Jornal Paraná Janeiro 2021

LuRecco


OPINIÃO

Biogás: fator de redução

da pegada de carbono do setor

O potencial de geração é estimado em 82 milhões de metros cúbicos

por dia, mais do que o dobro da capacidade do gasoduto Brasil-Bolívia

João Guilherme Sabino Ometto*

Desde a década de 1970,

o setor vem implementando

contínuo movimento

de diversificação,

quando se intensificou a produção

de etanol. Esse processo tem sido

o principal fator para viabilizar seu

crescimento e ferramenta de apoio

à superação dos desafios de uma

atividade competitiva, mas, permeada

por distorções, como subsídios

no Exterior, barreiras ao

comércio e outros tipos de intervenção

ao livre mercado.

Na safra 2019/20, no Centro-Sul,

65,7% da cana foram direcionados

para etanol e 34,3% para açúcar. A

flexibilidade passou a ser uma

grande vantagem da indústria brasileira

em relação aos concorrentes.

Isso fica evidente este ano,

quando a queda da demanda por

combustíveis devida ao isolamento

social está sendo superada por alteração

do mix de produção, com

queda significativa na proporção da

cana destinada ao etanol.

O seu mercado continua em expansão,

nos planos doméstico e

externo, à medida que aumentam

a percepção e o reconhecimento

de que é energia quase neutra em

emissões de carbono, de alta densidade,

escalável, replicável, sem

barreira tecnológica e que gera

renda e empregos de maneira descentralizada,

agregando valor a

matérias-primas de biomassa e

estimulando a economia circular. O

etanol é valorizado por ser fator

fundamental de redução da poluição

do ar, contribuindo para amenizar

a morbidade e a mortalidade

causadas por diversas doenças,

incluindo a Covid-19.

No contexto de sua diversificação,

o setor também implementou a

bioeletricidade gerada a partir do

bagaço e da palha da cana. Tal

aproveitamento foi alavancado pelo

enorme esforço de mecanização

da colheita e do plantio, que permitiu

ao ramo sucroalcooleiro alcançar

níveis de sustentabilidade incomparáveis

em todo o mundo,

com a capacitação de colaboradores

para operar equipamentos sofisticados,

que incluem mais computadores

do que a espaçonave

Apollo 11. A cogeração existente a

partir de todas as fontes conta com

18,5 gigawatts de capacidade instalada

em operação comercial,

sendo que a biomassa da cana representa

62% desse total; com gás

natural, 17%, e com licor negro,

14%.

A nova onda de diversificação concentra-se

no desenvolvimento do

potencial do biogás e do biometano.

Sua versão purificada é comparável,

em termos energéticos, ao

gás natural fóssil, com a vantagem

de ser renovável. O potencial de

geração de biogás no Brasil é estimado

em 82 milhões de metros

cúbicos por dia (m3/d), mais do

que o dobro da capacidade do gasoduto

Brasil-Bolívia. Desse total,

56 milhões de m3/d representam

volume a ser gerado pelo setor sucroenergético;

20 milhões, pelo

aproveitamento de resíduos agroindustriais;

e seis milhões, do lixo

urbano. Tal volume equivale a 115

mil GWh por ano, ou 24% da demanda

total de energia elétrica,

44% da relativa ao diesel e 73% do

gás natural fóssil consumido no

País.

Com pequena parcela desse potencial,

o setor poderá tornar-se independente

do uso de diesel em

operações agrícolas, visto que já

há fabricantes de veículos e colhedoras

oferecendo equipamentos

capazes de utilizar esse combustível.

Uma carreta, quando abastecida

com gás gerado por resíduos

agrícolas, reduz em 85% a emissão

de dióxido de carbono (CO 2 )

em relação ao óleo diesel. No trator,

a economia é de 40% no consumo

e diminuição de 50% nos ruídos e

vibrações. Nos dois casos, já temos

protótipos sendo utilizados,

segundo dados da Associação

Brasileira do Biogás.

O Plano Decenal de Expansão de

Energia prevê que, em 2029, a

oferta energética interna para movimentar

a economia será de 380

milhões TEP (milhões de toneladas

equivalentes de petróleo), representando

crescimento de 2,9% ao

ano. As fontes renováveis podem

chegar à participação de 48% do

total. Isso manteria o Brasil em

conformidade com o compromisso

firmado no Acordo de Paris,

de reduzir a emissão de carbono e

promover maior participação de

renováveis na matriz energética.

