Outubro_2020 - nº 269

araujomota

Órgão informativo do Centro Lusitano de Zurique
Edição de Outubro 2020

[ OUTUBRO 2020 | Edição Nº. 269 | ANO XXVI | Direcção: Sandra Ferreira + Armindo Alves | Publicação mensal gratuita ]

Covid-19: o direito laboral a partir de 1 de Setembro

Menos

protecção

para os

trabalhadores

Página 06

Atenção!

Quarentena

obrigatória

para quem vem

de Portugal

Página 40

WWW.CLDZ.EU

EDITORIAL

ESTATUTO

EDITORIAL

PÁGINA 3

SAÚDE

DIFICULDADES DE

APRENDIZAGEM

PÁGINA 10

ESPECTÁCULO

JOÃO GRANDE

DO GRUPO TAXI

PÁGINA 24


2

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Centro Lusitano de Zurique

Risweg, 1

8041 Zürich

Tel.: 044 241 52 60 - Fax: 044 241 53 59

Web: www.cldz.eu - E-mail: info@cldz.eu

Bufete, reserva de refeições 077 403 72 55

Cursos de alemão 076 332 08 34

Consulado Geral de Portugal em Zurique

Zeltweg 13 - 8032 Zurique

Tel. Geral: 044 200 30 40

Serviços de ensino: 044 200 30 55

Serviços sociais: 044 261 33 32

Abertura de segunda a sexta-feira das

08:30 às 14:30 horas

Embaixada de Portugal

Weitpoststr. 20 - 3000 Bern 15

Secção consular: 031 351 17 73

Serviçoa sociais: 031 351 17 42

Serviços de ensino: 031 352 73 49

Edição anterior

[ SETEMBRO 2020 | Edição Nº. 268 | ANO XXVI | Direcção: Sandra Ferreira + Armindo Alves | Publicação mensal gratuita ]

A SUBIDA AO TRIFHÜTTE

BRANCO

AZUL

BRANCO

Direcção

044 241 52 60 / info@cldz.eu

Futebol armindo.alves@garage-mutschellen.ch / 079 222 09 14

Publicidade

079 913 00 30/pub.lusitano@gmail.com

Rancho folclórico

079/549 99 10 / rancho@cldz.ch

Vamos contar uma história 079 647 01 46

Serviços municipais de informação para

imigrantes - Zurique (Welcome Desk)

Stadthausquai 17 - Postfach 8022 Zurique

Tel.: 044 412 37 37

Polícia 117

Bombeiros 118

Ambulância 144

Intoxicações 145

Rega 1414

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EDITORIAL

OS SUÍÇOS E

AS MÁSCARAS

PÁGINA 3

SAÚDE

OMS. DEFINIÇÕES

IMPORTANTES.

PÁGINA 14

COMUNIDADE

”QUELLEN

STEUER“ EM 2021

PÁGINA 31

Missão Católica de Língua Portuguesa – ZH

Katholische Mission der Portugiesischsprechenden

Fellenbergstrasse 291, Postfach 217 - 8047 Zürich

Tel.: 044 242 06 40 7 044 242 06 45 - Email: mclp.zh@gmail.com

Horário de atendimento:

- segunda a sexta-feira das 8h às 13h00 e das 13h30 às 17h

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EDITORIAL

3

ESTATUTO EDITORIAL

ARMINDO

SANDRA FERREIRA

Directora - jornalista CC12 A

ALVES

Sub-Director - jornalista nº 31 - CCPJ

1 — O “Lusitano de Zurique” é um jornal/revista de

informação geral e é propriedade do Centro Lusitano

de Zurique, com sede na Risweg, 1 - 8041 Zürich -

Suíça.

2 — O “Lusitano de Zurique” está essencialmente ao

serviço das Comunidades Lusófonas.

3 — O “Lusitano de Zurique” coloca o bem comum

acima dos interesses particulares e não privilegia

ninguém, procurando, no entanto, ser a voz dos sem

voz.

4 — O “Lusitano de Zurique” rejeita quaisquer totalitarismos,

quer de direita quer de esquerda. Rejeita

todas as formas de violência e preconiza o diálogo

como forma normal de resolver os diferendos.

5 — Como instrumento ao serviço da pessoa humana,

o “Lusitano de Zurique” considera condenável

tudo quanto se opõe à vida humana, como seja toda

a espécie de homicídio, genocídio, pena de morte e

tudo o que viola a integridade da pessoa humana,

como as mutilações, os tormentos corporais e mentais

e as tentativas para violentar as próprias consciências;

tudo quanto ofende a dignidade da pessoa,

como as condições de vida infra-humanas, as

prisões arbitrárias, as deportações, a escravidão, a

prostituição, o tráfico de mulheres e jovens; as condições

degradantes de trabalho, em que os operários

são tratados como meros instrumentos de lucro e

não como pessoas livres e responsáveis.

6 — Como publicação periódica de informação geral

destinada às Comunidades Lusófonas, o “Lusitano

de Zurique” está ao serviço de uma informação verdadeira

e objectiva, diversificada e completa e está

aberta ao pluralismo e à diversidade de opiniões.

7 — O “Lusitano de Zurique” é uma publicação, onde

se procura distinguir a informação da opinião e actua

de acordo com o princípio, segundo o qual os factos

são sagrados e os comentários são livres. Vincula-

-se ao respeito pelos princípios deontológicos e pela

ética profissional dos jornalistas, assim como pela

boa-fé dos leitores.

8 — O “Lusitano de Zurique” é uma publicação independente

de qualquer poder político, religioso, desportivo,

ou económico.

9 — Os artigos assinados no “Lusitano de Zurique”

reflectem tão-somente a opinião dos seus autores e

não vinculam necessariamente a direcção desta revista

10 — Por discordância, o “Lusitano de Zurique” não

adopta nem respeita as normas do novo Acordo Ortográfico.

EQUIPA REDACTORIAL

EMAIL: LUSITANOZURIQUE@GMAIL.COM

Sandra Ferreira

Armindo Alves

DIRECTOR A CC12 A

SUB-DIRECTOR CC15 A

Natascha D´Amore

Maria dos Santos

Lúcia Sousa

Zuila Messmer

Joana Araújo

CC11 A

Cristina F. Alves

CC 16 A

Jorge Macieira

CC28 A

Pedro Nogueira

Nuno Brandão

Domingos Pereira

Carmindo de Carvalho

Euclides Cavaco

Nelson Lima

Carlos Matos Gomes

Manuel Araújo

jornalista 3000 A

EDIÇÃO,

COMPOSIÇÃO

E PAGINAÇÃO

Manuel Araújo

Jornalista 3000 A

araujo@manuelaraujo.org

Tel.:(+351) 912 410 333

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Tel.: 079 913 00 30

IMPRESSÃO

Diário do Minho

Tiragem: 2000 exemplares

Periodicidade: Mensal

Distribuição gratuita

PROPRIEDADE

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Centro Lusitano de Zurique

Risweg, 1

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Tel.: 044 241 52 60 -

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Web: www.cldz.eu

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Por discordância,

esta publicação não

adopta nem respeita as

normas do novo inútil

Acordo Ortográfico.

Apoios:

Daniel Bohren

Jurista

Pedro Nabais

CC14 A

Aragonez

Marquez

Ivo Margarido

Jeremy da Costa

NOTA: Os artigos assinados reflectem tão-somente a opinião dos seus

autores e não vinculam necessariamente a direcção desta revista

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COMUNIDADE

O nosso grupo tem o apoio de várias

instituições helvéticas

José Pereira

- presidente do Rancho Folclórico danças e Cantares

da nossa terra de Arbon

José António Pereira, nasceu em Herisau

(AR), no ano de 1995. Com as suas

raízes nos concelhos de Castro Daire

e S. Pedro do Sul é no futebol como

árbitro, no folclore como dançarino

e presidente do Rancho Folclórico

danças e Cantares da nossa terra

(DCDNT) de Arbon, que encontra a

sua essência como ser humano.

Aprecia um bom prato de comida

portuguesa da mesma forma que um

bom convívio entre as gente da sua

terra. Juntamente com uma direcção,

constituída por cinco jovens, tenta

fazer o melhor em prol da cultura

portuguesa.

Nesta fase mais complicada tentam

manter o grupo activo com variadas

actividades, tais como a realização

de vídeos ou visitas e viagens pela

região da Suíça Este.

MARIA DOS SANTOS

Lusitano Zurique - Quem é o José Pereira?

José Pereira - Um jovem rapaz honesto

que trabalha para alcançar as suas metas,

respeitando as pessoa que o rodeiam. A

personalidade e o seu ser é uma mistura

entre duas culturas que o viram nascer e

crescer.

L.Z.- Abraçaste este projecto cultural

porquê?

J.P. - A convite do meu amigo Christian

Amorim que já andava neste grupo. Juntei-me

a ele pouco depois da fundação do

grupo como dançarino. Depois de um bom

início houve algumas turbulências pelo caminho.

Mas juntamente com um grupo de

amigos que acreditávamos que este projecto

tinha pernas para andar; arregaçamos

as mangas e metemos as mãos na massa.

Desde ai formamos uma direcção onde tentamos,

com muita humildade e trabalho, tirar

o melhor de um grupo de folclore. Aproveito

para agradecer a todos os membros e

amigos que estão ou estiveram ligados a

este grupo e que deram o seu melhor para

a evolução do mesmo.

L.Z.- O folclore foi uma herança familiar,

ou apenas uma casualidade de preferência?

J.P. - Graças aos meus pais sempre tive

uma ligação forte ao nosso Portugal, com

a sua cultura e história. Herança familiar

também, visto que os meus pais andaram

em Portugal no grupo da terra, o Rancho

Folclórico as Morenitas de Alva, um grupo

bem conhecido na zona da Beira Alta.

Juntando estes factores mais um bichinho

que já tinha há muitos anos de me querer

juntar a um grupo de folclore, daí a minha

entrada no folclore. De momento andam

mais familiares meus neste grupo folclórico

e a minha prima Sabrina Vilela pertence

também a direcção actual.

L.Z.- O vosso rancho pertence à comissão

de Pais de Arbon. Como é trabalhar

em parceria com este órgão de apoio?

J.P. - Desde que a nossa direcção está

nos comandos deste grupo que só posso

dizer bem da Comissão de Pais de Arbon.

Podemos contar com o apoio constante

das direcções que tem estado em cargo.

Os nossos ensaios, que se realizam nas

instalações da Comissão de Pais, trazem

muita vida às sextas-feiras à noite e ajuda

aos exploradores do restaurante / bar a ter

mais movimento. Trabalhando em conjunto

tentamos fazer o melhor para esta região.

L.Z.- Consideras que os ranchos de folclore

têm a divulgação e apoio suficiente

em terras helvéticas?

J.P. -Posso dizer que o nosso grupo tem

o apoio de várias instituições helvéticas.

Trabalhamos principalmente com os departamentos

de cultura das cidades de

Amriswil e St. Gallen. Mas também somos

convidados constantes de outras localidades

onde o povo suíço nos quer e gosta de

ver. Aproveito para sublinhar um projecto em

que estamos envolvidos desde os primeiros

dias, o Festival SOPA, o qual junta vários

grupos de diferentes países para juntos

celebrar a variedade de tradições e sopas

dos respectivos países.

L.Z.- A representatividade dos vossos

trajes, danças e cantares vem de Norte a

Sul de Portugal. Quem está no conselho

técnico a dar-vos apoio para chegarem

mais perto dos trajes originais?

J.P. -Este projecto tem desde o seu início

uma clara ideia de querer triunfar pela diversidade

de um pais rico em belas maravilhas,

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COMUNIDADE

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únicas por este mundo fora. Dependente da

região nem sempre é fácil conseguir arranjar

literatura, fotos ou relatos de antepassados

que nos ajudem a reconstruir o nosso trajar.

Tenho a sorte de ter duas colegas Tatiana

Cardoso e Tamara Leal da Silva bastante

aplicadas que tem passado muito tempo a

rever e melhorar o nosso trajar. A direcção

com o apoio do ensaiador Henrique Badim,

responsável de música Beto Cardoso e o

nosso apresentador Marco Gomes, tentamos

ir á procura de novas ideias, para

podermos irem busca do mais tradicional

e especial que cada região nos oferece.

L.Z.- Sois um rancho ainda muito jovem,

mas com garra em vencer. Como vivem

este distanciamento social e não poderem

ensaiar?

J.P. -Como será para todos os grupos, preferíamos

estar sem distanciamento social

e no nosso passado considerado normal.

Mas agora penso que temos que nos adaptar

a esta nova realidade. Para mim o mais

importante é respeitar as regras impostas

pelo governo, o bem de todos os nossos

membros e a saúde em geral. Voltamos á

pouco tempo aos ensaios. De duas em duas

semanas ensaiamos e tentamos manter

o grupo activo e motivado para o futuro.

Nos ensaios são respeitadas as regras do

governo helvético para grupos deste formato.

Mas deixamos em claro que quem não

se sentisse em segurança ou com medo

poderia ficar de fora até tudo se acalmar.

L.Z.- Dia 24 de Outubro è o vosso festival.

Como vives emocionalmente e culturalmente

esta negação aos eventos

culturais?

J.P. - Seria o nosso festival. Penso que para

a nossa direcção esta terá sido a decisão

mais complicada a tomar desde que assumimos

as responsabilidades deste grupo.

O nosso festival era sempre o ponto alto do

ano, onde se sentia o empenho de todos

os membros deste grupo. Este ano vai- nos

faltar muita coisa, desde as preparações

da decoração para surpreender os nossos

visitantes até ao stress das últimas horas

antes de se abrir as portas ao público. Agora

é confiar e acreditar que para o ano será

de novo possível voltarmos a ter os eventos

culturais. Não acredito que para o ano

já seja possível fazer daquela forma que

gostaríamos e estávamos habituados mas

que pelo menos seja possível realizar. E

que assim se volte a conviver com outros

grupos por este mundo fora.

L.Z.- És um jovem, responsável e com

ideias muito claras. Como geres a tua

viva pessoal, desportiva e cultural, numa

sociedade stressada e algo egoísta?

J.P. - Quero acreditar que o Covid trouxe

também coisas boas e uma delas foi tirar

algum stress a nossa sociedade que bem

era preciso. Mais contente ficava ainda se as

pessoas começassem a ser menos egoístas

e a pensar mais num bem comum. Desde

muito cedo que me foram dado valores importantes

para poder viver de uma forma

responsável, trabalhadora e aplicada. Juntando

a isto experiências que vim a fazer no

decorrer da minha vida. Dou constantemente

o meu melhor, respeitando ao máximo as

pessoas à minha volta. Tenho ideias claras

de onde quero chegar e do que tenho que

fazer para chegar lá e que só com trabalho lá

chegarei. Para conseguir meter todos estes

factores a funcionar eficientemente preciso

de um planeamento clara, determinado e

organizado com tempo.

L.Z.- Para finalizar: que sonho gostarias

de realizar como presidente deste grupo

de Arbon?

J.P. - Manter um grupo unido com vontade

de querer melhorar pouco a pouco

no decorrer dos próximos anos. O tempo

que nos espera vai ser de muita luta para

manter a actividade dos folcloristas. Já tivemos

a oportunidade de ir ao estrangeiro

mas não posso esconder que seria algo

especial poder um dia levar este grupo ao

nosso país par podermos mostrar o nosso

trabalho desenvolvido em terras Helvéticas

e em memória dos nossos antepassados.

PROCURA-SE PARA AS NOVAS INSTALAÇÕES DO CLZ

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Requisitos:

- falar prefeitamente o português e o alemão (obrigatório)

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É para trabalhar de Quarta-feira a Domingo.

Para mais informações entrar em contacto através do

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Rue de Lausanne 67/69, 1202 Genève

Tel: Genève - 022 9080360 I Tel: Zurique - 078 6002699 I Tel: Lausanne – 078 9152465

email: geneve@cgd.pt

A Caixa Geral de Depósitos, S.A. é autorizada pelo Banco de Portugal.

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SINDICALISMO

Covid-19: o direito laboral a partir de 1 de Setembro

Menos

protecção

para os

trabalhadores

A situação no mercado de trabalho continua precária.

Apesar disso, o conselho federal reduz a protecção

dos trabalhadores: no final de Agosto muitas

das medidas de protecção ligadas à pandemia

desaparecem.

Subsídio para horário de trabalho reduzido

• A partir de 31 de Agosto desaparecem as disposições especiais

relativas ao subsídio para horário de trabalho reduzido

e voltam a vigorar leis e decretos anteriores ao coronavírus.

O período máximo de recepção deste subsídio mantém-se,

no entanto, até finais de 2021. O que é válido a partir de 1 de

Setembro:

• Todos os trabalhadores para os quais a empresa requeira

subsídio para horário de trabalho reduzido têm de confirmar

com a sua assinatura que o aceitam.

• As horas extraordinárias têm de ser compensadas.

• Aprendizes, trabalhadores temporários e com contrato a termo,

bem como trabalhadores por chamada com horários de

trabalho altamente variáveis não têm direito a subsídio para

horário de trabalho reduzido. O risco de não voltarem a ter

trabalho aumenta consideravelmente.

Desemprego

As disposições relativas ao subsídio de desemprego e às obrigações

das pessoas desempregadas mudam no final de Agosto.

Isto significa:

• Quem ficar desempregado depois de 1 de Setembro não recebe

dias suplementares de subsídio. Mas o direito a dias

suplementares mantém-se para o período de 1 de Março a

31 de Agosto 2020. Ex.: Quem tem direito a subsídio diário

de desemprego desde 1 de Agosto, recebe 21 dias suplementares

de subsídio. Quem recebe subsídio de desemprego

desde 1 de Março, tem direito a, no máximo, 120 dias suplementares.

• As provas de procura de emprego têm de voltar a ser apresentadas

mensalmente.

Protecção de pessoas do grupo de risco

As medidas especiais de protecção das pessoas do grupo de

risco já foram revogadas no dia 22 de Junho. Pessoas idosas,

com doenças e agora também grávidas não podem exigir fazer

teletrabalho ou tarefas onde o risco seja menor. Mas se faz parte

do grupo de risco, fale com o seu chefe. A empresa tem de providenciar

maior protecção no local de trabalho.

Protecção para todos

Legalmente, o empregador é obrigado a garantir a protecção da

saúde dos trabalhadores. Por isso, tem de aplicar as medidas

de higiene e de protecção indicadas pela Direcção Federal de

Saúde (BAG/OFSP). Se a sua empresa não garante estas medidas,

chame a atenção do seu empregador por escrito para este

facto. Se a situação não melhorar, tem direito a recusar fazer o

trabalho. Mas recomendamos que, neste caso, contacte antes a

inspecção cantonal do trabalho e/ou o sindicato.

Quarentena e salário

As disposições relativas à quarentena levantam muitas questões

jurídicas ainda não esclarecidas. Há que distinguir diferentes situações:

• Se passar as férias numa região de risco, tem de fazer

quarentena ao chegar à Suíça. Se a região já tinha sido

declarada região de risco quando partiu, não tem direito

ao seu salário. Se a região ainda não era considerada

região de risco, teoricamente não há motivo para que

não tenha direito ao salário. Se tiver dúvidas, dirija-se ao

seu secretariado Unia.

• Esteve num clube, houve lá infecções e mandaram-no

ficar de quarentena. Correu um certo risco, mas dentro

de um âmbito legal – os clubes podem abrir, desde que

cumpram com as regras de higiene. Teoricamente tem

o direito de continuar a receber o salário. Informe-se no

seu secretariado Unia.

Só tem direito ao seu salário se um médico ou as autoridades de

saúde lhe ordenarem quarentena. Se puder fazer teletrabalho,

tem direito a receber o seu salário na totalidade.

Martin Jakob, work no. 13, 21.08.2020 (adaptado)

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ACTUALIDADE

Suspeito de assassinar português

teria cometido o ato por

“vingança contra o Estado”

7

Suspeito de assassinar português teria cometido

o ato por “vingança contra o Estado”

- SWI swissinfo.ch.jpg ¬Imagem simbólica: um

agente policial armado participando de um

controle em uma rua no cantão de Vaud, em 23

de dezembro de 2014. Keystone

KEYSTONE-SDA/RTS/TS (*)

O suspeito de ter assassinado um

cidadão português em Morges no

sábado passado (12.09) teria confessado

o crime. De acordo com a

televisão pública RTS, o jovem turco-suíço

de 26 anos teria agido por

“vingança contra o Estado”.

Os jornalistas da RTS basearam o noticiário

em fontes próximas aos investigadores.

Segundo eles, o motivo do crime teria sido

“ vingança contra o Estado suíço”. A pedido

da agência de notícias Keystone-S-

DA, a Procuradoria-Geral (BA, na sigla em

alemão) não quis confirmar ou negar as

informações divulgadasNo sábado passado

(12 de setembro), o suspeito esfaqueou

um português de 29 anos em uma lanchonete

turca em Morges. Um dia depois,

policiais capturaram a pessoa que estava

escondida em Renens, um vilarejo próximo.Sob

observação desde 2017

O suspeito estava na mira das autoridades

federais desde 2017. O Serviço Federal

de Inteligência (FIS, na sigla em alemão)

começou a monitorá-lo após consumo e

divulgação da propaganda jihadista, escreveu

o Ministério Público (BA, na sigla

em alemão) na quarta-feira.O turco-suíço

ficou preso em abril de 2019, após ter

cometido um ataque incendiário contra

um posto de gasolina em Prilly, também

no cantão de Vaud. Foi durante as investigações

caso que os policiais de Vaud

encontraram “indicações de possíveis

ligações com o jihadismo”, escreveu o

BA.Os investigadores se depararam com

um possível passado jihadista, que coincidiu

com as descobertas do NDB. Em

outubro de 2019, o BA, responsável pelas

investigações sobre o terrorismo, pediu às

autoridades cantonais para assumir o inquéritoAo

mesmo tempo, o BA expandiu

as alegações para incluir violações nas

leis que proíbem atividades de grupos

terroristas como o Al-Qaeda e do Estado

Islâmico, bem como a exibição de atos

violentos.Solto em julho

As autoridades judiciais prorrogaram a

detenção do acusado a pedido da Justiça

de Vaud e depois do BA. Em julho, o tribunal

deu liberdade condicional ao suspeito

a pedido BA, mas sob condições. O BA

baseou seu pedido, em particular, em um

relatório psiquiátrico. As condições impostas

incluíam a proibição de sair à noite,

a proibição de portar armas e de se apresentar

regulamente às autoridades.

