*Agosto/2020 Referência Industrial 221

jotacomunicacao

INDÚSTRIA - Brasil precisa simplificar carga tributária e reduzir burocracia para competir

EFICIÊNCIA E

DURABILIDADE

CONJUNTO DE CORTE GERA MAIOR

DESEMPENHO E PRODUTIVIDADE

NO SETOR DE BIOMASSA

EFFICIENCY AND

DURABILITY

KNIVE ARRAYS THAT GENERATE

BETTER PERFORMANCE

AND PRODUCTIVITY IN THE

BIOMASS SECTOR

9 7 72359 466080 0 0 2 2 1


S O L U Ç Õ E S D E

CLASSE MUNDIAL

B R E V E E M O P E R A Ç Ã O

“Em 1979 a Todeschini plantou a primeira muda de pinus das suas florestas. Hoje, 41 anos depois, com 8.000 hectares

plantados, estamos concluindo a construção da nossa madeireira, um dos maiores projetos da nossa empresa. Quando

iniciamos o processo de seleção para o fornecimento dos equipamentos deste projeto estabelecemos que queríamos

implantar as melhores tecnologias do mundo para produção de madeira serrada, que fosse viável economicamente e

que nos transmitisse a confiança necessária para depositar em suas mãos este desafio. Dentre as várias opções

nacionais e internacionais encontramos na Mendes Máquinas aquele fornecedor que nos garantisse a realização

desse nosso sonho. Hoje estamos felizes com esta parceria e aguardando ansiosos o início das operações”.

João Farina Neto, Presidente do Conselho do Grupo Todeschini

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www.mendesmaquinas.com.br


SUMÁRIO

INDUSTRIAL

48

2020

28

44

38

MADEIRA

ANUNCIANTES DA EDIÇÃO

Alca Máquinas 11

Cipem 07

Contraco 17

DRV Ferramentas 27

Eletro Izidoro 21

Engecass 15

Linck 05

Máquinas Águia 59

Mendes Máquinas 02

Mill Indústrias 19

Mill Indústrias 47

Mill Indústrias 60

Montana Química 09

MSM Química 13

Plantag 51

Prêmio REFERÊNCIA 57

Tecnovapor 55

Vantec 23

SUMÁRIO

06 Editorial

08 Cartas

10 Bastidores

12 Coluna Flavio C. Geraldo

14 Notas

20 Aplicação

22 Frases

24 Entrevista

28 Principal Escolha qualificada

34 Informe Cipem

38 Marcenaria

42 Brasil

44 Madeira Tratada

48 Economia

52 Artigo

56 Agenda

58 Espaço Aberto

04

referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


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Economia.

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0 0 2 2

EDITORIAL

PARCERIA

QUE FARÁ A

DIFERENÇA

NA CAPA

A Revista da Indústria da Madeira / The Magazine for the Forest Product

www.referenciaindustrial.com.br

INDÚSTRIA - Brasil precisa simplificar carga tributária e reduzir burocracia para competir

EFICIÊNCIA E

DURABILIDADE

CONJUNTO DE CORTE GERA MAIOR

DESEMPENHO E PRODUTIVIDADE

NO SETOR DE BIOMASSA

EFFICIENCY AND

DURABILITY

KNIVE ARRAYS THAT GENERATE

BETTER PERFORMANCE

AND PRODUCTIVITY IN THE

BIOMASS SECTOR

P

or mais liberal que possa ser um governo, o momento

é de parceria entre os Poderes e a classe

produtiva brasileira. Nos próximos meses, o Brasil

deverá seguir o exemplo de grandes potências

mundiais, como os EUA (Estados Unidos da América)

e a Inglaterra, e criar pacotes econômicos com o intuito

de aquecer a indústria nacional. Essa medida protecionista é

defendida pelo economista Roberto Dumas Damas, em entrevista

à REFERÊNCIA INDUSTRIAL. Na editoria de Madeira

Tratada, abordamos a crescente prática do uso de madeira

na construção de prédios e arranha-céus e de como isso

pode se tornar uma tendência na América do Sul. Também

discorremos, nesta edição, sobre quais são os tipos de madeira

mais aconselhados para a prática da marcenaria. Além

disso, o leitor poderá acompanhar matérias exclusivas nas

editorias de Mercado e Comércio, assim como as últimas

novidades do setor. Tenha uma ótima leitura!

ESTAMPA A CAPA DESTA

EDIÇÃO MONTAGEM

DE FERRAMENTA

COMERCIALIZADA

PELA DRV FERRAMENTAS

EXPEDIENTE

ANO XXII - EDIÇÃO 221 - AGOSTO 2020

Ano XXII • N°221 • Agosto 2020

9 7 7 2359 46608 0 1

Diretor Comercial / Commercial Director - Fábio Alexandre Machado

fabiomachado@revistareferencia.com.br

Diretor Executivo / Executive Director - Pedro Bartoski Jr.

bartoski@revistareferencia.com.br

A PARTNERSHIP THAT

WILL MAKE A DIFFERENCE

A

s liberal as a government may be, at the moment,

there is a partnership between the Brazilian

Government and the Brazilian productive

class. In the coming months, The Government

is expected to follow the example that

of major world powers, such as the United States and England,

and create economic packages to stimulate domestic

industry. This protectionist measure is defended by economist

Roberto Dumas Damas, in an interview with Referência

Industrial. In the Treated Wood Section, we discuss the

growing practice of the use of wood in the construction of

buildings and skyscrapers and how this can become a trend

in South America. In this issue, we will also discuss what the

most recommended types of wood for woodworking are.

Also, the reader will be able to follow exclusive articles in the

Market and Commerce Sections, as well as industry news.

Pleasant reading!

06

referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020

Redação / Writing

Murilo Basso

jornalismo@revistareferencia.com.br

Colunista / Columnist

Flavio C. Geraldo

Depto. de Criação / Graphic Design

Fabiana Tokarski e Fabiano Mendes / Supervisão

Crislaine Briatori Ferreira

criacao@revistareferencia.com.br

Depto. Comercial / Sales Departament - Gerson Penkal, Jéssika Ferreira,

Tainá Carolina Brandão

comercial@revistareferencia.com.br

fone: +55 (41) 3333-1023

Representante Comercial - Dash7 Comunicação - Joseane Cristina Knop

Tradução / Translation - John Wood Moore

Depto. de Assinaturas / Subscription

assinatura@revistareferencia.com.br

0800 600 2038

ASSINATURAS

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GARANTIDA GARANTEED

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A Revista REFERÊNCIA - é uma publicação mensal e independente, dirigida aos produtores e

consumidores de bens e serviços em madeira, instituições de pesquisa, estudantes universitários, orgãos

governamentais, ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente ligados ao

segmento madeireiro. A Revista REFERÊNCIA do Setor Industrial Madeireiro não se responsabiliza por

conceitos emitidos em matérias, artigos ou colunas assinadas, por entender serem estes materiais de

responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução, apropriação, armazenamento de banco

de dados, sob qualquer forma ou meio, dos textos, fotos e outras criações intelectuais da Revista RE-

FERÊNCIA são terminantemente proibidos sem autorização escrita dos titulares dos direitos autorais,

exceto para fins didáticos.

Revista REFERÊNCIA is a monthly and independent publication directed at the producers and

consumers of the good and services of the lumberz industry, research institutions, university students,

governmental agencies, NGO’s, class and other entities directly and/or indirectly linked to the forest based

segment. Revista REFERÊNCIA does not hold itself responsible for the concepts contained in the material,

articles or columns signed by others. These are the exclusive responsibility of the authors, themselves. The

use, reproduction, appropriation and databank storage under any form or means of the texts, photographs

and other intellectual property in each publication of Revista REFERÊNCIA is expressly prohibited without

the written authorization of the holders of the authorial rights.


www.cipem.org.br

O Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato

Grosso (CIPEM) é a união de oito sindicatos empresariais de base florestal e tem o objetivo

de organizar, representar e fortalecer o setor em instâncias de governo e sociedade.

Apoiamos o desenvolvimento da atividade de Manejo Florestal Sustentável, incentivando

a produção e consumo consciente de madeira nativa e seus subprodutos, com respeito a

legislação vigente e em harmonia com o meio ambiente.

Fundado em 2004, abrangemos todos os municípios produtores de madeira nativa de Mato

Grosso e trabalhamos para melhorar a gestão florestal e a qualificação profissional do setor.

O principal desafio que ainda enfrentamos é o de desmistificar a imagem de que o setor

florestal é o vilão do desmatamento da Amazônia. Para isso, investimos em ações que

promovam a disseminação de informações corretas sobre o desenvolvimento da cadeia

produtiva da madeira nativa em Mato Grosso.

