FEVEREIRO_2021

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LUSITANO

de

ZURIQUE

[ FEVEREIRO 2021 | Edição Nº. 273 | ANO XXVII | Director: Armindo Alves |Sub-Director: Manuel Araújo| Publicação mensal gratuita ]

MARCELO

Rebelo de Sousa

Eleito à primeira volta para segundo

mandato com 60,7% dos votos.

Toma posse a 9 de Março

EDITORIAL

COMUNIDADES

SAÚDE

Cidadania

Presidenciais. O valor do voto Pág.3

Entrevistas. Pág. 8 a 11

A função endócrina. Pág. 16

Resultado Eleitoral. Pág. 4 + 40

©Lusa


LUSITANO

de

ZURIQUE

EQUIPA EDITORIAL

Director: Armindo Alves

Jornalista CC15 A

Sub-Director: Manuel Araújo

Jornalista 3000 A

Email: lusitano@gmail.com

PROCURA-SE

PARA AS NOVAS INSTALAÇÕES

DO CLZ

FUNCIONÁRIO/A

SERVIÇO DE MESA m/f (part time)

Requisitos

- falar perfeitamente o português e o alemão (obrigatório)

- ter experiência na área da restauração

- pessoa flexível e responsável

- É para trabalhar de Quarta-feira a Domingo.

COLABORADORES

Aragonez Marques, Carlos Matos Gomes, Carmindo

de Carvalho, Cristina F. Alves, Daniel Bohren,

Euclides Cavaco, Ivo Margarido, Jeremy da Costa,

Joana Araújo, Joaquim Galante, Jorge Macieira,

Manuel Araújo, Maria dos Santos, Natascha D´Amore,

Nelson Lima, Pedro Nogueira, Zuila Messmer

Para mais informações entrar em contacto

através do telefone número:

076 378 97 39

Enviar o currículo para:

gastro@cldz.eu

EDIÇÃO, COMPOSIÇÃO E PAGINAÇÃO

Manuel Araújo

Jornalista 3000 A

Tel.: (+351) 912 410 333

Email: manuel.araujo@protonmail.ch

PUBLICIDADE

Tel.: 079 913 00 30

Email: pub.lusitano@gmail.com

IMPRESSÃO

Diário do Minho - Braga

Tiragem: 3000 exemplares

Periodicidade: Mensal

Distribuição gratuita

NOTA IMPORTANTE:

Os artigos assinados reflectem tão-somente a opinião

dos seus autores e não vinculam necessariamente

a direcção desta revista

Por discordância, esta publicação

não adopta nem respeita as normas

do novo inútil Acordo Ortográfico.

INFORMAÇÃO

Caríssimos sócios e clientes,

Infelizmente devido à pandemia instalada

por todo o Mundo, o restaurante do Centro

Lusitano de Zurique, por imposição das autoridades,

terá que se manter fechado até

ao fim de Fevereiro!

A direcção está a elaborar um projecto de

Take away!

Brevemente daremos notícias!

Obrigado a todos pela compreensão!

Um bom ano e cuidem-se!

Apoio


EDITORIAL

Presidenciais 2021

Armindo Alves

DIRECTOR

JORNALISTA CC15 A

Edição anterior

LUSITANO

de

[ DEZEMBRO 2020 | Edição Nº. 271 | ANO XXVI | Direcção: Sandra Ferreira + Armindo Alves | Publicação mensal gratuita ZURIQUE

]

Votos de êxitos, saúde e vida feliz aos nossos leitores,

associados, patrocinadores, colaboradores e amigos

WWW.CLDZ.EU

EDITORIAL

2020 FICARÁ

MARCADO PARA

SEMPRE! EDITORIAL

PÁGINA Serenidade, 3 unidade e

esperança. Bom Ano! Pág.3

DIREITO

Pedro Nogueira

DESPACHO DE

CONDENAÇÃO

DESPORTO CRITICADO

Entrevistas. PÁGINA 18 a 04 20

Gostava que o Governo

português reconhecesse o

trabalho extraordinário

do CLZ, que tem sido

feito ao longo destas

décadas... Pág.

[ JANEIRO 2021 | Edição Nº. 272 | ANO XXVII | Director: Armindo Alves |Sub-Director: Manuel Araújo| Publicação mensal gratuita ]

SAÚDE

8, 9

CIDADANIA

ELEIÇÕES EM 24

JANEIRO PARA

Cidadania

PRES. REPÚBLICA

O Sismema Ocular - Os nossos

PÁGINA 40

olhos, a nossa visão. Pág. 16, 17

Revista

Lusitano

de Zurique

tem nova

Direcção

Eleições presidenciais. Pág. 28

Como era de esperar nestas eleições

presidenciais, o vencedor

não causou qualquer surpresa.

O ainda Presidente Marcelo Rebelo

de Sousa obteve 2.533.799 votos

votos expressos, que equivale a

60,70% do total.

A abstenção a nível global, como

também era de esperar, bateu novo

recorde, atingindo os 60%.

Surpreendentemente, no que se refere

ao voto dos portugueses espalhados

pelo Mundo, a abstenção este

ano, foi menor; na eleição para a

presidência da República em 2016,

votaram 13 368 portugueses, tendo

este ano 2021 votado 27 294 pessoas.

Segundo a Secretaria-Geral do Ministério

de Administração Interna,

a nível global, Ana Gomes foi a segunda

candidata mais votada, com

12,97 por cento, seguida de André

Ventura (11,90 por cento), João Ferreira

(4,32 por cento), Marisa Matias

(3,95 por cento), Tiago Mayan

Gonçalves (3,22 por cento) e Vitorino

Silva (2,94 por cento).

Na secção consular de Zurique,

Marcelo Rebelo de Sousa obteve,

37,88% = 533 votos, André Ventura

23,67% = 333 votos, Ana Gomes

18,34% = 258 votos, Tiago Mayan

Gonçalves 7,60% = 107 votos, Marisa

Matias 5,12% = 72 votos, João

Ferreira, 4,76% = 67 votos e por

último, Vitorino Silva, 2,63% = 37

votos.

Mesmo notando-se uma melhoria

da participação eleitoral no estrangeiro,

este desinteresse ou desprezo,

quase generalizado dos portugueses,

pela política do nosso país é

preocupante. As pessoas esquecem

que não decidindo com o seu voto,

serão sempre os outros a decidir por

eles, não tendo depois razão, ou moral,

para criticar o que vai mal em

Portugal.

Esta passividade e desinteresse dos

cidadãos que não votam, numa altura

que o Mundo assiste a um claro

avanço de forças anti-democráticas

e vive a maior das crises dos últimos

cem anos, quando devíamos unir-

-nos e remar todos para o mesmo

lado, demonstra que esses portugueses

que se alheiam do acto eleitoral,

ou não têm interesse na mudança,

no progresso e no futuro dos

vindouros, ou então não amam o

nosso país.

Lembremo-nos que votar, seja em

quem for, é amar Portugal, é dizer

presente, dizer que existimos e que

o nosso voto vale, e tem o mesmo

valor e força, que qualquer outro.

O acto eleitoral e o voto, é o alimento

e o “combustível” dos regimes

democráticos. A preservação da

Democracia e o futuro dos nossos

filhos e netos, depende da participação

de todos, por isso, em próximos

actos eleitorais, se ama Portugal, a

Liberdade e a Democracia, vote!

DEPARTAMENTO DE FUTEBOL

Tel.: 079 222 09 14

Email: armindo.alves@garage-

-mutschellen.ch

RANCHO FOLCLÓRICO

Tel.: 079 549 99 10

Email: rancho@cldz.eu

RESTAURANTE (reservas)

Tel.: 044 241 52 15

CURSO DE ALEMÃO

Tel.: 076 332 08 34

PROPRIEDADE

& ADMINISTRAÇÃO

CENTRO LUSITANO

DE ZURIQUE

Risweg, 1

8041 Zurique

Tel.: 044 241 52 15

Email: info@cldz.eu

Lusitano de Zurique - Janeiro 2021 | www.cldz.eu

3


RESULTADOS GLOBAIS (*)

Marcelo Rebelo de Sousa

60.7% - 2.533.799 votos

Ana Gomes

12.97% -41.345 votos

André Ventura

11.9% - 496.653 votos

João Ferreira

4.32% - 180.473 votos

Marisa Matias

3.95% 164.731 votos

Tiago Mayan Gonçalves

3.22% - 134.427 votos

Vitorino Silva

2.94% ~- 122.743 votos

Marcelo Rebelo de Sousa

Presidente da República

eleito para mais cinco anos

Inscritos — 10.791.490 | Votantes — 4.261.209 39,49% | Abstenções —

6.530.281 60,51% | Brancos — 47.041 1,10% | Nulos — 39.997

0,94% | Freguesias apuradas — 3.092 | Freguesias por apurar — 0,

Consulados apurados — 96 | Consulados por apurar — 3

(*) resultados da Suíça na página 40

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Lusitano de Zurique - Janeiro 2021 | www.cldz.eu


A Cientista

Agrícola

O Lusitano de Zurique, a partir do próximo

mês contará com a colaboração de “A Cientista

Agrícola” que é uma plataforma agrícola que

“disponibiliza conteúdos acessíveis para todo o

tipo de públicos. A Cientista Agrícola surgiu

como uma iniciativa que visa aproximar toda

a população da ciência, investigação e tecnologia

aplicadas ao sector agrícola. A nova secção é

da responsabilidade da Mestre em Engenharia

Agronómica, Rosa Moreira de 27 anos de idade,

que vive e mora em Vila do Conde.

A Rosa, procurará responder a eventuais questões

de problemas agrícolas que possam surgir

no seu jardim ou na sua horta.

A equipa do Lusitano dá-lhe as boas-vindas.

PORTUGUESES

RESIDENTES NO ESTRANGEIRO

NÃO IMPORTA

ONDE ESTÁ.

COM A CAIXA

FICA MAIS PERTO.

Escritório de Representação da CGD - Suíça

Rue de Lausanne 67/69, 1202 Genève

Tel: Genève - 022 9080360 I Tel: Zurique - 078 6002699 I Tel: Lausanne – 078 9152465

email: geneve@cgd.pt

A Caixa Geral de Depósitos, S.A. é autorizada pelo Banco de Portugal.

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CIDADANIA

Estrangeiros pagam

mais pelo seguro do

carro do que suíços?

Um Porsche queimado em Zurique. O motorista ficou apenas ligeiramente ferido- Keystone / Alessandro Della Bella

SWISSINFO(*)

Falso ou verdadeiro nos

mitos helvéticos

Um leitor perguntou-

-nos se é verdade que os

estrangeiros na Suíça pagam

mais pelo seguro do

carro do que os suíços.

A resposta à pergunta deste leitor é:

Sim. Algumas seguradoras de veículos

cobram mais dos cidadãos de

determinados países na Suíça.

“De acordo com nossas informações, a

nacionalidade é um critério importante

na fixação de tarifas entre a maioria

das seguradoras”, diz Takashi Sugimoto,

porta-voz da Associação Suíça

de Seguros.

No cálculo das taxas, as seguradoras

levam em consideração sexo, idade,

local de residência, tipo de carro, experiência

de condução e nacionalidade.

Estatisticamente, esses factores

influenciam a probabilidade de um

acidente.

“As seguradoras tentam avaliar os riscos

de um motorista da forma mais

precisa possível”, diz Sugimoto. Para

isso, criam grupos de risco com base

em históricos de acidentes, estatísticas

próprias e, em parte, estatísticas públicas.

As taxas mais caras são as dos novos

motoristas, jovens e do sexo masculino,

titulares de um passaporte estrangeiro.

Uma análise de 2018 do site

Comparis.ch, um serviço de comparação

de preços, revelou que os albaneses

pagam até 95% mais do que os suíços.

Os italianos pagam um suplemento de

até 22%, dependendo da seguradora.

A Associação Suíça de Seguros não

pôde dizer se algumas nacionalidades

pagam menos do que os suíços.

Desigualdade problemática

Na União Europeia, é proibido utilizar

a nacionalidade como fator de fixação

dos preços. Por que razão isso é

permitido na Suíça?

“As seguradoras podem usar qualquer

critério que seja um risco objectivo na

fixação das taxas, desde que possam

comprová-lo estatisticamente”, diz

Sugimoto.

Em resposta a uma interpelação do

parlamento, o governo suíço adoptou

a posição de que um cálculo das

taxas relacionado ao risco de acordo

com a nacionalidade, não é discriminação.

No entanto, as seguradoras

devem manter registros estatísticos e

utilizar estatísticas completas nos seus

cálculos.

Do mesmo modo, as mulheres jovens

(independentemente da nacionalidade)

pagam um seguro de saúde complementar

significativamente mais

elevado. De acordo com uma análise

do Comparis, a diferença pode ir até

80%. A razão: as mulheres jovens correm

o “risco” de dar à luz.

Publicado em 03. setembro 2019

(*) Sibilla Bondolfi

swissinfo.ch

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Lusitano de Zurique - Janeiro 2021 | www.cldz.eu


COVID-19

OPINIÃO

as vacinas são de confiança?

PEDRO NOGUEIRA

Muitas outras perguntas vão surgindo

ao longo deste ano nas conversas

de rua, no local de trabalho, nos

cafés, restaurantes etc etc, e faz todo

o sentido que assim seja, as dúvidas

relativamente à segurança da vacina

vão aumentando à medida que as

mortes vão acontecendo provocadas

pela reacção negativa que a vacina

tem estado a provocar por todo o

mundo.

Acção de Marketing, o lançamento

da vacina em Portugal mais parecia

digno de um Reality Show, todos os

canais televisivos em directo nos diversos

Hospitais do país, os primeiros

a serem vacinados foram os Directores

de cada unidade hospitalar, seguiram-se

médicos, enfermeiros e o pessoal

auxiliar, foram eles “obrigados”

a serem os rostos deste Reality Show.

Como observador atento e livre de

pensamento não poderia deixar de

criticar este show off político, por

uma razão simples, pelo respeito que

tenho por todos aqueles que estão

na linha da frente a lutar contra o

tempo para salvarem vidas enquanto

outros posavam para a fotografia,

não deveria valer tudo para marcar

pontos, mas parece que vale.