Até o homicídio de sábado passado, o

acusado cumpriu todas as condições. Por

isso, explicam, não havia motivo para uma

nova prisão, escreveu o BA.

Deputada-federal “chocada”

“É chocante”, disse Jacqueline de Quattro,

deputada-federal do Partido Liberal

(FDP) no programa “Fórum” do canal RTS.

Ela comparou o incidente com os casos

“Adeline” e “Marie”, duas mulheres que

foram vítimas de criminosos reincidentes.

Quattro ressaltou não compreender como

pessoas perigosas à sociedade podiam

estar em liberdade.Um endurecimento

das medidas antiterroristas está sendo

atualmente no Parlamento federal, incluindo

a prisão domiciliar. Quattro lamentou

que alguns dos políticos sejam contra as

medidas propostas, pois as consideram

como “privação de liberdade”. “Agora temos

provas de que existem ameaças terroristas

reais em nosso território”, disse

a deputada-federal.O BA inclui no caso

suspeitas de assassinato premeditado e

homicídio. E não exclui um fundo terrorista

para o assassinato. O BA realiza as

investigações junto com as autoridades

de Vaud, a Polícia Federal Suíça e (Fedpol)

e o Serviço Federal de Inteligência (NDB)

Fuga após crime

O ataque a faca ocorreu no sábado à noite

por volta das 21:20 em uma lanchonete

turca perto da estação ferroviária de Morges.

A vítima, que morreu no local, é um

cidadão português de 29 anos. Ele estava

acompanhado pela namorada quando o

atacante veio até os dois com uma faca

nas mãos e o golpeou.

Após uma noite de fuga, o agressor foi

preso no domingo em Renens pela polícia

de Vaud. No dia seguinte, a investigação

foi assumida pelas autoridades federais

por causa do possível fundo terrorista do

caso.

Em Morges, cerca de cem pessoas prestaram

homenagem à vítima na segunda-

-feira à noite, no local da tragédia. O homem

falecido vivia no vilarejo e trabalhava

para uma empresa de transporte.

(*) autor escreve em portugês do Brasil

Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


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COMUNIDADES

Abertura do

concurso de

apoio ao movimento

associativo

da Diáspora

O Ministério dos Negócios Estrangeiros abre o

concurso de apoio ao movimento associativo das

comunidades portuguesas que decorre de 1 de

Outubro a 31 de Dezembro de 2020.

Este apoio, atribuído pela Direção-Geral dos Assuntos

Consulares e das Comunidades Portuguesas

(DGACCP), é dirigido a associações e

federações das comunidades portuguesas, bem

como a outras pessoas coletivas, nacionais ou

estrangeiras, legalmente constituídas há mais

de um ano, sem fins lucrativos ou partidários,

que visem o benefício sociocultural da Diáspora

e estejam credenciadas na DGACCP.

O apoio a conceder terá o limite máximo de 80%

ou de 50% do valor considerado elegível do orçamento

apresentado, consoante as entidades

tenham sede no estrangeiro ou em Portugal.

Consideram-se prioritárias as acções do movimento

associativo que privilegiem a promoção

da língua e da cultura portuguesas, os jovens,

a inclusão social, a capacitação e a valorização

profissional, a participação cívica e política, o

combate à xenofobia e o diálogo com as micro e

pequenas empresas dos portugueses residentes

no estrangeiro que queiram investir em Portugal.

As candidaturas terão de ser apresentadas exclusivamente

junto do posto consular ou da secção

consular da embaixada territorialmente competente,

para os quais devem igualmente ser remetidas

eventuais dúvidas.

É obrigatório o uso do formulário de candidatura,

aprovado pela Portaria n.o 305/2017, de 17 de

Outubro, disponível no Portal das Comunidades

(https://www.portaldascomunidades.mne.pt/pt/

apoios/area-cultural- e-movimento-associativo/

atribuicao-de-apoios-pela-dgaccp)

“Vieira do Minho com

nova escola de bombeiros

PAULO MAGALHÃES (*)

No âmbito do seu plano de ação e não

obstante as dificuldades financeiras

que a Associação Humanitária atravessa,

os Bombeiros Voluntários de

Vieira do Minho iniciaram oficialmente,

no passado dia 25 de Agosto, uma

nova escola de bombeiros, constituída

por 24 formandos que após terem

cumprido as formalidades do processo

de seleção, compareceram no quartel

local, para apresentação e Inicio dos

trabalhos. O ato de apresentação presidido

pelo chefe do executivo, eng.

António Cardoso, teve lugar, 3 dias

antes, dia 22 de Agosto, na parada

do quartel dos Bombeiros Voluntários,

contando ainda com a presença de

vários elementos da direçao , comando,

corpo ativo, quadro de honra e orgãos

de comunicação social.

Os formandos ao longo de 12 meses

vão frequentar um total de seis módulos

ministrados por formadores internos e

externos a título gratuito da Escola Nacional

de Bombeiros, sendo que cada

módulo contém uma parte teórica e

prática com uma carga horária de 50

horas . Os conteúdos programáticos

serão diversificados, e abordarão temáticas

específicas que vão desde a

área da formação Inicial de bombeiro

organizaçao de serviço de bombeiro,

tripulante de ambulância, salvamento

rodoviário e desencarceramento até à

extinção de incêndios rurais e extinção

de incêndios urbanos.

Apesar dos vários equipamentos doados

por outras associações, ainda assim

é necessário ao longo da formação

proporcionar aos formandos o equipamento

necessário e adequado para que

tenham as condições indispensáveis

para enfrentarem os cenários reais de

intervenção. Para o efeito, constam do

equipamento um conjunto de 4 fardas

necessários para a segurança e boa

execução das tarefas. O investimento

global representa cerca de 2500€, por

cada formando.

Segundo Carlos Branco, presidente

da AHBVVM recentemente empossado,

"a formação de novos quadros de

bombeiros para além de crucial é estratégica

porque assenta numa visão

de compromisso de voluntariado das

novas gerações em relação ao futuro

e elas são sem dúvida o garante

da nossa proteção e socorro . Vamos

fazer um esforço sobrehumano mas

estamos cientes que a nossa comunidade

comungará deste tão nobre

desafio e ajudar-nos-à a encontrar as

formas de financiamento adequadas,

pois trata-se de um ativo fundamental"

, adiantou.

Finalizando agradecendo aos novos

formandos, "Aos Jovens promissores

bombeiros um bem haja pelo seu espírito

de voluntariado e pela forma abenegada

com que se entregam ao outro e

ao bem comum. Muitos sucessos para

a nova carreira. Parabéns !"

(*) autor escreve de acordo as normas do AO

Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


FORMAÇÃO

9

Construção civil:

Cursos do Projecto Portugal e Operación España

Formação que vale a pena!

Hélder Castro chegou à Suíça em

2012. Terminou o curso em engenharia

civil em 2009, em plena

crise financeira. A construção em

Portugal estava quase parada,

cerca de 80% dos trabalhadores

perderam o emprego. Não havia

trabalho no ramo. Veio para a Suíça,

como muitos outros, à procura

de trabalho e de uma vida melhor.

Hoje trabalha no departamento de

segurança de uma empresa de

construção. O curso do Projecto

Portugal foi um passo importante

no seu percurso profissional.

MARÍLIA MENDES

— Hélder, é responsável pela segurança

ferroviária numa obra dos caminhos de

ferro dos Grisões. Como chegou aí?

— Fiz muita formação. Quando cheguei à

Suíça, comecei a trabalhar na cozinha de

um hotel. Foi o que consegui arranjar. Depois

passei para a construção como trabalhador

não qualificado. Mas comecei logo

a frequentar cursos de alemão. Porque

não saber o alemão era o primeiro grande

entrave a uma posição laboral melhor.

E depois fui fazendo formações, por último

para poder coordenar a segurança das

máquinas nas obras, que é o que faço agora.

Não é fácil. Tem de se investir tempo,

dinheiro e energia na formação. E às vezes

falta tempo para a família. Mas é o único

caminho para conseguirmos uma boa posição

profissional.

— Como foi para um engenheiro civil

trabalhar como trabalhador não qualificado?

— Nas obras sou um trabalhador como outro

qualquer. Tenho mais conhecimentos

teóricos, mas os meus colegas, sobretudo

os mais velhos, sabem muito mais da prática

do que eu. Não nego que no princípio

foi algo frustrante. Sobretudo por notar que

há um certo estigma de se ser português.

Aprendi muito nas obras. Não só a trabalhar,

mas também sobre a importância de

sermos reconhecidos como pessoas e trabalhadores.

—Fez o curso do Projecto Portugal.

Porque o fez?

—Quando cheguei à empresa da construção

onde trabalhava, ouvi colegas dizerem

que tinham feito o curso e que isso tinha

sido importante para eles. Todos falavam

bem do curso. Quando o chefe me propôs

fazê-lo, não hesitei. Era uma oportunidade

de aprender mais, de conhecer melhor algumas

técnicas de trabalho suíças.

— E valeu a pena?

— Valeu. Aprendi muito. O ambiente no

meu grupo era excelente, havia muito intercâmbio

e entreajuda. Claro que isso tem a

ver com as pessoas do grupo. Mas depende

também dos instrutores, se eles sabem

favorecer as trocas e apoiar os formandos.

Ali isso era possível, até fiz lá amizades.

Profissionalmente o curso ajudou-me muito.

Havia coisas práticas de que não tinha

noção. Fiquei com boas ferramentas para

utilizar no mundo do trabalho. É isso que

se espera de um curso: não saímos de lá

a saber tudo, mas temos ferramentas úteis

para o trabalho.

— Recomendaria o curso a outros colegas?

— Sem dúvida. Aprendemos as formas de

trabalhar na Suíça e isso é importante para

sermos bons profissionais. E a formação

valoriza-nos. Eu vejo que os portugueses

trabalham no duro nas obras, mas nem

sempre são devidamente valorizados. Dependemos

da boa vontade dos chefes e

muitos abusam. Alguns trabalhadores têm

receio e não se defendem. Claro, a situação

é complexa, a lei laboral protege-nos

pouco. Mas conhecer a língua local e fazer

formação contribuem para que nos sintamos

mais seguros e tenhamos mais autoconfiança.

Também por isso o curso é

importante.

— E agora, quais são os seus planos

para o futuro?

— Tenho planos para formações relacionadas

com a ferrovia, uma velha paixão minha.

Gosto de aprender. E sinto que com

mais formação sou mais respeitado. Além

de obter melhores condições de trabalho,

claro. Recomendo a todos os colegas, sobretudo

aos mais jovens, que não parem.

Temos muitas oportunidades de formação,

há que aproveitá-las. É difícil, sobretudo

por causa da língua. Mas é gratificante e

vantajoso quando conseguimos.

Estão abertas as inscrições para

os cursos do Projecto Portugal e

Operación España

Nestes cursos profissionais da construção

civil, os trabalhadores portugueses e

espanhóis a trabalhar na Suíça aprendem

a conhecer melhor os métodos de trabalho

e materiais suíços. É uma boa oportunidade

de aperfeiçoamento e valorização

profissional. Depois da aprovação do fundo

paritário, os cursos são gratuitos para

o trabalhador.

Data e locais dos cursos

4 de Janeiro a 26 de Fevereiro 2021

Centros de formação em Portugal:

• CICCOPN em Avioso, perto do

Porto (http://www.ciccopn.pt/)

• CENFIC no Prior Velho, perto de

Lisboa (http://www.cenfic.pt/)

Centro de formação em Espanha:

• Fundación Laboral de la Construcción

em Santiago de Compostela

(http://galicia.fundacionlaboral.org/formacion/centro/

santiago-de-compostela)

Inscrições

As inscrições são feitas pelo

empregador.

Prazo: quarta-feira, 4 de Novembro

de 2020

Fichas de inscrição em: https://bit.ly/3hstmDM.

Informe-se sobre os cursos

e como se inscrever no seu

secretariado Unia ou através

de migration@unia.ch.

Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


10

SAÚDE

Dificuldades de

aprendizagem:

Mito ou

Realidade?

KARLA KÍSSIA ALMEIDA MAIA

O processo de aquisição da habilidade

leitora e escrita é complexo

e exige formações neurais

que desenvolvemos no decorrer

da vida, mais especificamente no

final da primeira infância, quando

a criança inicia o processo de alfabetização.

Ao contrário da oralidade

(habilidade de fala), a qual

desenvolvemos instintivamente

para nos comunicarmos, ler e escrever

precisa ser estimulado e

desenvolvido gradativamente, de

acordo com o crescimento do indivíduo

e fase em que se encontra.

Na Epistemologia Genética de Piaget, o

autor faz uma análise geral da vida e do

desenvolvimento humano, dividindo-o em

etapas. Em sua teoria propõe que se evite

excesso de estímulo quando a criança ainda

não tem amadurecimento neural suficiente

para responder positivamente.

Nesse processo fica fácil identificar as dificuldades

ou transtornos de aprendizagem,

visto que impactam nas capacidades leitoras

e de escrita. Nesses casos, algumas

pessoas, principalmente pais e professores,

Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU

começam a questionar a capacidade de

aprender das crianças e perguntam – Mas

será que uma criança com transtornos ou

dificuldades de aprendizagem não seja capaz

de aprender?

Para obter essa resposta é necessário compreender

a Neuroplasticidade Cerebral.

Neuroplasticidade cerebral

O cérebro humano é formado por bilhões de

neurônios, células cerebrais responsáveis

por todo o funcionamento do organismo,

nos quais também envolvem sentimentos,

emoções, pensamentos e aprendizagem.

Imaginemos então esse conjunto de células

funcionando como uma orquestra. Caso

um dos músicos apresente falhas ou não

saiba tocar seu instrumento, a melodia não

sairá como esperado. Verdade? No cérebro

acontece de forma semelhante, ou seja,

não haverá desenvolvimento das funções

cerebrais como deveriam caso alguma de

suas partes não desempenhe sua função

corretamente.

No entanto, se for ensinado a esse músico,

às técnicas de como dominar seu intrumento,

logo estará emitindo as notas músicais

esperadas e que se encaixam na melodia e

no tom da orquestra. Concorda com essa

afirmativa? Então, a Neuroplasticidade cerebral

nos permite aprender, adaptar e readaptar

em qualquer situação na qual formos

expostos, socialmente ou biologicamente.

Apesar das estruturas cerebrais das pessoas

serem semelhantes, há sutis diferenças no

funcionamento neurológico de cada uma

delas. Isso significa que, cada um irá aprender

de modo diferente as mesmas coisas.

Por exemplo, você pode aprender fazendo

uma simples leitura, enquanto seu filho

precisa assistir algo para entender melhor

o conteúdo; o marido ou a esposa, além de

assistir, necessita escrever para apreender

algo. Como se vê, a única diferença nesse

processo foi o método, mas o resultado, que

é a aprendizagem, é o mesmo.

Para concluir, a Plasticidade cerebral

garante a capacidade de aprendizagem

contínua dos seres humanos, desde a

vida intrauterina até o último dia de vida,

maspara ocorrer essa aprendizagem é

necessário estímulo e acompanhamento

sistemático, com intencionalidade,

objetivo.

Mito

Deixamos a idéia então, de que crianças que

apresentam transtornos ou dificuldades de

aprendizagem não aprendem. De fato é mito

essa afirmação, pois todos somos capazes

de aprender, desde que sejamos estimulados

do modo correto, e de acordo com nossas

habilidades de aprendizagem.

Nesse contexto, cabe ao grupo formado pela

família, escola e profissionais envolvidos no

processo, identificar a forma como a pessoa


aprende melhor, recorrendo a estímulos,

pesquisas, entrevistas, observações e

aplicação de atividades que ajudem na

promoção de autoconhecimento, e consequentemente,

construa caminhos para

o alcance do conhecimento.

Mas isso não quer dizer que, uma criança

com paralisia cerebral vai aprender a resolver

uma equação de segundo grau, porém

significa que ela pode adquirir muito mais

conhecimentos, se estimulada adequadamente,

se acompanhada por uma equipe

multidisciplinar que a direcione.

As famílias muitas vezes fragilizada pela

situação ou desinformadas do caso, tendem

a não acredita nessa possibilidade.

Devemos considerar que, quando se trata

de desenvolvimento infantil, todo pequeno

avanço é uma grande conquista que merece

ser comemorada.

Realidade

A realidade dos fatos, muitas vezes desestimula

tanto à família como ao profissional,

visto que, nenhum processo que envolve

aprendizagem e cérebro são fáceis e simples.

Porém podemos crer, na capacidade

que o sistema neuronal possui em se

renovar. Quando falamos em renovação,

nos referimos a novos modos de operar,

nos novos caminhos para a construção de

sinapses que possam se tornar duradouras,

para assim serem consideradas como

aprendizagem.

Lembre-se que, nem todas as crianças

aprendem com os mesmos métodos, no

mesmo tempo ou com a mesma intensidade,

mas todas são capazes de aprender

aquilo que lhe for passado de modo intencional

e consciente.

Conforme Piaget, toda a criança consegue,

e classifica esse processo em etapas, denominadas

- Assimilação, acomodação

e equilibração.

Na assimilação, a pessoa consegue captar

novas informações e unir com as que

já tem conhecimento.

A acomodação ocorre quando a criança

consegue concluir a junção dos novos

conhecimentos com o que já sabe.

A equilibração caracteriza-se pela

aprendizagem consolidada, ou seja, depois

que o conhecimento é acomodado,

a criança chega ao ponto de equilíbrio.

Atente que, dificuldade de aprendizagem

existe sim, embora não seja um problema

neurológico, uma doença, como é o caso

dos transtornos de aprendizagem.

As dificuldades devem ser encaradas pela

famiília como algo a ser cuidado, pois surgem

no decorrer do desenvolvimento da

criança. Ao ser tratada a causa geradorado

distúrbio, a criança volta a aprender

normalmente, por essa razão é relevante o

olhar profissional diante de qualquer suspeita

de problema para aprender.

Vale ressaltar que, mesmo que tratando-se

de problemas mais complexo, como os

SAÚDE

11

transtornos de aprendizagem por exemplo,

onde está incluso a dislexia (doença

caracterizada pelo transtorno no neurodesenvolvimento

que afeta a habilidade

de leitura, escrita, reconhecimento de

símbolos, letras , números e noções espaciais),

com as devidas adaptações,

essas crianças também, podem adquirir

conhecimentos.

Sim, essas crianças são capazes de

aprender a ler e escrever. Algumas delas

inclusive, possuem super habilidades, que

crianças não-disléxicas não apresentam.

A exemplo disso temos grandes nomes na

história mundial, como Leonardo da Vinci,

Walt Disney, Albert Einstein e outros, que

mesmo disléxicos conseguiram superar,

mostrar e deixar grandes feitos e legados

para a humanidade.

Lembre-se que, um olhar sensível dos

pais, profissionais da educação e saúde

aos aspectos individuais de cada criança,

é ponto crucial para qualquer tipo de

intervenção ou procura de intervenção, a

fim de colaborar com a aprendizagem e

aquisição de conhecimento. O ponto de

pesquisa será sempre procurar entender

por onde começar à ajudar, e o começo

será incondicionalmente a busca por conhecer,

pois conhecendo, entendemos

como prosseguir.

(*) Neuropsicopedagoga Clínica pela Faculdade

Unyleya Pedagoga pela Universidade Federal

do Ceará Fortaleza/Ce – Brasil. 2020

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Badenerstrasse 382, Postfach 687 | 8040 Zürich | Tel. 043 243 81 21

Baslerstrasse, 117 - 8048

Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


12

CRÓNICA

Do nosso cantinho para o vosso cantão

O Missionário

ARAGONEZ MARQUES

"Nascer no Alentejo, ao pé de

uma estação de caminho de

ferro, crescer com o hábito

dos sons dos comboios, sentir

o carrossel das luzes rápidas

rompendo o silêncio das noites

quentes de verão, e ficar.

Ficar sempre, sem ir nem vir,

preso no cais de embarque, na

planície pintada de sobreiros,

sem nunca embarcar.

Ver a luz da máquina, farol minúsculo

ao longe, aumentando

cada vez mais até passar veloz,

como cometa que arrasta a cauda

luminosa e desaparece com

ela no infinito dos carris de ferro.

A passagem por ele do comboio

era sempre uma estrela

cadente.”

Fechou o caderno e pensou.

Não tinha nascido perto de qualquer

estação de comboios. No

Alentejo sim, naquela imensa

terra de horizontes que se não

atingem, por mais que se ande,

se ande e se ande...

A passagem rápida das janelas

iluminadas vira-as nalgum filme,

talvez.

Andado de comboio, uma vez,

quando foi "às sortes", inspecção

militar, com uma guia

de marcha onde o exército lhe

ofereceu um passeio de ida e

volta ao Centro de Recrutamento

Militar de Leiria, para se

despir, todo em pelota, na frente

de camuflados gigantescos

que avaliavam as capacidades

físicas para uma outra viagem,

um outro bilhete, de barco, para

outras terras e outros mares.

Mas entendia o pedaço de texto

que acabara de escrever.

Entendia essa angústia de ter

que ficar quando os empurrões

para a partida eram tantos, e

neste caso, ali, mesmo à mão,

só que distante da coragem de

enfrentar o novo.

Não tinha um espírito de aventureiro,

no sentido da adrenalina.

Tinha-o escondido na desculpa

inconsciente do auxílio do outro,

como forma de se auxiliar a si

mesmo.

De pequeno fascinava-o a revista

"Audácia", que um amigo do

pai, acabado de fazer um curso

de cristandade, desses que com

três dias mudam radicalmente

os comportamentos por serem

capazes de modificar os objectivos

de vidas sem sentido, com

afectos "de colores", lhe oferecera

com uma assinatura anual.

Era uma revista feita por missionários

para jovens.