Temos orgulho de representar o Setor de Base Florestal de Mato Grosso.

A madeira é nosso negócio. Manter a floresta viva é nossa missão.

(65) 3644-3666

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Manejosustentavel


0 0 2 2

CHOOSING THE RIGHT

SUPPLIERS CAN BOOST RESULTS

DURA BATALHA - Empresas adotam medidas preventivas para combater os impactos da pandemia

CARTAS

A Revista da Indústria da Madeira / The Magazine for the Forest Product

PARCERIA E

CRESCIMENTO

ESCOLHA CERTA DE FORNECEDORES

POTENCIALIZA RESULTADOS

CARTAS

CAPA DA EDIÇÃO 220 DA

REVISTA REFERÊNCIA INDUSTRIAL, MÊS DE JULHO DE 2020

COMÉRCIO

www.referenciaindustrial.com.br

Ano XXII • N°220 • Julho 2020

9 7 7235 9 4 66 0 7 3 0

SOURCING AND

GROWING

MADEIRA TRATADA

Por Odete Teixeira -

Curitiba (PR)

Que bela iniciativa dos

alunos de mestrado de

Zurique! Em um mundo

cada vez mais carente

de empreendimentos

sustentáveis, um pavilhão

de madeira construído

sem concreto é um

grande alento para o

mercado da construção

mundial. Excelente

reportagem.

Foto: divulgação

Por Floriano Chemin - Sorocaba (SP)

O Brasil ainda enfrenta muitos problemas

no comércio exterior, com diversas barreiras

que atrapalham o desempenho dos produtos

nacionais. O governo brasileiro tem capacidade e

vontade para mudar essa realidade. Acredito que,

muito em breve, teremos boas notícias!

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Foto: Marcos Mancinni

ENTREVISTA

Por Maurício Granemann -

Florianópolis (SC)

MARCENARIA

Por Acir Del Valle - Belo Horizonte (MG)

Há anos nesse mercado da indústria madeireira

como vendedor, sempre tive vontade de iniciar

minha própria marcenaria. A matéria me ajudou

a analisar o mercado. Talvez comece meu

próprio negócio ainda este ano, já aposentado.

Obrigado!

Bate-papo esclarecedor

com o novo presidente da

Abimci, Juliano Vieira de

Araújo. Neste momento

de incertezas, a instituição

tem que trabalhar em

conjunto com a indústria

para que possamos

retomar o otimismo e o

caminho do crescimento

econômico.

08

Leitor, participe de nossas pesquisas online respondendo os

e-mails enviados por nossa equipe de jornalismo.

As melhores respostas serão publicadas em CARTAS. Sua opinião é

fundamental para a Revista REFERÊNCIA INDUSTRIAL.

referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020

E-mails, críticas e sugestões podem ser enviados para redação ou siga:

revistareferencia@revistareferencia.com.br

CURTA NOSSA PÁGINA

Revista Referência Industrial

@referenciaindustrial


BASTIDORES

BASTIDORES

EXCLUSIVO

NO ESPAÇO DE BASTIDORES DESSE MÊS, PUBLICAMOS UMA CARTA ESCRITA DE

PRÓPRIO PUNHO DE UM LEITOR DA REFERÊNCIA, QUE APROVEITOU O ESPAÇO

PARA DECLAMAR ALGUMAS FRASES POÉTICAS. MIMO QUE VALEU O NOSSO

DESTAQUE DA EDIÇÃO. CONFIRA:

Fotos: REFERÊNCIA

ALTA

CONFIANÇA DO COMÉRCIO

O Índice de Confiança do Comércio,

medido pela FGV (Fundação Getúlio

Vargas), cresceu 1,7 ponto de junho para

julho de 2020. Essa foi a terceira alta consecutiva

do indicador. Com o resultado,

a confiança do empresário do comércio

brasileiro passou para 86,1 pontos, em

uma escala que vai de zero a 200. No

mês, a confiança subiu em três dos seis

principais segmentos do comércio pesquisados

pela FGV. O Índice de Situação

Atual, que mede a confiança no momento

presente, avançou 6,4 pontos, indo a

88,4 pontos e recuperando 83% do que

foi perdido desde o início da pandemia

de Covid-19. O Índice de Expectativas,

que mede a confiança no futuro, caiu 3

pontos, indo para 84,5 pontos – o número

representa 22,5 pontos abaixo do

patamar de fevereiro, último registro de

antes da pandemia.

BAIXA

PIB

Mesmo com o ajuste na projeção do

PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro

para 2020, o mercado financeiro

ainda prevê um resultado negativo

de 5,77% na economia do país neste

ano, muito por conta da pandemia

do novo coronavírus. A estimativa de

recuo do PIB – a soma de todos os

bens e serviços produzidos no país

– está no boletim Focus, publicação

divulgada todas as semanas pelo BC

(Banco Central), com a projeção para

os principais indicadores econômicos.

Para o próximo ano, a expectativa é

de crescimento de 3,5%. Em 2022 e

2023, o mercado financeiro continua

a projetar expansão de 2,5% do PIB.

As instituições financeiras consultadas

pelo BC também ajustaram a

projeção para o Ipca (Índice Nacional

de Preços ao Consumidor Amplo) de

2020 – de 1,72% para 1,67%.

10 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


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COLUNA

WOODEXIT

CRESCIMENTO NA UTILIZAÇÃO DA MADEIRA ENGENHEIRADA EM EDIFÍCIOS CADA VEZ MAIS ALTOS ESTÁ

ABALANDO ESTRUTURAS COMERCIAIS

Flavio C. Geraldo

FG4 MAD - Consultoria em Madeira

Contato: flavio@fg4mad.com.br

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CHRIS LEESE, DA UK CONCRETE,

EMITIU COMUNICADO

SOLICITANDO QUE NÃO SEJAM FEITAS

EXCEÇÕES, MENCIONANDO,

ESPECIFICAMENTE, A UTILIZAÇÃO DA

MADEIRA MACIÇA (MASS TIMBER),

LEVANTANDO DÚVIDAS QUANTO À

SEGURANÇA NA SUA UTILIZAÇÃO

É

possível que muitos ainda tenham na memória

a tragédia ocorrida em Londres em 14 de

junho de 2017, quando um incêndio tomou

conta da Torre Grenfell, um prédio residencial

de 24 andares, cuja obra fora finalizada em

1974. Apesar de ter passado por algumas renovações

durante esse período, o edifício parecia estar em condições

precárias. O trágico acidente, que, segundo o

inquérito policial, foi causado por um defeito em uma

câmara de refrigeração, deixou 72 mortos.

Ainda que a Torre Grenfell fosse toda estruturada em

concreto e a causa primária da rápida propagação das

chamas ter sido ligada ao tipo de revestimento externo

da construção, diante do ocorrido, autoridades do governo

britânico parecem estar dispostas a interferir na

tendência de crescimento de construções modulares

com base em madeira. Os chamados tall buildings terão

limites de altura para futuras construções comerciais,

não podendo ultrapassar quatro andares. Entidades

como a Timber Trade Association reagiram fortemente,

Foto: divulgação

argumentando que o Reino Unido está na contramão

das tendências mundiais do setor construtivo, uma vez

que construções com madeira maciça continuam a crescer

cada vez mais em vários outros países europeus.

É claro que o setor do concreto está querendo se

aproveitar da situação. Em clara demonstração de que

o crescimento na utilização da madeira engenheirada

em edifícios cada vez mais altos está abalando as suas

estruturas comerciais, um dos representantes da maior

fornecedora de concreto do Reino Unido, Chris Leese,

da UK Concrete, emitiu comunicado solicitando que não

sejam feitas exceções, mencionando, especificamente, a

utilização da madeira maciça (mass timber), levantando

dúvidas quanto à segurança na sua utilização.

Não muito distante, na França, na direção contrária

do que pretendem os britânicos, o presidente Emmanuel

Macron, estabeleceu como meta que todos os edifícios

públicos tenham pelo menos 50% de madeira ou

outros materiais naturais até 2025 – e é bom notar que

quando ocorreu o incêndio na Catedral de Notre Dame,

há cerca de um ano, os mais apressados tentaram apontar

como causa do desastre o fato de a cobertura da

igreja ser toda estruturada em madeira. A discussão não

foi adiante.

Enquanto isso, na fria Dinamarca, um importante

evento voltado aos sistemas construtivos em madeira é

realizado de forma virtual. O Build in Wood, com a temática

“Iniciativas em Madeira na Dinamarca – Perspectivas

dos Arquitetos”, ocorre nos dias 25 e 26 de agosto.

