Moda & Negócios EDIÇÃO 30

modaenegocios

Ano 6 - Nº 30

Mar a Mai 2020

Drogas:

proibir ou liberar?

O significado da páscoa

Pena de morte

em Caruaru

Moda&Negócios chega

ao 6º ano

As cores do outono

O que você faria se

soubesse que viveria

100 anos?

A moda

também é

para eles


Nesta edição

7

As questões de gênero

ainda são relativamente

novas no mercado da moda.

Acompanhe o raciocínio de

Agildo Galdino.

14

A moda também

é para eles. Any

Brasil mostra-nos

o que mudou no

cenário masculino.

8

Não existe diploma de

empresário. Mas isso

não impede você de

ter sucesso em seus

negócios. É o que diz o

consultor Pedro Duplaá

12

10

13

Juelayne nos fala da

mudança das cores

do outono deste ano.

Vale a pena saber o

que ela diz.

A Páscoa não se deriva, como muita

gente pensa, do ideário cristão.

Nossa nova colunista Walkyria

Jerônimo explica isso, nas páginas

seguintes.

O professor José

Urbano fala, nesta

edição de M&N, de

Antônio Barros e de

sua esposa Cecéu, ele,

compositor paraibano,

autor de 708 músicas,

entre elas Procurando

Tu e Bate Coração.

20

21

18

Entre os inúmeros

apetrechos que formam o

visual feminino a bolsa tem

lugar de destaque, segundo

Malude Maciel.

Valores otimistas,

a luta pela ética

na produção têxtil

influenciam as

tendências da moda.

O que você faria se

soubesse que viveria

100 anos? Candice Pomi

fala sobre.

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Opinião

do Leitor

24

27

22

Em sua coluna, a psicóloga e

consteladora Shirley Freitas, fala

sobre os efeitos emocionais do

surgimento do Coronavírus e como

evitá-los.

Menos é mais, informa Whitney

Barros, no seu artigo que fala do

minimalismo na moda.

26

Drogas: Proibir ou liberar?

Leia a opinião de José Nivaldo

Junior a respeito desse

assunto tão polêmico.

28

A vulvodínia é um tipo de dor

pélvica crônica de origem

ginecológica. Pra saber mais,

leia as explicações de Thaisa

Batista.

Pena de morte, em Caruaru?

Que história é essa? Quem nos

explica é o historiador Hélio

Florêncio, que passa a integrar

o plantel de colunistas da

M&N.

DE SÃO LOURENÇO-MG

A Revista M&N é um primor

de apresentação e conteúdos

de interesse geral. Editor

competente e antenado.

Equipe integrada, resultando

em um produto de invulgar

qualidade. Lucro para a Região,

lucro para o leitor.

Heloisa Araujo

DE RECIFE

Parabenizo pela edição 29 da

revista que está excelente.

Maria dos Anjos Pereira Borges

DE RECIFE

Ótima revista. Encaminho

também para o meu círculo

de relacionamento .

GERALDO (Meraldo) CESAR

DE MACEIÓ

Como sempre, mais uma edição

da revista Moda&Negócios

com a certeza de pleno

sucesso. Parabéns.

Nádja, Gilberto e Família

DE CARUARU

Entre os poucos veículos impressos

que resistiram ao

tempo (6 anos), é a de melhor

conteúdo e qualidade visual.

Parabéns a seu editor

Paulo Nailson

DE BRASÍLIA-DF

Mais um número caprichado,

com um lindo visual e conteúdo

atual.

Zé Ivo Rodrigues

DE RECIFE

Parabéns mais uma vez pela

beleza da mesma e diversidade

de informações.

Roberto Barconi

DE CARUARU

Achei a revista maravilhosa.

Eugênio Pacelli

5


Editorial

Às vezes, a vida nos prega peças para

as quais não estávamos preparados.

Mas isso faz parte do jogo da vida.

Só que, desta vez ela foi longe demais,

se superou e contagiou, praticamente,

o mundo inteiro, causando estragos,

alguns deles irreparáveis.

Você já deve ter desconfiado do que

estamos falando. E, talvez, até esteja

sofrendo na pele o resultado desse fenômeno

mundial.

Estamos falando da covid-19, o vírus

que vem infectando, desestruturando,

matando pessoas por onde passa.

Nessa onda, até a M&N foi contagiada.

No mês do seu aniversário, data em

que completa 6 anos de contribuição

para a informação e a cultura de nosso

país, deixa de circular com sua edição

impressa, especial de aniversário.

Mas, como ouvi muito dos meus velhos

pais que “quando Deus fecha uma

porta, abre uma janela”, acredito que,

às vezes, ele planeja pra gente coisas

maiores e ao invés de portas, ele derruba

paredes e até muralhas para nos

ajudar.

E nesse momento de páscoa, quando

chegamos ao 6º ano de convivência

com leitores, como você, só temos a

agradecer. Gratidão, portanto, a Deus,

por tudo, inicialmente, e a todos aqueles

que, direta ou indiretamente chegaram

conosco, até aqui. E continuarão,

online, nos acompanhando.

Com alegria.

José Severino do Carmo

Editor

ANO 6 – NÚMERO 30

Mar a Mai 2020.

Produção: JS Comunicação

js@jspropaganda.com.br

81 3721.3540 - 99122.3917

js@revistamodaenegocios.com.br

Moda & Negócios

@modaenegocios

www.revistamodaenegocios.com.br

Editor: José Severino do Carmo

Dir. Financeira: Cleonice Freitas

Informática: Émerson Freitas

Dir. Admin.: Cecília Freitas do Carmo

Diagramação: Fábio Vasconcelos

Marketing Digital: Vitória Freitas

Jornalista Responsável:

Eduardo Franco DRT/PE 3859

Revisão: Samuel Lira de Oliveira

Colaboradores desta Edição:

Historiador José Nivaldo Junior

Prof. José Urbano

Editora de Moda Any Brasil

Consultor Pedro Duplaá

Psicóloga Shirley Freitas

Editora de Moda e Fotógrafa

Juelayne Gondim

Escritora Malude Maciel

Prof. Agildo Galdino

Fisioterapeuta Thaisa Batista

Jornalista Walkyria Jerônimo

Pesquisadora Candice Pomi

Historiador Hélio Florêncio

Editor de Moda Whitney Barros

Os artigos assinados são de inteira

responsabilidade de seus autores,

podendo não representar o pensamento

da revista.