Tal avanço é viável, considerando

as potencialidades do biogás, como,

por exemplo, ser renovável,

armazenável, aplicável para gerar

energia elétrica ou como combustível

e com possibilidade de produção

regional descentralizada. Também

contribui para o êxito da meta,

o Renovabio, que incentiva a descarbonização,

permite a concessão

de certificação de biocombustíveis

que demonstre a redução

de gases de efeito-estufa e a comercialização

de créditos de carbono.

Em paralelo às iniciativas do setor,

há programas importantes de outros

segmentos, como a Frente

Brasil de Recuperação Energética

de Resíduos, lançada por Abetre,

ABCP, Abiogás e Abrelpe. Estimase

existir potencial de se produzirem

3% do consumo nacional de

eletricidade a partir de gases gerados

nos aterros sanitários de destinação

do lixo.

A pegada de CO 2 do etanol de cana

produzido no Brasil, que já é a mais

baixa do mundo, deverá ser cada

vez mais otimizada, indo na direção

da emissão negativa, quando

for computada a incorporação de

carbono no solo, uma realidade

constatada há décadas, mas ainda

não incluída no cálculo. No contexto

de alterações da matriz energética

e da mobilidade produtiva

relacionada ao álcool, à bioeletricidade

e ao uso do biogás e do biometano,

a contínua diversificação

do setor coloca-o na vanguarda da

sustentabilidade e das exigências

relacionadas ao meio ambiente e à

saúde.

*João Guilherme Sabino Ometto

é engenheiro, empresário do

setor agrícola e membro da Academia

Nacional de Agricultura.

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Jornal Paraná



SETOR SUCROALCOOLEIRO

Temor inicial de perdas se

transforma em bons resultados

Produção e preços foram bons e até a contratação de trabalhadores teve saldo positivo

Osetor sucroenergético

tinha tudo para

ficar preocupado no

início de safra, em

abril de 2020, quando a pandemia

provocada pela Covid-

19 mostrava toda a sua força.

O isolamento confinou as pessoas

em casa e reduziu drasticamente

o movimento nas

ruas. Com isso, o consumo de

etanol, um dos principais produtos

do setor, despencou,

conforme reportagem da Folha

de São Paulo.

“Foi um susto para todo mundo,

tanto em termos de saúde

como de consumo, no nosso

caso, de etanol. Mas, gradativamente,

retomamos o consumo

do biocombustível e a

recuperação do preço do açúcar

compensou as perdas fazendo

com que as usinas

paranaenses destinassem um

volume de matéria prima ainda

maior do que o esperado inicialmente

para a produção de

açúcar”, afirma Miguel Tranin ,

presidente da Alcopar. Situação

semelhante ocorreu na região

Centro-Sul.

Por conta disso, analisando os

números do final de ano, vê-se

que o setor acabou sendo um

dos menos prejudicados e a

safra, positiva em todos os aspectos,

desde o resultado da

produção de açúcar e de álcool,

como a geração de energia

e a venda CBios (certificados

de crédito de descarbonização

emitidos pelas produtoras

de etanol).

O saldo líquido de empregos

foi de 34 mil trabalhadores na

região centro-sul, e a moagem

de cana deverá atingir 605 mil

toneladas. A produção de açúcar

subiu para 38,4 milhões de

toneladas e a de etanol será de

30,4 bilhões de litros. O ATR

(Açúcar Total Recuperável),

que é a aferição da qualidade e

do rendimento da cana, subiu

para 144,7 quilos por tonelada

Preço do açúcar compensa perdas e usinas destinam maior

volume de matéria prima para produção da commodity

de cana, o maior patamar desde

a safra 2008/09.

As exportações de açúcar dispararam,

os preços melhoraram

e o consumo interno subiu

próximo de 10%. Confinadas

em casa, as pessoas utilizaram

mais açúcar do que nos anos

anteriores. Já os preços do

etanol não foram tão ruins

como se imaginava. Seguiram

os patamares de 2019.

Mas quem optou pelo açúcar

teve uma remuneração 22%

superior à do etanol, aponta reportagem

da Folha de São

Paulo.

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Jornal Paraná


A safra da pandemia acabou

não afetando tanto o setor sucroenergético

como ocorreu

com outros, afirma Antonio

Padua Rodrigues, diretor técnico

da Unica (União da Indústria

de Cana-de-Açúcar). A

mobilidade não voltou ao normal,

mas há expectativas de

que isso ocorra até o final da

safra, que termina em março.

