RUNNING Magazine #36

invesporte

RUNNING Magazine #36

CORRIDA DE OBSTÁCULOS

a modalidade do momento #36

Treino de escadas

Ganhe força e resistência

Game Changers Sim ou não à dieta vegan?

RUNNING

MAGAZINE

junho 2020 | Bimestral |Cont. Preço 2,5€ | Director: João Viegas

Correr cá dentro

8 trails

nacionais

a não perder

ACTUALIDADE

Corridas

pós-covid

O que vai mudar

APPS E PLATAFORMAS

REINVENTE-SE

COM CORRIDAS

VIRTUAIS

Carlos Sá

UMA LENDA

VIVA


#EDITORIAL

RUNNING

MAGAZINE

Director

João Viegas

Editor

Eduardo Carvalho

Chefe de Redacção

Marta Clemente

Em plena fase pandémica, há menos

de dois meses, relançámos

a RUNNING Magazine. E se já

acreditávamos no projecto, agora

ainda temos mais de 150 mil razões para

acreditar.

Em pleno confinamento social, as nossas

rotinas alteraram-se com o teletrabalho,

a telescola, as caminhadas higiénicas, os

treinos indoor, a rotina da higienização e o

protocolo respiratório, a fazerem parte do

nosso dia-a-dia.

O DESCONFINAMENTO

NÃO É “À VONTADINHA”

Chegou o momento de voltarmos,

dentro do possível, às nossas

rotinas profissionais, familiares,

sociais e desportivas,

mas com o cuidado de em

todas elas seguir SEM-

PRE as recomendações da

Direcção-Geral da Saúde

(DGS).

A economia portuguesa atravessa

um período penoso,

demorará a recompor-se,

mas compete-nos a todos

um papel de destaque

nessa retoma.

director joão viegas

se não houver

a indesejada

segunda vaga

da pandemia,

o último

quadrimestre

ainda poderá

ser animado

DAS INCERTEZAS

ÀS OPORTUNIDADES

Como acabar o ano lectivo

e como serão as épocas

de exames?

Devo deixar os meus filhos

regressar à creche?

Como será o Verão com

acessos e regras específicas

nas praias?

O que fazer nestas férias?

Existem muitas incertezas,

mas estas também se transformam

em oportunidades. Tal como aconteceu

connosco, ao redefinirmos estratégias para

nos focarmos naquilo que é nosso, dando

mais visibilidade às corridas em Portugal e

aos produtos portugueses

A MELHOR MANEIRA DE PREVER

O FUTURO É REINVENTÁ-LO

Com as corridas canceladas e adiadas

(apenas se disputam as virtuais), nesta

edição apresentamos um trabalho sobre as

medidas que as principais organizações da

áera e respectivas federações (Atletismo

e Triatlo) em Portugal pretendem adoptar

para o regresso mais rápido possível à

competição e, acima de tudo, em

segurança.

A PRÓXIMA CORRIDA

É JÁ ALI

Aguardamos as corridas a

partir do segundo semestre.

Não temos dúvidas que, se

não houver a indesejada segunda

vaga da pandemia, o

último quadrimestre ainda

poderá ser animado,

mas nunca com o mesmo

número de atletas por

evento, nem nos mesmos

moldes.

Leia, desfrute e partilhe

a RUNNING Magazine

#36. Mais uma vez

gratuita e disponível

em formato digital para

que todos os leitores

tenham acesso.

Corre, RUNNING

Corre!

RUNNING

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Redacção

Ana Filipe

Ana Rita Moura

Cátia Mogo

José Costa

Direcção de Comunicação

e Marketing

Nuno Francisco

Publicidade

David Pereira da Silva

José Afra Rosa

Assinaturas

Fernanda Teixeira

Edição/Redacção/Publicidade

R. Maria Pimentel Montenegro,

5B - 1500-439 Lisboa

Telefone +351 21 591 42 93

E-mail geral@invesporte.pt

Site: WWW.RUNNINGMAG.PT

Propriedade

Invesporte Lda, R. Maria Pimentel

Montenegro, 5B - 1500-439 Lisboa

Capital Social 5.000 euros

(Eduardo de Carvalho 50%,

Supered Unipessoal Lda 50%)

Contribuinte n.º 505 500 086

Empresa Jornalística Registada

na ERC N.º 223632

IMPRESSÃO

Monterreina, Área Empresarial

Andalucia 28320 Pinto

Madrid - Espanha

Tiragem Média

30.000 exemplares

Registo ERC N.º 123900

Estatuto Editorial

www.runningmag.pt/editorial/

direitos reservados. Interdita a

reprodução total ou parcial dos

artigos, fotografias, ilustrações

e demais conteúdos sem a

autorização por escrito do Editor


#SUMÁRIO

FOTO: Pedro Silva

8 trails nacionais

a não perder

06 FOTO MOMENTO

08 SHOPPING - Produtos Portugueses

10 PRODUTO

12 Clube Running

13 NOTÍCIAS

18 Crónica - por João Abrantes

22 Tema de Capa - Entrevista a Carlos Sá

28 Apps e plataformas de treino

– por Sérgio Santos

32 Nutrição - por Susana Francisco

O polémico documentário The Game Changers

promove uma dieta vegana para os desportistas.

Será esta a mais adequada?

34 Receita - por Chef Fábio Bernardino

Batata-doce recheada com ovo e espinafres

36 Treino personalizado - por Filipe Russo

38 Metodologia do treino

- por Pedro Quintela

Além de fácil de realizar, o treino de “escadas”

traz inúmeros benefícios para a saúde e favorece as técnicas

de corrida e trail

40 Psicologia desportiva - por Mariana Silva

42 Saúde - por Francisco Miranda

Com uma incidência significativa entre os praticantes

desportivos, a patologia do joelho pode ser um indicativo

da longevidade da performance

44 Triatlo - por Isabel Pinto da Costa

46 Corrida de obstáculos

– por Bruno Miguel Dias

A modalidade que obriga a uma preparação física variada

tem crescido a olhos vistos no nosso país, tanto em qualidade

como quantidade

48 Actualidade - Atletismo na era pós-Covid

52 Agenda de corridas virtuais

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#MOMENTO

A edição deste ano da prova solidária Wings For Life World Run

decorreu a 3 de Maio, de forma adaptada à pandemia, com mais

de 77 mil participantes (101 portugueses) a correrem isoladamente,

com recurso a uma APP própria. Na imagem, a atleta portuguesa

Vera Nunes, que fez 46,73km e venceu a sua categoria,

corre sozinha em frente à Torre de Belém.

foto Hugo Silva – Wings For Life World Run 2020

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#Shopping

#Nutrição desportiva

100% natural

As barras energéticas naturais Olimpo são ideais para os desportistas. De fabrico

caseiro, sem corantes nem conservantes, com um sabor natural e delicioso.

Aliás, é pelo sabor que mais se distinguem, pois nasceram da procura de um

produto alimentar desportivo que, além do valor energético e nutricional,

tivesse um sabor rico e agradável. Os produtos Olimpo são

assim concebidos a pensar nos atletas, por profissionais

especializados em saúde e nutrição, e que têm como

referência as necessidades de desportos de acção e

endurance outdoor como a corrida, o trail, o ciclismo, a

escalada, o alpinismo, o trekking, o triatlo, o duatlo e

a canoagem. O objectivo é promover um estilo de

vida saudável através de uma alimentação

equilibrada e da prática desportiva ao

ar livre e em contacto com a

Natureza. A marca preserva

o fabrico 100% natural

e defende o consumo

sustentado de produtos

naturais sem recurso a

métodos artificiais.

Compre em: http://

barrasolimpo.pt/

#Produtos capilares

sólidos e sustentáveis

A Sustainable Tree é uma marca portuguesa certificada que produz champôs e

amaciadores sustentáveis, ecológicos e, embora possa parecer estranho, sólidos.

É verdade, os champôs Sustainable Tree têm consistência sólida, dispensando,

assim, a embalagem de plástico, sendo formulados com agentes tensioativos

suaves feitos à base de coco e com matéria-prima vegetal. Têm ainda a vantagem

de durarem mais do que os champôs em creme (até 50 lavagens). A sua forma

arredondada permite um manuseamento óptimo, ajustando-se na perfeição à

palma da mão. De origem 100% vegan, o produto não contém quaisquer plásticos

ou tóxicos, já que é composto apenas por ingredientes naturais, de origem vegetal

e orgânicos, não contendo conservantes, parabenos nem corantes artificiais, sendo

ainda isento de sal (sulfatos).A marca comercializa também produtos de higiene

oral, cuidados de rosto, entre outros.

Compre em: https://sustainable-tree.com/

Hoje, mais do que nunca, é importante consumirmos português. A vantagem é nossa!

Vamos aproveitar a qualidade, criatividade e engenho das nossas pessoas, dos nossos produtos

e das nossas marcas, cujo potencial é inimaginável e, ao mesmo tempo, ajudar o país

a reerguer-se, depois destes meses de estagnação.

#Deliciosamente tradicional

Criada em 2014, a Doce Papoila é uma marca de granolas totalmente homemade,

com ingredientes 100% naturais, adquiridos no comércio tradicional, sem corantes,

conservantes ou quaisquer aditivos. Por todas estas razões, a Doce Papoila não

tem duas “fornadas” iguais, pois são todas feitas à medida e personalizadas de

acordo com as necessidades e gostos dos clientes. Tendo como base a aveia

integral, sementes, fruta desidratada e frutos secos, as receitas são aprimoradas

e aperfeiçoadas por nutricionistas, para que se tornem ideais para os amantes do

desporto e da alimentação saudável. A Granola Paleo, isenta de aveia e de mel, foi

a mais recente adição ao lote de produtos. A marca lança ainda edições limitadas

para ocasiões especiais. Exemplos disso são a Granola de Natal (todo o sabor de

um bolo rei em forma de granola) e a mais recente Granola de Primavera (à base

da Granola de Canela, indulgentemente adoçada com Macadâmias caramelizadas).

Compre em: https://docepapoila.pt/

#Meias desportivas nacionais

O nome EuropeanSocks é enganador, já que esta é uma marca nacional originária

de Requião, pertencente ao concelho de Vila Nova de Famalicão, que fabrica meias

de todas as cores e formas e para todas as necessidades, desde casuais – para

usar no conforto do lar –, sociais – para o dia-a-dia –, funcionais, para diabéticos

e, no que mais nos interessa, para desportistas. Através da qualidade da produção,

potenciada pela experiência, métodos de fabrico e maquinaria de excelência, as

meias desportivas são pensadas tendo em vista a melhoria da performance e do

desempenho dos atletas. Os preços são bastante acessíveis, os portes de envio

para território nacional são grátis e a maioria das meias são compostas por, pelo

menos, 40% algodão (orgânico, egípcio, melange e virgem) e poliamida.

Compre em: https://europeansocks.com/

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#produto

Um quarteto veloz

Ser mais rápido é o objectivo de cada um dos runners, mas para isso é necessário ter o aliado perfeito

nos seus pés. A Nike, a Adidas, a Asics e a Salomon apresentam-lhe as sapatilhas ideais. Agora, o

desafio é optar só por um par, mas fique consciente de um pormenor: todas prometem velocidade.

VOAR A CADA

PASSO

Além do design chamativo, as Asics Novablast

definem-se como a escolha perfeita para os

corredores que não só se focam no seu

rendimento, como também procuram

a sensação de voar. A meia sola das

sapatilhas dá uma sensação de impulso,

com um efeito “trampolim”. Toda a

energia é concentrada na sola, no

momento da pisada, proporcionando

um melhor arranque a cada passo.

A sua nova entressola Flytefoam Blast

oferece ainda uma base suave, mas responsiva.

O upper é formado por uma malha respirável, para que o ar flua e os pés se mantenham secos e frescos.

Caracterizada ainda pela sua resistência, conforto e suavidade, devido à ausência de costuras, a sola das Novablast – em borracha

Asics Aharplus – oferece o triplo da resistência ao desgaste, ao entrar em contacto com o asfalto. Além de tudo isso, possui ainda

mais tracção e durabilidade.

www.asics.com

QUEBRA RECORDES

Os Adidas Adizero Pro foram criados com o objetivo de quebrar recordes de performance. A lenda do modelo começou em 2008 com o

recorde do atleta etíope Haile Gebrselassie, seguindo-se Mary Keitany em 2017 e, mais recentemente, o de 10 km

de Rhonex Kipruto, em Janeiro de 2020. Este é o conceito da Adidas, que promete continuar ao lado de mais

recordes memoráveis, ao apostar nos novos Adizero Pro. A característica que mais sobressai neste

modelo é a integração de uma placa de fibra de carbono: o Carbitex. Trata-se de uma placa única

(cumprindo as regras da World Athletics), colocada na zona abaixo do tornozelo, que tem como

propósito dar flexibilidade ao momento da transição e permitir um movimento mais eficaz.

A entressola das Adizero Pro apresenta também a tecnologia Lightstrike pela primeira

vez numas sapatilhas de corrida, que segundo a marca combina retorno de

energia e estabilidade numa das espumas de TPU mais leves do mercado.

O Celermesh é mais uma das novidades. Consiste numa malha mais fina

da Adidas, que trava completamente o pé, para proporcionar uma

sensação rápida e sem distrações, criando uma estrutura

de suporte interno dentro da própria malha para

um bloqueio leve. A marca manteve ainda a

tradição de integrar um Boost na meiasola,

assim como a duradoura borracha

Continental na sola.

www.adidas.pt

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LEVES COMO UMA PLUMA

Entraram no mundo da

corrida há 37 anos

e conquistaram a

confiança da maioria dos

corredores.

São conhecidos pelo seu

ajuste, leveza e durabilidade,

mas os novos Nike Air Zoom

Pegasus 37 apresentam agora uma

unidade de amortecimento totalmente

nova no antepé e espuma para máxima

reactividade. O resultado são umas sapatilhas

resistentes e leves para as corridas do dia-a-dia.

Com o objectivo de dar impulso à sua passada, as

Pegasus 37 foram equipadas pela primeira vez com a

espuma Nike React na sola intermédia, que se caracteriza pela

sua leveza elasticidade e resistência.

Mais espuma significa mais amortecimento… e a melhor parte?

Não aumenta o seu volume. A unidade Air Zoom no antepé também tem o dobro da

largura das versões anteriores, garantindo mais impulso. O ajuste também foi aperfeiçoado. A

banda na parte central do pé adapta-se ao tamanho dos seus pés, para que mantenha o conforto

e a segurança em cada passada.

www.nike.com

IMPULSO ENERGÉTICO

A Saucony pretende elevar a fasquia das sapatilhas de corrida com dois

dos seus modelos - Endorphin Speed e Endorphin Pro - que compõem a

Endorphin Collection. Apesar de ambos terem o mesmo esquema de cores,

um ajuste perfeito e possuírem a espuma PWRRUN PB, que é 40% mais

leve que a PWRRUN+, oferecendo ao mesmo tempo um retorno de energia

bastante significativo, os dois modelos também apresentam a tecnologia

Speedroll no antepé, que dá a sensação de impulso contínuo, para que

consiga correr mais rápido.

No entanto, prevalece uma diferença: os Endorphin Pro foram projectados

para esmagar recordes e possuem uma placa de fibra de carbono, que fará

com que a corrida se torne mais fácil e rápida.

www.saucony.com

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#Clube RUNNING

Meias de Corrida

RUNNING

Meia sem costuras,

utilizando

fios específicos

nas biqueiras

# MEIAS RUNNING

Descrição: Meias de corrida

(estrada e trail) testadas desde distâncias

curtas, até à maratona.

Composição: 80% Poliamida + 20% Algodão

Peso: 35g no tamanho 39/42

Características:

• Desenho individualizado para pé esquerdo

e direito, garantindo melhor ajuste e pressão

• Meia sem costuras, utilizando fios

específicos nas biqueiras, calcanhares e

zonas de mais apoio, aumentando a pressão,

garantindo o seu reforço e reduzindo a

fricção

• Espessuras diferentes protejem melhor

o pé e garantem uma melhor refrigeração

do mesmo, garantindo uma rápida secagem

da transpiração

• Ajuste elástico acima do tornozelo

Encomende a quantidade que preferir

num dos 3 tamanhos:

Números disponíveis:

(35/38) (39/42) (43/45)

3 pares = 11,00 euros*

5 pares = 15,70 euros*

10 pares = 27,40 euros*

Interessado(a)? Faça a sua encomenda

através do Clube RUNNING no seguinte link:

https://www.runningmag.pt/clube-running/

Caso tenha dúvidas e/ou necessite

mais informações, contacte:

fernandateixeira@invesporte.pt

*Estes valores incluem portes de envio em

correio registado e I.V.A a 23%

A

RUNNING Magazine apresenta as

suas meias de corrida, testadas e

aprovadas previamente pela nossa

equipa. Este é o primeiro produto

de uma gama a ser apresentado ao longo das

próximas edições e no nosso portal, no Clube

RUNNING.

