SETEMBRO - edição nº 268

araujomota

Órgão informativo do Centro Lusitano de Zurique

[ SETEMBRO 2020 | Edição Nº. 268 | ANO XXVI | Direcção: Sandra Ferreira + Armindo Alves | Publicação mensal gratuita ]

A SUBIDA AO TRIFHÜTTE

BRANCO

AZUL

BRANCO

WWW.CLDZ.CH

EDITORIAL

OS SUÍÇOS E

AS MÁSCARAS

PÁGINA 3

SAÚDE

OMS. DEFINIÇÕES

IMPORTANTES.

PÁGINA 14

COMUNIDADE

”QUELLEN

STEUER“ EM 2021

PÁGINA 31


2

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Centro Lusitano de Zurique

Birmensdorferstr, 48

8004 Zürich

www.cldz.eu - info@cldz.eu

Bufete, reserva de refeições 077 403 72 55

Cursos de alemão 076 332 08 34

Consulado Geral de Portugal em Zurique

Zeltweg 13 - 8032 Zurique

Tel. Geral: 044 200 30 40

Serviços de ensino: 044 200 30 55

Serviços sociais: 044 261 33 32

Abertura de segunda a sexta-feira das

08:30 às 14:30 horas

Embaixada de Portugal

Weitpoststr. 20 - 3000 Bern 15

Secção consular: 031 351 17 73

Serviçoa sociais: 031 351 17 42

Serviços de ensino: 031 352 73 49

Edição anterior

[ JULHO/AGOSTO 2020 | Edição Nº. 2666+267 | ANO XXVI | Direcção: Sandra Ferreira + Armindo Alves | Publicação mensal gratuita ]

Portas fechadas à

União Europeia?

Livre circulação de pessoas

vai a votos a 27 de Setembro

O “novo”

CLZ

já abriu.

Visite-nos!

Direcção

044 241 52 60 / info@cldz.eu

Futebol armindo.alves@garage-mutschellen.ch / 079 222 09 14

Publicidade 079 913 00 30/pub.lusitano@gmail.com

Rancho folclórico 079/549 99 10 / rancho@cldz.ch

Vamos contar uma história 079 647 01 46

Serviços municipais de informação para

imigrantes - Zurique (Welcome Desk)

Stadthausquai 17 - Postfach 8022 Zurique

Tel.: 044 412 37 37

Polícia 117

Bombeiros 118

Ambulância 144

Intoxicações 145

Rega 1414

WWW.CLDZ.EU

EDITORIAL

ACABAR COM

A XENOFOBIA

PÁGINA 3

COMUNIDADE

VIAGENS AO

ESTRANGEIRO

PÁGINA 14

DIREITO

ALTERAÇÕES NO

CÓDIGO DA

ESTRADA - PÁG. 11

Missão Católica de Língua Portuguesa – ZH

Katholische Mission der Portugiesischsprechenden

Fellenbergstrasse 291, Postfach 217 - 8047 Zürich

Tel.: 044 242 06 40 7 044 242 06 45 - Email: mclp.zh@gmail.com

Horário de atendimento:

- segunda a sexta-feira das 8h às 13h00 e das 13h30 às 17h

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EDITORIAL

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Os Suíços e

as máscaras

SANDRA FERREIRA

Directora - jornalista CC12 A

Desde a semana passada que no cantão de Zurique foi imposto o uso obrigatório de máscara

dentro de áreas comercias. Uma medida tomada, tendo em conta o aumento significativo

do número de casos de pessoas infectadas na mesma cidade. Contudo, e tendo

em conta o resto da Europa, muitos dos emigrantes se perguntam: o que terão os Suíços

contra o uso de mascaras? Apesar de não haver uma resposta em concreto, a verdade é

que a Suíça é um dos países que tem adiado bastante a imposição do uso de máscara.

Uma das razões apontadas, por uma pesquisa feita pela SWISSINFO, indica simplesmente

para o facto de na Suíça não haver a tradição do uso de máscaras, como nos países asiáticos,

que vem sendo afectados por várias epidemias nas ultimas décadas. Assim sendo,

na ausência de hábito, as pessoas têm de ser convencidas de que a mudança do costume

faz sentido, sendo que para muitos ainda existem muitas dúvidas quanto à eficácia do uso

de máscaras.

Mas se é verdade que foi estranho, ao inicio, esta relutância com as máscaras, a verdade

é que o problema tem sido levado mais a sério por todos e são cada vez mais aqueles que

optam pelo uso da máscara para a sua segurança, tendo como exemplo muitos dos países

europeus próximos. Contudo, tornar este uso de máscara obrigatório, em todas as áreas

públicas e algumas privadas, ainda vai precisar de muito mais debate e aceitação por parte

de todos os suíços.

EQUIPA REDACTORIAL

EMAIL: LUSITANOZURIQUE@GMAIL.COM

Sandra Ferreira

Armindo Alves

DIRECTOR A CC12 A

SUB-DIRECTOR CC15 A

Natascha D´Amore

Maria dos Santos

Lúcia Sousa

Zuila Messmer

Joana Araújo

CC11 A

Cristina F. Alves

CC 16 A

Jorge Macieira

CC28 A

Pedro Nogueira

Nuno Brandão

Domingos Pereira

Carmindo de Carvalho

Euclides Cavaco

Nelson Lima

Carlos Matos Gomes

Manuel Araújo

jornalista 3000 A

EDIÇÃO,

COMPOSIÇÃO

E PAGINAÇÃO

Manuel Araújo

Jornalista 3000 A

araujo@manuelaraujo.org

Tel.:(+351) 912 410 333

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pub.lusitano@

gmail.com

Tel.: 079 913 00 30

IMPRESSÃO

Diário do Minho

Tiragem: 2000 exemplares

Periodicidade: Mensal

Distribuição gratuita

PROPRIEDADE

& ADMINISTRAÇÃO:

Centro Lusitano de Zurique

Risweg, 1

8041 Zürich

Tel.: 044 241 52 60 -

Fax: 044 241 53 59

Web: www.cldz.eu

E-mail: info@cldz.eu

Esta publicação

não adopta nem

respeita o inútil

(des)Acordo Ortográfico

Apoios:

Daniel Bohren

Jurista

Pedro Nabais

CC14 A

Aragonez

Marquez

Ivo Margarido

Jeremy da Costa

NOTA: Os artigos assinados reflectem tão-somente a opinião dos seus

autores e não vinculam necessariamente a direcção desta revista

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COMUNIDADE

Felicitações às novas

instalações do C.L.Z.

MARIA DOS SANTOS

Como é do conhecimentos de todos o

C.L.Z. reabriu nas suas novas instalações.

Confesso que a minha curiosidade era

enorme, porque sempre considerei, que

esta associação era merecedora de um

espaço físico, onde todas as suas secções

tivessem espaço para trabalhar.

Assim, há uns dias, decidir ir conhecer

o novo espaço físico. A minha alegria foi

enorme.

Como sócia desta casa, senti uma satisfação

particular. Sócios e não sócios,

temos agora muito mais espaço para

realizar, encontros, festas, convívios,

celebrações especiais e tudo isto, numa

superfície, onde se pode respeitar o distanciamento

social exigido pela época

de pandemia.

O C.L.Z. tem agora e mais do que nunca,

porque mesmo nas antigas instalações

a falta de espaço nunca foi um problema,

em dar asas e abraçar grandes

projectos num futuro próximo.

Espero que o COVID que obrigou a vertente

cultural hibernar de um dia para o

outro, possa permitir o renascimento e

dar vida a este Zum Hüsli no futuro.

A nossa Comunidade precisa do reencontro,

de se abraçar e festejar, ver

nascer novas propostas, acreditar que

o movimento associativo, apesar da elevada

crise, tem a nobreza de sobreviver.

Verifiquei também que existe uma simbiose

perfeita entre as duas culturas, a

suíça e a portuguesa.

A começar pela gastronomia. Na carta

podemos escolher entre o famoso e delicioso

Cordon-Blue, ao polvo, bacalhau

entre outros pratos típicos.

As sobremesas, só de olhar, aguçam o

apetite.

A Carta dos vinhos é bem variada e para

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COMUNIDADE

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todos os paladares.

No seu exterior, existe um vasto jardim

com muito espaço verde, sombras

e uma esplanada que faz a delícia dos

dias em que a temperatura convida a

sentar-nos ao ar livre.

Na cozinha a Senhora Ivone Monteiro e

Mariana Oliveira expõe a sua sabedoria

dos sabores da nossa terra e helvéticos.

Rosa Pereira, mostra a sua experiência,

com muita simpatia, voz delicada

e amável no serviço as clientes. Tem

como braço direito a jovem Ana Sofia

Silva, que demonstra apesar da sua juventude

um grande carisma, para com

os sócios e não sócios.

Sem duvida que ainda há muito para fazer,

até porque a mudança realizou-se

há pouco tempo. Mas posso dizer que o

que foi realizado até agora, mostra que

estão no bom caminho e que muito em

breve iremos ter a oportunidade de ter

excelentes experiências e um serviço à

comunidade que todos devemos apoiar

e beneficiar.

É bom ver e saber que as novas instalações

são visitadas, por outros presidentes,

pessoas responsáveis da Comunidade,

como neste caso e perante

os meus olhos a visita do Sr. Vitor Figo,

presidente da Casa do Benfica Lenzburg.

Ao Presidente do C.L.Z Armindo Alves,

todos os corpos gerentes e todos os

seus colaboradores, os meus parabéns.

Como sócia desejo-vos as maiores conquistas

na construção de novas iniciativas

e deixem-me sempre por favor, fazer

parte dessa grande família que é o Centro

Lusitano Zurique.

PROCURA-SE PARA AS NOVAS INSTALAÇÕES DO CLZ

SERVENTE DE MESA m/f (part time)

AJUDANTE DE COZINHA m/f (part time)

Requisitos:

- falar prefeitamente o português e o alemão (obrigatório)

- ter experiência na área da restauração

- pessoa flexivel e responsável

É para trabalhar de Quarta-feira a Domingo.

Para mais informações entrar em contacto através do

telefone nr. 077 403 72 55.

Enviar o currículo para gastro@cldz.eu

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RESIDENTES NO ESTRANGEIRO

NÃO IMPORTA

ONDE ESTÁ.

COM A CAIXA

FICA MAIS PERTO.

Escritório de Representação da CGD - Suíça

Rue de Lausanne 67/69, 1202 Genève

Tel: Genève - 022 9080360 I Tel: Zurique - 078 6002699 I Tel: Lausanne – 078 9152465

email: geneve@cgd.pt

A Caixa Geral de Depósitos, S.A. é autorizada pelo Banco de Portugal.

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COMUNIDADE

Estamos a passar por uma

fase complicada

Trasmontano, natural de Carrazedo

de Montenegro, concelho de

Valpaços, distrito de Vila Real, Manuel

Martins chegou á Suíça nos

anos 80, precisamente em 1988.

Casado e orgulhosamente pai de

duas filhas, Manuel Martins, considera-se

um homem realizado e feliz.

Longe estava de imaginar que o seu

percurso de vida abraçaria a cultura

popular portuguesa, os seus primeiros

contactos, com a comunidade portuguesa,

foram na associação portuguesa

de Luzern. Conversa puxa conversa,

surgiu a ideia de se formar um rancho

em Luzern e a proposta foi-lhe feita.

Com uma enorme experiência na organização

de festivais, este senhor do

folclore, ainda não é capaz de dominar

o nervosismo nos dias do festival

anual e é com muita dignidade, que

mostra as suas emoções, na hora de

pegar no microfone e perante uma sala

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repleta, agradece a presença de todos.

Com voz tremula e olhos brilhantes a

rasgarem-se em lágrimas, deixa-se

afundar nos aplausos por vez intermináveis,

do seu público. Vamos conhecer

um dos mais carismáticos presidentes

no ceio folclórico da Suiça.

MARIA DOS SANTOS

Lusitano Zurique - Em que ano assumiu

o Rancho Folclórico Terras

de Portugal de Luzern e

como confrontou esta realidade?

Manuel Martins - Foi em

2011 que fui convidado por alguns elementos

para criar uma nova direção.

Aceitei e assumi com um pouco de receio,

mas com a ajuda dos elementos

e a confiança senti-me seguro.

L.Z. - Nestes 12 anos como elemento,

dos quais 9 anos como presidente, a

interagir com a cultura folclórica, com

altos e baixos, que pensa do percurso

que o seu rancho tem feito até agora?

M.M.- No meu ver o nosso Rancho tem

feito um bom percurso. Sempre evoluindo

contando com novos e mais elementos

e sempre com uma vontade de aprender

e crescer. Até agora têm sido anos com

muitas actuações e com grandes festivais.

L.Z. - É fácil liderar um grupo,

sendo que a sua esposa e filhas

são parte integrante do rancho?

M.M. -Por vezes não é fácil, porque

prejudico a minha família em prol

do grupo. Mas também são elas que

me motivam dão força para continuar

e ajudam no que for necessário.

L.Z. - Os vossos festivais são sempre,

pavilhão esgotado. O que

se sente perante tal adesão?

M.M. - Olhando de cima do palco é

com muita felicidade e emoção que vejo

a sala repleta de público como também

de muitos patrocinadores. É bom ver

como as pessoas nos apoiam, acompanham

e fazem parte do nosso percurso.

É com a ajuda e o apoio deles

que os ranchos também ganham força.

L.Z. - O ano 2020 ficará marcado

como um verdadeiro “blockout”

cultural. Como está a viver

esta situação o R.F.T.P.L ?

M.M.- Com muita tristeza, pois o convivio

faz falta, ainda mais porque nos

sentimo-nos como uma família. Sente-se

falta de conviver em cultura portuguêsa.

Mas é a saúde de todos que

está em primeiro lugar. Só esperamos

que isto não dure muito mais tempo.

L.Z. - Acredita num arranque fácil ou

difícil da parte dos todos os grupos?

M.M. -Penso que, depois desta pandemia,

vai ser complicado para todos os

grupos. Todos vão ter algum receio, uns

mais, outros menos, naquela que era a

nossa realidade antes desta situação.

L.Z. - Esta revista irá chegar á comunidade

no início do mês de Setembro.

Dia 12 de Setembro seria a data

do vosso festival. Vamos ter festival?

M.M.- Com muita pena minha, este

ano o festival não vai ser realizado pelos

motivos ditos anteriormente. Esperemos

que para o ano seja possivel para

dar continuidade à cultura portuguesa e

encher novamente a nossa grande sala.

L.Z. - Depois de tantos meses críticos,

como vê o futuro dos Ranchos

Folclóricos na Suiça? Terão

principalmente os mais jovens

“garra” para voltar aos ensaios?

M.M.- Acho que está crítico. Mas tenho

esperança que todos os ranchos

encontrem um caminho para continuar.

Mas pode demorar algum tempo. Agora,

quanto aos mais jovens depende

deles, mas quero acreditar que a maioria

voltará, pois como já referido somos

uma família que se uniu pelo folclore.

L.Z. - Projectos possíveis e aqueles

que gostaria de realizar? O que

falta acrescentar ao R.F.T.P.L.?

M.M. - Antes de deixar o posto de presidente

gostaria de levar o R.F.T.P.L. a actuar

em Portugal. Já chegou a estar mais

ou menos encaminhado, mas acabou por

não ser possível. É sempre difícil ter todos

os elementos na mesma altura de férias.

L.Z. - Manuel Martins, que gostaria

de dizer á nossa comunidade

e principalmente uma palavra

de ânimo aos ranchos?

M.M. - Gostaria de apelar á comunidade

de continuarem a apoiar a nossa cultura,

principalmente os Ranchos Folclóricos.

Estamos a passar por uma fase complicada,

mas com a ajuda e o apoio entre os

Ranchos, como entre a comunidade e os

Ranchos vamos ultrapassar este periodo

dificil e encontrar um caminho para continuarmos

a viver a cultura portuguêsa,

longe do nosso país, em terras helvéticas.


DESPORTO

“Deixo aqui grandes

amizades e muitos bons

momentos passados.”

7

Luís Santos, jogador dos veteranos do

Centro Lusitano de Zurique, natural de

Oliveira – Povoa de Lanhoso, que regressou

este Verão ao paìs natal. Um

homem com 16 anos de casa, onde

foi jogador, diretor desportivo e ainda

treinador adjunto dos Juniores A, juntamente

com o seu conterrâneo Zé Ricardo.

JORGE MACIEIRA

L.Z.- Quem era o Santos que chegou,

com 20 anos, ao Centro Lusitano, em

2004?

Luís Santos- Era um jovem craque que o

Centro Lusitano de Zurique teve a sorte de

acolher(risos). Agora a sério: era um jovem

vindo de Portugal, mais concretamente da

freguesia de Oliveira, Povoa de Lanhoso,

onde passou pelas camadas jovens até a

equipa principal do Grupo Desportivo de

Porto d’Ave.

L.Z.- Que nível estava o Centro há 16

anos atrás?

LS- Naquela altura o Centro Lusitano estava

na 3ª Liga, e penso que se existissem

as condições de hoje poder-se-ia ter sonhado

mais alto.

L.Z.- Como foi a adaptação para um

jovem de 20 anos, que chega à Suíça

para trabalhar e junta o hobbie do futebol?

Facilitou a adaptação?

L.S.- Não foi fácil, mas o futebol e as amizades

que se foram criando no Centro foram

uma mais valia nessa fase, sem dúvida

facilitou a uma melhor adaptação.

L.Z.- Durante estes últimos 16 anos

jogastes na equipa sénior e equipas

dos veteranos com o “místico” número

20 nas costas. Algum motivo especial

para esse número?

L.S.- Não, já trazia o nº 20 de Portugal,

do anterior clube Porto d’Ave, e até agora

sempre me permaneci com o 20 às costas.

L.Z.- Foram muitas épocas de Centro

ao peito, como em todo lado há sempre

bons e maus momentos, tens alguma

história que nos possas contar?

L.S.- Sem dúvida que em tantas épocas

haveria muito para contar, pois foram muitos

anos de “casa” com esta grande família,

vou apenas destacar o momento da

subida a Masters (como o Veteranos) que

foi um misto de orgulho e alegria

L.Z.- Com tantas conquistas, subidas e

épocas memoráveis ficou algum objetivo

por cumprir com o Centro?

L.S.- O jogador quer sempre mais objetivos,

claro que sempre mais em geral que

individualmente. No coletivo sinto-me de

dever cumprido.

L.Z.- Foi uma última época de Centro

ao peito inglório, com a terminação da

época devido ao corona-vírus, o que

sentes em relação a isso?

LS- Sim foi pena porque ainda estava

tudo em aberto, quanto ao campeonato e

com boas expectativas de chegar a final

da taça, mas primeiro e mais importante

apelar pela saúde de todos.