“Podemos dizer que tivemos

um ano relativamente bom,

apesar da estiagem que reduziu

a produtividade nesta safra

e pode afetar a próxima também”,

complementa Tranin.

Analistas apontam que a safra

2021/22, que se inicia em abril

de 2021, poderá não ter as

mesmas características da

atual. A oferta de cana pode

ser menor, e a qualidade da

matéria-prima não deverá atingir

os patamares deste ano. A

seca afetou o desenvolvimento

da cana, o que deverá reduzir

a oferta da matéria-prima no

Centro-Sul. Além disso, a aceleração

dos preços dos grãos,

principalmente os da soja e os

do milho, vão ter efeito sobre a

área de cana em toda região.

“Este é um fator que deve

pressionar principalmente as

usinas localizadas em regiões

de terras mais férteis, onde a

concorrência com as lavouras

de soja e milho é forte, o que

nos preocupa”, afirma Tranin.

Para a próxima safra, estimativas

feitas pela Unica apontam

para uma produção 4% menor,

com moagem total de 575 milhões

de toneladas. No etanol,

a queda deve ser de 5,2%, de

27 bilhões deste ciclo para

25,6 bilhões no próximo. Já o

açúcar deve sofrer retração de

10%, dos atuais 38,2 para

34,2 milhões de toneladas. A

seca prolongada e os efeitos

do La Niña são os principais

fatores que explicam estas

projeções aponta o professor

doutor Marcos Fava Neves.

A boa notícia é que parte da

produção de açúcar do próximo

ano já foi comercializada

a preços remunerativos. Segundo

reportagem da Reuters,

as usinas brasileiras, até

o final da segunda semana do

ano, já fixaram preços de açúcar

da safra 2021/22 em um

volume de 17,25 milhões de

toneladas, ou um patamar histórico

de 69% de uma exportação

projetada em 25 milhões

de toneladas, dados da Archer

Consulting.

O percentual de fixações antecipadas

da safra é recorde para

esta época. No mesmo período,

para a safra anterior

(2020/21), o percentual de fixação

havia atingido 29%. O

valor médio da fixação é de

1,589 reais por tonelada (FOB

Santos, equivalentes a 0,6920

real por libra-peso, ambas já

incluindo o prêmio de polarização).

Também, em vigor desde

2020, a Política Nacional de

Biocombustíveis teve meta de

descarbonização reduzida pela

metade em seu primeiro ano,

passando de 28,7 milhões de

créditos de descarbonização

(CBios) para 15 milhões de toneladas,

além da demora na

emissão de CBios e o impasse

com distribuidoras.

"Foi um ano de aprendizado

para todos os agentes: produtores,

certificadores, distribuidores

e ANP. Mas o RenovaBio

já está em pleno funcionamento.

A pandemia levou o governo

a rever as metas deste

ano, reduzindo-as a 50% das

metas iniciais, o que foi feito

mediante ampla consulta pública,

aberta a todos os agentes

da cadeia", afirma Eduardo

Leão, diretor executivo da

Unica.

“Apesar de todos os contratempos,

tivemos um bom volume

de CBios comercializados,

o que mostra que as energias

alternativas e ecologicamente

corretas têm tomado

conta da pauta energética”, comenta

Tranin.

Valores pagos pelo etanol não

foram tão ruins como se temia

Das 270 usinas de etanol do

Centro-Sul, em que se inserem

grandes regiões sucroenergéticas

como Ribeirão Preto

(SP), 209 obtiveram autorização

para emitir CBIOs, documentos

que atestam a redução

na emissão de carbono e que

já somam R$ 685 milhões em

títulos negociáveis na Bolsa de

Valores.

"Sem dúvida é o maior programa

de descarbonização da

matriz de transportes do mundo,

não tem nada igual com

esse nível de ambição", diz

Leão.

