DEZEMBRO_2020

araujomota

DEZEMBRO 2020 - Edição nº 271
Órgão informativo do Centro Lusitano de Zurique

[ DEZEMBRO 2020 | Edição Nº. 271 | ANO XXVI | Direcção: Sandra Ferreira + Armindo Alves | Publicação mensal gratuita ]

Votos de êxitos, saúde e vida feliz aos nossos leitores,

associados, patrocinadores, colaboradores e amigos

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EDITORIAL

2020 FICARÁ

MARCADO PARA

SEMPRE!

PÁGINA 3

DIREITO

DESPACHO DE

CONDENAÇÃO

CRITICADO

PÁGINA 04

CIDADANIA

ELEIÇÕES EM 24

JANEIRO PARA

PRES. REPÚBLICA

PÁGINA 40


2

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Centro Lusitano de Zurique

Risweg, 1

8041 Zürich

Tel.: 044 241 52 15

Web: www.cldz.eu - E-mail: info@cldz.eu

Bufete, reserva de refeições Tel.: 044 241 52 15

Cursos de alemão 076 332 08 34

Consulado Geral de Portugal em Zurique

Zeltweg 13 - 8032 Zurique

Tel. Geral: 044 200 30 40

Serviços de ensino: 044 200 30 55

Serviços sociais: 044 261 33 32

Abertura de segunda a sexta-feira das

08:30 às 14:30 horas

Embaixada de Portugal

Weitpoststr. 20 - 3000 Bern 15

Secção consular: 031 351 17 73

Serviçoa sociais: 031 351 17 42

Serviços de ensino: 031 352 73 49

Edição anterior

[ NOVEMBRO 2020 | Edição Nº. 270 | ANO XXVI | Direcção: Sandra Ferreira + Armindo Alves | Publicação mensal gratuita ]

Redes sociais; manipulação, divisão, polarização

DO COLAPSO

AO CAOS…

Páginas

22 e 23

Direcção

044 241 52 60 / info@cldz.eu

Futebol armindo.alves@garage-mutschellen.ch / 079 222 09 14

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Rancho folclórico

079/549 99 10 / rancho@cldz.ch

Vamos contar uma história 079 647 01 46

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imigrantes - Zurique (Welcome Desk)

Stadthausquai 17 - Postfach 8022 Zurique

Tel.: 044 412 37 37

Polícia 117

Bombeiros 118

Ambulância 144

Intoxicações 145

Rega 1414

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EDITORIAL

PENSAR

POSITIVO

PÁGINA 3

SAÚDE

APAGAR REGISTO

DE EXECUÇÕES

PÁGINA 08

FORMAÇÃO

ESTÁGIO EM TEM

PO DE PANDEMIA

PÁGINA 09

Missão Católica de Língua Portuguesa – ZH

Katholische Mission der Portugiesischsprechenden

Fellenbergstrasse 291, Postfach 217 - 8047 Zürich

Tel.: 044 242 06 40 7 044 242 06 45 - Email: mclp.zh@gmail.com

Horário de atendimento:

- segunda a sexta-feira das 8h às 13h00 e das 13h30 às 17h

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Dezembro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


EDITORIAL

3

2020 ficará marcado para sempre!

SANDRA FERREIRA

Directora - Jornalista CC12 A

Estimados leitores

Mais um ano que está a chegar

ao fim...

Um ano que começou incerto

e que rapidamente tornou-

-se difícil para muitos de nós,

com a vinda deste “inimigo invisível”

fez-nos parar, pensar,

temer e por fim ter esperança

e acreditar.

Se para a maioria foi um ano

para esquecer, trazendo grandes

dificuldades, para outros,

foi ano de se reinventarem

e criarem novos projectos e

abrir horizontes.

2020 ficará, de uma forma ou

outra marcado para sempre!

Para mim também foi um ano

de muitas mudanças e incertezas.

E com o terminar deste

ano, venho também informar

todos os leitores e amigos,

que irei terminar a minha colaboração

na revista Lusitano

de Zurique.

Foram 8 anos de grande crescimento

pessoal. Ainda me

lembro do dia em que o Armindo

Alves, me telefonou

e convidou-me a fazer parte

deste projecto. Fiquei incrédula,

pois nunca tinha pensado,

que depois de desistir

da minha profissão como jornalista

e ter emigrado, um dia

poder voltar a escrever noutro

país que não era o meu.

Tenho muito orgulho de ter

feito parte deste projecto e

ter, de certa forma, ajudado

no seu crescimento. Contudo,

nunca estive sozinha e

tive sempre o apoio de muitas

pessoas que me acompanharam

nesta aventura. E como

tal só me resta agradecer a

todos eles!

Em primeiro lugar, ao senhor

Araújo, que me acompanhou

sempre, a partir de Portugal,

e que é a pessoa mais importante

neste projecto. Sem a

ajuda e o trabalho dele, talvez

fosse difícil manter esta revista

até hoje. Obrigada pela

pessoa que é: frontal, directa,

correcta e compreensível,

mesmo nos momentos mais

complicados.

Em segundo lugar agradecer

ao Armindo, que há 8 anos

confiou-me este projecto, que

o protegeu como se de um

filho seu se tratasse e que é

a pessoa de referência nesta

revista. Depois quero agradecer

a duas pessoas que me

acompanharam nos últimos

anos e que me apoiaram muito:

Domingos Pereira e Lúcia

Sousa. Vocês viram o mesmo

que eu vi nesta revista e fizemos

o que pudemos para a

levar mais à frente. A vocês a

minha gratidão. Por fim gostava

de agradecer a todos os

colaboradores desta revista

sem excepção com os quais

trabalhei: Zuila Messer, Daniel

Bohren, Carmindo Carvalho,

Maria dos Santos, Jorge

Macieira, Nuno Brandão, etc.

Obrigada por ajudarem na

informação e divulgação de

temas importantes à nossa

comunidade.

E assim me despeço agradecendo

também ao leitor desse

lado. É também graças a si

que este projecto tem crescido

e sido reconhecido não só

na cidade de Zurique com um

pouco por toda a comunidade

portuguesa na Suíça.

Resta-me desejar toda a sorte

do mundo a quem continuar

neste projecto e, quem sabe,

pode ser que um dia nos voltemos

a encontrar.

Obrigada Centro Lusitano de

Zurique!

Boas Festas a todos!

EQUIPA REDACTORIAL

EMAIL: LUSITANOZURIQUE@GMAIL.COM

Sandra Ferreira

Armindo Alves

DIRECTOR A CC12 A

SUB-DIRECTOR CC15 A

Natascha D´Amore

Maria dos Santos

Lúcia Sousa

Zuila Messmer

Joana Araújo

CC11 A

Cristina F. Alves

CC 16 A

Jorge Macieira

CC28 A

Pedro Nogueira

Nuno Brandão

Domingos Pereira

Carmindo de Carvalho

Euclides Cavaco

Nelson Lima

Carlos Matos Gomes

Manuel Araújo

jornalista 3000 A

EDIÇÃO,

COMPOSIÇÃO

E PAGINAÇÃO

Manuel Araújo

Jornalista 3000 A

araujo@manuelaraujo.org

Tel.:(+351) 912 410 333

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IMPRESSÃO

Diário do Minho - Braga

Tiragem: 2000 exemplares

Periodicidade: Mensal

Distribuição gratuita

PROPRIEDADE

& ADMINISTRAÇÃO:

Centro Lusitano de Zurique

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Por discordância,

esta publicação não

adopta nem respeita as

normas do novo inútil

Acordo Ortográfico.

Apoios:

Daniel Bohren

Jurista

Pedro Nabais

CC14 A

Aragonez

Marquez

Ivo Margarido

Jeremy da Costa

Joaquim Galante

NOTA: Os artigos assinados reflectem tão-somente a opinião dos seus

autores e não vinculam necessariamente a direcção desta revista

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4

DIREITO

O Despacho de

condenação

criticado

DANIEL BOHREN

Quem infringe uma lei, é penalizado, se a lei previr

uma pena para tal infracção. Não apenas o Código

Penal ameaça com pena, por exemplo, por furto,

fraude, lesão corporal, ameaça, etc…, mas também

por exemplo o Código da Estrada por condução

com excesso de velocidade, fuga do condutor,

etc…

Há pequenas infracções, onde se paga simplesmente uma

multa, cujo montante se encontra estipulado num catálogo de

multas, por exemplo, ao estacionar mal ou em excessos de

velocidade de mais de 15 km/h dentro de povoações. Com o

pagamento da multa a coisa fica resolvida e não há registo no

registo de antecedentes penais. Fala-se aqui de um Procedimento

por multa disciplinar.

Outras infracções à lei são transmitidas pela Polícia ou pelas

autoridades à Autoridade aplicação da lei (Strafverfolgungsbehörde),

seja ao Juiz municipal – no caso de infracções – ou

à Procuradoria – no caso de delitos e crimes. Infracções são

violações de direitos, contra as quais a lei ameaça apenas com

multa. A multa não excede regra geral mais de CHF. 10.000.

Crimes são infracções da lei para os quais a lei prevê uma pena

de mais de 3 anos de prisão. Todas as outras infracções à lei

são delitos.

Quando as circunstâncias da infracção à lei são esclarecidas

e conhecidas e quando a pena comporta uma multa diária de

não mais de 180 dias de multa ou uma pena de prisão de não

mais de 6 meses, então a Autoridade de aplicação da lei pode

ela própria decidir sobre a pena, sem que um tribunal tenha de

decidir sobre ela. Esta decisão da Autoridade de aplicação da

lei chama-se Despacho de condenação (Strafbefehl) e tem o

mesmo efeito do que uma sentença penal de um tribunal. O arguido

pode dentro de 10 dias após recepção do Despacho de

condenação opor ao Despacho de condenação. Não precisa

de uma justificação, mas ela faz sentido, para que a Autoridade

de aplicação da lei saiba, onde residem as divergências.

Ela acrescentará então a investigação e encerra o processo,

se a infracção da lei não for comprovável, ou emitirá um novo

Despacho de condenação. Se ela quiser manter o Despacho

de condenação após duma oposição, transfere o dossier com

o Despacho de condenação para o tribunal. O Despacho de

condenação é então válido como queixa num processo penal

judiciário. O envolvido pode então defender-se em tribunal. O

tribunal declara então uma absolvição ou condena o acusado

de acordo com o Despacho de condenação.

Cerca de 90% das infracções à lei (sem ter em conta o procedimento

por multa disciplinar) são despachadas na Suíça por

Despacho de condenação. O procedimento do Despacho de

condenação é todavia fortemente criticado, pois com frequência

Autoridades de aplicação da lei aceitam uma infracção da

lei, sem esclarecer seriamente, se a poderiam comprovar. A

Autoridade de aplicação da lei poupa deste modo muito trabalho,

porque é com frequência difícil, de comprovar uma infracção

da lei. Do outro lado também o arguido pode ter uma

vantagem porque na punição por Despacho de condenação os

custos para os arguidos são nitidamente inferiores (entre CHF.

800 e CHF. 1.800) do que na condenação com um processo

em tribunal (entre CHF. 4.000 e CHF. 6.000 inclusive custas

para). São, no entanto, frequentemente punidas e condenadas

pessoas, que, com o esclarecimento bem fundado da infracção

à lei e com o recurso a todos os direitos de defesa, teriam

sido absolvidos. Especialmente traiçoeiro é para além disso o

prazo de 10 dias para opor o Despacho de condenação.

Uma vez que o Despacho de condenação pode ser enviado

por carta registada só, acontece com frequência, que o Despacho

de condenação não é levantado atempadamente nos

correios, por exemplo, em tempo de férias, ou que o Despacho

de condenação seja entregue a uma outra pessoa na morada,

e esta se esquece de entregar atempadamente o Despacho de

condenação ao arguido. O prazo para opor pode assim expirar

sem que o arguido ter recebido o Despacho de condenação.

Numa sentença de tribunal as coisas passam-se de outra maneira.

Em primeiro lugar o tribunal examina ele próprio, se a

Autoridade de aplicação da lei provou, de que o arguido violou

a lei porque ninguém tem de comprovar a sua inocência! O

tribunal tem sempre de presumir a inocência, enquanto não for

provado o contrário. Além disso a sentença é lida do tribunal

na presença do acusado. Não pode por isso acontecer, que o

acusado seja sentenciado, sem o saber.

Despachos de condenação também são frequentemente enviados

muitos meses após inquirição pela Polícia ou pelas Autoridades

de aplicação da lei e pode assim dar-se facilmente,

que se parta para férias, esquecendo por completo de que se

tem um processo penal aberto. Quem, por conseguinte, quiser

partir para férias alguns dias e após uma inquirição não

recebeu ainda uma resolução, deverá avisar as Autoridades de

aplicação da lei da sua ausência por motivo de férias com uma

carta registada.

Estas autoridades terão de ter a ausência em conta. Quem obtém

um Despacho de condenação, tem de reagir com rapidez,

porque o prazo de 10 dias para apresentar recurso é curto. Um

recurso pode ser retirado até ao dia da audiência em tribunal.

A partir do momento em que o dossier dá entrada no tribunal a

retirada tem custos como consequência. Os custos são mesmo

assim ainda inferiores do que os de uma condenação pelo

tribunal.

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TRADIÇÃO

5

História do Natal

História do Natal, 25 de Dezembro,

história do Pai Natal,

a tradição da árvore de Natal,

origem do presépio, decorações

natalícias, símbolos natalícios.

Origem do Natal e o significado

da comemoração

O Natal é uma data em que comemoramos

o nascimento de Jesus Cristo. Na

antiguidade, o Natal era comemorado em

várias datas diferentes, pois não se sabia

com exactidão a data do nascimento de

Jesus. Foi somente no século IV, que o 25

de Dezembro foi estabelecido como data

oficial de comemoração. (ver página 18 desta

edição)

Na Roma Antiga, o 25 de Dezembro era a

data em que os romanos comemoravam

o início do inverno. Portanto, acredita-se

que haja uma relação deste facto com a

oficialização da comemoração do Natal.

As antigas comemorações de Natal costumavam

durar até 12 dias, pois este foi o

tempo que levou para os três reis Magos

chegarem até a cidade de Nazaré e entregarem

os presentes ao menino Jesus.

Actualmente, as pessoas costumam desmontar

as árvores e outras decorações

natalícias em até 12 dias após o Natal.

PORTUGUESES

RESIDENTES NO ESTRANGEIRO

Do ponto de vista cronológico, o Natal é

uma data de grande importância para o

Ocidente, pois marca o ano 1 da nossa

História.

A Árvore de Natal e o Presépio

Em quase todos os países do mundo, as

pessoas montam árvores de Natal para

decorar casas e outros ambientes. Em

conjunto com as decorações natalícias,

as árvores proporcionam um clima especial

neste período.

Acredita-se que esta tradição começou

em 1530, na Alemanha, com Martinho

Lutero. Certa noite, enquanto caminhava

pela floresta, Lutero ficou impressionado

com a beleza dos pinheiros cobertos de

neve. As estrelas do céu ajudaram a compor

a imagem que Lutero reproduziu com

galhos de árvore em sua casa. Além das

estrelas, algodão e outros enfeites, ele utilizou

velas acesas para mostrar aos seus

familiares a bela cena que havia presenciado

na floresta.

Esta tradição foi trazida para o continente

americano por alguns alemães, que vieram

moram na América durante o período

colonial. No Brasil, país de maioria cristã,

as árvores de Natal estão presentes em

diversos lugares, pois além de decorar,

representam um símbolo de alegria, paz

e esperança.

O presépio também representa uma importante

decoração natalícia. Ele mostra

o cenário do nascimento de Jesus, ou

seja, uma manjedoura, os animais, os reis

Magos e os pais do menino. Esta tradição

de montar presépios teve início com São

Francisco de Assis, no século XIII.

O Pai Natal: origem e tradição

Estudiosos afirmam que a figura do bom

velhinho foi inspirada num bispo chamado

Nicolau, que nasceu na Turquia em 280

d.C. O bispo, homem de bom coração,

costumava ajudar as pessoas pobres,

deixando saquinhos com moedas próximas

às chaminés das casas.

Foi transformado em santo (São Nicolau)

após várias pessoas relatarem milagres

atribuídos a ele.

A associação da imagem de São Nicolau

ao Natal aconteceu na Alemanha e espalhou-se

pelo mundo em pouco tempo.

Nos Estados Unidos ganhou o nome de

Santa Claus, no Brasil de Papai Noel e em

Portugal de Pai Natal.

Até o final do século XIX, o Pai Natal era

representado com uma roupa de inverno

na cor roxa. Porém, em 1881, uma campanha

publicitária da Coca-Cola mostrou

o bom velhinho com uma roupa, também

de inverno, nas cores vermelha e branca

(as cores do refrigerante) e com um gorro

vermelho com pompom branco. A campanha

publicitária fez um grande sucesso e

a nova imagem do Pai Natal espalhou-se

rapidamente pelo mundo.

NÃO IMPORTA

ONDE ESTÁ.

COM A CAIXA

FICA MAIS PERTO.

Escritório de Representação da CGD - Suíça

Rue de Lausanne 67/69, 1202 Genève

Tel: Genève - 022 9080360 I Tel: Zurique - 078 6002699 I Tel: Lausanne – 078 9152465

email: geneve@cgd.pt

A Caixa Geral de Depósitos, S.A. é autorizada pelo Banco de Portugal.

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6

SAÚDE

A influência da gestação no

desenvolvimento da criança

KARLA KÍSSIA ALMEIDA MAIA (*)

A descoberta de uma gravidez acarreta

diferentes sentimentos na mãe e

na família. Inicia-se um processo de

acompanhamento gestacional repleto

de procedimentos que são padrão

para mulheres grávidas. Por outro

lado, pode acontecer uma gravidez

indesejada, que talvez não receba os

cuidados e a atenção de um bebé esperado.

Nos dois casos, existem falácias

e até alguns estudos que abordam

essa temática, trazendo informações

preciosas para os campos de pesquisa,

para a vida das gestantes e crianças

em pleno desenvolvimento.

Alguns aspectos são foco de maior

curiosidade, também são mais abordados

nos estudos e pesquisas e nós

vamos tratá-los aqui. A gestação é um

período de contato e interação único

entre mãe e filho. Nesses meses, tudo

o que a mãe ingere chega ao embrião/

feto (a depender do tempo de gestação)

através da placenta. E, consequentemente,

o que ela deixa de ingerir

também impacta nesse processo.

DESNUTRIÇÃO

Mulheres grávidas precisam de 300 a

500 calorias adicionais por dia, incluindo

proteína extra ( Papalia e Feldman,

2013). Gestantes que já não tinham uma

alimentação adequada antes de engravidar

e não conseguem, por fatores sociais

e económicos, muitas vezes, manterem

uma alimentação regular na gestação, se

encaixando em um quadro de desnutrição,

podem conseguir concluir o tempo

gestacional com sucesso, porém algumas

pesquisas indicam que crianças que

nasceram de mães desnutridas durante a

gestação possuem uma maior probabilidade

de morte precoce quando adultas

do que crianças filhas de mães que tiveram

alimentação equilibrada e os acompanhamentos

médicos adequados.

CONSUMO DE DROGAS

A placenta é o meio de transmissão entre

a mãe e o feto. Por ela são transmitidas

substâncias como água, oxigênio e outros

elementos ingeridos pela mãe. Por

isso, é extremamente importante o acompanhamento

médico e nutricional durante

a gestação.