O evento reúne renomados arquitetos, representantes

de universidades, indústria madeireira e construtores de

inúmeros países, em especial da Escandinávia. Segundo

os responsáveis pela palestra inaugural do evento, os

arquitetos Stephen Willacy e Camilla van Deurs, as construções

em madeira podem ser potencialmente uma

ferramenta para o alcance dos objetivos sustentáveis do

país.

Ao que tudo indica, a Dinamarca está surgindo como

mais um importante referencial no tocante às particularidades

positivas da madeira, agindo de forma otimista

para mostrar ao mundo os aspectos relacionados à sustentabilidade,

economia e desempenho do material.

Não deixa de ser estranho o fato de uma nação

como o Reino Unido, que acumula respeitável experiência

na tecnologia de madeiras e cuja base colonizadora

teve na madeira o seu principal material de construção,

estar agora retrocedendo nos seus conceitos construtivos.

Seria o Woodexit?

12 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


NOTAS

APOIO À

APEX BRASIL

O Sindmóveis (Sindicato das Indústrias do

Mobiliário de Bento Gonçalves) divulgou, em

seu site oficial, uma carta aberta em apoio à

Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção

de Exportações e Investimentos). “Devido

ao impacto positivo na economia e balança

comercial brasileira, o Sindicato das Indústrias

do Mobiliário de Bento Gonçalves e as 300

empresas associadas reiteram a importância da manutenção do processo de internacionalização da economia brasileira

liderado pela Apex-Brasil, através de ações diretas e indiretas ao setor privado nacional. Toda ação busca a internacionalização

de negócios visando valor agregado ao produto e/ou serviço exportado, além de desenvolver a competitividade

da indústria brasileira em mercados internacionais, atrair investimento estrangeiro para setores estratégicos da economia

e fortalecer a imagem do país”, relata a nota da organização.

Foto: divulgação

REFORMA TRIBUTÁRIA

O presidente da CNI (Confederação Nacional da Industria),

Robson Braga de Andrade, afirmou que o setor industrial

apoia uma reforma tributária que seja ampla, incluindo impostos

federais, estaduais e municipais e que, desta forma,

beneficie o país como um todo e não apenas um ou outro

setor. A CNI defende a PEC (Proposta de Emenda à Constituição)

45, atualmente em discussão na Câmara dos Deputados.

“Temos que parar de olhar para o próprio umbigo

e olhar o global, para a geração de emprego e de renda”,

defendeu ele, durante o seminário virtual Indústria em Debate

– Custo Brasil e Reforma Tributária, no fim de julho. De

acordo com Andrade, a carga tributária é elevada, mas os

dividendos não são tributados, o que gera desigualdades

e injustiças na arrecadação. Ele explica que os setores que

pagam menos e ganham mais devem pagar mais impostos.

A CNI e o Fórum Nacional da Indústria vão trabalhar pela

reforma tributária e, em seguida, pela reforma administrativa.

“Não tem como o Brasil continuar com a própria máquina

pública consumindo tudo o que se produz aqui”, avalia.

Foto: Agência Brasil

MOVELSUL

SÓ EM 2022

Levando em consideração o cenário de profundas incertezas

no âmbito de eventos e negócios neste ano de

2020, o Sindmóveis Bento Gonçalves (RS) anunciou que

transferiu para 2022 a 22ª edição da feira Movelsul Brasil,

que ocorreria de 14 a 17 de setembro, no Parque de

Eventos de Bento Gonçalves. A organização da Movelsul

Brasil, atualmente a maior feira de móveis e complementos

da América Latina voltada ao lojista e importador,

toma essa decisão ciente de seu compromisso, antes de

tudo, com o bem-estar de todos os públicos envolvidos

no evento. A feira, que tradicionalmente é realizada

no mês de março dos anos pares, foi adiada dias antes

de sua abertura, devido ao rápido avanço mundial da

Covid-19. Quanto ao sentimento expressado por algumas

pessoas de que a feira deveria ter se posicionado

com mais antecedência, o presidente do Sindmóveis e

Movelsul Brasil, Vinicius Benini, lembra que poucos dias

antes não havia indícios de que a Covid-19 avançaria tão

rapidamente e a feira já vinha sendo montada nos 10 dias

que antecederam seu adiamento. “Foi a decisão certa

para um momento incerto”, defende.

Foto: divulgação

14 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


NOTAS

ACORDOS

INTERNACIONAIS

Em dois documentos encaminhados ao governo brasileiro, setores

da indústria brasileira apresentaram propostas de medidas a

serem adotadas para viabilizar a celebração de um ADT (Acordo

de Dupla Tributação) entre o Brasil e o Reino Unido e entre o

Brasil e a Alemanha. As mudanças necessárias para se chegar a

um consenso com os governos britânico e alemão dizem respeito,

sobretudo, ao tratamento tributário dado pelo Brasil aos rendimentos

de serviços técnicos e às regras de preços de transferência.

Entre as principais economias europeias, o Reino Unido

e a Alemanha são as únicas com as quais o Brasil não firmou um

ADT. O documento mostra que há espaço para o aperfeiçoamento

do quadro regulatório econômico com os dois parceiros,

com redução de custos e aumento da segurança jurídica. Uma

consulta aos empresários dos dois países que operam no Brasil

mostra ainda que, para 68% deles, a celebração de acordos de

dupla tributação estimularia a ampliação de seus investimentos

aqui. Para 82%, contribuiria para o aumento do comércio de serviços

e, para 55%, para a ampliação da aquisição de royalties.

Foto: divulgação

DESONERAÇÃO

DA FOLHA

A Indústria brasileira promoveu, no fim de julho,

um debate sobre a reforma tributária em tramitação

no Congresso Nacional. Participou do

encontro o presidente da Câmara, deputado Rodrigo

Maia (DEM-RJ), que se posicionou contrário

à criação de um novo imposto em troca de uma

desoneração da folha de pagamento, tributo que

incide sobre os salários. “Se a gente achar que vai

dar mais um jeitinho criando mais imposto, nós

vamos taxar mais a sociedade, e aí vamos ter que

discutir despesa pública. Você arranjou um espaço

de R$ 100 bilhões de receita. Vai colocar em

qual teto?”, questionou o parlamentar.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

CRÉDITOS

PARA EMPRESAS

O Bndes (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e

Social) contratou R$ 3,3 bilhões em créditos para 2.374 pequenas

e médias empresas – 80% do valor foi garantido pelo Peac

(Programa Emergencial de Acesso ao Crédito), cuja medida

provisória foi aprovada pelo Congresso Nacional. Agora, o

projeto de lei de conversão aprovado no Senado Federal, baseado

na medida provisória, segue para sanção presidencial.

A estimativa do Bndes é que o crédito garantido permita a

manutenção de cerca de 193 mil postos de trabalho. A intenção do programa é destravar o crédito para essas empresas com

a concessão de garantias e reduzir os impactos econômicos da pandemia da Covid-19. De acordo com a instituição, o Peac

começou a ser operacionalizado em 30 de junho e já tem 28 agentes financeiros habilitados para oferecerem empréstimos.

“Cabe a esses agentes financeiros a decisão final de utilizar a garantia do programa e aprovar ou não o pedido de crédito,

quando estruturarem cada uma de suas operações”, informou o órgão.

16 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


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NOTAS

Foto: divulgação

TRABALHO

NA PANDEMIA

A Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios)

estimou em 81,1 milhões de pessoas a população ocupada

do país na semana de 5 a 11 de julho, com estabilidade

em relação à semana anterior e queda em relação

à semana de 3 a 9 de maio, quando eram 83,9 milhões

de pessoas nessa situação. O nível de ocupação foi de

47,6%, estável frente à semana anterior e com queda em

relação à semana de 3 a 9 de maio, quando o registro

era de 49,4%. A população ocupada e não afastada do

trabalho foi estimada em 71 milhões de pessoas, estável

em relação à semana anterior e com aumento frente à semana

de 3 a 9 de maio, quando eram 63,9 milhões. Entre

essas pessoas, 8,2 milhões trabalhavam remotamente.

CONFIANÇA

INDUSTRIAL

O Índice de Confiança da Indústria, medido pela FGV

(Fundação Getúlio Vargas), cresceu 12,2 pontos em julho,

alcançando 89,8 pontos, a segunda maior variação

positiva desde julho de 2010, quando começou a série

histórica da pesquisa. De acordo com os dados divulgados,

após quatro meses em queda, o índice voltou a

apresentar crescimento em médias móveis trimestrais.