Jornal Paraná 5


SETOR SUCROALCOOLEIRO

Perspectiva para 2021 é positiva

“No Paraná, vamos ter um ano semelhante em termos de ganhos

econômicos e resultados agronômicos”, diz Miguel Tranin

Ocenário para o setor

sucroenergético em

2021 deve ser bastante

semelhante a do

ano anterior na avaliação do

presidente da Alcopar, Miguel

Tranin. “No Paraná, vamos ter

um ano semelhante em termos

de ganhos econômicos e resultados

agronômicos”, diz. Apesar

da seca severa que castigou

as lavouras do Centro-

Sul, e do temor inicial de que a

colheita só iniciaria em abril no

Paraná, por falta de matéria

prima para a tradicional retomada

da colheita mais cedo,

Tranin comenta que já em março

deve ter usinas paranaenses

moendo cana. “As chuvas que

vêm ocorrendo têm recuperado

e potencializado o desenvolvimento

das lavouras e como as

empresas fizeram a sua parte

investindo na renovação dos

canaviais, devemos ter cana

para iniciar a safra mais cedo”,

diz.

A Moody's afirma que o cenário

de açúcar e etanol na América

Latina em 2021 deve ser positivo,

segundo reportagem da

Broadcast. A Moody's cita o

provável aumento de produção

do adoçante na região enquanto

outros países produtores

têm quebra de safra, preços

domésticos mais altos -

tanto do açúcar quanto do etanol

- e um avanço de mais de

9% do Ebitda das empresas do

setor na temporada 2020/ 21.

A produção de açúcar da região

vai subir para mais de 40

milhões de toneladas, avanço

anual de mais de 35%, destaca

a agência. No entanto, "a produção

modesta na Tailândia

torna um superávit menos provável

em 2020/21, embora a

recuperação da produção indiana

aumente o risco para

2021/22 e 2022/23", diz o relatório.

Portanto, a maior produção

não deve ter efeito negativo

nos preços.

Na próxima safra, a Moody's

lembra também que o Açúcar

Total Recuperável (ATR) no Brasil

deve cair, o que levaria a uma

menor produção do País. Para

evitar o risco de queda de preços

na próxima safra, a agência

diz que deve haver fixações expressivas.

Os preços para março

de 2021, 2022 e 2023 estão

em R$ 1.662/tonelada, mais de

7% acima do preço médio do

spot em 2020/21 e 30% a mais

do que em 2019/20, de acordo

com a agência.

Em relação ao etanol, a expectativa

da Moody's é de valorização

de 2,4% em 2020/21.

Embora o preço do petróleo

deva cair - o que costuma

pressionar o biocombustível - e

a demanda esteja baixa em decorrência

da pandemia da

covid-19, a produção brasileira

de etanol deve cair nesta temporada,

já que usinas têm adotado

um mix mais açucareiro

para aproveitar os preços favoráveis

do adoçante.

"O mercado retornou ao equilíbrio

com uma queda de 4 bilhões

de litros na produção de

2020/21", diz a agência. Para

as próximas safras, a expectativa

é de que o etanol aumente

sua participação no mix sucroenergético,

impulsionado pela

recuperação da demanda, pelos

preços do petróleo e pelo

RenovaBio.

Já a maior trading de açúcar do

mundo, a Alvean, joint venture

entre Cargill e Copersucar, projeta

déficit de dois anos da

commodity no mercado global,

o cenário mais “construtivo”

desde 2016 e calcula que a

produção de açúcar ficará

abaixo da demanda em 5 milhões

de toneladas nesta safra.

Esse déficit será seguido por

outro de 6 milhões de toneladas

em 2021/22.

“A Tailândia enfrenta uma safra

ruim, a produção da Europa diminuiu

e o Brasil deve produzir

menos açúcar depois que a seca

no ano passado prejudicou

o desenvolvimento da cana”,

justifica. Com todos esses fatores,

o mundo dependerá do

açúcar da Índia, onde a produção

está crescendo, embora o

subsídio às exportações aprovado

em dezembro pelo governo

tenha sido menor do que

o esperado pelas tradings.

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Jornal Paraná



SAFRA

Moagem no Centro-Sul atinge

597,36 milhões de toneladas

No Paraná, no acumulado da safra, foram 32,254 milhões de toneladas,

2,9% a menos que o registrado no mesmo período do ano safra 2019/20

Amoagem acumulada

desde o início da safra

2020/2021 até 1 de

janeiro de 2021 somou

597,36 milhões de toneladas

no Centro-Sul do País -

crescimento de 3,16% no

comparativo com o mesmo

período do último ciclo agrícola.

A produção acumulada de açúcar

no mesmo período atingiu

38,20 milhões de toneladas,

com crescimento de 44,22%

no comparativo com o mesmo

período da safra passada. A

produção de etanol até 1 de janeiro

de 2021, por sua vez,

atingiu 9,59 bilhão de litros de

etanol anidro (-2,70%) e 19,71

bilhão de litros de etanol hidratado

(-11,60%).

