas spike impedirá a ligação

viral às células hospedeiras e poderá prejudicar

completamente o vírus.

Essa estratégia tem sido especialmente eficaz

no tratamento de certos tipos de câncer e ensaios

clínicos de anticorpos monoclonais projetados

para tratar uma série de infecções bacterianas

e virais, incluindo Escherichia coli, Clostridium

difficile, HIV, vírus sincicial respiratório (RSV) e

vírus da raiva estão atualmente em andamento.

Os dados clínicos estão pendentes, mas

a Regeneron afirma ter isolado centenas

de anticorpos neutralizantes de vírus de

camundongos e recuperado pacientes com

COVID-19. A empresa começará a fabricar em

meados de abril, com a esperança de iniciar

testes em humanos no início deste verão.

Aprendemos muito sobre o novo coronavírus,

SARS-CoV-2, em pouco tempo, mas ainda há

muito a aprender. Esses resultados preliminares

devem servir de combustível para pesquisas

adicionais e busca contínua de tratamentos

eficazes com COVID-19.

Uma minirrevisão e um pequeno artigo,

publicado na Antimicrobial Agents and

Chemotherapy, uma revista da Sociedade

Americana de Microbiologia, sugerem que

os medicamentos terapêuticos direcionados

diretamente à SARS-CoV-2 serão mais

eficazes.

AUTOR: ASHLEY HAGEN

Ashley Hagen

Ashley Hagen é especialista em comunicação científica

na ASM.

40

Revista Analytica | Abr/Mai 2020

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Revista Analytica | Abr/Mai 2020

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Revista Analytica | Abr/Mai 2020

43


Em Foco

LIPODENDRIPLEXES: UMA ALTERNATIVA PROMISSORA

PARA TERAPIA GÊNICA

As terapias gênicas são uma promessa

tremenda para pacientes com muitas doenças

- de desordens genéticas a cânceres.

Os vetores não virais podem oferecer uma

alternativa segura, eficiente e não tóxica

ao uso de vírus para entregar genes nas

células alvo.

No entanto, dendriplexes e lipossomas têm

propriedades que podem afetar sua segurança e

eficiência. A criação de um sistema de polímero

revestido com lipídios que explora os benefícios

conjuntos dos lipossomas e dos dendrímeros

PAMAM (lipodendriplexes) pode ser uma estratégia

mais eficaz.

virais - com potencial para transferência eficiente

de genes com um melhor perfil de segurança.

Os próximos passos serão a realização de estudos

in vivo para explorar ainda mais o potencial

desta plataforma usando sistemas específicos

de genes direcionados contra diferentes tipos de

câncer e doenças genéticas.

44

Revista Analytica | Abr/Mai 2020

Os cientistas estão desenvolvendo novas maneiras

de modificar as células de um paciente

geneticamente para ajudar a combater uma doença.

Os vírus são de longe os vetores biológicos

mais eficientes para entregar um gene nas células-alvo.

Apesar de anos de pesquisa, pouquíssimas

terapias genéticas são aprovadas para uso

clínico, principalmente devido a preocupações

de segurança em relação ao uso de vetores virais.

Mas atualmente existe uma falta de sistemas de

entrega de vetores não virais eficientes que possam

ser usados como alternativas mais seguras.

Os pesquisadores estão explorando ativamente

uma ampla gama de estratégias e compostos de

entrega para desenvolver novos sistemas com as

propriedades ideais para transferência de genes.

Combinando Forças

O DNA livre é incapaz de entrar nas células e

normalmente é degradado na circulação sanguínea

antes que possa alcançar e entrar nas

células-alvo. Os vetores sintéticos podem oferecer

proteção contra a destruição, formando

complexos estáveis com ácidos nucléicos. Estes

podem então entrar eficientemente nas células,

liberando sua carga para alcançar o efeito terapêutico

desejado.

O dendrímero de poliamidoamina (PAMAM),

um polímero biodegradável que tende a se

complexar com ácidos nucléicos (formando

dendriplexes), é um dos vetores sintéticos mais

amplamente investigados para aplicações em

terapia gênica. As formulações lipossômicas

também são uma abordagem bem conhecida

para a entrega de drogas e materiais genéticos

nas células.