L.Z.- Brevemente o eterno “20” do centro

regressará ao país natal, será uma

despedida que causará algum sentimento

triste?

L.S.- Custar é claro que custa, deixo aqui

grandes amizades e muitos bons momentos

passados.

L.Z.- Que mensagem deixas aos teus

colegas, treinadores e aos nossos leitores?

L.S.- (risos) Aos colegas que treinem

mais, aos treinadores que apertem com

eles. Desejo para todos, incluindo os leitores,

muita saúde. O meu muito obrigado

C.L.Z. !

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8

RECANTOS HELVÉTICOS

SUBIDA AO TRIFHÜTTE

Branco, azul, branco

MARIA DOS SANTOS

Desde os anos noventa, que me inspiro na

natureza, para renovar energias, manter o

corpo equilibrado e sobretudo encontrar

paz. Com o tempo foi aprendendo a ler os

sinais para ter uma melhor orientação, já

que as montanhas, apesar de serem um verdadeiro

paraíso, são um perigo constante.

Os sinais são, amarelo, para caminhadas

normais e possíveis para todos. Branco,

vermelho, branco, já requerem uma boa

preparação física e ausente de vertigens.

Branco, azul, branco, são considerados

caminhos alpinos. Requerem uma excelente

preparação física, psicológica e sem

medos. Foi sempre um sonho realizar o

percurso, branco, azul, branco.

Agosto foi o mês que escolhi, para esta

realização pessoal. Foi sem dúvida o desfio

da minha vida. Nessa manhã do 1 Agosto

2020 dia Nacional da Suíça, olhei-me ao

espelho; o reflexo dos meus olhos, apenas

me diziam… vai, e vence essa barreira.

Equipada a rigor, parto ansiosa, para a experiência,

direcção da nossa capital.

No confim da província de Berne e na zona

de Gadmertal, numa tangente com o Valais,

encontra-se o meu ponto de partida.

A grande aventura começa.

Deixei o meu carro no parque de estacionamento

de Scwendeli, onde para os menos

atrevidos, dispõem de um teleférico, que os

transporta até 1/3 do caminho, chegando

em vinte e cinco minutos a Trift. Como o

tempo está bom, decidi fazer o percurso

todo a pé. O meu destino era passar pela

ponte e pernoitar na cabana situada a dois

mil quinhentos e vinte metros. A história

destas cabanas construídas nos picos das

montanhas, têm a suas razões. Quase todas

elas pertencem ao clube alpino Suisse

(C.L.S.) A primeira cabana foi construída em

1864, um ano depois da fundação do clube.

No projecto, estava um guia de montanha

chamado Johann Von Weissenfluh.

A segunda cabana “Seis Lugares“ foi a

primeira a ser construída na província de

Berne, também ela com o apoio do Clube

Alpino Suisse.

Subia tranquilamente, admirando e respirando

cada recanto, quando fui surpreendida

por um “ataque de fome” que me apanhou

totalmente de surpresa… mas normal,

pois levava já duas horas e meia de marcha

e sempre a subir. Excelente pensei eu. Comendo,

teria menos peso na mochila o que

me facilitaria a resto da subia. Olho para as

indicações, e num respiro profundo, verifico

e ainda teria para mais duas horas, até

chegar a Windegghütte e poder conhecer

a famosa ponte suspensa, que liga as duas

montanhas e onde se eleva um maravilho

glaciar e um lago de cores indescritíveis.

Esta ponte mede cento e setenta metros

comprimento e está a cem metros de altitude

do lago glaciar. Foi construída em Junho

2009, inspirada no modelo da ponte Nepal.

É neste ponto que os meus olhos se cruzam

com a placa, branca, azul, branca. Indicação

de três horas. Tinha chegado a hora da

verdade e testar a minha estrutura física.

Após uma hora de subida, sinto como que

uma esponja a absorver-me energia. Inúmeras

escadas para se passar de um pico para

outro, muitas correntes que nos ajudam no

percurso, pontes de ferro, para não nos

molharmos nas belas cascatas e as minhas

mãos que começam a ficar dolorosas, do

contacto com o metal. Esqueci-me das luvas.

Nenhuma viagem é perfeita.

O glaciar ali está. Brilhante maciço e anunciando

um sumptuoso pôr do sol, pelas

cores que descubro pela primeira vez.

Caminho há cerca de três horas, as forças

estão a chegar ao limite e não avisto ainda

a Trifhütte, onde me espera um suculento

e merecido jantar.

Relento a marcha involuntariamente. As

pernas, recusam-se a subir! Temo pela

primeira vez não chegar ao destino, mas

voltar para trás seria a pior solução, por

isso tenho de continuar.

Deixo por momentos de desfrutar da natureza

e vagueio mentalmente por outros

destinos à procura de força. A passo de

caracol, com o corpo a dizer pára, avisto a

cabana. A distância era pouca, mas chegar

lá levou-me ao limite físico e psicológico.

Completamente exausta, a família que explora

a cabana, Nicole, Artur e dois filhos

de tenra idade, que correm sobre as pedras

e terra a pés nus, sorriem ao verem-me

chegar. Chá á disposição, para compensar

a perda de água. Que bem me soube!

Sento-me e dou comigo a explorar cada

montanha, cada nuvem, cada cor e a conhecer

o grupo que me faria companhia naquele

serão. Pouco a pouco vou recuperando.

A um momento os meus olhos cruzam-se

com o olhar azul de Artur e a única coisa

que penso, é que por um triz, ele não me

foi buscar com as cordas de salvamento.

Não foi preciso. Consegui e fiquei a conhecer

o meus limites. Um percurso branco,

azul, branco, nunca mais.

Um majestático pôr-do-sol veio fazer-me

esquecer as oito horas de dura caminhada.

Conclusão: se não tivesse feito esta experiência,

nunca conheceria os meus limites

e sobretudo que cheguei, porque a técnica

que tenho assim o permitiu.

O poder da mente foi meu cúmplice e nada

melhor que guardar os momentos de plena

felicidade vividos, com quer que seja e

onde seja, para os poder resgatar quando

precisamos.

A paisagem é indiscutível. É preciso ver para

acreditar e de tão irrefutável aos meus olhos,

fiquei com uma visão desta montanha, que

arranha o sagrado.

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RECANTOS HELVÉTICOS

9

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10

CORONAVÍRUS

Unterstützt durch das Kantonale Integrationsprogramm

und die Integrationsförderung der Stadt Zürich.

Centro Lusitano de Zurique

SETEMBRO 2020

CURSO BÁSICO

de ALEMÃO

Oferecemos: Professor que fala a língua portuguesa

Turma pequena (10 alunos)

76 horas de aula pelo melhor preço

Para residentes na cidade de Zurique CHF 5.00 por aula

(Total CHF 380 por meio ano de curso)

Para residentes fora da cidade CHF 10.00 por aula

(Total CHF 760 por meio ano de curso)

Dias de aula: 2 as e 4 as -feiras, de 07.09.2020 a 10.02.2021

(Com férias escolares de Zurique)

Horário:

19:00 às 20:45 horas

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Informação e inscrição:

Local do curso:

Prof. Ronaldo Wyler 076 332 08 34

FEMIA

Zuila Messmer 079 560 85 09 Kalkbreitestrasse 37 *

8003 Zürich

*) Tram 2 ou 3, e Bus 32 até paragem Kalkbreite, daí 3 min. a pé (entrada pelo pátio interior)

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COMUNIDADE

11

Maria José e

Pedro Silva

despedem-se

da Suíça

SANDRA FERREIRA

Maria José, mais conhecida por Zé, e Pedro, mais conhecido por “paparazi“,

despedem-se esta semana do país que os acolheu hà mais de

três décadas. Estes dois grandes amigos da nossa comunidade em Zurique,

família do C.L.Z e durante muito tempo padrinhos desta revista,

preparam-se agora para gozar a sua merecida reforma, na Azambujeira,

em Portugal.

Em nome da revista Lusitano, quero agradecer à Zé e ao Pedro o apoio

dado ao longo de vários anos ao Lusitano de Zurique. O empenho deles

foi sempre incansável! Um muito obrigado!

Desejo que, agora de regresso ao nosso país, possam gozar os muitos

anos de alegria que se seguirão e que continuem sempre as pessoas

simples, solidárias e amigas dos seu amigo como sempre foram!

Muitas felicidades aos dois!

Nota de Imprensa

O Programa Nacional de

Apoio ao Investimento da

Diáspora (PNAID), aprovado

por resolução

do Conselho de Ministros a

23 de julho, procura valorizar

as comunidades portuguesas

residentes no estrangeiro

enquanto ativo estratégico

para Portugal em dimensões

como a

atração de investimento e

internacionalização da economia,

bem como promover

a coesão

territorial, fulcral para o crescimento

económico e desenvolvimento

sustentável

do país, e

reforçar a ligação da Diáspora

ao território nacional.

Este programa, tutelado

Aprovação do Programa Nacional de Apoio ao

Investimento da Diáspora

pelo Ministério dos Negócios

Estrangeiros, através da

Secretaria

de Estado das Comunidades

Portuguesas, e pelo

Ministério da Coesão Territorial,

através

da Secretaria de Estado da

Valorização do Interior, e

para cuja elaboração contribuíram

quinze áreas da governação,

tem como linhas de ação:

reforçar o apoio ao regresso

de

portugueses e de lusodescendentes;

apoiar o investimento

da Diáspora em Portugal;

contribuir para a fixação de

pessoas e empresas nos

territórios do interior e para

o seu

desenvolvimento económico;

fazer das comunidades

portuguesas um fator de

promoção da

internacionalização de Portugal

e de diversificação de

mercados da economia portuguesa.

Sistematizando medidas de

apoio já existentes através

de uma abordagem integrada

e

multidisciplinar, o PNAID

introduz novos elementos

com valor acrescentado relevante,

entre os quais a criação do

estatuto do Investidor da

Diáspora, que possibilita a

elegibilidade para apoios e

incentivos próprios com benefícios

adicionais para

investimentos no interior do

país. O Programa prevê a

elaboração de um Guia de

Apoio ao

Investidor da Diáspora, expande

a função de apoio ao

investimento nos Gabinetes

de Apoio

ao Emigrante existentes nos

municípios e cria uma Rede

de Apoio ao Investidor da

Diáspora.

Este programa nacional dá

continuidade à valorização

do empreendedorismo das

comunidades portuguesas

que tem sido desenvolvida

pelo Governo, designadamente

através do Gabinete de

Apoio ao Investidor da Diáspora

e dos Encontros de Investidores

da Diáspora.

Setembro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


12

CRÓNICA

Do nosso cantinho para o vosso cantão

Acabaram as férias

Muitos de vós voltastes.

Não foram férias iguais às

de sempre. Faltaram as festas

das aldeias, os foguetes,

a música, as procissões...

aquele abraço que vos gostávamos

de dar, ou demos a

medo, quase às escondidas.

Morreu o Dr. Leonel Cardoso

Martins, pai do Rui Cardoso

Martins, amigo e escritor,

que na hora da despedida

disse aos filhos: “Cuidado

com a palavra que se diz a

mais”.

Fui aluno do Dr. Leonel, foi

ele que, perante as desculpas

criativas que lhe apresentava

na justificação das

minhas faltas, me disse:

“Passa isso a escrito, terá

uma nota positiva, conta as

mentiras num papel.”

Passei a inventar histórias

nas “redacções” e ele colocava

uma nota elevada a

vermelho no cimo direito da

folha.

Fez-me gostar de escrever,

fez-me gostar das suas aulas,

transformou-me num

contador de histórias, tornou-me

num ficcionista

amante de tudo o que tenha

letras.

Devo-lhe este gosto pela escrita.

Foi o melhor professor de

português que tive e dentro

do cuidado com a “palavra

dita a mais”, reservo-me

para não desbocar sobre os

abraços e afectos que esta

pandemia tenta destruir.

Por isso, este mês ofereço

uma história. Tem mais a ver

com afastamentos nas relações

próximas. Pelo menos,

ofereço-vos uma história

porque ler é fazer pensar.

Um casal meu amigo divorciou-se.

Este o texto que pensando

neles escrevi, e dou aos leitores

da revista “Lusitano de

Zurique”.

Fala de príncipes e princesas,

fala do nosso dia-a-dia,

porque alguns de nós são

príncipes e algumas princesas.

Casas onde não há pão, todos

ralham e ninguém tem

razão.

Dedico aos meus amigos que

se divorciaram sem pandemia.

ARAGONEZ MARQUES

Era uma vez uma princesa que

vivia, como todas as princesas,

num palácio.

Preparada desde pequena,

com bonecas e fogões, para

poder um dia servir qualquer

príncipe a última metade da

sua vida, cresceu.

Como o peixe que se julga livre

na sua rotina secular de subir

o rio apenas naquela época

do ano buscando a desova

como tradição geneticamente

interiorizada, fez-se princesa

quando a idade lhe ditou que

era hora, só que no seu interior,

e com o passar do tempo,

descobriu que o seu palácio

era um castelo e o príncipe o

proprietário provisório aguardando

a herança das terras do

pai.

Proprietário do castelo, mas

também o seu.

A princesa vivia segura dentro

dele. Aquela segurança de

quem tem um príncipe e será

herdeira de um reino que passará

aos filhos.

Lá dentro nada lhe faltava, parecia,

mas o mundo, esse, só o

via das ameias de pedras escuras

e sobrepostas, projectado

em horizontes de impossíveis,

castradores de liberdade

e balizadores contratuais de

comportamentos.

Enquanto ia passando veloz a

segunda metade da sua vida,

descobriu a rotina, descobriu

sentimentos que era obrigada

a compartilhar apenas consigo

mesma.

Começou a entender que a

vida corria rápida e igual e que

não era só o seu corpo que

estava preso no castelo, mas

também os sentimentos, e

com o passar dos dias, notou

que muitas vezes as lágrimas

iluminavam os seus olhos e

não sabia porquê.

Gostava de fazer coisas novas,

coisas que sabia ser capaz de

realizar com êxito… mas era

conservador o seu palácio.

Viria daí aquela ansiedade que

certos dias, cada vez em maior

número, lhe apertava o peito e

lhe humedecia os olhos grandes

impedidos de ver mundo?

Às vezes apetecia-lhe sair

das muralhas, enfeitadas com

grandes jardins interiores, mas

rodeados de um fosso impeditivo.

Nunca entendeu se esse fosso,

apenas transponível por

uma ponte levadiça de que não

dispunha de força para levantar,

servia para protegê-la no

seu castelo ou para prendê-la

dentro dele.

Cansada de se deitar e levantar

igual, cansada do espaço

que percorria limitado, um dia

arriscou e saltou o fosso. Não

percorreu o espaço livre cá

fora até muito longe, pois temia

não poder regressar já ao

castelo, à segurança, para que

fora criada.

Quando voltou, fechou-se no

castelo durante horas, a forma

como fora educada (ou

domesticada) trouxe-lhe sentimentos

de culpa pavorosos.

Trancava-se na capela do

castelo como se Deus condenasse

alguma vez a busca da

felicidade de alguém.

Mas aquela rotina, aquela

sensação de escrever poemas

que ninguém lia, aquela

certeza de ser capaz de fazer

mais, levou-a a saltar de novo

o fosso, desta vez um pouco

mais longe, mas sempre com

o regresso como certeza ao

castelo de segurança.

Depois, aquela sensação de

culpa que a levava a não tentar

nova aventura além muralhas

durante meses.

Mas eram grandes as tentações

do mundo, grandes as

portas de tanta coisa para fazer,

e tantas, tantas as portas

Setembro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


CRÓNICA

13

e as coisas.

Ainda adolescente, enquanto

preparava a segunda metade

da vida, poderia ter ficado com

outro príncipe, quem sabe se

castelo ou palácio? Só que aí

não era a norma tradicional de

viver em função de quem, era

amor.

A palavra amor é ridícula quando

se não ama.

Não calhou a entrada por essa

porta, mas a adolescência é

marcante e o amor, quando

verdadeiro, nunca se esquece.

Pode camuflar-se, enrolar-se

nas lianas do tempo

que cobrem as florestas com

os milhares de gotas de água

que caem e fazem crescer o

emaranhado da vegetação, tal

como a vida das pessoas com

a queda dos milhares de horas

que enleiam os destinos.

A princesa tivera um amor, e

hoje tantos anos passados, parecia

mais vivo, mais maduro,

mas também mais ameaçador

da segurança do castelo que

nunca conseguiria ser palácio.

Tocou o telefone.

Nunca era a princesa que atendia.

Naquele dia fê-lo, como se

o destino lhe coordenasse os

movimentos.

- Sou eu. Quero ver-te.

Um arrepio percorreu-lhe o

corpo numa decisão de dizer

basta.

- Passo a buscar-te dentro de

meia-hora.

A princesa pousou calmamente

o telefone, enquanto por

dentro se dava a mestria da explosão

de adrenalina subindo

pelo corpo como champanhe

desenrolhado lentamente.

Subiu ao quarto. Olhou o espelho.

Com o polegar e o indicador

abriu o olho esquerdo.

Depois com a outra mão fez o

mesmo ao direito.

Os quarenta anos ameaçavam-

-lhe o rosto, e aquelas ténues

rugas começavam o aviso.

Renasceu então, como por magia.

Desceu as escadas, ignorando

os guardas, as vizinhas nas

janelas viram-na saltar o fosso

sem medo e entrar no carro.

Partiram dali, pela primeira vez

sem pensar em como voltar a

meter a princesa no castelo

sem que ninguém soubesse.

Pararam no cruzamento de

uma estrada perdida, lugares

que a natureza oferece aos

plebeus errantes sem dinheiro

para comprar espaços de tempo,

no tempo confortável das

hospedarias, entre a noite e a

folhagem.

Apenas a luz laranja do rádio

alumiava a noite aquecendo

timidamente com uma música

ligeira e baixa o momento.

Plebeus errantes...

Abraçaram-se, beijaram-se,

fizeram o amor com o espírito

sem se tocarem os corpos,

naquele platonismo infantil que

teme destruir o sonho.

Em imaginação, as roupas ficaram

espalhadas nos bancos,

vidros embaciados de respirações

alternadamente comuns,

loucura contrastando com a

chuva miudinha que caía. Depois

suados, abriram o tecto

eléctrico do carro e deixaram

a chuva embalar-lhes a visão

imaginária dos corpos nus no

meio do riso e do prazer.

Tiveram que passar tantos

anos para que a princesinha se

sentisse verdadeiramente feliz.

Agora sabia que o poderia ser

sempre que entendesse, apenas

tinha que decidir se voltaria

ou não ao castelo que já não

considerava seu.

Afinal, tinha descoberto com

toda a certeza que não se tratava

de um palácio.

Tinha também a seu favor, o

saber que as muralhas, o fosso

e a ponte levadiça, não existiam

para protegê-la, mas para

mantê-la.

