Lusitano de Zurique, edição nº 265 - Junho 2020

araujomota

Órgão informativo do Centro Lusitano de Zurique

[ JUNHO 2020 | Edição Nº. 265 | ANO XXVI | Direcção: Sandra Ferreira + Armindo Alves | Publicação mensal gratuita ]

LUSITANO DE ZURIQUE

MUDA DE CASA E DÁ-LHE

BOAS-VINDAS!

A partir de

1 de Julho

WWW.CLDZ.CH

EDITORIAL

NOVA CASA

PÁGINA 3

COMUNIDADE

DONATIVOS DAS

“JANEIRAS 2020”

PÁGINA 7

DIREITO

O QUE É UM

CONTRATO?

PÁGINA 12 E 13


2

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Centro Lusitano de Zurique

Birmensdorferstr, 48

8004 Zürich

www.cldz.eu - info@cldz.eu

Bufete, reserva de refeições 077 403 72 55

Cursos de alemão 076 332 08 34

Consulado Geral de Portugal em Zurique

Zeltweg 13 - 8032 Zurique

Tel. Geral: 044 200 30 40

Serviços de ensino: 044 200 30 55

Serviços sociais: 044 261 33 32

Abertura de segunda a sexta-feira das

08:30 às 14:30 horas

Embaixada de Portugal

Weitpoststr. 20 - 3000 Bern 15

Secção consular: 031 351 17 73

Serviçoa sociais: 031 351 17 42

Serviços de ensino: 031 352 73 49

Edição anterior

[ MAIO 2020 | Edição Nº. 264 | ANO XXVI | Direcção: Sandra Ferreira + Armindo Alves | Publicação mensal gratuita ]

Pandemia Covirus-19

Edição

digital

DE REGRESSO À

NORMALIDADE?

Direcção

044 241 52 60 / info@cldz.eu

Futebol armindo.alves@garage-mutschellen.ch / 079 222 09 14

InCentro

incentro@cldz.ch

Publicidade 079 913 00 30/pub.lusitano@gmail.com

Rancho folclórico 079/549 99 10 / rancho@cldz.ch

Vamos contar uma história 079 647 01 46

Serviços municipais de informação para

imigrantes - Zurique (Welcome Desk)

Stadthausquai 17 - Postfach 8022 Zurique

Tel.: 044 412 37 37

Polícia 117

Bombeiros 118

Ambulância 144

Intoxicações 145

Rega 1414

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EDITORIAL

NORMALIDADE

OU NÃO?

PÁGINA 3

COMUNIDADE

VIAGENS

CANCELADAS

REEMBOLSOS

PÁGINA 17 E 36

SAÚDE

SAÍDA DE CON

FINAMENTO

PÁGINA 16

Missão Católica de Língua Portuguesa – ZH

Katholische Mission der Portugiesischsprechenden

Fellenbergstrasse 291, Postfach 217 - 8047 Zürich

Tel.: 044 242 06 40 7 044 242 06 45 - Email: mclp.zh@gmail.com

Horário de atendimento:

- segunda a sexta-feira das 8h às 13h00 e das 13h30 às 17h

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EDITORIAL

3

Nova Casa

SANDRA FERREIRA

Directora - jornalista CC12 A

Tudo na vida tem um início, um meio e um fim. Dependendo do que se trata existem

aqueles que duram mais e aqueles que duram menos. É tudo uma questão de empenho,

de cuidado, de renovação, de reinventar o já inventado.

A Associação Centro Lusitano de Zurique, com 36 anos de existência, tem sabido manter a sua existência e

enfrentar com firmeza todas as adversidades. Foram muitos aqueles que pensaram e se manifestaram preocupados

com o fecho das antigas instalações do C.L.Z. Seria este o fim de uma associação com tanta história na

cidade de Zurique? Claro que não! Não podemos dizer que foi fácil a procura de um local, contudo a direcção

continuou a acreditar que ainda iríamos a tempo. E assim foi. Se por um lado, a pandemia que vivemos nos

últimos dois meses foi uma situação complicada para muitas associações e casas portuguesas, para a nossa

associação não veio alterar em nada o rumo das coisas. Apenas não podemos despedir-nos das antigas instalações

como deve de ser. Contudo estamos todos contentes por encher a nova casa e continuar a fazer o trabalho

que essa associação tem feito em vários departamentos, para toda a comunidade portuguesa em Zurique.

É com orgulho que dizemos que ainda estamos a meio deste projecto que é o C.L.Z. e este está para durar.

Por outro lado, não podia deixar de mencionar que foi com tristeza que recebemos a noticia que o Jornal de

diáspora Gazeta Lusófona, nosso camarada na informação à comunidade portuguesa na Suíça, terminou.

Fundado há 22 anos, por Manuel Araújo e Adelino Sá, o Gazeta foi sem dúvida, o meio de comunicação social

que chegou a mais portugueses na Suíça. Com o empenho do seu então director, Adelino de Sá conseguiu

manter-se sempre presente e actual.

Sabemos por experiência própria, que manter um projecto destes não é mesmo nada fácil. Requer muito investimento

pessoal, muita partilha e muita solidariedade. Também sabemos que muitas vezes a comunidade

portuguesa não dá o devido valor a esta profissão ingrata. Contudo, devemos pensar que quando perdemos

projectos destes, estamos a perder um pouco da nossa cultura, da nossa tradição. Estamos a perder a oportunidade

de ter um meio que nos faz estar mais próximos uns dos outros. E isso não se recupera!

Deixo aqui uma saudação especial ao colega de trabalho Adelino de Sá e espero que o seu trabalho e o projecto

Gazeta Lusófona nunca sejam esquecidos pela nossa comunidade!

EQUIPA REDACTORIAL

EMAIL: LUSITANOZURIQUE@GMAIL.COM

Sandra Ferreira

Armindo Alves

DIRECTOR A CC12 A

SUB-DIRECTOR CC15 A

Natascha D´Amore

Maria dos Santos

Lúcia Sousa

Zuila Messmer

Joana Araújo

CC11 A

Cristina F. Alves

CC 16 A

Jorge Macieira

CC28 A

Pedro Nogueira

Nuno Brandão

Domingos Pereira

Carmindo de Carvalho

Euclides Cavaco

Nelson Lima

Carlos Matos Gomes

Manuel Araújo

jornalista 3000 A

EDIÇÃO,

COMPOSIÇÃO

E PAGINAÇÃO

Manuel Araújo

Jornalista 3000 A

araujo@manuelaraujo.org

Tel.:(+351) 912 410 333

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Tel.: 079 913 00 30

IMPRESSÃO

Diário do Minho

Tiragem: 2000 exemplares

Periodicidade: Mensal

Distribuição gratuita

PROPRIEDADE

& ADMINISTRAÇÃO:

Centro Lusitano de Zurique

Birmensdorferstr. 48

8004 Zürich

Tel.: 044 241 52 60 - Fax: 044

241 53 59

Web: www.cldz.eu

E-mail: info@cldz.eu

Esta publicação

não adopta nem

respeita o inútil

(des)Acordo Ortográfico

Apoios:

Daniel Bohren

Jurista

Pedro Nabais

CC14 A

Aragonez

Marquez

Ivo Margarido

Jeremy da Costa

NOTA: Os artigos assinados reflectem tão-somente a opinião dos seus

autores e não vinculam necessariamente a direcção desta revista

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4

COMUNIDADE

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COMUNIDADE

5

C.L.Z. reabre em novas

instalações em Leimbach

SANDRA FERREIRA

Já falta pouco para o Centro Lusitano de Zurique

dar as boas-vindas aos associados, amigos e público

em geral, nas novas instalações em Leimbach.

A reabertura tem lugar no primeiro dia do próximo

mês de Julho, e a direcção do C.L.Z. espera ter

tudo pronto a tempo para poder receber todos

sem grandes percalços.

Como já era do conhecimento de todos os amigos e sócios do

Centro Lusitano de Zurique, a associação teria de sair das suas

instalações até meados de Abril deste ano. A procura de um novo

local já vinha a ser feita há algum tempo, até que lhes apareceu

esta oportunidade, num edifício histórico, com espaço amplo na

localidade de Leimbach, que fica a cerca de 10 minutos do local

em que se encontravam as antigas instalações.

Um local bastante central que vai permitir receber muitos mais

clientes e estará aberto não apenas aos fins de semana, mas

também Quarta, Quinta e Sexta-feira, na hora de almoço e jantar.

A exploração do local vai continuar a ser feita por Rosa Pereira,

que diz estar muito satisfeita e contente por voltar a receber

os habituais clientes, assim como conhecer e receber os novos

clientes. Devido ao fecho inesperado das antigas instalações,

obrigatório pela pandemia do Covid-19, o C.L.Z. não teve a oportunidade

de fazer uma festa de despedida com todos os amigos e

clientes, algo que deixou Rosa Pereira bastante triste. Contudo, o

C.L.Z. está a espera que as medidas de confinamento sejam todas

levantadas, para que possa fazer uma grande festa de reabertura

e de boas-vindas à nova casa.

Armindo Alves, presidente da associação, diz que está muito

satisfeito com esta mudança e agradece a ajuda de todos neste

processo. “Queremos muito dar vida a este lugar fantástico com

a contribuição de todos“.

O restaurante “Zum Hüsli“ é um edifício que foi construído em

1612 na Risweg 1, em Leimbach. Cumpre a importante função de

ponto de encontro entre bairros e pertence à cidade de Zurique

desde 1968.

Direcção da esquerda para a direita: José Miranda, David Padela, Paulo Silva, Pedro

Pereira, Susana Pereira, Jorge Macieira, Rosa Pereira, Sandra Ferreira, Carina Azevedo,

Armindo Alves e Sandra Alves.

Ausentes: Pedro Nogueira, Magda e Sérgio Padela e Domingos Pereira

PARA AS NOVAS INSTALAÇÕES DO CLZ PROCURA-SE:

SERVENTE DE MESA m/f (parte-time)

AJUDANTE DE COZINHA com experiência em pizzaiolo m/f (parte-time)

Requisitos:

- falar prefeitamente o português e o alemão (obrigatório)

- ter experiência na área da restauração

- pessoa flexivel e responsável

É para trabalhar de Quarta-feira a Domingo.

Para mais informações entrar em contacto com Rosa

Pereira através do nr. 077 403 72 55.

Enviar o currículo para rosa.pereira@icloud.com

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6 SAÚDE

TDAH –

Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade

KARLA KÍSSIA ALMEIDA MAIA (*)

Ao gestar, a mãe e o pai se preparam para

receber um novo membro para a família.

Muitas expectativas são depositadas nessa

vida que chegará em breve. Quando nascem,

são cercados de cuidados, acompanhamentos

e muito amor.

Quando chega o momento de começar a frequentar

a escola, algumas vezes, as expectativas

dos pais começam a se frustrar com

os desafios escolares, tanto sociais quanto

cognitivos. Isso ocorre, principalmente,

quando a criança começa a não acompanhar

as demandas institucionais da escola.

A cobrança sobre a criança é grande. É preciso

aprender a ler, escrever, somar, subtrair,

multiplicar, dividir e, em meio a tudo isso,

não esquecer de ser criança. Entendemos

que muitas crianças conseguem responder

a todas essas demandas sem grandes

problemas, porém existem outras que, em

sua individualidade, possuem demandas

diferentes, é o caso das crianças com algum

tipo de transtorno de desenvolvimento ou

de aprendizagens, deficiências intelectuais,

visuais ou motoras.

Entre esses e outros problemas que existem,

o mais comum na escola é o Transtorno

do Deficit de Atenção e Hiperatividade.

Mais conhecido como TDAH, trata-se de

um transtorno do neurodesenvolvimento,

pois provoca mudanças no funcionamento

cerebral desde o início da vida e permanece

ao longo dos anos.

Uma criança com TDAH apresenta características

muito típicas como agitação,

desorganização espacial, memória curta,

dificuldade de se relacionar com outras

crianças, dificuldade de seguir regras, dispersão,

resistência para actividades que

exijam concentração, entre outros.

É bastante comum, acreditarmos que a

criança com TDAH é somente agitada, no

entanto, existem três tipos diferentes desse

transtorno. O primeiro e mais comum é o

tipo predominantemente hiperativo-impulsivo,

que aparece muito mais nos meninos.

As características da impulsividade e da

hiperatividade são mais acentuadas nas

crianças diagnosticadas nessa classificação.

Outro tipo é o predominantemente desatento,

este já é menos comum e, normalmente,

aparece mais em meninas. As crianças que

apresentam características dessa classificação

demoram mais a receber um diagnóstico,

pois são mais quietas, introvertidas

e, por não chamar muito atenção na sala

de aula, passam-se por tímidas. Por isso, é

preciso que os professores e gestores dentro

da escola tenha um olhar bastante sensível

a essas crianças.

O último tipo é o combinado, talvez seja o

tipo de TDAH mais complexo, pois nele as

crianças apresentam ambos os sintomas,

tanto da desatenção quanto da hiperatividade,

por esse motivo, este pode ser considerado

o tipo mais severo do transtorno e

que acarreta mais prejuízos no processo de

aprendizagem.

O diagnóstico de um transtorno como esse

não ocorre com um simples exame clínico

de um médico neurologista. É necessário, ao

serem detectados os sintomas, uma equipe

multidisciplinar formada por profissionais

como fonoaudiólogo, psicopedagogo ou neuropsicopedagogo,

neurologista, psicólogo e

outros que possam vir a contribuir para uma

análise completa, evitando assim equívocos.

Mesmo diante de todos os estudos e pesquisas,

esse transtorno ainda divide opiniões

entre os pesquisadores, educadores e

médicos. Alguns profissionais não gostam

desse diagnóstico e não acreditam na sua

credibilidade. O principal motivo é que toda

criança é activa, agitada e impulsiva. Então,

eles acreditam que acaba sendo uma forma

de “justificar” um mal comportamento em

determinados ambientes, como, por exemplo,

na escola.

Sabemos que mais importante do que criar

“rótulos” para as crianças que precisam de

ajuda profissional para conseguir aprender,

é fornecermos o auxílio necessário para

proporcionar o sucesso na aprendizagem.

(*) Neuropsicopedagoga Clínica (Faculdade

UnyLeya)

Pedagoga (UFC – Universidade Federal do

Ceará) Fortaleza/CE – Brasil. 2020

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COMUNIDADE

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CLZ entrega donativos das

“Janeiras 2020”

SANDRA FERREIRA

Antes de fecharem as fronteiras,

o CLZ ainda teve a oportunidade

de entregar o valor arrecadado

nas Janeiras 2020 a três

instituições em Portugal, para

as quais tinha sido feito o peditório.

Apenas uma ficou ainda

em aberto devido à situação de

confinamento em que nos encontramos.

A associação PAJE foi uma das primeiras

a receber o valor de 4.250

francos suíços entregue em mãos pelo

membro da direcção do CLZ, Domingos

Pereira. A direcção da Associação,

representado pela Dra Fernanda

Gaspar, recebeu este valor com toda a

alegria, agradecendo a todos aqueles

que contribuíram para este valor, mas

em especial ao CLZ pela iniciativa.

O mesmo valor foi entregue também

ao Lar de Nossa Senhora da Graça

de Padrões, em Almodôvar. Este foi

entregue à direcção do Lar pelos

compatriotas Rui e Cristina Venâncio,

que de visita à sua terra tiveram

a amabilidade de levar esta doação do

CLZ. De volta trouxeram os muitos

agradecimentos deste Lar a todos os

que contribuíram para esta boa causa.

O terceiro valor a ser entregue foi à

Corporação Fabriqueira da Paroquia

de São Paio de Brunhais, que também

fez questão de enviar uma nota de

agradecimento a todos os membros

do Centro Lusitano de Zurique.

Por entregar ficou apenas o mesmo

valor que foi entregue a todos, de

4250 francos suíços, a uma criança

em Guimarães, o Tomás de Oliveira,

que tem uma doença degenerativa e

que precisa muito de ajuda. o valor

será entregue logo que seja possível

uma deslocação a Portugal.

O CLZ fica contente poder, todos os

anos, ajudar várias instituições em

Portugal e agradece a todos aqueles

que nos recebem em Janeiro e Fevereiro

e que contribuem para esta causa.

Caro(a)s Amigo(a)s

São Tomás de Aquino, no seu Tratado de Gratidão, ensinou-nos que a gratidão consiste uma

realidade humana complexa, composta por três níveis:

O primeiro nível é o do reconhecimento do benefício recebido. O segundo é o nível do

agradecimento, que consiste em louvar e dar graças. O terceiro é o nível mais profundo, da

retribuição, do vínculo, neste nível, sentimo-nos vinculados e comprometidos a retribuir ao outro.

Cada país, fazendo uso de sua língua, agradece num dos três níveis. No inglês e no alemão

agradece-se no nível mais superficial. “Thank you” ou “zu danken” expressa o reconhecimento

pelo favor que recebemos. Este nível está diretamente ligado ao nosso intelectual, pois

precisamos pensar e ponderar para então reconhecer determinado feito.

Na maior parte das outras línguas agradece-se no nível intermédio. “Merci” em francês, “gracias”

em espanhol ou “grazie” em italiano, indica dar graças por aquilo que recebemos e, neste

sentido, estamos sendo gratos.

Já a formulação portuguesa “obrigado” é a única que expressa o nível mais profundo de gratidão.

Quando agradecemos, queremos dizer “fico obrigado perante vós”, ficamos então vinculados,

comprometidos a retribuir. Esta é a singularidade e a beleza do agradecimento da nossa língua.