Aquele trabalho de missão fascinava-o,

não tanto por questões

de fé, ou pelas heroicidades

dos padres Josués que

construíam igrejas no meio do

mato. Agora a construção de

hospitais sim, a multiplicação

de escolas também, as lutas

para conseguir alimentos ou

mesmo os pequenos afagos aos

negritos de enormes barrigas e

pernas franzinas, de cujos rostos

magros sobressaíam olhos

grandes... era mesmo o que o

impressionava.

Depois viver lá, calções e barba

comprida, com tarefas diárias

que tinham sempre resultados

palpáveis.

Que se viam.

Trabalhar em função dos outros.

Sem riquezas, longe de

televisões, discotecas, bancos

e repartições de finanças, apenas

ali, perdido na descoberta,

pores de sol como travesseiros,

onde encostar a cabeça

e dormir.

Casou no entanto, tirou um

curso e se ambas as coisas

não eram incompatíveis para

que tal fosse possível, já os

filhos nascidos desse casamento

passaram a ter peso

na decisão, peso porque teriam

que decidir também e

para eles, África, por toda

uma informação colonial que

lhes era distribuída por meios

de comunicação ou filmes da

moda não inocentes, era um

paraíso a desfrutar. Um paraíso

de prazer, com cocos e palhinhas,

marisco, festas e hotéis,

românticos, que madrugavam

em frutas tropicais e águas límpidas

de praias em topless com

bandeiras portuguesas ondulando

nos edifícios públicos.

A guerra, a fome, essas não

ficavam por ali, era lá para o

interior, porque o continente

africano é enorme e de uma

ponta, não se vê a desgraça

da outra.

Se a família fosse para África,

tomariam lá, certamente, rumos

diferentes.

Ficaram.

Ele no entanto com aquele sonho

reprimido, a família sem

nunca mais se lembrar de tal

coisa.

Passaram os anos.

Os filhos cresceram à velocidade

da luz.

Com os filhos criados, o casal

deixou de sentir a necessidade

de o ser.

No tempo dos seus pais, o casamento

era "até que a morte os

separasse" e quando entrava a

velhice, mais necessidade sentiam

de se protegerem uns aos

outros, dois a dois, agora que

os filhos já não estavam.

Hoje é diferente.

Os casais recusam-se a envelhecer,

descobrem no outro o

reflexo do tempo, como num espelho,

e porque a imagem lhes

é ingrata, recusam-se a olhá-la.

Separam-se.

Elas puxam em plásticas as

peles do rosto e esticam-nas,

forçando sorrisos de quem já

não consegue fechar a boca e

começam a vestir mini-saias.

Eles, calvos à frente, deixam

crescer os cabelos que sobram,

atam com elástico um

rolinho atrás, cravam um brinco

tímido e pequeno na orelha,

vestem camisas de marca, compram

óculos escuros que lhes

disfarcem os papos dos olhos,

vestem calções e bebem nas

discotecas, onde deixam à

porta, bem visíveis, os carros

desportivos.

Não se necessitam uns e outros,

no fundo temem encontrar-se

evitando um diálogo entre si,

para não terem que recordar

um passado que os envelhece.

Procuram misturar-se com gente

mais nova, e esta, sem instrução

e formação onde tenham

estado presentes os cavaleiros

andantes ou os príncipes encantados,

alinham com estas

meias-idades portadoras de

cartões de crédito.

Também neste casal tal se passou,

e a distância entre ambos

era cultivada, para resultar o

mais duradoura possível.

Apesar dos filhos terem mais de

vinte anos (hoje fazendo parte

de uma nova classe de adolescência

devido à dependência

paterna), o que lhes daria uma

proximidade vertiginosa aos

cinquenta anos, negavam-se

determinantemente a envelhecer,

e ambos queriam começar

tudo de novo. Como se tivessem

vivido e terminado uma vida já,

e houvesse tempo de viver uma

segunda. Tudo de novo, a adolescência,

as roupas, a música,

até novos namorados, porque

não?

Separam-se.

Os filhos, rodados nestas experiências

pelas experiências

múltiplas da maior parte dos

seus colegas, aceitaram bem.

Para eles até foi melhor.

Mais liberdade, se não deixava

o pai, autorizava a mãe.

Dinheiro tinham sempre, pois

os pais disputavam-se para ver

quem dava mais, a custo sei lá

de quê, trocando moedas em

tentativas de substituir o amor

que sabiam não dar conscientemente.

Tinham até duas casas,

duas portas sempre abertas em

dois lugares distintos da cidade,

e com essas duas portas abriram-se

dezenas de mais. Durmo

em casa do pai. Durmo em casa

da mãe.

Depois por telefone:

- Dormiram aí em casa?

- Não, eu pensei que estivessem

contigo.

Tinham dormido por aí.

A separação dos pais tinha sido

para eles uma liberdade precoce,

uma autonomia para que não

tinham sido preparados.

Custava-lhes às vezes encontrar

os namorados dos pais nas

suas casas. Por mais que estes

se esforçassem, nos jantares

ou no cinema, não conseguiam

nunca substituir a mãe se fosse

a namorada do pai ou o pai se

fosse o namorado da mãe.

Tinham até manifestações de

ciúmes que traduziam em co-

Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


CRÓNICA

13

municações ao outro lado.

Como a mãe ficava furiosa

quando lhe diziam que no dia

anterior ao jantar a namorada

do pai estava lá...

Como o pai ficava furioso

quando lhe diziam que no dia

anterior, depois de jantar, o namorado

da mãe os foi levar à

discoteca e passou a buscá-los

às seis horas da manhã…

Os filhos gostavam de ver os

pais reagirem como crianças:

- Ele levou-os a ver o Benfica?

Vocês sabem que ao Estádio

da Luz só vão comigo. Sempre

foram só comigo. Esse “gajo”

é tanto do Benfica como eu do

Clube de Freixo-de-Espada-à-

-Cinta. E ela foi? Comigo nunca

queria ir.

- Ela é que vos cortou o cabelo?

Quem autorizou? Olhem para a

tua cabeça, estás horrível, deve

ter aprendido na espelunca da

cabeleireira onde costuma ir.

O teu pai varreu os cabelos do

chão? Comigo nunca pegou

numa vassoura…

Haveria neste ciúme alguma

réstia de amor?

E foi num desses dias em que

a autoridade estava diminuída,

que algo muito grave aconteceu.

- São duas da manhã, devem

estar com a mãe.

- São quatro da manhã, devem

estar com o pai.

Ambos pensaram que deveriam

telefonar um ao outro, mas não,

pensaria o outro que se estava

dando parte fraca, depois da

última discussão em que, entre

gritos, insultos e ameaças, se

afirmou que nada mais havia

para dizer, tendo-se a partir

daí transformado os filhos em

mensageiros?

- Deviam lá estar certamente

– pensaram ambos acerca da

casa um do outro.

Dormiram.

A única coisa comum que tiveram

nessa noite em cada uma

das suas casas foi, sem o saberem,

terem visto o mesmo filme

na televisão, e o ciúme de que

os filhos tivessem preferido dormir

na casa do outro.

O relógio avançava, dia dentro,

e a manhã de domingo surgiu,

ao mesmo tempo que o telefone

tocou em casa dele.

Ouviu-o tocar lá ao longe, como

a manhã, depois olhou o relógio

de cabeceira e ergueu-se de um

salto, era mesmo o telefone.

- Diga?

- Estou a falar com o Senhor

Raul dos Santos Costa Brás?

Aquele seu nome completo dito

assim do outro lado por voz desconhecida,

deixou-o intranquilo.

Houve um acidente. Falo do

hospital. Deveria vir…

- A minha mulher?

- Não…

Deixou cair o auscultador, enfiou

as calças, a camisa, desceu

a escadaria do prédio, meteu-

-se no carro e partiu como um

sonâmbulo.

A mulher já estava no átrio do

hospital, quando o viu chegar,

correu para ele e embrulhou-se

em pranto e dor.

Foi a primeira vez que sentiram

a nítida necessidade de se abraçarem.

Viram-se pela última vez no

funeral.

Dela, ninguém mais ouviu falar.

Ele é hoje um missionário triste e

barbudo, amando cada criança

de Timor, com a dor de ver em

cada um deles, os filhos que

ajudou a vida a roubar.

Há gentes que deveriam seguir

logo os seus destinos, para que

os seus caminhos não tivessem

que ser livros com folhas

arrancadas a meio. Livros com

capítulos em branco, só com

dor e vazio.

Só que, no fundo, é isto que nos

define como seres humanos,

cabe aos deuses determinar

os carris.

Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


14

COMUNIDADE

“Bifes à Romaria“ no CLZ

JORGE MACIEIRA

Os “Bifes à Romaria” teve a segunda edição

no passado dia 5 de Setembro, à noite, já

nas novas instalações do CLZ.

A primeira edição teve lugar em Dietikon

em 2018, evento também organizado pelo

Centro Lusitano de Zurique.

Os “Bifes à Romaria e dos Melões” é uma

tradição da freguesia de Taíde - Póvoa de

Lanhoso. Trata-se de uma Romaria em honra

de Nossa Senhora de Porto d´Ave que consiste

comer bifes de cebolada e melões,

que devido à situação actual do Covid-19,

a romaria não se realizou em Taíde, mas sim

no Centro Lusitano de Zurique, que recriou

a tradição dos “Bifes à Romaria”.

O evento foi um autêntico sucesso. Contou

com cerca de cem pessoas que puderam

manter uma tradição antiga e típica do Minho.

Muitos tiveram a oportunidade de pela

primeira vez apreciarem a especialidade dos

“Bifes à Romaria”.

Este ano a Romaria, que é uma das maiores

romarias da região Minho, como já referido

não se realizou em Taíde, por isso o Centro

Lusitano de Zurique decidiu trazer a tradição

da romaria para a casa mais portuguesa de

Zurique, como já fez em 2018.

A Romaria de N.ª Sra. de Porto d’Ave é uma

das maiores e mais típicas romarias do Minho.

Referem que as origens da romaria

sejam contemporâneas à edificação do

Santuário, mas o registo mais antigo que é

conhecido é de 1835 num Livro de Contas da

Romaria exposto no Museu de Arte Sacra.

G

https://www.facebook.com/transportes.fernandes

Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


RECANTOS HELVÉTICOS

15

Cabana de “Tierewis“

MARIA DOS SANTOS

Falar da Cabana de Tierewis a 2.084 metros

de altitude, é falar também do “Säntis“ a

2.502 metros de altura, ou “Rotsteipass" e

toda a zona de Alpstein.

Um quadro, onde o silêncio e a beleza dos

Alpes tem o poder de nos mostrar o que

é, o amor angelical pela natureza. Ela que

serve tantas vezes de refúgio, fornece-nos

o oxigénio puro de que tanto precisamos,

justo agora que nos debatemos estupidamente

contra uma doença e algo invisível,

mas presente.

Para quem gosta de ficar por terras helvéticas

e quer passar as suas férias, num

ambiente de cura física e espiritual, nada

melhor que longas caminhadas e maravilhosas

descobertas.

Hoje convido-vos a descobrir esta cabana

que veem na fotografia. A cabana

„Tierewis“. Acolhedora, gente simpática,

protegida do COVID e que nos oferece

uma paisagem entre o mundo animal e

uma natureza selvagem. Ao final da tarde

e de manhã bem cedo, lá temos os Ibex a

desejar-nos um triunfante dia.

O parque de estacionamento de Wildhaus,

custa apenas cinco francos. Os painéis

indicam o caminho, sem possibilidade de

enganos.

A altitude é bastante elevada mas acessível

a qualquer um.

Quando o entardecer chega, deixem-se

encantar pelas longínquas luzes das cidades,

vilas e aldeias das províncias Ai /Ar/

SG. Parecem pequenas pistas de aterragem,

onde todos um dia gostaríamos de

chegar com destino ao paraíso.

Uma vez em “Tierewis“, onde podemos

pernoitar, degustar a cozinha helvética,

podem e deve combinar este passeio com

a ida a Säntis.

Para lá chegar devem estar bem equipados,

com botas, bastões e ausente de vertigens.

O Lisengrad é sumptuoso e altivo. Cores

vivas e atrativas, precioso e perfeito aos

nossos olhos.

Uma vez no pico do famoso Säntis, temos

uma paisagem, que faz as delícias dos turistas.

São 380 graus onde o nosso olhar

se perde.

O pôr do sol é o cartão postal procurado

por todos. Um pássaro que passa, uma

nuvem que marca presença e enfeita o céu,

um sorriso doce e ternurento que chega do

nada. Um sonho que vem á memória, uma

imagem que não queremos esquecer e o

desejo de deixar a alma voar. É o rei astro

a despedir-se com todos os sonhos dentro

dele. Descobrimos cores deslumbrantes,

as estrelas que brilham, o sono que chega

nostálgico e sem avisar, só por estes motivos

merece a pena viver estas emoções.

Mas deixem-me dizer-vos, para mim o mais

significativo, romântico e marcante é aquele

vivido com quem amamos, ao pé do meu

monumento favorito: A Torre de Belém,

em Lisboa.

Se me disserem que as férias na Suíça

são caras, digo-vos que não. Se merece a

pena conhecer este cantinho do mundo,

digo sim. Utilizem as ferramentas virtuais

e vejam os preços e locais de sonho a preços

acessíveis para todos. Há sempre uma

montanha, um pôr ou nascer do sol que

espera para ser visto.

Hoje permito-me terminar com um pensamento

que faz todo o sentido de Arthur

Schopenhauer: “A tarde é a velhice do dia.

Cada dia é uma pequena vida e cada pôr

do sol uma pequena morte.“

Vamos refletir e pensar em construir um

mundo melhor. Será bom começarmos a

perguntar-nos: Quem seremos quando tudo

isto acabar?.

Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


16

DESPORTO

“O nosso clube tem sempre esta obrigação

de regressar à primeira divisão”

João Carlos Pereira, de 55 anos,

natural de São Pedro de Moel,

Marinha Grande, distrito de Leiria,

iniciou-se no futebol no Marinhense

e depois de dez anos, regressou

para terminar a carreira,

onde se tornou técnico da equipa

principal, onde hoje tem uma longa

experiência por todo o mundo.

O técnico assumiu agora o Grasshoppers,

na sua segunda passagem

por terras helvéticas, com o

objectivo de devolver ao clube o

lugar na primeira liga Suíça.

JORGE MACIEIRA

Lusitano Zurique – Como se iniciou no

mundo do futebol?

João Pereira - Comecei a jogar na escola

primaria com os meus colegas. O meu pai

gastava de futebol e já ele e o meu avô tinham

jogado. No ciclo olharam para mim e

foi para o Marinhense onde fiz toda a minha

formação até chegar a equipa sénior com

17 anos. Fiz um ano na segunda B, onde foi

contratado pela Académica, e fiz um percurso

de jogador profissional curto, pois aos

25 anos tive uma lesão, com a qual dei conta

que já não iria chegar ao ponto que queria

e continuei a jogar mas como amador.

Voltei a estudar e continuei a jogar com

muitas dores, acabei o meu curso de relações

empresariais aos 33 anos, e pensava

que iria seguir trabalho nessa área. Mas na

altura o treinador do Marinhense convidou-

-me a ser coordenar da formação, passado

um mês ele adoeceu e a direção juntamente

com ele me convidam para assumir o

lugar durante um tempo onde acabei por

ficar e onde ainda hoje estou sentado no

banco como treinador.

L.Z. - Estreou-se na 1ª Liga portuguesa

com a camisola do Académica,

logo frente ao Benfica. Qual foi

o ponto mais alto como jogador?

J.P. - Sim foi um ponto mais alto ao estrear-me

pela Académica na primeira Liga portuguesa

L.Z. - Foi jogador e duas vezes treinador

da Académica em alturas diferentes, foi

um clube que o marcou?

J.P. - A Académica teve uma influência

muito grande em mim, pois da zona que eu

venho é uma zona muito fechada. Quando

tive a oportunidade de ir para a Académica,

apesar de muitos convites, o que me

fez ir foi a cultura que ainda hoje tentam

mantem, a relação entre futebol e a escola,

pois sempre gostei de estudar e aprender

cada vez mais e quando lá cheguei vi que

era um clube diferente com enquadramento

socialmente bastante grande onde promovem

a formação académica.

L.Z. - Como surgiu a oportunidade de

ser coordenador geral no Aspire Qatar?

J.P. - Tive um trajecto de treinador até a

primeira liga portuguesa, e dei por mim

que não era fácil e ainda era muito jovem,

e na minha opinião é cada vez melhor se o

treinador tiver várias experiências para aumentar

conhecimentos. Ao chegar ao determinado

nível é mais difícil e surgiu oportunidade

de sair para fora e experimentar

outras culturas e outras ligas como a liga

do Koweit, Chipre, Suíça e depois o convite

do projecto do Qatar que procuravam

um treinador do meu perfil para desenvolver

os jogadores para estarem preparados

para o Mundial de 2022, onde ainda hoje

poderia estar, mas o projecto ficou sem

ter muito sentido pois nem todos os jogadores

com quem tínhamos trabalhado

iriam estar presentes no mundial de 2020.

Também começou a faltar aquela competitividade

diária de um clube no campeonato

e taças.

L.Z. - Mas esta é a sua segunda passagem

na Suíça, depois de em 2011/2012

estar ao serviço do Servette, como correu

essa sua primeira passagem na Suíça?

J.P. - Nunca chegou a ser bom. Logo

quando cheguei no primeiro mês começou

a faltar o ordenado, até chegou a serem

4 ou 5 meses de atraso, não foi fácil para

mim e muito menos para os jogadores.

A nível de resultados foi bom trabalho,

a equipa estava um lugar acima da linha

de água e saímos a lutar pela liga europa,

e quando foi dispensado pelo novo

dono do clube que teve controlar as dívidas

do clube e prescindiu dos meus

serviços pois já só tinha mais 1 mês de

contrato e tinha 1 ano de contrato com

a equipa técnica que tinha substituído.

As dificuldades financeiras complicaram

Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


DESPORTO/SAÚDE

17

bastante o nosso trabalho no Servette

onde faltou vários apoios em tudo, até em

material.

L.Z. - Como estão a correr as coisas no

GCZ?

J.P. - Com dificuldades normais do inicio

de cada projecto. Um clube com novo

dono, um clube que toda a gente sabe que

é enorme, não esta a ser tão fácil como

esperamos onde temos que completar o

plantel em algumas posições, o campeonato

acabou e logo começou passado 10

dias com o covid-19 e selecções complicou

bastante o nosso trabalho onde tivemos

que recorrer às equipas sub-21 para

completar a equipa nos treinos. Só agora,

nesta semana a meio de Setembro, temos

o plantel em condições de preparar para o

campeonato.

L.Z. - O GCZ é então uma equipa topo

na Suíça, com 28 Ligas e 19 Taças Suíças.

Será capaz de, já esta época, voltar

à Super League Suíça?

J.P. - Sim nós sabemos que não vamos

competir sozinhos, e que há equipas muitos

boas que vão lutar connosco pela

subida, como por exemplo o Winterthur

que ficou em quinto lugar, tem um trabalho

de continuidade da época passada,

e ainda as equipas que desceram.

Mas o nosso clube tem sempre esta obrigação

de assumir a candidatura de subida

de campeão e regressar a primeira divisão.

L.Z. - A equipa principal do GCZ treina

todos os dias? Quantos treinos?

J.P. - Sim estamos a treinar actualmente

diariamente, muitas vezes duas vezes ao

dia, mas depende sempre dos micro-ciclos

e da agenda dos jogos do clube. Estamos

a tentar preparar o próximo jogo e preparar

a equipa para o resto do campeonato com

a nossa ideia de jogo, organização tática e

de jogo para a nossa equipa

L.Z. - Estreou-se oficialmente no jogo a

contar para a taça contra o Stade-Lausanne

com uma victòria a 2 bolas a 1,

era a estreia que esperava?

J.P. - Foi um jogo difícil, onde entramos

com uma equipa com a media de idades

inferior 21 anos, só um dos reforços é que

podia jogar, não jogamos com a qualidade

que queríamos, mas é normal quando

não se trabalha com a equipa toda.

Mas estamos de parabéns pela conquista

da vitória num campo muito difícil, contra

uma equipa do nosso escalão, os nossos

jovens jogadores demonstraram que estão

prontos para nos ajudar quando for preciso.

L.Z. - Desde da sua chegada, foram

contratados vários jogadores portugueses,

por sua indicação ao clube?

J.P. - Maior parte dos jogadores foi

me proposto, quando cheguei ao clube

tentei me informar quais os recursos

do clube e ver o projecto do clube e

da formação e qual o projecto de futuro.

Fomos formando a equipa com o nosso

departamento desportivo, tem vindo jogadores

português mas foram nos proposto

pela direcção.

L.Z. - O que tem sido mais difícil apesar

de estar habituado a ser emigrante?

J.P. - Tenho uma coisa boa, já tenho uns

anos disto e que se adapta ao mundo árabe

rapidamente se adapta a sociedade

Suíça com bastante organização, como

trouxe a família tornar-se ainda mais fácil,

nestes primeiros tempos entro as 7 horas

da manhã e saio às 20 horas e a concentração

neste momento está unicamente e

exclusivamente neste trabalho.

L.Z. - Tem visto o tamanho da comunidade

portuguesa aqui na Suíça?

J.P. - Espero que sim, o que une as

pessoas à volta do clube é a história

e cultura do clube, e se a minha vinda

fizer a comunidade portuguesa se

aproximar ao clube será melhor ainda.

Infelizmente estamos em uma altura difícil,

que temos o numero de adeptos limitado,

e quando mais rapidamente podermos ter

adeptos no estádio será melhor para equipa.

L.Z. - Mesmo a distância vai acompanhando

o futebol português?

J.P. - Sempre acompanhei a nossa liga

portuguesa mesmo quando estava no Qatar,

as transferências e os jogos do fim-de-

-semana. Acho que os treinadores devem

estar sempre informados sobre várias ligas.

Consoante passamos nas equipas fazemos

sempre amizades com os clubes e

com jogadores que continuamos a acompanhar

durante a sua carreira.

L.Z. - Para terminar a entrevista, qual a

mensagem que deixa aos nossos leitores?