O consumo de qualquer medicamento

deve ser feito apenas com a indicação

médica, visto que, pode acarretar danos

permanentes para o bebé.

O álcool deve ser evitado sob qualquer

circunstância, pois pode causar a Síndrome

Alcoólica Fetal (SAF). Essa síndrome

possui características próprias, como

má formação no corpo e no rosto, falhas

no crescimento e transtornos no sistema

central, esses transtornos podem

desencadear sintomas como déficit´s na

capacidade de estímulo-resposta, déficit

visual, agitação, hiperatividade, agressividade,

transtornos comportamentais e

de humor.

Outra substância que pode atrapalhar

o desenvolvimento é a cafeína. “Em um

estudo controlado com 1.063 gestantes,

aquelas que consumiram pelos menos

duas xícaras de café comum ou cinco de

refrigerante cafeinado diariamente, tiveram

um risco duas vezes maior de aborto

espontâneo do que aquelas que não

consumiram cafeína nenhuma” (Weng,

Odouli e Li, 2008 apud Papalia e Feldman,

2013).

O consumo excessivo de cafeína durante

a gravidez, muitas vezes aparece ligado a

casos de aborto natural, atraso no crescimento

fetal, partos prematuros, bebés

que nascem antes do tempo, dimensões

esféricas do crânio inferiores ao considerado

normal, problemas congênitos e

falhas no processamento neurológico.

Além disso, os bebés podem, devido ao

consumo indireto pela placenta, desenvolver

dependências a essas drogas, e

ao nascerem apresentarem sintomas de

abstinência, como perturbações no sono.

ANSIEDADE, ESTRESSE E DEPRES-

SÃO

Estamos vivendo em um momento no

qual muitas pessoas estão apresentando

sintomas de ansiedade, stresse e depressão.

São muitas demandas em casa e no

trabalho para dar conta. Não é diferente

no período gestacional, nele podem surgir

medos, preocupações e inseguranças

que promovam o desenvolvimento dessas

disfunções.

É importante ressaltar que a ansiedade

durante a gestação é normal. Inclusive,

as substâncias químicas produzidas pelo

nosso corpo quando estamos ansiosos

chega a ser benéfica para o feto, se em

quantidades moderadas. As alterações

hormonais mexem com os sentimentos

e emoções das gestantes, deixando-as

mais propensa a desenvolver problemas

emocionais, por isso é interessante que,

as grávidas que já apresentam alguns

desses mal-estares, se cuidem e estejam

preparadas para enfrentar o turbilhão de

sensações que chegam juntamente com

a gravidez, em decorrência da quantidade

de hormônios que o corpo passa

a produzir. A maioria das sequelas geradas

no bebé são semelhantes (Déficits

de atenção, Hiperatividade, algumas

associações com autismo e outras más

formações cerebrais), alguns casos mais

agudos que outros, porém, de todo modo,

não podemos deixar de estar atentos.

Obs. Devido a complexidade e importância

do assunto, será dado continuidade

ao tema nas publicações subsequentes.

(*) Fortaleza/CE – Brasil. 2020

Pedagoga pela Universidade Federal do Ceará

- UFC.

Neuropsicopedagoga pela Faculdade UnyLeya.

Graduanda do curso de Psicologia pela Faculdade

Plus.

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DESPORTO

7

Os campeonatos de futebol

da FVRZ foram suspensos

JORGE MACIEIRA

Os campeonatos de futebol da FVRZ

foram suspensos até ordem em contrário,

com muitas equipas a não acabar

sequer a primeira volta onde irão

prevê-se realizar esses jogos nos casos

das equipas seniores e veteranos

antes do inicio da segunda volta, se a

situação actual do vírus melhorar.

A equipa da 4ª Liga do Centro Lusitano

de Zurique (8º classificado depois

de retirarem 4 pontos) ficou por

realizar o jogo em casa contra o FC

Wollishofen (6ºclassificado) que seria

o ultimo jogo da primeira volta.

A equipa da 5ª Liga (5º classificado)

tinha dois jogos por fazer, contra o

FC Hakoah (8º) e FC Engstringen (6º),

estes jogos não irão realizar porque o

projecto da equipa da 5ª Liga do Centro

Lusitano de Zurique não irá continuar.

Os Veteranos (4º) ficaram com 3 jogos

por realizar, dois para o campeonato

contra o FC Zurich-Affoltern (7º) e

contra o FC Bülach (9º), mais um jogo

para a Regional Cup 30+ contra o FC

Fällanden para ronda 3 da taça.

No caso do futebol de formação os

juniores só irão realizar os jogos se estiverem

na luta pela subida ou se o seu

adversário estiver na luta pela promoção.

Os Juniores A (5º) ficaram também

com 3 jogos por realizar a contar para

o campeonato contra o FC Uitikon (8º),

FC Wettswil-Bonstetten (6º) e SC Wipkingen

(10º), que poderiam fazer subir

na classificação.

Os juniores B tinham o ultimo jogo do

campeonato contra o FC Dielsdorf ,

que não se irá realizar visto que nenhuma

das equipas esta na luta pela

promoção.

Os juniores D e E não terão de completar

os jogos em falta, visto que o campeonato

para eles estão terminados.

Esperamos que esta situação melhore

rapidamente, acima de tudo pela saúde

da população geral e também por

poder-mos voltar a viver a nossa vida

normalmente e podermos praticar o

desporto que tanto gostamos.

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8

COMUNIDADE

António Saraiva

Sindicalista e voz da Rádio Portugal Online

MARIA DOS SANTOS

António Saraiva, é um português

conhecido em terras helvéticas,

pelo seu percurso sindicalista,

radiofónico e apresentador, de vários

eventos no seio da comunidade

portuguesa.

Esteve vários anos ligado ao movimento

associativo, no qual lutou

pela disciplina e honestidade, mas

por razões pessoais teve que quebrar

o vinculo e seguir outra rota.

Homem simples, simpático e dedicado

aos amigos e família, Tó

Saraiva, como é conhecido pelos

amigos, não consegue passar indiferente

aos problemas que o rodeiam.

Natural de Pinhel, região da Beira

Alta, distrito da Guarda, Tó Saraiva,

chegou à Suíça em 1991.

Apreciador de tudo o que é inerente

à cultura portuguesa, vamos

conhecer o rosto, que se esconde

por detrás de um programa radiofónico

Online, emitido todos as

terças-feiras, quintas-feiras e domingos.

Marido, Pai e recentemente avô

babado, este homem conhece e

muito bem, a Comunidade Portuguesa

e todos os seus problemas.

Maria dos Santos - Como foi que aconteceu

a tua vinda para a Suíça, o País de

todos os sonhos ( para alguns )?

António Saraiva - A minha vinda para a

Suíça aconteceu em 1991, não foi nada

planeado e os motivos também não foram

financeiros, visto que em Portugal ganhava

muito bem na época. A Suíça nunca foi,

nem é para mim um país de sonhos, exceptuando

as belas paisagens. Digamos que

vim, porque me casei nesse ano e a minha

esposa estava a fazer o seu segundo contrato,

para ela havia melhores expectativas

de emprego cá e acabamos por ficar.

M.S. - Tó Saraiva, quem é este homem

que chegou à Suíça com apenas 23 anos,

primeiro trabalho no ramo da agricultura

e logo ali, se revelou pelas injustiças

laborais?

A.S. - Cheguei à Suíça com 23 anos, sempre

cá vivi, mas durante quase dois anos

trabalhei na Alemanha, como moro numa

localidade de fronteira. Durante esse tempo

alguém me disse para experimentar nas

saladas e fui experimentar, embora com

um pé atrás porque já tinha escutado horrores

do patrão e também do trabalho em

si. Logo pela manhã, ainda lusco-fusco o

dito patrão pegou num trabalhador (Etíope)

e atirou-o literalmente para cima do monte

das alfaces que havíamos cortado comecei

logo aí a reclamar como podia com ele...

umas horas mais tarde já a plantar alfaces

o homem começa a gritar com todos, mas

eu estava na ponta da alfaia e era eu que

estava a levar encontrões, resultado, levou

com a caixa das alfaces com a terra na cara

e fui-me embora, tudo isto em 6 horas, portanto

estive seis horas na agricultura (riso).

Foi nesse dia que compreendi que nós aqui

não somos acolhidos, somos sim explorados,

descriminados e se cá estamos é porque

precisam de nós, senão queriam-nos

era longe, embora reconheça que as coisas

mudaram bastante neste campo.

M.S. - Sei que pela Zona do Algarve, e

para angariares algum dinheiro na tua

juventude, vendias *Bolinhas* nas parais

do sul de Portugal. Que recordações

tens destes anos?

A.S. - Fui para o Algarve com 17 anos em

1985 e nessa idade eu não pensava em

angariar dinheiro, ou poupá-lo, desde que

houvesse para as despesas...

Já com 18 anos trabalhava numa discoteca

como Disc jockey e quando podia vendia as

famosas bolas de Berlim, isso porque tinha

vários amigos que o faziam e foi um pouco

por influencia, era engraçado, fazer praia,

comer, e ganhar dinheiro, ganhava-se mesmo

muito dinheiro a vender “bolinhas”. As

recordações são o bom entendimento do

pessoal que trabalhava na praia, uma solidariedade

única entre todos, eu não tinha

de pagar para dar umas voltas de gaivota,

mas se estivesse com sono dormia debaixo

de um tolde e não tinha de pagar, se alguém

quisesse bolos, o funcionário vendia

e deixava o dinheiro no saco, bom, todos

retribuíamos, os bolos para eles também

eram sempre de graça. Foram os melhores

tempos da minha juventude.

M.S. - Já em Portugal e ainda muito jovem,

fazias radio amador. Sabemos que

tens uma potente voz para a comunicação.

O que te impediu de abraçares

profissionalmente o ramo de jornalista e

lançar, um projecto na radio e Tv.?

Dezembro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


COMUNIDADE

9

A.S. - Foi precisamente no Algarve, em

1986 que comecei a fazer rádio, nunca fiz

rádio amador, isso é outra coisa, muito útil

por sinal em tempos idos, fiz foi rádio em

FM nessa altura (rádio pirata) era a febre

das rádios piratas por todo o país e por

isso resolvi regressar a Pinhel, minha terra

natal em 1988 para dar uma ajuda num projecto

de uma nova estação radiofónica que

ainda hoje existe. O que me impediu de ter

abraçado profissionalmente a carreira de

locutor profissional em rádio? Penso que

nada me impediu, tive montes de portas

abertas, muitas oportunidades ao longo

da vida, mas se com 17/18 anos o aspecto

financeiro não importava, com a idade

começamos a ponderar bem e assumimos

responsabilidades com as quais temos de

cumprir e optar pelo incerto é sempre mais

difícil, podem pensar também que faltou

alguma coragem, admito.

M.S. - Estás ligado ao sindicato Unia

desde os anos noventa, como avalias

o teu trajecto Sindicalista? O sindicato

dos anos 80/90, tem a mesma credibilidade,

nos dias de hoje?

A.S. - A primeira filiação que tive com os

sindicatos, foi com o extinto GBI que deu

origem à UNIA, penso ter sido em 1994,

depois um interregno e voltei a ser sindicalizado

no inicio do século XXI. Entendo

que só faz sentido exigirmos melhores

condições de trabalho, melhores salários

e outras vantagens para quem trabalha se

formos solidários uns com os outros e estivermos

unidos , os sindicatos são o elo que

une os trabalhadores em volta das causas

que nos favorecem, impossível pensar que

os sindicatos quando fazem negociações

nos prejudicam, podem ceder em algumas

exigências para obter outras, mas a verdade

é que sem sindicatos, ninguém teria os

direitos que tem. O meu trajecto sindical é

acima de tudo apoiar e incentivar os trabalhadores

às iniciativas de luta sindical.

Quanto à credibilidade dos sindicatos, é e

será sempre a mesma. O principio de todos

eles é a luta por melhores condições

laborais, melhores reformas, melhores salários,

o problema é que existe gente que

confunde sindicatos, com escritório de advogados,

sempre que têm um problema,

recorrem ao sindicato( mesmo sem serem

sindicalizados), se o sindicato não resolver,

já são chulos, “mamões” e tudo mais que

seja depreciativo, esquecendo que o sindicato

serve para defender e organizar lutas

e causas colectivas! O facto de ser delegado

sindical ou membro de uma direcção,

não altera absolutamente nada a minha

maneira de pensar ou proceder, aliás, nisso

até sou bastante baldas(falta de tempo).

Ainda em relação à credibilidade, as pessoas

passam e a instituição permanece,

tenho imensa dor ter vivido injustiças no

seio da organização , algumas aborreceram-me

mesmo muito porque se trataram

de injustiças relativas a pessoas do quadro

Unia muito eficientes e competentes, essa

é uma mágoa que me perseguirá, outra

é saber que existe gente sem escrúpulos

para atingir os seus fins, mas mesmo não

gostando de alguns dirigentes, acima deles

estão os principio sindicais, o resto por

vezes é paisagem apenas...

M.S. - Foram muitos anos, noite sem

dormir, dedicado ao movimento associativo.

Como descreves o nosso tão

saudoso movimento associativo dos

anos 80 e o actual?

A.S. - Sim, foram muitos anos dedicados

ao associativismo de forma activa, tanto

aqui, na Suíça, como do lado de lá da fronteira.

Custa-me dizer isto, mas percebi já à

alguns anos que associativismo por estas

terras e de uma forma generalizada terminou.

Ninguém quer trabalhar à pato! As

pessoas que de facto na sua grande maioria

trabalhavam gratuitamente e de coração

para uma comunidade começaram a ser

vistos como aproveitadores, chupistas etc,

etc e tomaram juízo também! Daí surgirem

os novos protagonistas, tipo eu é que sou

o presidente disto tudo, mas limitam-se

a alugar as instalações para exploração

particular em troca do valor da renda do

local e mais algum se possível! È verdade

que o mundo mudou, nada do que era nos

anos 80/90 é hoje, actualmente é mais difícil

mobilizar pessoas para actividades de

todo o tipo, basta pensarmos que temos o

cinema, o estádio e a família de longe no

nosso sofá! O telecomando traz-nos o que

desejamos e as vídeo chamadas põem-

-nos em contacto com tudo e todos, factor

que nos torna menos dependentes de

contactos com a comunidade. São poucas

as excepções de colectividades que

persistem nos valores dos seus estatutos,

conheço até casos em que membros de

uma determinada direcção de uma associação

Portuguesa, noutros tempos muito

conceituada,valorizam tudo o que é suíço

e rebaixam sempre os portugueses! Como

é possível isso, na minha cabeça não cabe!

Tiro o chapéu ao centro Lusitano de Zurique,

mantém a cultura o desporto, apoio

comunitário, talvez haja mais alguma colectividade

assim, mas duvido!

M.S. - Dois mil e vinte, fica marcado

em todos os ramos profissionais e pessoais.

Acreditas que esta pandemia,

possa ser demolidora, para o movimento

associativo?

A.S. - 2020 foi demolidor em tudo, o associativismo

demoliu-se à muitos anos já,-

mas devido ao novo mundo do egoísmo e

exibicionismo, para além de todas as causa

que já antes enumerei. Saudades todos

nós temos, éramos mais jovens, isso diz

tudo...

M.S. - O virtualismo em que todos fomos

obrigados a mergulhar, vai ter certamente

influência no comportamento

de todos nós. Viver sem abraços, convívios,

por longo tempo, poderá criar uma

geração de frustrados, caso a pandemia

se instale por um longo tempo. Depois

da *geração á rasca*, que geração

está para vir?

A.S. - Não sei se houve uma geração rasca,

apelidaram-na assim, mas penso que

simplesmente os valores mudaram, quando

essa geração foi chamada a protestar,

eles uniram-se e protestaram, essa geração

já ocupa cargos de relevo no mundo

e estão a sair-se bem, são apenas outros

tempos com gente formada de forma diferente

e com meios diferentes, talvez mais

individualistas, mas porque cresceram de

forma diferente, de PC ou smartphone na

mão. Geração para vir, será a continuidade

da evolução tecnológica, eles ditam as

gerações!

M.S. - Voltando ao teu percurso radiofónico;

que sonhos gostarias de realizar,

aos microfones do teu “Portugalonline”?

A.S. - A RPO é uma rádio generalista, mais

voltada para o entretenimento, tem em média

30 locutores efectivos, o que proporciona

cerca de 19 horas de emissão diária

com locução (5 horas em automático)

Sendo uma das web rádios em Português

de Portugal mais escutadas no mundo!

Aos microfones gostaria talvez de trazer

maior interacção e conteúdos com a nossa

comunidade, mas as audiências também

mandam...

M.S. - Chegamos ao mês de Dezembro,

algo tristes e desgastados emocionalmente.

Que mensagem de Natal e Ano

Novo, nos queres deixar?

A.S. - Uma coisa é certa neste 2020: tivemos

de “desacelerar”, em todos os sentidos.

Aprendemos (ou devíamos ter aprendido)

tantas coisas com a pandemia deste

coronavírus, mas talvez a principal tenha

sido descobrir que sozinhos não somos

nada, nem ninguém. Ao “desacelerar”, tivemos

tempo para prestar mais atenção

aos outros e a nós próprios. Aprendemos

a identificar e a lidar com as nossas emoções

de uma forma nunca vista antes no

mundo pós-moderno. A ter um olhar mais

generoso em relação a nós e ao próximo.

Então, porque não trazer-mos esse formato

para 2021 e aperfeiçoá-lo? Não por

obrigação, ou por necessidade de força

maior, mas como forma de melhorar o

mundo! Um conselho quero deixar a todos

os leitores para 2021 que é saber filtrar as

informações que recebemos de diversas

fontes. As fake news chegaram para ficar

e este é um movimento que só tende a

crescer, sem duvida. Mas saber pesquisar

a fonte da notícia tornou-se uma questão

essencial para muitos que não têm o hábito

de aprofundar os assuntos. Próximo

ano deve ser também um ano de reflexão

e respeito pelas vitimas do Covid-19 bem

como a todos os profissionais de saúde e

segurança que estiveram na linha da frente

no combate à pandemia. O resto, é como

todos os anos, paz, alegria,saúde, amor e

uns trocos para que nada nos falte. Feliz

2021

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RECANTOS HELVÉTICOS

Randa

e a maior ponte suspensa do Mundo

MARIA DOS SANTOS

Quando decidi fazer este artigo dedicado

a esta ponte suspensa, foi com o

intuito de vos convidar a visitar e de a

homenagear, já que os dias para conservar

o título, estão contados.

De facto a maior ponte suspensa do mundo

está já construída em Arouca, mas

ainda não foi inaugurada, por esse motivo

ainda não a podemos considerar oficial.

No entanto cá estarei para vos falar dela,

quando a ponte Suíça for destronada.

Randa é uma pequena mas linda aldeia,

na província do Valais e tem apenas 424

habitantes. Fala-se o alemão para surpresa

minha, pois pensei que era o Francês a

língua oficial!

Isto acontece, quando não se faz bem o

trabalho de casa. Mas como aprendemos

até morrer, admito que confiei no idioma

francês, estendido a todo o Valais.

Se escolher o comboio, como via de transporte

para chegar a Randa, saiba que

logo ali, encontra as indicações a seguir.

Caso prefira o seu carro, há um parque de

estacionamento coberto e por apenas seis

francos diários.