Uma palavra especial que muitas vezes usamos no dia a dia sem valorizarmos seu o significado e

o compromisso que ela carrega. Possamos, a partir de hoje, usar mais conscientemente o nosso

“muito obrigado”.

Mas a PAJE, consciente do gesto que o Centro Lusitano de Zurique teve, do seu empenho e

dedicação, vem por este meio expressar gratidão no nível mais profundo, pois ficamos

“obrigados” perante vós a retribuirmos com o nosso trabalho diário, no sentido de conferirmos

mais justiça aos que desde crianças se viram privados de uma Família cuidadora.

Gostaria muito que tomassem perfeita consciência que o donativo que nos enviaram, resultante

do Vosso esforço, permite que continuemos a dar resposta a cada vez mais pedidos de ajuda de

jovens, que por terem crescido em Instituições de Acolhimento e não terem redes sociais de

suporte, têm dificuldades acrescidas.

A PAJE não tem (ainda) apoio financeiro do Estado, pelo que vive da criatividade (caminhadas,

concertos solidários, etc.) e das ajudas que a sociedade civil, através de iniciativas como a Vossa,

nos fazem chegar. Sintam que a verba que nos remeteram, será decisiva, mesmo!!!

Um abraço fraterno e espero em Setembro poder agradecer-vos pessoalmente!

Coimbra, 01 de Março de 2020

P´la Direção (Presidente)

João Pedro Gaspar, PhD

Alameda da Feira, S/N – 3045-382 S. Martinho do Bispo

www.paje.pt ∙ Tel. 913142204 ∙ geral@paje.pt ∙ NIF: 513967419 ∙ facebook.com/PlataformadeApoioJovensExacolhidos

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8

COMUNIDADE

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COMUNIDADE

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Adida para a Segurança Social na Suíça

para responder a emigrantes

A partir do dia 18 de maio, a Dr.ª Cristina Ribeiro, Adida para a Segurança Social, passará a atender

presencialmente a comunidade portuguesa, espalhada por toda a Suíça, com a finalidade de tratar de

situações específicas da Segurança Social portuguesa, nomeadamente:

· Prestações de Desemprego;

· Prestações Familiares;

· Pensões de reforma, velhice e invalidez;

· Assistência médica;

· Destacamentos.

Atenta a necessidade de a Senhora Adida para a Segurança Social

ter de se deslocar até aos Consulados Gerais em Genebra e Zurique

e a Embaixada em Berna, o atendimento personalizado estará

sujeito a marcação prévia.

No que respeita ao Consulado em Zurique, está já prevista uma sala

onde esse atendimento presencial se irá realizar. Será necessário,

com a devida antecedência, entrar em contacto em contacto com

a Dr.ª Cristina Ribeiro, a fim de se concertar um dia em que as

pessoas poderão ser atendidas. Será, em princípio, uma vez por

mês. O endereço eletrónico de contacto é o seguinte: Adido-SS-

-Suica@seg-social.pt.

Assim sendo, as pessoas interessadas podem começar, desde já, a

manifestar o seu interesse em marcar uma reunião.

A Dr.ª Cristina Ribeiro está igualmente disposta a esclarecer e

atender os nossos compatriotas sem que seja imperioso agendarem

um dia e uma hora, i.e., o atendimento poderia ser feito por telefone

e também por esta via, e não forçosamente de maneira presencial.

A curto e médio prazo, as associações da área de jurisdição de

Zurique serão contactadas a fim de se agendarem sessões de esclarecimento.

PORTUGUESES

RESIDENTES NO ESTRANGEIRO

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ONDE ESTÁ.

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Escritório de Representação da CGD - Suíça

Rue de Lausanne 67/69, 1202 Genève

Tel: Genève - 022 9080360 I Tel: Zurique - 078 6002699 I Tel: Lausanne – 078 9152465

email: geneve@cgd.pt

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10

CORONAVÍRUS

DA SUÍÇA PARA PORTUGAL

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IBAN, nome e morada do beneficiário

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Utilizando o Impresso (Vale de correio vermelho)

Boletim/Vale vermelho requisitado através dos escritórios

de representação de Genebra ou Zurique e entregue com

a Ordem de Pagamento ao seu Banco na Suíça

(preferencialmente no PostFinance) para concretizar

o pagamento.

Boletim vermelho

(fornecido pelos escritórios de representação

de Genebra ou Zurique)

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Envelope

(fornecido pelo seu banco suíço ou Postfinance)

Envio por correio para o seu banco suíço

ou Postfinance

Pelas regras em vigor é obrigatória a identificação do ordenante, IBAN e morada

do beneficiário realizando-se a transferência para débito em conta. Interdita

a utilização de numerários (cash).

A utilização do ST (Serviço Transferências) apesar de permitir custos reduzidos não

dispensa a consulta do preçário em santandertotta.pt, com as condições de cada

entidade bancária na Suíça e em Portugal.

Escritório de Representação de Genebra

Rue de Genève 134, C.P. 156 | 1226 Thônex - Genève | Tel. 022 348 47 64

Escritório de Representação de Zurique

Badenerstrasse 382, Postfach 687 | 8040 Zürich | Tel. 043 243 81 21

Baslerstrasse, 117 - 8048

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ACTUALIDADE

Mulheres poderiam trabalhar mais com

creches menos caras e emprego flexível

11

Boa parte das mulheres suíças reduzem seu ritmo de atividade profissional depois de virar mãe. (© Keystone / Gaetan Bally)

PAULINE TURUBAN (*)

A Suíça é um dos países europeus com

a maior proporção de mulheres trabalhando

em tempo parcial. Um estudo

recentemente publicado mostra que isso

nem sempre é por escolha, e que muitas

delas gostariam de aumentar sua porcentagem

de emprego se as condições

fossem mais favoráveis.

As mães que trabalham na Suíça estão satisfeitas

com a sua situação? Para responder a

esta pergunta, a organização familiar Pro Família

realizou uma pesquisa em março entre

uma amostra de 500 mulheres trabalhadoras

com um ou mais filhos. Os resultados foram

publicados no domingo.

O estudo ilustra em primeiro lugar como

a redução do tempo de trabalho é quase a

norma para uma mulher quando ela tem um

bebê. Mais de três quartos das entrevistadas

dizem ter reduzido sua taxa de atividade

por causa da maternidade. Em todo o país,

o padrão de mães que trabalham mas em

tempo parcial é o mais difundido e atinge

mais de seis em cada dez famílias, de acordo

com dados do Departamento Federal de

Estatística (OFS, nas iniciais em francês).

Embora a proporção de mulheres trabalhadoras

esteja entre as mais altas da Europa,

a Suíça é o segundo país, depois dos Países

Baixos, onde as mulheres mais trabalham

em tempo parcial.

Sete em cada dez mulheres gostariam de

trabalhar mais

Na situação atual, quase dois terços das mulheres

que responderam à pesquisa da Pro

Familia dizem estar satisfeitas com sua situação.

Uma em cada cinco mulheres gostaria de

reduzir ainda mais o seu horário de trabalho,

e apenas 17% gostaria de aumentá-lo.

No entanto, o estudo também indica que se

todas as condições básicas estivessem estabelecidas

para facilitar a atividade profissional

das mães, sete em cada dez mulheres

gostariam de trabalhar mais. Este desejo diz

respeito principalmente àqueles com educação

superior. O potencial de aumento chega a

até 80% - apenas uma pequena minoria das

mulheres pesquisadas gostaria de trabalhar

em tempo integral.

Então quais seriam as alavancas que incentivariam

as mulheres a investir mais no

mercado de trabalho? A Pro Família aponta

para quatro principais: o incentivo financeiro

para ir trabalhar; o preço das creches;

a possibilidade de trabalhar em casa; e a

redução da carga das tarefas domésticas e

do tempo gasto com as crianças.

O alto custo das creches é identificado há

muito tempo como um grande obstáculo à

atividade profissional feminina. Apesar das

medidas tomadas nos últimos anos, nem

sempre é financeiramente atraente trabalhar

mais. Em média, de acordo com o OFS, as

famílias dedicam 4% de sua renda ao cuidado

extrafamiliar de crianças. O custo do cuidado

de uma criança menor de 4 anos em uma

creche é de CHF 1.160 por mês para uma

família no terço superior do nível de renda, e

CHF 400 para uma família no terço inferior.

As respostas à pesquisa Pro Família também

destacam outra realidade, a do peso

das tarefas domésticas e educacionais que

expõem as mulheres ao "trabalho dobrado".

Nos lares com filhos, as mães ainda fazem a

maior parte das tarefas domésticas.

De modo geral, a tradicional distribuição de

papéis de gênero ainda está muito presente,

o que provavelmente é uma conseqüência

da política familiar não intervencionista da

Suíça. Francesco Giudici do Departamento

de Estatística do Cantão do Ticino foi questionado

pela swissinfo.ch em novembro de

2019 sobre este tema: "As estruturas sociais

e econômicas que foram criadas numa época

em que o modelo de ganha-pão masculino

formava a base da vida familiar e profissional

ainda estão muito presentes em nossa

sociedade e continuam a difundir a ideia

de que ter um filho é um assunto privado.

Mesmo a adoção em setembro passado de

uma licença paternidade obrigatória de duas

semanas não será suficiente, disse ele, para

compensar outros fatores culturais e estruturais

que continuam a favorecer a divisão

tradicional do trabalho.

(*) Swissinfo - autor escreve em português do

Brasil

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DIREITO

O que é um contrato?

DANIEL BOHREN

Como é celebrado um contrato?

Um contrato é celebrado quando duas ou

mais pessoas manifestam uma vontade

mútua concordante sobre a constituição

de direitos e obrigações. A manifestação

da vontade pode ser efetuada expressa

(oralmente, por escrito, etc…), mas também

implicitamente. Não é necessário,

salvo em poucas exceções, que os contratos

sejam celebrados por escrito. Para, no

entanto, poder comprovar os direitos derivados

dum contrato, se ele não for cumprido,

devia-se, todavia, celebrar um contrato

por escrito. Existem, portanto, outros

meios de prova (testemunhas etc. ...) mas

estas provas são menos seguras.

O que significa por escrito?

Segundo a lei por escrito significa, que o

contrato é assinado por todas as partes

contratantes. Um E-Mail por exemplo não

satisfaz a exigência de forma escrita, porque

lhe falta a assinatura. Mas um email

sempre é uma prova, mas como pode ser

falsificada facilmente é uma prova duma

qualidade inferior.

Quando é que o contrato se encontra

celebrado?

Quando se chegou a acordo sobre os pontos

principais. No contrato de compra os

pontos principais são, por exemplo, o objeto

da compra e o preço. Se se chegar por

exemplo a acordo, que se vende a alguém

determinado carro, mas não se chegou

ainda a acordo sobre o preço, então não foi

ainda celebrado nenhum contrato, porque

o preço é um ponto principal, sobre o qual

se precisa obrigatoriamente um acordo.

Outro exemplo é o contrato de trabalho:

os pontos principais são a disponibilidade

de trabalhar para alguém contra remuneração.

Sobre o montante do salário não é

necessário acordo.

O que acontece quando não se

chega a acordo sobre os pontos

secundários?

Os pontos secundários são então determinados

pela lei ou o juiz estipula-os de

modo a que correspondam o mais possível

ao contrato ou como são usuais para tais

contratos. Não se chegou, por exemplo, a

acordo sobre o salário, tem-se então direito

ao salário, que é praticado habitualmente

para este trabalho, tendo em consideração

a formação e a experiência do

trabalhador.

Quero celebrar um contrato escrito

para venda do meu carro

com um colega de trabalho: Tenho

de escrever o contrato em

alemão?

Não. Um contrato pode ser celebrado em

qualquer língua. Só se houver um processo

judicial é que é preciso mandá-lo traduzir.

É importante que escolha num

contrato por escrito as palavras

certas?

Não, só é relevante o que as partes contratantes

queriam de facto e não o que se

encontra escrito no contrato. Quem puder

assim comprovar, que a vontade mútua

foi algo diferente do que se encontra no

contrato, então não é válido o que está no

contrato escrito, mas sim o que se pretendia.

Mas um contrato por escrito tem num

processo judicial alto valor comprovativo,

razão pela qual não é com frequência possível,

comprovar algo de diferente.

Se recebo uma oferta de contrato

e não reajo. O que é então

válido?

Sem aceitação não há contrato.

Por quanto tempo é uma oferta

de contrato obrigatória, ou antes,

quanto tempo posso esperar

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até aceitar um contrato?

A essa pergunta não pode ser respondido

de uma maneira geral e depende do contrato.

Pode esperar-se, como é usual ou

razoável, para poder pensar na celebração

do contrato. Regra geral a aceitação

é usual dentro de alguns dias. Se aceita

tarde a mais o contrato só se celebra se a

outra parte continua a ser de acordo.

O que acontece, quando aceito

uma oferta só com algumas alterações?

A aceitação com alterações corresponde a

uma recusa da oferta original e uma nova

oferta com as alterações, que o outro pode

aceitar ou não. Se ele não reage ou não

aceita, não se efetua contrato nenhum.

Não existe um direito de renovação da

oferta original.

O que tenho de fazer se alguém

me manda produtos para casa

que eu não encomendei e não

quero ficar com eles?

Não tenho de fazer nada. Nem é preciso

enviar os produtos de retorno nem os

guardar. Quem, todavia, aceita o produto

como sua propriedade, utilizando-lho,

também tem de pagar o preço indicado.

Vejo numa loja uma coisa que

tem indicado um preço: O preço

é vinculativo?

Sim, pode exigir que lhe vendam a coisa

ao preço indicado. A única exceção é

quando o preço foi reconhecivelmente e

claramente escrito erradamente.

Posso revogar um contrato?

Em certos casos é possível fazê-lo: Quem

celebra um contrato com uma grande imparidade

entre prestação e contraprestação,

porque foi tirado partido da sua

situação de precaridade, da sua inexperiência

ou da sua leviandade, pode impugnar

o contrato dentro do prazo de 1 ano. O

mesmo é possível, se alguém foi enganado

propositadamente ou se só fechou o contrato

por ter medo pela integridade física,

pela vida, pela honra ou pelo património

próprio ou de pessoas que lhe estão perto.

Também devido a um erro se pode rescindir,

após reconhecimento do erro, dentro

de 1 ano um contrato, mas só quando se

tratam de erros graves, como, por exemplo,

quando nos enganámos sobre o tipo

de contrato (um contrato de compra em

vez de locação) ou quando por engano se

DIREITO

13

prometeu muito demais. Duma maneira

geral pode-se impugnar o contrato se

nos enganámos sobre as condições, que,

vistas com objetividade e eram bases do

contrato e isso foi reconhecível para o

parceiro do contrato. É o caso, por exemplo,

quando se verifica à posteriori, que o

carro comprado foi roubado, um aparelho

DVD comprado tem um código e não pode

ser utilizado na Suíça ou quando alguém

alugou uma garagem para nela instalar

uma oficina e se verifica depois, de que tal

não é permitido. Neste caso só é possível

uma revogação, se o locatário sabia, o que

o locador pretendia fazer na garagem.

Ainda é possível uma rescisão, se alguém

celebra em casa, no trabalho em locais públicos

ou telefonicamente um contrato por

mais de Fr. 100. A revogação tem aliás de

ser efetuada dentro do prazo de 14 dias.

Este direito de revogação não é válido

para encomendas feitas pela Internet. A

maior parte das lojas web concedem, no

entanto nas suas Condições Contratuais

Gerais um direito de revogação.

Tem perguntas que digam respeito

ao direito?

Envie a sua pergunta com a indicação “Lusitano”

a:

Bohren Rechtsanwalt, Postfach 229, 8024

Zürich

ou para mail@dbohren.ch

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14 CRÓNICA

Do nosso cantinho para o vosso cantão

Cotovelo Contra Cotovelo

ARAGONEZ MARQUES (*)

A pandemia tem prejudicado todas

as pequenas empresas em Portugal.

As editoras estão fechadas, as apresentações

de livros proibidas... os

escritores, sem saber o que fazer.

Foi por isso que resolvi editar aqui,

dois capítulos do meu próximo livro

que se chama “A Taberna de

Avelino Camejo” – quem sabe não

poderá um dia ser apresentado em

Zurique?

Dantes, a dor de cotovelo era uma

coisa feia; agora, cumprimentamo-

-nos com eles.

Não entendo esta coisa... prefiro os

afectos, por isso vos dou esta prenda.

20. O funeral de José Boavida

Foi grande. Muita gente, clientes, fornecedores,

familiares da mulher, cunhados,

cunhadas, sobrinhos e sobrinhas, mas

amigos contavam-se pelos dedos.

José Boavida nunca foi de grandes relações

e eram mais as amigas da mulher,

todas velhas de preto e carpideiras, que

os vivaços amigos dele, alguns mesmo

não estiveram presentes porque não quiseram,

tal como ele, eram adversos ao sofrimento.

Quando tudo terminou, Avelino, a mulher

e os filhos, ainda pequenos, regressaram

a casa da tia para ela não ficar sozinha.

A mais pequenina abriu a televisão, a tia

estava no quarto. Avelino apagou-a de

imediato:

- Hoje não há televisão filhota, é um dia

muito triste.

Foi Pituca que saiu do quarto quando o

ouviu, para pasmo de todos tinha mudado

de roupa, preto fora, e trazia um vestido

branco com desenhos cinzentos.

- Aqui tudo continua igual, acende a televisão

na mesma.