E porquê meias? Quem corre, preocupa-se essencialmente

com as sapatilhas. Mas as meias

têm um papel fundamental na excelência do

desempenho do corredor.

As Meias RUNNING são produzidas a pensar

em si, que corre, pela empresa portuguesa

Campos & Campos, a maior fábrica de meias

na Europa e que produz para diversas marcas

desportivas de renome. A composição das

meias de corrida deve ser predominantemente

em poliamida (fibra mais nobre entre as fibras

sintéticas de alta alta resistência mecânica) e

com pouco algodão, para que os pés aqueçam

pouco, transpirem menos e sequem mais rápido.

Estas são as principais características

desenvolvidas para as Meias RUNNING, garantindo

menos fricção – zero bolhas – e menor

desenvolvimento de bactérias, uma edição

especial com os melhores materiais e de acordo

com um rigoroso controlo de qualidade. A

primeira entrega será feita na primeira quinzena

de Junho.

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RUNNING

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#Notícias

#BREVES

Federação Portuguesa de Atletismo

lança Campeonato Nacional de Corrida

Aideia revolucionária e ambiciosa que prevê

a revisão completa do quadro competitivo

nacional ao nível do atletismo, através da

criação de um Campeonato Nacional de Corrida, foi

adiantada pelo professor Jorge Vieira, Presidente da

Federação Portuguesa de Atletismo em entrevista

à RUNNING Magazine. O líder confessou que esta

é uma ideia que já tinha há muito e, como tal,

aproveitou esta fase sem provas para reflectir sobre

a mesma e, posteriormente, colocá-la em prática.

Embora sem avançar datas, pois primeiro há um

problema chamado Covid-19 para resolver, Jorge

Vieira revela que quando for oportuno vai ser realizado

um debate interno para prosseguir com o plano.

Assim, segundo a ideia apresentada e que ainda

irá ser trabalhada, este será um campeonato em

Liga de Diamante decorre

de Junho a Outubro

que podem participar equipas de todos os níveis e

que engloba as variantes de corta-mato, estrada e

pista, entre as quatro distâncias de 400, 800, 1500

e 5.000 metros, mas, reforça Jorge Vieira, apenas

decorrerá na vertente de corrida: “Esta decisão é

baseada no facto dos mais de 500 clubes filiados

na federação serem maioritariamente dedicados à

corrida”, justifica, esclarecendo ainda: “ A ideia é que

cada clube participe com uma equipa, e com atletas

nas diferentes distâncias, e acumule pontos ao longo

da competição. A soma da pontuação obtida em

todas as etapas e variantes de corrida constituirá o

ordenamento nacional, onde se apresenta o ranking

de clubes, e de onde resultará um campeão de

corrida. É algo que nunca tivemos e estou certo que

muitos clubes vão aderir”, finalizou confiante.

Depois de uma longa pausa devido à pandemia mundial, entre etapas canceladas e adiadas, a Liga de

Diamante, o mais importante circuito de atletismo mundial, regressa a 11 de Junho, com o simbólico

encontro de Oslo, que decorre em formato adaptado à situação actual. O evento vai confrontar corredores

quenianos de meio fundo, liderados por Timothy Cheruiyot – actual campeão nos 1500m – e os irmãos

noruegueses Ingebrigtsen nos 2000m, sendo que os participantes quenianos competem a partir de Nairóbi, via

streaming. Apesar de partirem cinco atletas de cada equipa apenas conta a soma do total dos tempos dos três

melhores. Quanto às restantes etapas foram recalendarizadas pela World Athletics e dão o pontapé de saída

apenas em meados do mês de Agosto, com a reserva da possibilidade do programa ser adaptado em função

da evolução da Covid-19. De qualquer forma, o arranque do circuito, que devia ter acontecido a 17 de Abril, em

Doha, tem agora data marcada para 14 de Agosto, no Mónaco. As restantes etapas prosseguem ainda durante

o mês de Agosto, em Gateshead, no dia 16, e Estocolmo, no dia 23. Para o mês de Setembro estão agendadas

as reuniões de Lausana, Bruxelas, Paris, Roma/Nápoles e Xangai – nos dias 2, 4, 6, 17 e 19, respectivamente

–, e para os dias 4, 9 e 17 de Outubro, por esta ordem, as etapas de Eugene, Doha, e China (ainda em local a

designar). A final em Zurique (prevista para disputar entre 9 e 11 de Setembro), bem como as etapas de Londres

(4 e 5 de Julho) e de Rabat (31 de Maio) foram canceladas.

Atletismo checo regressa

com seis mini eventos

A República Checa é um dos primeiros

países a retomar as competições ainda

que de forma limitada, depois da federação

de atletismo daquele país ter anunciado a

realização de uma série de seis mini eventos

que representam o regresso à normalidade do

desporto e que, precisamente, dão pelo nome

de “Back on the Track”. Enquanto o primeiro

mega encontro teve lugar a 26 de Maio, em

176 estádios em toda a República Checa,

para todos os escalões etários e em todas as

disciplinas do atletismo, as restantes reuniões

seguem a 5, 10, 12, 17 e 20-21 de Junho e

decorrem à porta fechada, sendo transmitidos

na televisão nacional. Os atletas checos Tomas

Stanek, Barbora Spotakova e Pavel Maslak são

alguns participantes da competição.

Mundial das Golden Trail World

Series 2020 realiza-se nos Açores

O arquipélago dos Açores vai receber o

Campeonato Mundial de Trail Running,

que trará ao Faial e ao Pico os melhores

corredores do mundo na modalidade, como

Killian Jornet (Espanha), Judith Wyder (Suíça),

Meg Mackenzie (África do Sul), Sage Canady

(Estados Unidos) e Remy Bonnet (Suíça). O

evento inédito no mundo tem data marcada

para os próximos dias 29, 30 e 31 de Outubro

e 1 de Novembro.


#Correr cá dentro

8 trails a não

Quem disse que para participar em provas de trail desafiantes em cenários

idílicos tem de sair do país? Definitivamente, não tem. Não é por acaso que

Portugal está cada vez mais na rota obrigatória dos principais amantes desta

modalidade – portugueses e estrangeiros – e até de atletas de renome.

E também não é por razão nenhuma que as competições de trail estão em

franco desenvolvimento em território nacional, não apenas em número mas

em qualidade, e que cada vez mais organizações tendem a apostar no trail

e a encontrar novas localizações para os implementar… e com um país tão

diversificado e rico em cenários naturais deslumbrantes ainda há muito por

desbravar. É por essa razão que decidimos dar-lhe uma ajuda a escolher a sua

próxima prova, deixando 8 sugestões de trails nacionais imperdíveis sugeridos

por um especialista na matéria e que aqui deixa a sua opinião como atleta:

José Carlos Santos, Seleccionador Nacional de Trail e Vice-Presidente

do ITRA – International Trail Running Association.

texto Marta Clemente

perder

#Estrela Grande Trail

Com o objectivo de proporcionar uma experiência inesquecível aos seus participantes, o Estrela Grande Trail é uma prova que percorre os trilhos do Parque Natural

da Serra da Estrela, onde os atletas se podem deparar com os mais duros, mas deslumbrantes, caminhos. Nesta competição, que caminha para a 6.ª edição, os

participantes percorrem uma serra milenar no seu estado mais puro, revestida de trilhos cheios de histórias que a cada passo são reescritas com a dedicação e

vontade de superação de cada um! A organização do Estrela Grande Trail desenvolve ainda através da prova a ética e os valores fundamentais partilhados

por todos os corredores, parceiros, voluntários e organizadores,

promovendo a região e desenvolvendo actividades desportivas

relacionadas com a natureza, de cariz social, cultural e ambiental.

Pretende-se que este seja um evento desportivo de cariz familiar que

se transforme numa experiência única e memorável, convidando os

participantes a regressarem!

Com 1100 inscritos na última edição – em 2019 – o Estrela Grande

Trail apresenta as seguintes opções de prova ao nível de distância

e altimetria: 15km/800 d+; 26km/1300d+; 49km/2500d+;

80km/5000d+.

Próxima data: 15 e 16 de Maio de 2021

Localização: Manteigas, Serra da Estrela

Para mais informações sobre como chegar ou pernoitar,

consulte:

https://cm-manteigas.pt/turismo-e-ambiente/

Para inscrição ou mais informações visite os sites oficiais

da prova:

http://www.estrelagrandetrail.pt

RUNNING

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FOTO: João M Faria

#MIUT® - Madeira Island Ultra-Trail®

Iniciada em Porto Moniz, o Madeira Island Ultra-Trail, ou MIUT, é uma prova

orgulhosamente madeirense, que pretende mostrar a terra de beleza ímpar

e de inúmeros encantos e desafios que é a ilha da Madeira. Imagine-se

a experienciar no local e de forma activa alguns dos cenários mais

deslumbrantes, através deste estimulante desafio. O MIUT leva os seus

participantes a atravessarem de lés-a-lés esta ilha portuguesa, no sentido

noroeste-sudeste, já que a prova dá o tiro de partida no centro da vila de

Porto Moniz, ao nível do mar, passando pelos pontos mais elevados da ilha,

para, finalmente, regressar novamente ao nível do mar, em Machico, onde a

meta está instalada na Baía daquela localidade.

A primeira grande subida da prova tem como ponto de referência o Fanal,

seguida pela descida técnica para o Chão da Ribeira e de nova subida longa

para os Estanquinhos. Em São Vicente passa pelo Maciço Montanhoso

Central, para depois enfrentar os míticos picos Ruivo e Areeiro. A partir

daqui, o percurso é maioritariamente a descer, rumo à Degolada e à descida

para a Levada do Caniçal.

O MIUT apresenta as seguintes possibilidades relativamente a distâncias e

altimetria: 16km/390d+; 42km/1700d+; 60km/3100d+; 85km/4700d+;

115km/7100d+.

Próxima data: 17 de Abril de 2021

Localização: Ilha da Madeira

Para mais informações sobre como chegar ou pernoitar, consulte: http://www.visitmadeira.pt/pt-pt/homepage?areaid=1

Para inscrição ou mais informações visite o site oficial da prova: www.miutmadeira.com

FOTO: João M Faria

RUNNING

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#Correr cá dentro

#Piodão Trail Running

Realizada habitualmente durante o primeiro fim-de-semana do mês de Abril,

à excepção deste ano devido à situação de pandemia mundial, o Piodão

Trail Running percorre as aldeias e lugares que representam o coração

do xisto e do pitoresco português, passando pelos concelhos de Arganil

(Foz D’Égua, Chã D’Égua, Malhada Chã, Pico do Açor e Penedos Altos), de

Oliveira do Hospital (Pico do Colcurinho ), e da Covilhã (Sobral de São Miguel

e Pico Cebola). Já a partida e chegada da prova, que alcança este ano a sua

8.ª edição, dá-se no largo da aldeia que dá o nome à prova.

A prova ultra utiliza junto aos picos (Açor, Penedos Altos, Colcurinho e Picoto

Cebola), caminhos com características de montanha (entre as altitudes de

1218 e 1476). Devido às suas características muito próprias, e apesar da

evolução que tem conhecido ao

nível da logística, o Piodão Trail

Running não comporta mais

de um milhar de participantes.

As modalidades de competição

dividem-se entre Ultra Trail,

Trail Longo e Trail Curto, e as

distâncias e altimetrias são

de, respectivamente, 53 km -

3230+ ; 25km -1244+ ; 12

km - 435+.

De referir ainda que todas

as provas são circulares e

decorrem na sua maioria em

trilhos e single tracks.

Próxima data: 3 de Outubro

de 2020

Localização: Aldeia de Piodão

Para inscrição ou mais

informações consulte o site

oficial da prova:

http://www.ultrapiodao.com/

#Trail Porto da Cruz Natura

O Trail Porto da Cruz Natura começou como uma prova organizada por um

grupo de amigos que queriam divulgar o percurso de treino de trail running

(desenhado em 2014 pelo atleta Luís Fernandes) que a localidade permite

realizar ao longo de todo o ano. Pela beleza natural dos trilhos que compõem

a prova e que percorrem a floresta Laurissilva, sempre com o mar presente

na paisagem, rapidamente conquistou muitos adeptos. O salto para o

panorama nacional deu-se na 3.ª edição quando integrou os Campeonatos

Nacionais de Trail Running da ATRP – Associação Trail Running Portugal.

Limitada à participação

de 950 atletas, é uma

prova circular com

partida junto ao mar

e rapidamente leva

os atletas acima dos

1000m de altitude.

Cerca de 80% dos

trilhos percorrem a

floresta Laurissilva,

contornam a freguesia

do Porto da Cruz, dos

6m até os 1400m de

altitude. Pelo caminho encontrará belas paisagens, com os

altos picos da Ilha como panorâmica na fase ascendente do percurso, e com

a imponente Penha d´Águia, a ilha do Porto Santo e a Ponta de São Lourenço,

como imagem de fundo da fase descendente.

A prova que parte para a 7ª edição apresenta três distâncias: Ultra

Trail 50km/3600d+; Trail longo 25km/1600d+; e Trail Curto 12km/350d+.

Próxima data: 18 de Julho de 2021

Localização: Porto da Cruz, Ilha da Madeira

Para mais informações sobre como chegar ou pernoitar, consulte:

https://www.visitmachico.com/pt/

Para inscrição ou mais informações consulte o site oficial da prova:

http://www.trail-natura.com/pt/

#Grande Trail Serra D’Arga

O Grande Trail Serra D’Arga é, sem sombra de dúvida, uma das provas mais participativas e competitivas do calendário Nacional, e também uma das mais

internacionais, já que tem recebido, a cada ano, atletas das mais diversas nacionalidades, entre norte-americanos, canadianos, singapurenses, franceses e

alemães, entre outros. O seu percurso pode ser caracterizado por um terreno muito variado, maioritariamente em trilhos e bastante técnico, dotado de zonas e

paisagens luxuriantes com passagens em cascatas incríveis, assim como trilhos nos planaltos da serra capazes de avistar

o mar e grande parte do território minhoto.

Logo no ano de estreia, a competição teve uma

adesão enorme para a época, com cerca de 800

participantes, sendo que na edição passada contou

com 2550.

Enquanto prova diversificada e que acolhe diferentes

perfis, na próxima edição o Grande Trail Serra D’Arga

vai oferecer distâncias para todos os gostos, com

as provas de Trail Ultra 43km/2550D+, Trail Longo

25km/1260D+, Trail Curto 17km/ 68D+, Sunset

Aventura 15km/500D+, Caminhada 12km/500D+,

Desafio Vertical 4km/800D+ e Trail Kids de 500m

a 2km. De destacar ainda que no próximo ano a

competição festeja a sua 10.ª edição.

Próxima data: 25 e 26 de Setembro de 2021

Localização: Caminha e Viana do Castelo

Para inscrição ou mais informações, consulte o

site oficial da prova:

https://www.carlossanatureevents.com/pt/gtsa

RUNNING

16


#Trilho dos Abutres

Esta é mais uma prova de referência no panorama nacional devido à

qualidade organizativa, à beleza dos trilhos e à enorme competitividade. Em

2019 o Trilho dos Abutres foi a entidade organizadora do Campeonato do

Mundo de Trail Running e em 2020 organizou o Campeonato Nacional de

Trail Ultra. Não é por isso de estranhar que neste trail já se tenha dado a

conhecer muitos atletas de referência. Com 1550 participantes na edição

de 2019 – sendo que em 2021 completará a sua 11.ª edição – o Trilho

dos Abutres destaca-se ainda por ter a maior participação de público, o

que advém de decorrer concomitantemente com a Expotrail, a maior feira

de trail nacional.

A prova tem várias distâncias: o ultra trilhos dos abutres, que tem

aproximadamente 55km e 2800D+; o trilho dos abutres, que tem

aproximadamente 30km e 1500D+ e o mini trilhos dos abutres, que tem

aproximadamente 21km e 835D+. Sem carácter competitivo, a prova tem

ainda a caminhada e os Trilhos Júnior José Godinho, destinados aos mais

novos e organizada em conjunto com os Abutres Trail Running School.

