Revista Analytica Edição 108

newslab.analytica

Revista Analytica Edição 108 - Agosto / Setembro 2020

EXTRAÇÃO DE DNA/RNA

MAIS RÁPIDA E PURA

O Kit de Extração Mini Spin Vírus DNA/RNA 2.0 foi desenvolvido

para purificação rápida e eficiente de DNA / RNA viral a partir de

amostras de soro, plasma e fluídos biológicos livres de células.

Ideal para a rápida preparação de ácido nucléico com alto grau

de pureza.

Obtenção de ácidos nucleicos de

alta qualidade em minutos!

PRODUTO PARA COMBATE A

COVID-19

Todos os componentes do kit podem ser

armazenados em temperatura ambiente

(18-25ºC)

Para amostras coletadas com Swab

Protocolo validado para extração de RNA do

SARS-CoV-2

Procedimento fácil e simples

Extração otimizada pelo uso da Proteinase K

que faz a digestão de proteínas e remoção

de contaminantes, inclusive inativação de

nucleases

Quer ficar informado?

Acompanhe nossas redes sociais:

Alto rendimento, até mesmo de amostras

difíceis e em pequena quantidade

Ficou interessado?

Saiba mais!

/kasviprodutoslaboratoriais/

/KasviBr-Produtos-Laboratoriais/

/kasvi.Produtos.Laboratoriais/

/kasvi/

KASVI.com.br (41) 3535-0900

Produto não passível de regulamentação na ANVISA.


Revista

Ano 18 - Edição 108 - Ago/Set

EDITORIAL

A Revista Analytica chega à sua 108ª Edição, elaborada com zelo para trazer a maior gama de assuntos referentes

ao setor de instrumentação analítica e controle de qualidade industrial.

Aqui você encontrará informação de referência e qualidade para as empresas e profissionais dos laboratórios por todo o Brasil.

É imprescindível a valorização da importância da área de controle de qualidade nos processos industriais, da

instrumentação analítica e da divulgação de informação científica de qualidade.

As empresas parceiras da Revista Analytica estão oferecendo o que há de melhor para o mercado. Nossos

experientes colaboradores assinam materiais inéditos e da maior relevância.

Agradecemos a todos que colaboraram com a revista, e a todos os leitores.

*A Revista Analytica é viva e dinâmica, acessando-a em nosso site, você poderá clicar nos links disponibilizados

nela e melhorar a sua experiência com os materiais que lhe interessem. Sua experiência com a revista não termina aí.

Nosso site e nossas redes sociais estão sempre trazendo materiais atualizados.

Boa leitura a todos!

JOÃO GABRIEL DE ALMEIDA

Fale com a gente

Comercial | Para Assinaturas | Renovação | Para Anunciar:

Daniela Faria | 11 98357-9843 | assinatura@revistaanalytica.com.br

Tel.: 11 3900-2390 | Dúvidas, críticas e ou sugestões, entre em

contato, teremos prazer em atendê-lo.

Para novidades na área de instrumentação analítica, controle

de qualidade e pesquisa, acessem nossas redes sociais:

/RevistaAnalytica

/revista-analytica

/revistaanalytica

Esta publicação é dirigida a laboratórios analíticos e de controle de qualidade dos setores:

FARMACÊUTICO | ALIMENTÍCIO | QUÍMICO | MINERAÇÃO | AMBIENTAL | COSMÉTICO | PETROQUÍMICO | TINTAS

Os artigos assinados sâo de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente a opinião da Editora.

EXPEDIENTE

Realização: Newslab Editora

Conselho Editorial: Sylvain Kernbaum | revista@revistaanalytica.com.br

Jornalista Responsável: João Gabriel de Almeida | editoria@revistaanalytica.com.br

Publicidade e Redação: Daniela Faria | 11 98357-9843 | assinatura@revistaanalytica.com.br

Coordenação de Arte: FC DESIGN - contato@fcdesign.com.br

Impressão: Gráfica Mundo | Periodicidade: Bimestral


Revista

Ano 18 - Edição 108 - Ago/Set

ÍNDICE

01

06

Editorial

Publique na Analytica

Artigo 1

08

Cultivo de Rhizopus Sp. Al131 sob Diferentes

Resíduos Agroindustriais para a Obtenção

de Amilases com Alto Potencial de Aplicação

Comercial

Autores: Gabriela Cirilo Machado 1; Thiago Machado Pasin; Arlete Barbosa

dos Reis; Juan Pedro Bretas Roa; David Lee Nelson; Vivian Machado Benassi

2

Revista Analytica | Jun/Jul 2020

Artigo 2

16

KEPI - Cera para Depilação com

Anestésico e Anti-Inflamatório

Autores: Kelly de Carvalho Sovenhi; Marcos Roberto Ruiz,

Paulo Roberto da Silva Riberiro, Daniele de Lacassa Leite

19

22

26

28

29

30

34

Análise de Minerais

Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação

Espectrometria de Massa

Microbiologia

Logística Laboratorial

Metrologia

Em Foco


Monitoramento contínuo do ar

para ambientes estéreis

O monitoramento do ar é um aspecto necessário no Controle de

Qualidade farmacêutico. O amostrador de ar MD8 Airscan®, juntamente

com os filtros descartáveis de membrana de gelatina, constitui um

sistema de amostragem de microrganismos transportados pelo ar

de detecção precisa, reprodutível e quantitativa em salas limpas e

isoladores, ventilados convencionalmente ou sob fluxo laminar.

Sartorius do Brasil Ltda

E-mail: leadsbr@sartorius.com | sartorius.com


Revista

Ano 18 - Edição 108 - Ago/Set

ÍNDICE REMISSIVO DE ANUNCIANTES

ordem alfabética

Anunciante pág. Anunciante pág.

Arena Técnica 43

BCQ

4 ª Capa

Bio Scie 41

CMS Científica 05

Greiner 37

Kasvi

2ª Capa

Las do Brasil 15

Nova Analitica 11

Prime Cargo

3ª Capa

Sartorius 03

Veolia 24-25

Esta publicação é dirigida a laboratórios analíticos e de controle de qualidade dos setores:

FARMACÊUTICO | ALIMENTÍCIO | QUÍMICO | MINERAÇÃO | AMBIENTAL | COSMÉTICO | PETROQUÍMICO | TINTAS

Os artigos assinados sâo de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente a opinião da Editora.

4

Revista Analytica | Ago/Set 2020

Conselho Editorial

Carla Utecher, Pesquisadora Científica e chefe da seção de controle Microbiológico do serviço de controle de Qualidade do I.Butantan - Chefia Gonçalvez Mothé, Prof ª Titular da Escola de Química da Escola de

Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro - Elisabeth de Oliveira, Profª. Titular IQ-USP - Fernando Mauro Lanças, Profª. Titular da Universidade de São Paulo e Fundador do Grupo de Cromatografia (CROMA)

do Instituto de Química de São Carlos - Helena Godoy, FEA / Unicamp - Marcos E berlin, Profª de Química da Unicamp, Vice-Presidente das Sociedade Brasileira de Espectrometria de Massas e Sociedade Internacional

de Especteometria de Massas - Margarete Okazaki, Pesquisadora Cientifica do Centro de Ciências e Qualidade de Alimentos do Ital - Margareth Marques, U.S Pharmacopeia - Maria Aparecida Carvalho de

Medeiros, Profª. Depto. de Saneamento Ambiental-CESET/UNICAMP - Maria Tavares, Profª do Instituto de Química da Universidade de São Paulo - Shirley Abrantes Pesquisadora titular em Saúde Pública do INCQS

da Fundação Oswaldo Cruz - Ubaldinho Dantas, Diretor Presidente de OSCIP Biotema, Ciência e Tecnologia, e Secretário Executivo da Associação Brasileira de Agribusiness.

Colaboraram nesta Edição:

Eduardo Pimenta Almeida de Melo, Luciano Nascimento, Anastasiia Melnyk, Oliveira ML, Pereira AS, Rodrigues KM, França RF, Assis IB, Arena Técnica,

Oscar Vega Bustillos, Américo Tristão, Claudio Kiyoshi Hirai.


Revista

Ano 18 - Edição 108 - Ago/Set

PUBLIQUE NA ANALYTICA

Normas de publicação para artigos e informes assinados

A Revista Analytica, em busca constante de novidades em divulgação científica, disponibiliza abaixo as normas para publicação de artigos, aos

autores interessados. Caso precise de informações adicionais, entre em contato com a redação.

Informações aos Autores

Bimestralmente, a revista Analytica publica

editoriais, artigos originais, revisões, casos

educacionais, resumos de teses etc. Os editores

levarão em consideração para publicação toda

e qualquer contribuição que possua correlação

com as análises industriais, instrumentação e o

controle de qualidade.

Todas as contribuições serão revisadas e analisadas

pelos revisores.

Os autores deverão informar todo e qualquer

conflito de interesse existente, em particular

aqueles de natureza financeira relativo

a companhias interessadas ou envolvidas em

produtos ou processos que estejam relacionados

com a contribuição e o manuscrito

apresentado.

Acompanhando o artigo deve vir o termo

de compromisso assinado por todos os autores,

atestando a originalidade do artigo, bem

como a participação de todos os envolvidos.

Os manuscritos deverão ser escritos em português,

mas com Abstract detalhado em inglês.

O Resumo e o Abstract deverão conter as

palavras-chave e keywords, respectivamente.

As fotos e ilustrações devem preferencialmente

ser enviadas na forma original, para

uma perfeita reprodução. Se o autor preferir

mandá-las por e-mail, pedimos que a resolução

do escaneamento seja de 300 dpi’s, com

extensão em TIF ou JPG.

Os manuscritos deverão estar digitados e enviados

por e-mail, ordenados em título, nome

e sobrenomes completos dos autores e nome

da instituição onde o estudo foi realizado.

Além disso, o nome do autor correspondente,

com endereço completo fone/fax e e-mail

também deverão constar. Seguidos por resumo,

palavras-chave, abstract, keywords, texto

(Ex: Introdução, Materiais e Métodos, Parte

Experimental, Resultados e Discussão, Conclusão)

agradecimentos, referências bibliográficas,

tabelas e legendas.

As referências deverão constar no texto com o

sobrenome do devido autor, seguido pelo ano

da publicação, segundo norma ABNT 10520.

As identificações completas de cada referência

citadas no texto devem vir listadas no fim,

com o sobrenome do autor em primeiro lugar

seguido pela sigla do prenome. Ex.: sobrenome,

siglas dos prenomes. Título: subtítulo do

artigo. Título do livro/periódico, volume, fascículo,

página inicial e ano.

Evite utilizar abstracts como referências. Referências

de contribuições ainda não publicadas

deverão ser mencionadas como “no prelo”

ou “in press”.

Observação: É importante frisar que a Analytica não informa a previsão sobre quando o artigo será publicado. Isso se deve ao fato que, tendo em

vista a revista também possuir um perfil comercial – além do técnico cientifico -, a decisão sobre a publicação dos artigos pesa nesse sentido. Além

disso, por questões estratégicas, a revista é bimestral, o que incorre a possibilidade de menos artigos serem publicados – levando em conta uma

média de três artigos por edição. Por esse motivo, não exigimos artigos inéditos – dando a liberdade para os autores disponibilizarem seu material

em outras publicações.

6

Revista Analytica | Ago/Set 2020

ENVIE SEU TRABALHO

Os trabalhos deverão ser enviados ao endereço:

A/C: João Gabriel de Almeida – redação

Av. Nove de Julho, 3.229 - Cj. 1110 - 01407-000 - São Paulo-SP

Ou por e-mail: editoria@revistaanalytica.com.br

Para outras informações acesse: www.revistaanalytica.com.br/publique/


Agenda

agenda

Em função da pandemia do Covid-19, e acompanhando os

desdobramentos da crise, decretos e posicionamentos dos

governos, os eventos presenciais agendados para o período

Agosto/Setebro estão cancelados.

Comprometidos em não propagar informações equivocadas,

não haverá seção Agenda na Revista Analytica Ed 108 e

recomendamos que os interessados em participar de eventos

consultem os sites dos eventos que estariam programados para

esse período para se informar sobre possíveis novas datas e

também sobre apresentações digitais como webinars e outras

alternativas que estão sendo oferecidas pelas empresas.

Mantenha-se informado em nosso site e em nossas redes sociais.

Agradecemos a compreensão de todos,

Equipe Analytica.

Para novidades na área de instrumentação analítica, controle de

qualidade e pesquisa, acessem nossas redes sociais:

/RevistaAnalytica

/revista-analytica

/revistaanalytica


Artigo 1

Autores:

Gabriela Cirilo Machado 1 ; Thiago Machado Pasin 2 ; Arlete Barbosa dos Reis 3 ;

Juan Pedro Bretas Roa 4 ; David Lee Nelson 5 ; Vivian Machado Benassi 6 *

Cultivo de Rhizopus Sp. Al131 sob Diferentes Resíduos

Agroindustriais para a Obtenção de Amilases com Alto

Potencial de Aplicação Comercial

Imagem Ilustrativa

8

Revista Analytica | Ago/Set 2020

Resumo

O potencial de fungos filamentosos para a produção enzimática

está presente em diversas linhas de pesquisa devido ao baixo

custo e as condições de fácil alcance para o cultivo laboratorial

desses micro- organismos. Dentre as enzimas descritas e

de grande aplicação industrial, destacam-se as amilases. Então,

esse trabalho objetivou otimizar os parâmetros físico-químicos

do cultivo do fungo filamentoso Rhizopus sp. AL131 para produção

de amilases e, posteriormente, a caracterização bioquímica

das enzimas. Para tal, cultivou-se o Rhizopus sp. AL131 em três

distintos meios, à 35 ºC, em estufa bacteriológica, durante dez

dias, sendo retirados a cada 24 horas. Após padronização do

meio submerso, variou-se sua composição, analisando a solução

salina, fontes de nitrogênio e carbono, bem como a influência

do pH inicial do meio na produção amilolítica. Por fim, verificou-

-se a influência do pH e da temperatura no ensaio enzimático.

Os resultados mostram que a enzima obteve maior atividade no

quarto dia de cultivo do Rhizopus sp. AL131 em meio submerso

SR contendo solução salina SR e CP, utilizando-se peptona

como fonte nitrogenada, e arroz moído como fonte de carbono,

com pH inicial de 4,5. As condições ótimas de pH e temperatura

da amilase foram 5,0 à 50 ºC, respectivamente. Esses resultados

demonstram o alto potencial de aplicação biotecnológica

e industrial do fungo Rhizopus sp. AL131 para a produção de

amilases através do reuso de resíduos gerados pela indústria

produtora de arroz, representando uma alternativa econômica,

sustentável e inovadora para obtenção destas enzimas de alto

valor agregado.

Palavras-chave: Atividade amilolítica; Enzima; Fermentação submersa;

Fungo filamentoso.

Abstract

The potential of filamentous fungi for enzymatic production is

present in several lines of research due to the low cost and easy-

-to-reach conditions for laboratory cultivation of these microorganisms.

Among the enzymes described and of great industrial

application, amylases stand out. So, this work aimed to optimize

the physical-chemical parameters of the cultivation of the filamentous

fungus Rhizopus sp. AL131 for the production of amylases

and, subsequently, the biochemical characterization of these

enzymes. For this, Rhizopus sp. AL131 was cultivated in three

different media, at 35 ºC, in a bacteriological incubator, for ten

days, being removed every 24 hours. After standardization of the

submerged medium, its composition was ranged, the saline solution

was analyzed, different sources of nitrogen and carbon were

tested, as well as the influence of the initial pH of the medium in

the amylolytic production. Finally, the influence of pH and temperature

on the enzymatic assay was verified. The results showed

that the enzyme obtained greater activity on the fourth day of

cultivation of Rhizopus sp. AL131 in submerged SR medium containing

SR and CP saline solution, using peptone as a nitrogen

source, and ground rice as a carbon source, with an initial pH of

4.5. The optimum pH and temperature for the amylase activity

were 5.0 to 50 ºC, respectively. These results demonstrate the

high potential for biotechnological and industrial application of

the fungus Rhizopus sp. AL131 for the production of amylases

through the reuse of residues generated by the rice producing industry,

representing an economical, sustainable and innovative

alternative for obtaining these high added value enzymes.

Keywords: Amylolytic activity; Enzyme, Filamentous fungus; Submerged

fermentation.


Introdução

Os fungos filamentosos destacam-se dentre

os micro-organismos conhecidos por seus

produtos naturais bioativos. O uso de fungos

em bioprocessos tem aumentado demasiadamente

em importância devido à produção de

várias enzimas com diferentes características

físico-químicas e excelente potenciais para a

aplicação nos mais diversos setores industriais

(PASIN et al., 2019). Dentre as principais vantagens

do uso desse micro-organismo para a

produção enzimática destaca-se o custo benefício

do cultivo, fácil manipulação para obtenção

enzimática de interesse, possibilidade

de uma produção em larga escala e excreção

do produto de interesse (LUCAS et al, 2020).

Esses fungos aparecem como principal foco

biotecnológico atual, sendo suas enzimas testadas

para substituição de diversos processos

químicos convencionais (SENA et al., 2006),

apresentando alternativas atrativas para a

resolução de problemas nos mais amplos

campos industriais e preservacionistas, possibilitando

a substituição de reagentes químicos

caros e altamente poluentes para o meio

ambiente, por um produto que, após o uso, é

facilmente degradável e, dessa maneira, não

provoca danos à natureza (PASIN et al., 2014).

Segundo Orlandelli et al. (2012), as enzimas

são proteínas que atuam como catalisadores

de reações químicas executando transformaçãoes

altamente seletivas, estão presentes no

metabolismo de todo organismo vivo e apresentam

diversas propriedades que as tornam

atrativas em processos de biotransformações.

Além do substrato, a síntese de enzimas por

micro-organismos é altamente influenciada

por alguns fatores, tais como tempo de cultivo,

fontes de nitrogênio e carbono, temperatura e

pH (FREITAS; MARTINS; FERREIRA, 2014).

Entretanto, esta síntese de ocorrencia natural

não está disponível em quantidades suficientes

para as aplicações industriais. Nesse sentido,

faz-se necessário o isolamento de cepas

microbianas que produzem a enzima desejada

e a otimização das condições de cultivo, visando

uma maior produção enzimática (OYEKELE;

OYEWOLE; EGWIM, 2011).