Depois voltando-se para Avelino:

- Viste alguma lágrima debaixo dos meus

óculos escuros no funeral? Já não tenho

lágrimas, secaram os meus olhos depois

da morte de João Fernando, o meu rico

filho, e algumas que ainda ia tendo, levou-as

o teu tio. Tratei-o sempre bem em

vida, agora acabou-se. Já está, já está.

Não o podemos trazer de volta, quero toda

a gente feliz a começar por mim.

Ela mesma abriu a televisão.

Dois meses depois, impediu a venda do

carro do marido, tirou a carta de condução,

e imaginem, matriculou-se em aulas

na piscina pública e aprendeu a nadar.

Com a morte do marido, tinha nascido

outra mulher.

21. Nova vida

Durou alguns anos esta nova mulher, e

logo que lhe faleceu o pai, alguns anos depois

do acidente de João Fernando, começou

a sair com as amigas e ainda fez algumas

viagens a Gibraltar, Ceuta, Madeira e

Açores e nas férias, alugavam um apartamento

na praia de Sesimbra, durante os

primeiros vinte dias do mês de agosto.

Todas viúvas, menos a Dona Maria, que

apaixonada por um homem que nunca

se apercebeu que ela o amava, casou, e

mesmo depois de ter casado, tirava-lhe

sempre o chapéu quando a cumprimentava

na rua, desconhecendo sempre esse

amor nunca manifestado, até que a morte

o levou com oitenta e um anos, deixando

mulher, filhos e netos.

Dona Maria fez o seu próprio luto interior

e, embora solteirona, sem nunca ter

conhecido homem, permitia a quem a não

a conhecia que a julgassem viúva, inventando

ou fugindo sempre à conversa se alguém

lhe perguntava algo sobre o marido.

Só respondia, sempre igual, quando lhe

perguntavam se tinha filhos:

- Deus nunca o quis.

Este grupo de mulheres habituaram-se a

tomar café depois do almoço onde falavam,

riam e nunca choravam.

As tristezas eram passado e agora, quando

não viajavam, davam grandes passeios,

três atrás e duas à frente, no carro

do defunto de Pituca, que nunca permitiu

que fosse vendido, chegando mesmo nos

domingos, depois da missa a irem almoçar

fora, clientes habituais do restaurante

da Aldeia de Varche.

Canja e frango assado, a especialidade, e

depois, sobremesas variadas.

Assim viveram durante quase dez anos,

até que as doenças as começaram a dividir

e a regressarem a casa dos filhos, a

última porta das suas vidas.

Só Dona Maria passou a ir viver com uma

irmã, mas pouco tempo, pois preferiu ir

para um lar.

Dona Pituca, sem filhos, foi para casa do

sobrinho.

Deveriam ter começado a viver muito

mais cedo.

(...)

(*) In A Taberna de Avelino Camejo

...a ser publicado por Filigrana Editora...

NOTA: Para o próximo mês terei que falar

sobre um grupo chamado “Alentejanos no Facebook”

que merece uma referência negativa.

Mas hoje, não me apetece aborrecer. Abraço a

todos os leitores e amigos. Leitoras e amigas,

também, obviamente!

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CRÓNICA

Em nome da língua

portuguesa

15

ANTONIO MANUEL RIBEIRO (*)

Por ventura, a pessoa mais importante

na minha formação literária

seja o professor Manuel

Mendes, que me deu aulas entre

1972 e 1974 no antigo ‘barracão’,

a que chamávamos Liceu Nacional

de Almada – uma escola

erguida em pré-fabricado que

deveria ter durado meia dúzia de

anos e ali ficou por mais de duas

décadas.

Um dia propôs-nos a redacção de uma prosa

livre. E eu, que já escrevia poemas para

as minhas paixões, bem, seriam antes cartas

em forma poética (uma chegou às 21

páginas), surfei um texto com agilidade –

aos 18 anos é assim, errar é fácil. Quando

ele me viu despachado, enquanto os meus

colegas batalhavam entre o substantivo e

o pronome, agarrou no meu caderno, leu e

disse-me: «Se quiseres escrever sobre algo

mete-lhe densidade além do somatório de

palavras, fala de coisas concretas». Nunca

mais o esqueci.

Mais tarde, já na faculdade de Letras (na

altura em que o Artur Jorge estudava Germânicas

e eu Românicas), encontrei uma

professora de Linguística II que me fez

despertar para o som da palavra, o peso

da palavra, o grito, o palavrão, a entoação,

o sotaque – as minhas perguntas exasperavam

os futuros professores que queriam

um diploma a correr, mas ela gostava. Urbano

Tavares Rodrigues (Literatura) e Pereira

Bastos (psicanálise do estudo literário)

abriram-me um mundo que eu trouxe

para a música.

Enquanto isto, na prática jornalística no

trissemanário Record, onde passei 4 anos

1976/80), moldei-me à síntese que uma

notícia exige – os versos vêm do mesmo

ninho.

Foi gente como José Afonso, José Mário

Branco ou Sérgio Godinho que consolidaram

a minha palavra, o contributo maior

que fornecemos ao rock português – cantar

na língua-mãe de Camões,na pátria de

Pessoa, na riqueza de Eça, Lobo Antunes,

Saramago, Peixoto.

Eu respeito a língua portuguesa desde o

meu primeiro dia público. Sou obsessivo

na correcção, de um livro, de um poema,

de um post nesta rede social. Porquê? Para

não propagar erros.

Escreve-se muito mal em Portugal. Uma

boa parte dos pais querem ver os filhos

entrar na linha de produção da fábrica-escola

e que não se perca tempo – é a ansiedade

que tudo altera e mata. Estudar exige

tempo para errar e corrigir.

Estudar exige tempo e discussão. Com a

eleição daquele senhor em 2005 entrámos

no desvario de certificar depressa e em

força para atingir as médias europeias.

Triste sina para um país, uma língua, o

que aí vem. Iliteracia pura e funcional.

Hoje, na celebração do 1.º dia Mundial

da Língua Portuguesa, em que múltiplos

discursos somarão as banalidades do costume,

aguardarei (sentado) que o famigerado

Acordo Ortográfico de 1990 (sem

ratificação na CPLP) seja invocado para

devolução ao étimo fundador, dele extirpando

os facilitismos saloios que um grupo

de peraltas desenhou há 20 anos.

Compras:

Discos: LP Led Zeppelin – “Live at the Fillmore

West, San Francisco, 1969” (2020)

- Livros:

“O Traidor” – Nelson DeMille (2020)

(*) Fundador e vocalista do grupo de Rock

mais antigo de Portugal - o UHF

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16

COMUNIDADE

Gazeta Lusófona

despede-se

Comemoração do 4 aniversário do Gazeta Lusófona - Consul de Zurique Drª Regina Marchueta, Adelino Sá, Manuel Araújo e Manuel Beja

CARLA PIMENTA (*)

Fundado há 22 anos, o jornal de

diáspora Gazeta Lusófona, ao serviço

desde 1998 da comunidade

portuguesa residente na Suíça, vai

fechar, como anunciou um dos fundadores,

Adelino Sá, no seu último

editorial de Abril/Maio.

"Quero agradecer publicamente as imensas

mensagens de apoio e acreditem que este é

um momento muito difícil", explicou o director

do jornal no editorial.

Adelino Sá, natural do Porto, junto com o

jornalista Manuel Araújo, natural de Amares,

foram os fundadores daquele que foi um dos

primeiro jornais destinados à comunidade

portuguesa na Suíça.

O jornal, com sede na cidade de Luzerna,

contava com uma tiragem média mensal

de 6.000 exemplares que chegava a todo o

território helvético.

Num artigo de opinião para a revista Lusitano

de Zurique, da qual Manuel Araújo é

actualmente editor, o mesmo explica como

surgiu a necessidade de criar este jornal: “Há

mais de 35 anos quando cheguei à Suíça, a

informação que tínhamos sobre Portugal

era praticamente nula. A fome informativa

era tanta, que havia portugueses, entre os

quais me incluo, que ao fim de semana visitavam

o aeroporto na esperança que algum

passageiro vindo de Portugal, lhes deixasse

o jornal do dia, que era distribuído durante

a viagem”.

Com a chegada da RTP na década de 90 ao

pacote de televisão suíça, surge um dos primeiros

jornais de diáspora, o Luso Helvético,

para o qual Manuel Araújo e Adelino Sá colaboraram.

“Foi o terceiro jornal português

a ter uma página na Internet, a seguir ao

jornal O Público e ao Jornal de Notícias. Saí

devido a divergências de opinião e criei com

o actual director e proprietário (Adelino Sá),

o Gazeta Lusófona. Foi um sucesso, mas mais

tarde, em desacordo com a linha editorial

imposta, optei por vender a minha parte”,

explica o jornalista Manuel Araújo.

Segundo o actual director, foi necessário

“muito esforço e dedicação” para dar vida

ao jornal durante os 22 anos que esteve ao

serviço da diáspora portuguesa na Suíça,

ainda no editorial, que reproduziu na rede

social Facebook.

“Para se chegar até aos dias de hoje, foi

necessário percorrer muitos milhares de

quilómetros, nos últimos 14 anos. E orgulhamo-nos

muito, temos de o referir, de nunca

termos falhado uma única edição”, adianta

Adelino Sá.

A Gazeta Lusófona, conhecida pela comunidade

portuguesa na Suíça como sendo um

“jornal de proximidade”, além de tratar dos

mais diversos temas da actualidade portuguesa

na Suíça, disponibilizava informações

práticas aos leitores de forma a ajudar

a comunidade na sua integração no país de

acolhimento.

Adelino Sá, um dos fundadores da Gazeta

despede-se, deixando explícito todo o esforço

e dedicação que colocou no projecto

para servir a comunidade durante mais de

duas décadas.

“Dei desde o início o melhor de mim em

enaltecer e divulgar o melhor da nossa comunidade,

que é rica de valores e profunda

de sentimentos patrióticos, com uma dedicação

e amor incomensurável à terra que os

viu nascer, carregando consigo os nossos

costumes e tradições”, explica o jornalista.

Manuel Araújo referiu ainda as dificuldades

com que se depararam na criação do jornal:

“O Gazeta foi criado e dei o ‘corpo ao manifes-

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COMUNIDADE

17

to’ durante mais de quatro anos a aguentar

o barco, enquanto havia prejuízo. Antes

da criação do Gazeta, o Adelino era um

carteiro que sabias escrever umas coisas,

ele veio para o Luso Helvético uns tempos

e depois de sairmos os dois, criámos

o Gazeta. Mas fui eu e o Luís Esteves que

assinámos a declaração para a CCPJ (Comissão

de Carteira Profissional). Uma vez

que o Adelino aceitou o cargo de director,

foi-lhe atribuída então a carteira profissional

de jornalista, sem qualquer estágio”.

Manuel Araújo regressou a Portugal em

2000, para dirigir a redacção do jornal Gazeta

Lusófona, que tinha sede em Amares e

em 2003 vendeu a sua parte amigavelmente

a Adelino Sá, ficando este à posteriori

como único proprietário do jornal, a par

com as suas funções de director do mesmo.

“A idade começa a pesar e os problemas

de saúde também se começam a avolumar.

Chegou o momento de me despedir

depois de 22 anos de actividade”, declara

o Adelino Sá, confessando que “não é uma

decisão fácil e que de certeza nem todos

vão entender”.

Segundo o director do jornal, a situação

actual de pandemia veio acelerar a tomada

de decisão de encerramento do projecto.

“Este período mais obscuro, devido a esta

pandemia, que veio trazer ao de cima todas

as nossas imensas fragilidades, faz com

que vos escreva estas palavras de despedida”,

refere Adelino Sá, salientando que

“esta paragem também veio trazer ao de

cima todas as debilidades do foro económico

e, muito especialmente, para quem

tem um projecto que depende de terceiros”,

como é o deste jornal que chega ao final

da sua vida.

(*) Jornalista CC43A/ luso.eu

1998 - Primeira edição 2020 - Última edição

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TRANSCENDÊNCIAS

A Humanidade Vive

Desfocada…

IVO MARGARIDO

Angústia, sofrimento, dor,

stress, depressão, solidão, …,

são apenas alguns dos padrões

recorrentes em que vive

a generalidade da humanidade,

simplesmente porque não

se conhece. A única coisa que

conhece é trabalho, trabalho,

trabalho … sem ser capaz de

identificar a felicidade.

Sempre foi treinada para ser assim, quer

através da cultura familiar, quer, e essencialmente,

através do sistema de ensino,

que formata pessoas para servir o sistema

capitalista. Na verdade, o sistema capitalista

patrocina a competição, o individualismo,

o egoísmo, fomentando uma

sociedade desequilibrada e materialista,

que consome desmesuradamente os recursos

do planeta, destruindo tudo, inclusive

a si mesma.

As escolas criam “robots”, máquinas sem

alma, sem espírito. Nenhum curso aborda

a alma, a consciência, a essência do

Ser Humano, porque o sistema de ensino

não quer saber se és feliz e, por isso,

não e não te ensina a lidar com as tuas

emoções; apenas te forma para arranjares

um emprego, para trabalhares numa

empresa e ganhares dinheiro e entrares

no mercado de consumo. Terás então a

ilusão de que o dinheiro é sucesso e o sucesso

é felicidade. Surge então o stress,

que não é mais do que uma manifestação

sintomática de uma corrida por algo que

nunca alcançarás. E O SISTEMA ENSI-

NA-TE ISSO COMO UMA FILOSOFIA

DE VIDA, mas essa é uma mentira do

capitalismo.

Pára um instante e concede-te um momento

de reflexão; de todo o tempo que

já viveste, qual a percentagem de tempo

vivido em prazer e qual a percentagem de

tempo vivido em stress, angústia e sofrimento?

Lembra-te; se não vives em prazer, estás

a criar-te problemas de saúde e passas a

ser um(a) “medicamento-dependente”,

o que te forçará a trabalhar ainda mais

para poderes comprar os remédios que

nunca curarão os males que criaste à tua

alma. Logo, sobes um degrau na escada

da tua própria escravatura.

Eu diria que, 99% da população mundial

vive abaixo do nível de prazer, significando

que não existe prazer na vida destas

pessoas. Quantas vivem enclausuradas

em casamentos que de união só têm o

nome, por exemplo? Percebemos então

o grau de dependência e a gravidade da

problemática em que a sociedade está

mergulhada. Não existe sociedade mais

reprimida e atormentada que a nossa.

É simplesmente impossível as pessoas serem

felizes num modelo capitalista, porque

a felicidade não se compra através do

que tem preço; o que tem valor, conquista-se

somente através da alma. Observa à

tua volta e avalia o resultado. As pessoas

ainda vivem de forma demasiado primitiva

(espiritualmente falando); é assim

que queres continuar a viver? Então, começa

já hoje a tua transformação.

Antes de caminhares pelas estrelas, necessitas

de aprender a andar pela Terra.

Se não detectares esse teu estado doentio

em que vives, tomando consciência,

nunca conseguirás sair dele. Quando

começares a tua transformação, não te

preocupes com o que os outros possam

pensar ou dizer, mesmo que te rotulem

de louco(a), pois começarás a ser diferente,

a ler coisas que a maioria não lê,

a fazer coisas que a maioria não faz … e a

diferença incomoda a população formatada;

“já não vais connosco para os copos?

Já não vais connosco ver o futebol?

Fazes meditação?”

Quando alguém te rotular de louco, podes

ter a certeza de que estás no caminho

certo, já que enquanto permaneces no estado

doentio (idêntico ao da maioria das

pessoas que te rodeia), ninguém repara.

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CRÓNICA

19

“Ligados em tempo de

quarentena”

ALICE VIEIRA (*)

É um tempo difícil, claro. Mas as

dificuldades também servem para

nos pôr à prova. E quando tudo isto

acabar, nunca seremos os mesmos,

o mundo nunca será o mesmo.

Um corvo parou à beira da minha

janela.

Eu nem sabia que na minha rua

havia corvos.

Acabou por voar para outros sítios, e eu abri a

janela, para sentir na pele o calor da manhã.

O vizinho do prédio em frente também abriu

a janela, e sorrimos e acenámos um ao outro.

Eu nem sabia que aquele andar tinha gente.

Ligam-me amigos que eu não ouvia há anos,

e eu ligo para amigos que eu nem sei se ainda

estarão vivos porque ninguém tinha tempo

de telefonar aos amigos.

Ligo para amigos que vivem em Itália, em

Inglaterra e em Espanha, e é como se vivessem

aqui ao lado. Porque de repente o mundo

tornou-se mesmo naquela aldeia global de

que o McLuhan falava.

Abro um livro, e leio na dedicatória: “lembra-te

de mim”. Nunca mais tinha voltado a

pegar neste livro, nunca há tempo para ler,

mas agora li-o até ao fim e o amigo já morreu,

e eu acho que nunca tive tempo de lhe dizer

como gostava dele.

De repente desato a escrever cartas e a receber

cartas, num tempo em que se dizia que já

ninguém sabia sequer o que era uma carta.

De repente sigo a missa na Capela do Rato

aos domingos, pela net—quando inventava

sempre pretextos para ficar a dormir porque

estava muito cansada ou tinha muito trabalho

a despachar.

De repente, tudo o que era distante aproximou-se

de nós. Estamos sozinhos em casa –e

nunca estivemos tão acompanhados.

E percebemos agora que ninguém está só

neste mundo. Que dependemos dos outros,

como os outros dependem de nós. E que nenhum

homem é uma ilha, como há centenas

de anos John Donne descobriu.

É um tempo difícil, claro.