Cheguei a pensar que estava a assistir

ao lançamento da campanha para as

eleições legislativas. Num momento

difícil para todos nós era imperativo

vermos o Presidente da República

Marcelo Rebelo de Sousa, o Primeiro-ministro

António Costa, a

Ministra da saúde Marta Temido

e a Coordenadora da saúde Graça

Freitas a serem os primeiros a serem

vacinadas em directo numa acção didáctica

e responsável, era importante

que a classe política desse um sinal de

confiança que transmitissem ao povo

que os elegeu que acreditam na vacina,

mas lamentavelmente passaram

essa responsabilidade para aqueles

que todos os dias correm o risco

de serem infectados para manterem

vivos todos aqueles que lutam

pela vida nos cuidados intensivos,

estes Homens e estas Mulheres

foram “obrigados” a darem a

cara por uma vacina que muitos

deles não acreditam que seja fiável

mas, à boa maneira do 24

de Abril “toma e cala-te”.

Elon Musk CO do projecto

SpaceX / Tesla com

uma fortuna avaliada

em 184,9

biliões dólares,

Jeff Bezos CEO da Amazon com

uma fortuna de 200 biliões de dólares,

Bill Gates co-fundador da Microsoft

e durante muitos anos conhecido

como o homem mais rico do mundo,

fortuna calculada em 130 biliões de

dólares, os COs das farmacêuticas

e classe científica envolvida no projecto

da vacina COVID19.

Qual o motivo para estes notáveis

não se vaci-

narem

em público

na

defesa da

vacina?

Responda

quem

souber.

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COMUNIDADES

Neste momento não tenho

patrocínio nenhum - Maria Martins

O Lusitano de Zurique

esteve à conversa com

Maria Martins, mais conhecida

por Tata Martins

atleta de ciclimo, estrada

e pista, nascida na

Moçarria - Santarém e

que vai representar Portugal

nos Jogos Olímpicos

de Tóquio este ano.

PEDRO NABAIS

Lusitano Zurique - Podes explicar

como começou esta tua paixão

pelo ciclismo?

Tata Martins - Nasceu de uma forma

muito natural foi a influência do

meu tio, principalmente, que me levava

a passear de bicicleta pela serra

do Monsanto em Lisboa, ia passear

com ele aos fins de semana, comprei

uma bicicleta mais específica para a

competição, fui fazendo a pouco e

pouco os treinos e foi com ele que

nasceu o bichinho das bicicletas, depois

federei-me aqui no Moçarria

Aventura Club e comecei a competir

no BTT.

LZ- Praticaste também outras

modalidades?

TM- Sim, já pratiquei natação, andebol,

futebol e considero que para

mim o desporto é uma das minhas

paixões em geral.

LZ- Tendo tu já tido bons resultados

em competições de pista e

estrada, em qual das duas te sentes

mais à vontade?

TM- Confesso que a pista desperta

em mim mais entusiasmo, gosto

muito da estrada, mas acho que a pista

é mais especial, no entanto sendo

atleta de ciclismo de pista e de estrada,

penso que ambas as vertentes se

completam uma à outra, eu sou mais

fan de pista mas não consigo viver

sem a estrada.

LZ- Estás a representar a DROPS

que é uma equipa Inglesa, achas

que as equipes portuguesas não

apostam no Ciclismo Feminino

em Portugal?

TM- Não apostam e a prova é que

não temos nenhuma equipa feminina

inscrita na U.C.I, só masculinas,

é triste mas é a realidade neste momento.

LZ- Foste a atleta portuguesa a

ganhar a primeira medalha em

provas de pista, o que significa

isso para ti?

TM- Mais que tudo, espero que seja

o começo de uma longa caminhada

e fico satisfeita por ter sido a primeira

a marcar esse início, espero que a

partir daí surjam mais e mais e mais,

que estejamos sempre a crescer,

óbvio que para mim é um orgulho

enorme de entrar na História do Ciclismo

Português.

LZ- Nos últimos tempos no ciclismo

de pista têm surgido resultados

de topo, como aconteceu

nos Campeonatos da Europa na

Bulgaria, contigo, com o Iuri e

com os irmãos Oliveira, podes explicar

como de repente aparecem

estes resultados?

TM- Não é bem de repente, nós já lá

andávamos, era uma coisa que tinha

de acontecer, pois é esforço de mui-

8

Lusitano de Zurique - Janeiro 2021 | www.cldz.eu


ENTREVISTA

to trabalho que já vem de há muitos

anos. Da nossa parte, da nossa equipa,

por isso se torna muito especial, pois

o ano de 2020 foi muito complicado

para todos. Nós aos trazermos tantas

medalhas e tantas camisolas para casa,

só demonstra que perante as dificuldades

fomos dos mais fortes, enquanto

se calhar enquanto os outros tiveram

dificuldade em encontrar mais motivação,

nós fomos o inverso, agarramos

esta oportunidade para trabalhar mais,

evoluir e chegamos às competições superiores

aos outros, é o trabalho continuo,

a dedicação contínua, não há

segredos.

LZ- A tua qualificação para os Jogos

Olímpicos de Tóquio foi a realização

de um sonho? Que perspectivas

tens para os mesmos?

TM- Sim sem sombra de dúvida é a

realização de um sonho, estou a marcar

os jogos como o meu objectivo principal.

Ao longo da época vou ter provas

com a equipa e pela Selecção Nacional

e nos jogos quero que seja o ponto da

minha melhor forma possível e vou fazer

tudo ao meu alcance para lá estar

no meu melhor pico de forma, em termos

de resultados não posso dizer que

quero ficar entre este ou aquele lugar,

são os meu primeiros jogos Olímpicos

e não posso alimentar grandes expectativas,

estar lá e estar na Seleção Nacional

já é uma grande vitória.

várias vezes, mas até agora não tenho

nenhum patrocínio tudo o que preciso

é pago por mim, o único apoio que tenho

é mesmo da minha equipa e da Seleção

Nacional, do Comité Olimpico,

mas muitas das deslocações são pagas

do meu próprio bolso.

LZ- Recentemente foste eleita a

melhor atleta feminina do Ano pelo

CNID-Associação dos jornalistas

desportivos, onde estavam igualmente

outras candidatas de peso,

tais como Telma Monteiro -judo- e

Joana de Vasconcelos na canoagem

- o que sentiste com este título, traz-

-te mais responsabilidades?

TM- Sim sem dúvida, não posso deixar

de dizer que me soube bastante bem,

foi por ter essas atletas ao meu lado, incluindo

a Telma Monteiro, medalhada

Olímpica e a Joana também, isso para

mim estar ao lado delas a discutir um

título já era incrível e ser comparada,

faz-me sentir uma atleta de topo ao ser

nomeada. Eu sei que estou a competir

com atletas de topo, mas nós às vezes

não valorizamos o que devíamos valorizar,

isto serve também para nos dar

mais motivação, pois todos os atletas

precisam do seu momento de motivação,

momento esse que chega com as

vitórias, com os amigos, com a família,

é á base disso. Este prémio foi uma

motivação extra que me deu, eu fiquei

muito contente.

Foi um ano muito complicado passei

momentos mesmo de topo e depois

momentos complicados, difíceis, foi um

sobe e desce muito complicado, comecei

o ano de uma forma muito boa, surgiu

o covid-19 que foi muito complicado,

mas acabei o ano de forma excelente,

não só com a participação nos Europeus

como a atribuição deste prémio.

Agradeço aquelas pessoas que estão

atrás de mim, que me apoiam nos momentos

mais difíceis, amigos, familiares,

equipa, que nos fazem ver que o dia

de amanhã será melhor e que temos de

continuar a trabalhar, pois falar quando

estamos bem é uma coisa, quando estamos

mal é outra.

LZ- O Lusitano de Zurique deseja-

-te os maiores sucessos.

LZ- Ir aos jogos é sinónimo de ser

atleta de alta competição, tens tido

os apoios necessários para lá chegares

em plena forma?

TM- De facto os jogos não são para

qualquer atleta, só conseguem mesmo

os melhores, porque são os jogos, não

são os campeonatos do Mundo ou da

Europa, para se ir aos jogos os atletas

têm que fazer por isso, não é a Nação

que decide quem vai ou não. O atleta

teve que lutar, ganhar pontos suficientes

para o apuramento, acho que

os jogos são sempre o topo das competições,

é o auge, mas infelizmente eu

não consigo dizer que tenho o apoio

que gostava de ter, neste momento

não tenho patrocínio nenhum, é a

realidade, não consigo ter o apoio de

um massagista, de um ginásio de uma

marca de automóveis, eu já tentei falar

Lusitano de Zurique - Janeiro 2021 | www.cldz.eu

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COMUNIDADES

“Uma associação que eleva

o nome de Portugal e

dos portugueses ao mais

alto nivel”- Hélder Forte

Hélder Forte é um dos

muitos sócios do Centro

Lusitano Zurique e que de-

sempenha vários trabalhos

durante as 24 horas. Oito

das quais no mínimo, são

para dormir!

Trabalhador a 100%, Pai,

marido e com uma vida familiar

estável, é nas diver-

sas tarefas que encontra a

estabilidade, para vencer o

dia à dia que nem sempre

é fácil.

Chegou há Suíça no ano

2OO0, estabeleceu-se em

Zurique, onde encontrou a

sua forma de vida.

No ano 2005 integrou o

movimento associativo do

C.L.Z. que visita regular-

mente e interessa-se, pela

forma como o Armindo

Alves dirige esta Associação

de apoio à Comunida-

de.

Simpático e de dialogo fácil

o Hélder abraçou um pro-

jecto de equipa, naquela

que é considerada a Igreja

mais portuguesa da Suíça.

St. Félix und Regula.

De construção moderna e

muito acolhedora, foi com

o Hélder que tive a oportu-

nidade de a conhecer, para

além das portas fechadas.

Destaco a capela em anexo,

com a imagem do nosso

Padroeiro Sto. António. O

Santo Casamenteiro.

Foi no seu escritório, onde

o Hélder Forte tem tudo

programado, que travei conhecimento,

com um ho-

mem de coração cheio.

Rendo homenagem a um

trabalho diário, benévolo,

na igreja St. Félix und Re-

gula, coisa rara nos dias de

hoje!

MARIA DOS SANTOS

Maria dos Santos — O que o fez

deixar Portugal e vir viver para a

Suíça?

Hélder Forte — Claramente para

poder realizar os meus sonhos e poder

dar uma vida melhor à minha família

que estava a começar a crescer. Vim

para a Suiça em 2000 tinha-me casado

no ano de 1998 e a minha filha

mais velha tinha nascido no ano em

que emigrei e é claro, queria que não

lhes faltasse nada.

M.S. — Como foi chegar a terras

helvéticas e meter na balança todo

o projecto pessoal e profissional?

H.F. — Não é fácil quando se deixa

o nosso Pais e principalmente a

nossa família e quando se vem sozinho

ainda pior mas claro quando se

emigra vem-se à procura dos nossos

objectivos. Quanto à vida profissional

também está boa graças a Deus e com

a ajuda da mulher e das filhas tudo se

equilibra.

M.S. — Nos mais de 20 anos que

leva na Suíça, tem conseguido

realizar os seus sonhos ? Foi fácil a

integração?

10

Lusitano de Zurique - Janeiro 2021 | www.cldz.eu


H.F. — Sim, mas ainda tenho alguns

para realizar. Claro que ao início a

integração não foi muito fácil a língua

alemã é um problema para muitos

de nós. Mas com o passar do tempo

e com vontade em querer aprender,

chegamos lá. Eu tive a sorte de o meu

grupo de trabalho onde já estou há 18

anos ser pequeno e serem cidadãos suíços.

Foi uma grande ajuda, com eles

aprendi muito e ainda estou a aprender

e assim quero continuar.

M.S. — Quando, como, e porquê

se fez sócio do Centro Lusitano

Zurique?

H.F. — A primeira vez foi no período

de 2004 a 2009, através de um colega

meu. Tínhamos um grupo de amigos

que todos os Domingos de manhã

nos juntávamos para irmos jogar futebol.

Depois do futebol passávamos no

CLZ para irmos beber o nosso Martini.

Comecei a ser um cliente assíduo e

fiz-me sócio desta grande Associação.

Entretanto depois estive um tempo

sem ser sócio e em 2018 voltei outra

vez. Existia uma nova direcção ao comando,

de um homem que eu admiro

e simpatizo o nosso presidente, Armindo

Alves.

M.S. — Ser sócio desta associação,

considerada uma das melhores da

Suíça no apoio á comunidade, foi

ao encontro dos seus objectivos e

expectativas?

H.F. — Sem dúvida, uma associação

que faz tudo em prol da comunidade.

Vai ao encontro dos problemas que os

portugueses querem ver discutidos.

Uma associação que eleva o nome de

Portugal e dos portugueses ao mais

alto nivel, e pelas actividades que faz

ao longo do ano.

M.S. — O Trabalho totalmente benevolente,

na Igreja St. Félix und

Regula, como surgiu na sua vida,

e há quantos anos está ligado a ele?

H.F. — Sempre tive bondade e vontade

em ajudar. Surgiu depois de um

«conflito» entre a MCLP e a antiga

Gemeindeleiterin da Igeja FuR que

já se vinha a arrastar à muito tempo

e que é do conhecimento da comunidade

portuguesa de Zurique. Entretanto

depois de a Gemeindeleiterin

sair, também toda a Equipe da KP

(Kirchenpflege) se demitiu. De seguida

houve eleições para uma nova KP

onde fui escolhido e votado para fazer

parte da mesma no periodo de 2018 a

2022.

M.S. — Quantas pessoas trabalham

consigo e quais são exactamente as

suas funções neste projecto?

H.F. — Pois bem, além de mim ainda

há mais três pessoas. As minhas

funções na KP é a parte imobiliária

(Liegenschaften). Entretanto agora

também tenho a função de (Aktuar).

Podem visitar o site da Igreja (Pfarrei

St. Félix und Regula)

M.S. — Para além de toda a gestão

na logística da Igreja, encontra

ainda tempo, para ser catequista!

Qual é o estimulo, que o motiva a

ter mais de 250 crianças a ouvi-lo?

H.F. — Sim, mas não dou catequese

ás 250 crianças. Talvez até mais devem

estar inscritas na MCLP, para a

catequese do primeiro ao sexto ano. O

meu grupo que já está comigo desde o

primeiro ano e agora está no terceiro

são 18 crianças( aproveito para mandar

abraços a todos) e que eu tenho muito

orgulho neles. Ensinar-lhes aquilo que

eu aprendi já à alguns anos atrás….o

ensinamento essencial da fé.

M.S. — Considera, que estar ligado

à religião católica e expandir

a fé, pode ajudar a uma melhor e

mais responsável postura de vida?

H.F. — Sem dúvida, demonstra-se a

fé em qual se crê e se estabelece relações

com o próximo. Sempre gostei

de ajudar e assim o continuarei a fazer

sempre que me seja possível, assim a

minha vida tem muito mais sentido.

