L+D 77

editora.lumiere

Edição 2º trimestre

R$25,00

DIGITAL HUB (TÓQUIO)

CATEDRAL DE NORWICH (NORFOLK) | TEATRO VIVO (SÃO PAULO) | FRESH & GOOD (RIO DE JANEIRO)

GALERIA MELISSA (SÃO PAULO) | FOTO LUZ FOTO: ROMULO FIALDINI


Foto: Cristiano Bauce

LED Lighting Solutions


Inscrições abertas!

Confira os palestrantes já confirmados:

5 e 6 de novembro de 2020

Tivoli Mofarrej Conference Hotel

São Paulo | Brasil

Semana da Luz 2020

Daan Roosegaarde

Holanda

Liz West

Reino Unido

Prof. Jan Blieske

Alemanha

Rafael Leão

Brasil | EUA

Ricardo Hofstadter

Uruguai

Wim aan de Stegge

Holanda | India

4

Mary-Anne Kyriakou

Austrália / Alemanha

experience room: avenida dos tajurás, 152 cidade jardim são paulo | 11.3062 7525 | goelight.com.br


SUMÁRIO

2º Trimestre 2020

edição 77

38 44

50

54

62

66

10

38

44

¿QUÉ PASA?

CATEDRAL DE NORWICH

TEATRO VIVO

50

54

62

66

DIGITAL HUB

Yin-Yang

FRESH & GOOD

Em busca da luz tangível

GALERIA MELISSA

Moda, arte e design

FOTO LUZ FOTO

Romulo Fialdini

6


CAPA

Fabiana Rodriguez

Márcio Silva

Maria Fraga

Orlando Marques

Débora Torii

Thiago Gaya

Lucimara Ricardi

Diogo de Oliveira

Carlos Fortes

PUBLISHER

Thiago Gaya

Iluminação: nendo

Foto: Takumi Ota

EDITOR-CHEFE

Orlando Marques

EDITORA

Débora Torii

VIVÊNCIA VIRTUAL

DIAGRAMAÇÃO

Maria Fraga

PROJETO GRÁFICO

Thais Moro

Pela primeira vez, uma edição inteira da L+D foi desenvolvida de modo

virtual, com nossos colaboradores trabalhando de casa. No entanto, essa

interação está longe de ser “sem efeito real”, como definiria o dicionário.

A verdade é que, durante o processo de trabalho, sentimos de nossos

colaboradores uma qualidade de troca e um comprometimento tão grande

ou maior que antes, o que nos ajudou a seguir com confiança e otimismo no

lançamento desta edição.

Apresentamos cinco projetos com tipologias bastante diversificadas: a

Catedral de Norwich, em Norfolk, Inglaterra, iluminada por Speirs + Major;

o Teatro Vivo, em São Paulo, com projeto de iluminação do Estúdio Carlos

Fortes; a Galeria Melissa, também em São Paulo, cuja iluminação é assinada

pela Lit Arquitetura de Iluminação; o projeto de lighting design para o

restaurante Fresh & Good, no Rio de Janeiro, realizado pela LD Studio em

parceria com o Kelving Lab; e o projeto do estúdio de design japonês nendo

para o novo núcleo de desenvolvimento digital de um escritório internacional

em Tóquio, Japão, capa desta edição.

Se, por um lado, os registros fotográficos desses projetos ilustram

perfeitamente suas distintas naturezas e atmosferas – uns austeros e

monocromáticos, outros coloridos e descontraídos –, por outro, uma

característica em comum os une: espaços arquitetônicos vazios que

coincidentemente traduzem o momento peculiar que o mundo está

atravessando.

Da mesma forma que sentimos a materialidade uns dos outros no

desenvolvimento desta edição, sugerimos que esses espaços também sejam

povoados, ainda que de maneira virtual, antes que voltem a ser vivenciados

presencialmente.

Boa leitura!

REPORTAGENS DESTA EDIÇÃO

Carlos Fortes, Débora Torii , Diogo de Oliveira,

Fabiana Rodriguez, Orlando Marques

REVISÃO

Débora Tamayose

CIRCULAÇÃO E MARKETING

Márcio Silva

PUBLICIDADE

Lucimara Ricardi | diretora

PARA ANUNCIAR

comercial@editoralumiere.com.br

T 11 3062.2622

PARA ASSINAR

assinaturas@editoralumiere.com.br

T 11 3062.2622

ADMINISTRAÇÃO

administracao@editoralumiere.com.br

T 11 3062.2622

PUBLICADA POR

C

M

Y

CM

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K

Editora Lumière Ltda.

Rua João Moura, 661 – cj. 77, 05412-001

São Paulo SP, T 11 3062.2622

www.editoralumiere.com.br

8


¿QUÉ PASA?

#LEDFORUM20

Análogo ao escopo abrangente da profissão do arquiteto

de iluminação, o conteúdo da sala de conferências do

LEDforum deste ano foi pensado para instrumentalizar e inspirar

o profissional de iluminação.

O arquiteto e lighting designer alemão Jan Blieske, professor

do programa de mestrado internacional de Architectural

Lighting Design na Faculdade de Design da Hochschule

Wismar, na Alemanha, proferirá palestra sobre iluminação

e patrimônio histórico.

A lighting designer australiana Mary-Anne Kyriakou, professora

de Lighting Design na Universidade de Ciências Aplicadas

de Ost-Westfalen Lippe, em Detmold, Alemanha, abordará o

conceito de aprender fazendo no ensino de iluminação.

O lighting designer holandês Wim aan de Stegge, fundador

do escritório Lampje aan Design Consultants, em Nova Délhi,

Índia, apresentará sua investigação de mestrado na aplicação

dos conceitos do desenho biofílico em projetos de lighting

design.

A artista britânica Liz West, especialista na criação

de instalações in situ, explicará detalhes de seus trabalhos que

envolvem cor, luz e suas propriedades físicas.

O premiado artista e arquiteto holandês Daan Roosegaarde,

fundador do Studio Roosegaarde e autor de instalações aclamadas

internacionalmente, falará sobre os bastidores de seu processo

de criação e dará detalhes de seus trabalhos reconhecidos

mundialmente pela inovação e pela inspiração que despertam.

Os renomados lighting designers e arquitetos Rafael Leão,

do Brasil, e Ricardo Hofstadter, do Uruguai, apresentarão

problemas e soluções na aplicação e no uso de tecnologia LED

em projetos de iluminação.

O #LEDforum20 acontecerá nos dias 5 e 6 de novembro

no Hotel Tivoli Mofarrej, em São Paulo. (O.M.)

10


ALYA line + Nix

pendente linear led slim com

sistema DALI para controle do fluxo

luminoso e RGBW.

+

projetor led fixo

Divulgação

¿QUÉ PASA?

40UNDER40

ALYA floor

embutido linear led slim com

sistema DALI para controle do

fluxo luminoso, temperatura da cor

branco e RGB.

Foi divulgada a lista dos 40 indivíduos mais talentosos e

promissores da indústria da iluminação em 2020! A 5ª edição

do prêmio 40under40, criado em 2016 em comemoração aos

40 anos dos Lighting Design Awards, mais uma vez homenageia

lighting designers, arquitetos, artistas e outros profissionais

relacionados, por sua capacidade de trabalhar a iluminação

arquitetural de maneira criativa e competente.

Em consonância com o princípio do equilíbrio de gênero,

amplamente defendido pelo movimento internacional Women in

Lighting, neste ano foram premiados 25 mulheres e 15 homens,

de 12 diferentes países, considerados representantes da nova

geração da iluminação. Todos serão homenageados durante

cerimônia marcada para o dia 22 de setembro em Londres, Reino

Unido, juntamente com a entrega dos Lighting Design Awards.