Mas as dificuldades também servem para

nos pôr à prova. E quando tudo isto acabar,

nunca seremos os mesmos, o mundo nunca

será o mesmo.

Mas tudo depende daquilo que fizermos e

pensarmos nestes tempos de quarentena.

Testemunho da Alice Vieira para a Renascença.

Foto: Pedro Antunes Pereira

Alice Vieira junto do Hotel onde passsava as suas férias em criança, nas Termas de Caldelas, onde tem muitos amigos. Visita-as sempre que tem oportunidade.

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20

AGENDA

Terça-feira

9.6.2020

CONCERTOS EM CASA

Devido à disseminação do coronavírus, os

concertos estão cancelados em todo o mundo.

Aqui você encontrará uma visão geral de

concertos online. Desfrute de concertos ao

vivo todos os dias diretamente da sua sala

de estar. Grátis.

http://blog.ticketmaster.de/musik/livestreams-

-konzerte-6432/

Quarta-feira

10.6.2020

GRUPO DE CORRIDA

Por favor, informe-se para confirmar a realização

deste evento. Todas as quarta-feira,

os entusiastas do desporto se encontram no

grande relógio de flores na “Bürkliplatz” para

um treinamento de corrida. Esta oferta é

direcionada especificamente para iniciantes.

09:00-10:00. Grátis.

Bürkliplatz, Blumenuhr.

Tram 2/5/8/9/11 oder Bus 161/165 bis “Bürkliplatz”.

http://www.zueriraennt.ch/laufgruppen

Quinta-feira

11.6.2020

MUSEU DO DESIGN

Este museu é especializado em design e

comunicação visual. A exposição “Énergie

animale” (até 25.10.) concentra-se na relação

entre os humanos e os animais. Ela aborda

tópicos actuais, como o uso de peles, nosso

consumo de carne ou a extinção de espécies.

Ter-dom 10:00-17:00. Qua 10:00-20:00. Com

KulturLegi CHF 8.- (em vez de CHF 12.-).

O escritório da MAPS sorteia 2×2 entradas

gratuitas. Basta ligar para: 044 415 65 89

ou escrever um email: maps@aoz.ch.

Museum für Gestaltung. Ausstellungsstr.

60.

Tram 4/13/17 bis “Museum für Gestaltung”.

http://www.museum-gestaltung.ch

Sexta-feira

12.6.2020

DESPORTO PARA ADULTOS

Por favor, informe-se para confirmar a realização

deste evento. A associação “Sportegration”

oferece cursos desportivos para

refugiados, imigrantes e residentes. Hoje,

por exemplo, há um treino de vôlei às 18:00.

Com N/F Ausweis participação gratuita ou

CHF 10.- por treino. Oferta detalhada no site

www.sportegration.ch.

Schulhaus Kern, Turnhalle. Kernstr.

41.

Tram 8 oder Bus 32 bis “Helvetiaplatz”.

http://www.sportegration.ch

Sábado

13.6.2020

CAMINHADA NO SIHLWALD

O “Sihlwald” é o local ideal para fugir da

agitação da cidade. Uma trilha de caminhada

sinalizada leva os caminhantes da estação de

comboios “Sihlwald” através do bosque. Além

disso, o museu “Wildnispark Zürich” fica a

apenas 5 minutos a pé da estação de comboios

“Sihlwald”. Ali você encontrará informações

interessantes sobre o tema dos bosques e

florestas. Entrada livre. Custo: o bilhete de

comboio para a “estação Sihlwald”.

Wildnispark Zürich, Besucherzentrum. Alte

Sihltalstr. 13.

S4 bis “Bahnhof Sihlwald”.

http://www.wildnispark.ch

Domingo

14.6.2020

APRENDER ALEMÃO EM CASA

No grupo do Facebook “Deutsch lernen

Zuhause”, você encontrará informações para

seu estudo autônomo. Descubra, por exemplo,

quais aplicativos gratuitos você pode

usar. Você precisa de ajuda ou conselho para

cursos de alemão? Ligue para nós. Residente

na cidade de Zurique: qua/qui 09:30-11:30;

077 814 09 21 (alemão, inglês, francês, espanhol).

Residente no cantão de Zurique:

seg/qua 14:00-16:30; 079 762 81 12 (alemão,

inglês, francês, espanhol, turco) e 077 814

09 21 (alemão, inglês, francês, espanhol) ou

escreva um e-mail para: deutschmobil@aoz.

ch. Grátis.

http://www.facebook.com/deutschlernenzuhause/

Segunda-feira

15.6.2020

VISITAS GUIADAS PELA CIDA-

DE

Por favor, informe-se para confirmar a realização

deste evento. A associação “Free

Walk” oferece vários passeios gratuitos por

Zurique todos os dias. Tours originais e divertidos

com muitas dicas são garantidos.

Visitas guiadas em alemão ou inglês. Por

exemplo, o “Altstadtführung” começa todos

os dias às 11:00 na Paradeplatz. Ponto de

encontro em frente do banco “Credit Suisse”.

Os passeios duram aproximadamente 90

minutos. Participação gratuita, contribuição

espontânea.

Paradeplatz.

Tram 2/7/8/9/10/11/13/17 bis “Paradeplatz”.

http://www.freewalk.ch/zurich/

Terça-feira

16.6.2020

EXPOSIÇÃO (ATÉ 06.12.)

A exposição de fotografia e som “Kalkutta

Schwarz Weiss” apresenta outra visão da

cidade indiana de Calcutá. A exposição etnográfica

combina imagens e sons da cidade,

permitindo assim um olhar profundo na vida

quotidiana. Ter-dom 10:00-17:00. Qui 10:00-

19:00. Entrada gratuita.

Völkerkundemuseum. Pelikanstr. 40.

Tram 2/9 oder Bus 66 bis “Sihlstrasse”.

http://www.musethno.uzh.ch

Quarta-feira

17.6.2020

KULTURLEGI

O cartão KulturLegi é um documento para

pessoas com baixos rendimentos. Beneficie

de preços reduzidos em vestuário, alimentação,

cursos de alemão e muito mais.

Por exemplo, com KulturLegi a entrada é

gratuita na “Kunsthaus Zürich” ou no “Nordamerika

Native Museum”. Informe-se na

Caritas através do número 044 366 68 48 ou

por mail zuerich@kulturlegi.ch. Também pode

solicitar o cartão KulturLegi online em www.

kulturlegi.ch/zuerich. Seg-sex 09:00-13:00,

14:00-17:00.

Caritas Zürich, KulturLegi. Reitergasse

1.

Tram 3/14 oder Bus 31 bis “Sihlpost”.

http://www.kulturlegi.ch

Quinta-feira

18.6.2020

PASSEIO A PÉ PELO JARDIM BO-

TÂNICO

Aproveite o dia no jardim botânico. Descubra

cerca de 7000 variedades de plantas

diferentes. Um grande prado e uma lagoa

convidam-no a ficar. Seg-dom 08:00-18:00.

Gratuito.

Botanischer Garten. Zollikerstr. 107.

Bus 33/77 bis “Botanischer Garten”, Tram 11

oder Bus 31 bis “Hegibachplatz”, Tram 2/4 bis

“Höschgasse”.

http://www.bg.uzh.ch

Junho 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


AGENDA

21

Sexta-feira

19.6.2020

HISTÓRIAS PARA CRIANÇAS

Informe-se e confirme a realização deste

evento. “Family Literacy” é um programa de

promoção da língua e da leitura destinado a

famílias com origem multilingue, que decorre

em diversas bibliotecas. Crianças entre os 2

e os 5 anos ouvem histórias na sua língua

materna. Hoje em chinês. Outras línguas:

albanês, inglês, francês, português, espanhol,

tamil, turco. 15:00. Mais informações em:

www.pbz.ch/familyliteracy. Gratuito.

PBZ Schütze. Heinrichstr. 238.

Tram 4/6/8/11/13/17 oder Bus 33/72/83 bis

“Escher-Wyss-Platz”.

http://www.pbz.ch/familyliteracy

Sábado

20.6.2020

CAFÉ DAS LÍNGUAS

Informe-se e confirme a realização deste evento.

Deseja melhorar o seu alemão e aprender

novas palavras? Então o Café das Línguas é

o lugar certo para si. Pode conhecer pessoas

interessantes e praticar a comunicação na

língua alemã. 09:30-10:30. Gratuito.

GZ Buchegg, Bucheggstr. 93.

Tram 11/15 oder Bus 32/72 bis “Bucheggplatz”.

http://www.gz-zh.ch/gz-buchegg

Domingo

21.6.2020

PASSEIO NA NATUREZA

Informe-se e confirme a realização deste evento.

A Associação “Natur- und Vogelschutzverein

Höngg” convida-o a dar um passeio.

Na companhia de peritos, parta em busca

de andorinhas-dos-beirais. Ponto de encontro:

paragem “Meierhofplatz”. 08:00-10:00.

Gratuito.

Meierhofplatz.

Tram 13 oder Bus 38/46/80 bis “Meierhofplatz”.

http://www.nvvhoengg.ch

Segunda-feira

22.6.2020

BIBLIOTECA

A “Pestalozzi Bibliotheken Zürich” (PBZ) disponibiliza

o aluguer de um grande número de

livros, CDs, DVDs e revistas para crianças,

jovens e adultos. Cartão anual gratuito (em

vez de CHF 40.-) com KulturLegi ou com documento

N/F.

http://www.pbz.ch/abonnemente/

Terça-feira

23.6.2020

COSTURAR EM CONJUNTO

Informe-se e confirme a realização deste evento.

À terça-feira, pode aprender a costurar

e concretizar os seus próprios projectos de

costura no “Nähcafé”. Costureiras experientes

estão lá para ajudar. Máquinas de costura, tecidos

e utensílios estão ao dispor. 10:15-12:30.

Pessoas com poucos recursos financeiros ou

com KulturLegi pagam CHF 1.- (em vez de

CHF 4.-), materiais incluídos.

GZ Bachwiesen. Bachwiesenstr. 40.

Bus 67/80 bis “Untermoosstrasse”.

http://www.gz-zh.ch/gz-bachwiesen

Quarta-feira

24.6.2020

ORQUESTRA NA SALA DE ES-

TAR

Gosta de ouvir música clássica? A orquestra

“Tonhalle” de Zurique disponibiliza semanalmente

online uma transmissão de um dos

seus concertos ou de um documentário sobre

a orquestra. Gratuito.

http://www.tonhalle-orchester.ch/news/going-

-against-fate/

Quinta-feira

25.6.2020

ARTE CONTEMPORÂNEA

O museu “Migros Museum für Gegenwartskunst”

mostra arte contemporânea internacional.

Até 11.10. pode visitar a exposição

“Potential Worlds 1: Planetary Memories”.

Os artistas da exposição debruçam-se sobre

a relação entre o Homem e a Natureza.

À quinta-feira entre as 17:00-20:00 entrada

gratuita (em vez de CHF 12.-).

Migros Museum für Gegenwartskunst.

Limmatstr. 270.

Tram 4/8/11/13/15/17 oder Bus 33/72/83 bis

“Escher-Wyss-Platz”.

http://www.migrosmuseum.ch

Sexta-feira

26.6.2020

PISCINAS DA CIDADE DE ZURI-

QUE

Informe-se e confirme se as instalações estão

abertas. Gosta de nadar? O cartão KulturLegi

dá-lhe 50% de desconto na entrada (excepto

Dolder e Altstetten). Preços com KulturLegi:

adultos CHF 4.-, jovens a partir dos 16

anos CHF 3.- e crianças a partir dos 6 anos

CHF 2.-. Condição prévia: ser residente na

cidade de Zurique. Mais informações: www.

sportamt.ch.

http://www.sportamt.ch

Sábado

27.6.2020

CAMINHAR EM ZURIQUE

Informe-se e confirme a realização deste

evento. Ao sábado de tarde pessoas de todo

o mundo fazem uma pequena caminhada na

região de Zurique (3-4 horas). Contacto Peter e

Tatjana: 076 524 63 15 ou zusammen.wandern.

zh@gmail.com. Ponto de encontro: junto do

relógio grande na gare central de Zurique.

13:30. Participação gratuita. A associação

“Solinetz” assume os custos com o transporte

e o piquenique de refugiados.

http://www.solinetz-zh.ch/projekte/zusammen-

-wandern

Domingo

28.6.2020

ESTACIONAMENTO PARA TO-

DOS

Informe-se e confirme se as instalações estão

abertas. O “Bikepark Zürich” está diariamente

à disposição de toda a população e é adequado

tanto para ciclistas experientes como para

principiantes e crianças. Há cinco circuitos

para vários tipos de modalidades em bicicleta.

08:00-21:00. Gratuito.

Bikepark Zürich. Allmendstr. 1.

Tram 5/13/17 oder Bus 89/200 bis “Saalsporthalle”.

www.bikeparkzuerich.ch

Segunda-feira

30.6.2020

INFORMAÇÕES SOBRE COMO LIDAR

COM DINHEIRO

Tem perguntas sobre avisos de pagamento,

processos de cobranças de dívidas e dívidas?

À terça-feira na “Moneythek” os interessados

obtêm informações sobre temas relacionados

com dinheiro. Apareça ou telefone para 044

413 69 44. Ter 16:30-18:50. Gratuito.

PBZ Altstadt. Zähringerstr. 17.

Tram 4/15 bis “Rudolf-Brun-Brücke” oder

Tram 3/6/7/10/15 oder Bus 31 bis “Central”.

http://www.stadt-zuerich.ch/moneythek

Junho 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


22

COMUNIDADE

Vistos de trabalho

na Suíça

A obtenção de um visto de trabalho

na Suíça depende de vários

factores, inclusive a nacionalidade,

as habilitações e as quotas.

Nos termos do Acordo UE-Suíça

sobre a livre circulação de pessoas,

os cidadãos suíços podem

viver e trabalhar livremente na UE

Os nacionais de um Estado-Membro da UE

ou da EFTA podem vir para a Suíça para

procurar emprego. Para uma estadia máxima

de três meses, eles não precisam de permissão.

Se a procura de um emprego dura

mais tempo, pode obter autorização para

curto prazo de residência por um período de

validade de três meses por ano civil, quando

disponíveis os meios financeiros necessários

para a sua manutenção.

*UE-25 inclui os seguintes países: Alemanha,

Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Dinamarca,

Espanha, Estónia, Finlândia, França, Alemanha,

Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letónia,

Lituânia, Luxemburgo, Malta, países baixos,

Polónia, Portugal, República checa, Roménia,

Reino Unido, Suécia, Eslováquia, Eslovénia, Espanha.

**EFTA: Islândia, Liechtenstein, Noruega, Suíça

Emprego remunerado menos de três

meses (cidadãos da UE - 27/EFTA)

Para o exercício de uma actividade remunerada

(emprego), com duração máxima de

três meses, ou seja, 90 dias, por ano civil, os

cidadãos da UE-27/EFTA não necessitam

de qualquer autorização de residência.

O seu empregador, na Suíça, é, no entanto,

obrigado a notificr a sua actividade por meio

do procedimento de notificação electrónica.

A notificação deve ser feita o mais tardar no

dia anterior ao início da actividade.

O emprego mais de três meses (cidadãos

da UE-27/EFTA)

Para estadias de longa duração na UE-27/

EFTA requerer uma autorização de residência.

A notificação deve ser feita antes do início

do trabalho no município de residência.

Deve ser portador:

— de um bilhete de identidade ou passaporte

válido

No caso do emprego por conta de outrem:

— Declaração da entidade patronal ou certidão

de emprego (por exemplo. Contrato de

emprego)

No caso emprego por conta própria:

Apresentação dos livros de contabilidade,

de modo que você pode mostrar que você

pode cobrir suas despesas. Você precisa

aplicar para assistência social no decorrer

do tempo, você perde o seu direito de residência.

Mais informações para permanecer

como um assalariado, entre em contacto

com o escritório de migração cantonal ou do

lado da Secretaria de Estado para as Migrações,

www.sem.admin.ch> Entry & estadia>

Viver e trabalhar na Suíça.

As autoridades cantonais são as responsáveis

pela emissão dos vistos.

Para obter mais informações em relação aos

cidadãos da União Europeia e EFTA, visite

a página da Internet do Departamento Federal

de Migração. Uma brochura em português

intitulada “Bem-vindo à Suíça” dá as

explicações iniciais para as pessoas interessadas

em viver no país.

Para se obter informações específicas sobre

países específicos das comunidades UE /

EFTA, visite a página da Internet do Departamento

Federal de Migração.

Vistos de trabalho para cidadãos EU /

EFTA podem ser divididos em várias

subcategorias e são definidos por letras.

Eis os significados de alguns deles:

L: curto prazo

Os titulares que possuem esta autorização

de residência são estrangeiros que se encontram

a residir temporariamente na Suíça.

Geralmente este documento é atribuído

a habitantes que ficam apenas por um período

com menos de um ano. Praticando ou

não uma actividade lucrativa.

De acordo com um contrato de trabalho,

que pode ter a duração de três meses a um

ano. Os países da UE/AELE têm direito a

esta autorização de residência.

Se exercer um trabalho inferior a três meses

ao longo do ano não será necessário alguma

autorização de residência. Mas sim tem

Junho 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


de se anunciar as entidades responsáveis

e comunicar seu interesse pelo tempo que

pretende ficar na Suíça.

A durabilidade desta autorização pode ser

prolongada por até um ano no total.

Todos os europeus que vêem da UE/AELE

a procura de um emprego e pretendem obter

uma autorização de residência L “Permi

L” não podem usufruir de qualquer beneficio

da Segurança Social.

