JANEIRO-2021

araujomota

Edição de Janeiro de 2021. Número 272 da Revista do Centro Lusitano de Zurique

LUSITANO

de

ZURIQUE

[ JANEIRO 2021 | Edição Nº. 272 | ANO XXVII | Director: Armindo Alves |Sub-Director: Manuel Araújo| Publicação mensal gratuita ]

Gostava que o Governo

português reconhecesse o

trabalho extraordinário

do CLZ, que tem sido

feito ao longo destas

décadas... Pág. 8, 9

Revista

Lusitano

de Zurique

tem nova

Direcção

Pedro Nogueira

EDITORIAL

DESPORTO

SAÚDE

Cidadania

Serenidade, unidade e

esperança. Bom Ano! Pág.3

Entrevistas. 18 a 20

O Sismema Ocular - Os nossos

olhos, a nossa visão. Pág. 16, 17

Eleições presidenciais. Pág. 28


LUSITANO

de

ZURIQUE

EQUIPA EDITORIAL

Director: Armindo Alves

Jornalista CC15 A

Sub-Director: Manuel Araújo

Jornalista 3000 A

Email: lusitano@gmail.com

COLABORADORES

Aragonez Marques, Carlos Matos Gomes, Carmindo

de Carvalho, Cristina F. Alves, Daniel Bohren,

Euclides Cavaco, Ivo Margarido, Jeremy da Costa,

Joana Araújo, Joaquim Galante, Jorge Macieira,

Manuel Araújo, Maria dos Santos, Natascha D´Amore,

Nelson Lima, Pedro Nogueira, Teresa A. Ferreira,

Zuila Messmer

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DO CLZ

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- falar perfeitamente o português e o alemão (obrigatório)

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- pessoa flexível e responsável

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através do telefone número:

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EDIÇÃO, COMPOSIÇÃO E PAGINAÇÃO

Manuel Araújo

Jornalista 3000 A

Tel.: (+351) 912 410 333

Email: manuel.araujo@protonmail.ch

PUBLICIDADE

Tel.: 079 913 00 30

Email: pub.lusitano@gmail.com

IMPRESSÃO

Diário do Minho - Braga

Tiragem: 3000 exemplares

Periodicidade: Mensal

Distribuição gratuita

NOTA IMPORTANTE:

Os artigos assinados reflectem tão-somente a opinião

dos seus autores e não vinculam necessariamente

a direcção desta revista

Perante as

novas medidas

tomadas pelo

Governo suíço devido

à Pandemia, estaremos

fechados até ao

dia 22 de

Janeiro 2021

Por discordância, esta publicação

não adopta nem respeita as normas

do novo inútil Acordo Ortográfico.

Apoio


EDITORIAL

Armindo Alves

DIRECTOR

JORNALISTA CC15 A

O ano de 2021 invadiu as

nossas casas, temos de

lutar por um ano melhor e

ter em mente, que não podemos

deixar-nos abater e

ser levados pela angústia,

pela ansiedade, pelo medo

e pelas incertezas...

Edição anterior

[ DEZEMBRO 2020 | Edição Nº. 271 | ANO XXVI | Direcção: Sandra Ferreira + Armindo Alves | Publicação mensal gratuita ]

[ DEZEMBRO 2020 | Edição Nº. 271 | ANO XXVI | Direcção: Sandra Ferreira + Armindo Alves | Publicação mensal gratuita ]

Votos de êxitos, saúde e vida feliz aos nossos leitores,

Votos de êxitos, saúde e vida feliz aos nossos leitores,

associados, patrocinadores, colaboradores e amigos

associados, patrocinadores, colaboradores e amigos

WWW.CLDZ.EU

EDITORIAL

WWW.CLDZ.EU

2020 FICARÁ

DESPACHO DE

ELEIÇÕES EM 24

MARCADO PARA CONDENAÇÃO

JANEIRO PARA

SEMPRE! 2020 FICARÁ CRITICADO DESPACHO DE PRES. REPÚBLICA

ELEIÇÕES EM 24

MARCADO PARA CONDENAÇÃO

JANEIRO PARA

SEMPRE!

CRITICADO

PRES. REPÚBLICA

PÁGINA 3

EDITORIAL

PÁGINA 3

DIREITO

PÁGINA 04

DIREITO

PÁGINA 04

CIDADANIA

PÁGINA 40

CIDADANIA

PÁGINA 40

Serenidade

unidade e

esperança.

Bom ano!

O

Ano 2020 chegou ao

fim, um ano escuro

para a humanidade,

um ano cheio de dificuldades,

onde tivemos de superar

muitos desafios e tenho a certeza

que todos nós aprendemos muito

com o que vivemos e que nos vai

ser favorável no ano 2021!

Com o novo Coronavírus aprendemos

tantas coisas. O mundo fez uma pausa

e a humanidade reflectiu e descobrimos

que somos todos iguais. Neste mundo

não somos nada, nem ninguém…

Com a Pandemia aprendemos a dar

mais valor às coisas básicas, notamos que

o dinheiro não é tudo e aprendemos a

prestar mais atenção ao próximo e a nós

mesmos.

O ano 2020 parecia não ter fim, todos

os dias tínhamos que nos adaptar e até

dentro das nossas casas tivemos que nos

reinventar. Tivemos que inventar novas

formas de mostrar os nossos sentimentos

sem aquele toque, aquele cumprimento,

aquele abraço que era tão habitual.

Podemos mesmo dizer que houve uma

transformação no dia-a-dia, em termos

profissionais, pessoais e no relacionamento

social.

O confinamento mostrou-nos que temos

que zelar mais pelo Planeta Terra.

O confinamento demonstrou também,

que se quisermos poderemos melhorar

as questões climáticas. Será que esta crise

serviu para nos alertar e mostrar que

juntos; empresas, governos e cidadãos,

seremos capazes de implantar um novo

ritmo de vida, um novo paradigma?

Sem diálogo, sem tolerância e respeito

pelo próximo o caminho a percorrer vai

ser difícil. Não importa se é o governo,

empresa ou cidadão comum. A união faz

a força e foi notável constatar, que sem

a cooperação colectiva não teríamos ultrapassado

todos estes obstáculos criados

pela Pandemia em 2020.

O ano de 2021 invadiu as nossas casas,

temos de lutar por um ano melhor e ter

em mente, que não podemos deixar-nos

abater e ser levados pela angústia, pela

ansiedade, pelo medo e pelas incertezas.

Vamos ser positivos!

As palavras de ordem para este ano são:

serenidade, unidade e esperança.

Bom Ano Novo!

DEPARTAMENTO DE FUTEBOL

Tel.: 079 222 09 14

Email: armindo.alves@garage-

-mutschellen.ch

RANCHO FOLCLÓRICO

Tel.: 079 549 99 10

Email: rancho@cldz.eu

RESTAURANTE (reservas)

Tel.: 044 241 52 15

CURSO DE ALEMÃO

Tel.: 076 332 08 34

PROPRIEDADE

& ADMINISTRAÇÃO

CENTRO LUSITANO

DE ZURIQUE

Risweg, 1

8041 Zurique

Tel.: 044 241 52 15

Email: info@cldz.eu

Lusitano de Zurique - Janeiro 2021 | www.cldz.eu

3


COMUNIDADE

Director@s do Lusitano

V MANUEL ARAÚJO

“Quem foi a Director(a) da revista Lusitano antes

da Sandra Ferreira?”

Foi esta a pergunta feita aos leitores num passatempo (Quizz) 1

criado na página do Lusitano de Zurique. Não é uma pergunta

complicada, mas acontece que apenas uma só pessoa,

o Sr. Bruno Sampaio, acertou na resposta certa… Foi realmente a

Elisabete Lourenço, que antecedeu a Sandra Ferreira.

Percorrendo um pouco a história recente desta publicação e pondo os pontos

nos “is”, devo dizer que a Sandra sucedeu como já disse, à Elisabete

Lourenço, em Abril de 2012, tendo sido o número 168 a sua primeira edição.

Esteve connosco durante 103 edições.

Contas feitas, desde que eu sou o responsável editorial desta revista, a Sandra

é recordista e representa mais de metade, 55, 3%, para ser mais rigoroso,

de todas as edições do Lusitano de Zurique. Devo dizer que lamento

a sua decisão de deixar a revista, respeito-a e reafirmo, que esta foi uma

longa parceria, leal, responsável e amistosa.

Capa da edição número 168

4

Voltando umas páginas atrás, em Março de 2005, quando o saudoso António

Matos e o Pedro Nogueira, vieram à minha casa pedir-me para os

ajudar a fazer “um Boletim diferente”, eu aceitei prontamente o desafio

sem qualquer objecção. Já passaram quinze anos...

O número 84, de Março de 2005 foi a minha primeira edição, sendo o

Pedro Nogueira o Director, que dirigiu a revista até Dezembro de 2007.

Com ele foi também uma “travessia”, feita um “uma perna às costas”, amigável,

franca e profícua.

Em Janeiro de 2008, foi a vez da “sportinguíssima ferrenha”, muito dedicada

e alegre Sónia Delgado. Tomou as rédeas da publicação, até Janeiro

de 2010.

Dois anos depois, em Fevereiro do mesmo ano, assumiu o cargo de Directora,

a “despótica” Elisabete Lourenço, que nos deixou em Março de 2012.

Foi então em Abril de 2012 que a Sandra tomou posse, até ao mês passado.

Como já lhe manifestei em privado, volto a desejar-lhe publicamente os

maiores êxitos pessoais e profissionais e agradecer-lhe por ter-me “aturado”

quase uma década ;)

Recapitulando... desde 2005 dirigiram a revista, o Pedro Nogueira, a Sónia

Abelha Delgado, a Elisabete Loureço, a Sandra Ferreira e a partir desta

edição, será o Armindo Alves o timoneiro, que normalmente está sempre

sem tempo e com o qual espero fazer uma parceria comunicativa, leal,

descomplicada e eficaz.

Obrigado a tod@s!

1 https://bit.ly/3h8N488

Lusitano de Zurique - Janeiro 2021 | www.cldz.eu

Pedro Nogueira

Elisabete Jacinto

Armindo Alves

Sónia Abelha Delgado

Sandra Ferreira


https://reisebuerofelix.ch

CRÉDITOS

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Missão Católica de Língua Portuguesa – ZH

Katholische Mission der Portugiesischsprechenden

Fellenbergstrasse 291,

Postfach 217

8047 Zürich

Tel.: 044 242 06 40 7 - 044 242 06 45

Email: mclp.zh@gmail.com

Horário de atendimento:

segunda a sexta-feira das 8h às 13h00 e das 13h30 às 17h

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RESIDENTES NO ESTRANGEIRO

NÃO IMPORTA

ONDE ESTÁ.

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Escritório de Representação da CGD - Suíça

Rue de Lausanne 67/69, 1202 Genève

Tel: Genève - 022 9080360 I Tel: Zurique - 078 6002699 I Tel: Lausanne – 078 9152465

email: geneve@cgd.pt

A Caixa Geral de Depósitos, S.A. é autorizada pelo Banco de Portugal.

Lusitano de Zurique - Janeiro 2021 | www.cldz.eu

5


POESIA

Notícias br

Esperança

2021

V MP

O mundo anda de pernas para o ar,

Os noticiários todos os dias nos metem a par

Sobre o Vírus todos os dias se fala

E do aumento de infectados em escala.

Parece que o inclino veio para ficar

E a nossa saúde e liberdade incomodar

A economia vai de mal a pior

Resta a esperança que 2021 seja melhor

Será que o inimigo invisível se deixa combater

Para fora de casa nos podermos entreter

Falta de saúde e paz

É isso que o inimigo nos traz

A lista de preocupações faz aumentar

E as incertezas sustentar

Os postos de trabalho são uma incerteza

E isso faz aumentar globalmente a pobreza

„Neste mundo não somos nada“ já os velhotes

diziam

E uma grande verdade já sabiam

De um momento para o outro tudo pode mudar

E virar a vida de pernas para o ar

O que resta é a esperança que é a ultima a morrer

E a incerteza nos deixa sofrer

Pensar positivo é o lema

Para resolver este dilema

Pensamento positivo, coisa positiva atrai

Para uma rápida melhora deste mundo orai

Que Deus nos ajude nesta luta

E a vitória será absoluta

Dos nossos e da da saúde temos que cuidar

E o ritmo de stress abrandar

Trabalho, saúde e paz

E de vencer a luta seremos capaz

Que 2021 corra melhor

Isso pedimos todos os dias a Deus nosso Senhor

Nesse sentido um bom ano novo

O Lusitano deseja ao seu povo

V WORK

AHV-AVS: O CON-

TRATO DE TRA-

BALHO TERMINA

COM A APOSEN-

TAÇÃO?

Farei 65 anos no dia 12 de

Fevereiro do ano que vem. O

meu contrato de trabalho termina

quando eu atingir a idade

de reforma do seguro social

AHV-AVS?

Regula Dick: Não. Atingir

a idade de reforma do AHV-

-AVS não significa automaticamente

o fim do contrato de

trabalho. A relação laboral só

termina automaticamente se

isto estiver assim previsto no

seu contrato de trabalho, no

regulamento de pessoal ou no

contrato coletivo de trabalho.

Caso contrário, terá de continuar

a trabalhar. Não se recebe

a primeira pensão do AHV-A-

VS no mês em que se atinge

a idade de reforma, mas apenas

no mês seguinte. Caso não

haja nada estipulado em seu

contrato de trabalho, contrato

coletivo de trabalho ou regulamento

de pessoal, deve rescindir

o seu contrato de trabalho

até ao final de fevereiro de

2021. Lembre-se de que deve

solicitar sua pensão do AH-

V-AVS com alguns meses de

antecedência, de preferência

três a quatro meses.

(Work, 23 de Outubro de 2020,

adaptado)

PRESTAÇÕES

COMPLEMENTA-

RES: A NOSSA FI-

LHA TEM DE AS

REEMBOLSAR?

Recebo uma pensão por invalidez.

O salário da minha mulher

como trabalhadora não

qualificada é muito baixo. Os

nossos rendimentos não são

suficientes. Por isso, há três

anos que recebemos prestações

complementares. O que isso

significa para a minha esposa

e a nossa filha se eu morrer?

Ouvi dizer que os herdeiros

terão de devolver as prestações

complementares a partir do

próximo ano. Isso é correcto?

HERANÇA DIFÍCIL: Os

cônjuges não têm de devolver

as prestações complementares,

mas os filhos, em certas circunstâncias,

sim.

Regula Dick: Sim, mas apenas

sob certas condições e

apenas a sua filha. No futuro,

as prestações complementares

legalmente recebidas devem

ser reembolsadas ao estado.

Elas devem ser pagas com o

dinheiro da herança, desde

que esta seja superior a CHF

40.000. Trata-se aqui das prestações

complementares que

uma pessoa recebeu nos últimos

10 anos antes do seu falecimento.

Isto aplica-se apenas

a prestações complementares

recebidas após o 1.º de Janeiro

de 2021. Além disso, no caso

de casais, o reembolso só é devido

após a morte do segundo

cônjuge. Para o senhor, isto

significa que a sua filha deve

reembolsar as prestações complementares

que o senhor e sua

esposa receberão a partir do

próximo ano. Ela deve retirar

o dinheiro da herança se esta

for superior a CHF 40.000. E

apenas para os últimos 10 anos

antes da morte do último cônjuge.

(Work, 23 de Outubro de 2020)

IDADE REGULAR

A MINHA PENSÃO

POR INVALIDEZ

FOI ANULADA: O

QUE POSSO FA-

ZER?

Recebi uma pensão por invalidez

completa durante cerca

de 10 anos. Recentemente esta

foi revista. Em consequência,

a minha pensão por invalidez

foi inesperadamente anulada

e agora a pensão da previdên-

6

Lusitano de Zurique - Janeiro 2021 | www.cldz.eu


eves

SINDICALISMO

cia profissional (caixa de pensões)

também. Tenho de procurar um

emprego remunerado. Isto vai ser

muito difícil por causa da minha

ausência do mercado de trabalho

durante 10 anos. O que devo fazer?

