3A Edição Revista ICONIC

osjbadm

A Revista ÌCONIC é uma revista da Orquestra Sinfônica Jovem do Bixiga.
Nesta 3a Edição, vamos falar sobre diversos assuntos. Uma delas é sobre nosso Bixiga, teremos também a participação de um CHEF Paulinho Lim de Goiânia, com dicas sobre Cupcake, um espaço aberto para dicas e receitas, vamos falar sobre os paternidade, Pensão Alimentícia, nossa ICONIC está especial

A sua participação. tem sido maravilhosa, recebemos muitos e-mails e resolvemos criar o Cartas do Leitor.

Vamos falar agora um pouco sobre Ética Profissional. Sem dúvidas, profissionais éticos, independentemente do cargo que ocupam, constroem sua imagem com credibilidade.Dessa forma, se tornam pessoas confiáveis e servem como referência para os demais, gerando respeito, admiração e reconhecimento para si mesmas. A honestidade deve fazer parte da postura no trabalho. Pessoas comprometidas demonstram que têm responsabilidade com o trabalho. Ser comprometido significa estar genuinamente preocupado com a performance individual e da empresa, sempre buscando melhores resultados.Ter prudência nos relacionamentos profissionais é primordial para agir com ética. A conduta ética deve fazer parte da sua rotina e valorizada em cada atitude.
Marilu Gomes
Editora Chefe

I C O N I C

A G O S T O 2 0 2 0 N O . 0 3

B I M E S T R A L

Entrevista com

Fause Haten

Dra. Milena

Bonafé - Pensão

alimentícia

Vamos conhecer O Ponto de

Cultura - Mestre Ananias - no

Bixiga

ACADEMIA DE ÓPERA DA OSJB

Eduardo Janho-Abumrad e João

Moreira Reis

ESPECIAL

Entrevistas e homenagem à todos os Pais.

CORO da OSJB

Maestro Rafael Righini

V A M O S F A L A R D E M Ú S I C A


I N S T I T U T O O M I N D A R É

O QUE

APRENDEMOS

SE TORNA

PARTE DE

QUEM SOMOS

SEJAM BEM-VINDOS!

WWW.INSTITUTOOMINDARE.ORG.BR






“MANIFESTO NEO-ANTROPOFÁGICO”

"O Brasil é um microcosmo do mundo. É

a soma de tudo e a soma de todos!

Somos “antropofagia” viva, como

desvenda o Manifesto de Oswald de

Andrade publicado em 1928. Entretanto,

lá se vão quase 100 anos desse momento

ímpar da nossa cultura. Sob a ótica de

muitos críticos e pensadores, o Brasil

vive ainda sob as amarras dos chamados

“países do primeiro mundo”, que

parecem não querer permitir a

libertação da autoestima brasileira –

salvo (aos olhos forasteiros) o futebol e o

carnaval. Sim, é verdade! Possuímos, de

fato, um futebol que está sempre os

melhores do mundo e produzimos o

melhor carnaval do Planeta! Mas, somos

também muitas outras coisas

maravilhosas! Não é de hoje que se luta

para que consigamos nos enxergar

como seres criativos, competentes,

eficazes e eficientes. Os chamados

“modernistas” perceberam e nos

alertaram disso tudo já nos idos dos

anos 20 do século XX. Nossa música é

única e revela a profundidade da alma

brasileira, nossas danças são

contagiantes, nossa mistura de gentes é

linda, nossas terras são fascinantes e

exuberantes, nossas praias e montanhas

são maravilhosas e arrebatadoras, nosso

clima é acolhedor. Desfrutamos mesmo

do paraíso na Terra. Nosso problema

endêmico não é ficar aguardando que os

povos do chamado “primeiro mundo”

nos permitam elevar nossa autoestima.

Não! O desafio consiste em

desenvolvermos nossa autoconfiança!

Nosso projeto de nação ainda não se

consolidou, em verdade, nunca se

concretizou! Conforme destacamos

anteriormente, há quase cem anos os

modernistas nos despertaram para

o nosso potencial! Mas, há algo que nos

impede de realizá- lo: a desigualdade.

Desigualdades de toda a sorte: social,

econômica, política, educacional,

cultural. Isso tem sido, durante séculos,

nosso inferno incandescente e nos

mantém em permanente estado de

escravidão e eterna sensação de povo

colonizado.

A desigualdade é um cancro que lança

nódoa sobre o caráter nacional. Nossa

rica cultura, não avalizada pelo

estrangeiro (que só conhece o Brasil

pelo futebol e pelo carnaval), é

negligenciada. E o pior de tudo,

negligenciada por nós mesmos, em

reforço de um persistente complexo de

vira-latas. Ainda dá tempo de corrigir,

modificar, curar esse mal que nos

assola e nos limita desde que as

primeiras caravelas aportaram em

nossas águas.

Agora é mais que hora para voltarmos a

refletir, retomar e colocar em prática o

que foi proposto pelos agitadores da

semana de 1922 e, também pelos

idealizadores do “tropicalismo” de

meados da década de 1960: é a hora da

NEO-ANTROPOFAGIA.

