Revista Ruminantes - Agricultura Regenerativa

agrovete

A degradação do montado e o empobrecimento dos solos levaram Miguel Vacas de Carvalho a procurar soluções alternativas ao modelo tradicional de gestão do negócio agropecuário.

RUMINANTES

A REVISTA DA AGROPECUÁRIA WWW.REVISTA-RUMINANTES.COM

038

ANO 10 | 2020

JUL/AGO/SET

(TRIMESTRAL)

PREÇO: € 5.00

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FOTOGRAFIA: FRANCISCO MARQUES

Border Collie

Excelentíssimos pastores

REGENERAR O ECOSSISTEMA

ENTREVISTA AO AGRÓNOMO

MIGUEL VACAS DE CARVALHO.

PURO QUEIJO

PRODUZIR QUEIJO DE OVELHA

EM REGIME EXTENSIVO PURO.

LEITE DE VACA DE PASTAGEM

ENTREVISTA AO PRODUTOR MÁRIO

CORDEIRO, DE S. MIGUEL, AÇORES.


PRODUÇÃO | AGRICULTURA REGENERATIVA

REGENERAR O

ECOSSISTEMA

A DEGRADAÇÃO DO MONTADO E O EMPOBRECIMENTO DOS SOLOS LEVARAM

MIGUEL VACAS DE CARVALHO A PROCURAR SOLUÇÕES ALTERNATIVAS AO MODELO

TRADICIONAL DE GESTÃO DO NEGÓCIO AGROPECUÁRIO. Por Ruminantes Fotos Francisco Marques

Miguel Vacas de Carvalho

é formado em Engenharia

Agronómica pelo Instituto

Superior de Agronomia e

é funcionário da Herdade

da Lobeira em Montemor-o-Novo. Esta

herdade, que pertence à família Aleixo

Paes Vacas de Carvalho, tem como negócio

principal a criação de bezerros, borregos e

porcos de montanheira.

Da experiência do contacto diário com a

exploração, Miguel foi-se apercebendo

da urgência de tomar medidas para

travar a degradação do montado e o

empobrecimento dos solos. O conhecimento

de outras realidades, um pouco por todo o

mundo, permitiu-lhe encontrar exemplos

bem sucedidos que o levaram a querer

experimentar na Herdade da Lobeira um

modelo diferente de gestão do negócio

agropecuário. É o caso da abordagem mais

consentânea com os princípios da agricultura

regenerativa, tendo em conta a tomada de

decisões holísticas pensada por Allan Savory

no seu livro “Maneio holístico – Uma

revolução para regenerar o nosso ambiente”.

Neste livro Allan Savory explica que para que

seja tomada qualquer decisão, é necessário

ter em conta aspetos como o contexto

sócio-económico, os processos ecológicos

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Regenerar o ecossistema | Entrevista a Miguel Vacas de Carvalho

Da experiência do contacto diário com a exploração,

Miguel foi-se apercebendo da urgência de tomar

medidas para travar a degradação do montado e o

empobrecimento dos solos.

e as ferramentas disponíveis para que se

possa planificar, monitorizar, controlar e

replanificar (assumindo que houve erros).

No caso da Herdade da Lobeira, o objetivo

é tentar um equilíbrio entre a produção com

o maior lucro por hectare regenerando o

ecossistema.

Quando começou a utilizar os

princípios do maneio holístico?

Em 2017, Gonçalo Pires e eu fomos

desafiados por Joaquim Mira, que já conhecia

e praticava o sistema, para fazermos um curso

de maneio holístico no norte de Espanha, com

Gustavo Alés, presidente do Savoryhub na

Península Ibérica. Quando voltámos fomos

visitar o Manuel Die, agricultor que já fazia

este maneio há uns anos e com quem temos

aprendido muito.

Com esse curso mudámos a nossa maneira

de ver as coisas. Como vimos resultados

positivos fomo-nos interessando sobre o

tema e já fizemos vários cursos, workshops

e este ano acabámos por ir à Austrália

visitar explorações que praticam agricultura

regenerativa.

Entretanto já conhecemos Allan Savory, Joel

Salatin, Darren Doherty, Charlie Arnott,

David Marsh, Matthew Mckinley, Brad

Collins, David Sims, Dianne Haggerty, que

praticam agricultura regenerativa, alguns há

mais de 20 anos. Neste momento já temos

um grupo “tertúlia holística”, chamamos

nós em tom de brincadeira, em que já alguns

agricultores praticam este maneio com

resultados muito interessantes.