Só lhe faltava decidir.

Voltar ou não voltar?

Estava facilitada a decisão,

mas só ela sabia como era difícil

optar, entre a segurança

rotineira, ou a aventura sem

certezas de futuros, presentes

felizes, é certo, mas muito para

trocar.

Coragem?

Apenas o amor sabia ser verdadeiro,

embora uma voz pequenina

lhe repetisse no ouvido:

- E se daqui a algum tempo

apenas trocaste um castelo por

outro?

Deveríamos poder ser nós a

controlar o nosso destino.

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COVID-19

Definições importantes. Organização Mundial da Saúde

OMS e o Coronavírus

ZUILA MESSMER

O diretor geral da Organização Mundial

da Saúde – OMS, declarou dia 11.03.2020

estar em curso uma pandemia do novo

coronavírus.

Pandemia: O termo é usado para definir

uma situação em que há casos confirmados

de uma doença infecciosa, que ameaça

e ou ataca milhares de pessoas mais

ou menos ao mesmo tempo, em diversos

Países do mundo.

A humanidade enfrenta pandemias desde

os primódios da sua história. Em torno de

1580 surgiu um vírus na Ásia, tipo influenza,

que causou gripe e se espalhou pela África,

Europa e América. Uma das mais graves

foi a gripe Espanhola entre 1918 e 1920,

após a primeira guerra mundial, que levou

à morte cerca de 100 milhões de pessoas.

Como exemplo recente de pandemia temos

o virus H1N1, que ocasionou a gripe suína

em 2009, e agora o COVID 19.

Uma pandemia significa que os esforços

para conter a expansão mundial de um

vírus falharam, que a epidemia, a doença

está fora de controle. Significa que é necessário

adotar medidas drásticas para

evitar novos casos, tratar os pacientes e

evitar mortes.

Epidemia: é um surto periódico de uma

doença infecciosa em uma dada população

e ou região, chegando a um ponto máximo

de casos seguidos, e depois uma diminuição.

Muito comum são as epidemias de

gripe que acontece a cada a ano. Epidemia

pode se transformar em uma pandemia.

Endemia: Refere-se à frequência em que

uma infecção surge em determinada região.

Possui carácter específico, típico, permanente

e restrito a uma área geográfica.

Por exemplo, a febre amarela na América

(Amazõnia) e África (Zimbabwe, Luanda),

onde surgem constantemente novos casos

são consideradas portanto, áreas endêmicas

da infecção.

Uma endemia pode evoluir para uma

epidemia. Ao viajar para áreas endêmica

se aconselhar à vacinar-se para não contrair

a doença nem contaminar as pessoas.

Vírus: Em torno do ano de 1883 os cientístas

Adolf Mayer e Beijerinck identificaram

os vírus em uma experiência que

realizavam. Constataram ser um micro-

-organismo, de classificação e tipos variáveis,

compostos por duas estruturas – a

interna pelo RNA ou DNA e uma externa,

sobreposta em forma de cápsula que o

proteje. Possível ser visto por microscópio

eletrônico especial.

Sem células e metabolismo próprio (sem

vida própria), os vírus necessitam de um

agente hospedeiro (homen ou animais) para

se desenvolverem. Penetram no organismo

por endocitose*. Nas células do hospedeiro

a cápsula protetora do vírus se rompe,

liberando o genoma RNA, que é a carga

genética (a semente), daí se replicam e

podem desencadear a doença chamada

virose.

Endocitose é um processo fisiológico em

que as membranas absorvem substâncias

do meio extra celular para o intra celular.

De acordo com o tipo do vírus, a doença

pode apresentar ou não sintomas. Possuir

características simples ou complexas, ser

possível curar ou não, como é o caso da

AIDS.

Exemplos de doenças viróticas: hepatite,

dengue, raiva, varicela, catapora, caxumba,

febre amarela, febre aftosa, poliomielite,

raiva, sarampo, varíola, rubéola, ébola,

herpes, gripes e resfriados.

O Coronavirus pertence a família de vírus

que se divide em duas espécies, o Alpha

coronavirus e o Beta Coronavirus. Cada

um deles com subdivisões. O Alpha é o

tipos mais comun, que infectam a maioria

das pessoas no decorrer da vida. No grupo

dos Betacoronavirus está o COVID 19.

Estudos afirmam, que o ponto forte desse

virus é seu alto poder de transmissão

e contágio. Para a surpresa de muitos, a

doença que ele causa, possui baixo índice

de mortalidade quando comparado com

Setembro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


COVID-19

15

um dos piores do mundo, o vírus

da raiva, o qual leva a morte

99,5% das pessoas afetadas, e

o Ébola 66,5 % dos doentes.

O índice de mortalidade do

coronavirus em idosos com

doenças pré existentes, como

diabete, hipertensão, cardíacos,

asmáticos, AIDS, cancro, pessoas

com deficiência no sistema

imune e transplantados é alta.

Em adultos saudáveis, essa taxa

fica em torno de 2%, porém ser

fumante é uma agravante bem

considerável. Há raros casos de

óbito de crianças, as doenças

pré-existentes são as causas da

vulnerabilidade e da complexibilidade

do caso que leva a morte.

O COVID 19 é transmitidos

através das gotículas de salivas

expelidas durante a tosse, espirro,

fala e respiração, quando

o doente infectado libera o ar

proveniente dos pulmões para

o meio externo repleto de vírus,

que se propagam, contaminam

os locais, objetos, (corrimões de

escadas, botões de elevadores,

máquinas eletrônicas, torneiras,

manivelas de portas…) e se passam

para as pessoas, penetram

através da boca, nariz e olhos,

sendo as mãos um forte aliado

nesse processo.

Pesquisadores afirmam que o

COVID 19 se mantém vivo por

horas, mesmo fora do corpo, e

esse tempo depende de onde se

aloja. Na presença da luz solar

direta, morre em minutos, pois

é sensível aos raios ultravioleta.

Em madeiras, papéis, roupas,

cabelos, sobrevivem por 6 horas.

Em superfícies lisas (metais,

vidros, mármores, azulejos) 12

horas. Após esse tempo, secam

e morrem.

Medidas de controle e combate:

A mídia divulga continuamente

os meios de proteção

contra a doença, por isso vamos

nos reter a detalhes importantes.

Durante uma epidemia é certo

que, nos locais públicos onde

há aglomeração e circulação de

pessoas (transportes públicos,

estações, aeroportos, shoppings,

estádios de futebol, escolas),

existem pessoas contaminadas

que transmitem o vírus,

daí a importancia de se seguir

regras de prevenção da doença.

O Covid é vulnerável aos desinfetantes,

principalmente ao

hipoclorito (água sanitária) e ao

álcool. Recomenda-se limpar

o chão, móveis e objetos com

um pano molhado na solução

de 50 ml de água sanitária em1

litro d‘água. O uso do álcool gel

na proporção 70% e 30% de

água). Quanto menos for diluído

o álcool, mais eficaz, porém

são perigosos, podem explodir

causando acidentes graves, por

isso USE APENAS os recomendados!

O certo é que, muitas pessoas

ainda serão contaminados pelo

COVID 19, mas a maioria desenvolverá

anticorpos e ficarão

imunes sem perceber. Reduzir

o contágio e a transmissão é

fundamental. A alta demanda

hospitalar causa transtorno no

sistema de saúde. Pela léi da

natureza os mais fortes, sadios

e jovens se recuperarão;

os frágeis, com doenças prévias

e idosos, lamentavelmente muitos

morrerão.

Caso teve ou tenha contato com

alguém suspeito ou com diagnóstico

confirmado da doença,

as medidas de controle são

mais rigorosas. Veja algumas

delas:

- Saiba que, se apenas um vírus

atingir a mucosa dos olhos,

boca e nariz, será o suficiente

para infectar, portanto não

passar as mãos nessas estruturas

antes de lavá-las ou

desinfeccioná-las.

- Ao chegar em casa, não

tocar em nada e em ninguém.

Primeiro lave as mãos ou tome

banho. De preferência - lavando

os cabelos.

- Retire a roupa que usou.

Pendurar em local isolado ou

de pouco movimento por no

mínimo 8 horas, mas o ideal é

que lave.

- Retire os sapatos que usou

fora de casa, deixando-os fora

de casa.

- Mantenha-se restrito à familia.

Evite visitas, não adianta tomar

cuidados se outros não têm.

- Procure o médico! Faça o

teste. Fique em quarentena,

afastado das pessoas.

Atenção: Mesmo diante

das medidas de flexibilidade

adotada recentemente, recomendo

que encare todas

as pessoas como possíveis

transmissores da doença,

portanto PROTEJAM-SE!

Sigam as medidas de proteção

recomendadas para estar

mais protegido.

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16

COMUNIDADE

Recepção em Basileia

organizada pelos Cônsules

de Portugal em Zurique

LÚCIA SOUSA

O Cônsul-Geral de Portugal em

Zurique, Dr. Paulo Maia e Silva e

esposa organizaram uma recepção

que decorreu em Basileia no

passado dia 23 de Agosto. Este

ano, e na impossibilidade de realizar,

como sucedeu no ano passado

em Zurique, um evento aberto a

toda a comunidade conforme inicialmente

previsto, foi necessário

limitar o número de convidados

a um máximo de 100, atendendo

às condicionantes impostas pelo

Coronavírus.

A partir das 16 horas, no salão da igreja

de Santo António em Basileia, o Sr. Cônsul

de Portugal em Zurique e sua esposa

receberam cerca de 70 convidados, dos

mais variados quadrantes e de diversas

regiões da Suíça, tendo sido cumpridas

as devidas regras de segurança e protecção.

Este evento contou com a presença do

Secretário de Estado Adjunto e da Energia,

Dr. João Galamba, por ocasião da

sua deslocação a Zurique, onde, no dia

seguinte, representou Portugal na 10ª

Cimeira sobre Investimento em Energias

Renováveis.

Depois dos discursos do Sr. Cônsul e

do Sr. Secretário de Estado Adjunto e da

Energia, foi a vez de se recordar o centenário

do nascimento de Amália Rodrigues,

celebrado este ano. A fadista Sílvia

Filipe subiu ao palco e, ao longo da sua

actuação, recordou os aspectos mais

marcantes da vida da grande diva da canção

nacional e embaixadora de Portugal

por todo o mundo, interpretando vários

temas da artista, em homenagem ao

nome maior do fado, considerado desde

2011 Património Cultural Imaterial da Humanidade

pela UNESCO.

Entre os convivas contavam-se representantes

de múltiplos ramos de actividades

profissionais a residir um pouco por toda

a Suíça, nomeadamente portugueses na

área da indústria farmacêutica local (Roche,

Novartis), chefias ligadas a bancos,

tecnologias da informação e comunicação

(Microsoft), seguros, consultadoria, energias

renováveis (Smartenergy), do mundo

académico, o Dr. José Manuel Castro

Santiago (Encarregado de Negócios interino)

e esposa, a Dra. Ester Vargas (Adida

Social), a Dra. Ana Rosas (Delegada da

AICEP-Agência para o Investimento e Comércio

Externo de Portugal) da Embaixada

de Portugal em Berna, o Sr. Domingos

Pereira (Conselheiro das Comunidades

Portuguesas), a Dra. Marília Mendes e o

Sr. Jorge Rodrigues (Conselho Consultivo

da área consular de Zurique), a Dra. Isabel

Bartal, deputada luso-suíça pelo cantão

de Zurique.

Um dos cerca de 170 investigadores portugueses

a trabalhar no CERN (Laboratório

Europeu para o Estudo da Física de

Partículas), o Dr. Paulo Gomes marcou

também presença. Preside igualmente à

recentemente constituída (em Julho passado)

Associação dos Graduados Portugueses

na Suíça (AGRAPS). A criação da

AGRAPS contou com o incentivo da Secretaria

de Estado das Comunidades Portuguesas

(SECP), e tem como objectivo

“estabelecer uma rede de comunicação

entre os seus membros, promovendo tro-

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cas de experiências pessoais e profissionais,

apoiar diplomados portugueses que pretendam

trabalhar na Suíça ou regressar a Portugal,

para além de organizar eventos que possam

ir ao encontro dos anseios deste grupo

de portugueses, reforçando as ligações com

os meios académico, científico, industrial, empresarial

e tecnológico.”1

Também a Câmara de Comércio, de Indústria

e de Serviços Suíça-Portugal (CCISSP), com

sede em Genebra, se fez representar através

da Dra. Marina Prévost-Mürier - única mulher

presidente de uma câmara de comércio e indústria

bilateral na Suíça. A Dra. Marina e o

marido, Jean-François Prévost-Mürier, são

mentores do Business Hub Suisse-Portugal,

que pretende divulgar as potencialidades do

nosso país a nível turístico, empresarial de

pesquisa e desenvolvimento.

Os convivas souberam aproveitar da melhor

forma esta oportunidade para estabelecer e/ou

reforçar contactos com profissionais de diversos

sectores, partilhar experiências e deliciar-

-se com a qualidade e variedade das iguarias

do cocktail: desde os apetitosos salgadinhos

à divinal doçaria e ao serviço impecável, mais

uma vez se comprova a excelência da gastronomia

e dos produtos portugueses.

Com esta iniciativa, o Cônsul-Geral de Portugal

em Zurique pretendeu valorizar a comunidade

portuguesa e celebrar a nossa cultura, de

que o fado é um elemento essencial e Amália é

o rosto e a voz mais universal.

COMUNIDADE

17

1 https://www.consuladogeralportugalzurique.ch/l/agraps-associacao-dos-graduados-portugueses-residentes-na-suica/

G

https://www.facebook.com/transportes.fernandes

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CULTURA

Palavras Cruzadas, uma

poderosa ferramenta

As Palavras Cruzadas são,

realmente, uma poderosa

ferramenta que ajuda a enriquecer

o vocabulário e a

exercitar a ortografia.

Paulo Freixinho, nascido em Lisboa no

ano de 1968, assinala este ano 30 anos de

cruciverbalista (autor de Palavras Cruzadas)

e já dedicou mais de metade da sua

vida a este jogo de palavras pelo qual se

encantou um dia.

Ao longo destes anos, criou milhares de

passatempos para vários jornais e revistas

portugueses e internacionais (Alemanha,

Inglaterra, Luxemburgo e Angola).

Inspira-se nos livros que lê e tem uma palavra

preferida: Xurdir (fazer pela vida).

Em 2011 realizou o sonho de levar as Palavras

Cruzadas para os livros, publicando

através da Quetzal, uma chancela da Porto

Editora, o livro “Palavras Cruzadas com

Literatura”.

Em 2015 publicou a série de livros “Sabe

Mais k(que) os teus Pais” (Verbo/Babel) e

passou a ser presença regular nas escolas.

Palavras Cruzadas nas escolas, uma missão

As Palavras Cruzadas

são cada vez

mais utilizadas nas

escolas.

Ao longo destes anos, Paulo

Freixinho tem criado variadíssimos

conteúdos relacionadas

com livros e temas trabalhados

nas aulas, a maior parte deles

disponibilizados no seu site

onde podem ser feitos online.

O autor tem já uma rede de

contactos bastante vasta entre

professores a bibliotecas o

que faz com que os passatempos

cheguem facilmente aos

alunos.

As Sessões que realiza nas

escolas são sempre muito divertidas.

Por norma, todos

os alunos participam (mesmo

aqueles que apresentam

maiores dificuldades) e querem

ir ao quadro onde, em

conjunto, preenchem grelhas

de Palavras Cruzadas.

Paulo Freixinho sabe bem o

que é ter dificuldades a Português

e é por isso que adora ir

às escolas mostrar as vantagens

que há em fazer Palavras

Cruzadas.

Recentemente começou a implementar

Clubes de Palavras

Cruzadas nas escolas e bibliotecas

municipais (onde encontra

um público mais “crescido”,

preocupado em exercitar

a memória).

Um site que é uma referência

Adepto das Redes Sociais e dos

blogues, Paulo Freixinho, juntamente

com um amigo de infância,

admirador do seu trabalho, relançou

este ano o seu site onde é possível fazer

Palavras Cruzadas online.

Juntos, pretendem criar um site que seja

cada vez mais uma referência, já apelidado

como “Um Paraíso para Cruzadistas”.

Experimente:

WWW.PALAVRASCRUZADAS.PT

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CULTURA

19

Palavras Cruzadas

(exclusivo para o Lusitano de Zurique)

Por

PAULO FREIXINHO

HORIZONTAIS

1. Símbolo de centímetro.

3. O início dos Alpes.

5. Transportes Aéreos Portugueses.

8. Relativo à Suíça.

11. «De» + «a».

12. Mulo.

13. Estrada Nacional.

14. Capital da Suíça.

16. Antigo (abrev.).

17. A mais pequena porção

de um cromossoma.

19. Em alemão é «ich» (pronome

pessoal).

20. Prefixo (animal).

21. Monte (?), o ponto mais

alto da Suíça, nos Alpes Peninos

(4634 m)

23. Ouro (s.q.).

24. Local Area Network

(Rede de área local).

25. Aguentai.

27. Cantão da Suíça, situado

no centro do país.

29. Em italiano é «ridere».

30. Sódio (s.q.).

32. (?) Sheeran, cantor e

compositor inglês.

33. Assim é a bandeira da

Suíça. 36. Sigla de Jura (cantão

da Suíça que faz fronteira

com França).

37. Parcela.

38. Um dos dois maiores rios

da Suíça (o percurso fluvial

com maior tráfego da Europa).

39. Está informado.

VERTICAIS

1. Domínio de internet para a

Suíça.

2. Calcula.

3. Avenida (abrev.).

4. O maior lago natural da

Europa (também chamado

de lago Genebra, na sua parte

sul).

5. Sigla de Ticino (cantão da

Suíça que fica a sul dos Alpes).

6. Chames a atenção por

meio de gestos.

7. É famosa a obsessão dos

suíços por ela (outra coisa

não era de esperar num país

conhecido pela sua Alta Relojoaria).

9. Vasto.

10. Em romanche é «ti» (pronome

pessoal).

14. Sigla de Basileia-Cidade

(semicantão da Suíça - há

também o semicantão Basileia-Campo).

15. Prefixo (novo).

18. Época.

20. Cidade mais populosa da

Suíça.

22. A sua sede em Genebra é

um dos maiores centros operacionais

desta Organização.

23. O rio suíço que mais vezes

aparece nas Palavras

Cruzadas.

24. Provavelmente, é a marca

de chocolates mais popular

do mundo (a sua sede localiza-se

em Kilchberg, uma comuna

do cantão de Zurique).

26. Que se apresenta no estado

natural.

28. Assim é o fundo da bandeira

da Suíça, mas em inglês.

31. Deus da guerra, entre os

gregos, filho de Zeus e Hera.