De sublinhar que o percurso mais longo está sujeito a alterações.

Próxima data: 30 e 31 de Janeiro de 2021

Localização: Miranda do Corvo

Para mais informações sobre onde pernoitar:

https://bookinxisto.com/pt

Para inscrição ou mais informações, consulte o site oficial

da prova: https://trilhos.abutres.net/

FOTO: Aperspeed

FOTO: Pedro Silva

#Faial Coast to Coast

Há muito para dizer sobre o Faial Coast to Coast. Para começar, é uma

prova que acontece numa ilha no meio do Atlântico Norte e que passa

pelos antigos caminhos utilizados pelos baleeiros, percorrendo diferentes

paisagens humanas e naturais.

De destacar a cratera do vulcão que deu origem à Ilha, a caldeira do Faial, o

vulcão dos Capelinhos, uma singular paisagem lunar formada pela erupção

do vulcão em 1957/58 e as paisagens magníficas marcadas por várias

tonalidades do verde das florestas e pelo azul profundo do oceano atlântico. É

na freguesia da Ribeirinha,

próximo do antigo Porto

da Boca da Ribeira, que se

inicia o evento. O restante

percurso passa por um

farol destruído pela crise

sísmica de 1998, sendo

que a maioria do trilho

tem lugar no maior e mais

espectacular porção de

terreno que abateu entre

duas falhas tectónicas.

A finalização dá-se na

Caldeira central da ilha. Este é também um dos trails nacionais com forte

destaque internacional, pois na última edição contou com 800 participantes

de 40 nacionalidades diferentes. Ao longo dos anos foram sendo adicionadas

mais provas com diferentes distâncias, destacando-se o Ultra-Trail® com

118km. Além disso, passou a integrar o UTWT – Ultra Trail World Tour

e a qualificar para o UTMB – Ultra Trail du Mont Blanc e Western State

Endurance Race.

Localização: Ilha do Faial, Cidade da Horta, Açores

Próxima data: 30 de Outubro 2020 (com alteração ao número de provas

e ao próprio conceito, de forma a adaptar-se à situação de pandemia)

Para inscrição ou mais informações, consulte o site oficial da prova:

www.azorestrailrun.com

#Trilho dos Reis

O Trilho dos Reis é descrito como uma constante festa de Trail Running

repleta de animação em percursos técnicos e sinuosos que demonstram

toda a magia do Parque Natural da Serra de São Mamede. Precisamente,

a festa no início e no final da prova, catalogou o evento como um dos

melhores do país. Todo o evento decorre numa arena mágica no centro da

cidade de Portalegre, onde os atletas partem chegam, almoçam, convivem,

percorrem a feira de trail, recebem prémios e outras variedades, sendo ainda

presenteados pela organização com uma recepção calorosa e animada logo

no primeiro dia, animação e degustação de produtos tradicionais, incluídos

nos dois dias do evento. Associadas à prova estão as jornadas de Trail

Running, uma expo Trail e a Corrida Nocturna das Crianças, que junta cerca

de 200 crianças no dia anterior ao início da noite numa grande festa de

Príncipes. A partir do segundo ano de realização, a prova esgotou sempre as

inscrições em pouco tempo. A mais recente edição não foi excepção, já que o

Trilho dos Reis contou com a participação de 2300 atletas e esgotou em nada

mais, nada menos do que cinco horas!

As distâncias e altimetrias da prova são de 16 km/750 d+; 26km/1250 d+ e

46 km/2.300 d+.

Próxima data: 15 e 16 de Janeiro de 2021

Localização: Portalegre

Para inscrição ou mais informações, consulte o site oficial da prova:

www.trilhosdosreis.pt

RUNNING

17


#CRÓNICA

Vivemos sem dúvida tempos

únicos, tempos excepcionais,

e que vão ficar como um

momento marcante na história

da humanidade. E tempos

excepcionais exigem medidas

excepcionais. Temos de ser

capazes de pensar “fora da

caixa”, de mudar o paradigma,

de não ficarmos presos e

amarrados a ideias do passado.

E num mundo que gira a toda

a velocidade o passado foi

ontem, é hoje.

Novos tempos,

novas ideias

Há que ter consciência da realidade.

E a realidade é que este período

de transição entre o Estado

de Emergência, que terminou, e

o momento em que será possível voltar à

vida tal como a conhecíamos até aqui - se

algum dia for possível voltar - vai ser um

período longo, que irá durar até haver uma

vacina. Pelo que tenho lido, esse período

nunca será menos de um ano, ou seja, até

pelo menos Abril de 2021. Na melhor das

hipóteses teremos um Estado de Calamidade

e teremos de viver de acordo com

regras muito específicas no que respeita

à higienização e ao distanciamento social,

para manter a segurança de todos nós.

O desporto, logicamente, não é alheio a

esta situação, e está a ser muito prejudicado

por todas as medidas de segurança

e confinamento. Nas regras impostas pe-

texto JOÃO ABRANTES

(Ex-atleta, treinador e responsável Técnico Nacional

da Federação Portuguesa de Atletismo)

RUNNING

18


tuação actual e com selo de garantia das

entidades responsáveis. Mas mesmo nestas

circunstâncias é possível realizar eventos

de grande qualidade.

1. As Provas de Pista

Uma imagem que tão depressa não voltaremos

a ver será uma prova de pista com

mais de 50 juízes envolvidos, com mais de

300 atletas distribuídos por várias disciplinas,

com quatro ou cinco provas a decorrer

simultaneamente no estádio, com

um local de aquecimento completamente

cheio com atletas, treinadores, fisioterapeutas,

dirigentes e juízes, e com público

nas bancadas. Isso acabou e por muito

tempo. Mas o atletismo de pista vai continuar

e há muitos modelos para que isso

seja possível.

Velocidade e Barreiras: provas com 4

atletas em pistas separadas. Participam

8 atletas, com uma série nas pistas 1, 3,

5 e 7, e outra série nas pistas 2, 4, 6 e 8.

A prova seguinte só será realizada após

desinfecção dos blocos de partida e local

da partida.

lo Governo para o Estado de Calamidade é

possível praticar desporto, desde que sejam

respeitadas algumas condições: desportos

individuais, praticados ao ar livre, sem

utilização de piscinas ou balneários. O Primeiro-ministro

António Costa, em entrevista

à RTP 1 no dia 30 de Abril, deu mesmo

o exemplo do atletismo como um desporto

que pode cumprir essas condições, pois

é um desporto individual e praticado ao ar

livre. A nossa modalidade tem uma grande

oportunidade, ao contrário de muitos outros

desportos. Aproveitar ou não essa oportunidade

é a questão que se coloca. É uma

oportunidade para implementar novos modelos

competitivos, para criar conteúdos

televisivos de qualidade, para promover os

nossos atletas, as nossas competições e a

nossa modalidade, numa altura em que os

meios de informação especializados tanta

carência têm de conteúdos desportivos.

Claro que todas as propostas têm de respeitar

as regras em vigor, garantir a segurança

de todos os participantes, através de

regulamentos rigorosos, adaptados à sifinal

só terá lugar após o tempo necessário

para a desinfecção fazer efeito.

• Salto em Altura e Salto com Vara -

Para os saltos verticais há várias soluções:

1 - Pistas separadas: Já se fala na possibilidade

de se realizarem meetings internacionais

com um grupo de atletas convidados,

que vão saltar à mesma hora, com

a mesma progressão na subida das fasquias,

mas em pistas diferentes, estando

todos em ligação e a ser filmados. É uma

solução pensada para a televisão.

2 - Prova tradicional: Realização da prova

nos moldes tradicionais, mas com desinfecção

do colchão a cada salto. O principal

problema é que entre cada salto os

tempos de espera serão muito grandes.

3 - Um atleta de cada vez: Cada atleta

faz a sua prova toda seguida, tendo um

tempo limite ou um número de tentativas

pré-determinado. O atleta escolheria a sua

própria progressão, tendo de obedecer às

regras do salto da prova relativamente ao

número de tentativas em cada altura. No

final da prova de cada atleta o colchão seria

desinfetado.

A nossa modalidade tem uma grande

oportunidade, ao contrário de muitos

outros desportos. Aproveitar ou não essa

oportunidade é a questão que se coloca

Lançamentos: Como cada atleta lança

de cada vez, apenas há que garantir que

aguardam a sua vez de lançar em locais

separados, que utilizam apenas o seu

próprio engenho e que serão os próprios

atletas a ir buscar o engenho após cada

lançamento.

Saltos: É uma situação mais complicada,

pois nos saltos horizontais a areia poderá

ficar contaminada após cada salto, e nos

saltos verticais poderá acontecer a mesma

coisa relativamente aos colchões de queda.

Mas há várias soluções:

• Salto em Comprimento e Triplo Salto

- Duelos: Todas as pistas têm duas

caixas de saltos. Convidam-se apenas 4

atletas, divide-se cada caixa longitudinalmente,

saltando cada atleta na sua metade

da caixa, não tocando assim na areia

do seu adversário. Em cada caixa há um

duelo com 3 saltos para cada atleta. No

final, o vencedor de cada duelo irá saltar

para discutir o 1º e 2º lugar, e o derrotado

para discutir o 3º e 4º lugar. As caixas

serão pulverizadas com desinfectante e a

Meio Fundo - Outra situação difícil, pois

não será possível os atletas correrem

em pelotão. Mesmo assim há algumas

alternativas:

1 - 800m em pistas separadas: Pistas

separadas durante toda a prova e, tal como

na velocidade, com 4 atletas em cada

série.

2 - Provas de perseguição:

Por exemplo em distâncias de 1500m,

3000m, 3000m obstáculos, em que cada

atleta parte de um local da pista diferente

(por exemplo 8 atletas de 50 em 50m), e

com uma regra em que se um atleta

for apanhado pelo atleta que partiu atrás

dele, será obrigado a desistir para evitar

que corram juntos.

Neste caso, cada atleta termina a prova

num local diferente o que inviabiliza os

tempos electrónicos, tendo de ser registados

os tempos manuais.

3 - Provas de contra relógio individual:

Por exemplo, com dois atletas de

cada vez a partirem com 30 segundos

de diferença.

RUNNING

19


#TEMA DE CAPA

RUNNING

22


carlos sá

“Sou movido

pela aventura

e pelo desafio”

Com uma vida preenchida de provas e conquistas, desde a vitória

no Vale da Morte, nos Estados Unidos – um dos locais mais quentes do mundo

– ao recorde conquistado no Ultra Trail du Mont Blanc – o mais emblemático

em território europeu – , Carlos Sá é, mais do que um nome incontornável

e indissociável no atletismo português, uma fonte de inspiração por todo o

percurso conquistado. Pois, a verdade, é que o desporto entrou na sua vida

desde muito cedo e, apesar de uma pausa inusitada durante alguns anos, o

atleta não conseguiu fugir ao destino que lhe estava traçado, tendo regressado

às provas para ficar e deixar o seu nome gravado na história não apenas

de Portugal, mas do mundo. Com a Carlos Sá Nature Events tem ainda a

felicidade de poder ganhar a vida a fazer aquilo que mais gosta e proporcionar

experiências fantásticas aos participantes das suas provas.

texto Marta Clemente | fotos Ruben Fuyeo

Começou a correr muito cedo, era previsível

que o atletismo fizesse parte da sua vida?

Entrei nas corridas com 12 anos, quando vivíamos

a época de ouro do atletismo nacional,

com as vitórias de Rosa Mota e Carlos Lopes,

entre outros nomes. Tínhamos um grupo brilhante

de grandes atletas e a corrida popular

também teve um crescimento muito grande

nessa altura. Além disso, o meu pai era também

um entusiasta, dirigia um clube e organizava

eventos. Recordo com muita saudade

quando tinha corridas aos fins-de-semana, era

uma felicidade enorme.

Sempre gostou de desporto no geral ou

mais de atletismo?

Sempre gostei de desporto, mas sobretudo do

desafio. Lembro-me de quando íamos para a

escola, os meus colegas iam de autocarro e

eu ia de bicicleta atrás do autocarro para tentar

chegar primeiro. Portanto, a vida desportiva teve

sempre em mim esta vertente de aventureiro

desde o início.

Depois houve uma fase que deixou de

correr e se desleixou…

Achava que estava a deixar a minha juventude

para trás e quis aproveitar o momento. Cheguei

a fumar e engordei. Decidi mudar de vida

quando vi o meu filho a imitar-me a fumar e

tentar apanhar beatas de cigarros, pois não

era esse o exemplo que queria dar-lhe. Tinha

28 anos.

Qual a prova da sua vida?

É difícil definir, tenho várias provas que considero

muito especiais. A nível organizativo,

elejo o Grande Trail Serra D’Arga, porque foi

a primeira que organizei e continua a ser a

que tem mais participantes. A nível competitivo,

o Ultra Trail du Mont Blanc é das provas

mais mediáticas do mundo e foi o evento que

me trouxe para as ultramaratonas numa altura

em que fazia alpinismo. Porém, a Ultramaratona

Badwater foi uma vitória incrível e deu-me

maturidade.

Foi o primeiro europeu a vencer a Ultramaratona

Badwater. Como foi realizar essa

prova?

A minha participação aconteceu em 2013

e tornou-se mediática pois já há muito que

vários europeus tentavam vencê-la, mas os

americanos e japoneses levavam sempre a

melhor. A vitória acabou por ser uma surpresa

para todos e uma felicidade enorme para

RUNNING

23


#TEMA DE CAPA

mim. Foi uma prova diferente de tudo o que tinha

feito até então. E acredito que foi essa diferença

e o entrar no desconhecido que me deram uma

energia extra para sair vitorioso.

Concorda que esta é a prova mais difícil do

mundo?

Já realizei outras tão ou mais difíceis. No ano que

participei a competição teve a segunda temperatura

mais elevada desde que é realizada, corremos

no pico do calor com 54 graus e quase 80

no asfalto ao sol… foi muito complicado. Tanto

que desde aí, para não por em risco a saúde dos

participantes, o percurso da prova foi alterado.

As ultradistâncias são a sua modalidade

de eleição?

Sempre gostei muito de desafios e percebi que o

meu corpo reage bem a ambientes e distâncias

extremas. E nem sempre me dediquei às ‘ultras’,

também cheguei a fazer provas mais curtas.

Sou um atleta muito versátil e tenho resultados

em todas as disciplinas, mas o que me dá mais

paixão, de facto, é entrar no desconhecido e sentir

o desafio de fazer coisas que me trazem mais

aventura.

E é também neste tipo de provas que se

considera mais eficaz…

Sim, os resultados são uma prova evidente disso

mesmo. Mas não apenas numa vertente competitiva,

pois também os desafios pessoais são

muito importantes para mim. Por exemplo, recentemente

eu e outras três pessoas – dois noruegueses

e outro português – fizemos a travessia

da Gronelândia. Demorámos dois anos a preparar

esta aventura, não competitiva, e foi uma aprendizagem

enorme até chegar o dia de partir e passados

12 dias estávamos do outro lado dessa

grande massa polar.

E quanto aos extremos de frio e calor,

tem preferência?

O meu corpo adapta-se bem, tenho essa felicidade

e capacidade. Se assim não fosse não

conseguia passar no espaço de um mês de uma

prova com temperaturas tão elevadas como a

Badwater, para outra de -30 graus negativos (na

Gronelândia), e ainda para um extremo de humidade,

como é a Costa Rica.

Considera-se um ídolo, no sentido de ser

um exemplo a seguir?

Sim, sinto que muitos me consideram como

tal, até porque muitas vezes mo referem. Essa

é, para mim, uma das maiores medalhas que

posso ter, pois deixa-me muito orgulhoso, apesar

de acarretar um sentido de responsabilidade

extra para não decepcionar ninguém. Por isso,

mantenho-me fiel à minha linha de pensamento

e ajo sempre de acordo com o que acho mais

correcto.

Como tem treinado durante a pandemia?

Felizmente consigo treinar todos os dias. Tenho

passadeira em casa e, como continuo a morar

na aldeia onde nasci, estou a 200 metros de

um monte, por isso tenho o privilégio de conseguir

fazer treinos outdoor sem me cruzar com

ninguém. Vinha de uma lesão grave no tornozelo

de cerca de dois anos e meio, depois de

correr o Tour des Géants e o Ultra Trail du Mont

Blanc na mesma semana e tive de fazer esta

paragem. Espero na fase pós-Covid regressar às

competições.