Markus Widmer: Por não ter

trabalhado nos últimos dois anos,

o senhor não cumpre o período

mínimo de contribuição de 12

meses para ter direito a subsídio de

desemprego. Mas na situação acima

descrita, o senhor é considerado

isento. Tem, por isso, direito ao

subsídio de desemprego. Os pré-

-requisitos, no entanto, são que a

pensão por invalidez tenha sido

cancelada há menos de um ano e

que o senhor residisse na Suíça no

momento do cancelamento. Como

cumpre com estes requisitos, recomendamos

que se registe no

centro regional do emprego (RA-

V-ORP). Como primeiro passo, o

seguro de desemprego calculará o

valor do seu subsídio diário. Este

valor depende do nível de formação

que tenha concluído. Situa-se

entre CHF 102 (sem diploma da

escolaridade obrigatória) e CHF

153 por dia útil (diplomas técnicos

e profissionais superiores, universidades

de ciências aplicadas, escolas

de educação ou universidades,

etc.). O senhor receberá 80% deste

valor diário menos as quotizações

para os seguros sociais obrigatórios.

Tem direito a 90 dias de

subsídio. Se este valor não cobrir

os seus custos de vida, pode solicitar

ajuda social. Neste caso, deve

apresentar o requerimento junto

dos serviços da ajuda social da comuna

onde reside.

(Work, 2 de Outubro de 2020)

Die Unia ist die grösste Gewerkschaft der Schweiz. Mit unseren rund

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Kristin Hartmann, Leiterin Personal & Finanzen, www.unia.ch

Lusitano de Zurique - Janeiro 2021 | www.cldz.eu

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COMUNIDADES

Gostava que o Governo

português reconhecesse

o trabalho extraordinário

do CLZ, que tem sido

feito ao longo destas

décadas...

.../...

[O Armindo] é sem dúvida

o melhor presidente

que alguma vêz passou

pelo CLZ

Pedro Nogueira

Pedro Nogueira é um

dos rostos pioneiros

do Centro Lusitano

de Zurique, Associação

que ele sempre defendeu

com a garra que lhe é conhecida.

Nas duas vezes que esteve à frente

dos destinos do CLZ como Presidente

trazia sempre ideias inovadoras

contribuindo muito para o

crescimento do mesmo. Uma das

grandes características do Pedro

Nogueira até aos dias de hoje é

manter-se fiel ás suas raízes e aos

seus princípios, sempre defendeu

a cultura popular portuguesa em

ZH, sem duvida que o Pedro Nogueira

e as suas Direcções fizeram

a diferença durante muitos anos

(14).

Hoje passados 30 anos continua

vinculado a esta casa. Lá está ele

no primeiro domingo de cada

mês à porta da igreja a distribuir

a revista, continuando a colaborar

8

Lusitano de Zurique - Janeiro 2021 | www.cldz.eu

com o CLZ dentro do possível.

Sabemos que também dedicou

muitos anos ao Rancho Folclórico

do CLZ sendo um dos seus fundadores

como tocador de viola.

Durante a sua Presidência disponibilizou

as instalações do Centro

(gratuitamente) para a aprendizagem

da língua alemã. Foi ele que

há quase duas décadas reactivou e

modernizou a Revista com a colaboração

do Manuel Araújo e que

até aos dias de hoje é distribuída

gratuitamente pela diáspora, sendo

sem dúvida um cartão de visita

do C.L.Z. Passou por várias direcções

nos cargos de Presidente,

Director do Rancho, Director da

Revista e presentemente vogal.

Também representou o CLZ como

atleta do clube durante 5 anos

como guarda-redes.

Quem não se lembra das dezenas

de eventos que ele participou e as

apresentou, recordo-me que organizava

um dos maiores eventos

do CLZ na época, concurso

Miss-CLZ no fundo alguns de

nós, quiçá os mais jovens se interroguem,

quem é este senhor, que

apesar dos seus cabelos brancos

continua presente no seio da comunidade

portuguesa com a mesma

motivação que nos habituou e

continua a ser uma referência?

Pedro Nogueira nasceu em Lisboa

a 24.04.1958 e chegou a Zurique

Junho de 1989. Casado pai de quatro

filhos é sem duvida uma figura

respeitada em Zurique. Nunca

teve medo da mudança, chegou à

Suíça como soldador, quatro anos

depois mudou-se para os correios

suíços. Em Zurique, nos últimos

vinte anos é o responsável pela Representação

do Banco Santander-

-Totta na Suíça alemã. Tem sem

dúvida um percurso de vida exemplar,

seguramente alguns dos seus

sonhos foram alcançados e outros

ficaram pelo caminho mas quem

conhece o Pedro Nogueira sabe

que nunca virou a cara à luta.

Hoje convido-vos a saber algo

mais sobre o Pedro Nogueira.


ENTREVISTA

V MARIA DOS SANTOS

Maria dos Santos — Pedro depois

de um tão longo percurso nesta

casa, que é o CLZ, como olhas

para tudo o que deste e construíste

nesta associação?

— Pedro Nogueira — É verdade que

dei muito de mim ao CLZ mas esta

caminhada não foi feita só por mim

sempre tive recebi muito mais, pondo

no prato da balança o que dei e o

que recebi reparo que estou em divida

com CLZ estarei sempre grato a esta

casa.

M.S. — Em alguma altura da tua

caminhada associativa te arrependeste

de não teres feito mais, ou

melhor? Mudarias algo do passado

se te fosse possível?

— P.N. — Arrepender-me não, mas

há sempre espaço para fazer melhor,

a experiência que vamos acumulando

ao longo dos anos vai nos tornando

mais sábios e consequentemente há

coisas que faria diferente.

M.S. — Todos passamos por altos

e baixos, quando estamos no movimento

associativo e tu quiseste

dar o teu melhor e deste. Qual foi

o teu ano mágico no CLZ e qual o

menos bom?

— P.N. — Não existem anos mágicos,

no movimento associativo ou nas

nossa vidas nada acontece por acaso,

sabes a nossa passagem aqui na terra

é como uma montanha temos altos e

baixos mas o importante é não desistir

e aprender com os momentos menos

bons.

M.S. — Estiveste na origem a revista

do CLZ e também no Rancho

Folclórico desta casa. Durante

muitos anos escreveste artigos. O

que te levou a deixar de participar

? Porque nunca criaste um rubrica

tua, sendo que a revista é tua “filha”?

— P.N. — Não me considero o pai

da Revista, é verdade que fui eu que

arquitectei o formato que a revista

tem hoje mas sem a ajuda do Manuel

Araújo, (ainda hoje é ele o responsável

pela paginação) e de todos os anunciantes

que ao longo destes vinte e seis

anos suportam os custos da Revista

não estaríamos hoje aqui a falar dela.

M.S. — O Rancho Folclórico tem

também a tua assinatura e sei

que quando os vês actuar os teus

olhos brilham. Ouvimos frequentemente

comentários que o CLZ

tem o melhor rancho infantil da

Suíça. Que sentes com estes comentários?

— P.N. — Não nego que tenho um

carinho e um respeito enorme por

esta gente, desde a ensaiadores, dançarinos

e músicos, relativamente ao

rancho infantil apareceu muitos anos

depois de eu ter saído, é um trabalho

que tem sido um trabalho de excelência

que tem vindo a ser feito pela Sofia,

o mérito é todo dela.

M.S. — O Rancho Adulto, com a

mudança sistemática de responsável,

tem sido um pouco abalado,

mas continua a brilhar em cima

do palco. A que se deve esta instabilidade?

— P.N. — Eu não lhe chamaria instabilidade,

é difícil num grupo de 50

ou 60 elementos estarem todos de

acordo, é normal haver pontos de vista

diferentes, é uma coisa natural no

ser humano, eu tenho quatro filhos e

todos eles com caracteres diferentes.

M.S. — Este ano voltaste ao rancho

como mediador; porque não como

presidente?

— P.N. — Por uma razão simples, no

meu entender há pessoas dentro do

rancho com mais disponibilidade e

competência do que eu, entendo que

o presidente tem de ser escolhido entre

os elementos do Rancho.

M.S. — O que foi que te motivou a

pegar nas cordas folclóricas e tentar

estabilizar o grupo?

— P.N. — Não há instabilidade no

grupo, o que há é formas de pensar

diferentes, eles são todos gente boa

que merecem o meu respeito e a minha

consideração.

M.S. — O ano 2020 tem sido atípico

e muito complicado para todos

foi o desabar de todos os projectos.

Um ano completamente parado

para as actividades culturais.

Que estratégia tens para voltar a

motivar todos os elementos a regressarem

aos ensaios, voltarem a

participar e organizarem festivais

de folclore?.

— P.N. — Em matéria de motivação

não existe esse problema quem conhece

este grupo apercebe-se que a

motivação está lá, é só darmos uma

olhadela pelo Whatsap e ver os vídeos

que eles fazem em casa, esta gente

não se deixa vencer pelo VÍRUS.

M.S. — O Centro Lusitano Zurique

tem novas instalações e é sem

dúvida uma das mais estáveis associações

portuguesas da Suíça.

O CLZ tem contribuído para uma

mais-valia da nossa cultura e a integração

dos portugueses. O que

gostarias de ver realizado no CLZ?

— P.N. — Este ano foi sem dúvida o

ano da mudança para o CLZ, isto foi

um feito inédito na história do CLZ,

Não é todos os dias que se vê a Câmara

de Zurique reconhecer a importância

que esta colectividade tem

para a cidade e para os portugueses. O

Armindo está de parabéns não tenho

problema nenhum em reconhecer que

ele é sem dúvida o melhor presidente

que alguma vêz passou pelo CLZ

até hoje. Conseguiu reunir um grupo

de pessoas extraordinárias, competentes

e que sobretudo amam o que

fazem, respondendo à tua pergunta,

gostava que o Governo português reconhecesse

o trabalho extraordinário

do CLZ, que tem sido feito ao longo

destas décadas, só em acções de solidariedade

já doou mais de 100.000€

a diversas instituições em Portugal e

a particulares vítimas dos incêndios.

Desejo a todos um ano 2021 com

muita saúde e compreensão.

M.S. — Em nome do Centro Lusitano

de Zurique agradeço a tua

disponibilidade e dedicação a esta

casa e em nome pessoal, o meu total

reconhecimento e respeito pela

tua luta em prol do movimento

associativo. Para ti e respectiva família

e amigos, votos de um excelente

ano 2021 tanto a nível pessoal

como profissional.

Lusitano de Zurique - Janeiro 2021 | www.cldz.eu

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COMUNIDADES

Chegamos juntos e com

muita perseverança ao

final de 2020

V A

MARIA DOS SANTOS

Foi numa sexta-feira

que decidi subir as

dezoito escadas que

me levaram ao espaço físico

da Casa do Benfica 1 em

Lenzburg, a convite do seu

presidente Vitor Figo.

A sala conta com 560 metros

quadrados, trinta mesas,

um bar amplo, uma

cozinha extensa e no primeiro

andar bonitas salas

de reuniões.

Os corpos gerentes, um pouco incertos

se deviam ou não realizar o jantar

de Natal, deliberaram e muito bem, a

1 https://bit.ly/38mThJG

meu ver, realizar no passado dia onze

de Novembro de dois mil e vinte, um

serão de agradecimento natalício a

todos aqueles, que estiveram ao longo

deste ano, na luta contra as restrições

impostas pelo governo suíço, causadas

pela monstruosa pandemia, que

tomou conta das nossas vidas e nos

reduziu a um ritmo desconhecido até

então.

As nove mesas decoradas e personalizadas

estavam com a distância exigida

e todos com a respectiva máscara.

Retirada apenas, quando sentados e

preparados para jantar. Eram na totalidade

trinta e seis pessoas distribuídas

por nove mesas.

A entrada foi composta por camarão,

mexilhão, patê de atum e várias saladas.

O segundo prato foi o tradicional bacalhau

com natas, que estava muito

saboroso.

As sobremesas foram os sócios e amigos

que decidiram dar um toque mais

familiar e aconchegado, com o intuito

de criar um ambiente não só natalício,

mas mais próximo das nossas

raízes… e para isso vimos na mesa as

rabanadas entre outras doçarias.

A árvore de Natal decorada pelas senhoras

da cozinha, estava no canto do

palco a lembrar, que nada nem mesmo

este vírus consegue retirar-nos

o pouco que nos resta de um Natal

fantasma e jamais vivido pela nossa

geração.

A entrega dos presentes, foi feita entre

aplausos e muitos sorrisos, posso mesmo

dizer, que foi o único momento

deste serão, que vi todos as pessoas

descontraídas e que por breves momentos

conseguiram esquecer o atribulado

e incerto ano que estamos a

findar.

Por fim o presidente Vitor Figo, pegou

no microfone, com os olhos brilhantes

de uma lágrima que teima em

10

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não cair.

Teve que destacar a presença de três

homens, Nuno Figo, Paulo Silva e

José Carlos Pimenta.

Voz rasgada pela dor de não poder ter

todos aqueles que habitam no seu coração

e pelos quais mantém um respeito

e gratidão importante, perto de

si e a festejar este serão.

Sobraram palavras de reconhecimento,

para todos aqueles que estavam e

para todos aqueles que não puderam

estar.

Vitor Figo sente-se um homem privilegiado,

por poder contar permanentemente

com a sua equipa, sócios,

amigos e clientes.

Em nome de todos os corpos gerentes

da Casa do Benfica, desejamos à Comunidade

Portuguesa um ano 2021,

com muitas realizações pessoais e

profissionais e que cada dia, possamos

construir um novo sorriso recheado

de esperança e convictos que ultrapassamos

um ano negro nas nossas vidas.

Temos de construir novos caminhos.

Os que tínhamos foram-nos roubados.

Criar novos objectivos, sermos mais

amigos e apreciar o verdadeiro convívio.

Lembro que na Casa do Benfica de

Lenzburg, pode e deve partilhar os

seus pensamentos com respeito e será

sempre recebido com o amor de alma

Lusitana.

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RECANTO HELVÉTICO

A V

MARIA DOS SANTOS

Hoje sentada na

minha mesa

de trabalho,

algo nostálgica vi esta

fotografia feita na província

do Valais, às portas

dos banhos térmicos

de Saillon.

Quando a fiz, não me passou pela

ideia, que hoje pudesse olhá-la de

uma forma tão distinta. Sinto mágoa

por um ano que perdemos tanto da

nossa cultura, dos convívios, afectos,

abraços, jantares e nos transformamos,

quase em seres virtuais.

Como um olhar que passa através

da fibra óptica e chega em forma

de beijo sem sabor ao outro lado do

mundo.

Saber que possivelmente o destinatário

está no andar de cima, na cidade

ao lado, a apenas um par de quilómetros

e somos prisioneiros do nosso

lar, do nosso espaço de trabalho, ou

de apenas uns metros quadrados que

nos permitem um passeio, para respirar

ar puro.

O uso constante da máscara, veio esconder

o que de mais bonito temos

para oferecer … o nosso sorriso.

Mas felizmente que a linguagem

dos olhos e estes não mentem, entraram

em demonstração constante

dos nossos afectos.

Como esquecer um ano assombrado

por um inimigo desconhecido?

Como ultrapassar a dor de familiares

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e amigos, que pela doença desconhecida

que é o Covid 19 nos deixaram,

partiram sem termos a possibilidade

de uma despedida envolta em amor e

aconchego.

Não me consigo esquecer de todos

aqueles, que não puderam apanhar o

avião, passar fronteiras, que não puderam

estar ali, no momento certo e

sobretudo não me consigo esquecer

dos que assistiram a funerais, com

vídeo chamada. Sim, vivi isso na primeira

pessoa e quero começar este

ano, solidária com a dor de milhares

de pessoas que infelizmente tiveram

que passar por esta situação tão dramática.

É verdade que na Suíça, temos muitas

montanhas, onde passear livre do

perigo de contágio, também nunca

fomos proibidos de sair de casa, salvo

os casos de quarentena.