Dentre as vencedoras deste ano, cinco são embaixadoras

do Women in Lighting e atuam diretamente na divulgação

local do movimento em seus países: a lighting designer e

educadora mexicana Magali Méndez, titular do escritório

SáaS Lighting Conception; a lighting designer e pesquisadora

portuguesa Martina Frattura; a lighting designer grega

Chloe Kazamia, fundadora do escritório CK Design

Lighting; e as lighting designers e educadoras paquistanesas

Momena Saleem e Ana Tanveer, sócias no estúdio

Light Space.

A única brasileira premiada em 2020 foi a lighting designer

Mohana Barros, titular do escritório Archidesign e diretora

financeira da Associação Brasileira de Arquitetos de Iluminação

(AsBAI) na gestão 2020/2021. “A profissão de lighting designer

no Brasil é repleta de muito amor e sacrifício. E é com essa

paixão que venho atuando no mercado da luz, sempre buscando

aperfeiçoar a minha formação. Espero ser um exemplo para o

mercado brasileiro e para os novos profissionais que desejem

atuar no mercado”, declara Mohana.

Nossos parabéns às vencedoras e aos vencedores!

Teatro Vivo, Foyer

São Paulo

Triptyque Architecture

Estúdio Carlos Fortes

VEGA DOT

pendente linear com mini-projetores

led fixo e sistema DALI para controle

do fluxo luminoso.

Teatro Vivo, Plateia

São Paulo

Triptyque Architecture

Estúdio Carlos Fortes

12

São Paulo SP Brasil 11 3871-3755 www.lightsource.com.br @lightsource_lighting


¿QUÉ PASA?

CAPA DA INVISIBILIDADE

A capa da invisibilidade está um passo mais próximo de

se tornar realidade. Pelo menos é o que promete a empresa

canadense Hyperstealth Biotechnology. Guy Cramer, CEO

da companhia dedicada ao desenvolvimento de produtos de

camuflagem, anunciou a recente patente de um novo material

chamado Quantum Stealth (algo como “esconderijo quântico”,

em tradução livre).

Segundo seu criador, o material é formado por microlentes

que permitem curvar a luz incidente, tornando invisível a olho

nu o que estiver por trás dele. Além de distorcer a radiação

eletromagnética que compõe o espectro de luz visível, o

material age sobre as radiações ultravioleta e infravermelha,

bloqueando o espectro termal dos objetos e dos seres vivos e

impossibilitando a detecção de uma pessoa escondida atrás de

uma camada desse material, por exemplo.

Cramer esclarece que o Quantum Stealth, cuja espessura é

igual à de uma folha de papel, tem custo inexpressivo e pode ser

usado em qualquer ambiente, clima e horário, diferentemente

dos padrões de camuflagem comuns. A princípio criado para fins

militares, o material promete “tornar invisíveis” pessoas, veículos,

navios e até mesmo edifícios. Dezenas de vídeos de demonstração

do produto estão disponíveis na página invisibility.ca.

A empresa anunciou também a patente do Solar Panel

Amplifier, que utiliza o mesmo tipo de lente para aplicação em

painéis solares, prometendo gerar mais que o triplo de energia

em comparação com os painéis existentes até o momento. (D.T.)

Hyperstealth Biotechnology

14


¿QUÉ PASA?

LUZ SIN FRONTERAS MÉXICO

Zaickz Moz

A associação sem fins lucrativos Luz Sin Fronteras México

(LSFM) foi fundada no ano passado, com o objetivo de utilizar a luz

e a iluminação como ferramentas de melhoria do desenvolvimento

humano em comunidades carentes desse estímulo. Como

parte da associação internacional Concepteurs Lumiére Sans

Frontiéres (CLSF), baseada na França, que conduz projetos sociais

internacionalmente há mais de dez anos – incluindo importantes

ações no Haiti e no Mali –, a associação mexicana fundamenta-se

na premissa de que a iluminação artificial é um direito humano e

deve, portanto, ser acessível a todos.

A metodologia da associação busca facilitar processos

colaborativos, promovendo um diálogo constante, baseado no

reconhecimento mútuo das capacidades e dos conhecimentos

de cada um dos participantes do processo. Por meio de

dinâmicas lúdicas e de workshops participativos envolvendo

as comunidades, a LSFM busca entender as questões mais

significativas e específicas para cada grupo e então trabalhar

coletivamente para atendê-las.

A associação foi lançada oficialmente no mês fevereiro deste

ano, durante a Expo Lighting America (ELA), o mais importante

evento mexicano de iluminação. Na ocasião, a LSFM apresentou

o processo de um dos projetos em que esteve envolvida nos

últimos meses: Sendero Km21. Trata-se de uma estrada de

300 metros de extensão, comumente usada pela comunidade

Km21, ao longo do rio San Juan de Dios, que, em decorrência

da falta de iluminação noturna, transforma-se em um ambiente

perigoso e violento. Em oposição ao senso comum, esse caminho

não foi iluminado indiscriminadamente com postes, mas sim

levando em consideração o ambiente natural e atendendo, ao

mesmo tempo, às necessidades sociais locais. Mais do que um

espaço de trânsito, a LSFM buscou criar, em parceria com a

comunidade, um espaço de estar, encorajando a presença das

pessoas e sua interação com a luz e com a noite.

A LSFM é atualmente comandada por quatro experientes

lighting designers mexicanas, Alejandra Hernández, Brenda

Castillo, Cristina Escofet e Oriana Romero que acreditam que a luz

e a iluminação podem atuar como elementos de transformação

social, se usadas de maneira adequada e responsável. Para

saber mais informações e colaborar com a associação, entre em

contato pelo e-mail contacto@luzsinfronteras.org. (D.T.)

16


¿QUÉ PASA?

TECENDO A LUZ

Dando as boas-vindas aos visitantes do histórico distrito

londrino de Broadgate – antigo polo da indústria têxtil da cidade –,

a instalação Loom (“tear”, em português) foi concebida pelos

artistas ingleses Ronan Devlin e Michael Flückiger para integrar

o pórtico de entrada do bairro, a convite da incorporadora British

Land, com curadoria de Rosie Glenn.

Inspirados pela história do local, hoje aberto exclusivamente

para pedestres, os artistas desenvolveram uma espécie de

“tear digital”, em que fios de luz são tecidos, em tempo real, de

acordo com o momento do dia e a movimentação do público.

As projeções se apresentam como curvas sinuosas, com

diferentes amplitudes, frequências e cores, que se tornam mais

densas à medida que o público é mais numeroso. O conceito da

instalação se entrelaça à invenção do inovador tear mecânico

pelo francês Joseph Marie Jacquard, no século XIX, que

funcionava com base em um sistema binário, por meio de uma

tela perfurada – o que também é referenciado pela fachada

do edifício que abriga a instalação, totalmente revestida de

cartões perfurados metálicos, criados pelo escritório Orms

Architects.

“Assim como a tecnologia criada por Jacquard impactou a

vida social dos tecelões à época, ao automatizar seu serviço,

Loom encoraja todos a ‘tecer’ novas formas de interação por

meio das tecnologias digitais”, declaram os artistas.

O sistema – cujos aspectos técnicos foram desenvolvidos em

parceria com o escritório britânico Speirs + Major e com a

empresa TLS International – consiste em uma grande luminária

circular, com 5 metros de diâmetro, dotada de difusor em tela

tensionada translúcida. A projeção de luz tem início todos

os dias às 6 horas da manhã, quando apresenta intensidade

luminosa mais sutil, que se torna gradualmente mais definida e

reluzente no decorrer do dia, até ser desligada, à meia-noite. (D.T.)