Neste mês de julho, 18 dos 19 segmentos industriais

pesquisados tiveram aumento da confiança. O resultado

reflete a melhor avaliação dos empresários em relação

ao momento presente e, principalmente, diminuição do

pessimismo para os próximos três e seis meses. No entanto,

segundo a fundação, os indicadores que medem

as expectativas no futuro e a situação atual continuam

em níveis abaixo de março.

Foto: divulgação

MALHA

FERROVIÁRIA

Segundo o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes

de Freitas, há uma revolução ferroviária em curso no

Brasil. A afirmação foi dada durante uma transmissão

ao vivo, em conjunto com o presidente Jair Bolsonaro.

Freitas falou sobre o trabalho da pasta para aumentar

o número de ferrovias em todo o país. De acordo com

o ministro, uma decisão do TCU (Tribunal de Contas

da União) vai permitir, pela primeira vez, a implantação

do modelo de investimento cruzado, no qual trechos

de ferrovias serão construídos pela iniciativa privada,

sem custos para o governo. De acordo com o ministro, o modelo vai permitir R$ 17 bilhões de investimentos privados

em ferrovias, vai beneficiar 55 municípios com obras e gerar 65 mil empregos. Nós vamos dobrar a participação do modo

ferroviário na matriz de transportes”, afirmou Tarcísio.

Foto: divulgação

18 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


APLICAÇÃO

MADEIRA

COM CLASSE

Foto: divulgação

Não é novidade que o setor de design mundial tem

abraçado cada vez mais recursos sustentáveis e que

tragam um algo a mais em ambientes fechados,

antes tomados por tons frios e pelo metal. Com

isso em mente, a Guangzhou Decoração lançou

uma linha completa de cortinas de madeira, que

contempla peças mais tradicionais e até persianas

e toldos. A companhia, presente há duas décadas

no mercado, também já adianta que deve lançar,

nos próximos anos, uma persiana elétrica que também

será desenvolvida a partir da madeira, material

em alta na decoração. “Nossa ideia é liderar esse

mercado e trazer um leque gigantesco de opções

ao consumidor”, explica o diretor da empresa, Kenneth

Adams. As cortinas custam a partir de R$ 40 no

site da Guangzhou Decoração.

CULINÁRIA

SUSTENTÁVEL

Com o objetivo de revolucionar o segmento

de artigos de cozinha e mesa, a Madame

Stolz, empresa que é referência no segmento

de design de interiores, trouxe ao mercado

sua nova coleção de pratos de madeira, que

trazem o requinte necessário para grandes

eventos, jantares e reuniões familiares. Confeccionadas

com madeira mango e tratadas

para funcionarem como artigos food safe, as

peças possuem 35 centímetros de diâmetro.

Para a limpeza, a Madame Stolz sugere que

cada prato seja lavado manualmente e tratado

com óleos naturais, para a manutenção da cor

e da qualidade rígida do material. Cada peça

sai por R$ 27.

Foto: divulgação

20 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


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A Eletro Izidoro atua no segmento de motores elétricos e

hélices industriais. Há mais de 20 anos atendendo clientes

em todo Brasil com produtos de qualidade, garantia e

pontualidade na entrega.

Área de atuação no setor industrial:

- MADEIREIRA

- LAMINADORAS

- AGROINDÚSTRIA

- ALIMENTÍCIA

- CELULOSE

- METALÚRGICA

- MINERAÇÃO

- NAVAL

compra, venda e troca de motores elétricos novos ou usados

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FRASES

“DESDE O INÍCIO DO ACIRRAMENTO DA PANDEMIA DA COVID-19, EM

MEADOS DE MARÇO, A ABIMÓVEL VEM TRABALHANDO INCANSAVELMENTE

JUNTO AO GOVERNO FEDERAL NO MONITORAMENTO DAS INFORMAÇÕES,

NECESSIDADES E DEMANDAS DO SETOR. NÃO HOUVE UM MOMENTO SEQUER

EM QUE AS NOSSAS EQUIPES PARALISARAM AS ATIVIDADES, MESMO ESTANDO

EM HOME OFFICE E SEMPRE OBSERVANDO OS PROTOCOLOS DE SEGURANÇA.

NÃO CRUZAMOS OS BRAÇOS, ESTAMOS NOS REUNINDO SEMANALMENTE COM

A EQUIPE ECONÔMICA DO MINISTÉRIO DA ECONOMIA, SEM HORÁRIO, NUMA

PARCERIA INQUESTIONÁVEL E QUE MUITO NOS HONRA”

MARISTELA LONGHI, PRESIDENTE DA ABIMÓVEL (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS INDÚSTRIAS

DO MOBILIÁRIO), SOBRE AS MEDIDAS DA INSTITUIÇÃO DURANTE A PANDEMIA

“PODEMOS

REDUZIR

O IMPOSTO

DE RENDA,

ELIMINAR ALGUNS

IPIS (IMPOSTO

SOBRE PRODUTOS

INDUSTRIALIZADOS).

PODEMOS ATÉ REDUZIR

CINCO, SEIS, SETE, OITO,

DEZ IMPOSTOS, SE TIVER

UMA BASE AMPLA ONDE SE

CRIEM NOVAS INCIDÊNCIAS

PARA PESSOAS QUE NÃO

PAGAM, [COMO] PAGAMENTOS

DIGITAIS. TEM UMA ECONOMIA

NOVA DIGITAL SURGINDO.

MUITA COISA PODE SER FEITA

SE CONSEGUIRMOS ESSA BASE

QUE TRIBUTE QUEM NÃO PAGAVA

ANTES E PERMITA PAGAR MENOS

ÀQUELES QUE JÁ PAGAVAM.

QUANDO TODOS PAGAM, TODOS

PAGAM MENOS”

PAULO GUEDES,

MINISTRO DA

ECONOMIA,

SOBRE A

REFORMA

TRIBUTÁRIA

“O SETOR DA MADEIRA TEM, SIM, UM CRÉDITO

MUITO GRANDE PARA COM O ESTADO [DE SANTA

CATARINA], PORQUE FOI O PROPULSOR DE

DESENVOLVIMENTO, MAS POR CONTA DISSO AINDA

SOFREMOS COM A PERCEPÇÃO DE QUE A NOSSA

INDÚSTRIA NÃO É UMA AGROINDÚSTRIA, QUE É O

QUE DE FATO NOS TORNAMOS, JÁ QUE PLANTAMOS

E COLHEMOS EM 20, ATÉ 25 ANOS.”

RICARDO ROSSINI, PRESIDENTE DO SINDIMADE (SINDICATO DAS

INDÚSTRIAS DE MADEIRA DO MÉDIO E ALTO VALE DO ITAJAÍ)

Foto: divulgação

“POR MAIS QUE TENHAMOS

SEGMENTOS FORTEMENTE IMPACTADOS

PELA PANDEMIA DO NOVO

CORONAVÍRUS, OUTROS CONSEGUEM

ATRAVESSAR ESSA CRISE DE MANEIRA

MAIS POSITIVA, O QUE SE REFLETE NA

REVERSÃO DA TENDÊNCIA DE QUEDA

NOS POSTOS DE TRABALHO QUE ERA

OBSERVADA NOS MESES ANTERIORES.”

CARLOS VALTER MARTINS PEDRO, PRESIDENTE DA

FIEP-PR (FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO

DO PARANÁ), APÓS O ESTADO DO PARANÁ

APRESENTAR SALDO POSITIVO NAS VAGAS DE

EMPREGO NA INDÚSTRIA

22 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


ENTREVISTA

SUPORTE

GOVERNAMENTAL

GOVERNMENT

SUPPORT

C

om a crise mundial gerada pela pandemia do novo

coronavírus, governos por todo o mundo tiveram que

criar pacotes para o estímulo econômico em diversos

segmentos industriais. Nos EUA (Estados Unidos da

América), grande importador da madeira brasileira, o

Congresso aprovou há três meses uma medida emergencial que

irá auxiliar trabalhadores e empresas a enfrentar este momento

de incertezas. De acordo com o economista Roberto Dumas

Damas, esse deverá ser o caminho a ser tomado por diversos países,

inclusive pelo Brasil. Pesquisador de crises econômicas nos

séculos XX e XXI, o especialista diz que o governo, por mais liberal

que seja, não tem outra alternativa neste momento que não

seja a intervenção com ações keynesianas na economia nacional.