Especificamente na segunda

quinzena de dezembro, a produção

de etanol hidratado foi

25,94% superior a quantidade

observada no mesmo período

no ciclo 2019/20. Esse aumento

se deve, majoritariamente,

ao biocombustível produzido a

partir do milho, que totalizou

88,67 milhões de litros na segunda

metade do mês.

No acumulado desde o início

da safra 2020/21 até 1 de janeiro

de 2021, foram produzidos

1,35 bilhão de litros de

etanol de milho, com aumento

de 82,72% em relação ao ciclo

agrícola 2019/20.

Na segunda quinzena de dezembro,

7 empresas encerraram

a moagem. No acumulado

desde o início da safra até 1 de

janeiro de 2021, já são 258

unidades com safra 2020/21

encerrada, ante 257 verificadas

na mesma data de 2020. Em

janeiro de 2021, 10 unidades

devem seguir produzindo, sendo

5 exclusivas de etanol de

milho, 3 processando cana-deaçúcar

e 2 unidades flexíveis

que utilizam milho e cana-deaçúcar

como matéria-prima.

No Paraná, onde todas as usinas

paralisaram suas atividades

em meados de dezembro, a

moagem de cana realizada pelas

unidades produtoras no Estado,

no acumulado da safra,

somou 32,254 milhões de toneladas.

Comparando com as

33,212 milhões de toneladas registradas

no mesmo período do

ano safra 2019/20, houve uma

redução de 2,9%. Isso resultou

em 2,514 milhões de toneladas

de açúcar e 1,136 bilhão de litros

de etanol, sendo 505,8 milhões

de litros de anidro e 630,1

milhões de litros de hidratado.

Região esmaga 3,16% a mais do que no mesmo período da safra passada

A quantidade de Açúcares Totais

Recuperáveis (ATR) por

tonelada de cana, também no

acumulado da safra 2020/21

ficou 0,6% abaixo do valor observado

na safra 2019/20, totalizando

142,20 kg de ATR/t

de cana, contra 142,99 kg

ATR observados na safra passada.

O volume de etanol comercializado

no Centro-Sul na última

quinzena de 2020 somou 1,5

bilhão de litros, com retração

de -0,86% em relação ao mesmo

período de 2019. Desse

total, as exportações representam

158,57 milhões de litros

(+60,79%) e 1,35 bilhão de litros

(-5,14%) foram negociados

pelas empresas do

Centro-sul no território nacional.

No acumulado desde abril até

o final de 2020, a quantidade

de etanol vendida alcançou

23,31 bilhão de litros do biocombustível,

que representa

uma queda de 10,35% no

comparativo com o ciclo agrícola

2019/2020.

A trajetória crescente de comercialização

de etanol anidro

se manteve na 2ª quinzena de

dezembro, quando foi registrado

aumento de 0,68%, com

483,896 milhões de litros vendidos

em 2020 ante 480,61

milhões de litros comercializados

no final de dezembro de

2019. No acumulado da safra

2020/21, as vendas de etanol

anidro acumulam queda de

2,47%, com 7,62 bilhão de litros

comercializados.

O volume de etanol hidratado

entregue pelas unidades produtoras

do Centro-Sul ao logo

2020 apresentou variações negativas

em todos os meses do

ano. Na última quinzena de dezembro

de 2020, a retração foi

de 1,57% e o volume comercializado

atingiu 1,02 bilhão de

litros. No acumulado desde o

início da safra 2020/21 até 1

de janeiro de 2021, a queda

nas vendas de etanol hidratado

alcança 13,73%, totalizando

15,70 bilhão de litros vendidos

no último ano.

A despeito da performance negativa

do etanol carburante, o

biocombustível destinado a

outros fins acumula alta de

31,79% no volume comercializado

até 1 de janeiro de 2021.

Ao todo foram comercializados

994,43 milhões de litros desde

o início da safra 2020/21. “Os

dados da safra 2020/21, observados

até o momento,

estão dentro da nossa expectativa”,

acrescenta o diretor

técnico da UNICA, Antonio de

Padua Rodrigues.