Luca Piffaretti

18


Tomasz Zurek

¿QUÉ PASA?

RADIO,

LIVE TRANSMISSION

A Grimeton Radio Station é uma estação transatlântica de

telegrafia sem fio construída na década de 1920, na localidade

de Grimeton, Suécia, e declarada patrimônio mundial da

Unesco em 2004, por ser o único exemplar remanescente

da tecnologia pré-eletrônica de rádio transmissão, chamada

alternador Alexanderson.

A artista sérvia baseada na Suécia Aleksandra Stratimirovic

foi convidada pela municipalidade sueca de Varberg a criar

uma instalação permanente para a rádio. Ao visitar o local,

a artista conta que se inspirou na porção imperceptível

da história da estação para criar um elemento inesperado

que pudesse ser visto a distância e tornasse visível, de

maneira poética, a atividade da rádio. Assim foi concebida

a instalação Transmission, que consiste em projeções de dois

feixes de laser verdes, originados do topo de uma das torres

da rádio, a uma altura de 127 metros, que materializam as

comunicações imaginárias emitidas pela torre. As luzes se

movimentam e pulsam em sequências rítmicas de acordo com

o código Morse, transmitindo mensagens reais baseadas no

trabalho da Unesco em prol da paz mundial, do respeito pelos

direitos humanos universais e do desenvolvimento equitativo

e sustentável: “paz; amor; vida; igualdade; diversidade; respeito;

conhecimento; educação; liberdade de expressão; direitos

humanos; diálogo intercultural; esperança”, são algumas delas.

Dessa forma, a instalação se comunica na mesma linguagem

que a utilizada pela Grimeton Radio Station, quando

em atividade. (D.T.)

20


Marco Borggreve

C

¿QUÉ PASA?

EGO

M

Y

CM

MY

CY

CMY

K

Novo trabalho do Studio DRIFT, Ego foi apresentado pela

primeira vez na montagem deOrfeu, ópera de Verdi.

A escultura foi criada para a companhia holandesa de ópera

itinerante Nederlandse Reisopera, por meio de uma parceria

entre a diretora Monique Wagemakers, a coreógrafa Nanine

Linning e a artista Lonneke Gordijn, do Studio DRIFT.

A escultura é tecida à mão, usando 16 quilômetros de

um finíssimo fio de fluorocarbono de cor preta e altamente

reflexivo. Ego foi concebida a partir da forma regular de um bloco

pendurado pelas quatro pontas.

Durante a ópera, um marionetista direciona o bloco ao vivo,

por meio de algoritmos e do uso de um software, para interagir

com dançarinos e cantores. Sua capacidade de mudar de forma

e de estado retrata as perspectivas inconstantes do protagonista

do trabalho de Verdi.

A escultura também foi apresentada nos espaços da galeria

nova-iorquina Pace. Nesses ambientes, o diálogo e a interação

entre o trabalho do Studio DRIFT e o espectador se expande

para além do palco. (O.M.)

22


Henrik Kam, courtesy of Illuminate

¿QUÉ PASA?

CHEIA DE GRAÇA

O projeto sem fins lucrativos Illuminate dedica-se à

realização de ousadas instalações públicas de arte, contando

com o apoio de filantropos e de outras fundações e organizações

não lucrativas. Baseado em São Francisco, Estados Unidos, o

projeto foi responsável por viabilizar a instalação The Bay Lights,

do artista Leo Villareal, exibida permanentemente em uma das

famosas pontes da cidade, a Bay Bridge.

Sua mais recente realização é Grace Light, uma instalação de

grande escala em exibição na igreja episcopal Grace Cathedral,

na mesma cidade, desde outubro passado. Criada pelo artista

norte-americano George Zisiadis, a instalação é composta de

um poderoso projetor – com fluxo luminoso de 30 mil lumens –

instalado sobre o famoso labirinto de meditação pintado no piso,

criando uma cortina de luzes coloridas, com mais de 30 metros

de altura, evidenciada pela fina névoa lançada no espaço.

Os visitantes são convidados a se deitar no labirinto e

vivenciar uma jornada de 15 minutos de luzes sincronizadas a

uma trilha sonora, composta pelo músico californiano Gabriel

Gold especialmente para a instalação.

“Grace Light suscita adoração, sensibilizando desde a mente

até o coração”, declarou o fundador e CEO do Illuminate,

Ben Davis. A experiência é gratuita e teve suas inscrições

rapidamente esgotadas no ano passado, o que fez a Grace

Cathedral estender a temporada até o final de 2020. (D.T.)

24


T O D O P R O J E T O P R E C I S A D E I L U M I N A Ç Ã O.

¿QUÉ PASA?

VALE DE LUZ

MAS ALÉM DISSO, A LUZ PODE EXPRESSAR IDENTIDADE!

26

Kristof Vrancken

Em referência ao “vale da sombra da morte”, citado no

Salmo 91 da Bíblia, o mais recente trabalho da artista visual

polonesa Karolina Halatek, Valley, subverteu essa ideia ao

propor a criação de um “vale de luz”.

A instalação era formada por um estreito corredor

que parecia amplificado pela luz originada das paredes

paralelas retroiluminadas refletida pelas superfícies

brancas de piso e teto. Ao adentrar no espaço, o visitante

era transportado a um ambiente introspectivo, semelhante

à fenda de uma geleira, onde poderia vivenciar a luz de

maneira abstrata, em uma experiência transformadora.

Ao mesmo tempo, a possibilidade de cruzar com outros

visitantes em um espaço diminuto poderia remeter a um

encontro entre dois estranhos, em um contexto urbano, como

em uma estreita passagem entre dois arranha-céus. De acordo

com a artista, a obra demonstra como a arquitetura tanto pode

blindar e dividir quanto conectar.

A instalação foi apresentada na exposição Alone Together,

como parte do festival belga de arte contemporânea Artefact,

que reuniu trabalhos de diversos artistas em busca de explorar

todos os vieses da solidão e da intimidade. “Observando o

crescente desenvolvimento da tecnologia, que leva a um

aumento do isolamento e da ansiedade, quero seguir na direção

oposta, por meio da criação de situações que envolvam todos

os sentidos humanos”, declara Karolina. (D.T.)

Catálogo Revoluz 2020.

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nacionais de iluminação, visando a valorização

da indústria, do design e da produção brasileira.

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ERCO, Gavriil Papadiotis

¿QUÉ PASA?

A LUZ DE REMBRANDT E DE PETER

A galeria de arte mais antiga do mundo, a Dulwich Picture

Gallery, no sul de Londres, comemorou no final do ano passado

o 350º aniversário da morte do pintor holandês Rembrandt com

a exposição A luz de Rembrandt.

A mostra teve conceito de iluminação do cinematógrafo

Peter Suschitzky, diretor de fotografia dos filmes Guerra nas

Estrelas, Marte Ataca, The Rocky Horror Picture Show e da

maioria dos filmes do diretor David Cronenberg. Na opinião

de Suschitzky, os trabalhos do pintor mostram uma verdade

universal sobre a existência humana, utilizando a luz para criar

movimento e emoção.

28

O projeto de iluminação da exposição explora a temática

de cada sala. Na primeira, por exemplo, Suschitzky acentua

a habilidade de Rembrandt como contador de histórias. Na

última, dedicada à exibição de trabalhos de caráter mais pessoal

do artista, o diretor propõe uma atmosfera sensual e íntima.

A exposição deu ênfase à fase mais produtiva do pintor,

durante o período de 1639-1658, em que viveu na casa de seus

sonhos, no centro de Amsterdã – hoje o Rembrandt House

Museum –, caracterizada por grandes janelas e pela abundância

de luz natural. (O.M.)