As enzimas amilolíticas degradam o amido

presente em sementes de cereais como

milho e tubérculos, ou raízes como batata

e mandioca. O amido é o mais importante

polissacarídeo de reserva do reino vegetal,

possuindo em sua constituição amilose e

amilopectina (PASIN et al., 2019). Guandalini

(2007) salienta que as amilases são

vantajosas por sua capacidade de acelerar

reações contínuas sob condições moderadas,

além de proporcionarem hidrólises

não específicas e a ausência da formação

de produtos indesejados. Apesar de uma

demanda crescente, a maior barreira na

ampla utilização de enzimas em processos

industriais é devido ao seu alto custo de

produção (SENA et al., 2006).

Por sua vez, o uso de substratos de baixo

custo para a produção enzimática é

especialmente interessante por ser uma

alternativa para que esse produto chegue

ao seu consumidor de forma menos oneroso

(FREITAS; MARTINS; FERREIRA, 2014).

Diante do exposto, esse trabalho objetivou

padronizar os parâmetros físico-químicos

do cultivo do Rhizopus sp. AL131 para produção

de amilases, utilizando-se fonte de

carbono de baixo custo (resíduos agroindustriais),

além de caracterizar bioquimicamente

as enzimas amilolíticas.

Material e Métodos

Micro-organismo em estudo

O micro-organismo em estudo foi isolado

nas dependências da Universidade Federal

dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri campus

JK, Diamantina, Minas Gerais, sendo

identificado como Rhizopus sp. AL131, de

acordo com as características morfológicas

e microscópicas (BENASSI; ALMEIDA,

2018). Ele foi cadastrado no Sistema Nacional

de Gestão do Patrimônio Genético

e do Conhecimento Tradicional Associado

(SisGen), número A64AD93. O micro-organismo

foi mantido em meio de cultivo sólido

aveia (EMERSON, 1941), à 35ºC, durante

cinco dias, posteriormente, mantidos à 4ºC

até o uso nos experimentos.

Condições de cultivo e produção de

amilases usando diferentes resíduos

agroindustriais como fontes de carbono

Uma suspensão de esporos do Rhizopus

sp. AL131 (1,27 x 106 esporos. mL-1) foi

inoculada em 25 mL de meio de cultivo,

contidos em Erlenmeyer de 125 mL. Inicialmente,

foram analisados três distintos

meios de cultura submersos: SR (RIZZATTI

et al., 2001), Khanna (KHANNA et al., 1995)

e CP (PEIXOTO et al., 2003), contendo amido

como fonte de carbono, sendo mantidos

à 35ºC, de forma estacionária em estufa

bacteriológica, durante dez dias, sendo retirados

triplicatas de meios a cada 24 horas

para análise da atividade amilolítica.

Posteriormente, analisou-se o efeito da

solução de sais no meio de cultivo padronizado

para crescimento do fungo Rhizopus

sp. AL131 e produção amilolítica, sendo

essas: (1) sais CP; (2) sais SR; (3) 0,05 %

(m/v) de sais Wesson Cinetica®; (4) sais SR

acrescido de sais CP; (5) sais SR acrescido

de 0,05 % (m/v) de sais Wesson Cinetica®;

(6) sais CP acrescido de 0,05 % (m/v) de

sais Wesson Cinetica®; e um meio controle

sem solução de sais, sendo mantidos

à 35ºC, de forma estacionária em estufa

bacteriológica, pelo tempo determinado no

experimento anterior.

Em seguida, foram analisadas diferentes

fontes de nitrogênio: (1) 0,47 % (m/v)

de extrato de levedura; (2) 0,47 % (m/v)

de peptona; (3) 0,47 % (m/v) de ureia;

(4) 0,45 % (m/v) de extrato de levedura

acrescido de 0,02 % (m/v) de peptona; (5)

0,45 % (m/v) de extrato de levedura acrescido

de 0,02 % (m/v) de ureia; (6) 0,45 %

(m/v) de ureia acrescido de 0,02 % (m/v)

de peptona; (7) 0,40 % (m/v) de extrato

de levedura acrescido de 0,02 % (m/v) de

peptona e de 0,05 % (m/v) de ureia, além

do controle sem nenhuma fonte de nitrogênio,

sendo mantidos à 35ºC, de forma

estacionária em estufa bacteriológica, por

um tempo prédeterminado.

Revista Analytica | Ago/Set 2020

9


Artigo 1

Autores:

Gabriela Cirilo Machado 1 ; Thiago Machado Pasin 2 ; Arlete Barbosa dos Reis 3 ;

Juan Pedro Bretas Roa 4 ; David Lee Nelson 5 ; Vivian Machado Benassi 6 *

10

Revista Analytica | Ago/Set 2020

Imagem Ilustrativa

Distintas fontes de carbono foram analisadas

na proporção de 1 % (m/v), sendo

glicose; galactose; sacarose; lactose; maltose;

leite em pó; casca de banana; arroz

moído; farinha de chia; farelo de trigo; farinha

de milho; farinha de linhaça marrom;

flocos de aveia; amido de milho; casca de

batata; casca de mandioca; polpa de mandioca;

farinha de aveia e amido solúvel,

sendo mantidos à 35ºC, de forma estacionária

em estufa bacteriológica.

Por fim, variou-se o pH inicial do meio de

cultivo submerso nos seguintes valores 4,0;

4,5; 5,0; 5,5; 6,0 e 7,0, sendo mantidos em

estufa bacteriológica, de forma estacionária

durante quatro dias, à 35ºC. Decorrido o

tempo de cultivo, as culturas foram filtradas

em bomba à vácuo utilizando-se papel filtro

Whatman nº 1, e o filtrado foi utilizado

como extrato bruto extracelular enzimático.

Determinação da Atividade Amilolítica

A atividade enzimática foi estimada utilizando-se

como substrato 1 % (m/v) de

amido em tampão acetato de sódio 100

mM pH 5,5, e a formação de açúcares redutores

foi quantificada com o ácido 3’,5’-

dinitrosalicílico (DNS) (MILLER, 1959). O

ensaio foi realizado pela mistura de 500 µL

do substrato e 500 µL do extrato bruto enzimático,

sendo mantidos à 55ºC, durante 5

minutos. Decorrido o tempo de incubação,

alíquotas de 200 µL da reação foram retiradas

e inseridas em 200 µL de DNS. O branco

foi realizado pela retirada do tempo zero da

reação. Após a fervura, durante 5 minutos,

e resfriamento, foram adicionados 2 mL de

água destilada em cada tudo. A leitura foi

feita em 540 nm em espectrofotômetro

RayLigh UV - 2601®.

A curva padrão consistiu-se de uma solução

de glicose (0,1 a 1,0 mg/mL), e a unidade de

atividade das amilases foi determinado como

U.mL-1, sendo U definida como a quantidade

de enzima que hidrolisa um µmol de substrato

por minuto, nas condições do ensaio, sendo a

atividade total (U total) calculada pela multiplicação

da atividade pelo volume do extrato

bruto extracelular enzimático, ou seja, U total

= U.mL-1 x volume do filtrado.

Caracterização bioquímica da amilase

A análise do efeito da temperatura e do pH

na atividade amilolítica foi realizado utilizando-se

um Delineamento Composto Central

Rotacional (DCCR2), incluindo três repetições

do ponto central, totalizando 12 ensaios

(RODRIGUES; IEMMA, 2014) (Tabela 1). Os

dados foram submetidos à análise de variância

(ANOVA) utilizando o programa Protimiza

Experimental Design. Os efeitos foram considerados

significativos para p < 0,10.

Tabela 1: Valores utilizados no DCCR2

Resultados e Discussão

Segundo Londoño-Hernández et al. (2017),

em condições físico-químicas ideais, os fungos

filamentosos podem eficientemente

utilizar uma grande variedade de substratos,

produzindo vários bioprodutos de interesse,

tais como enzimas. Estes bioprodutos são

classificados como seguros visto que não

contêm nenhum componente prejudicial aos

seres humanos e ao meio ambiente. Neste trabalho

foi possível observar este fenômeno, o

meio de cultivo mais favorável à produção de

amilases por Rhizopus sp. AL131 foi o SR utilizando

amido como fonte de carbono, obtendo

maior atividade enzimática no quarto dia de

crescimento do micro-organismo com 203,87

U totais, quando em comdição estacionária.

Este resultado foi seguido pelo meio CP com

uma atividade de 106,82 U totais, após cinco

dias de cultivo; e o meio Khanna com uma atividade

de 80,10 U totais, sendo mantido durante

seis dias de forma estacionária em estufa

Atividade Amilolítica (U totais)

200

150

100

50

CP

SR

Khanna

0

0 2 4 6 8 10

Tempo de crescimento do fungo (dias)

Figura 1: Produção de amilases pelo fungo Rhizopus sp.

AL131 em distintos meios de cultura em função do tempo de

cultivo.

bacteriológica, à 35ºC (Figura1). Analisando a

composição dos meios de cultura utilizados, é

possível observar que eles possuem composições

semelhantes. Os principais componentes

comuns entre eles são os íons metálicos e

o extrato de levedura, indispensáveis para

o crescimento e a produção enzimática por

diversas espécies fúngicas (BENASSI et al.,

2014). Entretanto, a presença de fosfato monoamônico

(NH4H2PO4) e peptona apenas no

meio SR pode ter favorecido uma maior produção

de amilases pelo Rhizopus sp. AL131.

Contrariamente, o meio Khanna possuiu a

menor quantidade de extrato de levedura

entre os meios analisados e uma variedade

de sais muito maior que os demais, fatores

esses que podem ter inibido a produção enzimática.

Estes resultados obtidos corroboram

com os observados por Peixoto- Nogueira et

al. (2007) e Almeida (2017), cujos micro-organismos

Rhizopus microsporus var. rhizopodiformis

e A. brasiliensis, respectivamente,

obtiveram uma notável atividade amilolítica

em meio SR. Ainda segundo Almeida (2017),

a produção enzimática de forma estacionária

economiza energia quando comparado ao

processo agitado, por aumentar a viabilidade

do projeto, sendo um ponto favorável industrialmente.

Vale citar que foi observado um

incremento na atividade enzimática até o

quarto dia de fermentação do fungo Rhizopus

sp. AL131, sendo este o pico de atividade máxima

(Figura1). Esse tempo é relativamente

curto levando a uma diminuição no custo de

produção da referida enzima em larga escala

(SILVA et al., 2011). Após o período de 96 horas,

ocorreu a diminuição da atividade, sendo


Artigo 1

Autores:

Gabriela Cirilo Machado 1 ; Thiago Machado Pasin 2 ; Arlete Barbosa dos Reis 3 ;

Juan Pedro Bretas Roa 4 ; David Lee Nelson 5 ; Vivian Machado Benassi 6 *

12

Revista Analytica | Ago/Set 2020

Imagem Ilustrativa

esse comportamento normalmente esperado

devido ao esgotamento de nutrientes ou por

acúmulo de produtos inibidores da síntese enzimática

(SILVA et al., 2017). De acordo com

Esfahanibolandbalaie; Rostami; Mirdamadi

(2008), a produção de enzimas durante um

longo período requer uma alta manutenção

da densidade celular sob as condições que

promovam a formação de enzimas desejáveis,

enquanto mantêm o crescimento celular mínimo.

Benassi (2006) salienta que o tempo de

incubação está diretamente associado com a

produção enzimática, uma vez que a incubação

em um tempo menor que o ótimo resultará

numa produção menor de amilases, pois

o micro-organismo poderá estar na fase de

crescimento vegetativo, e uma incubação em

um tempo excedente esgotará os nutrientes e

acarretará num declínio de produção enzimática.

Os resultados obtidos aqui se assemelham

com o que foi observado por Benassi (2006),

cujo fungo Aspergillus phoenicis obteve uma

atividade enzimática máxima ao quarto dia

de cultivo, à 30ºC, em cultivo estacionário.

Em contrapartida, estes resultados discordam

daqueles obtidos por Silva et al. (2011), pois

os altos níveis de produção de amilases foram

obtidos quando o fungo Penicillium purpurogenum

foi cultivado em meio Khanna ao

quinto dia, à 28ºC, em condição estacionária.

Enquanto Shah et al. (2014) observaram que

o micro-organismo Aspergillus oryzae obteve

máxima atividade amilolítica com três dias de

cultivo.

Segundo Ornela (2017), a concentração de

enzimas ou metabólitos produzidos pode depender

da presença de um composto específico,

o qual age como indutor, sendo capaz de ativar

a produção de metabólitos quando necessário.

De acordo com isto, cultivou-se o Rhizopus sp.

AL131 em meio submerso SR, durante quatro

dias, à 35ºC, variando a fonte de sais do meio e

observou-se que todas as soluções de sais foram

indutoras da produção amilolítica, assim como,

verificou-se que o micro-organismo depende

de sais para obtenção de uma boa atividade

enzimática, visto que o meio sem sais apresentou

atividade enzimática de 34,97 U totais. Vale

citar que, o meio SR enriquecido com solução

de sais CP obteve maior atividade enzimática

com 243,50 U totais, seguida do meio contendo

apenas solução de sais CP, assim como, visualizou-se

que a atividade das amilases produzidas

nos sais SR e Wesson foram semelhantes. Esses

resultados indicam que proporções mais elevadas

dos sais fosfato monopotássico e o sulfato

de magnésio, presentes em SR e CP, favoreceram

a produção enzimática por fungos filamentosos.

Ao analisar a influência da fonte de nitrogênio

no cultivo do fungo para produção amilolítica,

notou-se que todas as fontes analisadas

apresentaram alguma atividade enzimática

extracelular, contudo pode-se observar que o

meio contendo apenas peptona como fonte

nitrogenada destacou-se com uma atividade de

308,70 U totais, seguida por extrato de levedura

acrescido de peptona (composição do meio

de cultura original), com 245 U totais (Figura

2). Além disso, pode- se inferir que o meio SR

sem fonte de nitrogênio apresentou uma atividade

bem inferior aos demais, o que sugere

que o fungo Rhizopus sp. AL131 necessita de

um cultivo enriquecido de compostos nitrogenados

para obtenção de amilase com atividade

enzimática expressiva (Figura 2). Esse resultado

está de acordo com Suganyadevi et al. (2012),

cujo Aspergillus niger apresentou uma melhor

afinidade à peptona como fonte de nitrogênio

Atividade Amilolítica (U totais)

350

300

250

200

150

100

50

0

NS

PP

YE

UR

Figura 2: Análise da fonte de nitrogênio no cultivo submerso

do Rhizopus sp. AL1.3.1 em meio SR acrescido de sais CP,

após quatro dias de cultivo, à 35ºC, para produção de amilase.

YE/PP

NS- sem fonte de carbono

PP- peptona

EL- extrato de levedura

Ur- ureia

YE/UR

PP/UR

Fontes de nitrogênio do meio de cultivo submerso

YE/PP/UR

quando cultivado, à 28ºC, usando batata-doce

como fonte de carbono. Gupta et al. (2008),

Chimata; Sasidhar; Challa (2010) e Erdal;

Taskin (2010) estudando Aspergillus niger, Aspergillus

MK07 e Penicillium expansum MT-1,

respectivamente, verificaram que a peptona

foi a fonte de nitrogênio de maior indução enzimática.

Entretanto, os resultados obtidos no

presente trabalho contrastam com os observados

para Aspergillus oryzae (SHAH et al., 2014)

o qual apresentou máxima produção amilolitíca

em meio rico com extrato de levedura como

fonte de nitrogênio.

Atividade Amilolítica (U totais)

Atividade Amilolítica (U totais)

350

350 300

300

250

250

200

200

150

150

100

100

50

50

0

0

1 2 13 24 35 64 75 86 9 710 811 12 9 13 10 14 1115 1216131714 18 15 16 17 18

Fontes Fontes de carbono de carbono do meio do de meio cultivo de submerso cultivo submerso

1- Glicose, 2- maltose, 3- lactose, 4-sacarose, 5- galactose, 6- amido solúvel, 7- amido de milho, 8- arroz moído, 9- casca

1- Glicose, 2- maltose, 3- lactose, 4-sacarose, 5- galactose, 6- amido solúvel, 7- amido de milho, 8- arroz moído, 9- casca

de banana, 10- casca de batata, 11- casca de mandioca, 12- polpa de mandioca, 13- farinha de aveia, 14- farinha de chia,

15- de farinha banana, de linhaça, 10- casca 16- farelo de batata, de trigo, 11- 17- casca flocos de de mandioca, aveia e 18- leite 12- polpa em pó. de mandioca, 13- farinha de aveia, 14- farinha de chia,

15- farinha de linhaça, 16- farelo de trigo, 17- flocos de aveia e 18- leite em pó.

Figura 3: Análise da fonte de carbono no cultivo submerso

do Rhizopus sp. AL131 para produção de amilases.

Sabe-se que os micro-organismos necessitam

de fonte de carbono para indução da

produção de enzimas, assim como, o uso de

fontes menos onerosas são de grande valia.