M.S. — Depois de um 2020 atípico,

que mensagem deixa a todos os leitores,

sócios e amigos? Vê o futuro

com esperança?

H.F. — Que seja um ano para «quebrar»

barreiras. Lutar pelo que se acredita

e concretizarem todos os sonhos

que ainda não foram realizados e claro

que esta pandemia passe depressa. Em

relação ao futuro com esperança, deixo-vos

estas palavras:

«A esperança tem duas filhas lindas, a

indignação e a coragem; a indignação

ensina-nos a não aceitar as coisas

como elas estão; a coragem,a mudá-

-las…….»

Sejam felizes, façam alguém feliz.

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RECANTO HELVÉTICO

Castelo

de Lenzburg

A V MARIA DOS SANTOS

Chegamos a 2021, com a lamentável

notícia da morte

repentina da grande voz do

fado canção, Carlos do Carmo.

Fiquei muito triste, porque se no feminino

tivemos Amália, no masculino

foi sem dúvida Carlos do Carmo.

Fico sim, descontente de saber Amália

no Panteão Nacional, que sem dúvida

o merece e Carlos Do Carmo,

no cemitério da cidade que sempre

amou.

Mas tudo ainda pode mudar e espero

que os seus restos mortais, possam vir

a descansar neste monumento lisboeta.

Não consigo esconder, uma lágrima

por este artista. A sua parte humana

sempre me tocou. Era um dos meus.

Um homem do Povo e que soube

cantar a “minha” Lisboa. Cidade que

amo, pela sua luz e tenho dela as mais

belas recordações da minha vida.

Este ano, vou deixar a natureza em

repouso.

Vou sentir a falta das montanhas, do

seu ar puro e cristalino; mas se deixo

este sonho, abraço um novo projecto.

Castelos e a Suíça tem muitos e muito

bonitos.

Venho convidar-vos a pequenos passeios,

cheios de magia e histórias de

encantar.

Quem de nós não gosta de contos de

Reis, Rainhas, Príncipes e Princesas?

Eu confesso, que sou fã de passeios

por castelos. Sinto-me bem, quiçá

numa outra vida, tenha sido a princesa

do papá.

Lenzburg fica a apenas quarenta minutos

de Zurique, cidade onde está

sediado o C.L.Z.

Este castelo está classificado entre os

mais bonitos da Suíça. Ocupa mesmo

o segundo lugar.

Logicamente deveria ter começado

pelo castelo que é considerado o mais

espectacular, mas como vivo em Lenzburg,

sinto-me no dever de puxar o

“rabo à minha sardinha”

Fica a promessa que irei abordar o número

um, que é o Castelo de Chillon.

Ele situa-se na parte velha da cidade e

emerge na sua colina, a 504 metros

de altitude. Tem somente 250 metros

de diâmetro, muitas escadas, mais de

mil, que me servem de treino e me

avivam os sonhos. Até porque sonhar

com a lenda de então, faz-me brilhar

os olhos. Existia segundo a estória

um dragão, que habitava uma caverna

e que às mãos de dois cavaleiros

Wolfram e Guntram teve o último

suspiro. Foi por este reconhecimento

que tiveram a oportunidade de começar

a construir o Castelo Lenzburg.

O castelo começou a ser construído

12

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no século XI e foram estes condes de

Lenzburg que o identificaram como

sede.

Entre muitas famílias burguesas que

por aqui passaram, faço alusão apenas

a família de Habsburg que o serviu

durante 350 anos e por este nome estar

também ligado à história de Portugal.

O Castelo de Lenzburg abriga também

um museu histórico, onde muitas

vezes me perco na sua história.

Uma visita quase que imposta, para

quem tiver e quiser saber mais, daqueles

que morreram pela sua construção

e naturalmente as guerras políticas

que ali se travaram, interesses políticos

e sociais e religiosos.

Considero muito interessante uma

vista ao cemitério neolítico.

Se tem crianças em idade escolar,

merece a pena levá-los ao castelo,

pois podem abrir os enormes guarda-

-fatos daquele período histórico, escolherem

a roupa, trajarem-se, olharem-se

ao espelho e recuar no tempo

com uma varinha de condão.

Lutarem com as armas daquela época,

utilizar os móveis com muitas histórias

e viver durante várias horas um

verdadeiro conto de fadas.

No seu exterior existe um pátio com

várias casas-miniatura de madeira,

onde as crianças e adultos podem por

uma duração indeterminada, transformarem

a sua vida e recuar no tempo.

Brincar faz tão bem.

A sua extensa história, passa também

por Zurique, Berna, Basileia, Baden,

por esta história ser tão extensa, convido-o

a fazer uma visita guiada e

descobrir os brasões, que pessoalmente

me fascinam.

Uma das mais fascinantes

curiosidades, é que em 1860, este

castelo foi vendido por 60 mil francos

a Konrad Pestalozzi, que o soube

utilizar e muito bem, como uma escola.

Em 1893 foi vendido pelo dobro

a um industrial americano.

Foi por meio milhão de francos suíços

que o Castelo de Lenzburg voltou

a ser vendido com o mobiliário e

regressou às origens de Lenzburg e

do seu cantão. Decidiram nesta altura

abrir as portas ao público que

o quisesse visitar.

O jardim do interior em estilo francês

faz parte de uma visita obrigatória e

são muitos os noivos que por ali passam

deixando um registo fotográfico

para a posteridade.

Não hesite em mergulhar na magia

de ser um Conde, Duque, Rei, Rainha,

escritor, poeta ou mesmo pintor

por um dia. Venha visitar este Castelo.

Temos todos direito a vivenciar a

nossa história passada, a abraçarmos

projectos que nos iluminem como

estrelas num céu escuro.

Temos um grande desafio para 2021,

porque a ele chegamos exaustos e não

podemos continuar a fugir e a fingir

que as desgraças só acontecem aos

outros.

Os outros somos todos nós e nós temos

de permanecer saudáveis, sorridentes,

agradáveis, gratos, respeitosos

e felizes.

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SAÚDE

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sessões de exercícios físicos e/ou pequenas caminhadas) são,

apenas, algumas estratégias para ajudar o seu sistema imunitário a

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O confinamento protege-nos, em parte, contra contágios mas

pode ser prejudicial para a saúde. Má alimentação e sedentarimo

são inimigos a evitar!

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14

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CULTURA

‘Mad Heidi’ detona fascistas

- e a indústria de cinema

O ícone suíço Heidi, a menininha

fofa de rabo-de-cavalo,

estripando seus inimigos não é

exatamente uma imagem fiel

à imaginação popular, mas a

trama não é o único aspecto

não convencional do primeiro

filme do gênero “swissploitation”:

todo o processo de produção

é inovador.

KAORU UDA (*)

A equipe por trás de Mad Heidi lançou na

terça-feira uma campanha de crowdfunding

usando a tecnologia financeira blockchain.

O objetivo é arrecadar CHF1-2

milhões (US$ 1,1-2,2 milhões) para filmagens

e pós-produção através da venda de

4.000 ações custando CHF 500 cada uma.

O investimento será registrado em um

contrato digital inteligente no sistema blockchain

e a assim chamada “receita compartilhada”

(receita líquida após dedução

dos custos operacionais) será distribuída

aos acionistas automaticamente após a estréia

do filme. A equipe de produção diz

que “todos os contratos são sem papel, o

que não gera burocracia. Também garantirá

a transparência dos fundos, pois é

difícil manipular o sistema a partir do exterior”.

O projeto Mad Heidi começou em 2017.

O diretor suíço Johannes Hartmann, um

fã de longa data de filmes B, surgiu com

a ideia de fazer algo com Heidi. A jovem

órfã, criação da escritora Johanna Spyri,

desfruta não só de um otimismo sem limites,

mas também de um forte reconhecimento

de marca em todo o mundo. Hartmann

explicou sua ideia ao produtor suíço

Valentin Greutert e ao produtor finlandês

Tero Kaukomaa, que agora lidera uma

equipe de cinco pessoas.

Greutert, que atua na produção de filmes

há 20 anos, diz que o modelo de negócios

da indústria sempre foi “pouco favorável à

inovação” - especialmente o financiamento

e a distribuição de filmes para os fãs.

“Ao fazer um filme na Europa, o financiamento

depende enormemente de subsídios

de organizações como as agências estatais

de cinema ou canais a cabo”, diz ele. “Não

é surpreendente ter 15 entidades empresariais

envolvidas na fabricação de um produto.

Algumas instituições impõem restrições

- onde seu dinheiro deve ser gasto e

assim por diante. Mais recursos também

Heidi é interpretada pela atriz Jessy Moravec

Pascal Greuter Photography + Motion Graphics

significam mais trabalho administrativo, o

que é um fardo - especialmente para pequenas

equipes como a nossa”.

Greutert também reclama da interferência

de empresas de vendas, distribuidores e cinemas,

que tomam uma parte considerável

do bolo. “Os cineastas não ganham quase

nada com este sistema - a menos que você

esteja em um estúdio gigante. Além disso,

os cineastas europeus independentes muitas

vezes lutam para alcançar uma audiência

global, pois perdem o controle de seu

filme uma vez que ele vai para o mercado.

Pode levar meses ou anos até que o público

no exterior o consiga assistir”, diz ele.

“Embora o equipamento de filmagem esteja

se tornando cada vez mais moderno, o

modelo de negócios não mudou em nada

nos últimos 20 anos. Alguém tem que trazer

inovação para esta indústria antiquada.

Precisamos encontrar uma maneira de nos

libertar dessa prisão!”

‘Frescor’

Mad Heidi, portanto, adotou uma nova

abordagem, financiando-se através do

crowdfunding e vendendo produtos como

roupas, canecas, cartazes - até mesmo o

“absinto da Heidi”.

O filme de Kaukomaa de 2012, Iron Sky

- a trama em resumo: os nazistas do espaço

invadem a Terra - foi um exemplo bem

sucedido de crowdfunding, portanto eles

já têm experiência com esse tipo de financiamento.

A equipe de produção também

interagiu com os fãs em websites e mídias

sociais. Cerca de 40.000 fãs de 45 países,

principalmente na Europa, estão acompanhando

o projeto.

“A história é tão fora dos limites e politicamente

incorreta”, diz Greutert. “Mas este

tipo de frescor é exatamente o que muitos

fãs de cinema têm ansiado”.

Mad Heidi é uma comédia de horror e

ação cheia de sangue na qual uma Heidi

de vinte e poucos anos se levanta com seus

colegas camponeses para salvar sua pátria,

que caiu nas mãos de nazi-fascistas. No site

do filme, existe um trailer, mas, como se

trata de um filme “exploitation” barra-pesada,

não é adequado para crianças ou para

se ver no trabalho. Na verdade, se você não

estiver acostumado a este tipo de coisa,

provavelmente se sentirá ofendido. Você

foi avisado!

De fato, quando o trailer apareceu online,

o co-roteirista do filme, que trabalhava

para a polícia cantonal de Zurique, foi

prontamente demitido. Qualquer pessoa

ligada a um produto tão brutal e controverso

não era adequada para um cargo de

gerência, disseram seus empregadores. Os

advogados se envolveram e o Tribunal Federal

decidiu na semana passada que a demissão

do funcionário era ilegal.

Novo modelo de produção

O que Johanna Spyri acharia de tudo desafia

a imaginação, mas tudo parece estar no

caminho certo.

A equipe de produção já completou com

sucesso dois projetos de crowdfunding

desde 2018, antes das etapas de desenvolvimento

e pré-produção. De acordo com

a equipe, esta se tornou a campanha de

crowdfunding mais bem sucedida de todos

os tempos para um filme nacional. Até

agora, eles arrecadaram CHF 84.000 do

crowdfunding e CHF 150.000 da venda

de mercadorias.

“Tudo tem sido muito positivo. Se continuar

assim, teremos uma chance muito

boa de entregar o filme”, diz Greutert. Se

tudo correr como planejado, as filmagens

começarão no próximo ano e Mad Heidi

será lançado no site em 2022.

“Isto também cortará os intermediários e

devolverá o máximo de lucros aos acionistas.

Estimamos que o lucro será seis vezes

maior do que a forma tradicional”, diz ele.

Para Greutert, envolver os fãs desde o início

também é “verdadeiramente poderoso,

pois democratiza a criação de conteúdo.

Será um novo modelo de produção de

conteúdo no futuro”.

(*) Swissinfo - escreve em português do Brasil

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SAÚDE

Os hormónios e suas

funções no organismo

ZUILA MESSMER

Os hormónios são substâncias

produzidas pelas

glândulas do sistema endócrino,

de suma importância

para o controle,

equilíbrio e funcionamento

do organismo.

Entre as principais glândulas do corpo

humano destacam-se o hipotálamo,

hipófise, tiróide, para-tiróide,

supra-renais, pâncreas, bem como as

glândulas sexuais (ovários e testículos).

Cada uma libera substância hormonal

diferente, consequentemente

com funções diferenciadas, vejamos

algumas delas:

- O hipotálamo produz o hormónio

anti-diurético – ADH, também

denominado vasopressina, cuja

função é estimular a reabsorção da

água nos ductos colectores (estruturas

orgânicas). Outro hormónio é a

Ocitocina, responsável pela contracção

da musculatura do útero na hora

do parto e das células das glândulas

mamárias, estimulando a produção

de leite.

Observação interessante: A principal

função do suor é resfriar o corpo, na

tentativa de regular a temperatura,

e quando a transpiração se torna em

excesso devido a uma actividade física

intensa, nesses momentos então, entra

em acção o hormónio anti-diurético,

que age evitando a perda de água, regulando

sua retenção no organismo.

- A glândula hipófise conhecida

como Pituitária, localiza-se no cérebro

e é responsável pela produção dos

hormónio somatropina – o hormónio

do crescimento (GH), o qual

actua no sistema ósseo garantindo o

crescimento.

Esse hormónio GH é liberado em

quantidades maiores até os 20 anos,

actuando na cartilagem, parte do

tecido ósseo que ainda está em formação,

fazendo com que haja alongamento

longitudinal dos ossos e

também dos órgãos internos.

- A glândula tiróide produz a tiroxina

(T3) e a tri-iodotironina

(T4), que

regulam o metabolismo,

ou seja, a

maneira como o

corpo usa e armazena

energia,

sendo o hipotireoidísmo

(baixa

função da glândula

com queda

na produção do

hormónio) e o

hipertiroidismo

(alta produção),

uma das doenças

mais comuns relacionadas

a ela.

- A paratireóide segrega o

paratormónio, quem garante

a reabsorção do osso e a liberação

de cálcio no sangue.