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© Robert Irwin / Artists Rights Society (ARS), New York

Tiago Reckler

¿QUÉ PASA?

DESLUZES

A nova exposição Unlights, do artista estadunidense Robert Irwin,

na galeria nova-iorquina Pace, é composta de lâmpadas fluorescentes nuas

e apagadas, que são montadas em luminárias retangulares e instaladas em

fileiras verticais diretamente na parede.

Os tubos de vidro são cobertos por camadas de filtros translúcidos

de diferentes cores e tiras de fita isolante, o que permite que a superfície

refletora de vidro interaja com a iluminação difusa e uniforme do ambiente.

Dessa forma, as esculturas apresentam um jogo de luz e sombra e tonalidade

cromática, propondo sensações de ritmo, pulsação, expansão e intensidade

e promovendo o imediatismo de nossa presença no espaço.

Cada luminária contém uma ou duas lâmpadas apagadas – ou nenhuma

lâmpada –, e intervalos vazios alternados de parede são pintados em sutis

tons leves de cinza, provocando uma sensação de incerteza sobre o que

é tátil e o que é meramente óptico.

Como os intervalos sombreados, pintados e refletidos do espaço aguçam

o campo visual do espectador, a própria parede entra na composição das

esculturas, desestabilizando qualquer senso de materialidade. (O.M.)

30

SHOWROOM DASS

Local: Ivoti - RS

Projeto de arquitetura e iluminação: Acampoi Arquitetura

www.lemca.com.br


Hendrik Zeitler

C

M

Y

¿QUÉ PASA?

FENDAS NO ÁRTICO

CM

MY

CY

CMY

K

Os designers Sofia Hedman e Serge Martynov, fundadores

do estúdio multidisciplinar MUSEEA, são especializados na

criação de espaços expográficos, geralmente de perfil intrigante,

provocador e imersivo. Foi o que apresentaram, mais uma vez,

na exposição The Arctic – While the Ice Is Melting (O Ártico –

Enquanto o Gelo Derrete, em tradução livre), em cartaz pelos

próximos três anos no salão principal do Nordiska Museet, em

Estocolmo, Suécia.

A exposição apresenta uma viagem imersiva à vida no Ártico,

contando sua história e falando sobre seu futuro sob o viés das

mudanças climáticas, cujos efeitos são drásticos na região. O

conceito é todo centrado em rachaduras, que têm um forte apelo

simbólico sobre a vida local, denotando o rápido derretimento

do gelo ocasionado pelo aquecimento global e ilustrando até

mesmo a divisão existente entre os protetores do ambiente

natural e aqueles que o exploram visando lucrar financeiramente.

O visitante inicia seu percurso adentrando pela fenda de um

enorme bloco de gelo, situado no grandioso hall do museu –

que teve suas abóbadas tingidas por projeções mapeadas. Ali,

a primeira sala recria a luz da Estrela do Norte, a mais brilhante

da constelação da Ursa Menor, que se destaca no céu noturno

do polo Norte.

A ambientação ártica é proporcionada pela iluminação

em tons azuis. No decorrer do percurso, a iluminação e

as superfícies se tornam gradualmente mais esverdeadas,

simbolizando o derretimento do gelo até alcançar o azul

profundo do alto-mar.

O espaço em que é demonstrada a importância da madeira

para a cultura local, historicamente utilizada na construção de

casas, é iluminado em temperatura de cor mais cálida.

Após o trabalho nesse projeto, os designers, que já

costumavam empregar materiais reciclados e reutilizados em

suas criações, iniciaram a construção de uma plataforma para

que outros profissionais possam encontrar e compartilhar

materiais de reúso para futuras exposições. “A crise climática é

uma questão crítica, do interesse de todos”, declara Sofia. (D.T.)

32


Stephane Muratet

¿QUÉ PASA?

LOUIS VUITTON MAISON OSAKA MIDOSUJI

FIDELIDADE E REPRODUÇÃO DE COR COMO VOCÊ NUNCA VIU

A arquitetura da nova maison da grife francesa Louis Vuitton

em Osaka presta homenagem à história marítima da cidade

japonesa, em especial aos navios Higaki-Kaisen, tradicionais

embarcações de carga a vela. Concebido pelo arquiteto Jun

Aoki, em parceria com Peter Marino (responsável pelo projeto

dos interiores), ambos colaboradores de longa data da marca,

o edifício chama a atenção por sua fachada revestida de vidro

translúcido e texturizado, que remete às velas de um barco, em

decorrência do formato curvo.

Durante o dia, o material tem aparência opaca, apesar de

permitir a entrada controlada de luz natural nos ambientes

da loja. À noite, porém, a fachada torna-se translúcida, em

razão da iluminação indireta instalada na parte interna da

base de cada vela, criando um dégradé de luz e revelando a

presença da estrutura metálica que sustenta esses elementos.

A luz vinda dos interiores também contribui para a criação

de um interessante jogo de superfícies translúcidas e opacas,

conferindo dinamismo à fachada. Ainda com relação ao tema

marítimo, os acabamentos metálicos do térreo externo buscam

recriar a impressão de um navio flutuando sobre a água, o

que também é reforçado pelos acabamentos em madeira nos

interiores, em referência ao convés.

Nessa loja foi inaugurado o primeiro café da Louis Vuitton,

Le Café V, que, instalado em um terraço descoberto no último

andar, permite uma vista especial das velas da fachada. O café

funciona como antessala para o Sugalabo V, um exclusivo

restaurante de alta gastronomia aberto em parceria com o

badalado chef japonês Yosuke Suga. (D.T.)

34


¿QUÉ PASA?

MISTERIOSO VALE DA ALTA GASTRONOMIA

Shao Feng

A equipe do escritório chinês Various Associates encontrou,

na adversidade, uma inspiração. Contratados para projetar

a sede do restaurante Voisin Organique, em um espaço

preexistente em Shenzhen, os arquitetos depararam com

um ambiente escuro e marcado pelas diferentes alturas, por

razões estruturais. Levando em conta a filosofia farm-to-table

(algo como “da fazenda à mesa”) adotada pelo restaurante, os

arquitetos utilizaram as características do espaço para criar uma

narrativa, que norteou os projetos de arquitetura e interiores:

“um passeio pelo vale”.

Ao entrar, os visitantes são recebidos no lounge, onde

são oferecidos drinks e petiscos. O ambiente é marcado pela

iluminação sutil, proveniente de detalhes lineares integrados ao

fundo do bar e ao balcão, e da falsa claraboia construída em uma

das fendas da estrutura existente, cuja iluminação mimetiza um

pôr do sol. A única conexão com o ambiente externo se dá pelas

lentes convexas instaladas na fachada, que permitem a entrada

da luz natural no espaço.

Um misterioso e escuro corredor leva ao espaço do

restaurante, onde são oferecidos pratos de alta gastronomia

que fazem uma releitura da cozinha chinesa clássica. Os

acabamentos escuros e rústicos dominam esse espaço,

iluminado apenas por poucos downlights sobre as mesas e por

mais uma claraboia falsa, dessa vez fornecendo iluminação com

temperatura de cor mais fria. A pintura marrom-avermelhada

desse elemento se destaca do restante dos acabamentos,

contribuindo para a experiência sensorial diferenciada que os

arquitetos almejavam para esse ambiente. (D.T.)

36 37


CATEDRAL DE NORWICH

Texto: Orlando Marques | Fotos: James Newton

A Catedral de Norwich, em Norfolk, Inglaterra, foi construída

entre 1096 e 1145, após a dominação normanda de Guilherme, o

Conquistador, no século XI.