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Jornal Paraná


USINA

Santa Terezinha inova no

Recrutamento e Seleção

A atualização do processo é

realizada em parceria com a

Gupy, uma plataforma de

inteligência artificial

AUsina Santa Terezinha,

alinhada ao

movimento de transformação

digital dos

processos seletivos, conta

agora com uma nova plataforma

para preenchimento das

vagas de emprego: a Gupy,

pioneira em inteligência artificial

para Recrutamento e Seleção

no Brasil.

Dessa forma, os processos

seletivos ganham agilidade,

maior assertividade e transparência.

Agora, os interessados

em fazer parte do time de funcionários

UST poderão se candidatar

por meio da plataforma

Gupy, a qual garante simplicidade

e praticidade durante as

etapas de candidatura.

A novidade permite que o processo

seletivo seja grande

parte online, tornando a plataforma

mais robusta para um

departamento estratégico de

Recursos Humanos. Os gestores

poderão acompanhar os

processos seletivos das suas

vagas, participando ativamente

junto ao RH. Os candidatos recebem

retornos em todas as

etapas, garantindo uma interação

muito mais próxima.

Você pode cadastrar o seu currículo,

acessando: https://usinasantaterezinha.gupy.io/

Jornal Paraná 9


DOIS

PONTOS

A maior trading de açúcar do

mundo projeta déficit de dois

anos da commodity no mercado

global, o cenário mais

“construtivo” desde 2016.

A Alvean, joint venture entre

Cargill e Copersucar, calcula

que a produção de açúcar ficará

abaixo da demanda em 5

Açúcar

Sem tarifa

milhões de toneladas nesta

safra. Esse déficit será seguido

por outro de 6 milhões de toneladas

em 2021/22. A Tailândia

enfrenta uma safra ruim, a

produção da Europa diminuiu

e o Brasil deve produzir menos

açúcar depois que a seca no

ano passado prejudicou o desenvolvimento

da cana. Com

todos esses fatores, o mundo

dependerá do açúcar da Índia,

onde a produção está crescendo,

embora o subsídio às

exportações aprovado em dezembro

pelo governo tenha

sido menor do que o esperado

pelas tradings.

Exportação

O Brasil exportou, em 2020,

62,64% mais açúcar e melaço

e obteve uma receita

64,51% maior que a de 2019.

A soma dos dados de dezembro,

divulgados pela Secretaria

de Comércio Exterior

(Secex), com as informações

consolidadas no Agrostat até

novembro mostram que, no

ano passado, o País exportou

31 milhões de toneladas, com

receita de US$ 8,831 bilhões.

Em 2019, foram 19,063 milhões

de toneladas embarcadas,

e a receita totalizou US$

5,368 bilhões. A depreciação

da moeda brasileira e a quebra

de safra em produtores

importantes, como Tailândia e

União Europeia, foram fatores

que impulsionaram a demanda

pelo açúcar brasileiro.

Além disso, como o mix do

Centro-Sul do País foi mais

açucareiro nesta safra, em decorrência

dos preços baixos

do etanol, o Brasil teve um

maior volume do alimento disponível

para embarques.

O governo do Reino Unido

anunciou a criação de uma

cota sem tarifa para importação

de 260 mil toneladas de

açúcar bruto de cana, disse a

Unica, ressaltando que a medida

pode favorecer o Brasil

enquanto fornecedor. A cota

amplia o acesso a um mercado

que era suprido majoritariamente

pelo produto da União

Europeia e foi precedida de

uma consulta pública da qual o

setor produtivo brasileiro participou.

A cota entrou em vigor

dia 1º de janeiro, com duração

de 12 meses. A tarifa aplicada

ao açúcar importado pelo

Reino Unido era a mesma da

União Europeia, de 339 euros

por tonelada. No acumulado

do ano até outubro, o Brasil exportou

186 mil toneladas do

adoçante aos britânicos, volume

que representa mais que

o dobro do total embarcado

em 2019, de 79 mil toneladas.

A Petrobras assinou o contrato

de venda de 50% da

BSBios Indústria e Comércio

de Biodiesel Sul Brasil com a

RP Participações em Biocombustíveis,

no valor de R$

322 milhões. A BSBios é proprietária

de duas usinas de

biodiesel: uma em Passo

Fundo (RS), com capacidade

de produção de 414 mil

BSBios

m³/ano, capacidade de esmagamento

de 1.152 mil toneladas/ano

e de armazenamento

de 120 mil toneladas

de grãos, 60 mil toneladas de

farelo e 7,5 mil m³ de biodiesel;

e outra localizada em

Marialva (PR), com capacidade

de produção de 414 mil

m³/ano e de armazenamento

de 3 mil m³ de óleo vegetal,

1,5 mil m³ de gordura animal

e 4,5 mil m³ de biodiesel.