Transferência de genes mais eficiente

e segura

Em um novo estudo, publicado no European

Journal of Pharmaceutics and Biopharmaceutics,

uma equipe de cientistas decidiu estabelecer

um sistema lipodendriplex otimizado 1. Os

pesquisadores incorporaram os dendriplexes

PAMAM em uma ampla gama de formulações

lipossômicas, caracterizando suas propriedades

físico-químicas, incluindo tamanho, forma e potencial

zeta. Isso foi feito usando espalhamento

dinâmico de luz, anemometria laser Doppler e

microscopia de força atômica. Eles então realizaram

uma série de experimentos in vitro para

identificar a melhor formulação que mostrasse

a eficiência ideal de entrega combinada com a

menor toxicidade celular.

A equipe demonstrou em seguida que seu

sistema dendriplex encapsulado em lipossomo

otimizado pode reduzir ainda mais a toxicidade

celular indesejada e a captação aprimorada de

ácido nucleico em comparação com o sistema

dendriplex parental. Eles também realizaram

ensaios de segurança iniciais, com os resultados

indicando um bom perfil de biocompatibilidade.

Para evitar a introdução de contaminantes que

podem afetar seus resultados, a equipe usou

reagentes de grau analítico e água ultrapura de

um sistema de purificação de água ELGA PURE-

LAB® flex 2 para todas as experiências.

Uma alternativa potencial aos vetores

virais

Este estudo sugere que os lipodendriplexes

podem oferecer uma alternativa importante

para aplicações de terapia genética em vetores

Por que escolher o ELGA LabWater?

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da ELGA estão na vanguarda da inovação

tecnológica. Continuamos a introduzir recursos

revolucionários no mercado de água ultrapura

de laboratório.

Reference:

1. Tariq, I. et al. Lipodendriplexes: A promising

nanocarrier for enhanced gene delivery with

minimal toxicity. Eur J Pharm Biopharm 2019;

135:72-82.

Dra. Alison Halliday

Depois de concluir um curso de graduação em Bioquímica

e Genética na Universidade de Sheffield, Alison

recebeu um PhD em Genética Molecular Humana

na Universidade de Newcastle. Ela trabalhou cinco

anos como pesquisadora sênior de pós-doutorado na

UCL, investigando os genes envolvidos na síndrome da

obesidade infantil. Mudando-se para as comunicações

científicas, ela passou dez anos na Cancer Research UK

envolvendo o público sobre o trabalho da instituição.

Ela agora é especializada em escrever sobre pesquisas

nas ciências da vida, medicina e saúde.

Para mais informações:

www.veoliawatertech.com/latam

watertech.marcom.latam@veolia.com


Em Foco

Em Foco

GARANTA A TRANSFERÊNCIA DE MATERIAIS DE FORMA

ASSÉPTICA EM AMBIENTES CONTROLADOS!

00

As salas limpas fornecem um ambiente

controlado, livre de contaminações

para testes e fabricação de produtos

estéreis. O ambiente físico dessas

salas, como piso, paredes e tetos são

minimamente projetados, conforme as

normas técnicas da ABNT, INMETRO

assim como as resoluções da ANVISA e

FDA, para que o procedimento de

limpeza e manutenção da área seja

conduzido de maneira prática e eficaz.

Estas áreas são classificadas através

das normas ISO, sendo a ISO 14644 a

mais utilizada, considerando a

concentração de partículas por unidade

de volume de ar e em função da pureza

de seu ar interior. Nesta norma, as

salas limpas são categorizadas em 9

classes. As classes 1 a 5 funcionam

sob regime de fluxo laminar

unidirecional, já as classes de 6 a 9

funcionam sob regime de ar turbulento.

P arâmetros como: partículas em

suspensão, níveis de temperatura,

umidade, pressão e iluminação são

controlados, monitorados e registrados

de forma minuciosa para garantir que

estejam em níveis aceitáveis e não

interfiram no processo. Caso estes

parâmetros não sejam controlados da

maneira adequada, tornam-se fontes

de contaminação, podendo acarretar

prejuízos financeiros com a perda do

processo e colocando vidas em jogo.

Existem outras fontes passíveis de

contaminação em salas limpas, como

pessoas, equipamentos, peças,

matérias-primas, embalagens, entre

outros. Faz-se necessário realizar uma

avaliação de risco de cada uma dessas

variáveis para identificar possíveis

fontes de contaminação.