Capa: @thyagoalves84 e

@diegocristo

Foto: @rodrigorosenthal

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Agildo Galdino

MODA, FLUIDEZ DOS GÊNEROS

Mal terminara a folia

de Momo, o pessoal

já se vê as voltas com

a Moda para as próximas

estações, inclusive com

a moda agênero ou sem

gênero - nomenclatura

usada no Brasil.

Alto lá! Não é nossa pretensão

entrar nas discussões

filosóficas das

questões de gênero,

mas convenhamos que

a moda, com suas infindáveis

possibilidades, oferece sempre um nicho em que cada

um possa melhor se encaixar. Nesse contexto a moda agênero

está batendo a nossa porta e, portanto, cabe-nos dar atenção

a esta nova realidade social.

A moda, aos poucos, vem sendo desconstruída, sobretudo,

relacionada a gênero e sexualidade; e novos comportamentos

vão abrindo espaço para outras perspectivas, a exemplo

da moda agênero. Essa vem devagarinho se incorporando e

se apropriando de seus propostos de ampliar as discussões

sobre a fluidez dos gêneros, de forma a criar e adaptar suas

ações de mercado.

As questões de gênero ainda são relativamente novas no

mercado de moda, apesar da grande discussão e ter sempre

existido, embora experimentando oscilações na sua aceitação.

Claro que ainda não existe um nicho de mercado tão delimitado

quanto outros segmentos da indústria da moda. Na

prática, a moda agênero aponta para a criação de coleções

com estilo e qualidade que não levem a uma orientação de

gênero, e sim que essas criações digam algo sobre a personalidade

do consumidor final.

Um dos grandes desafios de fazer moda sem gênero é abandonar

a ideia de que as coisas têm que ser divididas e categorizadas.

A desconstrução da ideia de roupa feminina e

roupa masculina representa sua personalidade, ao invés de

se limitar só ao gênero, e na especificidade da moda agênero

cada um deva vestir-se com o que bem entender, com o que

se sentir bem, sem ter que encaixar as suas escolhas em algum

formato padronizado, seja ele feminino, seja ele masculino,

em especial nos quesitos de sustentabilidade nos modos

de consumir a moda e não se posicionar apenas como

uma tendência, mas como importante discurso político de

liberdade, diversidade e respeito a todos.

Lembremo-nos do movimento hippie, em 1960, que começou

a ser divulgado como moda unissex, com homens e mulheres

dividindo de maneira natural, o guarda-roupa que,

naquele momento, se tornava muito mais fluido, colorido e

menos modulado ao corpo.

Algumas lojas de departamento conhecidas mundialmente já

entraram nesse mercado. A Zara, por exemplo, lançou mais

de uma coleção agênero, com peças em tons neutros, modelagem

larga e tecidos que variavam do algodão ao jeans.

A C&A foi outra grande marca que apostou nessa moda e

lançou a coleção “Tudo Lindo & Misturado”. Essa linha, assim

como a da Zara, trouxe muitas peças de jeans, camisas

sociais e jaquetas.

Cabe-nos aqui diferenciar a moda unissex da moda agênero:

a unissex é definido por peças de roupa criadas tanto para

homens quanto para mulheres, enquanto a moda sem gênero

quebra esse padrão e não define para quem são as roupas.

Nesse sentido precisamos entender o conceito de moda agênero

como um reflexo da liberdade de escolha.

Agildo Galdino Ferreira

Membro da Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, e

da União Brasileiras de Escritores.

7


Pedro Dupláa

Não existe

diploma de

empresário,

mas isso

não é o

que impede

você de ter

sucesso!

Seria excelente se houvesse faculdade

para empresário, não é verdade? E se

você pudesse aprender tudo sobre “como”

SER melhor enquanto empreendedor? Se

houvesse um manual ensinando o passo a

passo para você conferir sempre que surgissem

as dúvidas?

A realidade é que não existe um curso ou

manual que consiga exprimir tudo que

um empresário precisa saber para ser

bem sucedido, até porque cada segmento

e público seguem a sua própria sistemática.

Portanto essa profissão exige uma

constante proatividade em busca de conhecimento

aplicado, de acordo com a realidade

empresarial de cada um, para que

assim consiga seguir avançando em seus

negócios e prosperando financeiramente.

À medida que eu amadureci como empreendedor

aprendi que, de nada adianta estudar

muito se não colocar o conhecimento

em prática, como também não adianta

se preparar se não tiver atitude para executar.

É preciso estar sempre consciente e

atento para fazer as escolhas certas, como

também ter humildade para reconhecer

e corrigir em tempo hábil as escolhas

erradas.

Com o passar do tempo, mais certeza eu

tive de que é quase impossível evoluir sem

errar, por isso, é preciso perder o medo de

falhar e ter como meta sempre se superar,

prestando atenção nas objeções que aparecem

ou quando algo sai do programado.

Além da atenção, coragem, determinação,

humildade e força de vontade, o empresário

deve desenvolver aptidões como

marketing, criação, planejamento, gestão

administrativa/financeira e liderança.

Uma empresa atinge sua solidez no mercado

a partir do momento que ela consegue

desenvolver e manter uma equipe

com vontade de empreender junto ao negócio,

sendo incentivados a apresentarem

novas soluções com base nos desafios e

metas da empresa. Dessa forma é possível

construir uma comunidade interna (colaboradores)

e externa (público) que te

apoia e investe em seu negócio.

Nem sempre o empresário domina todas

essas habilidades, e se essa for a sua realidade

é importante que busque colaboradores

complementares que preencham

essas funções. Caso você domine todas essas

habilidades, meus parabéns! Mas nunca

se esqueça de que, à medida em que a

sua empresa crescer você deverá aprender

a delegar as funções para gerar uma

administração mais eficiente e responsiva,

lhe rendendo mais tempo para seguir

empreendendo.

Não é uma atitude sábia por parte do

empresário querer controlar tudo o que

acontece dentro da empresa, apesar de

ser compreensível que alguns donos de

negócios queiram estar sob domínio do

todo uma vez que tenham erguido tudo

praticamente sozinhos. O que não quer

dizer que seja a melhor opção a seguir,

com exceção quando se é uma microempresa.

