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*Outubro/2020 Revista Biomais 41

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Entrevista: Bioeconomia será fundamental para recuperação econômica

9 7 72359 4 58 1 08 0 0 0 4 1

COGERAÇÃO:

O FUTURO DA

ENERGIA

SISTEMAS DE CALDEIRAS

IMPULSIONAM O SETOR

ECONOMIA VERDE

BIOCOMBUSTÍVEIS

RENOVÁVEIS GERAM

EMPREGOS

ALGAS SUBSTITUEM PETRÓLEO


SUMÁRIO

06 | EDITORIAL

Fluxo criativo

08 | CARTAS

10 | NOTAS

15 | INFORME

16 | ENTREVISTA

20 | PRINCIPAL

26| PELO MUNDO

Sydney sustentável

30 | SUSTENTABILIDADE

Parceria energética

34| ECONOMIA

Pós-pandemia com

economia verde

38| CASE

42 | ARTIGO

48 | AGENDA

50| OPINIÃO

O mundo encantado da

sustentabilidade empresarial

04 www.REVISTABIOMAIS.com.br


EDITORIAL

A capa desta edição é alusiva aos

equipamentos oferecidos pela

Engecass

FLUXO

CRIATIVO

A

A COPEL (Companhia Paranaense de Energia) assinou um termo de cooperação com o instituto

de ciência e tecnologia CIBiogás para o desenvolvimento de estratégias de atuação e modelos

de negócios utilizando como fonte o gás gerado por resíduos da agroindústria. Contamos esta

história nas próximas páginas da REVISTA BIOMAIS para inspirar: é mais um exemplo de que

empresas, órgãos e entidades públicas, são capazes de pensar fora da caixa e buscar soluções para a sociedade.

Além disso, o Leitor encontrará reportagem sobre como a adoção de opções de economia verde

específicas para determinados setores produtivos no período pós-pandemia da Covid-19 pode acrescentar

à economia brasileira e uma entrevista com o professor e pesquisador José Vitor Bomtempo, da UFRJ

(Universidade Federal do Rio de Janeiro), que criou no Brasil o Grupo de Estudos em Bioeconomia. Tenha

uma excelente leitura!

EXPEDIENTE

ANO VII - EDIÇÃO 41 - OUTUBRO 2020

Diretor Comercial

Fábio Alexandre Machado

(fabiomachado@revistabiomais.com.br)

Diretor Executivo

Pedro Bartoski Jr

(bartoski@revistabiomais.com.br)

Redação

Murilo Basso

(jornalismo@revistabiomais.com.br)

Dep. de Criação

Fabiana Tokarski - Supervisão

Crislaine Briatori Ferreira

(criacao@revistareferencia.com.br)

Representante Comercial

Dash7 Comunicação - Joseane Cristina Knop

Dep. Comercial

Gerson Penkal, Jéssika Ferreira,

Tainá Carolina Brandão (comercial@revistabiomais.com.br)

Fone: +55 (41) 3333-1023

Dep. de Assinaturas

Cristiane Baduy, Simone D'ávila

(assinatura@revistabiomais.com.br)

0800 600 2038

ASSINATURAS

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A REVISTA BIOMAIS é uma publicação da

JOTA Editora - Rua Maranhão, 502 - Água Verde -

Cep: 80610-000 - Curitiba (PR) - Brasil

Fone/Fax: +55 (41) 3333-1023

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Veículo filiado a:

A REVISTA BIOMAIS - é uma publicação bimestral e independente, dirigida aos

produtores e consumidores de energias limpas e alternativas, produtores de resíduos

para geração e cogeração de energia, instituições de pesquisa, estudantes universitários,

órgãos governamentais, ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/

ou indiretamente ligados ao segmento. A REVISTA BIOMAIS não se responsabiliza por

conceitos emitidos em matérias, artigos, anúncios ou colunas assinadas, por entender

serem estes materiais de responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução,

apropriação, armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos

textos, fotos e outras criações intelectuais da REVISTA BIOMAIS são terminantemente

proibídas sem autorização escrita dos titulares dos direitos autorais, exceto para fins

didáticos.

REVISTA BIOMAIS is a bimonthly and independent publication, directed at clean alternative

energy producers and consumers, producers of residues used for energy generation and

cogeneration, research institutions, university students, governmental agencies, NGO’s, class

and other entities, directly and/or indirectly linked to the Segment. REVISTA BIOMAIS does

not hold itself responsible for concepts contained in materials, articles, ads or columns signed

by others; these are the responsibility of their authors. The use, reproduction, appropriation,

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authorial rights, except for educational purposes.

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CARTAS

INOVAÇÃO

Ótimo case do protótipo desenvolvido pela UFPB (Universidade Federal da Paraíba) que

transforma energia eólica e fotovoltaica em elétrica para iluminação. São essas iniciativas que

precisamos em nossas universidades!

Alan Tavares – João Pessoa (PB)

Foto: divulgação

CRESCIMENTO

Não é mais novidade o crescimento do setor de biomassa no Brasil! E isso só é possível graças a iniciativas como da Revista

BIOMAIS, que acompanha sempre atenta nosso setor!

Elias Figueira – Florianópolis (SC)

PONTO DE VISTA

A editoria Opinião traz um balanço ideal para a Revista, sempre com artigos conectados com temas de interesse do

setor - mesmo que não abordem diretamente energias renováveis. Parabéns pela seleção.

Heloísa Kruger – Curitiba (PR)

ALTERNATIVA

Excelente reportagem sobre como a energia solar gera economia nas contas de luz e

oportunidades de empregos. Parabéns!