Sim, tempo ideal de assimilar, de

ruminar, engolir as influências, idéias,

produtos e tecnologias de tudo o que

vem de fora das nossas fronteiras

– afinal, o mundo não tem mais

fronteiras. Vamos nos reinventar na

aldeia global! É a hora da NEO-

ANTROPOFAGIA, tempo ideal de

esfarelar todos esses ingredientes em

nosso “super liquidificador” para que, no

ato de engolir tudo, mixar tudo,

possamos alimentar a nossa vocação

agregadora, a fim de obter um novo

caráter nacional, fazendo surgir um

novo Brasil. Ao nosso ver, agora, nesse

início de século XXI, é chegada a hora,

mais uma vez como já o fizeram Villa-

Lobos, Tarsila do Amaral, Mario de

Andrade, Carmen Miranda, Tom Jobim,





ACADEMIA DE ÓPERA

ORQUESTRA SINFÔNICA JOVEM DO BIXIGA






FAUSE HATEN










C A M I N H O S

D I F Í C E I S

C O S T U M A M

L E V A R

A L I N D O S

D E S T I N O S







#StopTheSpread

FONTE: OMS

Como Praticar o

Distanciamento

Social

Evite aglomerações

Mantenha uma distância

de 2 metros — por volta da

medida de um corpo — de

outras pessoas.

Evite tocar outras pessoas,

incluindo apertos de mãos.

O distanciamento social

diminui a propagação do

coronavírus, garantindo os

recursos disponíveis para

quem mais precisa.





E

APRESENTADO

POR

IDEALIZADO

JANHO

EDUARDO

ABUMRAD

VOZ

&

EMOÇÃO

PROGRAM

DA A

RÁDIO

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OAB/SP

421.743

A PALAVRA:

COM

MILENA BONAFÉ

DRA.

é um direito tutelado no

Esse

Civil, especificamente em

Código

tratamos de alimentos,

Quando

questionamentos podem

alguns

como quem são os titulares

surgir,

direito, como e quando

deste

entre outros. O objetivo

solicitar,

artigo é tentar sanar

deste

dessas dúvidas.

algumas

ressaltar que a pensão

Cabe

é destinada apenas aos

não

em si, mas abrange

alimentos

todos os demais

também

como moradia, educação,

custos,

vestuário, tudo que

saúde,

as necessidades

envolve

da criança ou daquele

básicas

necessita.

que

vamos pontuar

Inicialmente,

que têm o direito a

aqueles

alimentícia. São os filhos

pensão

de 18 anos; aos filhos

menores

desde que comprovado

maiores,

frequência em curso

a

ou técnico; o excônjuge

universitário

ou ex-companheira (o),

que comprovado sua

desde

as grávidas e outros

necessidade;

próximos que

parentes

sua necessidade.

comprovem

à explicação para cada

Vamos

deles: um

filho menor todos nós

Ao

que é possível solicitar

sabemos

alimentos, pois aos menores a

os

é presumida. A

necessidade

é encerrada quando

obrigação

completa os 18 anos, desde

este

não esteja devidamente

que

em curso superior ou

matriculado

força da obrigação

Por

de viabilizar a formação

parental

para os filhos

profissional,

de idade, até os 24

maiores

poderá demonstrar a

anos,

de continuar

necessidade

os alimentos, para

recebendo

é obrigatório comprovar em

isso,

a frequência em curso

juízo

ou técnico, ou ainda

superior

que a necessidade

demonstrar

após sua maioridade.

permanece

ex-cônjuge ou

Aos

também é

ex-companheira(o),

requerer os alimentos,

possível

demonstrar

devendo

real necessidade, mas não será

a

tempo indeterminado, e sim

por

um período estabelecido

por

que esse possa se organizar

para

ter sua independência

e

novamente.

financeira

as grávidas, os

Para

são voltados ao feto,

alimentos

de gravídicos, o

chamados

tem a responsabilidade

genitor

auxiliar financeiramente a

de

com todos os gastos

gestante

terá durante sua gestação,

que

custos médicos, remédios,

como

PENSÃO ALIMENTÍCIA

técnico.

Código Civil

seus artigos 1.694 e seguintes.

Dra. Milena Bonafé

e-mail milenabonafe@adv.oabsp.org.br

vitaminas, etc.


outros parentes próximos

Os

a Lei trata, é a obrigação de

que

alimentos, entre pais e

prestar

que se estende aos

filhos,

ou seja, é possível

ascendentes,

mãe e pai requeiram a

que

alimentícia de seus filhos,

pensão

como os avós.

assim

que entendemos quem

Agora

solicitar os alimentos,

pode

esclarecer qual a forma

vamos

requerer.

para

caminho indicado e mais

O

é via judiciário, ou seja,

seguro

com a ação de

ingressar

Sendo necessária a

alimentos.

ação de alimentos, será

Na

a porcentagem a

determinada

paga, sobre os rendimentos

ser

que prestará, levando

daquele

consideração a necessidade

em

alimentando e possibilidade

do

alimentante. Será ainda,

do

à data de

estabelecida

ou determinado via

pagamento

à empresa do alimentante

ofício

desconto diretamente em

o

holerite.

primeiro passo na ação será a

O

do valor provisório,

fixação

que o judiciário possui

sabemos

grande volume de processos

um

o torna lento, mas neste

que

de ação, por tratar-se de

tipo

a fixação do valor é

alimentos

com rapidez.

feita

OAB/SP

421.743

aquele que está com

Orientamos

guarda do menor, a separar

a

os comprovantes de

todos

que a criança demanda,

gastos

exemplo, comprovantes de

por

gastos com vestuários,

mercado,

escola, uniforme,

calçados,

escolar, comprovantes

material

farmácias, etc. Assim, poderá

de

ao juiz o quanto é

demonstrar

para o sustendo do

necessário

filho.

caso de desemprego do

Em

isso não o exime de

alimentante,

a pensão alimentícia,

pagar

geralmente determinada

sendo

porcentagem sobre o salário

uma

vigente.

mínimo

que a guarda

Ressalta-se

não é motivo para

compartilhada

dos alimentos, sendo as

isenção

iguais à guarda

obrigações

não tenha condições de

Caso

um advogado é possível

contratar

através da defensoria

requerer

basta agendar um

pública,

junto ao atendimento

horário

do órgão.

telefônico

ter esclarecido alguns

Esperamos

sobre a pensão

pontos

contratação de advogado.

unilateral.

alimentícia.