E aqui sinto-me favorecida pela natureza

e a possibilidade de me refugiar

nela.

Na hora que estou a escrever, a

Tv anuncia a vacinação a partir do

dia 27, quiçá 29 Dezembro. E escrevem

“É o momento da Europa”. Será?

Não sou contra, ou a favor… mas

penso, que todas as outras vacinas

demoraram anos a serem elaboradas

e eficazes. Mesmo com os avanços da

medicina, estou incrédula.

Temos o caso o cancro, da Sida entre

outras; doenças de longa data,

que hoje ainda não têm uma vacina

100% eficaz. Este vírus totalmente

desconhecido para a medicina, tem

apenas um ano e a vacina já está aqui!

Digo, vamos acreditar que sim!

Cá estaremos para ver o resultado e

espero vivamente que seja eficaz e

sem consequências malignas para os

restantes órgãos do nosso elaborado

corpo, que é a máquina mais perfeita

do mundo. Não o estraguem por

favor!

Vamos ser fortes e começar o ano

sem o desespero do ano que findou.

Olhem para esta fotografia e reforcem

a vontade dos abraços, do calor

humano que nos fazem felizes

e melhores pessoas. Ter as emoções

controladas é o melhor dos sentimentos.

Acreditem que vão realizar aquela

viagem a Macau, a Timor, Moçambique,

ou mesmo ao Tibete.

Visitar aquele amigo ou familiar, que

marcou o pela simpatia e o saber receber.

Quero ver de novo o meu peito inchado,

cheio de orgulho pelas festas

realizadas em homenagem à nossa

Cultura.

Somos uma Comunidade rica e com

uma grande história construída, não

podemos abandonar o barco lusitano.

Esperam-nos doze meses, a expectativa

é muito grande e todos estamos

ansiosos, por querer marcar a

diferença, começar a viver e encher

o nosso tempo livre com a liberdade

que conquistamos.

Caso não o possamos fazer… temos

sempre a possibilidade de viajar através

de um livro, filme e todas as plataformas

digitais construídas a pensar

em nos levar mais longe do habitual.

Meus amigos, vamos ser felizes e

acreditar que nos é possível dar a volta

ao Mundo.

Desejo-vos um ano 2021, abundante

de amor e muita saúde.

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COMUNIDADE

Não devemos deixar de

acreditar em nós

SANDRA BARBOSA

não tinha falhado na minha intuição.

Nasceu na cidade do Porto. Frequentou

a escola primária em Ermesinde, a

preparatória e secundária na Póvoa de

Lanhoso e a licenciatura na Escola Superior

do Politécnico do Porto.

O prato preferido é o bacalhau na brasa

com batatas a muro e a sua cor, só

podia ser uma: o branco. Trabalha em

Lenzburg e é em conjunto com a sua

segunda família composta por Fátima

Testas (uma portuguesa, há 41 anos

em terras helvéticas), Sibylle Rhiner,

Christine Wilhelm e Cristian Mandun,

que encontrou o sonho profissional.

Vamos descobrir esta mulher, que deixou

Portugal há apenas seis anos e que

triunfa como uma excelente profissional

na área que decidiu ser a sua profissão.

V A

MARIA DOS SANTOS

Estava eu sentada à espera, que a minha fisioterapeuta

me chamasse, quando os meu ouvidos

se deram conta de um alemão, com pronúncia

portuguesa.

Procurei de onde vinha o som, entre os vários aparelhos

de ginástica e vi uma jovem que tinha tudo

para ser uma cidadã das minhas. Ao verificar que era

portuguesa senti um enorme orgulho, por ver esta

geração a triunfar em terras helvéticas. Decidi partir

ao encontro da Sandra Barbosa e descobri, que

Maria dos Santos — A formação profissional

como fisioterapeuta, foi por vocação ou mero

acaso?

Sandra Barbosa — Desde criança queria ser médica,

médica pediátrica. Durante o percurso escolar

foi-se tornando mais complicado esse "sonho".

Então comecei a explorar outras profissões com o

objectivo de ajudar os outros. Até que encontrei a

Fisioterapia. Confesso que comecei o curso ainda

um bocado de pé-atrás e com vontade de no final

da licenciatura, concluir os anos específicos para

medicina. Mas rapidamente fui conquistada pelo

"poder" da fisioterapia e como um bom profissional

pode mudar a vida de um paciente. Desisti de

medicina.

M.S. — Chegou à Suíça em que ano?

S.B. — Vim para a Suíça em 2014 após finalizar a

minha licenciatura.

M.S. — Como foi deixar Portugal e radicar-se

na Suíça?

S.B. — Desde criança que tinha alguma ligações

com a Suíça (meus pais estão cá emigrados há cerca

de 20 anos assim como alguns familiares). As

minhas férias eram sempre aqui, por isso não era

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um país totalmente estranho. No entanto

nunca tinha aprendido a língua

ou tentado conhecer mais profundamente

a cultura ou o mercado de trabalho.

Foi um período desafiante sem

dúvida e cheio de incertezas.

M.S. — Dominar o alemão para

exercer a profissão de fisioterapeuta

foi fácil, ou difícil?

S.B. — Aprender o alemão foi complicado.

A língua em si já é complicada e

não tem nenhuma semelhança com o

português. Como é o caso do francês

em que ambas são línguas originárias

do latim. Para além disso a língua que

se utiliza no quotidiano suíço é diferente

do ensinado nos cursos de alemão,

o que torna mais complicado.

Por fim tive ainda que me adaptar a

um vocabulário mais especifico da

área da saúde e não só do quotidiano.

M.S. — Como se consegue o reconhecimento

um diploma português

em terras helvéticas?

S.B. — Em relação a profissões da área

da Saúde temos que nos inscrever na

Cruz Vermelha para o Reconhecimento

do Diploma. O processo pode

ser demorado, entre 8 meses a 2 anos.

São solicitados previamente alguns

documentos obrigatórios para todos

os candidatos para o reconhecimento

e depois conforme as avaliações pode

ser exigido mais Documentos/Estágios/Formações.

M.S. — O que considera mais gratificante

na sua profissão?

S.B. — Ajudar as pessoas, saber que de

alguma forma consigo melhor a qualidade

de vida dos meus pacientes. A

gratidão dos mesmos muitas vezes até

por pequenas conquistas para muitos

de nossos.

M.S. — Os seus pacientes aceitam

bem que a prioridade é a prevenção,

depois o tratamento e por fim

a cura, ou chegam com a fé de milagres?

S.B. — No meu percurso já encontrei

diferentes tipo de pacientes alguns

esperam a redução imediata e milagrosa,

outros já fazem meses/anos fisioterapia

e têm mais conhecimento

de como decorre o tratamento. Ainda

assim considero que faz parte do papel

do fisioterapeuta informar e educar/

consciencializar o paciente para todas

as possíveis formas de tratamento

e os eventuais resultados. Cabe a cada

um depois decidir que papel querer

assumir na sua saúde e bem-estar. O

meu objectivo é claramente que esse

papel seja o mais activo possível

M.S. — A Sandra pensa em especializar-se

em alguma terapia alternativa?

S.B. — Na área da saúde em geral é

muito importante a formação continua,

na fisioterapia existe diferentes

especializações que nos ajudam a

crescer enquanto profissionais de saúde.

O meu objectivo é realizar outras

formações especificamente na área do

desporto e terapias manuais.

M.S. — 2020 foi um ano muito

complicado. Qual foi a sua estratégia

para chegar ao fim, com a frase,

“consegui evitar o vírus“?

S.B. — Respeitar as medidas recomendadas

pelos especialistas, manter

pensamento positivo e o foco

em como podia ajudar ainda mais os

meus pacientes. A experiência de dor

é fortemente influenciada por componentes

psicosociais, por isso as medidas

de lockdown e de afastamento

social (por exemplo pessoas com mais

de 65anos não andarem de transportes

públicos, netos não visitarem avôs ou

outras pessoas em zona de risco que

são para muitos pacientes mais uma

sobrecarga sobre as suas queixas/sintomas.

Tornou-se assim ainda mais

claro a importância destes aspectos na

percepção da dor e do papel do fisioterapeuta

na intervenção dos mesmos.

M.S. — Viver com a cultura portuguesa

e Suíça é?

S.B. — É um crescimento interno

enorme. Aprendemos a aceitar diferentes

culturas, discutir os diferentes

ideais e fazemos uma reavaliação dos

princípios de vida pelos quais nos regemos

e nos são importante.

M.S. — Para além de terapeuta a

Sandra é mãe e esposa. O que gosta

de fazer nos tempos livres?

S.B. — Gosto de passear com a família,

conhecer novos lugares, de andar

de bicicleta, fazer desporto, ver séries

e ouvir música.

M.S. — Que gostaria de dizer à

Comunidade Portuguesa?

S.B. — Tanta coisa. Resumidamente

seria 2 pontos importantes. 1) Que

não devemos deixar de acreditar em

nós mesmo e nos nossos sonhos/objectivos

independentemente dos obstáculos

e das vozes de fundo. 2) Que

não se deixem perder na correria suíça

e tirem tempo para ouvir os sinais do

nosso corpo em relação a nossa saúde.

M.S. — Como prevê o ano que acaba

de iniciar-se?

S.B. — Eu espero que bem melhor que

2020. Provavelmente o início ainda

será velocidade a carvão mas cada vez

melhor. Por isso espero que todos possam

realizar os projectos que ficaram

em standby em 2020: viajar, mudar de

emprego, visitar família, formar família,

ser feliz. De uma forma geral o ser

humano está a precisar de recarregar

energias positivas, sorrisos e abraços

apertados.

M.S. — Em nome do Centro Lusitano

de Zurique desejo-lhe as maiores

felicidades profissionais e pessoais para

2020.

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SAÚDE

O sistema ocular

nossos olhos, nossa visão

V ZUILA MESSMER

O

sistema ocular é um

dos mais complexos

do organismo,

formado por mais de dois

milhões de partes que

funcionam em sintonia

umas com as outras, mas

cada uma desempenhando

funções específicas,

que nos fazem ver.

Vamos conhecer um pouco sua

anatomia e estruturas:

- Em sua parte mais externa encontra-se

as pálpebras, as quais oferecem

protecção aos olhos; os cílios que auxiliam

nessa protecção contra corpos

estranhos, transpiração e raios luminosos;

a córnea e a esclera também

chamada esclerótica, (a parte branca

do globo ocular), que ajuda à proteger

o interior dos olhos.

- Na camada média localiza-se a Íris,

a estrutura colorida dos olhos. Em seu

centro existe uma abertura que chamamos

de pupila, na qual permite

entrar a luz. Os músculos da íris são

quem controlam o tamanho da pupila,

para que possa entrar mais ou menos

luz.

- Na parte interna do olho está a Retina,

onde se formam as imagens de

tudo aquilo que se vê. A retina é dotada

de milhões de foto-receptores

denominados bastonetes e cones,

sensíveis à luz. Os cones são responsáveis

pela visão dos detalhes e das cores,

enquanto os bastonetes mais sensíveis

diante da baixa intensidade luz em um

ambiente, se encarregam de nos permitir

enxergar no escuro.

- O nervo óptico é a célula nervosa

que faz a conexão da retina com o

cérebro, responsável pelos impulsos

eléctricos que transmitem as informações

e estímulos luminosos. Ao

longo do nervo óptico passam vasos

sanguíneos (artérias), que conduzem

oxigénio e nutrientes para essas células.

- O cristalino é uma estrutura transparente

formada por duas superfícies

convexas, com função de concentrar

os raios luminosos, direccioná-los à

retina e ajustar o foco da visão. Os

músculos que estão em sua volta controlam

sua forma e permitem que se

possa enxergar em diferentes distâncias.

- O sistema lacrimal é formado pelas

glândulas lacrimais e as vias de drenagem

das lágrimas para o nariz. Cada

olho possui um par de glândulas localizadas

atrás e ao lado de cada olho,

as quais recebem inervação do sistema

nervoso autónomo (SNA), produzem

o fluido lacrimal (lágrima*) para a lubrificação

e limpeza do globo ocular.

* A lágrima é composta por água, sais

minerais, proteínas e gorduras. De pH

neutro, entre 7.0 à 7.4 e com volume

médio renovado em cada 5 minutos.

O excesso desse líquido (em caso de

choros), flui através dos ductos nasolacrimais

para o nariz.

Além do sistema lacrimal, o globo

ocular é dotado de outras substâncias

importantes, o humor aquoso* e o vítreo*

- Humor aquoso é um líquido incolor,

formado por 98% de água e 2%

de cloreto de sódio, localizado entre

o cristalino e a córnea, com função

de nutri-los e ajudar na regulação da

pressão interna do olhos.

- Vítreo ou humor vítreo é uma substância

gelatinosa de 4 ml, presente em

cada olho, localizada atrás do cristalino

(entre o cristalino e a retina), com

função estrutural, ou seja, manter o

formato dos olhos e impedir o deslocamento

da retina.

Fisiologia da visão. O que acontece

para que possamos ver:

A luz ao chegar e passar pelas pupilas,

atravessam as córneas, o humor

aquoso, o cristalino, o humor vítreo

e chegam na retina captada por seus

foto-receptores, nesse momento, as

imagens se invertem (viram-se de cabeça

para baixo).

Da retina seguem para o cérebro através

do nervo óptico e seus impulsos

nervosos. O cérebro processa a informação

que recebe e volta a virar

as imagens, colocando-as em posição

real, evitando que se veja de forma errada.

Os olhos são susceptíveis a problemas

de natureza diversas, entre elas,

as fisiológicas, nas quais está incluso o

processo de envelhecimento (à partir

dos 40 anos), bem como aqueles influenciados

pela hereditariedade. Por

exemplo, se os pais de uma criança

usaram lentes de correcção quando

jovens, provavelmente os filhos também

necessitarão usá-las. Mais recentemente

se tem diagnosticado complicações

significativas decorrentes da

vida moderna.

Problemas na visão mais comuns:

- A miopia ou dificuldade de ver de

longe, ocorre quando a luz que entra

nos olhos se foca em frente a retina,

em vez de ser directamente sobre ela.

Os objectos à distância ficam desfocados

e pouco claros.

- A hipermetropia, é a dificuldade

de ver de perto. Nesse caso, a luz foca-se

atrás da retina. Muitas vezes é

consequência de uma córnea mais lisa.

- Astigmatísmo, provém da diferença

entre as curvaturas da córnea, levando

à dificuldade de enxergar uma

recta em determinada posição.

- Catarata é um problema bem típico

da idade. Caracteriza-se pela opacificação

(turva) do cristalino do olho,

que atrapalha a entrada de luz nos

olhos, acarretando dificuldades.

- Presbiopsia conhecida como vista

cansada, é outro comprometimento

que provém do amadurecimento orgânico.

Os portadores possuem difi-

16

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culdade para enxergar de perto.

Outras alterações devido a

idade e sugestões para minimizar

os danos:

1. Redução do tamanho

da pupila. Ocorre quando

o músculo que controla seu

tamanho perde parcialmente

sua força, diminuindo o diâmetro,

a reacção e resposta da

pupila à alteração da luz ambiente.

>Ao perceber esse sintoma –

Corrigir a iluminação (ir para

um ambiente mais claro ou

acender luzes), antes de continuar

a leitura.

2. Síndrome do olho seco. Provém

da redução da produção das lágrimas.

Mais comum em mulheres no pós

menopausa.

> Ingerir mais líquidos e usar colírios.

3.Redução do campo visual periférico.

Há cerca de 3 graus de perda

da visão periférica em cada década de

vida, o que significa de 20 a 30 graus

da capacidade em um idoso de 80

anos, daí o aumento dos riscos de acidentes

nessa faixa etária.

> Recomenda-se ficar atento ao dirigir

e/ou caminhar, principalmente

pelas ruas. Olhar várias vezes para os

lados para se certificar do que acontece

à sua volta. Aconselha-se não

conduzir/dirigir mais!