Amauri Balan – Guarapuava (PR)

Foto: divulgação

REVISTA

na

mídia

informação

biomassa

energia

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Publicações Técnicas da JOTA EDITORA

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INDÚSTRIA DE GERADORES DE CALOR LTDA.

O QUE É UM DEFAGULHADOR

E UM REDEMUNHADOR

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SAIU NA FRENTE E JÁ INSTALOU

NO MERCADO MAIS DE 10 UNIDADES

Equipamentos complementares da fornalha, instalados exatamente após a parte destinada à queima

da biomassa para formação dos gases quentes.

Tem como função central fazer a retirada das partículas, oferecendo um gás mais limpo à secagem. O

defagulhador é caracterizado como uma câmara primária de partículas responsável pela decantação

dos particulados.

Por definição, o defagulhador, é câmara revestida com manta e massa alta temperatura, onde ocorre

a decantação primária das partículas maiores e serve para fazer a mistura de ar inicial.

Já o sistema de filtragem redemunhadores são filtros ciclônicos axiais em que os gases fluem no

sentido da tubulação, com o material sólido sendo separado pelos ciclones num movimento

tangencial e as fagulhas caem pela tremonha de descarga, ou seja é o responsável por realizar a

filtragem propriamente dita, tendo a função de entregar os gases quentes de melhor qualidade

dentro do secador.

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NOTAS

CRESCIMENTO EM

PLENA PANDEMIA

A produção de energia solar no Rio Grande do Sul

disparou durante a pandemia da Covid-19. De março

a agosto de 2020, a capacidade instalada no estado foi

de 299,6 MW (Megawatts) para 424,9 MW, aumento

de 125 MW - 41,8%. O Rio Grande do Sul responde por

13% da geração desse tipo de energia no Brasil, segundo

a ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar

Fotovoltaica). Exatas 493 cidades do Estado contam com

ao menos um sistema solar fotovoltaico, e mais de 40

mil consumidores gaúchos geram ou recebem energia

solar. Importante salientar que além do aspecto ligado

à sustentabilidade, o crescimento da adoção de energia

solar também impulsiona a economia. “Só nesse setor a

gente gera mais de 12 mil empregos, mas tem uma outra

questão que é muito importante levar em consideração:

quando o consumidor deixa de pagar um determinado

valor na fatura de energia para a distribuidora, esse

recurso passa a circular na economia local”, enaltece à

imprensa, Mara Schwengber, coordenadora da ABSOLAR

no Rio Grande do Sul.

Foto: divulgação

DATASEBRAE BIOGÁS

Com o objetivo de reunir informações essenciais e soluções

para o desenvolvimento, difusão e aplicações da bioenergia no

Brasil e transformar a matriz energética nacional, foi lançado,

em meados de setembro, o DataSebrae Biogás. Trata-se de

ferramenta desenvolvida por meio de parceria entre o Sebrae

e o projeto GEF Biogás Brasil, liderado pelo MCTI (Ministério da

Ciência, Tecnologia e Inovações) e implementado pela UNIDO

(Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento

Industrial). “Essa é uma medida objetiva e revestida de grande

importância. Por meio do uso do biogás na geração de energia

ou de fonte combustível, é possível ter energia a custo baixo e

de forma altamente sustentável. Entretanto, muitos empreendimentos

não faziam uso dessa alternativa por não terem um

nível adequado de informação. O DataSebrae Biogás permitirá

que as empresas tenham dados, busquem parceiros aliados

à tecnologia e equipamentos para a autogeração do biogás”,

disse Bruno Quick, diretor técnico do Sebrae.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

MAIS EMPREGOS

A Aeris Energy, fabricante brasileira de pás eólicas, está ampliando

seu portfólio no estado do Ceará, no nordeste brasileiro. A empresa

inaugurou uma nova fábrica localizada a aproximadamente 15

quilômetros do Porto do Pecém. Batizada de Aeris Pecém II, a unidade

vai ser responsável pela criação de 700 novas vagas de emprego até

dezembro deste ano. A nova fábrica fica em uma localização estratégica

para a logística de recebimento de matéria-prima e exportação das

pás eólicas. Em 2019, a empresa, junto ao Porto de Pecém, transportou

cerca de duas mil pás. O número é três vezes maior do que a

movimentação registrada em 2018, quando foram embarcadas 683

pás para parques de energia eólica espalhados pelo mundo.

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SENTINDO NO BOLSO

Para 84% dos brasileiros entrevistados pelo IBOPE e

pela ABRACEEL (Associação Brasileira dos Comercializadores

de Energia) a energia elétrica é cara

ou muito cara. Para a ABRACEEL, o valor

pago pelos consumidores tem se tornado

mais evidente nas despesas

das famílias, já que as pessoas

que consideravam o serviço caro

ou muito caro no ano de 2014

– primeiro de realização da

pesquisa – chegavam a

67%. O percentual atingiu

a maior marca em 2014

(88%) e no ano passado

(87%).