Pareceu-nos que esta abordagem, sendo mais

amiga do ambiente e melhoradora do solo,

poderá ser uma solução. É isso que queremos

experimentar.

Resumidamente, em que consiste o

maneio holístico?

Consiste em tomar decisões tendo em conta

todos os aspetos, o ecossistema e as pessoas

que nele trabalham, mantendo o objetivo de

maior lucro/ha.

Um dos aspetos do maneio holístico é tentar

imitar a natureza. Na natureza as grandes

manadas de herbívoros pastoreiam com

muita intensidade em determinadas áreas

que depois descansam por longos períodos …

DADOS GERAIS DA EXPLORAÇÃO

NOME: HERDADE DA LOBEIRA

LOCALIZAÇÃO:

MONTEMOR-O-NOVO

ÁREA TOTAL: 1500 HA

ÁREA DE REGADIO: 200 HA

ÁREA DE MONTADO: 1300 HA

CULTURAS: CEREAIS, FORRAGEIRAS,

MULTIPLICAÇÃO DE TREVO

Nº DE CERCAS: 60

Nº DE EMPREGADOS: 4

Nº BOVINOS: 550

Nº OVINOS: 550 | Nº SUÍNOS: 100

RAÇAS DE BOVINOS UTILIZADAS:

MERTOLENGA,

ANGUS, CHAROLÊS, LIMOUSINE

IDADE AO DESMAME: 6 A 8 MESES

IDADE DE VENDA: 1 A 2 MESES APÓS

O DESMAME

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Regenerar o ecossistema | Entrevista a Miguel Vacas de Carvalho

de tempo. Foi assim que ao longo de

muitos milhares de anos se criaram os solos

com elevado teor de matéria orgânica.

Nós tentamos imitar esse processo dividindo

áreas grandes em parcelas mais pequenas

onde os animais permanecem curtos períodos

de tempo.

Para implementar este sistema, que

investimentos fez?

Todas as mudanças devem ser lentas e

graduais para os erros não nos levarem à

falência. Nós começámos a experiência com

um rebanho de 100 novilhas. Comprámos

desenroladores de fio, vários postes

isoladores, já tínhamos máquinas (tudo

material Gallagher) e criámos cercas a partir

das que já existiam.

Ao confinar os animais a 1/10 da área

habitualmente disponível, percebemos que a

mesma cerca permitia o pastoreio por mais

tempo, por haver menos desperdício e mais

crescimento de erva nas cercas sem animais.

Então estendemos este regime aos outros

rebanhos.

Percebemos então, ao fim de algum tempo,

que a melhor solução, para ter menos

trabalho, seria juntar as vacadas. Assim

ficámos com o mesmo número de cercas, já

existentes, mas em vez de ter três rebanhos

temos apenas um que passa pelas cercas

todas.

Os resultados têm sido muito encorajadores

pois temos vindo a reduzir os custos da

suplementação das vacas (os dados ainda são

prematuros mas diria que entre 10 a 20%).

No 3º ano investimos em mais cercas

elétricas fixas que ficaram pagas pela redução

dos custos. O baixo custo das cercas elétricas

é determinante para conseguirmos fazer este

tipo de maneio. A questão do abeberamento

também teve de ser revista e tivemos de

aumentar o numero de bebedouros e o caudal

instantâneo. Muitas vezes fizemos as cercas a

desembocar num bebedouro já existente.

O que mudou na exploração?

A meu ver, a grande mudança está na

mentalidade. Temos de regenerar o nosso

ecossistema. Assistimos a uma apresentação

de Charles Massy, que referiu que no

projeto Drawdown uma equipa de cientistas

apresenta soluções para o aquecimento

global. Nas top 20 medidas, 10 são práticas

de agricultura regenerativa. Isto fez-nos

perceber que, por trabalharmos neste ramo,

temos a possibilidade de contribuir para esta

mudança positiva.

Neste sistema faz-se alguma

mobilização de solo?

A mobilização é uma das ferramentas que

dispomos e faz-se quando necessário,

sendo sempre a última opção. Os 5

princípios da agricultura regenerativa são:

- minimizar ou eliminar as mobilizações;

- manter a superfície do solo coberta todo

o ano;

- biodiversidade vegetal e animal;

- raízes vivas o máximo de tempo

possível;

- impacto animal

Gabe Brown, agricultor norte americano,

conseguiu ao fim de 20 anos, aumentar

a matéria orgânica de 1,7% para 6% e,

consequentemente, aumentar a capacidade

de infiltração de água no solo de 12mm/

hora para 10 vezes mais em 20 anos.