Dentre as fontes de carbono analisadas, a de

maior indução na produção amilolítica foi o

arroz moído com uma atividade de 314,71 U

totais, seguido pelo amido solúvel com uma

atividade de, aproximadamente, 250 U totais

(Figura 3). Este resultado amplia a possibilidade

de aplicação biotecnológica do fungo em

estudo, uma vez que o arroz moído é economicamente

viável para a produção enzimática

e sustetável do ponto de vista ambiental. Além

disso, esse resultado se mostrou muito melhor

do que o observado para o fungo Aspergillus

carbonarius que foi cultivado em palha de

arroz e apresentou baixíssimos níveis de produção

amilolítica (Pasin et al., 2019). As fontes

de carbono prontamente assimiláveis como

glicose, lactose, maltose e sacarose induziram

amilases com atividades de 44,46, 37,98,

102,12 e 19,43 U totais, respectivamente, en-


Imagem Ilustrativa

tretanto, a galactose não atuou como indutora

da produção de amilases (Figura 3). Gupta et

al. (2003) observaram que a atividade enzimática

pode aumentar quando amido solúvel

e maltose são usados como indutores de

amilase. Em contrapartida, a glicose e outros

açúcares como xilose e frutose podem reprimir

a sua produção, resultado este que corrobora

com o encontrado no presente trabalho. Resultados

semelhantes também foram obtidos

por Saleem; Ebrahim (2013), cujo amido resultou

na produção máxima de amilase por A.

niger e R. stolonifer, seguido pela maltose, já

a glicose e frutose foram as fontes de carbono

menos eficazes. Por fim, Pasin et al. (2017)

também estudaram a produção de amilases

pelo fungo Aspergillus japonicus quando

cultivado em amido de batata e maltose e

observaram uma alta produção de amilases

em ambos os substratos. Estes resultados da

literatura estão plenamente de acordo com os

observados no presente trabalho. Entretanto,

observou-se também que a casca de banana e

a casca de mandioca demonstraram uma atividade

média de 38,93 U totais, sendo 15,5 %

da atividade encontrada em amido solúvel e

12,4 % da atividade do arroz moído. Já a polpa

de mandioca obteve uma atividade amilolítica

de 120,54 U totais, o que representa 39 % da

atividade obtida em amido solúvel (Figura 3).

Pode-se observar que todos os pHs iniciais

do cultivo do fungo para a produção de amilases

induziram uma boa atividade amilolítica,

sendo o cultivo em pH inicial ajustado para

4,5 o de maior atividade, sendo essa de 318

U totais. Analisando os dados de Pasin et al.

(2014), observa-se que a maior produção

amilolítica por Aspergillus japonicus em meio

Khanna com pH 5,5, resultado este semelhante

ao encontrado por Oyeleke; Oyewole; Egwin

(2011), cuja máxima atividade amilolítica do

A. niger ocorreu em pH 5,0. Estes resultados

não corroboram por completo com os apresentados

pelo micro-organismo do presente

estudo, que obteve maior atividade amilolítica

em pH inicial de 4,5. Entretanto, sabe-se que a

maioria dos fungos é capaz de crescer em uma

ampla faixa de pH (SHAH et al., 2014).

Após otimização das condições ideais de

cultivo do Rhizopus sp. AL131, analisou-se o

efeito da temperatura e do pH na atividade

amilolítica buscando determinar os parâmetros

ótimos da reação enzimática. Foi observado

que a superfície de resposta obtida

demonstrou boa correlação com os pontos

experimentais e obteve-se diferentes combinações

de temperatura e pH. Sendo que a

melhor combinação foi em pH 5,0 e temperatura

de 50ºC, onde a atividade da enzima

foi maximizada alcançando um total de 326

U (Figura 4). Frantz et al. (2019) observou em

seu trabalho que as amilases produzidas por

distintos fungos filamentosos possuíram uma

diversidade de temperatura e pH ótimos de reação.

Nesse presente estudo a amilase obtida

pelo Rhizopus sp. AL131 apresentou pH 5,0 à

50ºC, valores esses que corroboram com os

visualizados por Frantz et al. (2019), cujo C.

comatus apresentou atividade ótima de uma

amilase nas mesmas condições de pH e temperatura.

Essa similaridade também foi observada

em amilases provenientes de algumas

espécies de fungos como Aspergillus orizae

(DEY; BANERJEE, 2015), Aspergillus awamori

(KARAM et al., 2017) e Aspergillus flavus

(BAKRI; MAGALI; THONART, 2009). Os resultados

da análise de variância para a produção de

amilases pelo Rhizopus sp. AL131 mostraram

que as variáveis foram estatisticamente significativas

ao nível de 10 % de significância, e

a modelagem mostrou-se adequada com o R²

aj=0,8344, que explica 83,44% da variação

das respostas encontradas.

Figura 4: Superfície resposta para a atividade de amilase

ao redor dos valores ótimos de pH e temperatura do ensaio

enzimático.

Conclusão

De acordo com os resultados deste estudo,

é possível cncluir que o fungo Rhizopus sp.

AL131 produziu amilase com atividade significativa

quando cultivado em meio submerso

SR acrescido de sais do meio CP, contendo peptona

e arroz moído como fonte de nitrogênio e

de carbono, respectivamente. Esses resultados

sugerem uma possível aplicação em processos

biotecnológicos da amilase, em especial pela

temperatura e pH de reação enzimática, os

quais corroboram com as condições de muitos

processos industriais.

Agradecimentos

Esse trabalho foi parte da iniciação científica

da Gabriela Cirilo Machado. Agradecemos à

Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha

e Mucuri campus JK. Bem como toda a

equipe de docentes e discentes componentes

do laboratório de pesquisa.

Referências

ALMEIDA, P. Z de. et al. Bioprospection and characterization of the

amylolytic activity by filamentous fungi from Brazilian atlantic forest. Biota

Neotropica, v. 17, n. 3, 2017.

BAKRI, Y.; MAGALI, M.; THONART, P. Isolation and identification of a new

Fungal strain for amylase biosynthesis. Polish Journal of Microbiology, v. 58,

n. 3, p. 269-273, 2009.

BENASSI, V. M. Estudo de amilases produzidas pelo fungo termotolerante

Aspergillus phoenicis. 2006. 91 f. Monografia (Bacharel em Ciências Biológicas)

- Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, USP, Ribeirão Preto, 2006.

BENASSI, V. M. et al. A novel glucoamylase activated by manganese and

calcium pro-duced in submerged fermentation by Aspergillus phoenicis.

Journal of Basic Microbiology, v. 54, p. 333– 339, 2014.

BENASSI, V. M.; ALMEIDA, A. Prospecção de fungos filamentosos termotolerantes

e termofílicos de distintos materiais coletados no estado de Minas

Gerais e análise de potenciais produtores de amilases. Unimontes Científica,

v. 20, n. 1, p. 151–169, 2018.

CHIMATA, M. K.; SASIDHAR, P.; CHALLA, S. Production of extracellular

amylase from agricultural residues by a newly isolated Aspergillus species

in solid state fermentation. African Journal of Biotechnology, v. 9, n. 32, p.

5162-5169, 2010.

DEY, T. B.; BANERJEE, R. Purification, biochemical characterization and application

of α-amylase produced by Aspergillus oryzae IFO-30103. Biocatalysis and

Agricultural Biotechnoly, v. 4, n.1, p. 83-90, 2015.

EMERSON, R. An experimental study of the life cycles and taxonomy of Allomyces.

Lloydia, v. 4, p. 77-144, 1941.

ERDAL, S.; TASKIN, M. Production of α-amylase by Penicillium expansum MT-1

in solid state fermentation using waste loquat (Eriobotrya aponica Lindley) kernels

as substrate. Romanian Biotechnological Letters, v. 15, n. 30, p. 5342-5350, 2010.

ESFAHANIBOLANDBALAIE, Z.; ROSTAMI, K.; MIRDAMADI, S. Some Studies of

a-Amylase

Production Using Aspergillus oryzae. Pakistan Journal of Biological Sciences, v.

11, n. 22, p. 2553– 2559, 2008.

FRANTZ, S. C. et al. Production of amylases from Coprinus comatus under

submerged culture using wheat-milling by-products: Optimization, kinetic parameters,

partial purification and characterization. Biocatalysis and Agricultural

Biotechnology, v. 17, p. 82–92, 2019.

FREITAS, L. S.; MARTINS, E. da S.; FERREIRA, O. E. Produção e caracterização

Revista Analytica | Ago/Set 2020

13


Artigo 1

Autores:

Gabriela Cirilo Machado 1 ; Thiago Machado Pasin 2 ; Arlete Barbosa dos Reis 3 ;

Juan Pedro Bretas Roa 4 ; David Lee Nelson 5 ; Vivian Machado Benassi 6 *

Imagem Ilustrativa

parcial de α- amilase de Syncephalastrum racemosum. Revista Brasileira de Biociências,

v. 12, n. 4, p. 226–232, 2014.

GUANDALINI, N. C. Estudo da produção de enzimas amilolíticas pelo fungo

Metarhizium anisopliae utilizando resíduos amilácea como substrato. 2007. 94 f.

Dissertação (Mestrado em Engenharia de Alimentos) - Faculdade de Engenharia

de Alimentos, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2007.

GUPTA, A. et al. Production and characterization of α-amylase from Aspergillus

niger. Biotechnology, v. 7, n. 3, p. 551-556, 2008.

GUPTA, R. et al. Microbial α-amylases: a biotechnological perspective. Process

Biochemistry, v. 38, p. 1599-1616, 2003.

KARAM, E. A. et al. Production, immobilization and thermodynamic studies

of free and immobilized Aspergillus awamori amylase. International Journal of

Biological Macromolecules, v. 102, p.694- 703, 2017.

KHANNA, P. et al. Production, isolation and partial purification of xylanase from

Aspergillus sp.

World Journal of Microbiology & Biotechnology, v. 11, p. 242-243, 1995

LONDOÑO-HERNÁNDEZ, L. et al. Rhizopus oryzae – Ancient microbial resource

with importance in modern food industry. International Journal of Food Microbiology,

v 257, p. 110-127, 2017.

LUCAS, R. C. Effect of enzymatic pretreatment of sugarcane bagasse with recombinant

hemicellulases and esterase prior to the application of the cellobiohydrolase

CBH I Megazyme®. Biomass Conversion and Biorefinery, In Press, 2020.

MILLER, G. L. Use of dinitrosalicyllic acid for determination of reducing sugar.

Analytical Chemistry, v. 11, p. 426-428, 1959.

ORLANDELLI, R. C. et al. Enzimas de interesse industrial: produção por

fungos e aplicações.

SaBios-Revista de Saúde e Biologia, v. 7, n. 3, p. 97–109, 27 dez. 2012.

ORNELA, P. H. de O. Co-purificação e caracterização das fosfatase e fitase alcalinas

de Rhizopus microsporus var. microsporus produzidas em Fermentação

Submersa. 2017. 104 f. Dissertação (Mestrado em Biotecnologia) - Instituto de

Química, Universidade Estadual Paulista, Araraquara, 2017.

OYELEKE, S. B, OYEWOLE, O. A; EGWIN E. C. Production of protease and amylase

from Bacillus subtilis and Aspergillus niger using parkia biglobossa (Africa

Locust Beans) as substrate in solid state fermentation. Advances in Life Sciences,

v. 1, n. 2, p. 2141-2307, 2011.

PASIN, T. M. et al. Novel amylase-producing fungus hydrolyzing wheat and

brewing residues, Aspergillus carbonarius, discovered in tropical forest remnant.

Folia Microbiologica, v. 65, n. 1, p. 173–184, 2019.

PASIN, T. M. et al. Prospecting filamentous fungi for amylase production:

standardization of Aspergillus japonicus culture conditions. British Biotechnology

Journal, Haryana, v. 4, n. 4, p. 482- 498, 2014.

PASIN, T. M. et al. Purification and Functional Properties of a Novel Glucoamylase

Activated by Manganese and Lead Produced by Aspergillus japonicus. International

Journal of Biological Macromolecules, v. 102, p. 779-788, 2017.

PEIXOTO, S. C. et al. Rhizopus microsporus var. rhizopodiformis: a thermotolerant

fungus with potential for production of thermostable amylases. International

Microbiology, v. 6, p. 269-273, 2003.

PEIXOTO-NOGUEIRA, S. C. et al. Evidence of thermostable amylolytic activity

from Rhizopus microsporus var rhizopodiformis using wheat bran and corncob

as alternative carbon source. Bioprocess and Biosystems Engineering, v. 31, p.

329–334, 2007.

RIZZATTI, A. C. S. et al. Purification and properties of a thermostable extracellular

β-xylosidase produced by a thermotolerant Aspergillus phoenicis.

Journal of Industrial Microbiology and Biotechnology, v. 26, p. 156–160, 2001

RODRIGUES, M. I. & IEMMA, A. F. Planejamento de experimentos e otimização

de processos. 3ª edição. Campinas: Casa do Espírito Amigo Fraternidade Fé

e Amor, 2014.

SALEEM, A; EBRAHIM, M. K. H. Production of amylase by fungi isolated from

legume seeds collected in Almadinah Almunawwarah, Saudi Arabia. Journal of

Taibah University for Science, v. 8, p. 90-97, 2013.

SENA, A. R. de et al. Seleção de fungos do semi-árido baiano alimentos. Sitientibus,

n. 35, p. 91– 98, 2006.

SHAH, I. J. et al. Optimization for α -amylase production by Aspergillus oryzae

using submerged fermentation technology. Basic Research Journal of Microbiology,

v. 1, n. January, p. 1–10, 2014.

SILVA, L. A. de F. et al. Produção de amilase por fungo filamentoso endofítico em

fermentação submersa. Caderno de Ciências Agrárias, v. 9, n. 3, p. 49–53, 2017.

SILVA, Tony. M. da. et al. Thermostable saccharogenic amylase produced under

submerged fermentation by filamentous fungus Penicillium purpurogenum.

Brazilian Journal of Microbiology, São Paulo, v. 42, n.3, p.1136-1140, set. 2011.

SUGANYADEVI, P. et al. Amylase production by Aspergillus niger under submerged

fermentation using ipomoea batatas. International Journal of Applied

Biology and Pharmaceutical Technology, v. 3, n. 2, p. 175–182, 2012.

Sobre os Autores

1 Graduanda em Engenharia Química. Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) campus JK, Instituto de Ciência e Tecnologia, Diamantina, MG, Brasil.

2 Biólogo. Doutorando pela Universidade de São Paulo (USP) campus Ribeirão Preto, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Departamento de Bioquímica e Imunologia,

Ribeirão Preto, SP, Brasil.

3 Engenheira Química. Docente da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) campus JK, Instituto de Ciência e Tecnologia, Diamantina, MG, Brasil.

4 Químico. Docente da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) campus JK, Instituto de Ciência e Tecnologia, Diamantina, MG, Brasil.

5 Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) campus JK, Professor Visitante do Programa de Pós-Graduação em Biocombustíveis, Diamantina, MG, Brasil.

6 Bióloga. Docente da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) campus JK, Instituto de Ciência e Tecnologia, Diamantina, MG, Brasil.

Complemento Normativo - Artigo 1

Referente ao artigo 1

Disponibilizado por Analytica em parceria com Arena Técnica

Cultivo de Rhizopus Sp. Al131 sob Diferentes Resíduos Agroindustriais para a Obtenção

de Amilases com Alto Potencial de Aplicação Comercial

14

Revista Analytica | Ago/Set 2020

ASTM E 3152

Standard Guide for Standard Test Methods and Practices Available for Determining Antifungal

Activity on natural or Synthetic Substrates Treated with Antimicrobial Agents

Norma publicada em: 01/2018. / Status: Vigente.

Classificação 1: Avaliação biológica de dispositivos médicos

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: CULTIVO DE Rhizopus sp. AL131 SOB DIFERENTES RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS PARA A OBTENÇÃO DE

AMILASES COM ALTO POTENCIAL DE APLICAÇÃO

Entidade: ASTM

País de procedência/Região: EUA.

https://www.astm.org/Standards/E3152.htm

ASTM G 21

Standard Practice for Determining Resistance of Synthetic Polymeric Materials to Fungi

Norma publicada em: 01/2015. / Status: Vigente.

Classificação 1: Plástico em geral.

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: CULTIVO DE Rhizopus sp. AL131 SOB DIFERENTES RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS PARA A OBTENÇÃO DE

AMILASES COM ALTO POTENCIAL DE APLICAÇÃO

Entidade: ASTM

País de procedência/Região: EUA.

https://www.astm.org/Standards/G21.htm

ASTM D 7338

Standard Guide for Assessment Of Fungal Growth in Buildings

Norma publicada em: 01/2014. / Status: Vigente.

Classificação 1: Edifícios em geral.

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: CULTIVO DE Rhizopus sp. AL131 SOB DIFERENTES RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS PARA A OBTENÇÃO DE

AMILASES COM ALTO POTENCIAL DE APLICAÇÃO

Entidade: ASTM

País de procedência/Região: EUA.

https://www.astm.org/Standards/D7338.htm

ASTM D 7584

Standard Test Method for Evaluating the Resistance of the Surface of Wet Blue and Wet White to

the Growth of Fungi in an Environmental Chamber

Norma publicada em: 01/2016. / Status: Vigente.

Classificação 1: Couro e peles.

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: CULTIVO DE Rhizopus sp. AL131 SOB DIFERENTES RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS PARA A OBTENÇÃO DE

AMILASES COM ALTO POTENCIAL DE APLICAÇÃO

Entidade: ASTM

País de procedência/Região: EUA.

https://www.astm.org/Standards/D7584.htm


Qualidade e confiança.

PADRÕES ANALÍTICOS - CONSUMÍVEIS - EQUIPAMENTOS - QUÍMICOS - MEIOS DE CULTURA - SANITIZANTES

Adquira mais que um produto! Obtenha segurança, qualidade e suporte.

Acesse o QR Code

e saiba como otimizar suas

análises Microbiológicas de

Produtos Estéreis.

Utilize a câmera do seu

smartphone e saiba mais!

www.lasdobrasil.com.br

comercial@lasdobrasil.com.br


Artigo 2

Autores:

Kelly de Carvalho1 Sovenhi Marcos Roberto Ruiz 1 , Paulo

Roberto da Silva Riberiro 1 , Daniele de Lacassa Leite 1 .

Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAI

“Santo Paschoal Crepaldi”

Presidente Prudente - SP

Imagem Ilustrativa

KEPI - Cera para Depilação com

Anestésico e Anti-Inflamatório

Resumo

A necessidade de produtos que diminuam

disponíveis no mercado de cosméticos. As

experiências dolorosas e traumáticas para

análises físico-químicas mostraram que a

A cera depilatória com anestésico e an-

realização de depilações somada à opor-

cera desenvolvida possui homogeneidade,

ti-inflamatório foi desenvolvida com o

tunidade neste nicho de mercado que está

viscosidade e está dentro dos padrões.

objetivo de tornar o processo de depila-

em constante expansão, devido à busca da

ção menos dolorido, sem irritabilidade ou

beleza estética, motivou o desenvolvimen-

Avaliando a opinião dos participantes dos

traumas na pele. Tendo em vista os produ-

to desse projeto.

testes, onde estão inclusos alguns alunos do

tos oferecidos no mercado atualmente, a

curso técnico em química e profissionais da

cera Kepí possui características exclusivas,

A partir da homogeneização dos ingre-

área de depilação, os resultados obtidos foram

como textura e aroma agradáveis, sensa-

dientes que compõem a cera Kepí, os re-

satisfatórios atendendo as expectativas de to-

ção refrescante, pronta para uso, não ne-

sultados obtidos nos testes foram satisfató-

dos que fizeram uso do produto desenvolvido.

cessitando de aquecimento na aplicação,

rios, além de proporcionar uma agradável

16

Revista Analytica | Ago/Set 2020

diminui a vermelhidão na pele logo após

a extração dos pelos.

sensação de frescor na pele, a durabilidade

do produto foi compatível com os produtos

Palavras-chave: Depilação, anestésico,

anti-inflamatório.