Foto: divulgação

Foto: divulgação

CAPTAÇÃO

Em setembro, o BNDES (Banco Nacional de

Desenvolvimento Econômico e Social) captou

US$ 100 milhões com o Banco Japonês para

a Cooperação Internacional, o Japan Bank

for International Cooperation. Os recursos

vão permitir alavancar o apoio a 12 parques

eólicos nos Estados da Bahia e Pernambuco,

com capacidade instalada total de 331,85 MW

(Megawatts) e investimentos que ultrapassam

R$ 2 bilhões. A estimativa é que mais de 737

mil domicílios brasileiros sejam atendidos com

o fornecimento de energia limpa e renovável

gerada pelos projetos. “Com esta operação,

o BNDES dá continuidade à sua estratégia de

diversificação de fontes de financiamento e

de atrair recursos que promovam projetos

sustentáveis no Brasil”, enaltece a diretora

de Finanças da instituição, Bianca Nasser. Os

recursos da operação foram desembolsados

em uma única parcela e são originários de

contrato de empréstimo externo, com prazo

de 12 anos, cofinanciado pelo Mizuho Bank Ltd

e pelo The Bank of Saga Ltd.

RENOVÁVEIS TRIPLICADAS

Em apresentação sobre iniciativas ESG, a multinacional japonesa Sony

anunciou que vai triplicar o uso de energia renovável nos negócios em

cinco anos. Isso significa que até a metade desta década, ao menos 15% da

eletricidade utilizada pela companhia virá de fontes renováveis. A fabricante

também anunciou a criação de um fundo de capital de risco que vai investir

US$ 9,4 milhões em startups de tecnologia ambiental. As ações fazem parte

de uma iniciativa verde da companhia com duração de cinco anos e que

começará no ano fiscal de 2021. ESG é a sigla para Environmental, Social and

corporate Governance, que em português significa Governança Ambiental,

Social e Corporativa e refere-se aos três fatores centrais na medição da

sustentabilidade e do impacto social de um investimento em uma empresa

ou negócio. Esses critérios ajudam a determinar melhor o desempenho

financeiro futuro das companhias.

Foto: divulgação

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

11


NOTAS

BOA AÇÃO

A Remanso da Pedreira, entidade que atende crianças em situação de vulnerabilidade

na região de Pato Branco (PR), vai receber um gerador de energia

fotovoltaica da Renovigi Energia Solar, empresa especializada em painéis

solares e inversores. A instituição recebeu o maior número de indicações em

uma postagem feita no Instagram da fabricante, que realiza um projeto para

viabilizar a doação de equipamentos para entidades sociais de todo o país. O

projeto Energia do Bem foi criado pela Renovigi em 2018, com o objetivo de

doar sistemas fotovoltaicos a entidades brasileiras sem fins lucrativos. No ano

passado, 100 entidades foram beneficiadas com sistemas de energia solar. A

empresa também incentiva sua rede de credenciados a participar da ação e

se responsabiliza em realizar as instalações dos sistemas sem custo nenhum.

Para a Remanso da Pedreira, que promove oficinas e atividades artísticas,

esportivas e de saúde para várias crianças, o gerador deverá contribuir para a

redução dos custos com energia elétrica por parte da entidade.

Foto: divulgação

FONTES SOLAR,

EÓLICA E BIOMASSA

REFORÇADAS

Para o secretário do Meio Ambiente da

Bahia, João Carlos Oliveira da Silva, o momento

de crise pelo qual o Brasil passa, causado pela

pandemia do novo coronavírus, representa

uma oportunidade para ampliar o debate

sobre as perspectivas para energias renováveis

para o Brasil e para seu estado. A afirmação foi

feita durante o webinário “Meio Ambiente e

Energias Renováveis: Novas Perspectivas”, realizado

pela SEMA (Secretaria do Meio Ambiente

do Estado da Bahia) e pelo INEMA (Instituto do

Meio Ambiente e Recursos Hídricos). Para Silva,

a Bahia tem potencial e precisa incorporar novas

tecnologias à matriz energética do estado,

com a produção de uma energia limpa, sustentável

do ponto de vista ambiental e alinhada

com o enfrentamento às mudanças climáticas.

A Bahia está entre os estados que mais

produzem energia solar no Brasil, mas também

possui potencial para a produção eólica e de

energia gerada a partir da biomassa.

CRESCIMENTO NO PARANÁ

A Gaslog, distribuidora especializada em GLP (Gás Liquefeito de Petróleo),

manteve em 2020 um projeto de crescimento e ampliação da sua atuação

no Paraná. Neste ano, a empresa investiu R$ 2,3 milhões em operações

no estado, que divide suas atenções junto com Santa Catarina. Desse total,

R$ 1,2 milhão foi dedicado ao aporte de tanques e novos equipamentos;

R$ 700 mil na ampliação da frota de veículos; e R$ 300 mil na nova base

de operações, em Balsa Nova. “Esse movimento reforça o posicionamento

da Gaslog, que

é buscar sempre

maior qualidade na

aprovação dos seus

clientes. Atualmente,

de acordo com

um levantamento

interno, atingimos

90% em aprovação”,

afirma Wolney

Pereira, CEO da

Gaslog.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

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NOTAS

RETOMADA

CONSOLIDADA

A CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica)

informou que na primeira quinzena de setembro o

consumo de energia no Brasil apresentou alta de 2,5% em

comparação ao mesmo período de 2019. De acordo com

o órgão, o dado consolida a tendência de retomada das

atividades econômicas no país. Se entre os dias 1° e 15

de setembro de 2020 o volume de energia consumido foi

de 63,6 mil mw médios, no ano anterior o valor verificado

foi de 62,1 mil MW (Megawatts). Também foi constatado

que a geração de energia no SIN (Sistema Interligado

Nacional) avançou 3,4% na primeira metade de setembro

em relação ao mesmo mês do ano passado, indo de 64,4

mil MW médios para 66,6 mil MW médios. Destaque para

a produção das usinas hidráulicas, eólicas e fotovoltaicas,

que avançaram 16,7%, 12,6% e 24,2%, respectivamente.