O estilo gótico normando, atribuído principalmente à

arquitetura românica inglesa, desenvolvida entre os séculos X

e XII, define a arquitetura do edifício de construção em

argamassa e pedra de Caen, tipo de calcário de cor bege-clara,

extraído na cidade de Caen, no norte da França.

Desde 2012 o escritório Speirs + Major trabalha no projeto

de iluminação de seus interiores, caracterizado por arcos,

abóbadas e artefatos históricos.

A principal abordagem do projeto enfatiza elementos

arquitetônicos e decorativos, permitindo, ao mesmo tempo, a

realização de uma série de atividades e usos, próprios de uma

catedral contemporânea, sem descaracterizá-la.

“Sabemos que durante séculos e séculos esse edifício

foi iluminado somente pela luz do dia e pela luz de velas.

Nosso objetivo foi desenvolver um projeto ‘instintivo’,

enfatizando a arquitetura dos elementos litúrgicos, de forma

a permitir diversos usos”, declara Mark Major, arquiteto titular

do escritório.

O projeto de iluminação foi criado em camadas. Na base

do edifício, a luz geral é mais baixa e uniforme, projetada para

facilitar as atividades do dia a dia, como circulação, limpeza e

leitura. Acessos e circulações com alterações de nível do piso

foram iluminados para permitir conforto e segurança a pessoas

com todas as habilidades.

Outra camada de luz é formada por destaques, que

chamam a atenção para os elementos de liturgia, como altares,

púlpitos, assentos especiais, pia batismal, bancos e demais

artefatos, como a cadeira do bispo. Outra camada de luz

inclui a infraestrutura necessária para concertos e eventos da

comunidade paroquiana.

O estilo arquitetônico da Catedral de Norwich é caracterizado

principalmente por uma estética limpa, cujos volumes são

revelados por meio da iluminação natural, o que também

define a experiência sensorial no edifício. A última camada

de iluminação foi concebida para expressar esses volumes.

Esse é o caso do destaque, por meio de iluminação indireta,

das abóbadas da nave central e da lateral, do transepto e do

presbitério, dos nichos e volumes do trifório e do clerestório e

ainda das abóbadas dos corredores do ambulatório.

38 39


Um dos desafios mais críticos do projeto foi determinar

a localização das luminárias com a mínima interferência na

estrutura do edifício. “Para nós foi essencial restringir o máximo

possível o número de perfurações para a fixação das luminárias.

Igualmente crucial foi manter a flexibilidade do conceito

do projeto e distribuir luminárias onde fosse necessário”,

conta Phillip Rose, lighting designer coordenador do projeto.

Definiu-se então que, entre as caneluras das colunas, seriam

fixados, verticalmente, trilhos eletrificados. Cada trilho recebeu

até seis projetores cada, o que permitiu iluminar os volumes

arquitetônicos e os artefatos, de acordo com o uso do espaço.

Para iluminar as abóbadas – e com isso destacar os botões

decorativos nos cruzamentos das vigas –, os trilhos foram

distribuídos na parte posterior das colunas, escondidos do

contato visual, a partir da entrada da nave principal.

Outro aspecto importante no projeto de iluminação

envolveu remover o cabeamento existente e adicionar uma

nova infraestrutura elétrica, mais eficiente e com menos

encaminhamentos. Para minimizar seu impacto visual na

arquitetura, os cabos foram pintados à mão, utilizando a técnica

artística de ilusão de óptica e perspectiva trompe l'oeil.

Os bancos do coro receberam uma reinterpretação

contemporânea do castiçal de vela, por meio de uma luminária

decorativa que brilha suavemente na ponta e, na sua base, emite

luz para baixo, a fim de iluminar o apoio de livros e partituras e

destacar os bancos.

No coro, os bancos são iluminados por luminárias decorativas

inspiradas em uma vela. Uma fonte de luz direta, para baixo,

ilumina o apoio de livros e partituras. Cenas variadas em

diferentes momentos do dia permitem destacar diversas

situações do culto religioso.

No conceito produzido pelos lighting designers, é possível reconhecer as diversas

camadas de luz da nave central e do transepto.

40 41


CATEDRAL DE NORWICH

Norfolk, Inglaterra

Projeto de iluminação:

Speirs + Major

Arqueologia:

Dr. Roland Harris

Levantamento técnico:

Henry Freeland

Integração de sistemas

e administração de contrato:

Light Perceptions

Obra:

EV Bullen

Cliente:

Catedral de Norwich

Fornecedores:

ACDC, Lutron, Mike Stoane

Lighting e Viabizzuno

O escopo do projeto também incluiu a iluminação de seis

capelas e da chancelaria da catedral. O conceito nessas áreas

privilegiou o destaque dos altares, por meio de luminárias

escondidas atrás do observador ao entrar nesses espaços.

O projeto conta com sistema de automação, no qual é

possível controlar a intensidade de todas as fontes de luz de

0% a 100%. Isso permite ao deão total flexibilidade em definir

a ambiência e atmosferas mais adequadas de acordo com o

serviço e o uso dos espaços. Esse sistema permite ainda uma

economia significativa no consumo de energia elétrica. E, por se

tratar de fontes luminosas com tecnologia LED, o projeto também

permitiu reduzir o impacto dos raios UV nos artefatos históricos.

Vista do coro e do presbitério com iluminação de destaque

para o altar.

As circulações laterais são acentuadas pela iluminação

indireta das abóbadas por pequenas luminárias embutidas

nos capitéis das colunas.

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TEATRO VIVO

Texto: Orlando Marques (colaborou Carlos Fortes)

Fotos:Tadeu Melegatti

O Teatro Vivo está situado no térreo da sede corporativa

da operadora de telefonia Vivo, em São Paulo. Projetado

inicialmente para abrigar um cinema, a sala de espetáculos

já tinha sido adaptada anteriormente para um teatro. A atual

reforma, projetada pelo escritório de arquitetura Triptyque,

equipou tanto o teatro em si quanto o foyer com os mais

modernos sistemas de controle de som, vídeo, iluminação,

acústica etc., superando as dificuldades inerentes às limitações

físicas do projeto do antigo cinema.

O reforço da identidade da marca da empresa foi um dos

vetores de sustentação do projeto. Presente nos elementoschave

do projeto de interiores (cortinas de veludo, estofados das

poltronas da plateia e revestimentos acústicos), a cor púrpura –

um tom de roxo saturado e vibrante – também está presente de

forma estratégica no projeto de iluminação desenvolvido pelos

lighting designers do Estúdio Carlos Fortes.

44 45


O conceito inicial dos arquitetos foi pouco alterado durante

o desenvolvimento do projeto de iluminação. Suas premissas

foram sustentadas, e uma detalhada pesquisa de materiais

e tecnologias foi desenvolvida, para que o resultado atendesse

às expectativas.

Em toda a área do foyer, que pode ser subdividido em

múltiplas salas para uso individual, a estrutura de concreto foi

deixada aparente, assim como todos os sistemas de instalações.

Além de servir de foyer ao teatro, esses ambientes atendem

aos usuários da torre corporativa, como é o caso do café que

funciona durante todo o período de expediente, aberto também

ao público externo.

Seguindo esse conceito, todos os equipamentos de

iluminação são aparentes. O principal desafio do projeto foi

desenhar um sistema estrutural ao mesmo tempo rígido e

leve que configura um plano visual abaixo das instalações. Tal

sistema deveria ser o mais esbelto possível, incorporando a

infraestrutura necessária à implantação do complexo sistema

de automação DALI.