Os seus familiares apoiam-no e compreendem

esta sua paixão?

Tanto como atleta, como organizador de provas,

sempre tive o apoio de todos e isso é fundamental

para enfrentar os obstáculos e encontrar equilíbrio

emocional.

Algum dos seus filhos já se aventurou

nas corridas?

O meu filho tem 21 anos e é apaixonado pelo

futebol, e a minha filha tem 15 e adora natação,

mas nenhum deles gosta muito de correr. O importante

é que façam o que gostam e tenham

uma vida activa.

“Quero proporcionar

provas de sonho”

Qual a sua maior preocupação enquanto

organizador de provas?

Não defraudar expectativas e proporcionar a grande

experiência que os participantes sonharam.

Por isso, tento sempre fazer o melhor nos melhores

locais, ou seja, a localização da prova tem de

ser icónica e diferenciadora.

Tenho ainda a sorte de ter parcerias e patrocinadores

que acrescentam um valor extraordinário à

nossa oferta.

Os Training Camps são a sua mais recente

aposta…

Esta era uma actividade que já trabalhava com

RUNNING

24


colegas de agências estrangeiras e que decidi

apostar em 2020. Apesar de só ter conseguido

realizar duas provas este ano, acho que foram

lançados na altura certa, pois acredito que será

um bom produto para o momento de reactivar

as provas e a economia, pois o conceito é

termos grupos pequenos, até 15/20 pessoas,

e isso além de permitir uma experiência mais

intensa e personalizada, o que acarreta menor

risco no âmbito da Covid-19.

Portugal é um concorrente à altura de

todos os locais fascinantes onde já realizou

provas?

Sem dúvida. Por cada viagem que faço chego a

casa com a sensação de cada vez gostar mais

do meu país. Já estive em lugares lindíssimos,

mas o nosso Portugal é brutal. Na primeira

edição da Gerês Extreme Marathon recebi atletas

de Singapura que me confessaram que

as nossas paisagens e aldeias lhes faziam recordar

o filme do Senhor dos Anéis. Temos em

Portugal muitas zonas que podem ser descritas

como museus em estado vivo e é importante

mostrar isso ao mundo.

Apesar disso, viajar é algo que também

aprecia muito…

Obviamente. Estou neste momento a ler a obra

‘Nascidos para Correr’, de Cristopher McDougall,

que versa sobre uma tribo no México, cujo

local já tive oportunidade de conhecer e conviver

com a população, tendo assim a versão dos

actores reais da história. Poder visitar cenários

tão inóspitos e apreciar culturas e vivências

tão diferenciadas é algo que enriquece o ser

humano.

“Considero ter sido uma das pessoas

responsáveis pelo crescimento do trail

a nível nacional.”

Sente que a Carlos Sá Nature Events é já

uma marca internacional?

Temos vindo a ganhar cada vez mais esse reconhecimento

pelos atletas que participam e que

escrevem sobre nós nos blogues e partilham nas

redes sociais as aventuras incríveis que vivem

nos nossos eventos. Uma publicação genuína e o

conselho de um amigo têm muito mais valor do

que qualquer publicidade.

Quais as principais nacionalidades que

recebe nas suas provas?

Nos eventos de vários dias as nacionalidades

que mais participam não são portugueses ou espanhóis,

mas sim holandeses, norte-americanos,

canadianos, alemães, franceses, brasileiros e

singapurenses. Trabalho com agências de incoming

e este ano já tínhamos várias viagens marcadas,

todas elas esgotadas. Nós temos regiões

tão fantásticas e, ao mesmo tempo, diferenciadas,

que quem nos visita regressa ao país de

origem de coração cheio e com muitas histórias

para contar.

Depois da paragem forçada devido à Covid-19,

o que espera de 2021?

Temos de aguardar serenamente para perceber

como vai evoluir a situação. À parte disso, é

importante preparar o pós-Covid, porque felizmente

isto não vai durar para sempre e acredito

que 2021 vai ser um ano em grande. E se não

for neste modelo que tivemos até aqui de provas

com muitas pessoas, então temos de nos reinventar

e oferecer um produto diferenciado, porque

o trail e a corrida são eventos importantíssimos

para a economia e temos de ajudar o país a

sair desta crise o mais rapidamente possível.

RUNNING

25

#Bilhete

de identidade

• Nome: Carlos Sá

• Idade: 46 anos (24/12/1973)

• Naturalidade: Vilar do Monte (Barcelos)

• Outra paixão (além de correr): Viajar

• Local preferido do mundo: Portugal

• Prova de eleição: Ultra Trail du Mont Blanc

• Música: Clássica

• Filme: “Prefiro séries”

• Clube: Sporting “desde sempre”

• Lema de vida: Ser feliz a fazer o que gosto

#O livro

de uma lenda

“Depois de vencer a Ultramaratona

Badwater em 2013 fui contactado por várias

editoras para escrever um livro, mas, por

falta de tempo, fui sempre adiando a sua

concretização. Por isso foquei-me neste

projecto durante este período em que as

provas estão em standby e espero no final do

ano [até Novembro] ter o livro publicado. Nesta

publicação quero contar a minha história, não

apenas enquanto atleta, mas também numa

vertente mais pessoal, com o objectivo de

ajudar as pessoas a acreditarem em si e a

sonharem mais”.

#Orador

motivacional

“Apesar de ser uma pessoa reservada, com

a notoriedade começaram a surgir convites

para dar palestras motivacionais e uma das

primeiras apresentações que fiz foi para uma

marca internacional emblemática em frente

a 400 pessoas. Mas com o tempo comecei a

habituar-me e actualmente é algo que gosto

muito de fazer. Acho importante dar o exemplo

e mostrarmos que é sempre possível melhorar,

com foco, sacrifício e metas definidas. Acho

que o meu sucesso aqui advém da minha

genuinidade, pois não sei comunicar de outra

forma não sendo eu próprio.”


#Produto

ARNICA MONTANA

Recuperação ao natural

Seja um atleta do dia-adia

ou de competições,

é natural que, por vezes,

ocorram lesões inflamatórias,

derivadas da prática desportiva,

como entorses, tendinites ou fadiga

muscular. Em gel, para uma aplicação

e ação tópica, ou em grânulos,

para uma ação sistémica, a Arnica

montana é uma opção segura e eficaz

nestas situações, evitando a utilização

de anti-inflamatórios não esteroides,

mais conhecidos por AINEs.

Arnica montana é reconhecida pelas

suas propriedades anti-inflamatórias,

anti equimóticas e analgésicas 1 .

Existem diferentes protocolos de

recuperação de lesões desportivas

tendo em conta o tipo de lesão e os

sintomas apresentados. Em todas

estas situações Arnica montana 9CH

é o medicamento a utilizar. Para além

de Arnica montana, no caso, por

exemplo, de um tornozelo torcido,

o desportista deverá tomar Apis

mellifica 9CH para o edema, Bryonia

9CH se a lesão se agravar com o

movimento, ou Ruta Graveolens

9CH se a lesão melhorar com o

movimento. Localmente, aplicar

sempre, de manhã e à noite, um

gel de Arnica montana. Já no caso

de fractura óssea, para além da

arnica, Symphytum officionalis 5CH,

5 grânulos de manhã e à noite,

permitirá uma rápida recuperação

óssea.

Arnica montana na prevenção

A utilização de Arnica montana está

também indicada na prevenção de

situações de traumatologia benigna e

fadiga muscular.

Por isso, fica a dica: uma semana

antes de uma prova, Arnica montana

9CH, 5 grânulos por dia para um

melhor desempenho e recuperação

rápida!

Boas corridas!

1. HIDRATE-SE

É essencial beber líquidos antes e após o esforço

para evitar a fadiga muscular e cãibras. No

entanto, tenha atenção para não beber demais,

mas sim sabiamente:

- Antes do esforço: beber água natural ou uma

bebida levemente adocicada, sem ser em

excesso.

– Após o exercício: beba de preferência bebidas

ricas em iões carbonato e sais minerais.

Consulte a composição listada nos rótulos.

Pode igualmente adicionar um pouco de açúcar

ou sumos de frutas naturais. Se está calor ou

transpirou muito, escolha água rica em sais em

vez de uma bebida doce.

2. FAÇA O AQUECIMENTO

Muitas vezes ignorado, o aquecimento é um

passo fundamental para evitar lesões e reduzir

a fadiga muscular. Os alongamentos estáticodinâmicos

constituem um bom aquecimento e

são muito fáceis de fazer. Apresentam inúmeros

benefícios e preparam o corpo para a actividade

física. O seu princípio consiste em alternar

sequências curtas de alongamentos (8 segundos

estáticos) e movimentos repetidos rapidamente

(10 segundos dinâmicos). Eles promovem

o aumento da temperatura dos músculos e

contribuem para a reatividade do organismo.

Constituem um aquecimento “de base”. Algumas

disciplinas, tais como os desportos de resistência,

exigem um aquecimento mais profundo. Para

qualquer nova prática, aconselhe-se com um

treinador.

3. FAÇA ALONGAMENTOS

Imediatamente após a sessão de desporto, e

antes que os músculos arrefeçam, é essencial

efectuar exercícios de alongamento em

diferentes partes do corpo: pernas, braços,

costas. Estes alongam os músculos ao máximo

para recuperar o seu comprimento em repouso.

Assim, após o esforço, os grupos musculares

relaxam e as articulações recuperam a sua

mobilidade. Esta recuperação é feita através

de alongamentos estáticos, que consistem

em manter uma posição durante trinta

segundos, 3 vezes.

RUNNING

26


#APPS E PLATAFORMAS DE TREINO

Corridas

virtuais

com efeitos bem reais!

O confinamento generalizado a nível mundial, causado

pela COVID-19, foi, sem dúvida, o grande responsável

pelo crescimento do conceito de corrida virtual e treino

sem sair de casa, mas em algumas regiões do Mundo,

por razões diversas, a corrida na passadeira já fazia

parte dos hábitos dos apaixonados da corrida.

Seja por razões de segurança em

algumas cidades, para fugir à densidade

populacional dos grandes

centros urbanos, devido ao frio e

gelo, calor e humidade excessiva, poluição,

ou pelos horários de trabalho de alguns

corredores, as passadeiras já faziam parte

dos equipamentos utilizados por muitos corredores,

fosse em casa ou no ginásio. Mais

recentemente, para tornar os treinos menos

monótonos e mais apelativos, foram surgindo

algumas aplicações e possibilidades de

corrida que têm vindo a ganhar fãs em todo

o Mundo.

A aplicação mais conhecida e actual é o

ZWIFT. Esta aplicação online, inicialmente

criada para o ciclismo, expandiu rapidamente

para a corrida, captando-a na passa-

deira e convertendo-a para mundo virtual,

onde cada atleta é representado por um

avatar configurável.

Existem inúmeras possibilidades de percursos

“reais” que foram transformados

no mundo virtual Zwift,

tal como percursos exclusivamente

virtuais, que fazem

parte da “Watopia”. Corredores

e ciclistas do mundo inteiro

podem estar a treinar no mesmo

percurso, cada um no seu

ritmo e pela duração que bem

entenderem.

O conceito de “gaming” está bem presente,

com percursos, acessórios de corrida

e peças de equipamento que vão sendo

desbloqueados e conquistados de acordo

com os níveis e eventos que o atleta

for ultrapassando. A utilização do ZWIFT é

muito simples e intuitiva. Apenas é necessário

subscrever a app e adquirir um “foot

pod”, sendo o mais fiável o

modelo STRYD, que além das

valências dos demais modelos,

informa de parâmetros

biomecânicos e eficiência da

corrida, como a potência em

watts, tempo de contacto

do pé no solo e oscilação vertical,

entre outros.

Existem também algumas

passadeiras que são compatíveis com o

ZWIFT e que via Bluetooth ligam directamente

à app sem terem de recorrer a um

“foot pod”.

RUNNING

28


texto Sérgio Santos*

Existindo há muito mais tempo do que o ZWIFT,

a corrida na passadeira visualizando imagens

reais, explorando paisagens, estradas, trilhos e

cidades através de vídeos é também uma alternativa

muito procurada. Existem milhares de percursos

gratuitos disponíveis no Youtube, alguns

com playlists associadas. Foram igualmente surgindo

alguns sites especializados, com percursos

Mas o ZWIFT vai muito para além de uma

simples app para corrida virtual, pois permite

ainda a criação de sessões de treino

individualizadas, treinos de grupo – os ditos

“meetup” – e o registo dos atletas em

planeamentos de treino, sessões e eventos

diários, com níveis de exigência variados,

que permitem correr com companhia, interagindo

com outros corredores, e dar sempre

aquele bocadinho extra!

Explore e veja você mesmo:

https://zwift.com/eu/run

que podem ser comprados online e que oferecem

autênticas visitas guiadas, a correr, por locais

fantásticos, de difícil acesso para a maioria,

e sem sair de casa. Quanto maior e melhor for

a resolução do ecrã à vossa frente, maior será o

realismo da corrida. O site “Virtual Active” será

porventura o mais conhecido.

https://www.vafitness.com/collections/

run-collection

RUNNING

29


#APPS E PLATAFORMAS DE TREINO

Muito mais recente, e produto da era CO-

VID, perante o cenário de impossibilidade

de organização de competições desportivas,

a IRONMAN criou o IRONMAN VIRTUAL

CLUB. Esta plataforma virtual tem como

grande objectivo proporcionar eventos gratuitos

todos os fins-de-semana no formato

de Duatlo (RUN-BIKE-RUN), em distâncias

que variam cada semana desde Sprint

(1,5-20-5) a Half (5-90-21,1). Estas competições

tanto podem ser realizadas indoor,

como no exterior, sendo utilizado o registo

GPS ou da plataforma virtual para as classificações.

Apesar de todas as variáveis que

podem fazer variar tremendamente o tempo

final, estes eventos têm sido um sucesso,

alguns com mais de 20 mil participantes,

sendo uma motivação extra para muitos atletas.

Os PRO não foram não foram esquecidos

e, cada fim-de-semana, algumas das

figuras mais conhecidas do triatlo mundial

são convidadas a participar e competir uns

contra os outros, em simultâneo, no mesmo

percurso e com transmissão ao vivo. Esta

plataforma não se limitou ao multidesporto e

criou também uma série de sessões de treinos

e eventos de corrida. Autêntica máquina

comercial, a IRONMAN foi mais além, ao

permitir que cada treino realizado e gravado

pelo atleta seja directamente descarregado

para esta aplicação, mantendo o registo

de todos os quilómetros percorridos e acumulando

pontos e créditos que podem ser

convertidos em compras e promoções no

próprio site.

https://www.ironmanvirtualclub.com/

run-om/

Mas a corrida na passadeira não deve apenas

ser entendida como uma forma de evitar

a corrida na rua. Alguns treinadores usam de

forma regular as passadeiras para controlar

a intensidade/velocidade de uma determinada

sessão ou repetições, sendo muito fácil

e preciso gerir e ajustar o esforço do atleta,

com grande proximidade e possibilidade de

feedback imediato. O treino indoor também

tem sido utilizado de forma recorrente para

simular condições muito específicas, destacando-se

o calor e humidade, no sentido de

provocar adaptações para uma competição

na qual se esperam determinadas condições

meteorológicas. O treino de rampas e descidas

tem sido igualmente muito utilizado com

o treino em passadeiras, sendo muito fácil

trabalhar com as inclinações e reclinações

planeadas, por durações ou distâncias precisas,

evitando que a recuperação e regresso

ao ponto de partida para a repetição seguinte

seja em plano inclinado. Permite, desta

forma, não controlar a carga do período de

recuperação, como também reduzir o impacto

músculo-esquelético e articular causado

pelas descidas durante a recuperação

entre rampas.