Nesses casos o empresário deve ter

garra para assumir as rédeas do seu empreendimento

até que consiga ter o amadurecimento

adequado para comportar

um quadro de funcionários que preencha

os requisitos acima.

Tudo o que eu escrevi até agora descreve

um bom papel de empresário, se você se

encaixa nele, certamente já está apto a gerar

bons resultados independentemente

de qual seja o seu mercado de atuação.

Caso ainda não se encaixe, tudo bem também,

sempre é tempo para mudar! Se é do

seu desejo se tornar um empresário bem

sucedido, o que acha de aproveitar o início

de 2020 para fazer diferente?

Pedro Dupláa S. Ferreira

Empresário Internacional

Coach Integral Sistêmico

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Juelayne Gondim

As cores do Outono

As cores do Outono deste ano mudaram

um pouco. Não iremos ver

mais as cores pastéis, mas sim as cores

retas, contrastantes e coloridas. A presença

de tons vibrantes, que lembram

o verão, é uma tendência que está em

forte crescimento, pois além de garantir

uma vida maior, a roupa comprada

da estação passada, as roupas mais coloridas

alegram os dias mais cinzentos

que se aproximam.

De acordo com as pesquisas que fiz em

diversos portais de moda, as principais

tendências listadas são essas abaixo:

Classic Blue

Classic blue é a cor do ano de 2020 eleita pela Pantone.

A tonalidade intensa de azul transmite introspecção,

clareza, proteção, confiança, calma e uma base estável

e confiável.

Verde e suas

tonalidades

Verde musgo, militar, folha, esmeralda,

lima ou mint, independente

da nuance, a cor reinará

em looks e acessórios na próxima

estação. A recorrente busca pelos

tons que nos aproxima da natureza

é por conta da recorrente

busca pela sustentabilidade, que

foi despertada por conta de catástrofes

naturais ou acidentes

causados pelo homem nas últimas

décadas, além da procura

por uma vida mais leve, orgânica

e menos artificial.

Bege

Quem lembra da soberania do bege na temporada de outono/inverno

passada? Em 2019 a cor foi muito mais além dos clássicos

sobretudos e dominou até mesmo o underwear. Tanto em looks

monocromáticos quanto em visuais com cores básicas ou com

tonalidades da estação, o bege exala uma elegância descomplicada

e agrada a todos os estilos.

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Bordôs outonais e

marrons invernais

Já em alta há algum tempo, os tons terrosos

são resultado da busca por uma

aproximação maior com as nossas origens.

Tons de bege, marrom, caramelo,

terracota e bordô remetem a terra e a

natureza e são perfeitos para combinar

com a estação gelada.

Cores Neons

Outra novidade nas cores de outono, é a presença dos

neons e o retorno do tye die. Tendências típicas dos dias

mais quentes, a alegria e vivacidade dos tons fluorescentes

surpreendem e vão continuar sendo vistos nos

ventos gélidos da estação. Já o Tye die, será visto com

uma lavagem mais clara, mais discreto e com menos informações

do que estamos acostumados.

Bloco de cores

Os dias frios do ano de 2020 prometem ser

mais alegres e coloridos. Não que o cinza, preto

e tonalidades de azul escuro serão deixados de

lado, mas cores intensas e tons fortes serão frequentemente

vistos nos looks mais desejados

da temporada, e não de maneira separada, mas

sim em color blockings.

Variedades de xadrez

Como de costume, os xadrezes sempre aparecem

nas temporadas de outono/inverno,

e em 2020 não seria diferente. Segundo as

passarelas nacionais e internacionais, os

holofotes estarão na direção de padronagens

mais geométricas e simplificadas.

Juelayne Gondim

Agradecimentos: @use_malue

Modelo: @duda_liraa

Foto: @juelaynegondim

11


Walkyria Jerônimo

Cartaz da Campanha da Fraternidade 2020

O SIGNIFICADO DA PÁSCOA

Páscoa. Uma das passagens mais importantes para as

culturas que significa renovação e esperança.

A Páscoa, como muitos pensam, não se deriva do ideário

cristão/católico. Ela se remonta a civilizações antigas, onde

muitos povos festejavam as estações do ano como também a

sobrevivência da espécie humana.

Derivado do grego paska, do latim pascua, esta palavra cheia

de simbologia tem origem religiosa e significa “alimento”

ou o fim do jejum da quaresma. Por sua vez, no hebraico o

termo pesach significa “passagem” e remete a libertação do

povo judeu. E no inglês, easter, está intimamente ligado aos

cultos pagãos da deusa da fertilidade da mitologia nórdica e

germânica. Acredita-se que o coelho e os ovos coloridos surgiram

daí, uma vez que são símbolos de renovação da deusa.

Depois dessa síntese histórica sobre o significado da Páscoa,

me vem a questão do quão importante é esta data e me faz

pensar se estamos vivenciando a mesma de maneira cuidadosa

e humana. Explico mais a seguir.

Aqui no Brasil é comum a Igreja Católica divulgar e trabalhar

dentre os seus fiéis um tema baseado nas palavras bíblicas.

A Campanha da Fraternidade deste ano divulgou o tema

“Fraternidade e vida: dom e compromisso” com o lema: “Viu,

sentiu compaixão e cuidou dele” baseado no livro de São Lucas

(Lc, 10, 33-34).

O significado da palavra de São Lucas para o tema da Campanha

da Fraternidade apresenta experiências de “cuidado” de

vida em suas várias dimensões. Procura mostrar o sentido

de vida proposto por Jesus no próprio evangelho.

Baseado em questionamentos marcantes e importantes

sobre a sociedade brasileira, a Campanha da Fraternidade

propõe a compaixão, a ternura e os cuidados fundamentais

à vida, principalmente nas relações sociais mais humanas,

fortalecendo a cultura do encontro, da fraternidade e uma

mudança para que os seres humanos possam encontrar caminhos

de superação para a indiferença e para a violência.

Outra questão levantada pela Campanha da Fraternidade é o

despertar das famílias para o amor, além de defender a vida,

desde a sua fecundação até o seu fim natural. Nesse caso, é

importante preparar os seres humanos como cristãos e as

comunidades para anunciar como testemunhos através da

ação de cuidado mútuo, a vida plena que é o Reino de Deus.

É também abordado o cuidado com o Planeta. Para que todos

possam contribuir ajudar cuidar, proteger e conservar a

nossa “casa em comum”.

