Jornal Paraná Outubro 2020

LuRecco


OPINIÃO

Agronegócio, Amazônia e desenvolvimento

Conceito de governança se ampliou e agora inclui também a qualidade

do relacionamento com a comunidade, a sociedade e o meio ambiente

José Roberto Mendonça

de Barros (*)

Apandemia está sendo

uma experiência única

por ter detonado a

maior crise global em

décadas. Não sabemos ainda

como ela vai terminar e nem

todas suas implicações. Entretanto,

parece seguro imaginar

que as pessoas tenderão a valorizar

uma vida mais simples e

prezar mais a sociabilidade (família

e amigos) e a natureza.

O desejo que já existe de consumir

produtos mais naturais

vai se ampliar, o que vai valorizar

certos atributos (orgânicos etc.)

e, especialmente, exigir o conhecimento

de onde e como foi

produzido. A percepção da

ameaça do aquecimento global

é cada vez mais visível no mundo

inteiro, o que favorece a transição

energética e a descarbonização.

Também as empresas estão

sendo fortemente pressionadas

a mudar. É muito intensa a percepção

de que seu desenvolvimento

recente foi quase exclusivamente

voltado para o curto

prazo e ao retorno do acionista,

com resultados para lá de questionáveis:

expressiva concentração

de renda e poder, redução

da competição, limitado avanço

da produtividade e agravamento

das questões ambientais.

O conceito de governança se

ampliou e agora inclui também

a qualidade do relacionamento

com a comunidade, a sociedade

(solidariedade) e o meio ambiente.

A covid-19 acelerou

drasticamente essas tendências

já existentes. Passamos o ano

vendo companhias de todos os

portes, setores e regiões, incluindo

instituições financeiras

e fundos de investimento, punindo

países e regiões que não

se posicionam na luta contra o

aquecimento global.

Apenas gente muito distraída

não percebeu a seriedade e a

perenidade destes movimentos.

Assim, tendo em vista a ampliação

das exigências referentes

ao meio ambiente, à sustentabilidade

e à descarbonização,

não dá mais para admitir a destruição

da floresta amazônica

por grileiros e garimpeiros agindo

de forma totalmente ilegal. O

documento entregue pela Coalizão

Brasil Clima, Florestas e

Agricultura retrata bem a importância

do momento atual e apresenta

linhas de ação para enfrentar

a questão de forma

construtiva.

Transformar os estímulos para

a preservação da floresta em

pé, via bioeconomia, é triplamente

importante: pelo impacto

na região em si e na população

lá residente; pela remoção do

que se transformou num obstáculo

aos investimentos no Brasil;

e, de forma especial, pelo

afastamento de uma ameaça

mortal ao único setor da economia

brasileira que vem atravessando

o período recessivo que

se iniciou em 2015, crescendo

todos os anos sem parar.

Essa disparidade de desempenhos

setoriais é realmente impressionante:

em relação a

2014 e usando nossas projeções

para 2020 (queda de 4,8%

no PIB), teremos no final do ano

uma queda acumulada de 32%

na construção, 15% na indústria

de transformação, 6% nos serviços

e uma expansão de 17%

na agropecuária!

Uma implicação lógica desses

resultados é que deve ter se ampliado

a importância do agronegócio

no PIB brasileiro, estimado

tradicionalmente em algo

como 23%.

Apenas um novo censo pode

gerar as informações necessárias

para balizar novos cálculos,

mas chamo a atenção para o

crescimento significativo do valor

adicionado em muitos outros

produtos fora dos carros-chefe

soja, milho, carnes, cana, leite e

A percepção da ameaça do aquecimento global é cada

vez mais visível no mundo inteiro, o que favorece a

transição energética e a descarbonização.

café. São exemplos frutas, peixes

criados em cativeiro (cuja

produção se faz no Brasil inteiro

e já se aproxima de um milhão

de toneladas), hortícolas, outros

grãos, mel, produtos especiais

e com certificado de origem

(queijos, vinhos, embutidos,

azeite de oliva), produtos certificados

com certos atributos

(especialmente orgânicos) e outros.

O consumidor paga com

satisfação um adicional para

obter o que preza cada vez mais.