Fora das passadeiras, em percursos bem

reais, o STRAVA é sem dúvida a maior rede

social ligada ao fitness. O princípio é bastante

simples, permitindo que apenas com

um dispositivo GPS todas as actividades de

ciclismo, corrida e natação, fiquem registadas

num mapa real. Associado a equipamentos

de registo de potência ou frequência

cardíaca, o STRAVA permite que para

cada percurso ou treino concretizado seja

possível visualizar todos os dados relativos

à extensão e perfil, tal como a um conjunto

de dados de fitness. Esta rede tem a capacidade

extraordinária de colocar ao dispor

de quem quiser, percursos em quase todos

os locais do mundo. Se, por exemplo, chegar

a uma localidade para passar férias, ou

realizar uma actividade de treino num local

que não conhece, procurando no STRAVA,

vão aparecer dezenas de alternativas de percursos

que já foram concluídos por outros

atletas que por ali passaram e treinaram,

sendo fácil carregar os percursos seleccionados

em qualquer dispositivo GPS e seguir

as direcções. Para além da disponibilização

e registo de percursos, a faceta competitiva

do STRAVA é evidente. Existe no mundo

inteiro um número quase ilimitado de segmentos

gravados que permite a cada atleta,

ao passar por lá, entrar num ranking e

comparar o seu tempo com outros atletas.

Os conhecidos segmentos KOM (King of the

Mountain) são alvo de procura sistemática. O

STRAVA lança também desafios constantes,

que consistem em percorrer determinadas

distâncias ou em vencer determinados metros

de elevação acumulada, sendo possível

aos utilizadores do STRAVA inscreverem-se

RUNNING

30


e participarem sem sair das suas áreas geográficas,

podendo ainda conquistar troféus

virtuais. O STRAVA conseguiu, sem dúvida,

criar o conceito de comunidade melhor do

que ninguém, pois existem milhares de Clubes

STRAVA, que reúnem grupos de atletas

ligados por um evento, um clube desportivo,

ou outros grupos, nos quais as actividades

são partilhadas entre os atletas do clube,

permitindo que todos observem os treinos e

conquistas dos demais membros, para além

de ser possível criar eventos específicos reservados

aos respectivos membros. Estimase

que são descarregadas diariamente 8

milhões de actividades no STRAVA e que

a comunidade de atletas contribuiu para a

maior rede mundial de percursos de ciclismo

e de corrida. Conscientes do crescimento do

treino e desafios realizados em plataformas

virtuais, com corridas na passadeira e ciclismo

nos rolos, os responsáveis do STRAVA

possibilitaram que os registos do ZWIFT sejam

automaticamente contabilizados quando

os dispositivos e plataformas estão devidamente

emparelhadas.

https://www.strava.com/

Noutra área, que acaba por conseguir juntar

numa só aplicação todas as alternativas de

registos de treino, sejam eles em plataformas

virtuais ou no exterior, surge o TrainingPeaks,

sem dúvida o maior e mais popular

software de treino para desportos de resistência.

Esta plataforma é o sonho de qualquer

treinador que pretenda planear e controlar

o treino dos seus atletas à distância. O

princípio é muito simples e permite que um

treinador possa planear o treino na plataforma

(versão treinadores), ajustando as cargas

de forma individualizada. Por outro lado,

esse planeamento fica acessível ao atleta

(versão atletas), e este, ao concretizá-lo, é

automaticamente descarregado na plataforma,

ficando, por sua vez, também acessível

ao treinador. Para tal, é necessário que o atleta

utilize um dispositivo GPS para todas as

sessões no exterior, ou uma plataforma de

treino como seja o ZWIFT para sessões indoor.

Dependendo dos equipamentos e acessórios

que o atleta utilizar, sendo aconselhável

uma banda de frequência cardíaca e um potenciómetro,

as métricas de análise que são

colocadas ao dispor do treinador permitem

uma avaliação profunda de cada sessão. O

processo de planeamento do TrainingPeaks

deve ser realizado num computador, no entanto,

todo o processo de interacção com o

atleta pode ser mantido através da app móvel,

permitindo que o feedback sobre cada

sessão seja dado na hora, mesmo para atletas

que possam estar a treinar a milhares de

quilómetros do treinador. A conectividade do

TrainingPeaks com os dispositivos de GPS e

a plataforma ZWIFT é outra mais-valia que

veio melhorar de forma substancial a qualidade

do treino dos atletas. Cada sessão planeada

com TrainingPeaks pode ficar disponível

no calendário de treino dos dispositivos

e plataformas de treino dos atletas, guiando

o seu treino em cada passo. Por exemplo, se

um treinador planear que o seu atleta deva

realizar determinadas repetições num ritmo

entre X e Y, sempre que o atleta correr mais

rápido ou mais lento durante a repetição, o

dispositivo GPS vai vibrando e informando

que está rápido demais, lento, ou na zona

desejada, dando automaticamente o sinal

para início e fim das mesmas. Deixo, no entanto,

o alerta. Apesar do TrainingPeaks ter

definitivamente substituído a tradicional folha

de Excel, colocando a interactividade entre

treinador e atleta noutro patamar, esta plataforma

apenas transmite, o que o treinador

planear. Isto é, apesar do ar “arrumadinho”

com que possa ficar o planeamento do treino,

a qualidade do mesmo depende da qualidade

e experiência do treinador.

https://www.trainingpeaks.com/

*Sérgio Santos é licenciado em Educação Física e Mestre em Alto

Rendimento (FMH), treinador nível 3 de Triatlo e nível 2 TrainingPeaks.

Foi Director Técnico Nacional da Federação de Triatlo de Portugal (2000

a 2010), Director Técnico do Complexo Desportivo de Rio Maior (2011 a

2018), e é o actual Director Técnico Nacional da Confederação Brasileira

de Triatlo e formador da Federação Internacional de Triatlo (ITU),

cargo que ocupa desde 2005. Com 4 Jogos Olímpicos, uma medalha

Olímpica e um título mundial Elite como treinador, fundou a empresa

ONTRISPORTS em 2018. Desde sempre apaixonado pelo desporto,

corredor de várias maratonas, tem como sua melhor marca 2h35:16,

em Tokyo 2015.

sergio.santos@ontrisports.com

www.ontrisports.com

RUNNING

31


#NUTRIÇÃO

#CRÓNICA

texto Susana Francisco

((Nutricionista e atleta de elite)

Nos últimos tempos muito se tem falado sobre o documentário

The Game Changers, presente na plataforma streaming Netflix.

Este filme promove uma dieta vegetariana, nomeadamente vegana,

pois recomenda a eliminação completa de alimentos de origem

animal da dieta em geral, mas, mais precisamente, dos desportistas.

Concomitantemente, com as recomendações,

os autores, mostram os benefícios

que ocorrem na performance

desportiva com a mudança na alimentação.

No documentário é possível observar vários

atletas, de diferentes modalidades, todos veganos

e com enorme sucesso desportivo.

No documentário, a qualidade da evidência

é baixa. São tiradas conclusões de amostras

muito pequenas (uma a três pessoas).

Não é possível comprovar e determinar a causalidade

das afirmações transmitidas, no máximo

podem levantar-se hipóteses para se testarem e

provarem em estudos controlados. Por isso, este

tipo de evidência não deve ser considerado para

formular recomendações para a população.

Actualmente, e à luz da evidência cientí-

fica, as dietas vegetarianas, incluindo as

totalmente vegetarianas adequadamente

planeadas, são saudáveis e podem fornecer

benefícios à saúde, prevenção e tratamento

de doenças, sendo apropriadas para todas

as etapas do ciclo da vida, incluindo gravidez,

lactação, infância, adolescência e também para

os atletas. Assim, estas dietas podem atender às

necessidades de atletas de alta competição. As

recomendações devem ser efectuadas considerando

os efeitos da alimentação e do exercício

físico em questão.

Nutricionalmente, as dietas vegetarianas tendem

a apresentar níveis mais altos de fibra, magnésio,

potássio, vitamina C, vitamina E, folato, carotenóides,

flavonóides e outros fitoquímicos do que as

dietas omnívoras. Por outro lado, tendem a ser

RUNNING

32


mais baixas em gordura saturada e colesterol,

mas podem ter défice de vitamina B12, cálcio,

vitamina D, zinco e ácidos gordos essenciais

(ómega 3).

A maioria dos atletas vegetarianos atende ou excede

as recomendações para a ingestão diária

de proteína. Contudo, geralmente as suas dietas

fornecem menos proteína do que as de atletas

não vegetarianos. A qualidade da proteína deste

tipo de alimentação é garantida, desde que seja

consumida uma variedade de alimentos vegetais

ao longo do dia que forneça todos os aminoácidos

essenciais e que atenda às necessidades

energéticas. Ainda assim, é importante ter

em atenção que estas dietas podem apresentar

baixos níveis de lisina, treonina, triptofano e metionina,

todos aminoácidos essenciais. Como as

proteínas vegetais são menos digeridas do que

as animais, recomenda-se um aumento da ingestão

de cerca de 10% deste nutriente. Sendo

assim, as recomendações de proteína para atletas

vegetarianos aproximam-se de 1,3 a 1,8g/

kg/dia.

Os atletas vegetarianos podem estar em risco

de baixa ingestão de energia, gordura, vitamina

B12, B2 e D, cálcio, ferro e zinco. Relativamente

a estes nutrientes, há recomendações específicas

que permitem a sua aquisição de acordo

com as necessidades.

O ferro é particularmente preocupante devido

à sua baixa biodisponibilidade nos alimentos

vegetais. Geralmente, as reservas de ferro

dos vegetarianos são mais baixas do que as

dos omnívoros. E os atletas vegetarianos, especialmente

mulheres, podem ter maior risco de

desenvolver anemia. Devido a essa menor biodisponibilidade,

a ingestão recomendada é 1,8

vezes superior à dos não vegetarianos. O zinco

é um nutriente encontrado principalmente nos

alimentos de origem animal. No entanto, nem

todas as populações vegetarianas apresentam

baixo valor deste nutriente. Desta forma, não há

recomendações que sugiram uma necessidade

superior para vegetarianos. Tal como os minerais

anteriores, também o cálcio apresenta risco de

baixa ingestão não pela sua presença na dieta,

mas pela absorção, uma vez que é inibida por

oxalatos (presentes em espinafres, acelgas) e

fitatos muito presentes nos alimentos vegetais.

Legumes com baixo teor de oxalatos (brócolos,

espargos, couve) e tofu são fontes de cálcio com

boa biodisponibilidade. Este mineral apresenta

preocupação, uma vez que o risco de fracturas

de stress é maior nos atletas completamente

vegetarianos. Algumas técnicas de confecção,

nomeadamente imersão de leguminosas e sementes,

e a fermentação do pão, podem ajudar

a aumentar a biodisponibilidade de alguns micronutrientes,

especialmente zinco, ferro e cálcio.

Outros processos de fermentação, como os usados

para a produção de miso e tempeh, também

podem melhorar a biodisponibilidade do ferro.

A vitamina D desempenha um papel fundamental

na saúde óssea. Os seus níveis dependem

da exposição à luz solar e da ingestão de

alimentos ou suplementos com vitamina D. Os

vegetarianos apresentam tendência para baixos

níveis desta vitamina. A sua ingestão através

de alimentos fortificados (bebidas vegetais, por

exemplo), ou até a suplementação com vitamina

D2 (origem vegetal), podem ser tidos em consideração

para atletas vegetarianos. Para indivíduos

completamente vegetarianos, os níveis

de vitamina B12 são normalmente inferiores ao

recomendado. Neste tipo de alimentação o consumo

desta vitamina deve ser feito a partir de

alimentos fortificados, como é o caso de muitas

bebidas vegetais disponíveis no mercado ou

de produtos alimentares análogos da carne. De

outra forma, apenas através da suplementação é

possível atingir as suas necessidades.

Em oposição aos nutrientes anteriores, as dietas

vegetarianas apresentam benefícios também

eles demonstrados. Sabe-se que o exercício físico

exigente pode provocar uma supressão do

sistema imunitário. Muitos atletas de alto rendimento

apresentam, em determinadas fases

da sua época desportiva, função imunológica

levemente suprimida. A ingestão adequada de

micronutrientes, principalmente folato, carotenóides,

vitaminas B6, B12, C e E, cobre, ferro

é fundamental aceitar que não há uma

dieta perfeita, uma vez que somos

todos muito individuais

e selénio, pelos atletas tem sido sugerida por

atenuar a pressão sobre o sistema imunitário

induzida pelo exercício. A maior parte destes nutrientes

estão presentes em alimentos vegetais,

nomeadamente legumes de cor forte, alimentos

que estão naturalmente presentes nestas

dietas. Por outro lado, a ingestão adequada

de ácidos gordos ómega-3, existentes nas sementes

por exemplo, contribui também para a

imunocompetência.

A alimentação vegetariana é, também, rica em

antioxidantes, nomeadamente na vitamina C, vitamina

E e betacarotenos, o que pode ajudar a

atenuar o stress oxidativo provocado pelo exercício,

facilitando e acelerando a recuperação entre

treinos e competições. Todos os vegetais com

cores fortes são ricos em antioxidantes, as frutas

também são excelentes fontes destes micronutrientes,

nomeadamente os frutos silvestres,

romã, cereja, morango, kiwi, laranja, assim como

os frutos secos e as sementes, ricos em vitamina

E. A nutrição desportiva preocupa-se com

a performance actual do atleta, contudo outro

grande objectivo desta disciplina é a maximização

do desempenho a longo prazo e a melhoria

da vida atlética. Para isso não basta ajustar

macronutrientes e adequar a ingestão de proteína

e de energia, é fundamental a densidade

e a adequação dos micronutrientes. E, tal como

sugerem as recomendações, com o planeamento

correcto, uma dieta vegetariana pode, de

facto, atender às necessidades de um atleta de

alta competição. Contudo, é fundamental aceitar

que não há uma dieta perfeita, uma vez que

somos todos muito individuais. Assim, diferentes

tipos de dietas funcionarão para pessoas diferentes.

Uma dieta completamente vegetariana

funciona bem para algumas pessoas

mas não para todas, sendo que para estas

poderá funcionar melhor uma dieta mais

flexível. O importante é encontrar equilíbrio e o

que funciona melhor para cada um.

Seja por razões éticas, ambientais ou nutricionais,

o vegetarianismo está a crescer muito na

nossa população e muitos atletas seguem esta

alimentação e estilo de vida.

Acima de tudo é fundamental que façamos

escolhas informadas sobre a nossa

alimentação, em vez de escolhas induzidas

pelo medo, provocado por documentários

tendenciosos e que ofuscam

o conhecimento actual que existe sobre

nutrição, mais especificamente sobre nutrição

desportiva.

RUNNING

33


#RECEITA

Uma receita alternativa,

saudável e sustentável que

pode fazer em casa nesta

altura. Ingredientes simples,

práticos e acessíveis a todos

que permitem criar uma

excelente combinação cheia

de nutrientes e sabor.

#Modo de

preparação

1. Comece por cozer as batatas-doces com

casca numa panela com água a ferver.

Deixe arrefecer, abra ao meio e retire

o seu interior.

2. De seguida, salteie a cebola, o alho

francês e o alho com o azeite.

Misture com o interior das batatas-doces.

Pique a salsa e envolva tudo.

3. Recheie de novo as batatas-doces com

o preparado, tempere com pimenta,

sementes à escolha, o ovo aberto e inteiro

e o queijo ralado por cima.

4. Leve ao forno a 200ºC durante

20 minutos.

5. No final faça um molho de iogurte com o

cebolinho e a pimenta e coloque por cima.

Sirva.

NOTA: O Chef Fábio Bernardino iniciou o projecto

“Cozinhar na Quarentena”, onde diariamente, às 19h00,

através das páginas de Instagram (@chef_fabiobernardino)

e Facebook (Fábio Bernardino), ensina receitas simples,

práticas e com ingredientes acessíveis a todos.

#4 pessoas

30 min.

#Receita

pré-exercício

texto | fotos Chef Fábio Bernardino

r e c h e a d a c o m o v o e e s p i n a f r e s

#Receita

Base

#Receita

pÓS-exercício

• 300g batata-doce

• 200g grão

• 4 ovos

• 120g cebola

• 120g alho francês

• 200g espinafres

• 80g salsa

• 10ml azeite

• 20g alho

•1 iogurte natural

• 20g queijo ralado

•Cebolinho q.b.

• Pimenta q.b.

• Sementes à escolha

• 400g batata-doce

• 50g grão

• 4 ovos

• 120g cebola

• 120g alho francês

• 100g espinafres

• 80g salsa

• 5ml azeite

• 20g alho

• 1 iogurte natural

• 10g queijo ralado

• Cebolinho q.b.

• Pimenta q.b.