Foto: divulgação

MARCO REGULATÓRIO

No começo de setembro, o Plenário da Câmara dos Deputados

aprovou o PL (Projeto de Lei) número 6.407/2013, na

forma do substitutivo que havia sido aprovado na Comissão de

Minas e Energia em outubro de 2019. A maioria foi expressiva.

O texto aprovado ficou conhecido como Nova Lei do Gás, já que

estabelece um novo marco para o setor de gás natural, e ainda

precisa ser aprovado no Senado para começar a valer. Para os

parlamentares brasileiros, o texto facilita a entrada de novos

agentes no mercado. Além disso, confere segurança jurídica

para a quebra de monopólio da Petrobras, o que deve baratear

o gás natural. A estimativa da CNI (Confederação Nacional da

Indústria) é de que, com a aprovação do projeto, haja incremento

de R$ 60 bilhões ao ano em investimentos, mais a geração de

4,3 milhões de vagas de emprego nos próximos anos.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

REFLORESTAMENTO

Em agosto, uma equipe do RURALTINS (Instituto de Desenvolvimento

Rural do Tocantins) percorreu os municípios de Lagoa da Confusão, Caseara,

Marianópolis e Pium a fim de coletar sementes nativas visando a implementação

dos projetos Restaura (TO) e da Missão Burle Marx - Coleta de Germoplasma

Vegetal Nativo do Tocantins. As coletas foram feitas em áreas de

cerrado, floresta, pastagens e na zona urbana desses municípios, onde foram

coletadas cerca de 20 mil sementes das seguintes espécies: Jatobá-da-mata,

Cabeça-da-arara, Ipê-roxo, Cinzeiro, Garroteiro, Cajuzinho-do-cerrado, Mutamba,

Mirindiba, Folha-seca e Jatobá-de-areia. As sementes serão destinadas

à produção de mudas, semeadura direta em áreas degradadas, instalação de

módulos produtivos de recuperação e doação para produtores rurais.

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INFORME

Crescimento renovável

Setor de combustíveis renováveis investe em

soluções para transporte de biomassa

Fotos: divulgação

Grande parte dos maiores players nos setores de produção

de etanol do mundo continuam buscando expandir suas

operações, sempre com foco na sustentabilidade e na

qualidade de toda a cadeia produtiva. Com esse objetivo,

empresas do setor têm investido na modernização do

transporte de biomassa, com a utilização de implementos

rodoviários com o sistema de Piso Móvel.

Como parte desse processo de atualização para a safra de

2020, os implementos da USICAMP e os Sistemas de Piso

Móvel da HALLCO estão oferecendo soluções importantes

para o segmento. A escolha por essas duas empresas de

transporte de biomassa reforça a confiança do mercado no

atendimento qualificado das companhias, ou seja, unidades

de produção de açúcar, etanol e bioenergia, além de

milhares de hectares de área agrícola cultivada. Para a safra

de 2020, as empresas terão novas tecnologias para o

deslocamento e descarga de biomassa.

ESCOLHA CERTA

Um de seus maiores operadores logísticos no segmento

de biomassa, a LC Castro Coelho Transporte atesta a

escolha da parceria comercial por já trabalhar com a

estrutura de pisos móveis da HALLCO, com o sistema

hidráulico da Binotto e com os implementos da USICAMP. A

companhia, líder no transporte de biomassa no estado de

São Paulo e referência também neste mesmo segmento no

Mato Grosso, possui hoje 45 carretas de piso móvel que

também contam com os serviços e produtos da HALLCO e

USICAMP.

“O sistema hidráulico fornecido pela HALLCO conferiu

mais segurança e agilidade à nossa rotina de trabalho.

Antes, usávamos uma tampa lateral. A máquina realizava a

descarga e o processo demorava de 40 a 50 minutos. Hoje,

com os pisos da HALLCO, precisamos apertar apenas um

botão e o material todo é descarregado em menos de 15

minutos”, explica Cristiano Coelho, proprietário da LC

Castro Coelho. Coelho também destaca a importância da

BINOTTO, fornecedora dos kits hidráulicos que têm como

uma de suas principais características a durabilidade dos

componentes, e da USICAMP, responsável pela fabricação

do equipamento de semirreboque, que dispõe da melhor

estrutura para a operação.

“Temos uma verdadeira junção de habilidades. Já trabalhamos

com várias empresas, mas depois de um tempo

sempre surgia algum problema. Agora, temos um conjunto

e serviço de excelência”, diz o empresário. Outra vantagem

a ser salientada é a expertise da HALLCO no fornecimento

do sistema de pisos móveis para o transporte de biomassa.

