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*Junho/2020 Revista Biomais 39

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Alternativa válida: As vantagens dos biocombustíveis, por Emerson Martin

OLHAR PARA O AMANHÃ

RECUPERAÇÃO ECONÔMICA PASSA

PELA ENERGIA RENOVÁVEL

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ENERGIA LIMPA

ESTADOS UNIDOS

DIVERSIFICAM MATRIZ

BIOGÁS

PARANÁ INVESTE NO SETOR


SUMÁRIO

06 | EDITORIAL

Bases sólidas

08 | CARTAS

10 | NOTAS

16 | ENTREVISTA

20 | PRINCIPAL

26| PELO MUNDO

A vez da energia limpa

30| CASE

Meta sustentável

34| ECONOMIA

A força da energia solar

38| BIOENERGIA

42 | ARTIGO

48 | AGENDA

50| OPINIÃO

A energia solar, o coronavírus

e a recuperação econômica

04 www.REVISTABIOMAIS.com.br


EDITORIAL

Estampa a capa desta edição montagem

alusiva ao desenvolvimento da energia

eólica sustentável no Brasil

BASES

SÓLIDAS

V

ivemos tempos difíceis, mas inegavelmente são em períodos de incerteza que surgem grandes

oportunidades. E, claro, o próximo passo pós-pandemia passa obrigatoriamente pelo

desenvolvimento sustentável e pelo setor de energias renováveis. Por isso, nessa edição da

REVISTA BIOMAIS, abordamos como o setor pode alimentar a recuperação econômica assim

que a crise do coronavírus passar. Também falamos sobre a força da energia solar e trazemos boas novas:

no dia da energia eólica o Brasil completa 16 GW de capacidade instalada. Por fim, conversamos com o

professor Emerson Martin, que explica a importância da utilização de energia limpa no lugar de combustíveis

fósseis e quais são as vantagens de se optar pelo etanol em detrimento de materiais mais tradicionais.

Tenha uma excelente leitura!

EXPEDIENTE

ANO VII - EDIÇÃO 38 - JUNHO 2020

Diretor Comercial

Fábio Alexandre Machado

(fabiomachado@revistabiomais.com.br)

Diretor Executivo

Pedro Bartoski Jr

(bartoski@revistabiomais.com.br)

Redação

Murilo Basso

(jornalismo@revistabiomais.com.br)

Dep. de Criação

Fabiana Tokarski - Fabiano Mendes - Supervisão

Crislaine Briatori Ferreira

(criacao@revistareferencia.com.br)

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Dep. Comercial

Gerson Penkal,

Tainá Carolina Brandão (comercial@revistabiomais.com.br)

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A REVISTA BIOMAIS é uma publicação da

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A REVISTA BIOMAIS - é uma publicação bimestral e independente, dirigida aos

produtores e consumidores de energias limpas e alternativas, produtores de resíduos

para geração e cogeração de energia, instituições de pesquisa, estudantes universitários,

órgãos governamentais, ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/

ou indiretamente ligados ao segmento. A REVISTA BIOMAIS não se responsabiliza por

conceitos emitidos em matérias, artigos, anúncios ou colunas assinadas, por entender

serem estes materiais de responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução,

apropriação, armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos

textos, fotos e outras criações intelectuais da REVISTA BIOMAIS são terminantemente

proibídas sem autorização escrita dos titulares dos direitos autorais, exceto para fins

didáticos.

REVISTA BIOMAIS is a bimonthly and independent publication, directed at clean alternative

energy producers and consumers, producers of residues used for energy generation and

cogeneration, research institutions, university students, governmental agencies, NGO’s, class

and other entities, directly and/or indirectly linked to the Segment. REVISTA BIOMAIS does

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CARTAS

PELO MUNDO

Ótima reportagem sobre como a África busca soluções para crise energética. Que mais nações

em desenvolvimento possam se inspirar nesse exemplo!

Carlos Tavares – Goiânia (GO)

Foto: divulgação

ENTREVISTA

Excelente conversa com o pesquisador Tony Reames. É preciso, cada vez mais, democratizar o acesso à energia.

Carlos Macedo – Manaus (AM)

PEQUENO PASSO

Mesmo que se trate de um dos maiores poluidores do mundo, é fundamental saber que a China tenta reduzir as

emissões de carbono – mesmo assim, as outras nações precisam ficar atentas e monitorar a situação no país asiático.

Josias Cardoso de Souza – Recife (PE)

BONS EXEMPLOS

Histórias como a da Costruzioni Nazzareno, de empresas que priorizam os clientes e se

mantêm firmes após anos e anos, são inspiradoras para aqueles que estão começando a

empreender. Continuem trazendo esses cases!

Luísa Karpinski – São Paulo (SP)

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informação

biomassa

energia

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NOTAS

ALTERNATIVA NA

PRODUÇÃO DE BIODIESEL

Estudo desenvolvido na Ufpr (Universidade Federal

do Paraná) mostra que o descarte correto do óleo vegetal

pode ser um aliado interessante na produção de biodiesel.

Infelizmente, ainda é comum o descarte incorreto do

produto, que muitas vezes é jogado diretamente na rede

de esgoto. Segundo a pesquisa, existe a possibilidade de

adequação do óleo residual para a produção do biocombustível.

Os pesquisadores lançaram mão de métodos

físicos e químicos para avaliar os parâmetros estabelecidos

no estudo, como acidez, pH (potencial hidrogeniônico)

e massa específica. Para utilização do óleo residual, o

produto precisou ser purificado para que suas características

ficassem desejáveis para a produção do biodiesel. De

acordo com os pesquisadores, o Brasil possui potencial

gigantesco para a produção de biocombustível a partir

do óleo de soja, produto que está presente na cozinha de

todos os lares do país.

