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ADVIR40

A Revista Advir (edição 40) é uma publicação da Associação de Docentes da UERJ.

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Não houve até

hoje nenhum

exemplo da

história que se

eternizou. Não

vai ser o mais

destrutivo dos

modos de

produção que

irá se eternizar!

desse cenário, diante dessa nova realidade a

que você chama de nova morfologia do trabalho,

complexa e cada vez mais automizada,

com dificuldades para os trabalhadores se organizarem

e tudo o mais, como que você vê as

formas de fazer essa confrontação, a resistência?

Como representar, inclusive, esse amplo

segmento de trabalhadores que está à margem

da estrutura sindical oficial, não está organizado

de nenhuma maneira. Como resgatar esses

laços de pertencimento de classe, de solidariedade

de classe? Como você enxerga? Você

até já falou um pouquinho antes, mas, para fazer uma conclusão aqui,

como é que você enxerga as possibilidades de construção de um novo

modo de vida para a classe trabalhadora? A perspectiva de uma sociedade

mais justa e mais humana, totalmente diferente desse contexto

que a gente vive hoje.

Ricardo Antunes - Temos pistas. Veja, a coisa mais espetacular talvez

do mundo é a sua imprevisibilidade. Nós estamos vivendo um

período de trevas, nós estamos vivendo um período tenebroso. Mas

quem faz qualquer previsão para daqui a alguns anos? Ninguém! O

último que fez uma previsão foi o Fukuyama, disse que o capitalismo

era o fim da história. Ninguém leva isso mais a sério, aliás, se ninguém

já levava antes, imagina agora? Nem ele se leva a sério! Você imagina,

eu cito sempre esse exemplo porque ele é muito emblemático, esse outro

que eu vou citar agora, o Fukuyama eu não perco muito tempo com ele

não, não vale uma missa, como dizia um Rei francês! Quem poderia

imaginar que, em 1989... se essa nossa entrevista fosse em1989 e eu

falasse para você que a União Soviética iria desaparecer em dois anos,

você iria dar gargalhada, iria falar “corta!”, você iria falar: “Guilherme,

corta!”. O professor agora entrou num processo de insanidade completo.

A União Soviética era a segunda maior potência do mundo, rivalizando

em tudo com o capitalismo norte-americano e em menos de

dois anos a União Soviética desapareceu como um castelo de cartas e

junto com ela o chamado Leste europeu inteiro, Tchecoslováquia,

Hungria, Polônia... Foi desaparecendo um por um! Por quê? Porque a

história é imprevisível, chega uma hora em que você... Não teve na

história da humanidade um modo de produção que durou eternamente.

As comunidades primitivas nasceram, desapareceram. O escravismo

greco-romano clássico nasceu e desapareceu. O feudalismo nasceu,

durou dez séculos e desapareceu. O capitalismo tem dois séculos e meio,

um pouco mais, mas ele não é eterno. Então essa é a primeira coisa.

Não houve até hoje nenhum exemplo da história que se eternizou. Não

vai ser o mais destrutivo dos modos de produção que irá se eternizar!

Advir • dezembro de 2020 • 48

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