Já sobre o pós-venda da HALLCO, BINOTTO e USICAMP,

Coelho é só elogios. Segundo ele, o atendimento ao

consumidor está disponível 24 horas por dia. “Além disso,

nossos parceiros possuem equipes de engenharia praticamente

dentro da empresa, acompanhando o cotidiano dos

motoristas sempre em busca de melhorias”, finaliza.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

15


ENTREVISTA

Foto: divulgação

ENTREVISTA

JOSÉ VITOR

BOMTEMPO

Formação: Doutor em Economia

Industrial pela École Nationale

Supérieure des Mines de Paris

Cargo: Professor da UFRJ (Universidade

Federal do Rio de Janeiro)

SUPORTE NA RECUPERAÇÃO

ECONÔMICA

D

ois anos depois da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento

Econômico) lançar mundialmente o termo bioeconomia, em meados de 2009, o

professor e pesquisador José Vitor Bomtempo, da UFRJ (Universidade Federal do

Rio de Janeiro), criou no Brasil o Grupo de Estudos em Bioeconomia. Segundo seus

pares na indústria e na academia, Bomtempo foi um dos primeiros especialistas a trabalhar

no Brasil com o conceito de bioeconomia, que tem como base o uso de recursos genéticos

da biodiversidade para criar produtos de alto valor agregado. Em entrevista, Bomtempo, que

também leciona no Instituto de Economia da UFRJ, destaca que a bioeconomia está se estruturando

no mundo todo e, com isso, o Brasil tem a oportunidade de ser um protagonista e não

um seguidor como foi em processos industriais anteriores, como o do setor automobilístico e

petroquímico. Confira:

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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PRINCIPAL

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COGERAÇÃO:

O FUTURO

DA ENERGIA

FOTOS DIVULGAÇÃO

CRESCIMENTO DE ALTERNATIVAS

SUSTENTÁVEIS NA GERAÇÃO DE

ENERGIA TEM SIDO OBSERVADO

NO BRASIL E NO MUNDO

A

ntes vista como um futuro distante a ser alcançado,

a cogeração de energia elétrica tem se popularizado

nas últimas duas décadas, com o desenvolvimento

do setor de biomassa e das demais

fontes renováveis de energia. Grandes empresas que buscam

se alinhar às novas tecnologias e tendências têm apostado

em sistemas de geração de calor e energia, que auxiliam em

diversos processos produtivos. O leque de potenciais clientes

é diverso, indo de grandes indústrias madeireiras até panificadoras,

academias, escolas e outros tipos de estabelecimentos

comerciais.

Trata-se de um mercado promissor. Estimativas da EPP

(Empresa de Pesquisa Energética), vinculada ao MME (Ministério

de Minas e Energia), apontam que a demanda por energia

no Brasil deve aumentar aproximadamente 35% nos próximos

anos. Em 2050, segundo o órgão, o consumo poderá

triplicar em relação aos números atuais. Com a alta demanda,

também devem ocorrer reflexos no preço no futuro, dizem

economistas especialistas no tema.

No caso da cogeração, como muitas indústrias e prédios

comerciais necessitam de calor (vapor ou água quente), foi

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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PELO MUNDO

SYDNEY

SUSTENTÁVEL

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CIDADE TROCOU A MATRIZ

ENERGÉTICA DE PROPRIEDADES

PÚBLICAS POR ENERGIA

SOLAR E EÓLICA

FOTOS DIVULGAÇÃO

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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PELO MUNDO

S

ydney, a maior cidade da Austrália, anunciou

recentemente que vai ser abastecida por energia

solar e eólica, vindas de um parque eólico -

Sapphire Wind Farm - e dois parques solares

- Bomen Solar Farm e Shoalhaven Solar Farm - localizados

em Nova Gales do Sul, estado onde está localizado o

município. A cidade trocou a matriz energética de diversas

propriedades públicas, como prédios, bibliotecas, salões

comunitários, edifícios de escritórios, parques, piscinas

e postes de iluminação. A sede da prefeitura também foi

abarcada pela iniciativa.

A decisão terá um forte impacto tanto econômico

quanto ambiental: serão economizados aproximadamente

US$ 500 mil, cerca de R$ 2,7 milhões na cotação atual,

e capturadas 200 mil t (toneladas) de emissões de gás

carbônico na atmosfera nos próximos 10 anos. Além disso,

a iniciativa vai ajudar a Austrália a atingir suas metas de

redução de poluentes. Também serão gerados empregos

nas regiões dos parques de energia sustentável.

“Estamos em meio a uma emergência climática, por

isso decidimos por essa troca emergencial. Se quisermos

reduzir as emissões de poluentes e aumentar o setor de

energia verde, todos os níveis do governo devem passar a

usar urgentemente a energia renovável”, afirmou a prefeita

de Sydney, Clover Moore, acrescentando que 70% das

emissões mundiais de gases poluentes são geradas nas

cidades. É necessária, portanto, uma análise crítica.

Iniciativa vai ajudar a

Austrália a atingir suas

metas de redução de

poluentes

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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SUSTENTABILIDADE

PARCERIA

ENERGÉTICA

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COPEL E CIBIOGÁS

FIRMAM PARCERIA

PARA GERAÇÃO DE

ENERGIA

FOTOS DIVULGAÇÃO

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SUSTENTABILIDADE

A

COPEL (Companhia Paranaense de Energia)

assinou recentemente um termo de

cooperação com o instituto de ciência e

tecnologia CIBiogás para o desenvolvimento

de estratégias de atuação e modelos de negócios

utilizando como fonte o gás gerado por resíduos

da agroindústria e outras atividades. A parceria faz

parte do Projeto GEF Biogás Brasil, implementado

pela UNIDO (Organização das Nações Unidas para

o Desenvolvimento Industrial) com o objetivo de

reduzir as emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa) e a

dependência de combustíveis fósseis, e terá validade

por três anos.

A inserção do Paraná neste movimento internacional

que reúne 183 países (o Global Environment

Facility - GEF) fortalece o protagonismo do estado nas

ações de exploração do biogás como fonte de energia.