Foto: divulgação

BIOGÁS FORTALECIDO

Com o objetivo de ampliar a oferta de energia limpa, com

foco na sustentabilidade, o Governo do Paraná tem buscado desenvolver

ações conjuntas com entidades especializadas a fim

de fortalecer a cadeia produtiva de biogás no estado. Em abril,

foi firmada a primeira parceria nesse sentido, entre o Tecpar

(Instituto de Tecnologia do Paraná) e o CIBiogás (Centro Internacional

de Energias Renováveis). Junto com a Copel, o CIBiogás é

corresponsável pela central termelétrica de Entre Rios do Oeste,

que começou a funcionar em 2019. Trata-se da primeira planta

do Brasil a transformar dejetos suínos em biocombustível. O

objetivo da parceria é estruturar um laboratório para certificação

de biocombustíveis no Paraná, espaço onde seria possível

avaliar, orientar e certificar a origem do combustível renovável

produzido no estado. Também estão previstos workshops

temáticos envolvendo as equipes das duas instituições e

organizações parceiras, além de visitas técnicas em projetos de

referência em produção e uso de biometano.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

POTENCIAL DA SOJA

Nos dias 2 e 3 de setembro de 2020, será realizado em Goiânia (GO),

o Congresso Internacional de Biomassa. O encontro tem como objetivo

divulgar pesquisas acadêmicas de peso na área, de modo a fomentar a

inovação. Um desses trabalhos foi desenvolvido a partir do resíduo da

soja, que sobra durante a colheita. O estudo identificou que o material

pode ser utilizado para gerar energia limpa, vez que a planta possui alto

potencial calorífico. Dessa forma, poderia haver reaproveitamento para

gerar energia para as propriedades rurais que cultivam a planta. Eventuais

aviários também poderiam ser abastecidos. A biomassa representa

importante alternativa econômica para quem trabalha no campo, além

de ser ambientalmente correta ao óleo diesel comumente utilizado.

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HOLANDA SUSTENTÁVEL

Relatório desenvolvido pela PBL (Agência Holandesa de Avaliação Ambiental)

e divulgado recentemente concluiu que o país deverá incluir a produção de

biomassa em seu portfólio caso queira atingir as metas propostas pelo governo

para diminuir a emissão de gases poluentes. Segundo a agência, apenas painéis

solares e usinas voltadas à produção de energia eólica não darão conta de cumprir

os objetivos propostos. A PBL afirma que a biomassa possui um papel importante

na efetivação da economia circular, que contribuiu para o desenvolvimento

sustentável. A Holanda é considerada por muitos especialistas o país do futuro

por conta de ações que buscam preservar o meio-ambiente, como o incentivo

ao uso da bicicleta como meio de transporte e o desenvolvimento de técnicas de

agricultura sustentável, com utilização reduzida de água e de pesticidas.

Foto: divulgação

EXPANSÃO

Presente no Mercosul desde 2011, a SSM

Solar do Brasil, uma das maiores fabricantes

de estruturas de fixação para sistemas solares

fotovoltaicos do país, decidiu expandir

suas instalações ao redor do globo. A empresa

afirmou ter planos de aumentar, nos

próximos anos, sua produção em relação

às estruturas metálicas, além de investir em

inovação e tecnologia. A SSM Solar do Brasil

produz e distribui estruturas de fixação para

projetos renováveis, tendo como meta levar

soluções sustentáveis para a produção de

energia limpa. Os projetos são desenvolvidos

e modulados de acordo com a solicitação

de cada cliente. Seus produtos são

baseados na inovação, alto desempenho e

qualidade. A empresa também tem como

objetivo fortalecer e valorizar o desenvolvimento

tecnológico da indústria brasileira.

UNIÃO DE FORÇAS

Duas empresas japonesas vão construir um projeto híbrido de energia renovável

no Camboja, país do sudeste asiático, com o objetivo de produzir energia

elétrica. O sistema vai unir a produção de biomassa à energia solar e deve

ficar pronto em 2021. Serão utilizadas cascas de arroz, alimento produzido em

abundância na região e bastante representativo economicamente, como combustível.

O investimento está orçado em US$ 3,7 milhões. A planta foi projetada

de modo a produzir mais de 1.500 kw (kilowatts) de energia. O projeto também

vai contar com subsídio do governo japonês. Atualmente, o gasto com eletricidade

é um dos principais desafios enfrentados pelo setor de arroz no Camboja.

A iniciativa vai ajudar a reduzir esses custos de forma significativa.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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NOTAS

MAIS CONHECIMENTO

O projeto GEF Biogás Brasil, que é implementado pela Unido (Organização das

Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial), lançou em maio o “Curso de Fundamento

do Biogás”, que é gratuito e remoto. São 40h (horas) de conteúdo abordando os

mais importantes aspectos da produção e do uso do biogás para geração de energia

elétrica e térmica, além da conversão em biometano, que pode ser usado como combustível

para veículos, como gás industrial e que pode até mesmo ser injetado na rede

de gás natural. O público-alvo são profissionais que atuam ou desejam atuar no setor

de energia renovável e também estudantes interessados na temática. Os inscritos têm

até 90 dias para finalizar o conteúdo. O curso dá direito a certificado, emitido após o

término das aulas e realização das avaliações pelo aluno. Interessados podem se inscrever

até dezembro de 2020. Mais informações: www.nacoesunidas.org.

Foto: divulgação

CANA

GENETICAMENTE

MODIFICADA

Os testes em campo da cana BtRR

estão em fase final. Trata-se de variedade

geneticamente modificada de

cana-de-açúcar, desenvolvida nos

laboratórios da Embrapa Agroenergia,

no Distrito Federal, em parceria com a

startup PangeiaBiotech. A variedade

une dois modos de ação para garantir

resistência à broca-da-cana, praga que

afeta os canaviais, e ao herbicida comercial

glifosato, usado no controle de

plantas invasoras. “O grande diferencial

dessa tecnologia é a expressão de duas

proteínas bioinseticidas em toda a

extensão da planta, tóxicas para insetos

suscetíveis, mas inócuas para outros

organismos”, explica Hugo Molinari, pesquisador

da Embrapa e líder do projeto.