Introdução

A busca incessante pela beleza é assunto

de todas as civilizações até hoje. Desde muito

tempo já se conhece o desejo humano por

aquilo que é belo. Antigamente as depilações

faziam parte dos cuidados do corpo e claro a

questão estética, todavia, também existiam

outras motivações, principalmente relacionada

a religião, existia a crença que os pelos

eram ofensivos aos deuses, de ordem social, a

presença de pelos era considerada humilhante.

Entretanto, o principal objetivo sempre foi o

estético, em função das modas e dos hábitos

sociais, a depilação pode também ser um gesto

de higiene ou um ato terapêutico.

Figura 1. Constituição do pelo.

Fonte: www.sandro.com.br/o-que-e-foliculo-piloso.html/foliculo-piloso.

O pelo é ligado a um pequeno músculo eretor,

que permite sua movimentação a uma ou

mais glândulas sebáceas, que se encarregam

de sua lubrificação.

Depilação

A depilação é sem dúvida uma das formas

de manutenção do padrão da beleza

estética, está entre algumas das atividades,

tais como: a ginástica, a cirurgia estética,

a maquiagem, a tatuagem, estética facial,

tratamentos capilares.

A técnica de depilação é uma forma de

manter a higiene ou benefício da aparência,

com alguns tipos pouco realizados, seus procedimentos

estão se aprimorando cada vez

mais, para atender o público diversificado,

que hoje não é restrito às mulheres somente.

Os homens, de forma geral, que já faziam uso

da depilação facial com lâminas, estão modificando

os hábitos e utilizando a depilação

com cera e a laser. E o público só vem aumentando,

segundo a Associação do Comércio em

Presidente Prudente, no ano de 2012 apenas 3

estabelecimentos ofereciam um serviço exclusivo

ao público masculino, as chamadas Baber

Shop, em 2018 já chegam a 16 e os números

tendem a crescer.

Hoje e com certeza sempre a valorização

da beleza estética é um ponto forte na sociedade.

A procura pela melhoria visual é

percebida nos meios de comunicação, nos

ambientes escolares, no trabalho, familiar e

entre outros, ou seja, o assunto é sempre

abordado e é fonte de recurso para a economia

mundial. As indústrias mundiais

são reconhecidas pelos padrões de beleza

que vendem. As cinco maiores indústrias

no Brasil segundo as Revista Exame e a

Revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios

são: Avon, Unilever, Natura, P&G e O

Boticário, as mesmas não seriam tão bem

sucedidas se não investissem em atender

os requisitos de beleza, trazendo inovação,

novidades e tecnologia aos seus produtos

e serviços exigidos por seus consumidores.

Entre as técnicas mais disseminadas de

depilação no mercado, são as que utilizam

as ceras (cera fria, quente, negra e

espanhola), cremes depilatórios, lâminas,

pinças, linha (conhecida como depilação

indiana), eletrólise e a laser.

Técnicas

A depilação ou epilação, é o procedimento

de retirada dos pelos e pode ser classificada de

duas maneiras, de acordo com a sua realização.

As técnicas mecânicas ou físicas de remoção

dos pelos, estão relacionadas a manutenção

da natureza química e estrutural do

pelo, isto é, o pelo, é somente removido.

As técnicas mais utilizadas são por pinça,

linha, lâmina, cera e etc.

As técnicas químicas de remoção se relacionam

a ocorrência de reações químicas

entre os pelos e os reagentes empregados.

Esse tipo de procedimento destrói a estrutura

química do pelo para que ele seja eliminado.

Entre as técnicas mais utilizadas estão a extração

por laser, roll-on, eletrólise e etc.

Revista Analytica | Ago/Set 2020

17


Artigo 2

18

Revista Analytica | Ago/Set 2020

Materiais e Métodos:

Inicialmente foi feita a extração do óleo do

cravo utilizando o Soxhlet e como solvente o

hexano, porém verificou-se que o processo

não é economicamente viável.

Figura 2. Extração por Soxhlet.

Figura 3. Teste com Kepí.

Foi realizado um levantamento de várias

formulações das ceras atualmente disponíveis

no mercado, a fim de reunir as melhores matérias-primas

que foram utilizadas na formulação

visando uma melhor manipulação.

Desenvolveu-se uma formulação a base

de sacarose, para isso pesou-se 1k de açúcar

cristal em um béquer, 200ml de água desti-

lada medida em uma proveta volumétrica e

adicionada ao béquer com açúcar e adicionado

o suco em pó. Esta mistura ficou sob

aquecimento em um forno elétrico por cerca

de 30 minutos até completar a fusão, quando

atingiu a temperatura de 95ºC, foi adicionado

10g do anti-inflamatório e 30ml do óleo

de cravo, mexendo bem até que a mistura

ficasse homogênea, formando uma goma de

alta viscosidade e elasticidade.

Figura 4. Primeira formulação.

Resultados:

Foi formulada uma cera depilatória Kepí a

base de sacarose, sendo competente para o

processo de depilação quando comparada

com as ceras comercializadas atualmente,

pois apresenta uma boa aparência, um

agradável odor, viscosidade e elasticidade

adequadas, com facilidade de manipulação

durante todo o processo de obtenção

demonstrando também facilidade de fusão

após o endurecimento, uma vez que

a formulação funde-se rapidamente não

alterando as características elucidadas inicialmente.

O método não é mais nenhuma novidade,

fazer a depilação com cera, seja quente ou

fria, já faz parte da rotina da maioria das

mulheres que por sinal, se mostram habituadas

com o incômodo causado principalmente

pela sensação de dor, atualmente

esta prática também foi incorporada a

rotina de muitos homens, atletas e profissionais

do mundo da moda de maneira

ampla. Apesar de não parecer, este é um

procedimento muito dolorido e causa enorme

desconforto.

Incorporar o anestésico a formulação da

cera depilatória, foi totalmente satisfatória,

uma vez que os resultados obtidos por

teste realizados por alunos do curso técnico

de química e do curso de mecânica

de usinagem, foi 100% correspondentes a

expectativa proposta.


Figura 5. Rótulo da Cera Depilatória

Figura 6. Dados obtidos

Conclusão:

A fórmula da cera depilatória Kepí a base de

sacarose incorporada ao anestésico, mostrou

ter um bom aspecto organoléptico (textura,

odor e cor), bem como propriedades físico-

-químicas (viscosidade e elasticidade) sendo

ainda de fácil manipulação e bom rendimento.

Portanto todo o processo de preparação

da cera Kepí, torna-se economicamente

viável, de baixo custo devido os benefícios

proporcionados pelo produto final.

A incorporação do óleo de cravo na cera

Kepí, é fácil manipulação, resultando em

uma cera de aspecto muito bonito, não alterando

as características principais como

odor, viscosidade e elasticidade após endurecer.

Passados três meses do processo

de formulação, está se manteve com as

mesmas características, não alterando seu

aspecto e permanecendo viável para ser

utilizada.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

- MALAMED, S. F. Manual de Anestesia Local.

3ºed. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara

Koogan, 1993.

- Revista, Exame de 13 de set. de 2016.

- Revista, Pequenas Empresas & Grandes

Negócios de 27 de set. de 2017.

- PEYREFITTE, G. et al. Cosmetologia, biologia

geral, biologia da pele. São Paulo:

ed. Andrei, 1998.

- REGATIERI, F. Intoxicação por Anestésicos

locais; Disponível em:

http://www.anestesiologia.com.br/artigos.php?itm=57-

acessado em 02 out.

2008.

Complemento Normativo - Artigo 2

Referente ao artigo 2

Disponibilizado por Analytica em parceria com Arena Técnica

KEPI - Cera para Depilação com Anestésico e Anti-Inflamatório

ISO 10993-18

Biological evaluation of medical devices - Part 18: Chemical

characterization of medical device materials Within a risk management

process

Norma publicada em: 01/2020. / Status: Vigente.

Classificação 1: Avaliação biológica de dispositivos médicos

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: KEPI - CERA PARA DEPILAÇÃO COM ANESTÉSICO E ANTI- INFLAMATÓRIO

Entidade: ISO.

País de procedência/Região: Suiça.

https://www.iso.org/standard/64750.html

DIN EN 17226

Beauty Salon Services - Requirements and recommendations

for the provision of service

Norma publicada em: 01/2020. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: KEPI - CERA PARA DEPILAÇÃO COM ANESTÉSICO E ANTI-INFLA-

MATÓRIO

Entidade: DIN.

País de procedência/Região: Alemanha.

https://www.beuth.de/en/standard/din-en-17226/282794218

DIN EN 16844

Aesthetic medicine services - Non-surgical medical treatments

Norma publicada em: 10/2019.

Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: KEPI - CERA PARA DEPILAÇÃO COM ANESTÉSICO E ANTI-INFLA-

MATÓRIO

Entidade: DIN.

País de procedência/Região: Alemanha.

https://www.beuth.de/en/standard/din-en-16844/310883366

Revista Analytica | Ago/Set 2020

19


Análise de Minerais

O que o COVID-19 pode ensinar aos

laboratórios de controle de qualidade?

Por Eduardo Pimenta de Almeida Melo

Não se trata de novidade para absolu-

treinamentos técnicos, operacionais e muito

o abastecimento dos fármacos às pessoas em

tamente ninguém que vivemos a mais

desenvolvimento tecnológico e analítico.

tratamento, as análises físico-químicas, sen-

abrangente pandemia dos nossos tempos.

Erros em análises laboratoriais podem privar

soriais e microbiológicas precisas evitam in-

Os impactos são os mais severos possíveis

de um tratamento adequado os pacientes com

terferências nos processos, erros críticos, cus-

e imagináveis, sejam eles em termos hu-

enfermidades detectadas ou não, disponibili-

tos e colaboram com a saúde da população.

manos, econômicos, sociais e psicológicos.

zar alimentos que não se encontram adequa-

Nunca, enquanto sociedade moderna e

das ao consumo humano, gerar riscos para edi-

Diante da relevância indiscutível de resulta-

tecnológica, fomos submetidos a tantas

ficações ou automóveis e seus ocupantes. Além

dos precisos, os gestores dos laboratórios de

mudanças e incertezas como atualmente.

dos exemplos de impactos mencionados que

controle de qualidade estão sendo extrema-

O que já era notório, se intensificou ainda

afetam gravemente a dimensão humana, exis-

mente desafiados neste período de adequação

mais com a COVID-19. E, obviamente, não

tem ainda os impactos aos negócios que, por

de suas equipes, dada a necessidade de um

poderia ser diferente nos laboratórios de

consequência, podem levar empresas a ban-

profundo cuidado para com as pessoas. Prote-

controle de qualidade!

carrota e desempregar milhares de pessoas.

ger a reputação do laboratório (e por consequência

a de toda a equipe e da empresa) e não

Neste caso específico, poucas diferen-

Nesse período de pandemia, onde bancos

permitir que a qualidade seja impactada pelas

ças encontraremos se tivermos falando de

de sangue já estão acometidos com escassez

constantes mudanças e pressões emocionais

análises minerais, microbiológicas, petro-

de bolsas; as indústrias alimentícias e toda

que afetam a todos, tem sido um desafio cons-

químicas, laboratórios de saúde humana ou

sua complexa cadeia de insumos que vai des-

tante e que necessita ser incluído nos riscos

veterinários. Isto para citar apenas alguns.

de a mineração que fornece o minério para

ponderados às operações durante a pandemia.

O fenômeno COVID-19 vem solapando a to-

a fabricação das embalagens, passando pelo

dos de forma certeira, derrubando modelos

petróleo para garantia da logística, chegan-

Dado isso, intensificar o uso e a análise do

de gestão, tecnologias de última geração e

do as redes de supermercados que precisam

controle de qualidade nos laboratórios é de

muito mais do isso, a credibilidade constru-

garantir o abastecimento a população; e as

extrema importância. Ações de prevenção pro-

20

Revista Analytica | Ago/Set 2020

ída por anos de trabalho duro e esforço de

indústrias farmacêuticas necessitam prover

porcionadas pelas ferramentas da qualidade


Análise de Minerais

são mais eficientes do que as ações de correções,

pois evitam desperdícios de insumos,

gastos com repetições e retrabalho, otimizam

a mão de obra humana disponível e tornam as

análises mais produtivas e confiáveis.

Assim, determinadas atividades que

aparentemente são simples, podem trazer

substanciais ganhos em termos de tempo,

qualidade analítica e pressão sobre a

equipe para liberação de resultados. Uma

análise detalhada da preparação das amostras

antes da análise pode resultar tanto da

eliminação de tempos mortos e retrabalhos

quanto a melhoria da organização e do fluxo

de atividades de processo. A ferramenta

LEAN MANUFACTURING, que já abordamos

em outra edição, é capaz de dar um olhar

sistemático para esta etapa do processo, resultando

em expressivos ganhos em todas

as dimensões.

Outro ponto que pode trazer ganhos substanciais

é a reavaliação da programação de

métodos nos equipamentos analíticos. É um

fato que uma vez que incluímos equipamentos

automatizados nos laboratórios e eles

estão desempenhando adequadamente sua

função, acabamos por esquecer que sempre

é possível otimizá-los, aumentando sua velocidade

de análise, otimizando o método ou

a variável resposta ou ainda, permitindo que

ele realize cálculos básicos que atualmente

não são automatizados.

Uma série de outras avaliações pode ser realizada

e que trazem uma série de ganhos e por

muitas vezes tem seu potencial subestimado.

A reavaliação de controles periféricos, como

controles de umidade e temperatura, condições

operacionais de colunas, concentração e posição

do eluente, fluxo, entre tantas outras é uma

alternativa nem sempre considerada. O uso de

ferramentas como KANBAN, é uma destas alternativas.

O KANBAN é uma ferramenta visual,

simples e que permite o adequado controle das

rotinas e dos fluxos de processo, garantindo que

todas as atividades sejam realizadas de uma forma

“puxada”. Com ele, reduz-se o tempo gasto

para a preparação e execução dos processos, elimina

atividades que não agregam valor à equipe

e ao produto e reduz os custos e desperdícios.

A qualidade é fundamental em períodos

de extrema volatilidade e complexidade. Ela

colabora para a credibilidade e sustentabilidade

do laboratório de controle de qualidade

durante e após os momentos de incertezas,

escassez de recursos e dificuldades

operacionais. É uma verdadeira aliada dos

profissionais que requerem dados confiáveis

para assegurar as suas decisões em momentos

de ações rápidas e precisas.

Após o cenário de pandemia, várias mudanças

e contingências implantadas e que

objetivaram em garantir a operação dentro

do modelo atual, poderão nos trazer soluções

que garantam a sustentabilidade da

aliança qualidade e produtividade dentro

das operações analíticas.

É hora de ir mais além! Repensar métodos

e processos para prover informações incontestáveis

e que contribuam para o êxito do

contratante ou da empresa e garantindo a

credibilidade do laboratório, é a melhor linha

para se trabalhar.

Nesse contexto, o histórico de desempenho

do laboratório associado à sua capacidade

de sobreviver à crise do COVID-19, será

fundamental para promovê-lo e se manter

na vanguarda dos processos de qualidade.

Eduardo Pimenta de Almeida Melo

Engenheiro Químico, Gerente de Laboratórios da CSN Mineração, MBA em Gestão Empresarial, Pós–Graduado em Gestão de Laboratórios

e Especializado em Data Science. Coordenador da Comissão de Estudos para Amostragem e Preparação de Amostras em Minério de Ferro

para a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

LinkedIn: https://br.linkedin.com/in/eduardo-melo-16b22722

E-mail: eduardo.melo@csn.com.br

Revista Analytica | Ago/Set 2020

21


Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação

A Importância de Consulta em Banco de Dados

Dados no Desenvolvimento de Metodologias Analíticas

Por Ingrid Ferreira Costa, Carlos Eduardo Rodrigues Costa

O principal desafio do desenvolvimento

Habitualmente, o desenvolvimento de méto-

As informações que esses bancos de da-

de métodos analíticos é transferir os conhe-

dos é correlacionado com fórmulas matemáticas

dos disponibilizam são variáveis. Pode-se

cimentos teóricos para a prática. A maioria

que dão uma representatividade teórica para o

encontrar desde características físico-quí-

dos profissionais deixam de lado os conceitos

analista compreender onde a metodologia deve

micas básicas que não são encontradas

básicos e buscam se qualificar em temáticas

ser ajustada, e também, entender alguns parâ-

facilmente em literatura científica até me-

mais avançadas com o propósito de melhorar

metros do equipamento. Porém, esses cálculos

todologias consolidadas incluindo todas as

a sua performance no laboratório. Entretan-

em uma rotina laboratorial podem não ser viá-

informações para a reprodutibilidade dos

to, seu desenvolvimento como profissional

veis, já que não é apenas calcular, os conheci-

ensaios analíticos. Ou seja, informações

fica estagnado, porque se os conhecimentos

mentos teóricos precisam estar fundamentados

que irão te ajudar na sua rotina laborato-

básicos são deixados de lado, a aplicação dos

para serem aplicados na prática.

rial e que podem ser buscadas com base da

conhecimentos mais avançados não irá atin-

sua área de atuação, já que existem bancos

gir os resultados que são esperados.