Então, o que devemos fazer é refletir, mediante a chegada da

Páscoa, que o que ela significa e representa para nós, é que

possamos ter o cuidado. O cuidado no ajudar os nossos irmãos;

a sociedade como um todo, mediante seus problemas

e dificuldades em busca da superação, de termos relações

mais humanas, de carinho e amor e principalmente, não

sairmos dos caminhos que nos levam a Deus.

Uma boa Páscoa a todos.

Walkyria Jerônimo

Jornalista e redatora freelancer com experiência em criação de

conteúdo on-line e impresso para diversos segmentos.

12


José Urbano

Antônio e Cecéu

uma fábrica de sucessos

Uma das primeiras marcas culturais

da humanidade é a sua musicalidade.

Pesquisas antropológicas nos

revelam que, desde os primórdios que

habitavam nas cavernas, instrumentos

musicais feitos com peles de animais e

ossos, serviam para uma batucada em

momentos de celebração.

Como moldura cultural, a música brasileira

também tem seus gigantes nos

diversos estilos. E a música nordestina

tem uma dupla fabulosa de compositores:

o casal Antonio Barros e a esposa

Cecéu.

Tive a honra de entrevistar ambos

na residência deles, em João Pessoa.

A história é muito densa. Ele nasceu

em 1930, no mês de março. Aos 13

anos já mostrava o gosto pela musicalidade.

Despertou para o pandeiro,

instrumento que aprendeu a dominar

rapidamente e com ele partiu para a

seara musical, inicialmente nas rádios

Caturité e Tamandaré, onde conheceu

Jackson do Pandeiro, seu conterrâneo

da Paraíba, que também estava iniciando

na seara artística. Ambos de pandeiro

nas mãos, não eram concorrentes,

foram parceiros e se tornaram grandes

amigos!

Consciente do seu potencial, em meados

dos anos 60, se aventurou no Rio

de Janeiro, naquele momento, o El

Dourado das artes e mídias nacionais.

Lá, apresentou as suas composições a

nomes da grandeza de Luiz Gonzaga,

já consagrado como o Rei do Baião. De

primeira, Gonzaga gravou a bela música

Estrela de Ouro. Ao todo, mais de

uma dezena de músicas com o monarca

da sanfona.

No início dos anos 70, conheceu a sua

querida esposa, porém já consagrado

com a música Procurando Tu. Na emoção

do novo amor, Bate Coração, outro

sucesso nacional. Sábia, elegante e

também poetisa, Cecéu formou a dupla

Tony e Mary, que lançaram um disco

com músicas românticas, no mercado

carioca.

Dessa união feliz, nasceu Maíra, brilhante

filha que completou a harmonia

do casal.

Na grandeza de 90 anos de vida, a certeza

de estar na galeria dos maiores

astros e estrelas da MPB, ao lado de

nomes como Humberto Teixeira, Zé

Dantas, João Silva, Rosil, Onildo, Adelino

Moreira e outros.

Intérpretes? Jackson do Pandeiro, Luiz

Gonzaga, Trio Nordestino, Alcione,

Ney Matogrosso, Jorge de Altinho, Os

3 do Nordeste, Elba Ramalho, Genival

Lacerda, Alcymar Monteiro, Marinês,

Fagner, Mastruz com Leite e todos os

melhores da MPB. Como foram 708

músicas, eu precisaria de umas 8 páginas

para listar todos! O estopim / bate

coração / Xenhenhém / Procurando tu

/ Forró Desarmado / Menino de colo...

e haja sucessos

Em março do ano corrente, a classe artística

estará celebrando os 90 anos de

Antonio Barros. O aniversariante é

quem nos presenteia, com tantas poesias

transformadas em músicas, a sua

participação na construção da identidade

musical do Brasil e a certeza de

que as sementes por eles plantadas na

MPB não só germinaram, mas darão

frutos durante toda a existência da verdadeira

música que o povo entende,

gosta e canta no Brasil e pelo mundo

afora.

Viva Antonio Barros e Cecéu, viva

a música nordestina, viva a cultura

brasileira.

José Urbano

Prof. de história, palestrante, cordelista,

radialista, técnico em educação

13


Any Brasil

A moda

também é

para eles

Você tem a impressão de que nada

mudou na moda masculina?

Se for isso, é um total engano, pois eles

mudaram sim, e mudam a cada estação.

O clássico está mais delicado, com alterações

consideráveis.

Então vamos lá:

Primeiro é válido ressaltar que o par

blazer + calça que chamamos de terno,

está errado. Terno significa BLAZER

+ calça + colete. E aqui no Brasil, os

homens não costumam usar o colete no

dia-dia e sim, só as duas peças citadas

acima. E para isso, o nome certo é

COSTUME.

Os blazers estão mais slim, de mangas

ajustadas e lapela mais finas.

Os homens apostam em cores diferenciadas,

tecido e estampas que estão na

moda.

Outro ponto em alta é usar as calças de

barra mais curta e sem meia (sim, isso

pode e é super moderno).

Eles ainda apostam em acessórios de

luxo para acrescentar no look.

14


Agora feche os olhos e lembre como

era o costume do seu pai, e compare.

Mudou e como mudou! Então, nada de

achar que os homens não amam moda.

Amam sim, e estão super modernos.

Styling/produção @anybrasil

Marca @joyalfaiataria

Modelos @thyagoalves84 e @diegocristo

Make/hair @nannyborges.hadassa

Direção Executiva: @rodneionline

Foto @rodrigorosenthal

15


Nat ural Chic

18


Valores otimistas, a luta pela ética na

produção têxtil e cuidados com meio

ambiente é o mood da vez.

E todo esse novo estilo tem influenciado

nas tendências. Destaque para tecidos de

fibras naturais, 100% algodão, com ou

sem elastano.

Fluidez e shapes mais simples que nos

remetem ao retrô, com mangas bufantes

e cinturas marcadas com cintos largos.

Estampas florais e geométricas, cores

mais rusticas, off-white, sem esquecer

do pink (cor super em alta) e dos tons

iluminados, como o amarelo.