4. Diminuição da visão de cores e

contraste. Acontece devido a redução

da sensibilidade e transmissibilidade

das células do sistema nervoso (cones),

que desempenham essa tarefa

> Ir ao oftalmologista para um controle

e segurança

5. Descolamento vítreo, ocorre

quando a substância gelatinosa (humor

vítreo) se torna liquefeita e se solta

da retina, causando pontos pretos

que parecem flutuar na visão.

>Ao perceber pontos escuros nos

olhos, procurar o oftalmologista para

avaliar o caso e assim evitar o deslocamento

da retina.

- Quanto aos problemas na visão

proveniente da vida moderna,

destaca-se a síndrome da visão

de computadores – SVC. O

termo foi definido pelos estudiosos e

está relacionado à tecnologia, ao uso

abusivo dos computadores, tablets e

smartphones.

Pesquisas relatam que essa síndrome

tem prejudicado a produtividade das

pess

o a s

d e v i d o

ao longo

período de tempo

em que ficam

diante do monitor e de

sua luz intensiva sobre os olhos,

sobrecarregando-os, ocasionado fadiga

muscular e consequentemente redução

nos reflexos do acto de piscar,

para em torno de 6 – 8 vezes por

minuto, quando o normal seria de 16

a 20 vezes por minuto.

O resultado dessa exposição prolongada

são os seguintes sintomas:

- Visão embaraçada e dupla, perda de

foco e sensibilidade à luz

- Olhos ardentes, cansados, secos

- Dor de cabeça, fadiga, dores no pescoço

Outras medidas importantes que

ajudam a retardar os efeitos do

tempo, prolongam a saúde e a qualidade

da visão:

- Alimentação saudável, rica em

Omega-3 e antioxidantes;

- Melhorar a iluminação ambiental

evitando a fadiga ocular;

- Não fumar (o tabaco aumenta o

stress e está ligado diversas doenças

oculares);

- Fazer exercícios físicos para melhorar

a oxigenação ocular, eliminar

toxinas e radicais livres.

- Usar óculos de sol para protegê-los

do excesso de raios ultravioletas.

Realizar exames

periódicos com o oftalmologista;

Vamos a um pequeno comentário

para reflexão:

Como já foi explicado, a luz entra nos

olhos pela córnea e pupilas. Caso esteja

em num quarto escuro e se acenda

luzes ou se abra janelas, as pupilas se

contraem para reduzir a quantidade

de luz. O contrário também acontece,

caso esteja no sol e entrar para o

escuro, as suas pupilas se dilatam para

permitir maior entrada de luz e se poder

ver melhor.

Parou?

Pensou ? no que acabou de ler

Observou ? como os olhos trabalham

em nosso benefício.

Sentiu e analisou ? como seria se assim

não fosse

Para concluir: O sistema ocular é um

dos mais delicados do organismo. Os

olhos, são os órgãos responsáveis por

um dos cinco sentidos do ser humano,

a visão, quem nos faz ver a vida e o

mundo que nos cercam.

Cuide bem deles!

-

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DESPORTO

Para mim será especial porque

é um jogo da Champions

também experiência competitiva no

clube que referi em cima e tive várias

experiências como treinador de

escolinhas de Futsal num registo

lúdico-educativo. O convite do Minerva

surge através do conhecimento

estabelecido entre o Minerva e o

SCP aquando da realização da Minerva

CUP em 2015 onde o SCP foi

um dos clubes presentes. Em 2016 e

após a derrota na final do campeonato

Nacional Suíço, o Nuno Dias e

o Paulo Luís, sabendo que no final

dessa época eu iria deixar o SCP, informaram-me

sobre a possibilidade

de eu vir para a Suíça substituir o antigo

treinador do Minerva, uma vez

que o presidente do Minerva (Miro

Prskalo) os tinha contactado a pedir

informações sobre possíveis treinadores

que fossem da sua confiança.

Pedro Alexandre Almeida

Santos de 40 anos, natural

da cidade de Lisboa.

A viver na Suíça há cerca

de 4 anos, desde que assumiu

o comando técnico

da equipa de Futsal

Minerva, equipa da capital

da Suíça. No próximo

dia 16 de Janeiro de 2021,

joga contra o Sport Lisboa

de Benfica para Uefa

Futsal Champions League

a contar para 1/16 de

final.

JORGE MACIEIRA

CLZ — Para quem não conhece,

quem é o Pedro Santos?

— Antes de demais agradeço o convite.

Eu sou treinador de Futsal nível

III e Licenciado em Educação Física.

A minha ligação ao futsal começou

desde mui¥to cedo como jogador

num clube dos arredores de Lisboa

(Grupo Desportivo dos Bons Dias)

num bairro de Odivelas e de onde

saíram muitas pessoas ligadas ao Futsal.

Mais tarde em 1998 iniciei também

a minha primeira experiência

como treinador de formação neste

mesmo clube. Desde 1990 até à data

o futsal faz parte da minha vida.

CLZ — Teve experiências no

Sporting, Benfica e Quinta dos

Lombos em escalões de formação,

como surgiu o convite para o Minerva?

— Além dos clubes mencionados tive

CLZ — Pode se dizer que foi "chegar,

ver e vencer" logo na primeira

época vencer o campeonato

nacional suíço, qual foi diferença

entre campeonato português e

suíço?

— Sim, de facto as coisas no primeiro

ano acabaram da melhor forma possível

com a conquista do campeonato

Nacional suíço para o Minerva depois

de um interregno de 4 épocas.

As diferenças entre a realidade do futsal

em Portugal e na Suíça eram na

altura e continuam a ser muito grandes.

São diferenças a todos os níveis,

desde a formação até à elite em todas

as áreas que envolvem o fenómeno

do Futsal. Apesar de em Portugal eu

nunca ter trabalhado com seniores

tive a sorte de estar em clubes com

óptimas condições de trabalho e objectivos

elevados, e de facto quando

chego à Suíça o choque é muito

grande. Mas como bom português a

capacidade de adaptação e flexibilidade

ajudaram muito á adaptação e

melhoria das condições que encontramos

na altura. Hoje o Minerva é

18

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um clube completamente diferente a

todos os níveis do Minerva de 2016.

CLZ — Onde pode melhorar a liga

suíça?

— Temos espaço para melhorar a todos

os níveis. O melhor de tudo é que existe

um potencial de crescimento enorme.

Além de estarmos num país muito

desenvolvido e onde as condições

sócio-económicas não têm paralelo,

existe a “cultura do jogo com a bola

nos pés”, mas onde o futsal não é uma

modalidade conhecida. Estou em crer

que o futsal fara o seu caminho e que

de entre 10 a 20 anos teremos a Suíça

como um dos campeonatos de referência

no panorama internacional. A liga

pode melhorar em todos os aspectos,

desde os quadros competitivos, desde

qualidade dos jogadores, dos treinadores,

dos dirigentes, dos árbitros, do

número de treinos por semana, etc.

CLZ — Esta é 4 época ao serviço do

Minerva, o que podemos esperar da

sua equipa?

— Esta é a minha 5ª época ao serviço

do Minerva. Se nas 4 épocas anteriores

ganhamos 2 campeonatos, fomos eliminados

numa semifinal, e na época

passada devido ao COVID o campeonato

foi interrompido quando estávamos

em primeiro lugar com mais 2

pontos e um jogo em atraso em relação

ao segundo classificado (sendo que

o titulo de campeão não foi atribuído,

fomos nós que por direito próprio adquirimos

a vaga para disputar a UEFA

Champions League 2020-2021), aquilo

que podemos esperar do Minerva é

uma equipa competitiva que vai sempre

lutar para estar nos momentos da

decisão com o objectivo claro de somar

títulos.

CLZ — Na eliminatória anterior

da Uefa Futsal Champions League

eliminaram o Perth Youth Futsal

actual campeão da Escócia, que espera

chegar aos 16 avos-de-final da

Futsal Champions League?

— Infelizmente devido à pandemia a

equipa da Escócia não pode vir realizar

o jogo, pelo que a vitoria nos foi

atribuída. Estou convencido que seria

um jogo onde iríamos impor o nosso

futsal e acabar com uma vitoria. Agora

estamos pela 2ª vez na história do Clube

nos 32 melhores e saiu-nos o SLB

como adversário, o que para nós é absolutamente

fantástico pois vamos poder

defrontar uma das equipas do top

5 do Mundo. Para o futsal suíço será

mais um marco no seu crescimento e

uma oportunidade de ouro para dar

a conhecer o Futsal ao grande publico,

uma vez que o SLB é uma marca

global. Esperamos chegar ao top 16

da UEFA até ao final da época 2023-

2024. Se o conseguirmos fazer em Janeiro

de 2021 melhor.

CLZ — Saiu um seu velho conhecido,

como foi a reacção ao sorteio

onde lhe saiu Sport Lisboa e Benfica?

Que espera desse jogo?

— Foi uma alegria imensa, pois a par

do Barcelona e do SCP, são os 3 clubes

de dimensão global com maior representatividade

também ao nível do

Futsal. Qualquer um dos 4 adversários

possíveis aquando do sorteio, seria um

oponente de máxima dificuldade, pelo

que para nós o mais importante era

poder realizar o jogo em Berna e se

possível contra o SLB ou o Barcelona,

pois sabemos de antemão que são dois

potenciais vencedores desta competição

e vão trazer uma visibilidade para

este jogo como nunca existiu antes

aqui na Suíça.

CLZ — Será um jogo de uma equipa

portuguesa contra uma equipa

suíça com muitos portugueses, será

especial por isso também?

Para mim será especial porque é um —

jogo da Champions e onde se disputa

o acesso ao TOP 16. Para mim não é

especial se jogamos contra o SLB ou

contra outro clube qualquer. O facto

de termos vários portugueses na equipa

não muda nada. No Minerva temos

várias Nacionalidades (Suíços, Franceses,

Brasileiros, Italianos, Portugueses

e Sérvios).

CLZ — A aposta de jogadores lusos

foi uma opção do clube ou um critério

desde que chegou ao comando

técnico da equipa?

— No meu primeiro ano de Minerva,

não trouxemos ninguém. Herdei um

plantel já formado dos anos anteriores,

onde já estavam vários portugueses.

DESPORTO

No meu segundo ano só trouxemos

jogadores que já competiam na liga

Suíça. Contratamos portugueses e

Suíços. Só no meu terceiro ano trouxemos

jogadores jovens de fora da Suíça.

Chegaram jogadores de Portugal e da

República Checa. O critério de escolha

nunca será a nacionalidade, mas sim a

qualidade, potencial de crescimento,

perfil do jogador, isto tudo de acordo

com as possibilidades do clube.

CLZ — De que modo está a situação

provocada pelo novo Coronavírus a

afectar a preparação dos jogadores?

— Em termos de treinos continuamos

a treinar da mesma forma, mas o facto

de o campeonato estar suspenso é um

factor negativo sem qualquer dúvida.

Resta-nos encontrar as melhores soluções

para preparar a equipa de acordo

com as restrições impostas devido à

pandemia.

CLZ — Um dos entraves do

Coronavírus é a falta de público

nas bancadas, é um elemento que

faz muita diferença nos jogos?

— Certamente que faz. No caso de

termos publico de certeza que no

próximo joga da UEFA teríamos um

pavilhão completamente cheio, com

um ambiente fantástico, e todos nós

preferíamos que assim fosse. O fenómeno

desportivo é um espectáculo

feito para as pessoas, e na nossa etapa

de crescimento precisamos de atrair

pessoas para o futsal. Esperemos que

rapidamente esta situação seja parte

de um passado mais difícil, mas que

rapidamente o Futsal volte a poder ter

pessoas nas bancadas, assim como que

todos os sectores da nossa sociedade

possam voltar à “normalidade”.

CLZ — Que mensagem deixa aos

nossos leitores e praticantes de futsal?

— Queria deixar votos de muita saúde

e um ano de 2021 repleto de sucessos

pessoais e profissionais a todos os

amantes do Futsal. Um bem-haja a todos.

Um cumprimento especial a todas

as pessoas que apoiam e dedicam-se ao

Minerva. 1

1 https://bit.ly/3mENR1Z

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19


DESPORTO

Sinceramente, a não ser eu,

não tenho mais nenhum ídolo

JORGE MACIEIRA

Pedro Carvalho “THE

Game”, com 25 anos

lutador de MMA que

vive na Irlanda que actualmente

com 11 vitórias

e 4 derrotas no

Bellator. No passado

dia 12 de Novembro

lutou contra o brasileiro

Patrício Pitbull onde

o português saiu derrotado,

mas promete voltar

ainda mais forte na

sua próxima luta.

CLZ - Quem é o Pedro

Carvalho?

- O Pedro Carvalho é um

atleta de MMA 1 , 25 anos

1 artes marciais mistas

natural da cidade de Guimarães,

Portugal

-Como você começou no

MMA?

- Comecei no MMA por

acaso, descobri o MMA por

um programa de televisão

e mais tarde descobri por

um colega meu que havia

MMA na minha cidade,

com o Rafael Silva na RS

Team e foi assim que tudo

começou.

CLZ -O que você considera

o grande atractivo

do MMA?

- Um pouco de tudo que

envolve o desporto, desde o

ser o desporto de

Combate mais completo,

da competição até ao desejo

de ser e provar que o melhor

CLZ - Tem algum ídolo

no MMA?

- Sinceramente, a não ser

eu, não tenho mais nenhum

ídolo.

CLZ - Como é a sua rotina

de treinos?

- A minha rotina de treinos

é treinar de segunda a segunda,

de manhã e ao final

da tarde, menos ao sábado e

domingo em que só treino

uma vez por dia.

CLZ - Quais foram as

suas lutas mais marcantes?

- Talvez a minha primeira

luta no Bellator pois foi um

marco de viragem não só

profissionalmente como

pessoalmente

CLZ - Como foi o seu

último combate contra o

"Pitbull"

- Foi mau, principalmente

sabendo que foi culpa minha

e não por falta de argumentos,

mas a vida é uma

aprendizagem e sem dúvida

que esta derrota vai-me dar

as ferramentas necessárias

par chegar ao topo

CLZ - De onde veio a alcunha

"THE game"?

- A alcunha veio do facto

de eu tentar ler psicologicamente

o meu oponente

e procurar estar sempre um

passo à frente da concorrência,

daí a alcunha

CLZ - Quais são suas expectativas

para 2021?

- As minhas expectativas

é fazer os combates que

tenho em mente e de me

tornar de novo o candidato

número um ao título. E em

2022 tornar me campeão

CLZ - Que mensagem

deixas aos nossos leitores

e a quem se esta iniciar

no MMA?

- Que tenham fé neles

mesmos, que tenham fé

no processo e que estejas

não só disposto a sacrificar

muita coisa como também

dispostos a trabalhar arduamente

de Janeiro a Janeiro,

a jornada não é fácil, mas

recompensa vale muito a

pena.

20

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Pretendemos ajudar o próximo,

aqueles que mais precisam

SOCIEDADE

O TikTok é a plataforma

de eleição

de Hélder Fernandes,

de 28 anos e de

Bernardino Catalão

de 52. Falamos com

eles.

JORGE MACIEIRA

CLZ - Querem fazer-nos

uma pequena apresentação.

- Poderei falar eu. Sou Hélder

Fernandes natural de

Penafiel, com 28 anos, vivo

actualmente no cantão de

Zurique, trabalhalhamos na

construção civil, nas estradas.

O Bernardino Catalão

tem 52 anos e é natural de

Outeiro de Vila Real e trabalhamos

ambos na Gubler

Bau.

CLZ - Você está no Tik-

Tok desde Setembro de

2020? Como descobriu a

aplicação?

- Ao vermos a publicação

de outros vídeos1 nas redes

sociais, surgiu a ideia no

grupo de trabalho de fazer

mos um vídeo para animar

o ambiente de trabalho.

Nós somos pessoas que gostamos

de trabalhar sempre

alegres e contentes.

CLZ - Como decidiram

começar a publicar os vídeos?