Segundo este agricultor, a capacidade

que o solo tem de conseguir infiltrar

e armazenar a água, é conseguida em

maior grau através do aumento da matéria

orgânica (MO), do que da quantidade de

água por ele recebida.

Assim sendo, utilizamos a técnica de

sementeira direta de forma a evitar as

mobilizações e aumentar a matéria orgânica.

"ESTAMOS FOCADOS EM MELHORAR O SOLO,

QUE É A BASE DE TUDO O RESTO."

"Deve-se monitorizar o maneio colocando um marcador nas

plantas e nas arvores, fotografá-las, e ir percebendo com o

tempo o que está a acontecer."

“Melhorando a vida

no solo aumentamos

a velocidade da

decomposição do esterco

dos animais, aumentado a

MO. Esta fotografia mostra

bem a cobertura do solo

que queremos ter. ”

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Regenerar o ecossistema | Entrevista a Miguel Vacas de Carvalho

"UM DOS PRINCÍPIOS DA AGRICULTURA REGENERATIVA É MANTER

O SOLO SEMPRE COBERTO."

As infestantes continuam a

ganhar terreno?

Segundo Nicole Masters, agroecologista,

devemos tomar decisões olhando para o que

queremos e não para o que não queremos.

Ainda há uns meses, um agricultor da

“Tertúlia Holística” que tem uma exploração

de vacas leiteiras, notou que quando as

vacas entravam numa determinada cerca, com

muitas plantas de uma determinada espécie

“infestante”, a produção de leite aumentava

10%. Curioso com a situação, fez uma análise a

essas plantas e ficou a saber que têm um teor de

proteína muito elevado. Portanto, eu já não sei

se são infestantes ou não. Noto, por exemplo,

que muitas vacas comem os cardos em flor. Os

cardos tem uma raiz muito profunda que estará,

certamente, a melhorar o solo.

Tem medido o impacto deste maneio

na matéria orgânica (MO) do solo?

Ainda não, mas no futuro gostaria de medir

de dois em dois anos por exemplo.

Aplica menos adubo nas searas?

Não, continuamos a aplicar o mesmo

adubo que sempre aplicámos. Contudo, na

Austrália aprendemos soluções que poderão

ser eficazes para diminuir a sua utilização.

Quando visitámos agricultores de uma

associação,VicNoTill, Matthew Mckinley

e David Sims, percebemos que há outras

maneiras de produzir. O seu foco é sempre

aumentar o lucro por hectare, criando um

sistema mais resiliente à seca ou ao excesso

de água.

Passaram a semear menos área

de fenos?

Fazemos questão de ter sempre assegurada

comida para dois anos. O que fizemos foi

aumentar a área de armazenamento.

Após três anos, que diferença têm no

número de animais por hectare?

Já não falamos em número de animais/

ha, falamos em número de animais (cabeça

normal - CN) /ha/dia, visto que também é

considerado o número de dias em que os

animais estão na cerca.

Atualmente estamos com números de 50 a

70 CN/ha/dia. O agricultor da exploração

de vacas leiteiras da “Tertúlia Holística”

já conseguiu 1200 CN/ha em 3 horas sem

sacrificar a produção. Resumindo, é possível,

sem perda de produção, ter 1200 cabeças a

pastar em apenas 1 hectare desde que o tenpo

de permanência seja adequado.

Que alterações fizeram na

exploração?

Juntámos rebanhos, fizemos cercas,

aumentámos os bebedouros.

Hoje em dia temos cerca de 60 cercas que

variam entre os 15 e 30 ha.

A ideia é continuar a dividir para aumentar o

impacto animal num curto período de tempo

permitindo ter grandes períodos de descanso

das parcelas.

Como determina o número de dias em

que as vacas estão em cada parque?

No primeiro ano dividíamos as cercas de

forma a que os animais estivessem apenas 3

dias por parque. Hoje em dia, dependendo

da altura do ano, como já temos cercas fixas

mais pequenas, o que fazemos é retirar os

animais quando queremos.

Neste momento não obrigamos as vacas

a comerem a parte inferior da planta pois,

sendo a menos nutricional, poderíamos

estar a condicionar a sua condição corporal.

Pensamos que assim é a melhor opção, nesta

altura do ano.

"Hoje temos 60 cercas, que variam entre 15 e 30 hectares.

Queremos dividir mais algumas cercas", diz Miguel.

“O próximo passo é juntar os porcos ao rebanho” diz Miguel, a rir.

O meu pai até fica com os cabelos em pé”.