Os resultados têm sido positivos.

ENERGIA RENOVÁVEL

Segunda maior produtora de petróleo no país, atrás somente da Petrobrás, a

Shell Brasil deu seu primeiro passo na geração de energia renovável. Está sendo

analisado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) o pedido de outorga

de três usinas solares fotovoltaicas em Brasilândia de Minas (MG). A empresa

pretende construir três parques – Aquarii 1, 2 e 3 –, com capacidade instalada

de 50 MW cada. Em compromisso com a sua matriz, a Shell Brasil quer alcançar a

neutralidade de carbono em 2050. A empresa produz, em média, 441,7 mil barris

por dia de óleo. Devido à pandemia do coronavírus, o setor do petróleo enfrenta

um verdadeiro colapso, já que o isolamento social levou à redução do consumo.

Trata-se da pior crise em um século. Em abril, o preço caiu de forma vertiginosa.

Foto: divulgação Foto: divulgação

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GIGANTE

Na primeira quinzena de maio, o governo dos EUA

(Estados Unidos da América) aprovou a construção do

maior projeto solar de sua história. A iniciativa consiste

numa planta de 690 MW (megawatts) e instalações

auxiliares na região de Las Vegas, no oeste do país. Batizado

de Gemini, o projeto tem investimento estimado

em US$ 1 bilhão e seria a oitava maior usina do gênero

no planeta. A construção deve ser dividida em duas

fases: uma para ser finalizada em 2021 e outra com

previsão de conclusão para 2022. A expectativa é de

que a planta gere eletricidade suficiente para abastecer

260 mil casas. A iniciativa sinaliza a energia solar como

parte dos planos de recuperação econômica pós-crise

do coronavírus. Em 2020, os EUA devem registrar mais

energia produzida a partir de fontes renováveis do que

por carvão, que há uma década era responsável por

metade da produção de eletricidade no país.

Foto: divulgação

ÁLCOOL EM GEL

O projeto coordenado pelo ISI Biomassa (Instituto Senai de

Inovação em Biomassa), localizado em Três Lagoas (MS), que busca

fórmulas alternativas para a produção de álcool em gel sem necessidade

do espessante cabopol já apresenta resultados. O cabopol

é uma das matérias-primas utilizadas na fabricação do produto

e se encontra em falta no mercado. Os pesquisadores elencaram

oito potenciais espessantes, que agora precisam ter sua eficácia

comprovada. A iniciativa foi aprovada no Edital de Inovação para

a Indústria na categoria: Missão Contra Covid-19. O álcool gel 70%

é um dos principais aliados na prevenção ao coronavírus, vez que

é utilizado na assepsia das mãos. Serão investidos R$ 2,6 milhões

no projeto, financiados pelo Senai Nacional, Embrapii (Empresa

Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) e pela Abdi (Agência

Brasileira de Desenvolvimento Industrial).

Foto: divulgação

Imagem: reprodução

FENASUCRO &

AGROCANA É

ADIADA PARA 2021

Realizada em Sertãozinho (SP), a Fenasucro

& Agrocana, principal evento de Bioenergia

Sucroenergética do mundo, anunciou recentemente,

que a edição 2020 foi adiada para

17 a 20 de agosto de 2021. "A escolha de adiar

o evento acontece diante da análise de um

cenário atípico e ainda altamente imprevisível, tendo como principais objetivos resguardar a saúde e a integridade de visitantes,

expositores e parceiros, assim como responder de forma adequada aos impactos econômicos da pandemia, que afeta indiscriminadamente

todos os setores da economia", informaram as empresas organizadoras em comunicado enviado aos clientes. Enquanto

se prepara para uma feira ainda melhor para o ano que vem, a organização do evento trabalha para proporcionar aos expositores e

visitantes da Fenasucro & Agrocana oportunidades de interação em formato digital.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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NOTAS

BIOGÁS INDIANO

O ministro de Petróleo e Gás Natural da Índia, Dharmendra

Pradhan, afirmou recentemente que o governo do país está

explorando alternativas financeiras globais a fim de implementar

projetos de biogás comprimido (CBG). O objetivo é reduzir

as importações de petróleo de que o país depende. O governo

indiano objetiva abrir 5 mil usinas de biogás no país, com investimento

de US$ 24 bilhões. De quebra, as autoridades pretendem

que o subproduto das usinas contribua para o crescimento

da agricultura orgânica na localidade. Uma das principais fontes

de poluição atmosférica da Índia é a queima de palha e restolho

da safra anterior de arroz, a fim de preparar o solo para novas

plantações. As usinas de biogás permitirão aos agricultores a

eliminação dessas práticas.

Foto: divulgação

BIOMASSA NO TOPO

Relatório recente divulgado pelo governo do Reino

Unido mostrou que a parcela de energias renováveis na

região atingiu um recorde de 36,9% em 2019. As estatísticas

demonstraram registro de 119 TWh (terawatts-hora)

de eletricidade gerada a partir de fontes renováveis. A

geração a partir de fontes de bioenergia atingiu recorde

de 36,6 TWh, um aumento de 5,2% em relação a 2018. A

geração de bioenergia foi impulsionada pela reabertura da

usina de Lynemouth, no nordeste da Inglaterra, como uma

instalação movida a biomassa no final do ano retrasado,

de acordo com o Departamento de Negócios, Energia e Estratégia

Industrial do Reino Unido. Originalmente, a planta

operava a carvão.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

COGERAÇÃO

Levantamento mensal da Cogen (Associação da

Indústria de Cogeração de Energia), referente a junho de

2020, apontou que a cogeração de energia elétrica em

operação comercial no Brasil já conta com 634 usinas, o

que representa 18,8 GW (gigawatts) de capacidade instalada,

mais de 10% da matriz elétrica nacional. Do total,

62% são oriundos da combustão a partir da biomassa da

cana-de-açúcar. O Estado que lidera o ranking nacional

é São Paulo, com 221 usinas e 6.967 MW (megawatts)

instalados, correspondendo a 36,05% do total nacional.