O espaço é constituído por dois “quase quadrados”,

inseridos um no outro com os eixos deslocados – o que nos

remete à geometria encontrada na arte concreta brasileira. O

grid da laje nervurada se impõe rapidamente como mais uma

composição entre quadrados. Essa rigidez geométrica é rompida

por uma imponente cortina de veludo roxa, que traça uma curva

separando a área do foyer dos acessos à plateia.

As áreas de uso são delimitadas em torno dos quatro

lados do quadrado menor – que abriga bilheteria, sanitários,

escadas, áreas de apoio e casas de máquinas. A iluminação

difusa da bilheteria, composta de um forro de lona tensionada

retroiluminada, destaca-a na frente do volume central. À

esquerda, a circulação que dá acesso à plateia e conecta o foyer

principal ao café é destacada pela cortina curva de veludo roxo.

À direita, fica a área que pode ser fragmentada em salas de

reuniões – quando todas as divisórias estão abertas, essa área

integra-se com o lounge, na frente, e com o café, nos fundos.

O partido fundamental do projeto foi o traçado de um grid

luminoso de 2 m × 2 m, espelhado no teto e no piso, paginado

a partir do volume central no foyer. A opção pelo sistema de

iluminação RGBW visou, além da versatilidade do sistema,

reforçar a identidade visual da Vivo, centrada na cor púrpura.

Todo o sistema é integrado, incluindo a iluminação da plateia,

100% dimerizável.

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A paginação valoriza o volume central, revestido de espelho

acidado, que abriga bilheteria e serviços.

Além das linhas difusas, luminárias cilíndricas iluminam a área

do café e do foyer, contribuindo na modelagem dos espaços.

O sistema RGBW e a automação DALI permitem quaisquer

combinações de cores; no entanto, a fim de preservar a

identidade da Vivo, as linhas do piso são programadas apenas

em branco quente (3.000 K) ou púrpura.

Toda a iluminação dos ambientes é composta de malha

modular de 2 m × 2 m, que se espelha no piso e no teto. Essa

malha é formada por linhas difusas conectadas entre si, com

um sistema duplo de iluminação RGB e branco dinâmico.

As dimensões do perfil são as mínimas necessárias para

alojar o sistema duplo de fitas de LED, assim como drivers e

controladores, resultando em 2,5 cm de largura.

A paginação da malha inicia com um quadrado que dá

a volta no volume central, iluminando as paredes revestidas

de vidro acidado. A partir desse quadrado, repete-se o ritmo

modular vez ou outra interrompido por elementos estruturais

ou de fixação das divisórias.

No café, no lounge e nas salas de reuniões, um segundo

sistema de iluminação pontual foi inserido na malha, fixado em

tubos que formam uma cruz entre os módulos. Esse sistema

complementar de iluminação direta auxilia na modelagem dos

ambientes e na hierarquização dos espaços.

Como regra geral, o sistema de iluminação difusa pode ser

programado considerando todos os espaços integrados, compartimentados

com diferentes ocupações simultâneas ou ainda

com ocupação parcial. O protocolo de controle DALI confere ao

sistema a flexibilidade necessária para a programação adequada

às diferentes possibilidades de uso.

Para o uso diário do foyer, com todas as áreas integradas

e ocupadas desde a abertura da torre corporativa no início

da manhã até o final da última sessão no teatro, foram

preestabelecidas cenas que corroboram a versatilidade do espaço

e a identidade visual da Vivo.

Essas cenas combinam o branco quente 3.000 K com a cor

púrpura. Durante o dia, a iluminação é mais intensa nas áreas do

café, no lounge e nas salas de reuniões, variando de 5% (piso e

áreas de circulação) a 80% nas áreas em destaque. Nos minutos

que antecedem o início dos espetáculos noturnos, aciona-se a

iluminação púrpura com maior intensidade, em 100%, na área

central revestida de vidro que abriga a bilheteria, e nas demais

áreas, em 5%. Quando é liberado o acesso à plateia, a cor

púrpura dá lugar ao branco quente em baixa intensidade em

5%, com o corredor de acesso à plateia a 80%. No intervalo,

mantém-se a iluminação geral em 5%, com destaque apenas

na área do bar, a 30%. Ao final do espetáculo, a iluminação

púrpura no piso é combinada com a iluminação branca de baixa

intensidade no teto.

Quaisquer outras combinações de cores podem ser

programadas. Como regra impõe-se apenas que a iluminação

embutida no piso seja sempre branca em 3.000 K ou púrpura.

Na plateia, a iluminação direta, vinda de miniluminárias de facho

concentrado agrupadas em linhas contínuas no teto, destaca

mais uma vez a cor roxa das poltronas. Em complemento à

iluminação direta, há uma sanca que ilumina a parede do fundo,

revestida de madeira e com arandelas decorativas de luz indireta

nas circulações laterais.

TEATRO VIVO

São Paulo, Brasil

Projeto de iluminação:

Estúdio Carlos Fortes

Projeto de arquitetura:

Triptyque

Construtora:

Lock

Fornecedores:

Lightsource, Osram e Tensoflex

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YIN-YANG

Texto: Débora Torii | Fotos: Takumi Ota

Yin e Yang são princípios milenares do taoísmo que se

baseiam no conceito de dualidade presente em tudo o que

existe no Universo: sim ou não; verdadeiro ou falso; tudo ou

nada; ligado ou desligado; aberto ou fechado; claro ou escuro...

As relações binárias estão presentes em incontáveis situações

cotidianas, sendo aplicadas também em diversos conceitos e

práticas nos campos da filosofia, da teologia, da astrologia, da

psicanálise e até mesmo da medicina. No entanto, a ciência

a que o sistema binário é mais frequentemente associado é a

computação, cuja linguagem é constituída dos dígitos 0 e 1, que

são a base de toda a codificação e armazenamento de dados.

Esse foi o ponto de partida do projeto de interiores do

estúdio japonês nendo para o novo núcleo de desenvolvimento

digital de um escritório internacional em Tóquio, no Japão. Líder

mundial no mercado de consultoria empresarial, a empresa

americana preza pela discrição ao lidar com dados sigilosos

de importantes clientes, o que se traduz perfeitamente nos

materiais e nos acabamentos adotados no projeto.

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O local é dividido em três galerias, que contêm espaços de

escritório e salas de reuniões, além de um lounge destinado

à apresentação de novas tecnologias digitais e um espaço

multiuso para a realização de eventos e seminários. Os

ambientes são marcados pelo alto contraste dos acabamentos,

como, por exemplo, nas áreas comuns, onde o teto é pintado

na cor preta, permitindo que os equipamentos de iluminação

“desapareçam” em meio às instalações aparentes, pintadas

na mesma tonalidade. Detalhes lineares de iluminação difusa

contribuem para valorizar os acabamentos, como os espelhos

aplicados nas paredes das circulações e o encontro do teto preto

com as paredes brancas na sala multiuso.

O aquecimento das lâminas de vidro, quando posicionadas sobre

moldes de aço, deformou-as pela ação de seu próprio peso,

adquirindo assim a textura formada pelos números “0” e “1”.

Pela irregularidade das superfícies, esses elementos não

puderam ser transportados de maneira tradicional, por meio

de ventosas, o que demandou maior tempo e mão de obra para

sua instalação.

O principal elemento construtivo do projeto são as divisórias

de vidro transparente, criadas pelo estúdio com inspiração nos

dígitos binários da computação. Compostas de duas camadas

de vidro laminado e de quatro camadas de película para a

prevenção contra estilhaços, as divisórias foram moldadas em

fôrmas de aço inoxidável, que lhes imprimiram uma textura

ondulada, feita dos números 0 e 1. Com exceção do mobiliário,

os interiores das salas contidas por essas divisórias são

predominantemente brancos, amplificando a reflexão da luz. Ao

ser transmitida pelo vidro texturizado, a luz é refratada, criando

um curioso jogo de reflexos, semelhantes aos que são gerados

quando a luz do Sol é transmitida e refletida pela água.