- As glândulas suprarenais liberam

a adrenalina ou epinefrina, substancia

relacionada à defesa do organismo

em situações de emergência.

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SAÚDE

O hormônio adrenalina atua no sistema

nervoso, sendo liberado em momento

de tensão e stresse, preparando

o corpo para uma acção. Os efeitos

mais comuns da adrenalina são: sudorese

excessiva, contracção dos vasos

sanguíneos, aumento da pressão arterial,

frequência respiratória e cardíaca.

O cortisol é outro importante hormónio

produzido por elas, dotado de

inúmeras funções nas quais incluem,

ajudar no controle do stresse, manutenção

do nível constante de açúcar

no sangue e da pressão arterial, reduzir

inflamações, contribuir no funcionamento

do sistema imune. O

cortisol também é capaz de provocar

significantes mudanças no comportamento,

tanto emocional como físico.

- O pâncreas produz a Insulina e

glucagon. A primeira é responsável

pela absorção da glicose nas células,

e a outra, no aumento das taxas do

açúcar no sangue.

- O Timo produz a timosina, um

componente fundamental que garante

o correto funcionamento do sistema

imunológico.

- As glândulas sexuais - ovários

e testículos - produzem os

hormónios estrogénio ou estrógeno

e testosterona,

responsáveis pelas

características e

definições dos géneros,

bem como

das mudanças físicas

no decorrer do

desenvolvimento.

Os estrógenos

respondem pelo

aspecto e função

do corpo feminino,

como o crescimento

dos pelos, aumento das

mamas e da bacia pélvica. A

testosterona pelas masculinas,

o aparecimento dos pelos,

engrossamento da voz,

aumento dos órgãos sexuais

e produção dos espermatozóides

nos testículos.

Em ambos os sexos, os

hormónios sexuais influenciam

na absorção do cálcio pelo

organismo, controlam o desenvolvimento,

a força da massa muscular, o

equilíbrio da gordura e o ânimo das

pessoas em geral. Como exemplo

da complexidade hormonal temos

à síndrome pré-menstrual -TPM, o

processo de reprodução da espécie

humana, o parto, amamentação, enfim...

Tudo vêm à ocorrer, porquê os

hormônios sexuais actuam no sistema

nervoso central e no organismo

- O estômago e o intestino produzem

os hormónios - gastrina, o

peptídico (PYY) e a colecistoquinina

(CCK), fundamentais no processo

digestivo.

A gastrina induz a formação do ácido

gástrico, que dissolve e digere os alimentos

no estómago. O peptídico e

a colecistoquina, juntamente com os

neurónios do intestino, metabolizam

os nutrientes essenciais para a saúde e

excretam o que não serve, por meio

do bolo fecal.

Vale salientar, que o intestino é considerado

o segundo cérebro, dada a

complexidade de sua rede nervosa e

os mais de 100 milhões de neurónios

que o compõe e se mantém em contínua

comunicação com o cérebro.

Os hormônios após serem produzidos

caem na corrente sanguínea, percorrem

o organismo até encontrar as

células receptoras onde irão actuar,

iniciando suas funções. As acções reguladoras

dessas substâncias ocorrem

de forma natural e silenciosa, sendo

perceptíveis em caso de disfunções

das glândulas, onde o excesso ou carências

de suas substâncias ocasionam

complicações e doenças que podem

levar até à morte, caso não sejam tratadas,

havendo por vezes, à necessidade

de controlar, reter ou fazer reposição

hormonal por toda a vida, com

objectivo de manter os órgãos e o

funcionamento orgânico equilibrado.

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CRÓNICA DO NOSSO CANTINHO PARA O VOSSO CANTÃO

Cuidem-se!

© LUÍS FILIPE COITO

ARAGONEZ MARQUES

Sei que devem estar fartos de ouvir

falar de pandemias. Ao nosso cantinho,

poucas ou nenhumas notícias

chegam do vosso cantão.

O não estar na Comunidade Europeia

retira-lhe o palco.

Pois por aqui, isto vai de mal a pior.

Hoje foi decretado o encerramento

de todas as escolas e desta vez sem

ensino à distância.

Completamente fechadas da pré-primária

até ao ensino universitário.

São duras as novas medidas só possíveis

devido ao estado de emergência

limitador de liberdades.

Idas aos supermercados só uma pessoa,

se forem duas no carro, a guarda

manda parar, onde vão?, comprar ao

supermercado, duas pessoas não podem

circular, a minha mulher não

tem carta de condução, para trás, fica

a senhora em casa e compra você.

Ponto final.

Proibição total de sair dos concelhos,

tenho que fazer a inspeção do carro

aqui não há, volte para trás ou é multado.

Na rua? Só para ir à farmácia ou passear

o cão perto de casa.

Serviços públicos só por marcação

mas, as linhas telefónicas estão sempre

ocupadas. A das Lojas do Cidadão

também...

As crianças até aos doze anos, para

não ficarem sozinhas em casa podem

ficar com um progenitor, o Estado

paga 60% do vencimento, ou isso ou

nada, e se houver um em tele-trabalho,

ninguém já paga nada.

As pessoas abusaram no Natal onde

durante uma semana puderam correr

o país, almoços, jantares, aqui e ali,

compras em tudo o que era Centro

Comercial.

Pois é ... fora os azares...

Uma carrinha que transportava vacinas,

com motas da GNR atrás e à

frente, seguranças contra alguma

máfia que as pudesse roubar, despistou-se,

de rodas para o ar na auto-estrada.

Uma enfermeira ontem, com excesso

de trabalho, desapareceu misteriosamente

de casa para o novo turno da

noite, ninguém sabe onde está, apesar

das televisões mostrarem o seu rosto.

Também esta semana um homem

morreu dentro de uma ambulância,

numa enorme fila de várias, ao fim de

três horas de espera.

Rebentam pelas costuras os hospitais,

há camas em pavilhões desportivos,

mas não há pessoal médico.

Pagamos anos e anos de más políticas

acumuladas. Desde a de como

sovinas, a Ordem dos Médicos, não

permitir a abertura de mais Universidades

de Medicina, onde, devido à

procura, um jovem teria de ter médias

de 19,7, abaixo disso ficavam fora

e os que podiam iam para Espanha

tirar Medicina. Em Portugal criaram

uma casta, onde ser médico era

ser Deus. Hoje acabam mesmo por o

ser, pois devido ao estado caótico dos

hospitais, são eles “eticamente” que

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CRÓNICA

decidem quem vive e quem morre.

Os mortos são tantos que os hospitais

têm contentores frigoríficos

para guardar os que a doença

apanhou. As agências funerárias,

agora pomposamente chamadas

Empresas de Enlutamento, não

conseguem cremar nem enterrar,

havendo cadáveres armazenados há

seis dias esperando vaga, sem um

adeus dos familiares.

Por milhão de habitantes somos o

país com mais contágios e mortes

do mundo. As eleições para a Presidência

aquecem, mais um momento

de ajuntamentos, que a democracia

conseguiu vencer. Vocês

podem votar? No cantinho pouco

ou nada se sabe de vós.

Com o governo de Passos Coelho,

foram os jovens convidados a sair

do país, pois aqui com a Troika,

não havia trabalho. Obedientes

foram, a maior parte enfermeiros,

para Inglaterra e Irlanda.

A falta que nos faziam hoje...

Mais notícias, vos podia dar, deste

vosso cantinho, mas com a fome, a

miséria, o desemprego e o trabalho

escravo, prefiro dar-vos um conselho.

Deixem-se estar, não voltem tão

depressa, não por vos não querermos

abraçar, mas porque vos queremos

proteger.

Mais coisas, muitas, tinha para vos

dizer, mas não posso ultrapassar um

determinado espaço da vossa/nossa

revista.

Gostava de saber coisas daí, deixo-

-vos um mail:

seisfilhas@gmail.com

Contem-me coisas do cantão que

divulgarei no cantinho. Falem-me

de assuntos que queiram ver escritos

aí, e fá-lo-ei.

Com uma nova direcção da revista,

poderemos iniciar uma nova experiência.

Sorte aos que sairam.

Sorte aos que ficaram.

Cuidem-se!

O que eles

ignoram…

ALICE VIEIRA

No momento em que

escrevo esta crónica

acabaram, nas televi-

sões, as transmissões

directas do enterro de

Mário Soares.

As jornalistas (nos directos eram

mais As jornalistas que Os jornalistas)

lá se esforçaram por preencher

os momentos mais parados,

perguntando a este popular e mais

àquele outro popular, e à senhora

que veio de Matosinhos, e à outra

que veio de Ílhavo, e mais à senhora

que lamenta não ter sido feriado

nacional , e à outra que leva uma

fotografia de Soares que já tem há

anos, e ainda aquela que lamenta

não ter a cultura que Soares tinha

(“mas tu também tens!”, diz-lhe

uma amiga que está atrás, “sim,

mas ele tinha mais”), e por aí fora…

Tudo gente adiantada em idade.

Porque, tirando os alunos do Colégio

Moderno, que falaram bem e

deram as suas opiniões, e as criancinhas

da escola João de Deus, na

Av. Pedro Álvares Cabral, que vieram

bater palmas para a rua mas

que muito possivelmente, pela sua

tenra idade, nem entendiam o que

se passava—a verdade é que não se

viu gente jovem no enterro. E sempre

que os jornalistas perguntavam

aos tais populares entrevistados se

os filhos saberiam o que representava

Mário Soares, e se sabiam qual

tinha sido a sua luta—a resposta era

sempre a mesma: não, eles já não

viveram isso e por isso não sabem.

Mas o mais curioso é que muitos

desses populares reconheciam que

tinham sido os pais e os avós a falarem-lhes

de Soares e de muitos

outros, e do que tinha sido a luta

pela liberdade em Portugal.

Pena que eles não façam o mesmo

com os seus filhos e netos, que

assim tomam a liberdade e a democracia

como dados adquiridos,

como se nunca tivesse sido doutra

maneira –e nem querem pensar no

assunto.

Culpa dos pais que não conversam.

Culpa da escola, que não ensina.

E o caso toma ainda proporções

mais graves quando se ouve, por

exemplo, na Antena 1, alunos da

Faculdade de Direito responderem,

a propósito de Soares, que a

única coisa que dele sabem é que

era velho. Sim, um ou outro ainda

mencionou, muito por alto, a luta

pela democracia—mas apenas um

ou outro… O que dali sobressaía

era que tinha morrido um velho.

E este caso não é único. Sempre

que se fala aos jovens da nossa história

recente (claro que, para eles,

1974 é pré-história…) o desconhecimento

é completo, ou então

vêm com aquela frase feita, “ah

isso é política e eu em política não

me meto” (Lembro-me, há anos,

quando se falava do “Evangelho”

do Saramago, alguém ter respondido

“essas coisas não leio porque

não sou religioso.” …)

É claro que isto não é fácil de resolver.

Uma amiga minha, que é

professora, falou um dia da Guerra

Colonial aos seus alunos—e teve

logo a queixa de uma mãe a dizer

que ela estava a fazer política na

sala de aula, e isso ela não permitia.

O pior, como dizia um amigo meu,

é que são esses que um dia vão governar

este país…

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AGENDA

Informações da MAPS

Queridos leitores, a pandemia do coronavírus ainda

não acabou. O requisito de máscara aplica-se

em muitos lugares no espaço público. O Conselho

Federal recomenda que você fique em casa e reduza

o contacto com outras pessoas. Mantenha uma

distância de pelo menos 1,5m de pessoas fora de sua

casa, lave as mãos regularmente e use uma máscara

protetora nos transportes públicos. Você pode

encontrar uma visão geral das medidas atuais em

vários idiomas em www.stadt-zuerich.ch/coronavirus.

Muitos locais como cinemas, museus ou instalações

desportivas estão actualmente fechados e

o fecho pode ser prorrogado a qualquer momento.

Informe-se antes de ir a um evento. Apesar de tudo,

a equipa MAPS deseja-lhe muita diversão!

01.02.2021 (Montag)

Ajudar uns aos outros

Você precisa de ajuda para fazer

compras, obter medicamentos

ou levar o cachorro para passear?

Contate a ajuda dos vizinhos em

sua vizinhança. Ela pode fornecer

ajudantes que irão apoiá-lo nas tarefas

diárias.

https://bit.ly/2XY63JZ

02.02.2021 (Dienstag)

Entretenimento

em

casa

Você está procurando atividades

para fazer em casa? Dê uma olhada

no site do «MAXIM Theater»

e descubra muitas coisas para sua

casa. Por exemplo, o «MAXIM

Theater» colocará você em contato

com um amigo por correspondência.

Grátis.

http://bit.ly/3o6kDcK

03.02.2021 (Mittwoch)

Artesanato no Rütihof

Aqui as crianças podem deixar

sua imaginação correr solta. As

crianças fazem artesanato e brincam

com madeira e outros materiais.

Crianças menores de 5 anos

somente em companhia de um

adulto. 14:00-17:00. CHF 2.- por

folha de pintura.

GZ Höngg. Standort Rütihof.

Hurdäckerstr. 6

Bus 46 bis „Rütihof“.

http://www.gz-zh.ch/gz-hoengg

04.02.2021 (Donnerstag)

Concerto de órgão

Você gosta de ouvir música clássica?

Então desfrute de um

bom concerto de órgão na

Igreja da cidade durante o

almoço de hoje. 12:15-12:45.

Entrada livre.

Citykirche Offener St. Jakob,

Stauffacherstr. 34.

Tram 2/3/8/9/14 bis „Stauffacher“.

http://www.citykirche.ch/

agenda/

05.02.2021 (Freitag)

Exposições online

Faça um tour pelas exposições

atuais e anteriores na

„Haus Konstruktiv“. Desta forma

você terá um acesso divertido e

informativo a tópicos selecionados

das exposições. Por exemplo,

você pode ver as exposições «Lichtballett»

ou «Sky Art» de Otto

Piene. Grátis.

http://bit.ly/390rHn3

06.02.2021 (Samstag)

Desporto para jovens

Em Affoltern, Oerlikon, Schwamendingen

e Sihlfeld, o projeto

«Midnight Sports» oferece diversos

esportes internos para jovens

de 12 a 20 anos de idade nas noites

de sábado. Os eventos acontecem

em horários diferentes da noite,

dependendo do local. Basta vir e

jogar! Hoje em Oerlikon, 19:00-

22:00. Participação gratuita.

Turnhalle Herzogenmühle. Herzogenmühlestr.

60.

Tram 7/9 oder Bus 61/62/75/79

bis „Schwamendingerplatz“.

https://bit.ly/395nsqm

07.02.2021 (Sonntag)

Apresentação de ópera

Desfrute de uma ópera em casa. A

«Opernhaus Zürich» oferece obras

clássicas como «Nussknacker und

Mausekönig» de E.T.A. Hoffmann

como um vídeo online.