Desde o local de onde deixou o carro, ou

do apeadeiro da linha férrea e até à Hängebrücke

Charles Kuonen, demora-se cerca

de duas horas e vinte e cinco minutos.

Com mais trinta minutos de subia, podemos

comer, beber e dormir na cabana da

Europahütte.

Esta ponte suspensa tem 494 metros de

comprimento, sessenta e cinco centímetros

de largura e encontra-se a uma altura

de oitenta e cinco metros. Não aconselho

a quem sofre de vertigens.

Toda a paisagem sob os Alpes Suíços cobertos

de neve e a contrastar com as cores

outonais, dá-nos um panorama sublime,

de tão maravilhoso e silencioso, parece

angelical.

Esta ponte situada no vale de Zermatt e

com o famoso Cervin, é um ponto de turismo

por excelência. A vegetação é também

conhecida, pelos pinheiros e as suas folhas

tipo agulhas, que ao caírem, proporcionar-nos

um macio tapete colorido, que

facilita a caminhada.

Os esquilos à procura de alimento, passeiam-se

de árvore em árvore, mostrando

as suas acrobacias e habilidades.

Subi até à cabana da Europa, para uma

pequena pausa e um lanche. Ao fechar os

olhos sob o sol quente, já que estava ao

abrigo, deixei-me levar pela meditação e

reflexão. O silêncio era tal que quase adormeci.

Que contar-vos meus amigos. Todos sabemos

que 2020, não foi bom para ninguém.

Pior que tudo, ninguém sabe quando

tudo acaba, para podermos mostrar os

nossos sorrisos, abraçar, conviver e equilibrar

a economia mundial. Para além do

terrível inimigo invisível, que nos mostrou,

que não somos donos de nada, tivemos a

vantagem de sentir, que pequenos passos,

fazem a grande diferença. Que confiar em

nós, é aumentar o fio condutor que nos

roubou 2020.

Temos de olhar-nos ao espelho e pensar

que somos a nossa protecção e que a única

forma de servir bem o universo é conseguirmos

estagnar a pandemia.

A América está em mudança política. Será

que alguém ainda acredita? O nosso Papa

afirmou aceitar os homossexuais, o que

deixou muito gente de cabeça virada, sem

entenderem muito bem onde ele quis chegar.

Os nossos políticos, têm cada vez mais, a

capacidade de nos baralhar e incutir a falta

de confiança.

As associações serão elas capazes de sobreviver?

Tantas e tantas questões poderia

rever aqui… já se tornaram inumeráveis.

Para finalizar, honro o trabalho de todos

aqueles que se empenharam em salvar vidas

e que com um amor sem fim, deixaram

apagar a sua própria vida e nem sequer

se puderam despedir dos seus entes queridos.

A todos aqueles que lutam, por sobreviver

e sobretudo a todos aqueles que acreditam

que lutando com unhas e dentes, conseguem

perdurar independentemente das

circunstâncias.

Esperemos que 2021, seja um ano em que

cada um de nós, consiga resistir às ondas

negativas, aos maus pensamentos e afirmar-se

com vencedores.

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RECANTOS HELVÉTICOS

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DA SUÍÇA PARA PORTUGAL

PORTUGAL SEMPRE

NO NOSSO CORAÇÃO

Vantagens do SERVIÇO

DE TRANSFERÊNCIAS:

Simples

Online ou por correio, os seus recursos ficam disponíveis

com rapidez na conta do Banco Santander Totta.

Próximo

O seu Banco sempre perto de si. Na Suíça ou em Portugal.

Justo

Câmbio favorável. Agora com despesas reduzidas.

Online

Acesso fácil via e-banking.

Através do Site da Postfinance ou do seu Banco na Suíça utilize

a opção: “ordem de pagamento com o boletim vermelho”.

Preencher todos os campos conforme o vale de correio vermelho

fornecido pelos escritórios de representação.

Não esquecer:

conta do Banco Santander Totta (30-175563-2)

IBAN, nome e morada do beneficiário

Novo endereço

Correio

Utilizando o Impresso (Vale de correio vermelho)

Boletim/Vale vermelho requisitado através dos escritórios

de representação de Genebra ou Zurique e entregue com

a Ordem de Pagamento ao seu Banco na Suíça

(preferencialmente no PostFinance) para concretizar

o pagamento.

Boletim vermelho

(fornecido pelos escritórios de representação

de Genebra ou Zurique)

+

Ordem de pagamento

(fornecido pelo seu banco suíço ou Postfinance)

+

Envelope

(fornecido pelo seu banco suíço ou Postfinance)

Envio por correio para o seu banco suíço

ou Postfinance

Pelas regras em vigor é obrigatória a identificação do ordenante, IBAN e morada

do beneficiário realizando-se a transferência para débito em conta. Interdita

a utilização de numerários (cash).

A utilização do ST (Serviço Transferências) apesar de permitir custos reduzidos não

dispensa a consulta do preçário em santandertotta.pt, com as condições de cada

entidade bancária na Suíça e em Portugal.

Escritório de Representação de Genebra

Rue de Genève 134, C.P. 156 | 1226 Thônex - Genève | Tel. 022 348 47 64

Escritório de Representação de Zurique

Badenerstrasse 382, Postfach 687 | 8040 Zürich | Tel. 043 243 81 21

Baslerstrasse, 117 - 8048

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COMUNIDADE

Ensinava todos os suíços a dizer

Bom Dia em português...

Fernando Silva + Keila Silva

MARIA DOS SANTOS

Fernando Silva é natural da Póvoa de

Lanhoso e chegou à Suíça no ano 1995

O seu primeiro trabalho foi na área de

estradas durante 3 anos e meio. Depois

em 1999 foi para uma empresa de vinhos

durante 18 anos.

Mas depressa se apercebeu da sua capacidade

de empreendedor e um belo

dia decidiu criar o seu próprio negócio.

É em Aarau, capital da província Argóvia,

que Fernando Silva encontra um espaço,

para explorar e gerir o seu próprio

negócio.

Abriu portas em 2014 e desde então

consegui conquistar os seus clientes.

Podemos dizer que no início o Fernando

Silva tinha apenas produtos portugueses

para venda e que aos pouco,

foi acrescentado mercadoria e também

gastronomia. Em Aarau não havia nada

português, só espanhol, como tinha loja

e no mesmo local já tinha sido uma pizzaria

em tempos, estava licenciada, e

a ideia foi amadurecendo. Não foi nada

fácil porque a churrasqueira tinha de

ficar na parte de trás, uma vez que eu

queria a carvão. Aarau permitia mas

exigia muita burocracia. Demorei três

anos e meio a conseguir a respectiva licença

por causa das exigências deles e

também por causa de um vizinho, que

insistia que era mau em todos os sentidos

ter ali um negócio Português. Apelei

a um advogado que com duas cartas

resolveu o problema. Com essa parte

resolvida vamos para a montagem da

churrasqueira, aí sim, não foi nada fácil,

porque exigia um investimento enorme,

para criar condições tive de ir trabalhando

como café e petiscos. Para erguer

a loja tive uma grande ajuda do

meu senhorio, estamos a falar de um

investimento que nestes dois anos ultrapassou

os 150 mil francos e não foi

fácil conseguir. Em Maio de 2019 deveria

começar a trabalhar como churrasqueira

mas devido a uma empresa que

ficou de acabar o que começou tudo foi

atrasando e o negócio não desenvolvia

como eu pretendia, pois as obras não

estavam acabadas, prometiam datas

e nada, mas desistir é para os fracos,

com mais uns altos e baixos fomos andando,

até conseguir o objectivo

A sua actual companheira, Keila Silva,

veio em Fevereiro de Portugal, onde

residia, foi quem fez o clique, para dar

um passo gigante e continuar serviço

de gastronomia. Com ela consegui a

cumplicidade do negócio e hoje é um

homem seguro e com auto estima bem

elevada.

O interessante disto e que eu sabia que

ela cozinhava bem, pelo que me contava,

pois não imaginava que ela era

tão boa cozinheira, sem dúvidas é uma

cozinheira de mão cheia como se costuma

dizer, pois da região que ela é, é

conhecida como a região de boa comida

e bons cozinheiros, ela em Portugal

sempre trabalhou no comércio como

balconista, nunca tinha cozinhado nada

português, foi aqui com a ajuda do You-

Tube que aprendeu e deu início a este

sucesso.

---

Maria dos Santos — Fernando Silva,

quando começou a gerir o seu próprio

negócio, quais as expectativas que tinha?

Fernando Silva — Boas como todos, mas

não é fácil trabalhar no mercado português,

já que não dá para viver a 100% dele,

não generalizo mas é a realidade..

M.S. — Como surgiu o Bom dia Shop?

A origem do nome foi calculada ou nasceu

de uma ideia?

FS. — Surgiu no seguimento de ter começado

a vender batatas e a fazer entregas

na região, uma coisa leva a outra e quando

dei por ela, estava a vender mais artigos

que ia buscar a um fornecedor. Na altura

não havia nada do género, abrir a página

Dezembro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


COMUNIDADE

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no Facebook que se tornou um sucesso...

O nome foi muito pensado mas não se

chegava a um consenso. E um dia a meio

da noite lembrei que eu ensinava todos

os suíços a dizer Bom Dia em português,

depois foi acrescentar o Shop e assim

nasceu o actual nome,

M.S. — Estar na cidade de Aarau dá-

-lhe confiança, já que é o único que

tem á venda artigos portugueses e

gastronomia á disposição dos seus

clientes?

FS. Sem duvida que sim, mas logo logo

nasce algo de novo, é sempre assim.

M.S. — Nesta fase tão delicada como

gere a estratégia, para agradar aos

seu publico?

FS. — Tenho a sorte por ser também supermercado.

Uma coisa ajuda a outra, e

começamos a fazer take way.

M.S. — Qual o prato mais apreciado,

por quem vos procura?

FS. — As bifanas sem duvida, mas o

bacalhau demolhado na água por nós é

especial, picanha, Francesinha, frango

de churrasco, polvo a lagareiro, pregos

e bitoques, nós não fazemos nada por

antecedência, nós pedimos muito aos

nossos clientes para nós dizerem o que

querem comer, para nós sabermos o que

preparar.

M.S. — As restrições da actual pandemia

dificultam muito a exploração

do seu negócio. Como pensa sobreviver

a tamanha crise económica?

FS. — Eu não reclamo muito, aliás nem

devo, pois não me posso esquecer que

foi na pandemia que as bifanas nasceram

numa terça a noite ao comentar

com dois clientes ao balcão, pois não se

podia sentar a mesa na altura, a minha

namorada ouviu e foi para o YouTube,

como tínhamos a carne pois vendíamos,

ela fez a primeira tentativa, então a partir

daí não mais paramos, já tivemos fins

de semana de vender 400 bifanas, algo

mesmo impensável no início. O sucesso

da Bom Dia Shop mais consolidou-se e

começamos a acrescentar mais menus a

cada dia que passa.

M.S. — Todos temos sonhos e queremos

saber qual é o vosso com este

local, algo escondido em Aarau, mas

que todos sabem onde é. Que gostaria

de concretizar, para se sentir totalmente

realizado?

FS. — Teremos novidades em 2021 mas

para já não queremos falar pois a pandemia

pode limitar isso, mas mudar de sítio

isso está fora de questão. Estou a espera

de poder ter esplanada, as obras estão

terminadas dentro de restaurante, tenho

condições de luxo. A loja também não

falta muito e então sinto-me super realizado

pois tenho o meu local de sonho.

Creio que a minha namorada pensa

o mesmo. Temos ambos muita fé em

Deus..

M.S. — Tem também pensado em dedicar-se

á parte cultural, algo abandonada

pelas associações locais?

FS. — Apoio, mas não me envolvo mais.

Já tenho a minha cota parte nessa área.

M.S. — Quais são os vossos medos

para 2021?

FS. Que a pandemia fique pior. Nada

mais.

M.S. — Que mensagem de Natal e

ano novo, quer deixar aos leitores,

clientes, sócios e amigos?

FS — Que todos possamos sobrevivamos

com saúde a tudo isto, com trabalho

e acreditando que vamos vencer.

Desejo a todos os amigos e clientes, aos

vossos leitores tudo do melhor, a vocês

que não desistam de continuar com o

vosso trabalho, com a qualidade que conheço.

A vossa revista tem de se manter

como até agora, na linha de frente, pois

oferece um bom jornalismo á nossa comunidade.

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CRÓNICA

Do nosso cantinho para o vosso cantão

A MALTA TEM MEDO

ARAGONEZ MARQUES

Sabemos pouco uns dos outros.

Em especial a Suíça, por não fazer

parte da Comunidade Europeia,

pouco ou nada é falada nas

televisões públicas da Europa, e

Portugal, o nosso cantinho, coloca-se

em bicos dos pés seguindo

o exemplo, como se não houvesse

aí uma comunidade portuguesa

que merecia uma maior informação.

Pois bem, caros amigos e amigas desse

cantão: A Coisa Aqui Está Preta, como diz

a canção de Chico Buarque. Atingimos

mais de 6.000 infectados e 80 mortos,

num cantinho tão pequeno...

Na discussão diária entre a economia e

a saúde, ninguém se entende e só agora,

perante esta crescente e amedrontadora

segunda vaga, se começaram a confinar

191 concelhos, com o comércio todo fechado,

incluindo as grandes superfícies

durante toda a tarde e noite de sábado e

domingo. São 7.500 milhões de pessoas

confinadas. No entanto, as escolas continuam

abertas, pois não precisam de professores,

mas de guardadores de putos,

que permitam que os seus pais trabalhem

sem desculpas. Mais de 700 escolas tiveram

casos. Eu próprio, pela proximidade

de uma colega, estive confinado e fiz o

teste, felizmente negativo e dias depois,

chegou a vez da minha filha mais pequena,

em contacto com um colega de sala

positivo, todos fizeram o teste, todos regressaram

às aulas na segunda-feira, 16

de Novembro.

O curioso é que a minha colega, sem

novo teste que lhe indicasse negativo, foi

mandada apresentar-se na escola. Novas

regras: os doentes que dão positivo, regressam

aos seus locais de trabalho sem

novo teste que lhes confira a negatividade

ao fim de 10 dias.

Nota-se que se perdeu o norte.

Nas ruas, de Lisboa e Porto há conflitos

do pessoal da restauração, talvez os que

menos descontem de impostos, pois querem

ajudas. Nunca pedi factura num restaurante,

mas com pandemia ou sem ela,

passo a pedir. Ninguém se entende, mas

o povo, ordeiro, cumpre e as ruas estão

totalmente vazias, só carros de polícia e

guarda a cavalo, como aqui no concelho

onde vivo, também confinado.

Melhores dias? O nosso Presidente mostrou-se

na TV em tronco nu levando a vacina

da gripe. Aconselhou todos os portugueses

a fazê-lo. Há dias a Ministra da

Saúde disse que as vacinas da gripe não

iriam chegar a todos os portugueses.

Como será, quando forem as do Covid? A

última esperança? Vai chegar? A quem?

Como?

Mas preocupa-me o número avassalador

de mortes registadas, tirando as do Covid.

Por isso, transcrevo uma historieta, escri-

Dezembro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


ta pela minha colega Lurdes

Ribeiro, que ma ofereceu ontem.

PUBLIREPORTAGEM

15

Para fazer um ecocardiograma,

por favor...

O bulício da sala de aula é interrompido

pelo toque do telemóvel

da professora Gervásia

da Silva. No visor do pequeno

aparelho surge um número do

hospital bem conhecido pela

professora.

- Mau! Do hospital! Que estranho!

Do outro lado uma voz desconhecida

anunciava à professora

Gervásia que, no próximo

domingo, se deveria apresentar

no hospital para realizar o

teste do Covid.

- O quê, minha senhora? O teste

do Covid? No domingo?! - a

professora Gervásia estava incrédula.

E a voz continuou:

- Sim, minha senhora. É que na

segunda-feira, pelas nove horas

da manhã, irá fazer neste

hospital, um ecocardiograma.

- Ah! - nesse momento fez-se

luz na cabeça da professora e

continuou – o exame médico

que estava pedido faz precisamente

dois anos a dezasseis

de novembro!

- Isso mesmo, minha senhora.

Tome atenção, que deve vir em

jejum e acompanhada, não se

esqueça.

- Sim, sim. Obrigada pela informação,

lá estarei. Há tanto

tempo à espera do exame médico,

não faltarei!

Gervásia da Silva ficou um

pouco perturbada com a notícia

e, olhando para o relógio,

sentiu um certo alívio ao reparar

que faltava pouco para

terminar a aula. Não disse aos

alunos que iria estar ausente

na segunda-feira. Ela odiava

faltar à escola! No seu pensamento

apenas estava a imagem

daqueles cotonetes tão

compridos do teste do Covid

que tinha visto em revistas e

na televisão…

- Valha-me Deus! E se aquilo

faz doer!?

Na verdade, o seu coração

também palpitava muito, desde

há três anos que Gervásia

da Silva começou a ter problemas

de arritmias cardíacas.

(CONTINUA na próxima revista)

MARIA DOS SANTOS

Já conhece? Esta iniciativa empresarial

de dois jovens da nossa

comunidade.Bruno Carocha, 39

anos, natural de Vila Pouca de

Aguiar, vive na Suíça desde 1992.

Samuel Pinto, 38 anos, natural do Marco

de Canaveses, vive também na Suíça

desde 1998.

Amigos e cunhados, decidiram, com muita

ponderação, iniciar uma parceria empresarial,

à qual deram o nome de Car-

Pin, uma alusão às iniciais dos apelidos

de ambos. Deram os primeiros passos no

ano 2012 e nos dias de hoje sentem que

são uma mais valia na procura de aluguer

de viaturas em Portugal.

A CarPin oferece, entre outros serviços,

seguro contra todos os riscos, franquia

0€, caução 0€, para que os seus clientes

tenham uma experiência sem preocupações.

Sendo o seu público muito vasto, os recém

encartados, com mais de 6 meses

de carta de condução, na CarPin podem

alugar uma viatura.

Devido os acordos estipulados com os

seus parceiros, disponibilizam de uma

frota de viaturas ao mais alto nível técnico,

e sempre de acordo com o gosto e as

necessidades de cada cliente.

Fazem questão em mencionar que todos

os serviços tem sempre as melhores condições

de preços e acessibilidade, atendimento

personalizado na entrega e recolha

da viatura, quer seja nos aeroportos

ou em qualquer ponto de entrega ajustado,

sempre dentro dos maiores parâmetros

de asseio.

Os serviços da CarPin estendem-se a

todo o território nacional, incluindo a Madeira,

a sua equipa é fluente em inglês,

francês, alemão e espanhol, e o seu serviço

de reserva funciona 24h, todos os

dias da semana.

O seu serviço personalizado e competente

faz com que o seu volume de negócio

esteja a crescer de ano para ano não só

na Suíça como em outros países onde

vivem portugueses, devido também em

grande parte à satisfação total de quem

aluga uma viatura a esta jovem empresa

CarPin Rent.

A CarPin caracteriza-se pela sinceridade

e confiança e é através desse mote que

se pretende afirmar neste negócio.

Esta empresa intermediária no aluguer de

viaturas automóveis tem um enorme potencial,

sendo a prova disso mesmo a vitalidade

e empreendedorismo destes jovens

portugueses da nossa comunidade.

Queremos neste ultimo mês do ano, convidar-vos

a falarem connosco, para as

suas férias de Natal.