Fundada em 2011, a RP Participações

em Biocombustíveis

S.A. é uma empresa

controlada pela ECB Group e,

tem como atividade principal

participar e investir em empresas

que produzam e comercializem

biocombustíveis.

O Japão pretende eliminar

os veículos movidos à gasolina

nos próximos 15

anos, disse o governo em

meio a um plano cuja meta

é atingir emissão zero de

carbono e gerar quase 2 trilhões

de dólares por ano em

Japão

crescimento sustentável até

2050. O plano visa substituir

a venda de novos veículos

movidos à gasolina por

veículos elétricos, incluindo

veículos híbridos e movidos

à célula de hidrogênio, até

meados da década de 2030.

10

Jornal Paraná


Em 2020, a energia produzida

a partir da queima de resíduos

do cultivo da cana no

Brasil foi suficiente para

atender a 5% do consumo

de eletricidade do país no

ano ou 12 milhões de residências.

Em termos de redução

de emissões de

O setor de etanol do Brasil

saiu “mais relevante” do que

entrou na pandemia, à medida

que a sociedade passou

a valorizar produtos que são

Bagaço

Relevância

ambientalmente mais sustentáveis,

disse o presidente da

Unica, Evandro Gussi. Estudos

mostrando relações entre

as mudanças climáticas e o

RenovaBio

A safra 2020/21 da cana no

Centro-Sul do Brasil se encaminha

para o encerramento

tendo como principal avanço a

bem-sucedida implantação da

Política Nacional de Biocombustíveis

– RenovaBio. Atualmente,

65% das empresas produtoras

de etanol no país participam

do programa e estão

certificadas e aptas a emitirem

créditos de descarbonização

(CBios) – essas empresas representam

cerca de 85% da

carbono, é o mesmo que ter

evitado 7 milhões de toneladas

de CO2 que seriam depositadas

na atmosfera do

planeta, segundo a Unica,

marca que somente seria

atingida com o cultivo de 49

milhões de árvores nativas

ao longo de 20 anos. O bagaço

de cana foi capaz de

atender a demanda elétrica

tanto do processo produtivo

do açúcar e do combustível

etanol, como ainda exportou

em benefício de todo o país

22,6 mil GWh neste ano,

crescimento de 1% em relação

ao resultado de 2019.

surgimento de pandemias reforçaram

a importância de

combustíveis que emitem

menos poluentes e gases do

efeito estufa.

produção nacional de etanol. A

Unica estima que até 31 de dezembro

a soma de CBios gerados

seja de 18 milhões. Na safra

2020/2021, que vai até 31

de março, esse número pode

atingir 23 milhões.

Safra menor

Os canaviais do Centro-Sul

do Brasil sofreram com a seca

que atingiu a principal região

produtora do país em

2020, e a próxima safra

(2021/22) será menor como

consequência, assim como a

produção de açúcar cairá do

recorde alcançado no ciclo

O anúncio da realização de

quatro leilões em 2021 para a

contratação de novos projetos

de geração de energia elétrica,

feito pelo Ministério de

Minas e Energia (MME), representa

uma oportunidade

para o setor sucroenergético.

O cronograma possibilita o

início do planejamento dos

projetos de investimento em

geração a serem inscritos

nos certames. O último leilão

em que a biomassa da cana

participou foi o A-6, realizado

Recorde

atual, afirmaram dirigentes da

Unica. O volume de produção

de açúcar e etanol vai depender

da disponibilidade de cana

e da qualidade da matéria-prima,

mas a expectativa

é de que a produção de açúcar

deve ser reduzida de forma

significativa.

Dados apurados até 1º de

dezembro de 2020 confirmam

a safra 2020/21 como

o ciclo em que a cana cultivada

no Centro-Sul mais

ofertou matéria-prima para

açúcar e etanol. A quantidade

de açúcares totais recuperáveis

(ATR) produzido

pelas empresas até o início

de dezembro, totalizou 86,33

milhões de toneladas, superando

os dados finais registrados

nas safras anteriores.