Nota: Se pretende ficar mais de três meses

tenha em atenção a alguma exigências

deste país, uma delas é a obrigação de um

seguro de saúde.

B: visto de residência inicial

Os titulares que possuem esta autorização

de residência são estrangeiros que se encontram

a residir definitivamente na Suíça.

Geralmente este documento é atribuído

habitantes permanentes na Suíça. Praticando

ou não uma actividade lucrativa. A

autorização de residência aos estrangeiros

vindos da União Europeia (EU-27/EFTA)

tem o prazo de validade com cinco anos.

Este documento e concedido a cidadãos da

UE-27/EFTA com a condição de ser provado

terem um contrato de trabalho por um

prazo mínimo de um ano. Contrato esse

que deve ser de duração ilimitada ou duração

limitada com no mínimo 365 dias.

Para os cidadãos sem actividade lucrativa,

só podem ter a autorização de residência B

se provarem ter meios financeiros suficientes

e um seguro de saúde e acidentes que

cubram todos os riscos.

C: visto de residência permanente

Os estrangeiros titulares de uma autorização

de residência C (Permi C) apenas podem

obter esta autorização depois de cinco

ou dez anos na Suíça. O direito de permanência

e indeterminado, e não esta sujeito

a nenhuma condição.

A Secretaria de Estado para as Migrações

é que fixa a data de partida. Apenas depois

das autoridades nacionais competentes

derem autorização de poder partir é que o

pode fazer.

Após permanecer na Suíça durante dez

anos ininterruptos, cidadãos dos terceiros

Estados podem, em princípio, obter um

visto C. Os cidadãos dos EUA e do Canadá

devem permanecer por somente cinco anos

ininterruptos.

Um cidadão com visto C pode mudar livremente

de emprego e viver em qualquer

cantão. Impostos deixam de ser retido na

fonte.

Os cantões são os responsáveis pela emissão

dos vistos, mas sujeitos à aprovação

federal. Para informações mais detalhadas

sobre o processo de retirada de visto; onde

pedir, que formulários devem ser preenchidos,

quanto tempo demora, etc, o cidadão

COMUNIDADE

23

ou representantes de países estrangeiros.

Trata-se de familiares como cônjuges e filhos

até a idade de 25 anos.

A validades destes documentos de residência

têm uma validade de acordo com a duração

das funções do titular principal.

G: trabalhadores das zonas fronteiriças

Autorização de residência G (Permi G) para

os habitantes da UE/ países da EFTA que

residem em seus países e trabalham em

território suíço. Empregados ou independentes,

trabalham na Suíça e regressam

a suas residências no seu país pelo menos

uma vez por semana.

É o caso de países como a França, Itália,

Alemanha. São muitos trabalhadores que

passam a fronteira para trabalhar mas regressam

todos os dias ou mesmo ao fim de

semana.

A autorização de residência G para a UE /

EFTA tem um prazo de cinco anos. Esta sujeita

à existência de um contrato de trabalho

de duração indeterminada ou superior

a um ano

Se o contrato de trabalho for inferior a um

ano de trabalho e com mais de três meses.

nesta caso a autorização de residência será

de acordo com o contrato de trabalho.

A Autorização de residência B (Permi B)

pode ser renovada por cinco anos se o estrangeiro

preencher os requisitos pedidos.

A primeira vez que for renovada pode ser

limitada a um ano se a pessoa se encontrar

em situação de desemprego involuntário á

mais de 12 meses consecutivos.

deve entrar em contacto com as autoridades

competentes.

Após obter a autorização de residência C

não paga mais seus impostos na fonte.

CI: autorização de residência com

emprego remunerado.

Uma autorização de residência CI só é atribuída

a membros da família de trabalhadores

de organizações intergovernamentais

Para menos de trás meses de contrato não

necessita de autorização de residência,

apenas tem de se anunciar as autoridades

competentes.

Na Suíça, um cidadão dos terceiros estados

somente pode ser contratado se não for encontrada

uma pessoa de dentro do mercado

de trabalho suíço ou de um país da UE

ou EFTA.

Os empregadores devem mostrar que eles

fizeram “grandes esforços” para encontrar

um suíço, um cidadão da UE / EFTA ou de

qualquer cidadão estrangeiro que já esteja

na Suíça com uma licença de trabalho.

Além disso, o empregador deve mostrar

porque as pessoas com prioridade que se

candidataram não eram apropriadas para

o referido trabalho.

Os estrangeiros com as melhores chances

de conseguirem um visto são os gestores,

os especialistas e pessoas altamente qualificadas,

ou seja, aqueles com diploma universitário

e experiência profissional. Aos

candidatos pode ser pedido que falem uma

das línguas oficiais da Suíça.

Também podem obter vistos de trabalho

em circunstâncias especiais como para

jointventures, cargos de professores temporários,

cargos de gestão, especialistas e

cientistas altamente qualificados ou para

trabalhos que envolvam arte e cultura.

Não há limite de tempo para o processo de

visto, porém pode levar pelo menos três semanas.

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24

CRÓNICA

O mundo negro

da Bola

Foto: FERNANDO VELUDO

CARLOS MATOS GOMES (*)

Saiu há dias a notícia de uma deliberação do

Conselho Superior da Magistratura a autorizar

um Procurador a fazer parte dos corpos

dirigentes de um clube de futebol. A autorização

foi dada, com declarações de voto

e abstenções mas foi dada, embora reconhecendo

que aquelas funções não prestigiam

a magistratura e que o chamado mundo da

bola não é local recomendável a quem tem

de zelar pelo cumprimento das leis da República.

Hoje o meu amigo Castro Lousada,

ilustre causídico na cidade de Tomar onde

estudei e brilhantíssimo pára-quedista militar

(para não referir o pai) publicou no seu

mural do FB uma notícia/texto ao que julgo

retirado do Expresso, que desce aos círculos

mais profundos do Inferno (da Divina Comédia,

de Dante) e que aqui adiante reproduzo,

e que envolvem personagens das trevas,

que envolvem o fascismo internacional,

o branqueamento de capitais para fins mais

do que suspeitos, malta da bola, o ninho

de víboras do gangue sob forma de partido

político que cada dia parece ser mais claro

reunir-se sob o disfarce do Chega.

Temos então um suspeito americano, o dito

Chega do Ventura, uma agremiação conhecida

por clube Canelas, e pela sua violência a

coberto do futebol, dirigido por uma figura

sinistra alcunhado ou auto-intitulado por

Macaco e que se preparam, os intervenientes,

para utilizarem o tal clube de futebol

Canelas como barriga de aluguer através

da transferências de capitais. Ou branqueamento.

É neste mundo que se movem Canelas, Macacos,

traficantes de mais do que duvidosas

intenções, também magistrados. E tudo

sem que o Banco de Portugal, que tem responsabilidades

de fiscalização dos crimes

de branqueamento de capitais e a Judiciária

e o MP (que fornece magistrados para

este mundo) pareçam ver alguma coisa de

anormal.Aqui deixo o texto de Castro Lousada

e o fotografia do tal empresário da

bola.Segundo o Expresso, um tal Caeser

DePaço, recém-exonerado cônsul de Portugal

em Palm Cost, nos EUA, e dono da multinacional

americana Summit Nutritionals,

empresa de matérias-primas da industria

farmacêutica e alimentar, quer adquirir a

maioria do capital da futura SAD do Canelas

2010, gerido por este sujeito da foto. Segundo

o semanário, Madureira pensa ficar

com 39% da SAD, o clube com 10% e o De-

Paço com o resto do capital accionista. Madureira

e DePaço conheceram-se, segundo

aquele, através do vice-Presidente da Distrital

do Porto do Chega, José Lourenço. DePaço

ligou-se ao futebol através da Secção de

Boxe do FCP, da qual a Summit Nutritionals

é patrocinadora oficial, bem como das camisolas

do Canelas. Lê-se ainda na notícia

que o líder do Chega no Porto está a braços

com um processo de difamação no Brasil e

na lista dos devedores fiscais em Portugal.

O Canelas devia ter sido irradiado do futebol

mas a justiça desportiva é uma paródia.

O Madureira tem de ser novamente investigado

pelo MP e Fisco e levado a julgamento

pois ninguém de bom senso acredita que os

sinais exteriores de riqueza que exibe lhe tenham

caído do céu. E o Ventura tem de explicar

sem tibiezas que tipo de ligações tem

com esta gente. Leio no jornal que DePaço é

apoiante do Chega e que Ventura não esclareceu

a questão do financiamento.

Missões do Banco de Portugal: O Banco de

Portugal tem competências de supervisão

preventiva do branqueamento de capitais

e do financiamento do terrorismo (BCFT)

do setor financeiro, zelando, em primeira

linha, pelo cumprimento por parte das entidades

financeiras dos seguintes deveres:•

Identificação e Diligência;• Comunicação

de Operações Suspeitas;

O branqueamento de capitais é o processo

pelo qual os autores de atividades criminosas

encobrem a origem dos bens e rendimentos

(vantagens) obtidos ilicitamente,

transformando a liquidez proveniente dessas

atividades em capitais reutilizáveis legalmente,

por dissimulação da origem ou do

verdadeiro proprietário dos fundos.

São estas atividades que unem o Chega e

o Canelas, o Ventura e o Macaco, mais o

tal americano e a que se chama também o

mundo do futebol, com benção de entidades

fiscalizadoras e magistratura.

(*) Autor escreve segundo as normas no novo

(des)Acordo Ortográfico

Junho 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


DESPORTO

25

É sempre um grande orgulho

representar a selecção suíça.

JORGE MACIEIRA

Ricardo Azevedo Alves de 18 anos,

nascido em Genebra e natural de

Santo Tirso, jogador do Servette

FC, actual 4º classificado da Liga

Suíça, é um habitual convocado

para a selecção Suíça. O Lusitano

de Zurique este à conversa com

esta jovem promessa do futebol

onde falamos sobre a sua carreira,

sobre a pausa da quarentena

e sobre o regresso à liga Suíça.

Lusitano Zurique - Como se apresenta

como jogador?

Ricardo Azevedo - Chamo-me Ricardo

Alves tenho 18 anos sou suíço e português,

jogo no Servette FC e também estou a acabar

os meus estudos.

L.Z. - Começastes com apenas 7 anos

no Meyrin FC e passastes aos 15 anos

para o Servette FC, como foi essa

passagem?

R.A. - Eu estava mesmo muito contente

por ter passado pelo Meyrin, mas vim para

o Servette porque é o maior clube da cidade

e por terem sido eles a contactar-me. Era

mesmo um orgulho.

L.Z. - Tem 1,73 e 60 kg, informações

recolhidas no site do clube. Alguma

vez teve problemas com a estrutura

física no futebol?

R.A. Não são boas informações estou com

1,78 e 67kg (risos), e é certo que não sou um

jogador com muito físico, mas penso que

tenho outras qualidades técnicas e mentais

que me permitem não ter problemas com o

aspecto físico.

L.Z. - Como é que recebeu a notícia

de que ia ser convocado para a equipa

principal do Servette FC ?

R.A.- Os dirigentes e o mister falaram comigo

e disseram-me que estava pronto a

integrar a equipa principal e as coisas fizeram-se

naturalmente.

L.Z. - Estreou-se na equipa principal

com Young Boys, no dia 3 de Novembro

de 2019, qual foi a sensação?

RA: Foi uma sensação indescritível. No

momento não estava a realizar, mas foi

uma enorme alegria e um grande orgulho

poder estrear-me neste jogo e representar

o Servette.

L.Z. - Teve alguma espécie de padrinho

na equipa principal?

R.A.- Não tanto, mas todos me acolheram

muito bem e tenho um companheiro de

equipa que joguei com ele no Meyrin e agora

jogamos, outra vez juntos, no Servette.

L.Z. - A nível de selecções, representa

a Suíça dos sub-15 até aos sub-19

(actualmente), como tem sido essa

aventura?

R.A. - É sempre um grande orgulho representar

a selecção suíça. Infelizmente este

ano não ouve europeu, mas espero que essa

aventura continua.

L.Z. - Já houve algum contacto ou

interesse teu em representar a selecção

das quinas?

R.A.- Nunca ouve nenhum contacto com a

selecção portuguesa nesse sentido.

L.Z. - Como foi a tua quarentena e a

da tua equipa?

R.A.- Passei a quarentena a treinar com os

meus companheiros de equipa para guardar

o ritmo e tentei o máximo evitar lugares

com gente.

L.Z. - O que achas deste recomeço da

Super League Suíça? E a dificuldade

que pode ter causado a tua equipa

actual, quarto classificado do campeonato?

R.A.- Acho que é bom para nós, porque

esta situação não nos permite fazer o nosso

trabalho, e se é para treinar sem fazer

jogos não há interesse nenhum. Penso que

não há grandes dificuldades porque todas

as equipas da liga também tiveram paradas

então não há desculpas a ter quando o campeonato

recomeçar.

L.Z. - Cada vez mais se vê jogadores

portugueses ou luso-descendentes

nas ligas suíças, é cada vez mais uma

aposta no talento luso?

RA: Aqui na suíça somos muitos portugueses

e é certo que na liga também há cada

vez mais português e acho que é bom para

o povo português e também para o futebol

suíço que está a crescer cada vez mais.

L.Z. - Agradeço imenso este tempo

para esta entrevista e gostava que

deixasses uma mensagem aos nossos

leitores.

R.A.- Também agradeço esta entrevista e

espero que toda gente se porte bem neste

período de crise.

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26

ESPECTÁCULO

“Quem é quem, na Arte

portuguesa e que faz o

Estado por esses artistas”

VÍTOR RUA

Escrevo este texto não como “crítico”,

musicólogo ou muito menos como “jornalista”,

mas sim como um músico que

esteve no epicentro de uma actividade

musical e artística intensa, quer em Portugal,

quer no estrangeiro.

Assim, escrevo na “primeira pessoa” e, dando apenas

a minha descrição de factos, conforme eu os vi e vivi.

Tentarei evitar, sempre que possível (mas será quase

impossível), juízos de valor sobre obras e artistas e

tentarei reportar-me a factos por mim vividos e presenciados.

Não obedecerei a qualquer ordem cronológica dos

acontecimentos, não sei se me ficarei pelo rock produzido

em Portugal ou se irei abordar outras tipologias

musicais e não sei ainda, no momento em que

escrevo estás palavras, se irei limitar-me a falar de

música ou se irei alargar o “leque” a outras artes realizadas

nesta país.

Comecei a tocar guitarra aos nove anos e a minha

primeira guitarra era acústica de cordas de nylon de

um fabricante português. Aos 10 anos tive a minha

primeira guitarra eléctrica e aos 11 anos tive o meu

primeiro sintetizador.

Fotografia Alfredo Cunha

Desde os 10 anos que comecei a fazer parte de bandas

rock. O meu primeiro grupo foi os “Snif”, que depois

chegariam, nos anos 1980, a editarem um single, sob

o nome de “Tilt”. Depois vieram uma série de grupos

formados por mim, que já reflectiam, não só um certo

experimentalismo, como estavam sempre carregados

de humor. Grupos com nomes como “Trompas

The Falópio”, que era constituído por um vocalista

que tocava aspirador, um baterista que tocava com

colheres de pau numa sanita e penicos e eu na guitarra

eléctrica e sintetizador. Depois tive um grupo

com o nome de “Os Colhões”, que nem um concerto

deram, pois fomos interrompidos pela minha mãe,

que ao ouvir dizer “Colhões”, fez terminar logo ali o

concerto. Formei depois um grupo de “rock progressivo”

com o título de “Transladação dos Ossos Sagrados

de São Francisco de Xavier”, que não teve grande

saída nas rádios, creio eu, por causa do nome... E finalmente,

juntei-me a um grupo chamado “Esboço”

e que realmente, veio a ser o esboço de outro grupo

a que me juntei, chamados de “King Fischer’s Band”.

Com esse grupo, actuei durante cerca de quatro anos,

todos os dias, ao vivo! Todos! Natal, Páscoa, Ano

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Novo, aniversários, tocava sempre. Tínhamos

contratos de um mês e terminado esse

prazo, já tínhamos contrato noutro clube ou

bar. Gravamos na altura “Tele-Discos”, mas

nunca chegamos a gravar um disco.

Foi nesta altura, que surge um dia na Taverna

do Infante o Rui Veloso, que ia assistir aos

nossos concertos e também do Very Nice e

no final, pediu para falar connosco. De referir,

que eu era o mais novo da banda e não

tinha na altura, a importância dos líderes da

banda, os irmãos Mesquita (Jorge e Orlando).

Nessa reunião o Rui Veloso explica que

foi convidado a gravar um LP e que gostava

de nos ter como banda dele para a gravação

do seu disco e para isso, puxou de uma guitarra

acústica e tocou para nós o Chico Fininho.

Depois de alguma conversa, o Jorge e o Orlando,

explicam ao Rui que não podem aceitar,

porque não cantavam em português,

perdendo assim, naquele instante e com

aquela decisão, a oportunidade de terem

deixado os seus nomes, naquela que viria a

ser, uma obra primordial, para o rock e para

a indústria e mercado do rock produzido em

Portugal. Curiosamente, poucos anos depois,

a banda começaria a cantar em português

sob o nome de “Banda do Rei Pescador”.

Também nessa altura, começa a ir assistir

aos nossos concertos o Alexandre Soares, na

altura guitarrista num grupo chamado “Pesquisa”

e que viriam a ser mais tarde chamados

de “Táxi”. No final de uma nossa actuação,

o Alexandre veio falar comigo e houve

logo uma grande empatia e convidei-o a ir

à minha garagem, para ensaiarmos. Nesse

encontro, toquei para ele duas músicas em

inglês, mas que viriam a ser conhecidas pelo

público em português e sob o nome de “Portugal

na CEE” e “Vem ser um gordo da GNR”.