Enfrentada a questão amazônica,

o agronegócio está pronto

para um novo salto. Os 300 milhões

de toneladas de grãos

estão logo aí adiante. Nossa

agenda de avanços tecnológicos

já está dada. A coalizão em

torno do agronegócio poderá

ser o primeiro puxador de crescimento

em nosso País no póspandemia.

Temos muito trabalho,

mas um trabalho fascinante:

a um só tempo, teremos de

ter um adequado tratamento

dos recursos naturais, abraçar

em definitivo a agenda da sustentabilidade,

continuar criando

novas tecnologias e novos produtos,

integrando indústria e

serviços com grau crescente

de sofisticação num ambiente

de modernidade e respeito aos

trabalhadores e aos consumidores.

Seria muita burrice –

para não dizer um crime – deixar

esse futuro se perder nas

chamas

(*) Economista e sócio da

MB Associados

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AÇÚCAR

Pasa ampliará capacidade de

exportação para 7 milhões/t/ano

Expectativa é que as obras sejam concluídas até fevereiro de 2023.

Estão previstas a compra de novos equipamentos e a construção de um armazém

APasa - Paraná Operações

Portuárias, o primeiro

terminal especializado

no embarque

de açúcar a granel do sul do

Brasil e que exporta açúcar para

diversos países do mundo, vai

investir R$ 117,7 milhões em

seu complexo no Porto de Paranaguá.

Assim, a Pasa poderá

aumentar de 3,6 milhões de toneladas

ano para 7 milhões de

toneladas ano a capacidade do

terminal de exportar a commodity.

A autorização para que a empresa

realize os investimentos

privados foi feita pelo governador

do Paraná, Carlos Massa

Ratinho Júnior, dia 22 de setembro,

em Paranaguá, quando

participou da inauguração da

obra de ampliação do cais do

Porto de Paranaguá (berço

201), no Litoral do Estado. A

Ordem de Serviço para ampliações

na Pasa tem como base a

renovação do contrato de arrendamento

que foi aditado no final

de agosto e é válido até 2049.

O berço que a Pasa opera receberá

novos equipamentos e um

novo armazém será construído.

Na primeira fase, que deve ser

concluída até fevereiro de 2022,

a empresa irá construir uma

nova linha de embarque e instalar

um novo shiploader, para

movimentar até 2,5 mil toneladas/hora.

Já a segunda fase,

até fevereiro de 2023, prevê a

edificação da nova estrutura

para a armazenagem de 60 mil

toneladas de açúcar ou de 45

mil toneladas de outros granéis

sólidos.

“Isso vai ampliar nossa capacidade

de exportação de açúcar

para 7 milhões de toneladas por

ano, tornando o Porto de Paranaguá

um grande terminal exportador

de açúcar e de outros

produtos”, afirmou Miguel Rubens

Tranin, diretor-presidente

da Associação de Produtores

de Bioenergia do Estado do Paraná

- Alcopar, cujas empresas

associadas utilizam o terminal.

De acordo com Tranin, houve

um aumento de 20% na produção

de açúcar nesta safra em

comparação com a anterior,

com cerca de 2 milhões de toneladas

de açúcar, sendo que

80% são exportados pelo Porto

de Paranaguá. “O Brasil é o

maior produtor mundial de açúcar

e responde por 50% do que

é comercializado em todo o

mundo, abastecendo mercados

como o Oriente Médio, Rússia

e China”, destacou.

Tranin participou do

evento de inauguração

do berço 201 e de

autorização dos

investimentos da Pasa

junto com o governador

Ratinho Júnior e outras

autoridades

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AÇÚCAR

“Então, isso é muito

significativo para o Paraná. Paranaguá

passa a ser um grande

porto, um grande terminal exportador

de açúcar e de outros

produtos também. E é um passo

muito grande não só para os

associados da Pasa, mas, também

para o porto como um todo”,

complementa Tranin.

O berço 201 foi modernizado e

o cais de atracação foi prolongado

em 100 metros. Os investimentos

da empresa pública

Portos do Paraná somam R$

201,7 milhões e vão aumentar

em 140% a capacidade atual de

movimentação de cargas naquele

berço.