“Não há superação de crise que não passe pela liberação de

muito dinheiro e por uma política fiscal expansionista”, sustenta o

professor. Mas ele alerta: o risco dessa política é gerar uma bolha

financeira mais à frente. Confira a entrevista completa a seguir:

ENTREVISTA

W

ith the global crisis generated by the pandemic

of the noval coronavirus, governments around

the world had to create economic stimulus packages

for various industrial segments. In the

United States, a major importer of Brazilian forest

products, three months ago, Congress approved an emergency measure

that will help workers and companies face this moment of uncertainty.

According to economist Roberto Dumas Damas, this should be

the path to be taken by many countries, including Brazil. Researcher

of economic crises in the 20th and 21st centuries, the expert says that

Government, however liberal it may be, has no alternative at this time

other than an intervention with Keynesian actions in the national economy.

“There is no overcoming of a crisis that does not involve the

release of a lot of money and an expansionary fiscal policy,” says the

professor. But he warns: the risk of this policy is to generate a financial

bubble further ahead. Check out the complete interview below:

ROBERTO DUMAS DAMAS

FORMAÇÃO PROFISSIONAL: MESTRE EM ECONOMIA PELA

UNIVERSIDADE DE BIRMINGHAM NA INGLATERRA

CARGO: PROFESSOR DE ECONOMIA INTERNACIONAL E

ECONOMIA CHINESA DO IBMEC DE SÃO PAULO E DA FIA

Foto: divulgação

(FUNDAÇÃO INSTITUTO DE ADMINISTRAÇÃO).

PROFESSIONAL EDUCATION: M.SC. IN ECONOMICS, BIRMINGHAM UNIVERSITY,

ENGLAND

FUNCTION: PROFESSOR OF INTERNATIONAL ECONOMICS AND CHINESE ECONOMY

IBMEC SÃO PAULO AND FUNDAÇÃO INSTITUTO DE ADMINISTRAÇÃO (FIA)

24 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


EM QUE A CRISE ATUAL SE DISTINGUE

DAS OUTRAS NESTE SÉCULO?

As crises de 2000 e 2008, por exemplo, tiveram

seu início no sistema financeiro. A que está prestes

a eclodir será resultado de um problema de saúde

pública que se desdobrou em uma crise de produção

que, obviamente, vai surtir efeito no sistema

financeiro e nas empresas. Em relação ao enfrentamento

da crise, não há distinção em relação à

origem dela. As formas de atuar são as mesmas.

Não há superação de crise que não passe pela liberação

de muito dinheiro e por uma política fiscal

expansionista. O que não pode acontecer é deixar

todo o sistema quebrar, como ocorreu em 1929

nos EUA (Estados Unidos da América). Estimulado

pelo espírito do então secretário do Tesouro de

deixar queimar a parte podre do sistema, o que se

viu no país foi a expansão da crise com a queima

dos que não eram podres e a piora da situação

macroeconômica.

DE TEMPOS EM TEMPOS, O PLANETA SE

VÊ ÀS VOLTAS COM UMA NOVA CRISE ECO-

NÔMICA. É POSSÍVEL EVITAR O SURGIMENTO

DE NOVAS CRISES, AO MENOS DAQUELAS

ORIGINADAS NO SISTEMA FINANCEIRO?

Sempre quando uma bolha de ativos estoura,

o Banco Central ou a autoridade monetária disponibiliza

mais dinheiro no mercado para evitar a

contração da economia real. Só que, ao fazer isso,

são plantadas as sementes da próxima bolha, da

próxima crise. O coronavírus foi a ponta da agulha

a estourar a bolha que nasceu a partir de 2008 em

virtude da enorme quantidade de dinheiro em

circulação. Trata-se de um processo que se retroalimenta.

O QUE ESTÁ DIZENDO É QUE NÃO EXISTE

SOLUÇÃO PARA UMA CRISE QUE NÃO GERE

OUTRA EM UM FUTURO PRÓXIMO?

Existiria se fosse estabelecido que ninguém

mais compraria ações, mas isso não condiz com

uma economia aberta. Com mais dinheiro em

circulação, onde você vai querer investir o seu dinheiro:

na Bolsa que está subindo 5% por semana

ou comprar um título público que paga 0,25% ao

ano? Todo mundo vai na Bolsa, o que acaba inflando

a bolha. Seria preciso ficar de olho na bolha

de ativos, só que o Banco Central não cuida dela.

Sua função é cuidar da inflação de preços. Na outra

ponta, há muita falta de conhecimento sobre

como funciona o sistema financeiro e como atuar

nele. Sabendo como funciona esse ciclo, não é

possível construir outras soluções? Se você está no

meio de um incêndio, não vai deixar de usar água

para apagá-lo, mesmo sabendo que tanta água vai

resultar, no futuro, em um curto-circuito que pro-

IN WHAT WAY IS THE CURRENT CRISIS DIFFE-

RENT FROM THE OTHERS IN THIS CENTURY?

The crises of 2000 and 2008, for example, began in

the financial system. The one that is about to break out

will be the result of a public health problem that has

unfolded in a production crisis that will obviously affect

the financial system and companies. Concerning coping

with the crisis, there is no distinction as to its origin. The

ways of taking action are the same. There is no overcoming

crisis that does not go through the release of a lot

of money and expansionary fiscal policy. What cannot

happen is to let the whole system break down, as occurred

in 1929 in the United States. Stimulated by the spirit

of the then Secretary of the Treasury to let the “rotten

part of the system burn”, what was seen in that Country

was the expansion of the crisis with the “burning” of that

which was not rotten and the worsening macroeconomic

situation.

FROM TIME TO TIME, THE PLANET FINDS IT-

SELF IN A NEW ECONOMIC CRISIS. IS IT POSSIBLE

TO PREVENT THE EMERGENCE OF NEW CRISES,

AT LEAST THOSE ORIGINATING IN THE FINANCIAL

SYSTEM?

Whenever an asset bubble bursts, the Central Bank

or monetary authority makes more money available in

the market to prevent the contraction of the real economy.

But in doing so, the seeds of the next bubble, the

next crisis, are planted. Coronavirus was the “tip of the

needle” bursting the bubble that was born starting in

2008 due to the huge amount of money in circulation.

This is a process that feeds itself.

WHAT YOU ARE SAYING IS THAT THERE IS NO

SOLUTION TO A CRISIS THAT WILL NOT GENERATE

ANOTHER SHORTLY?

There would be if it were established that no one

else would buy shares, but that doesn’t match an open

A DECISÃO NÃO ERA ENTRE

DEIXAR AS PESSOAS

MORREREM À VISTA, EM VIRTUDE DO

CORONAVÍRUS, OU A PRAZO, EM RAZÃO

DA SITUAÇÃO ECONÔMICA RESULTANTE

DA CRISE. ESSAS SÃO PASSÍVEIS DE

SEREM EVITADAS POR MEIO DE

POLÍTICAS FISCAIS EXPANSIONISTAS E

CONTRACÍCLICAS

AGOSTO 2020 25


26 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


conjunto de

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produzidos de acordo com a necessidade do cliente. Fabricação com

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28 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


FACAS E PEÇAS DE REPOSIÇÃO

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SEGMENTO MADEIREIRO

QUALITY CHOICE

KNIVES AND SPARE PARTS FOR WOOD

CHIPPERS MADE WITH SPECIALTY

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SOLUTIONS FOR THE FOREST

PRODUCT SEGMENT

AGOSTO 2020 29


PRINCIPAL

Para o sucesso de um empreendimento industrial,

diversas variáveis podem impactar

no longo prazo. Um bom atendimento,

colaboradores qualificados e conhecimento

de mercado são algumas das qualidades

que uma empresa deve ter. Unida a todos esses fatores,

a escolha de bons fornecedores para matéria-prima

e equipamentos pode diferenciar companhias em

segmentos tão competitivos como as ramificações

da indústria de base florestal e madeireira: em 2019,

o setor registrou aumento de 24,1% nas exportações

em comparação ao ano anterior. As negociações com

países estrangeiros movimentaram cerca de US$ 12,5

bilhões nos últimos 12 meses e impactaram cerca de

mil municípios em 23 Estados brasileiros.

Por isso, encontrar bons parceiros comerciais, que

deem conta de abastecer a fábrica com um moderno

maquinário e ferramentas de qualidade, pode destacar

uma marca em meio a tantas opções, além de

evitar possíveis problemas durante a produção. Ao

se decidir, o empresário deve considerar elementos

como confiabilidade, habilidade técnica, pós-venda e

preço – este último, porém, não deve ser determinante

na hora da escolha.

S

everal variables can have an impact on the

success of an industrial enterprise over the

long term. Excellent service, skilled labor,

and market knowledge are some of the qualities

that a successful company must have.