De acordo com o superintendente de Gás, Biomassa

e Inovação da COPEL, Carlos Diego do Valle Pedroso,

a diversidade de plantas já instaladas e o trabalho

do CIBiogás, que tem a Copel como associada fundadora

e mantenedora, são fatores que impulsionam o

desenvolvimento de novos projetos para a geração de

eletricidade, com um horizonte de grande potencial

a ser explorado. Ele explica que os ganhos esperados

aliam cuidado com o meio ambiente e benefício econômico

para a cadeia produtiva.

“Além de contribuir diretamente para o meio

ambiente, reduzindo os gases do efeito estufa, os projetos

incentivados por esta rede de parcerias ajudarão

a fomentar uma indústria nacional, em uma área que

hoje tem muitos equipamentos importados”, diz.

BIOGÁS

O biogás é produzido pela digestão anaeróbia

(sem a presença de ar) de uma biomassa, que pode

ter origem bastante variada: cana-de-açúcar, resto de

alimentos, esterco, entre outros. Para o uso em motores

geradores de eletricidade, na maioria das vezes

é necessária apenas a retirada do gás sulfídrico, para

prevenir a corrosão dos equipamentos. Existe ainda a

possibilidade de filtragem de outros elementos, a fim

de obter o gás biometano, com no mínimo 90% de

metano, se tornando como gás natural e podendo ser

utilizado como combustível.

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ECONOMIA

PÓS-PANDEMIA

COM ECONOMIA

VERDE

BRASIL PODERIA SER

BENEFICIADO COM

DOIS MILHÕES DE

EMPREGOS ATÉ 2030

FOTOS DIVULGAÇÃO

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A

adoção de opções de economia verde específicas

para determinados setores produtivos

no período pós-pandemia da Covid-19 pode

acrescentar à economia brasileira R$ 2,8

trilhões, com a geração de dois milhões de empregos até

2030. A conclusão é apresentada no estudo “Uma Nova

Economia para uma Nova Era: Elementos para a Construção

de uma Economia Mais Eficiente e Resiliente para o

Brasil.” A pesquisa é liderada pela ONG (Organização não

Governamental) WRI Brasil e pela New Climate Economy e

assinada por pesquisadores de seis instituições nacionais.

O professor de Planejamento Energético do Instituto

Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia,

da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro),

André Lucena, disse que essas opções de economia verde

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35


ECONOMIA

têm vários co-benefícios econômicos que não são percebidos

diretamente, mas que existem.

Lucena exemplificou que medidas para aprimorar o

transporte público, que melhorem a qualidade do ar nas

cidades, seja pela substituição de combustíveis fósseis por

outros menos poluentes, significam menores gastos com

a saúde, maior produtividade dos trabalhadores e menos

tempo gasto em deslocamentos. “Isso tudo tem ganhos

econômicos.” Por meio da criação de diferentes modelos,

os pesquisadores puderam avaliar como custos associados

a problemas ambientais podem gerar ganhos econômicos.

A melhoria do transporte público poderia ser obtida

também por medidas transitórias, como os carros híbridos,

em que não há mudança de combustível, mas têm uma

autonomia bem maior, ou seja, uma eficiência energética

muito maior. “Reduz o consumo de combustíveis e, portanto,

a poluição associada”, compara Lucena.

VANTAGENS

André Lucena observou que o Brasil precisa usar vantagens

comparativas que possui, associadas a essas medidas

de economia verde, de curto, médio e longo prazos. “O

Brasil tem vantagens que podem ser utilizadas para tentar

melhorar a qualidade e a percepção de seus produtos no

mercado internacional, associadas, por exemplo, à baixa

intensidade de carbono da matriz elétrica brasileira.”

O aço nacional, por ter alguma participação de carvão

vegetal, tem conteúdo de emissões de carbono menor do

que países que produzem aço baseado em carvão mineral.

“Diante de uma ação coordenada global para reduzir

emissões, isso pode dar ao Brasil vantagens competitivas

a partir da menor intensidade de carbono. Isso precisa ser

explorado também”, sinalizou o professor. No caso do setor

de uso do solo, o primeiro passo é conter o desmatamento,

indica o estudo. André Lucena explicou que o Brasil não

precisa de mais terra. “O Brasil já tem terra suficiente para

atender a uma demanda própria e para exportação no horizonte

de 2050, principalmente se você considerar que o

país tem 200 milhões de ha (hectares) de pecuária de baixa

produtividade que poderia facilmente aumentar, liberando

um terço dessas terras para produção agrícola.”

Lucena destacou que o país está vivenciando no atual

momento uma perda de mercado em função do desmatamento.

Acordos comerciais estão em risco, como o

existente entre o Mercosul e a Alemanha. Além disso, há

uma avaliação negativa de produtos brasileiros no mercado

internacional, cortes de fluxos de investimentos, tudo

em função do desmatamento. “É um custo que não traz

benefícios à sociedade nem ao país”, comentou.

Substituir combustíveis

fósseis por outros

renováveis e menos

poluentes gera gastos

menores com saúde

INTEGRAÇÃO

O estudo reforça que não há necessidade de aumentar

a quantidade de terras mas, sim, de melhorar a sua produtividade.

Isso pode ser alcançado por meio da recuperação

de pastagens degradadas, da integração entre lavoura e

pecuária, ações que repercutem em benefícios ao meio

ambiente.

Na parte industrial, Lucena citou que há opções de eletrificação

que podem ser adotadas para reduzir emissões

de gás carbônico. Outra área que o Brasil poderia explorar

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CASE

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ALGAS PARA

SUBSTITUIR O

PETRÓLEO

EMPRESAS JAPONESAS

QUEREM AUMENTAR

PRODUÇÃO DE

ALGAS PARA

BIOCOMBUSTÍVEIS

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E

mpresas japonesas do setor de biocombustíveis

estão expandindo sua produção de

combustíveis que tem como fonte algas e

resíduos de óleo de palma. Uma delas é a

startup Chitose Bio Evolution, que em março recebeu

financiamento da empresa de petróleo e gás Eneos

Holdings, também do Japão.