Dra. Milena Bonafé

e-mail milenabonafe@adv.oabsp.org.br

Bolos Cris Kaiser

Instagram @mkaizerlucio

www.Facebook.com/BOLOSCRISKAIZER/

Wattsap (11)98316 2253




Somos uma

comunidade

A inclusão é vital para nosso

orgulho.

Grupo Sampa LGBT



PAI

Entrevistamos diversos Pais e agora chegou o momento para nós homenageá-los

PAI É PAI E

PONTO FINAL!

Quando decidimos falar do dia dos Pais, pensamos

imediatamente em toda a diversidade paterna.

Afinal o que é SER um Pai?

Vamos deixar essa pergunta para que você nossos

leitores reflitam e respondam!

A vocês, que nos deram a vida e

nos ensinaram a vivê-la com

dignidade, não bastaria um

obrigado. A vocês, que iluminaram

os caminhos obscuros com afeto e

dedicação para que os trilhássemos

sem medo e cheios de esperanças,

não bastaria um muito obrigado. A

vocês, que se doaram inteiros e

renunciaram aos seus sonhos, para

que, muitas vezes, pudéssemos

realizar os nossos. Pela longa

espera e compreensão durante

nossas longas viagens, não bastaria

um muitíssimo obrigado. A vocês,

pais por natureza, por desejo, e

amor, não bastaria dizer, que não

temos palavras para agradecer tudo

isso. Mas é o que nos acontece

agora, quando procuramos

arduamente uma forma verbal de

exprimir uma emoção ímpar. Uma

emoção que jamais seria traduzida

por palavras. Amamos vocês!

Alexandre Peixe

Alexandre Nero


Os pais.

Entrevista

com o ator Alexandre Nero

Como foi ser pais aos 50 anos?

Para mim foi um encontro

com o meu pai, porque eu o

perdi quando ele tinha 49

anos. Como eu fui pai perto

dessa idade, tenho me dado

conta de como é importante

a presença de um pai. Foi

também uma preocupação,

queria tentar fazer o máximo

dentro do meu possível. Meu

pai não morreu por culpa

dele, claro, mas se depender

de mim, vou cuidar o melhor

possível da minha saúde, da

minha alimentação. Tento

fazer exercícios para estar

saudável e vivo,

especialmente vivo por

muito tempo na vida dos

meus filhos. Sei da

importância que é estar

presente na vida de um filho.

Como a paternidade te

transformou?

A paternidade foi me

transformando aos poucos,

não foi da noite para o dia.

Convivendo com a mãe dos

meus filhos tenho a sensação

de que é diferente, porque ela

carrega o filho dentro dela, o

filho é ela. Para o pai, essa

ficha demora muito para cair.

Mesmo depois do nascimento, o

pai ainda não se sente pai, ele

está se adaptando àquele

ser. Então, para mim a

paternidade foi uma

transformação muito lenta e

ainda está sendo: a cada dia eu

vou me transformando cada vez

mais em um pai. Por exemplo,

agora, quatro anos depois do

nascimento de meu primeiro

filho, o Noá, eu resolvi estudar

mais profundamente assuntos

como pedagogia, educação.

Acho que todo mundo que tem

filho deveria fazer cursos e

estudar para entender

melhor como educá-lo.

Como você concilia a vida

profissional e a pessoal depois do

nascimento dos seus

filhos?

Eu não consigo mais diferenciar

uma coisa da outra. Para mim tudo

está interligado. Eu não consigo

mais interpretar um personagem

que não passe pelo pensamento

dos meus filhos.


Mesmo que seja um homem

sem pai, sem filho, aquela

emoção, aquele sentimento

que eu tenho agora faz parte

de mim, então tudo,

qualquer coisa que eu pense

em relação ao mundo

perpassa pelos meus filhos,

ou pela ideia de tê-los, de

melhorar o mundo, ou de

que mundo estou deixando

pra eles. A minha vida

profissional está totalmente

ligada a tudo que eu falo, a

tudo que eu penso: o

personagem que eu faço,

a música que eu faço, não

tem como desvincular essas

coisas.

Você colabora com as tarefas

relacionadas aos meninos?

Olha, acho que a palavra

nem é mais colaborar,

porque não é uma ajuda, é

uma tarefa minha, eu não

tenho que ajudar a Karen: é

uma tarefa minha! É uma

obrigação, todo mundo tem

que fazer de tudo: ajudar,

educar, conversar. Trocar

fralda, dar banho, dar

remédio, isso é fácil, o mais

difícil é estar perto e educar,

isso é o mais complicado.

Na sua opinião, qual a parte

mais desafiadora da

paternidade?