Durante esse período, na minha garagem

no Porto, ensaiavam o Rui Veloso, Ramón

Galarza e Zé Nabo, da parte da manhã, ensaiando

o LP “Ar de Rock”, da parte da tarde

ensaiava com os King Fischer’s Band e à noite

com os GNR.

Simultaneamente, tinha um trio com o Alexandre

Soares e o baterista dos Táxi, o Rodrigo,

chamado “Os Pastorinhos de Fátima”,

que chegou aos jornais pela pena do então na

altura produtor, Ricardo Camacho. Nunca

chegamos a dar concertos, pois a única coisa

que me recordo, é de adormecer num ensaio,

de pé, encostado à porta da minha garagem,

tal era a “pedra”. Aliás a razão do nosso

nome era precisamente por estamos sempre

na “Paz do Senhor”.

O primeiro concerto que os GNR dão é na

Igreja do Carvalhido, sendo que iríamos fazer

a primeira parte do grupo Pesquisa (ao

qual o Alexandre tinha pertencido) e antes

de nós tocaram os Tilt (a quem eu tinha pertencido

sob o nome de Snif).

Já anteriormente, com os Trompas The Falópio,

tínhamos dado um concerto no Pavilhão

dos Carvalhos, fazendo a primeira parte dos

grupos King Fischer’s Band e Pesquisa, sendo

que no final do concerto, os então Pesquisa,

ficaram muito bem impressionados com

a nossa música (que era de minha autoria),

nem que não seja pelo facto de sermos os

únicos que só tocamos música original, pois

todos os outros tocavam músicas de outros

grupos estrangeiros, aquilo que hoje se intitula

de “covers”.

Além dos grupos e músicos já citados, pela

minha garagem passaram músicos como o

Aníbal Miranda, que também lá ensaiou, os

Marca Amarela, os Roxigénio nasceram lá,

elementos do Jáfumega, e tantos outros músicos

como o Carlos Araújo ou Pedro Fesch.

Quando o Rui Veloso edita o seu disco, dá-se

aquilo a que se resolveu intitular do “Boom”

do rock em Portugal. Esse disco é de uma

importância enorme para a música portuguesa

e, não menos importante, para toda a

indústria que este disco iria pôr em acção:

editoras, estúdios de gravação, promotores

de concertos, empresas de som, roadies, etc..

Se até aí, gravar um disco, era quase uma

impossibilidade em Portugal, a partir dessa

altura acontece o contrário: quase tudo que

faz música, começa a gravar, trazendo muitas

coisas positivas, mas também outras negativas

e entre essas encontrávamos a fraca

qualidade musical de 90% desses grupos.

Mas deixem-me recuar um pouco atrás, para

explicar-vos o seguinte: já havia “rock” nos

anos 1960 em Portugal, só que reparem,

como podiam esses grupos conseguirem alguma

proeza de registo, se para se comprar

uma guitarra eléctrica se tinha de comprar

no estrangeiro? E onde tocavam essas bandas

se não haviam locais para essa nova

“música”? Nos anos 1970 surgem as primeiras

casa de instrumentos musicais, a venderem

guitarras eléctricas, órgãos e, raramente

é mais tarde, sintetizadores. Mas quando

falo em casa de instrumentos musicais, refiro-me

por exemplo, à Ruvina e à Castanheira

no Porto e só mais tarde nos anos 1980 a

Caius. Relembro isto, como explicação para

o facto de o rock em Portugal, ter sido sempre

de tão fraca qualidade. A culpa não era só

dos músicos mas sim, dos 50 anos de fascismo

que tinha atrasado o país em décadas em

relação aos outros países da Europa.

Já nos anos 1980, começa a surgir toda uma

indústria ligada ao rock, como já referi anteriormente

e, repito, tudo tendo início no

LP do Rui Veloso. É que imaginemos que o

primeiro disco a ser editado nessa altura não

seria o do Rui mas sim, por exemplo, dos Roxigénio.

Tudo poderia ter sido diferente! Eu,

por exemplo, que os vi nascer na minha garagem,

não me consigo recordar de um tema

deles! Um! No entanto recordo-me de bastantes

do Rui. Porquê? Porque o Rui e o Carlos

Tê, conseguiram criar temas que, como

se costuma dizer popularmente “entram no

ouvido”, ou seja, o Rui tem o dom natural

de fazer “hits”. Tal como foram depois hits

o Portugal na Cee ou o Chiclete ou a Rua do

Carmo ou o Amor. Daí eu reforçar a ideia, da

importância para todo um mercado e indústria

do rock, que teve o LP do Rui, nessa época

e que se repercutiu até aos dias de hoje.

Mas não se fique com a ideia, de que só se

começou a ganhar dinheiro com a música

rock, a partir dessa altura. Eu, por exemplo,

entre os anos de 1975 e 1979, ganhava entre

30 a 60 contos mensais, a tocar com os King

Fischer’s Band. Só para terem uma ideia,

um carteiro nessa altura, ganhava 17 contos

mensais...

Com os GNR nos anos 1980, já não era a

CRÓNICA

27

questão de ganhar 60 contos mensais, mas

sim, ganhar 60 contos por concerto! Muitos

sacos de erva comprei eu ao Quim Preto no

bairro de Francos...

Quando se edita o LP dos GNR “Independança”,

muda-se momentaneamente, a ideia

de um rock para as “massas”, para um tipo

de rock-art, inexistente até há altura e surge,

por exemplo, o tema “Avarias”, que ocupava

todo o lado B desse disco: 27 minutos de uma

improvisação rock feita em tempo real e com

a poesia concreta do Reininho.

O Reininho vinha do Anarband do Jorge

Lima Barreto e a sua postura (performance)

e letras (poesia), eram invulgares em Portugal.

As letras das canções até aí realizadas

no rock feito em Portugal, eram do tipo

“Rua do Carmo, Chico Fininho”, “Chiclete”

ou “Amor” e o Reininho surge com letras

refrões como “Horrorosa Natureza pseudo-

-mãe transformada em Pátria e guerra” ou

“Ela é Blitz Tampax, as formas de um Sax,

C’est la coqueluche”, aos quais não se estava

habituado e daí, o primeiro LP dos GNR ter

passado quase despercebido.

Conheço entretanto o Jorge Lima Barreto,

que me dá a conhecer todo um novo Mundo

musical e formo com ele os Telectu e, durante

um período de tempo, faço parte destes

dois projectos, até extinguir (por razões musicais),

os GNR, que, sob o apoio da Valentim

de Carvalho, não aceita que os outros membros

continuem com outro nome e começa

uma batalha em tribunal que duraria anos.

Com os Telectu, aconteceram duas coisas:

uma, foi o meu afastamento gradual do

mundo do rock e a outra foi o entrar num

novo mundo de Arte e de artistas de várias

áreas artísticas, como a poesia (conheci e

fiz vídeos com o Eugênio de Andrade ou o

Ernesto M de Melo e Castro), pintores (Luís

Camacho e António Palolo), cineastas (Rui

Simões), videastas (Edgar Pêra), actores e

encenadores (Luís Lima Barreto, Luís Miguel

Cintra, Ricardo Pais ou Jorge de Silva

Melo), performers como o Manoel Barbosa

ou Silvestre Pestana, artistas plásticos como

o António Barros, bailarinos e coreógrafos

como o João Fiadeiro, Clara Andermatt, Vera

Mantero, João Galante, Teresa Prima, Ana

Borralho, Aldara Bizarro, Carlota Lagido),

que além de colaborar com eles em diversas

circunstâncias, muito aprendi também com

todos eles e fizeram-me ver a Arte Total.

Nesses meados dos anos 1980, o meu cachet

com os Telectu era de duzentos contos por

concerto e dávamos mais de um concerto

por mês. Mas tudo era também caro no que

a instrumentos musicais dizia respeito: um

sintetizador Roland Júpiter 8 custava 700

contos... A minha guitarra GR-300 da Roland,

custou-me 400 contos na altura e a

GR-707, já custou quase 600 contos...

Assim, a minha geração, viveu ainda as dificuldades

de coisas hoje muito simples, como

comprar um instrumento musical, gravar

um disco ou dar um concerto, tudo coisas

que hoje se faz em casa com um computador:

grava-se o disco num software do computador

e com uma câmera ligada a este, pode-

-se dar um concerto online e em streaming,

para todo o Mundo.

De 1985 a 1995, a indústria da música cresce

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28

ESPECTÁCULO

abissalmente, não significando isso, que a

qualidade também aumentou, pelo contrário,

diminuiu, tornando-se “prisioneira”

dos mercados e do comércio, mas, também

foi a altura, em que mais se ganhava financeiramente

com esta tipologia musical.

Isso reflectia-se, em alguns casos, no estilo

de vida desses músicos, que começavam a

comprar automóveis de luxo, jeeps, montes

no Alentejo, casas com piscina e até, aviões

a jacto particulares (o caso de um conhecido

promotor de espectáculos).

Já em Lisboa, conheço o António Pinho

Vargas, de quem fico amigo e que mais

tarde iria viver para a minha casa na Rua

do Arco e que mais tarde usou como estúdio

para a sua criação musical e com quem

aprendi muito.

Curiosamente, o Pinho Vargas, tinha colaborado

em concertos do Rui Veloso e dos

Arte & Ofício, mas rapidamente, construiu

em Lisboa, uma carreira a solo como jazzman

e como compositor. Não que antes

não tivesse nada! Pelo contrário, tinha já

pertencido a vários grupos, inclusivé com o

Lima Barreto e era já um nome de prestígio

do jazz nacional. Mais tarde o Pinho Vargas,

larga um pouco a sua carreira de jazzman,

pela de compositor de música erudita

e também como escritor e pedagogo.

Logo no início dos anos 1980, conheço

também, uma das maiores, senão a maior

figura da música improvisada portuguesa

e mundial, o Carlos Zingaro, com quem venho

a colaborar e a aprender e com quem os

Telectu ao longo do tempo, foram mantendo

contacto.

Entretanto, o Nuno Rebelo, que eu tinha

conhecido dos Street Kids e que na saída do

Miguel Megre dos GNR, o foi substituir, fazendo

parte dos GNR durante algum tempo,

forma primeiramente os Mler Ife Dada,

para depois, tal como eu, abandonar o rock

e dedicar-se à improvisação e composição

de música funcional.

Tanto os Telectu, como o Zingaro, o Vargas

ou o Rebelo, tínhamos além de Portugal,

reconhecimento, concertos e outras actividades,

no estrangeiro, sendo que o Zíngaro

seria o que teria mais, depois os Telectu e

depois o Vargas ou Rebelo.

Levamos o nome de Portugal à URSS, aos

EUA, à China, ao Japão, a Cuba, Egipto ou

toda a Europa, nos melhores Festivais e

com os maiores músicos das tipologias musicais

que representávamos.

Nessa altura, começam a surgir os dinheiros

da comunidade europeia e começam a

ser dados subsídios para a Arte, mas especialmente

à Dança, que ao contrário da

comunidade musical, se juntou, formando

Fóruns e Centros de criação e programação

e os artistas começam a formar associações,

para divulgarem e promoverem o seu

trabalho.

Músicos como os Telectu, Vargas, Zíngaro

ou Rebelo, nunca receberam qualquer ajuda

do Estado nessa altura e, ainda continua

a ser assim agora para muitos de nós, pese

em conta, o serviço que nós prestávamos ao

país.

Mal se passou para o euro, que se começou

a notar, gradualmente, uma descida nos cachets

praticados, mas noutros casos, como

na Dança e no Teatro, ainda se continuava a

ganhar muito bem. Eu, entre 2000 e 2006,

ganhava por espectáculo, quantias entre

os 10 mil e 15 mil euros, para fazer música

para uma peça de teatro, em que tinha de ir

só a dois ou três ensaios...

Hoje, pelo mesmo trabalho e nos mesmos

Teatros, recebo 5 vezes menos...

Estabeleci como preço mínimo para concerto

(ainda nos Telectu), 500 euros e, porque

outros músicos começavam a tocar por

preços baixíssimos ou até inexistentes, os

concertos começaram a rarear. Actualmente,

se tiver mais de 6 concertos com esse

cachet, num ano, já é muito bom...

Dessa forma, com a quase total ausência

de concertos, pelo menos do nosso tipo de

música, comecei eu e outros músicos, a recorrerem

à música “funcional”, realizando

obras para vídeo, cinema, teatro ou dança

e era aí que conseguíamos sobreviver. Outros

dedicaram-se também ao ensino...

E de repente, aqui estamos nós, os músicos

que tanto elevaram o nome de Portugal

em tantos eventos no estrangeiro, a não

sabermos como vai ser o dia seguinte, sem

qualquer tipo de apoios do Estado, que pelo

contrário, exclui-nos da sociedade, criando

centros “culturais” por todo o país, mas que

depois estão desertos a nível de público e,

centros esses, que há anos levam sempre

as mesmas coisas de música ou teatro ou

dança, mas nunca os nomes em cima mencionados.

Sempre ouvi dizer e nunca concordei até

aos dias de hoje, que é mais grave um rico

virar pobre, do que um pobre continuar

pobre... Mas esta frase aplicada aos dias de

hoje e aos nossos artistas, parece servir que

nem uma luva! Deram-nos o que merecíamos

na altura ou pelo menos nós conquistávamos

isso e agora, deixam os artistas

ao Deus Dará e que se “arranjem” que o

problema não é deles... E o pior, é que o Zé

Povinho, engole o que vai ouvindo e depois

acha muito bem, que o Estado nada nos dê

a esses “chulos” que “nada fazem”... Políticos

como o outrora MRPP e actualmente

PSD, Pacheco Pereira, chama-nos até de

“subsídio-dependentes”!!!... Quando nunca

recebi um subsídio na vida...

Há uns tempos abri o Público e li que o Tordo

“ameaçava” emigrar... E depois li os comentários

do povinho e eram: “vai para a

Coreia do Norte” ou “ainda estás cá?”...

Quem tem razão?... O Tordo em dizer que

vai emigrar ou o povinho a mandá-lo pró

caralho?... Se calhar, nenhum! Porque o

Tordo, tendo supostamente consciência

política deveria ter continuado a sua luta

através da sua música (música de intervenção)...

Mas qual música de intervenção fazia

o Tordo actualmente?... Não se terá acomodado,

como se acomodaram quase todos

os chamados “músicos de intervenção”

portugueses?... Eu não vejo o Sérgio Godinho

a cantar “A paz, o pão, habitação”, mas

vejo-o como júri num qualquer programa

abjecto da TV. Eu não vejo o Vitorino a lutar

pelos trabalhadores, mas sim a cantar com

o Tony de Matos no Coliseu ou a cantar o

“Menina estás à janela”. Até o Fausto, canta

agora músicas abrasileiradas... O Palma

passa nas telenovelas “encostando-se” a

eles. Que razão têm esses, realmente, para

virem dizer que isto está mal e que querem

emigrar?

E também não tem razão o povinho em os

mandar foder, porque no fundo, foram eles

que os sustentaram e, nalguns casos, estes,

os cantores de intervenção, tiveram muita

importância na mudança de paradigma em

Portugal, antes do 25 de Abril.

Pergunto-vos: sabem quem é o Rui Chafes?...

A maior parte que me está a ler, deve

desconhecer totalmente este nome... Mas

se eu disser “Joana Vasconcelos”, já sabem

quem é, no entanto a última é uma artista

dos regimes (porque se até agora “comeu”

do PSD, esperem para ver o que vai “papar”

do PS), sem qualquer valor artístico na

História da Arte em Portugal e o primeiro

é reconhecido pelos pares e não só, como

um dos mais importantes escultores da actualidade

e é português.

E de quem é a culpa de tudo isto?

É do Povo português que andou a gastar

o que não devia e dos artistas que são uns

chulos e não “trabalham”!

Não é do Estado, cheio de corruptos e bandidos,

nem dos políticos e suas leis que só a

eles os protegem!!!

É do Povo e dos que fazem Cultura!

Porque é o povo e por conseguinte os artistas

também, que estão a pagar a crise e não

os cabrões dos bancos que nos andaram a

“dar” créditos a torto e direito, para que nos

endividássemos, para agora nos dizerem

que fomos “gastadores”...

E o povinho vai na conversa e baixa a bolinha

como cordeirinhos bem amestrados.

A mim e a outros músicos como eu, esta

crise, não me afecta, da mesma forma que

afecta, por exemplo, um Paulo Gonzo ou

um Olavo Bilac, que tão rapidamente subiram,

como desceram, tendo até um deles

pedido insolvência.

Só que há que distinguir claramente uma

coisa: uma coisa são artistas como eu, Zingaro,

Vargas, Chafes, Rui Simões, Edgar

Pêra, Miguel Azguime ou José Nascimento

que fazem Arte pela Arte e outra coisa

são artistas que “usam” supostamente algo

próximo daquilo que intitulamos de “arte”,

mas que, per se, ganham muito dinheiro

com a sua “arte comercial”!

Mas reparem o paradoxo: é a esses que não

precisam de dinheiro do Estado, porque a

sua actividade é comercial, que o Estado

subsidia (o caso “gritante” da Joana Vasconcelos)

e aos que precisam, eles cortam...