A projeção para o final do

ciclo é de 87,54 milhões de

toneladas de ATR no acumulado

desde abril de 2020 até

março de 2021. Essa condição

decorre da maior moagem

de cana e, principalmente,

da melhora na qualidade

da matéria-prima processada

Leilões de energia

em outubro de 2019, juntamente

com empreendimentos

hidrelétricos, eólicos,

fotovoltaicos e termelétricas a

gás natural e biomassa em

geral. Na oportunidade, o gás

natural foi a fonte que mais

comercializou energia no A-6,

de 2019, levando sozinho

40% da demanda total com

três projetos. Os projetos de

bioeletricidade da cana representaram

apenas 4% da demanda

contratada, com seis

projetos.

Jornal Paraná 11


PORTO DE PARANAGUÁ

Passa exporta biocombustível

de bagaço de cana

A movimentação de pellets de biomassa de cana de açúcar

possibilita a abertura de novos mercados e negócios futuros

No berço 204, a oeste

do cais do Porto de

Paranaguá, o embarque

de um novo produto

chamou a atenção no

início do ano. A granel, pellets

de bagaço de cana-de-açúcar

encheram os porões do navio

Marina Prince. A biomassa é

produto de exportação que vai

atender o mercado do Reino

Unido na geração de energia

sustentável.

“Ficamos muito satisfeitos

quando novos produtos chegam

e saem pelos portos do

Paraná. Nesse caso, é ainda

mais compensador o fato de

se tratar de um biocombustível

que será utilizado em

substituição ao carvão na geração

de energia termoelétrica”,

afirma o diretor-presidente

da Portos do Paraná,

Luiz Fernando Garcia.

O produto embarcado pelo Estado,

de origem paulista, é o

bagaço da cana (que sobra

das usinas de produção de

açúcar e etanol) transformado

em pellets, que nada mais é do

que a matéria orgânica (biomassa)

comprimida para se

tornar biocombustível.

O procedimento de embarque

é o mesmo dos demais graneis

sólidos exportados no

porto paranaense. Ou seja, o

produto sai do terminal e, em

esteiras transportadoras, chega

até o shiploader (equipamento

carregador de navios)

que despeja o produto enchendo

os porões da embarcação.

A operação é da Pasa,

em parceria com a Céu Azul.

Segundo o gerente de operações

da Pasa, Eric Ferreira de

Souza, esta é a primeira vez

que o produto é embarcado

pela empresa. “A movimentação

de pellets de biomassa de

cana de açúcar possibilita a

abertura de novos mercados e

negócios futuros. Mostra, também,

o pioneirismo e o potencial

do nosso terminal frente

aos diversos produtos operados

em Paranaguá”, afirma o

gerente.

Segundo a Companhia Nacional

de Abastecimento (Conab),

a cana-de-açúcar é considerada

uma das grandes alternativas

para o setor de biocombustíveis

devido ao

grande potencial na produção

de etanol e seus respectivos

subprodutos.

Produto de exportação vai atender o mercado do Reino Unido na geração de energia sustentável

No Estado, a produção de

energia renovável também é

estimulada. No último mês de

dezembro, através da Secretaria

de Estado da Agricultura e

do Abastecimento e do Instituto

de Desenvolvimento Rural

do Paraná – Iapar-Emater (IDR-

PR), o Governo do Paraná instituiu

o programa Paraná Energia

Rural Renovável.

O programa, que está em fase

de estruturação, dará apoio à

geração distribuída de energia

elétrica a partir de fontes renováveis

em unidades produtivas

rurais. A ideia é criar subsídios

como linhas de crédito e incentivos

tributários para que os

produtores rurais e as agroindústrias

paranaenses invistam

nessa produção.

Segundo o coordenador do

programa, Herlon Goelzer de

Almeida, o principal objetivo é

aproveitar essa matéria prima

– tanto os dejetos animais

quanto os resíduos vegetais

das agroindústrias (principalmente

do setor sucroalcooleiro)

- para geração de energia

dentro do próprio Estado.

“Esses subprodutos podem

ser utilizados em biodigestão

para gerar energia. O setor sucroalcooleiro

é o que mais tem

possibilidade e capacidade de

produção de energia renovável.

Estamos finalizando a estruturação

do programa. Acredito

que nos próximos anos teremos

uma forte adesão do setor

que pode inclusive gerar

energia própria, a partir dessa

biomassa, reduzindo seus

custos e tornando a produção

mais sustentável”, completa

Herlon.

Jornal Paraná 12

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