RUMINANTES | JUL/AGO/SET 2020 67


Regenerar o ecossistema | Entrevista a Miguel Vacas de Carvalho

Em quanto aumentou o efetivo

desde que implementou este maneio?

Em 10%, quer nas vacas, quer nas ovelhas.

Isto poderia significar que tínhamos um

encabeçamento baixo, mas o que realmente me

alegra não é ter aumentado o encabeçamento,

é sim ter diminuído o número de dias que dou

de comer aos animais “à mão”. Este é um bom

indicador de que o sistema tem resultado e é

rentável, porque é na alimentação suplementar

das vacas que está o grande gasto, no nosso

caso cerca de 1,5€/animal/dia. Para nós o

segredo está no número de cercas. Quanto

mais, melhor, até um limite, claro.

Introduziu as ovelhas no rebanho das

vacas. Porque o fez?

Quando visitámos o agricultor australiano

Charlie Arnott vimos vacas e ovelhas a

pastar juntas. Achei piada e quisemos

experimentar. No princípio os animais

estranharam, mas uma semana depois já

estava tudo bem. Neste momento estão

separadas para facilitar o maneio nos currais

mas assim que for possível, voltamos a

juntá-las. Da pouca experiência dos rebanho

juntos, 2 meses, só retirei uma conclusão,

parece haver mais facilidade de entreajuda

entre os dois funcionários responsáveis pelas

vacas e pelas ovelhas. A vistoria a todos os

animais e às cercas é sempre feita por duas

pessoas. Pareceu-me uma boa técnica e é para

continuar.

O solo fica mais despido pelo facto de

as ovelhas comerem as plantas até

mais abaixo?

Nós é que controlamos a cobertura do solo.

Há duas linhas de pensamento neste sistema.

Jaime Elizondo defende que os animais

devem comer tudo até ao fim, comendo

sem seletividade. Greg Judy e Gabe Brown

defendem que a condição corporal está em

primeiro lugar, pois é onde se ganha dinheiro.

Contudo, o que já verificámos é que se

“obrigarmos” os animais a comer tudo até ao

fim a condição corporal piora e não temos a

cobertura do solo desejada. Ainda estamos

a aprender, depende da altura do ano, do

objetivo, do tipo de animais, etc..

Este ano, por exemplo, de meados de março

até meados de maio experimentámos mudar

os animais todos os dias. Reparámos que mal

se notava o que comiam e ao fim de 30 dias o

coberto vegetal recuperou por completo.

Em termos de saúde animal, melhorou

algum aspeto?

Também com um pensamento ecológico

retirámos os desparasitantes internos e no

futuro, se calhar, os externos. O que não

invalida que o façamos quando um animal

necessite. A ideia é desparasitar só os que

estão parasitados, com estas mudanças

frequentes ajudamos a que não se parasitem.

Além disso, o facto de ter várias espécies

animais a pastar juntas também ajuda no

controlo de parasitas, visto que alguns

parasitas são específicos de cada espécie e,

ao passarem no tubo digestivo da espécie que

não é hospedeira são inativados.

Que cercas utiliza?

Só usamos cercas eléctricas marca Gallagher.

No princípio fazíamos apenas com um

"AS CERCAS ELÉTRICAS, IMPRESCINDÍVEIS PARA ESTE SISTEMA,

SÃO MAIS BARATAS E MAIS FÁCEIS DE MONTAR DO QUE AS

CONVENCIONAIS DE REDE."

Carlos Grulha, funcionário da Herdade da Lobeira, prefere as

eletrificadoras alimentadas por painel solar por serem mais práticas. “Se

houver uma fuga não preciso de ir à origem e inspecionar o arame todo.”

Geralmente as eletrificadoras ligadas à corrente estão alguns quilómetros

afastadas do local em questão.

Cerca elétrica de 3 arames e alturas diferentes, preparada

para o rebanho misto de vacas, ovelhas e porcos.

COMPONENTES DUMA CERCA ELÉTRICA

Eletrificadora: transforma a corrente

elétrica em impulsos elétricos espaçados

no tempo. Pode ser alimentada a corrente

elétrica, a bateria ou a painel solar.

Condutor: transmite impulsos de energia

ao longo de todo o comprimento da cerca

(arame, fita, corda, etc.)

Postes: permitem fixar os condutores

Isoladores: isolam os impulsos de energia

dos postes de forma a que a energia não

flua para o terreno.