Pra escolher o look certo, aposte em compras

inteligentes. Peças de boa qualidade

que duram mais e arrase na estação!

modelo @je.nunes

foto @hotonventura

produção @ anybrasil

looks @verticestore

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Malude Maciel

Entre os inúmeros apetrechos que formam o visual

feminino, a bolsa está em primeiríssimo lugar. Toda

mulher gosta e precisa de uma bolsa que deve combinar

com os sapatos e as tonalidades das vestimentas. Elas

existem nas mais variadas cores, modelos, espécies,

formatos, tamanhos e preços. Há bolsas tão caras e

tão chiques que, mesmo se tendo dinheiro, não se

tem coragem de pagar tal soma por um simples

acessório.

Os estilistas aproveitam para ditar a “moda”

e a mulherada, quase sempre, acompanha

submissa tais tendências. Até as crianças

são direcionadas nesse sentido.

Logicamente que a elegância e a necessidade

de carregar muitos objetos úteis

ou não, fazem com que esse adereço

seja indispensável, pois uma bolsa

bonita e adequada para a ocasião faz

toda a diferença, porém

a vaidade comanda

o uso e o costume

muito além

da utilidade e

do charme.

Ninguém

quer repetir

a

peça e se

preocupa com

a variedade daquele

complemento

que se tornou essencial

e marcante.

É complicado saber o que

se tem numa bolsa feminina,

por isso o tamanho

grande é preferido no

dia a dia para levar os

itens mais inusitados.

Se fôssemos enumerar

as coisas que são

normalmente encontradas

numa bolsa feminina,

seria uma infindável lista.

Os homens gracejam do arsenal que as mulheres

conduzem numa bolsa, mas quando

precisam de algo, sempre se valem delas

e até dizem: “Uma mulher prevenida vale

por dez” Particularmente gosto de bolsas,

mas procuro ser o mais prática possível

porque é problemático trocá-las e

os utensílios ficarem divididos e fazerem

falta, sendo melhor centralizar e abdicar

da quantidade valorizando a qualidade e

funcionalidade.

É importante falar do perigo ao colocarmos

nossas bolsas em pias, balcões,

piso de carros, carrinhos de

supermercados e até no chão de

banheiros, e depois colocá-las

no colo ou sobre a mesa, sem

notarmos que elas estão

com bactérias e, devemos

evitar isso.

O adereço que compete

acirradamente com as bolsas

são os sapatos. Há mulheres que

ficam enlouquecidas com modelos de

calçados. Conheço algumas que têm

verdadeiras sapatarias. Paira até uma

dúvida se o campeão nessa lista de

acessórios deva ser bolsa ou sapato,

mas pessoalmente voto pela primeira,

porém a leitora pode decidir.

O certo é que nós, mulheres gastamos

demasiado com produtos de beleza e tudo que se relacione

com o visual. Cabeleireiros e manicuras, produtos

específicos, roupas, maquilagem e enfeites são nosso

ponto fraco; sem falar nas joias (bijouterias) e perfumes.

Quando a mulher passou a se manter com seu salário,

houve certa economia nessa área para evitar supérfluos

e isso é bom para não sermos exploradas, pois

quando a cabeça não pensa o bolso padece. Contudo é

salutar conservarmos nossa identidade: Toda mulher

é vaidosa por natureza. Como já dizia o poeta: “Vaidade?

Teu nome é mulher”.

Malude Maciel

Membro da Academia Caruaruense de Letras

20


Candice Pomi

O que você faria se

soubesse que viveria

até os 100 anos?

Você tem se preparado para manter-se

autônomo, saudável e ativo

para uma vida após os 80? Afinal, até

quantos anos você acha que vai viver?

E de que forma você gostaria de viver

todos esses anos? Essas são perguntas

urgentes que devemos nos fazer, já que

a população brasileira envelhece em

ritmo acelerado. Segundo o IBGE, a expectativa

de vida do brasileiro hoje é de

76,3 anos. Em comparação com 1940,

são 30,8 anos a mais que se espera que

a sociedade do nosso país viva.

O que me intriga é que não tenho visto

esse tema ser abordado com a frequência

e importância que deveria. Sou

especialista em gerontologia e percebo

que envelhecer ainda é tabu para

muita gente. Muitos evitam o assunto

como se fosse possível brecar a ação do

tempo. O cientista e escritor Benjamin

Franklin (1706-1790) tem uma frase

que explica muito bem essa postura:

“Todos querem viver por muito tempo,

mas ninguém quer envelhecer”. Nossa

cultura ocidental, que tem a juventude

como um valor, segue reforçando a

imagem do jovem como sinônimo de

produtividade, potência, beleza e felicidade.

E se envelhecer implica em

perder todos esses adjetivos, parece

compreensível que o tema esteja fora

da pauta.

Há uma revolução silenciosa acontecendo:

nossa pirâmide etária se

inverteu de forma brusca, diferentemente

de países, como Japão, Estados

Unidos e França, que envelheceram

(e enriqueceram) de forma gradual e

planejada, antes de nós. No Brasil de

1950, apenas 3 milhões da população

tinham 65 anos. Em 2030, um quarto

dos brasileiros terá 60 anos ou mais e

enquanto o envelhecer for retratado

de maneira estereotipada, como um

simples processo de perdas, estaremos

adiando esta conversa tão necessária.

A invisibilidade deste tema traz como

consequência a falta de informação e

preparo para a jornada do amadurecimento,

que inclui planejamento financeiro,

fortalecimento físico e mental,

além de nutrir uma vida social que

faça bem à alma. Neste contexto, a publicidade

tem muito a percorrer até

compreender os diferentes tons do envelhecimento,

para então enxergar de

forma empática os vários segmentos

que compõe os 60+.

Sim, viver até a chamada quarta idade

– entre 80 e 100 anos – tem sido cada

vez mais comum. Porém, aqui vai um

alerta: é preciso enxergar-se no processo

de envelhecimento para protagonizar

sua jornada de forma ativa e

consciente. Quem tem consciência de

que aos 50 anos pode estar apenas

na metade da sua vida, poderá se planejar

para manter sua autonomia e a

independência, ou seja, garantir o seu

direito de escolha, assim como a capacidade

física e cognitiva de executá-lo.

Independência é poder, por exemplo,

morar sozinho sem precisar de ninguém

para cuidar de você. Eu já fiz a

minha escolha: no que depender de

mim, serei consciente do meu processo

e te aconselho a fazer o mesmo. Para

isso, há um grande desafio: o preconceito.