Desejamos a todos os leitores, amigos

e sócios do Centro Lusitano de Zurique

uma quadra natalícia cheia de amor e

cumplicidade e que o novo ano que se

aproxima, nos traga muita satisfação e

realização, seja a nível pessoal, como

profissional.

Dezembro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


16 DESPORTO

Agora vem a

Main Round

e temos

também as

nossas

ambições

João Pinto

JORGE MACIEIRA

João Alexandre Nunes Freitas

Pinto, selecionador da seleção

nacional da Suíça, tem 51 anos

e é natural da capital Portuguesa,

a cidade de Lisboa. Treina hà

2 anos a seleção suíça, depois

de passagens por África do Sul,

Belenenses, Sporting e Benfica.

Selecionador que levou a equipa

helvética à vitória contra a Alemanha,

apurando assim a equipa

para a última fase de apuramento

para o Euro Futsal 2022.

Lusitano Zurique - Quem é o João Pinto?

João Pinto - Nasci e vivo em Lisboa, licenciei-me

em Ciências do Desporto e

mais tarde em Ciências Farmacêuticas

com mestrado. Sou também professor

de treino desportivo - Futsal na Escola

Superior de Desporto de Rio Maior.

Comecei a praticar futsal (na altura futebol

de cinco e futebol de salão) com 14

anos, joguei mais tarde na, então 1.ª divisão

de futebol de 5 e mais tarde futsal.

Em 1999 aceitei o convite do Sporting

Clube de Portugal para treinar a equipa

de juniores e iniciei aí a minha carreira de

treinador, posteriormente passei duas vezes

pelo Sport Lisboa e Benfica e estive

muitos anos ligado ao Belenenses.

L.Z. - Como aconteceu a passagem do

Sport Lisboa e Benfica por a seleção

de África do Sul até à seleção da Suíça?

J.P. - Quando se trabalha num clube com

a grandeza do SLB a visibilidade é enorme

e isso permite que o nosso nome seja

falado por todo o mundo. Surgiu então

a hipótese de treinar a seleção da África

do Sul na preparação da AFCF que seria

na África do Sul, conseguimos, apesar

de muitos problemas e contratempos,

a primeira vitória para a seleção em fases

finais mas não conseguimos passar

às meias finais e terminou o meu vínculo

nesse momento. Foi uma experiência

fantástica com pessoas fantásticas muito

dedicadas ao futsal, pena que a federação

do futebol não queira apoiar o futsal.

Quanto à seleção da Suíça, o convite foi

completamente inesperado, eu estive

a dar uma formação aos treinadores da

SFPL em 2015 durante dois dias e conheci

o Raphael Kern, ele gostou do meu trabalho

e abordou-me em 2018 para saber

se eu aceitava treinar a seleção Suíça,

implementar cursos para treinadores e

colaborar na organização e desenvolvimento

dum plano de longo prazo para o

futsal suíço. Um projeto destes, com tal

dimensão e importância è irrecusável.

É com grande orgulho e honra fazer parte

deste procjeto. Digo sempre que é um

procjeto de vida, pela exigência e responsabilidade,

mas também um enorme

prazer.

L.Z. - Que balanço faz destes dois

anos no comando técnico da Seleção

Nacional da Suíça?

J.P. - Ao nível da seleção nacional o balanço

parece me claramente positivo,

temos conseguido ultrapassar todas as

fases de qualificação em que estamos

envolvidos até jogar com as equipas de

topo mundial. Não tem sido um processo

fácil, no meio de uma reestruturação

de toda a equipa, com a saída de muitos

jogadores importantes e a entrada de jogadores

mais jovens com muita qualidade

mas que ainda necessitam de aprender

muito do jogo, conseguimos atingir

metas incríveis, este apuramento para

Dezembro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


DESPORTO

17

a main round é fantástico para o futsal

suíço, vamos receber três jogos oficiais

com grandes equipas, incluído uma das

três melhores equipas do mundo, a Espanha,

na Suíça, uma vez que esta fase

é em grupos de 4 equipas com jogos em

casa e fora.

Quanto às outras áreas também demos

passos muito importantes, implementamos

cursos de futsal nível 1 e 2, onde tivemos

a presença de muitos treinadores

e estamos a iniciar a implementação do

futsal jovem ao nível das regiões. Também

estamos a olhar para o futsal feminino

é para as possíveis seleções nacionais

jovens. Agora temos que dar um passo de

cada vez de forma sólida. Esta fase com

a epidemia do coronavírus não tem sido

fácil para ninguém e veio criar dificuldade

acrescida no processo, mas os objetivos

do projeto continuam intactos.

L.Z. - Que diferenças existem entre

trabalhar em clubes e na Seleção Nacional?

J.P. - São trabalhos completamente distintos.

Num temos competições de treinos

diariamente, é intensivo com um cariz

distinto. Numa seleção o processo é mais

estratégico e global, com menos tempo

para se estar com os jogadores têm que

se gerir todo o processo de forma distinta.

Só para se ter uma ideia, a seleção

nacional tem neste momento 78 treinos

em dois anos, o que é excelente para a

nossa realidade, enquanto uma equipa

que treine 4 vezes por semana faz isso

em 5 meses, no Benfica tinha mais que

isso em 3 meses. E todos sabemos que

o tempo de contacto com os jogadores

em treino é preponderante para que haja

um crescimento e desenvolvimento. Para

colmatar este défice temos que, de forma

inteligente, tentar beneficiar do trabalho

que os jogadores desenvolvem nos seus

clubes e potenciar as suas capacidades.

L.Z. - Um treinador experiente na I

Liga portuguesa, como avalia o nível

do futsal do campeonato português e

o campeonato suíço?

J.P.- O futsal suíço está a crescer, na minha

opinião com mais equipas com maior

qualidade, este não, não fosse o covid,

tínhamos muito maior competitividade,

mas nem tudo é bom, continua a ser muito

difícil escolher jogadores suíços para

a seleção nacional, uma vez que temos

muitos estrangeiros na SFPL, com a criação

de escalões jovens vamos incentivar

o aparecimento de novos jogadores na

SFPL de nacionalidade Suíça. Só para terem

uma ideia, para ter mais soluções de

jogadores suíços disponíveis sigo muitos

jogos da segunda divisão na procura de

soluções para a nossa equipa nacional.

Em relação com a liga portuguesa, a realidade

é totalmente distinta, a nossa liga é

quase totalmente amadora com as equipa

a treinarem duas vezes por semana

quase na sua totalidade, tirando algumas

que treinam 3 a 4 vezes, enquanto que a

liga portuguesa é quase na íntegra profissional

com todas as equipas a treinarem

mais que 5 vezes por semana. É uma diferença

gigante que queremos encurtar.

L.Z. - Como é que tem sido o trabalho

do selecionador nacional de futsal em

tempos de quarentena?

J.P. - Como já mencionei, não tem sido

fácil, fomos para este playoff com défice

físico devido a muitos jogadores não poderem

treinar há mais de 2 semanas, não

é fácil e a equipa ressente se, estivemos

sempre me contacto via zoom, fazendo

várias reuniões on-line, mas não chega

nem substitui o trabalho de campo. A

SFPL está parada, tudo está parado, o

que dificulta muito o trabalho. Só algumas

equipas treinam com autorizações especiais,

como o Minerva que vai disputar a

liga dos campeões de futsal no final deste

mês. Aproveito para desejar as maiores

felicidades ao Minerva na competição internacional,

é também muito importante

para o futsal suíço a sua boa prestação.

L.Z. - No Play-off da fase de qualificação,

o percurso terminou em beleza

com o apuramento no play-off com a

Alemanha, mas sofreu-se muito, que

analise faz deste percurso suíço até

agora na caminhada para o Euro 2022?

J.P. - Como já referi estivemos a trabalhar

em situações difíceis, sem poder treinar,

apenas aproveitar pequenos estágios

aos fins de semana, reuniões por zoom,

jogadores sem treinar há mais de duas

semanas, lesionados, jogadores impedidos

de jogar por causa dos trabalho, outros

por causa do Covide, não foi nada

fácil preparar este play-off.

O último estágio começou na quarta-feira

antes do primeiro jogo na sexta, tivemos

2 treinos para preparar a estratégia de

abordagem à eliminatória, só para se ter

uma ideia a Alemanha começou 5 antes

de nós o estágio.

Foi uma eliminatória com um enorme

desgaste, 6 dias muito intensos e exigentes,

não foi nada fácil de gerir.

Os meus jogadores foram fantásticos tal

a forma como se dedicaram a este play-

-off, aliás foram todos enormes, todo o

staff e todos os jogadores.

Foram uns heróis.

Tenho um orgulho imenso e um respeito

enorme pelo trabalho que eles desenvolveram.

L.Z. - Suíça apurada para próxima fase

ficou no grupo 6 com as equipas Letónia,

Eslovénia e a fortíssima Espanha,

que poderemos esperar da seleção

Suíça?

J.P. - Agora vem a Main Round e temos

também as nossas ambições, queremos

pontuar e melhorar o nosso jogo. Mostrar

que sabemos fazer coisas bem feitas e

ter qualidade no nosso jogo.

Vamos com a mesma paixão e entrega lutar

para irmos até onde for possível, sempre

com o espírito guerreiro e competitivo

que temos tido até aqui.

Vai ser muito positivo de certeza.

L.Z. - Nas suas últimas convocatórias,

incluiu André ́ Moreira um luso-helvético,

continuará a ser uma aposta na

seleção suíça?

J.P. - O André, tal como outros jogadores

da sua idade que temos a trabalhar connosco,

vão continuar nos trabalhos da

seleção. Estamos a preparar já o nosso

futuro e o mesmo passa por eles. Ainda

têm muito para aprender, o futsal é um

jogo muito exigente a nível tácito e eles

estão todos a melhorar dia para dia, há de

chegar o momento que estarão prontos

para mostrarem toda a qualidade técnica

que possuem, dentro da dinâmica tácita

da equipa. Há que continuar a trabalhar

arduamente sem vacilar que o prémio

surgirá.

L.Z. - O que acha então que é preciso

ainda fazer ao nível do futsal suíço

para subir um pouco mais?

J.P. - Já temos uma base que vai durar

ainda alguns anos o que permite maior

estabilidade no desenvolvimento da equipa,

contudo precisamos de melhorar a

SFPL no seu todo, mais treinos, dar apoio

aos treinadores através dos cursos e estimular

e enquadrar e apoiar o futsal jovem.

Estamos muito focados e envolvidos nesse

processo, e depois começar a colher

os frutos desse trabalho com o crescimento

da seleção nacional do futsal no

país com a melhoria das nossas equipas.

L.Z. - Tem o sonho ou gostava de ver o

futsal tornar-se um desporto olímpico

sendo incluído nos jogos olímpicos?

J.P. - Não tenho dúvidas que o futsal vai

ser um desporto olímpico, aliás já está

enquadrado nos jogos olímpicos da juventude

e na última edição foi um enorme

sucesso. Vai ser um passo gigante para

a modalidade que nos vai ajudar a todos.

L.Z. - Qual a mensagem que deixa aos

nossos leitores?

J.P. - Primeiro deixo um obrigado para

todos os nossos apoiantes, estás conquistas

também são deles, sem eles seria

ainda mais difícil, para os que não conhecem

a modalidade, desfio-os a ver um

jogo ao vivo, vão com certeza ficar fans.

Deixo uma palavra final para todos os jogadores

que não podendo estar presentes

deram um apoio incrível à equipa.

A todos bem hajam!

Dezembro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


18

Saturnália,

a origem do Natal

Pintura Thomas Couture, (1815 - 1879) foi um artista plástico e professor de pintura francês

Nem sempre o dia 25 de Dezembro foi dia de Natal

Nem sempre o dia 25 de Dezembro

foi dia de Natal. A origem da

celebração deste dia parece ser

muito antiga mas a filiação mais

directa provêm, como tantas outras

coisas, dos Romanos. Estes

celebraram durante muito tempo

uma festa dedicada ao deus Saturno

que durava cerca de quatro

dias. Nesse período ninguém trabalhava,

ofereciam-se presentes,

visitavam-se os amigos e, inclusivamente,

os escravos recebiam

permissão temporária para fazer

tudo o que lhes agradasse, sendo

servidos pelos amos. Era também

coroado um rei que fazia o papel

de Saturno. Esta festa era chamada

Saturnália e realizava-se no

solstício de Inverno.

Convém lembrar aqui que o solstício de Inverno

era uma data muito importante para

as economias agrícolas – e os Romanos

eram um povo de agricultores. Fazia-se

tudo para agradar os deuses e pedir-lhes

que o Inverno fosse brando e o Sol retornasse

ressuscitado no início da Primavera.

Como Saturno estava relacionado com a

agricultura é fácil perceber a associação

do culto do deus ao culto solar.

Mas outros cultos existiam também, como

é o caso do deus Apolo, considerado como

„Sol invicto”, ou ainda de Mitra, adorado

como Deus-Sol. Este último, muito popular

entre o exército romano, era celebrado

nos dias 24 e 25 de Dezembro data que,

segundo a lenda, correspondia ao nascimento

da divindade. Em 273 o Imperador

Aureliano estabeleceu o dia do nascimento

do Sol em 25 de Dezembro: Natalis Solis

Invicti (nascimento do Sol invencível).

É somente durante o século IV que o nascimento

de Cristo começa a ser celebrado

pelos cristãos (até aí a sua principal festa

era a Páscoa) mas no dia 6 de Janeiro, com

a Epifania. Quando, em 313, Constantino

se converte e oficializa o Cristianismo, a

Igreja Romana procura uma base de apoio

ampla, procurando confundir diversos cultos

pagãos com os seus. Desistindo de

competir com a Saturnália, deslocou um

pouco a sua festa e absorveu o festejo pagão

do nascimento do Sol transformando-

-o na celebração do nascimento de Cristo.

O Papa Gregório XIII fez o resto: é mais

fácil mudar o calendário do que mudar a

apetência do povo pelas festas...

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COMUNIDADE

19

Magusto do C.L.Z.

nas novas instalações

JORGE MACIEIRA

Nos passados sábados 7 e 14 de Novembro,

o Centro Lusitano de Zurique realizou

o seu já tradicional magusto nas suas novas

instalações.

Amigos, clientes, sócios e direcção juntaram-se

nessas tardes para celebrarem

juntos mais uma das já habituais tradicionais

festas portuguesas realizadas pelo

Centro Lusitano. Como diz o proverbio

“no dia de São Martinho, pão, castanhos

e vinho”, faltou o pão mas houve direito a

saborosa castanha, caldo verde e até

Água-pé.

Uma tradição portuguesa celebrada normalmente

a 11 de Novembro em honra de

“um cavaleiro gaulês chamado Martinho,

na tentativa de regressar a casa quando

encontrou a meio do caminho, durante

uma tempestade, um mendigo que lhe

pediu uma esmola. O cavaleiro, que não

tinha mais nada consigo, retirou das costas

o manto que o aquecia, cortou-o ao

meio com a espada, e deu ao mendigo”.

Este ano por mais um ano consecutivo,

desta vez dividida em dois dias para não

haver um ajuntamento tão grande e respeitar

as regras impostas pelo cantão de

Zurique, optamos por esta solução que

agradou e teve um resultado maravilhoso.

Dezembro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


20

AGENDA

MAPS Info´

Queridas leitoras e leitores, a pandemia

do coronavírus ainda não acabou e as

medidas foram reforçadas. A obrigatoriedade

do uso de máscara se aplica

agora a muitos lugares no espaço público.

O Conselho Federal recomenda

que você fique em casa e reduza o

contato com outras pessoas. Mantenha

uma distância de pelo menos 1.5m de

pessoas fora de sua casa, lave as mãos

regularmente e use uma máscara protetora

nos transportes públicos. Devido

à situação atual, os eventos podem ser

cancelados em curto prazo. Além disso,

muitos eventos têm um número limitado

de participantes e o registro é

obrigatório. Informe-se antes de ir para

um evento. Apesar de tudo, a equipe

MAPS deseja a você muita diversão!

01.12.2020 (Dienstag)

Viagem de conhecimentos

A associação «focusTerra» da «ETH Zurich»

oferece interessantes visitas guiadas

online sobre vários tópicos científicos.

Descubra coisas interessantes sobre o Ártico

ou faça uma viagem à Mongólia. Em

alemão. Grátis.

http://www.focusterra.ethz.ch/ihr-besuch/

online-touren.html

02.12.2020 (Mittwoch)

Assar „Grittibänz“

No „GZ Witikon“ você pode assar um „Grittibänz“

junto com outras pessoas. Este

delicioso doce é comido na Suíça em dezembro.

Prove! 15:00-17:00. Informações

e inscrições diretamente no «GZ Witikon».

CHF 5.- por 250 gramas de «Grittibänz».

GZ Witikon. Witikonerstr. 405.

Bus 31 bis „Loorenstrasse“.

http://www.gz-zh.ch/gz-witikon

03.12.2020 (Donnerstag)

Festival de cinema (até 08.12.)

O «Human Rights Film Festival» exibe longas-metragens

e documentários sobre o

tema dos direitos humanos. Hoje é a abertura

do festival. 18:30. Com KulturLegi CHF

14.- (em vez de CHF 19.-). Entrada gratuita

para pessoas com N/F-Ausweis. O escritório

da MAPS sorteia 2 passes para todo

o festival. Basta ligar para: 044 415 65 89

ou escrever um e-mail: maps@aoz.ch.

Kosmos. Lagerstr. 104.

Tram 3/14 bis „Sihlpost“ oder Bus 31/32

bis „Militär-/Langstrasse“.

http://www.humanrightsfilmfestival.ch

05.12.2020 (Samstag)

Mercado de Natal

Neste mercado de Natal no «GZ Heuried»

você encontrará artesanato, iguarias e especialidades

do «Kreis 3». Além disso há

também comidas e bebidas pagas. 11:00-

17:00. Entrada livre.

GZ Heuried, Standort Manesse. Staffelstr.

5.

Tram 5/10/13 oder Bus 72 bis „Sihlcity

Nord“.

http://www.gz-zh.ch/gz-heuried/

http://www.gz-zh.ch/gz-heuried/angebote/

maert55-weihnachts-edition-2020/

06.12.2020 (Sonntag)

«Samichlaus» no bosque

Venha com seus filhos e conheça o «Samichlaus»

no bosque. As crianças podem

trazer um poema, uma canção ou um desenho

para o «Samichlaus». Ao final você

receberá uma sacola com guloseimas.

17:00-18:00. CHF 8.-.

GZ Leimbach. Leimbachstr. 200.

Bus 70 bis „Sihlweidstrasse“.

http://www.gz-zh.ch/gz-leimbach

08.12.2020 (Dienstag)

Correr juntos

No clube de corrida «Züri rännt», o foco

é a diversão. Desfrute de exercícios ao ar

livre e conheça lugares desconhecidos.

Existem vários grupos nos quais você

pode participar sem se registrar. Toda ter

06:30-07:30, ponto de encontro: «Landesmuseum».

Toda qua 9:00-10:00, ponto de

encontro: «Bürkliplatz». Toda qui 19:00-

20:00, ponto de encontro: «Münsterhof».

Participação gratuita.

Landesmuseum. Museumstr. 2.

