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ERNIE PIKE - preview

Duas HQs completas e todas as informações sobre ERNIE PIKE, de Oesterheld e Pratt, nova publicação da Figura.

Duas HQs completas e todas as informações sobre ERNIE PIKE, de Oesterheld e Pratt, nova publicação da Figura.

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Ernie Pike, clássico absoluto da parceria entre Héctor

Oesterheld e Hugo Pratt, é considerado um dos melhores

quadrinhos de guerra já realizados. A Figura Editora irá

lançar a obra inédita no Brasil, em uma edição de 364

páginas, com as HQs em preto e branco, e muito material

extra em cores. É o maior livro publicado pela editora

até aqui, e conterá todas as histórias da série que foram

produzidas pela dupla, num total de 34 episódios.

Experiente repórter de guerra, Pike está atrás das

pequenas histórias por trás dos grandes conflitos da

história humana. Seja nos campos de batalha da Segunda

Guerra Mundial, da Guerra da Coreia ou da Guerra

do Vietnã, o jornalista dá voz aos dramas dos soldados

rasos e da gente comum, e traz uma visão humanista,

sem maniqueísmo, que revela que o valor humano não

escolhe lado: o único mal verdadeiro é a própria guerra.

Ernie Pike foi publicada originalmente na Argentina a

partir de 1957, naquela que hoje é considerada uma das

melhores revistas de HQ já produzidas no país: a Hora

Cero, editada pelo próprio Oesterheld, que então estava

em seu mais prolífico período criativo.

Para desenhar a série, o italiano Hugo Pratt – autor que,

anos mais tarde, ganhou prestígio mundial com Corto

Maltese – lançou mão de uma maleta que continha uma

coleção com mais de 500

fotos com soldados de

todas as partes do mundo.

Muitas dessas fotos eram

do próprio Pratt, que

viveu muitas façanhas

durante a Segunda Guerra

Mundial.

Apesar de o protagonista

da série ter ganhado

as feições de Héctor

Oesterheld, o personagem

está inspirado no

Ernie Pyle, o jornalista que inspirou a criação

de Héctor Oesterheld

jornalista Ernie Pyle, o mais famoso repórter de guerra

norte-americano na Segunda Guerra Mundial. Pyle

se destacou porque colocou os pequenos personagens

da guerra à frente de suas matérias jornalísticas,

humanizando os relatos vindos das frentes de combate.

Suas reportagens lhe renderam o aclamado Prêmio

Pulitzer de jornalismo.

A Figura Editora convida você a participar desta prévenda,

na qual você vai colaborar ativamente para trazer

uma das primeiras séries de quadrinhos adultos do

mundo. Entre no front com Ernie Pike e assine seu nome

como colaborador de mais esta edição histórica.

Capa da revista Hora

Cero mensual nº 1, de

1957, em que estreou a

série Ernie Pyke.


FRANCO-ATIRADORES

ROTEIRO: H. G. OESTERHELD

ARTE: HUGO PRATT

nesse dia tinha

visto matarem

friamente um

homem, um

soldado…

isso me levou a escrever. quis desafogar

de tanta morte, de tanta…

sei que nem a life nem A time comprarão

este relato.

nem qualquer

outra publicação

que se respeite.

talvez seja um relato amargo.

mas acho que há nele

heroísmo

do bom…

um relato com esse toque de

cinza e crueza que as coisas da

realidade têm. um relato

sem bons nem maus…

mas com um vilão, um supervilão,

o mais odiado de todos:

a guerra! mas vamos

começar de

uma vez…

janeiro, 1944

pagliano – itália

um batalhão das tropas do general

clark consolida as posições no monte

214, recém-tomadas dos alemães.


a conquista tinha sido dura: a carga de baionetas

havia custado muitas baixas.

mas os alemães sabiam o que faziam

quando se retiraram. a nova posição

ianque ficou sob o fogo de seus

morteiros…

o que a

nossa

artilharia

faz? por

que não

calam esses

morteiros?

não sabem de onde

disparam… só nos

resta cavar.

mexa-se, maleta!

o fogo dos morteiros… … continuou implacavelmente exato… se pudéssemos averiguar onde

diabos está essa porra

de artilharia…

deve estar em

algum desses

barrancos…

concordo. mas

poderíamos bombardear

por um ano esses

cerros antes de

acertá-los…

vamos evacuar a

posição, tenente. rápido!

que o pessoal saia um

por um da trincheira e se

esconda naquele barranco.