Pegue o vídeo emprestado e assista

à ópera na sua sala. CHF 5.-.

http://www.opernhaus.ch/digital/video-on-demand/

10.02.2021 (Mittwoch)

Teatro infantil

Aproveite a aventura do teatro

„1x Südpol und zurück“ com sua

família. A peça é sobre os melhores

amigos Mara e Tim. Você faz

uma viagem do Pólo Sul à floresta

tropical e conhece novos amigos.

15:00. Entrada livre, contribuição

espontânea.

GZ Affoltern. Bodenacker 25.

Bus 62 bis „Unteraffoltern“.

http://www.gz-zh.ch/affoltern

http://www.abendsfrueh.ch/termine

Tomar banho ao ar livre

Como todos os invernos, as banheiras

estão disponíveis no

„Werk-Brache“ no „GZ Leimbach“.

Estas são aquecidas com fogo

para banhar-se. Se você atrever-se

a entrar na piscina de inverno, em

seguida tomará chá quente no bistrô.

Traga: calção de banho, toalha

de banho e calçado de banho.

14:00-17:30. Participação gratuita.

GZ Leimbach. Leimbachstr. 200.

Bus 70 bis „Sihlweidstrasse“.

http://www.gz-zh.ch/gz-leimbach

11.02.2021 (Donnerstag)

Medite online

Relaxe e medite facilmente em

casa. Basta baixar o aplicativo

«7mind» da «Google Play Store» e

iniciar os exercícios de relaxamento

de 7 minutos. Grátis.

http://www.7mind.de

12.02.2021 (Freitag)

Teatro no sofá

O «MAXIM Theater» traz várias

peças e projetos para a sua casa.

Por exemplo, assista à peça «Who

the hell is Heidi?» diretamente do

seu sofá. A peça é sobre seis mulheres

de diferentes países, todas

morando em Zurique. Eles falam

sobre sua vida, amor, guerra e

morte. Descubra muito mais em

www.maximtheater.ch. Em alemão.

Grátis.

https://bit.ly/394gzFT

13.02.2021 (Samstag)

Aprenda alemão online

Você pode aprender alemão de

forma independente e online no

20

Lusitano de Zurique - Janeiro 2021 | www.cldz.eu


site da „Deutsche Welle“. Existem

cursos com temas emocionantes e

educacionais para iniciantes, avançados

e especialistas. Grátis.

https://bit.ly/3p4W55x

14.02.2021 (Sonntag)

Canal de TV infantil

No canal «Klapperlapapp TV»

pode ver diversos espectáculos de

contos de fadas e histórias. Veja,

por exemplo, o mini-teatro com

o elefante Hannibal ou conheça

Marius e a sua banda. Gratuito.

http://www.klapperlapapp.ch/

16.02.2021 (Dienstag)

Teatro em casa

O teatro „Neumarkt“ apresenta

online algumas peças e filmes.

Passe pelo site e desfrute de um

serão em família vendo teatro, por

exemplo, a peça documental com

canto de ópera «Whistleblowerin/

Elektra“. Gratuito.

https://bit.ly/3bYD6Wh

17.02.2021 (Mittwoch)

Aulas de bateria para

jovens

Todas as semanas, jovens até aos

17 anos podem frequentar gratuitamente

aulas de bateria. Um baterista

profissional dá aulas três tardes

por semana. Ter 16:00-18:00.

Qua/qui 16:00-19:00. Inscrições:

079 654 44 04. Gratuito com KulturLegi.

Os jovens recebem todos

os materiais para as aulas e uma

«E-Drum» para praticar em casa.

GZ Buchegg. Bucheggstr. 93.

Tram 11/15 oder Bus 32/72 bis

„Bucheggplatz“.

http://www.gz-zh.ch/gz-buchegg

18.02.2021 (Donnerstag)

Concertos

A «Konzerthaus Berlin» disponibiliza

online um diversificado

programa de concertos. Ouça uma

obra clássica de Franz Schubert ou

as sonatas de Johann Sebastian

Bach. Gratuito.

http://www.konzerthaus.de/de/

konzertzuhaus

19.02.2021 (Freitag)

Cursos de computador

e de telemóvel

Quer preencher formulários online

e escrever cartas ou textos

no computador? Então passe pela

«Lernstube» e aprenda tudo o que

é preciso sobre computador e telemóvel.

08:30-11:30. Participação

gratuita.

EB Zürich. Max-Höggerstr. 2.

Bus 31, 35, 78, 80, 83, 89 oder S5,

S11, S12, S14, S19 bis „Bahnhof

Altstetten“.

http://www.caritas-zuerich.ch/

lernlokal

20.02.2021 (Samstag)

Correr em conjunto

De 2 em 2 semanas, o grupo «AOZ

– Züri rännt» encontra-se ao sábado

para correr em conjunto. Conheça

outras pessoas e pratique

jogging ao ar livre em Zurique.

Há vários grupos, para corredores

mais lentos e mais rápidos. Escolha

o mais adequado para si e junte-se

aos outros praticantes de jogging.

Informações e ponto de encontro

após inscrição por WhatsApp

através do número 079 527 56 71.

10:00. Participação gratuita.

22.02.2021 (Montag)

Cozinhar em família

Que tal descobrir novas receitas

e passar um agradável serão com

a família em casa? Descarregue a

App «Kitchen Stories» e encontre

deliciosas receitas. Prepare, por

exemplo, um saboroso prato de

massa com limão e, para sobremesa,

um tiramisu com baunilha

e framboesas. Em alemão, inglês e

outras 9 línguas. Gratuito.

http://www.kitchenstories.com/

de

23.02.2021 (Dienstag)

Exposição sobre lugares

tranquilos (até 28.02.)

Como são e onde há lugares tranquilos

na cidade? Estudantes universitários

da «ZHAW» ocuparam-se

destas e doutras questões

e apresentam os resultados do seu

trabalho em imagens, textos e um

filme. Gratuito.

GZ Wollishofen. Bachstr. 7.

Tram 7 bis „Post Wollishofen“

oder Bus 161/165 bis „Rote Fabrik“.

http://www.gz-zh.ch/gz-wollishofen

FEV.

2021

24.02.2021 (Mittwoch)

Museu online

O „Museum für Gestaltung“ apresenta

alguns objectos de arte no

seu site. Descubra online diversas

obras de arte, entre as quais cartazes

de turismo. Gratuito.

http://www.emuseum.ch/

25.02.2021 (Donnerstag)

Exposição sobre o mel

O mel é um alimento mundialmente

conhecido. Também na

América do Sul é muito apreciado.

Na exposição «Ohne Honig

hast du nichts zu essen», através de

filmes e fotografias descubra mais

sobre as abelhas da comunidade

sul-americana nómada «Ayoréode».

Ter-dom 10:00-17:00. Qui

10:00-19:00. Entrada gratuita.

Völkerkundemuseum. Pelikanstr.

40.

Tram 2/9 bis „Sihlstrasse“.

https://bit.ly/2XXqYwN

26.02.2021 (Freitag)

Evento científico

Uma vez por mês, decorre o

evento „Nachtaktiv“, no qual

universitários apresentam temas

científicos de forma acessível e divertida.

Cada sessão é dedicada a

um tema específico. Hoje o tema

é assistentes suíço-alemães para

Smartphones e computador. Há

bebidas e snacks. Para jovens entre

os 16 e os 25 anos. 19:00-22:30.

Participação gratuita.

Kulturama, Museum des Menschen.

Englischviertelstr. 9.

Tram 3 bis „Hottingerplatz“ oder

Tram 8 bis „Englischviertelstrasse“.

http://www.nachtaktiv.live

http://creativelabz.ch/nachtaktiv-kulturama/

28.02.2021 (Sonntag)

Cozer pão

Hoje prepare um pão para a sua

família. Leve e fácil de fazer, a

trança de domingo da Betty Bossi

é ideal para um descontraído

pequeno-almoço ao domingo de

manhã. Gratuito.

https://bit.ly/3p93Ffa

Lusitano de Zurique - Janeiro 2021 | www.cldz.eu

21


OPINIÃO

O CDS de Francisco

Rodrigues dos Santos

CARLOS ESPERANÇA

O CDS, partido criado por Freitas do Amaral e Adelino

Amaro da Costa, fará falta no espetro político nacional.

A sucessiva viragem à direita atingiu o auge no consulado

de Manuel Monteiro, que delapidou o património dos

fundadores e acabou por sair para o sonho de um partido

extremista quando ainda estavam vivas as memórias da

ditadura, indiferente à integração democrática dos salazaristas

feita pelo CDS.

Foi a vertigem reacionária que levou o Partido Popular

Europeu (PPE) a expulsá-lo do seu seio onde regressaria,

a pedido de Durão Barroso, para lhe devolver idoneidade

para a coligação indispensável para ser primeiro-ministro.

Depois foi a criatividade de Paulo Portas a manter artificialmente

um partido exonerado de valores, através da

participação no poder. Tornou-se um partido vazio de

ideias, sem rumo e sem tino, a viver de ruído e de figuras

conhecidas.

Provavelmente nada resta da matriz conservadora e democrata-cristã,

dos estatutos e do programa da sua fundação.

É num deserto de propostas e de ideologia que o

eleitorado que via no CDS o partido mais próximo do

salazarismo o abandona por ver num partido marginal,

de extrema-direita, sem complexos, o regresso nostálgico

da ditadura que traz de brinde o racismo e um bando

de marginais que contestam os alicerces da democracia

liberal e da civilização europeia.

Ao simulacro da direita civilizada, o seu eleitorado prefere

a trauliteira, a que defende a pena de morte, a castração

de violadores e de mulheres que interrompam a

gravidez, a que nega o humanismo cristão de que o CDS

empunhava a bandeira.

Francisco Rodrigues dos Santos não tem um partido,

recebeu a presidência da comissão liquidatária de uma

agremiação de porte duvidoso, com o eleitorado a preferir

um antro de ódio e preconceitos, na fúria da vingança

antidemocrática, ruminada durante 46 anos.

Na desolação de um desastre anunciado, o líder do CDS

acusa a sondagem da Aximage, que dá ao CDS 0,3% das

intenções de voto, de ser “de alfaiate, feita à medida de

quem manda”, e que a empresa de sondagens “devia corar

de vergonha”.

Os desempregados do CDS, a viverem a última e pungente

legislatura, já sem espaço e sem ilusões, irão oferecer-se

ao PSD, os que recusam a violência racista e xenófoba,

ou a engrossar as hostes de um partido fascista

dos anos Trinta do século passado, e de que a Europa se

esqueceu.

O CDS, conservador e democrata-cristão, tinha o espaço

próprio que extremistas como Manuel Monteiro e

Nuno Melo se encarregaram de estreitar.

E vai fazer falta.

22

Lusitano de Zurique - Janeiro 2021 | www.cldz.eu


OPINIÃO

As presidenciais, as

comunidades e o ruído

É abusivo dizer

que houve desconsideração

pelos

residentes no estrangeiro

e muito

menos discriminação.

Bem pelo

contrário.

PAULO PISCO

Há demasiado ruído, desinformação

e desvio de

atenções no que respeita à

realização das eleições para

a Presidência da República

para os portugueses residentes

no estrangeiro, pelo

que seria um grande serviço

prestado às nossas comunidades

se candidatos presidenciais,

conselheiros das

comunidades e outros fazedores

de opinião se centrassem

naquilo que é essencial:

apelar ao voto e à participação

de todos, precisamente

porque o momento é difícil

e o medo que a pandemia

causa é compreensível.

Tem havido nas últimas

semanas algumas vozes a

pedir à pressa algo que não

pode ser consagrado, que é

uma alteração à lei eleitoral

que permita outras modalidades

de voto para haver

maior participação. Ora, tal

como decorre da lei, o voto,

tanto no estrangeiro como

em território nacional, é

exercido de forma presencial,

e qualquer alteração

exigiria uma maioria reforçada

que dificilmente se

obteria no Parlamento em

tão pouco tempo, o que inviabiliza

a adoção de outras

formas de votação, particularmente

o voto por correio

ou o voto eletrónico.

Estas eleições vão realizar-

-se em condições muito

adversas tanto no território

nacional como nas comunidades

e alguns estão

mesmo a tentar aproveitar o

momento para alterar definitivamente

a forma de votar

para o Presidente da República.

Tal intuito merece

muita ponderação, porque

basta lembrar, por exemplo,

que nas eleições legislativas

de 2016, em que a votação

foi por correio, o partido

Nos! Cidadãos conseguiu a

proeza de ficar a 400 votos

de eleger um deputado pelo

círculo de Fora da Europa,

porque só em Macau/China

obteve 2532 votos, enquanto

nos restantes países teve

apenas … 99 votos. Como

não podia deixar de ser, a

situação deu muito nas vistas

e constitui um poderoso

alerta para a vulnerabilidade

do voto por correspondência.

Por outro lado, é

impossível pretender que a

dois meses (se calhar nem

em dois anos) se monte um

sistema de voto eletrónico

online, sem sequer ter sido

previamente testado.

O problema é que estas críticas

e exigências infundadas

são desmobilizadoras e

confundem os eleitores, já

de si receosos de exercerem

o seu direito de voto por

causa da pandemia e desanimados

por, em muitos

casos, terem de percorrer

grandes distâncias. É abusivo,

porém, dizer que houve

desconsideração pelos

residentes no estrangeiro e

muito menos discriminação.

Bem pelo contrário.

Tanto o Governo como os

deputados do PS têm feito

tudo para que fosse garantida

a segurança sanitária

nos locais de voto e houvesse

um aumento do número

de mesas e novos locais de

voto, que efetivamente passaram

de 112 em 2016 para

148 nestas eleições.

“Ninguém pode obrigar

os cidadãos no estrangeiro

a fazerem parte das mesas

de voto, o que desta vez

tem sido difícil, por razões

que até se compreendem.

Tal como as candidaturas

presidenciais não se podem

pôr de fora deste esforço de

designarem delegados seus

para fiscalizar as mesas de

voto nas comunidades “

Além disso, as eleições realizam-se

em dois dias, em

23 e 24 de janeiro, houve

três dias para o voto antecipado,

que foi alargado a

todos os residentes no estrangeiro

com Cartão do

Cidadão com endereço em

Portugal, houve uma campanha

de informação nos

órgãos de comunicação

social das comunidades, o

que é uma novidade, e ainda,

pela primeira vez, foi

feita a desmaterialização de

todos os cadernos eleitorais.

