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A Revista Advir (edição 40) é uma publicação da Associação de Docentes da UERJ.
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Nós sabemos
que o governo
do PT esteve
muito aquém
do que se
poderia esperar
de um ciclo de
governos do PT
temente de Collor, que era uma figura completamente
desprovida do menor senso de
razoabilidade, Fernando Henrique é uma inteligência
burguesa que soube inserir o Brasil na
onda neoliberal, sem ser, digamos assim, um
neoliberalismo de devastação completa. Esta
devastação completa nós estamos vendo agora.
Nós sabemos que o governo do PT esteve
muito aquém do que se poderia esperar de um
ciclo de governos do PT, até porque quando o
PT ganhou a eleição ele era muito diferente do
projeto que se desenhava em 1989, quando o
PT e Lula quase ganharam a eleição pela primeira vez. E foi exatamente
naquela eleição que o Collor se tornou vitorioso. O que nós temos de
lá para cá? Um governo que foi de conciliação, mas como o mundo do
capitalismo entrou numa era de devastação social muito profunda, a
partir da contrarrevolução preventiva, e nós estamos nela desde a vitória
do Trump, Brexit na Inglaterra, Orbán na Hungria, Duterte nas
Filipinas... enfim, e a lista é longa. Essa fase de, digamos assim,
aguçamento da extrema direita, e num contexto de crise estrutural que
se acentuou em 2008/2009, os capitais decidiram: “Não tem mais conciliação,
não temos mais interesse em governo de conciliação!”. Iniciou-se
um processo global de destruição do que restava dos direitos
do trabalho e, no caso brasileiro, Temer, é preciso dizer, foi extremamente
competente. A primeira medida mais abrangente foi a PEC do
Fim do Mundo, travando, proibindo que se invista na Educação, na
Saúde, na Previdência... O resultado nós estamos vivendo no país hoje.
Depois o próprio Temer conseguiu a aprovação da terceirização praticamente
total. Em seguida, a mais nefasta, depois da PEC, porque a
PEC é mais abrangente, mas brutalmente nefasta, a contrarreforma trabalhista,
onde intermitência, flexibilidade, desmonte dos sindicatos,
perda de direitos de trabalhadoras e trabalhadores etc criaram a selva!
Então nós estamos vivendo uma era selvagem. E o que tivemos de
Bolsonaro para cá? A devastação ampliada, porque Bolsonaro combina
duas tragédias que se articularam: uma autocracia, um governo de
perfil autocrático, neofascistizante em muitos traços, fascistizante abertamente
em muitos outros, com uma política econômica de um
neoliberalismo extremado e primitivo. O resultado de tudo isso são
várias perdas de direitos trabalhistas e o desmonte da Previdência pública
no Brasil, que, bem ou mal, segurava, impedia as condições de
miséria de uma parcela da população mais idosa que, pelo menos, conseguia
ter algum recurso para comprar minimamente seus remédios.
Entramos na era da devastação e da corrosão social e dela só sairemos
com muita confrontação.
Advir • dezembro de 2020 • 32