aquela tropa era

veterana, mas não

desgastada. ágeis,

eficientes, os infantes

cumpriram a ordem.

enfim vai dar

pra fumar com

calma…

prefiro uma

boa sesta.

estamos

pior que

antes!

mas em algum lugar dos cerros, um olheiro

percebeu a mudança de posição e passou a

informação aos do morteiro.

vamos! até o

fundo do

barranco!

mas de pouca coisa serviu o novo

movimento.

agora

compreendo por que

cederam a trincheira…

estamos numa

verdadeira

arapuca!

se pudéssemos localizar

o olheiro que

orienta

o tiro…

talvez eu possa

localizá-lo, senhor.

você? de

onde saiu?


sou um partisan,

senhor… conheço

muito bem

a zona.

bom, até a ajuda

do diabo nos

viria

bem.

onde você ficaria

se quisesse nos

observar?

qualquer um desses montes serviria

para observação. a gente teria de ir

até aquela lomba para examinar os

cerros e saber em que ponto está o

olheiro.

há vários

lugares no alto

desses cerros.

teria de ir sem

ser visto…

claro que se o olheiro

descobrir a manobra, vai

atrair o fogo dos

morteiros sobre os

que forem.

você se animaria

a ir?

sim, senhor. eu

posso acabar

com o olheiro.

estes civis não são de confiança,

capitão. vai ver se assusta antes

de chegar. por que não mandamos

o sargento damon?

ele se perderá entre os barrancos

e levará muitas horas pra

chegar. eu posso chegar

em vinte minutos.

está bem. irão os dois,

você e o sargento.

chame ele,

sargento.

pouco depois, o sargento damon

se perfilava diante do capitão.

este partisan vai

indicar a você onde

está o olheiro…

suponho que não

tenha perdido a

pontaria,

sargento… claro

que não. tem

de fazer mais

alguma

coisa?


também tem que descobrir a

localização dos morteiros. e castigálos

um pouco, mas não

tanto que ponha sua

volta em perigo.

não se preocupe, capitão.

voltaremos logo.

saíram do barranco quase a trote,

para a sua própria retaguarda. a

ideia era se distanciar para dar uma

volta ampla e driblar a vigilância

do olheiro.

depois de vários minutos de corrida,

deram uma parada para descansar.

aqui podemos

falar sem que

nos ouçam.

você propôs

este trabalho

pro capitão.

sim, eu.

e disse que eu

acompanhasse

você?

não, não sabia que

estava na brigada.

foi o tenente que

indicou você.

é possível… a sujeira sempre

sobra pra mim. mas já que

estamos aqui, que acha se acertamos

logo o

caso da

anna?

e acertamos

como?

me contaram que,

quando tive que sair

de carma, você disse

que era uma pena, que

gostaria de me dar

uma surra…

por que não

começa agora,

pietro?

não é hora

pra isso,

damon.

não esqueça que

temos coisa mais importante

a fazer. vamos!


já sabia que

você era um

cagão.

o insulto chegou com

clareza aos ouvidos de

pietro. mas ele seguiu

em frente.

com passo ágil, de animal selvagem, o guerrilheiro

avançou rapidamente, aproveitando os riachos

secos, os barrancos e todas as irregularidades

do terreno, que poderiam mantê-los

ocultos do invisível e impiedoso

olheiro.

o sargento damon

já estava no fim

de suas forças

quando pietro se

deteve.

chegamos. podemos vê-lo

de cima

da rocha.

já era

tempo…

acabou com meu fôlego…

mas antes de continuar,

acertamos

o caso da

anna?

naquele momento, o sargento odiava o guerrilheiro

com muito mais intensidade do que

quando, lá em carma, aquela garota de olhos

como precipícios enlouquecia aos dois com

suas indecisões. odiava-o por sua calma, por

aquele jeito de se safar disso.

e aí,

acertamos?

os morteiros continuam

disparando,

sargento.

se não liquidarmos

logo o olheiro, não

vamos encontrar

ninguém vivo

quando

voltarmos.

era verdade. as

granadas seguiam

caindo sobre

o barranco no

mesmo ritmo.

nem todas acertavam

o alvo, claro,

e os homens

haviam conseguido

se enterrar

como se deve,

mas aquilo era

inevitável: as baixas

continuavam.

tenha cuidado, pietro…

que podem

nos ver…

eu sei o que é ter

cuidado. acha que se não

soubesse estaria vivo?