Manter um ambiente controlado é um

desafio para as indústrias. A

transferência de materiais para uma

sala limpa, é hoje, uma das principais

fontes de contaminação. Nem tudo o

que entra na sala limpa é estéril e

mesmo os materiais esterilizados

necessitam de uma limpeza prévia em

suas embalagens para reduzir o risco

de contaminação. Determinar um

procedimento operacional de

transferência de materiais é

fundamental. A definição de um

protocolo de limpeza para superfícies,

embalagens, produtos e carrinhos

durante a transferência ajuda a

controlar a contaminação da sala limpa.

Tão importante quanto os

procedimentos de limpeza e

manutenção dessas áreas é utilizar

soluções corretas para salas limpas. A

Steris possui um amplo portfólio de

sanitizantes estéreis, exclusivos para

estas aplicações. Nossos produtos

possuem toda documentação

necessária para os procedimentos de

validação de limpeza, como testes de

eficácia, compatibilidade de substratos,

estabilidade do produto após aberto.

Garantindo a eficácia do seu processo

de limpeza. Consulte nossos

especialistas!

+55 62 3085 1900

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Revista Analytica | Abr/Mai 2020

45


Em Foco

AQUATESTE COLI: O MELHOR CUSTO BENEFÍCIO

EM ANÁLISE DE ÁGUA

O Aquateste coli é um meio de cultura

que detecta e quantifica simultaneamente

a presença de coliformes Totais E. coli

em amostras de água com resultados em

até 24 horas. O método segue o princípio

do substrato enzimático definido ONPG-

-MUG, descrito no Standard Methods.

Com treinamento simplificado e de utilização

fácil e rápida para o executor da

análise, o produto tem sua apresentação

em flaconetes individuais para amostras

de 100mL, além de embalagem de fácil

abertura que não necessita do uso de

tesouras ou semelhante e dupla proteção

evitando assim a umidade.

Sua eficiência e flexibilidade podem ser

vistas através de sua natureza cromogênica

ONPG-MUG, o Aquatest coli desenvolverá

a cor amarela na presença de coliformes

totais, já a E. coli será diferenciada

dos demais coliformes quando exposto à

luz ultravioleta.

Entre em contato conosco e seja atendido

por nossa equipe especializada.

uma empresa Solabia Group

Contato:

www.laborclin.com.br

danieli.ozetto@laborclin.com.br

+ 55 41 3661 - 9058

LAB DE A A Z: MICROPIPETAS MULTICANAL BASIC KASVI E

ESTEREOMICROSCÓPIO BINOCULAR BASIC

46

Revista Analytica | Abr/Mai 2020

veza, design anatômico e precisão na rotina

laboratorial. O botão para aspiração e dispensação

possui duas etapas de operação, permitindo

o uso em técnicas de pipetagem reversa.

Os modelos apresentam diferenciação por código

de cores, display (visor) de volume com

3 dígitos e trava de volume. São totalmente

autoclaváveis e resistente a soluções ácidas,

alcalinas e outros solventes orgânicos.

Na linha Olen, voltada para soluções com

melhor custo-benefício, a novidade é o Estereomicroscópio

Binocular Basic. Possui um excelente

sistema óptico totalmente revestido, com

alta resolução e imagem nítida. É amplamente

utilizado em fábricas elétricas, laboratórios uni-

Pensando sempre na praticidade de nossos

clientes, a Kasvi lança ao mercado dois novos

equipamentos de alta qualidade e precisão,

complementando seu portfólio. As novidades

são as Micropipetas Multicanal Basic Kasvi e

Estereomicroscópio Binocular Basic da Olen.

Ampliando a linha das Micropipetas Basic

Kasvi, os modelos multicanais combinam leversitários,

na observação de maneira ampliada

de amostras maiores como peças, moedas, folhas,

minerais entre outras. A ampliação ocorre

devido ao ajuste de zoom e a faixa de aumento.

Possui oculares de campo amplo com WF 10x e

WF 20x, graduação da distância interpupilar entre

55mm a 75mm. Rotação de 360°, ampliação

de 20X/80X, objetiva de 2X-4X e dispositivo de

ajuste de correção de dioptrias no tubo ocular

direito (± 5dp).