Tram 4/11/13/14 oder Bus 46 bis „Bahnhofquai/HB“.

http://www.zueriraennt.ch

09.12.2020 (Mittwoch)

Ponto de encontro para crianças

Nas tardes de quarta-feira (exceto durante

as férias escolares), as crianças até 10

anos encontram-se com os seus amigos

na «GZ Oerlikon» para brincar, conversar e

fazer atividades manuais. Basta vir e participar!

14:00-17:00. Participação gratuita.

GZ Oerlikon, Atelier G. Gubelstrasse 10.

Tram 10/14 bis „Salersteig“.

http://www.gz-zh.ch/gz-oerlikon

10.12.2020 (Donnerstag)

Apresentação de dança

O „Tanzhaus“ apresenta a peça „Goodbye

Johnny“ de Martin Zimmermann. É uma

mistura bizarra de movimentos e teatro de

objetos e é apresentada por apenas uma

pessoa. 20:00. O escritório da MAPS está

sorteando 2×2 entradas gratuitas. Basta

ligar para: 044 415 65 89 ou escrever um

e-mail: maps@aoz.ch.

Tanzhaus Zürich. Wasserwerkstr. 129.

Tram 4/6/13 bis „Dammweg“ oder S2/8/14

oder Bus 33/46 bis „Bahnhof Wipkingen“.

http://www.tanzhaus-zuerich.ch

http://www.tanzhaus-zuerich.ch/veranstaltungen/goodbye-johnny-101220/14963

11.12.2020 (Freitag)

Jardim zoológico em casa

Seus filhos gostam do jardim zoológico? O

projeto «Zoo Dihei» traz o zoológico direto

para sua sala com ótimas dicas de atividades

manuais, passa-tempos e ideias para

jogos. Pinte, por exemplo, um camaleão

com cola e sal. Gratis.

DEZE

http://www.zoo.ch/de/schule-im-zoo/zoo-

-dihei

12.12.2020 (Samstag)

Exposição sobre o Natal

(até 10.01.21)

Na exposição de Natal no «Landesmuseum»

você pode ver vários presépios e

calendários do advento. Este ano, o foco

está em presépios de mosteiros femininos,

e o primeiro calendário de Natal preenchido

na Alemanha está em exibição. Ter/qua

e sex-dom 10:00-17:00. Qui 10:00-19:00.

Com KulturLegi CHF 5.- (em vez de CHF

10.-). Crianças e jovens até 16 anos grátis.

Landesmuseum. Museumstr. 2.

S-Bahn bis „Zürich Hauptbahnhof“, Tram

4/6/11/13/14 oder Bus 46 bis „Bahnhofquai/HB“.

http://www.landesmuseum.ch

http://www.zuerich.com/de/besuchen/veranstaltungen-in-zuerich-und-region

13.12.2020 (Sonntag)

Feiras em Zurique

As feiras da cidade oferecem flores, legumes

frescos, especiarias e especialidades

de diversos países. Passeie pelas barracas

e descubra coisas novas. Hoje em „Altstetten“,

„Oerlikon“ e na „Rathausbrücke“.

06:00-12:00. Informações sobre horários e

locais em: www.zuercher-maerkte.ch.

14.12.2020 (Montag)

Informações telefónicas da AOZ

para refugiados

A crise do coronavírus diz respeito a todos

nós. Você tem alguma pergunta sobre o

coronavírus? Quais são as recomendações

atuais? Como proceder? Aqui você

encontrará todas as informações importantes

sobre a situação atual. Ligue ou

escreva para nós por SMS ou WhatsApp.

Você pode obter informações em: árabe,

dari, alemão, inglês, farsi, francês, curmânji,

somali, sorâni, espanhol, tamil, tigrínia,

turco e urdu. Grátis. Informações em:

www.stadt-zuerich.ch/aoz/de/index/integration/erstinformation/hotline.html.

Dezembro 2020 | Lusitano de Zurique | WWW.CLDZ.EU


MBRO

15.12.2020 (Dienstag)

Assar biscoitos natalinos em casa

Faça deliciosos biscoitos de Natal em casa

com toda a família. Na página web www.

fooby.ch você encontrará muitas receitas

de pastelaria para «Mailänderli», «Brunsli»

ou «Zimtsterne», que você pode preparar

para o Natal e em outras ocasiões. Livre.

http://fooby.ch/de/rezepte/xmas-backen.

html?queryFeed1=&startFeed1=0&filters-

Feed1[treffertyp]=rezepte

16.12.2020 (Mittwoch)

Apresentação teatral

Em 1945 a actriz Nikola Weisse fugiu da

Alemanha com a sua família em direcção ao

oeste. Na peça de teatro „Vaters Aktentasche“,

com cartas, livros, fotos e mapas ela

faz uma reconstituição da fuga e fala da expulsão

e da perda. 20:00. Entrada livre para

pessoas com N/F-Ausweis (de contrário,

CHF 15.-).

Theater Winkelwiese. Winkelwiese 4.

Tram 3/5/9 oder Bus 31 bis „Kunsthaus“.

http://www.winkelwiese.ch

http://winkelwiese.ch/2020-21/programm/

vaters-aktentasche

17.12.2020 (Donnerstag)

Café das línguas online

O „Maxim Theater“ disponibiliza um café

das línguas online. Num ambiente descontraído,

converse online em alemão sobre

os mais variados temas e conheça outras

pessoas. Informações e link para o Zoom

em www.maximtheater.ch. Qui 17:00-18:30.

Participação gratuita.

http://www.maximtheater.ch

Jardinar em conjunto

Colabore e ajude a tratar do «Labyrinth-

-Garten». À quinta-feira de Março a Dezembro

voluntários podem ajudar em diversos

trabalhos de jardinagem e trocar ideias à

volta de uma chávena de chá. Hoje decorre

o último dia de jardinagem deste ano.

09:00-16:00. Participação gratuita.

Zeughaushof. Labyrinthplatz.

Bus 31 bis „Kanonengasse“.

http://www.labyrinthplatz.ch

http://www.labyrinthplatz.ch/veranstaltungskalender

18.12.2020 (Freitag)

Histórias na língua materna

O projecto «Family Literacy» apoia os pais

a estimular os seus filhos a nível da linguagem

e incentiva famílias de origem estrangeira

a falar a sua língua materna. Pais e

crianças contam histórias, lêem, brincam e

cantam em conjunto. As sessões de leitura

realizam-se em dias diferentes em albanês,

francês, português, espanhol, tamil e turco.

Hoje em inglês. 09:30-11:00. Informações:

043 311 28 40. Participação gratuita.

PBZ Sihlcity. Kalanderplatz 5.

Tram 5/10/13 oder Bus 72 bis «Sihlcity

Nord».

http://www.pbz.ch/sihlcity

19.12.2020 (Samstag)

Aprender alemão em casa

No grupo de Facebook «Deutsch lernen

Zuhause», encontra informações para a sua

auto-aprendizagem. Descubra, por exemplo,

quais as aplicações gratuitas que pode

utilizar. Siga as instruções de novos links

para aprender alemão. Gratuito.

http://www.facebook.com/deutschlernenzuhause/

21.12.2020 (Montag)

Cortar o seu pinheiro de Natal

Anda à procura de uma árvore de Natal? Vá

buscar um pinheiro da floresta de Zurique.

Se quiser, pode até cortar a sua própria árvore.

O preço depende do tamanho e género

da árvore. Até 23.12. seg-sáb 08:00-17:00.

No dia 24.12. 08:00-12:00. Entrada livre.

Forstgarten Albisgüetli. Uetlibergstr. 355.

Tram 10/13 bis „Albisgütli“.

http:// www.stadt-zuerich.ch/gsz

http://www.stadt-zuerich.ch/ted/de/index/

gsz/aktuell/gruenagenda/2020/september-

-dezember/frischbaum-selber-schneiden-

-entlisberg.html

22.12.2020 (Dienstag)

Exposição sobre a China (até 17.01.21)

Com as suas montanhas, florestas e cursos

de água, a natureza na China é muito

diversificada e inspirou diversos artistas.

Na exposição «Sehnsucht Natur» aprecie

cerca de 80 obras da pintura de paisagens.

Ter-dom 10:00-17:00. Qua 10:00-20:00. Entrada

livre para pessoas com N/F-Ausweis

ou cartão KulturLegi (em vez de CHF 18.-).

Museum Rietberg. Gablerstr. 15.

Tram 7 bis „Museum Rietberg“.

http://www.rietberg.ch

http://www.rietberg.ch/ausstellungen/sehnsucht-natur

23.12.2020 (Mittwoch)

Cinema em casa

Desfrute de um filme com a família no conforto

de sua casa. Com a aplicação «Play

SRF App» pode ver em casa muitos filmes

e séries. Há filmes para toda a família. Gratuito.

http://www.srf.ch/play/tv

AGENDA

21

24.12.2020 (Donnerstag)

Labirinto na noite de Natal

Na noite de Natal o «Labyrinth-Garten»

transforma-se num jardim de luzes. Desfrute

com toda a família deste maravilhoso

espectáculo. 17:00-18:00. Participação gratuita.

Zeughaushof. Labyrinthplatz.

Bus 31 bis „Kanonengasse“.

http://www.labyrinthplatz.ch

http://www.labyrinthplatz.ch/veranstaltungskalender

25.12.2020 (Freitag)

Encontro virtual com familiares e

amigos

Este ano, tudo é diferente devido à pandemia

do Coronavirus. Por isso, encontre-se

online com amigos, familiares e conhecidos,

conversando com eles por video-chamada

usando a App «Zoom». Um grupo

pode ter 100 pessoas no máximo. Apenas

uma pessoa do grupo precisa de ter a App,

os restantes participantes podem ser convidados

com um link. Gratuito.

http://www.zoom.us

27.12.2020 (Sonntag)

Caminhar até «Üetliberg»

Faça uma caminhada e visite a montanha

local de Zurique. Situada a 900 m de altitude,

«Üetliberg» oferece uma fantástica

vista sobre Zurique. Pode começar a subir

partindo de «Albisgütli», de «Triemli» ou do

parque de estacionamento «Uitikon-Waldegg».

A caminhada dura cerca de uma hora.

Tram 10/13 bis «Albisgütli».

Tram 9/14 oder Bus 33/80 bis „Triemli“.

28.12.2020 (Montag)

Desporto na natureza

Os circuitos de manutenção são percursos

assinalados na floresta e estão disponíveis

ao público em geral. Para os entusiastas do

desporto são uma excelente oportunidade

para treinar a resistência, força, agilidade e

coordenação ao ar livre. As placas explicam

como realizar os diversos exercícios. Informações

sobre os percursos: www.zurichvitaparcours.ch.

30.12.2020 (Mittwoch)

KulturLegi

KulturLegi é um cartão para pessoas com

baixos rendimentos. Beneficie de preços

reduzidos em roupa, comida, concertos,

cursos de alemão e muito mais. Por exemplo,

com o cartão KulturLegi tem direito a

entrada livre no «Museum Rietberg», na

«Kunsthaus» ou no «Nordamerika Native

Museum». Informe-se na «Caritas» através

do número 044 366 68 48 ou zuerich@kulturlegi.ch.

Também pode pedir o cartão KulturLegi

no escritório da «Caritas». Seg-sex

09:00-13:00, 14:00-17:00.

Caritas Zürich, KulturLegi. Reitergasse 1.

Tram 3/14 oder Bus 31 bis „Sihlpost“.

http://www.kulturlegi.ch

Fonte:Maps Züri Agenda

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22

CRÓNICA

Que raio de sorte!

CARLOS ESPERANÇA

Quando a esperança de vida se

ia reduzindo, fruía-se o tempo

com os amigos e os dias eram

contados em função do regresso

de filhos e netos. Os afetos

explodiam e os braços enchiam-

-se de corpos que se estreitavam;

os lábios encontravam

faces que se ofereciam à doce

carícia de contactos; os dias

eram o espaço de tempo para

exprimir sentimentos, cultivar

ócios e regressar às leituras que

nos preencheram a vida.

Tudo nos fazia esquecer as rugas,

os lapsos de memória, moléstias

da idade e dores do corpo

e da alma. Tudo se desvaneceu

numa reclusão autoimposta

ou em deambulações solitárias,

na esperança de um impossível

regresso à normalidade.

Um homem nunca anda só, é

verdade, traz consigo memórias

de vida, marcas do trajeto que

percorreu, histórias por contar,

recordações que nos preenchem

os vazios, mas falta agora

a alegria que os amigos traziam

à tertúlia e até o ar que se inspirava

na tranquila e lenta oxigenação

dos pulmões, agora concentrado

de anidrido carbónico

que se acumula na máscara que

nos defende e oprime.

Hoje, todos os amigos são suspeitos,

e os filhos e netos, perigosos.

Receamos o ar onde

passou o troglodita sem máscara

ou tossiu um mascarado

a aliviar o catarro. Fugimos do

restaurante habitual, que antes

regurgitava de gente, agora com

o espaço vazio à espera de melhores

dias.

Há meio século os homens tiravam

o chapéu por cortesia, agora

colocam a máscara por delicadeza

e olham-se de soslaio

os energúmenos que a usam no

pescoço, no pulso ou a trazem

no bolso.

Lenta e inexoravelmente o distanciamento

físico converte-se

em afastamento social.

Que raio de sorte!

G https://www.facebook.com/transportes.fernandes

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CRÓNICA

23

Sebastião Alba - Poeta insubmisso

Dir-me-eis: mas o Nuno Nozelos e o Sebastião

Alba[*] não nasceram, propriamente,

em Torre de Dona Chama.

Então, o que há nisto tudo de fascinante e

arrebatador?

TERESA A. FERREIRA

Quem é este poeta que tanto me

apaixona?

Poderia começar por debitar o que, facilmente,

ireis encontrar vertido por todo o

lado em páginas públicas na Internet. Deixo-vos

esse gozo da descoberta.

Resta-me, então, falar do que não está

escrito, da emoção que sinto quando toco

neste nome maior: Sebastião Alba, pseudónimo

do Dinis Albano Carneiro Gonçalves

(Braga 1940-2000).

Estareis neste momento a questionar - o

que é que me liga a ele?

Quando há dias escrevi o poema NASCI

EM TERRA DE POETAS estava a pensar

no Nuno Nozelos, no Sebastião Alba, no

Ernesto Rodrigues e na Ana Bárbara de

Santo António e, no aconchego de berço

que Torre de Dona Chama tem.

Para quando um Parque dos Poetas na

nossa Torre?

E estais cobertos de razão. Ser da Torre

não advém da condição de nascimento,

mas do amor que se tem pela terra.

É preciso sentir o fervor crescente do

encanto quando se chega à Torre, o

cheiro que a natureza emana, o colorido

da paisagem, o silêncio, o sossego,

a ausência do bulício da cidade. É o reflorescer

de emoções despoletadas a

cada regresso. É a magia de sentir tudo

fresco e novo como se fosse candura

divina. É o impensável e indescritível a

percorrer as veias mantendo a alma em

resplendor. É ser-se genuíno e simples

abraçando os seus com clamor.

Tanto o Nuno como o Sebastião, a seu

pedido, jazem no cemitério da Torre.

Quereis prova maior!?

Hoje, quero centrar-me no Sebastião

Alba, o nosso Dinis, filho de gente da

Torre.

Quanto mais procuro saber sobre ele,

mais cresce a vontade de abraçar a

alma deste Grande Poeta e Homem.

Não é apenas a obra que nos deixou e

que me traz em desassossego, é o facto

de eu sentir que tenho de ir ao encontro

do Homem, conhecê-lo nas diversas faces

e camadas para o compreender, para

me aproximar, para saber a cada dia um

pouco mais, para lhe tocar na aura e descer

à essência.

Descobri um homem sensível, inteligente,

cultíssimo, de uma memória extraordinária,

um ser inebriante, um nómada que tinha

por casa a mortalha, insubmisso aos

homens, às leis, às regras, à sociedade,

um anarca.

Estareis por esta altura a levantar a ponta

do dedo para me lembrar de que este

homem vivia como um sem-abrigo, era um

ser errante despojado de bens, quando

até tinha família; dormia ao relento; andava

sempre acompanhado de um rádio sintonizado

na Antena 2; trazia no bolso a harmónica

de beiços que tocava divinamente;

uma garrafa de vinho escondida dentro de

um saco de plástico; trazia a roupa do corpo

e nada mais; passava fome e algumas

pessoas davam-lhe de comer; escrevia divinamente,

o que a mente lhe ditava, em

qualquer pedaço de papel; deixava pequenos

escritos como bilhetes, aqui e acolá,

pelas pessoas a quem queria bem. Alguns

que se aproximavam, sentiam repulsa pelo

cheiro e o modo rude como ele às vezes os

tratava. Só os verdadeiros amigos ficavam.

Ah, se pudesse voltar no tempo, ao tempo

em que ele deambulava por Torre de Dona

Chama, aquando das visitas à terra, à família

e aos amigos! Tentaria aproximar-me

dele, pouco a pouco, para o ir conhecendo,

matando a minha sede na sua imensa

sapiência, humanismo e sensibilidade.

Quem sabe, não nos entenderíamos e trocaríamos

papeizinhos escritos com algum

poema, quem sabe!?

Descobri alguns pontos comuns que nos

teriam aproximado, julgo eu. Ambos amamos

a liberdade, os pássaros e seu canto,

o voo livre, o ser humano enquanto frágil,

por exemplo: as crianças e os idosos, a

música, a literatura, a poesia, o amor romântico,

o mar.

Estudei sempre fora e por longe fiquei a trabalhar.

No pouco tempo que passei na Torre,

nunca tive a sorte de me cruzar com ele.

Dinis viveu além do limite humano e excedeu-se

na poesia. Poeta de extraordinária

qualidade; Ser Humano a estudar no seu

todo.

Deixo-vos, para deleite, com uma poesia

sua...

Na sua primordial existência…

Na sua primordial existência

a poesia deixar-me-á da ternura

só o que é defensável

e à margem do papel em que escrevi

as cidades e os campos

através dos quais me acenou

apartará do meu paladar

o sabor do sagrado

com que ainda a nomeie

já não buscarei nos ensaios que cerco lhe moviam!

e nos ideais por que alheada

roçagou

que da janela eu não deslinde

de um cão em paz

a visagem ancestral

e a minha emoção seja enfim sedentária

e recém-chegada a noite finde

sem dar acordo de si.

Sebastião Alba

Teresa A. Ferreira, 28-11-2020,

in Diário de Trás os Montes

(*) Sebastião Alba, pseudónimo de Dinis Albano Carneiro Gonçalves, foi um escritor português, nasceu a 11 de Março de

1940 em Braga. A 14 de Outubro de 2000, Sebastião Alba vítima de atropelamento morre também em Braga. A 7 de Outubro,

quase como pressentimento, escreveu um bilhete dirigido ao seu irmão: “Se um dia encontrarem o teu irmão Dinis, o

espólio será fácil de verificar: dois sapatos, a roupa do corpo e alguns papéis que a polícia não entenderá”.

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24

ESPECTÁCULO

“Novembro... Que Rumos”

“Novembro... Que Rumos” é o último

trabalho de Pedro Barroso,

que foi editado postumamente

pela Editora Ovação.

Novembro… o mês em que Pedro Barroso

nasceu, em que acabaram as gravações

e também do nascimento deste

disco.

“Que Rumos” que dá também título a

esta edição, interpretado em duo com

Patxi Andión, é o tema de aposta e mais

especial deste disco por todos os motivos:

pela genialidade, pela musicalidade,

pela mensagem, e por ser interpretado

por dois “monstros” da música, que infelizmente

já nos deixaram… e sem substitutos

à altura.