• Sementes à escolha

• 200g batata-doce

• 300g grão

• 4 ovos

• 120g cebola

• 120g alho francês

• 200g espinafres

• 80g salsa

• 10ml azeite

• 20g alho

• 2 iogurtes naturais

• 30g queijo ralado

• Cebolinho q.b.

• Pimenta q.b.

• Sementes à escolha

RUNNING

34


e recupera

os teus

treina casa

em

músculos

com mimosa

proteína

20 g

de proteína

sem gordura sem lactose

sem açúcares

adicionados


#Treino #TEMA DE Personalizado

CAPA

texto Filipe Russo

(FORMADOR e Personal Trainer)

fotos Pedro Rolim, Walter Branco

e Emídio Gomes

Vai começar

a correr…

O que vai acontecer com esta

acção motora

Desde logo, parabéns se pensa começar a

mexer-se! A corrida é uma actividade que

proporciona imensos benefícios cardiovasculares,

respiratórios, de força muscular e

de mobilidade com evidência na redução de

grande parte das comorbilidades deste século,

acrescentando vida aos anos. Esta época

extraordinária que vivemos mostrou-nos que,

por questões físicas e psicológicas, a prática

de exercício físico é tão potente para a saúde

como lavar as mãos frequentemente. Começar

imediatamente a correr, ou não, vai depender

de um conjunto de variáveis que deve

tentar controlar para correr o menor risco de

lesão, aguda ou crónica. Lembro que o exercício

físico deverá ser sempre “O” agente de

saúde e não da lesão. Deverá informar e obter

aval prévio do seu médico, e quanto à forma

de o fazer, tenha o seu treinador físico a gerir

esse processo global.

Algumas variáveis relacionadas com o próprio

indivíduo, importantes para a decisão de

começar a correr são: a sua massa corporal,

lesões/limitações conhecidas ou desconhecidas

que possam interferir com esta tarefa

motora e a prática desportiva até à data.

Começando pelo mais simples, existem

lesões que à partida podem ser inibidoras de

começar imediatamente a correr, sendo que,

por outro lado, não deixe que NINGUÉM lhe

diga que nunca poderá correr. Temos muitos

exemplos de casos de grande complexidade

e limitação e que com um bom trabalho,

paciência e perseverança, abriram-se a esta

possibilidade. Portanto, uma boa avaliação

das suas capacidades, limitações e disponibilidades

neuro-músculo-articulares, permitirão

realizar este projecto de forma mais eficaz e

segura.

Possibilidades

de organização

e planeamento

Parece-me que o princípio da progressão é

particularmente importante ser respeitado.

Comece, por exemplo, por alternar períodos

da caminhada com corrida. Vá estendendo

calma e progressivamente os períodos da corrida

sem aumentar o tempo total de treino,

mantendo estes incrementos durante entre

duas a quatro unidades semanais de treino.

Comece com a metodologia definida no ponto

RUNNING

36


anterior por 20’ ou 30’ no máximo e mantenha-a

durante um período de 4 a 5 semanas

(mesociclo de adaptação), até conseguir

correr sem intercalar com os períodos de

marchas.

Se tiver sucesso nos passos anteriores vá progredindo

na mesma metodologia com incrementos

de 5’, além dos 30’.

Relativamente ao volume total (tempo da corrida),

e de acordo com a minha experiência

como treinador pessoal, raramente assisti

a lesões induzidas por corridas de 30’ ou

inferiores, realizadas de três a quatro vezes/

semana. No entanto, assisti a várias lesões

em indivíduos com corridas de 50’ ou mais,

realizadas quatro ou mais vezes/semana. Claro

que também entram aqui outras variáveis

como planeamentos deficitários ou inexistentes

noutras capacidades físicas como a força

muscular, mobilidade ou agilidade, (e é apenas

o reflexo da minha experiência).

Confirme que não sente quaisquer efeitos

nefastos nomeadamente articulares (nunca

é um bom sinal). Existe uma tendência inexplicável,

no exercício físico, para minimizar os

sinais desconfortáveis que aparecem. Deixe-

-me dizer-lhe que isso, além de perigoso, é

subestimar os milhões de células cerebrais

que nos orquestram a existência. Acrescento

ainda que a dor muscular no pós-treino não é

algo bom, não! Particularmente se consistente

nas várias sessões é sinal evidente de erro no

planeamento.

Em que consiste correr

e o que acontece durante

esta aCção

A corrida é caracterizada normalmente como

uma habilidade motora da classe do movimento,

com padrão alternado de apoios realizados

com fase aérea. Na verdade, de cada

vez que alguém me diz que corre ou pretende

começar a correr, penso que a esta descrição

falta juntar algumas partes importantes como:

existe um movimento de extensão da anca

A corrida tem

um vasto leque

de benefícios.

Seja orientado por

alguém e confirme

que a sua saúde

está pronta para

esta tarefa

acompanhada de rotação externa da coxa, para

passar a um movimento de flexão com rotação

interna, forças para adução da coxa para

a manter estabilizada quando em flexão na anca,

forças opostas de controlo e estabilização

com mecanismos de inibição recíproca e coactivação.

A coluna lombar contrai excentricamente

aquando da flexão da anca e o oposto

na parede antero-lateral abdominal na fase de

extensão da anca. E a este ritmo lombo-pélvico

haveria um grande reflexo para a cintura

torácica, escapular e cervical mesmo que os

braços não existissem nesta actividade, porém,

na corrida, eles têm um efeito de balanço

e equilibrador gigante, imprimindo forças nas

áreas anteriores massivas, particularmente ao

final de 1000, 2000, 3000 ou mais balanços/

passadas.

Por isso correr e estar preparado para correr é

muito mais do que: “eu vou lançar as pernas

para a frente enquanto o coração ou as pernas

aguentarem e depois passo a marchar!”

Outras variáveis importantes

Para correr, o maior inimigo para o sistema

muscular, é o peso. Naturalmente que quanto

mais pesado/a, mais difícil é a tarefa. Pensemos

no esforço cardiorrespiratório e biomecânico

se vos disser que na corrida, e de acordo

com a intensidade, o peso da pessoa pode

chegar a ser 2,5 vezes superior nas forças de

impacto e de relação com o solo, a cada passada!

Assustador certo?! Esta é uma das razões

pelas quais a corrida oferece um factor

protector à densidade óssea!

O coração bombeia o dobro ou mais da velocidade

de circulação de sangue por cada minuto,

a par da ventilação. A complexidade e imensidão

de mecanismos e tarefas fisiológicas que

estão na base desta tão simples tarefa externa

que é correr, é incontável. Também para este

sistema, o peso tem uma influência devastadora,

todos os processos vão sendo aumentados

por cada Kg a mais que o corpo possui.

Por isto, para correr e não colocar nenhum sistema

em esforço desnecessário, quanto mais

leve melhor! É imperioso que fale com um técnico

credenciado sobre a sua alimentação! E

não use a corrida para combater o peso que

tem a mais, use uma alimentação correcta, caso

contrário vai pagar a factura!

Vamos lá mexer

A corrida tem um vasto leque de benefícios.

Seja orientado por alguém e confirme que a

sua saúde está pronta para esta tarefa, como

para qualquer outra, aliás! Opte por um processo

progressivo e fuja de volumes significativos

em cada corrida e no acumulado da semana.

Ligue o relógio e encontramo-nos na rua! Bons

treinos cheios de qualidade!

www.filiperusso-personaltraining.pt

RUNNING

37


#METODOLOGIA #CRÓNICA DO TREINO

O treino

DE

“Escadas”

Devido à simplicidade de realização,

o treino de “Escadas” pode – e deve –

ser facilmente introduzido na rotina

de treinos, pois traz benefícios para

a saúde, nomeadamente ao nível

cardiorrespiratório, e favorece as

técnicas da corrida e de trail.

texto pedro quintela

(Treinador de Triatlo, Atletismo e Trail Endurance)

Otreino de “Escadas” constitui

uma excelente opção de treino,

quer para corredores de rua quer

para corredores de trail.

Trata-se de um tipo de trabalho que privilegia

a resistência aeróbia, a força, a técnica

de corrida e a coordenação.

Subir escadas aumenta a frequência cardíaca,

melhorando a capacidade cardiorrespiratória

com a consistência deste

tipo de treino. Correr num plano inclinado

com o obstáculo vertical do degrau,

obriga a um trabalho contra a gravidade

mais exigente, o que permite um excelente

trabalho de força ao nível dos quadríceps,

glúteos, gémeos e core (abdominal

e lombar).

O exercício técnico de subir escadas favorece

a técnica da corrida, nomeadamente

na forma de realizar o contacto com o solo

(apoio activo pelo terço anterior do pé), na

extensão completa da perna de impulsão,

na bacia alta e no tronco direito. O trabalho

dos braços e o foco nos degraus contribui

também para melhorar a coordenação

motora geral e específica.

Em relação aos corredores de trail, verifica-se

ainda outra vantagem. Quando descemos

as escadas, estamos a trabalhar

muitos movimentos específicos das descidas,

contribuindo assim para ganhos de

força na musculatura específica solicitada

no trail.

Este tipo de treino é normalmente utilizado

ao longo de toda a época para os corredores

de trail, enquanto para os corredores

de rua e triatletas é normalmente periodizado

para a primeira parte da época, seguindo-se

depois o trabalho em “Rampas”.

Pelas vantagens enunciadas, com um reforço

muscular acompanhado (dado a sua

enorme exigência) e com uma periodicidade

adequada, pode ser incluído na nossa

rotina de treino de forma regular, mais ainda

no período de confinamento em que nos encontramos.

Pode ser realizado nas escadas

do prédio por exemplo.

Deixo-vos duas sugestões de treino de “Escadas”.

Bons treinos a todos!

#TREINO ESCADAS 1

50’ - 8KM 6’15’’/KM

15’ Corrida de aquecimento + alongamentos dinâmicos

4 x 3’ A subir e descer dois lances de degraus/descansa 1’

Ou

10 x 1’ Subida contínua/descansa 1’

10’ Corrida de recuperação

#TREINO ESCADAS 2

50’ - 8KM 6’15’’/KM

15’ Corrida de aquecimento + alongamentos dinâmicos

4 x 4’ A subir e descer dois lances de degraus/descansa 1’

Ou

10 x 1’20” Subida contínua/descansa 40’’

10’ Corrida de recuperação

RUNNING

38


#Psicologia Desportiva

texto Mariana Silva

(Licenciada e Mestre em Psicologia

do Desporto e Exercício)

Esta altura de confinamento tornou-se um desafio para todos nós,

nomeadamente para os atletas. No início da época foram definidos

objectivos, muitos deles incluíam participações em competições

nacionais e internacionais, com a grande ambição de puderem

participar em tais momentos. Com toda esta situação de pandemia,

estes objectivos viram-se adiados.

Será, portanto, um momento para redefinir

alguns objectivos, uma vez que

é fundamental manter o foco, a motivação

e continuar o trabalho em casa.

Sabemos que a retoma das competições e

dos treinos em contexto próprio da modalidade

é algo que nós não controlamos. Desta forma,

é fundamental que nos concentremos no aqui

e agora, já que o presente é o único momento

que controlamos. Por isso, procure perceber

esta situação como uma oportunidade para trabalhar

aspectos que sabe que precisa treinar,

de modo a tornar-se um atleta ainda melhor e

regressar ainda mais forte!

Para manter o foco, a motivação e a confiança

é fundamental que:

•Defina objectivos. Defina-os de

acordo com o treino que está

a fazer neste momento,

de forma SMART (específicos,

mensuráveis,

atingíveis, realistas e

num limite de tempo). Defina, por exemplo, um

ou dois objectivos muito específicos para cada

treino.

•Mantenha um diário de progresso. No final

do treino percebe em quanto é que sentiu

que atingiu o(s) objectivo(s), podendo cotar de 0

(não atingi) a 10 (atingi totalmente). Faça também

o levantamento dos aspectos positivos e

dos aspectos a melhorar de cada treino. Quando

definir os aspectos a melhorar, escreva à

frente como pode, numa próxima, fazer melhor.

Assim, conseguirá ter total controlo do processo,

o que ajudará a manter o foco, a confiança

e a motivação.

•Visualização mental: para manter o foco e

melhorar aspectos mais técnicos, utilize a imagética.

Recomendo que esteja num local tranquilo

e se sinta confortável. Faça algumas respirações

profundas até sentir que relaxa corpo

e mente, depois traga à sua mente o cenário

de treino e imagine-se, por exemplo, a realizar

determinado aspecto(s) técnico(s) de forma correcta

(aquele(s) que pretenda melhorar).

•Exercícios de Meditação Mindfulness.

Utilize práticas extra treino, que o ajudem a fortalecer

a concentração. Um exercício simples

que pode fazer é: coloca-se numa posição

sentado, que seja confortável e permita manter

a coluna direita. Feche os olhos e faça primeiro

cinco respirações profundas. Depois comece

o exercício, mantenha as respirações lentas

e profundas pelo nariz e cada vez que expirar

diga mentalmente um número (por exemplo:

inspira…expira “1”; inspira…expira “2”; etc).

A contagem é primeiro crescente (de 1 a 10) e

depois decrescente (de 10 a 1), durante 5 minutos

(coloque um temporizador).

Cada vez que se distrair e perder a contagem,

volte ao início à contagem crescente, portanto

ao número 1, e retome o exercício.

É normal no início haver mais distracção,

mas relaxe, aceite e volte a trazer o foco

para a respiração e para a contagem, está

tudo bem! À medida que faz o exercício, ao

longo da(s) semana(s), vai melhorando a capacidade

de foco.

Estas são algumas estratégias que pode perfeitamente

manter na pós-quarentena. O mais

importante é começar e manter a consistência!

Ficam as dicas! Bom trabalho!

Email: marianasilva.mentalcoach@gmail.com

Blog: treinomentalealtorendimento.wordpress.com

Canal YouTube: Mariana Silva – Preparadora Mental

Instagram: Marianasilva_sportspsychology

Facebook: Mariana Silva – Psicologia Desportiva

RUNNING

40


articule-se com a vida

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Artrozen ® é um SUPLEMENTO ALIMENTAR. Os suplementos alimentares não devem ser utilizados como substitutos de um regime

alimentar variado. É importante manter um estilo de vida saudável. Leia atentamente o folheto incluso na embalagem, antes da

toma. Em caso de dúvida, consulte o seu médico ou farmacêutico. Para mais informações, contacte a Tecnifar Consumer Health:

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#Saúde #CRÓNICA

Joelho

meu,

joelho

meu,

diz-me se sofres...

que futuro

será o meu???

A patologia do joelho, presentemente, não deve representar

o “fim de linha” para o atleta, mas pode ser muitas vezes

o barómetro da sua longevidade e da sua performance.

A

patologia do joelho tem uma incidência

muito significativa entre

os praticantes desportivos, sendo

os jovens, relativamente à idade,

e as mulheres, relativamente ao género, os

grupos que revelam taxas de incidência superiores,

quando comparadas amostras das

mesmas modalidades.

Presentemente, mesmo o praticante recreativo

apresenta horas de exposição à prática

desportiva muito próxima das horas dos atletas

de elite. Tendo os recreativos, em seu

prejuízo, a falta de apoio multidisciplinar e

multiprofissional, que só está ao alcance

dos atletas de rendimento/elite.

De facto, no Alto Rendimento, Unidades de

Saúde de Performance e Prevenção, ou estruturas

similares, apoiam, orientam e capacitam

o atleta em áreas diversas, que vão

desde programação, a curto, médio e longo

prazo, em variantes como: treino; alimentação;

recuperação e monotorização de carga.

Tudo é registado e aferido. Esta é uma

grande diferenciação.

Na patologia do joelho, os resultados obtidos

numa reconstrução de um ligamento

cruzado anterior (LCA), ficarão sempre

aquém do desejado, pois a exigência de

performance das elites desportivas é implacável

e nem sempre um joelho alterado

responde ao nível das demandas que dele

se espera. A rotura do LCA, no atleta jovem,

tem sempre prognóstico reservado, tanto

para tratamento conservador quanto para

cirúrgico.

A lesão de LCA, no jovem, é o principal factor

de risco para desenvolver osteonecrose

do joelho. Este evento, no atleta jovem, aumenta

o risco em 105 vezes, de possuir na

vida adulta, osteonecrose radiográfica. As

lesões com envolvimento de meniscos possuem

potencial adicional para a osteonecrose.