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Regenerar o ecossistema | Entrevista a Miguel Vacas de Carvalho

“NO NOSSO CASO, POR CADA DIA QUE CONSEGUIRMOS REDUZIR A

COMIDA À MÃO, POUPA-SE APROXIMADAMENTE 750€."

arame a 90 cm de altura que para as vacas

é suficiente. Agora com vacas e ovelhas

fazemos com 3 arames a 25, 50 e 90 cm.

Que recomendações faz a quem vai

começar?

Primeiro, que veja o seu contexto e que

se informe sobre o tema. A mudança de

mentalidade é fundamental. Depois, que vá

testando com uma cerca elétrica móvel e à

medida que vai vendo alguma evolução, ir

passando para cercas elétricas fixas.

Mudanças lentas e graduais e ir aumentando

o número de cercas a pouco e pouco, ou

juntar rebanhos.

Como é a alimentação das cercas?

É feita por eletrificadoras que podem

estar ligadas à corrente elétrica ou serem

alimentados por baterias ou painéis solares.

Aqui usamos os dois sistemas. Com as de

painel solar, se houver uma fuga de energia é

mais fácil inspecionar porque são geralmente

distâncias mais curtas.

A reparação e manutenção das cercas

elétricas é muito reduzida.

Há algum sistema que avise em caso

de falha?

Sim. A electrificadoras I-series da Gallagher

têm um sistema que envia mensagens

permitindo saber instantaneamente em que

setor temos a fuga. Contudo não há melhor

que todos os dias, quando estamos a ver os

animais, verificar a voltagem.

Que vantagens têm as cercas

elétricas?

São muito mais funcionais e baratas do que

as convencionais de rede, pois não são tão

exigentes em material e mão-de-obra.

Como é feito o abastecimento de

água às cercas?

Todas as cercas já tinham água. Ao

aumentarmos o numero de cercas, tentámos

colocar o bebedouro a dar para as cercas

adjacentes. Em alguns casos aumentámos o

número de bebedouros e noutros aumentámos

o caudal. A grande maioria dos bebedouros

são fixos, mas temos alguns móveis.

Qual é objetivo da exploração para os

próximos anos?

Aumentar o lucro/ha regenerando o

ecossistema.

Qual é o critério de refugo das vacas?

Por idade e por problemas de fertilidade (se

não pariu na época anterior).

No futuro vai ser, através de ecografias,

refugar se não estiver gestante.

Qual o critério em termos de genética?

As nossas vacas são F1 e F2 de Mertolengas

com Limousine e Charolês. Escolhemos

novilhas filhas das vacas com melhores

intervalos entre partos.

A ideia é ter vacas cruzadas com sangue de

raça exótica e de raça autóctone (rústica e

adaptada às nossas condições), e ter touros

puros de raças exóticas.

Olhando “holisticamente” para o negócio

agropecuário, os produtores têm que produzir

o que os compradores querem comprar.

O que conseguiu melhorar com este

maneio?

Conseguimos diminuir os custos com a

alimentação. No nosso caso, por cada dia que

conseguimosm reduzir a "comida à mão",

poupa-se aproximadamente 750€. O tempo

necessário para ver os animais também

diminui. Utilizamos menos desparasitantes.

Os animais estão mais dóceis, não sei se

devido à descorna ou às mudanças frequentes

de cerca. Por último, parece-nos, pois ainda

só temos 3 anos de experiência, que o renovo

vinga melhor com este maneio.

Terminámos a entrevista com este comentário

do Miguel: "Nada disto teria sido possível

sem a permissão e a flexibidade do

gestor Pedro Vacas de Carvalho, e sem

a colaboração do Carlos Grulha que se

mostrou sempre disponível para aprender e

para aceitar a mudança, o que nem sempre é

fácil."

LIVROS E/OU PALESTRAS PARA VER

NO YOUTUBE

• Allan Savory - Livro: "Holistic

Management";

• Joel Salatin - Livros: "Folks this ain’t

normal"; "Everything I want to Do is

Illegal"

• Gabe Brown - Livro: "Dirt to Soil".

• Nicole Masters - Livro: "For the Love of

the Soil".

• Charles Massy - Livro: "Call of the reed

Warbler".

• Greg Judy - Livro: "No Risk Ranching:

custom grazing on leased land".

• Jaime Elizondo - Livro: "Regenerative

Ranching: Maximum sustainable profit

by ranching in nature’s image".

• Jim Gerrish - Livro: "Kick the Hay Habit".

• Walter Jehne "Supporting the soil

carbon sponge".

• Chistine Jones "Livro: "Meeting the

challenge for change".

• Associações Australianas

VicNoTill | Soils for Life.

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CONTROLO, CONFIANÇA

E RENTABILIDADE

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