Para saber mais desses lançamentos,

acesse: www.kasvi.com.br

Kasvi

0800 726 0508

kasvi@kasvi.com.br


Em Foco

LUVAS PARA SALA LIMPA E SEUS PADRÕES DE QUALIDADE

Para ajudar na escolha da luva correta

a ser utilizada em uma sala limpa, os fabricantes

especificam a classe de limpeza

para a qual a luva é adequada (como

definidos na norma EN ISO 14644) por

exemplo, ISO Classe 4, 5 ou 6. Além disso,

usam as normas de proteção de luvas EN

420 para definir as dimensões, a EN 374

3, 4, 5 para o número de furos permitidos

e a norma de luvas médicas EN 4556 para

definir a resistência da luva como base

para garantia de qualidade e controle de

qualidade em suas fábricas. Luvas escolhidas

para proteger o usuário de produtos

químicos perigosos são classificadas como

Equipamento de Proteção Individual (EPI)

e são regulamentadas ao abrigo da Diretiva

Europeia de EPIs e por suas normas

associadas.

As normas uniformizadas que abrangem

as luvas utilizadas para proteção contra

produtos químicos são a EN 420 e a EN

374. Obviamente, tais luvas devem, ao

mesmo tempo, cumprir com as exigências

das salas limpas. As luvas de proteção

(EPI) formam uma barreira física entre o

usuário e os produtos químicos que estão

manuseando, e permanecerão eficazes até

que a barreira seja quebrada. A barreira

pode ser quebrada através de um dos dois

mecanismos: Permeação ou Penetração.

A permeação é o processo pelo qual um

produto químico se move através de um

material de luva protetora em um nível

molecular, enquanto a penetração é o

movimento de um produto químico e/ou

microrganismo através de materiais porosos,

costuras, furos ou outras imperfeições

em um material de luva protetora em um

nível não molecular.

As luvas BioClean 400 mm/16” foram

testadas sob a norma EN 374-3 para

avaliar o quão eficazes são contra produtos

químicos especificados. Para estar

em conformidade em relação à oferta de

proteção contra produtos químicos, a luva

sob teste deve ser classificada como Nível

2 ou mais alto em termos da proteção oferecida

contra, pelo menos, três produtos

químicos. Os níveis de desempenho são

definidos pelo tempo levado para que os

produtos químicos de teste permeassem a

amostra de teste (veja a Tabela 1).

Todas as luvas de sala limpa da linha

de 400 mm/16” da BioClean atendem

ao nível de proteção exigido no Nível 2

e são apropriadas para o uso nos setores

farmacêutico, ciências da vida e microeletrônica,

cumprindo com as exigências da

norma EN 420 para luvas de proteção, EN

374-1, 2 e 3:2003, e a norma para luva

médica EN 455. Disponível em látex e nitrilo,

estéril e não estéril, a linha oferece

proteção extra ao manter o rigoroso protocolo

de proteção do produto. As especificações

técnicas do produto, relatórios de

testes, certificados de análise e qualidade

e amostras para as luvas para salas limpas

de 400 mm/16” da BioClean estão disponíveis

mediante solicitação.

TABELA 1: NÍVEIS DE

DESEMPENHO DE PERMEAÇÃO

Tempo de ruptura medido (considera-se

que a ruptura pelo produto químico de teste

ocorreu quando a taxa de permeação

atingiu 1,0 μg/cm2/min)

Nível 1 Mínimo de 10 minutos

Nível 2 Mínimo de 30 minutos

Nível 3 Mínimo de 60 minutos

Nível 4 Mínimo de 120 minutos

Nível 5 Mínimo de 240 minutos

Nível 6 Mínimo de 480 minutos

Saiba mais em: https://www.ansell.com/br/pt/life-sciences/brands/brand-detail/bioclean

Revista Analytica | Abr/Mai 2020

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Em Foco

DEIXE SEU LABORATÓRIO INTELIGENTE.....

MELHORE A RASTREABILIDADE DO SEU LABORATÓRIO COM TRACKMAN® CONNECTED

O TRACKMAN ® Connected é um tablet com

acessórios e aplicativos que faz com que a

pipetagem em microplacas seja rápida, rastreável

e reprodutível. Quando TRACKMAN ®

Connected está conectado via Bluetooth® com

uma Pipetman® M Connected, ele interage

em tempo real com a pipeta guiando o usuário

através do protocolo de pipetagem, e dessa

forma registra todo o procedimento.