Citando Pedro Barroso: “…dolorosamente

mais sentido - ao meu querido Patxi

Andión, a quem pedira em Abril deste

ano, para partilhar voz na minha canção

“Que rumos?” A sua disponibilidade

imediata, a sua resposta, o entusiasmo

e o seu companheirismo calarão para

sempre na minha memória. Quinze dias

depois de gravar, morreu; e nunca mais

poderemos dar aquele caloroso abraço

- devido, obrigado e natural - que distinguiria

tal privilégio e selaria a nossa

amizade de vida que assim, inesperadamente,

fica ao mesmo tempo, interrompida,

mas também eternamente plasmada

numa canção”.

O Maestro Pedro Barroso deixou-nos,

mas só na sua figura, porque a sua obra

essa ficará para sempre! Com uma carreira

artística longa mas sempre coerente,

sempre marcada pela sua voz potente

e emotiva transformou muitas das suas

composições em autênticos sucessos

que motivaram gerações e ultrapassaram

fronteiras: “Eu não quero legar aos

meus filhos e netos uma pátria sem sentido,

uma humanidade sem horizontes”,

dizia Pedro Barroso numa entrevista ao

Jornal Público, em 2017, antes de enfrentar

de novo os palcos.

A sua extensa obra musical, a sua poesia

e o que nos transmitiu na sua pintura,

revelam a sua verdadeira personalidade

e genialidade sempre motivada por uma

análise social muito própria onde a revolta,

o amor e a paixão estiveram sempre

presentes.

Resta-nos agora ouvir o dueto (único e

último) que uniu Pedro e Patxi, e sentir a

força das palavras de Pedro Barroso nas

suas últimas músicas.

Já está disponível desde meados do mês

passado.

O CLZ deseja-vos

Boas Festas!

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Lena D’Água

ESPECTÁCULO

25

“Desalmadamente”

© Joaquim Galante

Lena D’Água, no Maria Matos,

para apresentar o seu álbum de

inéditos ‘Desalmadamente’

Simplesmente sublime o concerto

há muito esperado em Lisboa.

JOAQUIM GALANTE

O Teatro Maria Matos, viu esta noite Lena

D’Água retomar os concertos de apresentação

do seu mais recente trabalho ‘Desalmadamente’,

interrompidos devido ao

covid.

Com os lugares disponíveis esgotados,

Lena mostrou, durante o concerto, o porquê

de ser uma artista carismática, no

panorama musical português, e do riquíssimo

legado que deixará para gerações

vindouras. A legião de fãs que a seguem

e a adoram, conferem à cantora uma aura

muito própria.

Durante o show, para além dos novos temas,

recordou músicas que fizeram dela

umas das responsáveis pelo boom do pop/

rock cantado em português, ombreando,

na época, com os TAXI e os UHF, na liderança

dos tops nacionais. Músicas que

trazem muita nostalgia e que marcaram

uma época de viragem para novas sonoridades,

como Vígaro, Robot, Dou-te Um

Doce, Perto De Ti, Demagogia e Sempre

Que O Amor Me Quiser.

Nervosa e ansiosa pelo momento, conforme

disse em palco, mas animada e empolgada,

como já tinha deixado perceber nas

redes sociais, sentindo-se uma adolescente,

Lena não defraudou o público presente

e durante 90’ a noite se fez dia. Por

mim, um flash passou, iluminou o baú das

recordações e me fez reviver um tempo

que, estando longe, passou tão depressa.

Hoje, a sintonia com o público, durante o

concerto, foi algo divino.

Sempre em grande ritmo e dialogando animadamente

com o público, entre canções,

ainda teve fôlego para, no encore, cantar

‘A Culpa É Da Vontade’ sem apoio de banda,

num ‘monólogo’ com o público que a

aplaudiu de pé.

Ouvir Lena D’Agua é recordar a primeira

mulher a liderar uma banda de pop/rock

com sucesso em Portugal (Beatnicks e

Salada de Frutas). A sua beleza, caracter,

irreverência e uma voz única, dominaram

os tops musicais do início dos anos 80.

‘Dou-te Um Doce’, foi o primeiro videoclipe

português a passar na experimental Europa

TV (1985), no programa musical ‘Countdown’,

apresentado por Adam Curry, outros

tempos.

Ouvi-la é recordá-la vestida como Cleópatra,

(no programa de Carlos Cruz, 1,2,3) em

todo o seu esplendor de beleza, sensualidade,

de coração e voz doce, interpretando

‘Sempre Que O Amor Me Quiser’. É

recordar em todas as suas formas, aquela

miúda livre, arrojada e sem limites, que

partia corações entre os adolescentes de

então.

Durante a sua caminhada nas artes experimentou

várias valências, desde o teatro

e música para crianças, passando pelo

cinema, TV, fixando-se definitivamente na

música para todas as idades. ‘Desalmadamente’

é o regresso triunfal há muito esperado

de uma cantora de méritos infinitos.

Lena D’Água regressa assim, desalmadamente,

à cena musical nacional, com

vontade de fazer aquilo que melhor sabe,

e que a guiou durante os seus verdes anos

musicais, viver e cantar com intensidade.

Hoje, ouvir Lena D’Água, é ter a certeza

que na vida não há um fim, mas sim recomeço,

para fazermos aquilo que mais gostamos

e, no seu caso, poder de novo abraçar

os fãs que há muito suspiravam por ela

e de quem nunca se deveria ter ausentado.

Temos, pois, a ‘Bela Adormecida’ de volta

30 anos depois, de ‘Tu Aqui’, dedicado

a variações, para ficar, para minha felicidade,

para felicidade dos fãs e, em geral,

para felicidade da música portuguesa.

Alinhamento (a negrito as músicas do

novo álbum): ‘Minutos’ – ‘Enquanto Assim

For’ –‘Hipocampo’ – ‘Grande Festa’

– ‘Vígaro’ – ‘Ópá’ – ‘Formatada‘ – ‘Robot’

– ‘Dou-te Um Doce’ – ‘Bem Que Vos

Avisei’ – ‘Voltas Trocadas’ – ‘Perto De

Ti’ – ‘Demagogia’ – ‘Queda Para Voar’ –

‘Desalmadamente’ Encore: ‘A Culpa É Da

Vontade’ – ‘Sempre Que O Amor Me Quiser’

– ‘Hipocampo’.

Texto e foto: FOCUSMSN

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26

CRÓNICA

Comparar o Chega ao PCP

ou ao BE é pornográfico

LUÍS OSÓRIO

1.

Mais pornográfico do que o acordo PSD

com o Chega nos Açores – e do reiterar

por parte de Rui Rio da disponibilidade

para que esse acordo possa ser nacional

– é o repetir do argumento de que não faz

sentido criticarem o PSD por se aliar ao

Chega quando o PS se aliou ao Partido

Comunista e ao Bloco de Esquerda.

Um argumento ensaiado por vários comentadores

dispersos por aqui e por ali.

E repetido até à náusea nas redes sociais

por pessoas comprometidas com a possibilidade

de uma nova ordem à direita.

O Partido Comunista e o Bloco de Esquerda

são tão maus ou piores do que o

Chega é o mantra que passou a ser uma

palavra de ordem. E é isso que iremos

ouvir nos próximos larguíssimos meses.

2.

Comparar um partido com simpatias pelo

fascismo, um partido que faz pactos com

movimentos populistas em toda a Europa,

um partido que deseja o regresso

da pena de morte, que quer vigiar muçulmanos

e expulsar ciganos, que grita

aos quatro ventos que deseja instaurar

uma “quarta República” e um partido em

que militantes chegaram a defender que

as mulheres que abortam deveriam ficar

sem ovários não pode ser comparável –

nem por brincadeira – ao Partido Comunista.

3.

E o simples facto de isso ser ensaiado

por gente do PSD – em nome da ambição

do poder, é a triste prova de que em

nome da vingança em relação a António

Costa irá valer tudo – até um pacto com

o demónio.

Vamos lá a ver.

O Partido Comunista é um partido com

100 anos. Ao longo da sua história viu

largas centenas de militantes morrerem

em nome de uma ideia de libertação do

fascismo salazarista.

Enquanto os outros desistiam o PCP

manteve-se na luta.

Não desistiu.

Não se rendeu.

Milhares foram torturados, centenas

mortos, quase todos viram as famílias ser

atingidas, chantageadas, todos deixaram

de ter a possibilidade de trabalhar ou de

existir como seres humanos.

E nesse combate inclemente contra a ditadura

estiveram ao lado e participaram

em campanhas políticas de apoio a figuras

que não eram comunistas.

Norton de Matos e Humberto Delgado foram

apoiados fortemente pelo PCP.

Da mesma maneira que estiveram ao lado

de projetos que aglutinavam muitos outros

democratas não-comunistas como a

CDE (apenas para dar um exemplo)

Já agora, em 1975, no final do PREC,

quando todos vaticinavam que o PCP iria

tomar o poder por ter, aparentemente, o

controle do poder militar e das armas, foi

Álvaro Cunhal e o seu secretariado quem

travou a possibilidade.

E essa foi a razão para que Melo Antunes,

o ideólogo do 25 de Novembro, tenha ido

à televisão defender os comunistas e defini-los

como essenciais à democracia.

Na história da democracia portuguesa

nunca existiu, e já lá vão quase 50 anos, o

mínimo deslize institucional. Nos sindicatos

ou nas câmaras municipais os comunistas

deixaram a sua marca sem nunca

colocarem em causa a democracia que

ajudaram a fundar.

4.

É chocante ver alguma gentalha comparar

os comunistas com o Chega.

Chocante comparar homens e mulheres

que se sacrificaram e ofereceram a sua

vida, com pessoas como André Ventura e

os que o seguem.

Gente como António Dias Lourenço (e

poderia falar de tantos outros ou outras),

sempre de sorriso franco, sempre capaz

e disponível para um abraço, mas sempre

com o ímpeto da luta, do combate

por uma revolução em que acreditou até

regressar à clandestinidade aos 95 anos.

É o que penso quando nele penso. Regressou

à clandestinidade, nunca me

passa pela cabeça que tenha morrido.

É o que penso, sim.

No seu regresso a Vila Franca e ao Alentejo

onde conseguiu que tantas centenas

acreditassem que era possível derrubar

Salazar (Saramago dedicou-lhe Levantado

do Chão). No seu regresso a Peniche

onde voltará a dar um salto de 30 metros

para as águas de onde nenhum cabrão

de nenhum PIDE acreditou que fosse

possível escapar. No seu reencontro com

o filho de dez anos, António como ele,

que viu morrer com uma leucemia. Estava

na cadeia e Salazar concedeu-lhe dez

minutos para se despedir da criança.

Contou-me, sabem?

É como se o ouvisse. “Custou-me tanto.

Queria bater aos guardas, mas seria a

última imagem que o filho levava do pai.

Tive de me fazer de forte, sorrir e dizer

ao António que brevemente nos iríamos

voltar a ver”.

Como é possível comparar?

5.

E como é possível comparar o Chega e

tudo o que defendem com um partido

como o Bloco de Esquerda?

Um partido maioritariamente composto

por gente que não viveu em ditadura,

composto por jovens anticapitalistas (é

certo), mas que mantém na sua matriz

o idealismo de Miguel Portas, Fernando

Rosas ou Luís Fazenda. E será André

Ventura comparável a estes três fundadores

ou a Francisco Louçã?

6.

Não sou comunista ou bloquista, mas

este é um tempo em que as pessoas têm

de perceber muito bem o que está em

jogo.

Faz sentido que o PSD esteja magoado

com a “geringonça”, sou capaz de compreender

com facilidade a acidez. Deve

ter custado.

Mas há limites.

E Rui Rio acabou de passar esses limites.

Um partido democrático não se pode coligar

ou entender com um partido como

aquele.

Não é simplesmente possível.

Porque se for possível então tudo é possível.

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CRÓNICA

27

Mais um inverno

CARMINDO DE CARVALHO

É inverno. Mais um inverno que chegou.

A minha sensível careca , há já alguns

dias que anda a queixar-se . Mede a

temperatura com precisão de um termómetro.

No resto do ano ela não se queixa

, não há frio para a incomodar.

Ela anuncia-me sempre o inverno. Mas

se isso não bastasse, lá está no alto da

serra a branca linda e fria neve.

Um dia destes tenho que ir vê-la cair e

apalpá-la. Todos os anos, a sua chegada

é sempre uma festa.

Aqui por baixo a relva e outros arbustos

mostram-me uns farrapitos gelados que

parecem cabeças grisalhas de quarentões

precocemente envelhecidos.

Ainda falta mais de um mês para o Natal

e já se vêem os diversos enfeites montados

a irradiar luz em varandas de casas

particulares e nos comércios prontos a

serem vendidos.

Já se ouvem e lêem os habituais e repetitivos:

Feliz Natal, feliz Natal, feliz Natal.

O mesmo Natal que deveria e poderia

ser todos os dias do ano.

O mesmo Natal dos peditórios para isto

e mais aquilo, dos voluntários do espírito

natalício.

Hoje, os deputados com assento (e que

estiverem porque lhes deu para estarem)

na Assembleia da República Portuguesa

discutem o orçamento do Estado na especialidade,

para o próximo ano.

Numa altura em que se ouvem algumas

vozes cujos donos são manda-chuvas

sentados em cargos de decisão, perderam

a vergonha e descaradamente

debitam barbaridades, cospem poucas

vergonhas envoltas em frases tais como

isto, ou mais ou menos isto que se segue:

Do parlamento Europeu uma comissária

disse que:

“A Europa tem de começar a preparar-se

para o pior.“

Que pior ? Como se ainda não fosse mau

o estado a que já se chegou ! Estado em

que toda a gente de todas as classes

protestam. Protestam os militares, os

magistrados, os professores, e até os

polícias protestam. Para hoje está convocada

uma manifestação de todas as

polícias.

Do F.M.I. , a sua directora ou presidente

ou lá o que é, disse que:

“os idosos vivem demasiado tempo e

isso é um problema para a economia

global. Algo tem que se feito.“

Há uns tempos a mandona do banco

alimentar desvalorizou a fome mostrada

pelas filas às portas das casas das

sopas. Fome, testemunhada por gente

graúda do Clero, e chamou comilões

aos esfomeados dizendo que estavam

mal habituados a comerem muito.

Mais recentemente um outro disse que:

“muita fome é fingida.“

Um banqueiro do alto do seu pedestal de

barriga cheia arrotou e disse que os desgraçados

aguentavam muito mais.

A ajudar à festa destes alucinados personagens

juntou-se uma escritora insípida

que botou palavra para dizer que

lhe repugnava ouvir as vozes dos que

protestavam por o governo impor tanta

austeridade. Não sabe, ou sabe e é-lhe

indiferente que essas pessoas são uns

coitados já muito fragilizados, autenticamente

depenados.

É inverno. Outro surto de gripe se avizinha.

O ano passado morreram milhares de

idosos. Segundo se ouviu e leu, alguns

mal alimentados, outros mal medicados,

outros ao abandono, e outros ainda por

mazelas involuntariamente adquiridas,

pasme-se, em serviços de saúde cujo

chefe anunciou inquéritos que a exemplo

de tantos outros ficaram no segredo, do

segredo.

Há muito tempo que nos chegam relatos

de pessoas que viram muitas vezes, em

muitos dias, aviões no céu a “lavrarem

“, a desenharem listas que alegadamente

largavam algo que ninguém explica o

que é. E depois aparecem caídos sabe-

-se lá como e de onde uns fiapos a que

já chamam de: “cabelo de anjo “. Muita

gente relatou que depois disso passou a

sentir algo esquisito ao respirar.

Temos uma força aérea que deveria controlar

o espaço que lhe está confiado e

nada dizem.

Jornalistas que nada questionam. Por

isso, quiçá __ estão ou andam adormecidos,

acobardados, acomodados, num

mutismo cúmplice.

Ninguém vê nem ouve nada de nada...

Andam todos cegos, surdos e mudos...

Um ex. Presidente da República que

como autêntica lapa agarrado ao poder,

candidatou-se a Presidente, para um terceiro

mandato, tendo já no lombo oitenta

anos, como se no seu Clã não existissem

pessoas mais frescas, mais capazes. E

assim e com outras vicissitudes se dividiu

a chamada esquerda ao longo de

todos estes anos. Ele agora bota palavra

a torto e a direito dizendo que quer salvar

Portugal. Esquece-se que de tantos

anos sentado na cadeira do poder, certamente

também tem telhados de vidro,

também tem culpas no cartório. Já disse

que os responsáveis pela situação catastrófica

actual do país deveriam ser

presos. Esquece-se que isso é extensível

à sua pessoa.

Foi ele e os seus delfins que semearam

como se fossem batatas P.P.s __ parcerias

público-privadas __ , e fundações

para promoverem actividades fantasmas

...

Que muitas delas se viu que apenas serviam

de capa a jogatanas duvidosas. E

se revelaram sugadoras das tetas do Estado

.

E assim se chegou a este estado calamitoso.

Assim se caminha para o abismo.

Dizem por aqui e por aí muitas vozes.

E agora para desanuviar o melhor é ir ver

a neve. Beber uma cachacita, e comer

uns figos secos. São servidos ?

Novembro de 2013

“Crematório de Consciências” - disponível

em: Chiado Editora, FNAC, Bertrand, Wook.

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28

CULTURA

Alice Vieira, Jorge Palma e António

Variações condecorados

Alice Vieira

O Presidente da República, Marcelo

Rebelo de Sousa, condecorou

no passado dia 17 Novembro,

a escritora Alice Vieira e os músicos

Jorge Palma e António Variações,

este a título póstumo.

Alice Vieira, 77 anos, jornalista e escritora,

foi distinguida como Grande-Oficial da

Ordem da Instrução Pública, condecoração

que reconhece “altos serviços prestados

à causa da educação e do ensino”.

Em mais de quatro décadas de escrita,

Alice Vieira publicou poesia e romance

para adultos, mas é no universo infanto-

-juvenil que a situam, com várias dezenas

de livros, entre os quais “Rosa, minha irmã

Rosa”, “Úrsula, a maior”, “Viagem à roda

do meu nome” e “Meia hora para mudar a

minha vida”.

Na cerimónia de condecoração, realizada

durante a tarde, no Palácio de Belém, em

Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa considerou

Alice Vieira “uma figura constante

e decisiva da cultura portuguesa”, cuja

obra, “com uma clareza e pertinência jornalística”,

chegou a “inúmeras gerações

de leitores”.

© dr

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Jorge Palma

jorge-palma-direitos-reservados-2048x1365.jpg

Em 1997, Alice Vieira foi condecorada com

a Ordem do Mérito, no grau de comendadora,

pelo então Presidente da República,

Jorge Sampaio, juntamente com outras 31

personalidades femininas, no âmbito do

Dia Internacional da Mulher.

Jorge Palma foi condecorado comendador

da Ordem do Infante D. Henrique, num

ano em que celebrou o 70.º aniversário e

os 45 anos da edição do primeiro álbum,

“Com uma viagem na palma da mão”

(1975).

Em Setembro passado, Jorge Palma recebeu

a medalha de mérito cultural da

Câmara de Lisboa, no final de um concerto

para celebrar 70 anos. Na altura o

Presidente da República, Marcelo Rebelo

de Sousa, que estava na assistência, subiu

ao palco para dizer que, atribuída esta

distinção pela autarquia, “a seguir vai ser

a homenagem nacional”.