34. Escudeiro.

35. Gosta muito.

36. Abreviatura de júnior.

Soluções, na página 30 c

Setembro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


20

AGENDA

MAPS 340 (September 2020)

06.09.2020 (Sonntag)

Passeio sobre plantas silvestres

Num passeio por Zurique descubra plantas

silvestres comestíveis. Na companhia

de uma especialista, faça das plantas um

snack. Trazer: uma faca, uma tábua de

cortar e um saco. 14:00-16:30. Participação

gratuita, contribuição espontânea.

Quartiertreff Enge. Gablerstr. 20.

Tram 7 bis “Museum Rietberg”.

http://www.quartiertreff.ch/index.php/veranstaltungen

07.09.2020 (Montag)

Fazer teatro e aprender alemão

Os participantes do curso “Spielend

Deutsch Lernen – Deutsch Lernen im

Theaterspiel” fazem teatro e aprendem

assim alemão. Não são necessários conhecimentos

prévios de alemão nem de

teatro. Duração do curso: 20 tardes e

2 workshops de dia inteiro. Seg 16:30-

18:45. Informações e inscrição: 043 317

16 27 ou buero@maximtheater.ch. Gratuito

com cartão KulturLegi (em vez de CHF

170.-).

MAXIM Theater. Ausstellungsstr. 100.

Tram 4/6/13 oder Bus 32 bis “Limmatplatz”.

http://www.maximtheater.ch

08.09.2020 (Dienstag)

Música de universitários

De 07.09.-25.09. estudantes da Escola

Superior de Artes de Zurique (Zürcher

Hochschule der Künste, “ZHdK”) mostram

os seus projectos finais. Hoje Tiziana

Greco apresenta o seu projecto de

jazz “Korto”. 20:30. Todo o programa em:

www.mehrspur.ch. Entrada gratuita.

Musikklub Mehrspur. Förrlibuckstr. 109.

Tram 4/6 bis “Toni-Areal” oder Tram 6/8

bis “Fischerweg”.

http://www.mehrspur.ch/veranstaltungen/korto

09.09.2020 (Mittwoch)

Exposição (até 06.12.)

A produção local e sustentável de bens

de consumo é um tema importante. A

exposição “Made in Zürich – Urbane

Produktion bekennt Farbe” mostra fotografias

e explica as bases do fabrico de

produtos na cidade de Zurique. Qui-sáb

17:00-21:00. Dom 12:00-18:00. Entrada

gratuita.

Photobastei. Sihlquai 125.

Tram 4/6/13 oder Bus 32 bis “Limmatplatz”.

http://www.madeinzuerich.ch/artikel/madeinzuerichphotobastei

10.09.2020 (Donnerstag)

Concerto

Terminado o dia de trabalho, aproveite e

assista a um concerto. Na sua música, a

artista de Zurique “Lagioia” junta “Indie

Soul” e “RnB”. Espectáculo às 18:30 e às

20:00. Entrada gratuita.

Mühle Tiefenbrunnen AG. Seefeldstr. 219.

Tram 2/4 oder Bus 33 bis “Wildbachstrasse”.

http://www.muehle-tiefenbrunnen.ch/

kultur/hundstage

11.09.2020 (Freitag)

Jogar ping-pong

Gosta de jogar ping pong e deseja conhecer

gente nova? Então o “Ping Pong

Lounge Zürich” é o local certo para si.

Apareça e participe numa volta “Rundlauf”.

Ter-sex a partir das 18:00. Entrada

gratuita, raquetes e bolas disponíveis

de forma gratuita só para quem jogar em

“Rundlauf”.

Ping Pong Lounge Zürich. Hardstr. 305.

Tram 4/6/8/11/13 oder Bus 33/72/83 bis

“Escher-Wyss-Platz”.

http://www.pingponglounge.ch

12.09.2020 (Samstag)

Festa para a família

Nesta festa para toda a família em “Wollishofen”

as crianças podem experimentar

diversos jogos e trabalhos manuais.

14:00-17:30. Comida e bebida à venda.

Participação gratuita.

GZ Wollishofen. Bachstr. 7.

Tram 7 bis “Post Wollishofen” oder Bus

161/165 bis “Rote Fabrik”.

http://www.gz-zh.ch/gz-wollishofen/programm/

13.09.2020 (Sonntag)

Escalada para refugiados

A associação “ClimbAid” oferece horas

de escalada para refugiados no pavilhão

desportivo “Minimum” an. Qua 12:00-

14:00. Inscrições através do grupo de

WhatsApp: www.chat.whatsapp.com/

DUy3nwofYUp4ItH6374ef3. Participação

gratuita.

Minimum. Flüelastr. 31.

Tram 2 bis “Freihofstrasse” oder Tram 3

bis “Siemens” oder Bus 83/89 bis “Albisrank”.

http://www.climbaid.org

14.09.2020 (Montag)

Exposição (até 12.12.)

Na exposição “Krieg und Frieden”, na

biblioteca central de Zurique, pode apreciar

imagens sobre a guerra suíça e a

formação da Suíça. Seg-sex 13:00-17:00.

Sáb 13:00-16:00. Entrada gratuita.

Zentralbibliothek Zürich, Schatzkammer.

Predigerplatz 33.

Tram 4/15 bis “Rudolf-Brun-Brücke”.

http://www.zb.uzh.ch/de/exhibits/krieg-

-und-frieden

15.09.2020 (Dienstag)

Informações sobre a procura de

casa para alugar

Como procurar e encontrar casa na cidade

de Zurique? Especialistas dão informações

em árabe, inglês, alemão, curdo,

tigrinya e turco. 19:00-21:00. Participação

gratuita.

Caritas Zürich. Beckenhofstr.16.

Tram 11/14 bis “Beckenhof”.

http://www.caritas-zuerich.ch/aktuelles/

agenda

16.09.2020 (Mittwoch)

Pais cantam com os filhos

Gosta de cantar e os seus filhos também?

Pais e filhos (1.5-4 anos) encontram-se

todas as tardes de quarta-feira

para cantar em conjunto. De seguida, os

pais podem trocar ideias e as crianças

têm a oportunidade de brincar juntas.

Participação possível em qualquer altura.

09:30-11:00. CHF 10.- por família, café e

um pequeno snack incluído.

Lavatersaal. St-Peter-Hofstatt 6.

Tram 2/7/8/9/10/11/13 bis “Paradeplatz”.

http://www.reformiert-zuerich.ch

http://www.kirche-zh.ch/5.php?search_query=singen&read_group=421&date_from=05.08.2020

17.09.2020 (Donnerstag)

Alemão para principiantes

No rés-do-chão da Langstrasse 200, à

quinta-feira pode frequentar um curso

para principiantes e obter informações

sobre cursos de alemão na cidade de Zurique.

17:00-18:40. Sem inscrição. Participação

gratuita.

L200. Langstr. 200.

Bus 32 bis “Röntgenstrasse”.

http://www.aoz.ch/introdeutsch

Setembro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


AGENDA

21

18.09.2020 (Freitag)

Espectáculo de dança

Assista a um espectáculo de

dança mesmo junto do lago.

Cinco grupos suíços apresentam

as suas danças modernas,

cada uma delas contando

a sua própria história.

19:30. Entrada gratuita com

N/F Ausweis.

Rote Fabrik. Seestr. 395.

Tram 7 bis “Post Wollishofen”

oder Bus 161/165 bis “Rote

Fabrik”.

http://rotefabrik.ch/de/programm.html#/events/8364

19.09.2020 (Samstag)

Fazer caminhadas em

Zurique

Ao sábado à tarde pessoas de

todo o mundo fazem uma caminhada

na região de Zurique

(3-4 horas). Contacto do Peter

e Tatjana: 076 524 63 15 ou zusammen.wandern.zh@gmail.

com. O ponto de encontro é

o relógio grande na gare central

de Zurique. 13:30. Participação

gratuita. A associação

“Solinetz” assume os custos

da viagem de comboio e do

piquenique.

Hauptbahnhof.

S-Bahn bis “Zürich Hauptbahnhof”,

Tram 4/6/11/13/14 oder

Bus 46 bis “Bahnhofquai/HB”.

http://www.solinetz-zh.ch/

projekte/zusammen-wandern

20.09.2020 (Sonntag)

Dia do cemitério

Apesar de fazer parte da vida,

a morte é um tema difícil, sobre

o qual não gostamos de

falar. Hoje tem a possibilidade

de obter informações interessantes

sobre a morte e o enterro.

Além disso, há

música, um passeio

até às colmeias e

uma visita guiada ao

antigo crematório.

11:00-14:00. Entrada

gratuita.

Friedhof Sihlfeld. Albisriederstr.

31.

Tram 3 oder Bus

33/83 bis “Altes Krematorium”.

http://www.stadt-

-zuerich.ch/ted/de/

index/gsz/aktuell/

gruenagenda/2020/

september-dezember/tag-des-friedhof-2020.html

21.09.2020 (Montag)

Viagem do conhecimento

Descubra na página de internet

de “focusTerra” muitos

locais novos em diversos vídeos.

Pode partir numa viagem

virtual e voar até Marte,

visitar as profundezas dos vulcões

ou viajar até à Islândia.

Gratuito.

http://www.focusterra.ethz.

ch/ihr-besuch/online-touren.

html

22.09.2020 (Dienstag)

Sessão sobre o racismo

Numa sessão online, o autor

do Gana “Nana Kwame Adjei-Brenyah”

apresenta o seu

primeiro livro, “Friday Black”.

Ele fala de amor e paixão em

tempos de violência e racismo.

Em inglês. 19:30. Participação

gratuita.

http://www.literaturhaus.ch/

literaturhaus/veranstaltungen/

nana-kwame-adjei-brenyah-

-friday-black

23.09.2020 (Mittwoch)

Duelo de teatro

Desporto teatral é uma forma

rápida e divertida de teatro

com muitas surpresas. Não

há um guião e os espectadores

decidem o conteúdo do

teatro. No palco, 2 equipas

defrontam-se e no final apenas

uma ganha. 20:00. O escritório

da MAPS oferece 3×2

bilhetes para o espectáculo

de hoje. Basta ligar 044 415

65 89 ou enviar um mail para:

maps@aoz.ch.

Millers. Seefeldstr. 225.

Tram 2/4 oder Bus 33 bis

“Bahnhof Tiefenbrunnen”.

http://www.millers.ch/spiel-

plan/detail/tsurigo-vs-steffen-

-lau-bettina-wyer-theatersport-duell-134

24.09.2020 (Donnerstag)

Concerto

Aproveite bem a noite assistindo

a um concerto. Uma vez

por mês realiza-se o “Rakete-

-Bar”, em que diferentes músicos

sobem ao palco para

interpretar diversos estilos

musicais. Apareça e deixe-

-se surpreender. 19:30-24:00.

Entrada gratuita, contribuição

espontânea.

Rakete Bar im GZ Bachwiesen.

Bachwiesenstr. 40.

Bus 67/80 bis “Untermoosstrasse”.

http://www.raketebar.ch

25.09.2020 (Freitag)

Palco para todos

No evento “OpenMic” há um

palco disponível para todos

os que queiram, por exemplo,

cantar ou apresentar um poema.

Descubra novos talentos

ou pegue você mesmo no

microfone. A partir das 20:00.

Entrada gratuita.

GZ Wollishofen. Bachstr. 7.

Tram 7 bis “Post Wollishofen”

oder Bus 161/165 bis “Bahnhof

Wollishofen”.

http://www.open-mic.net

26.09.2020 (Samstag)

Observação de animais

Nas colinas “Käferberg-Waidberg”

vivem cervos e corças

num terreno vedado. Leve a

sua família a observar estes

tímidos animais. Atenção: não

dar comida aos animais. Gratuito.

Zwischen Waidbadstr. und

Obere Waidbadstr.

Bus 38/69 bis “Waidbadstrasse”.

http://www.tierpark-waidberg.

ch

27.09.2020 (Sonntag)

Diversão especial na

piscina ao ar livre

Hoje, a piscina “Letzibad”

abre este ano pela última vez.

Para encerrar a época de Verão,

todos estão convidados

para o banho de despedida

“Abbaden”. Poderá trazer o

seu barco de borracha, construir

uma jangada no local ou

saltar para a água usando uma

fantasia de Carnaval. Realiza-

-se apenas com tempo quente.

Crianças com menos de 10

anos só quando acompanhadas.

14:00-18:00. Entrada na

piscina com cartão KulturLegi:

adultos CHF 4.-, crianças até

aos 15 anos CHF 2.-. Outras

despesas de acordo com o

material utilizado.

Freibad Letzigraben.

Edelweissstr. 5.

Tram 3 oder Bus 33/83/89 bis

“Hubertus”.

http://www.gz-zh.ch/gz-loogarten/programm

28.09.2020 (Montag)

Desporto para todos

Gostaria de fazer algo pela

sua saúde? À segunda-feira

(excepto durante as férias

escolares) várias pessoas encontram-se

para treinar resistência,

força e agilidade. Um

instrutor desportivo apresenta

os exercícios. 20:00. CHF 4.-.

Schulhaus Looren, Turnhalle

B. Katzenschwanzstr. 7.

Bus 31/701/703/704 bis “Loorenstrasse”.

http://www.gz-zh.ch/gz-witikon

29.09.2020 (Dienstag)

Música em Oerlikon

À terça-feira pode encontrar-

-se com outras pessoas que

gostam de criar música em

conjunto. Os participantes levam

as suas próprias canções

ou temas musicais para cantar

e tocar juntos. Para principiantes

e experientes. 19:30-21:00.

Inscrições: hersche@galotti.

ch. Gratuito.

GZ Oerlikon. Gubelstr.10.

Tram 10/14 bis “Salersteig”.

http://www.gz-zh.ch/gz-oerlikon

30.09.2020 (Mittwoch)

Festa do sumo de maçã

Hoje, em frente do centro

comunitário “GZ Hirzenbach”

encontra uma máquina

de sumos onde pode fazer o

seu próprio sumo. Pode trazer

maçãs, peras e garrafas vazias

ou comprar sumo fresco

muito em conta. 14:00-17:00.

Participação gratuita.

GZ Hirzenbach. Grosswiesenstr.

176.

Tram 9 oder Bus 94 bis “Altried”

oder Tram 7 bis “Probstei”.

http://www.gz-zh.ch/gz-hirzenbach

Fonte:Maps Züri Agenda

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22

ESPECTÁCULO

António

Manuel

Ribeiro

“Não tínhamos dinheiro

para ter duas guitarras”

FOCUSMSN foi ao encontro de

António Manuel Ribeiro, líder

histórico da banda UHF, com

mais de 40 anos de uma carreira

musical de sucesso. Uma

conversa amiga, descontraída

onde se abordaram temas genéricos

e se falou sobre o percurso

da banda até 1988.

JOAQUIM GALANTE (*)

Focusmsn: Como te surgiu o gosto pela

música e a necessidade de formar uma

banda?

António Manuel Ribeiro: Olha, até aos 12

anos não ligava muito à música, o meu pai

cantava por hobby no Orfeão da Academia

Almadense, era tenor, mas eu só lá ia por

ser meu pai. Naquela altura a música em

geral não me despertava atenção, não me

entusiasmava. Na rádio passavam cantores

como Tony de Matos, António Calvário, Mário

Lanza, fado, etc. mas era um tipo de música

que não me entrava nos ouvidos, não

sentia emoção.

Até que um dia, talvez por volta de 1967,

oiço uma canção na rádio que me abre a

cabeça, ‘senti algo naquilo‘ e pensei ‘o que

Setembro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU

é isto, isto é diferente’, era a música ‘Love

Me Do’ dos Beatles, uma das canções mais

simples que eles gravaram, para quem percebe

de música, são apenas 3 acordes,

mas que tem uma beleza e força fantásticas

e a partir daí comecei a ouvir os Beatles.

F: Que grupos influenciaram a musicalidade

dos UHF?

AMR: Vou falar por mim, no princípio dos

UHF era uma grande confusão, a formação

que gravou os ‘Cavalos de Corrida’ tinha

cada um a sua onda, mas falando por mim

eu gostava da música anglo-americana, sobretudo

da costa leste dos EUA, refiro-me

a Doors, Jefferson Airplane, Grateful Dead,

The Stooge, que me foram abrindo a cabeça

e mostrar novos horizontes musicais.

F: O que representou para ti os anos 80,

anos de juventude irreverente, em termos

musicais e pessoais?

AMR: Foi um chuto para a frente (risos), de

repente veio uma catapulta que nos lançou

para o espaço. Eu costumo dizer que passamos

do 8 ao 800 sem passar pelo 80. Em

1979 lançamos o primeiro disco ‘O Jorge

Morreu’, um EP, e ninguém soube, não havia

divulgação, em 1980 gravamos os ‘Cavalos

de Corrida’, faz agora 40 anos, e de repente

éramos número 1 no país, com tudo o que

isso envolve.

F: Mudou a vossa vida…

AMR: Totalmente, mudou-a a 180º, espectáculos,

royalties, direitos de autor, independência

financeira, muita estrada, muitos

fãs, semanas fora de casa, eram tantas as

solicitações…, nem tivemos tempo para

perceber o que se passava à nossa volta.

Houve uma transformação completa nas

nossas vidas, sem tempo para a família,

concertos de norte a sul, na época eu já era

casado e com 2 filhos, foi uma loucura total.

Os anos 80 foram marcantes, não pela irreverência,

mas por pensarmos que o UHF

poderia ser um projecto de longevidade e

de sucesso. Essa longevidade está documentada

nos 1798 concertos que já efectuamos,

o 1800 estava marcado para Paris

mas devido à pandemia foi adiado.

F: O que sentes quando vês o videoclipe

promocional da música, que nasceu

para ser de promoção comercial mas

acabou por ser também um trabalho documental

e que memorias isso te traz?

AMR: Vou contar-te uma história que me

aconteceu em 1988, estava em casa da minha

namorada a dormir, tinha vindo de um

concerto na noite anterior, ela acorda-me e

diz, a ‘tua rua está a arder’ e eu pensei, ‘o

quê?!‘

Lembro-me como se fosse hoje, levantei-

-me, ligo a TV e vejo o Mário Crespo, na

rua do Carmo, de microfone na mão, todo

molhado, a tentar fazer um directo, com os

bombeiros logo atrás, com mangueiras e


ESPECTÁCULO

23

fumo por todo o lado, nessa altura caí em

mim e constatei a gravidade da situação.

Hoje a rua do Carmo está reconstruída,

tudo muito limpinho e direitinho, ‘Clean and

Safe’ mas não é a mesma coisa, uma parte

da história de Lisboa e da cultura morreu

em 1988.

