REVOLTA DAS LETRAS

regina.claudia.gois

Texto: Renildo Franco

Ilustrações: Sérgio Melo

A revolta das letras

Fortaleza - Ceará -2012


Copyright © 2012 Renildo Franco

Ilustrador: Sérgio Melo

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Kelsen Bravos

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Revisão de Prova

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Kelsen Bravos

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Conselho Editorial

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Marta Maria Braide Lima

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Catalogação e Normalização

Gabriela Alves Gomes

Maria do Carmo Andrade

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Ceará. Secretaria da Educação.

A revolta das letras/ Renildo Franco; ilustrações de Sérgio Melo. – Fortaleza: SEDUC,

2012. (Coleção PAIC Prosa Poesia)

24p.; il.

ISBN: 978-85-8171-040-2

1.Literatura infanto-juvenil. I. Título.

CDD 028.5

CDU 37+028.1(813.1)

A todos aqueles que direta ou indiretamente permeiam minha

inspiração e acreditam, junto comigo, que a leitura pode sim,

tornar o mundo um ambiente cada vez melhor.



Certo dia, todas as letras decidiram

fazer uma grande revolta. Não

queriam mais ser lidas, pois estavam

cansadas de sempre formar as mesmas

palavras.

— Eu não quero mais saber de

BOLA! – disse a letra B BEM BRAVA!

— Estou cansada de só estar em

CASA! – falou a letra C toda CALMA e

CONCENTRADA.

— Jamais voltarei a ver a ZEBRA!

– disse o Z ZANGADO com seu forte

ZUNIDO!

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Foram uma por uma, pulando das páginas

do pequeno livro e sumindo, sumindo,

sumindo.

A letra A virou AVIÃO e fugiu entre as

nuvens do céu.

A letra B virou BALÃO e levou o C de

CARROCEL.

A letra D virou um DEDO e pegou carona no

PÉ que, por correr tão rápido terminou fedendo

a chulé.

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A letra E virou ESCADA e desceu do livro sem

ninguém perceber.

A letra F de FACA cortou uma página inteira e

levou as letras G e H para quem as quisesse ver.

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Era tão triste ver as letras fugindo

do pequeno livro, deixando as páginas

em branco.

A letra J JAMAIS sonhou que

poderia partir dali sozinha.

Mas a letra L, pela primeira vez,

gritou de verdade:

— LIBERDADE!!!

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A letra M MONTOU no N e

NAVEGARAM pelas folhas em

branco, enquanto a letra O, fedendo

a OVO caiu no chão e quebrou-se

de nOVO.

A letra R saiu RINDO, sentada

no rabo em S da SERPENTE.

E o T escapou pelo buraco de

TATU ali em frente.

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A letra V VAIAVA todos depois de sair

VOANDO.

E o X, dentro da XÍCARA, ia logo se afastando,

deixando o Z de ZEBRA suas listras apagando.

Sem falar do K, do W e do Y que deram as

mãos e saíram dançando.

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Foi, então, que um menino, vendo aquela

fuga, disse bem afobado:

— Sem letras nos livros não se pode mais

formar palavras, palavrinhas ou palavrões

(ops!). Como será para contar histórias?

Voltem logo, pois sem vocês não se tem mais

ERA UMA VEZ!

As letras, numa correria, foram logo

respondendo:

— Só voltaremos se nos derem novas

palavras para formar. E tem que ser agora

UMA, DUAS, MEIA e já!

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O menino teve uma ideia, uma ideia genial.

Pegou tesoura e cola e o livro, depois disse às

letras uma frase sensacional:

— Voltem, vou colar todas vocês no livro

novamente e formar palavras como fala a

minha gente! São palavras novas. Quase

ninguém conhece, mas depois de aprender

“vixe Maria” a gente nunca mais esquece!

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E o menino foi colando as

letrinhas uma a uma. Todas iam

sorridentes. Davam as mãos

umas as outras, formando novas

palavras lado a lado, boca a

boca.

A letra A virou ATA, uma

fruta bem docinha.

A letra B virou BOLACHA, que

é feita com FARINHA.

A letra C virou COCADA

com COCO e RAPADURA e o D,

além de DEDO, virou DENGO e

DOÇURA.

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O M virou MANDIOCA plantada lá no roçado,

o Z, abestalhado, nunca mais ficou ZANGADO.

O F virou FOGUEIRA nos dias de São João.

O P virou PÉ DE MOLEQUE, mas sem chulé

no dedão.

Assim a tal revolta foi aos poucos desmanchada.

Cearino, muito esperto, resolveu essa parada, para a

magia da leitura nunca mais ser acabada.

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Renildo Franco

Eu nasci em Aracati-CE. Ainda vivo nessa

cidade maravilhosa, cheia de praias, muita

criatividade e arte. Sou ator, professor, diretor

cênico e artista plástico. De vez em quando

arrisco cantar, assim como fez Rosa Rosamélia

no outro livro que escrevi: “A Canção de

Rosamélia” também publicado pelo Projeto

PAIC – Prosa e Poesia, na edição de 2010. A

história “Revolta das Letras” surgiu assim: certa

noite as letrinhas invadiram minha cabeça

como se fossem formigas. Elas gritavam,

sorriam, cantavam, dançavam e piruetavam.

Eu acabei tendo de escrevê-las rapidamente em

pequenas folhas de papel. Essas letrinhas fazem

parte deste livrinho. Um delicioso passeio pela

leitura prazerosa. Ler, para mim, deve ser como

uma aventura!

Contato: francobellarte@hotmail.com

Sérgio Melo

Entre letras e sonhos, sobra o mundo da

imaginação, e nele reside toda uma sorte

de mundos. A princípio, impossíveis, mas

perfeitamente existentes junto as ideias de

pessoas que vão além. Esse também é o mundo

da arte, que dá conta do que a vida não pode

oferecer. Desse mundo veio esse texto e os

desenhos também. Sou Sérgio Melo, designer e

ilustrador, e desenhei este livro e tantos outros

vindos de lá pra cá. Que tal fazer um exercício

de ir buscar alguma coisa desse mundo?

Garanto que vai gostar! Me manda por e-mail

o que conseguiu semelo@gmail.com

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