J.P. - A mensagem que gostava de deixar

é que a massa de leitores da revista viesse

aproximar-se ao clube e nos apoiar para

conseguir este objectivo da subida na nossa

casa.

Envelhecer com saúde!

EVITAR O DECLÍNIO

COGNITIVO

NELSON S. LIMA (*)

Com o avançar do

tempo, o envelhecimento

torna-se

inevitável. O cérebro

também não escapa

a esta regra da vida.

Para atrasar o envelhecimento

do cérebro, sabemos

actualmente que há

algumas condições básicas

que podem fazer toda

a diferença.

Veja a lista de algumas

acções que podem ajudar

e que são sugeridos

pelos mais conceituados

centros de pesquisa do

cérebro.

- Não fume.- Mantenha

um peso saudável.- Faça

bastante exercício.- Alimente-se

com comida

saudável.- Durma bem.-

Controle problemas de

saúde, incluindo diabetes,

pressão alta e colesterol

alto.- Mantenha-se mentalmente

alerta aprendendo

novos hobbies, lendo

ou resolvendo palavras

cruzadas.- Sociabilize-

-se (evite o isolamento

social).- Participe em

actividades comunitárias,

igreja ou grupos de

apoio.- Se o seu médico

recomendar, tome aspirina

(pode ser uma aliada

muito importante da

irrigação sanguínea que

leva nutrientes a todas as

células do cérebro, não

apenas os neurónios).

Acções aparentemente

simples, nem sempre

são fáceis de aplicar. Se

necessário, consulte um

médico especialista em

envelhecimento (Geriatria

e Gerontologia).

ILUSTRAÇÃO: Lado esquerdo aspecto normal de um

cérebro envelhecido (visão parcial).

Lado direito aspecto de um cérebro com Alzheimer (visão

parcial).

OBSERVE a diferença de volume.

(*) https://www.facebook.com/nelson.s.lima

Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


18

ACTUALIDADE

Suíça rejeitou restrições à

imigração proposta pelos

conservadores

MANUEL ARAÚJO (*)

As projecções indicam que a restrição

à entrada de cidadãos da

União Europeia na Suíça, proposta

pelo Partido do Povo Suíço

(SVP) que pedia uma rescisão do

acordo com objectivo de diminuir

a imigração para a Suíça foi rejeitada

pela maioria.

Esta iniciativa popular que pretendia pôr

fim à livre circulação de pessoas com a

União Europeia (UE), à qual o Governo suíço

manifestou oposição, deveria ter sido

votada em Maio, mas o referendo teve de

ser anulado devido à pandemia provocada

pelo novo coronavírus.

AF E C H A R…

Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU

Segundo avançam as agências de notícias

Swissinfo, AP e AFP, as primeiras

projecções do instituto de sondagens gfs-

-Bern, baseadas numa contagem parcial

dos votos, sugerem que a maioria dos suíços

votou contra a iniciativa popular dos

nacionalistas que sugeria uma restrição

ao número de cidadãos europeus com

permissão para trabalhar e viver no país.

O acordo firmado com a União Europeia

para regular a livre-circulação de trabalhadores,

foi uma da grandes contribuições

e uma conquista deixada pelo conselheiro

das Comunidades Manuel Beja já

falecido. Este acordo está em vigor desde

2002.

Assim, tudo continuará igual, permitindo o

actual acordo, a livre circulação de ambos

os lados, o livre acesso aos mercados de

trabalho e o direito de escolher o local de

residência. A livre-circulação continua.

Outro projecto que foi a escrutínio foi o

da aquisição de novos caças para a Força

Aérea suíça, que o Parlamento e o governo

querem renovar. O custo para a compra

das aeronaves seria de cerca de seis

biliões de dólares. Sobre o resultado desta

votação, à hora do fecho desta edição,

as projecções ainda não apontam um resultado

claro.

Foi ainda a votação um projecto-de-lei

prevê a introdução de uma licença-paternidade

com duas semanas de duração.

Neste caso as contagens preliminares

indicam que 60% dos eleitores disseram

“sim” à licença do trabalho, que pode ser

pedida no prazo de seis meses após o

nascimento da criança.

Além da iniciativa de limitação à imigração,

da aquisição de novos caças para a

Força Aérea e da licença-paternidade, os

suíços votaram ainda sobre dois outros

temas: alteração à lei sobre a caça e o aumento

das deduções infantis nos Impostos

Federais Directos, sendo o resultado

ainda desconhecido.

(*) com agências

RESULTADOS finais: Livre Circulação - rejeitada - Aviões - aprovada - Lei da caça - rejeitada - Licença de paternidade - aprovada


COMUNIDADE

19

ique

n

l

e

Saúde

l

biz

50185974

000001

Integras –

Sessões informativas

para imigrantes

Escolha de profissão, procura de postos

de aprendizagem, sistema de ensino

Kanton Zürich

Bildungsdirektion

Amt für Jugend und Berufsberatung

Fachbereich Berufsberatung

Dörflistrasse 120

8090 Zürich

www.berufsberatung.zh.ch

www.berufsberatung.ch

Os seus Centros de Informação

Profissional (biz) no Cantão de Zurique

biz Horgen

Região Horgen

Lindenstrasse 4

8810 Horgen

Tel. 043 259 92 60

biz.horgen@ajb.zh.ch

www.bizhorgen.zh.ch

biz Kloten

Região Bülach

Hamelirainstrasse 4

8302 Kloten

Tel. 043 259 82 00

biz.kloten@ajb.zh.ch

www.bizkloten.zh.ch

biz Meilen

Região Meilen

Obere Kirchgasse 18

8706 Meilen

Tel. 043 258 49 49

biz.meilen@ajb.zh.ch

www.bizmeilen.zh.ch

biz Urdorf

Regiões Affoltern

e Dietikon

In der Luberzen 42

8902 Urdorf

Tel. 043 259 91 80

biz.urdorf@ajb.zh.ch

www.bizurdorf.zh.ch

biz Uster

Regiões Hinwil, Pfäffikon

e Uster

Brunnenstrasse 1

8610 Uster

Tel. 043 258 49 00

biz.uster@ajb.zh.ch

www.bizuster.zh.ch

biz Winterthur

Regiões Andelfingen

e Winterthur

Zürcherstrasse 12

8400 Winterthur

Tel. 043 259 82 82

biz.winterthur@ajb.zh.ch

www.bizwinterthur.zh.ch

biz Oerlikon

Região Dielsdorf:

– Orientação profissional

e de carreira

Para todas as regiões:

– Orientação de cursos e

carreira

– Orientação de cursos Saúde

– Orientação de cursos

Desporto

– Formação profissional

para adultos

Dörflistrasse 120

8050 Zürich

Tel. 043 259 97 00

biz.oerlikon@ajb.zh.ch

www.bizoerlikon.zh.ch

www.stadt-zuerich.ch/lbz

Laufbahnzentrum (LBZ)

Stadt Zürich

Konradstrasse 58

8005 Zürich

Tel. 044 412 78 78

laufbahnzentrum@zuerich.ch

06/2020

Portugiesisch | Português

biz

Anmeldung | Registration

Integras 2020/2021

06/2020

Conteúdo

Grupo alvo

Objectivos

Integras Sessões

informativas

Para pais e jovens oriundos da imigração

– Os pais oriundos da imigração são informados acerca do sistema

de ensino suíço, escolha da profissão e aconselhamento

profissional, na sua própria língua (com mediadores culturais).

– Alunos do respetivo grupo linguístico partilham as suas experiências

sobre a escolha da profissão e procura de postos de

aprendizagem.

– Pais de jovens em idade de escolha de profissão

(1.º–3.º ano do ensino secundário)

– Jovens que frequentam o ensino secundário

– Outros membros da família e interessados

– Os jovens e os seus pais ficam a conhecer o roteiro da escolha

de profissão, o sistema de ensino suíço e a importância da

formação profissional básica (estágio com ou sem ensino médio

profissional BM).

– Os pais tomam conhecimento das ofertas do Centro de Informação

Profissional (biz) e ficam a saber onde podem encontrar

apoio, caso seja necessário.

Registo Através do formulário de inscrição ou em

www.berufsberatung.zh.ch/integras

A participação é gratuita.

biz

Anmeldung | Registration

Arabisch

☐ 31 اكتوبر biz Winterthur 14:00 ،2020

اللغة العربية English ☐ 13 January 2021, 18.30, biz Oerlikon

Español

Integras

☐ 28 de noviembre

2020/2021

2020, 10:00 horas, en biz Urdorf

Italiano ☐ 28 novembre 2020, ore 09.30, biz Uster

Português ☐ 31 de outubro de 2020, 10:00 horas, biz Winterthur

☐ 28 de novembro de 2020, 14:00 horas, biz Urdorf

Srpski bitte ☐ 27. ankreuzen januar 2021, | please 18.30 mark časova, with biz Oerlikon a cross

Arabisch

English

Español

Italiano

Português

Srpski

اللغة العربية ☐ 31 اكتوبر biz Winterthur 14:00 ،2020

☐ 13 January 2021, 18.30, biz Oerlikon

☐ 28 de noviembre 2020, 10:00 horas, en biz Urdorf

☐ 28 novembre 2020, ore 09.30, biz Uster

☐ 31 de outubro de 2020, 10:00 horas, biz Winterthur

☐ 28 de novembro de 2020, 14:00 horas, biz Urdorf

☐ 27. januar 2021, 18.30 časova, biz Oerlikon

Name | Last Name

Vorname | First Name

Geschlecht | Gender ☐ männlich | male ☐ weiblich | female

Adresse | Address

Name | Last Name

Tel. | Phone | Mobile

Vorname | First Name

@

bitte ankreuzen | please mark with a cross

E-Mail

Geschlecht | Gender ☐ männlich | male ☐ weiblich | female

50185974

000001

Anzahl Teilnehmende | Number of Participants

Adresse | Address

Integras Sessões em português no ano letivo de

2020/2021

Sábado, 31 de outubro de 2020, 10:00–12.00 horas,

no biz Winterthur

Sábado, 28 de novembro de 2020, 14:00–16.00 horas,

no biz Urdorf

@

Tel. | Phone | Mobile

Kanton Zürich

Bildungsdirektion

E-Mail

Amt für Jugend und Berufsberatung

Fachbereich Berufsberatung

Anzahl Teilnehmende | Number of Participants Dörflistrasse 120

8090 Zürich

Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


20

AGENDA

MAPS 341 (Oktober 2020)

04.10.2020 (Sonntag)

Performance de dança

A dançarina e coreógrafa francesa Betty

Tchomanga apresenta seu projeto solo

„Mascarades“ no „Theaterhaus Gessnerallee“.

Ela cria uma dança de saltos poderosos

e elegantes. 18:00-18:45. O escritório

da MAPS sorteia 2×2 entradas grátis. Basta

ligar para: 044 415 65 89 ou escrever um

e-mail: maps@aoz.ch.

Gessnerallee Zürich. Gessnerallee 8.

Tram 3/14 oder Bus 31 bis „Sihlpost“.

http://www.gessnerallee.ch

http://www.gessnerallee.ch/de/event/189/

Betty_Tchomanga_MASCARADES

05.10.2020 (Montag)

Exposição sobre o tema mudanças

climáticas (até 18.10.)

A coleção de cactos e outras suculentas

de Zurique é uma das maiores do mundo.

Numa exposição da «Sukkulentensammlung»

você poderá saber mais sobre

as alterações climáticas no reino vegetal.

Seg-dom 12:00-16:30. Entrada livre.

Sukkulentensammlung. Mythenquai 88.

Bus 161/165 bis „Sukkulentensammlung“.

http://www.stadt-zuerich.ch/sukkulenten

http://www.stadt-zuerich.ch/ted/de/index/

gsz/natur-erleben/sukkulenten-sammlung-

-zuerich/Veranstaltungen.html

06.10.2020 (Dienstag)

Ler juntos

Você gosta de ler histórias e poemas? A

„Pestalozzi Bibliothek Zürich“ convida todos

os interessados ​a lerem juntos às terças-feiras.

Você pode fazer perguntas e

discutir as narrativas. 11:15-12:45. Participação

gratuita, contribuição espontânea.

PBZ Oerlikon. Hofwiesenstr. 379.

Tram 10/11 oder Bus 61/62 oder S-Bahn bis

„Bahnhof Oerlikon“.

http://www.pbz.ch/angebot/events/miteinander-lesen-shared-reading90/

07.10.2020 (Mittwoch)

Exposição de futebol feminino

A primeira liga de futebol feminino foi fundada

há 50 anos. Desde então, o interesse

pelo futebol feminino na Suíça aumentou

fortemente. No «FCZ Museum» você pode

ver vídeos e fotos sobre o desenvolvimento

histórico do «FCZ Frauen» e do futebol

feminino na Suíça. Qua 12:00-18:30. Sáb

10:00-17:00. Entrada livre.

FCZ-Museum. Werdstr. 21.

Tram 2/3/8/9/14 bis „Stauffacher“ oder S4/

S10 bis „Zürich Selnau“.

http://www.fcz.ch

http://www.fcz.ch/de/ueber-uns/

news/2020/sonderausstellung-50-jahre-

-frauenfussball-in-ch/

08.10.2020 (Donnerstag)

Noite de cinema

Hoje você pode ver o filme «La Haine» de

Mathieu Kassovitz no «Völkerkundemuseum».

O filme conta a vida de três jovens

na França e seu mundo de violência, drogas

e problemas com a polícia. Em francês com

legendas em alemão. 19:00. Inscrições em

musethno@vmz.uzh.ch ou 044 643 90 11.

Entrada livre.

Völkerkundemuseum. Pelikanstr. 40.

Tram 2/9 bis „Sihlstrasse“.

http://www.musethno.uzh.ch

http://www.agenda.uzh.ch/record.php?id=46339&group=24

09.10.2020 (Freitag)

Exposição de árvores na cidade

Descubra mais sobre as especificidades e

significados de dez árvores urbanas típicas.

A exposição mostra o futuro das árvores

urbanas e com elas a nossa qualidade

de vida na cidade. 17:30-19:00. Inscrições

em www.stadt-zuerich.ch/stadtgaertnerei.

Entrada livre.

Stadtgärtnerei, Zentrum für Pflanzen und

Bildung. Sackzelg 27.

Tram 3 oder Bus 33/83/89 bis „Hubertus“.

http://www.stadt-zuerich.ch/gsz

http://www.stadt-zuerich.ch/ted/de/index/

gsz/aktuell/gruenagenda/2020/september-

-dezember/201009-1115-fuehrungen-ausstellung-baeume.html

10.10.2020 (Samstag)

Caminhada „Züri z‘Fuess“

Cerca de 24 passeios o convidam a conhecer

a cidade de Zurique. Há informações

de áudio com histórias sobre a cidade em

sete passeios. Os planos e histórias podem

ser baixados gratuitamente em www.stadt-zuerich.ch.

Em alemão e parcialmente em

inglês.

http://www.stadt-zuerich.ch/ted/de/index/

stadtverkehr2025/routen.html

11.10.2020 (Sonntag)

Concerto

Os alunos da «PreCollege Orchestra» da

Escola Superior de Belas Artes de Zurique

(«ZHdK») tocam hoje peças de Max Bruch e

Antonín Dvořák. Aproveite este concerto de

jovens talentos. 17:00-18:30. Entrada livre.

Toni-Areal, Konzertsaal 3, Ebene 7. Pfingstweidstr.

96.

Tram 4 bis „Toni-Areal“ oder Tram 6/8 bis

„Fischerweg“.

http://www.zhdk.ch/veranstaltung/42616

12.10.2020 (Montag)

Tingimento de camisetas (até 16.10.)

Jovens adultos de até 25 anos podem tingir,

costurar e imprimir em camisetas, tecidos

e bolsas. A semana inteira é gratuita, incluindo

despesas de material, alimentação

e transporte. 14:00-17:00. Inscrições até

10.10. em victoria.siegl@srk-zuerich.ch, 044

360 28 28 ou por WhatsApp 079 825 09 11.

Atelierhaus Zürich. Plattenstr. 77.

Tram 3 bis „Hottingerplatz“.

http://www.srk-zuerich.ch/kreativwerkstatt

13.10.2020 (Dienstag)

Fazer música juntos

Músicos se encontram no «Oerliker Jam» e

cantam ou tocam músicas juntos. Venha e

traga suas músicas favoritas. Para iniciantes

e avançados. 19:30-21:00. Inscrições

em hersche@galotti.ch. Participação gratuita.

GZ Oerlikon. Gubelstr.10.

Tram 10/14 bis «Salersteig».

http://gz-zh.ch/gz-oerlikon/

14.10.2020 (Mittwoch)

Exposição sobre paisagens

Na «Kunsthaus» você pode ver várias pinturas

com paisagens da Holanda, Itália ou

França. Ter/sex-dom 10:00-18:00. Qua/qui

10:00-20:00. Entrada gratuita às quartas-

-feiras e com KulturLegi sempre gratuita

(em vez de CHF 16.-).

Kunsthaus Zürich. Rämistr. 45.

Tram 3/5/9 oder Bus 31 bis „Kunsthaus“.

http://www.kunsthaus.ch

http://www.kunsthaus.ch/besuch-planen/

ausstellungen/landschaften/

15.10.2020 (Donnerstag)

Conversa sobre o tema viver em

cooperativas

Como vivemos? Como podemos viver juntos

e solidários? Especialistas falam sobre

projetos habitacionais atuais e comunidades

solidárias. 18:30. Inscrições em www.

karldergrosse.ch. Entrada gratuita, contribuição

espontânea.

Karl der Grosse. Kirchgasse 14.

Tram 4/15 bis „Helmhaus“.

http://www.karldergrosse.ch

http://www.karldergrosse.ch/veranstaltungen/veranstaltung/solidarisch-wohnen/

16.10.2020 (Freitag)

Concerto de música popular

Com acordeão, violino e três clarinetes a

banda „Zugluft“ toca uma mistura de „klezmer“,

jazz, rock e tango, que resulta numa

alegre música popular. 20:00. O escritório

da MAPS oferece 3×2 bilhetes. Basta ligar

044 415 65 89 ou enviar um mail para:

maps@aoz.ch.

GZ Buchegg. Bucheggstr. 93.

Tram 11/15 oder Bus 32/72 bis „Bucheggplatz“.

http://www.folkclub.ch/zugluft/

Festival de Cinema Etnográfico (até

18.10.)

Começa hoje o 14º «Regard Bleu Film Festival»

etnográfico. Estudantes universitários

apresentam os filmes que eles próprios

fizeram e disponibilizam uma plataforma

para debates. A inauguração do festival

arranca hoje com um discurso de boas-

-vindas e duas curtas-metragens. 18:00.

Programa completo em www.regardbleu.

ch. Participação gratuita com N/F-Ausweis,

senão CHF 5.-.

Völkerkundemuseum. Pelikanstr. 40.

Tram 2/9 oder Bus 66 bis „Sihlstrasse“.

http://www.musethno.uzh.ch/en/veranstal-

Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


AGENDA

21

tungen/Regardbleu.html

17.10.2020 (Samstag)

Concertos de jazz (até

20.10.)

Desfrute de um serão de música

jazz no „Mehrspur“. Alunos de

jazz de diversas escolas superiores

mostram as suas capacidades

ao longo de várias noites.

20:00. Entrada livre.

Musikklub Mehrspur. Förrlibuckstr.

109.

Tram 4 bis „Toni-Areal“ oder

Tram 6/8 bis „Fischerweg“.

http://www.mehrspur.ch/veranstaltungen

18.10.2020 (Sonntag)

19.10.2020 (Montag)

Sala de diversão para

crianças

Este é o local ideal quando lá

fora o tempo está frio e chuvoso.

As crianças podem fazer

construções, escorregar, escalar

e brincar. Apareça com os

seus filhos (0-5 anos), aproveite

para tomar um café e trocar

ideias com outros pais. A partir

de 05.10. a actividade decorre

à seg, ter, qui e dom das 13:00-

17:00. Participação gratuita.

GZ Wollishofen. Bachstr. 7.

Tram 7 bis „Post Wollishofen“

oder Bus 161/165 bis „Rote Fabrik“.

http://www.gz-zh.ch/gz-wollishofen

20.10.2020 (Dienstag)

Costurar em conjunto

No «Nähcafé» à terça-feira pode

aprender a costurar e a concretizar

os seus próprios projectos

de costura com o apoio

de costureiras experientes. À

disposição tem máquinas de

costura, tecidos e utensílios.

10:15-12:30. Para pessoas com

poucos recursos financeiros ou

com cartão KulturLegi, custo de

CHF 1., senão CHF 4.-, incluindo

materiais.

GZ Bachwiesen. Bachwiesenstr.

40.

Bus 67/80 bis „Untermoosstrasse“.

http://www.gz-zh.ch/

gz-bachwiesen

21.10.2020 (Mittwoch)

Festival do Livro

e de Literatura (até

25.10.)

Pela 10ª vez, decorre

o Festival do Livro

e de Literatura «Zürich

liest». Em variados

locais em Zurique

realizam-se eventos

relacionados com a

escrita, a leitura e a

audição. Hoje o autor

Stephan Sigg e jovens

escritores apresentam

histórias sobre o tema

da coragem. 19:00. Programa

completo em www.zuerich-liest.

ch/programm. Alguns eventos

são gratuitos.

Event Space Bogen D, Viadukt.

Viaduktstr. 93.

Tram 4/8 oder Bus 33/72/83 bis

«Schiffbau» oder S-Bahn bis

«Hardbrücke».

http://www.zuerich-liest.ch/

http://www.zuerich-liest.ch/programm

22.10.2020 (Donnerstag)

Apoio no serviço de escrita

Precisa de apoio na redação

da candidatura a um emprego,

cartas ou preenchimento de impressos?

No centro comunitário

«GZ Hirzenbach» podem ajudá-

-lo com questões administrativas.

14:00-16:00. Inscrição até

quarta-feira pelo 077 426 99 70.

GZ Hirzenbach. Grosswiesenstr.

176.