O Presidente da República descreveu Jorge

Palma como “um caso raro em Portugal:

um compositor-intérprete admirado

pelos colegas, amado pelo público, demasiado

célebre para o papel de génio

obscuro, demasiado genuíno e rebelde

para ser um músico previsível e formatado”.

António Variações foi condecorado, a título

póstumo, também como comendador

da Ordem do Infante D. Henrique, tendo a

distinção sido recebida por Jaime Ribeiro,

© Foto: Manuel de Almeida/ Lusa

um dos irmãos.

António Variações

Variacoes.jpg

Sublinhando esta “justíssima homenagem

comunitária”, Marcelo Rebelo de Sousa

recordou “a capacidade quase única de

conjugar a tradição e a modernidade”.

“Soube trazer a novidade, o cosmopolitismo

de Londres e Amsterdão, à ousadia e

provocação que lhe eram tão queridas”,

disse o chefe de Estado.

Arrojado e irreverente, influenciado pelo

fado, pela música popular e pelo pop

rock, António Variações, barbeiro de profissão

e artista de vocação, morreu aos 39

anos, em junho de 1984, deixando apenas

dois álbuns editados e várias canções que

se inscrevem na história da música pop

portuguesa, como “Canção do engate”,

“O corpo é que paga” e “Estou além”.

A vida e a obra musical de António Variações

deu origem a uma peça de teatro,

a um filme de ficção, biografias, exposições,

espectáculos e um álbum de reinterpretações,

pelo projecto Humanos.

Nos discursos de agradecimento, destaque

para Jorge Palma, que partilhou a distinção

com “todos aqueles que, na área

da Cultura, tanto de si têm dado e que

sobretudo neste momento de aflição [em

contexto de pandemia] continuam a esforçar-se

por dar”.

© dr


PERSONALIDADE

29

Chefe Silva Biografia (2)

AMÍLCAR MALHÓ (*)

Com o nome curto e simples de António

da Silva, nasceu em Caldelas uma criança,

filha de Domingos Rodrigues, com 75

anos e de Teresa de Jesus da Silva, uma

jovem de 30 anos. Logo à nascença ficou

marcado o cunho singular que haveria de

o acompanhar por toda a vida.Nascido

a 29 de Março de 1934, foi batizado na

Paróquia de Santiago de Caldelas três

dias depois e registado, na Conservatória

do Registo Civil de Amares, com data de

nascimento a 5 de Abril para que o pai

não pagasse multa.Consta no documento

oficial como filho de pai incógnito mas,

no documento de baptismo, da paróquia

de Caldelas, lá estão os nomes dos pais

e dos avós paternos e maternos e estes,

curiosamente, também como padrinhos.

Pela diferença de idades dos progenitores,

percebe-se que o nascimento da criança

não tenha sido considerado um acontecimento

absolutamente normal numa terra

conservadora e socialmente moldada aos

usos e costumes das importantes famílias,

sobretudo do norte do país, que então frequentavam

as afamadas termas.

O povo da terra comentou aquela relação

entre o viúvo, pequeno lavrador reconhecidamente

exímio na arte de dividir o milho

ao semear, e a jovem trintona que nele

viu a oportunidade de amenizar um futuro

que se mostrava incerto e doloroso.Alheio

às conversas venenosas e aos juízos das

guardiãs dos bons costumes na casa dos

outros, o jovem António cresceu sentindo,

mas não percebendo, as dificuldades que

desde cedo se lhe colocaram.Aprendeu a

arte de tornear os obstáculos que se colocavam

no caminho dos pequenos que, como

ele, conheciam cada centímetro das ruas e

nestas, as pedras que lhe ameaçavam os

pés descalços, condição que suportava

por ser uma das crianças mais pobres da

aldeia.Mas acabou por sair um rapazola esperto,

reconheciam todos, embora sempre

acrescentando que não se portava muito

bem o que, de certa forma com acerto, era

atribuído à idade avançada do pai e ao pouco

controle exercido por parte da mãe.Os

colegas chamavam-lhe o Ton’ Peneireiro

porque “andava sempre a brincar à beira

das raparigas”, recorda agora com um

sorriso maroto.

A EscolaPassou diretamente da 1ª para a

3ª classe.Da escola, recorda com carinho,

o professor José Maria Pessegueiro.Mas

quem esteve com ele mais tempo foi Alexandre

Adelino Antunes, docente queo marcou

profundamente por ser muito exigente e

porque impunha muito respeito “com aquele

comportamento militar”. O Chefe Silva reconhece

hoje que “aquela maneira de ser,

militarista, acabou por ajudar a disciplinar-

-me. E eu não fazia ideia nenhuma do que

era aquilo da farda”.Aquilo, da farda, era a

postura correta, na altura, para um membro

da Legião Portuguesa, criada em 1936 com

o objetivo de “defender o património espiritual

da Nação” e a ameaça comunista. Foi o

único organismo português que se colocou

ao lado das intenções de Hitler durante a II

Guerra Mundial

Retomando o desenrolar das memórias,

António recorda que “naquele tempo, na

minha escola, tínhamos as fotografias de

Salazar e Carmona e estendíamos a mão

em continência quando entrávamos na escola.

Quer dizer, eu não sabia o que estava

a fazer. Hoje sei que era nazi, ou fascista, ou

lá o que era”.Na aldeia, fome propriamente

não havia já que a horta e a capoeira amenizavam

as dificuldades, mas o pequeno

António sabia como ninguém o significado

da palavra carência. “Sempre que ouvia

de noite o vento a uivar, já sabia que no dia

seguinte havia muita castanha no chão para

apanhar” recorda, com um olhar achado

na memória.

Na Primavera subia as árvores, procurava

os ninhos e, com destreza e alguma sorte,

matava saudades do sabor da carne já que

a comida do dia a dia era o caldo. Feijão,

couves, azeite e farinha de milho.Lembra-se

de ver a mãe cozinhar os pulmões da vitela

(bofe) com arroz, aguardando ansioso o

momento de saborear um prato que, recorda

emocionado, “era melhor que arroz de

galinha”, comparação possível hoje que já

preparou, provou e comeu, iguarias com que

naquela altura nunca sonhara, até porque

nem sabia que existiam.Mas ao longo da

vida e apesar da quantidade e variedade –

ou talvez por isso – já lhe vieram à memória,

inúmeras vezes, os sabores desse tempo.

Em 1944 a situação agravou-se com o falecimento

do pai.O livro de gramática da 4ª

classe foi-lhe oferecido pela Casa do Povo

e os restantes pelo professor. Os cadernos

eram oferecidos pelos colegas.Nem tudo

era mau. Havia necessidades materiais, mas

havia também solidariedade.

Caldelas, como estância termal de grande

fama na altura, registava particularmente

durante os meses de Verão uma enorme

atividade motivada pela chegada de famílias

que vinham para as férias termais, contribuindo

assim para uma substancial melhoria

da vida da população local.No Inverno,

voltavam as dificuldades e para os mais

desprotegidos da sorte “havia aquilo a que

chamavam o pão dos pobres que de acordo

com o agregado familiar, dava a cada pobre

meio quilo, um quilo, quilo e meio ou dois

quilos de pão por dia que íamos buscar à

padaria com um cartão que era picotado”,

recorda o então Ton’ Peneireiro.

O Padre João, homem profundamente cristão

e nessa missão sempre atento à possibilidade

de ajudar o seu rebanho, via no

pequeno António potencialidades que ali,

inevitavelmente, acabariam por se perder.

Sabia que as disponibilidades financeiras da

mãe nunca permitiriam dar continuidade às

excelentes prestações do filho em matéria

escolar. O velho padre bem tentava encontrar

uma saída, “mas não tinha dinheiro e por

isso não conseguia pegar naqueles miúdos

que tinham capacidades, mas não tinham

meios de ir estudar”.

Quem o recorda é o padre Eurico, quatro

anos mais velho que o Chefe Silva mas com

a memória dos acontecimentos na aldeia

bem viva… (continua)

Fotos: Capa – Estância Termal (década de 1950)

Interior – Rua de Caldelas (década de 1950)

Chefe Silva – Biografia, tem o patrocínio de: Vinhos

de Lisboa

Do valor dos patrocínios, 25% é atribuído à área

de Formação da ACPP – Associação de Cozinheiro

Profissionais de Portugal, de que o Chefe Silva

foi um dos fundadores.

(*) jornalsabores.pt - O autor escreve segundo

as normas do AO

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30

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OPINIÃO

31

As falsas equivalências de um PSD

em avançado estado de venturização

Foto: João Miguel Rodrigues@Jornal de Negócios

JOÃO MENDES (*)

Há quem esteja a tentar minar a discussão pública sobre aquilo que

se está a passar nos Açores, recorrendo a falsas equivalências para

desviar os holofotes do cerne da questão, que é o acordo entre a

maior força política portuguesa e um partido de extrema-direita,

herdeiro do salazarismo, com uma ala neonazi e ligações às principais

forças neofascistas europeias.É disto que estamos a falar,

não de outra coisa. Da legitimação da extrema-direita por forças

democráticas. Da extrema-direita das castrações químicas, das

remoções compulsivas de ovários, das fake news, das assinaturas

falsas aquando da formação do partido, do albergue de antigos

militantes de organizações neo-nazis, dos negacionistas da ciência

e das alterações climáticas, dos teóricos da conspiração, da fábula

anti-elites, financiada pelas elites, e das infindáveis contradições e

mortais à retaguarda daquele cujo nome não deve ser mencionado,

mais a verborreia virtual e as tiradas xenófobas e racistas. É isto que

está em causa. É este o cerne da questão. Foi a isto que o PSD de

Rui Rio se rendeu.

O caso é de tal forma grave, que a primeira tentativa de cordão

sanitário à direita surgiu através de uma carta aberta, assinada

por um último reduto de liberais e conservadores com os ditos

no sítio, que continua a colocar a democracia acima dos interesses

pessoais, partidários e governativos, algo que Rui Rio foi

incapaz de fazer. E isto diz muito sobre o que se está a passar.

E sobre o “banho de ética”, prometido por Rio.Mas vamos por

partes: em primeiro lugar, não é, nem nunca foi a legitimidade de

construir uma caranguejola que esteve em causa. Em lado nenhum.

A democracia representativa é para todos, incluindo para

quem a quer destruir (como é o caso de “nós sabemos quem”),

e todas as soluções, no quadro da legalidade constitucional,

são absolutamente válidas e legítimas.Tal constatação não nos

impede de fazer uma outra, que é assinalar o contorcionismo

político daqueles que, no longínquo ano de 2015, afirmavam

estar perante um golpe de Estado, explodindo diariamente em

indignação ao longo de semanas, meses, perante a “venezuelização”

do regime português e outras parvoíces. Presumo que,

a menos que tenham entretanto perdido a espinha dorsal, o que

não admiraria, considerem que Rui Rio é o novo Maduro, e que

classifiquem o acordo à direita de usurpação, totalitarismo ou

golpe de Estado, se bem que é muito mais divertido assistir a

argumentação jardim de infância do “é bem feita”, “toma lá que

é para aprenderem” ou “vocês não fizeram igual?”. Porque, é

bom não ter memória curta, não foi à esquerda que natureza da

democracia representativa foi renegada. Foi à direita.Mas nada

disso interessa. Porque aquilo que está em discussão, aquilo

que alarma, não é a aliança parlamentar que a direita construiu,

e que levanta agora críticas à esquerda e também entre a direita

que não se vergou perante extrema-direita salazarista. É

a legitimação de um partido que afirma, categoricamente, que

pretende derrubar a ordem constitucional, substituindo-o por

aquilo que apelida de IV República, que mais não é que um

eufemismo para um regime autoritário, como temos assistido

nos países governados pelos seus pares. Porque nem o PCP,

nem o Bloco, nem nenhum outro partido do hemiciclo, que se

saiba, pretende rasgar a Constituição e submeter o Estado de

Direito democrático à decapitação, como o ayatollah Bannon

sugeriu há dias. É o Chega quem tem esse objectivo. Portanto

não, não é a mesma coisa.

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32

ACTUALIDADE

Morreu Vítor Oliveira

Foto: Manuel Fernando Araújo (Lusa)

Vítor Oliveira, treinador

com uma longa carreira

no futebol português,

morreu hoje, [28 Nov.]

aos 67 anos, depois de se

sentir indisposto enquanto

caminhava na zona de

Matosinhos, confirmou à

agência Lusa fonte próxima

da família.

O ex-jogador e treinador,

que estava sem clube

desde que orientou o regresso

do Gil Vicente à I

Liga na época passada,

foi assistido no local e

transportado para o Hospital

Pedro Hispano, mas

acabou por não resistir.

Vítor Manuel Oliveira nasceu

em 17 de Novembro

de 1953, em Matosinhos,

e jogou no Leixões, Paredes,

Famalicão, Sporting

de Espinho, Sporting de

Braga e Portimonense,

entre 1970 e 1985, contribuindo

para o regresso

dos famalicenses à I Liga

em 1977/78.

Um ano depois, o ex-médio

assumiu as funções

de treinador-jogador do

Famalicão por dois jogos

e efectivou a carreira nos

bancos desde 1985, ao

serviço do Portimonense,

que se estendeu por mais

de três décadas e incluiu

19 clubes do futebol português.

A morte acontece na

mesma semana em que

o futebol português viu

partir José Bastos, antigo

guarda-redes do Benfica,

e Reinaldo Teles, histórico

dirigente do FC Porto,

além da comoção mundial

provocada pela morte

do ex-futebolista argentino

Diego Maradona.

Querido Diego

LUÍS OSÓRIO (*)

Não me conheces, mas eu

aprendi a gostar de futebol

com as tuas fintas, o teu toque

de bola, a tua habilidade

para fazer de cada jogada

uma obra de arte.

Impossível ficar indiferente ao

que eras dentro de campo.

No palco estavam vinte e dois

homens, mas os olhos das

pessoas não se desviavam de

ti, do teu corpo baixo e anafado,

da tua pose provocadora,

da tua arrogância de menino

de rua.

Nunca conheci ninguém como tu.

Nunca conheci ninguém que

tivesse feito tanta merda para

que o mundo desistisse de ti.

Esforçaste-te o melhor que

conseguiste para enterrar fundo

tudo o que de bom fizeras

nascer.

Foste um mau exemplo para

as crianças, mas as crianças

continuaram a olhar fascinadas

para as imagens dos teus

golos.

Foste dependente de todas as

drogas.

Fumadas, snifadas, injetadas.

Heroína, cocaína, anfetaminas,

crack.

Nos dias de catástrofe injetavas-te

num braço com cocaína

e no outro braço com heroína.

Precisavas de acelerar para viver

e de acalmar para que os

cavalos não te saíssem a galope

do coração.

Mas mesmo assim o povo continuou

a aplaudir-te como se tu

fosses o que salva pessoas do

vício e os faz acreditar que é

possível a felicidade.

Em muitos dias alucinados

agredias pessoas, disparavas

tiros de espingarda contra jornalistas

acampados à porta de

tua casa, cuspias, ameaçavas

e eras na maioria parte do teu

tempo um mau caráter.

Ah, mas as pessoas nunca te

abandonaram. Nunca desistiram

de ti. A cada erro, a cada

queda lá vinham os aplausos,

os abraços, as lágrimas.

Trataste mal filhos e mulheres

com quem casaste. Foste um

cabrão da pior espécie, mas

depois erguias-te e tudo passava.

Ficaste disforme. Duzentos

quilos de gente. Um monstro

de banhas num corpo quase

anão, os olhos quase a sair

das órbitas, um exemplo de

decadência. Mas o povo não

te via assim, via-te outra vez

na Bombonera a partir os rins

a meia equipa contrária antes

de picares a bola por cima do

guarda-redes.

Passavas os dias em bordéis e

trocavas mensagens com chulos,

mas até o Papa Francisco

te definiu como o único ser

humano que se aproximou de

uma ideia de Deus.

Envolveste-te com a máfia napolitana,

trocaste favores, fizeste

trinta por uma linha, mas

se fechar agora os olhos vejo-

-te a fintar meia equipa de Inglaterra

antes de entrares com

a bola pela baliza dentro.

Fizeste tudo o que pudeste

para que o povo te abandonasse.

Mas fracassaste, Diego.

Desculpa que te diga, mas fracassaste

nesse objetivo.

Aos deuses tudo se perdoa.

E tu foste o único humano a

quem tudo se perdoou.

A esta hora não estarás a caminho

do céu, não acredito

nisso.

Mas sei que já estarás no Olimpo,

uma terra de deuses imperfeitos

onde pertences por

inteiro direito.

Adeus, Diego.

Não me conheces, mas eu conheço-te

muito bem.

E perdoei-te sempre. Nunca liguei

ao que fizeste para que eu

te esquecesse.

Escreve segundo o

Acordo Ortográfico

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Receitas do

Chefe Silva

CULINÁRIA

33

Bacalhau

à Moda de Caldelas

Ingredientes:

• 600 gr de bacalhau alto

• 2 dl de azeite

• 1 folha de louro

• 2 Pimentões verdes

• 400 gr de batatas

• 10 dentes de alho

• Pimenta.

Confecção:

Demolha-se o bacalhau e deita-se

numa assadeira com as

batatas e os pimentões cortados

em tiras. Polvilha-se com

a pimenta e junta-se o azeite,

a folha de louro e os dentes

de alho cortados.

Leva-se a assar no forno.

Serve-se acompanhado de

batatas cozidas cortadas aos

quartos.

Arroz de Polvo

à Moda dos Araújo´s

Ingredientes:

• 1 kg de polvo

• 100 gr de chouriço de carne

• 1 dl de azeite

• 2 cebolas

• 2 dentes de alho

• 1 ramo de salsa

• 1 folha de louro

• 1 dl de vinho branco

• 400 gr de arroz

• Azeitonas pretas

• Sal e pimenta q.b.

Confecção :

Limpe o polvo retirando-lhe toda

a viscosidade e bata-o com um

maço de madeira para o amaciar.

Lave-o bem em água corrente e

deite-o numa panela com água

já a ferver, juntando uma cebola,

para que coza.

Depois de cozido (verifique se ficou

macio), corte-o em pedaços

pequenos e reserve a água da

cozedura (devidamente coada).

Num tacho faça um refogado

com o azeite, o alho e a cebola,

picados.

Quando a cebola começar a

alourar deite o louro (sem a haste

do meio) e a salsa. Junte então

o vinho e 3,5 partes de água por

cada parte de arroz.

Quando começar a ferver junte o

arroz, tempere da sal e pimenta a

gosto, junte as rodelas de chouriço

e mexa tudo bem deixando

cozer em lume brando durante

15 minutos até abrir.

Quando retirar do lume conserve

tapado alguns minutos, retire-lhe

a salsa e o louro. Junte então o

polvo já cortado, misture bem e

sirva, em recipiente aquecido,

decorado com uns pés de salsa

e as azeitonas.

Rabanadas

à Moda do Minho

Ingredientes:

• 2 pães de cacete com 0,5 Kg cada

• 0,5 l de Chá Preto forte

• 4 ovos inteiros

• Óleo para fritar

• Açúcar areado e canela para polvilhar na proporção de 4 partes

de açúcar para 1 parte de canela em pó

Molho para as rabanadas

• 0,5 Kg de açúcar

• 3 dl de água

• Uma casca de laranja

• Meio cálice de vinho do Porto doce

• Meio cálice de Aguardente Velha

Mistura-se o açúcar com a água e a casaca de laranja, leva-se ao

lume e deixa-se ferver durante três minutos. Junta-se o vinho do

Porto e a Aguardente, deixa-se levantar fervura e retira-se do lume.