As salas do escritório oferecem, ao mesmo tempo,

permeabilidade visual e privacidade, já que a textura do vidro

faz parecer distorcido – ou codificado – tudo o que está do

outro lado. Segundo os designers, “a intenção era expressar o

futuro da ‘Internet das coisas’ (IoT), uma fusão entre o digital e

o real, por meio desse cenário em que imagens reais e virtuais

se integram de maneira harmônica”. Curiosamente, esse futuro

é expresso por meio da referência a esse sistema tão antigo que

confere ao espaço múltiplas interpretações e linguagens – assim

como ocorre na computação.

DIGITAL HUB

Tóquio, Japão

Projeto de iluminação e interiores:

nendo

Oki Sato (Chief Designer)

Mado, Snz (Designers)

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EM BUSCA DA LUZ TANGÍVEL:

A EXPERIÊNCIA DO FRESH & GOOD

Texto: Diogo de Oliveira | Fotos: André Nazareth

A luz biologicamente eficaz ou human centric lighting (HCL)

está no centro do debate entre lighting designers, pesquisadores

e indústria de iluminação. Trata-se, no entanto, de um campo

ainda bastante novo em termos de evidências, mas que, ao

mesmo tempo, atende à crescente demanda por produtos

associados à saúde e ao bem-estar dos usuários. Uma pesquisa

de mercado publicada no ano passado previu crescimento global

de 38% no consumo de produtos baseados em HCL entre 2018

e 2019, movimentando quase 1 bilhão de dólares.

Do ponto de vista fisiológico, a ciência reconhece

fotorreceptores no olho humano não relacionados à visão e

afirma que a luz influi diretamente no ciclo circadiano por meio

da supressão ou da liberação do hormônio melatonina, ligado

ao ciclo sono-vigília e à reprodução, sendo menos atuante

quanto menor é nossa exposição à luz. Estamos diante de

novas áreas do conhecimento que por hora apresentam mais

perguntas que respostas.

Crescentes iniciativas do lighting design e da indústria

de iluminação, no entanto, adiantam-se com soluções que

relacionam os efeitos da luz à qualidade visual e ao conforto,

assim como à qualidade do sono, à atenção, ao humor e ao

comportamento, além de suas consequências na saúde, no

aprendizado, no consumo e no desempenho profissional.

Ainda, práticas correntes nos estudos de mercado, como os

indicadores-chave de desempenho (key performance indicator

– KPIs) e a gestão de marcas (branding) aplicada ao sucesso de

estratégias empresariais, têm fornecido dados para a concepção

de projetos de iluminação visando ao desempenho.

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O conceito de fluidez entre espaços múltiplos, com restaurante

casual, grab & go e bar no térreo e ambiente mais formal

no mezanino, resultou em adequação e integração da luz.

As soluções de iluminação combinaram luz difusa e pontual,

criando contrastes, além de iluminar superfícies.

LD STUDIO E KELVING LAB

Resultado de quatro anos de apuração e aplicação rigorosa

de dados tanto científicos quanto de tecnologia, do design e

do marketing no campo da iluminação biologicamente eficaz,

os parceiros cariocas LD Studio e Kelving LAB desenvolvem

metodologias experimentais que aplicam indicadores de

medição para materializar os benefícios da luz na vida

humana, promovendo desde bem-estar até produtividade e

experiências de consumo.

FRESH & GOOD

O projeto de iluminação do restaurante Fresh & Good, aberto

desde 2018 em Ipanema, Rio de Janeiro, é o primeiro resultado

dessa parceria. A colaboração entre desenho de iluminação

e metodologias de medição dos impactos fisiológicos da

iluminação para otimizar as experiências dos usuários do

restaurante define esse projeto.

O restaurante foi concebido pelos empresários Fabiola

Giffoni e Andre Penso como um espaço gastronômico múltiplo

capaz de acolher o público ao longo de todo o dia, servindo

comida saudável, afetiva e saborosa. Esse conceito de comida

“de verdade” orientou a criação da identidade visual da marca

com paleta de cores intensas, evocando alimentos in natura, ou

seja, não processados.

O projeto de arquitetura de Vicente Giffoni trouxe para o

ambiente essa mesma intensidade de cores, seguindo estratégia

de fortalecimento da marca. Outro elemento relevante é a

convivência de espaços múltiplos: grab & go, restaurante casual

e bar, no térreo, e restaurante mais formal, no mezanino.

O conceito do projeto de iluminação do LD Studio

inspirou-se na fluidez entre esses espaços: a ideia de conexão

e conectividade aplicada não apenas na luz adequada a cada

ambiente, mas também na instalação cenográfica de fios

tensionados com as cores da marca, cuja variação de densidade

identifica os espaços.

Fios coloridos instalados no teto do térreo conectam-se com

divisórias e luminárias também feitas de fios, mesmo elemento

usado próximo ao forro do segundo andar, onde a luz azul reforça

essa conexão entre os ambientes. As soluções de iluminação

combinaram luz difusa e pontual, criando contrastes, além de

iluminar superfícies como as prateleiras do bar, as cortinas do

mezanino e a parede da escada.

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58 59


9h

13h

17h

18h

19h

A ideia de conexão e conectividade inspirou o uso de fios

tensionados com as cores intensas da marca em instalações

cenográficas no teto, cuja variação de densidade dos fios

identifica os espaços, além da criação de divisórias e luminárias.

A sequência acima ilustra as cinco composições espectrais

criadas a partir da variação diária da experiência dos usuários:

café da manhã, almoço, meio da tarde, crepúsculo e noite.

Essas variações foram programadas digitalmente para execução

e monitoramento em tempo real e são resultado da metodologia

de light branding.

O Kelving LAB integrou-se ao projeto na criação de soluções

flexíveis e moduladas de iluminação para o uso dos espaços

por públicos diversos ao longo da jornada de operação da casa,

ajustadas a limitações de orçamento, metas de retorno do

investimento e compreensão de mercado.

Com o objetivo de conhecer e otimizar a experiência

dos usuários em cada período da operação, definiram-se

indicadores-chave de desempenho a partir de atributos

fisiológicos (atender necessidades visuais e não visuais),

psicológicos (efeitos da luz e do ambiente no acolhimento e na

adequação) e identitários (elementos de iluminação e variações

espectrais alinhados com a identidade da marca). Com base

nesse estudo, surgiram composições espectrais como resultado

da aplicação da metodologia de Light Branding, programadas

digitalmente para execução e monitoramento em tempo real e

adequadas a cada período: café da manhã, almoço, tarde, fim de

tarde, crepúsculo e noite.

Um resultado tangível desse foco nas experiências dos

usuários aplicado ao projeto de iluminação, citado pelos

lighting designers responsáveis pelo Fresh & Good, foi o gradual

aumento da frequência no período da noite, uma conquista

bem-vinda quando se esperava público principalmente diurno.

A iluminação biologicamente eficaz amplia a vocação múltipla

da casa.

FRESH & GOOD

Rio de Janeiro, Brasil

Projeto de iluminação:

LD Studio

Clarissa Bonotto, Daniele Valle,

Mônica Lobo e Monique Helen

Consultoria em Light Branding®

Kelving LAB

Projeto de arquitetura e interiores:

VG Vicente Giffoni Arquitetura

e Planejamento

Cliente:

Fresh & Good

Fornecedores:

Dimlux, Ledplus, Light Design + Exporlux,

Osvaldo Matos, Luz Carioca, Zigbee

e Z-wave

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MODA, ARTE E DESIGN

Texto: Fabiana Rodriguez | Fotos: Romulo Fialdini

Em comemoração a seus 40 anos de história, no ano

passado a Galeria Melissa São Paulo foi inteiramente reformada.