“eu não era aquilo a que se

pode chamar um grande

amigo do António Variações”

F: Mudando um pouco o rumo da nossa

conversa…

Sei que tiveste uma relação profissional

próxima e de amizade com António

Variações, o que recordas e o que queres

contar em relação a um músico que

deixou marca na música pop e que ainda

hoje é recordado?

AMR: Bom, eu não era aquilo a que se pode

chamar um grande amigo do António Variações,

adiante perceberás porquê.

Tínhamos sim um excelente relacionamento

profissional, até porque tínhamos a mesma

editora (Valentim de Carvalho), e na época

ele estava a lançar um maxi-single, ‘Povo

que Lavas no Rio/Estou Alem’ (1982), que

era aliás o seu primeiro disco.

As pessoas conhecem o Variações pela

pessoa excêntrica em cima do palco, exuberante

nas roupas e gestual nas suas interpretações

musicais mas fora dele era

completamente diferente. Era um homem

reservado, quase sempre solitário, lembro-

-me das vezes que ia ao Frágil com a minha

namorada e sempre que ele lá estava

ia ter com ele, sentado a um canto, quase

escondido, sozinho, tentando passar despercebido.

Bebíamos um copo, conversávamos, era

um homem cheio de talento e culto mas era

decididamente um homem introspectivo e

solitário, às vezes um homem abandonado,

vivia no seu mundo. Ele era de Amares, veio

para Lisboa, e a Lisboa dos anos 80 era

muito diferente daquela que vemos hoje, digamos

que ele era um homem, em termos

visuais, muito à frente da sua época.

Tenho uma história curiosa para contar, nós

(UHF) íamos tocar na antiga Feira Popular,

num espectáculo que havia todas as quintas-feiras

e que eram transmitidos pela Rádio

Renascença, é curioso que o Rui Pêgo,

hoje director da Antena 1, ainda tem essa

gravação, e o Variações foi fazer a abertura

do concerto, em playback, sem apoio de

banda, para apresentação do seu maxi-single.

Nessa noite, o António foi excentricamente

vestido de toureiro e estavam uns rufias na

frente de palco, que começaram a lançar

gravilha enquanto ele cantava. Além de ter

que estar a desviar-se dos objectos arremessados

ainda tinha que estar a acertar

os movimentos vocais com o playback. Eu

estava de lado e aquilo irritou-me profundamente.

Quando entro em palco, não me importei

que o concerto estivesse a ser gravado

para a rádio, desabafei, disse o que pensava

sobre o respeito que se deve ter pelos

artistas e critiquei fortemente o público,

acho que até os insultei e quando pensava

que ia ser atingido por um monte de gravilha,

o público reagiu batendo palmas. Foi

assim a primeira actuação pública do António

que viria tornar-se, apesar da curta

carreira, num marco na história da música

pop em Portugal.

F: Aproveitando este momento de recordações,

queria que me dissesses qual

o vosso relacionamento na época com

a banda TÁXI, que juntamente com os

UHF lutavam pela liderança nos Tops

nacionais?

AMR: Na época havia uma enorme rivalidade,

hoje há uma grande amizade. Essa

rivalidade era muito boa porque foi muito

explorada pelas editoras, não vou dizer que

éramos marionetes, mas éramos fruto de

uma guerra de tops e de vendas. Era uma

espécie de guerra Beatles vs Rolling Stones

na música ou um Benfica vs Porto no

futebol.

Eu costumo dizer com uma certa ironia que

em 1981/82, dividíamos o país ao meio, metade

UHF e outra metade TÁXI. Quando nos

juntávamos em palco quase que havia castanhada

mas nunca houve, mas era complicado

(risos).

Trago aqui comigo o mini-LP ‘Ares e Bares

de Fronteira’ de 1983, sinto nele uma certa

melancolia, incerteza quanto à evolução

política do país, se calhar alguma desilusão

daquilo que pensavas virem a ser os tempos

de liberdade/democracia e terminas

com uma dedicatória a Ian Curtis. É um álbum

marcante, não só pelo conteúdo lírico

e musical mas também porque assinala,

praticamente, a saída de Carlos Peres da

banda.

F: Fala-me deste álbum, do seu conteúdo

e de como te sentias psicologicamente

na altura?

AMR: Acho que é a primeira vez que percebemos

que no mundo da música…, aliás no

primeiro disco que gravei, tenho uma canção

dedicada ao mundo da música e àquela

‘entourage’, que acontece na noite lisboeta,

em que tu tens que te dar com as pessoas

certas nos sítios certos e pagar uns copos

as pessoas certas nos locais certos.

Em 1983 eu percebi uma coisa, é que quando

deixámos a Valentim de Carvalho, saímos

contra a vontade deles, fizemos uma

birra enorme e estúpida, mas éramos jovens,

vamos para a Rádio Triunfo e lançamos

o álbum ‘Persona Non Grata’. Neste

segundo disco ‘Ares e Bares de Fronteira’

começo a perceber que naquela editora,

devia haver montes de negócios mas nenhum

deles tinha a ver com a música arte,

percebi que tínhamos dado passos atrás.

Na Triunfo, entendiam que vender música

era mais ou menos como vender batatas

ou quilos de açúcar, fruto do reflexo de naquela

época aparecerem grupos novos todos

dias, apareciam a 100 e desapareciam

a 200, era apenas negócio e pouco tinha a

ver com cultura/arte.

F: Sentiste saudades dos tempos na Valentim

de Carvalho…

AMR: A Valentim de Carvalho sempre foi

uma editora que protegia os seus artistas,

às vezes até demais, uma espécie de mecenato

à maneira da renascença italiana,

como se fosse uma família. Quando saímos

da Valentim ficamos sem essa protecção

e se conseguimos sobreviver foi

porque tínhamos valor o que acabou por

ser uma prova de sobrevivência. Por isso,

o conteúdo do álbum, revela de certa forma

uma força interior de sobrevivência, de

revolta, de dedicatórias e de recordações.

F: A seguir a este álbum há um hiato discográfico

de 5 anos para voltarmos a ouvir

um trabalho de originais. Achas que

‘Ares e Bares de Fronteira’, assinala o

final de uma era, o fim dos UHF parte 1?

AMR: Sim, concordo com a tua leitura,

‘Ares e Bares de Fronteira’ marca o final

de uma fase dos UHF, a partir deste álbum

houve alterações na formação e quando regressamos

em 1988, com o álbum de originais

‘Noites Negras de Azul’, já sou o único

membro original da banda. Este disco, ‘Ares

e Bares de Fronteira’, já reflete maturidade.

F: Houve uma altura durante o ano de

1984, em que saíste temporariamente

da banda descontente com o ambiente

no seu seio, achas que foi resultado de

stress acumulado por exigências da editora

em manter a banda no Top?

AMR: Na altura o Zé Carvalho (baterista)

teve um acidente de viação grave e ficou

cerca de 5 meses de cama, quando regressou

ressentiu-se do problema na perna

e eu tive que procurar um baterista para o

substituir. Uns tempos atrás tinha tocado

com um grupo chamado Casino Twist e

achei o baixista (Fernando Deleare) muito

interessante e fui falar com ele para vir para

os UHF, na conversa indicou-me o Manuel

Mergulhão (baterista) que tinha tocado no

Go Graal Blues Band.

Eu sempre gostei muito do Fernando Deleare

como baixista e até mesmo como

compositor era muito interessante, fizemos

canções os dois muito boas, mas o Fernando

nunca tinha estado numa editora grande

e não sabia o que era ter pressão à volta,

a dado momento, comecei a sentir que o

barco tinha entrado numa grande tempestade,

já não estava no rumo certo, balouçava

para um lado e para o outro. Senti que

estava a perder o controlo da banda, as

exigências da editora eram muitas e eu não

conseguia atingir os resultados que queria

e um dia disse, ‘vou-me embora, não me

apetece mais’. De maneira que durante cer-

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24

ESPECTÁCULO

ca de duas semanas estive fora do grupo.

Durante esse tempo, ele diz que não (risos),

mas o Peres foi chamado para cantar.

F: Depois regressaste…

AMR: Regressei mas já não era a mesma

coisa, por volta de 1985 sentia que não ia

ter futuro com aquela formação, exceptuando

o Renato Gomes que era o melhor

guitarrista do seu tempo e bom compositor,

com quem me entendia muito bem.

Ao mesmo tempo começo a reparar que os

tempos estavam a mudar, aqueles que tinham

ajudado a alavancar o rock português

estavam, nesta altura, a tentar matá-lo, com

o semanário Se7e à cabeça. Pensavam que

faziam artistas e matavam artistas, é um

facto que divulgaram bandas que morreram

logo a seguir, mas aqueles artistas que tinham

raízes, esses não conseguiram matar.

Por isso é que se os UHF ainda existem, é

graças ao apoio que sempre tivemos do público.

F: O tempo era outro….

AMR: Era, estava a mudar, até a catalogação

das músicas era outra, a música de intervenção

passou, naquele período, a chamar-se

Música Popular Portuguesa (MPP),

por influência da MPB, brasileira, houve

uma mistura de conceitos, pretendia-se

‘matar’ músicos consagrados para serem

substituídos por novos cantores, era a esta

a visão comercial de alguns sujeitos, de algumas

editoras.

F: Em 1986 sai o último integrante da

formação original, Renato Gomes, nessa

altura sentiste que os UHF estavam a

chegar ao fim da linha ou pelo contrário

isso te deu alento para seres mais criativo

e teres mais liberdade a nível musical?

AMR: Não sei se foi coincidência a saída

do Renato com o sucesso que viria a ter

o álbum ‘Noites Negras de Azul’ em 1988,

sei que com a saída do Renato Gomes, tive

que arranjar alento para não deixar morrer

o projecto UHF e tudo o que de bom tínhamos

feito. Fiquei com mais responsabilidades,

formei o UHF com elementos novos,

mas com aquela ambição de querer fazer

mais e melhor. Foi com muita pena minha

que ele saiu.

F: Fala-me das ‘Noites Negras de Azul’….

AMR: O álbum ‘Noites Negras de Azul’ é

um disco muito bonito mas muito sofrido,

foi o meu primeiro disco em autoprodução,

levei muito tempo para o gravar, não gravava

todos os dias, gravava consoante o tempo

que tinha disponível, eram necessários

ensaios e nem sempre tínhamos tempo por

causa das digressões, e quando tinha uns

intervalos nas digressões aproveitava para

evoluir na produção de estúdio.

É o momento em que me sinto mais eu,

com o Renato Gomes não me precisava de

preocupar com certas coisas, era um grande

guitarrista, tocava sempre bem, a partir

daí começo a dedicar-me mais a guitarra e

a tocar outros instrumentos. Foi o momento

em que em vez de ficar com medo, dei o

passo em frente e assumi as minhas responsabilidades.

Em 1988, lanças finalmente um álbum de

originais ‘Noites Negras de Azul’, de onde é

retirado o single de grande sucesso ‘Na Tua

Cama’, apresentado ao vivo no estádio da

Luz perante 120 mil pessoas, uma inovação

na época, e que trazem de volta os UHF à

liderança dos Tops nacionais.

F: Sentiste que foi este disco que te relançou

a carreira, são os UHF parte 2?

AMR: É o disco mais celebrado que nós

temos desde a saída da Valentim de Carvalho,

lembro que o ‘Persona Non Grata’, o

primeiro disco editado para a Rádio Triunfo,

em Novembro de 1982, foi um disco brutal,

muito bom e muito celebrado pelos fãs.

O ‘Noites Negras de Azul’ há quem diga,

não é a minha classificação, que é a segunda

Bíblia dos UHF depois do álbum ‘À Flor

da Pele’, com uma banda completamente

renovada e focada em objectivos comuns,

diria que sim, nasceu uma nova versão dos

UHF.

F: Na ‘Tua Cama’ ajudou a renascer os

UHF?

AMR: Não foi bem um renascer mas sim

uma mudança de rumo, foi como se passássemos

de um continente para outro.

Sabes, no início havia muito experimentalismo,

no álbum ‘À Flor da Pele’, havia ainda

muitas coisas a descobrir e a aprender.

Recordo o Hugo Ribeiro, que já não está

entre nós, que foi o técnico de som dos

‘Cavalos de Corrida’ e do ‘À Flor da Pele’,

que trabalhou com a Amália Rodrigues e

que muito me ensinou. Nós íamos para o

estúdio e via todos aqueles instrumentos

à disposição e perguntava, ‘Sr. Hugo posso

mexer aqui no teclado?‘, e ele responder

‘O menino António pode mexer no que

quiser’, eram outros tempos. Deram-me o

estúdio dois meses e meio para gravar, meu

Deus, fiz tudo o que me apeteceu, foi lá que

aprendi a tocar teclas.

Nas ‘Noites Negras de Azul’ já é completamente

diferente, já era produtor, já tinha

outra maturidade, outra visão das coisas.

Algumas canções do álbum já tocavam na

estrada de modo que quando ia para estúdio

já tinha uma visão do que ia resultar naquelas

músicas. Fiz o disco com o guitarrista,

depois fui convidando alguns músicos,

entre eles o Fernando Deleare, que tocou

baixo em dois temas, e assim foi nascendo

o álbum.

F: Porque colocaste como música de

abertura do álbum a canção ‘Nove Anos’,

dedicada a Zeca Afonso, e ‘Na tua Cama’,

o teu grande sucesso, a abrir o lado B?

AMR: Olha, quando fomos apresentar a

cassete à produtora Edisom, o António Rolo

Duarte assim que ouviu os primeiros acordes

da canção ‘Na Tua Cama’, disse logo

‘quero isto, quero gravar isto‘. Aliás o David

Ferreira, na Valentim, e o Rolo Duarte, na

Edisom, eram pessoas com uma visão fora

do comum.

A canção sai em single no lado A ‘Na Tua

Cama’ e no lado B ‘Nove Anos’, entretanto a

música chega a primeiro lugar no top semanal

da rádio e começam a aperceber-se da

letra da canção. Às tantas alguém da RFM

liga para editora e diz, ‘temos aqui um problema’,

é que a canção tem aqui uma frase

que não pode passar e ninguém tinha reparado,

‘na tua cama fui de rapaz até homem’.

Foi ridículo mas em 1988 ainda havia censura

nas rádios, 14 anos depois de 1974.

Recebo um telefonema do Rolo Duarte que

me diz, ‘António temos uma bronca!’, escreveste

que, ‘na cama foste de rapaz até homem

e não podias’, e acrescentou ‘os homens

em Portugal fazem-se na tropa, não

se fazem na cama’, disse ele cheio de piada.

Eu fiquei a pensar naquilo e perguntei,

‘então e agora?‘, e ele respondeu, ‘vamos

passar a música para o lado B e a ‘Nove

Anos’ para o lado A, fazemos uma troca no

alinhamento previsto’.

Na altura estávamos já a gravar um videoclipe

promocional para a canção ‘Na Tua

Cama’ e de repente pára tudo, já não há video

para ninguém, vamos fazer um para a

música ‘Nove Anos’. Foi muito engraçado,

foi um reboliço total, foi tudo em cima do

joelho, fomos para a nossa sala de ensaios,

de um dia para outro tivemos que criar uma

história e filmar um clipe para a RTP. (risos)

F: Hoje és o único membro fundador da

banda, olhando para trás, voltarias a fazer

as coisas da mesma forma ou farias

algumas de forma diferente?

AMR: Não sou nada saudosista, magoei-

-me muitas vezes é um facto e tomei algumas

decisões nos UHF que foram erradas.

Por causa disso, a partir do meio dos anos

80, tive dois anos sem gravar, passei por

momentos complicados, tive colegas viciados

em droga, com digressões para cumprir,

tive que despedir músicos e ir buscar

outros, e foi muito complicado porque nem

sempre fiz as melhores escolhas. Mas faz

parte do nosso percurso, aprender com os

erros ajuda-nos a crescer.

Aliás, o ano passado estiveram em Almada,

no museu da cidade, organizadas pela

Câmara Municipal, duas exposições, uma

sobre o rock almadense desde os anos 50,

onde nós estávamos representados e outra,

mais tarde, apenas sobre os UHF. Uma

exposição fantástica baseada no nosso arquivo

documental que conta a história do

nosso percurso de vida.

F: Ainda te encontras com os teus colegas

da formação inicial da banda?

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ESPECTÁCULO

25

AMR: Encontramo-nos frequentemente,

sobretudo com o Renato e o Peres pois vivemos

na mesma cidade. E aquando da exposição

encontrámo-nos algumas vezes e

eu sinto, é apenas uma interpretação minha,

que naturalmente poderá não ser assim,

que se eles pudessem, neste momento, voltavam

atrás e tinham ficado na banda.

F: Porque sentes isso…

AMR: Na altura o único que era casado era

eu, com dois filhos, a música ocupava muito

do meu tempo, alterações constantes de

rotinas, era tudo a somar, e acabei por me

divorciar em 1982. Passei a morar sozinho,

enquanto eles viviam com os pais e a pressão

familiar sobre eles era muito grande.

A música era vista como um hobby e não

como uma profissão, os pais queriam que

eles tirassem um curso e arranjassem um

trabalho a sério.

E isto é tão verdade e uma maneira conservadora

das pessoas pensarem que ainda

há pouco tempo encontrei um ex-colega

de escola, que a dada altura me pergunta,

além da música fazes o quê? Respondi simplesmente,

sou músico. Este pensamento

influenciou e limitou-os nas escolhas, penso

que se fosse hoje, eles não tinham saído e

continuaríamos juntos.

“Não tínhamos dinheiro para

ter duas guitarras, eu tinha

uma e dei ao Peres porque

ele tocava melhor que eu”

F: Hoje sentes-te a Locomotiva de Almada,

o Canal Maldito ou um músico que

42 anos depois se orgulha do seu legado

musical e das portas que abriu a outras

bandas?

AMR: Gosto da expressão Canal Maldito,

que foi dita por um jornalista brasileiro, muito

nosso amigo, infelizmente já falecido, o

Luís António Vita, quando demos uma entrevista

ao jornal Rock Week, percursor do

Blitz, ainda antes dos ‘Cavalos de Corrida’,

e na capa aparece, ‘UHF, o Canal Maldito’.

Sabes, eu senti-me sempre maldito, não

gosto de ser do sistema, do politicamente

correcto, as pessoas não se assumem, gostam

de andar ao sabor das marés. Depois

há colegas que aparecem mais tarde, que

tem alguma notoriedade e que fazem discursos

como se o mundo tivesse começado

com eles, ontem às cinco da tarde. Nem se

lembram que a pólvora foi descoberta há

muitos anos na China. É assim que eu sou,

politicamente incorrecto, muito terra-a-terra.

Ser a Locomotiva de Almada também gosto,

eu faço e avalio as situações, sempre

contornei as dificuldades, nenhum obstáculo

me fez parar, sempre fui empreendedor,

nunca estive dependente de subsídios do

estado, de modo que levei sempre a minha

vida com frontalidade e sobre carris.