Em seguida vem o Mato Grosso do Sul, com 28 usinas e

1.836 MW, 9,87% do total do país. Quanto aos setores industriais

que mais utilizam a cogeração de energia estão

o sucroenergético, papel e celulose e petroquímico.

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ENTREVISTA

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ENTREVISTA

EMERSON

MARTIN

Formação: Doutor em Engenharia

Química pela Universidade Estadual de

Campinas

Cargo: Coordenador da pós-graduação

de Engenharia de Energias Renováveis da

PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica

do Paraná)

A VEZ DOS

BIOCOMBUSTÍVEIS

A

pandemia do coronavírus levou as pessoas ao isolamento social e, consequentemente, reduziu os

índices de poluição atmosférica. Menos carros na rua, menos emissão de gases. A expectativa de

especialistas do setor é que a situação acenda um alerta na sociedade sobre a necessidade de se

investir cada vez mais em biocombustíveis, fontes de energia de caráter renovável. Em entrevista,

o engenheiro químico Emerson Martin explica a importância da utilização de energia limpa no lugar de combustíveis

fósseis e quais são as vantagens de se optar pelo etanol em detrimento de materiais mais tradicionais.

Martim é professor titular e coordenador dos cursos de graduação em Engenharia Química e Engenharia

de Alimentos, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Na instituição, também coordena a pós-graduação

de Engenharia de Energias Renováveis. Confira:

16 www.REVISTABIOMAIS.com.br


O isolamento social promovido para conter o

avanço do coronavírus reduziu a poluição. Esse

fato pode acender um alerta nas pessoas sobre a

necessidade de deixar os combustíveis fósseis de

lado e investir cada vez mais em energia limpa?

Com a diminuição do fluxo de veículos, a

emissão de gases à atmosfera também diminui.

Consequentemente, a poluição do ar é reduzida. Ao

mesmo tempo, com o isolamento social, as pessoas

ficam mais em casa, aumentando o consumo de

energia – com a utilização de aparelhos de ar condicionado,

por exemplo. É de se pensar em outras

formas de geração de energia, tais como a energia

solar e a energia eólica, que são inesgotáveis e limpas.

É preciso que se invista no setor, tanto por parte

do consumidor, quanto pelo Estado.

Existe algum tipo de incentivo fiscal no Brasil

hoje para empresas que utilizem energias renováveis?

Muito embora ainda bastante tímidos, há programas

do Governo Federal nesse sentido, como o Padis

(Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico

da Indústria de Semicondutores e Displays), o

Reidi (Regime Especial de Incentivos Para o Desenvolvimento

da Infraestrutura) e o Repes (Regime Especial

de Tributação para a Plataforma de Exportação

de Serviços de Tecnologia da Informação). Também

há convênios para isenção de Icms (Imposto sobre

Circulação de Mercadorias e Serviços), na esfera

estadual, no sentido de ampliar as pesquisas para

desenvolvimento, infraestrutura e inovação relativos

a outras fontes de energia renováveis.

O etanol é realmente competitivo em relação

à gasolina?

Quando comparamos os preços de produção

do etanol, teoricamente mais caros, em relação à

gasolina, não se deve ignorar os aspectos de empregabilidade,

econômicos e de qualidade ambiental.

Do ponto de vista social, o etanol gera 3,4 empregos

por barril/dia, enquanto o petróleo gera 0,06. Com

o etanol, há uma significativa redução de níveis de

poluição atmosférica, como a carga de monóxido

de carbono emitido à atmosfera, por exemplo. Além

disso, o etanol é uma fonte de energia renovável,

diferentemente da gasolina, proveniente de um

combustível fóssil e não renovável.

Por que se especializar em biocombustíveis

hoje?

Os biocombustíveis, mais especificadamente o

etanol, foram a alternativa encontrada pelo governo

brasileiro nos anos 1970 e 1980 frente às crises do

petróleo. Foi criado, na época, o Proálcool (Programa

Nacional do Álcool). Com investimento e pesquisas,

o Brasil é até hoje líder na produção mundial desse

combustível, sendo um importante item na matriz

energética nacional na atualidade. Houve muita evolução

no setor: temos os carros com motor total flex

e o etanol é adicionado à gasolina, em torno de 20%.

Por sermos um país com grande potencial agrícola,

há espaço para produzirmos outros biocombustíveis,

além do etanol a partir da cana-de açúcar. Pode-se

citar a produção de etanol a partir do milho – já há

unidades em funcionamento na região centro-oeste,

inclusive – e a produção de biodiesel a partir de

várias oleaginosas, como soja, dendê, girassol, mamona,

entre outras. Pequenas propriedades também

podem produzir biogás.

Com investimento

e pesquisas, o Brasil

é até hoje líder na

produção mundial de

biocombustíveis

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PRINCIPAL

O FUTURO DA

ENERGIA RENOVÁVEL

PÓS-PANDEMIA

FOTOS DIVULGAÇÃO

SETOR PODE

ALIMENTAR A

RECUPERAÇÃO

ECONÔMICA

ASSIM QUE

A CRISE DO

CORONAVÍRUS

PASSAR

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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PRINCIPAL

A

crise causada pelo coronavírus fez muitas

autoridades do planeta inteiro decretarem

o isolamento social como medida para

conter o avanço da doença. Com a menor

circulação de veículos, foi verificada, consequentemente,

uma redução na poluição ao redor do mundo.

Relatório da Nasa mostrou queda considerável no

índice de poluição na China entre os meses de janeiro

e fevereiro, quando o país estava em lockdown. Já na

Itália, dados da Agência Espacial Europeia referentes a

março, mês em que a nação atingiu o pico da doença,

mostraram enorme redução de dióxido de nitrogênio,

gás produzido com a queima de combustíveis fósseis.