Mas, como podemos facilitar esses trâmi-

de dados específicos para cada segmento:

tes? Utilizando banco de dados! Atualmente,

químico, ambiental, farmacêutico, alimen-

Quando se trabalha com equipamentos

existem alguns bancos de dados gratuitos e

tos, cosméticos, entre outros.

instrumentais, o analista obrigatoriamente

outros que cobram uma taxa simbólica pelo

precisa dominar as terminologias e os signifi-

procedimento de atualização frequente dos

No entanto, nem sempre as especifica-

cados de cada um dos parâmetros físico-quí-

dados, nacionais e internacionais, que facili-

ções técnicas que estão descritas nesses

micos que estão envolvidos naquela análise.

tam o trabalho de desenvolver metodologias.

bancos de dados serão condizentes com

Caso o contrário, o desenvolvimento da me-

Para utilizá-los, o analista pode buscar pela

a sua realidade. As marcas dos equipa-

todologia pode não responder ao objetivo

própria molécula que ele está trabalhando ou

mentos, acessórios, consumíveis, e entre

proposto, e quando for passar pelo processo

por moléculas que possuem características

outros, podem não ser os mesmos, sendo

22

Revista Analytica | Ago/Set 2020

de validação de métodos, provavelmente,

será reprovado em algum critério estatístico.

em comuns, como por exemplo: grupo funcional

e estrutura molecular.

assim, é necessário realizar algumas adaptações

na metodologia.


Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação

Por exemplo, o método que será utilizado

terá como propósito quantificar uma

substância química por HPLC, porém, o seu

laboratório não possui a fase estacionária

e nem os solventes da fase móvel descritos

nas especificações. Uma das sugestões

para resolver o problema seria estudar as

características físico-químicas e procurar

substitutos que apresentem as mesmas

propriedades. Quando se trabalha com

cromatografia, uma das características

mais importantes é a polaridade dos analitos

de interesse, fase estacionária e fase

móvel, sendo assim, é uma propriedade

que precisa ter similaridade na busca de

substitutos para que o método não perca

os seus fundamentos.

O banco de dados também pode ser útil

quando o processo de derivatização de alguns

compostos torna-se necessário, ou seja, não é

possível realizar a análise pretendida com uma

determinada amostra, porque ela não atende

as especificações básicas de uso de um equipamento.

Como nos casos da cromatografia

a gás que os analitos de interesse da amostra

precisam ser voláteis, e da espectrometria de

massas quando os analitos não se ionizam facilmente.

Então, precisa-se buscar um solvente

que irá reagir com os componentes da amostra

e formar derivados que possuem estruturas

semelhantes aos seus analitos de interesse.

Portanto, o analista pode buscar as principais

características físico-químicas e estruturais

desses derivados que serão formados para

verificar a viabilidade da análise, assim como

também, comparar os dados dos analitos de

interesses com os seus derivados.

Por mais que os desafios aumentem no

seu laboratório, o domínio dos conhecimentos

básicos, teóricos e práticos de uma

técnica, e a interpretação das características

físico-químicas sempre serão exigidos,

inclusive, antes de realizar alguns cálculos

para verificar a eficiência do seu método

e os estudos estatísticos da validação. Por

isso, é importante ressaltar que existem

ferramentas e alguns aprendizados mais

avançados que podem te ajudar a solucionar

os problemas do dia a dia, entretanto,

os fundamentos de química geral e o conhecimento

geral da técnica serão primordiais

para ter sucesso na sua rotina.

REFERÊNCIAS

1. Morgante, Pierpaolo & Peverati, Roberto.

(2018). ACCDB: A Collection of Chemistry

DataBases for Broad Computational Purposes.

2. Williams, Antony. (2008). Public chemical

compound databases. Current opinion in

drug discovery & development. 11. 393-404.

Ingrid Ferreira Costa

Mestranda em Ciências Farmacêuticas (UNIFESP) atuando na linha de pesquisa de Desenvolvimento e Inovação Farmacêutica focado

no estudo metabolômico de microrganismos e plantas medicinais. Bacharel em Química com Atribuições Tecnológicas (UNIFESP

e FASB). CEO da Biochemie Consultoria, Empreendedora Científica, Especialista em P&D, sobretudo, em executar investigações

analíticas e know-how em desenvolver novas metodologias analíticas. Fundadora dos eventos online: WebConai e Concifarma.

E-mail: cif.ingrid@gmail.com

Carlos Eduardo Rodrigues Costa

Graduado em Farmácia – Habilitação Industrial pela UFMG, com MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Possui mais de 15 anos de experiência na gestão de laboratórios analíticos (Controle de Qualidade, Estabilidade e Desenvolvimento

e Validação Analítica). Já atuou como gestor das áreas de Desenvolvimento Farmacêutico e Validação de Processos de na Indústria

Farmacêutica. Atualmente, atua como gestor de Controle de Qualidade (Físico-químico, Microbiológico, Embalagem, Estabilidade

e P&D Analítico), P&D Farmacêutico e Validação de Processos. Palestrante destaque dos eventos online: WebConai e Concifarma.

E-mail: carloseduardo.rcosta@gmail.com

Revista Analytica | Ago/Set 2020

23


Espectrometria de Massa

Espectrometria de massas por

tempo de voo TOF-MS

Por Oscar Vega Bustillos*

Segundo a filosofia reducionista formula-

TOF-MS. No início dos anos de 1950, os espec-

da por Gilhermo Ockhan no século XIV, entre

trômetros TOF-MS caíram em desuso por culpa da

várias teorias com resultados iguais, que expli-

baixa resolução, limitada a próximos 200, ou seja,

cam ou preveem os mesmos fenômenos, de-

separação da m/z 200 de m/z 201. A principal

vemos sempre escolher a teoria mais simples.

razão da baixa resolução foi a distribuições de

Esta filosofia também é aplicada na espectrometria

de massas. O analisador por tempo de

voo TOF-MS é provavelmente o método mais

simples de medição de massas, comparado

Figura 1: Espectrômetro de massa MALDI/TOF-MS. Fonte

de íons MALDI pulsada por Laser. Destacando as regiões da

extração, aceleração, voo livre e detector dos íons.

Fonte: C.Dass. 2007

energia dos pacotes de íons produzidos pelas fontes

de íons de um laser. O momento linear do íon,

quando este entra em um analisador TOF, é função

da energia recebida durante a ionização, de sua

com os analisadores setoriais e por quadrupo-

- MALDI. Os íons desta fonte são acelerados

localização quando é acelerado e da voltagem de

los. Tem como princípio físico, o tempo que os

e focalizados num feixe paralelo que entram

aceleração. Nos primeiros instrumentos, não era

íons precisam para cruzar um tubo de campo

continuamente na região do modulador de

possível alinhar os íons num mesmo plano antes

livre de aproximadamente 1 m de comprimen-

íons do analisador TOF. Inicialmente, a região

de sua aceleração no analisador. Os instrumentos

to, igual a uma corrida de cavalos, o cavalo que

do modulador é livre de campo e os íons con-

TOF foram ainda mais prejudicados pela falta de

tem maior energia cinética chega primeiro. Foi

tinuam a se mover em sua direção original.

componentes eletrônicos e um sistema de com-

proposto teoricamente em 1946 por William

Um campo elétrico pulsado é aplicado numa

putação de alta velocidade. Wiley e McLaren de-

E. Stephens, da Universidade de Pensilvânia,

frequência de vários quilohertz (kHz) através

senvolveram um esquema de focalização de íons

numa reunião de sexta feira de ciência no MIT.

de um espaço do modulador de vários mm de

com retardo de tempo que melhorou a resolução

O movimento de um íon é caracterizado por

largura, empurrando os íons em uma direção

de massas corrigindo as distribuições iniciais de

sua energia cinética (Ec) proporcional à sua

ortogonal ao seu movimento inicial, em uma

energia espacial e cinética dos íons.

massa (m) e velocidade (v), segundo a equa-

seção de aceleração de vários keV. Os pulsos do

ção: Ec = ½ m v2 ; e pela energia potencial

modulador servem como gatilho para registrar

O primeiro GC/TOF-MS foi construído em

(Ep) do íon, proporcional a sua carga (z) e ao

espectros no detector. Todos os íons no pacote

1955 por Fred McLafferty e Roland Gohlke.

potencial elétrico (U), segundo a equação: Ep

de íons pulsados recebem a mesma energia

Este instrumento GC/MS gerou espectros de

= zU. Igualando as duas equações de energia;

cinética inicial. Os íons mais leves viajam mais

massa a uma taxa de 10 kHz exibidos pela

Ec = Ep obtemos a relação m/z, proporcional

rápido e chegam ao detector mais cedo. Con-

primeira vez num osciloscópio. Assim, os

ao tempo (t) e espaço (d) do voo do íon, se-

forme os íons entram e se movem numa zona

componentes gráficos do cromatograma do

gundo a equação: m/z = 2U (t/d)2. Portanto,

de campo livre à deriva, eles são separados por

gás eluído, acetona, puderam ser identifica-

o tempo (t) de voo do íon, através do tubo é

sua relação massa/carga no tempo.

dos visualmente imediatamente no visor do

proporcional a sua relação m/z.

osciloscópio. Por meio de uma câmera foto-

Os primeiros instrumentos TOF-MS foram proje-

gráfica Polaroid pode ser visualizada a elui-

O esquema de um analisador TOF-MS é mos-

tados e construídos no final dos anos 1940. Avan-

ção do analito acetona proveniente da coluna

26

Revista Analytica | Ago/Set 2020

trado na Figura 1. Os íons são introduzidos

como pacotes pulsados diretamente da fonte

de íons provenientes de um instrumento GC,

LC ou da Dessorção a Laser Assistida por Matriz

ços importantes foram feitos por William C. Wiley

e Ian H. McLaren na Bendix Corp., uma empresa

aeroespacial americana, sendo a primeira empresa

a comercializar espectrômetros de massas

cromatográfica e simultaneamente o espectro

de massas proveniente do TOF-MS (Figura 2).

Uma maravilha tecnológica para aquela época,

graças ao TOF-MS.


Espectrometria de Massa

Figura 2: Cromatograma e espectro de massas da acetona

obtido via GC/TOF-MS por McLafferty e Gohlke utilizando

uma câmara Polaroid.

Fonte: Gohlke e McLafferty. ASMS, 1993

Como um gigante adormecido, os analisadores

TOF ressurgiram na década de

1990 com o desenvolvimento de extratores

retardados de íons e refletores iônicos, bem

como melhorias em eletrônica e de computação.

Uma maneira de reduzir a propagação

da energia cinética foi introduzido um

atraso de tempo entre a formação e aceleração

dos íons, conhecida como extração

pulsada retardada. Após um certo atraso de

tempo variando de nano segundos a micro

segundos, um pulso de voltagem é aplicado

para acelerar os íons para fora da fonte. A

resolução de massa no TOF melhorou graças

a invenção do refletor de íons, no ano de

1973, pelo russo Boris A. Mamyrin do Instituto

Técnico de Leningrado, antiga União

Soviética. O refletor de íons corrige os efeitos

da distribuição de energia cinética dos

íons (Figura 3).

Os íons com alta energia penetram mais

profundamente na região do espelho de íons

do que aqueles com uma energia menor. Por

causa das diferentes trajetórias, todos os íons

com mesmo m/z alcançam o detector ao mesmo

tempo. Assim, os íons com mesmo m/z

têm uma dispersão de energia menor. Por

meio do refletor de íons a trajetória do voo

destes é aumentada sem alterar o tamanho

físico do instrumento, uma vantagem comercial

devido à falta de espaço em laboratórios.

Graças ao refletor de íons, o poder de resolução

de massas do TOF chega até 15.000 e a

faixa de massas atinge milhares de unidades

de m/z. Os espectrômetros de massas com

analisador TOF fazem uma varredura de massas

com maior sensibilidade comparadas aos

espectrômetros de massas com analisador

quadrupolo. A combinação de MALDI com TOF

é ideal porque ambas as técnicas são técnicas

pulsadas. A técnicas de ionização suave MAL-

DI, produz íons de m/z 200.000 que podem

Figura 3: Refletor de íons do TOF-MS, com dois modos de

detecção, um sem refletor de íons (Detector 1) e outro com

refletor de íons (Detector 2).

Fonte: C.Dass. 2007.

ser detectados rotineiramente pelo TOF-MS.

Também é possível detectar um feixe contínuo,

gerado na ionização, pelo Eletrospray. Para

esse propósito a aceleração ortogonal foi desenvolvida.

O feixe de íons é introduzido perpendicularmente

ao TOF e os pacotes de íons

são acelerados ortogonalmente com frequências

semelhantes, melhorando a sensibilidade.

Enquanto um pacote de íons é analisado, um

novo feixe é formado na aceleração ortogonal.

A velocidade dos íons formados é geralmente

baixa e eles são acelerados por fortes campos

elétricos (2–30 kV) na direção do detector. Os

íons de menor massa atingem o detector mais

rapidamente do que íons de maior massa. Devido

ao curto tempo de voo, 50-100 ms, e a

elevada transmissão, um espectro de massas

pode ser gerado em 100 ms numa faixa de

massas quase ilimitada. A detecção dos íons é

realizada por meio de um detector multicanal

(MCP) que possui uma dinâmica relativamente

pequena de intervalo, geralmente duas a três

ordens de gradeça.

Referências bibliográficas

1) C. Dass. “Fundamentals of contemporary mass spectrometry”.

John Wiley & Sons. Canada. 2007.

2) R.S. Gohlke e F.W. McLafferty. “Early gas

chromatography/mass spectrometry”. J. Am. Soc.

Mass Spectrom. V4, 367-371. 1993.

3) S. Hosseini e S.O. Martinez “Maldi-TOF-MS

Analysis”. Edit. Springer. 2017.

*Oscar Vega Bustillos

Pesquisador do Centro de Química e Meio Ambiente CQMA do Instituto de Pesquisas

Energéticas e Nucleares IPEN/CNEN-SP

Tel.: 55 11 3133-9343 E-mail: ovega@ipen.br - Site: www.vegascience.blogspot.com.br

Revista Analytica | Ago/Set 2020

27


Microbiologia

Adequabidade dos métodos microbiológicos

Particularmente na indústria farmacêutica, o

desenvolvimento de métodos microbiológicos e,

especificamente, a adequação do método são frequentemente

negligenciados ou deixados para o final

de um projeto. No entanto, é importante dar a devida

consideração tanto a adequação do método quanto o

desenvolvimento, pois pode ser um processo complicado

que envolve amplas especificações, parâmetros

vagos e a variação inerente que vem do trabalho com

organismos vivos . No passado, as agências regulatórias

consideravam os métodos compendiais como

validados, não levando em conta as características de

cada formulação farmacêutica.

A contaminação microbiana de um produto não

estéril (produto acabado e insumos farmacêutico)

pode conduzir não somente à sua deterioração, com

as mudanças físicas e químicas associadas, mas

também ao risco de infecção e toxi-infecção para

o usuário. Consequentemente, os produtos farmacêuticos

orais e tópicos (cápsulas, comprimidos,

suspensões, cremes, etc.), que não são estéreis, devem

ser submetidos aos controles da contaminação

microbiana, bem como os produto estéreis, como

injetáveis, colírios, e os produtos para saúde como

cateteres, sondas, agulhas etc.

A garantia de qualidade e os controles de produção

devem ser tais que os micro-organismos capazes

de proliferar e contaminar o produto estejam

dentro dos limites especificados. Os limites microbianos

devem ser adequados às várias categorias

de produtos que reflitam o tipo de contaminação

mais provável introduzida durante a fabricação, bem

como a via de administração, o consumidor final

(neonatos, crianças, idosos, debilitados), o uso de

agentes imunossupressores, corticosteroides outros

fatores. Ao avaliar os resultados dos testes microbiológicos,

o número e os tipos de microorganismos

presentes devem ser considerados no contexto do

uso do produto proposto.

O teste de esterilidade de produtos farmacêuticos

estéreis é uma parte importante das Boas práticas ,

e é usado para garantir que os produtos farmacêuticos

e biofarmacêuticos sejam realmente estéreis e

seguros para uso humano. A Farmacopeía Brasileira

descreve o método de teste de esterilidade usado

para produtos farmacêuticos e biológicos.

A demonstração da adequação do método em

ensaios microbianos está agora bem estabelecida.

A expectativa de que o teste permitiria e

superaria as propriedades bacteriostáticas do

material a ser testado surgiu pela primeira vez

com a primeira versão do Teste de Esterilidade da

Farmacopeia dos Estados Unidos (USP) da USP

XI. Uma descrição do teste apareceu na USP XIV

e foi detalhada na USP XV , onde foi identificado

pela primeira vez como Bacteriostase e Fungistase.

Este nome foi alterado no início dos anos

2000 para adequação do método como parte do

processo de harmonização internacional .

Além do teste de esterilidade, a harmonização

dos testes de limites microbianos (Capítulos da Farmacopéia

Brasileira 6º edição, 5.5.3.1 Ensaios Microbiológicos

para produtos não estéreis; 5.5.3.1.4

Adequação dos Métodos Farmacopéicos e 5.5.3.2

Ensaios Microbiológicos para Produtos estéreis; na

Farmacopéia Americana capítulos ;)

aumentou as expectativas do compêndio para demonstração

da adequação do método.

É importante definir claramente qual é o objetivo

do estudo de adequação do método (conforme

descrito nos compêndios). Este objetivo

não e somente para demonstrar a capacidade

para recuperar os microrganismos presentes no

produto. Se fosse esse o caso, os organismos de

desafio seriam inoculados diretamente no produto

- não são. Este design não funcionará se as

propriedades antimicrobianas do produto impedirem

o crescimento microbiano . Nesse caso, o

produto poderia matar todos os organismos de

desafio antes que fosse possível colocar os organismos

em teste. O objetivo de um teste de adequação

de método microbiológico é demonstrar

que quaisquer propriedades antimicrobianas residuais

do produto ou do método de recuperação

foram neutralizadas usando os microrganismos

de desafio como uma espécie de indicador biológico

de neutralização.

As contagens microbiológicas são a nossa

'melhor estimativa' com base no quantificador

amplamente aceito conhecido como unidades

formadoras de colônia (UFC). As UFCs são arbitrariamente

definidas como provenientes de

uma única célula de microorganismo que se

divide para fornecer uma única colônia em um

meio de ágar. É improvável que seja o caso, entretanto,

e uma UFC pode surgir de um aglomerado

ou grupo de várias células. A diluição também

pode introduzir variabilidade e determina

o limite de detecção em torno da contagem de

CFU alcançada.