A startup planeja aumentar sua unidade de produção

para mais de 200 mil m² (metros quadrados), com

foco na Malásia. Isso porque as algas crescem rapidamente

sob a luz do sol, o que faz do sudeste asiático

um local ideal para as companhias japonesas. O objetivo

da jovem empresa é levantar alguns bilhões de

ienes, a moeda oficial japonesa, de governos e outras

companhias que deem conta da expansão almejada,

que poderia gerar mais de mil toneladas de algas

secas, posteriormente transformadas em cerca de 500t

(toneladas) de óleo. Ainda, segundo os representantes

da empresa, as algas podem ser usadas na fabricação

de outros produtos, como proteínas, e até mesmo

transformadas em uma espécie de plástico.

Outra empresa japonesa do setor que está procurando

aumentar sua produção de algas é a Euglena,

provavelmente na Indonésia, no sudeste da Ásia, ou

na Colômbia, na América Latina. A empresa também

está buscando outras matérias-primas para a fabricação

de combustíveis sustentáveis, como resíduos da

produção de óleo de palma.

Apesar de a pandemia da Covid-19 ter reduzido

a demanda por combustíveis por parte da indústria

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ARTIGO

APROVEITAMENTO DA

BIOMASSA FLORESTAL

NA FABRICAÇÃO DE

BRIQUETES

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ARTIGO

ANGELO FERNANDO DE OLIVEIRA SACCOL

CARLINE ANDRÉA WELTER

CRISTIANE PEDRAZZI

JORGE ANTONIO DE FARIAS

ROSSANA CORTELINI DA ROSA

RODRIGO COLDEBELLA

SOLON JONAS LONGHI

Integrantes do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal da UFSM

(Universidade Federal de Santa Maria)

RESUMO

A

importância do emprego de fontes alternativas

de energia, que sejam renováveis e provoquem

menores danos ao meio ambiente, como menor

poluição atmosférica e estabilidade do ciclo

do carbono, traz em destaque a biomassa florestal. Nesse

contexto, avaliou-se a produção de briquetes, produzidos a

partir de resíduos florestais encontrados nas diversas fases

de produção das fábricas de celulose, os quais foram analisados

quimicamente, bem como suas propriedades físicas

e mecânicas. Foram realizados dez tratamentos a partir

de quatro classes de resíduos amostrados, utilizando DIC

(Delineamento Estatístico Inteiramente Casualizado), com

10 repetições por tratamento. Para a análise estatística,

realizou-se teste Tukey de comparação de médias e análise

de componentes principais para explicar a estrutura da

variância. Os tratamentos 4 e 10 apresentaram maior poder

calorífico devido ao seu maior percentual de lignina, bem

como obtiveram os melhores resultados de densidade

energética. Quanto a densidade e a resistência mecânica,

os valores encontrados foram adequados e condizentes

aos citados na literatura, sendo que a última variável não

diferiu estatisticamente entre os tratamentos. A análise

dos componentes principais foi adequada, sendo os teores

de extrativos, umidade, lignina, e a densidade energética

as variáveis mais importantes na análise, com os mais

elevados coeficientes da componente principal 1, a qual

representa 70,9% da variância total explicada. O tratamento

4, contendo apenas casca de Pinus taeda, se destacou

pelas suas melhores características para energia.

INTRODUÇÃO

A biomassa vegetal pode ser utilizada para obtenção

das mais variadas formas de energia seja por conversão

direta ou indireta. Como vantagens da utilização desse material

em substituição aos combustíveis fósseis podemos

citar a menor poluição atmosférica, além da estabilidade

do ciclo de carbono. Já em comparação a outros tipos de

energias renováveis, a biomassa vegetal, se destaca pela

alta densidade energética e pelas facilidades de armazenamento,

conversão e transporte desse material, sendo a

segunda fonte de geração de energia predominante no

Brasil.

As biomassas para uso energético provêm de recursos

florestais, seus produtos e subprodutos, que incluem basicamente

resíduos lenhosos produzidos de forma sustentável,

podendo ser obtidos de florestas cultivadas, e também

em atividades que processam ou utilizam a madeira para

fins não energéticos, destacando-se as indústrias de papel/

celulose e moveleira, bem como as serrarias. As indústrias

de base florestal, como as de celulose, têm por característica

a geração de um grande volume de resíduos ao longo

do seu processo produtivo. O setor madeireiro apresenta

um grande potencial para o aproveitamento desses resíduos,

já que as perdas são inerentes ao processo produtivo,

representando de 40 a 70% do volume da matéria-prima.