Como me comunicar da

melhor maneira possível e

como entender aquela

criança, como entender o

pensamento dela, o que ela

quer dizer. Como a criança

ainda não sabe demonstrar

claramente os sentimentos, às

vezes ela está angustiada e

não sabe bem porquê. É

entender o que a criança está

querendo dizer e, do nosso

lado, tentar estabelecer uma

comunicação com ela, acho

que é a parte mais

desafiadora. É nos educarmos

para educar. Mas tudo isso são

coisas que eu acho... estou à

procura!

De que forma a criação que você

recebeu reflete no modo como

você educa os seus

filhos hoje?

Indiretamente, tudo o que eu

recebi dos meus pais se reflete

na educação dos meus filhos.

Inclusive as coisas ruins. E é

nisso que eu estou trabalhando.

Eu fui um cara muito amado,

tive um pai e uma mãe

maravilhosos, mas por diversas

questões daquela época, eles

não sabiam muito bem o que

fazer com crianças. E eu carrego

essa desorientação comum na

época: esse equívoco, eu não

quero transmitir para os

meus filhos. É por isso que

tenho ido atrás de saber

mais sobre o universo

infantil, para tentar ir além

do que os meus pais fizeram.

Quais valores que você e a sua

mulher mais se esforçam em

passar para o Noá e para o

Inã?

Nesse momento, acho que é

o respeito pelos colegas, o

carinho com o próximo, a

atenção. A importância de

dar à criança a chance de

escolher, pois ela aprende

que não poderá ter tudo. O

Noá também está numa fase

muito competitiva e a

gente sempre tenta fazer

com que ele entenda que

nem sempre ele precisa

ganhar, que a vida não é

assim. Acho que isso pode

ser bom para futuras

frustrações, que também

serão inevitáveis e, para isso,

trabalhar bastante a

autoestima.

Agora na quarentena, o que

você e a sua esposa estão

fazendo para distrair as

crianças? Quais atividades

vocês estão praticando

juntos?

Eu voltei a estudar, inclusive.

Como em tudo na

vida, a gente acaba

delegando algumas coisas, o

trabalho acabou me fazendo

ter que delegar: meu filho



Ele sempre teve muitos

amigos que eram bissexuais

e homossexuais. Eu também,

sempre tive amigos com

orientações sexuais

diferentes, tenho um

sobrinho que é gay, sempre

respeitei, mesmo assim, foi

um choque total. Acho que o

mais difícil foi descobrir

dentro de mim que eu era

homofóbico, saber que o

meu filho era gay me

mostrou isso.

Mil coisas ficaram na minha

cabeça a partir daquele

momento, não conversamos

mais sobre o assunto, a

questão é que o meu

relacionamento com o meu

filho nunca foi muito íntimo,

sempre houve uma barreira

entre a gente e eu nunca

entendi o porquê. E depois

da revelação dele, a nossa

relação foi ficando mais

distante ainda, nós já não

nos olhávamos, não nos

tocávamos.

Um dia teve jogo do

Corinthians e eu e a minha

filha fomos juntos. No caminho

ela questionou porque eu

andava tão desanimado,

perguntou se não era

vergonha o que eu estava

sentindo em relação ao Vitor e

eu vi que era isso! Ela estava

com 15 anos me falando: “É

desse cara que você sempre

falou com orgulho pra todo

mundo, sobre como ele era

estudioso, esforçado e

inteligente que você está com

vergonha? Só por ele gostar de

menino?”

E foi uma porrada, porque era

isso! Eu tinha vergonha do

meu filho, não estava

preocupado com o que ele

sentia, mas com o que os

outros iriam pensar. Aí

procurei ajuda, porque me

senti ainda pior.

E olhando hoje para trás, por

que você acha que você não

enxergava a orientação sexual

do seu filho?

Ele era reservado, introvertido,

falava mais com a mãe. Ele

sofria bullying na escola. Eu

era mais delicado, mais chorão,

sempre gostei de moda, de me

vestir bem e ele era parecido

comigo, esse lado feminino,

sempre falavam isso. Então

não percebia a questão da

homossexualidade. Eu nunca

imaginei. E ele nunca

demonstrou, só uma

sensibilidade. Mas eu nunca o

incentivei na questão

machista, meu pai era assim e

eu não suportava isso, me

agredia, então não passei isso

para ele.

Minha primeira vez foi com uma

prostituta e foi muito ruim.

Olhando para trás, hoje, vejo

que ele já sabia o que queria e

foi difícil para ele se aceitar, não

decepcionar. Então tinha esse

distanciamento entre a gente,

eu fazia piadas que hoje eu sei

que são homofóbicas, essa e

outras atitudes nos afastavam.

Como a aceitação e a

participação no grupo de apoio

mudou a relação de vocês?

Eu vi que precisava de

ajuda porque eu estava

perdendo o meu filho e não

sabia como me reaproximar,

tinha criado um muro enorme.

Tem muita gente vivendo assim,

diz que aceita, mas não

compartilha, não conversa.

E comecei a procurar ajuda,

pesquisei por grupo de pais

gays, não tinha, aí achei o Mães

Pela Diversidade. Peguei

o contato da coordenadora e

mandei mensagem perguntando

se o grupo aceitava a

participação de homem. A

coordenadora me chamou para

a reunião e falei para a

minha mulher. Ela me disse que

participava das reuniões há um

ano já, mas eu

não fazia ideia, tal era o nível de

falta de conversa.