Durante a solenidade, o governador

também assinou a contratação

das obras de derrocagem

do maciço rochoso conhecido

como Pedra da Palangana,

para aumentar a profundidade

do calado (canal de

acesso) ao porto de Paranaguá

em aproximadamente 1m20,

chegando a 14,60 metros, isso

equivale a aumentar em mais 7

mil toneladas de granéis ou 120

contêineres extras por navio.

As obras de ampliação do cais

de atracação permitirão que navios

com maior capacidade de

movimentação de cargas possam

atracar no porto, que comportem

até 80 mil toneladas de

carga bruta, na categoria Post

Panamax, de grande porte,

além de garantir maior segurança

na navegação, evitar acidentes

e aumentar a competitividade.

A previsão é que as

obras de derrocagem comecem

em até quatro meses. Serão

investidos pouco mais de

R$ 23,2 milhões para a realização

dos serviços.

O berço 201 recebeu, ainda,

nova estrutura eletromecânica,

incluindo dois novos shiploaders

(carregadores de navios)

de 2.000 toneladas/hora. Com

isso, a capacidade anual de

movimentação passará dos

atuais 2 milhões de toneladas

de grãos para 6 milhões de toneladas

de grãos por ano.

Ratinho Junior destacou que a

obra garante mais eficiência ao

Porto de Paranaguá, que mesmo

durante o auge da pandemia

quebrou recordes mensais

de movimentação. “O aumento

de capacidade é um ganho para

o porto, que tem crescido muito

e se consolida como um dos

mais eficientes do Brasil e atende

a forte produção do agronegócio

paranaense. A produção

tem crescido muito no interior

do Estado. Não é a toa que o

Brasil tem se tornado o grande

produtor e exportador de alimentos”,

afirmou Ratinho Júnior.

A ideia, ressaltou o governador,

é fazer com que o Porto de Paranaguá,

que já é um dos maiores

terminais graneleiros da

América do Sul, tenha mais agilidade

e eficiência para a exportação

da produção paranaense.

“Junto a outros projetos de modernização,

como a expansão

do corredor exportação de

grãos, vamos ampliar a capacidade

dos próximos 30 anos,

para atender a demanda de

crescimento do agronegócio

brasileiro”, afirmou. Além do

Paraná, a obra beneficia a exportação

agrícola dos estados

do Mato Grosso do Sul, São

Paulo, Santa Catarina e também

do Paraguai.

O aumento de capacidade do

sistema significa mais competitividade

frente a outros portos,

explicou o diretor-presidente

da Portos do Paraná,

Luiz Fernando Garcia. “Investimentos

como a extensão do

berço, que amplia a capacidade

de carga, garantem que

as empresas que aqui operam

ganhem em qualidade e preço

competitivo”, disse, salientando

que a competição entre os

portos é muito forte. “Estamos

a 200 quilômetros dos portos

de Santa Catarina e a 400 quilômetros

de Santos. Se não for

mais competitivo operar por

A obra garante mais eficiência ao Porto de Paranaguá, que mesmo durante

o auge da pandemia quebrou recordes mensais de movimentação

Paranaguá, as empresas migram

para outros portos, por

isso é necessário investimento

constante”.

Para o secretário estadual da

Infraestrutura e Logística, Sandro

Alex, os investimentos no

porto fazem parte de um pacote

que atende os diferentes

ramais logísticos do Estado.

“O nosso compromisso para

manter a competitividade da

produção paranaense é fazer

com que as cargas cheguem

ao porto com custos reduzidos,

resultado de uma logística

eficiente em todos os níveis,

incluindo os ramais rodoviários

e ferroviário”, explicou o secretário,

destacando a ampliação

do Anel de Integração e do traçado

da Ferroeste, que serão

feitos nos próximos anos.

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CAPACITAÇÃO

Comitê de Segurança mantêm

agenda anual de palestras

As reuniões estão sendo realizadas por videoconferência, seguindo todos

os protocolos de segurança e de isolamento social por conta do Covid-19

Como ocorreu em todos

os segmentos, o

setor sucroenergético

também teve que se

adaptar a nova realidade criada

por conta da pandemia causada

pelo Covid-19. Buscando manter

sua agenda anual de reuniões

e cursos de capacitação

dos profissionais que atuam na

área de segurança do trabalho

nas indústrias sucroenergéticas

do Paraná, além da constante

atualização sobre as legislações

específicas e melhorias nas

condições de trabalho, produtividade

e segurança de toda

equipe, o Comitê de Segurança,

Saúde no Trabalho e Meio Ambiente,

da Alcopar, decidiu realizar

sua programação de palestras

técnicas este ano via online,

segundo Lorivaldo Cardoso

Dionísio, coordenador do Comitê

e engenheiro de segurança

do Trabalho da Coopcana, de

São Carlos do Ivaí.