- Começou por uma brincadeira

a começar a fazer o

primeiro vídeo que publicamos

e teve bastante sucesso,

a partir daí começamos a

fazer mais, e mais e a publicá-los.

Agora continuamos

a gravar em qualquer altura.

1 https://bit.ly/3h73ZrK

CLZ - Vocês imaginaram

que iam ficar tão populares

com as publicações?

- Não, nunca nos passou

pela cabeça e nem era esse o

nosso objectivo quando começamos

a fazer os vídeos.

CLZ - Chegar a ter vídeos

com 200 mil visualizações,

já traz uma pequena

fama, qual a reacção das

pessoas na rua e nas redes

sociais?

- Tem sido bastante positiva,

há sempre reacções negativas

também como em

todo o lado, mas depois da

entrevista no Blick fomos

conhecidos em vários cantões,

principalmente no

de Zurique. Muita gente

de manhã cedo vêem-nos

na rua e querem tirar fotos

connosco e querem que

dancemos para eles verem.

CLZ - Os vídeos trouxeram

alguma complicação

no trabalho?

- Até ao momento não tivemos

qualquer tipo de problema

no trabalho, mesmo

o patrão está a par dos nossos

vídeos, ainda ficou contente

por dar a mais visão à

nossa firma. Pediu até para

lhe enviar os vídeos para ele

os ver também.

CLZ - Vocês gostam de

inventar danças novas ou

já está pré-programado?

- As danças nunca foram

programadas ou ensaiadas,

simplesmente metemos o telemóvel

a tocar com a música

para o vídeo e é o que calhar.

Nós dançamos assim de improviso,

só houve um vídeo

que tivemos de repetir.

CLZ - Quais são as vossas

próximas metas e que expectativas

para o futuro?

- Pretendemos continuar

com a mesma alegria e com a

mesma motivação de divertir

o pessoal e como já chegamos

a um bom número de

seguidores, pretendemos ajudar

o próximo, aqueles que

mais precisam.

CLZ - Vocês não só fazem

tiktok's, como também

fizeram recentemente

uma campanha de roupa

para África, como surgiu

essa iniciativa?

- Esta iniciativa teve bastante

sucesso mesmo, se

quiséssemos e tivéssemos

condições poderíamos encher

dois contentores para

ajudar África. Nós vemos

tanta gente a reclamar por a

não gostar de uma camisola,

reclamar por a comida estar

salgada ou algo do género.

CLZ - Achas que teve esse

sucesso devido ao Tik-

Tok?

- Sim deve-se aos vídeos do

TikTok, porque foi pelos vídeos

que começou esta iniciativa

e chegou a tanta gente

que nos ajudou.

CLZ - Alguma mensagem

para os nossos leitores?

- Que os Portugueses sejam

mais unidos, ajudem o

próximo quando os virem a

passar dificuldades, em vez

de virar a cabeça para o lado

como se não fosse nada com

eles. Quando viemos para a

Suíça, quase todos vieram

porque precisavam de melhorar

a vida, senão ficávamos

no nosso país. Só quero

que os portugueses sejam

mais unidos.

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CRÓNICA DO NOSSO CANTINHO PARA O VOSSO CANTÃO

A malta tem medo!

A malta tem medo!

22

V ARAGONEZ MARQUES

CONTINUAÇÃO da edição anterior...

Na hora de almoço Gervásia,

muito acelerada,

como sempre, contou a

história do telefonema a Zé Paixão,

seu companheiro de vida.

- Oh Gervásia, minha querida, não

estejas tão nervosa! Tem calma que

isso não será um bicho-de-sete-cabeças!

Olha, bebe um copinho de vinho

para digerires melhor a comida

– aconselhou Zé Paixão, uma pessoa

muito calma.

O domingo acordou fresco e chuvoso.

O casal levantou-se, rumou até ao

hospital e Gervásia lá fez o teste.

Com um pouco de comichão nos

ouvidos e uma lagrimita nos olhos, a

professora estava aliviada.

- Ai, ainda bem que já fiz isto! Olha,

afinal não foi incómodo! Vamos tomar

o pequeno-almoço, mas leva-

-me ao centro, tu sabes que gosto

muito desta cidade.

E lá foram os dois, recordando quando

iam ao centro da cidade por causa

das consultas mensais no ginecologista.

Deitando contas aos nove meses

de gravidez de cinco filhos são

quarenta e cinco as vezes que fizeram

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o trajeto, filhos hoje já com filhos,

Gervásia e Zé Paixão, tinham a casa

repleta de netos e como as reformas

não vinham, era mais uma professora

de risco e com quarenta e três anos

de escola e mais de sessenta de idade.

Na segunda-feira, perto das sete da

manhã, o casal rumou novamente

à cidade que fica a mais de cento e

cinquenta quilómetros. Gervásia da

Silva estava muito nervosa e Zé Paixão

com o seu cálido sorriso brincava

com a situação.

Chegaram ao hospital, colocaram

as benditas máscaras e dirigiram-se

à portaria onde lhes indicaram que

fossem para as consultas externas.

- Senhora enfermeira, por favor, para

fazer um exame ao coração, onde me

devo dirigir?

- Olhe, pergunte ali àquela funcionária

- respondeu a enfermeira,

apontando para o lado esquerdo.

A funcionária indicada, atrás de uma

mesa que tinha gel desinfetante e

uma caixa com máscaras, fez uma

cara de susto quando Gervásia e o

marido se dirigiram a ela para perguntarem

pelo local onde se faria o

exame.

- Quem vai fazer o exame? - perguntou

antipaticamente.

- Eu – respondeu Gervásia já com os

calores a subirem pelo esófago.

- E você o que está aqui a fazer? -

olhando com desdém para Zé Paixão.

Gervásia muito indignada com

aquela atitude levantou um pouco a

voz e disse-lhe:

- Para que saiba, ele é meu marido e

está aqui para me acompanhar, pois

disseram-me pelo telefone que deveria

estar acompanhada para realizar o

exame e tento saber há meia hora em

que sítio deste hospital o posso fazer.

A “cara de susto” ironizou:

- Acompanhada, mas até ali à porta,

ele não pode estar aqui.

- E para que me mandaram vir

acompanhada?

Para acalorar mais a situação, Zé Paixão

perguntou se as máscaras eram

para oferecer uma vez que precisava

de uma, porque a dele tinha um elástico

partido.

- Isto não é para oferecer, são para os

doentes e não mexa, se faz favor!

A professora, que altera rapidamente

o seu humor perante certas atitudes e

com receio de “acordar” alguma falta

de educação, pediu ao marido que

saísse.

Mas Zé Paixão já tinha tocado na

ponta de uma máscara e a mulher

não teve outro remédio senão dar-

-lha.


Como o Covid está a comer “o coco”

às pessoas!

A funcionária deu a sensação de

medo, de repulsa pelos outros e, afastando-se,

disse a Gervásia da Silva

para se dirigir aos seguranças que estavam

no meio do “hall” de entrada.

Entretanto, o marido foi para a rua e

ela perdida naquele mundo.

Depois de repetir vezes sem conta

a tal pergunta, um dos seguranças

apontou o dedo para o chão e informou:

- Minha senhora, siga a linha roxa.

Gervásia, que mais parecia um barril

de pólvora, lá descobriu a linha roxa

entre tantas, até parecia que no chão

estava desenhado um arco-íris.

Seguindo a linha roxa durante uns

metros em frente, um quarto de volta

depois virou à esquerda e chegou

a um guiché onde, sem que tivesse

tempo para se informar, ouviu:

- O que anda aqui a fazer? Não pode

estar aqui!

Humildemente, ainda cumprimentou

a funcionária e explicou o porquê

de estar ali:

- Preciso de saber onde faço o ecocardiograma.

- Ah! Não, não, isso não é aqui. Isso

faz-se no quinto andar, na cardiologia.

Tem de sair por aquela porta e

encontrar o elevador ou pergunte a

um segurança.

- Valha-me Santa Engrácia! Perguntar

a um segurança! Mas que informações

tão confusas!- “o barril de

pólvora” estava quase a explodir pelo

corredor escuro e frio.

Mais ao fundo, encontrou o elevador

e pressionou o botão da chamada.

Decorridos uns segundos, abriu-se a

porta mas, de repente, uma senhora

muito chique de malinha de verniz

no braço, enfiou-se dentro da caixa

metálica e, para espanto de Gervásia,

cada vez mais aflita, disse-lhe:

- Só pode ir uma pessoa.

- Mas eu estava primeiro! - retorquiu

Gervásia da Silva, cheia de azedume e

com vontade de lhe puxar os cabelos.

O elevador não demorou a descer, a

professora entrou e procurou o botão

do quinto andar. Qual quê! O elevador

só subia até ao quarto andar! Mas

que situação caricata…

Gervásia, ao rubro do nervosismo,

disse em voz alta:

- Que horror! Vou chegar mais que

atrasada e com o coração fora do sítio!

Mas que chatice!

Chegada ao quarto piso, deparou-se

com uma porta e dois guichés. Mal

balbuciou meia palavra, foi imediatamente

avisada por uma voz forte:

- A senhora não pode passar para

aqui!

- Caramba, não tenho a peste, só preciso

de ajuda!

- Está na linha amarela, aqui só podemos

estar nós e, ironicamente, “os

que lidamos com a peste todos os

dias”.

- Eu sei, tenho os pés na fita amarela,

mas como vou para o quinto andar?

E a voz continuou:

- Aí à esquerda estão as escadas.

Furiosa com a situação, virou as costas

e nem agradeceu a informação.

Depois de umas dezenas de degraus

ei-la no quinto piso! Uma súbita alegria

invadiu Gervásia que já estava a

sentir-se doente.

Uma sala pequena com duas portas.

À direita a pediatria e à esquerda a

cardiologia.

- Alto aí! Onde pensa que vai?

Apeteceu-lhe deitar-se no chão em

posição fetal e meter o dedo na boca,

mas venceu o desespero e “plantou-

-se“ à frente da porta da cardiologia

que estava aberta e esperou.

Dali não sairia, passasse o que se passasse.

Alguns minutos depois, veio de lá

uma enfermeira muito simpática, finalmente,

que com voz ténue levantou

o ânimo da professora. Já era hora

de encontrar alguém gentil naquele

hospital!

Depois dos acertos com alguma papelada,

a enfermeira aconselhou a

professora a sentar-se para esperar

pelo médico. Já mais calma, telefonou

ao Zé Paixão de quem sentiu saudades

naquele percurso sombrio.

- Zé, finalmente cheguei ao quinto

piso. Nem imaginas as peripécias! Já

te contarei…

Ali sentada e muito só, ia observando

o movimento dos médicos, enfermeiros,

empregados da limpeza e de

alguns pais que saíam e entravam na

pediatria.

Estava incrédula! Pensava para os seus

botões:

- Eu, a professora, que todos os dias

incute aos seus alunos as palavras bonitas:

bom dia, boa tarde, olá, como

está… transmito-lhes tantos valores

para serem no futuro cidadãos com

regras e coração, e depois, vejo este

pessoal adulto com formação académica

que mais parecem robots. Não

precisamos ser conhecidos para nos

cumprimentarmos… um bom dia

é tão fácil de pronunciar e sabe tão

bem ouvir! Será que o maldito Covid

também atacou a “bolsa” dos valores

humanos?

Em que Mundo tão desgarrado vivemos?

Embrulhada nos seus pensamentos e

envolta numa certa nostalgia, Gervásia

da Silva foi chamada para realizar

o tão esperado ecocardiograma.

Já não era sem tempo. Dois anos à

espera, nessa altura ainda nem a sua

última neta tinha nascido!

Lurdes Ribeiro

É possível que a minha colega Lurdes,

que ainda hoje faz tanta falta na

escola (conforme fotografia que junto

do dia de S. Martinho, onde me

“entalou” para participar numa aula

com a Maria Castanha e o Santo da

capa, para poder motivar o grupo

para a diferença de discurso directo

e indirecto, sem dar por isso, numa

tarde em festa como a escola deverá

ser todos os dias) nunca mais vá a um

hospital até que tudo isto passe. 1

É pena, pois só o afastamento provocado

por estes maus funcionários públicos

é responsável da duplicação de

mortes para além das do Covid.

A malta tem medo!

1 Foto ausente, devido a problemas

técnicos de última hora. As nossas desculpas.

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Badenerstrasse 382, Postfach 687 | 8040 Zürich | Tel. 043 243 81 21

Baslerstrasse, 117 - 8048

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Suíça vai começar

vacinação contra Covid-19

A vacina contra a Covid-19 da Pfizer/BioNTech é uma das três pré-encomendadas pelas autoridades de saúde da Suíça. O país espera começar a vacinar

as pessoas mais vulneráveis ainda este mês, e em todo o país a partir de 4 de janeiro. Tampa Bay Times

SWISSINFO.CH/FH (*)

A agência reguladora

suíça Swissmedic aprovou

a vacina contra o

coronavírus da Pfizer/

BioNTech. De acordo

com as autoridades suíças,

o nível de proteção é superior

a 90% uma semana

após a segunda dose.

Dois meses após receber o pedido de

autorização, a Swissmedic deu luz verde

para a vacina contra o coronavírus

Comirnaty® (BNT162b2). Com base

nos dados disponíveis, a agência encontrou

um nível comparativamente

alto de eficácia em todas as faixas etárias

que foram testadas.

"A segurança dos pacientes é um pré-

-requisito essencial, especialmente no

que diz respeito à autorização das vacinas",

disse o diretor da Swissmedic,

Raimund Bruhin, em um comunicado

à imprensa no sábado. "Graças

ao procedimento evolutivo e a nossas

equipes organizadas de forma flexível,

conseguimos, no entanto, chegar rapidamente

a uma decisão - ao mesmo

tempo em que satisfazíamos plenamente

os três requisitos mais importantes

de segurança, eficácia e qualidade".

Qualquer pessoa com 16 anos ou

mais pode ser vacinada contra o novo

coronavírus (SARS-CoV-2), sujeito ao

cumprimento das recomendações oficiais

de vacinação do governo federal.

Para uma proteção ideal, a Swissmedic

sugere duas injeções intramusculares

da vacina, espaçadas com pelo menos

21 dias de intervalo.

O pedido de autorização para a Comirnaty®,

uma vacina de mRNA, foi

apresentado em meados de outubro e

revisado continuamente ("rolling submission").

A vacina já foi aprovada na

Grã-Bretanha, no Canadá, nos Estados

Unidos e em outros países.

Além da Pfizer/BioNTech, a Suíça

assinou acordos com os fabricantes de

vacinas Moderna e AstraZeneca. O

país alpino agora tem 15,8 milhões de

doses de vacinas sob encomenda dos

três fabricantes, aguardando aprovação

do órgão regulador de saúde. A

Swissmedic também está avaliando

uma vacina da Janssen-Cilag.

O governo federal encomendou cerca

de três milhões de doses da Pfizer/

BioNTech. As primeiras 100.000 doses

da vacina chegarão na Suíça nos

próximos dias, anunciou o Ministério

da Saúde no sábado.

A Farmácia das Forças Armadas armazenará

a vacina a -70°C antes de

distribuí-la aos cantões, que podem

armazenar as ampolas em geladeiras

por um máximo de cinco dias.

O cantão da Cidade da Basileia lançará

sua campanha de vacinação em

28 de dezembro, começando com os

residentes vulneráveis com mais de 65

anos. A vacinação nacional está prevista

para começar em 4 de janeiro.

A aprovação da vacina pela Swissmedic

saiu mais cedo do que o esperado.

Embora seja uma boa notícia, ela também

apresenta desafios adicionais para

o complexo sistema de saúde da Suíça.

Cabe aos cantões decidir como e onde

fornecer os serviços de vacinação. As

primeiras doses devem ser dadas a

dois milhões de pessoas dos grupos

de risco, observa o ministério da saúde.

Além dos idosos, isso inclui pessoas

com diabetes, doença pulmonar

crônica ou hipertensão arterial.