nós, não vocês, fizemos

os alemães correrem

de carma.


pela primeira vez,

houve uma aresta

afiada, dura, na

voz de pietro.

talvez, pensou

damon, não seja

tão frouxo como

parecia por sua

pouca vontade

de lutar.

a gente aprende muito

na guerrilha, sargento

damon… por sinal, você

saberia como

voltar ao

barranco?

claro que sim! por que acha

que o tenente me escolheu?

mentia porque (ele sabia, mas nunca

poderia admitir) dificilmente encontraria

o caminho de volta, apesar de toda

sua capacidade de scout.

todos estes

“dagos” são

iguais. preciso

tomar cuidado…

ele não se

atreve a lutar

cara a cara,

mas é capaz

de qualquer

traição.

daqui se domina o topo

dos cerros. temos de

achá-lo agora.

cuidado pra que os

vidros não reflitam

o sol…

acha que é a

primeira vez que

dou uma de

franco-atirador?

está ali! perto

dos restos do

aeroplano…

sim, ali estava o olheiro que, com tanta

exatidão, orientava o fogo dos morteiros

sobre a brigada norte-americana.

a bateria de morteiros

não pode estar longe. está

ali!

desta vez foi

damon que fez

a descoberta.

três peças leves, manejadas por homens

que se moviam com a precisão de

engrenagens.


o olheiro está a

400 metros da gente.

os morteiros, a 700.

o olheiro oferece

um belo alvo.

os outros…

um ruído leve

o fez se virar.

mas…

não se

assuste…

acho melhor não

atirar no olheiro.

eu me aproximo e o

mato por trás.

depois poderemos acertar pelo

menos dois artilheiros. em troca,

se fizermos barulho ao matar o

olheiro, os artilheiros vão

se esconder.

essa não… o olheiro

não parece nenhum

panaca. vai ouvir você

chegar. e talvez

a gente não possa

acertar nem ele…

o sargento damon calou o

verdadeiro motivo para a

negativa: preferia não perder

de vista aquele guerrilheiro

de movimentos suaves e

olhos indecifráveis. talvez

aquela faca havia sido afiada

pensando nele, não no inimigo…

garanto, damon, que não

vou fazer barulho…

pare,

pietro!

não confio em você… como

vou saber que não pensa em

atrair a atenção dos outros

contra mim?

o guerrilheiro

não respondeu.

vai ficar

aqui, onde

posso ver

você…

antes de sair de

carma, prometi a

anna que cuidaria

de você.

sempre cumpro o que

prometo, damon.


não me engana, pietro… você

é como todos os “dagos”…

rápido com a

faca nada

mais…

olha, vou ficar com a

pistola bem à mão o

tempo todo, e tenho

um senhor

ouvido.

aconselho você

a não se mexer…

os

morteiros

continuam

atirando…

o sargento damon se concentrou

na tarefa que tinha pela

frente.

primeiro acabo com

o olheiro, depois

vejo se…

mas…

teve uma necessidade e procurou

um lugar protegido

do vento. vai

ver só…

o olheiro sumiu!

aonde terá se metido?

olhou de novo para se certificar.

e pietro?

ele se foi!

puxa, me descuidei… piores

que cobras esses

“dagos”!

o que faço agora?

como atirar,

sabendo que

anda por aí?


o silêncio com que

o guerrilheiro havia

desaparecido não podia

ser mais preocupante:

podia voltar com o mesmo

silêncio. pensou na faca…

mas sacudiu a cabeça.

que vá pro diabo! não vá ter medo de

uma cobra… faça de uma vez o que lhe

mandaram, damon, e fica livre pra

se cuidar.

uma última olhada receosa ao redor.

estava tudo tranquilo, apenas os

arbustos se mexiam ao vento. havia

zumbido de insetos.

apontou de novo.

apertou suavemente

o gatilho.

chegou

ao “descanso”…

concentrou-se na mira telescópica.

ajustou a alça para a distância.

dali de perto, à esquerda, chegou o som de um

disparo.

ele se antecipou!

pietro…

o que fez,

pietro?