Durante o segundo semestre,

todas as palestras estão sendo

apresentadas mensalmente por

videoconferência, das 9h ás

10h, com inscrições no e-mail

alcopar@alcopar.org.br. Após a

apresentação do profissional

convidado, é aberto espaço

para as perguntas e discussões,

com grande participação dos

profissionais das usinas e destilarias

paranaenses.

“O Comitê de Segurança, Saúde

no Trabalho e Meio Ambiente da

Alcopar sempre foi bastante

atuante nos 12 anos de trabalho

em que o Wesley Martins de

Lima, engenheiro de Segurança

do Trabalho da Cooperval, de

Jandaia do Sul, esteve na coordenação,

e procuramos manter

o mesmo ritmo, mesmo com os

desafios deste ano, seguindo

todos os protocolos de segurança

e de isolamento social”,

afirma Lorivaldo.

No dia 14 de julho o engenheiro

Civil e de Segurança Altair Ferri

falou sobre os projetos de sistema

de combate a incêndio

aplicado ao setor sucroalcooleiro.

No dia 11 de agosto a palestra

foi sobre o E-social /

Aposentadoria Especial, com o

consultor Waldomiro Baddini. E

no dia 8 de setembro o tema

abordado foi Atualização NR-12

Segurança no Trabalho em Máquinas

e Equipamentos para o

Setor Sucroalcooleiro, com os

engenheiros Carlos Eduardo

Sanches e Djalma Lucio Miranda

dos Santos.

Para o próximo dia 13 de outubro

está programada a palestra

sobre Gerenciamento de riscos

ocupacionais NR 01, com o

engenheiro de segurança Petrus

Falcão e para o dia 10 de

novembro, o palestrante será

Paulo Sérgio Barbosa, que falará

sobre os reflexos da atualização

das Normas de Procedimentos

Técnico-NPT aplicáveis

para o setor sucroalcooleiro.

O Comitê SSMA ainda programou

para dezembro, dia 8,

mais uma palestra, só que presencial,

com a engenheira de

segurança Marcelly Araujo,

abordando o tema: Treinamento

de Cultura de Segurança.

É importante fazer o

agendamento prévio porque as

vagas são limitadas. “Estamos

nos preparando, buscando

cumprir com todos os protocolos

de segurança e isolamento

social, por conta do

novo coronavírus, garantindo a

segurança de todos”, afirma

Lorivaldo. Também já começa

a ser discutida a agenda de palestras

para o primeiro semestre

de 2021, com sugestões de

temas e palestrantes a serem

convidados.

O Comitê de Segurança,

Saúde no Trabalho e

Meio Ambiente da Alcopar

sempre foi bastante

atuante nos mais de

12 anos de trabalho

e todos os eventos

sempre contaram com

grande participação

(Foto tirada antes

da pândemia)

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CONSCIENTIZAÇÃO

Outubro Rosa atinge objetivos na Cooperval

A cooperativa apoia essa causa e promove ações para facilitar às suas

colaboradoras o acesso aos exames como mamografia e o papanicolau

Omês de outubro é

marcado por ações

afirmativas relacionadas

à prevenção e

diagnóstico precoce do câncer

de mama e de colo do útero.

O movimento, conhecido como

Outubro Rosa, é uma

campanha anual de conscientização

realizada mundialmente

que tem como objetivo

principal alertar as mulheres e

a sociedade sobre a importância

da prevenção e do diagnóstico

precoce do câncer de

mama, e mais recentemente,

sobre o câncer de colo do

útero. Também visa compartilhar

informações, proporcionar

maior acesso aos serviços

de diagnóstico e de tratamento,

contribuindo para a redução

da mortalidade.