Quanto às portas que eventualmente abri,

podem ter sido algumas mas não considero

isso um orgulho, é o resultado de um percurso

de 42 anos de sucesso. Não ligo nem

penso muito nisso.

Não tínhamos dinheiro para ter duas guitarras,

eu tinha uma e dei ao Peres porque

ele tocava melhor que eu (…) tocar com Dr.

Feelgood e com Ramones provocou-me

tanto nervoso e medo de falhar que fui para

o palco a pão-e-água….

F: Mas houve bandas que vos ajudaram a

abrir portas…

AMR: Claro que sim, para nós foi muito

importante as primeiras partes que fizemos

de grandes bandas internacionais, em

1979/80, ainda nem éramos conhecidos,

estou a lembrar-me dos Telephone (franceses),

Dr. Feelgood, Uriah Heep, Ramones,

etc, aprendemos muito com eles, na maneira

de trabalhar, como montar um palco, em

suma, vimos como se faziam as coisas, foi a

nossa faculdade.

Foram tempos muito bons de aprendizagem,

que nos ajudaram a abrir algumas

portas e a crescer como músicos, naquela

altura eu era só vocalista, não tínhamos dinheiro

para ter duas guitarras e então dei a

minha guitarra ao Peres porque ele tocava

melhor que eu. (risos)

Na época os Dr. Feelgood e Ramones eram

os expoentes máximos da música internacional,

e nós, sem sermos conhecidos, ir

tocar a primeira parte dos concertos destes

monstros da música, a primeira vez que

subi ao palco senti medo, nem consegui comer,

fui para o palco apenas a pão-e-água.

F: Sei que estás a preparar um álbum de

inéditos, para quando?

AMR: Era para ter saído em Junho mas

devido à situação pandémica tivemos que

suspender as gravações, mais precisamente

no dia oito de Março. Entretanto o meu

filho, António Côrte-Real, que é o guitarrista,

contraiu uma hérnia discal, tem estado

em recuperação, a coisa está complicada,

talvez se resolva com fisioterapia, enquanto

isso estamos a espera que ele recupere

para retomarmos os ensaios e tentar ter o

disco pronto em Outubro.

Tenho feito uns ‘lives’ no Instagram e Facebook

oficial dos UHF, desde vinte e um de

Março, aos sábados, só comigo e o baterista,

e as pessoas têm aderido, gostado e

apreciado o facto de não nos esquecermos

delas, há pessoas que se sentem isoladas e

estas iniciativas são óptimas para levar uma

lufada de ar fresco e conforto a alguns lares.

Nas últimas três ‘lives’ que fizemos o meu

filho participou mas foi com muito esforço,

não consegue ter posição para estar e só

atenua as dores à base de analgésicos. Vamos

ver o que o futuro próximo nos reserva.

Estamos a atravessar uma fase de pânico

generalizado devido a uma pandemia que

tem sido o mote para o adiamento de muitos

espectáculos, trazendo atrás de si muitos

problemas de subsistência, em alguns

casos bem piores que a própria doença.

F: Como estás a gerir a situação e de que

forma isso te tem prejudicado?

AMR: Em termos financeiros tínhamos um

ano já muito bem organizado e que parou.

Dezanove espectáculos passaram para o

ano que vem, apagamos o ano de 2020, os

apoios do estado a uma empresa do género

da nossa, são nenhuns.

Já fiz vários alertas à ministra da cultura,

porque há casos graves mas quando já deviam

estar a actuar ainda andam a discutir

projectos de financiamento nesta altura.

A cooperativa GDA da qual faço parte tem

ajudado como pode alguns casos, com cartões

de consumo que eram válidos por três

meses mas já o tivemos que prolongar.

Há muita gente que trabalha à volta de uma

banda e que está a ser prejudicada por esta

situação. Os UHF, uma banda de cinco elementos,

cada vez que dá um concerto mobiliza

cerca de 40 pessoas, só para teres

uma ideia. Em Maio falava-se em cerca de

26 mil concertos cancelados mas são mais

de 40 mil, o que deixa bem visível, as dificuldades

que algumas pessoas estarão a

passar.

“é como se fossemos embaixadores

do país”

F: Esta entrevista vai ser publicada num

importante órgão de informação, direcionado

à comunidade imigrante, o ‘Lusitano

de Zurique’, e eu perguntava-te se

queres deixar alguma mensagem aos fãs

que viram os teus concertos adiados?

AMR: Espero que nos possamos encontrar

em breve, cada vez que fazemos um concerto

nas comunidades é uma festa grande,

as pessoas muitas vezes aqui não percebem

o quanto é importante levarmos um

bocado da nossa língua e da nossa história,

é como se fossemos embaixadores do país.

Até mesmo nas festas ligadas ao Benfica,

onde toco muito, há ali um bocadinho de

Portugal que renasce naquele dia, não há

rivalidades clubísticas, vêem-se pessoas

com camisolas de outros clubes, não existe

rivalidade, há sim portugalidade.

Não é fácil estar longe do país, muitas vezes

em sociedades fechadas limitadas pela

língua, a viver para trabalhar, para ganhar a

sua parte e vir-se embora o mais depressa

que podem. Os UHF quando estão junto

dos imigrantes estão sempre bem, estamos

juntos há muitos anos e contamos muito em

breve estarmos juntos de novo.

Obrigado António por me teres recebido.

Grande abraço e felicidades.

(*) Texto e fotos:

FOCUSMSN

CULTURA - DESPORTO - MÚSICA

www. focusmsn.pt

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OPINIÃO

“Que feridas são essas...?”

VÍTOR RUA (*)

Uma das “argumentações” exprimidas

pelos defensores do enrgúmeno do Chega,

é a de que “agora que finalmente surge

alguém que põe o dedo nas feridas, é

atacado de anti-democrático”.

Ora, a questão que me ocorre é a seguinte:

“que feridas são essas?”.

Vamos ver:

1. restaurar a Pena de Morte em Portugal

_ ou seja, Portugal foi um dos primeiros

países do mundo a abolir a Pena de Morte,

e estes criminosos, pretendem fazer um

retrocesso civilizacional e voltar a impôr

algo que não respeita a Vida e a própria

Religião que esses paparrotões seguem!

2. castração a Pedófilos

_ ou seja, no caso de não de poder matar

o pedófilo, pelo menos que o castremos,

ignorando assim, e mais uma vez, a mais

elementar Ética e Moral, como uma sensibilidade

Humanista.

3. racismo

_ discriminar raças e tratar umas como sendo

de primeira classe e outras de segunda,

desrespeitando o princípio da Igualdade

entre Todos.

4. tortura

_ o idiota diz adorar a sua coelhinha, mas

não exita em se vangloriar como adepto

das touradas, ou seja, também com os outros

animais não-humanos, existem uns de

primeira e outros de segunda categoria.

5. discriminação sexual

_ para este imbecil é-lhe muito claro que o

homem é superior à mulher; a ordem “natural”

das relações é a heterossexual e a

homossexualidade é uma doença ou uma

“moda” e se um homem for homossexual

é um maricas e se for uma mulher lésbica

é uma “histérica”. São - claro! - contra o

casamento e a adopção de crianças por

pessoas do mesmo sexo, ou seja, para eles

é melhor as crianças irem para orfanatos

ou ficarem sem uma Família.

6. pró-vida

_ durante o feto, para estes imporéns, este

é já um ser humano. Após o nascimento,

deixam de ter qualquer consideração pela

vida desse ser humano, pelo contrário, só

lhe desejam o mal: desemprego ou emprego

mal pago e explorado; aos 18 anos mandam-no

para a Tropa para se matarem em

nome deles; e até ameaçam de morte uma

miúda de 10 anos que foi violada e pretendem

proibir (se necessário matando-a!) de

prosseguir com o aborto.

E podia estar aqui o dia inteiro a referir as

tais “feridas” a quem os defensores do

merdas, invocam como argumento do paparrotão.

Afinal, as “feridas”, são simultaneamente o

que nos faz a nós (que somos pela Liberdade

e pela protecção de todos os Seres e

Natureza), entender o que eles - os paparrotões

- representam, e por outro lado são

a sua melhor arma perante os analfabetos,

ignorantes, reacionários, racistas, sexistas,

especistas, que os apoiam.

As “feridas” são afinal, o sinal mais claro

da total demonstração de falta de sensibilidade

pelo Humano e pela Natureza e

outros Animais, ou seja, são apenas poios

de merda, nos quais eles se banham, na

esperança de que haja uns “come-merda”

que os apoiem.

Bem hajam

(*) Músico e compositr

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A propósito

de multidões

ANTÓNIO MANUEL RIBEIRO (*)

Ontem, uma vez mais, assisti aos

titubeantes comentários de alguns

dirigentes políticos sobre a multidão

que se espera para a próxima

festa do Avante.

Não, meus amigos, não vou dar

a minha opinião sobre a matéria,

mas há outro prisma de que vos

quero falar. Registei o tom afirmativo

da ministra da Saúde, a

gaguez da ministra da presidência

do Conselho de Ministros e o comentário

airoso do Presidente da

República.

Se a primeira invocou sem apelo

a razão sanitária sobre a razão

política, a segunda definiu que

o governo não podia proibir uma

reunião política. Por fim, o número

Um da nação falou de multidões e

dos ‘festivais cancelados’.

E é aqui que eu me chateio. Comparar

a Festa do Avante aos festivais

e esquecer as cerca de

30.000 festas que este ano foram

canceladas é continuar a achar

que a vida artística deste país é

um devaneio. O meu faz em Novembro

42 anos. E somos profissionais,

não temos um trabalhinho

e depois juntamos os trocos do

palco ao pecúlio do mês.

Somos profissionais, pagamos

impostos e este Estado devia ser

de Direito. Às vezes não parece.

Já não falo dos apoios à Cultura,

deixemos a senhora em paz. Mas,

quanto à música, digo-vos que

isto tem queda para piorar. Se a

canção deixa de ser inquieta passou

ao funcionalismo, ao biscate,

ao jeitinho. Não, obrigado. Nós

somos da música. E desde o dia

21/03 que mantemos uma relação

pro bono aos sábados com quem

gosta de nós.

Porventura ajudamos, como alguns

comentam, a soprar o medo

e a preencher a solidão. É a música,

meus amigos, e serve para

nos unir.

Amanhã há mais no FB e Instagram

dos UHF, às 18h00, o XXII

Momento Musical Caseiro dos

UHF. No sábado, dia 22/08, finalmente

todo o grupo no Live@Casinha,

com transmissão em HD.

Fotografia: Sérgio Costa

(*) Músico, autor, compositor, produtor,

vocalista e fundador do UHF

OPINIÃO

O PAÍS DA

MALA DE

27

CARTÃO

- DE QUE ALGUNS FASCISTAS À VENTURA,

TEM SAUDADES!

ANTÓNIO JORGE

O fascismo português do passado e do presente, combate-se

com pedagogia e verdade democrática - As imagens

aqui apresentadas por um prestigiado fotógrafo francês,

Gerard Bloncort, para ver e recordar, o que éramos...

E que não queremos ser mais!

- Provam com toda a eloquência e verdade, o que foi

Portugal, antes de abril... e que alguns fascistas, apoiados

pelos canais de televisão do lixo em Portugal... em

geral, e numa gigantesca campanha de desinformação

e branqueamento sobre o passado da ditadura fascista,

tentam vender, como aventura de regresso ao passado

de trevas, de miséria extrema de um povo que dava a

sua cabeça aos piolhos e a casa aos percevejos... analfabetos

sofridos dos bairros da lata... no estrangeiro e

no subúrbio das cidades de Lisboa e do Porto.

Emigrantes Portugueses - anos 60, fotos de

Gerard Bloncourt.

Clique nos links para ver:

https://bit.ly/2ErPfVu

https://bit.ly/2YAQHeS

André Osório, estreia-se como autor

Com a chancela da importante editora, “Guerra

e Paz”, aos 22 anos, André Osório, fundador

da revista literária Lote, estreia-se como autor

com a publicação de «Observação da Gravidade».

A voz de um poeta em estado puro, para escutar,

a cada verso, a partir do dia 25 de Agosto,

nos locais habituais e no site da Guerra e Paz

Editores.

«Observação da Gravidade» procura uma ideia

de biografia construída, disseminada nas três

secções que constituem o livro: «Gravuras»,

«Observação da Gravidade» e «Museologia».

Através de um movimento concêntrico, do exterior

para o interior, o próprio tempo faz-se

espaço e a gravidade que o fixa faz-se unidade

e fragmento, dia e rotação. «És o centro da

forma que te procura / com os braços caídos

em torno.»

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CRÓNICA

Eduardo Lourenço

e Cristina Ferreira

LUÍS OSÓRIO

1. Na semana passada, num hospital de

Lisboa, Eduardo Lourenço estava sentado,

sozinho, à espera de ser chamado para

uma qualquer consulta.

Não o quis incomodar.

Sobretudo não quis que me visse ou se

sentisse obrigado a dizer-me o que estava

ali a fazer.

Se estava bem.

Mais todas as perguntas que nos sentimos

obrigados a fazer.

Duas funcionárias, a dois metros de mim,

comentam uma com a outra acerca do

simpático velhote que espera.

“A cara dele não me é estranha”

“Nem a mim, acho que escreve livros”

“Sim, talvez seja isso ou então é um ex-ministro

ou banqueiro”

“Não, acho que escreve livros de política… “

2. Aquelas duas mulheres conheciam-no.

Já o tinham visto, só não sabiam de onde.

Meti conversa.

“Não pude deixar de ouvir e posso ajudar-

-vos. Aquele velhote chama-se Eduardo

Lourenço e é o principal pensador português.

A pessoa que mais nos ensinou a

pensar sobre o que é Portugal, sobre os

portugueses”.

“Ah, muito obrigado. Então é importante!”

E eu respondi que sim, era muito importante.

“É um homem que tem toda a sabedoria do

mundo. É como se tivesse todos os livros

do mundo dentro de si”.

Isto não lhes disse a elas, digo-te a ti.

3. Conto a história de Eduardo Lourenço

para lhe falar das “estrelas” que todo

o país conhece. Das “estrelas” que todos

os dias entram em casa dos portugueses

para lhes ensinar sobre a vida e sobre tudo

o que realmente importa saber.

E muitas têm sido as notícias nos últimos

dias - o que tem certamente aumentado

audiências.

O país ouviu...

Da indemnização que Pinto Balsemão está

a pedir pela fuga de Cristina Ferreira para

a TVI.

De Cristina Ferreira que, ao regressar à

“sua” estação, encostou um apresentador

que a traíra umas semanas antes.

De Cláudio Ramos que se deixou fotografar

de fato de banho/cueca com ar combalido

e infeliz.

Do ex-namorado (ou será atual?) de Cláudio

Ramos que comenta sobre o que está

a acontecer ao seu ex/atual parceiro

De Manuel Luís Goucha que comenta sobre

tudo. Do cão de Goucha que mergulha

na piscina.

Das passadeiras vermelhas desta vida e

das outras.

Do chefe Stanisic que fugiu da TVI para a

SIC (ou terá sido o contrário?).

Da Jessica Athayde que está, dia sim, dia

não, no feed de notícias do meu telemóvel

(conheci-a aí). E fiquei a conhecê-la muito

bem...

Comeu a placenta do bebé

Emagreceu

Engordou

Não gosta daquela ou daquele

Gosta daquele ou daquela

Vestiu o filho de cor-de-rosa o que indignou

os seguidores.

4. Foi por tudo isto, por esta guerra entre

televisões, que me lembrei daquele simpático

velhote… Eduardo

O mais brilhante pensador português.

Que sentado num hospital não foi reconhecido

pelo que é.

“Acho que escreve livros”

“Acho que é um político”

E por quem ninguém é capaz de fazer uma

guerra pequenina que seja.

5. Amanhã não me esquecerei de lhe telefonar.

Não me esquecerei de lhe dizer o quanto

o admiro.

O quanto lhe devo.

O quanto me é importante.

O quanto me faz pena que mais pessoas

não possam conhecê-lo, ouvi-lo e serem

maiores.

O quanto ganhariam em não ficar presas

às respostas que a televisão lhes oferece,

mais às estrelas que apenas vivem na superfície

dos dias.

O quanto ganhariam se na sua vida as perguntas

fossem o que as determina e faz

voar, mais do que as respostas que apenas

as condena a ser terra.

As perguntas que alimentaram a sede de

Eduardo Lourenço, o sábio sentado à espera

de ser chamado por um altifalante. Ou

de ser ouvido numa qualquer sala de triagem

onde alguém lhe perguntará…

Nome?

Profissão?

Antes de lhe dizer com a gélida respeitabilidade

da indiferença: importa-se de

aguardar que o chamem?

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DESPORTO

29

Pré-época

bem preenchida

JORGE MACIEIRA

A equipa da 5ª Liga do Centro Lusitano

de Zurique realizou, no passado domingo

dia 16 de Agosto, o último jogo amigável

antes do inicio do campeonato, a

30 de Agosto, contra o FC Wülflingen por

cinco bolas á três em casa, no juchhof 2,

em Schlieren.

A equipa visitada chegou ao intervalo

com uma vantagem 4 bolas a zero. O

jogador Wilson em destaque fazendo

um bis na partida, mas foi Cristiano que

abriu o marcador no jogo de estreia pelo

Centro Lusitano de Zurique, também André

marcou num remate dentro da área e

o fechar do marcador foi de penalti atras

do Calo.

Como antes referido o este foi o último

amigável de cinco jogos realizados, primeiro

jogo amigável e de convívio com a

4ª Liga do Centro lusitano, jogo organizado

pelo departamento de futebol para

melhor conhecimento e relacionamento

entre os jogadores, onde saiu vencedora

a equipa da 5ª Liga, segundo jogo com o

FC Kloten em com derrota de 4-3 ao fim

dos 90’ minutos.

Terceiro jogo amigável foi no cantão de

Argau contra FC Meisterschwanden por

duas bolas a uma, logo a seguir houve

jogo em Oberglatt onde o Centro saiu

derrotado por quarto bolas uma.

Uma pré-epoca bastante preenchida

para preparar da melhor maneira possível

a época de 2020/2021.

VANDRÉ

OSÓRIO

Ghttps://www.face-

book.com/andre.osorio.161

Auschwitz

Guardo sempre todos os meus poemas

numa gaveta a um canto da secretária,

curtos retalhos de memória

fixados ao longo da rugosidade

das paredes,

já cercadas pela humidade da demora.

Quotidianamente, abro e fecho-lhes a

porta:

neles simula-se o dia.

Então, segue-se aquele estranho conforto

de se verem entrar por estas linhas que

agora se juntam,

antes do anoitecer, na observação

do anonimato a que de nascença ficaram

órfãos.