E começou a reunião, elas

estavam se planejando para

ir na Parada do Orgulho

LGBT. Eram mães de

lésbicas, trans, gays e vi

aquelas mulheres agindo

normal e apaixonadas pelos

filhos, gostei demais. Os pais

iam de vez em quando, mas

o grupo era das mães, no

geral. Aí vi a diferença de

amor de mãe para o amor de

pai. A mãe ama

incondicionalmente e eu fui

me apaixonando por essas

mulheres, aquela

mobilização, porque na

minha juventude eu era

muito ativista. Comecei a me

identificar com aquelas

mulheres porque elas tinham

algo para lutar. E fui cada vez

mais entendendo os

preconceitos, o que as mães

passavam, sabendo da

existência de pais que

expulsam filhos de casa só

pela questão da sexualidade,

e as mães são expulsas junto

ao tentarem defender os

filhos. Fui para a parada

LGBT, e não parada gay

como aprendi (risos), fui com

as mães e vi que elas

provocam uma fascinação no

público. Elas representam a

família e o apoio que eles

não têm. Os olhos deles

clamando por amor, como o

meu filho, eles só querem

amar livremente. Eu passei a

enxergar e começamos a

conversar mais, ligar um para

o outro, coisa que nunca

fizemos.

Fomos nos aproximando, até

que num domingo, eu

estava cozinhando e ele

acordou, levantou e me deu

um abraço. Me emociono

porque foi o abraço mais cheio

de amor que tive na vida.

“Os pais desabafam, eles se sentem mais

livres para conversar com outro homem,

porque é preciso falar, você precisa sair do

armário junto com o seu filho!”

Washington

Também fui até a Casa

Florescer, uma casa da

Prefeitura que acolhe mulheres

trans, elas são acolhidas,

aprendem uma profissão e são

encaminhadas para o mercado

de trabalho. E são pessoas

maravilhosas, mas muito

sofridas. A minha convivência

com o Vitor foi melhorando,

fomos nos aproximando.

Naquele momento, percebi que

eu era pai, que estávamos

conectando como pai e filho,

quanto tempo eu havia

perdido!Fui ficando cada vez

mais ativo no grupo, nas redes

sociais, participando de eventos,

lendo, aprendendo, conhecendo

cada mãe, cada dificuldade.

E por que surgiu a necessidade

de um grupo só de pais e quais

são os assuntos discutidos?

As mães começaram a me

procurar para que eu falasse

com os pais.

Poucos, por volta de cinco

me procuraram. E eu relatava

toda essa minha história, sobre

tudo o que eu senti em relação a

mim e o que passou pela minha

cabeça. Os pais desabafam, eles

se sentem mais livres para

conversar com outro homem,

porque é preciso falar, você

precisa sair do armário junto

com o seu filho! Eu fui

começando a contar para

todo mundo, para amigos e no

ambiente de trabalho quando

rolava piada homofóbica. Eu

passei a alertar que aquilo não

era legal, porque o meu filho

era gay. No ano passado, nós

tivemos uma reunião, não

temos sede própria, e chamei o


e chamei o pessoal para vir

aqui em casa. E começou a

vir mais pais depois desse

ativismo. Então, as

coordenadoras, Maju e a

Clarisse, chegaram para mim

e disseram que íamos criar

a coordenação dos pais e eu

seria essa pessoa.

Não é algo separado, está

dentro do grupo das mães,

sou coordenador de pais do

Estado de São Paulo. Meu

trabalho é falar sobre isso,

sobre as crianças, os jovens.

E o que eu faço é isso,

contar a minha história em

entrevista e palestras.

Porque você acha que é tão

difícil para os pais lidarem com

a orientação sexual ou

identidade de gênero dos

filhos,ainda nos dias de hoje?

Machismo!

Durante as reuniões do

grupo, quais são as principais

dificuldades que você enxerga

entre os participantes?

A questão de expor isso. O

que os outros vão pensar, é

uma grande preocupação

para os pais. Na cabeça do

pai, o filho homem gera uma

expectativa de continuidade.

Além disso, vem a questão

do machismo, do filho ser o

pegador, o machão, o fato do

filho ser gay quebra essa

expectativa. Se ele tem uma

filha que é lésbica, também,

ele pensa sobre os netos que

sobre o fato de não levar a

filha pro altar. Poucos chegam

até mim com expectativa de

reaproximação.

Eu vejo as mães bem ativas,

mas os pais não aparecem

muito. E os meninos gays me

dizem que em casa ele é

aceito, mas que não comenta,

não leva namorado por uma

questão de respeito. Eu

explico:” Seu pai convive, mas

não te aceitou ainda.” Mas é

uma luta, os jovens precisam

falar sobre isso e os pessoal

que tá vindo agora tem uma

cabeça mais aberta.

Como você vê o preconceito

em relação a orientação sexual e

a identidade de gênero no Brasil

hoje? Quais são os maiores

empecilhos à uma sociedade que

aceita as diversidades?

Primeiramente, falta

conhecimento. É uma coisa

que a gente não fala ou

quando fala é de maneira

pejorativa. Estamos vivendo

um momento de revelações,

muita coisa errada nos

dois lados. Mas o preconceito

está aflorando muito mais, o

politicamente correto foi

deixado de lado, você fala o

que você pensa. Então, como

nação, estamos perdendo. A

desinformação é algo muito

preocupante. As pessoas hoje

acreditam mais em mensagens

recebidas no celular e fake

News do que no jornalismo

sério. Os lemas do passado,

sobre tradição, família e

propriedade voltaram, aqueles

do nacionalismo, entoados

pelos mesmos homens que

frequentavam prostíbulo, uma

hipocrisia absurda.