Em seguida, estão o pessoal da saúde e

parentes das pessoas de risco. As autoridades

suíças estimam que o resto da

população poderá se vacinar no início

da primavera, no mês de março.

Mais de 6.000 pessoas na Suíça (população

de 8,5 milhões de habitantes)

morreram de Covid-19. Mais de

400.000 pessoas foram infectadas.

(*) Escreve em português do Brasil

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CRÓNICA

Festa dos Caretos

em Torre de Dona Chama - Parte I

V TERESA A. FERREIRA

Natal, em Torre de

Dona Chama, é

sinónimo de reunião

da família e

de Festa dos Caretos.

Máscara de ferro com mais de 100 anos,

Caretos de Torre de Dona Chama.

Os flamenses guardam férias para regressarem

à Terra nestes dias. Sentem

esta festa de maneira especial, dado

que, nesta ocasião em concreto, não

há classes sociais. Diverte-se o rico e

o pobre, lado a lado. A continuidade

destas celebrações deve-se ao espaço

dado ao improviso, sendo que, não é

esquecida a génese da tradição.

A Festa dos Caretos consiste na recreação

da batalha entre mouros e

cristãos, cujo objetivo é a conquista

do castelo e da localidade da Torre aos

mouros.

Reza a lenda de que os cristãos estavam

em posição enfraquecida face

aos mouros. Houve a necessidade de

montar uma estratégia para os derrubar,

envolvendo tudo e todos da localidade,

executada nos dias 25 e 26 de

Dezembro.

Hoje vamos centrar-nos nos acontecimentos

do dia 25 de Dezembro, após

o jantar.

No Largo do Pelourinho e do Berrão,

acende-se o gigantesco madeiro, por

volta das 20:30. Esta é a senha para

dar início à execução do plano. A lenha

vai ardendo, noite fora, até se extinguir.

Cabe a um grupo de homens roubar

todas as montarias dos mouros, para

os enfraquecer, ou seja, Roubar os

Burros.

Outro grupo vai, de casa em casa,

percorrendo toda a localidade, munido

de embudes, Deitar os Jogos à Praça.

Estes dizeres são a senha para cada

um saber o que tem a fazer na batalha

que se travará no dia seguinte.

Nem as crianças foram deixadas de

fora. Um homem mais maduro intervém

como Pastor e Seu Rebanho. Este

teatro é pura distração para não gerar

desconfianças.

Diz o povo e com razão: “Quem conta

um conto, acrescenta-lhe um ponto”.

Vou, então, contar-vos algumas peripécias

que me foram chegando aos

ouvidos e outras vivenciadas, sobre

acontecimentos passados no dia 25 de

Dezembro.

Depois do jantar, alguns moradores

vão até à fogueira para apreciar o que

por lá se passa; outros ficam a guardar

a loge[ 1 ] do burro, não vá dar-se o

caso de alguns mariolas lho irem roubar;

e outros esperam pacientemente,

em casa, a senha de guerra.

Ti Ana, boa senhora e que Deus a

tenha em bom descanso, um certo

ano, resolveu que ninguém lhe havia

de roubar o burro. Não pense o

leitor, mais desprevenido, de que este

“roubar” é verdadeiro. Nada disso. No

dia seguinte, após a festa, os animais

são devolvidos aos donos, sãos e sal-

1 Loge - Estábulo

vos. Tudo isto faz parte da encenação.

Continuemos então.

Morava numa casa rústica de pedra.

No primeiro andar, vivia a família;

e por baixo, ficava a loge do burro, a

adega e outros arrumos.

Foi à loge, pôs a cabeçada e os arreios

ao burro e encaminhou-o, a muito

custo, pelas escaleiras exteriores até ao

primeiro andar. Meteu-o na cozinha

onde tinha a lareira acesa. Sendo uma

senhora muito asseada e briosa, veio-

-lhe ao pensamento de que o animal

poderia defecar no seu bonito chão de

soalho que tanto trabalho lhe dava a

manter. E, nestes pensamentos, surgiu-lhe

a ideia de arranjar uma fralda

para o burro. Foi procurar um grande

plástico que utilizou para o efeito.

Sentou-se junto à mesa, próximo da

lareira, enrolou as rédeas no braço e

com o passar das horas adormeceu,

debruçada sobre a mesa.

Um sobrinho da ti Ana foi com uns

rapazes à loge dela, para lhe roubarem

o burro. Nada! Onde estará o burro

guardado? – diziam eles. Procuraram

por todos os lados possíveis. Lembraram-se

de subir as escaleiras. Em pés

de lã foram parar à cozinha. Especados

com o que viam, com uma mão

tapavam a boca e a outra seguravam a

barriga para não acordarem a senhora

com tamanho ataque de risa:

- Um burro de fralda! Onde é que se

biu[ 2 ] tal cousa!?

Foram-se embora sem roubar o burro.

Junto à fogueira, enquanto me aquecia

pela frente e a traseira enregelava,

lembro o leitor de que nesta época

costumam estar temperaturas bem

abaixo de zero graus centigrados, escutei

ti Maria dizendo prà vizinha:

2 [2] Biu - Viu

26

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- Sabe o que fiz, Tonha? Botei três

aloquetes[ 3 ] na porta da loge do meu

burro. Este ano, essa malandragem,

não mo roubam. Ai deles!

A vizinha fez que acreditou na conversa

anuindo com um leve sorriso.

Dali a pouco, meia hora, talvez, aparecem

uns rapazolas ao pé da fogueira

em grande algazarra, exibindo o

troféu a duras penas conseguido. Um

montado no burro e dois vinham a pé,

rindo e segurando as rédeas. O burro

estava um espanto! Chapéu de palha

na cabeça e cachecol ao pescoço com

listas coloridas.

Ti Maria dá-se conta do caso e, incrédula,

atira bem alto para quem a quis

ouvir:

- Filhos duma puta! Não é que me

roubaram o burro!

E o povo ria.

- Fazei-me cuidado com ele, oubistes[

4 ]? Se não, amanhã, parto-bos 5 ] os

cornos.

Depois desta, brotavam gargalhadas,

soltas e estridentes, com o responso da

ti Maria.

Os burros roubados passavam pela

fogueira para seguirem até ao esconderijo

onde iriam pernoitar até ao

Cortejo da Ciganada, no início do dia

seguinte. Este cortejo tem um grande

significado no desenrolar da estratégia

da conquista. A seu tempo saberão

tudo.

O grupo que deita os jogos à praça,

divertido e bem bebido, secundado

por tocadores de caixa e bombos, faz

rir os moradores que não ousam pôr o

pé fora de casa.

Abeiram-se de uma casa e com seus

embudes deitam os jogos:

- Manda El-rei meu Senhor! (Bis)

- Que amanhã! (Bis)

- Saiam com seus jogos à praça. (Bis)

- O ti Chico? (Bis)

- Olha o gaiteiro fadista! (Bis)

- Bem te pinta! Bem te pinta! (Bis)

3 Aloquete - Cadeado

4 Oubistes - Ouvistes

5 Parto-bos – Parto-vos

Animadamente

s e g u e m

para a próxima

casa que,

melhores dizeres

não lhe espera! Todos

quantos acompanham o

grupo ficam em suspenso à espera

do que irá calhar ao vizinho, para se

desmancharem a rir, prova viva do são

convívio entre todos.

Tendo terminado o percurso, regressam

à fogueira sem fôlego e com as

pernas bem desgastadas. Mas muito

terão ainda pela frente. Ninguém vai

à cama até terminarem as festas, daí o

imperativo de manter esta boa gente

quente e com o estômago aconchegado.

Há um panelão de café e outro de

cacau, na fogueira, sobre as brasas, vinho

em abundância, aguardente, bacalhau

seco para puxar à bebida, carne

assada, pão e caldo verde. Toda a gente

come e bebe o que lhe apetecer.

Em tempos idos, ti Zé Estraga, homem

bom, humilde e com numerosa

família, formava um rebanho com os

garotos do Bairro de Cima, que cumpriam

o papel de cordeirinhos e ele o

de pastor. Este momento era aguardado

o ano inteiro com enorme alegria

e ansiedade pelas crianças.

O rebanho seguia, fervorosamente,

o seu líder, de casa em casa, vestindo

cada um uma pele de ovelha e chocalhos

ao pescoço. Tudo cumpria e

seguia a preceito.

Chegados à soleira de uma casa perguntava,

ti Zé Estraga, ao rebanho:

- O meu gadinho tem fome?

A garotada prontamente respondia:

Mé, mé, mé...

De novo interrogava o rebanho:

- O meu gadinho tem sede?

Respondia o rebanho:

- Mé, mé, mé...

Os donos da casa abriam a porta e lá

davam qualquer coisa, pouca, normalmente

davam jeropiga, o que não

era nada bom para os garotos, tinham

mais fome do que sede. Os tempos

eram apertados para todos, e, de porta

em porta que se abria, lá se matava um

pouco a fome e a sede a este animado

rebanho. Tempos longínquos!

Continua a festa, noite fora, ninguém

vai à cama.

O resto?

Contá-lo-ei na próxima crónica.

Vídeo “Deitar os Jogos à Praça”:

https://bit.ly/3arRd5Z

Vídeo “A Fogueira”:

https://bit.ly/3h1thr6

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CIDADANIA/LIVROS

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS - VOTO ANTECIPADO

DIAS 12, 13 E 14 DE JANEIRO DE 2021

Caros Compatriotas,

O Consulado Geral de Portugal em Zurique gostaria de

esclarecer a Comunidade portuguesa em relação às eleições

para a Presidência da República, que se ealizarão

em Portugal a 24 de janeiro de 2020.

A eleição do Presidente da República é exercida presencialmente,

sem possibilidade de se recorrer ao voto por

correspondência. No estrangeiro, decorre nos Postos

Consulares da área de residência constante no Cartão

de Cidadão do(a) eleitor(a).

Apenas poderão exercer o direito de voto antecipado os

eleitores recenseados em Portugal e que se encontrem

deslocados no estrangeiro. Face ao que antecede, estando,

deste modo, impedidos de exercer o normal exercício

do direito de voto no dia das eleições (24 de janeiro),

a legislação existente para o efeito permite que os eleitores

habilitados a votar antecipadamente possam exercer

esse direito desde que não se encontrem no estrangeiro

em regime de férias ou de lazer.

O Consulado Geral de Portugal em Zurique informa os

cidadãos eleitores habilitados a votar antecipadamente

que poderão exercer esse direito nos dias 12, 13 e 14 de

janeiro de 2021, entre as 8h30 e as 15h30 (hora suíça),

nas instalações deste Consulado e no Escritório Consular

de Lugano. Deverão munir-se do Cartão de Cidadão

e de um documento que faça prova do impedimento invocado,

assinado pelo superior hierárquico ou outro que

comprove suficientemente a existência do impedimento

ao normal exercício do direito de voto.

O Cônsul-Geral

Paulo Maia e Silva

“Águas de Caldelas”

MANUEL ARAÚJO

Arrancado a ferros após

vários avanços e recuos,

o magnífico trabalho documental

sobre a minha

terra, efectuado pelo amigo

Vincent Martins, sempre

viu a luz do dia. Uma

obra de excelência, a qual

teve também uma mãozinha

da amiga Alice Vieira,

que considera as Termas

de Caldelas também a sua

terra.

Obrigado Vincent e Alice

e parabéns aos caldelenses

que assim ficam com uma

grande obra documental

para a posteridade.

Uma palavra de apreço

ao amigo José Almeida, o

Presidente da Junta de Freguesia

pelo seu empenho e

fez acontecer.

Em tom de brincadeira,

cheguei mesmo a dizer

a “alguém”, que Caldelas

não merecia tamanha

obra...

VINCENT MARTINS

Com profundo sentimento de

concretização, rejubilo ao

contemplar a publicação de

mais uma Monografia, da minha autoria,

inteiramente dedicada a uma localidade

termal.

O Livro “Águas de

Caldelas” aborda

todo o percurso histórico,

social, termal,

arquitectónico

e hoteleiro da localidade

de Caldelas -

Amares. É uma obra

editada pela Câmara

Municipal de Amares

em parceria com

a Junta de Freguesia

de Caldelas, Sequeiros

e Paranhos,

devidamente representadas

pelos Presidentes

Manuel Moreira

e José Manuel

Fernandes Almeida.

O meu profundo

enaltecimento a estes

Excelentíssimos

Senhores que desde

o início acreditaram

neste projecto.

Sem eles não seria

possível a sua materialização.

Permitam-me

o agradecimento

à Alice

Vieira - Escritora,

recentemente condecorada,

que teve

a amabilidade de

redigir o Prefácio e

de partilhar as memórias

vividas nesta

localidade.

Por fim um cumprimento

fraterno a

todos os Caldelenses

que contribuíram

para o presente estudo

monográfico,

a eles desejo toda a

prosperidade e sucessos

pois são a

vida que faz de Caldelas

um lugar apetecível.

Devido à situação de

Pandemia em que

vivemos presentemente,

a apresentação

desta Monografia

estará prevista

para a Primavera de

2021, sendo que, até

lá será possível adquirir

exemplares a

partir dos Postos de

Turismo do Concelho

de Amares,

assim como, na Biblioteca

Municipal

Francisco Sá de Miranda

e na Junta de

Freguesia de Caldelas.

28

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CRÓNICA

Às

seringas!

V CARLOS MATOS GOMES

As vacinas, as botas da

tropa e o major Gaspar.

O diabo não é

diabo por ser mau, mas por

ser velho. A tropa é uma velha

instituição. Anda já por

aí, entre comentadeiros e

assadores de castanhas um

alarido de meretrizes e proxenetas

a propósito das prioridades

de vacinação contra

o Covid. Devem ser os mais

velhos, os do meio, os que

trabalham, os dos lares, os

gordos, os magros.

Haverá foruns nas TVs, nos intervalos

do futebol, virá i inefável bastonário

dos médicos e a dos enfermeiros.

O Nuno Rogeiro.

A tropa tem uma solução.

O meu querido amigo Fernando Salgueiro

Maia colecionou anedotas de

uma figura castiça da nossa tropa: o

major Gaspar. O major Gaspar, antes

de major na Guiné e de ter pedido o

envio do Teixeira Pinto para fazer a

guerra sem rádios, estivera em Mueda,

lugar aprazível no norte de Moçambique,

a comandar uma bataria

de artilharia local.

As vicissitudes da logística militar

esqueceram-se daquela tropa e não

enviavam fardamento. O capitão

Gaspar mandou metade dos militares

despirem-se e tirou-lhes uma foto. A

outra metade foi fotografada com as

fardas em farrapos. Enviou um ofício

a expor a situação, com as duas fotos

e o título: requisição de fardamento:

Os nus e os rotos.

Falta saber a questão das prioridades

de distribuição, neste caso de vacinas.

A intendência militar enviou o fardamento,

mas não o calçado, as ditas

“botas da tropa”. Havia que estabelecer

um critério para distribuir as que

havia.

Foram consultados os graduados,

cada cabeça cada sentença: deviam

calçados em primeira prioridade

os artilheiros de primeira linha, os

apontadores, porque apontavam.

Outros, que deviam ser os municiadores,

porque municiavam, outros,

os condutores, porque conduziam,

outros os cozinheiros, porque cozinhavam.

Cabia decidir e o capitão Gaspar decidiu,

como conta o Salgueiro Maia

e eu ouvi a testemunhas locais, nas

minhas passagens por Mueda, em

viagem de estudo.

Foi assim e aqui fica a receita para os

comentadeiros. Numa formatura de

manhã, o capitão Gaspar mandou

que todos os militares da gloriosa bateria

de 8,8 se descalçassem do que

tinham nos pés, botas, sapatos, sapatilhas,

chinelos e que os depositassem

num monte no meio da parada.

Mandou formar a tropa e, depois das

continências regimentais, gritou a

ordem, que em vez de fogo, foi: Às

Botas!

Assim se faça com as vacinas, em

cada freguesia, concelho, distrito,

clube, paróquia que os regedores e

párocos gritem: às vacinas!