E para que não houvesse

entraves à mobilidade, o

Governo pediu aos países

que permitissem aos eleitores

circular livremente para

poderem votar nos postos

consulares.

Ninguém pode é obrigar

os cidadãos no estrangeiro

a fazerem parte das mesas

de voto, o que desta vez

tem sido difícil, por razões

que até se compreendem.

Tal como as candidaturas

presidenciais não se podem

pôr de fora deste esforço de

designarem delegados seus

para fiscalizar as mesas de

voto nas comunidades, mas

essa é uma responsabilidade

que apenas a elas cabe.

Neste contexto, nunca será

demais recordar aquela que

é uma das medidas mais

emblemáticas para potenciar

a participação dos

portugueses residentes no

estrangeiro e dar-lhes voz e

influência, que foi a implementação

do recenseamento

automático pelo anterior

Governo do PS, que trouxe

mais cerca de um milhão de

novos eleitores para as comunidades.

Foi assim que

se inverteu uma tendência

preocupante de progressiva

diminuição do número

de votantes de eleição para

eleição.

Mas se esta verdadeira revolução

merece ser sempre

recordada, agora o que

importa mesmo é que cada

um contribua de forma

construtiva para que nas

comunidades portuguesas

haja uma votação tão expressiva

quanto possível nas

próximas eleições presidenciais.

O autor escreve segundo o

novo acordo ortográfico

Lusitano de Zurique - Janeiro 2021 | www.cldz.eu

23


CRÓNICA

Júlio Isidro, o homem a quem

nunca diremos adeus

LUÍS OSÓRIO

1

Júlio Isidro foi infeta-

do pelo Covid 19.

E sabemos que recupe-

rou e voltou ao ativo.

Há pessoas assim, mais

eternas do que outras.

DA SUÍÇA PARA PORTUGAL

PORTUGAL SEMPRE

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Badenerstrasse 382, Postfach 687 | 8040 Zürich | Tel. 043 243 81 21

Baslerstrasse, 117 - 8048

Pessoas que nos fazem acreditar

na possibilidade de

sermos mais fortes, mais

resistentes, mais capazes de

encarar o que somos, a começar

pelo envelhecimento.

2

Júlio Isidro completou esta

semana os primeiros 61

anos de carreira. O ano

passado, no Casino Estoril,

centenas de pessoas prestaram-lhe

justa homenagem.

São raros os exemplos de

portugueses que souberam

atravessar tempos e regimes

diferentes mantendo uma

coerência, uma qualidade e

um sentido de futuro. Júlio

foi um deles, não há muitos

mais.

3.

Nasceu quando a II Guerra

Mundial ainda não acabara.

E quando eu nasci ele já

era uma figura emergente.

Cresci com o Passeio dos

Alegres onde lançou uma

quantidade enorme de talentos.

Sentava-me a vê-lo

naquelas tardes lentas, tardes

em que tínhamos tempo

para ouvir com atenção

o que se passava. E ele sabia

como me captar a atenção.

4.

Estava dentro do aparelho

de televisão como se estivesse

na nossa casa. Era

culto, mas não nos agredia

com o seu conhecimento.

Pertencia a uma elite cultural,

mas tratava toda a gente

com dignidade. Era uma

estrela, mas a sua generosidade

quase nos obrigava a

acreditar que os seus convidados

é que o eram.

5.

Quando o vejo continuo a

reconhecer o mesmo de antes.

O que vi nas gravações

de Fungagá da Bicharada,

com José Barata Moura. O

que vi numa tarde no Cinema

Europa a entrevistar

os Duran Duran. O mesmo

homem que identifico

quando penso nos dias de

infância em frente à televisão,

o mesmo que as minhas

avós reconheciam ser grande,

o mesmo que os meus

filhos mais velhos ouvem

no Traz para a Frente para

aprenderem sobre música,

sobre artes plásticas, sobre a

cultura e a essência de sermos

estes e não outros.

6.

Júlio é eterno. Uma das

poucas pessoas que não

morrerá – mesmo que um

dia se ausente, saberemos

(no fundo dos nossos fundos)

que apenas será uma

pausa até que volte a estrear

um novo Passeio dos Alegres

onde ensinará a maioria

desta gente a fazer televisão

de qualidade.

O autor escreve segundo o novo

acordo ortográfico

24

Lusitano de Zurique - Janeiro 2021 | www.cldz.eu


CRÓNICA

Disse ontem aos mais pequenos

que existe um mundo sem máscaras

e mascarados

LUÍS OSÓRIO

1.

Empanturrei-me de passas.

E em vez de pedir, agradeci.

Agradeci por este 2020 que

mostrou, se porventura estivéssemos

distraídos, que

somos pequenos, frágeis e

que não controlamos merda

nenhuma.

Agradeci aos médicos, aos

enfermeiros, aos auxiliares

de ação médica, às assistentes

sociais.

Agradeci aos professores.

Agradeci aos cientistas,

Agradeci aos que trabalharam

nos supermercados,

restaurantes e aos que andam

nas motas e bicicletas

a entregar comida nas casas.

Agradeci aos coveiros, aos

que limpam o nosso lixo e

as nossas ruas.

Agradeci aos artistas.

2.

Agradeci-lhes e pedi aos

meus filhos para o fazer.

Disse ontem aos mais pequenos

que existe um mundo

sem máscaras e mascarados.

Disse-lhes que existe um

mundo em que nos podemos

abraçar, um mundo em

que podemos ver o sorriso

na cara das pessoas.

O Afonso e a Benedita não

conhecem um mundo em

que isso seja possível. Para

eles o mundo é feito de caras

tapadas e distância.

3.

Nestes últimos dias lembrei-

-me das imagens que guardei.

Das valas comuns.

Mas também do sentido de

humor que conservámos mesmo

nos piores momentos.

Dos nossos mortos por chorar.

Mas também da capacidade

que tivemos de continuar a

acreditar e das provas de cidadania

que fomos capazes

de dar.

Dos nossos velhos abandonados

em lares.

Mas também das grandes

histórias de amor, dos heróis

que aplaudimos, da extraordinária

capacidade que

temos para encontrar novos

caminhos.

Do aumento de desempregados

e pessoas desesperadas.

Mas também da convicção

de que somos donos do nosso

destino e temos de combater

pela dignidade – nossa

e dos outros.

4.

Foi em tudo isto que pensei

nestes dias de silêncio.

Dias de tristeza.

Mas também de esperança.

Dias de inquietude.

Mas também de coragem.

Empanturrei-me de passas

Para não me esquecer que

não é tempo de pedir, apenas

de agradecer.

O autor escreve segundo o novo

acordo ortográfico

Ghttps://www.facebook.com/transportes.fernandes

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25


CRÓNICA

“Um LSD

&

as Hóstias”

César

Monteiro

&

Tonalidades

VÍTOR RUA (*)

Um dia reuniram-se

no Porto a convite

do Jorge Lima Barreto,

o pintor Carlos

Amado, o escultor

Mestre Lagoa Henriques,

o Rui Reininho

e o encenador

Mário Viegas.

Mal se juntaram, o Jorge diz

ter uns ácidos de LSD e que

eram “o máximo” e que deviam

ir tomar os mesmos na

Ponte para Gaia.

Assim foi.

Chegados ao meio da Ponte,

o Jorge distribuiu os ácidos

e ficaram todos a curtir

o Pôr-do-Sol no cimo da

Ponte.

Como uma Ponte não era

um sítio muito “seguro”

para estar quem tomou ácido,

o Jorge a determinada

altura disse para saírem dali.

Mal saíram da Ponte deram

com uma Igreja e logo

o Jorge resolveu que todos

deviam lá entrar.

Quando entraram estava a

decorrer uma Missa e estava

na altura da Eucaristia.

26

Tinha sido já formada uma

fila para a hóstia.

Imediatamente o Jorge e o

Mário Viegas se puseram

também na fila enquanto os

outros se sentaram a ver o

que se iria passar.

O Jorge ia tirando chicletes

do bolso e ia-as metendo

na boca a uma velocidade

estonteante, enquanto o

Viegas ia avançando na fila

calmamente.

Quanto chegou a vez do

Jorge, o Padre diz-lhe: “Em

nome de Cristo” e o Jorge

faz uma enorme bola de

chiclete que rebenta mesmo

na cara do Padre, sob os risos

dos outros que estavam

sentados.

Chegada a vez do Mário

Viegas volta de novo o Padre

a dizer: “Em nome de

Cristo”, ao que lhe diz o

Viegas com ar ameaçador

e a sussurrar-lhe ao ouvido:

“Dá-me duas senão fodo

esta merda toda”.

O Padre volta a meter a mão

no cálice e tira outra hóstia

e dá-lhe duas com um olhar

aterrado.

O Viegas virou-lhe as costas

e saiu da Igreja a mastigar

avidamente as hóstias.

Lusitano de Zurique - Janeiro 2021 | www.cldz.eu

VÍTOR RUA (*)

Um dia ia eu de táxi

com o Jorge Lima

Barreto, e ao passarmos

em frente

ao Centro Amoreiras

estava a chover

torrencialmente e

vimos o realizador

João César Monteiro,

sózinho, a apanhar

chuva com

um comprido candeeiro

nas mãos.

Ele era nosso vizinho e eu

digo ao Jorge: “Olha, está

ali à chuva o César Monteiro”

e logo o Jorge diz

ao motorista: “Pode parar

aqui para apanharmos o

nosso amigo?”.

O taxista não ficou nada

contente por lhe ir entrar

dentro do táxi um gajo

todo molhado e com um

candeeiro enorme.

Mas lá paramos e chamei-

-o pela janela: “Não quer

vir? Damos-lhe boleia?” e

ele entrou para trás com o

candeeiro.

Arrancamos e mal paramosa

no próximo semáforo

o motorista começa a olhar

para o assento do banco da

frente onde estava um jornal

do Tal & Qual e depois

olhava para o César monteiro

e de novo para o jornal

e outra vez para o César

Monteiro.

Fez isto várias vezes até

que pega no jornal (que

tinha na capa a fotografia

do João César Monteiro e

a legenda que dizia: “Este

homem recebeu 300 mil

contos para fazer um filme

preto”) e vira-se para o

César Monteiro e pergunta-lhe:

“O Senhor desculpe-me,

mas é este Senhor

aqui do jornal?”.

O César responde que sim

com ar de chateado, de

quem prevê o que se segue

e volta o motorista a falar:

“E é verdade que recebeu

300 mil contos para fazer

um filme preto?”.

O César Monteiro responde-lhe

chateado: “Eu não

fiz um filme preto! Eu fiz

um filme com várias tonalidades

de negro!”.

E diz o motorista batendo

com a mão no jornal: “Eu

vi logo!... Estes jornalistas

são sempre a mesma coisa”...

(*) músico, produtor e compositor.

Fez parte do grupo King Fischers

Band e é um dos fundadores dos

GNR.


NEUROCIÊNCIA

Breve guia para uma

vida equilibrada

NELSON S. LIMA

- Liberte-se de muitas amarras do passado! Limpe

a sua mente!

- Assuma e mantenha uma atitude positiva!

- Nem tudo correrá bem, por certo! Mas se você

souber dirigir os seus passos poderá criar novas

oportunidades!

- Filtre tudo aquilo que possa alojar-se negativamente

na sua memória!

- Cultive e alargue o seu conhecimento, a sua cultura

geral!

- Não deixe de estar informado sobre o que mais

importante acontece no mundo!

- Ouse enveredar por novos caminhos se for necessário

e oportuno!

- Resista às rotinas e aos vícios indesejáveis! Diga

não!

- Cuide da sua saúde e evite os perigos!

- Ganhe coragem para fazer o que tenha vindo a

adiar!

- Faça pequenos planos para chegar aos grandes

objectivos!

- Não desista perante os dissabores!

- Seja criativo mas também reflexivo e pragmático!

- Controle os impulsos e não se deixe manipular

pelo comércio, os políticos e todas as formas de

controlo da nossa atenção!

- Seja forte, ágil e ousado nas situações exigentes

da vida!

- Tal como o sol, renasça todos os dias!

- Ame a vida, o mundo e as pessoas de bem!

Citando Joyce Morgan, escritora e jornalista australiana:

“Lindo é o sol que não tem medo de morrer para

nascer no outro dia”.

O Vírus que nos assusta

NELSON S. LIMA

Um vírus não é um ser vivo. Nem tem

nada a ver com bactérias. As bactérias são

organismos vivos. Os vírus não. Mas ambos

pertencem ao mundo muito pequeno

que os nossos olhos não conseguem sequer

vislumbrar.

Um vírus resiste protegido pela sua pequenez. Compare

os tamanhos. Imagine uma cidade. Imagine que ela é

uma vulgar célula. Imagine um campo de futebol nessa

cidade. Esse campo seria uma bactéria. Agora imagine,

nesse campo, uma bola de futebol. Seria um vírus. Viu as

diferenças abismais de tamanho?

Um vírus não progride sem um hospedeiro (ou seja, um

ser vivo, animal ou planta) mas aguenta-se numa superfície

inerte à espera de um incauto.

As autoridades de saúde falam em lavarmos as mãos. E as

embalagens dos produtos (e os produtos não embalados)

que compramos nas lojas e levamos para nossas casas?

Os meus vizinhos estão infectados. Um familiar meu foi

contagiado pelo coronavirus e perdeu a visão. Apenas enxerga

10% como se tivesse glaucoma (uma doença ocular

em que se perde de forma irreversível a visão e para a qual

não há cura, apenas prevenção).

Sei que há uns amigos meus desta página que acreditam

em que a pandemia é uma treta, uma conspiração à escala

mundial. Não sabem do que falam. Mas são em boa parte

responsáveis por muitas pessoas não se protejerem contra

esse terrível inimigo invisível que leva o nome de código

Covid-19.

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27


ÓBITO

2021 acordou triste...

Carlos do Carmo

uma voz que parte.

Até sempre!

JOAQUIM GALANTE (*)

2021 acordou de luto,

faleceu um dos maiores

intérpretes do fado e da

música popular portuguesa

do nosso tempo.

Carlos do Carmo foi um ser humano

que aprendi a admirar, não sou fã

de fado, mas aprendi a gostar do fado

dele.

Tinha 11 anos quando, em 1976, o

Carlos (que eu nunca tinha visto,

nem ouvido e nem sabia que existia)

concorreu sozinho ao Festival da

Canção, de nome “Uma Canção para

a Europa”, pois a RTP apostou nele

para conseguir ter êxito na Eurovisão.