… mas não continuou apertando.

prometi a anna que cuidaria de você,

damon. volte agora. eu vou continuar

atirando nos morteiros.

não pode fazer isso!

sou eu que tenho de

atirar, não você.

agora compreendia.

atirando de um lugar

afastado, o guerrilheiro

atrairia sobre si as

granadas dos morteiros…


antes de sair de carma, anna me

confessou que você era o vencedor…

que ama você… que se casará

com você.

como uma ponta de aço, as

palavras do guerrilheiro

penetraram no sargento

damon. porque ele não amava

anna, era só um passatempo. se

a tinha disputado com pietro

era só para prevalecer sobre

um “dago”. reagiu na hora.

quem volta é você, pietro! eu não

sei o caminho… e nem penso em me

casar com

ela!

você vai voltar e

se casar com ela,

damon. não me

engana…

quase sem mirar, o guerrilheiro começou a

atirar. pouco podia fazer, sem mira

telescópica…

tô dizendo que

não a amo. e

pare de atirar!

esquecido de tudo, começou a atirar…

percebeu pelo telescópio

o susto dos

alemães…

volte,

pietro!

o tiro do outro fuzil

foi a resposta.

continuou atirando, depressa, mas mirando bem. não

perdeu um tiro. até que a agulha do disparador bateu

no vazio.


vai voltar, damon…?

a resposta dos morteiros não podia demorar.

uma hora depois,

uma patrulha de

reconhecimento

informava o

tenente alemão

que comandava

os morteiros.

schultz, schultz, was ist

denn los, anworte.

schultz, o olheiro

está morto. no alto,

encontramos dois

franco-atiradores, um

partisan e um sargento.

mortos?

sim, meu

tenente.

o que nunca vou entender é

por que insistiram tanto… não iam

pensar em acabar com toda a

bateria sem que

respondêssemos!

pouco mais tarde, a pressão

aliada em outro setor obrigou a

apressada retirada dos alemães. a

brigada recebeu ordens de avançar.

a urgência foi tanta que ninguém

se lembrou…

… de sepultar os franco-atiradores.

ali ficaram, separados por uns

metros de rochas e arbustos,

mas despenteados pelo mesmo

vento norte que descia dos

cerros distantes…


ROTEIRO: H. G. OESTERHELD

ARTE: HUGO PRATT

O que há com Raki, sargento? Por que

está tão fechado? Por acaso não

acabam de condecorá-lo?

Vou lhe explicar o

que há com Raki... Sei

que com você posso

falar... Foi durante

a luta nas matas de

Merles...

Vamos! Ao ataque!

“Nosso batalhão se lançou a um ataque

prematuro: o inimigo nos castigava com

sua artilharia.”

Não ouviu a ordem, Raki?

Tem que atacar!

“Raki estava

atordoado

pela explosão,

muito perto, de

um obus...”

Vamos! Pra fora

deste barranco!

Temos que atacar!

“O sargento Verger

estava fora de si...”


“Raki se juntou aos outros e atacou...”

“O ataque avançou muito mata adentro...” “...mas o fogo da artilharia inimiga foi

pesado demais. Tivemos de nos retirar...”

“...sem nem mesmo

ter visto um

soldado inimigo.

Tivemos de recuar

bem ao sul de

nossas posições

anteriores.

Foi uma surra

completa...”

Sorte que não contra-atacaram... Teriam

varrido a gente... É preciso vigiar muito

de noite. Pode ser... Mas...

AHHHH!!

É o sargento Verger! Vi que o feriram...

Mas não sabia que tinha

ficado lá!

Não podemos deixá-lo morrer...

Agora mesmo uma patrulha vai

buscá-lo... Quem me

acompanha?

Eu vou, sargento...

E eu...

E você, Raki?

AHHHH!!

Não,

Raki está

cansado.

“Saí com meia dúzia de homens...”


“Mas algum olheiro inimigo nos

vigiava de perto. Atraiu uma barreira

de morteiros, e só eu e outro

pudemos voltar...”

impossível ajudá-lo...

não se pode passar...

Raki passará,

sargento...

Acha que pode

trazê-lo sozinho?

Sim, sargento.

Raki passa por

onde ninguém

passa.

“Era verdade. A maioria de nós vem

da costa do Senegal e esqueceu

a ciência da selva... Raki vem do

interior, da terra dos imkos, uma

das tribos mais selvagens... A gente

nem se deu conta, quando deixou a

posição e se meteu na

terra de ninguém...”

“Foi uma sombra entre as

sombras. Nem o mais

alerta dos alemães podia

descobri-lo. Chegou até o

coração da mata.”

AHHHH!!

Está ali...

AHHHH!!

“Seu instinto, mais que o ouvido,

lhe avisou que outros também

vinham em busca do ferido...”

Raki não pode

fazer barulho...