Falta educação e informação

correta, definitivamente. A

ideologia de conservadorismo

dos costumes domina. Nós

defendemos a família como um

todo, a diversa, a que tem todo

tipo de amor. O grupo dá voz e

apoio para aquelas famílias que

“Os pais desabafam, ele

livres para conversar co

porque é preciso falar, v

armário junto com o seu

Washington

não sabem lidar com a

questão. E o Vitor se

transformou, é uma outra

pessoa, hoje ele é um cara

feliz, engraçado. Uma das

melhores coisas que me

aconteceu nos últimos tempos

foi o Vitor ter assumido, me

deu uma causa para lutar aos

54 anos, reanimou o ativista

em mim lá do passado, e isso

me faz bem. Até namorado

arranjei para o meu filho! A

partir de um post no meu

facebook, ele conheceu um

rapaz, trouxe em casa pra

gente conhecer, eu fiz o

almoço pra todo mundo, foi

uma emoção muito grande, eu

vi que estava realmente

aceitando o meu filho

exatamente como ele é.



ela chegou a perder a melhor

amiga depois que a mãe da

menina descobriu que eu era

trans. A menina sempre

dormia aqui em casa e a

minha filha dormia na casa

dela, mas, no momento que

a mãe da garota me viu

pessoalmente, ela cortou a

amizade das duas

bruscamente.

Enfim, apesar de qualquer

coisa que tenha acontecido,

a gente tem uma relação

muito bacana e aberta.

Sempre conversei com

ela sobre a minha questão.

Eu explicava que existem

mulheres de pênis e homens

de vagina e que isso era

normal. Além disso, falo que,

independentemente dos

corpos das pessoas, elas são

pessoas. Sempre eduquei

minha filha nos padrões

ditos normais, nunca forcei

nada.A adolescência dela foi

super tranquila em relação

a isso, as melhores amigas

dela sempre foram travestis.

A nossa relação é

realmente muito boa,

inclusive, ela estava comigo

quando fiz minha

histerectomia e quando eu

fiz minha mamoplastia

masculinizadora. Ela também

comemorou comigo muito

quando eu retifiquei o meu

nome, ela teve que alterar o

nome dela e o da minha

neta, ela tem uma filha de 7

anos.

Como é a sua relação com a sua

neta?

Ela mora com a minha filha e

está de férias agora, então ela

veio para a minha casa, para

ficar comigo. Mas eu ajudei a

criá-la até os três anos, quando

a minha filha decidiu morar

sozinha. Minha neta chegou

a perguntar por que eu faço

xixi sentado, eu disse que era

mais confortável,

não teve mais nenhum

questionamento fora disso.

Nós conversamos com ela, mas

não entramos em tantos

detalhes, eu sou o vovô da

Mariana, é isso que nós

colocamos. Tivemos um

problema com o pai biológico

da Mariana porque no

aniversário dela, de 5 anos, ele

queria dar uma casa de

bonecas para ela, mas quando

a Mariana chegou na loja, viu

um barco de pirata e disse que

queria ganhar aquele

brinquedo. Ele disse que não

daria, porque era brinquedo

de menino. E ela não aceitou,

respondeu que a mamãe e o

vovô sempre falaram que

não existe brinquedo de

menino ou de menina.

Depois disso, o pai dela

chegou a pedir para a

minha filha afastar a Mariana

de mim, porque eu estava

afetando a sexualidade

da minha neta, mas a minha

filha negou totalmente essa

possibilidade de nos

afastar.

E quais valores que você se

esforça para passar para a sua

filha e para a sua neta?

Tudo que está ligado ao

respeito, com certeza.

Eu tenho uma irmã, ela tem 35

anos, mas, quando a minha

mãe morreu, ela tinha

somente dez, então ela me

chama de pai também. E ela

tem uma filhinha que

também me chama de vovô e a

gente conversa muito. Falamos

sobre a questão racial, questão

LGBT. Explicamos que essas

diferenças são normais e

reforçamos que é nossa

obrigação respeitar. Temos a

preocupação sobre a pedofilia

também, hoje elas têm muito

acesso à internet, então

fazemos de tudo pra evitar que

elas fiquem acessando

conteúdo online, porque existe


Procuramos manter o lúdico,

a brincadeira e eu produzo

os brinquedos das minhas

netas, quando elas pedem

algum jogo, eu reproduzo.

Nós somos uma família

muito unida, sem

preconceitos, passamos o

Natal e os aniversários

juntos. Agora em julho,

fizemos a comemoração dos

aniversários pela internet,

por conta da pandemia.

Claro, temos nossas brigas,

como qualquer outra família.

Eu e a minha filha

temos um gênio forte e

brigamos, mas somos felizes

juntos.

A paternidade não era um

plano do casal Paulo Reis e

Marcos Leme, moradores da

cidade de Campinas, até que

eles se empolgaram com a

possibilidade da adoção e

decidiram embarcar nessa

aventura.

Wesley, hoje com 11 anos, veio

para transformar a vida

desses dois paizões que

moldam as suas vidas às

necessidades do filho e o

criam num ambiente repleto

de carinho, diversidade e

cultura.