Os microrganismos são afetados por uma série

de outros fatores que podem ou não estar sob o

controle do técnico , como estresse ambiental, fase

de crescimento e disponibilidade de nutrientes .

Quaisquer microrganismos usados também devem

estar dentro de cinco passagens da cepa original,

pois novas passagens do organismo podem causar

alterações fenotípicas. Estas são apenas algumas

das complicações ou limitações que enfrentamos

nos exames microbiológicos desde o início.

Referencias bibliográficas :

1 – Farmacopéia Brasileira 6º edição , 2019

2 - Nakahira LM, Kikuchi IS, Pinto T de JA. Métodos de validação para

recuperação microbiana por contagem em placa [Internet]. Resumos.

2012 ;Available from: https://uspdigital.usp.br/siicusp/cdOnline

3- USP 43 General Chapter , .

28

Revista Analytica | Ago/Set 2020

Claudio Kiyoshi Hirai

Farmacêutico bioquímico, diretor científico da BCQ consultoria e qualidade, membro da American

Society of Microbiology e membro do CTT de microbiologia da Farmacopeia Brasileira.

Telefone: 11 5083-5444 - E-mail: claudio@bcq.com.br


O Poder da Estrutura:

Nova Filial Logística no Rio de Janeiro

Logística Laboratorial

Em tipo de atividade comercial e organizacional,

existe uma estrutura que contempla

o funcionamento interno e externo dos serviços

da empresa, normalmente sendo necessário,

no mínimo, uma física (escritório,

galpão, centro de distribuição) e outra de

atividades por setor.

Uma estrutura eficiente é aquela em que

todos os elementos disponíveis estão dispostos

da melhor forma, proporcionando

assim o melhor resultado possível para os

clientes e parceiros.

Para isso ser possível, é necessário muito planejamento

e organização, estudando detalha-

Baseando-se nessa necessidade logística, o

Grupo Prime Cargo abriu a sua nova filial no

Confira os detalhes da nossa estrutura

logística no Rio de Janeiro:

damente os processos, atividades e objetivos

comerciais. Isso permite que as empresas extraiam

ao máximo seus potenciais.

Em grandes cidades, em questões geográficas

e comerciais, como o Rio de Janeiro, é

necessário ainda mais cautela para atender

as demandas com eficiência e agilidade,

principalmente nas questões logísticas de

armazenamento e distribuição, já que o

cumprimento dos prazos é uma das principais

formas de efetivar a fidelização do

cliente.

Rio de Janeiro, estrategicamente localizado

dentro do GLP Duque de Caxias.

Com o objetivo de proporcionar muito mais

economia, praticidade, agilidade e poder

de distribuição para a sua empresa, nosso

espaço conta com mais de 4.155 metros

quadrados, planejadamente distribuídos

para te atender de forma única no mercado,

garantindo que você alcance todo o

território nacional, seguindo e superando o

padrão de qualidade exigido.

• 6.100 posições porta paletes

• Operação Prime Cargo no transporte e Prime

Storage em armazenagem

• 09 Docas

Endereço:

Rodovia Washington Luiz, 20755 - Galpão

24, Módulo 4 - Vila Santo Antônio, Duque

de Caxias - Distrito de Xerém - RJ

Cep: 25225-015

Tel: (21) 2584-3340 | (11) 97335-4472

Venha conhecer os nossos serviços!

Visite: www.grupoprimecargo.com.br

Revista Analytica | Ago/Set 2020

29


Metrologia

Desafios para um Novo Inmetro

Introdução

palmente, com a popularização do computador

passo necessário para realizar uma transforma-

O Instituto Nacional de Metrologia, Normaliza-

pessoal e desenvolvimento da rede mundial

ção do Instituto, a fim de responder aos novos

ção e Qualidade Industrial (Inmetro) foi criado

de computadores, a Internet. O Inmetro muito

desafios.

em 1973, para responder ao desafio de preparar

contribuiu para a infraestrutura de qualidade

a indústria nacional para competir no mercado

do País, por meio de seus processos de confor-

Liberdade Econômica

de produtos manufaturados.

midade, pesquisa científica metrológica e in-

O Brasil é um dos países mais fechados do mun-

dustrial, sistema de acreditação de laboratórios,

do para o comércio internacional e um dos que

O legislador entendeu que deveria reunir em

regulação de mercado, educação para qualidade,

mais impõe obstáculos para o empreendedo-

uma mesma organização as ferramentas neces-

remoção de barreiras técnicas e tantas outras ati-

rismo. Em termos de competitividade, o Brasil

sárias para realizar esta transição fundamental

vidades.

caiu no ranking internacional da 44ª posição em

ao desenvolvimento do País. Assim, foi criada

2012 para a 80ª, entre 137 países, em 20182.

uma instituição que se tornou um símbolo de

Cabe ressaltar que a infraestrutura da qualidade

Em geral, o País possui uma legislação extensa,

confiança na sociedade brasileira. Pode-se dizer

é um sistema que engloba organizações, estru-

com dispositivos conflitantes, o que gera inse-

que o Inmetro, posteriormente rebatizado Ins-

turas legais e regulatórias e práticas necessárias

gurança jurídica para empreendedores e um

tituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tec-

para dar suporte ao aprimoramento da qualida-

elevado custo que termina sendo repassado ao

nologia, cumpriu bem sua missão e hoje o País

de, segurança ambiental e de produtos, servi-

consumidor, tornando os produtos mais caros no

possui uma indústria forte, capaz de abastecer

ços e processos1. Ela é a base para que o setor

mercado interno e prejudicando a competitivi-

o mercado interno com produtos seguros e com

produtivo possa se desenvolver com soluções

dade das empresas brasileiras no mercado in-

qualidade.

inovadoras e cada vez mais competitivas, garan-

ternacional. Uma das consequências é a grande

tindo a perenidade das empresas.

informalidade, amplamente reconhecida pelas

Um estudo realizado recentemente no Inmetro,

autoridades em todos os níveis. Esta situação é

com ampla discussão com as partes interessa-

Ao entrar na terceira década do século XXI, o In-

fruto de uma mentalidade que existe na cultura

das, identificou como nossa missão:

metro possui um enorme desafio a superar, pois

brasileira e que deve ser citada.

a sociedade está se transformando rapidamente,

Prover infraestrutura da qualidade para viabilizar

o que tem exigido das organizações uma rein-

Há uma desconfiança generalizada em relação

soluções que adicionem confiança, qualidade e

venção para conseguir entregar resultado dentro

a empresas e cidadãos, o que pode ser eviden-

competitividade aos produtos e serviços dispo-

de um novo contexto. Além disso, uma série de

ciado pelo princípio implícito de que o brasileiro

nibilizados pelas organizações brasileiras, em

reformas promovidas pelo atual governo brasi-

deve demonstrar a sua boa fé antes de receber

prol da prosperidade econômica e bem-estar da

leiro, com impacto transformador na estrutura

autorização para a realização de uma atividade.

nossa sociedade.

do Estado, exige que as organizações estatais

A quantidade de cartórios evidencia esta situ-

reavaliem suas formas de atuação. Dentre os

ação. A todo momento exige-se verificação de

Para compreender o alcance desta formulação

desafios que se colocam gostaria de destacar

assinaturas, cópias autenticadas e até mesmo

é importante observar que na década de 1970

neste artigo quatro: liberdade econômica, refor-

emissão de certidões recentes. Esse princípio

vivia-se a chamada 3ª Revolução Industrial,

ma administrativa do Estado, globalização e a 4ª

está não apenas nas leis, mas também nos

30

Revista Analytica | Ago/Set 2020

baseada no emprego crescente da informática,

com grande impacto no setor produtivo, princi-

revolução industrial. Em seguida, apresentarei

o planejamento estratégico institucional como

chamados dispositivos infralegais3, nos quais a

tendência natural do Estado é aumentar as exi-


Metrologia

gências para comprovação de uma situação até

-conformidades. Para que a Rede Brasileira de

Em consequência, o Inmetro e outras autarquias

eliminar todos os riscos possíveis, muitas vezes

Metrologia Legal e Qualidade do Inmetro - RB-

federais estão atravessando um momento de

sem levar em consideração o impacto que uma

MLQ-I possa realizar a supervisão do mercado de

redução e envelhecimento de seus quadros

medida específica pode gerar na sociedade.

forma moderna e mais eficiente será necessário

funcionais. É uma tendência que já dura alguns

o desenvolvimento de ferramentas baseadas em

anos e nada indica que será revertida no curto

O atual governo apresentou uma proposta de

sistemas de informação.

prazo, o que exige uma adaptação de gestão

mudar este entendimento, criando um ambiente

para atuar com um número reduzido de servi-

de negócios efetivamente liberal. Esta proposta

Cada vez mais é fundamental utilizar a participa-

dores públicos. A terceirização passa a ser uma

está em implantação pelo Ministério da Econo-

ção do próprio consumidor, seja uma pessoa física

prática cada vez mais comum, mas deve-se levar

mia e se traduziu principalmente na Lei de Li-

ou jurídica, que dispõe de meios tecnológicos para

em conta que há prerrogativas que são próprias

berdade Econômica4, que apresenta claramente

acessar e informar com rapidez qualquer suspeita

dos servidores, especialmente no que se refere a

uma mudança de paradigma: o empreendedor

identificada. Um exemplo é o sistema de avaliação

atividades de regulamentação e fiscalização.

deve ter a confiança do Estado até que se prove

de hospedagens da plataforma Airbnb, que cos-

em contrário. Ele não tem que atestar sua boa

tuma ser o meio mais eficaz para indicar ao con-

O Inmetro necessita reavaliar seus processos e

fé para empreender. Em termos de estratégia,

sumidor a qualidade do serviço prestado, além de

definir bem o papel que cada um pode desem-

significa que os agentes reguladores devem des-

permitir que a própria plataforma atue para evitar

penhar, entendendo a premissa de que o núme-

locar seu foco das exigências pré-mercado para

a manutenção de um serviço de hospedagem

ro de servidores foi e continuará sendo reduzido,

as ações pós- mercado, ou seja, trabalhar para

abaixo da qualidade esperada.

o que exige um investimento estrutural para

ter instrumentos para identificar e rapidamente

transformação digital, desenvolvimento de sis-

retirar de mercado produtos ou serviços que não

Reforma Administrativa

temas de informação e utilização de automação

atendam as exigências legais. Chamo atenção

Em paralelo à promoção da liberdade econômi-

em suas análises. Estas ações são essenciais para

para o Artigo 2º da referida Lei:

ca, o governo também tem atuado na reforma

superar a diminuição do quadro de pessoal.

administrativa do Estado. A necessidade de di-

“Art. 2º São princípios que norteiam o

minuir o peso do governo na sociedade é uma

Globalização

disposto nesta Lei:

tendência mundial e cada vez mais se buscam

Apesar do Brasil ainda ser um País relativamente

I – a liberdade como uma garantia no exercício de

parcerias entre os setores público e privado para

fechado para a economia global, esta situação

atividades econômicas;

possibilitar uma atuação mais rápida e eficiente.

tem mudado pela intensa pressão que o próprio

II – a boa-fé do particular perante o poder público;

Outro fator importante é a crescente pressão que

avanço tecnológico gera na nação, especialmen-

III – a intervenção subsidiária e excepcional do

os sistemas previdenciários exercem nos orça-

te nos meios de comunicação. A popularização

Estado sobre o exercício de atividades econômicas;

mentos nacionais, fruto principalmente do au-

dos smartphones e a facilitação do acesso à In-

e IV – o reconhecimento da vulnerabilidade do

mento da expectativa de vida das populações5.

ternet fazem com que uma pessoa tenha rapida-

particular perante o Estado.”

mente informação sobre o que está acontecendo

No Brasil o quadro não é diferente. Em 2019, o

no mundo. A demanda por bens ofertados em

O Inmetro necessita incorporar em seus ins-

País realizou um importante passo com a refor-

outros países é imediata e a pressão pela impor-

trumentos de atuação esta nova perspectiva, o

ma da previdência, o que exige um comporta-

tação aumenta.

que exige colaborar em um esforço para atuar

mento de responsabilidade fiscal cada vez maior

menos como guardião da porta de entrada de

das autoridades. A diminuição na reposição dos

Ao mesmo tempo, a inserção das empresas na-

produtos (entendido em sentido geral, incluindo

servidores aposentados por concurso público é

cionais no mercado internacional é facilitada, o

serviços e processos) e mais na monitoração do

mercado para identificar com rapidez as não-

uma das imposições para manter o equilíbrio

das contas públicas.

que impõe a necessidade do País ter uma infraestrutura

da qualidade para que nossos produtos

Revista Analytica | Ago/Set 2020

31


Metrologia

e serviços possam ser mais competitivos, tanto

O primeiro fator é a velocidade com que as

Schwab8 ressalta que é fundamental que os

internamente como nos diversos mercados in-

inovações chegam aos usuários. Um exemplo é

principais atores (governos, empresas, universi-

ternacionais, mesmo os mais exigentes como o

a rapidez com que a tecnologia móvel chegou

dades e sociedade civil) trabalhem em conjunto

europeu.

às mãos de pessoas em todo o mundo, uma

para tratar da governança da Indústria 4.0, o que

tendência cada vez mais acentuada. O segundo

exige o desenvolvimento de confiança e parceria

O Inmetro foi criado no contexto de uma políti-

fator é a amplitude e o alcance das inovações.

entre eles. Portanto, o Inmetro não tem como

ca de substituição de importações, própria dos

Não se trata apenas de rapidez, mas da quanti-

apresentar soluções efetivas sem um intenso

países em desenvolvimento, na década de 1970,

dade de pessoas que têm acesso às tecnologias,

trabalho conjunto com outros entes públicos e

mas que não encontra mais lugar na intensa

algo sem precedentes na história. O terceiro fator

privados, sob o risco de não conseguir implan-

competição atual pelos mercados, se é que já

é o efeito sistêmico. Cada vez mais as inovações

tá-las. Abre-se espaço para o desenvolvimento

teve eficiência. Não é por meio de protecionismo

possuem capacidade de afetar setores inteiros da

de ações de autorregulamentação, que podem e

que as empresas nacionais vão garantir sobre-

sociedade. Um exemplo de inovação que possui

devem ser estabelecidas.

vivência e prosperidade, mas pela via da quali-

estas três características, ou seja, velocidade,

dade e da competitividade de seus produtos e

amplitude e efeito sistêmico, é o Uber, que está

Planejamento Estratégico: uma necessidade

serviços.

sendo amplamente utilizado no planeta, com

Estes desafios exigem do Inmetro uma visão

uma rapidez impressionante e afetando todo

de futuro, a definição da direção a seguir e a

Com o fortalecimento de organizações como a

um setor da economia, o de transportes.

implantação de um conjunto de ações para

OMC e dos instrumentos para remoção de bar-

se adaptar à nova realidade. É um quadro que

reiras técnicas, como o Acordo sobre Barreiras

Uma das consequências destes fatores é o

indica a necessidade de uma transformação da

Técnicas ao Comércio, o Inmetro tem que atuar

enorme potencial para escala exponencial dos

organização, com objetivo de melhor adequá-la

mais efetivamente no desenvolvimento da in-

empreendimentos. O século XX ainda tinha por

para os desafios impostos, não apenas pela nova

fraestrutura da qualidade, para possibilitar que

paradigma a evolução linear, tendo as grandes

indústria, mas pela sociedade 4.0 em suas diver-

o setor produtivo brasileiro possa inovar e se

empresas se caracterizado pela inclinação acen-

sas vertentes como cidades inteligentes, internet

tornar mais competitivo. Um papel importante

tuada de seu desempenho. Esta situação já mu-

das coisas, plataformas de relacionamento, na-

do Instituto é na redução de barreiras aos pro-

dou e há numerosos casos de empresas que nos

notecnologia, automação, robótica, tecnologias

dutos brasileiros no mercado exterior. A solução

últimos anos tiveram um aumento exponencial

móveis, etc. Qualquer organização estatal que

protecionista é cada vez mais difícil de adotar e

de seus negócios, como Uber, Airbnb, Facebook

não entenda este momento de transformação

manter em um cenário de intensificação da glo-

e Amazon. As startups são grandes exemplos de

na sociedade não terá condições de cumprir sua

balização por meio do comércio internacional.

como estes processos exponenciais ocorrem e de

missão institucional e tenderá à irrelevância ou

como empresas construídas por amigos podem

ao desaparecimento. Ao observar a importância

rapidamente se tornar gigantes.

das atividades desenvolvidas pelo Inmetro e,

4ª Revolução Industrial

principalmente, seu potencial como organização

A 3ª Revolução Industrial começou no pós-II

Outra consequência importante é o potencial

tecnológica, é fundamental guiá-lo para que

Guerra Mundial e teve como característica a

de ruptura, em que novos modelos e paradig-

seja um impulsionador da transformação neces-

inserção da tecnologia na atividade científica

mas rompem de forma abrupta com modelos

sária em nosso setor produtivo.

e industrial, ganhando um enorme impul-

e paradigmas anteriores7. A tecnologia do

so com o desenvolvimento da informática.

streaming não só derrubou gigantes das vide-

O Inmetro necessita, portanto, de um planeja-

Atualmente, pode-se dizer que vivemos a 4ª

olocadoras, como praticamente extinguiu todo

mento estratégico institucional para iniciar seu

32

Revista Analytica | Ago/Set 2020

Revolução Industrial, caracterizada por pelo

menos três fatores 6 .

um modelo de negócios, tudo isso em curto

espaço de tempo.

processo de transição. Muitas vezes visto como

uma formalidade, este tipo de planejamento pode


Metrologia

ser um poderoso instrumento de alinhamento de

todos os esforços de uma organização para atingir

um grande objetivo institucional. Nos dias de hoje,

é imprescindível que seja um planejamento dinâmico,

transparente e flexível, pois o ambiente de

incerteza sempre estará presente.