Há anos a Usina Cooperval,

de Jandaia do Sul, apoia essa

causa e promove ações para

facilitar às suas colaboradoras

o acesso aos exames como

mamografia e o papanicolau.

Esse ano, em parceria com o

Sesi, aproximadamente 60

mulheres foram atendidas na

unidade móvel que foi deslocada

para a usina e foram realizados

os exames conforme

indicação por faixa etária, atingindo

as metas propostas.

Para motivar um maior envolvimento

das mulheres, foram

realizados sorteios de brindes

entre as participantes e também

foi disponibilizado um

delicioso lanche para propiciar

um ambiente de descontração.

O incentivo para que as mulheres

realizem seus exames

é fundamental para a prevenção,

visto que a mamografia

é o principal método para o

rastreamento da doença, que

nos estágios iniciais é assintomática,

além do que, diagnosticar

o câncer precocemente

aumenta significantemente

as chances de cura, já

que 95% dos casos identificados

em estágio inicial têm

possibilidade de cura.

O câncer de mama é um tumor

maligno que ataca o tecido

mamário e é um dos tipos

mais comuns, segundo o

Instituto Nacional do Câncer –

INCA. Ele se desenvolve quando

ocorre uma alteração de

apenas alguns trechos das

moléculas de DNA, causando

uma multiplicação das células

anormais que geram o cisto.

De acordo com a Sociedade

Brasileira de Mastologia

(SBM) o número de mulheres

que realizam os exames necessários

é bem inferior ao

que deveria fazer e isso é um

fator de risco para milhares

de mulheres e um alerta para

a importância da campanha.

O Outubro Rosa foi criado no

início da década de 1990 pela

Fundação Susan G. Komen

for the Cure, nos Estados Unidos,

para arrecadar fundos

para a pesquisa e hoje se espalhou

para o resto do mundo.

A primeira ação no Brasil

aconteceu em 2002, no parque

Ibirapuera, em São Paulo.

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DIA DA ÁRVORE

Cooperval comemora data

com plantio de mudas

A revitalização de áreas de preservação ambiental contou com a parceria dos

municípios de Bom Sucesso e Marumbi e do Instituto Ambiental do Paraná- IAP

Em comemoração ao

dia da árvore, a Cooperval,

em parceria

com os municípios de

Bom Sucesso e Marumbi e

também com o Instituto Ambiental

do Paraná- IAP, promoveu

um evento comemorativo,

marcando a data com o plantio

de mudas de árvores nativas

nesses municípios.

Há aproximadamente 15 anos

a Cooperval iniciou esse projeto

ambiental que consiste no

reflorestamento e na revitalização

de áreas de preservação

ambiental, como rios, nascentes

entre outros, além da arborização

de vários espaços.

Neste ano, por conta das restrições

impostas devido a

pandemia do novo coronavírus,

a ação contou com a participação

de um número

reduzido de voluntários entre

colaboradores da usina, funcionários

públicos dos municípios

e pessoas da comunidade

que se dispuseram a

cuidar do meio ambiente.

Dentre os participantes estavam

o vice-presidente, Marcio

Fantin e o presidente da Cooperval,

Fernando Nardine.

O evento comemorativo mostra

a preocupação da cooperativa

em desenvolver ações

para manter o equilíbrio de

suas atividades e o meio ambiente,

visando sempre um

desenvolvimento sustentável.

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CANA-DE-AÇÚCAR

Mecanização da colheita

avança e supera os 80% no PR

A meta prevista no decreto estadual era que 60% das lavouras

de cana no Estado já estivessem mecanizadas este ano

Amecanização da colheita

de cana-deaçúcar

avança no Paraná

mais rápido do

que o esperado. A meta prevista

para 2020 no decreto estadual

10068/14, editado em

6 de fevereiro de 2014, era

que 60% das lavouras de cana

no Estado já estivessem mecanizadas

este ano. O percentual,

entretanto, já ultrapassa

os 80% das lavouras colhidas

sem queima, afirma Miguel

Tranin, presidente da Alcopar.

A chamada despalha - eliminação,

pelo fogo, da quantidade

natural de palha que

reveste as plantas – é praticada

para facilitar o corte manual.