A preservação dos meniscos é determinante

para controlar o efeito deletério desta

ocorrência. Invariavelmente, os atletas que

As lesões do joelho

em jovens, especialmente

do LCA, têm aumentado

de modo significativo

nas duas últimas décadas

RUNNING

42

texto Dr. Francisco Miranda*


por vezes devastadora. As lesões do joelho

em jovens, especialmente do LCA, têm

aumentado de modo significativo nas duas

últimas décadas. É importante reflectir sobre

esta evidência que os traumatologistas

encontram diariamente nos seus consultórios.

O significativo aumento das horas de

exposição à prática desportiva de elevada

exigência e a promoção de uma especialização

desportiva precoce são razões com

evidente fundamento.

São muitos os factores e riscos que a literatura

tem descrito. Dos intrínsecos, é de

destacar a laxidez generalizada ou específica

do joelho, a chanfradura intercondiliana

estreita/pequena, as alterações rácio Isquitotibial/Quadríceps

na força e tempo de resofrem

lesões intra-articulares do

joelho, quando jovens, têm uma

redução da longevidade da sua

carreira desportiva, bem como do

nível da sua performance.

Dados estatísticos mostram que

rapazes VS raparigas tem diferentes

incidências lesionais, sendo

que raparigas lesionam o joelho

4 a 8 vezes mais. As causas poderão

estar relacionadas com o

deficiente controlo neuromuscular,

maior movimento paramedial

do joelho valgo dinâmico, ou

o deficiente controlo de anca e

tronco.

O exposto relega grandes responsabilidades

ao imperativo da

prevenção, o que deve levar o

seu foco para os factores de risco

modificáveis da lesão: força,

controlo neuromuscular, proprioceptividade

e equilíbrio, domínio

técnico; material adequado

e cumprimento das regras da

modalidade.

Estes propósitos têm de ser considerados

com responsabilidade,

porque a lesão grave do joelho

em idade precoce, é um problema

social familiar, académico e

desportivo, com uma magnitude

de impacto muito significativa e

Muitas lesões

têm um impacto

potencialmente

devastador no jovem

desportista

cuperação, a alteração controlo

neuromuscular ou fadiga, o core

com diminuída força e baixa

propriocepção; valgo dinâmico

do joelho. Os extrínsecos são

causados principalmente pelo

número de horas de exposição à

prática desportiva, por especialização

precoce, uso de material

desportivo inadequado, entre

outros.

Sendo a lesão do joelho capaz

de tomar, nas populações de jovens

desportistas, proporções

como aquelas que, na generalidade

dos artigos da especialidade,

se revelam, então, o imperativo

da prevenção tem que ser

um dos maiores determinantes

que orienta a consciência dos

técnicos e especialistas envolvidos

nas respectivas carreiras

desportivas. A lesão aguda do

joelho é inevitável no desporto

e todos nós o sabemos. Como

também já sabemos, e está

muito bem documentado, o efeito

dos programas preventivos

de lesão na prevenção primária

e no aumento de rendimento.

De facto, até 2013 mais de

5,000 treinadores de mais de

40 países (Portugal incluído), do

universo do futebol, tinham recebido

formação para a implementação do

Programa Preventivo FIFA 11 ou PEP. Estes

programas preventivos reduzem o risco e a

incidência da lesão, mas, fundamentalmente,

poupam os praticantes a grandes desafios

psicológicos e emocionais, além da

questão económica.

Muitas dessas lesões têm um impacto potencialmente

devastador no jovem desportista,

sendo que nas diferentes modalidades:

Futebol Americano (NFL); Basebol

(MLB); Basquetebol (NBA); Ligas principais

de Futebol/Soccer (MLS; Premier League;

La Liga; Bundesliga), vários atletas viram

as suas performances diminuídas por um

período de 24 a 36 meses até à sua estabilização,

e mesmo depois disso sentiramse

aquém do seu potencial máximo da fase

pré-lesão.

Em resumo, e dando eco às sábias palavras

de Santo Agostinho de Hipona, tanto

na fé como no desporto: “Rezem pelos milagres…

trabalhem para obter os resultados!!!”

*Coordenador de fisioterapia da UNIDESP (Unidade de Reabilitação

e Medicina Desportiva), integrada no projecto multidisciplinar

e multiprofissional da Portela Clínica. Fisioterapeuta chefe

no Sporting Clube de Braga.

RUNNING

43


#triatlo

#TEMA DE CAPA

O desconfinamento iniciado no dia 4 de Maio tem marcado o

regresso às nossas rotinas habituais, o que no caso dos triatletas,

depois de cerca de dois meses a treinar de forma muito limitada,

significa o regresso aos treinos, porém de forma adaptada

à “nova normalidade”.

texto Isabel Pinto da Costa | fotos Clarisse Henriques

Tal como noutras modalidades, também

os treinos dos triatletas de alto

rendimento recomeçaram há pouco

tempo, inclusive a natação em piscina,

que reabriu nesta fase apenas para

estes atletas.

Foi neste contexto que a Federação Portuguesa

de Triatlo foi tentar perceber como

tudo está a correr neste período de regresso

gradual aos treinos!

Lino Barruncho, treinador de atletas de alto

rendimento, explica que “os atletas estão finalmente

a regressar às suas rotinas e que

este retorno tem corrido bem”.

Para regressar à rotina em segurança foram

criadas normas gerais que abrangem

os atletas de alto rendimento e também os

triatletas de lazer, e das quais fazem parte

a higienização das mãos, o uso de máscara

quando necessário e/ou obrigatório (sendo

apenas opcional durante o treino), a obrigação

de seguir a etiqueta respiratória ou

reduzir os contactos sociais fazendo apenas

as deslocações necessárias.

O reinício ao fim oito semanas de confinamento,

conjugado com as apertadas regras,

pode gerar alguma ansiedade: “Existe ansiedade,

mas este é um sentimento com

que os atletas têm que saber lidar. Além

disso, o regresso aos treinos foi muito faseado

e planeado, os triatletas têm noção

de todos os passos que têm de dar e quando

os vão dar, o que reduz significativamente

a ansiedade”, afirma Lino Barruncho.

De qualquer forma, apesar deste regresso

progressivo aos treinos se constituir como

um desafio, o momento mais difícil foi antes

do adiamento dos Jogos Olímpicos, que es-

RUNNING

44


“Nesta última semana

tivemos boas

notícias sobre

treinar na rua e poder

correr à vontade.”

O treino de ciclismo

– Exceptuando os próprios atletas, todos os técnicos

que os acompanham devem usar máscara

de proteção;

- Permite-se dois praticantes em simultâneo,

obedecendo a um distanciamento mínimo de

dois metros para actividades que se realizem

lado a lado, ou de quatro metros para actividades

em fila;

– Para os atletas de alto rendimento, recomenda-se,

nos treinos em grupos de até 5 elementos,

que estes se dividam em subgrupos,

respeitando um distanciamento mínimo de 20

metros entre eles.

O treino de corrida

– Deve ser dada prioridade aos treinos individuais,

realizados ao ar livre, em locais pouco

movimentados e seguros;

– Os atletas de alto rendimento, com acesso a

pistas de atletismo, deverão seguir todas as recomendações

de segurança dessas instalações.

de um local muito tranquilo onde não há praticamente

ninguém, para realizarem o treino

possível: a natação foi transformada em treino

de força para reforço muscular de forma

a evitar lesões para quando fosse possível

voltar a nadar.

O treino de ciclismo foi realizado em casa

nos rolos e apenas a corrida foi feita do modo

mais ou menos habitual em campo aberto.

Finalmente, em meados do mês de Maio,

os atletas de alto rendimento puderam sair

de casa livremente para treinar e com acesso

à piscina e à pista do Jamor, o que foi

uma enorme mais-valia e permitiu “ganhar

velocidade de corrida”. “Nesta última semana

tivemos boas notícias sobre treinar na rua

e poder correr à vontade. Abriu também a

piscina do Jamor, o que foi excelente, porque

cada dia que passa sem nadar é um dia que

perdemos sensibilidade da natação. Para os

triatletas em que, como eu, a natação não é

um segmento muito forte, um dia sem nadar

prejudica bastante”, explica Vasco Vilaça.

Poder voltar a andar de bicicleta foi um grande

alívio, porque existe uma diferença muito

grande entre os rolos e pedalar na rua, que é

mentalmente menos desgastante. Para celebrar

o regresso, Vasco Vilaça fez 300km de

bicicleta, que considerou “desafiante e um

momento único”!

Melanie Santos, vice-campeã do mundo

sub-23 em 2017, e João Pereira, campeão

da Europa no mesmo ano, treinaram juntos

tava a gerar muita ansiedade pois os atletas

tinham de cumprir um plano de treino muito

rigoroso.

O treino de natação

A natação, por ser em ambiente fechado,

é acessível apenas a atletas de alto rendimento

que devem seguir todas as regras de

segurança das instalações, incluindo a presença

de apenas um atleta por pista, a utilização

de pistas alternadas, a utilização de

máscara no cais da piscina e a manutenção

do distanciamento social no acesso às pistas

de treino.

Os atletas de lazer devem treinar em águas

abertas, com a presença de um ou mais

elementos em terra, que possam garantir a

respectiva segurança.

– É proibida a partilha de objectos pessoais

(toalhas, garrafas, etc.);

– Os atletas devem levar consigo todo o

equipamento individual necessário e evitar

tocar em superfícies ou instalações não higienizadas,

ou outros utilizadores.

Vera, Vasco Vilaça,

Melanie Santos

e João Pereira no

isolamento social

e regresso aos treinos!

Para Vera e Vasco Vilaça (este último campeão

europeu de juniores e vice-campeão do

mundo de triatlo em 2017), os dois últimos

meses foram de isolamento social. Os dois

irmãos, e ambos atletas de alto rendimento,

refugiaram-se numa casa de campo, perto

durante o período de isolamento social, escolhendo

uma zona tranquila para conseguirem

estar mais resguardados. As rotinas não

se alteraram muito, embora o ciclismo tenha

passado a ser realizado em rolos em casa e

a piscina, que tiveram a sorte de conseguir,

contasse apenas com 17 metros. “Nas semanas

mais complicadas treinámos em rolos

e evitámos as saídas de bicicleta, mas nunca

parámos nem reduzimos muito, tentando não

aumentar excessivamente o volume para evitar

lesões”, explica João Pereira.

Melanie acrescenta: «Acho que as regras

estão bastante bem implementadas, mas temos

que realçar que esta situação ainda não

terminou, sendo necessário manter os cuidados,

mesmo quando fazemos exercício

ao ar livre”.

RUNNING

45


#Corrida #TEMA DE CAPA de obstáculos

Se só correr já não te chega

texto | fotos Bruno Miguel Dias

O OCR (Obstacle Course Racing), ou, em português, Corrida

de Obstáculos, tem crescido a olhos vistos nos últimos anos

no nosso país. Em quantidade e qualidade, são cada vez mais

as provas que convidam os atletas a enfrentarem novos desafios

num desporto multidisciplinar e que obriga a uma preparação

física variada.

OOCR é uma corrida de obstáculos e

eu diria que, como modalidade, estamos

entre o Trail e o Ninja Warrior.

No fundo, numa definição rápida, o

que fazemos são provas de trail intervaladas

com obstáculos.”

Se não conhecia o OCR, estas palavras de

Bruno Sousa, atleta da modalidade, dão-lhe

uma primeira ideia do que estamos a falar.

Dependendo da dificuldade, uma prova de

OCR pode colocar-lhe o desafio de fazer um

percurso pelo meio de uma serra e, pelo caminho,

ir trepando paredes, rastejar debaixo

de arame farpado, carregar troncos ou sacos

de areia e, nas partes mais técnicas, passar

por obstáculos de equilíbrio ou percorrer um

troço pendurado em argolas. Não há limites

para os desafios e é a imaginação de cada

organização que vai elevando o nível das

provas.

Ricardo Rodrigues, da WILD Challenge, uma

das organizações mais experientes em Portugal,

conta que as provas de OCR surgiram

inspiradas nas provas militares e que em Portugal

se tem jogado muito entre atletas de trail

e de crossfit, embora nem uns nem outros

tenham nessas modalidades tudo o que é

preciso para serem bem-sucedidos no OCR,

como explica Bruno Sousa.

“A modalidade é Corrida de Obstáculos, logo

a corrida é importante. Mas correr não chega.

Os atletas de trail não treinam força e essa é

uma parte fundamental do OCR, porque correr

500 metros com um saco de 40 quilos não

é o mesmo que fazer uma prova de trail sem

qualquer tipo de carga. O OCR tem componentes

de força, resistência e agilidade que

têm de ser trabalhadas”, diz o também pro-

RUNNING

46


#OPINIÃO

“Uma corrida de OCR é mais do que uma

corrida... é a oportunidade para qualquer atleta

que goste de desafios encontrar um espírito

de cooperação e de superação, onde pode

estimular a sua capacidade física, de forma

competitiva, ou somente viver uma experiência

com amigos.”

Carlos Araújo, Presidente APOCR

“Experimentem, venham tentar coisas

diferentes e vão ver que a vossa performance

nas corridas até vai melhorar. De certeza que

vai criar em vocês um bichinho.”

Bruno Sousa, atleta e fundador do

OCR Portugal LAB

“O OCR é uma modalidade para todos

experimentarem. Dificilmente alguém que

experimente uma prova não faz uma amizade

no final dos 10 quilómetros. É esse o objectivo:

experimentem e divirtam-se!”

Ricardo Rodrigues, WILD Challenge

prietário do OCR Portugal LAB, um dos locais

onde se pode treinar OCR.

“Só o exercício de nos baixarmos e levantarmos

é totalmente diferente do de um corredor,

que está sempre erecto. É por isso que

o OCR é um desporto muito mais completo a

nível de treino e na forma a trabalhar o corpo

todo.”

Ricardo Rodrigues confirma isso mesmo e diz

que em Portugal a tendência é para ter provas

mais pequenas e com maior componente

técnica.

“Não queremos apenas organizar uma prova

de corrida em trilhos. Para isso existe o Trail.

O OCR exige atletas dinâmicos, com uma

preparação a vários níveis, é uma modalidade

multidisciplinar que exige um atleta completo.

Esse é o grande desafio”, sublinha o

organizador da WILD, que garante que estas

provas podem muito bem ser “o próximo passo

de quem corre muito e precisa de um novo

desafio”.

Modalidade está a crescer

e vai nascer uma Federação

Genericamente, o OCR em Portugal assume

duas vertentes: competição ou modo de

experiência.

Da última para a presente temporada, mais

do que triplicou o número de atletas inscritos

na Liga OCR e de cinco organizadores, a Associação

Portuguesa de Corrida de Obstáculos

(APOCR) passou a contar com 14.

“Este ano ia ser o ano do OCR, não fosse ter-

mos sido interrompidos pela pandemia da Covid-19.

Tivemos um incremento muito acentuado

e este dinamismo vem corresponder ao

nosso objectivo principal, que é o aparecimento

e crescimento de clubes, pois são eles que

conseguem cativar cada vez mais atletas”, explica

Carlos Araújo, presidente da APOCR.

Mesmo apesar do contratempo que o país enfrenta,

o dirigente coloca as fichas todas na

modalidade e avança que em 2021 vão surgir

novidades: “Queremos criar competições novas

no OCR, categorias novas que ainda não

tenham sido testadas em Portugal e eventos

novos. Além disso, queremos que o crescimento

da modalidade se dê pela formação

junto dos mais novos, trabalhar o desporto escolar,

sem esquecer o OCR como um desporto

de lazer, até porque os atletas nascem muitas

vezes dessas experiências que queremos promover”,

realça Carlos Araújo.

O desafio está lançado: o OCR veio para ficar

e todos parecem falar a uma só voz!

#A OCR

• 1ª edição da Liga OCR Portugal: 2018

• Praticantes filiados: 258 atletas

( Femininos: 60; Masculinos: 198)

• Clubes: 23

• Organizadores: 14

• Provas em 2020: 15 provas (Liga OCR

Portugal: 14; Taça de Portugal: 1)

RUNNING

47


#Actualidade

Após mais de dois meses de estagnação,

a maioria das provas de corrida – nacionais

e internacionais – estão agora agendadas

para o último trimestre do ano.

A acontecerem seria muito positivo,

mas a possibilidade de se verificar uma

segunda vaga é uma ameaça ainda real.

Quando se vai dar então o regresso efectivo

das competições? Quais as medidas

de segurança que irão ser tomadas?