Serve-se frio.

Confecção:

Arranjam-se pão com dois dias de antecedência. Cortam-se as

fatias obliquamente, para as tornar mais compridas, e com a espessura

de um dedo. Colocam-se num tabuleiro e regam-se com

Chá Preto frio, de modo a ficarem bem demolhadas. Em seguida,

batem-se os ovos. Pega-se nas fatias de pão, que se espremem um

pouco entre as palmas das duas mãos, passando-as bem pelo ovo

batido e fritando-as de seguida em óleo bem quente, virando-as

para ficarem bem lourinhas de ambos os lados. Depois de fritas,

escorrem-se e polvilham-se bem com a mistura de açúcar e canela.

Acompanham-se com molho que a seguir se indica:

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34 HUMOR “Quem não sabe rir, não sabe viver”

Travagem

Estava um nevoeiro cerrado em Lisboa e um condutor não conseguia

ver nada, então ao ver umas luzes vermelhas de um carro

pensou logo: vou segui-las e assim não saio da estrada. A certa

altura, o outro carro pára e como este ia muito perto do outro

espeta-se pelo outro dentro. O motorista sai do carro aos berros:

“Como é que o senhor faz uma travagem dessas sem fazer sinal

nenhum??” “O quê? Ia fazer sinal dentro da minha garagem ??!!”

O primeiro

Na aula de religião o professor voltou-se para a mais assanhadinha

da classe e perguntou:

_ Lurdinha, me diga-me, quem foi o primeiro homem!

_ Ah! Professor, se o senhor não se importa, isso eu não lhe vou

dizer!

Cultura

Estágio da selecção, os jornalistas estavam a fazer uma reportagem

sobre os tempos livres dos jogadores. Chegou a vez do

nosso querido J. Pinto. Quando lhe perguntaram o que ele costumava

fazer nos tempos livres do estágio, ele “inteligentemente”

diz: “Costumo fazer (isto), (aquilo), (aqueloutro), ver TV, ler...”.

Vai daí, o jornalista pergunta-lhe:...então e o que costuma ler?...

Jornais?

J.P. - Sim. Jornalista

- E livros, não lê?...

J.P. - Sim... CLARO! Por acaso, ando a ler agora um, que até

tenho em cima da mesinha de cabeceira...

Jornalista - Ah sim, então e qual é o titulo do livro?

J.P. - (um pouco embaraçado) Hum... Hum... Não me lembro...

Agressão

Na sucessão de vários erros típicos do árbitro em campo, ouve-

-se o brilhante comentário: “...e o Árbitro foi agora atingido por

um objecto estranho, provavelmente atirado por um TELESPEC-

TADOR...”

Tendências

Um tipo fez análise durante cinco anos, até que descobriu que

ele, o pai, o avô e os cinco tios tinham tendências homossexuais.

O psicólogo estupefacto perguntou-lhe:

Mas não há ninguém na sua família que goste de mulheres? Claro

que há, as minhas quatro irmãs!!!

Tortura

Depois de morto, um pobre homem vai parar ao inferno, onde o

diabo lhe explica as regras: - Já sabes! Tu daqui não podes sair,

mas sempre podes escolher o tipo de tortura que tu queres! O

indivíduo olha para o catálogo, folheia..., folheia..., e vê uma fotografia

da Marylin Monroe a fazer amor com o Hitler. O indivíduo

diz de imediato ao diabo: - É esta a tortura que eu quero! Diz-lhe

o diabo: - Bom, tu é que sabes! O diabo vira-se então para os

seus ajudantes e grita: - Para este senhor, a mesma tortura da

Marylin!...

Engenheiros

Estavam dois alentejanos debaixo de uma azinheira. Um deles

trazia um porco ao colo e andava a dar-lhe bolota. Passam dois

senhores e vêem aquele quadro e dizem para o Alentejano: - Então

não era melhor derrubar a bolota e o porco comia no chão?

Nisto vira-se o Alentejano para o outro e diz-lhe: - Ó compadre

devem ser engenheiros!!!

Nomes

Uma cigana chega ao registo civil para registar a sua filha. Pergunta-lhe

a empregada: - Então qual é o nome que vai dar à sua

filha? - Cravo Biciclete! - O quê?! Isso lá é nome que se dê a uma

criança? - Então?! Vocês têm uma Rosa Mota, nós também podemos

ter uma Cravo Biciclete!...

Baptista Soares

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Zürichstrasse 112, 8123 Ebmatingen

Natel 078 754 18 31

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Feriados e Datas Comemorativas

CULTURA

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Palavras Cruzadas

Por

PAULO FREIXINHO

HORIZONTAIS

2. Ao almoço do dia de Natal é o rei da festa,

mas não leva acento.

3. Esféricas e coloridas, enfeitam a árvore de

Natal.

5. Presépio tradicional nos Açores, Madeira

e Brasil.

7. Ainda há quem o envie por correio

para desejar as boas-festas a alguém.

8. Há quem a pendure na lareira ou junto

à árvore para que, no Natal, tenha

pequenos presentes no seu interior.

11. (...) de Natal, árvore de Natal, em

Mirandês.

12. É plural de filhó e singular de

filhoses.

16. Ceia em família, na noite do

Natal.

17. Cidade palestina onde terá

nascido Jesus Cristo.

18. Relativo à época do Natal,

é sinónimo de natalício e

nome próprio.

20. Os três reis que visitaram

Jesus em Belém, guiados

por uma estrela (Gaspar,

Melchior/Belchior e Baltasar).

21. Missa do (...), celebra-se

à meia-noite de

24 para 25 de Dezembro.

22. Bolo típico da

quadra do Natal até

ao dia de Reis (duas

palavras juntas).

VERTICAIS

1. Segundo a tradição cristã, revelou o nascimento

de Jesus aos Três Reis Magos e guiou-os até

Belém.

3. Cozido com batatas e couve, é o prato tradicional

da consoada em Portugal continental.

4. Fofos e leves, marcam presença nas mesas

de Natal.

6. Com as suas bagas vermelhas, é o arbusto

do Natal.

7. Sinónimo de prendas, não são a coisa

mais importante do Natal.

9. Repleto de doces, enchidos, frutos

secos, queijos, vinhos e outras iguarias,

é uma boa opção para presente

de Natal.

10. Fatia de pão embebida em leite

que, depois de passada por ovo, se

frita e serve polvilhada de açúcar

e canela ou com calda (também

chamada de fatia dourada ou fatia

parida).

13. Período das quatro semanas

que antecedem o Natal.

14. Tradição portuguesa em

que se acendem grandes fogueiras

nas praças, largos

ou nos adros das igrejas,

geralmente na véspera de

Natal.

15. Doce de colher típico

do Natal minhoto e

transmontano, também

conhecido por mexidos.

19. No norte de Portugal,

sobretudo na

zona raiana, é o prato

da Consoada.

Soluções na página 37 8

Um site que é uma referência

Adepto das Redes Sociais e dos blogues, Paulo Freixinho, juntamente

com um amigo de infância, admirador do seu trabalho, relançou este

ano o seu site onde é possível fazer Palavras Cruzadas online.

Juntos, pretendem criar um site que seja cada vez mais uma referência,

já apelidado como “Um Paraíso para Cruzadistas”.

Experimente: WWW.PALAVRASCRUZADAS.PT

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LITERATURA

VCARMINDO

DE CARVALHO

Ghttps://www.fa-

cebook.com/carmindo.

carvalho

Constrangido

Constrangido oiço

Os ruídos do mundo

Que me arranham

Os neurónios

Os calcanhares

Os entre folhos

E seus habitantes.

Afasto-me um pouco.

Teço a minha teia.

Depois no meu casulo

Oh! Como sabe tão bem ouvir o som

Do silêncio!

A sombra e a

noite

Pelos socalcos do vale

Avança a sombra e com ela vem a noite.

A noite, que me traz silêncios seus

Anseios teus

E sonhos meus.

Enrola-se nos lençóis

Como num campo florido de girassóis

E adormece

Embrenhada nos cheiros

Meu e teu.

E eu, depois de em ti demoradamente

pensar

Volto-me, tento adormecer

Com esperança de amanhã

Acordar e num outro amanhã

Talvez com a sombra e a noite ver-te

chegar.

Entre os Quês e os Porquês - edic. 2002

VEUCLIDES

CAVACO

Ghttps://www.face-

book.com/euclides.cavaco

Abraço de Natal

Como será o Natal

De quem vive em solidão

Com mágoa sentimental

E quem está na prisão?...

Como será o Natal

Dos tristes e sem abrigo

E quem tem a infernal

Desdita de ser mendigo?...

Como será o Natal

Dos sem família e ausentes

Dos que estão no hospital

Sem alegria e doentes?...

Como será o Natal

De quem perdeu o emprego

Seu bem mais essencial

Sem esp'rança nem sossego?

Como será o Natal

Dos que o passam sem amor

E de quantos afinal

O sofrem em luto e dor?...

Tentemos dar-lhes este ano

Em partilha fraternal

Com todo o calor humano

Nosso abraço de Natal.

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PASSATEMPO

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Dezembro 2020

01 TER Restauração da Independência

01 TER Dia Mundial de Luta Contra a Sida

01 TER Dia da Filatelia

02 QUA Dia Int. para a Abolição da Escravatura

03 QUI Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

03 QUI Dia Int. dos Portadores de Alergia Crónica

04 SEX Dia Nacional da Pessoa com Esclerose Múltipla

04 SEX Dia da Bolacha

04 SEX Dia Mundial da Conservação da Vida Selvagem

05 SÁB Dia Internacional do Voluntariado

05 SÁB Dia da Banheira

05 SÁB Dia Mundial do Solo

07 SEG Dia de Timor-Leste

07 SEG Dia Internacional da Aviação Civil

09 QUA Dia Internacional Contra a Corrupção

09 QUA Dia Int. das Vítimas do Crime de Genocídio

09 QUA Dia Nacional da Pessoa com Deficiência

10 QUI Dia Internacional dos Direitos Humanos

11 SEX Dia Internacional da Montanha

11 SEX Dia Internacional do Tango

11 SEX Dia Internacional da UNICEF

12 SÁB Dia da Poinsétia

12 SÁB Dia Internacional do Shareware

13 DOM Dia Internacional da Criança na Rádio e Televisão

13 DOM Dia do Violino

14 SEG Eclipse Solar Total

14 SEG Dia Mundial do Macaco

15 TER Dia Internacional do Chá

15 TER Dia de Zamenhof

17 QUI Dia Int. Contra a Violência Sobre Trabalhadores do Sexo

18 SEX Dia Internacional das Migrações

20 DOM Dia Internacional da Solidariedade Humana

21 SEG Solstício de Inverno

21 SEG Início do Inverno

21 SEG Dia das Palavras Cruzadas

22 TER Signo Capricórnio

25 SEX Natal

26 SÁB Boxing Day

28 SEG Dia dos Santos Inocentes

31 QUI Réveillon

31 QUI Véspera de Ano Novo

31 QUI Dia de São Silvestre

VACINA CONTRA O CORONAVÍRUS

NELSON S. LIMA

Erro de fabrico levanta questões

sobre testes com vacina da Astra-

Zeneca/Oxford

"Fabricantes revelaram que a vacina

parece ter uma eficácia de 70%, mas

a forma como estes foram obtidos levantou

questões por parte de especialistas"

(Jornal "Público").

Tal como eu expliquei esta semana,

sou de opinião que esta corrida em

busca da vacina milagrosa poderá

causar dissabores e não comungo

do excesso de euforia dos laboratórios,

dos governos e da comunicação

social.

Sugiro que toda essa gente seja mais

prudente nas suas comunicações e,

entretanto, tomemos as devidas precauções

contra contágios! O vírus

tem comportamentos que não estão

totalmente compreendidos!

É preferível esperar do que precipitar

o mundo para um rasto de efeitos secundários

tão maus ou piores do que

o próprio vírus.

Cuide-se. Proteja os outros.

SOLUÇÕES

Horizontais

2. Peru.

3. Bolas.

5. Lapinha.

7. Postal.

8. Meia.

11. Arble.

12. Filhós.

16. Consoada.

17. Belém.

18. Natalino.

20. Magos.

21. Galo.

22. Bolorei.

Verticais

1. Estrela.

3. Bacalhau.

4. Sonhos.

6. Azevinho.

7. Presentes.

9. Cabaz.

10. Rabanada.

13. Advento.

14. Madeiro.

15. Formigos.

19. Polvo.

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HORÓSCOPO

Dezembro

RV - JOANA ARAÚJO (*)

CARNEIRO

Marte fica retrógrado no dia 1,

dando início a um período que

se prolonga até 10 de Dezembro

em que assuntos antigos

vão requerer a sua atenção. É

importante saber que esta não

é uma boa altura para novas iniciativas,

pois não darão muitos

frutos. Será contudo uma boa

altura para se confrontar com assuntos

que ficaram por resolver

e que precisam de ser trabalhados.

Não espere que as coisas

sejam fáceis.

TOURO

O início do mês é uma boa altura

relações. Não tem estado numa

posição muito confortável nas últimas

semanas e agora sente que

tem que resolver sentimentos de

dor, frustração e de pena. Os

parceiros também podem sentir

que estão num terreno pantanoso,

tornando-os negativos ou

evasivos. Por isso talvez o seu

estado de espírito esteja mais

parecido com a sua cara-metade

do que aquilo que imagina.

GÉMEOS

A primeira semana do mês será

óptima para si e algo dramática

para as pessoas que conhece.

Muitas dos seus sonhos e

esperanças serão satisfeitos

nesta altura e dá início a um

novo período. Estará no auge

da sua persuasão e diplomacia

e nessa data irá conseguir

esclarecer desentendimentos.

Tal abrirá caminho para acordos

duradouros relativos a projectos

criativos que também poderão

ser muito divertidos. Haverão

muitos avanços na sua vida no

início do mês. Se tiver crianças,

as notícias poderão ser muito

boas se estiver à procura de um

romance não é preciso ir muito

longe... Se tiver algum projecto

criativo esta é boa altura para se

dedicar e se quiser casar- -se

não perca tempo!

CARANGUEJO

Na área relacionada com a casa,

as raízes e família, prevê-se

mui- tos acontecimentos Esteja

atenta. Antes de tudo, parece

que vão haver boas notícias,

provavelmente no domínio das

finanças, podendo inclusive haver

bons investimentos ou possibilidades

de negócio.

LEÃO

Este vai ser um mês de grande

significado para si. As maiores

mudanças vêem do plano dos

relacionamentos com bebés,

vizinhos ou amigos. Há fortes

indicações de que as mudanças

nestas áreas estão relacionadas

com viagens e educação. É uma

excelente altura para alargar

horizontes, encontrar pessoas

que lhe ensinem coisas novas

e para aprender, ligando-se a

novos projectos.

VIRGEM

Dezembro é um mês em que

pode realizar os seus sonhos e

esperanças e também expandir

dos seus talentos e influência,

especialmente no domínio

económico como os astros têm

vindo a prever desde há um ano

para cá. Na primeira semana no

mês poderá esperar por boas

notícias. Faz-se justiça.

BALANÇA

Dezembro vai ser um mês significativo

para si. Esta é uma altura

em que expande o núcleo

de amigos e as suas influências,

sendo provável que as pessoas

o procurem por causa do seu

talento e qualidades. Esta influência

faz-se sentir durante

2005 mas é este mês em que

se evidencia mais e em várias

vertentes.

ESCORPIÃO

Já terá reparado que a vida

ficou mais complexa e cheia

de desafios de há dois meses

para cá. Li - dou com desafios

– especialmente no domínio das

relações – da melhor maneira

que conseguiu, mas os tempos

foram de confusão e a pressão

foi considerável.

SAGITÁRIO

Este é um mês de transições significativas

para si. Muitas das

actividades a que se tem vindo

a dedicar nos últimos anos atingem

agora o seu auge e verá que

agora poderá obter resultados

muito favoráveis. Se estiver liga

- do a projectos sociais ou políticos,

a primeira semana do mês é

a altura para juntar as “cabeças ”

necessárias para levar tudo para

frente. Tudo será resolvido com

espírito de amizade e de diplomacia.

Conseguirá gerar consenso

e haverão celebrações.

CAPRICÓRNIO

Este será um mês pleno de significado

para si com novos começos

tanto domésticos como

profissionais. É altura de novos

princípios e até parece que tem

uma comissão de honra para celebrar

a nova etapa. As pessoas

com poder ajudam-no o que lhe

permite não só consolidar a sua

posição como também assumir

mais responsabilidades. A promoção

será óbvia.

AQUÁRIO

Horizontes com viagens e mais

planos educativos e para alguns

nativos deste signo com assuntos

de justiça. É um período afortunado

nestas áreas, uma vez

que pessoas com capacidade,

prontas a ajudar e com dons intelectuais

irão juntar-se a si para

obter os resultados desejados.

Espere por notícias boas.

PEIXES

O seu conhecimento dos mistérios

atinge o seu auge este mês.

Ganhou tantos conhecimentos

espirituais e psicológicos no último

ano que tudo resulta numa

espécie de iniciação em assuntos

que a maioria das pessoas

nem sequer suspeita.

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(*) COORDENAÇÃO, RECOLHA E ADAPTAÇÃO


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ÚLTIMA

Eleições presidênciais em Janeiro

O Presidente da República, Marcelo

Rebelo de Sousa, marcou as

eleições presidenciais para 24 de

Janeiro de 2021.

“Nos termos previstos na Constituição

e na Lei Eleitoral, o Presidente

da República assinou hoje o decreto

que fixa para domingo 24 de Janeiro

de 2021 as eleições presidenciais, o

qual seguiu já para publicação em

Diário da República”, lê-se numa

nota divulgada no portal da Presidência

da República na Internet.

A Lei Eleitoral do Presidente da

República estabelece que o chefe

de Estado “marcará a data do primeiro

sufrágio para a eleição para

a Presidência da República com a

antecedência mínima de 60 dias”.

Marcelo Rebelo de Sousa assinou

este decreto 61 dias antes da data

das eleições.

Se nenhum dos candidatos obtiver

mais de metade dos votos validamente

expressos, “o segundo

sufrágio realizar-se-á no vigésimo

primeiro dia posterior ao primeiro”

entre os dois candidatos mais votados

- neste caso, será em 14 de

Fevereiro.

À hora do fecho desta edição, os

candidatos já apresentados são os

seguintes:

Ana Gomes – “Candidato-me pelos

portugueses.”

André Ventura – o candidato anti-

-sistema

Marisa Matias – “A liberdade e a

igualdade são as minhas bandeiras”

João Ferreira – “À defesa do direito

dos trabalhadores e do povo”

Tino de Rans – Candidato na luta

contra populismos

Tiago Mayan Gonçalves – Candidato

pelos liberais

Bruno Fialho – “Candidato do centro,

um centro que abrange toda e qualquer

posição”.

No que refere à mais que provável

recandidatura do actual Presidente

Marcelo Rebelo de Sousa, ele

confiante na vitória anunciada pelas

sondagens, continua a manter

o tabu.

Espera-se que ele anuncie a recandidatura

ainda antes do fim do mês

de Novembro.

Foto: Presidência da República

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