Os três grandes grupos sucroenergéticos

no Estado: a Usina

Santa Terezinha, que tem

10 unidades no Paraná e um

greenfield no Mato Grosso, a

Usina Alto Alegre, que possui

três unidades no Paraná e uma

em São Paulo, e a Usina Melhoramentos,

que conta com

duas unidades no Estado, já

não efetuam mais queimadas

para facilitar o corte da cana,

tendo mecanizado toda a colheita,

sem contar a forte mecanização

ocorrida nas demais

unidades industriais do

setor sucroenergético paranaense,

comenta Tranin.

O decreto estabeleceu prazos

e procedimentos para a adequação

ambiental das usinas,

por conta do relevo mais acidentado

e o grande número de

pequenas propriedades característicos

do Paraná, que dificultariam

a substituição do

corte manual para o corte mecanizado

da cana. Foi fixado

um cronograma para o término

gradativo da queima

controlada da cana, fazendo

com que o cortador de cana

fosse uma categoria com data

para expirar no Paraná.

O prazo para que todas as lavouras

mecanizáveis de canade-açúcar

no Estado sejam

colhidas de forma mecanizada,

sem queima, é 2025, e

em 2030, as não-mecanizáveis.

Mas, as usinas paranaenses

tendem a atingir a meta

antes do prazo estabelecido

pela resolução do Instituto

Ambiental do Paraná, acredita

o presidente da Alcopar.

A redução da oferta de mãode-obra,

observada nos últimos

anos em praticamente

todas as atividades rurais no

Paraná, impulsionou a colheita

mecanizada de cana-de-açúcar,

já que as usinas iam, cada

vez mais longe, buscar os trabalhadores.

Quando o decreto

foi editado, Tranin conta que o

setor empregava cerca de 80

mil trabalhadores no corte da

cana e nas indústrias sucroenergéticas.

Atualmente, esse

número não chega a 30 mil.

Mesmo diante da crescente

escassez de trabalhadores

para o corte da cana, Tranin

diz que o prazo foi necessário,

também, para que houvesse a

substituição gradativa desse

pessoal, evitando maiores problemas

sociais. Ele conta que

foi feito pelas usinas um

amplo trabalho de treinamento

e capacitação para realocar os

cortadores de cana para atuarem

na operação de tratores,

colheitadeiras e demais equipamentos,

além de preparar

os interessados, para trabalharem

em outros segmentos rurais

ou em outras atividades,

no interior das indústrias.

“Como reflexo disso, atualmente

já é comum encontrar

ex-cortadores trabalhando – e

construindo uma carreira profissional

– nos mais diferentes

setores das indústrias bioenergéticas”,

conta Tranin.

Os problemas registrados neste

ano com queimadas em lavouras

de cana-de-açúcar, de

forma acidental ou criminosa,

que têm preocupado em todo

o Centro-Sul, ocorreram em

uma escala menor no Paraná,

mas também preocupam, porque

significam prejuízos para

as usinas, ao meio ambiente e

as comunidades. Como na

maioria dos pequenos municípios

onde as usinas atuam,

estes sequer possuem corpo

de bombeiros, as brigadas de

incêndios das usinas é que assumem

a função, de forma voluntária,

controlando os incêndios

não só nos canaviais,

mas também em pastos, demais

lavouras e áreas florestais,

comuns no período por

conta da estiagem. De acordo

com a entidade, a cana está

presente na economia de

cerca de 140 municípios paranaenses.

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DOIS

PONTOS

Dados publicados pela Agência

Nacional do Petróleo, Gás

Natural e Biocombustíveis

apontam que, de janeiro a

agosto de 2020, o consumo

de combustíveis do ciclo Otto

somou 30,8 bilhões de litros,

uma retração de 12,3% em

Consumo

Etanol

Doação

relação ao total registrado em

igual período de 2019. A participação

do etanol no volume

total consumido pela frota de

veículos leves atingiu 47%, o

segundo maior índice observado

em toda a série histórica

nesse período.

Nos estados de Mato Grosso,

Goiás e São Paulo, o uso do

etanol indica resultados ainda

mais expressivos, representando

cerca de dois terços do

consumo de combustíveis,

com 67,9%, 62,2% e 63,6%,

respectivamente. Em Minas

Gerais e Paraná, o etanol atendeu

53,8% e 47,2% da demanda

do ciclo Otto respectivamente.