Vêm encarrilados pelas ferrovias do meu

braço,

por dentro do comboio nos meus dedos,

a cidade por trás, em frente a câmara de

gás.

- Este poço é uma ilha em convexo,

nele domesticaram as águas ao horizonte

apenas para ver ser demasiado tarde.

Cá fora, na antecâmara do quarto,

não há uma folha que não se preste

ao naufrágio.

Em "Observação da Gravidade", de André

Osório

“Observação da Gravidade” ´e uma edição da editora Guerra e Paz, lançado

a 28 de Agosto em Lisboa. O livro encontra-se à venda nas livrarias

e também online. Aqui fica o link: https://bit.ly/3aLC0us

André Osório

André Osório

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30

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A PSICANÁLISE E A NEUROCIÊNCIA

Neuropsicanálise?

NELSON S. LIMA

A psicanálise é um método

de tratamento de problemas

psíquicos, especialmente

destinado a pessoas profundamente

perturbadas não só

por sintomas mas por aspectos

da sua própria personalidade.

Geralmente, ela é utilizada por

quem sofre de fortes conflitos

internos.

Não sendo uma ciência e exigindo

tempo para produzir efeitos,

ela foi quase banida do universo

das psicoterapias. Mas,

recentemente, ela tem vindo a

ser recuperada e reconhecida

como uma das mais potentes

formas de ajuda psicológica.

E quem fez renascer a psicanálise?

Nem mais: vários neurocientistas!

À medida que se foi conhecendo

melhor como o cérebro funciona

e como reage a situações

adversas, verificou-se que o

processo psicanalítico é eficaz

porque ele pode actuar

fundo nas memórias e atingir

não apenas grandes redes de

neurónios como influenciar a

expressão dos genes presentes

no sistema nervoso central.

E, assim, nasceu a NEUROPSI-

CANÁLISE. Ela socorre-se da

neurologia, da neuropsicologia,

da neuroanatomia e da biologia

do comportamento. A psiquiatra

Susan Vaughan afirmou até

que os atuais psicanalistas são

como “microcirurgiões da mente”,

ajudando os pacientes a

fazer as necessárias alterações

nas redes neurais, ou seja, buscando

a saúde mental através

de mudanças no próprio cérebro

(graças à sua neuroplasticidade).

Para tal, têm concorrido os

estudos de numerosos cientistas

como Joseph LeDoux,

Eric Kandel, António Damásio,

incluindo o já falecido Oliver

Sacks (autor de livros como

“Alucinações Musicais” (2007)

e “O olhar da mente” (2010) e

que Norman Doidge (do departamento

de psiquiatria da

Universidade de Toronto) tão

bem soube explicar no seu livro

“The brain that changes itself”

(2007).

Não obstante, ainda existe uma

forte recusa por parte de muitos

psicólogos e neurocientistas

quanto à utilidade da nova

versão da psicanálise. A controvérsia

está instalada como

é comum na ciência quando

correntes diferentes se encontram.

Mas isso é bom.

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FINANÇAS

31

O que muda no

”Quellensteuer“ em 2021

A Janeiro de 2021, entrará em

vigor a nova lei federal sobre

a revisão do imposto retido na

fonte, mais conhecido como

“Quellensteuer“. Que mudanças

os empregadores e funcionários

irão enfrentar e como se podem

preparar para elas? Aqui deixo

os pontos mais importantes em

resumo.

A Dezembro de 2016, foi aprovada a lei federal

sobre a revisão da retenção na fonte

dos rendimentos do trabalho - ela entrará

em vigor em 1º de Janeiro de 2021. Isso

mudará fundamentalmente o sistema suíço

de retenção na fonte pela primeira vez

desde 1995. O objectivo: a partir de agora,

as pessoas tributadas na fonte e devidamente

tributadas devem ser tratadas

com igualdade. A revisão também resulta

de um cálculo uniforme de impostos retidos

na fonte em toda a Suíça.

A Circular 45 da Federal Tax Administration

(FTA) fornece as respostas. As principais

mudanças incluem:

Harmonização no modelo mensal

e anual

Na qualidade de “devedor da execução

tributável” (SSL), o empregador continua

obrigado a pagar a retenção na fonte ao

cantão responsável. O cálculo do imposto

devido passou a ter por base dois modelos

de cálculo: o mensal e o anual. Com

a revisão, esses modelos passaram a ser

uniformemente regulamentados entre os

cantões. Isso garante que os cantões do

mesmo modelo de cálculo avaliem os

mesmos factos da mesma maneira.

A Circular nº 45 do FTA fornece informações

sobre quais serviços são tributáveis,

em que medida e qual código de tarifa é

usado quando. A seguinte subdivisão se

aplica:

- Cantões com modelo mensal: Aargau,

Appenzell Innerrhoden, Appenzell Ausserrhoden,

Bern, Basel-Landschaft, Basel-Stadt,

Glarus, Graubünden, Jura,

Lucerne, Neuchâtel, Nidwalden, Obwalden,

St. Gallen, Schaffhausen, Solothurn,

Schwyz, Thurgau, Uri, Schwyz Zug, Zurique

- Cantões com um modelo anual: Friburgo,

Genebra, Ticino, Vaud, Valais

“A harmonização do cálculo do imposto

retido na fonte no modelo mensal e anual

é a mudança mais importante na nova lei

federal”, afirma Daria Perez, Product Owner

da Sage. "O cálculo da receita determinante

da taxa muda significativamente

no modelo anual." Os funcionários que

estão sujeitos ao imposto retido na fonte

e que têm várias relações de emprego devem

divulgar seu grau total de emprego a

partir de 1º de Janeiro de 2021.

Liquidação na autoridade fiscal

do cantão de residência ou residência

Na actual legislação federal sobre retenção

na fonte, os empregadores têm a opção

de liquidar o imposto retido na fonte

com a autoridade tributária cantonal da

sede da empresa - mesmo se o empregado

sujeito à retenção na fonte estiver domiciliado

em outro cantão. A partir de 1º

de Janeiro de 2021, isso só será possível

se o trabalhador for residente no exterior

e não for residente semanal. Caso contrário,

o cantão de residência ou estada

tem o direito de reclamar; a retenção na

fonte deve ser submetida à autoridade fiscal

competente. Os empregados sujeitos

ao imposto retido na fonte mudam seu

cantão de residência ou estada semanal,

os empregadores devem apresentar

a declaração de imposto retido na fonte

à administração fiscal do novo cantão de

residência ou estada a partir do mês seguinte.

As tarifas do novo cantão então se

aplicam - e possivelmente um modelo de

cálculo diferente.

Decisões fiscais anteriores não

são mais válidas

Daria Perez explica: “Há casos em que

uma empresa gostaria de esclarecer as

consequências fiscais esperadas para

uma questão específica e registá-lo por

escrito com as autoridades fiscais. Caso

ocorra a situação tributária, será avaliada

de acordo com o contrato - ou seja, de

acordo com a regulamentação fiscal. ” A

partir de 1º de Janeiro de 2021, essas decisões,

que os empregadores têm obtido

do fisco, não são mais válidas e precisam

ser renegociadas.

Nova comissão de referência

Até agora, os empregadores receberam

uma comissão de referência pelo seu envolvimento

no procedimento de retenção

na fonte. Isso é determinado pelos cantões

e actualmente representa entre 1 e

3% do valor do imposto retido na fonte.

Isso agora equivale a um máximo de 2 por

cento do valor total do imposto retido na

fonte.

Sem código tarifário D

O código tarifário D anteriormente aplicável

será excluído sem substituição. As

disposições sobre receitas de substituição,

tais como subsídios diários aí estabelecidas

serão reguladas no código tarifário

G no futuro.

Como as empresas podem se preparar

para a nova lei federal de retenção na fonte?

“Em qualquer caso, é necessário ler a

circular 45 e assim familiarizar-se com a

nova situação jurídica”, diz Perez. “Principalmente

no curso dos novos cálculos

do imposto retido na fonte, como aparecem

no modelo anual, pesquisas com os

funcionários sujeitos ao imposto retido na

fonte são essenciais.” Para uma contabilidade

correta, os empregadores devem

colectar e manter continuamente todas

as informações dos funcionários que desempenham

um papel na retenção de impostos

- desde mudanças no estado civil

ou no número de filhos até mudanças de

cantão e empregos adicionais, etc.

Fonte: https://www.sage.com/

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CRÓNICA

33

A civilização que não trata do lixo

CARLOS MATOS GOMES (*)

A nossa civilização — e a nossa civilização

é o capitalismo — assenta

na produção e no consumo, tendo

por pressuposto a irracionalidade

dos recursos ilimitados. O capitalismo

tem na base duas ideias força:

laissez faire, laissez passer, liberdade

absoluta para extrair recursos,

para os transformar e para os

vender. E: tudo o que pode ser produzido

pode ser consumido, crença

cega da capacidade de extracção

de produtos, sem olhar a meios nem

a consequências, e crença cega na

capacidade de absorção do que é

produzido, seja pela natureza,

seja pela sociedade.

Destes dois princípios surge como

natural o irracional, mas sagrado

vocábulo do “crescimento”. Todos

os anos, os iluminados das altas

instâncias internacionais e nacionais

que nos governam, referem

que “crescemos” mais uns tantos

por cento. Jamais alguém refere

a irracionalidade do crescimento

contínuo. A história da Ilha da Páscoa,

em que os habitantes todos os

anos cortavam mais árvores (cresciam)para

fazerem mais estátuas

de deuses porque necessitavam

de mais deuses para terem mais

árvores para cortar e assim sucessivamente

até a Ilha ficar inabitável.

O capitalismo funciona com a mesma

irracionalidade dos habitantes

da Ilha da Páscoa. Dele restarão os

arranha-céus, e as montanhas de

plástico para visita de extraterrestres.

Ao capitalismo interessam “os ativos”,

os que produzem e têm capacidade

de consumo.

Existem à disposição de quem se

interessa por estas “coisas” que

conduzem às situações como

aquelas que, com hipocrisia, descobrimos

serem as dos tratamento dos velhos nos

lares, várias acontecimentos à escolha

para o início da nossa civilização, desde

a expansão europeia do século XV, à Lei

Negra Inglesa, que estabeleceu os direitos

de propriedade privada em Inglaterra, num

processo (violento) que seria repetido aqui

em Portugal com a revolta liberal (que se

comemora) e a passagem dos bens dos

aristocratas e das ordens religiosas para

a burguesia, ou a revolução Industrial e o

decorrente colonialismo. Sendo várias as

hipóteses para o início desta civilização, o

certo é ela estar orientada desde os seus

fundamentos para produzir e consumir,

não importa o como, nem o porquê e apenas

para quê: lucro e poder.

Por isso o centro das políticas é o grupo

que produz e consome (e também combate)

— entre os 18 e os 65, grosso modo. Os

investimentos sociais pesados são dirigidos

para as políticas de infância, educação

e formação. Daí a importância atribuída

às creches, ao pré-escolar, à formação

secundária e superior. Preparam-se produtores

e consumidores. Os velhos são

despesa, maior quanto mais velhos e mais

dependentes. Com a desvantagem, relativamente

aos lixos das indústrias, de não

serem recicláveis, não serem passíveis de

integrar novas cadeias de produção. Só há

muito pouco tempo o “sistema” começou

a atribuir algum valor ao lixo. Mas a maior

parte continua a ser acumulada em montanhas

à superfície, despejada no mar (o

tal continente do plástico), emitida para a

atmosfera, ou depositada em grutas e fossas

marítimas (o lixo nuclear). O lixo não

é uma preocupação desta civilização (ninguém

sabe o que vai fazer com as baterias

dos carrinhos eléctricos!).

Não admira que os velhos estejam incluídos

nesta categoria de restos e deitados

no lixo dos lares. Ou só admira a demagogos,

de que o actual Bastonário da Ordem

dos Médicos Portugueses é o exemplar

paroquial mais visível no momento. A desfaçatez

com que se apresenta a perorar

contra os lares para pobres (capitalisticamente

de baixa rentabilidade) revela a

ignorância dos fundamentos da sua civilização,

como tantos outros inconscientes

que nos conduzem para o abismo sempre

com um ar abismado perante a realidade.

Os lares dos pobres não geram lucros, ou

geram poucos, logo são maus. Os bons

são caros e há poucos ricos para os rentabilizar

por empresas capitalistas. Não há

como sair desta situação sem mudança

de paradigma. O bastonário apenas diz o

óbvio: Que a culpa da pobreza reflectida

nos lares é do Estado e não do sistema

que gera uma maioria de pobres. Obrigado

pela ajuda!

Este bastonário é uma personagem

risível em si mesma, mas

é importante como sintoma do

mal que corrompe o interior do

corpo social e o leva ao esgotamento.

O seu alarido sobre o

Lar de Reguengos é o espanto

da virgem que se descobriu

grávida e atribui as causas à

tampa da sanita. Ele entende

que a tampa da sanita deve ser

denunciada e mandou elaborar

um relatório!

Esta civilização produzirá inevitavelmente

lixeiras de velhos,

como o Lar de Reguengos (ou

outros); produzirá profissionais

que procuram escapar a deveres

custosos e socialmente

pouco considerados (tratar de

velhos e, para mais, pobres,

não é atractivo numa sociedade

que endeusa a juventude e

as luzes da ribalta); produzirá

demagogos que aproveitam as

desgraças.

Esta civilização, o capitalismo,

está, simplesmente, a tratar os

mais vulneráveis à pandemia

como trata o lixo. Há quem discurse

de cima dele.

Os simba, um povo dito primitivo das florestas

do Congo, adoram uma divindade

que deu vida ao fogo, Njambi-Kalunga, e

os seus feiticeiros explicaram aos missionários

que os foram converter que este

Deus recebia sem reclamar o bom e o mau

que os homens lhes despejavam aos pés,

em vez de transformar os homens em lixo

e excremento.» Os simba lutaram e ainda

lutam contra a conversão ao capitalismo.

Talvez seja de lhes mandar missionários

como o presidente da Ordem dos Médicos

portugueses.

(*) Nasceu em 1946; escritor, ex-militar do Movimento

MFA, historiador.

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34

HUMOR

“Quem não sabe rir, não sabe viver”

Mistérios

matemáticos

O empréstimo para a

compra da bicicleta!

Eu tenho um vizinho que vende bicicletas.

Há dias ao passar à frente da montra dele

vi lá uma que me agradava, só que custava

50 contos, e eu não tinha dinheiro para a

comprar. Resolvi pedir dinheiro emprestado

aos meus pais. Para não ficar muito

“pesado” a nenhum dos dois, resolvi pedir

25 contos a cada um.

Lá fui eu todo contente com os 50 contos ter

com o meu vizinho para me vender o velocípede.

Só que como ele me conhecia muito

bem e sabia que eu era bom rapaz e que

não nadava em dinheiro, resolveu fazer-me

um desconto de 5 contos. Fiquei todo contente,

como é obvio... Mal sabia eu as dores

de cabeça que aquele desconto ainda me

ia causar!... Bem, mas não nos desviemos

do rumo da história. Depois de ter pago 45

contos pela bicicleta, ia de regresso a casa

com 5 contos no bolso quando encontrei

um amigo que não via há muito tempo, que

me pediu mil escudos emprestados. Como

tinha 5 contos no bolso, acedi ao pedido.

Fiquei então com 4 contos e resolvi começar

a pagar a dívida aos meus pais antes que

mais alguém me viesse pedir dinheiro. E tal

como fizera com o pedido de empréstimo,

resolvi dividir o mal pelas aldeias dando 2

contos ao meu Pai e 2 contos à minha mãe

ficando a dever portanto 23 contos a cada

um deles. Quando comecei a fazer contas

vi a asneirada que tinha feito, pois se estava

a dever 23 contos a cada um estava

a dever um total de 46 contos com os mil

escudos que o meu amigo me iria pagar,

teria 47 contos!... Tinha sido burlado em 3

mil escudos!!!!!

Resolvi voltar a fazer contas e começar tudo

do princípio: hmmmm, vejamos... Bicicleta

50 contos. 25 contos do pai + 25 contos

da mãe. Desconto de 5 contos. 5 contos

no bolso ... hmmm desta vez, emprestar 3

contos ao amigo 2 contos no bolso... Pagar

mil escudos ao Pai e mil escudos à mãe...

Fico portanto a dever 24 contos a cada um,

o que faz um total de 48 contos mais os 3

contos que emprestei ao meu amigo... 51

contos!...

MORAL DA HISTÓRIA: Se alguém te pedir

mil escudos emprestado, empresta-lhe

três! ;-)

Como ser enganado por

um empregado de mesa

Desta vez a história não se passou comigo,

mas com um amigo meu...

Ele foi jantar a um restaurante para festejar

qualquer coisa, nem sei bem o quê, mas

também não vem ao caso. O que eu sei

dizer é que eram três pessoas a jantar e

que a conta era de 30 contos. Dividiram a

despesa deram 10 contos cada. Quando o

empregado de mesa levou o dinheiro ao patrão,

este ao olhar para a conta reparou que

se tinha enganado em 5 contos e disse ao

empregado que fosse devolver o dinheiro.

Só que o empregado era um xico-esperto

resolveu pôr 2 contos ao bolso. - Até porque

assim as contas eram mais fáceis de fazer!-

Agarrou nos 3 contos que sobraram e deu

mil escudos a cada um dos convidados que

agradeceram a honestidade. Passado uns

tempos voltaram ao mesmo restaurante e

desta vez foram atendidos pelo patrão que

lhes pediu imensa desculpa pelo engano de

5 contos que tinha cometido da última vez

que lá estiveram. Só que não se lembravam

de nenhum engano de 5 contos, mas sim de

um de 3 contos e chamaram o empregado

à atenção.

Quando se sentaram os 5 à mesa chegaram

à conclusão que não tinha havido nenhum

engano de 5 contos, nem de 3 contos mas

sim de mil escudos!

Passo a explicar:

A conta era de 30 contos. Deram 10 contos

cada. O patrão dá 5 contos para devolver

aos clientes. O empregado mete 2 contos

ao bolso e dá mil escudos a cada um.

Logo cada cliente pagou 9 contos! (10-1 = 9)

Se cada um dos 3 clientes pagou 9 contos

(o que faz um total de 27 contos) e o empregado

pôs 2 contos ao bolso (total de

29 contos), onde raio é que páram os mil

escudos que faltam?

Baptista Soares

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Sabia que...

CURIOSIDADES

35

- O vidro demora um milhão

de anos para se decompor,

o quesignifica que nunca se

desgasta e pode ser reciclado

um númeroinfinito de vezes!

- O ouro é o único metal que

não enferruja, mesmo estando

enterrado no solo por milhares

de anos.

- A língua é o único músculo

do corpo que está ligado apenas

a uma extremidade.