Este processo está em andamento, elaborado

por servidores da própria casa e com ampla participação

dos interessados, tanto público interno

quanto entidades externas. É uma oportunidade

para que a instituição entenda os problemas que

necessitam solução, o contexto que os envolvem

e o caminho que deve ser percorrido para superá-los.

Com a qualidade e a experiência do corpo

funcional do Instituto, espera-se um trabalho de

excelência, que já começa a dar seus primeiros

frutos com o posicionamento do Inmetro quanto

à sua missão, indicando a contribuição efetiva que

pode dar para a sociedade.

A primeira fase do trabalho envolveu uma ampla

discussão, interna e externa, para entender e identificar

a missão do Instituto, ponto basilar para o

prosseguimento do planejamento. Um benefício

adicional é alinhar o trabalho da própria organização

ao longo do segundo semestre de 2020, enquanto

está se desenvolvendo o processo do planejamento

estratégico. O Inmetro se tornou consciente de que

os seus principais processos devem convergir para

um grande objetivo institucional, o que se torna

claro com a identificação de sua missão, conforme

foi enunciado no início deste artigo.

O Inmetro tem por missão contribuir para o

desenvolvimento da infraestrutura da qualidade

do País e as atividades como metrologia,

avaliação da conformidade, acreditação, apoio

ao comércio exterior contribuem de forma

relevante para esta missão. A pesquisa em

metrologia, apenas para citar um exemplo, é

fundamental para que a indústria tenha instrumentos

e processos de medição cada vez

mais robustos e precisos, parte fundamental

de qualquer esforço de inovação tecnológica.

Sem o Inmetro, o setor produtivo teria que desenvolver

a um custo elevado e com acúmulo

de esforços simultâneos pesquisas que são

mais efetivas se desenvolvidas por um único

organismo, um instituto metrológico, como já

é prática comum em diversos países.

Conclusão

O ambiente é conturbado e de muita incerteza,

o que impõe ao Inmetro um enorme

desafio a ser superado. Para isso, as lideranças

em todos os níveis devem se preparar,

estudar os problemas e gerenciar os esforços

da casa, com o fim de apresentar a melhor

solução possível, utilizando uma ferramenta

poderosa que é o planejamento estratégico.

Felizmente, o Inmetro construiu sua história

pela qualidade e comprometimento de seu

corpo funcional, que vai muito além dos

servidores em exercício. É grande a confiança

de que o Instituto entrará em 2021 com um

planejamento realizado e já implantando as

primeiras ações para construir uma nova fase

em sua história e contribuir, mais uma vez,

para o desenvolvimento econômico e social

de nosso País.

Identificado o quadro de referência do cenário

atual, com destaque para as questões de

liberdade econômica, globalização, reforma

administrativa e indústria 4.0, cabe ao Inmetro

promover a sua transformação para

um patamar de maior eficiência, entregando

resultados cada vez mais efetivos para a sociedade.

Para isso, é fundamental a realização

de um planejamento estratégico institucional

que garanta ao Instituto uma gestão moderna

e inovadora, para que seja cada vez mais um

suporte valioso para a economia brasileira.

O Inmetro tem mais uma oportunidade de

mostrar seu valor e escrever mais uma bela

página em sua história de relevantes serviços

prestados ao País.

Referência

1

Segundo a International Network on Quality Infrastructure (INetQI)

2

Fonte: Global Competitiveness Index WEF 2017-2018.

3

Trata-se de instrumentos de regulamentação tais como portarias,

notas informativas e até notas técnicas, que muitas vezes tratam de

questões que seriam próprias de legislação, que são elaboradas no

4

Lei Nº 13.874, de 20 de setembro de 2019.

5

Nota Técnica Nº 49. Previdência: Tendências Internacionais das Reformas.

Diretoria de Estudos e Políticas Sociais, IPEA. 2018

6

Os fatores são apresentados em SCHWAB, Klaus. A Quarta Revolução

Industrial. 1. ed. São Paulo: Edipro, 2019. 161 p. ISBN 978-8572839785

7

Magaldi, Sandro e Salibi Neto, José. Gestão do Amanhã: Tudo que

você precisa saber sobre gestão, inovação e liderança para vencer na

4ª Revolução Industrial. Editora Gente, 2018.

8

SCHWAB, Klaus. A Quarta Revolução Industrial. 1. ed. São Paulo: Edipro,

2019. 161 p. ISBN 978-8572839785

Marcos Heleno Guerson de Oliveira Junior

Engenheiro de Fortificação e Construção, Mestre em Engenharia de Transportes, ambos pelo Instituto

Militar de Engenharia, e pós-graduado em Governança Corporativa pela FGV. Tem experiência

com gestão em tecnologia, regulação de mercado, pesquisa científica e administração pública.

Revista Analytica | Ago/Set 2020

33


Em Foco

LAB DE A A Z: LANÇAMENTO DO KIT EXTRAÇÃO MINI SPIN VÍRUS

DNA/RNA 2.0

A escolha do kit correto é decisiva quando se

al para a rápida preparação de ácido nucléico viral

A linha de Micropipetas Monocanal Pre-

fala em extração para PCR, pois a sensibilida-

com alto grau de pureza. Utilizado para extração

mium Black garante alta precisão e exatidão

de de detecção é diferente e o uso de kits não

de DNA e/ou RNA a partir de amostras de soro,

nas rotinas laboratoriais de biologia molecular.

comerciais leva ao uso de diversos reagentes

plasma e fluídos biológicos livres de células.

Possuem sistema leve com baixa pressão para

e produtos químicos que podem servir como

pipetagem, proporcionar conforto e ergono-

inibidores da reação, alterando o resultado

Promove uma extração otimizada pelo uso

mia para o usuário com o botão ejetor móvel

final. Facilidade do protocolo aliada à rapidez

da Proteinase K que faz a digestão de prote-

para destros e canhotos e de fácil calibração.

e eficiência são essenciais na obtenção do ma-

ínas e remoção de contaminantes, inclusive

Disponível em 8 modelos monocanal de 0,2µL

terial genético de alta qualidade, garantindo o

inativação de nucleases, além da obtenção de

a 10 mL com identificação de cores.

34

Revista Analytica | Ago/Set 2020

sucesso das etapas posteriores.

Pensando nisso a Kasvi traz ao mercado o novo

kit de Extração Mini Spin Vírus DNA/RNA 2.0. Ide-

ácidos nucleicos de alta qualidade em minutos.

Procedimento fácil e simples e alto rendimento,

até mesmo em pequena quantidade

de amostra.

Saiba mais sobre nossos lançamentos,

acesse: www.kasvi.com.br

Kasvi

0800 726 0508

kasvi@kasvi.com.br


Em Foco

PROCEDIMENTO DE AMOSTRAGEM COM SWAB PARA VALIDAÇÃO

DE LIMPEZA

O procedimento de amostragem de esfregaço

com o auxílio do swab é uma das

metodologias mais utilizadas para obter

amostras precisas e resultados eficientes

em produtos farmacêuticos e ambientes

de fabricação.

O Guia de Inspeções da FDA de 1993

afirma que amostragem (por exemplo,

com swab) é a técnica “mais confiável”

para identificar contaminantes

em potencial.

cos ou farmacêuticos ativos usados em

lotes anteriores sem deixar resíduos.

A validação de limpeza utilizando de

metodologias analíticas e equipamentos

de HPLC, TOC e UV requer uma seleção

cuidadosa do procedimento de amostragem

com swabs e materiais envolvidos.

Os swabs para validação de limpeza são

desenvolvidos com tolerâncias rigorosas

e consistentes codificadas em lotes para

rastreabilidade e controle de qualidade.

tecnologias avançadas para realização

de amostragens eficientes.

Para saber mais sobre os Swabs e outros

Produtos da Texwipe entre em contato

com a equipe especializada da CMS

Científica do Brasil.

O processo de limpeza deve remover

com êxito quaisquer ingredientes quími-

A Texwipe é uma empresa especializada

no desenvolvimento de swabs com

+55 19 3872-8300

www.cmscientifica.com.br

contato@cmscientifica.com.br

Revista Analytica | Ago/Set 2020

35


Em Foco

CULTURA DE CÉLULAS EM LARGA ESCALA

Pesquisa in vitro para o desenvolvimento de vacinas

A cultura celular é um procedimento de extrema

importância quando se trata de pesquisas para o

desenvolvimento de soluções das diversas patologias,

seja através de vacinas, medicamentos ou

terapias.

Em 2020, devido a pandemia da COVID-19, a

cultura de células em larga escala tornou-se uma

das técnicas mais importantes e necessárias, pois

a busca incansável pelo tratamento tem sido alvo

dos pesquisadores de todo o mundo e o tempo, o

maior inimigo.

A variedade e qualidade dos produtos da divisão

de BioScience da Greiner Bio-One já é conhecida

internacionalmente e, para cultura celular em larga

escala, duas soluções versáteis, essenciais para

facilitar e agilizar as rotinas laboratoriais com os

melhores resultados, são o sistema multicamada

CELLdiscTM e as Roller Bottles CELLMASTER.

Desenvolvido para o cultivo celular, o sistema

multicamada CELLdiscTM possibilita superfícies

para crescimento de 250 cm2 a 10.000 cm2, com

opções entre uma (1) a quarenta (40) camadas,

sendo ideal para pesquisas ou para cultivo em

escala industrial. O design em formato cilíndrico

simplifica o fluxo de trabalho e reduz o risco de

contaminação da amostra. Para o trabalho em ambiente

GMP, podem ser utilizadas as novas versões

para sistema fechado, disponíveis com um ou dois

tubos flexíveis de silicone fixados as tampas rosqueáveis,

que proporcionam a transferência segura

dos materiais e garantem a máxima esterilidade.

O sistema multicamada pode ser utilizado na

cultura celular em massa, além da produção de

anticorpos e vacinas e na produção de células para

fins terapêuticos. Adequa-se a cada necessidade,

pois possui diferentes tratamentos de superfície,

como o TC (para cultivo de células aderentes) e o

Advanced TCTM (para o cultivo de células aderentes

sensíveis ou na ausência de soro fetal bovino

no meio de cultura). A troca gasosa acontece por

meio do canal integrado com filtro que possibilita

a ventilação em todas as camadas.

De fácil manuseio, basta preencher o CELLdisc

com a suspensão celular, incliná-lo 90 graus, aguardar

até que o fluido se distribua uniformemente pelas

camadas através do canal de conexão, retorná-lo

para a posição original e colocá-lo na incubadora. O

procedimento pode se tornar ainda mais fácil, com a

utilização do CELLstage, o acessório irá comportar o

frasco na posição ideal enquanto ocorre a distribuição

das camadas.

Os frascos roller CELLMASTER, com área de

cultivo de 850 cm² a 4250 cm², são usados na

produção de vacinas virais ou proteínas recombinantes

para abordagens terapêuticas. Fabricados

em poliestireno (PS) ou polietileno tereftalato

(PET), possuem tampa de rosca padrão (HDPE)

ou com membrana hidrofóbica (PET/PTFE) e

estão disponíveis com superfície lisa ou estriada

radialmente, em que o design com nervuras aumenta

a área de crescimento. A tampa de rosca

de segurança permite um fechamento firme e

cultivo livre de contaminação. Já a membrana

do filtro, com poro de 0,2 μm, garante proteção

ideal contra contaminação e fornece alta taxa de

troca de gases para o cultivo de células em larga

escala.

Todos os frascos roller CELLMASTER são esterilizados

por irradiação de acordo com procedimentos

validados (ISO 11137), tem certificação USP

classe VI e seguem os padrões de qualidade da FDA

(Food and Drug Administration).

Confira estes e outros produtos para COVID-19

Para saber mais, acesse:

www.gbo.com

ou entre em contato: info@br.gbo.com

36

Revista Analytica | Ago/Set 2020

Sistema Multicamada CELLdisc

Sistema Multicamada CELLdisc para sistema fechado

Roller Bottle CELLMASTER


your power for health

LINHA BIOSCIENCE PARA

CULTURA

DE CÉLULAS

EM LARGA ESCALA

CELLdisc TM | Amplas áreas para cultivo, com várias

possibilidades de superfície e número de camadas.

Agora também disponíveis na opção para sistema

fechado, que permite a troca de líquidos sem a

abertura da tampa rosqueável.

SUA ALIADA PARA

PESQUISAS NO COMBATE DA

COVID-19

CELLMASTER | Fabricados em plástico PET ou

PS, com superfície lisa ou estriada radialmente.

Também estão disponíveis nas opções com tampa

de rosca padrão ou com membrana hidrofóbica.

Saiba mais sobre estas

e outras soluções para

testes e pesquisas da

COVID-19 no QR Code.

Greiner Bio-One Brasil | Avenida Affonso Pansan, 1967 | CEP 13473-620 | Americana | SP

Tel: +55 (19) 3468-9600 | Fax: +55 (19) 3468-3601 | E-mail: info@br.gbo.com

www.gbo.com


Em Foco

O PAPEL DO HPLC NA DETECÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DE VÍRUS

HPLC é uma técnica consolidada para a

quantificação e caracterização de partículas

virais no desenvolvimento de vacinas,

e na identificação e caracterização das

proteínas correspondentes a diferentes

sorotipos virais quando analisada a epidemiologia

da doença.1-3 Como essas técnicas

funcionam e como podemos garantir

que sejam tão precisas quanto possível no

que diz respeito ao seu solvente mais importante:

água ultrapura?

Figura 1. Este mapa da OMS mostra a prevalências das cepas do vírus influenza na Europa na semana 49 de 2019 e demonstra o quão difícil pode ser prever

e recomendar uma vacina comum para uma determinada temporada.

38

Revista Analytica | Ago/Set 2020

Vírus são organismos que não possuem célula,

sendo sua estrutura formada basicamente

por proteínas e ácido nucleico (DNA, RNA ou os

dois). A proteína forma um envoltório denominado

de capsídeo. Os vírus somente são capazes

de se multiplicarem dentro das células vivas de

um hospedeiro. Os vírus são frequentemente

chamados, erroneamente, de "vivos", embora o

termo correto seja "ativo", pois são parasitas que

não conseguem sobreviver em sua forma "ativa"

fora do organismo hospedeiro.4 Eles são muito

menores que as bactérias. Por exemplo, com um

diâmetro de 220 nm, o vírus do sarampo é cerca

de 8 vezes menor que uma E.coli, e a família dos

coronavírus é ainda menor, com um diâmetro

médio de aproximadamente 120 nm.5

O capsídeo viral possui proteínas características,

que podem desencadear uma resposta imune

no organismo hospedeiro, a fim de eliminar o

vírus, antes de iniciar sua doença associada, e se

espalhar através gotículas contaminadas, pela

população hospedeira.6 A palavra "mutação" é

sussurrada em voz baixa, referindo-se às pequenas

alterações nessas proteínas do capsídeo ou do

revestimento, que permitem que um determinado

vírus não seja detectado pelo sistema imunológico

e continue sua proliferação no corpo do hospedeiro,

por exemplo. o vírus da 'gripe' sofre mutações

com tanta frequência que uma nova vacina deve

ser desenvolvida a cada ano, com os pesquisadores

liderando os epidemiologistas, sobre quais

cepas prevalecerão em uma região específica em

um determinado ano (Fig. 1).7

Uma razão pela qual as técnicas de HPLC e

LC/MS são tão úteis para a caracterização dos

vírus é que eles evitam a necessidade de gerar

anticorpos específicos e o desenvolvimento de

testes ELISA: as proteínas virais, ou partes deles,

conhecidas como peptídeos, são simplesmente

separadas em uma coluna de HPLC e analisadas

por espectrometria de massas.8,9

A natureza e o grau de separação das partes

componentes do revestimento protéico viral

podem fornecer uma indicação da estrutura do

vírus e, são tão precisos que, os sorotipos separados

podem ser detectados, como pode-se

observar no caso do vírus influenza.1

Assim, a técnica de HPLC pode ser considerada

como fundamental na investigação de surtos de

doenças, permitindo a caracterização das espécies

e subespécies de um vírus, encontradas em

pacientes individuais, e para a construção de

mapas epidemiológicos detalhados. Tais mapas

são construídos continuamente para acompanhar

doenças como a gripe em todo o planeta.10

Não são apenas os vírus que podem ser carac-

terizados dessa maneira. HPLC e LC/MS também

podem ser usadas para determinar os “Fingerprints”

moleculares específicos para diferentes

subespécies de bactérias, particularmente importantes

quando se trata de rastrear as fontes

de infecções hospitalares e de rastrear a resistência

a antibióticos.11,12

Quando se trata de detectar e quantificar

proteínas ou peptídeos presente em uma determinada

amostra de paciente, que pode ser

extrapolada para quantificar a carga viral e caracterizar

o subtipo viral específico, muitas vezes

o HPLC e LC/MS estão trabalhando nos limites

de detecção, portanto, é de extrema importância

que os solventes utilizados na preparação das

amostras e nas próprias corridas cromatográficas

sejam o mais puro possível. Isso inclui a água

purificada, utilizada para preparar amostras e

tampões durante todo o fluxo de trabalho. O uso

de água ultrapura evitará problemas como picos

fantasmas interferindo em um cromatograma, o

que poderia gerar um resultado falso positivo.14

A importância da água ultrapura ao trabalhar

nos limites da detecção por HPLC e LC/MS é

explicado em mais detalhes em nosso White Paper,

onde analisamos com mais profundidade o

desenvolvimento de ensaios otimizados para diversas

aplicações, como monitoramento de medicamentos

terapêuticos e toxicologia forense.


Em Foco

Vacinação: Como a HPLC é usada na fabricação

de vetores virais

Vimos acima como os ensaios de HPLC e LC/MS

foram efetivamente desenvolvidos e otimizados

para a quantificação e caracterização de vírus e

bactérias durante a pesquisa da epidemiologia de

doenças específicas. Isso levanta uma questão: é

possível usar o HPLC para detectar vírus em quantidades

tão baixas e até caracterizar suas subespécies

individuais? O HPLC também pode ser útil no

desenvolvimento de vacinas baseadas em vírus?