Tram 9 oder Bus 94 bis „Altried“

oder Tram 7 bis „Probstei“.

http://www.gz-zh.ch/gz-hirzenbach

Noite de cinema infantil

Hoje à noite o centro comunitário

«GZ Hottingen» apresenta

o filme «Robin Hood» (em

alemão) para crianças a partir

dos 5 anos. Todos trazem uma

sanduíche e comem juntos. No

intervalo há xarope e barras

de chocolate gratuitos. 19:00-

20:30. CHF 5.-.

GZ Hottingen. Gemeindestr. 54.

Tram 3 bis „Hottingerplatz“.

http://gz-zh.ch/gz-hottingen

Mercado de fruta e festa

do sumo de maçã

Neste mercado, compre fruta e

sumo de maçã da região. Encontra

o programa e a lista das

variedades de fruta disponíveis

em: www.bg.uzh.ch/de/veranstaltung/Obstsortenmarkt.

11:00-

17:00. Entrada livre.

Botanischer Garten. Zollikerstr.

107.

Bus 33/77 bis „Botanischer Garten“,

Tram 11 oder Bus 31 bis

„Hegibachplatz“, Tram 2/4 bis

„Höschgasse“.

www.bg.uzh.ch/de/veranstaltung/Obstsortenmarkt

25.10.2020 (Sonntag)

Exposição sobre arqueologia

da Suíça

No „Landesmuseum“ aprecie

imagens, utensílios e outros

objectos ligados à história do

Homem na Suíça. A exposição

«Archäologie Schweiz» apresenta

ainda a domesticação de

animais selvagens e de plantas

pelo Homem na área da actual

Suíça. Ter-qua/sex-dom 10:00-

17:00. Qui 10:00-19:00. Entrada

com cartão KulturLegi CHF 5.-

(em vez de CHF 10.-).

Landesmuseum. Museumstr. 2.

S-Bahn bis „Zürich Hauptbahnhof“,

Tram 4/11/13/14 oder Bus

46 bis „Bahnhofquai/HB“.

http://www.landesmuseum.ch/

archaeologie-schweiz

26.10.2020 (Montag)

Curso de dança para senhoras

No centro comunitário «GZ Wipkingen»

à segunda-feira realiza-se

um curso de dança para

mulheres refugiadas e suíças.

Apareça e dance «Zumba» e

«Oriental Fusion». 17:00-18:15.

Participação gratuita com N/F-

-Ausweis, senão CHF 10.- por

aula.

GZ Wipkingen. Duttweilerstr. 11.

Tram 4 bis „Toni-Areal“.

http://gz-zh.ch/gz-wipkingen

27.10.2020 (Dienstag)

Dia de levar e trazer

Tem em casa objectos em bom

estado de que já não precisa?

Traga hoje essas coisas ao «Lichthof»

da «Universität Zürich»

e pode levar objectos de outras

pessoas. Recepção de objectos

apenas até às 14:00. 09:00-

16:00. Entrada livre.

Universität Zürich, Lichthof. Rämistr.

71.

Tram 6/9/10 bis „ETH/Universitätsspital“

oder Tram 5/9 bis

„Kantonsschule“.

http://www.agenda.uzh.ch/record.php?id=44527

28.10.2020 (Mittwoch)

Cursos criativos para

crianças (até 16.12.)

Ao longo de oito tardes, a «Kinderkulturakademie

Zürich» oferece

um curso para crianças

dos 7 aos 13 anos. As crianças

visitam museus e a «Schauspielhaus»,

produzem as suas próprias

obras de arte e imagen e

escrevem histórias e textos. À

qua 14:00-17:00. Inscrições até

21.10. em kkaz@hauskonstruktiv.ch

ou 044 217 70 80. Participação

gratuita com KulturLegi

(em vez de CHF 150.-).

Museum Haus Konstruktiv. Selnaustr.

25.

S4/S10 bis „Bahnhof Selnau“

oder Tram 2/9 bis „Sihlstrasse“.

http://www.hauskonstruktiv.ch/

deCH/vermittlung/kinderkulturakademie-zuerich/herbst-2020.

htm

29.10.2020 (Donnerstag)

Histórias e trabalhos manuais

Crianças a partir dos 2 anos e

meio ouvem uma história de

um livro ilustrado. De seguida,

usando diversos materiais

(por exemplo, madeira, papel

ou cordel), fazem uma obra de

arte inspirada na história. 09:30-

11:00. CHF 5.-.

GZ Hirzenbach. Grosswiesenstr.

176.

Tram 9 oder Bus 94 bis „Altried“

oder Tram 7 bis „Probstei“.

http://www.gz-zh.ch/gz-hirzenbach

30.10.2020 (Freitag)

Concerto

O baterista Andi Pupato e o tocador

de corneta alpina Enrico

Lenzin dão hoje pela primeira

vez um concerto em Zurique.

Uma oportunidade perfeita para

terminar bem a semana e entrar

no fim-de-semana. Bar aberto

a partir das 18:00. Concerto

às 20:00. Gratuito com N/F-

-Ausweis, com cartão Kultur-

Legi CHF 15.- (em vez de CHF

30.-).

Kulturmarkt. Aemtlerstr. 23.

Tram 9/14 bis „Goldbrunnenplatz“

oder Bus 32/72 bis

„Zwinglihaus“.

http://www.kulturmarkt.ch/ve-

ranstaltungen/lenzin-pupato-

-erstmals-in-zuerich/

31.10.2020 (Samstag)

Concerto de universitários

Aproveite o último dia de Outubro

desfrutando de um concerto.

A orquestra «Arc-en-Ciel»

da Escola Superior de Artes

(«ZHdK») interpreta música contemporânea.

19:30. Entrada livre,

contribuição espontânea.

Toni-Areal, Konzertsaal 3, Ebene

7. Pfingstweidstr. 96.

Tram 4 bis „Toni-Areal“ oder

Tram 6/8 bis „Fischerweg“.

http://www.zhdk.ch/veranstaltung/42075

Fonte:Maps Züri Agenda

Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


22

ACTUALIDADE

GLOBALIZAÇÃO... será que compr

IVO MARGARIDO

Apesar de muito recorrente

(e talvez também por isso)

a noção de globalização

nem sempre é clara, prestando-se

a usos e sentidos

muito diversos. Consultando

a bibliografia disponível,

rapidamente se verifica

que a forma de definir

Globalização varia de autor

para autor. Deveríamos entender

a Globalização não

apenas como um fenómeno

puramente económico e

tecnológico, mas como um

processo multidimensional,

complexo é certo, que

envolve diferentes actores

e toca diversos âmbitos da

vida dos homens e mulheres

contemporâneos. Neste

contexto, o conhecimento

constitui um instrumento

fundamental para a intervenção

social, e este artigo

visa suscitar a reflexão

através de uma iniciação

fundamentada às principais

questões que a Globalização

suscita. Sem respostas

milagrosas, nem receitas

acabadas, procurarei contrariar

visões derrotistas,

ajudando a trilhar e a consolidar

caminhos e alternativas.

Quando analiso o mundo de

hoje, até entendo que as pessoas

estejam tão viciadas neste

sistema altamente corrompido e

que as escraviza. Foram treinadas

para este resultado através

da cultura familiar e essencialmente

através do sistema de ensino,

que formata pessoas para

servir um sistema capitalista. Na

verdade, o actual modelo impulsiona

a competição, o individualismo,

o egoísmo, …, gerando

uma sociedade desequilibrada e

materialista, que consome desmesuradamente

os recursos do

planeta. Vem destruindo tudo,

inclusive a si mesma. As escolas

criam “robots”, máquinas sem

alma, sem espírito. Nenhum curso

aborda a alma, a consciência,

a essência do Ser Humano,

da vida no seu todo. O sistema

de ensino não quer saber se

és feliz ou não e não te ensina

a lidar com as tuas emoções;

apenas te forma para arranjares

um emprego, para trabalhares

numa empresa, ganhares dinheiro

e entrares no mercado de

consumo. Terás então a ilusão

de que o dinheiro é sucesso e o

sucesso é felicidade. Surge então

o stress e a frustração, que

não são mais do que o resultado

de uma corrida por algo que

nunca alcançarás. E O SISTEMA

ENSINA ISTO COMO UMA FI-

LOSOFIA DE VIDA. Mas essa é

uma mentira capitalista.

Observando o estado actual do

mundo, podemos afirmar que

este modelo valoriza a vida?

Que produz paz, equilíbrio, harmonia

e felicidade? Obviamente

que não. Somos testemunhas

da destruição global através

da competição com o próximo,

a destruição do próximo,

as guerras, competição pela

existência material que arrasa o

planeta ... Percebemos então a

gravidade da problemática com

que a sociedade se confronta.

Não existe sociedade mais reprimida

e atormentada que a

nossa. É simplesmente impossível

conseguirmos uma humanidade

feliz num modelo onde

a competição é a palavra de

ordem, num modelo em que os

de cima controlam todos os outros,

reservando-se privilégios

que poucos alcançam. Temos

uma população essencialmente

preocupada com uma globalização

fundamentalmente financeira

e especulativa, contaminada

pelo vírus da ganância que

deturpa as relações humanas

e nos conduz para um choque

social sem cabimento e sem esperança,

causador de tanto sofrimento

e morte. Surge um número

crescente de oprimidos do

qual resultam movimentos “terroristas”.

Todavia, a guerra contra

o terrorismo está enferma

de inutilidade e morte porque

manifestamente desadequada

e incompleta: apenas feita de

tiros, torturas, prisões arbitrárias

e cárceres fora das normas

jurídicas, humilhações e mortes.

Isto não nos leva a parte nenhuma

a não ser a mais terror. Se

não mudarmos rapidamente a

nossa forma de estar no mundo,

todos experimentaremos uma

espiral infernal, mesmo aqueles,

os do “ter”, que pensam ter-se

posto ao abrigo em condomínios

fechados e outras torres

de marfim ... Eis o resultado

que a aposta estéril no “TER”

produziu no nosso planeta:

um crescimento económico

sem desenvolvimento social

integrado e global. Deste ponto

de vista, TODOS SOMOS TER-

RORISTAS ...

Apesar de não ser o sentimento

dominante neste século, fica

patente que o “SER” deve sobrepor-se

ao “TER”. Quando o

dinheiro é sinónimo de amor, a

vida torna-se uma grande confusão.

O dinheiro seduz porque

alimenta a ilusão de suprir as

faltas e as necessidades emocionais,

de estar a salvo de contratempos

da vida, de ser possível

aumentar verdadeiramente

a nossa auto-estima e de tentar

cobrir um grande vazio afectivo.

Sabemos, porém, que nada

substitui o afecto. A maneira de

dar, receber, gastar ou acumular

dinheiro revela frustrações emocionais

que se arrastam desde a

nossa infância. O dinheiro assume

uma função de expressão de

força, de poder, para compensar

a nossa fragilidade interna e

as nossas inseguranças. É necessário

que valorizemos tudo

aquilo que possuímos, e não só

e apenas os bens materiais.

O “TER” é ilusão, pura aparência,

efemeridade, indiferença,

intolerância, é enfermidade, é

solidão. O “TER” não tem esperança

porque se esgota nele

próprio, alimenta-se dele próprio

exigindo “TER” sempre

mais! Espera-nos muita frustração

(tanto maior quanto menos

“SER” houver...). “SER” é humanidade,

consciência social, livre

arbítrio, liberdade, igualdade,

fraternidade, solidariedade, cultura,

preocupação ambiental,

ecumenismo, tolerância, aceitação

e preocupação

do outro ... Na realidade,

precisamos

de redescobrir

outros

valores, que tragam

mais autoconfiança, segurança

e satisfação interior,

sobretudo aquela de sabermos

que, no mais íntimo do nosso

Ser, estamos no caminho certo,

na única via para a criação

da Paz e da Harmonia entre os

Seres Humanos e tudo o que

existe.

É com a nossa saúde psíquica

e física, bons relacionamentos

familiares e sociais, qualidade

de trabalho, uma tranquilidade

financeira (sem necessidade de

luxo e riqueza), que podemos

conquistar uma vida mais plena

e mais feliz. Administremos melhor

o nosso tempo, procurando

utilizá-lo da forma mais saudável

sem nos esquecermos das nossas

prioridades reais, com o objectivo

de alcançar qualidade de

vida e uma vida mais prazerosa.

Quando SOMOS, ficamos mais

felizes do que quando TEMOS

... o SER não acaba com o tempo,

é eterno, mas o TER pode

terminar a qualquer momento.

E se tentássemos todos? Só e

apenas isso. Tentar “SER” gente,

SER íntegro(a), SER amigo(a),

amar e ser amado(a), ser solidário(a)

… pois assim se alcança a

paz e a felicidade.

Mas o desafio é gigantesco. A

população, na sua generalidade

e de uma forma transversal,

não possui literacia suficiente

Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


CIDADANIA

23

eendemos todo o seu potencial?

para perceber todo o potencial

da globalização, do quão este

cenário nos poderá catapultar

para um patamar de consciência

nunca antes alcançado, um

mundo socialmente justo e ecologicamente

equilibrado. Não

tenho dúvidas que esta (r)evolução

exige que aconteça uma sequência

de choques sistémicos

e civilizacionais que confrontem

as consciências mais primitivas.

Também não tenho dúvidas

que os atuais

interesses instalados

tudo fazem

p a r a

m a n t e r

os seus privilégios,

gerando confusão

designadamente através

da difusão de conteúdos, nas

redes sociais, que promovem o

alarmismo, cenários catastróficos

e de totalitarismo, de controlo

global, etc., convencendo

as mentes menos atentas e influenciáveis,

tornando-as defensoras

dos seus próprios carrascos.

No que me concerne, não quero

mais guerras, não quero mais

sentir a opressão dos sistemas

que me rodeiam, não quero sentir-me

escravo de sistemas altamente

corrompidos, não quero

estar circundado de competição

desenfreada ... Simplesmente,

não quero pagar para existir; somos

a única espécie que o faz!

Não é a globalização que está a

criar estes cenários. Este sempre

foi o modus operandi das

sociedades alienadas por interesses.

Não nos esqueçamos

do nosso passado classificado

por alguns como “glorioso”;

muito sangue foi derramado

para “termos” esta fama de navegadores,

descobridores ... exploradores

do mundo. Para que

isto acontecesse, outros povos

foram dominados.

O entendimento que se faz da

globalização e dos seus impactos

tem fortes implicações sobre

as leituras possíveis do mundo

contemporâneo, assim como

sobre o papel dos homens e

mulheres na sua construção e

as suas possibilidades de actuação

neste abrangente e complexo

processo de integração

social, económica e política num

modelo de união mundial.

É natural que o processo de

globalização origine colapsos

que possam gerar algum caos

durante o período de transição.

Será um tempo de purga de

tudo o que não serve a essência

da vida. Numa primeira reflexão

todos concordaríamos que viver

em função do “SER” é mais

importante. Porém, num mundo

cada vez mais competitivo onde

o dinheiro foi elevado à condição

de “Deus”, o sistema empurra-nos

para a valorização

do aspecto material, apoiado

pelos meios de comunicação

que estimulam massivamente

e absurdamente ao consumo,

com imagens e propagandas a

tempo inteiro. Os valores foram

invertidos, e o TER passou a ser

a prioridade para a população.

Teremos nós, terráqueos, capacidade

para criar um mundo

novo? Imaginemos …

• E se os monopólios e interesses

individualistas deixassem

de existir?

• E se a escravatura das dívidas

fosse abolida pelo simples

colapso do actual sistema

monetário, que impõe

crescimento perpétuo num

mundo francamente degradado

por estas más práticas?

• E se cada cidadão recebesse

uma quantia (rendimento

básico incondicional) que

lhe permitisse assegurar as

necessidades básicas para

uma vida digna? Como seria

financiado? Poderia ser tão

simples quanto isto; bastaria

imprimir moeda digital (quantia

genérica igual para cada

cidadão com escalões de diferenciação

de idade).

• E se o avanço tecnológico,

que dispensa cada vez mais

mão de obra humana, fosse

o mote para criar um paradigma

em que a tecnologia

estaria ao serviço da humanidade,

assumindo um papel

determinante na execução

de tarefas, devolvendo às

pessoas o bem mais precioso

de que dispõem; TEMPO

PARA VIVER! E se com esta

nova realidade cada cidadão

se libertasse da actual carga

laboral em larga escala

mal remunerada, alocando o

tempo a actividades de que

realmente gosta, investindo

no desenvolvimento dos seus

dons naturais, dedicando-se

à família, aos amigos, a causas

colectivas?

• E se o trabalho passasse a

ser opcional?

• E se as fronteiras fossem

abolidas, permitindo a livre

circulação de pessoas e mercadorias?

• E se a sociedade se tornasse

transparente, através de

mecanismos de supervisão

que identificassem imediatamente

qualquer tentativa ou

ação que pudesse quebrar o

equilíbrio e harmonia colectivos?

• E se as escolas treinassem

para uma existência orientada

para o SER e o AMOR IN-

CONDICIONAL, abandonando

os atuais padrões do Ter e

do egoísmo egocêntrico?

• E se a competição fosse

substituída pela COOPERA-

ÇÃO?

Quando nos decidiremos a mudar

a nossa forma de ser e estar

na vida? São tantas as possibilidades

que nos permitiriam

usufruir plenamente de uma

existência e experiência terrena

prazerosa e enriquecedora,

que me questiono onde estará

focada a mente/energia de cada

indivíduo; no negativismo ou na

positividade? Nos eventos que

cada um desejaria ver acontecer

ou nas catástrofes que os

manipuladores espalham por aí

para capturarem as mentes mais

frágeis? Se somente as pessoas

tivessem consciência do seu

poder de criação ...

Vejo a globalização enquanto

motor de um processo civilizacional

evolutivo, deixando implícita

a sua naturalidade e inevitabilidade.

Somente um processo

à escala mundial (ou seja, transversal

ao conjunto dos Estados-

-Nação que compõem o mundo)

conseguirá, a prazo, harmonizar

a existência humana, não só na

esfera das relações económicas,

mas também ao nível da

interacção social e política. Uma

característica da Globalização

é a desterritorialização, ou seja,

as relações entre os homens e

entre instituições, sejam elas

de natureza económica, política

ou cultural, tendem a desvincular-se

das contingências do

espaço. Os desenvolvimentos

tecnológicos que facilitam a comunicação

entre pessoas e entre

instituições e que facilitam a

circulação de pessoas, bens e

serviços, constituem um importante

centro nevrálgico da Globalização.

Alimento e direcciono a esperança

para um mundo solidário

que amplie o intercâmbio pacífico

entre os povos e elimine

a belicosidade do processo

competitivo. É possível pensar

na realização de um mundo de

bem-estar, onde os homens serão

mais felizes, um outro tipo

de globalização baseada na

COOPERAÇÃO. Estamos no

início de uma nova era que traz

consigo uma nova consciência,

uma nova dinâmica, uma nova

organização ... É uma nova era

de Amor e Cooperação onde somente

o ‘nós” e o “todo” têm espaço.

Uns chamam-lhe de Nova

Ordem Mundial … a designação

é irrelevante, apenas os resultados

contam.

Que cada um de nós reflicta, decida

em que direcção quer evoluir

e aja em conformidade.

Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


24

ESPECTÁCULO

João

Grande

A talentosa banda de rock TAXI, formada em 1979, era inicialmente composta por João Grande, Rui Taborda, Henrique

Oliveira e Rodrigo Freitas, passados 40 anos, apenas João Grande (vocalista) e Rui Taborda (baixo), são os

membros fundadores que continuam a dar vida à mítica banda do Porto.

Numa série de entrevistas, a músicos/bandas que marcaram a chamada era do ‘boom’ do Rock português, nos longínquos

anos 80, a FOCUSMSN foi até ao Porto conversar com João Grande, falou-se do passado, da actualidade e,

naturalmente, de projectos futuros.

JOAQUIM GALANTE/FOCUSMSN

FOCUSMSN: João, muito obrigado pela

disponibilidade e simpatia com que

me estás a receber. Antes de entrar

no tema TAXI, gostaria de saber como

viveste aquele período pós-revolucionário

e se essa sensação de liberdade,

principalmente a de expressão, te viria a

influenciar nas tuas músicas?

João Grande: Olha, eu tive um avô que

esteve muito tempo preso por ser contra o

Salazar, e descobrimos há pouco uma coisa

muito interessante, quando fomos tirar

a certidão de nascimento do meu pai, que

já faleceu, nela vinha a morada onde o meu

avô ‘morava’ na altura em que o meu pai

nasceu, que era o Tarrafal, onde ele esteve

preso.

De maneira, que embora muito jovem, ouvia

as histórias dele a dizer mal do Salazar

e da ditadura, aliás ele esteve preso bastante

tempo com João Soares, pai do Mário

Soares.

Só estas histórias é que eram diferentes

porque para mim e para os meus amigos

não se passava nada, era tudo absolutamente

normal, o nosso hobby era a música

e a política passava-nos completamente

ao lado.

Curiosamente, tínhamos um concerto marcado

para o dia 25 de Abril de 1974, no Liceu

D. Manuel, onde estudávamos. Eu, o

Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU

Rui Taborda e mais dois amigos, criamos

uma banda em 1972, chamada Sticky Fingers,

inspirado num disco dos Rolling Stones,

na altura só tocávamos músicas deste

grupo, e íamos tocar ao anfiteatro daquela

escola.

Logo pela manhã, o meu pai avisou-me

da revolução e disse para não sairmos de

casa, mas nós tínhamos aquele compromisso

marcado e lá fomos. É claro que nos

disseram logo que não podia haver concerto,

ligamos então o rádio às colunas e

ficámos a ouvir os desenvolvimentos revolucionários.

Uma coisa que achei absolutamente incrível,

é que logo no dia seguinte, aquele

anfiteatro ficou lotado de gente para um

comício, não sei como é que de repente

apareceu tanta gente de barba, com o punho

ao alto e muita bandeira vermelha, a

gritar palavras de ordem, foi absolutamente

incrível.

Respondendo agora à tua pergunta, não,

não teve influência nenhuma, foi absolutamente

igual ao ‘litro’, o nosso interesse

era musical, nunca andamos metidos em

política e mesmo mais tarde, quando começamos

a escrever, apenas as músicas

‘Queda dos Anjos’ (Rosete) e ‘TVWC’ é que

tiveram alguma censura, mas pelos canais

da igreja.