Contem um pouco sobre o

casamento de vocês e como

se conheceram?

Marcos: Nos conhecemos

por conta do movimento

Identidade que estava se

formando aqui em Campinas.

O Paulo veio de Santo

André, eu já morava aqui,

vimos como o nosso

pensamento era parecido e

logo ficamos juntos,

estamos juntos desde 1998.

Em que momento vocês

perceberam que queriam

adotar?

Marcos: Há uns 10 anos

decidimos adotar. O Paulo

voltou empolgado com a

ideia depois de uma viagem,

disse que viu uma matéria

sobre um ator que adotou

sozinho, começou a correr

atrás de informações sobre o

procedimento e eu deixei

rolar. Fizemos o cadastro e

não foi aceito logo no

começo. Negaram a adoção

em conjunto, pela legislação

da época, homem ou mulher

solteiro poderia, um dos

dois, mas como casal gay

não poderíamos. A

promotoria recusou o

pedido, mas o juiz, na própria

decisão, nos incentivou a

entrar com recurso. O Paulo

trabalhava no centro de

referência LGBT na época,

então conseguimos uma

advogada que preparou toda

documentação necessária e

encaminhamos para o juiz em

resposta. Tempos depois, ele

respondeu autorizando

a entrarmos para o Cadastro

Nacional de Adoção, foi uma

decisão inédita na cidade de

campinas!

Paulo: Depois disso, foram cinco

anos de espera, a única

restrição que colocamos era de

que a criança não tivesse uma

doença grave ou que não fosse

bebê, já que temos uma certa

idade. Entre o ano 2008 a 2013 a

Vara nos chamou para algumas

reuniões. Então a psicóloga da

Vara ligou e pediu que fôssemos

um dia lá. Ela agendou e não

sabíamos o motivo, naqueles dias

eu fui exonerado, eu trabalhava

na Prefeitura, não era

concursado, então eu estava

preocupado.

Chegamos na Vara e a

psicóloga estava com a

nossa pasta, passou um

resumo da nossa situação e

o marcos soltou: “Tem a

criança?” e ela respondeu:

“Tem!”.

Fizemos aquela cara de

interrogação e ela foi

explicando que ele estava no

abrigo desde os nove meses,

os pais haviam perdido

o poder familiar, e ela

perguntou se queríamos

conhecê-lo. Ela ligou no

abrigo pra pedir uma foto

pra gente e já agendou a

nossa visita. No dia seguinte,

fomos na instituição e

conhecemos o meninão!

Todo o nosso processo foi

igual ao de qualquer pessoa,

não houve diferença.

Como foi a fase de adaptação

do Wesley?

Marcos: No começo ele era

um menino arisco.

Começamos a visitá-lo, a

pegá-lo na instituição para

sair só com ele. Depois

passamos a pegar ele no

abrigo pra passar o fim de

semana com a gente, nesse

meio tempo íamos até a

psicóloga os três para

conversar, em alguns meses

ela deu um parecer

favorável, até que o juiz o

liberou para vir para a nossa

casa definitivamente. Nós

fomos adaptando a casa

nesse meio tempo também.


Até o cartório teve que se

adaptar, não tinha uma

documentação apropriada

para um casal homossexual,

até que saiu a identidade

dele, essas circunstâncias

estavam começando a

acontecer no país, as

instituições não estavam

preparadas. Adotamos o

Wesley, hoje ele está com

11 anos.

E o fato de vocês serem um

casal gay, ele lidou bem

com isso?

Marcos: Completamente, no

próprio movimento do

convívio ele passou a chamar

os dois de pai. Quando ele

quer distinguir um ou outro,

ele chama pelo nome.

Como a paternidade

transformou vocês e o que

vocês acham que é mais

desafiador?

Marcos: Criar uma criança é

uma coisa desafiadora para

qualquer pessoa.

Não foi muito diferente

comigo. Eu sou professor,

já trabalhei com adolescente

e pré-adolescentes por

muito tempo. Mas, você ter

uma criança sob a sua

responsabilidade o tempo

todo, não é fácil. É

desafiador para qualquer pai

ou mãe que se proponha a

cuidar, educar e estar

próximo do seu filho. A vida

cotidiana mudou demais,

porque tudo passou a correr

em função do Wesley,

adequamos tudo à presença

dele. Nós constituímos

família e não é diferente de

qualquer outra família, é

muito tranquilo pra gente. É

uma experiência incrível,

decidimos que queríamos

viver a paternidade.

Paulo: Foi uma surpresa na

minha vida, não tinha esse

projeto de ser pai, aconteceu

e eu acho que isso traz uma

humanidade, a gente erra o

tempo todo, mas

procuramos acertar, criar um

ser humano que seja legal,

solidário, bacana.

Vocês já passaram por

situações constrangedoras por

conta do preconceito e como

vocês ensinam o seu filho a

lidar com elas?

Paulo: Não muito, nós

vivemos numa espécie de

bolha. Somos classe média e

os nossos amigos são gente

de esquerda que entende e

respeita diferenças raciais,

religiosas, somos todos

militantes dos direitos

humanos. Trabalhamos,

atuamos, conversamos,

vamos a teatros, ao cinema,

viajamos e lemos bastante.

Esse é o grupo social que

estamos inseridos, não

existe a questão do

preconceito. Claro que

entendemos que fora existe.