Muitos não aceitam envelhecer

quando, na realidade, a atitude perante

a vida é mais determinante do que a

idade cronológica que se tem.

Se já te convenci a refletir sobre longevidade,

posso agora dar algumas dicas

para cuidar de si de maneira saudável:

comece por sentir-se orgulhoso de sua

idade e da biografia que tem construído

ao longo dos anos, mantenha seu

corpo em movimento e seu cérebro ativo

(aprenda novas línguas, se encante

por novos hobbies, explore temas desconhecidos);

cultive suas relações sociais

e afetivas; encontre maneiras de

conectar-se consigo mesmo. Mas, acima

de tudo, decida hoje mesmo como

você pretende viver a sua segunda metade

da vida.

Candice Pomi

Presidente do Comitê de Insights da

ABA e diretora de Pesquisa de Mercado

para América Latina da Kimberly-Clark.

candice.marques@kcc.com

21


Whitney Barros

Menos é mais

Quase todo mundo já ouviu essa frase

e por muito tempo ela ainda é repetida.

Tal frase tem a ver com o movimento

minimalismo que tem como ideia principal

a redução de interferências e a percepção

maior do foco principal de algo.

Na moda o design minimalista não é passageiro.

O minimalismo nasceu das mãos

do estilista Cristóbal Balenciaga a partir

da década de 1950 e desde então ganhou

adeptos que apreciam bastante essa

influência, e desta forma consegue provar

com preto no branco que veio para ficar.

A silhueta pode ser bem marcada com

peças fundamentais, tais como camisetas

básicas, vestidos e calças leves, além de

acessórios que não interfiram muito no

look final. A paleta de cores que compõem

um guarda-roupa minimalista deve

partir de cores neutras, como preto, branco,

cinza, marinho, bege, marrom e outros

tons mais versáteis que primam para

combinações mais sóbrias. A geometria

está bem presente no minimalismo, com

estampas de listras, poás, xadrezes (como

o do editorial que se chama Argyle) e

até com algumas linhas orgânicas que

se ajustam à silhueta o que pode trazer

harmonia e leveza aos looks.

Aqui deixamos vocês com uma linda

percepção do estilista e produtor Audie

Deyves, grande profissional de vida

minimalista e lamentavelmente breve,

que contribuiu muito com esse estilo

de design na moda e transfere para as

lentes de Luciano Medeiros, modelo

David Abdeno a arte de ser moderado,

mas elegantemente suficiente. Agradecemos

bastante a sua colaboração Audie e

seguiremos com você e o minimalismo:

essencial e atemporal. Que seja simples,

mas que seja marcante.

Whitney Barros

Foto Luciano Medeiros - @fotomedeiros

Modelo David abdel - @daviabedeno

Audie

Deyves

Estilista

22


23


Terapias Integrativas

Shirley Freitas

Como você se sente

hoje?

Estamos vivendo, pela primeira

vez em séculos, uma pandemia.

O mundo se conecta com um

mal que atinge a todos e gera sintomas

como pânico e depressão,

como consequência da presença da

morte, em proporções mundiais,

atingindo a qualquer, um sem fronteiras.

Você já sentiu os efeitos

emocionais do surgimento do

Coronavírus em você?

Eu sou uma terapeuta que se dedica,

há anos, a tratar sintomas e reações

nas pessoas, que as impedem

de serem felizes, realizando seus

desejos e sonhos, simplesmente,

por não se sentirem capazes, nem

merecedoras. Muitas dessas pessoas

sentem-se muito culpadas ou se

percebem como vítimas, o que dificulta

olhar para a solução.

Um jovem perguntou a um homem

velho como poderia se livrar do

medo. O sábio homem lhe mandou

correr sem parar, para ficar longe

de tudo que poderia lhe deixar

com medo. O jovem deu a volta ao

mundo e, ao retornar, foi procurar

o velho homem e o encontrando lhe

disse que estava ainda mais assustado;

contou que viu e ouviu coisas

que o deixaram tão inseguro que

já não conseguia ter paz. Então o

mestre lhe disse: mandei você correr

para que aprendesse que não

importa onde você vá, se não descobrir

como olhar de frente para o

medo, compreender o que ele significa,

até hoje, e juntar recursos

para superá-lo, não importará aonde

você vá.

A OMS (Organização Mundial de

Saúde) dispõe de dados alarmantes

sobre o efeito que estados de guerra

causam no comportamento das

pessoas. Os Estados Unidos gastam

milhões de dólares com seus veteranos

de guerra (pessoas traumatizadas

que não conseguem mais

interagir socialmente devido as

sequelas do medo de morrer e dos

horrores a que foram expostos).

24


A Constelação familiar sistêmica é

um recurso, não apenas para superar

sentimentos e sintomas originados

pelo medo, mas contribuir para

a expansão de consciência de tudo

que envolve a dor e o sofrimento e

lançar uma luz sobre as soluções.

Como você se sente diante da

ameaça de um

vírus que já levou à morte

milhares de pessoas?

( ) impaciente e ansioso(a)?

( ) com raiva do vírus e até de se

mesmo(a)?

( ) sente medo de ver alguém que

ama morrer?

( ) sente culpa ou impotência por

não poder fazer nada?

( ) angústia e falta de sono com

tanta incerteza do amanhã?

( ) nenhuma dessas alternativas.

Eu sinto:

________________________________________

________________________________________

(escreva aqui)

A Constelação Familiar Sistêmica é

a ciência dos relacionamentos, que

olha para o todo e amplia a visão do

que as partes envolvidas representam

e como liberar os emaranhados

que se formaram para que os

envolvidos possam seguir com possibilidades

de escolhas, restabelecendo

a força pessoal e também a

força coletiva. Pois, entende que

sintomas são alertas para serem

incluídos e não ignorados ou camuflados

com doses de remédios que

sozinhos só mascaram o problema.

O desafio agora é vencer a desinformação

e o preconceito sobre os

efeitos causado às emoções, que

impossibilitam de muitos se beneficiarem

com a resolução de seus

conflitos gerados pela incompreensão

de si mesmos e das questões

à sua volta. Pois, no fundo, somos

todos um, indivisíveis e muito mais

que traumas e medos.

A ajuda psicológica na intervenção

terapêutica, seja ela presencial ou,

cada vez mais, de forma online,

tem ampliado o conforto as enfermidades

surgidas, depois da ameaça

à vida e do forçado estado de

quarentena.