- Se parar de ficar com

sede, precisa beber mais

água.Quando o corpo humano

está desidratado, o mecanismo

de sede é desligado.

- Zero é o único algarismo que

não pode ser representado

por algarismos romanos.

- Pipas foram utilizadas na

Guerra Civil Americana para

entregar cartas e jornais.

- Beber água depois de comer

reduz 61 por cento do ácido

na boca.

- O barulho que ouvimos

quando colocamos uma concha

junto ao nosso ouvido não

é o oceano, mas sim o som do

sangue a correr nas veias da

orelha.

- Nove em cada 10 seres vivos

vivem no oceano.

- A banana não se pode reproduzir

por si só. Ela só podeser

reproduzida pela mão do homem.

- Aeroportos em altitudes

mais elevadas requerem uma

pistamais longa, devido à menor

densidade do ar.

- O óleo de amendoim é usado

para cozinhar em submarinos,

porque não deita fumo

a menos que seja aquecido

acima de 232 C.

- A Universidade do Alaska

abrange quatro fusos horários.

- O dente é a única parte do

corpo humano que não se

pode curar ou regenerar.

- Na Grécia antiga, atirar

uma maçã a uma mulher era

umaproposta de casamento.

Pegá-la significava aceitar.

- As pessoas inteligentes têm

mais zinco e cobre no seu cabelo.

- A cauda de um cometa aponta

sempre para longe do sol.

- O vírus da gripe suína em

1976, foi um falhanço total.

Matou mais pessoas que a

própria doença, tendo por

acréscimo provocado outras

doenças graves.

-A cafeína aumenta o poder

da aspirina e outros analgésicos,é

por isso que é encontrada

em alguns medicamentos.

- Se estiver no fundo de um

poço ou debaixo de uma chaminé

alta e olhar para cima,

verá as estrelas, mesmo estando

no meio do dia.

- Nos tempos antigos estranhos

apertavam as mãos para

mostrar que estavam desarmados.

- Quando uma pessoa morre,

a audição é o último sentido a

desaparecer. O primeiro sentido

perdido é a visão.

A Lua afasta-se da Terra cerca

de dois centímetros por ano.

- A Terra fica 100 toneladas

mais pesada a cada dia devido

àqueda de poeira espacial.

- Devido à gravidade da Terra

é impossível montanhas seremmais

altas do que 15 mil

metros.

Feriados e Datas Comemorativas

05 SÁB Dia Mundial da Barba

21 SEG Dia Nacional da Guarda Fiscal

05 SÁB Dia Internacional do Abutre

22 TER Início do Outono

08 TER Dia Internacional da Literacia

22 TER Equinócio de Outono

08 TER Dia Mundial da Fisioterapia

22 TER Dia Europeu Sem Carros

09 QUA Dia da Grávida

24 QUI Dia Marítimo Mundial

10 QUI Dia Mundial da Prevenção do Suicídio

25 SEX Dia Mundial dos Rios

11 SEX Dia Nacional do Bombeiro Profissional

25 SEX Dia Mundial do Sonho

11 SEX Dia Nacional das Casas do Povo

26 SÁB Dia do Ex-Fumador

15 TER Dia Internacional da Democracia

26 SÁB Dia Europeu das Línguas

15 TER Dia Internacional do Ponto

26 SÁB Dia Internacional do Coelho

17 QUI Dia Internacional da Música Country

26 SÁB Dia Europeu sem Mortes na Estrada

18 SEX Dia Mundial da Monitorização da Água

27 DOM Dia Mundial do Turismo

19 SÁB Dia Internacional de Falar como um Pirata 28 SEG Dia Mundial da Raiva

19 SÁB Dia do Software Livre

28 SEG Dia Internacional do Direito ao Saber

19 SÁB Dia Internacional da Limpeza Costeira

28 SEG Dia de Confúcio

21 SEG Dia Internacional da Paz

29 TER Dia Mundial do Coração

21 SEG Dia Mundial da Doença de Alzheimer

30 QUA Dia Internacional da Tradução

21 SEG Dia Mundial da Gratidão

30 QUA Dia da Blasfémia

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Setembro de 2020


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LITERATURA

VCARMINDO

DE CARVALHO

Ghttps://www.fa-

cebook.com/carmindo.

carvalho

Leve e suave

Leve suave

E belo

Como o voo de um milhafre!

Assim foi o planar

Desta minha visita!

Chegou disse-me boa tarde e foi

à sua vida.

Quase assim foi o encanto

Do teu olhar

Planante cativante

E envolvente

Que em mim

Se colou

Criou raízes e em mim

Omnipresente ficou

Omnipotente frutificou.

( Quase assim, porque veio e em

mim

Quase tudo deixou

De mim

Quase nada levou! ...)

Em cada lugar, a cada instante

Passou o tempo

Que marcou o ritmo

Da vida.

O ritmo que decide

E a tudo obriga.

Impiedoso obrigou! ...

É tão bom constatar

Que na ausência

De um olhar

A palavra cumpre e leva

A mensagem a todo o lugar! ...

Agosto, 2020

“Na Asa do Vento”

De pensamento livre e crítico, Carmindo

Carvalho mantém uma relação

de respeito e de prazer com a

poesia e, sem peias nem grilhetas,

as suas palavras desassombradas

e insubmissas atravessam não só o

que é belo na natureza, mas também

o que é polémico e controverso

na vida. “Na Asa do Vento” é uma

produção poética de grande força

sugestiva, mas sobretudo, toca o

leitor pelo sentimento de inconformismo,

pela oposição à violência e

à arrogância, pela defesa da liberdade

e do incontornável direito à

indignação.

LINKS de acesso directo ao meu livro

para encomendar.

https://bit.ly/2FSF3pq

VEUCLIDES

CAVACO

Ghttps://www.face-

book.com/euclides.cavaco

MEALHADA

Popular é Mealhada

Nas terras do meu País

Onde o leitão à Bairrada

É um forte chamariz.

Produz também o bom vinho

E pra quem de longe venha

Pode provar seu pãozinho

Cozido em fornos de lenha.

Muito cedo se fundou

Com ocupação humana

Sabe-se que ali passou

A velha via romana.

Tem diversas freguesias

Das quais se sente orgulhos

Duas vilas de honrarias

A do Luso e Pampilhosa.

Do seu turismo profuso

Duas estâncias destaco

Famosas termas do Luso

E a Mata do Buçaco.

Pra típica refeição

Com bom vinho bem regada

E degustar bom leitão

Só mesmo na Mealhada!...

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PORTUGUÊS

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Sete dicas para evitar

erros ortográficos

MARCO NEVES (*)

Há quem esteja convencido que escrever

bem é só isto: não dar erros ortográficos.

Ah, se fosse assim tão fácil.

Mas, claro, é muito importante aprender a

evitá-los. Aliás, a minha profissão também

implica andar à caça desses bichos feios.

E, na verdade, um texto bem escrito com

erros ortográficos é como uma bela casa

com a tinta a cair. Ou alguém que se veste

bem mas não repara nas nódoas.

Sim, temos de limpar os textos antes de os

apresentar em público.

Aqui ficam sete dicas (há muitas outras,

mas estas foram as que me vieram à cabeça

neste fim de tarde):

1. A dica das dicas nisto da língua: ler

muito. Ler ainda mais. Ler com atenção.

A ortografia também se aprende

ao ler. Aliás, é a única forma de ganhar

boas bases nisto da escrita. Bem, há

outra: escrever. Escrever muito. Repetir

a dose durante muitos e bons

anos e nunca achar que já está.

2. Perceber que todos nós podemos

dar erros. Quem acreditar no contrário

está em risco de dar mais erros do

que daria se tomasse uma boa dose

de cautela. E tendo em conta as reacções

absurdas de algumas pessoas

perante os erros dos outros, há quem

ande por aí convencido que o mundo

se divide entre os que dão muitos erros

e quem não dá nenhum. Ah, mesmo

aqueles que dominam a ortografia

têm horas cansadas, dedos mais rápidos

do que o pensamento…

3. Rever os nossos textos. Sim, eu sei:

é óbvio. Mas se o escrevente tiver demasiada

confiança em si próprio não

revê coisa nenhuma. Confesso aqui,

porque estas dicas também são para

mim: neste blogue, já me aconteceu

carregar no botão «Publicar» sem

reler o texto. Arrependi-me, quase

sempre. Mais vale reler. Por isso, não

é demais repetir: depois de escrever,

convém ler. E o melhor é deixar

passar algum tempo. Se estivermos

a escrever no computador, também

é certo e sabido que há erros que só

nos vão aparecer no papel. Por fim,

sempre que possível, convém pedir

a um amigo de confiança para olhar

com atenção para os nossos textos.

Porque os nossos próprios erros têm

uma tendência enervante para serem

invisíveis aos nossos olhos.

4. Consultar obras de referência. A

ortografia é uma das áreas convencionais

da língua: há regras relativamente

claras e estas regras vêm

explicadas em prontuários e outras

obras de referência. É uma questão

de as ter ao pé da mão. Um outro truque:

mesmo quando não temos dúvidas,

é interessante folhear um livro

deste tipo e descobrir pormenores da

ortografia que não conhecemos.

5. Aprender quais são os nossos erros

habituais. Todos nós temos um

ou outro erro em que caímos com um

pouco mais frequência do que o habitual.

Será boa ideia procurar esse erro

nos nossos textos. Podemos criar

uma lista e tê-la ao pé do computador.

Mas, lá está, para isto resultar é

preciso não estar convencido que isto

dos erros é só com os outros.

6. Usar o corrector ortográfico do

Word. Outro conselho óbvio, eu sei.

Mas já vi tanto texto que merecia uma

boa varridela automática que vale a

pena sublinhar o óbvio: os correctores

ortográficos automáticos ajudam

a detectar alguns erros. E são fáceis

de usar! Querem uma dica um pouco

mais estranha? Ponham o computador

a ler o texto (é possível!). Alguns

dos erros que são quase invisíveis aos

nossos olhos são desmascarados

quando nos arranham os ouvidos. Um

exemplo? A falta de acento nos ii.

7. Ligar mais aos nossos erros do que

aos erros dos outros. Devemos corrigir

os erros dos outros? Sim, claro:

em privado e com delicadeza. Mas

viver obcecado com os erros dos

outros só nos deixa mais longe de

melhorar o nosso próprio português.

Por isso, toca a olhar com mais afinco

para os textos que nos saem das

mãos. Se somos exigentes e sarcásticos

com os erros dos outros, sejamos

ainda mais exigentes e sarcásticos

com os nossos erros.

Disse no início que os erros ortográficos

são um aspecto secundário da língua. Mas

a verdade é que se cumprirmos estas dicas,

aprendemos muito sobre aquilo que é

ainda mais importante: como escrever de

forma clara, como estruturar bem as frases,

como criar uma voz própria, como fazer

com a língua aquilo que queremos. No

fundo, quem dá muitos erros ortográficos

mostra que não lê muito, não revê os textos,

não quer saber disso. Assim, é normal

que os erros apareçam em maus textos.

Sim, é possível escrever bons textos com

muitos erros, mas é raro. A verdade é que

os nossos cérebros estão tão habituados

a fazer a associação entre ortografia

correcta e bom português que, por mais

qualidade que vejamos no tecido, ligamos

mais às nódoas.

E pronto: são estas as minhas dicas de

hoje para evitar erros ortográficos. Quem

tiver mais que se acuse…

(*) https://certaspalavras.pt

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HORÓSCOPO

Setembro

RV - JOANA ARAÚJO (*)

Carneiro

Questões educacionais, culturais, a comunicação

e a expressão da inteligência

são os factores evidenciados neste

mês. É um momento propício para você

se sentir afortunado pelas experiências

e conhecimentos que a vida lhe proporciona.

Receba de mente e coração abertos

esta energia expansiva, que promove

a percepção dos aprendizes mais

importantes para si.

Touro

Confie nos seus talentos, na habilidade

taurina de prosperar, com o uso sábio

e inteligente dos seus dons e habilidades.

Este é um mês em que poderá se

sentir abençoado em relação à expressão

e reconhecimento desses talentos,

como também em situações financeiras.

Acredite que você é capaz de traduzir na

matéria as belíssimas ideias que possui.

Gémeos

Este mês ocorrerá uma conjunção entre

Sol e Júpiter no seu signo, um indício

de favorecimento e confiança. O planeta

Júpiter vem transitando o seu signo

desde Junho do ano passado e nas

próximas semanas encerrará esse movimento,

representando tudo que você

aprendeu ao longo dos últimos meses.

Receba neste mês as bênçãos que Júpiter

simboliza e que vêm por meio da

sabedoria e da ampliação de horizontes

mentais e culturais.

Caranguejo

O Sol ingressará o seu signo no dia 20,

representando o início de uma nova jornada

ao signo Caranguejo. Porém, antes

disso, ocorrerá uma conjunção de Sol e

Júpiter no signo anterior ao seu, traduzindo

um momento que iniciou no ano

passado, de grande desenvolvimento

espiritual no signo Caranguejo, onde

você deve agradecer pelas experiências

que a vida lhe proporcionou. Mesmo nos

momentos de desafios e conflitos, o que

está em jogo é este aprendizado eterno

da escola da vida.

Leão

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Regente leonino, o Sol neste mês estará

numa belíssima posição junto ao planeta

Júpiter, o que é um indício de bem-aventurança

e de oportunidades de desenvolvimento,

que podem ocorrer especialmente

junto a amigos, empresas e

instituições e que são a sinalização de

um futuro promissor.

Virgem

A conjunção de Sol e Júpiter no sector

de carreira do signo Virgem aponta

para a necessidade de confiar mais nas

suas habilidades, na possibilidade de

progresso e de expansão de horizontes.

Para isso, deverá buscar novas fontes

de informação e conhecimento, e ter

a mentalidade aberta. É um momento

muito interessante para viagens e estudos

associados à dinâmica profissional.

Balança

Este é um mês muito especial para o

signo Balança e que pode se traduzir

em belos ensinamentos que vêm por

meio de viagens, de leituras e de reflexões

sobre os ideais e princípios que

verdadeiramente orientam a sua vida. É

um momento em que deve se abrir às

bênçãos e sinais do Universo e para isso

não basta apenas a mente racional, é

preciso confiar e agradecer.

Escorpião

Negociações benéficas e ampliação de

horizontes caracterizam o astral deste

mês, marcado por uma bela conjunção

entre Sol e Júpiter, o que é um indício

de favorecimento aos que se abrem às

mensagens do universo, aos que não

têm medo de praticar o desapego e

de mudar. Você poderá ser instigado a

importantes transformações, mas com

o diferencial de que agora tende a se

sentir mais confiante para realizar essas

mudanças.

Sagitário

Este mês representa a culminância do

que vem ocorrendo nos seus relacionamentos

desde Junho do ano passado. É

o que representa a conjunção entre Júpiter,

seu planeta regente, e o Sol, que

ocorre no sector de parcerias e relações

e que representa esta oportunidade que

a vida tem lhe dado de ampliar os seus

conceitos e mentalidade sobre os relacionamentos

e sobre os aprendizados

que você compartilha com as pessoas.

Abra-se a essas bênçãos.

Capricórnio

Este mês pode evidenciar oportunidades

profissionais que estão associadas

a viagens, cursos, concursos e conhecimentos

que fazem parte do seu

quotidiano de trabalho. É também um

momento muito importante para você

pensar sobre qualidade de vida e observar

como antigos exageros e excessos

podem estar se manifestando na saúde

agora. Mas é um momento muito oportuno

para ampliar os seus horizontes de

trabalho e as suas perspectivas no quotidiano.

Aquário

Questões afectivas, educacionais e

vocacionais estão evidenciadas neste

mês, em que temos uma conjunção favorável

de Sol e de Júpiter, que indica o

anseio do signo Aquário de se expressar

com mais naturalidade e espontaneidade.

Pode também representar um momento

de alegrias no amor e no contacto

com crianças. É um momento próspero,

abundante para os que abrem o coração

e a mente.

Peixes

A expansão na vida doméstica e familiar,

o sentimento de ser um cidadão do

mundo e uma atitude mais cosmopolita

e confiante, são as tendências astrológicas

deste mês ao signo Peixes. É um

momento mui to favorável para se abrir

aos ensinamentos que na verdade vem

se manifestando desde o ano passado,

mas que chegam agora a um ponto muito

importante. Favorecimento nas questões

que envolvem imóveis, lar e família.

(*) COORDENAÇÃO, RECOLHA E ADAPTAÇÃO


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Horário

Seg. a Sexta. — 08h00 às 20h00

Sábado — 08h00 às 19h00

Grande variedade

de carnes fresca,

todos os dias!

Meienbreitenstrasse 15 CH-8153 Rümlang

Tel: 044 945 02 20 | 044 945 02 21

Fax: 044 945 02 22

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ÚLTIMA

A MÁSCARA!

Texto de autor incerto, (há várias versões

apadrinhadas por vários “autores”) a

circular nas redes sociais, que nos

questiona sobre o uso da máscara

e faz-nos pensar.

“É preciso entender porque hoje, em Agosto de

2020, eu decido continuar a usar a máscara.

Sério, eu não entendo a revolta sobre a obrigação

de usar uma máscara de protecção...

Esta é a minha opinião:

- Você usa cinto no carro?

- De moto você usa capacete?

- De barco você usa colete salva-

-vidas?

- Nos restaurantes ainda fuma?

- Quando viaja de avião, não aperta

o cinto?

Tudo isso é obrigatório!

Mas só a máscara é que é “uma di-

tadura”?

Quando eu uso uma máscara em

público e nas lojas, eu quero que

você saiba que:

— Eu sou educado o suficiente para

saber que eu posso ser assintomá-

tico e passar o vírus.

— Não, eu não vivo com medo do

vírus; só quero fazer parte da solução

e não do problema.

— Não me sinto como se o “ governo

me estivesse “a controlar”. Sinto-me

como um adulto que contribui para

a segurança da nossa sociedade e

quero ensinar da mesma forma aos

outros.

— Se todos pudéssemos viver com

um pouco mais de atenção aos ou-

tros, o mundo seria um lugar melhor.

— Usar uma máscara não me torna

fraco, assustado, parvo ou “controla-

do”. Isso torna-me atencioso com a

situação, mas também responsável

e preocupado com os outros!

Quando você pensa na sua aparên-

cia, no seu desconforto ou na opinião

que os outros têm de você, imagine

que há um vizinho - filho, pai, mãe,

avô, tia, tio ou um amigo - que está

ligado ao ventilador, entubado... a

morrer completamente sozinho, sem

que nenhum membro da família se

aproxime da cama.

Não lhe ocorre que você, poderia

tê-los ajudado, se tivesse usado uma

“máscara”?”

Se eu estivesse infectado a espirrar

e/ou tossir, junto a si, você preferia

que eu usasse a máscara, ou não?

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