O Wesley foi brincar num

parquinho um dia e disse

para a menina com quem ele

estava brincando que ele

tinha dois pais e a menina

respondeu que não podia,

que era pecado. Ele ficou

abalado, mas depois

esqueceu.

Marcos: Nós inserimos esse

debate nas conversas

cotidianas. Nesses

movimentos da nossa vida,

ele foi entendendo e para ele

não tem nenhum problema.

Ele pode vir a sofrer

preconceito, mas ele vai

estar bem preparado para

rebater.

Paulo: A gente conheceu o

Wesley quando ele estava

com quatro anos, fomos na

escola conversar com a

diretora sobre o formato da

nossa família. Mas a diretora

e a professora disseram que

não seria um problema,

explicou que existiam vários

tipos de famílias dentro da

escola.


Marcos: Mas a gente nunca

sofreu nenhuma represália, a

família aceitou. Mas é aquilo,

somos cercados de gente

bacana que partilha

dessa história.

E quais valores que vocês se

esforçam para passar para o

Wesley?

Marcos: Nós falamos para o

Wesley que ele respeite as

outras pessoas e exija para si

o mesmo respeito. Valores

religiosos a gente não tem

uma coisa fechada, mas ele

acompanha as avós na missa,

já foi até o candomblé

porque temos amigos que

são, já foi em igreja

evangélica por conta de

outros amigos que casaram.

Deixamos ele bem à vontade

para experimentar. E os

valores que a gente passa

são os que estão ligados à

preservação da nossa

família, o respeito, a

liberdade e a humanidade.

Paulo: Questão de valores,

solidariedade, não ser

egoísta. O Wesley divide

tranquilamente os

brinquedos dele com as

outras crianças, mesmo

brinquedos que ele acabou

de ganhar.

Marcos: Sobre o nosso

casamento, a formalização

no papel, isso foi recente, é

de quando começou toda

essa história da última

eleição, quando o Bolsonaro

foi eleito e transbordou toda

essa caça às bruxas.

Fomos sendo tomados por

uma preocupação grande e o

Wesley foi afetado por isso,

ele percebeu. No dia da

eleição, o Paulo foi

acompanhar os resultados na

casa de um amigo e a coisa

foi tensa, o Wesley saiu

muito impactado. Ele sentiu

que o Bolsonaro ia bater na

nossa parte e acabar com a

nossa família, então nós

casamos para preservar a

nossa família, para,

institucionalmente,

assegurar a existência da

nossa família, foi um ato de

resistência.

O Pai

Henrique Fogaça

Pai de três filhos,

Olívia, que tem

tipo raro de

epilepsia, João e

Maria. Nessa

entrevista para a

Revista Iconic, o

Chef fala sobre

paternidade e a

respeito do efeito

da música no

desenvolvimento

de Olívia.


Como a paternidade te

transformou?

Mudei sim, como qualquer

pai ou mãe que tem o

primeiro filho. Entra

a questão do amor, do

cuidado, a preocupação com

a educação e em passar

valores que permanecerão

com eles pelo resto da vida.

É realmente uma benção.

Como você concilia a vida

profissional e a pessoal depois

do nascimento dos seus filhos?

No começo é diferente, mas

a vida e o trabalho

continuam. A mãe das

crianças sempre cuidou

muita bem deles. Eu sempre

fui e sou presente, enfim,

o jogo continua, só que com

filhos é preciso dosar os

horários e as prioridades.

Qual a relação que a Olívia

tem com a música? Vocês

procuram desenvolver

atividades que envolvam

música ou/e dança com ela?

Ela já fez aula de bateria,

pegávamos a mão dela e

colocávamos na baqueta.

Também colocamos música

para ela escutar, às vezes,

pego ela e danço com ela,

com a ajuda do aparelho da

perna. Eu procuro sempre

provocar esse tipo de

estímulo nela, para que a

Olívia possa sentir o melhor

da vida.

Vocês enxergam que a música

tem efeito no desenvolvimento

da Olívia?

A música, com certeza, traz

uma sensação para a Olívia.

Ela presta muito atenção, ela

sorri. Então, a música, com

certeza, tem um efeito

muito bom. E ela pode sentir

o toque, o som, a vibração,

tudo isso é muito

importante.

Como é a relação entre a

Olívia e os irmãos? De alguma

forma vocês têm que mediar

conflitos pela atenção que

vocês acabam destinando à

Olívia e as necessidades dela?

A relação é ótima. Nunca

houve nada muito sério, só

quando o João era pequeno

e via a atenção que dávamos

para a Olívia, ele se sentia

um pouco excluído e com

ciúmes. Mas, com o passar

do tempo, isso foi

transformando, eu converso

muito com ele. Falo para ele

observar a irmã e pensar

como seria legal se ela

pudesse andar, falar.

Lá atrás, quando ele não

queria comer, eu estimulava

ele a refletir: “Olha como a

comida está gostosa, a Olívia

não pode comer, tem que se

alimentar pela sonda.”, pra

ele ter essa consciência, e

nada como um dia após o

outro, ele foi entendendo.

Na sua opinião, qual a parte

mais desafiadora da

paternidade?

A parte da educação, na

minha visão, é a parte mais

desafiadora e fundamental.

Passar aquilo que

aprendemos com a vida,

transferir valores e

princípios, mesmo em meio a

correria do dia a dia, é o lado

mais complicado. E não

podemos esquecer de

reforçar a questão do

respeito, do carinho e do

amor.





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