Ou que se espalhem e sejam anunciadas

pela Feira da Ladra, pela Feira

da Vandoma, do Relógio, do Ribatejo,

de Beja, do Fumeiro, que se distribuam

ás s portas do Novo Banco,

também.

Presumo que os cheganos proibirão

as vacinas aos ciganos. Outros

militantes de partidos consoante as

suas ideologias e votantes, uns darão

prioridade aos habitantes dos bairros

problemáticos, outros aos habitantes

da Quinta da Marinha e aos

da Foz do Porto. Os islâmicos proibirão

a vacina aos infiéis cristãos. E

estes aos seguidores do profeta e dos

homens bomba. Para uns deverá ser

dada prioridade aos funcionários públicos,

a outros aos privados, para o

Marques Mendes qualquer critério

será mau, se for do governo, e para

o Portas péssimo, exceto se a vacina

for americana e atestada pelo Trump.

É evidente que a discussão das prioridades

assenta nos votos que cada um

dos defensores da saúde pública entende

que pode ganhar.

Resta a solução da tropa: às seringas!

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OPINIÃO

Será que 2021 trará uma

nova ordem mundial?

IMOGEN FOULKES (*)

Este inverno de Covid está

apenas começando e já está

parecendo longo, frio e sombrio.

Os países da Europa estão

voltando ao confinamento e

a Suíça pode muito bem ser a

próxima, se os casos de vírus

continuarem a aumentar.

No entanto, apesar deste ano sísmico e

da perturbação antes inimaginável em

todas as nossas vidas, o mundo continua

funcionando. A comida, para a

maioria de nós, está sendo enviada e

chegando em nossos supermercados

a tempo. Os trens estão funcionando

e, principalmente, as crianças estão na

escola.

Existem outras continuidades menos

positivas; guerra na Síria e no Iêmen,

secas relacionadas às mudanças climáticas

e fome potencial na região do

Sahel na África, crises de refugiados

causadas por conflitos e instabilidade

da Venezuela à Etiópia.

À medida que a noite se transforma

em dia, as Nações Unidas lançam seu

apelo humanitário todos os anos, batendo

o tambor pedindo doações para

apoiar suas operações de ajuda nos

próximos doze meses. Meu colega

Daniel Warner escreveu um artigo

interessante sobre isso, examinando o

dilema enfrentado por governos doadores

geralmente bem-intencionados

que agora lutam para pagar seus

próprios enormes custos de mitigação

da Covid-19. Como eles vão pagar a

conta recorde da ONU de US $ 35

bilhões (CHF31 bilhões)? Alguns,

notadamente o Reino Unido, já decidiram

não doar tanto.

Saltando de crise em crise

Uma pergunta-chave é: estamos mesmo

abordando a ajuda humanitária da

maneira certa? Claro, isso é algo que

tem sido discutido há décadas e um

tópico que as agências humanitárias

olham o tempo todo.

Mas para Julie Billaud, professora de

antropologia e sociologia no Instituto

de Pós-Graduação de Genebra, é preciso

ir mais fundo. Todos os governos,

incluindo aqueles em países doadores,

ela sugere, estão perpetuamente no

‘modo de emergência’, reagindo às

crises como e quando elas aparecem.

Mas, ela aponta, “isso implica que as

coisas normalmente funcionam bem,

mas ocasionalmente podem dar errado”.

Julie não concorda. Ela afirma

que a ordem global está realmente errada,

em particular a enorme divisão

da riqueza norte-sul, o que inevitavelmente

gera crises.

Muitos na ONU podem concordar

com essa avaliação. Mas há muito

poucos que pensam que a ordem global

pode ser mudada a tempo de beneficiar

os 235 milhões de pessoas que

precisarão de assistência humanitária

em 2021.

Rein Paulsen, do Escritório das Nações

Unidas para a Coordenação de

Assuntos Humanitários (OCHA),

identifica alguns novos desenvolvimentos

positivos no trabalho humanitário.

Na Somália, por exemplo, a

ONU adotou uma estratégia de ‘resposta

antecipatória’. Com previsões

de inundações e infestações de gafanhotos,

a ONU reagiu para apoiar as

comunidades e, ele diz, “cerca de um

milhão e meio de pessoas receberam

suporte antes da crise estourar”. Em

vez de esperar que vidas e meios de

subsistência fossem completamente

destruídos, as famílias foram ajudadas

com antecedência para enfrentar

a crise. Menos devastadora para elas e

mais econômico para a ONU, essa foi

uma estratégia que as agências de ajuda

esperam usar com mais frequência.

Reconstrua melhor

Essas opiniões me lembram de uma

frase que ouvi várias vezes este ano:

‘reconstrua melhor’. Do Secretário-

-Geral da ONU em discursos motivacionais

aos Estados membros, aos

meus próprios amigos enquanto tomamos

um café, ouvimos apelos e desejos

de que possamos usar essa crise

pandêmica para criar um mundo que

funcione melhor para todos nós.

Então, o que isso significa exatamente?

Para a especialista em saúde global

Ilona Kickbusch, uma mudança

radical já está acontecendo. “Estamos

constantemente falando em voltar ao

normal, devemos parar com esse tipo

de pensamento. Nossas sociedades, a

forma como vivemos, nossas economias,

estão sendo reestruturadas enquanto

falamos ”, disse ela.

Em abril, o médico de Médicos Sem

Fronteiras (MSF) e vice-diretor do

Centro de Saúde Global do Instituto

de Pós-Graduação de Genebra, Vinh-

-Kim Nguyen, disse que a pandemia

exigiria “coragem de imaginação” de

nós e avisou que deveríamos nos preparar

para “Um novo normal”.

Portanto, talvez, embora muitos de

nós anseiem por nossas vidas de volta,

devamos considerar ativamente algo

diferente. Talvez Julie Billaud esteja

certa, nossa ordem global não está

realmente funcionando. A pandemia

e suas consequências não são um raio

do nada para o qual ninguém poderia

ter se preparado, mas um sinal de que

nosso modo de vida está desajustado.

Para os humanitários, e na verdade

milhões de pessoas em nosso planeta,

já há prova disso nos danos causados ​

pelas mudanças climáticas, ou nos

conflitos prolongados que ninguém

parece querer resolver.

Em 2021, teremos que enfrentar o

custo econômico da pandemia. Recuaremos

ainda mais, apostando no

nacionalismo, puxando as pontes levadiças

financeiras e nos concentrando

apenas em nosso bem-estar pessoal

imediato? Ou vamos aproveitar a

oportunidade e mostrar uma coragem

de imaginação? O tranquilo período

de festas que todos esperamos deve

dar-nos tempo para pensar a respeito.

Adaptação: Clarissa Levy/Swissinfo

Escreve em português do Brasil

(*) - trabalha como jornalista em Genebra

e escreve artigos para a SWI swissinfo.ch

e também a BBC.

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Tempos de outrora

FERNANDO VELUDO/NFACTOS

V CARMINDO CARVALHO

Nagosa, a minha

terra, outrora ti-

nha o largo do

Irô que servia de campo

de futebol, onde se esfo-

lavam joelhos nas pedras

da calçada em fervorosas

peladinhas de bola.

Tinha o Adro da igreja onde as galinhas

esgravatavam à procura de

algum bichito e abriam buracos que

aproveitávamos para o jogo do berlinde.

Tinha bandos de putos soltos

como poldros, a correrem empurrando

a gancha do arco, ou atirando o

pião sobre a crista do outro pião quer

fosse de um qualquer Tonho ou joão!

Tinha um padre que era autoridade

máxima. Maior que a do regedor e

das fardas!

Tinha os bois do Sr. Guilherme, que

aos meus olhos de criança de palmo e

meio, pareciam do tamanho da torre

da igreja, e os cornos do tamanho de

um castanheiro de ramos estendidos

como abraço de um gigante de braços

abertos!

Tinha a casa do povo, onde nas febres

de pele quente, se acendiam fogueiras

nos bailaricos, acesas pelas faíscas da

fricção dos joelhos e coxas, ao tropeção

no ritmo da melodia! ... Fogueiras

que se extinguiam ao último toque

da música, quando já para lá do fim

da tarde, o escuro da noite tocava a

recolher. Fogueiras que se apagavam

automaticamente sem ajuda de bombeiros!

Tinha a mercearia que também

era tasca e por vezes ao fim de semana

ou em dias de inverno chuvosos,

farruscos, frios, mal- encarados,

inverno, a época que sem sementeiras

nem colheitas para tratar, dava alguma

folga, era parque de diversões de

adultos a divertirem-se a mandar vinténs

contra o balcão de madeira, no

jogo do pino. O alvo era um invólucro

de bala G3, e o prémio era mais

uns copos pró bucho. Outras vezes

jogavam às cartas ou dominó. Sempre

acompanhados do copo de três. Onde

eu entrava para apreciar e ouvia:

“É pá o rapaz está espigadote!”

Coitado de mim que se descesse estes

degraus e saltasse do alto dos tamancos,

e você se levantasse desse banco,

eu ficaria com ar ranhítico!, pensei.

Afinal fiquei por 1 metro e 67 cms.

Mais tarde uma porta ligava a outro

espaço onde funcionou o café. O café

do Sr. Sousa.

Tinha ao fim de semana os putos

sentados no muro da estrada que saía

de Nagosa em direção à Vila. Onde

livres dos ouvidos e olhares, de controle

dos adultos (polícias à paisana!),

onde se experimentava “paças” em

cigarros Ritz, fumaças que por vezes

se enrolavam na palma da mão para

esconder vergonhas e medos.

Tinha bancos de pedra e não só,

plantados na rua onde se noticiavam

as novidades, as desgraças, tristezas

e alegrias. Era o jornal de boca em

boca.

Tinha a encosta do Caneiro que servia

de fogareiro para aquecer tardes

soalheiras para momentos de lazer

bem quentinhos!

Tinha desfolhadas e malhadas seguidas

de bailes de adultos.

E agora? Que mais terá para além do

esvoaçar e canto dos pássaros?

Estou longe, os meus olhos e ouvidos

nada me dizem, nada nem de bom

nem de mau me trazem. E eu fico

aqui sentado a relembrar tempos idos,

tempos de outrora.

1, Dezembro, 2020

32

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CULTURA

Palavras Cruzadas

V PAULO FREIXINHO

Horizontais:

2. Ao almoço do dia de Natal é o rei da

festa, mas não leva acento.

3. Esféricas e coloridas, enfeitam a árvore

de Natal.

5. Presépio tradicional nos Açores, Madeira

e Brasil.

7. Ainda há quem o envie por correio para

desejar as boas-festas a alguém.

8. Há quem a pendure na lareira ou junto

à árvore para que, no Natal, tenha pequenos

presentes no seu interior.

11. (...) de Natal, árvore de Natal, em Mirandês.

12. É plural de filhó e singular de filhoses.

16. Ceia em família, na noite do Natal.

17. Cidade palestina onde terá nascido Jesus

Cristo.

18. Relativo à época do Natal, é sinónimo

de natalício e nome próprio.

20. Os três reis que visitaram Jesus em

Belém, guiados por uma estrela (Gaspar,

Melchior/Belchior e Baltasar).

21. Missa do (...), celebra-se à meia-noite

de 24 para 25 de Dezembro.

22. Bolo típico da quadra do Natal até ao

dia de Reis (duas palavras juntas).

Verticais:

1. Segundo a tradição cristã, revelou o

nascimento de Jesus aos Três Reis Magos

e guiou-os até Belém.

3. Cozido com batatas e couve, é o prato

tradicional da consoada em Portugal continental.

4. Fofos e leves, marcam presença nas

mesas de Natal.

6. Com as suas bagas vermelhas, é o arbusto

do Natal.

7. Sinónimo de prendas, não são a coisa

mais importante do Natal.

9. Repleto de doces, enchidos, frutos secos,

queijos, vinhos e outras iguarias, é

uma boa opção para presente de Natal.

10. Fatia de pão embebida em leite que,

Um site que é uma referência

Soluções na página 35 8

Adepto das Redes Sociais e dos blogues, Paulo Freixinho, juntamente com um amigo de

infância, admirador do seu trabalho, relançou este ano o seu site onde é possível fazer

Palavras Cruzadas online.

Juntos, pretendem criar um site que seja cada vez mais uma referência, já apelidado como

“Um Paraíso para Cruzadistas”.

Experimente: www.palavrascruzadas.pt

depois de passada por ovo, se frita e

serve polvilhada de açúcar e canela ou

com calda (também chamada de fatia

dourada ou fatia parida).

13. Período das quatro semanas que

antecedem o Natal.

14. Tradição portuguesa em que se

acendem grandes fogueiras nas praças,

largos ou nos adros das igrejas,

geralmente na véspera de Natal.

15. Doce de colher típico do Natal

minhoto e trasmontano, também conhecido

por mexidos. 19. No norte de

Portugal, sobretudo na zona raiana, é o

prato da Consoada.

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33


HUMOR

36 Lusitano

“Quem não sabe rir, não sabe viver”

HUMOR

Quem não sabe rir, não sabe viver

Joãozinho e os trabalhos

de casa…

O Joãozinho foi o único aluno da

turma a fazer os trabalhos de casa

correctamente. A professora deu-

-lhe os parabéns, mas ficou desconfiada.

— Muito bem, Joãozinho. Mas posso

saber se o teu pai fez os trabalhos

contigo?

— É claro que não, professora.

— Ah, que bom, Joãozinho.

— Ele fez tudo sozinho!

Made in Portugal

O Zé, depois de dormir numa almofada

de algodão (Made in Egipt),

começou o dia bem cedo, acordado

pelo despertador (Made in Japan)

às 7 da manhã.

Depois de um banho com sabonete

(Made in France) e enquanto o café

(importado da Colômbia) estava a

fazer na máquina (Made in Chech

Republic), barbeou-se com a máquina

eléctrica (Made in China).

Vestiu uma camisa (Made in Sri

Lanka), jeans de marca (Made in

Singapure) e um relógio de bolso

(Made in Swiss).

Depois de preparar as torradas

de trigo (produced in USA) na sua

torradeira (Made in Germany) e

enquanto tomava o café numa

chávena (Made in Spain), pegou

na máquina de calcular (Made in

Korea) para ver quanto é que poderia

gastar nesse dia e consultou a

Internet no seu computador (Made

in Thailand) para ver as previsões

meteorológicas.

Depois de ouvir as notícias pela rádio

(Made in India), ainda bebeu um sumo

de laranja (produced in Israel), entrou

no carro Saab (Made in Sweden) e continuou

à procura de emprego.

Ao fim de mais um dia frustrante,

com muitos contactos feitos através

do seu telemóvel (Made in Finland) e,

após comer uma pizza (Made in Italy),

o Zé decidiu relaxar por uns instantes.

Calçou as suas sandálias (Made in

Brazil), sentou-se num sofá (Made in

Denmark), serviu-se de um copo de

vinho (produced in Chile), ligou a TV

(Made in Indonésia) e pôs-se a pensar

porque é que não conseguia encontrar

um emprego em PORTUGAL…

O Senhor “F”

O portugues chega ao restaurante,

senta-se e, acenando com o braço, diz:

– Faz favor: frango frito, favas, farinheira…

– Acompanhado com quê?

– Feijão.

– Deseja beber alguma coisa?

– Fanta fresca.

– Um pãozinho antes da refeição?

– Fatias fininhas.

O empregado anota o pedido, já meio

intrigado: “o tipo fala tudo com F”s!

Depois do homem terminar a refeição,

o empregado pergunta-lhe:

– Vai querer sobremesa?

– Fruta.

– Tem alguma preferência?

– Figos.

Depois da sobremesa, o empregado:

– Deseja um café?

– Forte. Fervendo.

Quando o cliente termina o café:

– Então, como estava o cafezinho?

– Frio, fraco. Faltou filtrar formiguinha flutuando.

Aí o empregado pensa: “Vamos ver até aonde

é que ele vai”.

– Como é que o senhor se chama?