A Pipetman® M Connected é uma pipeta

eletrônica que oferece precisão e exatidão para

as pipetagens comuns ou repetitivas. Não requer

praticamente nenhuma força para aspirar

ou dispensar amostras e assim ajuda a reduzir

a fadiga e aumenta a eficiência do processo de

pipetagem.

Com o TRACKMAN® Connected é possível

planejar e executar os protocolos de pipetagem

de forma rápida, fácil e mais confiável,

não deixando nenhuma dúvida sobre o procedimento.

Quando o protocolo é finalizado, os

resultados podem ser salvos e compartilhados

via SciNote, o caderno eletrônico de laboratório

aberto (ELN).

Quando emparelhado com uma Pipetman®

M Connected, o aplicativo PipettePilot®, instalado

no tablet, guia você por toda a microplaca

indicando onde, quando e quanto pipetar com

interações em tempo real para prevenir erros.

O sensor ambiental conectado por Bluetooth

registra automaticamente o protocolo em

execução com dados como sequência de pipetagem,

e condições ambientais como temperatura,

umidade e pressão.

Com o sistema Trackman® Connectec +

Pipetman® Connected é possível melhorar a

rastreabilidade dos experimentos de bancada,

potencializar a confiabilidade dos experimentos,

obter reprodutibilidade imediata e

acelerar relatórios.

São 20 modelos de pipetas Pipetman®

M Connected que cobrem a faixa de pipetagem

de 0,5 µl a 10 ml nos modelos

monocanal ou 0,5 µl até 1200 µl como

multicanal.

Para maiores informações dos produtos

www.gilson.com

Os produtos Gilson podem ser adquiridos

nos distribuidores oficiais:

Bioresearch

www.bioresearch.com.br

Tel.: (11) 3872-6669

Sinapse

www.sinapsebiotecnologia.com.br

Tel.: (11) 2605-5655

Pensabio

www.pensabio.com.br

Tel.: (11) 3868-6500

48

Revista Analytica | Abr/Mai 2020


Em Foco

Em Foco

A IMPORTÂNCIA DOS SOLVENTES DE

GRAU HPLC PARA UMA ANÁLISE DE QUALIDADE

00

A qualidade de um solvente tem um

grande impacto nos laboratórios que

utilizam métodos de cromatografia

líquida (LC), uma vez que

desempenham um papel importante

como componentes para fase móvel

(CLAE) em uma análise por HPLC (High

performance liquid chromatography)

precisando, dessa forma, serem

escolhidos com base na compatibilidade

na análise cromatográfica obedecendo

alguns critérios:

• Possuir propriedades químicas,

limites de temperatura e Ph aplicados a

análise;

• Transparência óptica ou baixo índice

de absorção no UV, especialmente para

análises que requerem alta

sensibilidade espectrofotométrica;

• Livres de partículas na faixa de

exclusão em torno de 0,2 a 0,45µm;

• Livres de íons halogêneos tais como

HCl, KCl, NaCl e NH4Cl;

• Livres de gases dissolvidos (bolhas);

• Apresentar baixos índices de

viscosidade.

Os problemas mais comuns

encontrados em análises de HPLC são

baixa sensibilidade e desvios da linha

de base, ruído ou picos no

cromatograma. Essas ocorrências

podem ser normalmente problemas na

fase móvel, sendo recomendado dessa

forma o uso de solventes grau HPLC,

inclusive sais, reagentes de

pareamento iônico e modificadores de

ácido e base, visto que essa qualidade

de grau envolve na sua fabricação

essencialmente uma ou mais

destilações para remoção de impurezas

voláteis, seguidas de filtração para

remoção de impurezas sólidas em

suspensão que possam estar

presentes, oferecendo a este solvente

alto grau de pureza e desempenho.

É importante também ressaltar que o

uso do grau correto para análise

cromatográfica resultará em uma

dissolução da amostra sem perda dos

compostos, tempo de vida da coluna e

demais consumíveis prolongados, uma

vez que possuem um alto valor

agregado para alguns itens destacando

as colunas que se degradam com

facilidade e têm sua vida útil

comprometida devido a adsorção de

impurezas. Um solvente sem a

qualidade exigida para uma análise de

confiança, interfere nos resultados,

como por exemplo, o aparecimento de

picos indesejáveis em cromatogramas.