As questões como insegurança e incerteza

são geradoras de sintomas

físicos e comportamentais, que somados

à necessidade de tomar novas

decisões e mudar hábitos vão

necessitar de suporte!

Terapeutas e terapias são aliados

nessas fases, pois, como o vírus, as

questões emocionais são invisíveis

aos olhos e bem mais sutis e requerem

uma atenção especial, em

momentos de crise e na prevenção

delas.

Espero ter contribuído para que,

preventivamente e efetivamente,

você possa ter compreendido a importância

do cuidado com o aspecto

emocional e saiba procurar ajuda,

como tratamento ou prevenção

nesses tempos de pandemia e para

toda a vida.

Um afetuoso abraço!

Shirley Freitas do Carmo

Psicóloga, Trainner em Programação Neurolinguística

(Pnl), Consteladora Sistêmica e

Thetahealing.

shirleyconstela@hotmail.com

81 99555.1309

25


Fisioterapia

Thaísa Batista

Vulvodínia

vulvodínia é um tipo de dor pélvica crônica de origem

A ginecológica, onde temos dor e/ou ardência na região

da vulva (sem nenhuma outra doença ou infecção ginecológica

associada). Essa região fica mais sensível devido a uma

alteração nos nervos localizados ali, e o cérebro entende

qualquer estimulo na região, como algo muito doloroso.

As mulheres acometidas pela vulvodínia, sentem

dor e/ou ardência quando:

• Colocam um absorvente interno ou externo;

• Tocam na região vulvar;

• Quando passam muito tempo sentadas;

• Algumas até mesmo quando colocam a calcinha ou

uma calça jeans.

Existem dois tipos de vulvodínia:

• Espontânea (quando ela sente o dia todo);

• Localizada provocada (quando se toca em alguns pontos

na região vulvar ou se coloca o absorvente ou ainda

durante o ato sexual).

O tratamento requer uma equipe multidisciplinar com fisioterapeuta

pélvico(a), ginecologista, psicólogo(a) e nutricionista

especializado na saúde da mulher.

No tratamento fisioterápico iremos utilizar

técnicas e recursos para trabalhar:

• Relaxamento e alongamento;

• Mobilidade pélvica;

• Liberação de pontos de tensão;

• Reeducação sensorial;

• Orientações.

E importante ressaltar que a pratica da meditação e atividades

físicas liberam endorfina, que é uma substância analgésica

natural, auxiliando no alívio da dor. A vulvodínia tem

tratamento, por tanto se você passa por isso, trate e melhore

sua qualidade de vida.

Thaisa Pereira

Bacharel em fisioterapia;

Especialista em Fisioterapia Pélvica e Obstétrica;

Especialista em Linfotaping;

Especialista em Estética Íntima;

Colaboradora da Revista Moda&Negócios.

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José Nivaldo Junior

DROGAS: PROIBIR OU LIBERAR?

Recentemente, o Secretário de Defesa

e Cidadania da Prefeitura da

Cidade do Recife, Murilo Cavalcanti, externou

publicamente sua opinião favorável

à total e completa liberação das

drogas. O governo Bolsonaro não gostou,

naturalmente. E no melhor estilo

do bolsonarismo, esperneou, ampliou

o conflito com o PSB de Pernambuco

e ameaçou até processar o Secretário

por incitação ao crime.

É uma visão. Conservadora. Sem dúvida

acarada pela maioria da sociedade.

Que é, como já está provado e comprovado,

majoritariamente reacionária

nos costumes.

Ao mesmo tempo é, conforme entendo,

uma pauta inútil. Pelo fato de entrar

em uma guerra com apenas um resultado

possível: a derrota.

As pessoas confundem defesa da liberação

com apologia ao consumo. São

coisas muito diferentes. Repito: o primeiro

ponto de vista, esse de proibir

tudo, adotado pelo governo, é a opinião

que a maioria se dispõe a expressar.

Mas nem sempre concordo com a

maioria.

MINHA OPINIÃO

A minha opinião oposta. Sou do tempo

em que o lema “É PROIBIDO PROIBIR”

arrebatava corações.

Reconheço que a questão das drogas é

polêmica e emocional.

Meu ponto de vista é pela liberação.

Total, completa, absoluta.

Sou contra o modelo repressivo que

está aí, firme e forte. Que não inibe e jamais

inibiu o consumo. E além do mais

cria uma desnecessária teia de criminalidade.

Como aconteceu no tempo

da Lei Seca norte-americana, lição que

poucos aprenderam. Como, por outro

lado, o vitorioso modelo de combate

ao tabagismo está provando e poucos

querem ver. Nesse caso exemplar inibe-se

o fumo sem proibições radicais,

combinando restrições e orientação.

É o melhor caminho.

Além de vinho, cachaça ou uísque, sequer

experimentei outras drogas. Não

gosto, não quero, não concordo.

Portanto, não puxo a brasa para minha

sardinha. Não legislo em causa própria.

Defendo o que considero melhor

para a sociedade. E aceito debater com

pessoas que pensam diferente.

Sou contra o consumo de drogas ilícitas.

Apenas, fujo das sombras, que

sempre favorecem o mal.

Prefiro o bom combate, travado à luz

do sol.

A OPINIÃO DO JURISTA

O jurista e acadêmico José Paulo Cavalcanti

Filho, defende uma terceira

opinião.

Abre aspas.

Os países do Primeiro Mundo querem

testar um modelo de liberação do consumo

de drogas.

Como, aliás, se pode comprovar nos

muitos congressos internacionais sobre

“drug adicts”. Mas não na terra deles.

Esperam que algum país periférico

tome a iniciativa. Onde foi feito, não

deu certo. E se voltou atrás. Uruguai?

Falemos sério. Das 77 Farmácias de

Montevidéu, só três aderiram. E continua

a venda ilegal, pela baixa toxidade

da maconha liberada. Em resumo:

Provavelmente, a tese da liberação é a

melhor. Só que não é isso que está em

discussão. O centro da conversa é que

essa liberação deve ser tentada em Estados

Unidos, Alemanha, Inglaterra. Se

der certo, a gente copia. Se não, ainda

bem que não tentamos. Ser cobaia dessa

gente, não.

Fecha aspas.

E você? Qual a sua opinião?