Sentei-me no sofá junto com os meus

pais, para assistir ao meu primeiro

festival, porque, até então, não tinha

paciência para ‘aquilo’.Eu, miúdo

irrequieto, consegui ficar sentado a

ouvi-lo cantar todas as oito músicas,

umas a seguir ás outras, sem intervalo,

para mim, criança, era um feito

extraordinário alguém conseguir

cantar tanto sem se cansar.

Venceu a ‘Flor de Verde Pinho’, para

mim as melhores foram ‘No Teu

Poema’ e ‘Estrela da Tarde’ mas, claro,

foi só porque me soaram melhor

porque não entendia nada de música,

mas ainda hoje são as minha preferidas.

Em 2019, tive finalmente o privilégio

de poder estar num concerto do

Carlos do Carmo, o seu último, foi

emocionante, fotografa-lo era para

mim o expoente máximo, talvez assim

como para os católicos fotografar

o papa.

Mudou a página do calendário mas

infelizmente nada mais mudou, as

pessoas queridas e de méritos infinitos

se vão, o vírus voltou a aparecer

depois das 13h, os preços vão aumentar,

os que correm atrás do papel

higiénico, e são muitos, pensam que

de um momento para o outro se fazem

milagres e tudo muda, bastando

substituir o último algarismo do número.

Entretanto, começamos 2021 como

nunca imaginaríamos que começasse,

para nos fazer pensar que nem

tudo são rosas e mesmo essas têm espinhos.

Um forte sentimento de tristeza é o

que sinto, uma perda enorme para a

cultura portuguesa, para a família,

para os portugueses e a somar a tudo

isto partiu mais um ilustre sócio-adepto

do meu clube (Belenenses).

Até sempre, Senhor Carlos do Carmo.

(…)

No teu poema

Existe a esperança acesa atrás do

muro

Existe tudo o mais que ainda escapa

E um verso em branco à espera de futuro

(…)

(*) fotojornalista

28

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ÓBITO

Carlos do

Carmo

– nem elogio

fúnebre nem

obituário

ANTÓNIO MANUEL RIBEIRO (*)

Apenas as memórias que guardo do homem

que conheci em 1979. Estivemos

juntos na fundação de uma cooperativa

dedicada ao espectáculo, a CantarAbril,

que tinha sede na avenida dos EUA, em

Lisboa.

Pisei vários palcos com o Carlos do Carmo nesse alvor da

década de 1980, em que a música eléctrica se ergueu entre

nós. Ouvi os conselhos do homem de saber e cultura com

a palavra justa para os mais novos, como os UHF. Um dia

disse-me, nos bastidores do Coliseu dos Recreios, a propósito

de uma farpa impressa num jornal que me infernizava

o juízo:

Carlos do Carmo, intérprete maior da verdadeira canção de

Lisboa (“Canoas do Tejo”; “Lisboa, Menina e Moça”), recuperou

com mestria e subtileza diplomática o fado, hoje

património imaterial da Humanidade, mas, considerado,

no seguimento abrutalhado que todas as mudanças políticas

produzem, uma arte reaccionária nos anos do PREC.

José Afonso, que gostava de Amália, nunca entrou neste

carrossel. Mas isto é história de quem tem memória e não

apaga os erros, que humanamente cometemos, com uma

borracha.

Ergam as palmas para o cantor Carlos do Carmo.

(*) Fundador e vocalista do grupo UHF

- António, não te magoes demais. Falam de ti, é importante

que falem, mesmo se for negativo. De outra forma morremos,

e tu vais erguer-te de novo e vencer as patifarias.

Guardei este ensinamento até hoje, que me surge sempre em

momentos críticos.

Muitas vezes, ao fim-de-semana, as duas famílias encontravam-se

no icónico restaurante Carolina do Aires, na Costa

de Caparica, até que um perverso plano Pólis (por aqui falido)

o destruiu – podem rever parte da frontaria na capa no

disco “Ares e Bares de Fronteira”.

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29


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OPINIÃO

1/02

Continuamos em guerra

ANTÓNIO MANUEL RIBEIRO (*)

É a minha primeira reflexão

sobre este novo

(segundo) confinamento,

por isso o texto surge

com a numeração 1/02.

Vou dizer-vos por breves palavras o

que nenhum político vos dirá. O linguarejar

politiquês tem esse défice.

Se no primeiro confinamento nos

portámos bem, foi o medo e não a

responsabilidade que nos controlou

– ficámos em casa. Para este segundo

confinamento, estamos a usar

todo o lastro da parvoíce nacional,

a esperteza que prolifera nos cafés e

na gargalhada idiota dos que acham

que escapam. E talvez escapem. Mas

há muitos portugueses a sofrer, dentro

de ambulâncias em fila de espera,

que podem sucumbir. Nas próximas

horas poderão vir a ser eles, esses heróis

das ‘excepções’ (não confundir

com heróis excepcionais), ou alguém

próximo a ser colocado de lado porque

não há meios, espaço, camas,

maquinaria, enfermeiros, médicos.

Lembrem-se da selecção (triagem?)

que era feita nos hospitais italianos e

espanhóis em Março e Abril do ano

passado. Morria-se à espera, sem direito

a entrar.

Como vos disse ontem no MMC,

o diabo só existe nos pormenores e

estes fazem a diferença entre a estupidez

e a responsabilidade.

O que se tem visto desde sexta-feira,

quando Lisboa e Porto (liguei para o

norte para avaliar), no primeiro dia

do confinamento, trouxeram para a

rua magotes de pessoas, é a prova de

que a estupidez vem de braço dado

com as estirpes à solta do vírus Covid-19.

Pior é impossível.

O nosso SNS, repito-o pela enésima

vez, não aguenta a corrida de todos

para as urgências, nem o nosso nem

nenhum outro. Por isso, critiquei

que as escolas a partir do secundário

não tenham sido fechadas. Na sopejagem

dos danos o que é que impera?

A perda de uns meses de estudo

ou a perda de vidas?

Desde esta casa vos digo, cuidem-se

cuidando dos outros. Um vírus, este

ou outro, não é um ‘bicho’, nem tem

patinhas para se mover, mas voa, é

verdade.

Um vírus é uma excrescência que

uma célula expulsa e vai por aí à espera

de uma via de acesso, a auto-

-estrada que as nossas mucosas fornecem.Mais

recentemente, vimos,

com espanto e desespero (espero),

muitos americanos sem vida a serem

arrumados em camiões frigoríficos

à espera de serem incinerados ou

descidos à terra. No Brasil, vimos (e

vemos) valas-comuns como fim de

uma vida porque não há outra solução

dentro dos parâmetros sanitários.

Por cá, já temos problemas com o

crescendo de óbitos, as funerárias e

os cemitérios estão a ficar saturados.

Ignorar é continuar o festim da estupidez.

Estamos no topo da cadeia de transmissão

na Europa, não é no futebol

que nos calha o pódio, é à beira do

colapso e da cova aberta.

Continuamos em guerra e a estupidez

(não sou político) impera.

Sejam responsáveis.

(*) Fundador e vocalista do grupo UHF

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Hino Nacional

faz 130 anos

Conhece

a letra toda de

“A Portuguesa”?

Em 1890 os ingleses deram um ultimato a Portugal e nós respondemos

com uma música que se viria a tornar hino nacional.

Eis a versão completa da letra do hino nacional, de Henrique Lopes

de Mendonça, que poucos conhece:

I

Heróis do mar, nobre povo,

Nação valente, imortal,

Levantai hoje de novo

O esplendor de Portugal!

Entre as brumas da memória,

Ó Pátria, sente-se a voz

Dos teus egrégios avós,

Que há-de guiar-te à vitória!

Refrão

Às armas, às armas!

Sobre a terra, sobre o mar,

Às armas, às armas!

Pela Pátria lutar!

Contra os canhões, marchar, marchar!

II

Desfralda a invicta bandeira

À luz viva do teu céu!

Brade a Europa à terra inteira:

Portugal não pereceu!

Beija o solo teu jucundo

O oceano, a rugir d’amor,

E o teu braço vencedor

Deu novos mundos ao Mundo!

Às armas, às armas!

Sobre a terra e sobre o mar,

Às armas, às armas!

Pela Pátria lutar!

Contra os canhões, marchar, marchar!

III

Saudai o Sol que desponta

Sobre um ridente porvir;

Seja o eco de uma afronta

O sinal de ressurgir.

Raios dessa aurora forte

São como beijos de mãe,

Que nos guardam, nos sustêm,

Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!

Sobre a terra e sobre o mar,

Às armas, às armas!

Pela Pátria lutar!

Contra os canhões, marchar, marchar!

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CULTURA

Palavras Cruzadas

V PAULO FREIXINHO

Horizontais

1. Georges Prosper Remi, autor de banda desenhada,

ilustrador, publicitário e criador de Tintin

(1907-1983) (com acento).

3. Um fox-terrier de pelo branco,

inseparável e alegre companheiro

de Tintin (Tintim).

6. “O templo do (...)” (livro).

8. “O ceptro de (...)”

(livro). 11. “Tintin

no (...)” (livro).

12. “Tintin e a

(...)-(...)”, livro

inacabado (duas

palavras juntas).

14. “A ilha (...)”

(livro).

15. “O (...) de Rackham,

o terrível”

(livro).

17. “Os charutos

do (...)” (livro, com

acento).

19. No dia 10 de janeiro

de 1929, surge pela

primeira vez ao entrar

num comboio com destino a

Moscovo.

21. “Tintin no país do (...) negro”

(livro).

23. “Tintin na (...)” (livro, com acento).

25. “Carvão no (...)” (livro, com til).

27. Um dos dois detetives desajeitados das Aventuras de

Tintin.

28. “As 7 bolas de (...)” (livro).

30. “Voo 714 para (...)” (livro).

31. “O caso (...)” (livro)..

Verticais

1. Capitão (...), tem nome de peixe e é o melhor

amigo de Tintin.

2. “(...) à Lua” (livro).

Um site que é uma referência

4. “O segredo do (...)”, livro que, em

2011, foi levado para o cinema por

Steven Spielberg.

5. “O (...) das tenazes de ouro” (livro).

7. “Tintin no país dos (...)”, o primeiro

livro (editado em 1930).

9. “(...) a Lua” (livro).

10. “A (...) quebrada” (livro).

12. “O lótus (...)”, livro que dá

início a um estilo próprio,

marcado pelo humor, suspense

e relevância política

ou histórica.

13. “Tintin e o lago dos

(...)” (livro).

16. “A (...) misteriosa”

(livro).

18. “As (...) de Tintin”,

venderam mais de 100

milhões de cópias

em todo o mundo e

estão traduzidos em

mais de 50 línguas,

incluindo esperanto

e latim.

20. “Tintin no (...)”, livro

marcado pela polémica pois há

quem o acuse de retratar os africanos

de forma racista.

22. “Tintin e os (...)” (livro, com

acento).

24. “As jóias de (...)” (livro). 26. Um dos dois

detetives desajeitados das Aventuras de Tintin.

29. O escuteiro que deu origem ao repórter Tintin

(1926).

Soluções na página 35 8

Adepto das Redes Sociais e dos blogues, Paulo Freixinho, juntamente com um amigo de

infância, admirador do seu trabalho, relançou este ano o seu site onde é possível fazer

Palavras Cruzadas online.

Juntos, pretendem criar um site que seja cada vez mais uma referência, já apelidado como

“Um Paraíso para Cruzadistas”.

Experimente: www.palavrascruzadas.pt

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HUMOR Quem não sabe rir, não sabe viver”

O Turista

O Senhor Gregório foi cortar o cabelo

ao barbeiro que frequentava há

mais de vinte anos.

– Ena pá, estou mesmo contente,

amanhã vou para Itália!

– Itália ? – perguntou o barbeiro –

com tanto lugar bom para ir, e vais

para Itália ?

– É, e vou na companhia aérea “Alitalia”.

– Ui tinhas logo de escolher a pior

companhia de aviação do mundo.

Vais para que cidade ?

– Roma.

– Roma conheço bem, que grande

bosta, uma cidade banal e mesmo feia

e em que hotel vais ficar ?

– No Hilton.

– No Hilton… olha que aquilo é o

maior pardieiro e se calhar até vais

ver o Papa?

– Claro !

– Hahaha, é mesmo a excursãozinha

de parolo… Milhões de pessoas aos

encontrões só para ver o Papa… a

mim é que não me apanhavam nessa!

O fulano saiu do barbeiro mesmo

chateado.

No dia seguinte lá foi de viagem,

correu tudo lindamente, divertiu-se

muito.

Mal voltou, fez questão de voltar à

barbearia.

– Então, que tal foi a viagem ? – perguntou

o barbeiro muito curioso.

– Oh homem, tu nem imaginas o que

me aconteceu. Estava eu lá no Vaticano

a tentar ver o Papa, quando chegou

à sacada do palácio, olha para a

multidão e desce.

Vem mesmo na minha direcção,

aproximando-se de mim cada vez

mais e quando chegou bem perto,

olhou-me nos olhos a sorrir, diz-me

um segredo ao ouvido, muito baixinho,

para só eu poder ouvir.

– E então, o que foi que o Papa te disse

?

– “Ó Gregório, meu amigo… que

vergonha de cabelo mal cortado?

Que porcaria de Barbeiro é o teu?”

5,9 litros aos 100 km

Um estudo recente conduzido pela

Universidade Técnica de Lisboa mostrou

que cada português caminha em

média 440 km por ano. Outro estudo,

feito pela Associação Médica de

Coimbra, revelou que, em média, o

português bebe 26 litros de vinho por

ano.

Conclusão: O português, em média,

gasta 5,9 litros aos 100 km, ou seja, é

económico!

Afinal, nem tudo está mal, neste País!

Velocidade

Um tipo comprou um Mercedes e

estava a dar uma volta numa estrada

municipal à noite.

A capota estava recolhida, a brisa soprava

levemente pelo seu cabelo e ele

decidiu puxar um bocado pelo carro.

Assim que a agulha chegou aos 130

km, ele de repente reparou nas luzes

azuis por trás dele.

“De maneira alguma conseguem

acompanhar um Mercedes” pensou

ele para consigo mesmo, e acelerou

ainda mais.

A agulha bateu os 150, 170, 180 e, finalmente,

os 200 km/h, sempre com

as luzes atrás dele.

Entretanto teve um momento de lucidez

e pensou:

“Mas que raio é que eu estou a fazer

?!” e logo de seguida encostou.

O polícia chegou ao pé dele, pegou

na carta de condução sem dizer uma

palavra e examinou o carro.

– Eu tive um turno bastante longo e

esta é a minha última paragem. Não

estou com vontade de tratar de mais

papeladas, por isso, se me der uma

desculpa pela forma como conduziu

que eu ainda não tenha ouvido, deixo-o

ir!