Em São Paulo (SP), a mancha de poluição na região

metropolitana da capital diminuiu na primeira semana

de abril, em comparação ao mesmo período em 2019.

Apesar do momento difícil, não se pode negar que

os dados em relação ao meio-ambiente são animadores.

Mas serão suficientes para causar maior conscientização

na sociedade e fomentar o crescimento

do mercado de energia renovável? É preciso ressaltar

que a enorme queda na demanda de eletricidade e de

transporte derrubou os preços do petróleo e do gás

a mínimos históricos, o que fez também com que as

empresas de combustíveis fósseis tivessem de lutar

para encontrar espaço de armazenamento suficiente

para alocar enormes quantidades de produto.

O diretor-geral da Irena (Agência Internacional

para as Energias Renováveis), instituição intergovernamental

voltada a promover o uso desse tipo de

energia, Francesco La Camera, afirma que os líderes

globais devem aproveitar a oportunidade para

projetar pacotes de recuperação econômica voltados

a acelerar a mudança na direção da energia eólica e

solar ao invés de continuar sustentando a economia

de combustíveis fósseis, principais responsáveis pela

poluição quando queimados.

“A única coisa que devemos temer é que os

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PELO MUNDO

A VEZ DA

ENERGIA LIMPA

FOTOS DIVULGAÇÃO

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ESTADOS UNIDOS DA

AMÉRICA TERÃO MAIS

ENERGIA PRODUZIDA POR

FONTES RENOVÁVEIS DO QUE

POR CARVÃO EM 2020

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

27


PELO MUNDO

E

m 2020, pela primeira vez na história, os EUA

(Estados Unidos da América) devem registrar

mais produção de eletricidade a partir de

energia renovável do que a partir do carvão,

informa a Energy Information Administration, agência

do governo do país responsável por coletar, analisar

e disseminar informações sobre energia. A drástica

redução está ligada à crise causada pela pandemia do

coronavírus e deve promover reflexos profundos na

luta contra a mudança climática.

O carvão é o mais poluente dos combustíveis

fósseis. Desde 2005, a redução no uso dessa modalidade

de energia nos EUA reduziu em 15% a emissão de

dióxido de carbono no país. A previsão do governo é

que, neste ano, as emissões caiam outros 11%, o que

seria a maior queda em, ao menos, 70 anos.

O Covid-19 está empurrando os produtores de

carvão para uma crise nunca vista antes. O isolamento

social levou fábricas, lojas, restaurantes e complexos

de escritórios a fechar suas portas temporariamente

para evitar a disseminação do vírus, já que, atualmente,

os EUA são o epicentro mundial da doença.

Consequentemente, o consumo e demanda por

eletricidade caiu de forma drástica. Pelo fato de as usinas

de carvão serem mais custosas de operar do que

as usinas que produzem energia a gás ou a partir fontes

renováveis, muitas empresas de serviços públicos

optaram por cortar a energia produzida pelo carvão.

Ter mais energia produzida a partir de fontes renováveis

do que a partir do carvão é algo que parecia

impossível no país até uma década atrás, quando o

material era responsável por gerar quase metade da

eletricidade dos EUA.

Professor de engenharia civil e ambiental na

Universidade Rice, no Texas, Daniel Cohan, diz que o

cenário está mudando mais rápido do que até mesmo

os mais otimistas poderiam imaginar.

“Há uma década, ensinava a meus alunos que o

carvão era a fonte básica de energia, que funcionava

o tempo todo, e que a energia solar era algo que até

Relatório divulgado

pela Energy Information

Administration mostra que

o consumo total de carvão

vai cair cerca de um quarto

nos EUA em 2020

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META

SUSTENTÁVEL

FOTOS DIVULGAÇÃO

INTEL SE COMPROMETE A

DEPENDER APENAS DE ENERGIA

RENOVÁVEL ATÉ 2030

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31


CASE

A

Intel, gigante da tecnologia, anunciou em

maio uma meta ousada e bastante sustentável,

que implica na redução drástica

da emissão dos gases do efeito estufa. Até

2030, a empresa quer depender somente de energia

renovável e acabar com o envio de resíduos a aterros

sanitários em suas operações globais de fabricação. O

compromisso foi estabelecido no Relatório Anual de

Responsabilidade Corporativa da empresa.

No documento, a Intel também comunicou que

muitas das metas estabelecidas para 2020 foram atingidas.

Atualmente, a companhia recicla mais de 90%

do seu lixo e praticamente não envia mais resíduos

perigosos a aterros. A quantidade de gases de efeito

estufa emitidos na fabricação caiu cerca de 30% desde

2010. Ainda, em relação à água, a Intel reduziu seu

consumo em 38%, o que representa uma economia

de 44 bilhões de galões na última década, de acordo

com a empresa.

A companhia tem planos para reduzir outros 10%

do CO2 (dióxido de carbono) oriundo de suas fábricas

gerado pelo uso de eletricidade. Em 2019, essas emissões

totalizaram 2,79 milhões de toneladas métricas

do gás, o que representa uma quantidade menor do

que uma usina de carvão consegue bombear em um

ano. A Intel já adquire energia renovável suficiente

para dar conta de mais de 70% de seu uso de eletricidade

no mundo todo, incluindo a totalidade de suas

operações nos EUA (Estados Unidos da América) e na

Europa.

A Intel não é a única gigante da tecnologia a se

comprometer com objetivos ambientais à medida em

que a preocupação com as mudanças climáticas cresce

a cada dia. Cientistas alertam que se a emissão dos

gases do efeito estufa não chegar próximo de zero até

2050, as consequências serão catastróficas. A Dell tem

como objetivo reduzir pela metade a emissão desses

gases em suas operações até 2030. Já a Microsoft planeja,

para os próximos 10 anos, reduzir ainda mais sua

emissão de CO2. A empresa praticamente já eliminou

sua pegada de carbono.