Resumindo: se o Vargas escreve que se o

Estado quiser ele “suicida-se” quando fizer

63 anos, para que o Estado não lhe tenha

de pagar o que é dele por direito, se o Tordo

diz que vai emigrar, eu digo que daqui não

saio e mando-os a todos irem pró caralho,

pois não posso ter respeito e consideração

por assassinos que andam a matar velhos,

pobres e reformados e que tentam exterminar

com a Felicidade, Cultura e Arte em

Portugal.

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CRÓNICA

29

Queremos mesmo sobreviver

à pandemia?

CARLOS MATOS GOMES

Se há um tempo para pensarmos em sobreviver

é este. Os europeus – porque sou europeu

– devem reunir-se e agir e não é a senhora

Lagarde, do BCE, nem os ministros das

Finanças do Eurogrupo que podem ser os

nossos timoneiros – devemos reunirmo-nos

para impedir que sejam os nossos coveiros.

A questão não são os bonds, nem empréstimos,

nem dívida pública: são como regular

a utilização de recursos e a sua distribuição.

Carlos de Matos Gomes(*)

O vírus classificado como Covid-19 tem

provocado milhares de mortes. Devastou

o modelo de desenvolvimento neoliberal –

daí a justificação para o comportamento de

Trump de mosca dentro da garrafa. Quanto à

Europa: Os dois dos maiores países da outra

margem do Atlântico são dirigidos por criminosos

sem escrúpulos nem qualquer sentido

não só de humanidade, mas de animalidade,

isto é, de instinto de sobrevivência,

Trump e Bolsonaro. A Leste, a Rússia gere

os seus recursos internos para preservar

forças (possui uma relação favorável de população,

território e recursos essenciais) e a

China a repegar o modelo de produção onde

o deixara, assente na sobrexploração de recursos

(desde logo o do trabalho) e de inundação

dos mercados com produtos a preços

esmagados que implicam a abolição de direitos

humanos fundamentais. Desde logo a

liberdade. E a Europa?

Leio o artigo de Miguel Sousa Tavares no Expresso:

“Eu fui um dos que tive uma esperança, ainda que

ténue, de que tivéssemos aprendido alguma coisa

com esta lição (a da pandemia). Mas ainda nem

vemos o fim do pesadelo nem alcançámos todas

as suas consequências e já se percebeu que quem

manda nisto — no mundo, no planeta, neste “capitalismo

que mata”, como disse o Papa Francisco

— pretende fazer tudo igual, mas ainda mais

depressa e pior, se possível. As Bolsas animam-

-se com a retoma económica na China, puxada a

todo o gás pelas centrais a carvão; a Amazónia,

escondida temporariamente dos satélites pelas

nuvens e pela pandemia à solta em terras do Brasil,

aumentou em 171% a área desflorestada em

Abril, em comparação com igual mês de 2019 e

na Europa, sob pressão das companhias aéreas,

Bruxelas abandonou qualquer veleidade de limitar

a lotação dos aviões, um dos mais intensos

poluidores atmosféricos e um dos mais eficazes

focos de propagação do vírus.

Entre nós, muito se escreveu e falou sobre um regresso

ao campo e à pequena agricultura familiar

e biológica, cujos benefícios e atractividade

o confinamento forçado tinha permitido redescobrir,

e também se escutaram juras de revisão

do modelo de turismo assente nas multidões e

na destruição de habitats naturais. Pois, aí está:

a agricultura que é apoiada, financiada por dinheiros

europeus e aquela por onde vagueiam

exércitos de trabalhadores asiáticos semiescravos

é a agricultura superintensiva, predadora da

terra e esbanjadora de água.

Como é que nada poderá não ser como dantes?” -

Miguel Sousa Tavares”

Para os cidadãos europeus, cercados a Leste

e a Oeste, a questão é sobreviver. Não como

sobreviver ao vírus, mas como impedir que

o vírus tenha aqui os seus ninhos e impeça

a sobrevivência da nossa espécie, que nos

ganhe, que nos derrote enquanto seres humanos

e europeus. Trata-se de sobrevivência

de uma espécie ameaçada não por um vírus,

mas por uma podridão generalizada, por

uma metástase disseminada. O Covid 19 é o

nosso vírus!

O Covid 19 é uma consequência, não é uma

causa. Os cidadãos europeus têm o dever de

se levantar para exigirem respostas para as

causas desta epidemia.

A frase é apresentada como tendo vários autores,

de Einstein a Benjamin Frankelin “Insanidade

é fazer a mesma coisa repetidamente

e esperar resultados diferentes”. Não

sei se a resposta à epidemia é insanidade,

mas estupidez é com certeza.

Os cidadãos europeus têm o direito e o dever

de exigirem dos seus eleitos uma resposta

que não seja a repetição da que causou a

calamidade. Reúna-se um Eurogrupo, uma

Cimeira, um Forum, uma feira, um conclave

para os europeus discutirem e decidirem em

que mundo querem viver.

Primeira pergunta: Queremos viver? E, de

seguida, queremos viver como baratas chinesas?

Como grunhos americanos? Como

evangelistas bolsonaristas?

Com tantos estudos e tanto dinheiro para estudos

contra o vírus Covid 19, que geram lucros

imensos, despesas em boa parte inúteis,

ou sobre objetivos secundários, porque não

um estudo sério sobre o tempo que nos resta

para viajar nos navios de cruzeiro, nos charters

de aviões para um pacote de uma semana

de solysombrero? Sobre quanto tempo

nos resta para passear no último camelo à

volta das pirâmides do Egito, ou para matar

animais nos safaris do Kruger Park, ou

do Quénia, ou para ir ver a última árvore da

Amazónia, para subir na derradeira viagem

no elevador do Empire State para ver arranha-céus

e torres Trump, ou da Torre Eiffel,

ou para uma viagem numa gondola (insuflável)

em Veneza?

Quanto tempo teremos para comprar uns ténis

da Nike fabricados por escravos no Bangladesh,

ou umas T-shirts da Zara? O que

vamos fazer aos tuk-tuk que enxameiam as

ruas de Lisboa a Phnom Penh? E aos carros

elétricos, a diesel ou gasolina das várias autoeuropas

espalhadas pelo mundo? E ao arsenal

nuclear, o que vamos fazer às ogivas,

atiramo-las aos Covid ou uns aos outros? E

aos satélites, desinfetamo-los cá de baixo,

ou mandamos lá alguém? Quem cuidará das

ruínas do Coliseu de Roma quando só restarem

ratos e baratas? Ou do Castelo Templário

de Tomar? E até quando haverá judeus

para dar cabeçadas no Muro das Lamentações,

depois de terem morto o último palestiniano,

mesmo sem lhe terem feito o teste

do coronavírus e sem ter lavado as mãos com

gel, depois? Não, esses últimos visitantes,

não morrerão do coronavírus. Morrerão da

nossa estupidez. Uma morte lenta, presume-

-se e teme-se, de fome, doença, desespero,

de lutas pelo último hambúrguer, pela última

coca-cola… Entretanto aqui discute-se

se devemos peregrinar a Fátima ou ao Seixal,

ao Avante! E se existe incoerência entre

um estádio vazio e um avião cheio – ora a

questão não é de incoerência, é de cegueira:

os estádios jamais se encherão e os aviões

também não.

Já agora os coletes amarelos (lutadores sociais,

não era?) desapareceram de França,

agora que tão necessários eram! E os neofascistas

do Salvini em Itália parece estarem de

muito bem com a possibilidade de retomar

ao antigamente, com turistas na fonte de

Trevi, assim como os seguidores de Trump,

e os evangelistas e as dondocas brasileiras

de bolsonaro, e os espanhóis franquistas de

Madrid, a malta da bola e por cá há lideres

como Jerónimo de Sousa que não admite a

austeridade. Acredita na lâmpada de Aladino

ou tem alquimistas que criam ouro no

Comité Central. É preciso voltar ao antigamente,

depressa e em força! O problema é

que não há antigamente atualmente.

Dirão os que acreditam que vai ficar tudo

bem, este é um texto de ficção científica.

Tomara eu! Catastrofismo. Cenário apocalítico!

Dirão os evangélicos, os do Alá e os do

Acá: Deus é grande. A última crença desta

espécie de gente no Brasil, ao que li, é a da

conspiração comunista: os caixões dos mortos

do Covid estão cheios de pedras (presume-se

que fabricadas na China) e as favelas

do Brasil estarão assim pejadas de mortos

vivos!

Se há um tempo para pensarmos em sobreviver

é este. Os europeus – porque sou europeu

– devem reunir-se e agir e não é a senhora

Lagarde, do BCE, nem os ministros das

Finanças do Eurogrupo que podem ser os

nossos timoneiros – devemos reunirmo-nos

para impedir que sejam os nossos coveiros.

A questão não são os bonds, nem empréstimos,

nem dívida pública: são como regular

a utilização de recursos e a sua distribuição.

(*) In Tornado

Por opção do autor, este artigo respeita o AO90

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CIDADANIA

31

Você é uma boa pessoa?

Ser uma boa pessoa é

muito difícil, muito mais

do que as pessoas pensam.

Fazer a escolha

certa e a escolha fácil

diferencia uma pessoa

boa, de uma farsante.

A escolha certa

é sempre mais difícil e é

por isso que muitos decidem

evitar e acabam

buscando um caminho

mais fácil. Seguindo

esta linha de pensamento,

destacamos 10 virtudes

que evidenciam que

você é uma boa pessoa

e sempre faz o que pode

para fazer o certo:

— A bondade

Começando com o mais óbvio,

a bondade é o principal que nos

diz que estamos fazendo a coisa

certa, em vez da mais fácil. Significa

ter a disposição para fazer

o bem às coisas e aos outros.

— A ética

Ter um conjunto de princípios

morais, especialmente aqueles

relacionados a um determinado

grupo, campo ou forma de

conduta, definirá uma pessoa

como ética. Devemos ter regras

e comportamentos baseados em

ideias do que é bom e do que é

ruim. Não trair sua namorada é

ético, mas trair sua namorada e

pensar que pode sair ileso dessa

é anti-ético e, definitivamente,

não é uma característica de uma

boa pessoa.

— A equidade

Ser justo é justificável. A equidade

remete à justiça, reconhecer

os direitos de cada um, utilizando

a equivalência que nos torna

a todos iguais. Reconhecer que

você não está acima da lei e do

seu próximo, diz muito sobre

uma pessoa.

— A moralidade

Moralidade é até visto como um

sinónimo da ética, mas tem um

significado diferente. A moralidade

é um sistema de valores,

um todo de condutas, que uma

boa pessoa deve possuir. O certo

ou errado é justificado pelos

princípios morais que a sociedade

actual possui.

— A integridade

A honestidade sempre vence.

Pode levar um dia, um ano, ou

até mesmo uma década, mas

vai mostrar que você fez a coisa

certa. A verdade deve ser falada

mesmo que sua voz trema. Fazer

a coisa honesta e dizer ao seu

amigo que você viu sua namorada

traindo-o seria moral e ser

uma pessoa de integridade.

— A dignidade

A resposta mais comum que as

pessoas oferecem é que a dignidade

é sobre o respeito. Pelo contrário,

a dignidade não é o mesmo

que o respeito. A dignidade

é o nosso valor inerente e vale a

pena como seres humanos; todos

nascem com ele. O respeito,

por outro lado, é obtido através

de suas acções.

7. A honra

A verdadeira honra não tem nada

a ver com nossos sentimentos

e emoções. Começa como uma

decisão do coração e é expressa

externamente com respeito genuíno,

reverência e a mais alta

estima. Não pode ser limitado a

um simples serviço porque, mais

cedo ou mais tarde, a condição

real do coração será testada e

exposta.

— A decência

Trata-se da Regra de Ouro: tratar

os outros como você gostaria

de ser tratado na mesma situação.

Parece haver uma falta

de compreensão entre muitas

pessoas do que significa ser humano

e reconhecer o que outras

pessoas estão sujeitas. A decência

humana básica reconhece

a humanidade dos outros. Ela

reconhece como todos nós podemos

nos colocar em situações

difíceis e precisamos de ajuda e

compaixão, às vezes.

— A respeitabilidade

Uma pessoa respeitável é aquela

que não só respeita a si mesma,

mas é respeitada pelo mundo em

que vive. Quanto mais você pode

viver como uma pessoa em que

os outros realmente querem estar

por perto, mais respeitável

você se tornará.

— A nobreza

Ok, essa palavra tem mais definições

e isso não é “pertencer a

uma classe com alto status social.

É onde nos honramos por

nossas boas acções e altruísmo.

“Para sermos bons de verdade,

temos que sustentar todas as

características acima e fazê-las

permanecer dessa forma, ou então

o bem estará sempre um passo

a sua frente, e você vai persegui-lo

toda a sua vida como uma

pessoa mediana.”

_________

Fonte: Simple Capacity

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OPINIÃO

33

André Ventura e o Chega são

inimigos do Estado laico

JOÃO MENDES (*)

Um dos pilares de qualquer democracia

consolidada é a laicidade do Estado. Foi

uma conquista arrancada a ferros, depois

de séculos de domínio do Vaticano sobre

reis e imperadores, feito das mais variadas

formas de opressão, cruzadas e “hereges”

a arder em fogueiras. Em Portugal, as ligações

estreitas entre o Estado Novo e o

topo da hierarquia de Igreja Católica são

conhecidas, sombrias e a total negação dos

ensinamentos de Jesus Cristo. E sim, ainda

existem por aí uns quantos abades com

sangue inocente debaixo das unhas. E não,

não foi assim há tanto tempo.

Não é preciso ir muito longe para perceber

o quão nociva é a captura de Estados por

instituições religiosas. Basta olhar para o

Médio Oriente para perceber isso mesmo.

Ou até para o papel dos fundamentalistas

evangélicos em governos como o de Bolsonaro,

onde a pastora evangélica e ministra

Damares Alves exigiu recentemente a prisão

imediata de todos os juízes do Supremo,

por estes não se vergarem as exigências

do presidente. A separação de poderes,

tal como a laicidade, é, para os fanáticos

religiosos, um alvo a abater.

Em Portugal, a investigação do jornalista

Miguel Carvalho para a revista Visão revelou

aquilo que muitos já desconfiavam:

o Chega recebe financiamento de líderes

evangélicos portugueses, muitos deles integrantes

das listas que o partido apresentou

às Legislativas. E, para além do financiamento,

o líder do partido é promovido

nos locais de culto como um messias que

desceu à Terra. Uma das evangélicas mais

influentes e politicamente activa no Chega,

Lucinda Ribeiro, faz publicações recorrentes

nas redes sociais, onde cultiva a islamofobia

e partilha notícias falsas que acusam

a esquerda de promover o incesto e a masturbação

dos filhos pelas mães. É neste patamar

de demência que estamos.

Esta ameaça, ainda silenciosa, representa

um sinal de alerta que não pode ser ignorado

por democrata algum, seja ele socialista,

liberal ou conservador. Por agora,

elegem como alvos homossexuais, feministas

e progressistas, amanhã virão atrás de

todos os que desafiarem a sua própria sharia.

Os exemplos que nos chegam de fora

são bem ilustrativos daquilo que representará

uma hipotética tomada do poder

pelo neofascismo evangélico. Será o fim da

democracia e da liberdade como a conhecemos.

Resta saber se ficaremos de braços

cruzados, com medo de proferir o nome

do Voldemort da política portuguesa, com

receio que isso lhe dê protagonismo, ou se

nos mobilizamos para os combater. Não

importa se votamos PSD ou PCP. Eles virão

atrás de todos nós. Todos. Se não lutarmos

pela laicidade do Estado e pela separação

de poderes, agora, estendemos um tapete

vermelho para a extrema-direita e para o

fundamentalismo religioso. Não podemos

permitir que isso aconteça.

(*) AVENTAR

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34

HUMOR

“Quem não sabe rir, não sabe viver”

Palavras e Presumíveis

Significados

BALATA -Insecto preto oriundo do Japão

BARACHAR -Encontrar local para matar

a sede

BARÃO -Bar muito grande

BARATEZA -Bar para pessoas sem

dinheiro

BARBAR -Bar para pessoas gagas

BARBASCO - Bar que se encontra na

fronteira Franco-Espanhola

BARBICHA -Este é só para Gay’s

BARBÍPEDE -Bar onde não podem entrar

pernetas

BARBUDA - Bar onde se pratica o

budismo

BARGANHAR -receber um botequim de

herança.

BAROCLÍNICO -Cafetaria de um hospital

BARRACÃO -proibir a entrada de

cachorro.

BATACHIM -SANTINHO !!!!!!!!!

BATELA -Ordem dada para se agredir

uma pessoa do sexo feminino

BELADONA -Mulher boa

BERIBÉRICO -Observar um nativo

português ou espanhol no Porto

BEZERRO -O mesmo que “Num be

nada!...”

BIBOCA -Pessoa que tem duas bocas

BIGAMIA -Acto de roubar duas vezes

BISBÓRRIAS - Ordem para cagá-las duas

vezes

BISCOITO -Acto sexual repetido

BLASFÉMIA -Eu nem sequer sabia que

havia BLASMACHO ....

BOLBO -Filial portuense da conhecida

marca de automóveis suecos

BOMBARATO -Não existe, ou é bom e

caro, ou barato e fraco

BORDADURA -Extremidades rijas

COMUNGUEI -relacionamento com um

homossexual.

CRETINO -nativo de Creta.

DEPAUPERADO -operado de fimose.

DESANUVIADO -a glória do gay.

DESBOTAR -quando a galinha bota dez

ovos.

DESDENTADAS -o mesmo que dez

mordidas.