Estes resíduos (cascas, galhos, folhas, cavacos e lascas de

madeira, etc) são provenientes da colheita e do beneficiamento

da madeira e por muito tempo, não tiveram

destinação adequada. A queima de biomassa florestal em

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CURSO GERAÇÃO DE ENERGIA

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47


AGENDA

NOVEMBRO 2020

FÓRUM FLORESTAL MINEIRO

Data: 5 a 6

Local: Belo Horizonte (MG)

Informações: https://malinovski.com.br/

agenda-2020/

DESTAQUE

INTERSOLAR

Data: 16 a 18

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.intersolar.net.br/pt/inicio

EXPOGD

Data: 18 a 19

Local: Salvador (BA)

Informações: www.expogd.com.br

MARÇO 2021

Imagem: divulgação

LIGNUM BRASIL 2021

Data: 24 a 26

Local: Pinhais (Paraná)

Informações: https://lignumlatinamerica.com

FENASUCRO & AGROCANA

Data: 17 a 20 de Agosto de 2021

Local: Sertãozinho (SP)

Informações:

www.fenasucro.com.br/pt-br.html

JUNHO 2021

ECONERGY

Data: 08 a 10

Local: São Paulo (SP)

Informações: https://feiraecoenergy.com.br/

JULHO 2021

FIEE SMART FUTURE

Data: 20 a 23

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.fiee.com.br/pt-br.html

A Fenasucro & Agrocana é a principal feira de

bioenergia e do setor sucroenergético da América

Latina. O evento acontece anualmente no principal

polo de produção bioenergética do Brasil; país com

maior potencial de produção mundial. Atualmente,

reúne profissionais dos principais pilares da matriz

energética, de usinas bioenergéticas e dos setores

de transporte e logística, papel e celulose e de

alimentos e bebidas para realização de negócios,

networking e atualização profissional.

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OPINIÃO

Foto: divulgação

O MUNDO ENCANTADO

DA SUSTENTABILIDADE

EMPRESARIAL

A

ssim como os letreiros da Times Square destacam

o viés tecnológico e inovador de Nova York - EUA

(Estados Unidos da América), a sustentabilidade

proporciona grande holofote para o contexto

empresarial. Afinal, qual empresa não quer ser vista pelo

consumidor como responsável, atraente e disruptiva? Ou,

então, como heroína em uma batalha em que a recompensa

é a continuidade do negócio ao mesmo tempo em que contribui

com o desenvolvimento sustentável - e responsável - do

planeta? Pois bem, todas querem, mas poucas conseguem

aplicar efetivamente a filosofia sustentável.

A magia da sustentabilidade faz com que as empresas

estampem em tudo, em tudo mesmo, o enredo de marca

consciente, amiga da natureza e guardiã da sociedade. Tal

ação é vista em simples panfletos, nos produtos e até mesmo

nas diretrizes estratégicas organizacionais, como a missão,

visão e valores. De forma resumida, parafraseando e contextualizando

a frase de Vinicius de Moraes, lá vem a sustentabilidade

empresarial pata aqui, pata acolá. Quem nunca viu o termo

estampado na comunicação de alguma empresa que atire a

primeira pedra.

É lindo? Sim! Mas nem tudo são flores. A pior coisa para

nós, consumidores, é quando uma empresa da qual adquirimos

algum produto ou serviço não corresponde a um nível de

serviço esperado. Ao racionalizarmos a inferência entre o que

foi entregue com a percepção do que era esperado, temos a

famosa fórmula da satisfação do consumidor, influenciando

totalmente a experiência do usuário. Imagine o seguinte

exemplo: você recebe um panfleto ao caminhar pelo centro

da cidade e se depara com um tentador bolo que está estampado

no papel, com a seguinte frase “temos o melhor bolo do

mundo, venha provar o melhor bolo da sua vida.” Após chegar

ao local e consumir o produto, você percebe que aquele bolo

não entraria nas melhores experiências da sua vida, quiçá da

sua cidade.

Bom, aí que mora o problema. O mundo encantado da

sustentabilidade é tentador, confesso! É muito fácil falar

que faz, seja fisicamente ou por meio da missão empresarial

exposta em uma página de internet. Aqui, porém, deve ser

aplicado o princípio básico de gestão e bons modos. Se prometeu,

precisa cumprir.

Há muitas discussões sobre quais seriam os verdadeiros

benefícios da adoção de práticas sustentáveis. Um deles

diz respeito a um viés mais econômico e protetor, que é a

reputação e imagem da marca. Sem dúvida, marcas fortes

possuem sustentabilidade e compliance como background. O

problema, porém, está em quem fala que é – sustentável — e,

na prática, não realiza ações condizentes com tal discurso.

Nesse caso, a reputação e o branding passam de benefício a

problema para a organização.

Na maioria das vezes, os setores que atuam com temas

relacionados aos critérios ESG (sigla em inglês para Ambiental,

Social e Governança) nas empresas possuem grandes

desafios no caminho, como a falta de apoio da alta direção,

pequena fatia do budget, falta de comprometimento de áreas

relacionadas, priorização de outros projetos e problemas que

envolvem a cultura organizacional.

Claro, para algumas empresas, poucas até então, o cenário

é totalmente o inverso, pois já possuem a sustentabilidade no

DNA, como fator competitivo do negócio. Esse é o caso de

algumas empresas brasileiras do ramo da beleza. Ou, então,

de negócios certificados como “Empresa B”, do Sistema B,

que facilitam a identificação. Ainda, há algumas iniciativas do

mercado financeiro e de investimentos que buscam transparecer

a filosofia e práticas sustentáveis, como o DJSI (Dow

Jones Sustainability Index), Euronext Eurozone ESG Large 80

e o Índice de Sustentabilidade Empresarial – ISE da B3. Usar a

sustentabilidade no core da empresa, como requisito de desempenho,

possibilita autenticidade das ações e proporciona

que o mundo encantando se torne, enfim, realidade.

Por Pablo Carpejani

Especialista em Sustentabilidade Corporativa e professor da PUC - PR (Pontifícia Universidade

Católica do Paraná) nos cursos de Engenharia de Produção e Negócios

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