A Intel também tem procurado reduzir o desperdício,

com foco no reaproveitamento. Menos de 1%

dos resíduos perigosos gerados na fabricação dos

produtos é enviado para aterros sanitários. A amônia

é reutilizada em fertilizantes, enquanto os resíduos de

fluoreto de cálcio são reutilizados em cimento.

“O mundo enfrenta desafios que compreendemos

melhor a cada dia, à medida em que coletamos

e analisamos mais dados, mas não há uma resposta

coletiva – das mudanças climáticas, passando pelas

profundas divisões digitais em todo o mundo, e chegando

à atual pandemia [do coronavírus] que mudou

completamente as vidas de todos nós”, explica Bob

Swan, CEO da Intel. “Podemos resolvê-los, mas apenas

se trabalharmos juntos.”

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ECONOMIA

A FORÇA DA

ENERGIA SOLAR

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SETOR DEVE RESISTIR AO

CENÁRIO ECONÔMICO ADVERSO

QUE SE DESENHA COM A CRISE

DO CORONAVÍRUS

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ECONOMIA

P

or mais que o colapso na saúde e na economia

causado pela pandemia do Covid-19 deva atrapalhar

a concretização das projeções iniciais de crescimento

do mercado solar fotovoltaico brasileiro,

a expectativa é de que o setor se mostre resiliente frente à

crise que se desenha e termine 2020 com um desempenho

positivo.

Segundo a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica),

o número de pedidos de outorga para a produção de

energia no país cresceu 73% em abril, somando 5.683,27

MW (megawatts), contra 3.282,3 MW no mês anterior,

totalizando 132 projetos. Muito se deve ao aumento no

número de pedidos relacionados a usinas da fonte solar

fotovoltaica, com crescimento de 270% no período – em

abril, o volume de pedidos foi de 5.402,77 MW, enquanto

em março foram registrados 1.458,90 MW.

Já a Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar

Fotovoltaica) aponta que a potência instalada de geração

solar fotovoltaica no país mostrou crescimento de aproximadamente

um GW (gigawatt) entre janeiro e maio de

2020, com o volume total do país chegando a 5,5 GW.

“O mercado cresceu muito esse ano e a expectativa

é de que continue crescendo. Óbvio que a pandemia

afeta o setor e a economia como um todo. Não teremos o

crescimento bombástico que projetávamos inicialmente”,

declarou Rodrigo Sauaia, presidente da entidade.

Se entre 2015 e 2016 o PIB (Produto Interno Bruto)

brasileiro apresentou queda de 3,8% e 3,6%, o mercado

de energia solar cresceu 104% e 125%, respectivamente.

Ainda, conforme a Absolar, enquanto o Brasil passou por

uma crise grave entre o final de 2014 e 2016, acumulando

uma queda de 8% no PIB, o mercado solar cresceu mais

de 300% nesse período. Mesmo que o atual momento vá

dificultar o crescimento que era esperado para 2020, a

perspectiva é positiva para o pós-crise, já que o segmento

de energia solar produz empregos bem qualificados, com

boa remuneração e descentralizados. Ainda, a economia

gerada para quem investe na energia solar é significativa –

a conta de luz pode ficar de 50% a 95% mais barata –, sendo

que o retorno médio de investimento é de 3 a 5 anos.

O fundo de investimento em energia renovável

também tem se mostrado resistente perante a atual crise.

Enquanto os fundos de investimentos internacionais

sofreram queda média de 16% no valor de suas cotas, os

fundos de investimentos em energia renovável registraram

redução significativamente menor, de 3,2%. Os dados são

da AIC (Association of the Investment Companies).

Custos de operação baixos e previsíveis, imunes a tensões

geopolíticas como as que mexem com o mercado de

petróleo e gás, é uma vantagem a ser citada. Como a energia

renovável também não precisa ser despachada, acaba

sendo menos impactada pela queda na demanda – o Brasil

registrou retração de 11% no consumo de energia elétrica

entre 21 de março e 8 de maio deste ano, de acordo com

a Ccee (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).

Nesse cenário, as energias solar e eólica estão entre as mais

competitivas.

Ao impulsionar a energia

renovável, as emissões

globais de dióxido de

carbono poderiam ser

reduzidas em pelo menos

70% nos próximos 30 anos

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BIOENERGIA

FOTOS DIVULGAÇÃO

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INOVAÇÃO E

BIOGÁS

SISTEMA DE USINAS INAUGURADAS NO PARANÁ,

APROVEITA DEJETOS DE ANIMAIS PARA VIRAR GÁS

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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BIOENERGIA

O

Paraná ganhou, recentemente, duas plantas

de geração elétrica a biogás, a partir

de resíduos alimentares e agropecuários.

As usinas, que têm capacidade elétrica

instalada de 1.430 kW (kilowatts) e podem produzir

15.600 m³ (metros cúbicos) diários de biogás, são

uma iniciativa da Castrolanda e do grupo Unium, que

investiram um total de R$ 17,8 milhões na empreitada.

Fazem parte da Unium as cooperativas Frísia e Capal,

além da própria Castrolanda.

O biodigestor da usina da Castrolanda, localizada

em Piraí do Sul, na região dos Campos Gerais, foi instalado

em UPL (Unidade de Proteção de Leitões), já que

usa dejetos suínos como matéria-prima. São 100 m³

de biogás produzidos por hora, que alimentam uma

planta de 230 kW de potência.

A outra usina se trata de planta da Energik Geradora

de Energia, do grupo Unium, instalada em Castro,

na mesma região. Essa usina lança mão de dejetos

suínos para produção de biogás, oriundos de um

frigorífico da Alegra, e também de logística reversa da

usina de leite da Naturalle. Ambas as marcas fazem

parte do catálogo da Castrolanda. Ainda, são usados

resíduos das unidades de batatas fritas e de lavagem

de batatas da própria cooperativa. Nessa planta, a capacidade

é de geração de 550 m³ por hora, destinados

a abastecer uma geração de 1.200 kW de potência.