F: Como te surgiu o gosto pela música

e a necessidade de formar uma banda?

JG: A minha meta sempre foi formar um

grupo de pessoas que tivessem ideias comuns

para evoluirmos enquanto músicos e

alcançar eventualmente o sucesso.

Na altura aqui no Porto não se passava

nada, o único convívio que tínhamos era no

café Orfeu, que estava aberto até às 2 da

manhã. Neste café havia três grupos fundamentais,

o grupo político de esquerda,

que era o maior, o do futebol, onde estavam

Pinto da Costa, Hernâni Gonçalves,

Pedroto e Nuno Brás, que era locutor da

RTP, e o musical, onde eu me incluía.

O espantoso é que nós estávamos todos

os dias, até a hora de fecho do Orfeu, a

falar de música, a que passava nas rádios,

dos discos que iam sendo editados, etc,

tudo aquilo nos empolgava de tal forma

que não nos cansávamos de falar sobre

música.

Mas há um momento, que nunca mais esqueço,

foi quando ouvi pela primeira vez

música ao vivo. Um dia fomos assistir a

um ensaio, numa garagem de um vizinho

nosso, que tinha piano, bateria, baixo e

guitarra, e ficamos tão doidos com aquilo,

com aquele som, que quando saí disse

logo, ‘epá temos que formar um conjunto’,

até porque já havia bastantes raparigas à

volta a ver (risos). Este foi o momento marcante,

aquele som ao vivo ainda hoje me

ecoa quando penso nisso. Só que nenhum

destes meus amigos quis enveredar pela

música.

Um dia a minha mãe comprou-me uma gui-


ESPECTÁCULO

25

tarra Hofner, modelo Telecaster, para aí em

décima mão, e quem me ensinou a tocar

foi o Edmundo, que era guitarrista, irmão

mais velho do Kalu, baterista do Xutos &

Pontapés, eles eram doze irmãos e eu passava

a maior parte do tempo em casa dos

pais deles.

Entretanto soube que na Rotunda da Boavista

morava um tipo que tinha uma bateria

em casa, que era o Rui Taborda, fui à

procura dele e desde aí nunca mais nos

largamos. Vi logo que o Rui era a pessoa

indicada para uma parceria, queria muito

vingar na música e impressionou-me nele a

imaginação e a criatividade. Passou a ir comigo

para o Orfeu e a partir daí pensamos

em formar um grupo, nasceram os Sticky

Fingers. Eu era vocalista e guitarrista mas

cedo percebi que tinha que trabalhar muito

para ser um guitarrista mediano, mais tarde

desisti da guitarra.

F: Um tempo depois juntas-te a uma outra

banda ainda mais a sério….

JG: Sim, havia um grupo rival que era o

Pesquisa, com o Henrique Oliveira (guitarra),

um viola baixo, um baterista e um vocalista,

que era o João Pequeno, um vizinho

meu, como eu era mais alto que ele, eu era

o João Grande (risos), o João Pequeno era

fraco de voz, e como eu tinha algum jeito

para cantar, um dia o Henrique convidou-

-me para ser a voz principal do grupo.

O Rui Taborda tinha jeito para teclados,

convenci então o Henrique a integra-lo

também na banda e assim foi, na altura

tínhamos um técnico de som, que era

o Rodrigo, que nos tempos livres tocava

bateria, e nós vimos logo que tinha jeito

para a coisa e como o nosso baterista se

entregou aos estudos, o Rodrigo entrou na

banda. Acabaram os Sticky Fingers e integramo-nos

no Pesquisa.

Entretanto o Rui deixa os teclados, passa

para viola baixo e entra o Luís Ruvina, filho

do dono da melhor casa de música do

Porto, e aí foi realmente o grande salto da

banda, passamos a ter bastante material à

disposição.

Atingimos alguma notoriedade e o Avelino

Tavares, que foi o criador do ‘Mundo

da Canção’, ficou nosso manager e arranjava-nos

concertos por todo o país. Começámos

então a ser conhecidos, com a

evolução do grupo, surgiu a necessidade

de sermos criativos, de compor e escrever

as nossas próprias letras e músicas, ter a

nossa identidade e deixarmos de ser uma

banda de covers.

F: Em 1977 editam o vosso primeiro single...

JG: Sim, fomos a Lisboa gravar à Rádio

Triunfo, despesas todas do nosso bolso,

saíram para aí uns mil discos, mas não

adiantou nada (risos), foi só para dizer que

tínhamos um disco na mão.

F: Quando nasce a banda TAXI?

JG: Em 1979, sai o Luís Ruvina e entendemos

que devíamos mudar o nome da banda,

deixou de ser Pesquisa, até porque eu

não gostava nada daquele nome, e escolhemos

TAXI. A escolha deveu-se ao facto

de ser uma palavra dita/conhecida em

muitos países e como nós cantávamos em

inglês, e tínhamos a ambição de ter uma

carreira internacional, achamos a escolha

acertada.

F: Entretanto acontece uma oportunidade

de darem um salto na carreira...

JG: Sim, fomos tocar ao Colégio Alemão,

que era frequentado por muitas raparigas

(risos), mas sem nós imaginarmos, o Tózé

Brito e o António Pinho foram lá ver-nos

actuar, na altura eram os caça-talentos

da Polygram (Universal). Eles adoraram o

concerto, onde intercalávamos músicas

nossas, com covers de Genesis, Rolling

Stones, etc. No final apresentam-se no

nosso camarim, ficamos empolgados com

tamanha surpresa, e perguntaram-nos se

queríamos gravar um disco. Nós caímos

de costas logo (risos), o coração disparou,

indescritível, estávamos em 1980.

Fomos a Lisboa gravar o disco, com o António

Pinho como produtor, gravamos durante

cinco dias, nós tínhamos tudo muito

bem ensaiado e as coisas correram muito

bem, mas antes, aquando do convite,

o António Pinho disse-nos que tínhamos

que cantar em português, não há bela sem

senão, eu nunca tinha cantado em português,

tivemos que refazer as letras todas, o

Pinho deu-nos uma ajuda preciosa na produção

do disco, na forma de cantar certas

palavras e frases, e acabou por correr tudo

bem.

Na época a Polygram era uma multinacional

com muita força nas rádios, na promoção

e divulgação das músicas dos seus

cantores. Entretanto também aparecem

programas de divulgação musical, como a

Febre de Sábado de Manhã, do Júlio Isidro,

onde fomos apresentar, em primeira

mão, a música ‘Chiclete’, e ficamos impressionados

com o imenso público a saltar

e a vibrar com uma música nossa, foi

absolutamente fantástico.

F: Saíram do anonimato...

JG: Exactamente de um momento para o

outro deixamos de ser quatro parolos aqui

do Porto, para sermos conhecidos no país

inteiro.

F: Achas que a banda contribuiu para o alavancar

do rock português e para o aparecimento

de novas bandas?

JG: Sem dúvida, há um momento chave,

que deu origem ao boom do rock cantado

em português, são os anos 1980/81,

com os álbuns ‘Ar de Rock’ de Rui Veloso,

‘À Flor da Pele’ dos UHF e o nosso disco

‘TAXI’, acho que a partir daqui a juventude

acordou para o que de bom se fazia em

Portugal.

F: 1981 editas o álbum ‘TAXI’, imaginavas

que irias obter um sucesso estrondoso

com este disco?

JG: Como eu te disse, nós tínhamos a

crença inabalável que iríamos obter sucesso

mas uma coisa é nós termos essa

crença outra era consegui-lo, por vezes é

estarmos na hora certa no local certo, há

pessoas que se esforçam toda a vida, têm

qualidade no que fazem mas nada acontece

de extraordinário.

F: Tiveram sorte...

JG: Nós tivemos sorte mas a sorte dá

muito trabalho, passamos todos os anos

70 a aplicar-nos, a tentar ser perfeitos, a

dedicar-nos por inteiro à música, não queríamos

ser outra coisa que não músicos.

Faltava alguém reparar em nós, faltava o

clique para podermos disparar. Estávamos

cientes do nosso valor mas com os pés

bem assentes na terra.

F: Foi o primeiro disco de ouro do rock

português, tendo vendido mais de

60.000 cópias em poucos dias. Nos teus

melhores sonhos, pensaste numa coisa

destas?

JG: Claro que não, de repente vendemos

mais de 60.000 cópias, dois discos de

ouro, nem pouco mais ou menos, nem tão

pouco a editora, ia sempre uma comitiva

connosco assistir aos concertos, por vezes

até o presidente, não sabiam o que

nos haviam de fazer. Eu sabia (risos), o que

nos pagavam era uma vergonha, o que nos

valeu foram os royalties, mas pronto, era

assim que estava assinado, nada a fazer,

se calhar sem eles nunca teríamos obtido

tanto sucesso.

F: Outro momento marcante na vossa

carreira foi 1981, no Dramático de Cascais,

na primeira parte do concerto dos

Clash, achas que este acontecimento

ajudou ao ‘boom’ da banda?

JG: Muito! Sabes na altura as rádios eram

um instrumento muito valioso na divulgação

do trabalho de um artista, não passavam

apenas uma música, aos poucos passavam

o álbum inteiro, diferente de agora

em que passam apenas uma música de

determinado cantor até à exaustão.

O disco tinha saído há muito pouco tempo,

ainda não sabíamos qual seria a reação do

público, como tu sabes, naquela época,

os grupos que faziam as primeiras partes

das grandes bandas eram quase corridos

a pontapé, embora com aquele nervoso

miudinho, entrámos com confiança e a coisa

correu muito bem.

F: O público ficou impressionado com

vocês....

JG: E eu com eles (risos), o que mais me

impressionou, foi que o disco tinha saído

há pouco tempo e o público sabia de cor as

letras de todas as canções que cantámos

naqueles 20 minutos, curiosamente naquele

dia de manhã tínhamos gravado em Cascais,

o videoclipe da canção ‘TVWC’, que

nos tinha corrido também muito bem.

Acabamos a actuação e o público pediu

encore, saímos do palco, e ainda lembro

da nossa cara, olharmos uns para os outros,

alucinados por ouvir o público gritar

por nós, voltamos ao palco e ‘desfizemos’

literalmente o pavilhão com a música ‘Chiclete’,

foi muito, muito bom. Foi das melhores

noites de toda a nossa carreira.

F: Durante aqueles momentos em que

conviveste de perto com os Clash,

aprendeste algo que pudesse ter sido

útil na vossa carreira musical?

JG: Nós convivemos pouco com eles, tiramos

umas fotografias juntos, mas repara,

no início dos anos 80, as coisas eram muito

diferentes de agora, os palcos eram muito

simples, sem ecrãs luminosos atrás, luzes,

etc.

Eles estavam a fazer uma tournée mundial,

estavam noutra dimensão em termos de

projecção internacional, tinham muita força

de guitarras, tal como nós, mas no que

respeita ao som, estavam muito a frente, tu

sabes que é muito importante para qualquer

conjunto a qualidade do som, ainda

hoje quando o assunto vem à memória,

Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


26

ESPECTÁCULO

costumo dizer ao Rui, que não me lembro

de ter um tão bom som de palco como

aquele que tivemos com os Clash, e isso

foi fundamental, e é fundamental em qualquer

concerto.

O António Pinho foi connosco ao concerto,

nós íamos tocar com a aparelhagem deles,

e ofereceu uma garrafa de vinho do Porto

ao técnico de som dos Clash, se calhar por

isso, fez-nos um sound check fabuloso,

ficou brutal, ainda hoje nos lembramos o

paraíso que foi sentir no palco tudo a bater,

fantástico, foram muito simpáticos e profissionais

connosco. Respondendo a tua

pergunta, não aprendemos mais daquilo

que já sabíamos, eles tinham era outras

posses que nós não tínhamos para poder

adquirir material de ponta.

F: No álbum (TAXI) traças uma imagem

da época, desde os viciados no jogo

dos flippers (em voga na altura), criticas

os programas televisivos, em como as

pessoas eram usadas e descartadas, a

um país sem lei (pós-revolucionário) e à

sexualidade, que era um assunto tabu,

até ao início da década de 80. Este disco

é o espelho da vossa irreverência, usam

a conquistada liberdade de expressão

para criticar o ‘sistema’?

JG: É como te digo, na altura quando escrevemos

as letras, não foi a pensar ‘bora

lá escrever isto porque agora já podemos

dizer tudo’, não. Até como te disse mais

atrás, as cenas políticas passaram-nos

completamente ao lado, quisemos retratar

sim, os acontecimentos sociais da época,

principalmente o que se passava com a

malta da nossa idade, os seus anseios, a

adaptação às novas formas de entretenimento

e de vida, que se abriram depois de

74.

O disco teve essa virtude, conseguiu passar

a mensagem, as músicas eram todas

muito boas e ainda hoje nos concertos

temos que as tocar, o público exige que

as toquemos. É engraçado que, 40 anos

depois, as pessoas ainda saibam as letras

de cor e as cantem connosco, impressionante,

ainda se reveem naquelas canções.

F: Há uma música no álbum que pouca

gente se refere a ela pelo nome correcto,

para uns ‘A casa da Rosete’, para outros

apenas ‘Rosete’; ‘Queda dos Anjos’

é uma ‘história’ baseada num caso real

ou do vosso imaginário?

JG: Eu tive um amigo de mais idade, que

vivia em Amarante, um certo dia estávamos

a conversar e de repente ele diz-me

‘epá, oh João, eu todos os meses vou às

meninas, o meu carro até já sabe o caminho’

(risos). A casa das meninas, era uma

moradia antiga, no Alto da Maia, onde a

Rosete era a matriarca, e tinha um grupo

de umas dez ou doze meninas….

Antes de mais quero fazer-te um reparo, tu

estás a olhar para uma pessoa que nunca

gastou um tostão em meninas, nunca,

mas tenho pena de nunca lá ter ido, ao menos

ficava a saber in loco como as coisas

funcionavam e se processavam (risos). Algumas

vezes pensava nisso, mas a minha

maneira de ser impediu-me sempre de dar

o passo em frente.

Ele contava que a Rosete vinha recebê-lo à

porta, entrava para a sala, ela mandava vir

as meninas, dessas meninas ele escolhia

uma e lá ía para o quarto com a escolhida,

e mais uns detalhes que não vou aqui

mencionar (risos), pegámos naquela história

e conseguimos retratar na perfeição,

em cerca de três minutos de música, o que

se passava naquela casa. Há uns tempos

atrás foram-me mostrar o local onde se situava

a casa da Rosete, mas já foi demolida,

portanto a letra da música foi baseada

naquilo que esse meu amigo me contava.

F: Mudando um pouco de assunto...

F: Como foi a tua convivência com o Rui

Veloso aqui no Porto, havia rivalidade entre

vós ou nem por isso?

JG: Nenhuma rivalidade, era uma óptima

convivência, tocámos muitas vezes com

ele, por acaso, ainda ontem, estive a ver o

programa Alta Fidelidade, em que ele esteve

presente.

A música do Rui não tinha nadinha a ver

connosco, para já tocava sozinho, a editora

é que depois lhe arranjou o Zé Nabo e

o Ramon Galarza para tocarem com ele, o

Rui era muito reservado e não teve aquilo

que nós tivemos, que foi quatro amigos,

que se juntaram num objectivo comum,

num clube como o da bolinha, aqui menina

não entra, muito restrito, nunca deixámos

ninguém assistir aos nossos ensaios e que

tinha um sentido de união muito forte.

F: Em Lisboa os UHF lutavam com os

TAXI pela liderança dos tops nacionais.

Vias os UHF como o vosso grande adversário

musical/comercial, havia muita

rivalidade, como lidavam com isso?

JG: Com os UHF sim (risos), havia uma

grande rivalidade, enquanto que com os

Heróis do Mar, Rádio Macau, Rock & Varius,

e tantos outros, nos cumprimentávamos

e falávamos, com os UHF, nada, apenas

os víamos de longe. Ao fim e ao cabo o

que isso era, não era nada mais nada menos

que o respeito, tínhamos um grande

respeito pelos UHF.

Então, quando acontecia termos que partilhar

o palco havia sempre problemas com

os técnicos, saber quem começava primeiro,

quem fechava o espectáculo, quem

ficava com a maior parte do palco, antes

disto, a guerra começava logo nos cartazes

dos eventos, quem ficava com o nome

por cima, com mais destaque, etc. Havia

sempre problemas entre a nossa equipa de

produção e técnicos e os deles (risos).

Ainda há pouco tempo falei com o António

Manuel Ribeiro e contei-lhe uma peripécia

que aconteceu num festival que houve em

Vila Real de S. António, a praça de touros

completamente cheia, uma daquelas noites

incríveis, e que nós chegamos tardíssimo,

e os UHF eram para fechar o festival.

Tivemos uns problemas na viagem e chegamos

já tarde de táxi, nem trazíamos

material, já tínhamos telefonado a avisar e

perguntar se os UHF nos deixavam usar o

material. Eles disseram que sim.

Fomos fechar o festival e agora imagina

o som que eles nos puseram (risos), não

imaginas, devem ter posto só os tweeters

a funcionar (gargalhadas), uma iluminação

miserável, tanto que à segunda música interrompi

o concerto e disse, ‘queria pedir

aos técnicos de som para abrirem um bocadinho,

senão ninguém ouve, parece uma

igreja’.

Curiosamente, a primeira vez que nos falamos

foi numa festa de lançamento de uma

revista, de um jornal, que era do Carlos

Cruz, que juntou muitas bandas e cantores,

Lena D’Água, Heróis do Mar, Rádio

Macau, Rui Veloso, UHF, TAXI, etc, e então

foi tirada uma fotografia de grupo, nunca

mais encontrei essa fotografia, gostava de

a ter no meu arquivo, em que estão todos

os convidados, eu e o António ao centro de

mão dada ao alto, foi a primeira vez que falámos

um com o outro. Para mim foi muito

giro e marcante, um momento inesquecível

e que guardo na memória. A partir daqui a

rivalidade passou a ser também uma grande

amizade.

F: Com todo este sucesso a vossa vida

mudou completamente…

JG: Totalmente, viagens, concertos pelo

país, não havia autoestradas, demorávamos

horas a chegar aos locais, neste

particular fomos mais massacrados que

os UHF porque nós quase todos os fins-

-de-semana íamos a Lisboa. As coisas não

eram tão planeadas como agora, às vezes

tínhamos um concerto em Chaves e outro

no dia seguinte em Albufeira.

F: Em 1982 editas o álbum Cairo, mais

um disco de ouro. Noto um disco mais

introspectivo, concordas?

JG: O Cairo ainda há pouco tempo foi referenciado

num livro como um dos 100 melhores

discos da música portuguesa, não

concordo nem de perto nem de longe. O

álbum TAXI foi o nosso melhor disco.

Nem me vou atrever a dizer que o Cairo foi

feito com o que sobrou do disco TAXI, até

porque fizemos canções novas, mas houve

umas duas ou três que tinham sobrado

do primeiro álbum. Tem grandes músicas,

‘Cairo’, ‘Hipertensão’, ‘Fio da Navalha’ que

para mim é uma das minhas favoritas. Na

altura não éramos introspectivos, malta

nova, muita alegria, queríamos era curtir.

O álbum foi feito no rescaldo do sucesso

do anterior, tem uma boa capa mas não foi

tão pensado, o álbum TAXI esteve anos a

ser elaborado e o Cairo não. Por pressão

da editora tínhamos que lançar qualquer

coisa e assim nasceu, tem boas músicas

mas ficou aquém do anterior.

F: Em 1983 gravam ‘Salutz’, um álbum

que foi apresentado na abertura do concerto

de Rod Stewart, o que tens a dizer

sobre este álbum e como foi o contacto

com uma lenda da música pop/rock?

JG: A apresentação do álbum foi um fiasco,

nós estávamos na altura a gravar o ‘Salutz’,

um disco onde eu tive pouca participação,

andava cansado, de modo que apareci só

para a gravação. Se queres que te diga,

eu nem gostava do disco, muito sintético,

usamos bateria electrónica… enfim.

De repente aparece alguém da editora a dizer,

‘epá, conseguimos que vocês fossem

fazer a primeira parte do concerto do Rod

Stewart’, é esta a grande força das editoras,

o Rod deveria ser da Polygram, e nós

fomos os escolhidos.

E cometemos um erro de palmatória que

foi ir para um concerto tocar para milhares

de pessoas, músicas que elas nunca

tinham ouvido. Elas queriam lá saber de

músicas novas, estavam lá para ouvir o

Rod Stewart e nós tocamos na íntegra o

álbum. Foi muito chato, batiam palmas por

simpatia.

F: Tiveste uma boa experiência com o

Rod Stewart?

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ESPECTÁCULO

27

JG: Foi óptimo, ele é espectacular, adoro

o Rod Stewart, lembro-me que ele começa

a cantar e eu pensei, ‘isto vai ser um fiasco,

ele está afónico’, mas depois da terceira

música, a voz aqueceu (risos) e foi um

espectáculo, nunca mais parou, sempre

a abrir até final. Na altura o guitarrista do

Rod era muito amigo do Zé Nabo, tinham

tocado juntos no grupo Objectivo, o Zé veio

assistir ao concerto e no final ainda conversamos.

Foi uma experiência muito boa.

F: Em 1985, editam a balada ‘Sozinho’,

sentias mágoa, nostalgia, ingratidão,

que sentimentos tinhas naquela altura,

querias estar sozinho?

JG: Não, esta música nunca foi autobiográfica,

o que aconteceu foi o seguinte, nós

estávamos a atravessar um problema existencial,

estávamos cansados, passámos os

anos 70 todos sempre a tocar e a ensaiar,

e continuou pelos anos 80, mas agora com

muito mais pressão, e não nos saía nada.

Acontece que o Marinho, presidente da Polygram,

veio-nos pedir por favor para gravar um

quarto disco, dissemos que não tínhamos

material para um álbum mas tínhamos duas

músicas prontas, então fomos para Hamburgo

para gravar um single.