Combined with all these factors, the choice

of good raw material and equipment suppliers can

differentiate companies in segments as competitive as

the segments of the forest and timber-based industry. In

2019, the Sector recorded a 24.1% increase in exports

compared to the previous year. Exports abroad accounted

for about US$ 12.5 billion in the last 12 months

and impacted about one thousand municipalities in

23 Brazilian states.

Therefore, finding the right suppliers, who can

afford to supply the factory with modern machinery

and quality tools, can highlight a brand amid so many

options besides avoiding possible problems during

production. When deciding, the entrepreneur should

consider elements such as reliability, technical skill,

after-sales, and price – the latter, however, should not

be decisive at the time of choice.

In the field of industrial knives, it is no different.

DRV Ferramentas, a company based in Curitiba (PR),

30 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


AGOSTO 2020 31


32 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


AGOSTO 2020 33


INFORME

MUDANÇAS NAS

RESOLUÇÕES

CONAMA

Fotos: divulgação

34 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


APERFEIÇOAMENTO DA

NORMATIZAÇÃO GARANTE

ORIGEM SUSTENTÁVEL

DA MADEIRA NATIVA

E PERENIDADE DAS

FLORESTAS

As modificações das Resoluções Conama nº

406/2009 e 411/2009, que foram aprovadas

na Plenária do Conama, em sua 134ª

Reunião Ordinária, tiveram como principais

defensores o Cipem (Centro das Indústrias

Produtoras e Exportadoras de Madeiras do Estado de

Mato Grosso) e os sindicatos empresariais que representa,

em conjunto com o Fnbf (Fórum Nacional das Atividades

de Base Florestal). “Somos proponentes dessas

iniciativas que trazem melhorias ao desenvolvimento

das atividades do setor de base florestal organizado,

sempre em comum acordo com as legislações vigentes,

promovendo transparência, segurança e solidez para

esta atividade que conserva os recursos naturais e ecossistemas

conciliando com o aspecto social, pela geração

de divisas, emprego e renda”, esclarece o presidente do

Cipem, Rafael Mason.

RESOLUÇÃO CONAMA Nº 406/2009

A alteração da Resolução Conama nº 406/2009

trouxe a possibilidade de prorrogação das Autex (Autorizações

de Exploração Florestal), por mais 12 meses, excepcionalmente

pelo período em que durar a pandemia

do novo Coronavírus. Isto fará com que a floresta seja

trabalhada com mais cautela e no tempo certo, primando

pela minimização de desperdícios advindos de uma

possível subutilização dos recursos disponíveis que já estavam

liberados pelos órgãos ambientais competentes.

A renovação das Autex deverá ser requerida pelo

interessado, para todas as autorizações de exploração

que já estavam aprovadas para o ano de 2020, mas tiveram

que ser paralisadas em decorrência da pandemia

da Covid-19, que reduziu o consumo nesse período de

crise. As Autex têm validade de um ano, podendo ser

prorrogadas por igual período (Rautex), mediante justificativa.

Porém, em tempos de anormalidade este prazo é

considerado insuficiente para uma exploração de precisão

e que se adeque às oscilações de mercado.

Com o surgimento da pandemia da Covid-19, o setor

de base florestal, assim como inúmeros outros setores

econômicos, foi impactado pela drástica redução ou

paralisação de suas atividades. Com isto, caso as autex/

rautex não fossem prorrogadas, todo o recurso florestal

disponível que já estava passível de exploração, aprovado

e vistoriado pelos órgãos ambientais competentes,

se perderiam e ficariam imobilizados por até 35 anos,

ocasionando a subutilização e desperdício do potencial

de exploração sustentável da madeira nativa.

RESOLUÇÃO CONAMA Nº 411/2009

A nova versão da Resolução Conama nº 411/2009,

traz em seu contexto a solução para algumas questões

há anos debatidas pelo setor de base florestal brasileiro.

Dentre as mudanças, a integração dos sistemas de controle

estaduais com o nacional, o Sinaflor (Sistema Nacional

de Controle da Origem dos Produtos Florestais) e

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36 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


AGOSTO 2020 37


MARCENARIA

38 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


MADEIRA PARA

TODOS OS GOSTOS

CONHEÇA OS TIPOS DE MADEIRA MAIS UTILIZADOS POR

MARCENEIROS NA CONFECÇÃO DE MÓVEIS MODERNOS E

VERSÁTEIS

Fotos: divulgação

AGOSTO 2020 39


MARCENARIA

N

ão é novidade para ninguém que a madeira

é o material favorito do mercado

de móveis no Brasil e no mundo. Segundo

recente levantamento do Bndes

(Banco Nacional de Desenvolvimento

Econômico e Social), o elemento está presente em

91% dos estabelecimentos do ramo no país, com

83% do pessoal ocupado e 72% do valor da produção

do segmento.

Na decoração de interiores, seja em ambientes

residenciais ou executivos, a madeira é sinônimo de

sofisticação e bom gosto, pois traz aconchego e vitalidade

ao décor. Mas quais são os tipos de árvores

mais utilizadas pelos profissionais do ramo moveleiro?

A REFERÊNCIA INDUSTRIAL traz todas as informações.

Confira:

PINUS

Um dos tipos mais comuns na indústria de móveis,

a madeira do pinus também é uma das mais

indicadas para o mercado, por se tratar de uma

madeira de reflorestamento - sustentável e amiga do

meio ambiente.

As peças construídas com pinus possuem um

corte macio e uma textura fina. Trata-se de um produto

de boa resistência, boa durabilidade, de boa

qualidade e que chama a atenção por sua tonalidade

clara. Madeira perfeita para compor o visual de salas

de estar, com racks, estantes e prateleiras. Sua cor

suave é excelente para montar tendências clássicas

ou retrô. Mais recomendada para uso em ambientes

fechados. Se passado pelo tratamento químico a

madeira pode ficar exposta a interpéries.

CEREJEIRA

Muito popular. É sinônimo de status e elegância

e é muito usada na fabricação de móveis. Sua cor

varia entre o castanho claro e o castanho-avermelhado.

É muito atraente, apesar de ser um material de

difícil manuseio por ser mais dura com ferramentas

manuais. É uma madeira cara, mas com forte apelo

no design de interiores.

MOGNO

Essa árvore faz parte do grupo das madeiras

consideradas nobres e sofisticadas. Sua cor vai do

40 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


AGOSTO 2020 41


BRASIL

FALTA

COMPETITIVIDADE

Foto: divulgação

42 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


SEGUNDO PESQUISA DO SETOR, O BRASIL PRECISA SIMPLIFICAR

CARGA TRIBUTÁRIA E DIMINUIR BUROCRACIA PARA AUMENTAR

COMPETITIVIDADE E RETOMAR CRESCIMENTO INDUSTRIAL

O

ambiente de negócios no Brasil melhorou

nos últimos dez anos, com redução

de burocracias e melhorias na legislação

trabalhista, mas não foi o suficiente

para tirar o país do penúltimo lugar do

relatório Competitividade Brasil 2019-2020. O estudo,

elaborado pela CNI (Confederação Nacional da

Indústria), compara o Brasil a outras 17 economias,

com características similares às da economia nacional,

lançando mão de 61 variáveis. Na classificação

geral, o Brasil aparece em 17º lugar, à frente apenas

da Argentina. Os países mais competitivos são Coreia

do Sul, Canadá e Austrália.

A economia brasileira até conseguiu uma classificação

mais positiva nas categorias Tecnologia e Inovação,

Trabalho e Estrutura produtiva, escala e concorrência.

Ocorre que Financiamento, em especial

o custo do capital, e a Tributação funcionam como

uma bola de ferro que impedem a nação de subir à

superfície, respirar e competir em pé de igualdade

com outras economias.

O relatório compara o Brasil com os seguintes

países: África do Sul, Argentina, Austrália, Canadá,

Chile, China, Colômbia, Coreia do Sul, Espanha,

Índia, Indonésia, México, Peru, Polônia, Rússia, Tailândia

e Turquia. São nove fatores analisados: Ambiente

Macroeconômico, Ambiente de Negócios,

Educação, Estrutura Produtiva, Escala e Concorrência,

Financiamento, Infraestrutura e Logística, Tecnologia

e Inovação, Trabalho e Tributação.

“Ao longo dos últimos dez anos, período do

estudo, percebemos que a média geral do Brasil no

ranking de competitividade cresceu. O país registra,

por exemplo, redução de burocracias pelo segundo

ano seguido, mas os outros países também avançaram,

com esforços contínuos para ampliar suas

vantagens competitivas. Não estamos isolados no

mundo e temos que enfrentar os nossos entraves de

frente. O importante é que sabemos quais são eles,

a tributação e o spread bancário”, afirma o presidente

da CNI, Robson Braga de Andrade.