Um destaque das usinas é a capacidade de captar

o CO2, resíduo decorrente do processo que é utilizado

no sistema produtivo, já que os sistemas foram instalados

para converter biogás em biometano, e que será

usado em frigoríficos da Alegra. A economia anual

pode chegar a R$ 1 milhão, o equivalente à compra de

gás carbônico no mercado.

Ainda, haverá economia na disposição de resíduos.

Em média, as indústrias que abastecem a Energik gastavam

R$ 1,5 milhão ao ano para descartar os resíduos

que vão alimentar o biodigestor. Agora, esses resíduos

serão usados internamente, de forma a garantir que

será dada a eles a destinação ambientalmente correta.

Usinas usam dejetos

suínos como matériaprima

e têm capacidade

de captar o CO2

decorrente do processo

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ARTIGO

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UMA PREOCUPAÇÃO

COM AS TECNOLOGIAS DE COMBUSTÃO

DE LENHA E CARVÃO PARA A COCÇÃO

DE ALIMENTOS E A VULNERABILIDADE DE

PESSOAS CONTAGIADAS PELO COVID-19

FOTOS DIVULGAÇÃO

ANANIAS FRANCISCO DIAS JÚNIOR

Pesquisadores da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo),

Departamento de Ciências Florestais e da Madeira

ÁLISON MOREIRA DA SILVA

Pesquisadores da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo),

Departamento de Ciências Florestais e da Madeira

FABÍOLA MARTINS DELATORRE

Pesquisadores da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo),

Departamento de Ciências Florestais e da Madeira

GABRIELA FONTES MAYRINCK CUPERTINO

Pesquisadores da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo),

Departamento de Ciências Florestais e da Madeira

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43


ARTIGO

RESUMO

G

lobalmente, há mais pessoas usando combustíveis

sólidos da biomassa, como lenha

e carvão vegetal, do que em qualquer outro

momento da história humana. Ainda, não

distante, principalmente, em zonas rurais, o uso de biomassa

animal, como restos de ossos, carcaças e dejetos

animais também são muito utilizados. Em muitos países

e regiões em desenvolvimento, a biomassa é o principal

recurso energético para cozinhar, aquecer e iluminar. As

estimativas são de que 2/3 da população do mundo a

utilize para a cocção de alimentos. Cozinhar frequentemente

com a biomassa têm sido associado à baixa renda

familiar. Porém, em classes sociais mais elevadas, também

é observado, como o tradicional churrasco, ou o bife super

gourmet como o dirty steak, ou ainda, em pizzarias a

culinária a base de fogão a lenha. Na maioria das culturas,

as mulheres lideram a culinária doméstica, tal fato é fortemente

observado no Estado de São Paulo, e ao mesmo

tempo, são elas que aparecem frequentemente ocasionadas

com doenças crônicas respiratórias resultantes dessa

exposição, relatadas em todo o mundo.

São Paulo tem uma área rural de 16,5 milhões de hectares,

com 833 mil pessoas trabalhando com atividades

agropecuárias e 188,6 mil estabelecimentos agropecuários

(Ibge, 2017), com uma faixa etária distribuída entre

25-75 e com renda até 2 salários mínimos e mais que 2,6

salários mínimos (Figura 1) (Ibge 2010).

Figura 1. Salário médio mensal dos trabalhadores formais nos

munícipios de São Paulo. Fonte: Ibge (2010).

Conforme os dados do último censo do Ibge (Instituto

Brasileiro de Geografia e Estatística), o percentual da

população com rendimento nominal mensal per capita

de até meio salário mínimo é de 31,6% (Ibge 2010).

As principais atividades rurais são, lavouras, pastagens

e matas. Já o setor urbano do Estado corresponde

a 99%, de pessoas (Ibge, 2019). Dentre os segmentos

que mais crescem no Brasil, muitos estão relacionados à

alimentação, destacando-se as churrascarias e pizzarias.

O Brasil é o 6° maior consumidor de carne do mundo,

de acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas

para a Alimentação e a Agricultura), e estima-se que o

consumo de carnes aumentará em cerca de 8 milhões de

toneladas (17%) até 2027 (FAO, 2020; Brasil, 2020). Cerca

de 1 milhão de pizzas são produzidas diariamente para

alimentar o país, que ocupa a 2º posição do ranking de

consumo de pizzas do mundo. O estado de São Paulo

destaca-se por ser o consumidor principal, em que cerca

de 572 mil pizzas são consumidas diariamente, sendo

considerada a segunda cidade que mais come pizza no

mundo (Silva, 2018). Conforme o Ibge, a alimentação fora

de casa consome, em média, 31,1% do total de gastos

das famílias brasileiras (Loja Brasil, 2019; Exame, 2019).

Tais ramos alimentícios dependem da utilização da

biomassa, como lenha e carvão vegetal para a cocção dos

alimentos.

O uso da biomassa para a cocção e, ou preparo de

alimentos, não é exatamente o problema, mas sim a

engenharia e a funcionalidade dos equipamentos de

combustão (fornos, fogões etc.) utilizados, totalmente

inadequados. Isso é uma questão que permeia há séculos

na sociedade humana. A questão chave a ser observada é

que a pandemia e o número de casos em SP têm crescido

consideravelmente, e o combate a essa moléstia, passa

pela prevenção. Sabe-se que a mortalidade é elevada

em pessoas com problemas respiratórios e o perfil sócio

alimentar da população está relacionada a vulnerabilidade

e letalidade de pessoas quando acometidas pelo

Covid-19.