Apesar das quedas

contabilizadas por conta da

pandemia, o consumo de

combustíveis vem se reestabelecendo

e a elevada competitividade

do etanol nos principais

centros consumidores frente

seu concorrente fóssil tem impulsionado

as vendas.

A Unica, por meio de suas associadas,

fará a doação de

332 mil litros de álcool 70%

para uso durante as eleições

deste ano, em uma parceria

com o Tribunal Superior Eleitoral

(TSE). O insumo tem como

destino a fabricação de álcool

em gel para eleitores e a desinfecção

de superfícies. O

montante se soma ao que será

doado por outras empresas,

como a Raízen e a Companhia

Nacional de Álcool (CNA), a

fim de atender a demanda de

todas as zonas eleitorais do

país nos dias 15 e 29 de novembro,

quando serão realizados

o 1º e o 2º turnos das eleições,

respectivamente.

O Brasil tem batido recordes de

calor, segundo o Instituto Nacional

de Meteorologia (Inmet).

O principal motivo do calor

neste início de primavera é o

que os meteorologistas chamam

de bloqueio atmosférico

— quando ventos fortes nas

camadas mais altas da atmosfera

impedem frentes frias e a

umidade que estão chegando

no sul do país de irem até o

sudeste e o centro-oeste e faz

O clima seco, altas temperaturas

e incêndios ameaçam reduzir

a safra do próximo ano

no Brasil, afetando o desenvolvimento

da cana e podendo reduzir

a produção de açúcar e

etanol. As áreas de cultivo dos

estados de São Paulo, Minas

Gerais, Goiás e Mato Grosso

do Sul registraram apenas de

5% a 25% das chuvas normais

nos últimos meses, o que deixou

as lavouras extremamente

secas. O fenômeno climático

La Niña, que historicamente

traz clima seco para o Centro-

A produção de etanol de milho

quase dobrou este ano em relação

a 2019. As destilarias do

Mato Grosso e Goiás saíram

A Unica lançou o Observatório

da Cana, maior base de dados

do setor sucroenergético, que

reúne números, informações e

estudos fornecidos pela Única

(acompanhamento de safra,

relatórios de importação, exportação,

preço e consumo),

o Centro de Tecnologia Canavieira

(compartilhará a base de

Calor

com que haja uma persistência

de uma massa de ar seco

sobre essas regiões. Este ano

só choveu 20% da média para

essa época. Primaveras mais

quentes não necessariamente

significam que este ano teremos

um verão com recorde de

calor no sudeste e centrooeste,

explicam os meteorologistas,

porque até o início do

verão o bloqueio atmosférico

que mantém essa massa de ar

Cana

Etanol de milho

com 1,01 bilhão até 16 de setembro,

acréscimo de 94,5%,

e devem ampliar ainda mais,

uma vez que as entregas do

Observatório da Cana

seco sobre as regiões vai ter se

desfeito.

Sul do Brasil, pode prolongar

ainda mais a seca e ameaçar a

colheita que começa em abril.

O desenvolvimento das lavouras

está travado de uma maneira

geral na maioria das regiões

produtoras do Sudeste,

sob ameaça suplementar

das pragas. Cultura resistente,

que deslancha rápida dependendo

de chuvas regulares de

primavera-verão e dias mais

longos de insolação, a cana

tem boa capacidade de recuperação

fisiológica, mas está

no limite.

milho de segunda safra ainda

estão acontecendo. Novas unidades

e upgrade nas existentes

são os motivos.

dados da área agrícola), o

Conselho de Produtores de

Cana-de-açúcar, Açúcar e Etanol

do Estado de São Paulo -

Consecana-SP (fornecerá informações

agregadas sobre a

qualidade da matéria-prima), o

Cepea-Esalq/USP (entra com

os preços de venda dos produtores)

e o Laboratório de Análise

de Dados (auxiliará com

análises e interpretações dos

dados) . A iniciativa visa apresentar

a produtores rurais, indústria,

poder público, imprensa,

academia, fornecedores

e outros stakeholders um

panorama geral sobre o setor

sucroenergético em um único

local.

Jornal Paraná

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