A RUNNING Magazine foi procurar

as respostas a estas e outras perguntas

junto dos principais actores da área,

entre organizações e federações.

texto Marta Clemente

Esta não é uma história nova, mas

uma história actual, dado que ainda

a estamos a viver e não sabemos

quando terminará. Quando chegou

a Portugal já muitos países tinham provado

a força da infecção Covid-19, que foi decretada

pandemia mundial em meados de

Março. E foi esta força invisível que parou

o mundo abruptamente, de uma forma que

ninguém esperava ou conseguiu prever. E,

escusado será dizer, que o calendário desportivo

não foi excepção e sofreu um abano

incalculável.

Numa fase em que nos habituámos a conviver

com o novo coronavírus e a vida vai, aos

poucos, retomando a nova ‘normalidade’,

os grandes aglomerados que não permitam

manter a distância de segurança e/ou

outras regras de higiene não são ainda permitidos.

De notar que, recentemente, foi decretada

a proibição dos festivais ou espectáculos

de natureza análoga até ao dia 30

de Setembro, essencialmente pelos ajuntamentos

que implicam. Na sequência dessa

decisão foram canceladas algumas corridas

nacionais que ainda resistiam no calendário.

Porém, a maioria das provas ficou agendada

para o último trimestre do ano, apesar

de se falar na eventualidade de uma segunda

vaga para essa altura. Irão estas acontecer?

Como estão as organizações portuguesas

a agir?

As incertezas são muitas e entre as oito

organizações entrevistadas – HMS Sports,

RunPorto, We Run, Maratona Clube de Portugal,

Carlos Sá Nature Events, Xistarca,

Azores Trail Run e Ganhar Destak – nem

todas mostram o mesmo optimismo, sendo

que a maioria concorda em dois pontos fulcrais:

a haver provas este ano, apenas de

forma limitada e o eventual receio de participação

apenas desaparecerá com o surgimento

de uma vacina comprovada.

É precisamente nesse sentido que vai o entendimento

da Xistarca: “A retoma das corridas

não deverá acontecer antes do final

de 2020, pois dificilmente se conseguem

reunir as condições de segurança exigidas

RUNNING

48


pela Organização Mundial de Saúde (OMS)

e Direcção-Geral da Saúde (DGS) que permitam

ajuntamentos do tipo das provas.

O receio dos participantes, que nunca irão

aderir em grande número, põe em causa

a viabilização financeira do evento”. Carlos

Sá, da Carlos Sá Nature Events, advoga

também como um “verdadeiro desafio a

dificuldade de conquistar novamente a confiança

de tantas pessoas”. O Maratona Clube

de Portugal admite mesmo só retomar

Paulo Lopes - São Silvestre Lisboa 2019

as corridas de massas quando for encontrada

vacina ou a terapêutica adequada. No

entanto, nem todos têm a mesma perspectiva.

Exemplo disso é a We Run que se prepara

para realizar provas ainda este ano e

não receia o medo de participação colectiva:

“Estamos preparados para o cenário mais

positivo ou para a eventualidade de uma

segunda vaga”, explicam. Como é perceptível,

as dúvidas que pairam sobre os organizadores

de provas ainda são muitas, pois

tudo depende da verificação da segunda

vaga de contágios. Porém, se esse cenário

pessimista não se concretizar, parece seguro

afirmar que a realização de provas no

último trimestre deste ano é uma hipótese

viável, claro está, com as devidas medidas

de segurança.

Medidas de higiene

e segurança

Sem um regulamento geral definido até à

data de fecho da edição sobre as medidas a

adoptar para eventos desportivos de grandes

dimensões, há quem aguarde essas

indicações, mas também há quem já tenha

pensado ou até realizado essa lista, tendo

como base o que está a ser feito a nível internacional.

“Da nossa parte, estamos a par

das medidas traçadas pela AIMS (Association

of International Marathons and Distance

Races) e pelas Federações Internacionais de

Atletismo e de Triatlo. Iremos também estar

atentos às respectivas entidades nacionais

para perceber as medidas a considerar nos

eventos. Teremos de repensar as provas

em termos organizativos e avaliar os custos

envolvidos nestas alterações”, deslindou a

HMS Sports.

Relativamente à corrida de estrada existem

medidas unânimes, como a partida por vagas,

evitando a concentração de atletas na

partida e chegada, e a limitação do número

de participantes, como adianta a Ganhar

Destak.

No que ao trail especificamente diz respeito,

a Azores Trail Run prevê, em traços gerais,

as seguintes medidas: inclusão no site, envio

de newsletter e publicação nas redes

sociais das regras determinadas pelas autoridades

de saúde nacionais e regionais;

a possibilidade de exigência de documento

que ateste a realização de teste à Covid-19;

a utilização de boxes de partida consoante

o tempo estimado de cada atleta para terminar

e/ou raking ITRA – International Trail

Running Association; a definição de horários

de acordo com o número de dorsal para

recolha do peitoral; a utilização de máscara

e disponibilização de álcool gel junto aos

locais de entrada e saída, e alteração dos

conteúdos dos abastecimentos para que se

utilize material embalado e individualizado.

Corridas virtuais: o futuro

ou uma mera alternativa?

A resposta é uníssona: nada substitui o que

se vive nas corridas como as conhecemos

até aqui, pelas emoções, convívio e contacto

com a natureza.

No entanto, seja com o objectivo de manter

presença activa junto dos participantes, de

contribuir para a manutenção dos hábitos

desportivos e/ou para causas solidárias, a

organização das corridas virtuais tem surgido

neste panorama como opção de um número

elevado de organizações e têm conquistado

muitos atletas por todo o país, e

não só. Habitualmente as regras das corridas

virtuais contemplam, de modo muito

geral, que o atleta corra de forma isolada,

respeite as regras da DGS, e a monitorização

da prova através de aplicações.

“Os eventos virtuais acabam por ser uma

forma de manter o contacto com a comunidade

de que habitualmente participa nos

eventos organizados pela HMS Sports. A

nossa primeira experiência aconteceu a 19

de Abril, data prevista para o Lidl Setúbal

Triathlon, com um evento virtual no HMS

Pedro Silva - Faial Coast to Coast

#Provas canceladas

afectam capacidade física

De acordo com um inquérito liderado pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da

Universidade Nova de Lisboa, que indagou sobre o impacto das medidas restritivas da pandemia

ao nível da prática dos principais desportos ao ar livre, após semanas de confinamento e de

provas canceladas 58% dos praticantes afirmam sentir a sua capacidade física ligeiramente

afectada e 22% muito afectada. Nesse sentido, relativamente às provas canceladas/adiadas

apenas 225, do universo dos 2308 inquiridos, não foi afectado.Concluiu-se ainda que 61%

treinou com menor frequência e que 920 atletas reduziram os seus treinos semanais.

49

RUNNING


#Actualidade

#Federação de Triatlo de Portugal

“Queremos retomar os eventos

desportivos em Julho”

Além da inexistência de provas ou eventos, o Triatlo enfrenta a problemática derivada do

encerramento das piscinas, tal como alerta Vasco Rodrigues, presidente da Federação de

Triatlo de Portugal (FTP). “É de extrema importância que a DGS e o governo se pronunciem

sobre o panorama desportivo e definam um plano de reabertura das instalações e dos quadros

competitivos”. Sem qualquer indicação da possibilidade de regresso às provas por parte das

autoridades competentes, a FTP assume a vontade e a esperança de dinamizar eventos a partir

de Julho, claro está, com novos formatos e garantindo as necessárias premissas de higiene

e segurança. Sobre esta temática Vasco Rodrigues elenca algumas medidas já pensadas,

embora sublinhe a relevância da responsabilidade individual acrescida: “Os procedimentos de

check-in e check-out do parque de transição vão ser reformulados para garantir o controlo

de pessoas e aumento do espaço individual para cada atleta; vai ser medida a temperatura

corporal no momento de check-in e implementada a obrigatoriedade de uso de máscara até

ao encaminhamento para a partida e após terminar a prova; vamos alterar os procedimentos

de partida para garantir um número não superior a 50 atletas e para isso recorrer a modelos

de contrarrelógio, rolling start ou partidas por grupos de idade. Vão ainda ser potencializadas a

realização de provas sem roda”.

Sports Club no Strava. Contámos com mais

de 250 participantes e recebemos óptimo

feedback. Vamos realizar uma prova virtual

nos dias 13 e 14 de Junho, em substituição

da tradicional Corrida de Santo António”,

esclarece a organização.

Como será em 2021?

Os adiamentos e incertezas sobre a evolução

da pandemia podem por em causa a

calendarização de provas não apenas este

ano, como ainda em 2021. É por essa razão

que o planeamento está a ser efectivado de

forma muito cautelosa pela maioria das organizações,

sempre com a possibilidade de

não realização no horizonte.

Este é, de resto, o entendimento seguido

pela Ganhar Destak, que aguarda “indicações

das autoridades competentes para

planificar o próximo ano” e da Azores Trail

Run, que confessa ainda não ter aberto

inscrições para 2021, já que “as recomendações

são para ter alguma contenção e

aguardar”.

O Maratona Clube de Portugal vai mais longe

e já pensou numa alternativa: “Esperamos

realizar os eventos em 2021, mas,

caso tal não seja possível, os inscritos receberão

um voucher válido para 2022”.

Paulo Alfaro - Meia-Maratona dos Descobrimentos

RunPorto - Meia Maratona de Braga

Da crise nascerão

oportunidades?

Apesar de ser a segunda modalidade mais

praticada em Portugal e apresentar um

enorme potencial de crescimento, a corrida

ainda não conquistou o destaque almejado.

Será esta fase uma oportunidade para dar

esse salto? As organizações não acreditam

nesse cenário. Segundo a RunPorto, a falta

de capacidade de investimento, derivada

RUNNING

50


Luís Timóteo - III Trail Fontes de Caneças

da brutal queda da facturação, pode minar

essa perspectiva.Não obstante, do desafio

de repensar a modalidade, podem vir a ser

recolhidos frutos: “A reinvenção do modelo

habitual deve ser repensado de modo a

captar novos públicos, através de novos desafios,

eventualmente mais personalizados

ou segmentados”, avalia a Xistarca.

Impacto económico

A completa inactividade do negócio, de forma

duradoura e imprevisível e consequente

ausência total de receitas faz antever um

impacto gigantesco neste negócio.

Alguns entrevistados revelam números assombrosos:

“Estimamos, relativamente às

nossas provas, que o impacto para a economia

de Lisboa se traduza numa perda de

50 milhões de euros”, revelou o Maratona

Clube de Portugal, enquanto a RunPorto indica

uma redução da actividade de 90% e

da facturação na casa do milhão e meio de

euros”.

Sem esquecer que os eventos desportivos

envolvem fornecedores, municípios e patrocinadores

das mais variadas áreas, a HMS

Sports deixa um apelo: “Cremos que o governo

irá entender que o desporto é fundamental

para o bem-estar físico e psicológico

da população e apoiar a sua recuperação.

Se disto existiam dúvidas, as mesmas ficaram

desfeitas com a quantidade de pessoas

que passaram a praticar desporto durante a

quarentena, muitas delas sedentárias”.

Apesar de ser a segunda modalidade

MAIS PRATICADA EM PORTUGAL, A CORRIDA

Carlos Sá Nature Events - Grande Trail Serra D’Arga

Maratona Clube de Portugal - Maratona de Lisboa

Marcelino Almeida - Oeiras Trail

ainda não conquistou o destaque almejado

#Federação Portuguesa

de Atletismo

“Temos uma

modalidade

preparada para

tempos de crise”

Sem esconder a preocupação relativamente

à situação vivida, o Professor Jorge Vieira,

Presidente da Federação Portuguesa de

Atletismo (FPA) considera que a modalidade

tende a ganhar centralidade após os períodos

mais conturbados: “O atletismo conheceu

enormes desenvolvimentos depois das grandes

guerras mundiais, pois é uma ferramenta

fundamental para os cidadãos recuperarem

a sua saúde, condição física, alegria de viver

e até a coesão social. Por isso, digo, mais do

que antes, o desporto vai ser fundamental nas

nossas vidas. E a corrida ainda mais, pois é a

mais democrática, acessível e popular forma

de desporto. Foi em plena crise económica

que batemos recordes nos números de

filiados”, exemplifica. Por estas razões,

Jorge Vieira acredita que a recuperação do

sector – e das organizações de provas – é

viável e pode até ser mais rápida do que se

prevê, já que “os atletas estão sedentos de

participar em corridas e vão surgir novos

participantes”. Jorge Vieira revelou ainda que

a FPA prepara o regresso do atletismo em

quatro fases: o regresso aos treinos, o início

da actividade competitiva regional e distrital

e, posteriormente, a nível nacional – ambas

adaptadas aos tempos actuais –, e, finalmente,

o regresso da actividade já sem limitações.

Quanto ao regresso da actividade competitiva

é apontado para final de Julho/início de

Agosto, não dentro dos parâmetros habituais:

“Por exemplo, nas corridas em pista vamos

colocar pistas de intervalo entre os vários

concorrentes e vão correr menos de cada vez.

Nas corridas de meio-fundo estamos

a sugerir novas abordagens como o

contrarrelógio”.

RUNNING

51


#AGENDA

Fique a par de

todas as corridas

Desafio Virtual

Vertical

Distância: realizar o maior desnível

acumulado possível

Data: 31 de Maio a 05 de Julho

Mais informações: www.recordepessoal.pt

Desafio Olimpo

–Serra do Muro (Paredes)

Distância: Percurso a ser feito por GPS

(18 km e 1000 D+)

Data: 01 de Junho a 30 de Junho

Mais informações: https://www.facebook.com/

groups/709222193220126/

Luso 10 K Virtual Race

Distância: 10 km

Data: 05 a 07 de Junho

Mais informações: https://mcpvirtualraces.com/

Jogos Santa 5 K

Casa Virtual Race

Distância: 5 km

Data: 12 a 14 de Junho

Mais informações: https://mcpvirtualraces.com/

Associação Montepio

Corrida de Santo António

MEDIA PARTNER RUNNING MAGAZINE

Distância: 5 km ou 10 km

Data: 13 e 14 de Junho

Mais informações:

https://www.corridadesanto

antonio.com/

Renault 10 K Virtual Race

Distância: 10 km

Data: 19 a 21 de Junho

Mais informações: https://mcpvirtualraces.com/

CME 5 K Virtual Race

Distância: 5 km

Data: 26 a 28 de Junho

Mais informações: https://mcpvirtualraces.com/

Desafio Olimpo

– SRA da Assunção (STO.Tirso)

Distância: Percurso a ser feito por GPS

(18 km / 800 D+)

Data: 01 de Julho a 31 de Julho

Mais informações: https://www.facebook.com/

groups/709222193220126/

Mimosa 10 K

Virtual Race

Distância: 10 km

Data: 03 a 05 de Julho

Mais informações: https://mcpvirtualraces.com/

Corrida Dia do Pai

On-Line

Distância: 10 km corrida ou 5 km caminhada

Data: 05 de Julho

Mais informações: https://www.runporto.com/

Nota: A AGENDA RUNNING é uma parceria entre a RUNNING

Magazine e a Run4All, com o objectivo de proporcionar aos

respectivos leitores e utilizadores uma agenda de provas

de estrada, trail, skyrunning, caminhada, orientação praia e

obstáculos completa e que agora pode ser consultada através

dos sites runningmag.pt, run4all.pt e ainda através da aplicação

Run4All, disponível para Android.

Sobre a Run4All

A Run4All nasceu para agregar num só espaço eventos running que

decorram em Portugal, servindo de agenda a diferentes tipos de

provas. Foi lançada inicialmente uma aplicação para Android,

em Setembro de 2017. Mais recentemente, em Março de 2020, foi

criado o site run4all.pt, que permite aos utilizadores que não tenham

Android acederem à agenda de eventos running.

Ambas as plataformas continuam em processo de melhoria contínua,

sempre numa tentativa de se adaptar a possíveis mudanças

no mundo running. Podem adicionar eventos através de

http://run4all.pt/newevent .

RUNNING

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268.2019 MP12/2019


O Wear OS do Google funciona com telefones com Android 4.4+ (excluindo a edição Go) ou iOS 10+. As funcionalidades

suportadas podem variar entre plataformas e países. O Google, Google Play, Wear OS do Google, Google Pay,

Google Fit e outras marcas e logótipos relacionados são marcas comerciais da Google LLC.

SUUNTO 7

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