O presidente da CNI também afirma que é

necessário reduzir o Custo Brasil e aumentar a competitividade

do país. “Para chegarmos à posição de

nação desenvolvida, precisamos de uma indústria

forte, dinâmica e competitiva, que olhe para o futuro,

sendo cada vez mais inovadora, global e sustentável”,

destaca.

MELHORIAS

No fator Tributação, o Brasil está em penúltimo

lugar, à frente apenas dos hermanos. Nas duas dimensões

avaliadas – peso e qualidade –, o Brasil

situa-se no terço inferior do ranking. No subfator

Peso dos Tributos, o país ocupa a 17ª posição, superando,

novamente, apenas a Argentina. Em 2017, a

carga tributária no Brasil representou quase um terço

do PIB (32,3%), sendo inferior apenas à observada

na Espanha (33,7%) e na Polônia (33,9%), países

cuja renda per capita é cerca de duas vezes superior

à brasileira, segundo dados de 2018.

Além da carga elevada, o sistema tributário brasileiro

tem baixa qualidade. O Brasil é o último colocado

no ranking do subfator Qualidade do sistema

tributário.

Chama atenção o desempenho da Turquia, que

subiu da 14ª para a 4ª posição no fator Tributação,

passando do terço inferior para o terço superior do

ranking. Entre 2018 e 2019, o país realizou reformas

que facilitaram o pagamento de impostos por lá:

melhorou o portal online para cumprir com obrigações

tributárias e isentou do IVA (Impostos sobre

Valor Agregado) certos investimentos, segundo o

Banco Mundial.

AGOSTO 2020 43


MADEIRA TRATADA

44 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


MADEIRA

É O FUTURO

Fotos: divulgação

CONSTRUÇÃO CIVIL

BRASILEIRA DEVE SE ESPELHAR

EM PAÍSES COMO EUA E

JAPÃO PARA AMPLIAR O

USO DA MADEIRA EM SEUS

EMPREENDIMENTOS

U

m dos mais tecnológicos e avançados

países do mundo, o Japão tem dado

um ótimo exemplo quando o assunto é

a sustentabilidade de suas construções.

Há mais de uma década, o país obriga

por lei que todos os novos prédios públicos, de até

três andares, sejam elaborados a partir da madeira.

Nos EUA (Estados Unidos da América), o material é

regra quando o assunto é a construção civil.

Mas por que essa prática, tão difundida na Europa

e na Ásia, ainda não conquistou o mercado brasileiro?

Segundo o engenheiro industrial madeireiro

Murilo Negreli, o problema no país ainda é cultural.

“Apesar do Brasil possuir uma grande oferta, ainda

estamos criando uma cultura de construir em madeira”,

comenta.

De acordo com o profissional, estima-se que em

2019 tenham sido desenvolvidos cerca de 714 projetos

em madeira maciça somente nos EUA, dentre eles

edifícios multifamiliares, comerciais ou institucionais.

As madeiras maciças nada mais são que grandes peças

pré-fabricadas para todos os aspectos da construção:

vigas, pilares, paredes, teto e piso. Além disso,

são sustentáveis, resistentes ao fogo e com grande

potencial de força e durabilidade.

No Brasil, o engenheiro lembra que está em

processo de finalização do primeiro prédio em Mass

AGOSTO 2020 45


46 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


AGOSTO 2020 47


ECONOMIA

INOVAR

É PRECISO

Fotos: divulgação

48 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


PARA VENCER

OBSTÁCULOS, INDÚSTRIA

DE MÓVEIS PRECISA

ESTAR EM CONSTANTE

MOVIMENTO

AGOSTO 2020 49


ECONOMIA

Antes vista como um diferencial no mercado,

a inovação passou a ser requisito

básico de qualquer negócio duradouro.

Na indústria de móveis não é diferente.

A tecnologia tem criado diversas

oportunidades no setor, transformando ideias em

resultados robustos e cada vez mais tangíveis.

De modo geral, clientes e parceiros comerciais

preferem projetistas que lançam mão de novas soluções

e que saibam usar equipamentos modernos

e eficazes, em detrimento de técnicas tradicionais

que apresentam óbvias limitações funcionais. Mas

o que realmente significa inovar dentro da indústria

moveleira?

CAMINHOS PARA SE DESTACAR

Inovar significa estar disposto a agir de maneira

diferente. Assim, todo negócio passa por uma fase

A INDÚSTRIA 4.0,

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FERRAMENTAS E ANÁLISE

DE DADOS, PODE AUXILIAR

O EMPREENDEDOR NA

HORA DE ANALISAR

GASTOS E ENCONTRAR

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50 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


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AGOSTO 2020 51


ARTIGO

PAINÉIS HÍBRIDOS

DE LÂMINAS

E PARTÍCULAS DE MADEIRA

PARA USO ESTRUTURAL

Fotos: divulgação

ANDERSON RENATO VOBORNIK WOLENSKI

INSTITUTO FEDERAL DE SANTA CATARINA

ANDRÉ LUIS CHRISTOFORO

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, SÃO CARLOS

FRANCISCO ANTONIO ROCCO LAHR

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, SÃO CARLOS

LAURENN BORGES DE MACEDO

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, SÃO CARLOS

VINICIUS BORGES DE MOURA AQUINO

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, SÃO CARLOS

52 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


RESUMO

O

uso de painéis de madeira tem ganhado

destaque na indústria da construção civil.

Os painéis MDP não atingem requisitos

estruturais, ao contrário dos painéis OSB

e compensado. Uma alternativa a fim de

aprimorar o uso de painéis de partículas de madeira

consiste no reforço desses com lâminas de madeira

(painéis híbridos). Esta pesquisa objetivou avaliar o potencial

de uso de painéis híbridos fabricados com partículas

e lâminas de madeira de Pinus sp. e com resina

poliuretana bicomponente à base de óleo de mamona,

obedecendo à norma Abnt NBR 14810-2.

Os resultados das propriedades físicas e mecânicas

foram comparados com os requisitos normativos para

painéis OSB (EN 300) e compensados (DIN 68792), bem

como com os resultados de painéis comerciais OSB e

compensado. Os painéis híbridos atenderam aos requisitos

normativos para painéis comerciais OSB e compensado,

indicados para uso estrutural.

A análise estatística indicou a superioridade das

propriedades físicas e mecânica dos painéis híbridos

quando comparados com os resultados dos painéis OSB

e compensado comerciais, resultado esse também justificado

pelo uso da resina à base de mamona.

INTRODUÇÃO

Dentre os painéis engenheirados à base de madeira,

destacam-se os painéis compensados, OSB (Oriented

Strand Board) e MDP (Medium Density Particleboard),

servindo como alternativa ao uso de madeira serrada na

construção civil e rural, móveis, entre outros (Bertolini et

al., 2014; Ferro et al., 2015; Chiromito et al., 2016; Nascimento

et al., 2016; Gilbert et al., 2017).

O OSB é definido como painel de partículas orientadas

em camadas, unidas com resina à prova d’água e

consolidadas na prensagem a quente (Souza et al., 2014;

Carvalho et al., 2014; Ferro et al., 2015, 2016; Semple;

Zhang; Smith, 2015).

Os compensados são definidos como painéis compostos

de lamelas de madeira dispostas em direções

perpendiculares, aderidas por meio de adesivo, pressão

e temperatura (Dias; Lahr, 2004; Regattieri; Bellomi,

2008; Ferreira; Silva; Campos, 2011; Zhou; Pizzi, 2014;

Demirkir et al., 2016; Way; Kamke; Sinha, 2018). Já os

MDPs são definidos como painéis constituídos de partículas

de madeira e resina sob pressão e temperatura, a

fim de consolidar o material (Bertolini et al., 2014; Ferro

et al., 2014a; Nascimento et al., 2016).

Na literatura, diversos estudos tratam da produção

de painéis de madeira com resina poliuretana à base de

óleo de mamona, que, em comparação com as resinas

ureia-formaldeído e fenol-formaldeído, demandam menor

energia para cura e não liberam formaldeído, componente

tóxico ao homem e ao meio ambiente (Ferro

et al., 2014a, 2014b, 2015, 2016, 2018; Silva et al. 2014;

Souza et al., 2014).

Quanto aos painéis OSB com o uso de resina poliuretana

à base de óleo de mamona, destacam-se as

pesquisas de Souza et al. (2014), Ferro et al. (2015, 2016,

2018), Nascimento et al. (2015) e Barbirato et al. (2018).