DESVIADO -uma dezena de

homossexuais.

DETERGENTE -acto de prender

indivíduos suspeitos.

EDIFÍCIO - antónimo de “é fácil”.

EFICIÊNCIA -ciência que estuda a letra

“F”.

ENCURRALAR -o mesmo que esfolar o *

ENTREGUEI -estar cercado de

homossexuais.

ESFERA -animal selvagem já

domesticado.

ESPERTO -o mesmo que distante.

GENEROSA -factor genético da rainha

das flores.

HALOGÊNIO -forma de se cumprimentar

pessoas muito inteligentes.

HOMOSSEXUAL -sabão em pó para lavar

partes íntimas.

INTIMAÇÃO -o mesmo que carícias

sexuais.

MINISTÉRIO -aparelho de som de

tamanho reduzido.

MISSÃO -missa muito longa.

NEGATIVA -crioula muito trabalhadora.

NEGOCIANDO - crioulo entrando no cio.

PRESSUPOR -colocar preço em alguma

coisa.

SOLUÇÃO -forte soluço.

SUPERSTIÇÃO -crioulo muito forte.

TABELA -sinónimo de “estar muito

bonita”.

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ADIVINHAS

PASSATEMPO

SUDOKU

35

S o l u ç õ o

15- Poucos gostam de o ver

Quando anda em casa à solta

Porque só faz é roer

O que encontra à sua volta.

17- Sou um mestre na ciência

Meu saber é muito rico

Tudo dou, mas em essência

Com tudo na mesma fico.

18 -Tem um nome de pessoa

E também de capital

Ferramenta e sem ser Côa

É um rio de Portugal.

19 - Pensando diga depois

Que espécie d’analogia

Existe entre um par de bois

Médicos e freguesia?

20 -Sem ter nada de café

Ou qualquer bebida fina

Diga-nos lá o que é

Que mais cheira a cafeína?

S o l u ç õ o

16 – Rato

17 – Livro

18 – Lima

19 – Junta

20 – Nariz

CRUZADAS

Junho de 2020

Feriados e Datas Comemorativas

01 SEG Dia Mundial da Criança

02 TER Dia Internacional da Prostituta

03 QUA Dia Mundial da Bicicleta

04 QUI Dia Internacional das Crianças Inocentes

Vítimas de Agressão

05 SEX 2.º Eclipse Lunar Penumbral

05 SEX Dia Mundial do Ambiente

05 SEX Dia Internacional de Luta contra a Pesca

Ilegal, Não Declarada e Não Regulamentada

08 SEG Dia Mundial dos Oceanos

10 QUA Dia de Portugal

12 SEX Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil

14 DOM Dia Mundial do Dador de Sangue

15 SEG Dia Mundial da Consciencialização da Violência

contra a Pessoa Idosa

18 QUI Dia da Gastronomia Sustentável

19 SEX Dia Mundial do Malabarismo

19 SEX Dia Internacional para Eliminação da Violência

Sexual em Conflito

20 SÁB Início do Verão

20 SÁB Solstício de Verão

20 SÁB Dia Mundial do Refugiado

20 SÁB Dia Mundial da Produtividade

21 DOM Eclipse Solar Anular

21 DOM Dia Europeu da Música

21 DOM Dia do Relógio do Sol

23 TER Dia Internacional das Viúvas

24 QUA Dia Nacional do Cigano

26 SEX Dia Internacional da Luta Contra o Uso e

Tráfico Ilícito de Drogas

30 TER Dia Mundial das Redes Sociais

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36

LITERATURA

VCARMINDO

DE CARVALHO

Ghttps://www.

facebook.com/carmindo.

carvalho

TALVEZ SOMENTE NADA

( Reflexão )

Quem não se gasta a pensar, é que porventura é muito feliz!

Certamente que sente

As picadas no corpo, como toda a gente

Sente, mas não sente a tortura na mente.

Os outros que recusam esse estado

Amorfo, acomodado

Andam constantemente

Espicaçados por outra forma de estar.

Esta forma de tentar afastar

Essa maldição omnipresente

E omnipotente.

O ter de cair e tornar a levantar.

O tropeçar e continuar a caminhar.

O querer calar

O grito que teima

Em lhe sair do coração. Um, ainda vá lá! Talvez ainda

Se consiga abafar

Ou aguentar.

Mas por vezes são tantos

Os gritos, que dentro de mim gritam

Que tenho de os soltar.

Senão, certamente iria rebentar

Como balão insuflado de ar.

E nesse ar, feito em nada...

nada, talvez somente nada.

---------------------------

Por isso, é que um dia escrevi isto:

Evasão

“ Às vezes cavalgo no sopro

de liberdade que há no grito

e livre escapo ... “

CORSÁRIOS PIRATAS E INFANTES

DOM NUNO BARROSO

D’ ALÉMMAR

Corsários piratas e infantes

Deuses do sol resplandecente

Criadores de fronteiras distantes

Sagres do meu peito de sonhos

Cruz da ordem de Cristo

Marcada no templo do eterno

Cruzes aos ventos

guerras salgadas de outros tempos

Ladrões de diamantes em bruto

com dentes d'ouro e de prata

fruto de sorrisos e de aventuras

Somos piratas de Alémmar

Com sorrisos marcados de rugas de sal

Cicatrizes de espadas

vencedores e aventureiros

invasores de água cristalina

Cabelos longos e selvagens ao vento

Proa apontada ao fundo dos mares

Barba branca de água salgada

Poemas do sol do tempo

Guerreiros da lua do século passado

Espadas aos ventos e velas em proa em tempestades

de futuro do mundo

Fronteiras desventradas de mar Atlântico

Em África Ceuta e tanger

no sentido do vento e das marés

Margens de praias d amor

pescadores e marinheiros mercantis

Cruz vermelha voando aos 7 ventos

7 mares de mim

7 sonhos de cristo

O lugar destinado imprevisto dos ventos

Barlavento de mim és tu quem amo e para onde

um dia hei de voltar

Infante do futuro

Do passado e do futuro

Em marés d Henriques

De água Da Coragem

de libertar a garrafa

Caravelas a solta libertas de amarras vamos descobrir

e desventrar

O sonho e o templo

Vive em Porto gral

Astrologia das estrelas

Ursa maior

Do mundo dos deuses

Planetas distantes

Deuses feitos marinheiros

Do futuro de mim

Reis magos em desertos

de águas sem fim

Estrela polar do sonho

Astrolábio do sonhador

do sonho d sonhar...

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LITERATURA

37

O SÍMBOLO

ANTÓNIO MANUEL RI-

BEIRO (*)

Desde o passado dia 16/05

que não vos escrevo nada,

descrevendo o meu estado

de espírito. Passámos da

estranheza a novas incertezas

porque o rumo da vida,

amigos meus, mudou, mesmo

que façamos uma birra

monumental.

Tenho trabalhado como nunca,

quase sempre ‘pro bono’,

mas os artistas estão sempre

disponíveis para participar

e ajudar – se houver TV até

fazem fila. Estou azedo?

Também não, nem cínico, ao

fim de mais de 40 anos nesta

actividade – ainda marginal,

segundo alguns – já vi de

tudo. Ou talvez não, da vulgaridade

salta amiúde uma

nova surpresa.

Nos UHF preparamo-nos,

para voltar aos palcos, voltar

a gravar, começando pelos

ensaios. Mas ainda há incógnitas.

Como sou ácido a analisar o

espectro social – o Vernáculo

é um poema escrito e editado

em livro em 2006, não esqueçam

– não é só dos políticos

que quero falar. Também de

nós, os que pedem mais, os

que dizem que merecem, os

que se lamentam por tudo e

por nada.

Nunca me lamento, perante

a realidade menos apetecível

procuro uma saída. Cresci

assim nas quintas da colina

de Almada que leva ao Cristo-Rei.

De ramos de árvores

fiz arcos e flechas, machados

índios, espadas templárias.

Fugi da catequese, mas sou

crismado. Quando vi a guitarra

do Alvin Lee, já no Feijó,

construí uma (parecida, claro),

e pelo sonho de realizar

venci o vazio de não ter. Depois

aprendi só a ser o que sou

– um ser humano, não um ter

humano. Um SER – do verbo

nasce a acção.

Quando no dia 12/03 o PM

António Costa anunciou o

estado de emergência e confinamento,

com layoff simplificado,

um ror de empresários

(?) já não tinha dinheiro no

dia 13/03 para os ordenados

desse mês. Como?, interroguei-me.

E há cerca de um

mês, um banqueiro, à saída de

um encontro com o PR Marcelo,

anunciou que 30% das

empresas portuguesas vivem

os 12 meses do ano com saldos

negativos. Como?, repito

incrédulo. É isto próprio de

uma sociedade ocidental, moderna,

democrática e capaz?

Revela um modelo triste de xico-espertos

que não auguram

nada de bom para os dias que

se aproximam.

A foto é minha e guarda um

símbolo nacional, talvez de

uma farda de polícia, de bombeiro

ou afim. Foi-me oferecida

no final do concerto dos

UHF na Ilha Terceira, freguesia

de Santa Bárbara, no dia

29 de Agosto de 2019. Estava

eu a dar uns autógrafos, quando

um homem na casa dos 40

se chegou a mim e me deu o

símbolo da fotografia, acrescentando:

“Tome, é você que

merece isto”, e desapareceu

como chegou.

Vaidade minha? Não, um facto

que guardei até hoje, porque

há mais do que se vê nesta

viagem itinerante de cantar

português em Portugal.

AMR - (UHF)

ESTE FILME

ANTÓNIO MANUEL

RIBEIRO

Marionetas de pau santo

Num bailado quase louco

Personagens por um fio

Portugueses sem confronto.

Um intruso, dois heróis

E uma feia muito bela

Um enredo que nos mói

Prisioneiros nesta tela.

E o filme é, o filme é

Aguentar sempre de pé.

E as cinzas do Império

Tão humildes a preto e branco

Usurpadas à mão cheia

No silêncio do rebanho.

Com a fauna a entoar

Cantos cisne pela noite

Extravagâncias que nos sobram

Como risos dc coiotc.

E o filme é, o filme é

Aguentar sempre de pé.

Esta raiva que eu sinto

No silêncio que ecoa

Esse ódio tão passivo

Tão sublime que sufoca.

Este filme dia a dia

A morrer entre mãos

Esta glória empoeirada

Fado velho da nação.

E o filme é, o filme é

Aguentar sempre de pé.

in Todas as faces de um rosto

AMR - (UHF)

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38

HORÓSCOPO

RV - JOANA ARAÚJO

(*)

Carneiro

Este é um momento do ano importante

para decisões em assuntos financeiros e

também na definição de prioridades materiais.

Evite que o consumismo desequilibre

planos nestes temas. Período importante

para mudança de postura nas relações,

principalmente em sociedades que possua

e também junto a quem tem maior vínculo

afectivo. É propenso a reorganizar planos

que envolvam estudos, viagens ou actividade

que programou.

Touro

Com o Sol no seu signo, começa o ano

novo astrológico pessoal, o que favorece

decisões e reconhecimento nos seus objectivos.

Tendências a lidar com revisões

antes de dar rumo em metas. Dobrar a

atenção a impulsos em temas materiais

será essencial. Retomar relações e conversas

com vínculos especiais fará muito bem

durante o período. Até mesmo algumas relações

mais difíceis são propensas a serem

retomadas para entendimento. Momento

especial para reconhecimento nas questões

profissionais.

Gémeos

Este é um momento do ano propenso a

desgastes e certa introspecção, especialmente

antes do aniversário. Regente do

seu signo, Mercúrio retoma movimento

directo no início de Junho, um período especial

para revisões em temas materiais,

estudos e trabalho. Ocasiões de lazer, terapia,

crenças e espiritualidade ajudarão

a recarregar energias. Atente-se para não

ser radical na comunicação, principalmente

com amizades ou grupos que tenha vínculo.

Evite intervir mais do que deve em

assuntos do par ou se portar de maneira

individualista na vida amorosa.

Caranguejo

Está mais propenso a envolver-se em situações

ligadas a grupos, especialmente

no trabalho ou causa especial. Algumas

variações marcarão o ambiente de trabalho,

área a qual tomará dedicação para

revisar assuntos e lidar com ajustes. São

maiores as tendências para retomar contacto

com amizades e costumes especiais

com pessoas que tem consideração. Aliás,

é um momento para melhor percepção da

conduta junto dos amigos em geral. Um

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cuidado com o corpo e a saúde será mais

frequente.

Leão

São maiores as chances de lidar com novas

metas e responsabilidades na área profissional.

Há tendências para divergências de

pensamento no trabalho, o que pode ser

amenizado se agir com diplomacia e paciência

diante das relações. Propensões

a retomar temas associados a amigos e

também relacionados a grupos, vínculos

capazes de proporcionar mudança de postura

significativa na condução de certos

assuntos. Período com mais chances para

retomar momentos sociais e diversões que

há tempos não desfruta.

Virgem

Propensões a mudar costumes que preza

ou mesmo lidar com inovações que precisará

aceitar no seu quotidiano e mesmo

no trabalho. Uma lentidão será frequente

na resolução de assuntos profissionais

e materiais ao longo do período mensal.

Tendências a decisões importantes envolvendo

interesses a longo prazo. Momento

para retomar conhecimentos e actividades

culturais que tragam prazer.

Balança

Este é um momento do ano em que pesquisas

serão importantes diante de assuntos

financeiros ou que envolva qualquer

parceria material e de negócios. Há

tendências a contratempos nas finanças e

necessidade de ajustes com planos que as

envolvam. Temas profissionais recomendam

mais observação e estratégia antes

de decisões para interesses a longo prazo.

Escorpião

Vivemos o período do Sol em Touro, seu

signo oposto, o que recomendará atenção

com decisões em conjunto ou que reflictam

junto a outras pessoas. Evite se doar

mais do que deve a problemas e questões

de quem convive. Momento do ano para

repensar parcerias, sejam elas profissionais

ou de negócios. A reaproximação de

pessoas ou mesmo de vínculos sociais são

tendências durante este período. Temas

materiais terão chances para novos rumos

ou lentidão em alguma decisão. Mudanças

de ritmo em sua rotina e cuidados extras

à saúde serão mais frequentes. Na vida

afectiva, propensões a rever posturas, retomar

assuntos e ter nova etapa em situações

a dois.

Sagitário

Variações no ritmo de sua rotina são propensas

no período mensal, o que recomenda

atenção especial com desgastes físicos

e mentais. Valorizar hábitos simples fará

diferença para recompor energias. Será

mais frequente envolvimento com novas

metas, desafios e trato sobre parcerias

em temas profissionais. Marte ingressa

em Gémeos, seu signo oposto, condição

importante para conversas mais francas e

atenção dobrada para não querer resolver

assuntos de maneira individualista, especialmente

relacionados a quem tem vínculo

afectivo.

Capricórnio

Tendências a dosar situações de envolvimento

social com algumas reclusões. Compensar

desgastes com mais ocasiões de

lazer e diversões que há tempos não aproveita

será bem-vindo. Época para recompor

energias com cuidados ao corpo, atenção

a estudos, momentos “zen”, terapias e

temas espirituais. Momento para revisões

e criatividade nas decisões profissionais,

bem como em actividades autónomas.

Aquário

Momento do ano para esclarecer antigos

assuntos e tomada de decisões com base

em algo que deu certo no passado, especialmente

no trabalho. Período em que

nostalgias e lembranças são propensas a

trocá-los, principalmente junto aos familiares,

com os quais dedicará atenção especial.

A retomada de vínculos com grupos,

amigos e pessoas também marcará este

período, bem como uma alteração de sua

parte na postura diante de algumas destas

relações.

Peixes

O empenho a estudos e a actividades culturais

será mais frequente e pode alternar

sua rotina neste período mensal. A comunicação

e a troca de ideias serão fundamentais

nas relações de trabalho, mesmo

que para isso tenha que ignorar divergências.

Atente-se com boatos e seja paciente

com a lentidão de alguns assuntos, ainda

que a ansiedade por decidir algo seja grande.

Papéis, documentos e escritos tomarão

empenho para ajustes e revisões em interesses

materiais.

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40

ÚLTIMA

A EMERGÊNCIA DE UM NOVO MUNDO

Uma oportunidade única

NELSON S LIMA (*)

O coronavírus provou ser um teste

de liderança maior do que o 11 de

Setembro e a crise financeira combinada,

um choque sério que destruiu

suposições complacentes de que o

progresso sempre se move “para

cima e para a direita”. A evolução,

tanto biológica quanto civilizacional,

é um processo muito mais casual e

indeterminado.

Estamos no meio de um “furacão” que

estendeu os seus efeitos por todo o mundo

e uma nova palavra se juntou à “incerteza”:

o “inesperado”. O inesperado,

que é a causa número um da incerteza,

tornou-se mais premente do que antes.

Em todos os momentos podemos ser surpreendidos

com acontecimentos inesperados

e muitos deles absolutamente

impensáveis e difíceis de entender e assimilar

(os nossos padrões mentais são

lentos a mudar). Isto torna a informação

e o conhecimento nas principais ferramentas

para enfrentarmos tudo o que

nos espera e que ainda ignoramos. Com

mais informação e mais conhecimento

ficamos melhor preparados para as surpresas

e para resolver muitas delas.

O conhecimento é, definitivamente, uma

força impressionante (“o conhecimento

é poder”, já havia percebido o filósofo

inglês Thomas Hobbes, na transição do

século XVI para o XVII) e que está ao alcance

de quem o desejar aplicar.

(*) Neuro-cientista

Junho 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU

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