Localizada na rua Oscar Freire, famosa por ser o local das

grandes marcas e do circuito paulistano da moda, a proposta

do espaço é misturar moda, arte e design, três pilares da marca.

Com conceito idealizado pelo empresário de design

Houssein Jarouche e projeto arquitetônico desenvolvido pela

arquiteta Moema Wertheimer, do escritório de arquitetura

mw.arq, a ideia foi criar um espaço híbrido para atender a uma

grande variedade de atividades, como intervenções artísticas,

talks, workshops e lançamentos dos produtos da marca.

Com base nessas premissas, o projeto de iluminação,

desenvolvido pelo escritório Lit Arquitetura de Iluminação,

apoiou-se na ideia de flexibilidade e inovação, entendendo o

universo da marca e ressaltando o produto no contexto espacial.

O projeto procurou o equilíbrio entre dois efeitos distintos e

complementares da luz: a iluminação geral difusa do ambiente e

a iluminação de destaque dos produtos e dos demais elementos

arquitetônicos. Além disso, criou uma solução simples e eficaz

para acompanhar a versatilidade de layout dos expositores.

Uma grande praça junto à calçada integra a loja ao contexto

urbano, criando uma área de convivência “dentro-fora” da

Galeria Melissa. A utilização de 20 mil tijolos de PVC Melflex®,

o famoso plástico das sandálias Melissa, como revestimento

das paredes desse espaço, reforça a identidade da marca. A

utilização inovadora desse material como elemento construtivo

conferiu ao espaço a aparência, a textura e o cheiro dos produtos

da marca. Esses “tijolos Melissa” podem ainda, por exemplo, ser

substituídos por outros de cores diferentes e reaproveitados na

fabricação de novos produtos.

A grande superfície de tijolos dourados da fachada é valorizada

com iluminação de baixo para cima por meio de projetores

lineares embutidos no piso com módulo LED de 40 W, 3.700 lm

e 2.700 K. Perfis lineares integrados sob os bancos com fita

de LED LONG RUN de 3,5 W, 31 0lm e 2.600 K e projetores de

LED de 7 W, 85 0lm, 3.000 K e facho de 31° nas jardineiras

completam a iluminação da praça de acesso à loja.

62 63


A aparência das paredes, atualmente com tijolos dourados, é potencializada pelo

sistema de iluminação uplight de maneira intensa e uniforme, por meio de projetores

lineares embutidos no piso. Em complemento à iluminação vertical, foram instalados

perfis lineares integrados aos bancos, para iluminação indireta, e projetores fixados em

espetos nas jardineiras, para destaque do paisagismo.

Ao entrar na loja, um grande espaço com pé-direito duplo abriga, um de cada

lado, expositores em forma de andaimes com rodízios, o que permite também layouts

diferentes na exposição de produtos ou elementos decorativos. Como os expositores

são móveis, a iluminação acompanha esse conceito, por meio de luminárias móveis,

fixadas por garras nas prateleiras ou na estrutura dos andaimes.

Projetores orientáveis com diferentes aberturas de fachos foram incluídos para

destacar os produtos expostos, bem como a mesa coletiva, criando brilhos pontuais

nos ambientes e nos produtos. A iluminação geral da loja, projetada por meio de

perfis de LED para iluminação difusa, está distribuída em linhas descontínuas sobre

um forro de tela metálica expandida. A intenção foi criar uma iluminação homogênea,

permitindo mais conforto visual na transição das áreas externas para as internas.

Para marcar a transição de textura do revestimento de tijolo dourado para o

da tela metálica nas paredes e, com isso, conferir continuidade visual, o projeto de

iluminação repetiu a distribuição dos perfis de LED do forro, fixando-os nos limites

desses revestimentos.

O destaque dos produtos nos expositores móveis é feito por meio

de arandelas orientáveis com lâmpada de LED PAR20 de 6 W,

450 lm, 2.700 K e 25°, fixadas na estrutura dos andaimes por

meio de garras. Sobre a tela metálica expandida foram instaladas

luminárias lineares com LED 25 W/m, 1.600 lm/m e 3.000 K

para iluminação difusa. Sob a tela foi projetado um sistema de

iluminação de destaque com projetores orientáveis com módulo

LED COB de 7,6 W, 1.100 lm, 3.000 K e fachos de 14° e 24°.

O mesmo tipo de sistema uplight da entrada, menos contínuo

e com luminárias de menos intensidade, ilumina a parede verde

localizada na parte posterior do espaço, convidando os clientes

a percorrer toda a extensão da loja até chegar a mais uma área

de convivência da Galeria Melissa.

Para ajudar a trazer mais calidez aos ambientes, foi adotada

tecnologia LED com temperatura de cor entre 2.600 K e 3.000 K,

uma vez que, com exceção dos tijolos dourados, a maior parte

dos acabamentos do projeto é em tonalidade neutra.

Alinhando características técnicas e estéticas de um espaço

híbrido, o projeto de iluminação reforçou esse conceito de

espaço mutável e urbano, destacando o universo estético atual

e democrático que a Galeria Melissa propõe à cidade.

GALERIA MELISSA SÃO PAULO

São Paulo, Brasil

Projeto de iluminação:

Lit Arquitetura de Iluminação

Cláudia Borges Shimabukuro

e Letícia Mariotto (arquitetas titulares)

Projeto conceitual:

Houssein Jarouche

Projeto de arquitetura e interiores:

Moema Wertheimer Arquitetura

(arquiteta titular)

Arthur Madsen (arquiteto coordenador)

Cliente:

Grendene

Fornecedores:

Lemca, LightDesign + Exporlux,

Omega Light e Stella

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FOTO LUZ FOTO

ROMULO FIALDINI

Nesta foto eu quis dar a impressão de uma enorme pilha de

barras de ouro. Foi o que eu enxerguei na primeira vez que vi a

fachada desse projeto. Em todas as fotos que produzi procurei

enquadrar de maneira que tudo parecesse grande, que é o que

eu estava sentindo.

Tive uma dificuldade engraçada na realização dessa

imagem. Antes da reforma, a fachada recebia, quase que

mensalmente, uma nova intervenção de um artista diferente.

No caso desse projeto era uma mudança definitiva...

Então foi marcado um evento para a abertura, como

uma inauguração, com convidados. Tudo foi sincronizado

para dar certo, uma vez que a loja só ficaria definitivamente

pronta no horário da abertura. Quando cheguei havia uma

enorme equipe trabalhando freneticamente para que tudo

ficasse pronto. Estava um caos, e eu precisava das fotos

para o mesmo dia. Nesse momento consegui convencer que

todos saíssem de dentro da loja por 10 minutos. Esse foi o

tempo total que tive para realizar meus trabalhos. Todos toparam,

e as fotos foram feitas milagrosamente – pelo menos para mim –

nesse tempo!

A câmera utilizada foi uma Nikon, lente Nikkor 12-24 mm.

A imagem praticamente não recebeu nenhum retoque, apenas

um ajuste de cor.

Romulo Fialdini iniciou sua carreira como fotógrafo no Museu

de Arte de São Paulo (Masp) em 1971, onde permaneceu até

1974. A partir de então, atua no campo editorial em revistas

como Vogue, Wish, Trip, Joyce, DBA, Prêmio, entre outras,

em publicidade e particularmente no trabalho fotográfico

de edições de livros de arte, arquitetura, decoração, culinária

e memória de empresas.

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