“Mas Raki não se precipitou

em sua ajuda...”

Raki vai tirar você daqui,

sargento... Não se preocupe Mais...

“Foi como

um leopardo

entre

antílopes

surpresos.

Não tiveram

nem tempo de

disparar...”

Nunca imaginei...


...que justamente você

viesse me buscar...

Raki levará você.

“Raki tratou de voltar. Mas

avançar sozinho pela mata não

é a mesma coisa que com uma

carga... Raki fez barulho...”

Grieben avisa...

Alguém anda em N8...

Já ouvem ele...

Apontar N8...

FOGO!

Vamos, temos de

sair daqui o quanto

antes...

Vá, Raki... Eu

estou muito

ferido, não vou

sobreviver...

Raki tem que levar você,

sargento! Raki não vai

abandonar você nunca!

“Tiveram sorte. Conseguiram driblar as granadas e

continuaram fugindo...”

O que foi,

sargento?

Pare, Raki...

Pare...

Estou mal... e tenho febre... Mas por

aqui... não dá, Raki... A nova... posição...

fica... pra lá...

Raki não pode se perder,

sargento... Não se

preocupe... Estamos indo bem.

Mas... é

que...


Não dá mais, Raki!

Sinto que estou

morrendo...

Falta pouco,

sargento...

Logo a gente

chega.

“Raki deixou de lado toda precaução...

e correu...”

Atenção,

barulho em L22...

Apontar L22...

“Sim, faltava pouco... Mais uns metros... E

por fim chegaram. Chegaram aonde Raki

queria chegar: ao Barranco do

Cavalo Morto...”

Se dá conta de onde estamos, sargento? Lembra do começo do

ataque? Lembra do Barranco do Cavalo Morto? Aqui você deu

uma bofetada em Raki... Na terra dos imkos, as ofensas são

pagas com sangue, no lugar da ofensa...

Por isso Raki trouxe você até aqui.

Não pra

salvar você,

sargento... Pelo

contrário.

“O aço brilhou, mas os olhos do

sargento continuaram olhando

para nada. Raki não havia andado

suficientemente rápido. Tinham lhe

passado a perna.”

A morte chegou antes de Raki!!

A ofensa segue sem castigo!

O que será de você, Raki?

“Nessa mesma noite se retomou

o ataque aliado. Dessa vez

com sucesso total. Raki foi

encontrado nO BARRANCO ao

lado do sargento...”

“... O coronel já sabia que Raki havia tentado

salvar Verger, e desde o primeiro instante Raki

foi considerado um herói... Havia se perdido ao

procurar nossa linha...”


“...mas isso não

importava. Pensando

bem, também não tinha

muita importância

que Verger houvesse

morrido antes de

chegar. O importante

era a façanha, o

feito exemplar do

soldado resgatando o

sargento...”

Foi condecorado e

promovido a cabo... Mas ele

sabe que foi desonrado: não

pôde lavar a ofensa com a

morte do ofensor.

O que será

dele agora?

É fácil prever. No próximo ataque vai se deixar

matar. Um guerreiro imko não pode sobreviver

à desonra.

Entendo.


EDIÇÃO

364 PÁGINAS

sendo 348 páginas em P e B, mais 16 páginas coloridas

de extras, com as capas das revistas Hora Cero

ilustradas por Hugo Pratt e texto de Juan Sasturain (Perramus).

FORMATO 21,5 X 28 cm

CAPA DURA / PAPEL SUPER PÓLEN 90 g.

VALORES

Nas livrarias o livro custará em torno de R$ 130

(Na Europa, a edição similar custa 50 €, mais de R$ 300)

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figuraeditora@gmail.com

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Héctor Oesterheld nasceu em Buenos

Aires, Argentina, em 23 de julho de 1919. Geólogo de

profissão, enveredou pela literatura desde a juventude.

Seu primeiro conto foi publicado no jornal La Prensa,

em 1943. Nos anos seguintes, foi um constante

colaborador da Editora Abril argentina, pela qual

publicou muitos contos infantis na revista Gatito e

relatos de ficção-científica em Más Allá, até começar a

criar roteiros de quadrinhos.

Em 1951, publicou sua primeira HQ, Ray Kitt,

junto com Hugo Pratt, que marcou o início dessa

mítica dupla, que logo apresentaria Sargento Kirk,

o inovador faroeste lançado em Misterix, em 1952.