– Fernando Fagundes Faria Filho.

– De onde vem?

– Ferreira do Alentejo

– Trabalha?

– Fui ferreiro.

– Deixou o emprego?

– Fui forçado.

– Por quê?

– Faltou ferro.

– E o que é que fazia?

– Ferrolhos, ferraduras, facas… ferragens.

– Tem um clube favorito?

Fui Farense

– E deixou de ser porquê?

– Futebol feio farta.

– Qual e o seu clube, agora?

Ferreirense

– O senhor é casado?

– Fui.

– E sua esposa?

– Faleceu.

– De quê?

– Foram furúnculos, frieiras… ficou fraquinha…

finou-se.

O empregado de mesa perde a calma:

– Olhe! Se você disser mais 10 palavras começadas

com a letra F… não

paga a conta. Pronto!

– Formidável, fantástico. Fiquei francamente

feliz. Fiado ficarei freguês.

O homem levanta-se e dirige-se para a saída,

enquanto o empregado ainda lança:

– Espere aí! Ainda faltam duas!

O homem responde, sem se virar:

– Foste f****do.

BOM ANO 2021

34

Datas Comemorativas de 2017

01 SEX Restauração da Independência

01 SEX Dia Mundial de Luta Contra a Sida

01 SEX Dia da Filatelia

02 SÁB Dia Int. para a Abolição da Escravatura

02 SÁB Dia de Santa Bibiana

03 DOM Dia Int. das Pessoas com Deficiência

03 DOM Dia Inte. dos Portadores de Alergia Crónica

03 DOM Dia de São Francisco Xavier

04 SEG Dia Nac. da Pessoa com Esclerose Múltipla

04 SEG Dia da Bolacha

04 SEG Dia de Santa Bárbara

04 SEG Dia Mun. da Conservação da Vida Selvagem

05 TER Dia Internacional do Voluntariado

05 TER Dia Mundial do Solo

07 QUI Dia de Timor-Leste

07 QUI Dia Internacional da Aviação Civil

08 SEX Dia da Imaculada Conceição

09 SÁB Dia Internacional Contra a Corrupção

09 SÁB Dia Int. das Vítimas do Crime de Genocídio

09 SÁB Dia Nacional da Pessoa com Deficiência

09 SÁB Dia Internacional do Shareware

D E Z E N B R O

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10 DOM Dia Internacional dos Direitos Humanos

11 SEG Dia Internacional da Montanha

11 SEG Dia Internacional do Tango

11 SEG Dia Internacional da UNICEF

13 QUA Dia do Violino

14 QUI Dia Mundial do Macaco

15 SEX Dia Internacional do Chá

15 SEX Dia de Zamenhof

17 DOM Dia Int.Contra a Violência Sobre Trabalhadores do Sexo

18 SEG Dia Internacional das Migrações

18 SEG Dia de Nossa Senhora do Ó

18 SEG Dia da Língua Árabe

20 QUA Dia Internacional da Solidariedade Humana

21 QUI Solstício de Inverno

21 QUI Início do Inverno

21 QUI Dia das Palavras Cruzadas

25 SEG Natal

31 DOM Réveillon

31 DOM Véspera de Ano Novo

31 DOM Dia da Sagrada Família

31 DOM Dia de São Silvestre


PASSATEMPO

Janeiro 2021

Feriados e Datas Comemorativas

01 SEX Dia de Ano-Novo

01 SEX Dia Mundial da Paz

01 SEX Dia do Domínio Público

03 DOM Dia do Festival do Sono

04 SEG Dia Mundial do Braille

04 SEG Dia Mundial do Hipnotismo

05 TER Dia de São Simeão Estilista

06 QUA Dia de Reis

08 SEX Dia da Rotação da Terra

11 SEG Dia Internacional do Obrigado

13 QUA Dia do Velho Ano Novo

17 DOM Dia de Santo Antão

18 SEG Dia Internacional do Riso

23 SÁB Dia Mundial da Liberdade

23 SÁB Dia da Escrita à Mão

24 DOM Dia de Santa Xénia

27 QUA Dia Internacional em Memória das Vítimas do

Holocausto

27 QUA Dia Internacional do Vinho do Porto

28 QUI Dia Internacional da Privacidade de Dados

29 SEX Dia Mundial do Puzzle

30 SÁB Dia Escolar da Não Violência e da Paz

15 SEX Dia Mundial do Compositor

15 SEX Dia Internacional do Fetiche

16 SÁB Dia Internacional da Comida Picante

31 DOM Dia Mundial dos Leprosos

31 DOM Dia Mundial do Mágico

31 DOM Dia ao Contrário

SOLUÇÕES

Horizontais:

2. Peru. 3.

Bolas. 5.

Lapinha. 7.

Postal. 8. Meia.

11. Arble. 12.

Filhós. 16.

Consoada.

17. Belém.

18. Natalino.

20. Magos.

21. Galo. 22.

Bolorei.

Verticais:

1. Estrela. 3.

Bacalhau. 4.

Sonhos. 6.

Azevinho. 7.

Presentes. 9.

Cabaz. 10.

Rabanada. 13.

Advento. 14.

Madeiro. 15.

Formigos. 19.

Polvo.

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35


V

CARMINDO

DE

CARVALHO

Velhos são os trapos

Velhos são os trapos, dizem.

Entretanto antes de chegarmos a velhos vamos sendo cozidos e outras

coisas que terminam em (idos).

E em cada dia que passa, com o depenar do fisco, do quase abandono

e desprezo da Segurança Social, um empurrão ou tropeção, e dores

que começam no pé e acabam na mão, depois de fazerem turismo por

tudo que é nosso, por dentro e por fora, vamos ficando uma manta de

retalhos muito remendada!

Sinto-me feliz por estar quase a chegar a este estado.

Feliz por ter chegado até aqui.

Feliz porque estou vivo. E estando, posso ver e sentir as maravilhas

da vida.

Até o ter de aturar as zangas, a algazarra e birras dos meus netos.

São momentos que me fazem rir e quase dançar de contentamento,

como se ouvisse uma sinfonia sem melodias de instrumentos “pesados”,

mas somente a sensação suave do esvoaçar de um pássaro.

4,Dezembro,2020

A V

TERESA

A.FERREIRA

Torre da Igreja

Quando à tardinha te sinto repicar,

Aquele doce bater a compasso,

Em melodia divina me desfaço,

Inebrio, rodopio e deixo-me voar.

Oh, imponente torre sineira!

Edificada em magnífica igreja

Dás-nos horas como quem vareja

Azeitona em invernia faceira.

De longe, te vemos e admiramos!

Em ti, nosso olhar se prende,

Nosso coração, de súbito, se rende,

Nossa essência revigora nos almos.

Oh, magia das singelas ternuras!

Caravela ao longe se faz ao mar.

Celestial é tua presença a remar

Neste mar de rosas e verduras.

Pudesse trazer-te dentro do peito,

Aliviando esta ardente dor louca,

Dor que corrói a alma e apouca,

Dor sentida no vazio do leito.

10-12-2020

Igreja Proquial

Torre Dona Chama

Mirandela, Portugal

36

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Combate ao Vírus

V M.P.

Novas regras tiveram que implementar

Para contra um vírus invisível lutar

Se febre ou tosse aparentas ter

Vai ao médico a correr

Um teste tens que concluir

Para o vírus descobrir

Se o resultado positivo der

Em casa ou no hospital tens que te manter

O uso de mascara é aconselhado

Para não seres contaminado

Luvas descartáveis também aconselham usar

E regularmente trocar

Dois metros de distância mandam ter

Os teus amigos e familiares não deves ver

Se tossires em publico de canto te olham

Enquanto as mãos com álcool gel molham

Dentro de um lenço ou cotovelo te mandam

tossir,

Para o vírus não transmitir

Quando espirras o mesmo deves fazer

Para a sanidade do outro manter

Lenços descartáveis mandam usar

Para depois rápido no lixo deitar

Em casa te mandam ficar

Para o vírus não apanhar

Dar a mão passou da moda

Antes que o vírus te incomoda

Lavar as mãos te mandam a cada instante

Para que o vírus não se implante

Abraçar não podes os teus

Até quando só sabe deus

Distância tens que manter

Para rápido os voltar a ver

Beijinhos não deves dar

Pelo telefone a saudade tens que matar

Se sintomas aparentas ter

Vai ao médico para ao tratamento te submeter

Se as regras conseguires seguir

O vírus vamos destruir

Voltaremos a viver

E a amizade e amor promover

V

EUCLIDES CAVACO

Ano Novo

P'ra celebrar a passagem

Do ano, em todo o mundo

Faz-se do tempo a contagem

No fim segundo a segundo .

Um comum comportamento

Que apraz à sociedade

Sublimando o momento

Com pompa e solenidade .

Há festas e euforia

Celebrações entre o povo

Na transição deste dia

Para mais um Ano Novo.

Esquecem-se as arrelias

Que se afogam na bebida

Entre galas e folias

Celebra-se enfim a vida.

Trocam-se saudações

Em êxtase de alegria

Tomam-se resoluções

Tão notórias deste dia.

Chega mais um Novo Ano

Que vivê-lo valha a pena.

Salutar prò ser humano

Nesta passagem terrena !...

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37


HORÓSCOPO

Janeiro

w V - JOANA ARAÚJO (*)

Carneiro

Força interior, a energia espontânea,

auto-confiança

Para este signo da terra, Janeiro

será um mês de crise em certas

ambições. No entanto, o ariano

se beneficiará muito do merecido

descanso. O isolamento

de seus arredores os ajudará a

carregar suas baterias antes de

avançar em direcção ao próximo

desafio. O facto de parecer

que sua energia está num ponto

de congelamento é normal

nesta fase.

Gémeos

Carácter comunicativo e cortês com

sentido de humor e criatividade

Janeiro trará uma frieza emocional

em parcerias e relacionamentos

amorosos. No entanto,

o geminiano terá uma

oportunidade única de examinar

os seus laços à distância. Se

você está emocionalmente sobrecarregado

até agora, é hora

de uma abordagem racional.

Além disso, finalmente haverá

espaço para construir amizades,

então é altamente possível

que pessoas completamente

novas entrem na sua vida. Cuidado

para não atrair pessoas

que irradiam energia tóxica.

Leão

Corajoso, auto-confiante, assertivo

e aberto assim é o Leão

Por natureza, o leonino é um

dos líderes mais fortes do Zodíaco

e durante este ano, essa

habilidade se desenvolverá

ainda mais. Para os indivíduos

nascidos sob este signo, Janeiro

trará oportunidades de trabalho

interessantes que eles agarrarão

em um instante.

Balança

Justiça, simpatia, harmonia e

intelecto

No primeiro mês, infelizmente

o libriano não evitará ser hipersensível.

Você irá questionar

cada passo dado, e se você

tiver a sensação de que você fez

algo errado, ficará sobrecarregado

pelo remorso. Janeiro intensificará

suas emoções e fará

você pensar sobre suas escolhas

e vida em geral. Você provavelmente

vai querer mudar

muitas coisas.

Sagitário

Intencional, enérgico e cheio de desejo

e esforço

A partir do início do ano, o

sagitariano comportará-se de

forma muito impulsiva e, portanto,

muitas vezes agirá antes

de pensar. Isso pode voltar para

você, pois você pode dizer algo

que magoaria os outros, sem

sequer perceber naquele momento.

Além disso, tenha em

mente que seus humores tendem

a flutuar; ora você vai se

sentir no topo do mundo, e a

seguir como se você estivesse

no abismo mais profundo.

Touro

Forte e teimoso, mas prático e determinado

Logo no início do ano, o taurino

evitará romance e relacionamentos

amorosos. Você precisa

dar uma pausa nesse tipo

de socialização, por isso recomendamos

encontrar os seus

amigos, com quem você pode

fortalecer relacionamentos, por

exemplo, indo em viajar juntos.

O horóscopo também sugere

que este período está propício

ao crescimento da personalidade,

que você alcançará lendo

livros de qualidade ou através

da auto-reflexão.

Caranguejo

Emotivo, mas de carácter receptivo,

temperamental e reservado

Para as pessoas nascidas este

signo da água, o início do ano

será muito difícil. O canceriano

é naturalmente muito

sensível, e até mesmo o menor

problema pode desequilibrá-

-lo. Janeiro trará diversos desafios

emocionais na forma de

demissão do trabalho ou uma

separação amarga.

Aquário

Cheios de alma e românticos com

um sentido de experimentação

O mês inteiro de Janeiro irá

girar principalmente em torno

da carreira para as pessoas nascidas

neste signo do ar. Você

tem muitas obrigações e, por

causa disso, tende a negligenciar

seus relacionamentos e actividades

de tempo livre.

Virgem

Virgem é cuidadoso e atencioso,

mas inteligente e meticuloso

Desde o início do ano, o virginiano

se sentirá muito solitário

e isolado de seus arredores.

Talvez você esteja em uma fase

onde esteja equilibrando seu

mundo interior e tendo problemas

para simpatizar com os

outros. Portanto, Janeiro trará-

-lhe uma forte capacidade de

auto-recompor. O horóscopo

sugere que este período é absolutamente

ideal para meditação,

movimento e qualquer

coisa que faça sua alma feliz.

Escorpião

Lutador, observador, clarividente e

empático com os outros

Desde o início do ano, o escorpiano

sentirá que não se

encaixa em nenhum colectivo.

Um mal-entendido dos outros

e um certo nível de alienação

será a realidade do dia a dia. No

entanto, recomendamos não

ser negativo porque quando

chegar a hora, você começará

a socializar novamente. Veja

Janeiro como uma oportunidade

de trabalhar em si mesmo

e conhecer seus verdadeiros

valores.

Capricórnio

Os signos conservadores são práticos,

cautelosos, persistentes e sérios

Com o início do ano, cada capricorniano

sentirá uma certa

desaceleração de seu ritmo de

vida. Eles não vão transbordar

ideias revolucionárias, nem

grande ambição, mas isso não

significa que eles não serão

felizes. Muito pelo contrário,

você ficará feliz pelo facto de

não haver necessidade de se

apressar para chegar a qualquer

lugar.

Peixes

Signo modesto e sensível, que têm

forte percepção interna e inspiração

Peixes é um signo muito intuitivo,

e Janeiro intensificará

essas habilidades. Você sentirá

que sabe exactamente o que

quer da vida, e cada passo se

dará de acordo com o universo.

Se você se sentir arrastado para

um caminho de vida diferente,

não ignore este chamado; agora

você tem a oportunidade de

mudar sua vida para melhor.

38

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COVID-19: Mundo em alerta

- nova mutação do vírus

V MANUEL ARAÚJO (*)

Quando o mundo já alimentava

uma ténue esperança para a solução

da COVID-19 através da vacina

que já começou a ser ministrada,

eis que surge uma nova mutação do

vírus, que está a colocar o Mundo

em alerta. Trata-se da estirpe VUI-

202012/01 que está a ser investigada

no Reino Unido, onde foi inicialmente

detectada em várias cidades.

O Reino Unido foi o primeiro país a

avançar com a vacina, tendo criado algum

alívio e esperança na população,

mas tem agora um novo e grave problema

ao ser identificada no país uma

mutação da COVID-19 que segundo

especialistas, tem tendência a propagar-se

mais rápido, o que aumenta a

velocidade de contágio.

Esta nova mutação, que é mais forte ao

nível da propagação (77% mais forte

que a original), está a ser responsável

pelo surgimento de vários surtos no

país, havendo já casos reportados em

60 cidades, tendo no momento do fecho

desta edição, o Governo do Reino

Unido colocado essas cidades em quarentena.

Em resposta a esta nova ameaça, países

um pouco por todo o Mundo começaram

a proibir e outros não aconselhar

fazer viagens de, e para o Reino Unido.

Entretanto a OMS avançou com a informação

da existência dessa variante

da covid-19, salientando que até ao

momento, ainda não há provas de que

esta estirpe se comporte de maneira diferente

dos restantes tipos do vírus já

detectados.

(*) c/agências

40

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