Afim de garantir alto desempenho em

todas as operações mais exigentes,

dissolução rápida e completa com

resultados confiáveis maximizando a

produtividade e eficiência da análise, a

J.T Baker, uma das marcas de

produtos químicos mais conhecida e

respeitada no mundo, dispõe de um

amplo portfólio com padrões exigentes

de qualidade, reprodutibilidade e

consistência, obtendo resultados

confiáveis e o aumento da

produtividade.

Garanta a eficácia da sua análise.

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Revista Analytica | Abr/Mai 2020

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Em Foco

O GRUPO PRIME CARGO SEMPRE ATENTO E ACREDITANDO NO

MERCADO NACIONAL E INTERNACIONAL REALIZA FREQUENTEMENTE

MASSIVOS INVESTIMENTOS EM SUAS INSTALAÇÕES E FILIAIS.

Contando com estrutura de 7000mts² em

Barueri - SP, e filiais em pontos estratégicos

por todo território nacional, sendo eles totalmente

adequados ao segmento médico-laboratório-hospitalar,

o Grupo Prime Cargo disponibiliza

aos seus clientes um novo conceito

em transporte e armazenagem, que segue em

conformidade com as boas práticas exigidas

pelas diretrizes.

Dispondo de áreas técnicas, laboratórios

para manutenção de equipamentos e espaço

para treinamento de equipes, a PRIME inova

mais uma vez no atendimento e velocidade

nos processos.

O investimento em pessoal é constante com

treinamentos, atualizações de equipamentos e

materiais, isso faz com que além de atender os

prazos, seja feito com qualidade e segurança,

contando com todas as certificações e adequações

necessárias como a ISO9001 (Matriz)

e ANVISA.

O que é a CP 343/2017?

As alterações e novidades abordadas nessa

Consulta Pública vieram para harmonizar

os requerimentos sanitários da Anvisa com

aqueles definidos nas diversas diretrizes internacionais.

Portanto, agora mais do que nunca, os gestores

das empresas embarcadoras, precisam

realizar processo de Qualificação de Fornecedores

de forma a garantir a integridade do

produto farmacêutico de ponta a ponta.

Em fevereiro de 2019, a Agência Nacional

de Vigilância Sanitária, inclusive, promoveu o

Diálogo Setorial, justamente para apresentar

as alterações na CP 343/2017, além de ouvir

as considerações e preocupações dos empresários,

especialistas e técnicos do setor.

Foram enviadas 445 contribuições pelos

participantes, que receberam a versão prévia

da publicação, bem como as alterações do

texto inicial com todas as sugestões e comentários

recebidos.

Com o texto consolidado, a norma reduziu a

quantidade de artigos de 127 para 90.

50

Revista Analytica | Abr/Mai 2020

A CP 343/2017 da Agência Nacional de Vigilância

Sanitária se refere às boas práticas de

armazenagem e transporte e tem o intuito de

promover maior controle da cadeia produtiva,

garantindo a qualidade dos medicamentos

em todas as etapas de transporte, distribuição

e armazenamento.

Avenida Piraíba, 296 parte A / Centro

Comercial Jubran –

Barueri – Sp / CEP: 06460-121

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www.primecargo.com.br


IC-ICP-MS

Análise de Especiação

Separação de Espécies Elementares e Detecção

A diferenciação entre as formas químicas presentes em

um amostra, é de suma importância para inúmeros setores,

tais como laboratórios ambientais, indústria de alimentos, e

indústria farmacêutica. No passado, medir a quantidade total

de um elemento era o suficiente. Porém, a necessidade de

conhecer os diferentes efeitos de cada espécie química

elementar tem crescido. Cada elemento, dependendo da

forma em que ele se encontra num meio, pode apresentar

propriedades físico-químicas diferentes, e até toxicidades

variadas. O processo de separação e quantificação de

diferentes formas químicas de um elemento (denominado

análise de especiação elementar), fornece uma melhor

compreensão das questões ambientais, relacionadas a

saúde, e o impacto associado de uma amostra em específico.

A análise de especiação elementar pode ser dividida em duas

partes: a etapa da separação das espécies envolvidas

(Cromatografia Iônica - IC), e a etapa da detecção e

quantificação utilizando um espectrômetro de massa com

plasma indutivamente acoplado (ICP-MS). Este método

combinado pode ser chamado de IC-ICP-MS.

Benefícios do IC-ICP-MS

O IC separa as espécies individualmente sem contribuir com a contaminação por metais.

O IC-ICP-MS atua como um sistema de detecção altamente sensível e específico.

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