Já para painéis compensados feitos com resina poliuretana

à base de óleo de mamona, tem-se apenas o trabalho

de Dias e Lahr (2004), no qual foram produzidos painéis

compensados com lamelas de Eucalyptus grandis e

resina poliuretana (gramatura de 250 g/m²), lâminas com

umidade variando de 4 a 6%, pressão de colagem igual

a 1,2 Mpa (Mega Pascal) à temperatura de 60ºC (Graus

Celsius) durante 10 min (minutos).

Sobre painéis MDP utilizando resina poliuretana à

base de óleo de mamona, tem-se na literatura os estudos

de Ferro et al. (2014a, 2014b), Silva et al. (2014), Bertolini

et al. (2014) e Zau et al. (2014).

Levando-se em consideração que painéis OSB e

compensados têm uso estrutural (Demirkir et al., 2016;

Zhou; Pizzi, 2014) e painéis de material particulado de

madeira não atingem requisitos estruturais (Silva et al.,

2014, 2018), uma alternativa para aprimorar o uso de painéis

de partículas de madeira para fins estruturais consiste

na confecção de painéis híbridos, com as camadas

externas sendo compostas de fibras de madeira e partículas

de madeira na camada interna, sendo as camadas

unidas por adesivo.

Na literatura correlata, poucos trabalhos abordam a

fabricação e a caracterização de painéis híbridos de madeira

(Nurhazwani et al., 2016; Silva et al., 2018). Nurhazwani

et al. (2016) avaliaram as propriedades físicas e

mecânicas de painéis compostos de partículas de Hevea

brasiliensis, lâminas de bambu e resina ureia-formaldeído.

Os painéis foram pré-prensados a frio a uma pressão

de 3,5 Mpa. Posteriormente, foram prensados a quente

(160 ºC), com pressão de 1,2 MPa. O teor de umidade

das partículas foi igual a 12% e o teor de resina foi igual

a 65% em relação à massa sólida das partículas.

Silva et al. (2018) produziram painéis utilizando fibras

de Pinus taeda e Malva e partículas de bagaço de cana-

-de-açúcar com o uso de resina poliuretana à base de

AGOSTO 2020 53


54 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


23

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AGOSTO 2020 55


AGENDA

AGENDA

2020/2021

SETEMBRO

7 A 10

SHANGHAI INTERNATIONAL

FURNITURE MACHINERY &

WOODWORKING MACHINERY

FAIR

LOCAL: XANGAI (CHINA)

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OUTUBRO

3 A 6

FEDEMA - FERIA INTERNACIONAL

DEL MUEBLE Y LA MADERA

LOCAL: FORMOSA (ARGENTINA)

FEDEMA.COM.AR/

NOVEMBRO

19 A 22

FERIA FORESTAL ARGENTINA

LOCAL: POSADAS (ARGENTINA)

WWW.FERIAFORESTAL.COM.AR/

FESQUA

08 A 11 DE JUNHO DE 2021

SÃO PAULO (SP)

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CONSOLIDADA COMO O MAIOR E MAIS IMPORTANTE EVENTO PARA O MERCADO DE

ESQUADRIAS DA AMÉRICA LATINA. O EVENTO TORNOU-SE UM VERDADEIRO E PODEROSO

CENTRO GERADOR DE NEGÓCIOS E OPORTUNIDADES LUCRATIVAS PARA AS EMPRESAS

EXPOSITORAS E PARA OS VISITANTES, POTENCIAIS COMPRADORES DESSE MERCADO.

DEZEMBRO

3 A 6

CAIRO WOODSHOW

LOCAL: CAIRO (EGITO)

WWW.CAIROWOODSHOW.COM/

JULHO

5 A 8/2021

AGOSTO/

17 A 21/2021

SETEMBRO

26 A 29/2021

EXPOLUX

LOCAL: SÃO PAULO (SP)

WWW.EXPOLUX.COM.BR/PT-BR.HTML

FENASUCRO

LOCAL: SERTÃOZINHO (SP)

FENASUCRO.COM.BR/PT-BR.HTML

WOODMEX AND ASFI

LOCAL: BIRMINGHAM (INGLATERRA)

WWW.WEXHIBITION.CO.UK/

56 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


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ESPAÇO ABERTO

EMPREENDEDOR,

O HERÓI NECESSÁRIO

Arecessão econômica iniciada neste primeiro

semestre de 2020 será uma das mais graves

dos últimos tempos. Primeiro, porque a

queda do produto interno deste ano será

brutal, em torno de 5% em relação a 2019.

Em todos os países que foram afetados e tiveram que

fazer isolamento social, o produto também caiu e seguirá

caindo em relação aos anos anteriores. A redução do produto

de um país exacerba vários flagelos sociais graves:

aumenta o desemprego, reduz os salários médios, fecha

fábricas, quebra lojas comerciais, gera perda de renda

dos autônomos, aumenta a pobreza e a miséria, fomenta

doenças psicológicas e a perturbação social.

O Brasil está diante de um desafio imenso, representado

pela tentativa de sair da devastação econômica o

mais rápido possível, na qual três atores serão especialmente

essenciais: trabalhadores, empresários e governantes.

Todos têm sua importância. O empreendedor, porém,

terá um papel mais relevante. Roberto Campos, com sua

ironia fina de sempre, dizia que entre os muitos ários que

existem por aí, o mais importante é o empresário.

O Brasil criou certa cultura antiempresarial e antilucro,

nociva ao desenvolvimento. O empreendedor é um

instrumento da produção, e a ele cabe acumular capital

(bens de produção), zelar por sua conservação e expansão.

Ilude-se quem crê que o dono do capital é livre para

fazer o que bem quiser. O empresário detém a propriedade

condicionado a satisfazer o consumidor, e deve ajustar

suas ações aos interesses do mercado, sob o risco de ser

superado pela concorrência e precisar fechar o seu negócio.

Se for eficiente, o lucro é o prêmio. Se for ineficiente,

o prejuízo é o castigo, geralmente terminado em falência.

Quando a pandemia acabar e a normalidade for restabelecida,

grande parte do empresariado retomará as

atividades com suas empresas debilitadas, queda nas

vendas, prejuízos acumulados, dívidas não pagas e fluxo

de caixa abalado. Reconstruir os negócios e reorganizar

e reequilibrar as finanças serão tarefas árduas. Muitas

empresas retornarão menores, com menos empregados e

atividade encolhida. Mas outras novas surgirão.

Para os profissionais autônomos (médico, dentista,

psicólogo, fisioterapeuta, cabeleireiro, professor particular

e outros que perderam toda ou parte de sua renda), o

problema é o mesmo. Eles se assemelham aos empreendedores,

têm custos empresariais como aluguel, material,

POR

JOSÉ PIO

MARTINS

ECONOMISTA

E REITOR DA

UNIVERSIDADE

POSITIVO

salário de auxiliares, também precisam conquistar clientes

e terão de extrair de si o melhor como empreendedores e

gestores de sua atividade.

A decisão de empreender e não depender de um

emprego assalariado não deve ser tomada apenas em

função da atual crise, mas em função da realidade global.

O mundo está mudando, e recessões têm se repetido.

Em 2007 e 2008, o mundo foi ferido pela crise financeira.

No período de 2014 a 2016, o Brasil inventou sua própria

recessão. Agora, temos a recessão do coronavírus. Outras

recessões virão, agravadas pelo fato de a revolução tecnológica

estar engolindo empregos.

O cenário econômico pós-pandemia será caracterizado

por elevado desemprego, subemprego, governos

imprimindo dinheiro, trilhões em dívidas individuais e governamentais,

programas sociais subfinanciados, aumento

da mentalidade assistencialista, milhões de jovens sem

trabalho e com dívidas estudantis, robôs tomando vagas

de humanos e demorada recuperação. Procurar trabalho

assalariado será o caminho da maioria das pessoas, e é

uma luta nobre. O problema é que muitos não encontrarão.

Haverá espaço para trabalhar por conta própria como

autônomo ou abrir um negócio. Empreender, porém,

exige aprendizado. É preciso se preparar. Mesmo quem

tenha espírito de iniciativa e tino para os negócios deve

entender que o assalariado não se transmuta automaticamente

em empreendedor. Embora o mundo vá continuar

necessitando de empregados, mais empreendedores

serão necessários, pois são eles que criam empresas e vagas

de emprego, e a lei deve vir para estimular, não para

inibir, o espírito de iniciativa. Esse é o desafio!

Foto: divulgação

58 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2020


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