As músicas eram ‘Sozinho’ e ‘O Céu Pode Esperar’,

só que esta ficou muito fraquinha, então

foi resolvido gravar duas versões do ‘Sozinho’,

lado A em Português e o B em Inglês.

F: Em 1986 o grupo, para enorme tristeza

dos fãs, anuncia o fim, a que se deveu

esta inesperada decisão?

JG: Antes da gravação do nosso último álbum

‘The Night’ já tinha começado a haver

alguns atritos entre nós. Aquelas cenas de

ciúmes em que um sente que está a ter menos

protagonismo que o outro, etc.

Na altura também houve um problema com

o Rodrigo, o nosso baterista, teve problemas

complicados com a droga mas que felizmente

conseguiu superar por ele mesmo,

foi espectacular, inclusivamente escreveu

um livro sobre isso, e actualmente ajuda

pessoas que estão a passar por problemas

idênticos. No entanto as coisas ainda estavam

suficientemente bem para conseguirmos

compor aquele que eu considero um

dos nossos melhores discos.

Após a edição do disco, convoquei uma

reunião e disse ao Henrique, contigo não

toco mais. Não estava em questão a qualidade

musical do Henrique que era muita,

só que já não havia sintonia, ideias diferentes,

estávamos quase sempre em desacordo

e como estou, e estava, na música para

me divertir e não para me chatear, decidi

assim. Os TAXI pararam nessa altura.

F: Editam o álbum ‘The Night’ exclusivamente

cantado em inglês. Porquê o

regresso às origens, depois do sucesso

alcançado cantando em português?

JG: Olha, foi mais uma tentativa de alcançar

o mercado internacional, só que a

Polygram não promoveu o disco, tiveram

muitas despesas na gravação mas depois

sabe-se lá porquê não investiram na promoção

e um disco que não é promovido

não existe.

F: Mas mesmo depois de se terem separado

e até 2009 vocês ainda se juntavam

esporadicamente para tocar…

JG: Nos juntávamos para tocar quando nos

convidavam para algum evento especial ou

comemorativo de alguma situação, mas o

ambiente agudizou-se de tal forma que não

havia qualquer hipótese de voltarmos a tocar

juntos, com a idade também nos tornámos

menos tolerantes.

Por vezes nos encontrávamos aqui e ali

mas nunca falávamos dos TAXI, parecia um

assunto tabu, sabíamos que era assunto

que nos trazia uma grande mágoa, tivemos

na mão uma grande oportunidade de nos

divertirmos, de fazermos o que gostamos e

desperdiçamos essa oportunidade.

F: Em 2009 regressam com a formação

original e editam o álbum ‘Amanhã’, parecia

que os TAXI estavam relançados, o

que correu mal depois disso?

JG: Quando regressamos em 2009 e editamos

o álbum ‘Amanhã’, foi com o pressuposto

que as divergências estavam ultrapassadas

e que íamos continuar juntos

enquanto grupo, só que após a edição do

álbum, os problemas vieram a tona.

F: Em 2012 formas com o Rui Taborda

a banda Porto, e editas o álbum de originais

‘Persícula Cingulata’, com temas

como ‘Para Sempre’, De Mão em Mão’,

‘Onda do Meu Mar’, que tiveram algum

sucesso. Em 2017 voltam como TAXI,

porquê esta indefinição, no nome da

banda, para prosseguirem a carreira?

JG: A explicação é muito simples, começámos

a compor as nossa músicas mas

a sonoridade não tinha nada a ver com os

TAXI, era mais à base de piano e teclas,

então para não confundir os fãs, formamos

a banda Porto, um projecto autónomo. Foi

um disco totalmente gravado pelo Rui, na

sua casa, masterizado nos EUA, e lançado

como um projecto de autor. Depois disso

começámos a gravar mais à base de guitarras,

uma sonoridade muito mais TAXI.

F: Desse regresso à sonoridade dos

TAXI, nasce a música ‘Reality Show’

que foi um sucesso, é a versão dois, do

TVWC, 40 anos depois?

JG: (risos) De certa forma sim, é a história

de um padeiro do Seixal, que de repente

ficou famoso, teve os seus momentos de

fama, mas rapidamente viu que para ter

paz de espírito o melhor era voltar a ser

padeiro.

F: Ainda durante 2017 acontece novo revés,

os ex-colegas de banda interpõem

uma providência cautelar que vos impede

de usar o nome TAXI, e escolhem

T4X1, sentiste que era o fim de um sonho,

de recuperar um nome e um projecto

musical que está gravado na história

do rock em Portugal?

JG: É verdade, vamos para tribunal e na

primeira audiência o juiz deu-nos razão,

eles recorreram e na segunda audiência

foi-lhes dada razão, vamos então para a

acção principal e conseguimos chegar a

acordo, prevaleceu o bom senso e a situação

ficou resolvida, em Junho deste ano.

O T4X1 foi uma denominação transitória

porque já estávamos com concertos marcados

e como não podíamos usar o nome

TAXI, arranjamos um que foneticamente é

diferente, mas visualmente tem semelhanças.

F: Desde a formação, os TAXI tiveram o

nome no jornal, foram caso nacional, ficaram

bem conhecidos e acabaram no

tribunal. Foi uma vida de cão?

JG: Estes últimos 3 anos foram, de resto os

TAXI foram muito além dos meus melhores

sonhos, tudo o que se passou connosco

superou completamente todas as nossas

expectativas. Tivemos uma vida muito boa,

fazíamos o que gostávamos e ainda nos

pagavam por isso.

Agora estes últimos 3 anos, garanto-te que

foi muito, muito, complicado mas felizmente

acabou bem que é o que interessa.

F: Depois desta decisão em tribunal e

por tudo o que passaste nestes últimos

anos, achas que é a nova vida dos TAXI?

JG: Totalmente, é uma nova vida, já temos

cerca de 15 músicas originais gravadas

prontas a editar em álbum, mortinhos para

o pôr cá fora, esta situação pandémica

atrasou tudo, mas estamos com muitos

projectos.

F: A vontade de fazer coisas novas, de

seres irreverente em palco é a mesma

de há 40 anos atrás?

JG: Completamente, quando estou em palco

parece que sou outra pessoa, estou no

meu mundo de fantasia mas que ao mesmo

tempo é real. Quando canto músicas de

há 40 anos atrás, aquele tempo passa-me

pelo meu imaginário como um flash e sinto-

-me um eterno adolescente. Ver o público

cantar, pular e dançar músicas feitas por

nós é a realização de um sonho, de criança,

tornado realidade.

F: Fala-me dos teus novos projectos, do

que tens na calha e do teu entusiasmo

para dares uma nova vida à banda?

JG: Temos muitos concertos reagendados,

estamos a pensar numa digressão completamente

diferente, que é o tal segredo que

não te posso revelar, mas acima de tudo

quero que tudo corra bem.

Enquanto me sentir bem a tocar, cantar, ensaiar,

gravar, etc, e isso me der prazer, com

profissionalismo é claro, mas ao mesmo

tempo com muita diversão, os TAXI continuarão

a tocar para os fãs.

F: Como estás a sentir esta pandemia,

tem-te prejudicado em termos profissionais?

JG: Imagina, quando um dos dias mais

felizes da minha vida recente, o dia 1 de

Junho, chegámos a acordo sobre o futuro

dos TAXI, parecia que se abria uma autoestrada

à nossa frente, com um disco pronto

a ser editado, concertos pelo país, logo

tudo se começou a afunilar até que fechou.

Veio prejudicar imensamente, é um ano

que está a ir completamente à vida, é um

ano completamente apagado.

O que temos feito é compor, o nosso disco

já estava fechado mas não impresso, então

nada nos impedia de continuar a compor,

por acaso duas das melhores músicas

compusemo-las agora e irão substituir outras

do alinhamento inicial, por isso sem

stresse, nas calmas, temos estado a trabalhar

com vista à continuidade dos TAXI.

texto e foto:

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Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


28

ACTUALIDADE

A Festa do Avante

deixou de ser tema

JOÃO MENDES

Num ápice, a Festa do Avante

deixou de ser tema. E só voltará

a sê-lo, apenas e só, caso

seja identificada alguma cadeia

de contágio que possa ser

comprovadamente associada

à festa comunista. E porque

deixou a Festa do Avante de

ser tema, assim, num ápice,

depois de meses a fazer manchetes

atrás de manchetes, a

alimentar indignações de Rui

Rio e outros notáveis militantes

do PSD e do CDS-PP, para

não falar na fachosfera, para

gáudio de uma certa turba embrutecida?

Porque o Santuário

de Fátima conseguiu fazer incomparavelmente

pior que o

PCP, que, apesar de tudo – e

estou perfeitamente à vontade

para o dizer, visto que me

opus à realização da Festa do

Avante – foi exímio a organizar

a sua festa. Já o Santuário

de Fátima meteu tanta água,

no passado 13 de Setembro,

que, a meio das cerimónias,

viu-se obrigado a impedir a

entrada de fiéis no recinto do

Santuário, que se acumularam

no exterior, gerando mais um

foco de confusão e de potencial

contágio.

Ao PCP bastaria que a Festa do

Avante tivesse a mínima falha

para ser crucificado e queimado

no fogo do Inferno. Em Fátima, as

imagens falaram por si. Milhares

de pessoas, grupos de peregrinos

de França, Itália e Espanha,

zonas de ajuntamentos que não

respeitavam minimamente as regras

de distanciamento social,

repletas de idosos e de outros

integrantes de grupos de risco,

zonas envolventes sobrelotadas,

em particular a partir do momento

em que a gestão do Santuário

determinou que não poderiam

entrar mais fiéis no recinto, o

que, como poderão imaginar,

não os fez desaparecer, e inúmeras

pessoas que optaram por

não usar máscara, o que não admira,

ou não estivessem naquele

espaço centenas ou milhares de

pessoas que acreditam, convictamente,

que a sua fé funciona

como vacina para a covid-19, um

dos aspectos mais assustadores

de todo este triste espectáculo.

Com excepção de alguns cronistas

mais corajosos, e houve-os

à esquerda e à direita, a reacção

da imprensa e do comentário político

nacional ao que aconteceu

em Fátima, no passado 13 de

Setembro, foi um belo festival

de hipocrisia, que acabou por

ser extremamente útil para perceber

o que moveu os hardliners

da direita portuguesa, a opinião

publicada e o comentário televisivo,

globalmente críticos da

realização do Avante, a optar

pelo silêncio cúmplice, cobarde

e politicamente correcto sobre o

que se passou em Fátima: tratou-se,

única e exclusivamente,

de um ataque político ao PCP,

sem ponta de preocupação com

questões sanitárias, por parte de

pessoas que, repito, se estão nas

tintas para o problema sanitário.

O que também ficou muito claro,

foi a questão do poder. Afinal, a

secular Igreja Católica continua a

ocupar uma posição de privilégio,

incomparável com a de qualquer

partido, que lhe permitiu passar

por entre os pingos da chuva nesta

situação, como de resto lhe vai

permitindo influenciar e doutrinar

muitos aspectos da vida pública

portuguesa, sem grandes indignações

ou abaixo-assinados. Ao

contrário de qualquer instituição,

a Igreja Católica continua a viver

numa bolha de privilégio e

opacidade, não paga impostos,

poucas contas presta, influencia

e intromete-se na vida política e

de várias instituições públicas e

privadas, tem um forte ascendente

sobre todas as forças vivas de

concelhos mais pequenos e conservadores

e ainda está protegida

pela Concordata, um acordo

incompreensível num Estado dito

laico. Chama-se poder.

Que fique bem claro que isto não

é um ataque à fé de ninguém.

Tal como criticar a realização

do Avante não é uma forma de

anticomunismo ou criticar Luís

Filipe Vieira não é um ataque ao

SL Benfica. E nunca é demais

sublinhar este aspecto, que as

religiões tendem a toldar o discernimento

a muito boa gente,

principalmente nestes tempos

em que um sacerdote que pede

mais justiça social é apelidado

de comunista, ao passo que

um outro, que parte pão com

fascistas ou escreve crónicas

a apelar ao regresso do Index

– sim, aconteceu em Portugal

– são destemidos paladinos

numa batalha desigual contra

o politicamente correcto e mais

não sei o quê. Todo o cuidado é

pouco. Principalmente num país

onde a instituição religiosa – não

confundir com a fé dos Homens

– tem histórico de conluio com

autocratas e torturadores.

Agora é esperar para ver como

se desenrolará o 13 de Outubro.

Conhecendo a Igreja Católica

como conheço, estou convencido

de que não a veremos cometer

o mesmo erro duas vezes

seguidas. Fico a aguardar para

saber se Marcelo irá exigir conhecer

em detalhe o plano de

contingência do Santuário e as

medidas impostas pela DGS, se

os furiosos anticomunistas voltarão

a rasgar as vestes, para depois

nos brindarem com pérolas

alucinadas do estilo “estamos

protegidos por Nossa Senhora,

o vírus não entra aqui” (sim,

houve gente com responsabilidades

políticas a dizer barbaridades

destas), e o que dirão a

imprensa e os analistas, todos

eles dominados pela esquerda,

claro está, tão lestos que eles

foram a esmiuçar e trucidar a

Festa do Avante. Uma coisa é

certa: sabemos hoje, objectivamente,

quem são aqueles que

se estão literalmente nas tintas

para a saúde dos portugueses,

privilegiando a chicana política

em detrimento da razoabilidade.

Lembrem-se disso, quando os

ouvirem, muito moralistas, falar

de responsabilidade e sentido

de Estado.

Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


ACTUALIDADE/ESPECTÁCULO

29

Remoção

dos ovários

a mulheres

que abortem

A fidelidade

do infiel

JOÃO MENDES

Enquanto a discussão sobre o congresso do Chega

se vai debruçando sobre a encenação das listas, a

intervenção da GNR por incumprimento das regras

sanitárias ou a enésima quase-demissão do seu líder,

a suprema obscenidade passou quase despercebida,

perante a indiferença de uma sociedade dominada

pelo pânico pandémico, em processo acelerado de

normalização do autoritarismo, que já não se choca

com o regresso de um horror que julgávamos morto

e enterrado.

O momento é absolutamente abjecto: um militante do

Chega, com um longo percurso político que passou

pelo PNR e pelo Aliança, apresentou uma moção,

onde, entre outras ideias, defende que qualquer

mulher que decida abortar, excepto em casos de

violação, malformação ou perigo imediato para a sua

saúde, deverá submeter-se à remoção compulsiva

dos seus ovários, “como forma de retirar ao Estado

o dever de matar recorrentemente portugueses por

nascer, que não têm quem os defenda no quadro

actual”.

Isto é assustador. É a total negação dos mais elementares

valores democráticos. De uma violência e

brutalidade atroz. E é certo que a moção foi rejeitada,

mas o simples facto de ter sido elaborada e discutida,

e previamente analisada pelos órgãos partidários

competentes, ilustra bem o que podemos esperar

de um partido que alberga neo-nazis e fundamentalistas

religiosos. Se com um deputado já querem

remover ovários à força, apresentando argumentos

dignos de um fanático islâmico, imaginem o que seria

se esta gente chegasse ao poder. Não, o fascismo

não pode passar.

ANTÓNIO MANUEL RIBEIRO

Quando escrevi, a meio da década

de 1980, a canção “Completamente

Infiel” (álbum “Noites Negras de

Azul”, 1988), estava a atravessar

um deserto escaldante, descortinava

a praia e o mar, mas ainda

faltavam uns longos passos até à

frescura da água. É uma bela canção

mas com o tempo deixou de

me representar. Foi escrita como

vingança, e a vingança, o acto de

dirigir a nossa energia, física e

espiritual, para um acto vingativo

é um desperdício absoluto do

melhor que há em nós. No amor,

ou no resto.

Vem isto a propósito da incerteza

que vamos antevendo nos passinhos

de dança dos comunicados oficiais.

Uma coisa me parece certa: afastem

o medo; desliguem as notícias;

os números dos relatórios diários

servem para novas interrogações

sem resposta; há mais mundo que

o universo Covid-19; transparece uma

revolta surda por tanta incerteza, um

pânico calado que não descola. Os

populismos, por falta de consistência,

servem-se de qualquer gritaria

para ganhar espaço – a depressão

de um grupo, ou a colectiva, promove

estes desencontros com a sanidade.

Cuidem-se, a protecção de cada um

evita o contágio.

Voltemos a infidelidade. Continuo um

infiel, logo um homem estruturalmente

livre de escolher – ninguém nasce

para viver em prisões ou coletes de

força. Tenho escrito mais do que

leio, mas ler faz-me bem à alma. E

aqui sou mesmo infiel, porque respiro

a minha liberdade e dou largas

à curiosidade, factor primordial para

o conhecimento.

Acabei de ler “Sinais”, da Laura Lynne

Anderson (a minha canção “Sinais –

presentes do Tempo”, de 2013, fala

destes ‘sinais’); peguei no “Buraco

da Agulha”, do Ken Follett (escrito

no mesmo ano em que os UHF nasceram,

e agora reeditado), depois de

ter lido os últimos do António Barreto,

Luís Sepúlveda, Neal Donald Walsh

ou Domingos Lopes. Ou seja, as minhas

leituras vão por diversos trilhos

na floresta das ideias, não me limito,

sou livre, infiel a qualquer doutrina

ideológica ou capelinha organizada.

Da política à espiritualidade, da

novela de espionagem às crónicas,

leio para conhecer, gostar ou rejeitar.

Guardem um tempo para vós, saiam

do trilho das obrigações, façam uma

pausa, sejam infiéis à vulgaridade. O

medo afastar-se-á por si, sem parceiro

para lhe saltar para as costas. Que

triste é tantos queixarem-se ‘deles’,

os da política, mas só se falar de futebol

por cá. Miseravelmente triste.

Deixo-vos com outro texto para esse

livro prometido.

No próximo sábado, às 22h00, iremos

gravar ao vivo um momento inédito

nas nossas vidas de músicos. O último,

o XXVII Momento Musical Caseiro

dos UHF.

Compras da semana:

Livros: Arturo Pérez-Reverte – “Uma

História de Espanha” (2020)

ECM – CD John Scofield/Bill Stewart/

Steve Swallow – “Swallow tales”

(2020); CD Domink Wania – “Lonely

shadows” (2020); CD – Terje Rypdal

– “Conspiracy” (2020)

Pop/rock – CD – Chrissie Hynde

w/ The Valve Bone Woe Ensemble

– “Valve bone woe” (2019); CD – Rufus

Wainright – “Unfollow the rules”

(2020); CD – Love – “Reel to real”

(1974/2015 – deluxe edition

Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


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Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


CRÓNICA

31

O Torquemada português

LUÍS OSÓRIO

1.

Um amigo mostrou-me esta pérola que

foi escrita, com toda a solenidade, por

um padre que não é um padre qualquer.

Ricardo Cristóvão é pároco de Alcobaça.

É um símbolo de uma geração de novos

sacerdotes, de “jovens turcos”, capaz

de elevar a igreja portuguesa a um outro

patamar de preparação teológica e

até comunicacional.

2.

Mas estes tempos são estes tempos.

Já não há volta a dar.

Todos os extremistas de direita – uns

mais maluquinhos do que outros – começaram

a sentir-se respaldados para

dizer o que pensam sobre o mundo.

Não é por acaso que, ao mesmo tempo,

lemos, ouvimos e vemos tantos ao

mesmo tempo proclamarem as coisas

mais bizarras ou trogloditas.

Uns querem castrar.

Outros querem a pena de morte.

Outros querem tirar os ovários às mulheres

que abortam.

Outros querem abolir o crime de violência

doméstica.

Outros querem ver os ciganos confinados.

Outros assinam manifestos contra uma

disciplina que nos diz que não há raças

inferiores e que todos somos iguais.

E depois há este senhor, este padre,

que nos escreve esta maravilha sobre

os livros que são bons e os livros que

são maus.

Diz… adaptando Afonso de Ligório, um

santo italiano do século XVIII.

«Por isso, querido leitor, se chegar às

tuas mãos um tal livro, lança-o imediatamente

no fogo, para que não apareça

mais; e, se és pai de família, faze o que

estiver em tuas forças para afastar da

tua casa uma tal peste, se não quiseres

dar um dia rigorosas contas a Deus».

3.

Não é mentira, é mesmo verdade.

O pároco de Alcobaça, que continua a

ser pároco de Alcobaça depois de o ter

escrito, escreveu esta frase sobre o que

ele julga ser o mal, o diabo, o inferno.

O padre Ricardo Cristóvão, que leio

ser especialista em exorcismos, não

desconhece o papel da Igreja Católica

na legitimação de vários regimes

totalitários.

E não desconhece a história da Santa

Inquisição.

Para mim é claro que aquilo que escreve

não é inocente ou pueril... o pároco

de Alcobaça deseja relevar esses períodos

da Igreja Católica, deseja exaltar

o tempo em que a Igreja Católica zelava

pela moral e decidia o que devia ou não

ser dito, lido, falado.

O Padre Ricardo, sem o dizer, diaboliza

o Papa Francisco e os padres que certamente

na sua douta opinião estarão

a capitular na luta contra a supremacia

cultural marxista.

O Padre Ricardo é uma bandeira entre

os que desejam regressar ao antigamente

e contra a podridão deste tempo

de corrupção da carne e de diabo.

O Padre Ricardo é simplesmente um

fascista.

Um Torquemada.

E orgulha-se disso.

Mas continua a ser pároco numa cidade importante.

Não podia continuar a sê-lo se não tivesse o respaldo

de alguns bispos influentes. Simplesmente não lhe seria

possível.

E isso é deveras assustador.

Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


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CULTURA

33

Paira um espectro sobre os

amigos do acordo ortográfico

— o espectro da fonética

NUNO PACHECO (*)

Há dias, o jornal Voz Portucalense, semanário

da diocese do Porto, trazia um curioso artigo

intitulado “Vamos aprender a pronunciar a

língua portuguesa?”. M. Correia Fernandes,

o seu autor, partindo de um facto antigo (“as

palavras não se escrevem como se pronunciam”)

e de uma conclusão sensata (sendo

uma convenção, a ortografia “deve servir

para se distinguirem as palavras e não para

as confundir”), sugere que passemos a pronunciar

melhor as palavras e que dispensemos

muitos dos anglicismos que para aí

andam a despropósito. Mas não se fica por

aí. Escreve, a dado passo, o seguinte: “Há

palavras em que o acordo ortográfico deveria

ter servido para valorizar a distinção de muitos

vocábulos em que a grafia fosse orientada

para ajudar a pronunciar as consoantes, tornando-as

de mudas em pronunciadas.” E dá

como exemplos “contrato” (elemento jurídico)

e “contracto” (de contraído, devendo ler-se o

c), “ótico” e “óptico” (lendo-se o p), “repto”

e “recto” (sugerindo que se leia o p e também

o c), dizendo que as ditas consoantes

mudas deveriam ser também pronunciadas

em “facto” (já o são), “factor”, “acto”, “actor”,

“concepção” e “percepção”, etc. Tudo isto

parece contrariar o acordo ortográfico de

1990, o tal que decepou consoantes a eito.

Mas o autor escreve com o acordo de 1990…

Sem desmerecer as boas intenções implícitas

no texto, dir-se-á que andamos como

o bicho que corre atrás da própria cauda a

tentar mordê-la sem estranhar que ela se

afaste quando se move. O acordo ortográfico,

mexendo na escrita, mexeu também

na fonética. Isto já foi dito mil vezes, mas

nunca é demais repetir. Escrever “fator” e

pretender que se leia “fàtôr” (factor) é ilusório.

Daqui a uns anos, diremos “âtor”, “dir’ção”,

“obj’tivo” e disparates do género. Sim, estamos

a mudar a nossa fala por causa de uma

escrita aberrante que, sendo diferente da

brasileira (e nunca é excessivo insistir nisto),

não respeita o nosso sistema vocálico e as

suas idiossincrasias.

O autor estranha que se diga “xesso” em

vez de excesso, ou “xêntrico” em vez de

excêntrico, só que a erosão das palavras

na fala é um fenómeno antigo, persistente

e é não apenas português. Estranho era

que escrevêssemos “xesso” e “xêntrico”.

Coisa que, a seu modo, o acordo faz. Há

um interessante teste, que qualquer leitor

poderá fazer por si, e que consiste em dar à

“máquina” do Word, programa de texto (aqui,

uns lerão “tâichtu” e outros “têchtu”, sem

que a escrita se altere), um lote de palavras

para “ler” em voz alta. A máquina usa um

algoritmo introduzido por mão humana e

esse algoritmo está adaptado ao português

de Portugal, como logo se percebe.

O processo é simples: copiem as palavras

indicadas para uma folha do Word

em branco, escolham a opção “Rever” no

menu, coloquem o cursor do rato no início

da primeira palavra e carreguem em “Ler

em voz alta”, que a máquina lerá tudo numa

voz feminina sintetizada. Para parar, basta

carregar de novo no mesmo botão. Numa

série de palavras, o som da escrita segundo

o acordo de 1945 e o de 1990 soará igual.

Exemplos (copiem-nos e ouçam): Acção,

Ação; Acepção, Aceção; Activo, Ativo; Actual,

Atual; Baptista, Batista; Cacto, Cato;

Coacção, coação; Espectáculo, Espetáculo;

Exactamente, Exatamente; Factura, Fatura;

Percepção, Perceção; Reactor, Reator;

Recto, Reto; Recepção, Receção; Selecção,

Seleção; Tractor, Trator.

Porém, noutras, o contraste entre fonéticas

é chocante. E esta lista é bem maior

(experimentem copiá-la e depois ouvi-la):

Adjectivo, Adjetivo; Adopção, Adoção; Arquitecto,

Arquiteto; Aspecto, Aspeto; Acto,

Ato; Actor, Ator; Actores, Atores; Baptismo,

Batismo; Baptizado, Batizado; Bóia, Boia;

Correcção, Correção; Correcto, Correto;

Detecção, Deteção; Detectar, Detetar; Dialecto,

Dialeto; Direcção, Direção; Directa,

Direta; Efectivamente, Efetivamente; Efectivo,

Efetivo; Electivo, Eletivo; Efectuar, Efetuar;

Electricidade, Eletricidade; Electrónica, Eletrónica;

Espectador, Espetador; Expectativa,

Expetativa; Exacto, Exato; Excepto, Exceto;

Exceptuando, Excetuando; Factor, Fator;

Fracção, Fração; Indefectível, Indefetível;

Infectado, Infetado; Infecção, Infeção; Injecção,

Injeção; Insecto, Inseto; Inspecção,

Inspeção; Inspector, Inspetor; Interactivo,

Interativo; Jóia, Joia; Lectivo, Letivo; Nocturno,

Noturno; Objectiva, Objetiva; Objecto,

Objeto; Perceptível, Percetível; Perspectiva,

Perspetiva; Projecção, Projeção; Projecto,

Projeto; Prospecção, Prospeção; Protecção,

Proteção; Protector, Protetor; Reacção, Reação;

Receptor, Recetor; Redacção, Redação;

Retrospectiva, Retrospetiva; Selectivo, Seletivo;

Sector, Setor; Sectores, Setores; Tecto,

Teto; Tracção, Tração; Vêem, Veem.

Burrice da máquina? Erro no algoritmo? Não,

erro no acordo. Não se pode torcer a barra e

querer que ela fique direita ao mesmo tempo.

Claro que a máquina tem falhas: abre indistintamente

as vogais em “coação” (de coar)

e “coacção” (coagir); e lê “acordam” como

“acurdam”. Mas ainda assim tem suficiente

“entendimento” para abrir o u em “equitativo”

ou “equidade” e fechá-lo em “equilibrado” ou

“equinócio”; e dá o devido som às vogais em

contexto, abrindo o o em “quando eu acordo”

(ò) e fechando-o na frase “assinaram o

acordo” (ô). Por isso, este teste é elucidativo:

a grafia que nos impingiram em Portugal não

é tragável, nem mesmo por uma máquina.

(*) in Jornal Público

Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


34 HUMOR “Quem não sabe rir, não sabe viver”

TESTE

“Foi descoberto que o nosso cérebro tem

um Bug.

Aqui vai um pequeno exercício de calculo

mental !!!!

Este cálculo deve fazer-se mentalmente (e

rapidamente), SEM utilizar calculadora, nem

papel e caneta!!!

Seja honesto...

Tens 1000, acrescenta-lhe 40.

Acrescenta mais 1000.

Acrescenta mais 30

e novamente mais 1000.

Acrescenta mais 20.

Acrescenta mais 1000

e ainda mais 10.

Qual e o total? “

Z Se precisar, veja o resultado nesta página

No Brasil o ditador bolsocoiso dirige-se

incógnito a um cinema.

Senta-se no meio da multidão e, na obscuridade,

ninguém o reconhece.

No écran passam as actualidades. De repente,

aparece ele próprio no filme,

na varanda da Alvorada, a falar ao povo.

Imediatamente a sala inteira levanta-se e

aplaude.

Só o ditador bolsocoiso permanece sentado,

saboreando a sua glória. Então o vizinho

do lado inclina-se para ele e segreda:

-Levanta ai, oh otário!! A sala ta assim de

caguetes e tu não vai querer ser queimado

por aquele meganha!!

Em França, um guarda nocturno depara

com um indivíduo que sai de um Bar

cambaleando e cantarolando coisas que

ninguém entende.

Aproxima-se dele e diz-lhe amigavelmente:

- O senhor não devia embriagar-se assim...

Não lhe fica bem e, além disso faz mal à

saúde. Todos os anos morrem milhares de

franceses por causa do álcool.

- Ah! Não importa... eu sou português ! ...

Criança de 6 anos :

- Papá, papa todos os contos de fadas

começam com era uma vez ?

Pai :

- Nem todos minha filha, alguns começam

com “Se eu for eleito...”

A resposta certa: 4100

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Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


04 DOM Dia Mundial do Animal

04 DOM Dia do Médico Veterinário

05 SEG Implantação da República

05 SEG Dia Mundial do Professor

06 TER Dia Mundial da Paralisia Cerebral

07 QUA Dia Nacional dos Castelos

08 QUI Dia Mundial da Visão

08 QUI Dia Mundial do Polvo

09 SEX Dia Mundial dos Correios

09 SEX Dia Mundial do Ovo

10 SÁB Dia Mundial da Saúde Mental

10 SÁB Dia Mundial Contra a Pena de Morte

10 SÁB Dia Mundial dos Cuidados Paliativos

11 DOM Dia Internacional da Rapariga

11 DOM Dia Mundial do Combate à Obesidade

12 SEG Dia Mundial das Doenças Reumáticas

14 QUA Dia Mundial do Careca

15 QUI Dia Mundial de Resolução de Conflitos

15 QUI Dia Mundial da Lavagem das Mãos

16 SEX Dia Mundial da Alimentação

16 SEX Dia Mundial do Pão

17 SÁB Dia Int.para a Erradicação da Pobreza

17 SÁB Dia Internacional do Preguiça

OUTUBRO 2020

Feriados e Datas Comemorativas

PASSATEMPO

18 DOM Dia Mundial da Menopausa

20 TER Dia Mundial da Estatística

20 TER Dia Mundial da Osteoporose

20 TER Dia Nacional da Paralisia Cerebral

21 QUA Dia Internacional da Maçã

22 QUI Dia Internacional da Gaguez

23 SEX Dia de São João de Capistrano

24 SÁB Dia do Exército Português

24 SÁB Signo Escorpião

25 DOM Mudança de hora

25 DOM Dia Mundial das Massas

26 SEG Dia da Biblioteca Escolar

27 TER Dia Mundial da Terapia Ocupacional

27 TER Dia Mundial do Património Audiovisual

27 TER Dia dos Jornalistas Pela Paz

28 QUA Dia Mundial da Terceira Idade

28 QUA Dia Internacional da Animação

28 QUA Dia Mundial do Judô

29 QUI Dia Mundial da Psoríase

29 QUI Dia Mundial do AVC

30 SEX Dia Naci. de Prevenção do Cancro da Mama

31 SÁB Dia das Bruxas - Halloween

31 SÁB Dia Mundial da Poupança

35

Sabia que...

— Há algumas medidas

que poderá tomar para

prevenir o surgimento da

tosse seca?

Evitar ambientes e

situações potencialmente

propícias a infeções respiratórias

por contágio

—As necessidades de

cálcio variam consoante a

idade?

O Institute of Medicine

of the National

Academy of Science estabeleceu

recomendações

oficiais de cálcio para os

diversos grupos etários

— A azia é um sintoma e

não uma doença?

Embora seja possível

aliviar o desconforto

que origina a azia, é sempre

recomendável identificar

e tratar o problema

que a causou

—A groselha, o kiwi, a laranja

e a salsa são fontes

ricas em vitamina C?

—A cebola, maçã, nozes,

chá, vinho tinto, uvas vermelhas,

morango, framboesa,

mirtilo, arando e

cereja são ricos em polifenóis?

—A hipertensão é o principal

factor de risco para

o AVC?

—O magnésio é um mineral

presente em todas as

células vivas?

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36

LITERATURA

VCARMINDO

DE CARVALHO

Ghttps://www.fa-

cebook.com/carmindo.

carvalho

Emigração

Emigrar é um acto de coragem!

Emigrar é deixar para trás tanta coisa, de

nós, dos amigos, dos familiares.

Amigos e familiares que ao longo de anos

se vão perdendo, pela morte, pela falta

de contacto, e até por quezílias estúpidas,

mesquinhas, sem razões que as justifique.

Mas é assim mesmo porque tal como diz

o refrão da canção: “ Mudam-se os tempos,

mudam-se as vontades. “

Mudam-se coisas, os nomes das ruas

das Vilas e Cidades.

E mudam as formas de pensar. E até as

de não querer pensar - porque isso dá

muito trabalho!

É ter de adaptar a um idioma diferente, a

outros costumes, culturas e clima.

E quando pensamos que está tudo bem,

não está.

O regresso torna tudo à estaca zero.

Se voltarmos aos mesmos lugares, há

diferenças na paisagem (antes um cruzamento,

agora uma rotunda!), diferenças

nas pessoas, nos costumes, na originalidade

sã das vivências de outrora, agora

perdida ou adulterada por modernices! ...

Se optarmos por nos instalarmos noutros

lugares onde não conhecemos ninguém,

onde não temos raízes, é como tornar a

emigrar.

Obriga a tentar encontrar uma grande

força que nos estabilize. Que nos aproxime

à compreensão e aceitação.

Antes foram os de cá, agora são os de lá.

Tanta gente que conhecemos, com quem

lidámos tanto tempo!

Gente oriunda de outras paragens, com

tantas diferenças que aprendemos a

estimar, a quem abraçámos, com quem

rimos, bebemos uns valentes copos, tornámo-nos

cúmplices de segredos, de

marotices em aventuras antes nunca tentadas.

E a grande maioria nunca mais vamos

voltar a encontrar.

Na altura fica a promessa de visitas.

Mas o tempo passa!

E no que se esquece, no que se muda,

ficam as promessas por cumprir.

Foto e palavras minhas.

Se esse momento chegar

Quando já tiver desistidoDe quase

tudoQuando já tiver abdicadoDo meu querer

dizer sim ou dizer nãoDo direito à minha

indignação

Quando concordarCom tudo a cem por

centoQuando já resignadoTiver deitado a

toalha ao chãoE aceitar a subjugação:

Então o melhor é suicidar-me.

Se esse momento chegarJá não andarei

por cá a fazer nadaJá terei chegado ao

estadoDe quase abaixo de cão!

Entretanto e enquantoConseguir

resistirRecusarei esse estado

lastimosoContinuarei a remarNeste mar

encrespadoAinda que seja contra a maré! ...

É preferível ser o cão raivosoQue ladra

mas fala!E esse falar é protestarÉ

desabafarComo água que teimosamenteOra

aos trambolhões ora simplesmenteFluindo

teima e galgaOs entulhos que atrasaO seu

desaguar!Atrasa mas chega!

À sua desejada foz.

VEUCLIDES

CAVACO

Ghttps://www.face-

book.com/euclides.cavaco

Outono da Vida

Tal como a mãe Natureza

Temos também com certeza

O nosso Outono da vida

Que vemos lesto chegar

E podemos comparar

A cada folha caída.

O tempo sempre avançando

Vai-nos enfim transformando

Revelando a nossa idade

Diminuindo o vigor

E a grande força interior

Que havia na mocidade.

Se não for interrompida

Antes do Outono, a vida

Nele viveremos mais

Duma forma inteligente

Muito mais intensamente

Nossos dias outonais.

Os dias são mais doirados

E por nós apreciados

Duma forma enternecida

Depois serão sempre assim

Até chegarmos ao fim

Do nosso Outono da vida.

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CULTURA

37

Palavras Cruzadas

Por

PAULO FREIXINHO

HORIZONTAIS

1. Referente à estação das colheitas,

das vindimas e das castanhas.

8. Ver com antecipação.

9. A minha pessoa.

10. Autores (abrev.).

11. Antes do meio-dia.

12. Imposto sobre o rendimento das

pessoas singulares.

13. Prefixo que exprime a ideia de privação.

14. Antiga armadura para a cabeça.

15. Outono (Mirandês).

16. Mencione.

17. Rádio (s.q.).

19. Argola.

20. Partícula apassivante.

21. Alternativa.

22. Símbolo de miliampere.

23. Diz-se da folha que cai.

25. Guiar.

VERTICAIS:

1. Tornar volumoso ou balofo.

2. Larva que se cria nas feridas

dos animais (Bras.).

3. A ti.

4. Triunfante.

5. Também não.

6. Atmosfera.

7. Português.

9. Deserto.

12. Ínsula.

13. Composição dramática.

14. Urdidura de uma obra

literária.

15. Tontura.

16. Leito.

18. Transpirar.

20. Cloreto de sódio.

21. Vazia.

23. Cento e um em numeração

romana.

24. Antigo nome da nota

musical dó.

Soluções, na página 30 c

Um site que é uma referência

Adepto das Redes Sociais e dos

blogues, Paulo Freixinho, juntamente

com um amigo de infância,

admirador do seu trabalho, relançou

este ano o seu site onde é possível fazer

Palavras Cruzadas online.

Juntos, pretendem criar um site que seja

cada vez mais uma referência, já apelidado

como “Um Paraíso para Cruzadistas”.

Experimente:

WWW.PALAVRASCRUZADAS.PT

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38

HORÓSCOPO

Outubro

RV - JOANA ARAÚJO (*)

CARNEIRO

Muita energia durante todo o mês. A única

coisa a que deve prestar mais atenção

é à ingestão de água, que deve ser abundante.

No amor terá muita necessidade de demonstrar

os seus sentimentos, podendo

chegar ao exagero.

Não encontrará a resposta que procura

na pessoa que ama.

No trabalho demonstrará muita actividade

e capacidade de improvisação para

solucionar alguns problemas.

TOURO

Marte em oposição à Lua representa um

momento de emoções intensas e conflitos

emocionais. Neste momento poderá

ser difícil lidar com o sexo oposto, embora

fosse bom nesta altura desse mais

importância aos aspectos positivos de

qualquer relação.

GÉMEOS

Haverá uma preocupação exagerada com

a saúde e com a estética corporal, podendo

chegar à obsessão.

Continuará a pensar em alguém do seu

passado que deixou marcas profundas na

sua vida e a pessoa que está actualmente

consigo notá-lo-á.

A chegada de novos companheiros de

trabalho serão a desculpa para um rendimento

mais alto do que o habitual e também

para quebrar a rotina.

Outubro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU

CARANGUEJO

Esta altura constitui já a passagem a um

momento mais tranquilo, mais interiorizado.

A passagem da Lua será responsável

por esta gradual transformação do seu

diálogo com o mundo. Pode trazer-lhe,

por um lado, uma súbita falta de confiança,

mas, por outro, um diálogo esclarecedor

e construtivo.

LEÃO

Se necessita tomar medicamentos, opte

pela via natural, e melhorará a sua qualidade

de vida.

Sairá com a pessoa que ama mais vezes

do que o habitual e procurarão locais diferentes

para os momentos de mais intimidade.

Um trabalho que dava por terminado, reaparecerá

para sofrer pequenas alterações

e ser melhorado na sua totalidade.

VIRGEM

Como está com uma certa falta de concentração

nesta fase deve evitar tomar

decisões importantes tanto nos negócios

como na sua vida pessoal. Poderá sentir-se

enervado sem saber a causa. Este

é uma boa altura para se auto examinar.

BALANÇA

Necessitará dormir mais horas do que

tem dormido até aqui e o seu organismo

agradecerá se fizer alguma dieta depurativa.

A sua relação não passa por dos seus

melhores momentos e a pessoa que ama

estará em baixo de forma e necessitando

estar sozinha. Façam uma pausa no caminho!

Sentirá o apoio dos seus companheiros

de trabalho para realizar uma tarefa que é

da sua responsabilidade.

ESCORPIÃO

Está a entrar num momento de grande

descontracção, sobretudo devido à sua

paz interior. Terá uma real sensação de

segurança, tranquilidade, sem a preocupação

de assuntos pendentes que noutras

alturas, embora nem sejam significativos,

o deixam insatisfeito.

SAGITÁRIO

As costas e os órgãos sexuais poderão

dar-lhe algum problema que será de fácil

solução se consultar o médico a tempo.

Uma ligeira indisposição deixará a pessoa

que ama em baixo de forma, mas saberá

como levantar-lhe a moral e o ânimo.

Assumirá responsabilidades que não são

suas e saberá ultrapassar as dificuldades

que surgirem.

CAPRICÓRNIO

Embora possa sentir uma maior vontade

de tirar mais partido da casa e da família,

vai ser aí onde as coisas se poderão mostrar

um pouco mais atabalhoadas, menos

harmoniosas ou menos controladas.

AQUÁRIO

Respire mais ar puro e melhorará grandemente

a sua saúde. Corrija posições

incorrectas no trabalho.

A pessoa que comparte a sua vida, comparte

também os seus gostos e juntos

poderão viver momentos de muita cumplicidade.

Começa uma nova etapa profissional que

estimulará a sua competitividade e dará a

conhecer as suas capacidades.

PEIXES

Durante este trânsito de Mercúrio pode

tomar iniciativas, mas prepare-se para

defender as suas ideias com unhas e

dentes. Da sua convicção e determinação

poderá nascer a vitória. A insatisfação e

intranquilidade que agora sente é passageira,

ainda assim, no entanto, preferirá o

isolamento e a reflexão ao convívio.

(*) COORDENAÇÃO, RECOLHA E ADAPTAÇÃO


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40

COVID-19

COVID-19 / GRIPE

IDENTIFICAR OS SINTOMAS

QUARENTENA

OBRIGATÓRIA

PARA QUEM CHEGA DE PORTUGAL

O governo suíço incluiu também

Portugal na lista de países

de risco face à pandemia de

Covid-19, forçando os viajantes

do nosso país a cumprirem uma

quarentena obrigatória de

dez dias à chegada à Suíça,

mesmo que os viajantes tenham

um teste negativo são

obrigados a ficar isolados

quando chegam.

Quem não cumprir a quarentena

arrisca-se a pagar uma

multa que pode chegar aos 10

mil francos suíços (cerca de

9.250 euros).

A lista dos países que terão

de cumprir a Quarentena, que

entrou em vigor no passado

dia 28 de Setembro de 2020,

abrange para além de Portugal,

a Bélgica, Dinamarca, Ecuador,

Grã-Bretanha, Hungria, Irlanda,

Islândia, Jamaica, Luxemburgo,

Marrocos, Nepal, Omã, Holanda

e Eslovénia. A lista integra

ainda duas partes da Austria

assim como a Bretanha (França)

e a região da Liguria (Itália).

O Escritório federal de saúde

pública BAG recomenda a renunciar

a viagens ao exterior

que não sejam necessárias. Antes

de empreender uma viagem

ao exterior, você deve verificar

com as representações na

Suíça (embaixadas e consulados)

sobre as regras de entrada

de aplicar e para limitar a propagação

do novo coronavírus.

Por favor, tome nota das recomendações

do Conselho federal

e de outras informações em:

WWW.ENCURTADOR.

COM.BR/WY169

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