José Nivaldo Junior

Publicitário. Consultor. Da Academia

Pernambucana de Letras.

27


Memória

Hélio Florêncio

A FORCA - 1859

PENA DE MORTE EM CARUARU

área compreendendo a atual Praça do Rosário, o Lactário

e o Cafundó, que, em meados do século XIX, forma-

A

va um só descampado, era conhecida como “Largo da Forca”

desde quando aconteceu, em 26/01/1859, uma quarta-feira,

a execução, pela forca, do escravo Quirino, por crime de

parricídio, após o imperador Dom Pedro II em 26/10/1858,

como última estância, negar o pedido de clemência.

A condenação à forca se deu, por ter o réu, em 24/06/1856,

morto, por motivos fúteis, com uma foice, em Malhada de

Pedra, o seu pai e também escravo, senhor Luiz, ambos pertencentes

a José Florêncio Júnior.

Essa execução, foi, provavelmente, a única ocorrida em Caruaru,

desde que não existem menções, nem antes e nem depois

dessa data, a nenhum outro acontecimento semelhante

nos registros históricos da cidade.

O colaborador Pedro Trancoso 1 do Diário de Pernambuco,

1 Pedro Trancoso era o pseudônimo do Juiz de Direito Dr. Manoel Correia

Lima, nosso primeiro jornalista.

Largo do Rosário antes do início das obras de construção da Praça - 1924

em Caruaru, testemunha ocular da execução, descreveu o

acontecimento para aquele jornal do seguinte modo:

“No lugar do Cafundó, desta cidade, pelas 10 horas da manhã,

onde, previamente, fora a mando do juiz das execuções,

afincada a forca na qual se havia de dar morte ao criminoso

Quirino, foi esse efetivamente morto. De véspera afluíram

à cidade um crescido número de pessoas que ansiosos se

apresentaram ao lugar da execução.

Na hora marcada, em frente à cadeia pública, se reuniu uma

grande multidão, atraída pelo acontecimento, a Força Policial,

composta por praças de linhas, polícia, a guarda nacional,

o réu Quirino e o também prisioneiro Florêncio José

Baptista, este no papel de carrasco.

Quando o porta-voz do Júri começou a ler a sentença que

condenou o infeliz Quirino a pena de morte, por haver assassinado

seu velho pai, começaram todos a seguir em direção

à forca.

Todos os olhares estavam fixados no infeliz Quirino. A sua

28


Praça do Rosário por ocasião, ainda, da sua construção, no final do ano de 1924

direita caminhava nosso vigário, o padre Antônio Freire de

Carvalho (Vigarinho) e logo atrás o preso Florêncio José

Baptista, que na mão direita carregava a corda que pendia

do pescoço do infeliz.

O silêncio dominava, a multidão crescia e o protagonista deste

lúgubre acontecimento, indiferente a tudo que o cercava.

Quando chegaram ao local da execução, o juiz 2 que presidia

o ato e a força policial tomaram os lugares que a lei determinava,

enquanto o infeliz Quirino caminhou com passo firme

para junto da forca, de onde pediu perdão a todos quantos

havia ofendido com seu crime e declarou de todo coração,

que perdoava todos que haviam concorrido para sua morte

e subiu a escada com facilidade e só no alto o carrasco

principiou a sua missão de amarrar a corda com um laço,

que devia tirar-lhe a vida, ao que se prestou o infeliz sem a

menor repugnância.

A ansiedade da multidão cresceu. Um movimento surdo e

continuado se fez ouvir em todo o espaço ocupado pela multidão

que testemunhava a ação da lei sobre um criminoso,

quando o carrasco segurando o infeliz pelos pés, o fez girar

sobre si mesmo.

Não é possível descrever o que no momento se passou no interior

de tantos indivíduos de condições diversas e do pobre

infeliz, que impelido pela força do carrasco e repelido pela

fraqueza da corda que devia separá-lo do meio de nós, ficou

estendido no chão, tinha rompido a corda.

Nesse mesmo instante, um brado de misericórdia meu Deus

se fez ouvir. Eram as mulheres, homens e meninos, horrorizados

com o ato.

O infeliz foi de novo guiado para o sacrifício, para consumação

do ato ao qual havia sido destinado, subiu pela segunda

vez a escada, dessa vez com ajuda por já se encontrar machucado,

onde um novo laço prendeu-lhe o pescoço, que

dessa feita se deslocando, deu morte ao infeliz, que hoje

ocupa espaço nas entranhas da terra.

Consummatum est! A sociedade está vingada e a lei foi

cumprida.

Em todo o correr do drama horroroso com que me ocupo,

um vulto bem saliente se fez conhecer, mostrou um espírito

evangélico superior.

O nosso vigário, tendo visitado dias continuados ao infeliz

Quirino, quase não o deixou a não ser para cumprimento dos

deveres de seu ministério. Era sublime, era digno de admiração

ver-se o ministro do altar, compenetrado de sua santa

missão, procurar arrancar uma alma da perdição. Palavras

cheias de unção saiam de seus lábios, lágrimas profundas de

dor intensa banhavam seu rosto, dor profunda magoava-lhe

o coração, a caridade, essa santa virtude que faz dos fracos

fortes e dos pobres ricos, exprime tudo quanto se pode dizer

do comportamento do padre Antônio Freire de Carvalho.”

Hélio Fernando de Vasconcelos Florêncio

Engenheiro civil

Pesquisador e historiador

2 Dr. José Maria Freire Gameiro Júnior, juiz municipal e das execuções

criminais.

29


30

Notícia

Advogado

Walter

Augusto de

Andrade

Aos 79 anos, faleceu, no domingo, dia 05 de abril,

o Advogado, Walter Augusto de Andrade. Dr.

Walter Andrade foi secretário de administração da

Prefeitura Municipal de Caruaru, no primeiro Governo

do Prefeito José Queiroz e também de João Lyra

Neto. Foi um dos fundadores e presidente da Academia

Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras-ACAC-

CIL, fundador da União Brasileira de Escritores-Nucleo

Caruaru e da ACAMUS- Associação Cauaruense

de Música e membro da Academia Caruaruense de

Letras Jurídicas e do Instituto Histório de Caruaru.

Deixa esposa, 3 filhos e 8 netos. Além de uma grande

lacuna no meio cultural e jurídico de Caruaru.

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