– Na semana passada a minha mulher

fugiu de casa com um polícia – disse

o homem – e eu estava com medo

que a quisesse devolver!

Diz o policia:– Tenha uma boa noite!

34

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Fevereiro 2021

Feriados e Datas Comemorativas

PASSATEMPO

Datas comemorativas

02 DOM Dia Mundial das Zonas Húmidas

14 SEX Dia dos Namorados (Dia de São Valentim)

02 DOM Dia de Nossa Senhora das Candeias

14 SEX Dia do Amor

04 TER Dia Mundial de Luta Contra o Cancro

14 SEX Dia Nacional do Doente Coronário

05 QUA Dia Mundial da Nutella

15 SÁB Dia Internacional da Criança com Cancro

06 QUI Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação

17 SEG Dia dos Sete Fundadores da Ordem dos Servitas

Genital Feminina

18 TER Dia Internacional da Síndrome de Asperger

09 DOM Dia Mundial do Casamento

20 QUI Dia Mundial da Justiça Social

10 SEG Dia de Limpar o Computador

21 SEX Dia Internacional da Língua Materna

11 TER Dia Mundial do Doente

22 SÁB Dia Europeu da Vítima de Crime

11 TER Dia da Internet Segura

22 SÁB Dia do Pensamento

11 TER Dia Internacional das Mulheres e Meninas na 23 DOM Domingo Gordo

Ciência

12 QUA Dia da Mão Vermelha

25

27

TER

QUI

Carnaval

Dia Internacional do Urso Polar

12 QUA Dia de Darwin

29 SÁB Dia Mundial das Doenças Raras

13 QUI Dia Mundial da Rádio

29 SÁB Dia do Engolidor de Espadas

SOLUÇÕES

Horizontais:

1. Hergé,

3. Milu,

6. Sol,

8. Ottokar,

11. Tibete,

12. Alphart,

14. Negra,

15. Tesouro,

17. Faraó,

19. Tintin,

21. Ouro,

23. América,

25. Porão,

27. Dupont,

28. Cristal, 30. Sydney,

31. Girassol.

Verticais:

1. Haddock,

2. Rumo,

4. Licorne,

5. Caranguejo,

7. Sovietes,

9. Explorando,

10. Orelha,

12. Azul,

13. Tubarões,

16. Estrela,

18. Aventuras,

20. Congo,

22. Pícaros,

24. Castafiore,

26. Dupond,

29. Totor.

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À lupa

V

CARMINDO DE

CARVALHO

Aqui neste centro comercial fronteiriço

Neste dia último do ano me encontro

Aqui sentado neste banco

De pedra, pedra granítica, quem sabe de que hera?

Quem sabe donde era?

Dou comigo a observar esta massa humana

Que ordeiramente como carneiros a caminho da Pastagem...

Passam como bonecas espampanantes

Em passerelles deslizantes

Pavoneando – se à passagem!

É um velho com um miúdo pela mão

É uma granfina com um fofinho no colinho!

Para enfeitar não falta no pêlo um lacinho!

É uma criança a chorar, estará na hora de mamar?

Chora, continua a chorar, porque tem de esperar.

É um marreco e uma coxa

Com uma grande crista roxa!

É um com umas calças de grandes dobras!

É uma com uns "calçonitos " quase a mostrar as bordas!

E eu cidadão anónimo aqui sentado

Interrompo momentaneamente esta observação pacífica

Para viajar montado em coisas que sei.

São sons que oiço

São imagens de Tv. que vejo.

Viajo

Viajo e reajo

Com os extremos nocivos que pelo Mundo proliferam

E infelizmente abundam

E me deixam muito constrangido.

Internamente fico a falar:

Aqui há paz!

E como é lindo!

Este fervilhar

De gente a passar!

É o povo que passa

Cada qual com sua graça

Ou desgraça.

Do livro - Entre o Ter e o Querer - edic. 2000

Carnaval

V EUCLIDES

CAVACO

São no mundo festejadas

Folias de Carnaval

Mas sempre mais celebradas

No Brasil e Portugal.

É quadra de euforia

Liberdade e extravagância

Num misto de idolatria

São festas de relevância.

Aldeias, vilas, cidades

Destes nossos dois países

Fazem das festividades

Momentos assaz felizes.

Fantasiam-se partidas

Forjadas no Carnaval

Ousadas e atrevidas

Mas ninguém as leva a mal.

A crítica mascarada

De máscara fica nua

Pois só assim disfarçada

Tem liberdade de rua.

Do frenético ambiente

Após a festa acabada

Permanece muita gente

Sem máscara... Mascarada!...

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CRÓNICA

Um copo de vinho

antes de morrer

Um desabafo (relato) pessoal e uma notícia

sobre ‘o prazer de beber um copo de

vinho’.

AMILCAR MALHÓ (*)

Este foi um ano em que alguns dos mais velhos dos nossos

queridos familiares e amigos não resistiram aos efeitos, diretos

e indiretos, da malvada pandemia. Não houve tempo

nem condições, quer para os ‘acompanhar’, nem que fosse

com o olhar nos derradeiros momentos, quer para as ‘despedidas’.

Dei comigo a pensar num telefonema que recebi de um

amigo, através do qual fiquei a saber do falecimento de alguém

que havia conhecido numa tertúlia gastronómica no

centro interior de Portugal. Há ocasiões em que, na mesa,

basta uma única vez para sentirmos a tal ‘empatia’. Foi o que

aconteceu. O mensageiro da (má) notícia revelou-me que

o ‘militante da mesa’ agora falecido, sempre foi um gastro-

-enófilo moderado mas exigente no vinho que bebia e que,

poucos dias antes de ser hospitalizado lançou uma daquelas

‘bocas’ para o ar: “descansa que não hei-de morrer sem beber

um copo de vinho, em homenagem às nossas patuscadas”.

A voz ao telefone desabafou: “se não fosse esta merda do covid,

juro que tinha escondido nem que fosse um frasquinho

com um dos vinhos que ele mais gostava e tinha ido lá para

lhe dar este último prazer”. Este telefonema trouxe-me à

memória uma notícia publicada aqui no ‘Jornal dos Sabores’

em 2017. Reli-a, emocionei-me ainda mais e apeteceu-me

terminar este ano filho da p+++ partilhando convosco o que

considero um autêntico ato de amor.

O Hospital Universitário de Aarhus, na Dinamarca

quebrou o protocolo para realizar o último desejo de

Carsten Flemming Hansen, de 75 anos, paciente em

situação terminal.

Com um aneurisma na aorta e hemorragia interna,

Carsten Flemming Hansen, de 75 anos, estava internado

no Hospital Universitário de Aarhus, na Dinamarca,

e poderia morrer em dias ou horas. O doente

pediu que lhe concedessem o prazer de, antes de

morrer, fumar um cigarro e beber uma taça de vinho

branco gelado, enquanto observava o pôr do Sol.

Como o fumo é proibido, as enfermeiras que o tratavam

desafiaram as normas da instituição e levaram

a cama em que o doente se encontrava para uma

varanda onde Carsten realizou o seu último desejo.

“Era o fim que ele queria. Não houve tempo para

pensar, era apenas comprar o que ele pedia”, declarou

Inge Pia Christensen, diretora de enfermagem

no Aarhus, em entrevista à imprensa local.

O facto ficou registado na página do hospital no Facebook

no dia em que Hansen faleceu, e registou em

poucas horas mais de 70 mil ‘gostos’ e quase 5 mil

partilhas. De acordo com as enfermeiras, a família

concordou que numa situação como esta, os últimos

desejos eram mais importantes que qualquer tipo de

tratamento.

Foto: Hospital Universitário de Aarhus

(*) Jornal Sabores - O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico

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HORÓSCOPO

Fevereiro

w V - JOANA ARAÚJO (*)

Oitavas do Zodíaco

Gémeos pode ser compreendido como

oitavo superior de Escorpião por ser o

signo que comunica, pensa e estuda

tudo, inclusive os sentimentos mais

profundos, permitindo um entendimento

intelectual do psiquismo pessoal, cultural

e humano. O que é dito, ou de alguma

forma transmitido, pode revelar a si e

aos outros processos íntimos, abrindo a

possibilidade de transformações graças

à luz da razão chegando a elementos até

então inconscientes.

Capricórnio pode ser compreendido

como oitavo superior de Gémeos por

ser o signo que formata os pensamentos

e conhecimentos em prol do status, da

realização profissional e reconhecimento

social. Esta demanda provoca uma busca

de fundamentação nas informações que

já adquiridas, como também, passa a

influenciar aquelas que desejamos obter.

Leão pode ser compreendido como

oitavo superior de Capricórnio por ser

o signo que possui auto-estima e forte

sendo de dignidade, o que facilita a

exposição profissional, mesmo quanto

nem tudo está amadurecido, formatado

e perfeito. A consciência de si mesmo

enquanto ser criativo e único agiliza

uma actuação realizadora na vida, pois,

independentemente do feito, o indivíduo

já possui seu valor e é merecedor de

respeito.

Peixes pode ser compreendido como

oitavo superior de Leão por ser o signo que

acesso dimensões energicamente subtis,

superiores e divinas, dando ao ser humano

a consciência de que faz parte do Todo ou

de um destino, que o absorve e o envolve

numa forte rede de acontecimentos e

situações. A percepção da existência do

Criador lembra ao homem que ele é antes

de tudo criatura, mesmo sendo também

criador.

Balança pode ser compreendida como

oitavo superior de Peixes por ser o signo

que representa a harmonia e a cooperação

entre os homens, dando ao ser humano

a necessidade da companhia, de ser

amado pessoalmente e de amar. A relação

afectiva é o exercício diário do amor

espiritual, ou seja, é transportar este amor

para a dimensão terrena por entender que

o outro é a personificação do Todo, ou de

uma parte Dele.

Touro pode ser compreendido como

oitavo superior de Balança por ser o signo

que prioriza a preservação da vida e dos

valores, sinalizando a relevância do bemestar

e das necessidades bem atendidas.

Bons frutos irão resultar de uma parceria

que dá lugar aos talentos individuais e

que respeita a bagagem de cada um. As

relações podem ser avaliadas por meio do

fortalecimento de cada um, no que diz

respeito ao seu próprio mérito, estima e

importância.

Sagitário pode ser compreendido como

oitavo superior de Touro por ser o signo

que busca o aprimoramento e a sabedoria.

O valor da vida humana, inclusive o

nosso próprio, é elevado quando passamos

a seguir ideologias e códigos que

sintetizam o que é ético e moralmente

correcto e, também, quando procuramos

por caminhos direccionados para o bem e

para a Verdade.

Caranguejo pode ser compreendido

como oitavo superior de Sagitário por ser

o signo que cuida para que tudo tenha

significado e sentindo pessoal. As metas

filosóficas, os códigos de conduta, e o

caminho do bem deixam de ser só belas

palavras e passam a ser as nossas profundas

verdades quando eles fazem eco e ressoam

dentro de nós, dando-nos a certeza que

elas estão nos levando para o lar, para algo

que nos conforta e aconchega.

Aquário pode ser compreendido como

oitavo superior de Caranguejo por ser o

signo que se abre para os homens enquanto

grupo, pensando no futuro, buscando

o que melhor lhe atende e escutando

a todos. A ideia de família alcança uma

abrangência surpreendente quando as

discriminações dentro dela deixam de

ocorrer em prol do bem-estar de todos,

como também ao considerar que de fato

todos que povoam o planeta são membros

de uma mesma família.

Virgem pode ser compreendida como

oitavo superior de Aquário por ser o signo

que coloca a mão na massa, solucionado

os problemas, fazendo com que tudo

funcione, ou seja, viabilizando a vida. As

invenções, os pensamentos de vanguarda

e revolucionários só promovem o

progresso e o avanço em termos

tecnológicos e humanitários quando de

fato são aplicáveis e colocados em prática,

o que exige trabalho minucioso, muitos

experimentos e reavaliações.

Carneiro pode ser compreendido como

oitavo superior de Virgem por ser o signo

que parte para a acção com coragem,

fazendo tudo com rapidez, sempre

disposto a conquistar seus objectivos e a

enfrentar os obstáculos. O processo de

analisar, separar, fazer e refazer, consertar

ou restaurar deixa de ser enfadonho

quando existe o direito de escolher uma

forma própria para actuar, respeitando a si

próprio e a identidade de cada um.

Escorpião pode ser compreendido como

oitavo superior de Carneiro por ser o signo

que penetra no inconsciente podendo

aceder os propósitos secretos de cada um

dos nossos impulsos e desejos. Quando

nenhuma acção passa despercebida, ou

seja, todas são entendidas como fontes

para o auto-conhecimento, o resultado

disto é observar a si mesmo, suas escolhas

e seus objectivos, o que é suficiente para

garantir um constante investimento

pessoal em prol de ser você mesmo, mas

sempre melhor.

38

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Sábado — 08h00 às 19h00

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de carnes fresca,

todos os dias!

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Tel: 044 945 02 20 | 044 945 02 21

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Eleições presidenciais 2021

R E S U L T A D O

TOTAL NO

ESTRANGEIRO

Marcelo Rebelo de Sousa

51,03% = 13.522 votos

Ana Gomes

19,17% = 5.081 votos

André Ventura

12,94% = 3.429 votos

Tiago Mayan Gonçalves

5,82% = 1.543 votos

Marisa Matias

5,69% = 1.508 votos

João Ferreira

3,66% = 971 votos

Vitorino Silva

1,68% = 445 votos

Em branco

0,66% = 177 votos

Nulos

0,49% = 132 votos

SECÇÃO DE VOTO ZURIQUE

Marcelo Rebelo de

Sousa

37,88% = 533 votos

André Ventura

23,67% = 333 votos

Ana Gomes

18,34% = 258 votos

Tiago Mayan Gonçalves

7,60% = 107 votos

Marisa Matias

5,12% = 72 votos

João Ferreira

4,76% = 67 votos

Vitorino Silva

2,63% = 37 votos

Inscritos = 42.643

Votantes = 1.303

Em branco

11 votos

Nulos

4 votos

SUÍÇA TOTAL

Marcelo Rebelo de Sousa

39,76% = 1.365 votos

André Ventura

24,50% = 841 votos

Ana Gomes

17,59% = 604 votos

Tiago Mayan Gonçalves

5,62% = 193 votos

João Ferreira

4,92% = 169 votos

Marisa Matias

4,69% = 161 votos

Vitorino Silva

2,91% = 100 votos

Em branco

0,58% = 20 votos

Nulos

0,26% = 9 votos

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