Nesse mesmo ano, apareceu Bull Rocket, um de

seus personagens mais populares, desenhado por

nomes como Campani e Solano López, que marcou a

primeira etapa de sua vida como roteirista.

Em 1957, em companhia de seu irmão, fundou

a editora Frontera, em que se destacaram as revistas

Frontera e Hora Cero. Nestes títulos, apareceram

numerosas e importantes obras, como Randall,

The Killer, com desenhos de

Arturo del Castillo; Ernie Pike

e Ticonderoga, com Hugo Pratt;

e a saga de ficção-científica O

Eternauta, parceria com Solano

López, que se tornou a obra mais

célebre da dupla e um clássico da

HQ mundial.

A obra de Oesterheld é

extensa, e nela sempre esteve

presente o espírito humanista

e combativo do autor. Em

finais da década de 1960, seu

posicionamento político começou a ser cada vez mais

presente em suas criações. Em parceria com Alberto

Breccia, fez as biografias em quadrinhos de Che

Guevara e Evita Perón, em 1968, e uma segunda versão

de O Eternauta, com mudanças no roteiro que deram

um forte tom político à obra.

Seu ativismo se converteu em militância quando

passou a fazer parte do movimento guerrilheiro

Montoneros, ao qual aderiu junto e por influência

de suas quatro filhas, todas na faixa dos 20 anos de

idade. Durante o golpe militar na Argentina, em 1976,

Oesterheld passou à clandestinidade, e em 1977 foi

sequestrado pelas Forças Armadas da ditadura. Suas

filhas tiveram o mesmo destino, junto a três de seus

genros. Estima-se que o autor foi assassinado pelos

militares em 1978, aos 59 anos. Seu corpo nunca foi

encontrado. Da família Oesterheld, ficaram apenas sua

esposa Elsa e dois netos.

Héctor Oesterheld é considerado um dos

melhores escritores que os quadrinhos já tiveram, e sua

obra é constantemente reeditada em vários países.

Hugo Pratt nasceu em 15 de junho de

1927, em Rimini, na Itália, mas viveu toda a sua

infância em Veneza, em um ambiente familiar

cosmopolita.

Aos 13 anos, seu pai foi transferido para a

colônia italiana da Abissínia, na África, experiência

que marcou profundamente a vida de Pratt, que

teve a oportunidade de misturar-se ao povo local,

vivendo grandes aventuras em meio ao contexto da

Segunda Guerra Mundial.

De volta a Itália, em 1945, já apaixonado

por quadrinhos, Pratt passou a integrar o grupo

conhecido como “os cinco de Veneza”, que lançou

Asso di Picche, primeira experiência de Hugo como

profissional. Graça à revista, o grupo foi convidado

a morar na Argentina, para trabalhar na Editora

Abril. Pratt viveu em Buenos Aires por 13 anos, e

consolidou sua carreira com a parceria com Héctor

Oesterheld, produzindo obras como Sargento Kirk,

e pela editora Frontera, de Oesterheld, lançou

Ernie Pike e Ticonderoga. Em paralelo à produção

de HQs, Hugo Pratt deu aulas na

Escuela Panamericana de Artes,

ao lado de Breccia, Salinas e

outros.

No início dos anos 1960,

Pratt foi morar na Inglaterra,

onde fez histórias de guerra

para a editora Fleetway. Pouco

depois, voltou a viver na Itália,

e realizou a adaptação de A Ilha

do Tesouro, de Stevenson, para

a revista Il Corrieire dei Piccoli.

Em 1967, como editor da revista

Sgt. Kirk, ele apresentou A Balada do Mar Salgado,

na qual apareceu pela primeira vez o marinheiro

Corto Maltese. A história, assim como o

personagem, só saíram internacionalmente a partir

da França, anos mais tarde, quando publicados

na revista Pif, em 1970. O sucesso da série Corto

Maltese fez de Hugo Pratt um dos autores mais

famosos da HQ mundial. A série completa chegou

a 29 livros publicados mundialmente. Corto

também virou série de animação e documentários,

e atualmente está em produção um filme live action

do personagem.

A obra de Pratt nos quadrinhos é muito vasta.

Entre outros títulos dele que se destacam, estão

Wheeling, Os Escorpiões do Deserto, Jesuita Joe e dois

livros em parceria com Milo Manara: Verão Índio e

O Gaúcho.

Desde 1984, Hugo Pratt viveu em Grandvaux,

na Suíça, onde veio a falecer em 1995, aos 67 anos.

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