Nenhuma história de desenvolvimento de vacinas

com base em vírus estaria completa sem

prestar uma devida homenagem a Edward Jenner,

considerado o fundador da vacinologia quando,

em 1796, inoculou um menino de 13 anos com

vírus da “vaccinia” (varíola) e demonstrou imunidade

à varíola. Em 1798, a primeira vacina contra

varíola foi desenvolvida. As próximas vacinas recomendadas

não foram desenvolvidas até o início do

século XX.16 Elas incluíam vacinas que protegem

contra a Coqueluche (1914), Difteria (1926) e Tétano

(1938), todas as três combinadas em 1948 e

administrada como vacina DTaP ou Vacina Tríplice

Bacteriana.15 A vacina contra a Poliomielite foi

licenciada em 1955, em 1963 a vacina contra o

Sarampo foi desenvolvida e, no final da década

de 1960, também estavam disponíveis vacinas

para proteção contra Caxumba (1967) e Rubéola

(1969).15 Essas três vacinas foram combinados

na vacina MMR/SCR ou Vacina Tríplice Viral, em

1971.15

Nas décadas finais do século XX, à medida que

a biologia molecular se desenvolveu e evoluiu,

primeiro para a ciência e depois para a ferramenta

de rotina, os cientistas começaram a estudar

como as partículas virais sequestram a maquinaria

genética da célula humana e a analisar a

possibilidade de usá-los para desenvolver novas

vacinas. E se eles pudessem atenuar partículas

virais específicas e usá-las como um meio de introduzir

ácidos nucleicos recombinantes no corpo

humano? E se eles pudessem fazer com que o

corpo produzisse as proteínas correspondentes a

esses ácidos nucleicos e, assim, provocasse uma

resposta imune, para imunizar contra doenças? E

nasceu a idéia de vetores virais.

Como eles podem efetivamente induzir respostas

imunes humorais e mediadas por células,

os vetores virais são uma ótima alternativa às

plataformas tradicionais para fornecer antígenos

vacinais correspondentes a doenças específicas,

além de direcionar e matar especificamente

células cancerígenas. Os benefícios resultantes

da aplicação bem-sucedida de vetores virais

para prevenir e tratar doenças humanas são

potencialmente enormes. De fato, esta é a abordagem

promissora usada em laboratórios de

todo o mundo na corrida para encontrar vacinas

contra qualquer número de doenças, incluindo

o mais recente coronavírus, SARS-CoV-2 ou CO-

VID-19.16

O adenovírus é um vetor viral comum que é

considerado um cavalo de batalha quando se

trata de desenvolver essas vacinas recombinantes

que soam ambiciosas.17 Os adenovírus têm

sido extensivamente estudados para seu uso potencial

em aplicações de terapia gênica. Devido a

anos de pesquisa, se estabeleceu uma base para

o uso desse vírus de DNA linear de fita dupla

como vetor para entrega de vacinas, os adenovírus

se tornaram um dos vetores mais explorados

para o desenvolvimento de vacinas.

As principais vantagens de usar o adenovírus

como plataforma de vacina incluem a capacidade

de infectar uma ampla variedade de hospedeiros

e de induzir altos níveis de expressão do

transgene, sem que o potencial de genes virais

seja integrado ao genoma do hospedeiro. É importante

ressaltar que, devido à sua capacidade

de crescer em altos títulos na cultura celular, os

adenovírus podem ser fabricados com segurança

e baixo custo.17

Vamos dar um exemplo dessa pesquisa no

Reino Unido. Assim que a sequência genômica

do coronavírus 2 da síndrome respiratória aguda

grave (SARS-CoV-2) se tornou disponível em

meados de janeiro, a equipe de Sarah Gilbert

em Oxford começou a trabalhar para projetar

uma vacina, usando técnicas de DNA recombinante

para criar um antígeno do SARS-CoV-2

e incorporando-o a um vetor de adenovírus de

primata. A vacina contém a sequência genética

da proteína "spike" encontrada na parte externa

do coronavírus. Após a vacinação, é produzida

a proteína de pico de superfície do coronavírus,

que induz o sistema imunológico para atacar o

coronavírus se mais tarde infectar o corpo. Um

vetor de vacina adenovírus chimpanzé (ChAdOx1)

foi escolhido como a tecnologia de vacina

mais adequada para uma vacina SARS-CoV-2.

Isso ocorre porque pode gerar uma forte resposta

imune a partir de uma dose e não é um

vírus replicante, portanto, não pode causar uma

infecção contínua no indivíduo vacinado. Isso

também torna mais seguro para crianças, idosos

e qualquer pessoa com uma condição pré-existente,

como diabetes. Os testes desta vacina começam

em maio de 2020, com a possibilidade

de uma vacina estar disponível no final do ano.

As técnicas de HPLC e LC/MS não são usadas

apenas na caracterização das proteínas recombinantes

produzidas por vetores virais, mas também

são técnicas essenciais em todo o fluxo de

trabalho de fabricação da vacina, onde são usadas

para quantificação e controle de qualidade,

além de gel e PCR. métodos. As etapas envolvidas

na purificação do adenovírus são (1) lise

celular e quebra do DNA genômico, (2) purificação,

(3) concentração com ultrafiltração/diálise,

(4) purificação por troca aniônica, (5) filtração

em gel, e (6) microfiltração.18 A HPLC pode ser

usada para o controle de qualidade de qualquer

uma ou de todas as etapas e é particularmente

importante para garantir a remoção de todos os

contaminantes no final do processo, onde estará

trabalhando nos limites da detecção.

Conclusão

A importância de ensaios de HPLC e LC/MS de

alta qualidade em no combate à doença não pode

ser subestimada, seja caracterizando uma doença

em primeiro lugar ou monitorando a produção de

vacinas direcionadas à sua cura potencial. Muitas

vezes, usamos HPLC nos níveis extremos do limite

de detecção, seja de partículas/proteínas virais ou

de contaminantes nas vacinas. Devemos sempre

garantir que a água ultrapura de qualidade seja

usada em todas as etapas da pesquisa e fabricação.

Para saber mais sobre isso e sobre a aplicação

de HPLC em produtos farmacêuticos e LC/MS, faça

o download de nossos White Paper.

Revista Analytica | Ago/Set 2020

39


Em Foco

40

Revista Analytica | Ago/Set 2020

Referências:

1. Transfiguracion, J., Manceur, A. P., Petiot, E.,

Thompson, C. M., & Kamen, A. A. (2015). Particle

quantification of influenza viruses by high

performance liquid chromatography. Vaccine,

33(1), 78–84. https://doi.org/10.1016/j.vaccine.2014.11.027

2. Jin X., Liu L., Nass S., O'Riordan C., Pastor E.

and Zhang X.K. (2017) Hum Gene Ther Methods.

28(5):255-267.

3. Zimmermann, A., Mertens, T., Schnlz, A.,

Kruppenbacher, J.P., Nelsen-Salz, B. and Eggers,

H.J. (1993) Journal of General Virology, 74,

2759-2763.

4.https://www.medicinenet.com/script/

main/art.asp?articlekey=5997 accessed 20 May

2020.

5.https://www.britannica.com/science/virus/

Size-and-shape accessed 20 May 2020.

6. Gahéry-Ségard, H., Farace, F., Godfrin, D.,

Gaston, J., Lengagne, R., Tursz, T., Boulanger, P.,

& Guillet, J. G. (1998). Immune response to recombinant

capsid proteins of adenovirus in humans:

antifiber and anti-penton base antibodies

have a synergistic effect on neutralizing activity.

Journal of virology, 72(3), 2388–2397.

7. https://www.cdc.gov/flu/prevent/vaccine-

-selection.htm accessed 20 May 2020.

8. Xie, H., Doneanu, C., Chen, W., Rininger, J.,

& Mazzeo, J. R. (2011). Characterization of a

recombinant influenza vaccine candidate using

complementary LC-MS methods. Current pharmaceutical

biotechnology, 12(10), 1568–1579.

https://doi.org/10.2174/138920111798357447

9. Li, Z., Sun, W., Wu, D., Gao, X., Sun, N., &

Liu, N. (2014). Mass spectrometry analysis coupled

with de novo sequencing reveals amino

acid substitutions in nucleocapsid protein from

influenza A virus. International journal of molecular

sciences, 15(2), 2465–2474. https://doi.

org/10.3390/ijms15022465

10. https://www.ecdc.europa.eu/sites/default/files/documents/influenza-situation-assessment-18-December-2019.pdf

Accessed 20

May 2020.

11. Franco-Duarte, R., Černáková, L., Kadam,

S., Kaushik, K. S., Salehi, B., Bevilacqua, A.,

Corbo, M. R., Antolak, H., Dybka-Stępień, K.,

Leszczewicz, M., Relison Tintino, S., Alexandrino

de Souza, V. C., Sharifi-Rad, J., Coutinho, H.,

Martins, N., & Rodrigues, C. F. (2019). Advances

in Chemical and Biological Methods to Identify

Microorganisms-From Past to Present. Microorganisms,

7(5), 130. https://doi.org/10.3390/

microorganisms7050130

12. Vestergaard, M., Frees, D., & Ingmer, H.

(2019). Antibiotic Resistance and the MRSA Problem.

Microbiology spectrum, 7(2), 10.1128/

microbiolspec.GPP3-0057-2018. https://doi.

org/10.1128/microbiolspec.GPP3-0057-2018

13. Sharma, V.K., Sharma, I. & Glick, J. (2018)

The expanding role of mass spectrometry in the

field of vaccine development Wiley Mass Spectrometry

Reviews. DOI: 10.1002/mas.21571

14. https://www.elgalabwater.com/hplc-ultrapure-water

Accessed 20 May 2020

15. Vaccine history review ref https://www.

chop.edu/centers-programs/vaccine-educa-

tion-center/vaccine-history/developments-

-by-year16. Choi, Y., & Chang, J. (2013). Viral

vectors for vaccine applications. Clinical and

experimental vaccine research, 2(2), 97–105.

https://doi.org/10.7774/cevr.2013.2.2.97

17. Sarah Gilbert: carving a path towards a

COVID-19 vaccine Crossref DOI link: https://doi.

org/10.1016/S0140-6736(20)30796-0 Perspectives.

Sarah Gilbert: carving a path towards a

COVID-19 vaccine www.thelancet.com Vol 395

1247 April 18, 2020

18. Vellinga,J. et al., (2014) Human Gene

Therapy 25:318–327 (April 2014) Mary Ann

Liebert, Inc. DOI: 10.1089/hum.2014.007

Sobre a Veolia

O grupo Veolia é a referência mundial em

gestão otimizada dos recursos. Presente nos

cinco continentes com mais de 171000 colaboradores,

o Grupo concebe e implementa

soluções para a gestão da água, dos resíduos

e da energia, que fomentam o desenvolvimento

sustentável das cidades e das indústrias.

Com suas três atividades complementares,

Veolia contribui ao desenvolvimento do

acesso aos recursos, à preservação e renovação

dos recursos disponíveis.

Em 2018, o grupo Veolia trouxe água potável

para 95 milhões de habitantes e saneamento

para 63 milhões, produziu cerca de

56 milhões de megawatt/hora e valorizou

49 milhões de toneladas de resíduos. Veolia

Environnement (Paris Euronext : VIE) realizou

em 2018 um faturamento consolidado de

25,91 bilhões de euros. www.veolia.com

Para mais informações:

Tel. +55 11 3888-8782

Rafaela.rodrigues@veolia.com


Em Foco

a Bio Scie company

Um novo conceito em soluções para laboratório,

aplicado às necessidades diárias de cada segmento.

Acesse nosso portfólio e saiba mais em:

www.bioscie.com.br

+55 62 3983-1900 | comercial@bioscie.com.br

Revista Analytica | Ago/Set 2020

41


Em Foco

ESPECTRÔMETRO DE MASSA

THERMO SCIENTIFIC ORBITRAP EXPLORIS 240

Acelere sua jornada desde a amos-

trabalho de aquisição inteligente de dados

Flexibilidade experimental integra-

tra até determinados resultados

acionáveis

Thermo Scientific AcquireX, até mesmo

íons de baixa abundância, com exclusão

da com software centrado no usuário

e pronto para conformidade

• Resolva mais íons alvo de interferências

de matriz em amostras complexas

com resolução de até 240.000 (FWHM)

em m / z 200

dinâmica de fundo para evitar fragmentação

redundante

Desempenho confiável com mínimo

tempo de inatividade do instrumento

• Modelos de métodos padronizados ou

otimizados prontos para executar para

uma variedade de aplicações de moléculas

pequenas a grandes

• Interface de usuário de arrastar e soltar

• A opção Thermo Scientific BioPharma

• Alcance níveis de precisão de massa abaixo

para acelerar o desenvolvimento do método

42

Revista Analytica | Ago/Set 2020

permite a análise de moléculas grandes de

até m / z 8000 (solicitar orçamento)

• Automatize de forma inteligente a aquisição

de dados espectrais MS 2 confiáveis

para tudo o que importa usando o fluxo de

de 1 ppm com a fonte de calibração interna

EASY-IC da Thermo Scientific e calibração de

massa única para faixa de massa total

• Intervenção mínima do usuário para

manutenção

• Quando a conformidade é necessária, o

software Thermo Scientific Chromeleon

Chromeleon Chromatography Data System

(CDS) fornece triagem e fluxos de trabalho

quantitativos, tudo em um ambiente pronto

para a empresa


Em Foco

MANIFOLD MICROSART® SARTORIUS – MODULARIDADE É A

PALAVRA-CHAVE

Detectar e quantificar com precisão microrganismos

em amostras líquidas é extremamente

importante para qualquer laboratório

de controle de qualidade. As análises e a rotina

de testes de um laboratório pode ser intensa

e também variável, alternando entre períodos

em que é necessário analisar mais amostras e

outros menos amostras.

estão disponíveis em uma diversidade de materiais que atendem a todas as aplicações de testes

em laboratórios de controle de qualidade.

De maneira a tornar as rotinas de testes

mais rápidas, sem a perda a confiabilidade e

precisão, a Sartorius aprimorou o projeto de

seu manifold Microsart® tornando-o mais

leve, robusto, estável, com design ergonômico

(para uso em fluxo laminar) e com uma modularidade

surpreendente.

Manifold Microsart® e suas opções de copos de filtração

O manifold também dá a possibilidade de alteração do fluxo por onde o líquido a ser analisado

irá entrar e sair, sendo uma característica única caso haja alguma mudança no laboratório onde

o equipamento será utilizado – podendo ser facilmente desmontado para mudanças e também

para esterilização.

Em termos de modularidade, o operador

pode escolher entre trabalhar com um manifold

de uma a seis posições, com uma variedade

de copos de filtração – em inox ou

descartáveis – que permitem que o produto

se adapte ao processo e às mais diferentes necessidades

do laboratório, podendo ser plugados

ao equipamento por meio de um engate

- sem montagens complicadas.

Adaptação às suas necessidades é fácil com o manifold da Sartorius

Entre as aplicações do manifold Microsart® estão:

– Análise farmacêutica (WFI, água purificada, teste de limite microbiano de produtos não estéreis,

teste de bioburden)

– Bebidas (cerveja, vinho, refrigerantes, água engarrafada)

– Teste ambiental de água (monitoramento de água)

– Cosméticos

44

Revista Analytica | Ago/Set 2020

Além disso, a Sartorius possui um portfólio

extenso em tipos de membranas filtrantes,

complementando a linha dos manifolds; elas

Para mais informações:

Sartorius do Brasil

Tel.: (11) 4362-8900

E-mail:latam.marcom@sartorius.com

www.sartorius.com


Em Foco

AVANÇO TECNOLÓGICO NA MICROBIOLOGIA

00

Mercado farmacêutico se

movimenta com tecnologia pujante

para produção de medicamentos

estéreis.

Publicado no Diário Oficial de 12 de agosto

de 2020, mais 2 clientes da LAS do Brasil

receberam o deferimento da ANVISA

(Agência Nacional de Vigilância Sanitária)

para liberação de medicamentos pelo

Método Rápido Microbiológico BD

BACTEC. A ANVISA outorga através do

código 10207 Específico – a Atualização de

Especificações e Métodos Analíticos.

Com a tecnologia de detecção por

fluorescência, que reage com produção

bioquímica de CO2, o BD BACTEC é o único

método alternativo microbiológico

aprovado pela ANVISA para liberação de

produtos farmacêuticos estéreis e está

sendo testado por outros segmentos

industriais, os quais possuem processos

estéreis.

Com o propósito de trazer aos seus clientes

inovação tecnológica, segurança e

qualidade nos processos analíticos, a LAS do

Brasil conta com especialistas em

Microbiologia e Filtração que são

responsáveis pelo assessoramento

técnico-científico, acordos comerciais e pelo

gerenciamento logístico de suprimentos

que garantem êxitos nos protocolos de

validação submetidos aos órgãos

reguladores.

Projeto Buy-In

É um Programa de Incentivo ao período

de Validação do BACTEC para os clientes

LAS do Brasil. Para a implementação de

uma metodologia alternativa em

laboratórios de Controle de Qualidade é

exigida uma validação analítica da nova

metodologia. As agências reguladoras,

tanto ANVISA quanto MAPA, adotam a

Farmacopeia Brasileira (FB), Farmacopeia

Americana (USP) dentre outras, como

diretrizes para validar os ensaios analíticos.

Nos referidos compêndios encontramos os

ensaios que as empresas devem adotar

para ter as provas científicas de que a

metodologia alternativa adotada, deverá

ser mais segura que a tradicional.

Ao adquirir equipamentos BD BACTEC a

LAS do Brasil também oferece em seu

amplo portfólio insumos necessários para

ensaios analíticos:

Meios de Cultura DIFCO, Sistemas de

filtração PALL, Membranas, Sanitizantes,

Detergentes Steris (contribuição para as

Análises de Monitoramento Ambiental),

Insumos laboratóriais Fisher Scientific.

Entre em contato com a LAS do Brasil para

conhecer a excelência do BD BACTEC e de

outras importantes soluções em

Microbiologia!

+55 62 3085 1900

www.lasdobrasil.com.br/produtos/bd


DESDE 2000

Conceito de qualidade em Microbiologia

Novas e modernas instalações

Equipe capacitada e comprometida

Acreditações: REBLAS / CGCRE-INMETRO /ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017

comercial@bcq.com.br - www.bcq.com.br - TEL.: 55 11 5083-5444

More magazines by this user
Similar magazines