A biomassa é um combustível alternativo aos combustíveis

fósseis, e apesar da sua sustentabilidade e de

todos os benefícios ambientais envolta dela, é preciso se

atentar no cenário atual de pandemia ocasionada pelo

Covid-19, a sua forma de queimá-la para gerar o calor,

especificamente, com as emissões gasosas e de materiais

particulados emitidos por meio da fumaça. Atenção aos

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

47


AGENDA

OUTUBRO 2020

BWEXPO

Data: 6 a 8

Local: São Paulo (SP)

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DESTAQUE

NOVEMBRO 2020

FÓRUM FLORESTAL MINEIRO

Data: 5 a 6

Local: Belo Horizonte (MG)

Informações: https://malinovski.com.br/

agenda-2020/

INTERSOLAR

Data: 16 a 18

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.intersolar.net.br/pt/inicio

JUNHO 2021

FIEE SMART FUTURE

Data: 20 a 23 de julho de 2021

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.fiee.com.br/pt-br.html

Imagem: divulgação

FESQUA

Data: 08 a 11

Local: São Paulo (SP)

Informações: http://www.fesqua.com.br

JULHO 2021

FIEE SMART FUTURE

Data: 20 a 23

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.fiee.com.br/pt-br.html

A Fiee (Feira Internacional da Industria de Elétrica,

Eletrônica, Energia, Automação e Conectividade)

é um evento segmentado, focado na evolução dos

setores elétrico e eletrônico, apresentando Tecnologias

e Soluções para Eficiência e Produtividade,

de Geração de Energia à Conectividade. Em sua 31ª

edição, a Fiee Energy é um palco dedicado a toda

infraestrutura do setor elétrico, onde o mercado de

energia e seus consumidores encontram soluções

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OPINIÃO

Foto: divulgação

A ENERGIA SOLAR,

O CORONAVÍRUS

E A RECUPERAÇÃO

ECONÔMICA

A

pandemia do Covid-19 (novo coronavírus) tem

suscitado um grande debate entre os gestores

públicos mundiais e os especialistas em saúde

e em economia: como promover a adequada

segurança sanitária e, ao mesmo tempo, reduzir ao máximo

os efeitos negativos da crise econômica colateral nas nações

ao redor do globo?

Dentro dessa discussão, há uma questão que paira sobre

o setor produtivo mundial: como dinamizar as atividades

econômicas com segurança, de modo a manter os negócios

operando e as pessoas com emprego e renda, preservando,

simultaneamente, a saúde da população?

Após o momento mais crítico da atual pandemia

mundial, a fonte solar fotovoltaica será, certamente, uma

ferramenta estratégica para o rápido reaquecimento das

economias do mundo e, especialmente, do Brasil, país com

um dos maiores potenciais solares do planeta. Trata-se da

fonte renovável com o maior potencial de geração de empregos

e renda no planeta. Para cada novo MW (megawatt)

instalado, a solar gera de 25 a 30 novos postos de trabalho,

a maioria deles localizados nas regiões em que os sistemas

são instalados. De acordo com a Agência Internacional de

Energia Renovável (International Renewable Energy Agency

– Irena), a fonte solar já é responsável por mais de um terço

dos mais de 11 milhões de empregos renováveis do mundo.

Outro diferencial é que estes postos de trabalho são ocupados

por profissionais qualificados, com formação técnica

e superior, além dos rendimentos serem maiores do que a

própria média salarial brasileira.

Por estes fatores, o setor solar fotovoltaico é reconhecido

como uma potente mola propulsora do desenvolvimento,

trazendo mais renda e poder de compra para as famílias

brasileiras, além de gerar mais caixa para as empresas com a

economia nos custos operacionais. A solar também aumenta

a arrecadação dos governos, ajudando a recuperação dos

cofres públicos, reduzidos pelas necessárias medidas de

combate à pandemia.

Para aliviar os efeitos da crise econômica, a Absolar

apresentou ao Governo Federal e ao Congresso Nacional

a proposta de criação de um programa emergencial para

instalar sistemas solares fotovoltaicos em consumidores

de baixa renda com tarifa social. Também propôs à Aneel

(Agência Nacional de Energia Elétrica) a permissão de

doação dos créditos excedentes da geração distribuída às

instituições de serviços essenciais que atuam no combate ao

novo coronavírus, como hospitais e centros de saúde.

Não há como negar os impactos da pandemia para a

economia brasileira e, consequentemente, ao setor fotovoltaico.

Distribuidores de equipamentos solares relatam

reduções entre 60% e até 90% no faturamento durante os

primeiros 30 dias de isolamento, em comparação com janeiro

ou fevereiro de 2020. Estes impactos variam conforme a

região do País, pois o Brasil possui dimensões continentais e

nem todos os lugares são afetados na mesma intensidade.

Por outro lado, também não se pode negar o papel

propulsor da fonte solar fotovoltaica, inclusive na história

recente do Brasil. Nas crises econômicas de 2015 e 2016, o

PIB (Produto Interno Bruto) do país foi de -3,5% ao ano, mas

o setor solar fotovoltaico cresceu mais de 300% ao ano, no

mesmo período. Agora, mesmo considerando o período de

crise aguda na economia brasileira e mundial, o setor solar

fotovoltaico deverá crescer, tanto em termos globais quanto

no próprio Brasil, apesar de fazê-lo em patamares menores

que os previstos inicialmente.

No total acumulado, a solar já trouxe mais de R$ 26,8

bilhões em novos investimentos privados ao país, tendo

gerado cerca de 130 mil empregos desde 2012. A fonte acaba

de ultrapassar a marca de 5 GW (gigawatts) de potência

operacional no Brasil, somadas as usinas de grande porte

e os pequenos e médios sistemas instalados em telhados,

fachadas e terrenos. Como os dados demonstram, a solar

poderá ajudar, e muito, a retomada da economia e dos

empregos do país. A exemplo do que já fez pela sociedade

brasileira no passado próximo, a energia solar fotovoltaica

está preparada para alavancar a recuperação do Brasil, tanto

em termos econômicos, quanto sociais e ambientais.

Por Alcione Belache, CEO da Renovigi - Rodrigo Sauaia, CEO da Absolar

Ronaldo Koloszuk, presidente do Conselho de Administração da Absolar

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